#004 – Velho Testamento – Livro Gênesis: Perguntas

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Neste episódio especial, Haroldo Dutra Dias, em um momento de transição entre compromissos, dedica-se a responder às perguntas enviadas pelos participantes dos três primeiros estudos do Livro de Gênesis. Este formato de perguntas e respostas permite aprofundar temas já abordados e esclarecer dúvidas, enriquecendo a compreensão do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita.

O que é estudado neste episódio

  • Terminologia Hebraica: Esclarecimento sobre a palavra hebraica “ar” e sua abrangência para “irmão” ou “primo”, destacando a necessidade de contextualização para a correta interpretação.
  • Indicações Bibliográficas: Sugestões de obras para aprofundamento nos costumes e tradições judaicas, como o “Comentário de Gênesis” de Bruce Waltke, da editora Atos.
  • Símbolo e Verdade na Cultura Judaica: Explanação sobre a indissociabilidade entre símbolo e verdade nas narrativas judaicas, refutando a ideia ocidental de que o simbólico é falso. A verdade é frequentemente expressa de maneira simbólica, e há uma base histórica para personagens como Abraão, Moisés e Jacó, embora os detalhes sejam narrados com rica simbologia.
  • A Importância dos Mandamentos: Discussão sobre a perspectiva judaica da Torá e os 613 mandamentos, com referência à interpretação de Rasch sobre o início da Bíblia em Êxodo 12, enfatizando o caráter lúdico e a importância das obrigações na mentalidade judaica.
  • As 70 Faces da Torá: Abertura para múltiplas interpretações dos textos bíblicos, incentivando a mente a não se prender a uma única leitura.
  • A Recusa de Adão e os Exilados de Capela: Abordagem inicial sobre a recusa de Adão em seguir o projeto divino e sua relação com os exilados de Capela, prometendo aprofundamento no estudo do capítulo 3 de Gênesis.
  • Classificação Histórica do Gênesis: Análise crítica da classificação do Gênesis como livro histórico, diferenciando a classificação literária bíblica da escrita histórica no sentido moderno.
  • Deus Cria o Perfectível: Reflexão sobre a natureza da criação divina, que não é perfeita, mas perfectível, permitindo a evolução e o progresso dos seres.
  • A Criação Divina e o Amor: Discussão sobre o propósito da criação de Deus, interpretado como uma expressão do amor divino, e a necessidade da jornada evolutiva para o desenvolvimento do sucesso, conquista e vitória.
  • A Inspiração Espiritual na Redação Bíblica: Reconhecimento do amparo espiritual na escrita dos textos hebraicos e do Novo Testamento, destacando a orientação divina na formação das escrituras.
  • Traduções Bíblicas e a Gematria: Comentários sobre a tradução da Bíblia para o Esperanto por Zamenhof e a técnica interpretativa judaica da Gematria, que associa letras a números para encontrar correspondências místicas.
  • A Infinitude da Criação: Ampliação da visão sobre a criação divina, que transcende a Terra e o nosso universo, com a existência de múltiplos mundos e seres já evoluídos.
  • A Onisciência Divina: Discussão sobre a onisciência de Deus, que não tem “lados” ou limitações, e a percepção absoluta da divindade através do fluido cósmico universal.
  • Símbolos em Gênesis vs. Apocalipse: Reafirmação de que os personagens de Gênesis possuem um fundo histórico real, mas são enriquecidos por simbologias, evitando a dicotomia entre o verdadeiro e o simbólico.

Reflexões

  • A cultura judaica integra o simbólico e o histórico, onde a verdade é frequentemente contada através de símbolos, desafiando a mentalidade ocidental que os dicotomiza.
  • Deus não cria o perfeito, mas o perfectível, permitindo que os seres evoluam e construam sua própria perfeição através do esforço e do progresso, como ensina a Doutrina Espírita.
  • A vastidão da criação divina e a infinitude do amor de Deus nos convidam a expandir nossa compreensão para além dos limites de nosso planeta e universo, reconhecendo a presença de seres evoluídos em outros mundos.

