Neste sexto episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Gênesis, focando nos primeiros versículos do capítulo 1. O estudo é enriquecido pela perspectiva espírita, que dialoga com as tradições judaica, protestante e católica, buscando uma compreensão mais ampla e multifacetada dos textos sagrados.
O que é estudado neste episódio
- A Ética do Sinai e as nuances da interpretação bíblica: Haroldo introduz o livro “A Ética do Sinai” de Irvin Buni, um rabino que explora o tratado Avot do Talmude. É destacada a importância de compreender que os livros do Velho Testamento foram escritos por hebreus, que guardaram e interpretaram esse patrimônio espiritual por milênios, constituindo a Primeira Revelação.
- As “setenta faces da Torá”: É abordada a ideia judaica de que a palavra de Deus, como um martelo que despedaça a rocha, pode ser dividida em “setenta expressões” ou interpretações. Este conceito, presente no Talmude (Tratado Shabbat 83b, Tratado Sanhedrin 34a) e no Midrash Rabbah de Números (cap. 13, vers. 15), enfatiza a multiplicidade de significados dos textos sagrados, combatendo interpretações fundamentalistas.
- Os quatro níveis de interpretação (Pardes):
- Pechat: O sentido literal e literário do texto. É a compreensão do que está escrito, sem desconsiderar o contexto e a gramática. Haroldo cita exemplos como a descrição da Terra “sem forma e vazia” em Gênesis, e a importância de não deturpar o que está explicitamente declarado.
- Remes: O nível simbólico e metafórico. Aqui, as palavras adquirem significados mais profundos, como a interpretação do “dia” da criação em Gênesis, que não pode ser o dia solar, já que o Sol é criado apenas no quarto “dia”. Outro exemplo é a interpretação das palavras de Jesus sobre “grávidas e as que amamentarem” no sermão profético, que não se refere à gravidez biológica.
- Derash (ou Darash): A busca por significados através de alusões e associações com outros textos da Torá, formando um “colar de pérolas”. É a técnica de conectar diferentes passagens para extrair novas compreensões, como Emmanuel faz na série “Fonte Viva”.
- Sod: O nível místico e esotérico, ligado à Kabbalah. É a leitura mais íntima e profunda, que atinge um grau de significado que transcende os anteriores. Haroldo menciona a relação da Kabbalah com o Espiritismo, destacando como Bezerra de Menezes explorou esses conceitos em seus escritos, e como as noções do Livro dos Espíritos encontram paralelos na Kabbalah.
Ler transcrição do episódio
Dispões de recursos próprios, enquanto humildes, para as tarefas do socorro material. Contudo, esperas pelo dinheiro dos outros. Tens contigo vastas possibilidades para alfabetizar os necessitados de instrução. Mas esperas um título oficial que talvez nunca chegue. Mostras os pés e braços milhares de anos de auxílio aos irmãos em prova. Entretanto, esperas acompanhantes que provavelmente jamais se decidam ao conjunto estratégico. Relacionas talentos múltiplos a fim de cumprir a abençoada missão de amor. Puro entre os homens, todavia, esperas em família pelo companheiro ideal.
Quando o apóstolo escreveu essa confissão, estava preso em Roma. Em torno dele, o ambiente doloroso do cárcere. Guardiães desalmados, companheiros infelizes, pragas e faladões. Nem sempre pão à mesa, nem sempre água pura, nem sempre consolação, nem sempre voz amiga. No entanto, ao invés de desanimar, o pioneiro do Evangelho cede vida e força. Serenidade e bom ânimo de si próprio. Se aspiras a servir aos outros, servindo a ti mesmo no reino do Espírito, não percas tempo na expectativa inútil, pois todo aquele que sente e age com o Cristo vive satisfeito e procura melhorar-se, melhorando a vida com aquilo que tem.
Quem quer fazer a prece? Cláudio, faz a prece pra gente. Hora de amor e bondade. Jesus, amigo e mestre. Espiritualidade amiga nos conduz. Estamos nesta noite, mais uma vez, agradecidos pela oportunidade de nos encontrarmos aqui estudando o Antigo Testamento, as mensagens que verteiram do alto, que nos auxiliam até hoje, nos mostrando o norte, a direção, para estarmos contigo, Senhor, aplicando e sentindo o teu verbo no nosso dia a dia. Inspira-nos, nos auxilie, para que possamos, mais uma vez, nesta noite, trazermos à tona aquilo que é necessário revelar aos de boa vontade.
Que assim seja. Boa noite pra todos. A gente quer começar agradecendo aos amigos do Meimei, do Ser, que estão aqui hoje, ao Cláudio, Marinda, à equipe de Curitiba, que acompanha a gente pela internet, a todos os internautas que estão acompanhando ao vivo, e também, depois, assistindo os vídeos, agradecer a confiança e essas vibrações, esse amparo de todos com esse trabalho do Gênesis. E, hoje, a gente começa, assim, numa aventura. Hoje, nós começamos a entrar mesmo no capítulo 1 de Gênesis, os primeiros versículos, as primeiras ideias, a tão esperada interpretação dos versículos de Gênesis.
Vai ser um longo percurso, porque são muitas nuances, muitos detalhes, e a gente conta com a participação de todos, os que estão aqui presentes e todos que estão acompanhando pela internet, principalmente os que estão presentes aqui para fazerem observações e perguntas. E, para iniciar, a gente gostaria de trazer um texto que está nesse livro aqui. Está dando pra ver? Chama-se A Ética do Sinai. Esse livro foi editado pela CEF, é uma editora judaica brasileira, e ele é o comentário do Irvin Buni. O Irvin Buni foi um rabino em Nova Iorque que viajava o mundo inteiro fazendo palestras sobre um tratado do Talmud, chamado Avot.
Esse tratado do Talmud examina as questões éticas, comportamento ético, moral, resume. É como se fosse um código de ética dos judeus. Esse é o tratado. E, o Irvin se tornou mundialmente conhecido por conta das interpretações dele muito interessantes, muito práticas e feitas para o homem do século XX, para a vida do século XX. E, tem uma parte muito interessante aqui nesse livro, que eu separei, que é a parte que ele fala sobre as nuances da interpretação bíblica dos judeus, do povo hebreu. E, por que nós estamos trazendo isso aqui?
