#005 – Estudo do Velho Testamento – Livro Isaías

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no livro de Isaías, abordando aspectos gerais que servem como chaves de leitura para toda a obra. O foco está na audiência original de Isaías, na mentalidade e no nível espiritual das pessoas que primeiro tiveram contato com seus ensinamentos.

O que é estudado neste episódio

  • A importância de situar Isaías em seu tempo histórico, compreendendo que ele escreveu para as necessidades e o horizonte intelectual de sua época, embora abordasse temas universais e atemporais, como a dor humana.
  • A mentalidade religiosa do povo hebreu na época de Isaías, comparada ao processo cognitivo de uma criança, que lida primeiramente com o concreto antes de assimilar o abstrato.
  • A singularidade do monoteísmo no povo hebreu, que, diferentemente de outras culturas, o pregava para toda a população, e não apenas para grupos iniciáticos ou filosóficos.
  • A gradação de níveis evolutivos dentro do povo hebreu, mesmo em meio à pregação do monoteísmo, e como Isaías precisava usar conceitos concretos, ligados à vida material, social, econômica e política, para transmitir lições espirituais.
  • A metáfora da “árvore do Evangelho”, onde o Velho Testamento representa a semente e a raiz, e o Novo Testamento, a árvore que cresceu e frutificou.
  • A concepção de que o conhecimento é cumulativo, como peças de Lego que se juntam, e que os ensinamentos concretos do Velho Testamento são a base para compreensões mais abstratas.
  • A Primeira Revelação focada em um povo (o hebreu) como um modelo a ser replicado, e a falha desse povo em cumprir sua missão de ensinar à humanidade.
  • A promessa do Messias, com duas funções principais: educar e corrigir o povo hebreu, e cumprir a missão que o povo não realizou, levando a luz do monoteísmo e os valores espirituais a todos os povos.
  • As expectativas messiânicas do povo hebreu, que esperava um Messias para resolver problemas materiais e sociais, ignorando a necessidade de correção de erros e a responsabilidade de compartilhar a mensagem com outros povos.
  • A repetição desse padrão de expectativas e esquecimentos ao longo da história, inclusive no movimento espírita, onde se busca o elogio e a resolução de problemas, mas se negligencia a correção de vícios e a responsabilidade com o próximo.

Reflexões

  • A necessidade de compreender o contexto histórico e espiritual de Isaías para evitar interpretações anacrônicas ou ingênuas, reconhecendo a profundidade e a atemporalidade de suas mensagens.
  • A importância de identificar, em nossa jornada espiritual, o que precisa ser reforçado (o que está bom), o que precisa ser corrigido (nossos erros e vícios) e o que não está sendo feito (nossas responsabilidades não cumpridas), tanto individualmente quanto coletivamente.
  • A lição de que o verdadeiro mestre, como Jesus, não apenas elogia e reforça o positivo, mas também corrige o que está errado e impulsiona a realização do que ainda não foi feito, visando o crescimento integral do aprendiz.

Ler transcrição do episódio

Número de Pessoas que Perderam o Espírito Episódio de Isaias Olá, pessoal! Bem-vindos a mais um estudo do livro Isaias, do Velho Testamento, estudo feito à luz da doutrina espírita. Ao longo destes episódios, nós temos abordado vários aspectos gerais do livro de Isaias. Embora sejam muitos episódios tratando deste tema, nós consideramos muito importante abordar estes aspectos gerais, porque eles representam chaves de leitura de todo o texto. Se nós não compreendermos, de maneira profunda, estes aspectos gerais que inspiram o livro de Isaias, fica muito difícil mergulharmos nos temas específicos, porque, assim que fazemos o mergulho nos temas específicos, estes temas gerais vêm novamente à tona.

Então, nós precisamos resolvê-los. E, hoje, eu quero falar da audiência, do público, do público de Isaias, da mentalidade e do nível espiritual das pessoas que ouviram Isaias primeiramente e, ao longo dos séculos, foram tendo contato com a obra de Isaias. É preciso colocar Isaias no seu tempo histórico. Isaias não escreve hoje no século XXI. Isaias não conhecia as tecnologias, não conhecia toda a história da humanidade, dos fatos posteriores à sua existência. E, muitas vezes, nós lemos os textos bíblicos com essa expectativa de que o autor tem o nosso olhar e tem o nosso conhecimento de história.