Ler transcrição do episódio

Olá pessoal, nós estamos aqui no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, para uma viagem para os Estados Unidos, Congresso Espírita da Federação Espírita da Flórida, e também uma palestra em Nova Iorque, com os amigos de lá. E por conta disso a gente não vai poder gravar o Gênesis dessa semana. Então no esforço para tentar atender alguns pedidos e para não deixar os amigos e internautas sem nada, a gente resolveu responder, assim, um pouquinho improvisado, algumas perguntas que surgiram das aulas que já aconteceram, das três primeiras aulas, e aproveitando aqui enquanto não dá o embarque, a gente responde essas perguntas.

A primeira delas, na aula número 1, é a pergunta da Maria Helena Marchiori, de Curitiba. Ela pergunta se irmãos ou primos em hebraico são a mesma palavra. São. A palavra em hebraico é ar. Meu irmão seria arri. E no hebraico não tem essa distinção muito grande do irmão ser aquele consanguíneo. Ele abrange outros membros da família, é uma palavra mais ampla, o que gera um pouco assim, às vezes, de confusão e a gente tem que olhar o texto para saber se a palavra está se referindo a um contexto mais amplo familiar ou se está se referindo a um irmão de sangue.

Então, realmente tem isso mesmo. A outra pergunta é da Patrícia Felício, de Uberlândia, Minas Gerais. Ela está dando parabéns aqui para toda a equipa do C, desejando muita luz, e ela quer saber se existem textos em português sobre as tradições e os costumes judaicos. Patrícia, tem sim, nós vamos indicar, só que a gente vai indicar isso ao longo do estudo do Gênesis. Por exemplo, nessa primeira aula, a gente já indicou uma obra do Bruce Waltke, que é o que tem lá, o Comentário de Gênesis, da editora Atos, que a gente está utilizando, onde tem a estrutura literária, então ele já é um primeiro livro.

Se você quiser adquirir, nós recomendamos. Tem algumas falhas, algumas deficiências, mas tem muita coisa boa. E ao longo do Comentário de Gênesis, toda vez que a gente trouxer um livro novo, a gente vai mostrar a capa, vai indicar, vai fazer um esforço de colocar no site. A gente acha mais produtivo ir aos pouquinhos do que fazer uma indicação bibliográfica enorme, que aí teremos mais de 50 livros, e isso não é produtivo. É interessante ir indicando à medida que o assunto e o problema for surgindo. Então acompanha a gente, mas o estímulo é você acompanhar os estudos, viu?

Então aos pouquinhos a gente vai indicar, e já fica essa aí do livro do Bruce Waltke, que é o Comentário de Gênesis, da editora Atos, é um volume grosso, muito interessante esse comentário em alguns aspectos. Naquilo que é fraco, ao longo do desenvolvimento da atividade, a gente vai falando sobre ele. Um abraço aí para todo mundo de Uberlândia. Bom, tem aqui uma pergunta da Noely Branco, de Curitiba também, Paraná. Ela está dizendo que a gente falou na primeira aula que no Velho Testamento tem muitos símbolos, então ela quer saber onde que começa e onde que termina os símbolos, e onde que tem a história verdadeira, né?

Então é a partir de Moisés, é a partir de algum ponto, né? Então Noely, a primeira coisa que a gente quer dizer é o seguinte, nós precisamos abandonar esse modelo mental de se é símbolo é falso, se é história verdadeira não tem símbolo, porque isso não existe na cultura judaica. Na cultura judaica, eles contam histórias verdadeiras utilizando símbolos, então você não pode separar ou é símbolo ou é verdade. Não. A verdade é dita de maneira simbólica. Então, há uma base histórica? Há. Uma base histórica para Abraão, para Moisés, para Jacob?