Porque é bom repetir. Os livros do Velho Testamento, especialmente o livro de Gênesis, que nós vamos penetrar agora, foram escritos por hebreus. Não foram escritos por gregos, nem por romanos, nem por mesopotâmios, nem por chineses, nem por japoneses. Nós sabemos que todos os povos possuem a sua literatura, sobretudo a sua literatura religiosa, e todos eles contam com missionários que vieram impulsionar o pensamento religioso daquele povo, daquele agrupamento de espíritos, que está reunido em função de afinidades étnicas.
Porque nós sabemos que as nações funcionam como escolas para o Espírito. Quando o Espírito aprende todas as lições que aquele grupo nacional tem a lhe oferecer, ele muitas vezes se transfere para outros agrupamentos para recolher outras experiências espirituais. Porque cada povo tem suas ênfases, tem suas virtudes, tem também suas dificuldades, seus pontos fracos. E, assim, o Espírito vai estagiando em várias civilizações. Mas, o certo é que a literatura do Velho Testamento é um patrimônio cultural, é um patrimônio espiritual do povo hebreu.
E, durante mil e quinhentos anos, até a chegada de Jesus, e mesmo depois, eles continuam sendo os guardadores, os cuidadores desse patrimônio que nós aprendemos na Doutrina Espírita que constitui o patrimônio espiritual da Primeira Revelação. Então, é importante a gente ter um senso de propriedade. Eu não vou aprender sobre Ixing, sobre literatura religiosa da China, com o brasileiro. Não vai ser no seio da sociedade brasileira que eu vou encontrar os mestres da tradição do Ixing. Naturalmente, que eu preciso deslocar-me ou conviver com pessoas que são oriundas da China, que aprenderam dos seus pais, dos seus avós, dos seus bisavós, dessa tradição espiritual e a ensinam.
É assim com a Yoga, é assim com o Karatê, com o Kung Fu, é assim com todas as áreas. É assim com a Áustria, com a Alemanha, com os Estados Unidos, cada qual tem as suas especialidades e, não raro, as criaturas se deslocam, viajam para terem contatos com os detentores daquela tradição cultural, religiosa e espiritual para beber na fonte. Então, aqui nós estamos trazendo para beber na fonte. O que nós estamos querendo beber na fonte? Olha o que ele diz aqui. Muito bem. Não bastaria uma boa leitura do texto, seja em hebraico, seja em uma boa tradução?
Ele está falando sobre a compreensão do texto. Essa leitura não seria suficiente para a compreensão e a inspiração? A resposta é sim, mas apenas em parte. Na visão profética de Jeremias, o Todo-Poderoso compara a sua palavra com um martelo que despedaça a rocha. Isso está em Jeremias capítulo 23, versículo 29. A palavra de Deus é comparada a um martelo que despedaça uma rocha. E o Talmud comenta Tal qual a rocha que se parte em muitos fragmentos sob o golpe do martelo, assim cada palavra do Santíssimo, bendito seja Ele, foi dividida em setenta expressões.
Isso está no Tratado Shabbat, página 83b, que é o verso da página. Olha que interessante. É como se cada texto tivesse setenta expressões, setenta interpretações. É claro que isso é um número simbólico. Ninguém vai contar uma, duas e enumerar 69 e 70. Setenta é um número místico do judaísmo que quer dizer inúmeras, múltiplas. Exatamente. É exatamente isso, a setenta faces da Torá. Então, é isso aqui, setenta fragmentos. Assim como a rocha se despedaça sob o golpe do martelo, diz novamente o Talmud, um versículo das Escrituras Sagradas pode admitir muitos significados.
Isso está no Tratado Sanhedrin, página 34, frente, letra A. Portanto, o Midrash diz simplesmente a Torá tem setenta faces. Isso está no Midrash Rabbah de Números, capítulo 13, versículo 15. E, isso está também no Zohar, que é o livro da Kabbalah. Ele diz assim, Quando uma palavra foi impressa na rocha, quando o Todo-Poderoso grava um dos dez mandamentos nas tábuas de pedra, setenta diferentes aspectos foram revelados na mesma. Olha que interessante. E, o Zohar, capítulo 143b, menciona que setenta explicações alternativas da Torá.
E, o capítulo 1, versículo 54, o Arda Zohar diz A Torá inteira pode ser exposta de setenta maneiras. O que nós estamos dizendo? Não existe a interpretação. Há um artigo definido e fechou a interpretação. Existe uma interpretação, que é a interpretação a partir de uma perspectiva, a partir de um ponto que eu escolhi para olhar. É tanto que quando Jesus vai interpretar a Parábola do Semeador, temos isso lá em Marcos, né, Mateus, quando Ele vai interpretar a Parábola, Ele conta outra. A interpretação dEle é quase outra parábola.
Ele não fecha a interpretação. O Sr. Honório adorava isso, né. A interpretação que fecha demais, que quer ter certezas demais, que quer esgotar o texto, é uma interpretação fundamentalista. Porque a interpretação tem sempre que abrir. O texto pode ser visto de diversos ângulos. E, a gente não esquece de sempre frisar isso no livro Obreiros da Vida Eterna, quando Asclepius materializa no mundo espiritual com um rolo na mão e as pessoas vão fazendo consultas e ele vai abrindo versículos do Novo Testamento e vai respondendo a um problema específico da pessoa com um versículo.
Às vezes, você fala, nossa, que coisa curiosa, né, como é que ele linkou esse versículo ao problema que a pessoa estava passando. Ele estava olhando aquele texto a partir daquele problema que a pessoa colocou para ele na consulta espiritual. Então, há uma tradição do povo hebreu que interpreta Gênesis. Isso é importante dizer. O protestantismo interpreta Gênesis, mas só há 500 anos. Só tem 500 anos que existe protestante. Só tem 500 anos que eles interpretam esse livro. O catolicismo interpreta esse livro há 1.700 anos.
É mais tempo. O povo hebreu interpreta há 3.500 anos. É mais um pouco. Tem mais tempo. Nós, espíritas, estamos interpretando esse livro. Há pouco mais de 150 anos. Há pouco mais de 150 anos. Então, quando Kardec coloca no primeiro capítulo de O Evangelho Segundo o Espiritismo não vim destruir a lei, nós precisamos fazer uma leitura ampla. É que a doutrina espírita não desperdiça trabalho de ninguém. O espiritismo não despreza o trabalho de missionários que durante 3.500 anos encarnaram e dedicaram a sua vida inteira para interpretar esse texto.