Não! Ele escreveu na sua época, no seu tempo, no seu horizonte intelectual. Ele falou com os instrumentos, com as ferramentas e com os conhecimentos que ele tinha na época. E, ele falou para as necessidades do seu tempo. Embora, em meio a todo este conjunto de elementos históricos, muito bem delimitados, há temas universais e atemporais. Por exemplo, a dor, a dor humana. É possível situar a dor humana em algum tempo histórico? Não é possível. É possível situar a dor humana em algum contexto político, econômico ou social?

Não! Porque a dor humana, nas suas raízes, nos seus aspectos mais elementares, mais fundamentais, essa dor é universal, é atemporal. A dor de perder alguém amado, não tem tempo, não tem história, não tem lugar, não tem economia, não tem momento social. A dor da tristeza, a dor da solidão, a dor da ingratidão. Então, esses aspectos atemporais e universais são abordados por todos os livros bíblicos. Eu diria que essa é a temática central dos livros bíblicos e, por isso, que eles continuam com essa força, é por isso que eles continuam se propagando, mesmo depois de milhares e milhares de anos.

Mas, nós precisamos estudar o entorno histórico e entender o momento em que o livro surgiu para que a nossa interpretação não seja uma interpretação anacrônica ou ingênua. Não é mesmo? Isaías lidava com uma mentalidade religiosa que eu vou descrevê-la usando o símbolo, a metáfora da criança. Uma criancinha de dois anos de idade, como que se dá o processo cognitivo dela, o aprendizado dessa criança? Ela começa com elementos concretos. Você não apresenta para uma criança de dois anos de idade questões abstratas. Então, vamos escolher um tema, a matemática.

Qual que é o primeiro contato de uma criança de dois anos de idade com a matemática? Ela pega um bloquinho, um brinquedo, um quebra-cabeça, um joguinho e ela aprende. Pega ali uma pecinha, mais uma pecinha, mais uma pecinha e, ali, concretamente, objetivamente, essa criança vai assimilando os conceitos de adição, de soma. E, aí, ela tem um conjunto de pecinhas. Aí, alguém retira uma pecinha ou ela separa uma pecinha. E, ali, concretamente, objetivamente, ela começa a travar contato com o conceito de subtração e assim por diante.

Então, do concreto para o abstrato e não o contrário. Então, eu não consigo trabalhar com uma criança de dois anos de idade o conceito de gráfico, o conceito de coordenadas cartesianas, o conceito de logaritmo, porque é um raciocínio muito abstrato para uma criança de dois, três anos de idade ter acesso. No que diz respeito aos aspectos espirituais, a realidade é a mesma. No que diz respeito às realidades espirituais, nós temos elementos bem singelos, bem concretos e elementos muito sutis, muito sofisticados. E, é preciso que a gente aguarde que o Espírito imortal, na sua jornada reencarnatória, vá fazendo esse aprendizado espiritual até que ele tenha condições de assimilar algo mais abstrato, mais sutil, nuances bem mais sutis.

Então, os primeiros movimentos do monoteísmo na Terra, e aqui nós precisamos entender isso, em Israel, no povo hebreu, o monoteísmo se concretiza enquanto cultura do povo, não enquanto uma teoria de grupos fechados, grupos herméticos ou grupos iniciáticos. Então, no Egito, nós tínhamos processos de iniciação, grupos fechados, grupos iniciáticos, que discutiam abertamente o monoteísmo. Mas, isso era para poucos, para muito, muito, muito poucos. O povão, a multidão, continuava adorando vários deuses, vários deuses. A mentalidade popular era totalmente politeísta, bem arcaica, bem primitiva.