Com certeza. Mas é exatamente da maneira como está descrita? Aí que está o segredo. Ao contar os detalhes, ao compor a história, eles utilizam uma nova maneira, um modo diferente de pensar, diferente de nós ocidentais. Então, a gente precisa abandonar esse pensamento ocidental, que é um pensamento do século 19, século 20, que é descrição detalhada, objetiva, cartesiana, que isso para eles não existe. Então, se você perguntar para alguém da época daqueles textos se a história que está lá é verdadeira, eles vão dizer que é verdadeira.

E se você perguntar para eles assim, mas não está cheio de símbolos, eles vão falar que não, porque para eles essa separação não faz sentido. Pelo fato de ele ter símbolo, é falso. Mas ao longo do estudo do Gênesis, só para ter um pouquinho de paciência, porque nós vamos estudar capítulo por capítulo, então a gente vai ter oportunidade de comentar detalhadamente sobre tudo isso. Só esperar um pouquinho, que a gente vai ir lá mostrando como que é a narrativa, qual que é o processo, vamos aguardando. Temos uma pergunta aqui do Tales Argolo, amiguinhíssimo nosso aí de Belo Horizonte, e ele maravilha já está lendo aí um comentário do Rasch, do livro de Gênesis, e ele está um pouco em dúvida, porque no comentário do primeiro capítulo de Gênesis, o Rasch diz que a Bíblia deveria começar no capítulo 12 de Êxodo, porque é lá que tem o primeiro mandamento, a primeira mitos votos.

Bom Tales, aqui você deu uma adiantada, porque nós estamos ainda no geral, na estrutura literária, nós vamos ter oportunidade de, quando entrarmos nos capítulos específicos, trazermos alguma coisa do Rasch. Mas já que você levantou esse assunto, na mentalidade judaica, mais importante para eles são as obrigações, quer dizer, o que eles têm que cumprir, e eles têm 613 mandamentos catalogados. E o primeiro deles, por ordem de ocorrência, está em Êxodo capítulo 12, então o Rasch faz essa brincadeira, isso é muito lúdico, o espírito de interpretação bíblico dos judeus é muito lúdico, muito cheio de ironia, muito cheio de piada, de trocadilho, de frases de efeito, a gente não pode interpretar literalmente, então o que o Rasch está dizendo é o seguinte, o primeiro mandamento está em Êxodo 12, então a Bíblia deveria até começar em Êxodo 12.

Quando ele diz assim, a Bíblia deveria começar, o que ele está querendo enfatizar é a importância do mandamento, não é que Gênesis deveria sumir do mapa, deveria sair, não é isso, é só esse aspecto lúdico de dizer as coisas. E de fato, você até transcreveu aqui o mandamento, ele é o primeiro mesmo, nós vamos ter oportunidade de falar sobre isso, ao longo do Pentateuco mosaico todo, nós temos 613 mandamentos, mas não vem ao caso, nós vamos estudar Gênesis, que é o livro todo e não os mandamentos ou as mites votas judaicas, então o nosso enfoque é outro, é por livro, e eles também estudam por livro, tanto que o Rasch faz um comentário para cada livro do Pentateuco.

Agora, eu quero só deixar uma dica, e a sua pergunta é boa, porque ela levanta isso, a Torá tem 70 faces, então o esforço que os judeus fazem é de ter no mínimo 70 interpretações de um versículo, então isso é bom para a gente não ficar apegado, puxa, encontrei a interpretação, e aqui você já vê que ele já começa a trazer elementos para a gente pensar, e o conselho que a gente dá é, vamos abrir a mente, quanto mais interpretações, quanto mais enfoque de um texto, melhor, para eles, melhor, a gente não pode ficar preso achando que existe uma única interpretação.

Temos aqui uma pergunta da Leila Araújo Costa Andrade, de São Paulo, ela está pedindo a referência do livro, na primeira aula, que a gente leu no capítulo 17, chamado Grupo Leila, a gente vai colocar aí no site, porque teve um cortezinho no vídeo, a gente mostrou isso lá, na hora, mas teve um pequeno corte, aí não está dando para ver o livro, mas a gente vai colocar no site qual é o nome do livro, pode deixar. Temos aqui uma pergunta do André Pena Corrêa Bittencourt, que ele está pedindo para que coloque o número dos episódios no vídeo, então André, hashtag, fica a dica para Tiago Franklin, que é o responsável aqui pelos vídeos, para ele colocar o número dos episódios aí, porque você está falando que para baixar em tablet, smartphone, não dá para saber qual que é o episódio, né?