No povo hebreu. Nem os missionários que nasceram no protestantismo e muito menos os missionários que nasceram no catolicismo. Mas, também, a doutrina espírita não despreza os missionários que nasceram no movimento espírita e que deram a sua contribuição. Então, a palavra aqui não é ou, é i. Não é essa interpretação ou aquela. É essa e aquela e aquela e aquela outra. Nós estamos fazendo um trabalho de soma. De soma. Estamos deixando isso muito claro porque o trabalho que nós estamos fazendo aqui é uma interpretação.
Nós estamos reunindo. E, no Brasil e no mundo, quem está nos assistindo, se fizesse esse trabalho, alcançaria outros resultados também maravilhosos. E deve ser feito. A nossa esperança é que estudos do Novo Testamento, do Velho Testamento, se alacem por todo o Brasil, estudos à luz da doutrina espírita e que as pessoas cada mais adquiram competência, desenvolvam habilidades e tragam visões novas. O que eu mais desejo é sentar e ouvir alguém dando um enfoque diferente, trazendo algo assim e falar Puxa vida, que legal, eu não tinha percebido isso.
Isso é maravilhoso. E esse é o Espírito. O nosso Espírito é esse. Nós estamos juntos aqui para que cada um traga ali um pedacinho da rocha. Porque a rocha foi despedaçada em vários fragmentos. Ô, Cláudio, o que é? Cláudio Santos Para alguns parece também que é importante a gente lembrar que todo o conhecimento que nós temos hoje, mesmo trazendo a doutrina espírita, ele respeita uma linha também que é de tradição. Não excluímos, não dá para você ter um conhecimento hoje que exclua todo um passado. É uma construção paulatina que mesmo saber de hoje ele se baseia em uma tradição e vai se ampliando esse conhecimento.
Essa palavra que você trouxe não dá para ser ou de exclusão, mas sim de somatório. Exato. Eu acho que é muito adequado. Fantástico. E também acredito que nós Espíritas deveremos enxergar isso não desrespeitando também as contribuições passadas como se nós estivéssemos gerando algo extremamente novo, no sentido de se respeitar o que já foi construído. O que já foi construído, da tradição, não é? Da tradição, sim. Repete. Então, parece que o Cláudio Marins leu o parágrafo seguinte que eu vou ler agora. Ele está falando da tradição e é exatamente, ele está falando que nós não devemos desrespeitar a tradição do que já foi feito, porque nenhum conhecimento se dá sem uma tradição.
É dentro de uma tradição que o conhecimento se transmite, mesmo quando esse conhecimento é prioritariamente escrito. Por trás da escrita tem todo um processo de tradição. Até hoje, não é, Cláudio? Você vai produzir um livro, você está escrevendo a partir de uma tradição, de uma escola, de uma corrente, de uma linha. Então, não podemos desprezar. E é o que ele vai dizer aqui. A linguagem da Torá, tanto sobre a forma escrita quanto sobre a forma oral, porque os hebreus distinguem de Torá escrita e Torá oral. Torá oral é a tradição milenar.
A tradição milenar é multifacetada, tem profundidades e níveis de significado insuspeitos. Se você tomar o sentido literal, tomando-a apenas superficialmente, não verá o esplendor e a glória que ele oculta. Olha que bonito! Então, tem a tradição e o texto. Nós vamos trazer aqui o texto, Gênesis, na tradução em português e no original em hebraico. Mas, nós vamos trazer a tradição interpretativa hebraica, a tradição interpretativa protestante, a tradição interpretativa católica e a tradição interpretativa espírita e juntar.
E, aí, nós vamos ver que o texto vai ganhar uma beleza, vai ganhar contornos, que se você fizer uma leitura apenas sozinho, você não vai conseguir. Por quê? Porque nenhum encarnado é capaz de fazer sozinho o que centenas de missionários fizeram em 3.500 anos. É impossível. Ninguém cria algo totalmente do zero. Isso não existe. Isso não existe. Nós temos que avançar? Temos. A doutrina espírita dá uma ferramenta para que a gente possa avançar a interpretação do Gênesis? Dá. Dá. E, o nosso propósito aqui é esse, é abrir caminhos que não foram abertos.
Por quê? Porque nós vamos utilizar elementos da doutrina que não foram aplicados ao texto. Mas, sem ser ingênuos de imaginar que tudo que nós estamos fazendo aqui é original, que nunca ninguém pensou nisso, porque isso não é verdade. Não é verdade. Nós temos, todos sabemos, uma tradição aqui em Belo Horizonte, uma tradição verdadeira em Belo Horizonte, dos abreus de interpretação do Velho Testamento. Nós temos, por exemplo, Caibachútero, que tem uma tradição de interpretação do Velho Testamento. São autores que escreveram sobre isso.
Temos o Pastorinho, que escreveu alguma coisa. Então, nós temos outras tradições e temos na obra de Chico Xavier que está repleta de interpretações subliminares do Velho Testamento. Nós vamos ver. Nós vamos resgatar isso tudo junto com as outras. Fica parecendo que nós queremos passar de ano. Então, eu já fui para o segundo, eu não preciso mais do primeiro. É verdade. Quem aqui pode dizer que vive a justiça na sua plenitude? Se fossemos encarar dessa forma, hoje nós já estaríamos buscando outra coisa. Então, o movimento, até no próprio país, é por uma justiça, que nós não estamos sabendo encontrar essa justiça.
Então, realmente, nós não precisamos inventar a roda, nós precisamos unir tudo e beber na fonte mesmo. É bonito isso que você está dizendo, Cláudio, porque tem até um teólogo alemão que diz isso, que dentro do protestantismo, teve uma corrente que quis menosprezar as lições da justiça que estão no Velho Testamento. Então, ele disse que iria trazer esse autor semana que vem. Foi até bom você ter tocado nesse ponto, porque ele escreveu um livro selecionando alguns aspectos de justiça social que o Velho Testamento propõe e mostrando como que nós, cristãos, não conseguimos viver ainda essa justiça social.
E a gente está experimentando isso no país. Quantas lições básicas de justiça, de ética, de respeito, não estão sendo vividas e já estão preconizadas lá no Velho Testamento. Então, assim, a gente precisa reciclar, precisa estar sempre voltando. Mas, vamos lá. Em nossa literatura antiga de comentários e misticismo, toma-se a palavra pardes para indicar quatro abordagens da Torá, quatro formas de extrair seus tesouros de significado. Pardes é um acróstico. É quando você pega as iniciais de várias palavras e forma uma outra.