Da mesma maneira, na Grécia, nós tínhamos também os ritos de iniciação, não só os ritos de iniciação da mística grega, de Eleusis, os grandes ritos iniciáticos, em que a pessoa tinha acesso a conhecimentos secretos e ela aprendia sobre o monoteísmo, mas também as escolas filosóficas, a escola de Pitágoras, a escola de Platão, de Sócrates, em que não eram todos que entravam na escola, não era o povão como um todo que tinha acesso a isso, mas uma minoria. No povo hebreu, não. No povo hebreu, é o povo, é todo o mundo que é exposto ao conceito de monoteísmo.

É claro que muitos vão ter dificuldade. Nós teremos avanços e retrocessos, porque nós estamos lidando com a coletividade, mas não havia rituais iniciáticos para se falar de monoteísmo. O monoteísmo era pregado aos quatro ventos, para todo mundo, para o povo inteiro, nas ruas, nas feiras, no mercado, para o povo inteiro. Então, esta é a diferença. Compreendeu? Esta é uma diferença vital, vital. O monoteísmo no povo hebreu é o único povo que fala do monoteísmo para todas as pessoas do povo. Ponto. Sendo assim, nós não podemos esperar que todas as pessoas do povo hebreu estivessem no mesmo nível espiritual.

É razoável esperar isso? É razoável ter esta expectativa? Vamos pensar hoje. Será que todas as pessoas que moram na sua cidade estão no mesmo nível espiritual? Pensa nisso. Todas as pessoas da sua cidade estão no mesmo nível intelectual de conhecimento? Se a sua resposta foi sim, fala qual é a cidade que você mora, que nós estamos mudando para lá agora. Não é assim. Então, mesmo no povo hebreu, nós temos uma gradação de níveis evolutivos. Uma gradação de níveis evolutivos. No entanto, na época de Isaías, e em qualquer época, nós podemos extrair um denominador comum, uma média.

Tem alguns que estão acima, alguns que estão muito abaixo, mas, em uma média, a gente consegue estabelecer um nível. Quando Isaías se dirige ao povo, no século VII a.C., qual é o nível geral do povo? É o nível da criança de três aninhos de idade que está aprendendo matemática. É o nível, eu estou dizendo, das questões espirituais. Eu não estou falando das questões econômicas. Economicamente, eles estavam bem avançados. Tinha uma sociedade, tinha um rei, construíam, distribuíam, economia funcionando. Por quê? Porque essas questões do mundo material, nós aprendemos rápido, mais ou menos, foram as primeiras coisas que nós aprendemos.

Desde as épocas da caverna, desde o mundo primitivo, as questões materiais foram as primeiras que nós aprendemos. Nós aprendemos a plantar, aprendemos a cuidar de animais, aprendemos a criar pequenas aldeias, depois pequenas cidades, a comerciar. Essas foram as primeiras coisas. Então, isso aí, na época de Isaías, todo mundo sabia. Todo mundo sabia. Cuidar de animal, plantar, colher, vender, comerciar, lidar com dinheiro, comprar roupa, poder. Não é isso? Não sabia isso. Mas, e nas questões espirituais? Eles estavam no mesmo nível de desenvolvimento?

Não. Não. Eram crianças. Espiritualmente falando, crianças. E a criança, ela lida com o concreto. É por isso, é por isso. E quando você pega aqui o Velho Testamento todo, a maior parte, não é? A maior parte, olha, isso aqui tudo é Velho Testamento, isso aqui tudo é Novo Testamento. Então, isso aqui, na linguagem, o conteúdo está aqui. O conteúdo do Novo Testamento está aqui? Está. Mas, como? Em estado de semente. Em estado de germem. A semente está aqui. A raiz está aqui. E aqui? Aqui está a árvore. É por isso que os Espíritos dizem a árvore do Evangelho.

A árvore do Evangelho. Entendeu? A árvore. Aqui, a semente cresceu, ela tem a raiz, a raiz dela está aqui, a raiz. Ela cresceu e aqui ela já está dando fruto. A árvore. Aqui a raiz, a semente e a raiz. É isso? Então, nós temos que ter essa compreensão. Portanto, Isaías precisava utilizar conceitos concretos. Ele precisava falar de forma concreta. E qual é a concretude dos profetas ao se dirigir ao povo hebreu? A concretude é abordar as questões da vida material, social, econômica e política. Como que o profeta dá uma lição espiritual?