Pode deixar, vou passar isso aqui para o Tiago, ele está em frente aqui e está te ouvindo, viu? Temos uma outra aqui, que é do Valmir Alves Gomes, de Saboeiro, Ceará, nossa mãe, Valmir, você está pedindo para criar um grupo de WhatsApp, onde a gente possa tirar dúvida sobre o Gênesis, Valmir, o problema disso é que a gente não daria conta de alimentar esse grupo com todas as perguntas, então a gente está preferindo criar esse canal aqui, que a gente recebe as perguntas e grava, porque aí todos têm acesso, né? Porque esse contato de WhatsApp fica difícil para a gente manter, só para você ter uma ideia, a primeira aula já do Gênesis já está com quase 15 mil views, né?

Então se a gente colocar 15 mil pessoas num grupo do WhatsApp, a gente não consegue dar conta, né? Mas é só por isso, viu? Agora vamos aqui para a aula número 2, a Silvana Maria Pereira de Pádua, de Cruz das Almas, Bahia, e aqui ela já está entrando numa questão que a gente mencionou na segunda aula sobre a recusa de Adão em seguir o projeto de Deus, de ser um ser humano divino, e o que isso tem a ver com as afirmativas do exilado de Capela. Silvana, é o seguinte, aqui você já entrou demais no capítulo 3 do livro de Gênesis, quando a gente for estudar o capítulo 3, nós vamos ter a oportunidade de estudar isso com profundidade, fazendo o paralelo dos exilados, abordando todas essas questões, né?

Então vamos aguardar só um pouquinho, porque não dá aqui uma perguntinha dessa para eu esclarecer e isso que talvez a gente precise de várias aulas só para falar disso. O que a gente quer destacar aqui é o seguinte, a gente precisa ampliar a mente para que ela dê conta de entender os símbolos do Gênesis. Então os símbolos do Gênesis são muito amplos, eles não são assim uma coisa ou outra, não é branco, preto, amarelo, vermelho, geralmente é um arco-íris, né? Então o que a gente disse aqui é que o homem, o que o livro de Gênesis está dizendo é que o ser humano, a criatura de Deus, foi criada com o DNA divino, ela foi criada perfectível, com todo o potencial para se transformar num ser divino.

Por enquanto, vamos guardar isso, mais para frente a gente vai dar sequência nesse raciocínio, mas obrigado aí pela pergunta e um abraço para todos da Bahia que estão acompanhando o estudo do Gênesis. Temos aqui a pergunta do André Pena Corrêa Bittencourt de Goiás, né André? Já tinha feito uma pergunta e você está mencionando aqui o dicionário da Bíblia do John Davis, que fala que o livro de Gênesis pode ser classificado como um livro histórico do Antigo Testamento. Bom André, tem três questões aqui na sua pergunta que a gente precisa destacar.

Primeira delas, você está com o dicionário desatualizado, quer dizer, o John Davis, esse dicionário do John Davis, André, ele é do século XVII. Então nós temos 300 anos de pesquisa bíblica e a pesquisa mais relevante acerca dos livros do Velho Testamento, ela ocorreu na segunda metade do século XX, ou seja, vamos acompanhando aqui e você precisa dar uma atualizada no dicionário. Eu gosto muito do dicionário do John Davis quando ele fala de local, quando ele fala de personagem, para você conseguir uma referência, mas alguns conceitos que estão ali já estão um pouco desatualizados.