Só que é curioso que pardes, em hebraico, quer dizer jardim. É um jardim. O que eles estão dizendo? A atividade interpretativa é um jardim. Eu aprendo para cuidar. É o que Alcino dizia. A mensagem precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida. É um processo. Mas, o que é o par? Vamos lá. Do pardes, a letra P é o pechat, primeiro nível, remes, segundo nível, deraxo ou daraxo, que é o terceiro nível e o sod, que é o último nível. O que é o pechat? O primeiro nível seria o sentido literal, puro e simples do texto.
Só que não é o sentido literal de ao pé da letra. Vamos tomar cuidado com isso aqui. O pechat é o sentido literário. O que significa isso? Quando eu abro Gênesis, digo assim, no princípio criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia. Então, eu não posso chegar aqui e dizer Gênesis diz que a terra estava cheia. Aí, não dá. Aí, não tem jeito, porque eu estou desprezando o texto. O texto está dizendo que a terra não tinha forma e ela era vazia. Esse é o sentido pechat. Ou seja, o sentido pechat é ficar atento o que está escrito.
E, é a primeira pergunta que Jesus faz ao doutor da lei. O que está escrito na lei? Segunda pergunta, como lês? Olha que bonito! Porque o primeiro nível, o pechat, é o nível literário do texto. E, os outros, Remez, Derash e Sod, são níveis mais sofisticados e são níveis puramente interpretativos. É como você lê. Mas, nós não podemos tirar o piso. E, isso é muito comum. Não é? Então, é comum a pessoa dizer assim. É porque como está escrito no Evangelho. Nenhum pássaro cai da árvore sempre que Jesus queira. Mas, isso não está no Evangelho.
Não está escrito lá que o passarinho cai. Não está. Aí, não tem jeito. É preciso ter uma atenção com o texto. E, a gente percebeu, assim, quem está acompanhando, algumas pessoas ficaram ansiosas, porque queriam que a gente já entrasse nos versículos. Hoje, a gente está falando de estrutura literária. Mas, era por respeito ao nível pechat. Se a gente não conhece a estrutura literária, as divisões do Gênesis, a gente vai voltar nisso sempre, se a gente não domina o que está escrito. Está escrito isso, o primeiro capítulo trata isso, a ordem é essa, é assim, cada dia as palavras.
Nós vamos ver isso aqui, maravilhoso, nível pechat, literário. O que está escrito? Qual é o significado da palavra, do dicionário? É muito interessante, é que eu me permito recordar de duas figuras, três, Leão Zálio, Sobral e o Sr. Honório. O Sr. Leão é muito curioso, porque o Sr. Leão não teve acesso a uma educação formal, de fazer universidade, mas o homem era de uma cultura, tinha um dicionário, uma enciclopédia, uma enciclopédia e um dicionário. E, eles pegavam a obra do Chico, ia lá na enciclopédia, lia, depois ia no dicionário, olhava a palavra, anotava.
E, eu lembro que a primeira vez que eu encontrei com o Sr. Leão foi para fazer um curso de vinculação e desvinculação. Não aprendi até hoje, mas fiz o curso. E, Foi incrível, porque ele pegava um negocinho dele e pegava o dicionariozinho. O outro foi o Sobral, que tinha aqueles dicionários, eles recortavam o texto, comprava várias biblias e cortava, porque não tinha harmonia. Então, eles cortavam as passagens e colocavam os pedacinhos, aumentando aquilo. Negócio impressionante, não é? Com dicionáriozinho bíblico. E, o próprio Sr.
Honório, um dia, eu pedi para ele me ensinar a estudar Evangelho. Então, ele separou uma tarde no Grupo Emmanuel, duas horas da tarde, eu fui para lá, era uma terça-feira, e aí ele me recebeu. Aí, cheguei lá, estavam os dicionários, as enciclopédias, o dicionário bíblico. Não tinha muita coisa, não tinha muita coisa em português. Hoje, tem uma avalanche de material. A gente não estuda por preguiça. Tem material de tudo, antes não tinha. Isso era 89, 90, por aí. Ele abriu o que tinha, me lembro, se fosse hoje. Ele pegou um texto mais simples, que era Moisés sendo colocado no sexto, no sexto untado de betume.
Eu olhava e pensava, meu Deus do céu! E, aí, ele começou a falar do betume. Do betume que foi passado na cesta que Moisés foi colocado no rio. E, eu aqui, com os olhos regalados, aí pegou o dicionário, fui olhar o que era betume, as funções do betume, por que que passava. E, aí, foi. Depois, foi pegando livros de Emmanuel e, aí, começou. Então, ele foi percorrendo comigo todos os níveis. Primeiro, nível literal. O que está escrito? O que está escrito? Ah, Moisés foi colocado numa cama de madeira? Não foi. Foi num sexto divino untado de betume.
Esse literário tem que ir lá e ler. Não tem mágica. Tem que ler o texto. Tem que entender a palavra. O que que significa? Porque, senão, a gente comete impropriedades, as erros que são, às vezes, crassos, né, e que não pode. A gente precisa ter atenção com isso. Então, o livro literário, da literatura, do texto, dos conectivos, o que que é de verbo, tempo verbal, substantivo, prestar atenção nesse nível. E é o que eles falam aqui, o Peixado. Depois, vem o Remes. O que que é o Remes? Seguimos a estrutura sintática e gramatical de um versículo, levando em conta que certas palavras possuem um significado simbólico ou metafórico.
Então, no Remes, já começou a leitura. Então, o que que é o Remes? É o mundo das metáforas. Eu já vou para o mundo da metáfora. Então, eu sei que quando Jesus diz os últimos serão os primeiros, os primeiros serão os últimos, Ele não está falando de fila de banco, porque na fila de banco, se você for o último, você é o último mesmo. Você é o último, embora vai ser o primeiro. Uma hora você vai ser o primeiro da fila. Mas, não é esse o sentido. Há um sentido metafórico. Isso é Remes. Porque, se não, por exemplo, me recordo, em um congresso em Goiás, uma moça, jovem assim, de meia, devia ter uns 30 e poucos anos, grávida, devia estar quase dando à luz.
E, ela me procurou assim, apavorada. Os olhos dela estavam lacrimejando. Ela estava assustada. E, ela me pegou, a mão estava fria, estava suando, porque o tema tinha a ver com transição planetária. E, ela leu o sermão profético que estava escrito Ai das grávidas e das que amamentarem naquele dia. E, ela estava angustiada. Por que que Jesus tinha dito Ai das grávidas? Ela leu o nível pechado? Leu. Ela leu direitinho. Jesus realmente fala isso. Ai das grávidas e das que amamentarem naquele dia. Está escrito isso. O nível pechado, ela cumpriu.