Ele usa um elemento da vida econômica, da vida social, da vida política, da vida do cotidiano. Ele cita esses elementos. Ele cita a vida do povo, a vida comunitária. E, dali, ele indica questões espirituais. Por que ele faz isso? Da mesma maneira que você faz com a criança de 3 anos. Quando você quer ensinar matemática para ela, o que você faz? Você compra um joguinho de pecinhas, concreto. E ela vai lidando com as questões concretas para ela aprender as questões abstratas. Não é isso? Ficou claro isso? Agora, raciocina comigo.

Depois que você vai para a faculdade, você faz mestrado, faz doutorado, aprendeu aquelas teorias altamente abstratas, o que você faz? Você volta para o concreto. Você volta para o concreto. Porque onde você vai provar que você aprendeu o abstrato? No concreto. O sujeito aprende altas teorias matemáticas para quê? Para calcular uma ponte, para calcular um foguete, para criar um computador, para colocar um satélite em órbita, para resolver algum problema prático. Aqui também. Então, ele parte… Ah, quem está governando?

Quem são os reis? Qual é a política? Qual é o comércio? Qual é a vida? Tem injustiça? Tem pobreza? Tem miséria? O que está acontecendo? Está acontecendo injustiça? Como é que está cuidando das ovelhas? Como é que está plantando? Então, ele lida com essas questões concretas para chegar às questões espirituais. Mas, uma vez que chega às questões espirituais, o que tem que fazer? Voltar para as questões concretas para você provar que aprendeu. Provar que você é capaz de realizar, porque o anjo não é só alguém que sabe.

Não é? Senão, eu fazia um mestrado, um doutorado, e você se tornava um anjo. O anjo é alguém que sabe fazer, sabe aplicar. Aplicar na própria vida e na vida da comunidade onde ele é colocado. Não importa a comunidade. Qualquer comunidade que você colocar, ele vai praticar e viver aquilo que ele aprendeu. Esse é o ponto. Não é? Então, em razão disso, muitas concepções religiosas do povo hebreu são extremamente concretas, porque é a criança de 3 anos de idade lidando com o joguinho concreto. Como diz Paulo, brilhantemente, o herdeiro é menino.

Quem está sendo educado aqui é criança. Fala como criança, se veste como criança, se comporta como criança, recebe o tratamento de criança, mas a criança vai crescer. Vai crescer. Então, o fato de eu comprar um joguinho para a criança, um quebra-cabeça, e ensinar coisas concretas para ela, adição e subtração, significa que eu vou ensinar errado? Não. O que eu estou ensinando é certo. Ah, então quer dizer que depois que você aprendeu logaritmo, aí você apaga, não existe mais adição, adição e subtração não servem mais?

Você joga fora? Ah, não, agora eu não preciso mais somar nem subtrair. Faz sentido isso? Faz sentido? Nenhum. Nenhum. Porque o conhecimento é o quê? Cumulativo. Eles são pecinhas de lego que vão se juntando para formar um todo. Quanto mais pecinhas, mais conhecimento você tem. Mas, você tira a pecinha? Não, se você tirar a pecinha, você perde conhecimento ou desmorona toda a estrutura. Depois que você construir um prédio, se você for lá e tirar o alicerce, o que acontece? O edifício cai. O edifício cai. Então, não faz sentido.

Não faz sentido. Então, é isso que nós temos que compreender. E por que eu estou falando disso? Para abordar um conceito que é fundamental, fundamental na estrutura da primeira revelação. A primeira revelação está focada em um povo, em um conjunto de pessoas, em uma etnia, em uma língua, em um conjunto de costumes. A primeira revelação está focada em um povo. Tinha que ser assim por quê? Porque não tinha como educar a humanidade toda ao mesmo tempo. Então, imagina que cada povo era um filho de Deus, você precisava escolher um mais experiente, mais hábil, mais necessitado, como diz Emmanuel, e falar, vou educar esse aqui e depois esse aqui ensina para os outros.