Quando você menciona a classificação da Bíblia de Jerusalém, nós temos que tomar um cuidado aqui. Quando a Bíblia de Jerusalém diz que o livro de Gênesis é um livro histórico, é histórico na classificação dos livros bíblicos, não significa que a história é feita por historiador. Então precisa tomar esse cuidado. Então quando se diz que Gênesis é um livro histórico, é no sentido de que ele não é um livro, por exemplo, proverbial, como o livro de provérbios, que provérbios eclesiais são classificados como livros sapienciais.

Então é esse tipo de classificação, histórico, sapiencial, etc., profético. É nesse sentido a classificação, não é o sentido que é histórico, então uma história como se fosse um doutorado, um historiador, não tem esse sentido. Outra coisa, a gente já respondeu também isso na aula número 1, numa pergunta, para o judeu não tem essa história de se tem símbolo é falso, se não tem símbolo é verdadeiro, porque eles contam histórias verdadeiras utilizando parábolas e símbolos. Então não tem essa dicotomia, o que é histórico não tem símbolo, porque esse negócio de contar histórias sem símbolo é coisa do século XIX e do século XX.

Não é da mentalidade de quem escreveu o livro Gênesis, então a gente tem que ficar atento a isso, para a gente não se perder querendo impor a quem escreveu o livro Gênesis uma mentalidade que é nossa, do século XX e do século XXI, temos que tomar esse cuidado. Outra coisa que você coloca aqui sobre a estrutura literária, nós estamos utilizando essa abordagem porque ela é hoje o que há de mais moderno na pesquisa bíblica e realmente ela dá um quadro interessante para a gente interpretar. Bom, temos ainda na aula 2 uma pergunta do Rogério Candote de São Paulo, ele está se referindo aqui a mitologia grega que a gente mencionou, um pedacinho da mitologia, está perguntando se eu vou falar um pouco sobre os exilados de capela, vamos sim, vamos, mas no momento oportuno, quando a gente chegar lá no capítulo 3 de Gênesis, não nesse momento.

E ele pergunta também se nós vamos falar sobre os elementais, que o Divalto comentou. Bom, aí não é o foco de estudo do Gênesis, porque ali a gente vai ter que seguir o livro e não é um estudo sobre evolução espiritual, porque aí é um estudo muito mais amplo, foge um pouco do nosso propósito, o propósito ali é a gente estudar o livro de Gênesis, então a gente não vai entrar muito nessas questões. Bom, outra pergunta é do Leonardo Moraes Rocha de Belo Horizonte, o Leonardo cita aqui alguns versículos de Romanos e ele entra na questão do pecado original, que a gente comentou lá sobre o erro original da humanidade e tudo, e aí ele quer saber um pouquinho como é que concilia isso com os textos do Kardec e com algumas interpretações sobre o assunto.

Bom, ainda não é o momento de a gente comentar isso, porque a gente não chegou em Adão ainda, nós estamos no geral estudando a estrutura literária do livro de Gênesis, quando nós chegarmos no capítulo 3, nós vamos estudar detalhes desses temas de Adão, de Eva, da Serpente, porque isso é um tema tão profundo, tão complexo, que ele vai demandar vários e vários episódios para a gente poder pontuar uma série de aspectos e desarmar muitas armadilhas com relação ao assunto, mas com certeza a gente vai falar dos exilados, vai trazer o pensamento de Kardec, o pensamento de Emmanuel, afinal, o nosso enfoque é o enfoque à luz da doutrina espírita, então Kardec e Emmanuel não faltam nunca, vamos acompanhando aí que a gente chega lá.