Ela não deu conta do Remes, do nível Remes, que é o nível metafórico. Que é óbvio que Jesus não está falando de gravidez biológica. Ele não está falando de um processo de gestação biológica. Ele não está falando de uma amamentação da lactante, do seio, do leite materno. Esse é o nível Remes. O nível da metáfora, da conotação. A palavra tem um significado, mas ela tem outros, ela quer dizer outras coisas. E a gente está atento ao nível da metáfora. É claro que isso é de uma complexidade imensa. Só o nível Remes já daria, no nível Remes aqui, daria para ir longe.
Por exemplo, dia. Primeiro dia, segundo dia, terceiro dia e criou o sol no quarto. Mas como é que tinha dia se o sol não foi criado? No nível literal, no nível literário, há uma contradição no texto. Porque não pode ter dia se não tinha sol. Como é que vai ter dia? Nem noite. Então, é óbvio que a palavra dia aqui precisa ser interpretada no nível Remes, no nível metafórico. É dia com outro significado e não o dia da translação da Terra em torno do próprio eixo, que dá aproximadamente vinte e quatro horas e alguns quebradinhos.
Não é isso. Não é isso. Esse é o nível Remes. Alguma dúvida do nível Remes? Isso não se une na teoria dois, não é? E, às vezes, a gente não dá conta de fazer o dois, que é o nível metafórico. É claro que a metáfora tem complexidades. Às vezes, um texto inteiro, uma parábola inteira, ela é metáfora. Às vezes, você pega uma passagem do Evangelho, todas as palavras são metáforas. Então, os fariseus chegam para Jesus e falam assim, dá um sinal. Você está falando que vai ter uma transição? Dá um sinal para a gente. E, ele responde assim, simples, objetivo, claro, como de costume.
Nenhuma geração, nenhum sinal será dado a essa geração incrédula a não ser o sinal de Jonas. Que sinal de Jonas? O que é isso? O sujeito não entendia, ficou sem entender dez vezes. E, Jonas falou, dá a profecia para mim, ficou na baleia, tem sinal de Jonas? Tudo o que Jesus falou era metáfora. Então, quando ele diz assim, se o teu olho te escandalizar, arranca-o. Se a tua mão te escandalizar, corta. Porque é melhor você atar uma mó de azenha, que é uma pedra gigante que a gente viu lá em Cafanau, que um animal puxava assim em ciclo para poder tritorar o trigo, é frio você amarrar uma mó de azenha no pescoço e pular no lago de Genesaré do que escandalizar um desses pequeninos.
Agora, você imagina isso. Se eu for levar isso, literalmente, agora eu não quero cometer nenhum erro mais na tarefa espírita. Vou amarrar uma pedra no pescoço e vou pular na lagoa da Pampulha. Tem sentido? Não tem sentido. Toda essa fala de Jesus, toda ela, não pode ser interpretada no nível pechado. Agora, eu tenho que entender pechado. Porque o que é mó de azenha? Para que era usada a pedra? Qual era a função dessa pedra? Porque, senão, eu não vou entender o nível que é metáfora. Que metáfora é essa que Jesus está querendo dizer?
Depois, tem o segundo nível, o terceiro nível, que é o nível da Araxe. Simplesmente omite a estrutura sintática de um versículo e até mesmo ignora seu contexto, percorrendo a Torá em busca de significados apontados pela alusão e pela associação. Então, no nível da Araxe ou no Midraxe, eu pego um texto e saio associando ele com outros textos e componho o chamado colar de pelas. Então, é a técnica do colar de pelas que é o que Emmanuel usa na Série Fonte Viva. Ele pega um versículo e sai fazendo N conexões. Você fala, meu Deus, de onde eu tiro isso?
Esse é o nível da Araxe. Além do Peixate, para você entender, é por isso que é difícil às vezes. Para entender Emmanuel, tem que passar pelo Peixate, tem que passar pelo Rêmes, que é o nível metáfora e entrar no terceiro nível, que é o nível de associação. Porque, às vezes, você olha para o versículo, olha para o título e fala, meu Deus, o que esse título tem a ver com esse? O que Emmanuel pretende? Aí, quando você começa a ler, vai vendo as conexões que ele faz. É P-E-S-H-A-T O Rêmes é com Z no final, Rêmes. E o Deraxe é com S-H Não é com X, não.
S-H, Deraxe. E, por fim, o Sod. Eu adoro esse. Esse é adorável. A leitura mais íntima e profunda de um texto, seguindo a concepção mística da Kabbalah e atingindo um grau de profundidade do significado que vai muito além dos anteriores. Nossa, mas Kabbalah, pois bem, no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, Humberto de Campos faz referência à missão de Bezerra de Menezes e diz que, na época, o Bezerra se torna um porta-voz de Ismael e ele está escrevendo num jornal brasileiro vários artigos, ele escreveu vários artigos sobre a interpretação do Evangelho.
Esses artigos foram reunidos numa coletânea, três volumes, são muitos artigos mesmo. E eu fui examinar os artigos de Bezerra de Menezes e o que é que eu descobri? Vários, vários artigos de Bezerra de Menezes sobre Kabbalah. Mas, são muitos. Eu fiquei assustado. E, aí, conheci, era muito. Não é pouco, não. É muito. E, usando Kabbalah e Deuterno Espírito Evangelho, eu fiquei aterrorizado. Uma semana assustado. Porque eu não imaginava isso. E, está fazendo referência lá. E, aí, fui conversar com a Hila sobre isso. Porque a Hila foi para a Espanha, um grande centro de Kabbalah, estudou, uma grande professora.
E, ela me disse assim, mas por que você está assustado? Não, mas, Bezerra de Menezes não é a Kabbalah? Não, calma. Não é a Kabbalah da Madonna, não. Porque a Kabbalah da Madonna é o seguinte, você pega o número, a placa do carro, para dar sorte, é o número da casa. Isso não é isso. Isso é misticismo tolo. É a profunda, a séria. E, aí, ela começou a me contar uma história. Ela falou assim, por que você está assustado? A Kabbalah é o espiritismo do judaísmo. Todas as noções que estão no Livro dos Espíritos, que eu estou lendo, ela disse, estão na Kabbalah.