Essa é a questão. Então, em uma família, a gente faz isso. Assim, no mais velho, depois no mais velho vai cuidando dos outros, não é assim? A gente vê isso muito. Toda a primeira revelação é focada, é muito focada nas questões práticas da vida do povo hebreu, em quem é o rei, como é que o rei está governando, qual que é a economia do povo hebreu, como que as pessoas do povo vivem, se existe viúva, órfão, se está havendo miséria, se está acontecendo injustiça no povo hebreu. Está focado só neles, na experiência deles, porque a ideia da espiritualidade era o quê?

Criar um modelo de qualidade para que esse modelo fosse replicado na humanidade inteira. Conseguiu? Não. Esse é o outro grande tema da Bíblia, do Velho Testamento. O povo hebreu falhou tanto que os profetas vão dizer vocês falharam, vão ser exilados, vão receber um castigo, na linguagem aqui, metafórica. Isso está claro, isso aqui está óbvio, pula. Então, a criança, o aluno, não correspondeu ao investimento. Então, disso, isso, quer dizer, a probabilidade disso acontecer era muito alta. Muito alta, por quê? Dentre os grupos capelinos que vieram para a Terra, esse aqui era o mais endividado perante a lei divina.

Está lá no livro A Caminho da Luz. Consulta lá o capítulo 7. A probabilidade era o quê? De que isso acontecesse. Então, havia uma outra promessa, da vinda de um Messias, de um ser diferenciado, de um ser humano integral e completo, que pudesse, não somente, resgatar os elementos do povo, como realizar o papel que o povo hebreu não desempenhou, que era ensinar aos outros povos da humanidade. Então, o Messias tinha duas funções, ensinar o povo, educar o povo e corrigir e executar a função que o povo falhou, que era levar à luz do monoteísmo e os valores e princípios espirituais, de espiritualidade e religiosidade, para todo o ordem.

Então, essa era a função. Esse era o propósito do Messias. Se nós não compreendermos isso, a gente vai ficar perdido aqui, porque o profeta Isaías fala muito, muito, muito, muito no Messias. Então, nós temos que entender isso. O Messias virá com duas atividades. Duas atividades. Primeira, educar e corrigir o povo hebreu, principalmente puxar a orelha, naqueles aspectos que o povo estava equivocado. Segundo, cumprir a função que o povo não cumpriu, cumprir a função do irmão mais velho, que era o quê? Ajudar os irmãos mais novos.

Eu estou falando do ponto de vista espiritual. Eu estou falando da parte do conteúdo de religiosidade e de espiritualidade. Então, essa é a grande questão do Messias. Então, nós temos que ter muito claro isso. Até agora, isso ficou claro para você? Nós vamos repetir bastante isso, mas, isso precisa ficar muito absorvido. Isso tem que ficar retido, porque, senão, nós vamos ter dificuldade, aqui, de avançar em outros temas. Agora, o que acontece quando o povo recebe essa notícia do Messias? O que você recebe? Eu chego em uma sala de aula e falo três coisas.

Pessoal, o Messias, o professor, o professor vai elogiar no seu caderno, vai colocar uma florzinha em tudo que você fez de bom. Essa é a primeira coisa que ele vai fazer. Dois, ele vai corrigir todos os erros que você fez, que você cometeu. Três, ele vai dar uma atividade para você fazer aquilo que você não fez. O que você grava? O que a turma grava? A florzinha no caderno, não é? Nossa, eu vou receber um elogio. Eu vou receber um elogio. E as outras duas coisas? E as duas outras notícias que vai corrigir os erros e que vai passar atividade que não foi feita?

Esquece, não é? A turma não esquece? Quem é professor aí que dá aula? Não esquece? Esquece, aqui aconteceu a mesma coisa, aconteceu a mesma, mesma, mesma coisa. Então, o que o povo imaginava? Que o Messias ia vir, o Messias prometido, para resolver o problema econômico, político e social do povo hebreu. Colocar a florzinha no caderninho deles. Então, assumir, se tornar rei, corrigir as injustiças, substituir as leis ruins por leis boas, criar uma justiça social, uma boa economia, um comércio bom, e os outros? Os outros que se dane.