Temos aqui uma do Mateus Matos Lopes, de Teófilo Otoni, e ele está perguntando aqui que ele achou estranho porque em alguns versículos diz assim, Deus viu que era bom, se ele é perfeito, se Deus não cria as coisas perfeitas, porque que tem isso, Mateus, nós vamos ver isso também com calma, quando a gente começar a estudar o capítulo 1, alguns versículos específicos de Gênesis, mas aqui fica já uma primeira reflexão para você, você disse que Deus cria tudo perfeito, na verdade Deus cria tudo perfectível, olha que interessante, porque os espíritos não são criados simples e ignorantes, simples e ignorantes, a perfeição eles tem que construir, eles são criados com potencial da perfeição, com todos os requisitos para atingir a perfeição, mas eles tem que evoluir, então tudo no universo está sujeito à lei do progresso, está lá no livro dos espíritos, então Deus cria tudo perfectível e ao longo do processo evolutivo, vai sendo checado se as metas estão sendo atingidas, mas isso nós vamos comentar com calma, viu, temos aqui uma pergunta, na verdade um conjunto de perguntas da Melissa Cristiane Ferreira, de Oliveira, de Juiz de Fora, e ela faz várias perguntas, porque que Deus criou, porque que nós viramos as costas para Deus, porque que nós temos que fazer uma jornada espiritual, porque que só veio um Jesus, bom Melissa, aqui tem muitas questões, ao longo do estudo de Gênesis, vamos acompanhando, que a gente vai abordar todos esses assuntos, eu vou me deter na sua primeira pergunta, porque que Deus criou e porque que Ele cria, não sabemos Melissa, não sabemos, olha, a gente precisa incorporar Melissa, algo que é muito importante, nós somos seres relativos, Deus é absoluto, nós não temos acesso a tudo de Deus, pelo contrário, o que nós temos acesso de Deus é ínfimo, nós só podemos acessar de Deus o que está na criação, então o que que a gente pode, aqui eu posso te dar assim, uma interpretação minha, mas eu estou correndo um risco enorme, a chance da minha interpretação estar totalmente errada é de quase 100%, Deus é amor, está no evangelho de João, Ele é o supremo amor, a suprema expressão do amor, então, se você pergunta para um casal que se ama, porque que eles querem ter filhos, o que que eles vão responder para você, que eles se amam e que eles querem perpetuar nos filhos esse amor, então, eu iria por aí, porque que Deus cria, pelo amor, porque Ele quer ter os seus filhos para amá-los e para se dedicar infinitamente a eles que é o que Ele se dedica, Deus tem todas as possibilidades na mão, se Ele optou por nos criar simples e ignorantes para que a gente evolua, é porque tem um propósito nisso, isso aí está lá na codificação, qual que é o propósito?

Que a perfeição espiritual seja fruto do nosso esforço, se Deus nos criasse perfeitos, não haveria no dicionário divino a palavra sucesso, não haveria no dicionário divino a palavra conquista, a palavra vitória, a palavra esforço, a palavra trabalho, então para essas palavras existirem no dicionário divino, nós temos que ser criados simples e ignorantes e construirmos a nossa grandeza junto de Deus que está sempre nos amparando. Essas duas reflexões eu deixo para você e as outras ao longo do estudo do Gênesis a gente vai, mas aqui eu sinto, Melissa, seria muito bom se você desse uma lida no livro dos espíritos, muitas dúvidas que você tem aqui, eu também tive todas elas e te confesso, depois de ler umas 15 vezes o livro dos espíritos, algumas delas já começam a ficar mais claras para mim, mas é ler várias vezes, ler, refletir, degustar, porque aquele, tem muita coisa que você está perguntando aqui, está implícito lá, vale a pena dar uma lida bem cuidadosa, bem meditada no livro dos espíritos, um abraço, obrigado por você estar acompanhando, obrigado por você ter feito as perguntas, é uma honra para a gente você poder estar assistindo o estudo de Gênesis, um abraço para todos os de Juiz de Fora.

Temos a pergunta aqui da Rosângela Andrade Martins-Powell, de São Paulo, capital, ela pergunta quando que o livro que você lê de redenção vai ser vendido em São Paulo? Ô Rosângela, na verdade a nossa venda, ela está concentrada no site da nossa editora, então você entra lá, www.portalser.org, tem um link lá para a nossa editora e você compra online, mas se você quiser comprar o livro assim, louco, nós estaremos esse ano no grupo Perseverança, em São Paulo, vamos fazer um estudo lá, que data de dia você lembra? 18 de outubro, estaremos aí no Perseverança, você vai poder nos dar a honra de nos dar um abraço, de comparecer lá com o livro que ele vai ter lá no local, viu?