E, por que ela era fértil? Porque eles tinham um conceito, o seguinte, interessante isso. Interessante. Imagine, a humanidade estava numa fase de evolução que não podia lidar abertamente com as questões espirituais. Não é isso que Emmanuel diz? A primeira revelação pega a humanidade na fase da infância. Jesus encontra a humanidade na fase da maioridade. O espiritismo encontra a humanidade na fase da maturidade. Por isso que ele fala abertamente sobre questões espirituais. Espírito, mundo espiritual, perispírito, reencarnação.
Antes não podia falar. Não podia falar. Você não vai pegar uma criança de dois anos de idade para discutir agora a crise econômica, financeira e política no Brasil. A menos que essa criança seja um gênio. Então, tudo tem que estar adequado ao grau de compreensão. Então, o que eles faziam? O aluno ia para as escolas estudar como mestre, primeiro ele começava só a Peixada. Só a Peixada. E ele tinha que saber o Velho Testamento de Cor. Quem topa? Paulo recitava todo o Velho Testamento de Cor. Tem que decorar todo o texto.
Esse era o primeiro nível. Então, escolinha de interpretação bíblica. Primeiros anos, decorar todo o texto. Aí, vai para o segundo estágio, Remes. O que é metáfora, o que não é, simbolismos, simbolismo de número, etc. Aí, ele amadurecia e ia para o Midrash, que era o nível top. Porque, aí, ele já começava a fazer conexões e começava a extrair coisas que não estão lá, aparentemente, no texto. Você só consegue tirar quando você compara. E a gente vê isso, por exemplo, na Doutrina. Você junta textos de Kardec e descobre coisas que, se você não juntasse os textos, você não descobriria.
É o Denocho. Depois, quando a criatura se tornava um grande mestre no estudo da Torah, ele era convidado para um grupo fechado, secreto. Tinha que fazer um juramento em que ele era proibido de comentar isso com qualquer pessoa. Que era qual nível? O sódio. Os aspectos espirituais da interpretação. Olha que interessante. Então, são esses aí os níveis. É claro, nós vamos trazer tudo isso. S-O-D Sódio. Pois bem, não é por coincidência que Pades, a palavra formada pelas iniciais das quatro palavras citadas no Parágrafo Facima, Pechat, Remes, Derash, Sódio, significa, literalmente, horta ou jardim.
Essa tradução simboliza a exuberante riqueza de pensamento e inspiração que pode surgir dos textos sagrados, se soubermos como cultivá-los e como colher os frutos mais difíceis de alcançar. É um cultivo, né? Por isso que Emmanuel chama de vinha de luz ou Colheita de valores espirituais para a vida eterna. Não é bonito isso? Então, a gente vai percorrer aí esses vários níveis, tem 70 faces, nós não queremos esgotar, é impossível, impossível, se a gente ficasse estudando Gênesis um bilhão de anos, nós não vamos esgotar.
Não vamos. Então, não temos nenhuma pretensão de fazer isso. Vamos lá, então. Vamos começar alguns detalhes do texto. Vamos lá. Primeira questão que a gente vê no capítulo 1 é que a criação tem um processo. Tem um padrão. Qual que é o padrão? O padrão é o seguinte. Primeiramente, existe um anúncio, depois nós temos uma ordem, depois nós temos uma separação, alguma coisa é separada, depois tem uma informação, é dada uma informação, depois algo recebe nome, é feita uma avaliação, um controle de qualidade, depois nós temos um Acabo, uma estrutura cronológica.
Então, vamos lá. Vamos com calma. Toda vez que Deus vai criar algo, ela começa com um anúncio e disse Deus. E disse Deus. Importantíssimo isso aqui. É sempre assim. Isso é tão forte que a tradição dizia o mundo foi criado pela palavra de Deus. Por quê? Porque toda a criação, tudo que é criado, e disse Deus. E disse Deus. Haja luz e houve luz. E disse Deus. Haja firmamento no meio das águas. Disse também Deus. Ajunte-se às águas debaixo dos céus. E disse. Produza terra, relva, árvore que dê semente. Disse também Deus.
Haja luzeiros no firmamento. E os colocou. Disse também Deus. Povoem-se as águas de enxame de seres vivos e voem as aves. Disse também Deus. Produza terra, seres viventes. Também disse Deus. Façamos um homem, a nossa imagem e semelhança. E disse Deus ainda. E disse Deus ainda. Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente. E havendo Deus terminado no sétimo dia, sua obra que fizer descansou. É importante a gente observar isso. Tudo que é criado começa e disse Deus. Mas, qual é a importância disso? Então, vamos lá começar aos pouquinhos.
Disse Deus significa que basta Deus dizer que as coisas acontecem. Só que aqui tem um aspecto bonito. O mundo ou tudo foi criado pela palavra de Deus. Acontece que quando a gente começa a ler o Velho Testamento, os textos começam a falar da palavra de Deus como se a palavra de Deus fosse um ser. E não uma emissão sonora. Então, tem textos dos profetas, por exemplo, Jeremias, que diz assim, e a palavra de Deus foi até Jeremias. Como assim? E conversou. Tem uns que dizem assim, e a palavra de Deus foi até lá para julgar e condenar.
Para curar, para abençoar, para confortar a palavra. Então, a palavra de Deus é um som ou é um ser? Olha, pois bem, a palavra, a palavra da palavra, quando, quando é traduzida para o grego, a palavra é logos. E o Evangelho de João começa com uma grande revelação espiritual, espiritual. Que a palavra de Deus, o verbo de Deus se fez carne e Habitou entre nós. E o verbo de Deus é um ser. E ele recebeu na Terra o nome de Jesus. Olha só. Olha que interessante. Essa é a interpretação. Então, se alguém perguntar assim, qual que é a interpretação de e disse Deus?
Sabe qual? E o verbo se fez carne e habitou entre nós. Agora, essa interpretação é Remus, é Baracho ou é Sod? Eu acho que é Sod. É o mais alto nível espiritual de interpretação. Aqui, João foi longe, longe, muito longe. Foi tão longe que ninguém aceitou. E, aí, quando a gente volta para o Evolução em Dois Mundos, André Luiz fala das inteligências divinas que estão em processo de comunhão indescritível com Deus, comunhão indescritível, ou seja, não tem nenhum encarnado na Terra, não tem nenhum espírito na esfera de André Luiz capaz de descrever como é o processo de interação de comunhão de um Cristo com Deus, não tem como descrever.