Os outros povos que outros povos. Eu quero a florzinha no meu caderno. Eu quero a florzinha no meu caderno. Compreendeu agora? E as correções que o professor ia fazer no caderno? As coisas erradas? As respostas erradas? Os trabalhos feitos, tudo errado? Os exercícios feitos, tudo errado? Tem isso? Ninguém me avisou? Todo mundo esqueceu. E o trabalho com os outros povos? Trabalho com os outros povos? Tem isso? Todo mundo esqueceu. Todo mundo esqueceu. Não é? Mas, isso acontece hoje. Você fala assim, Brasil, coração do mundo, pato do evangelho.

O que todo mundo imagina? A mesma coisa. Vai resolver o problema social do Brasil, vai resolver o problema econômico, o problema político, fica tudo certinho aqui, aqui se transforma em um país escandinavo, com igualdade, tudo bonitinho, tudo certinho. E os outros povos? Nós não somos a pata do evangelho? E corrigir os vícios? Vícios? Mas, nós temos vícios? Corrigir nossos vícios? Percebe? A mesma história se repete. A mesma história. Aí, nós pegamos no movimento espírita, a mesma coisa. Não, os espíritos vão vir aqui e vão elogiar a nossa casa espírita, que a gente dá paz, que a gente faz isso.

E a correção dos erros? Erros? Erros? Mas, nós temos erros? O movimento espírita tem erro? Não, não tem. Tem erro? E a responsabilidade do espírita com os outros, com as outras crenças? Não, não temos responsabilidade, não. A gente só tem responsabilidade com os espíritas. É a mesma história, está se repetindo. Dois mil e setecentos anos depois, a mesma história está se repetindo. Aí, a pessoa pergunta para a gente aqui, pergunta para mim, pergunta para a equipe do Ser. Mas, estudar Isaías, para que estudar Isaías?

Para que estudar Isaías? Para que? Bom, se nós estamos cometendo os mesmos erros de dois mil e setecentos anos atrás, será que é interessante estudar as lições novamente? Será que valeria a pena estudar novamente as lições? Parece, não é? Pensando bem, parece, não é? É isso. Então, esses são os três problemas que o Messias vai ter que enfrentar. Ele teria que identificar o que está correto, reforçar o que está correto, porque isso é papel do educador, isso é papel do mestre, e esse foi o único título que Jesus aceitou.

Vós me chamais mestre e dizeis bem, pois eu o sou. Então, o mestre faz o que? Reforça a parte positiva do aprendiz. Mas o mestre também faz o que? Corrige o que está errado. Corrige o que está errado. E o que o mestre faz com a atividade que não foi feita? Com o trabalho que não foi entregue, com o exercício que não foi feito, com a atividade que não foi cumprida. O que ele faz? Passa de novo, passa de novo, entrega de novo o trabalho, entrega de novo a atividade e diz, agora façam, vou dar um novo prazo. Então, isso é muito importante.

Eu espero que, se você esquecer tudo desse episódio, gravar essas três coisas, porque isso é muito importante para a gente compreender o livro de Isaías e para a gente compreender a visão de Isaías do Messias, do Messias prometido, do Cristo, do enviado. É importante a gente gravar isso. Então, reforçar o que estava bom, corrigir o que estava errado e refazer, fazer o que não foi feito. Fazer o que não foi feito. E, acreditem, o que não foi feito é muita coisa. É muita coisa. Então, nós sempre temos que nos perguntar e eu encerro com essa pergunta.

Para nós, refletimos isso pessoalmente e coletivamente, como Espíritas. O que pode ser reforçado, porque está bom, o que precisa ser corrigido e o que não está sendo feito. O que não está sendo feito? O que precisa ser feito? Não é mesmo? É no próximo episódio nós vamos aprofundar nisso falando sobre as expectativas messiânicas. Até o próximo episódio! Legendas pela comunidade Amara.org

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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