Obrigado aí pela pergunta, por estar acompanhando e espero que você goste do livro, um abraço. Aqui agora na aula 3 temos uma outra pergunta da Fernanda de Siqueira Dias, de Cabo Frio, ela está dizendo que após a explanação de como os textos hebraicos foram escritos, nós podemos considerar que os acréscimos de vogais e a separação de palavras podem também ter sido orientadas espiritualmente? Com certeza Fernanda, com certeza, olha, eu tenho aprendido uma coisa, e falo isso de experiência própria, quando eu estou traduzindo lá o Novo Testamento, o amparo espiritual que vem não tem nada a ver com o merecimento meu, o trabalho é tão importante que você tem um aporte espiritual, um suporte, incrível, imagina essas criaturas que estavam trabalhando com os textos da primeira revelação, com os textos da segunda revelação, você imagina o amparo espiritual, tanto é verdade que o Emmanuel no livro A Caminha da Luz, no trecho lá que ele vai falar do cristianismo, ele diz que quando chegou a hora de redigir os textos, os espíritos angélicos que cooperam com o Cristo na direção do orbe, presidiram a redação definitiva dos textos, então você imagina o nível da inspiração espiritual que eles receberam, você está coberta de razão, um abraço.

Júlio César Moreira da Silva, de Belo Horizonte, está dizendo que é um espírita esperantista, poxa Júlio, que coisa boa, e tem uma bíblia em Esperanto traduzida pelo Zamenhof, e se tem alguma referência sobre essa tradução, essa tradução é realmente incrível, Zamenhof é um gigante, eu citei aquelas traduções principais Júlio, mas ao longo dos trabalhos nós vamos citar dezenas e dezenas de outras traduções, e uma delas é a do Zamenhof, é um excelente trabalho, aliás o Zamenhof é um gigante, só de ter criado o Esperanto, é fantástico.

O que nós temos que considerar Júlio, e isso é um fato importante, que toda tradução é datada. O que significa? Se eu faço uma tradução hoje, daqui 200 anos a pesquisa bíblica avança, então a sua tradução fica defasada. A tradução que o Zamenhof fez é excelente, mas algumas descobertas só foram feitas 150 anos depois da morte dele, 150 anos eu estou chutando, entendeu, foi feito muitos anos depois do desencarno dele, então é natural que as novas pesquisas bíblicas sobre o tema, o que já teve de avanço, não foi incorporado na tradução dele, e isso a gente tem que levar em conta.

Temos uma pergunta aqui da Adriana Santos, de Igrejinha, Rio Grande do Sul, ela está perguntando se aquilo que a gente comentou da genealogia de Mateus, que o nome de Davi dá 14, 14, 14, 14, se isso é em hebraico, chama-se, essa técnica chama-se guimatria, é uma técnica interpretativa dos sábios judeus, que eles pegam as letras em hebraico, que tem uma característica do hebraico, as letras são também números, eles não usam os números árabes, porque são hebreus, então nós usamos os números árabes, 1, 2, 3, isso é numeral arábico, eles usam os numerais hebraicos que são letras do alfabeto, então cada letra é um número, e aí o que eles fazem, eles ficam pegando nomes, frases, somam os números para ver correspondências, é uma interpretação um pouco hermética, um pouco mística, mas bem interessante, alguns aspectos funcionam muito bem, mas a gente vai abordar isso também ao longo do estudo do Gênesis, Adriana.