Nós não temos cognição para entender isso, é algo muito além. Agora, a gente consegue entender, por exemplo, altos níveis de comunhão. Uma mãe acontece um acidente com o filho, onde ela está, ela sente uma coisa e fala assim, ai meu Deus, meu filho está em perigo. Não é? Quando você ama profundamente uma pessoa, fulano não está bem, vou ligar pra ele. Não está bem, aconteceu alguma coisa. Que já é uma comunhão extraordinária. Isso não é nem meio por cento do que é uma comunhão de um Cristo com Deus. Olha só. E o André Luiz diz mais.
Que Deus transforma essas inteligências divinas, não são mais inteligências humanas, Cristos não são anjos, os anjos estão no jardim da infância do Cristo. Quem diz isso é São Luiz, na Revista Espírita de 1868, mês de fevereiro. Quando você se torna um Espírito puro, você começa a entrar no primeiro degrau da escala do que é um Cristo. Imagina que você fica ainda com milhões de anos como um Espírito puro, pra chegar no nível de um Cristo. O próximo nível de Cristo, de um Cristo. Que são inteligências divinas. E eles são, aqui vem a palavrinha mágica, diz André Luiz, os executores da vontade divina.
Eles são o verbo e disse Deus. Então, Deus manifesta eu quero isso, e isso acontece, porque tem um Cristo que executa um Ou vários. Um ou vários. Isso é só o e disse. Então, vamos voltar? Vamos lá. Quem está anotando? Versículo 3, e disse Deus. Versículo 6, e disse Deus. Versículo 11, e disse. Versículo 14, disse também Deus. Versículo 20, disse também Deus. Versículo 24, disse também Deus. Versículo 26, também disse Deus. Versículo 29, e disse Deus ainda. Depois, eu acho que parou de dizer, né? Deixa eu ver, se tem mais disso aqui.
Agora, esse e disse ainda, e disse também, isso é só no português, em hebraico é vaiomer elohim, e disse Deus. E disse Deus, repete, e disse Deus. E disse Deus, e disse Deus, e disse Deus, vaiomer elohim, vaiomer elohim, vaiomer elohim, vaiomer elohim. Toda… Então, olha o que você… disse Deus está começando algo novo. Só para a gente entender. Estamos picando o capítulo 1. E disse Deus, pode saber que tem coisa nova. Então, nós podemos dividir os blocos e disse Deus, bloco 1, bloco 2, bloco 3, bloco 4. Adivinha quantos blocos?
Quem adivinha? Adivinha quantos? Cinco? Sete blocos. Alguém esperava algo diferente? Não dá para esperar. Sete. Sete. Por isso, o Bruce Waltke, nesse trabalho, que do ponto de vista interpretativo, o rimas dele não é tão bom, nem o deraxe, e muito menos o sódio, mas o pechato dele é ótimo. O nível literal, aliás, os protestantes são muito bons nessa parte, o nível pechato deles é impecável, na maioria dos casos. Então, ele está dizendo que toda a criação começa com um dizer, com um anúncio, com uma fala. E disse Deus.
E nós sabemos, agora, que a palavra de Deus são os Cristos, são os seres que executam a vontade de Deus. E, agora, eu tenho uma notícia ruim para dar. Deus não tem mão, não tem boca, não tem dente, não tem estômago, nem pulmão. Vou resumir. Deus é incorpóreo. Incorpóreo. E os Espíritos puros também. Então, Kardec escreve assim. O pensamento e a vontade são para os Espíritos o que os braços e as mãos são para os homens. Então, vamos lá. Eu quero pegar esse livro. Eu sou um Espírito puro. Livro, vem! Não sou um Espírito puro, está provado.
Eu sou um Espírito corpóreo, um Espírito imperfeito, estou em processo de aperfeiçoamento, dependo da natureza material para me aperfeiçoar. Então, eu tenho mão. Quebraram, peguei. Eu contei esse caso que foi muito engraçado. Quando eu fui fazer o pré-operatório para o joelho, fui no doutor Oswald Eli. Aí, cheguei ele muito divertido, fez lá o exame cardiológico, cardiologista, e falou que estava tudo bem com o seu coração. Mas, já descobriu porque teve problema no joelho? Falei, é, acho que rompeu. Não, não é isso que eu estou perguntando.
Descobriu qual é o problema psíquico que você tem que fez o joelho machucar? Não, doutor Oswald Eli, não pensei. Mas, tem que pensar. Eu falei, tem, tem. Por que a gente tem corpo, Haroldo? Senão, a gente seria uma bola. Se tem joelho direito, tem joelho esquerdo, tem braço, tem mão, tem olho. Porque cada coisa significa uma função psíquica. Se o seu problema é no joelho direito, tem algo no seu psiquismo, está com problema. Falei, eu não sei não. Eu não sabia nem que eu tinha joelho direito. Só depois que ele deu o problema que eu fui pensar nele.
Falei, tem que pensar, vou te dar um livro, você lê. Vou te indicar um livro. Fala sobre essas coisas. Você precisa entrar nisso. Precisa entender o que está acontecendo. Porque, o dia que nós não precisarmos mais de corpo para mostrar para a gente o que está acontecendo dentro, nós não vamos ter corpo. Seremos incorpóreos, como são os Espíritos puros, incorpóreos. Não tem joelho. Mas, pensa, não tem intestino. Olha que coisa boa. Tem vantagens. Não tem limitações. Então, enquanto nós temos um corpo, uma corporeidade, é que as nossas funções psíquicas estão distribuídas no corpo, nos chakras, nas partes do corpo.
Agora, o Espírito puro precisa disso. Para eles, o pensamento e a vontade é tudo, eles fazem tudo. Tudo. Eles operam o fluido cósmico apenas com o pensamento e a vontade. Eles têm a vontade, pensam e acabou. Simples. Para todas as outras coisas, existe Mastercard. Não é? Mas, o pensamento e a vontade não é a soma. Para a gente, né? Que bonito isso. Quer falar alguma coisinha sobre isso? O indice do anúncio. Então, a gente já vê essa estrutura. Ficou claro isso? Vamos ver outra coisa aqui, que é da ordem. Então, e disse, aí vem uma ordem.
O que é a ordem? Vontade. Vontade. A ordem. Haja luz e ouve. Ordena e acontece. A palavra, o manifestação, o anúncio, o fala, palavra, eu prefiro verbo. Verbo. O primeiro item é o verbo. E disse, e disse. Já citamos todos os versículos. Depois vem a ordem, ou lei. Lei. A ordem. O mandamento. Haja luz, haja isso, haja não sei o que. São as ordens. A criação vem de ordem. Olha como é que isso é profundo. Oi, Cláudio, por favor. Você fala só um pouquinho mais. A ordem, eu creio que a gente pode ter duas interpretações dela aí, essa ordem de ordenar, de comando e também a ordem de estar sendo criado dentro de certos pressupostos do universo de Deus, porque até mesmo ao criar a luz, se a gente está falando de luz sol, que aí nós estamos no primeiro nível ainda, é necessário que esse Espírito Superior atenda as regras do universo, para não criar uma desordem universal.
Mas, também, se estamos falando da luz espiritual, que também já é a segunda interpretação, ele também está dentro de uma regra universal que deverá ser seguida. Então, isso aí nós temos quatro, uma matriz de quatro elementos para interpretar. Exatamente. Então, quando Deus ordena, Ele ordena a partir de uma lei divina. Por isso que a tradição hebraica diz o seguinte, Deus criou olhando para a Torá. Hum? A Torá não foi dada por Moisés? Não, a Torá foi revelada a Moisés no Sinai. E, a Torá não é o Pentateuco. A lei não é o que está escrito no Velho Testamento.
É a lei divina. E, a lei divina é o que estabelece os parâmetros do universo. Então, o co-criador não cria do jeito que ele quer, não. Ele tem que obedecer a um pleno diretor cósmico, regras de construção cósmica e a princípios da lei divina. Por quê? Porque em cada elemento da matéria há um princípio inteligente em evolução. Então, ele não está lidando apenas com a matéria, ele está lidando com consciências em evolução. Então, ao criador respeitar, ele tem que respeitar quantos princípios inteligentes estão em evolução na Terra.
Puxa vida, que pergunta difícil. Não me faz pergunta difícil, não. Cada átomo tem um. Quantos átomos tem o planeta Terra? Quantas plantas? Quantos animais? Quantos seres que estão entre o hominal e o animal? Quantos homens, seres encarnados? Quantos desencarnados? Quantos anjos? É uma comunidade. Há uma palavra, há um dizer, e esse dizer, o dizer de Deus é o ser, são Cristos, porque Ele deseja e os Cristos executam. Eles são o verbo de Deus. E como é que eles executam? A partir dos mandamentos, da ordem, das regras, dos princípios da lei.
E ordenou. E deu ordem. Eu acho, assim, tão bonito, agora é sódio. Posso dar um pulinho lá no sódio? O Espírito de verdade, vou falar agora em sódio, em código. O Espírito de verdade, no Evangelho segundo o Espiritismo, diz assim, Espíritas, amai-vos, eis o primeiro mandamento. Instrui-vos, eis o segundo mandamento. Quem é o Espírito de verdade para dar ordens, mandamentos? Ele é e pode dar. Ele é e pode dar ordens. Ele é o ordenador mesmo. Mas, aí é sódio. Quem tiver ouvido para ouvir, que ouça. Bom, algum comentário?
Então, no trecho, por exemplo, haja luz, haja firmamento. Produza a terra. Produzir são imperativos. Já acabo de receber uma ordem para encerrar. Porque as mensagens do Espírito de verdade, na quantificação, elas são diferentes dos outros Espíritos pela quantidade de imperativo que tem na mensagem. É normal a gente contar isso, hein? E como que ela está estruturada, o fraseamento, é diferente, por exemplo, de São Luís, porque é um imperativo atrás do outro. É enfático, é muito enfático. Amai-vos, pregai o Evangelho, fazei, é tudo com ordens verbais muito claras dos outros Espíritos, não ali uma, sempre uma…
Um conselho, uma opinião. Uma abordagem mais aconselhativa. Já do Espírito de verdade, não. É uma coisa bem enfática, faz. Quem tiver ouvido para ouvir, ouça. Aí é sódio, né? É sódio. Então, nós vamos ter que encerrar, infelizmente. Mas, hoje eu vou deixar para a próxima algo que já foi mostrado, que é o plano da criação que começa antes dos sete dias com a emanação, as emanações, ou a árvore da vida, ou a sefirot da Kabbalah, que é o mundo espiritual, onde tudo começa, que é anterior e primordial e causa do mundo material, está aqui no início, vem os dias até o sábado da Terra.
Mas, isso aí é só na próxima, no próximo encontro, só no próximo encontro. Vai ser agora. Não é agora. Vamos… Já tem escaneado, não é? Já tem uma pessoa, mas eu vou contar a novidade. Então, nós vamos nos encerrar pedindo para fazer a prece. Antes, eu gostaria só de agradecer a todas as pessoas. Nós estamos recebendo caixas e caixas de livros com as primeiras edições das obras de Chico Xavier. Eu queria agradecer de joelhos a todos que estão mandando. Por favor, continuem mandando. O projeto está de pé. A gente vai fazer o Museu Chico Xavier com todas as primeiras edições.
Vamos digitalizar, criar arquivos digitais em iPad para consulta de modo a preservar a psicografia do Chico em modo digital. E, para a gente ter essa experiência das obras, de várias obras que nem são conhecidas, quem puder nos ajudar nesse trabalho aí, continuar nos ajudando, que muitos já estão enviando, eu gostaria de agradecer em nome do ser, de coração, a todos que estão colaborando com esse projeto. Quem quer fazer a prece? Você chega mais pertinho aqui. Querido e amado mestre Jesus, nosso irmão querido, pastor das nossas almas, nosso irmão, só nos nossos livros te pedimos, oh mestre, a permissão para o encerramento do estudo desta noite, lhe agradecendo as bênçãos, a amplitude dos horizontes que foram alargados, que possamos, Senhor, continuar buscando-te, não só nos ensinamentos, mas na nossa vida, no nosso dia a dia, lembrando-nos de ti, do teu exemplo de amor, de bondade, de fé, de obediência e de comunhão.
Agradecemos ao Pai por ter enviado a nós e a ti, Senhor, que nunca se cansa de velar por nós e confiantes neste amor constante e incansável, te pedimos que possamos levar a mesma paz e a mesma harmonia que nós sentimos aos nossos lares, como lugar junto aos nossos famílias, aos nossos irmãos e que possamos permanecer, Senhor, contigo onde quer que estejamos e que o Senhor permaneça sempre conosco, hoje, agora e sempre. Que assim seja. Amém. Legendas pela comunidade Amara.org
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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