Nós temos uma pergunta aqui da Maria João Gonçalves Pereira, de Portugal, oh Maria, que coisa boa saber que vocês estão aí nesse nosso país irmão, acompanhando o estudo, e você faz uma pergunta aqui, é de que como antes do homem ter surgido na terra já haviam seres perfeitos, ora Maria, isso está lá no livro dos espíritos, porque nós temos que pensar é o seguinte, a terra tem só 4,5 bilhões de anos, e o universo, o nosso universo está estimado em 13,5, 14 bilhões de anos, e os cientistas já começam a falar de multiverso, a criação é infinita, Deus é eterno, e dizem os espíritos, ele sempre criou, então nós não podemos restringir a criação de Deus, a criação da nossa terra, e nem a criação do nosso universo, ou seja, vários universos já existiram antes do nosso, vários mundos já existiram antes do nosso, e seres que evoluíram nesses mundos, quando a terra foi criada, eles já estavam perfeitos, por exemplo, vou te dar um exemplo, Jesus, quando a terra foi criada, ele já era um Cristo, e diz Emmanuel no livro A Caminho da Luz, que a sua evolução se perde na poeira dos sóis, ou seja, os sistemas solares por onde Jesus evoluiu, nem sequer existem mais, já são poeira, então é algo para abrir nossa cabeça mesmo, e pensar que a terra é só um pontinho, um grãozinho de areia nesse oceano infinito da criação.

Ainda na aula 3, nós temos aqui uma pergunta da Leila Brasília, de Salermo, na Itália, Leila, um abraço a todos na Itália, obrigado por estarem acompanhando o nosso estudo, é aquela pergunta, se vendo de todos os lados, Deus é um ser onisciente, o Leila eu diria o seguinte, ele é onisciente porque para ele não tem lado, essa questão de lado, para cima e para baixo, é na nossa limitação de seres, de criaturas, de seres relativos, para Deus que é absoluto, e quando a gente começa a ler os textos de Kardec falando do fluido cósmico, nós vamos perceber que a percepção de Deus é absoluta, ela é infinita, tudo está mergulhado no fluido cósmico, mas isso aí, aguarda um pouquinho porque é tema da sequência do estudo do capítulo 1 de Gênesis, onde a gente vai abordar isso com todo cuidado, com bastante vagar, porque é um tema complexo e a gente tem que ir devagarzinho, mas obrigado por estarem acompanhando, um beijo em todos da Itália.

Temos uma pergunta aqui da Lívia Machado, do Rio de Janeiro, não é bem uma pergunta, é uma sugestão, para a gente disponibilizar a estrutura literária no nosso site, pode deixar, a gente está estruturando o site, teve um probleminha, ele saiu do ar, mas a gente vai disponibilizar esses arquivos aí, em breve eles vão estar disponíveis para serem baixados, e eles se encontram também no Livro Esteleiro de Redenção, então se você quiser adquirir, porque lá tem mais gráficos, tem mais coisas, e depois a gente pretende, como está fazendo com Levítico, fazer também um material sobre o Gênesis, um material escrito para as pessoas terem tudo isso em mãos, tem também um grupo de estudos de Gênesis no Facebook, que o pessoal está colocando, disponibilizando todo esse material, então dá uma olhadinha aí pelo Portal do Ser, no nosso grupo do Facebook, você vai ver a indicação lá.

E temos uma pergunta aqui da Jaqueline Abadia, de Uberlândia, Minas Gerais, ela está dizendo se em Gênesis os personagens são símbolos, assim como ocorre no Apocalipse, com serpente, maçã, bom, a Jaqueline aqui tem uma pegadinha nesse fato, nós já respondemos isso em outras perguntas, para um hebreu, essa questão de se é símbolo ou não é verdadeiro, não funciona, então os personagens lá, são personagens que tem um fundo real, tem um fundo histórico, mas além do fundo histórico, tem um aspecto que é o símbolo, então a gente tem que ter um cuidado, porque Abraão é um personagem mesmo, ele é um personagem histórico, fundador da nação hebraica, agora ele não é exatamente tudo aquilo que está descrito lá, então ao descrever Abraão, tem muita simbologia, tem toda uma maneira de narrar hebraica, então a gente tem que fugir dessa dicotomia, ou é verdadeiro ou é simbólico, isso não existe no pensamento judaico, é mais complexo do que isso, é muito mais complexo, mas isso também a gente vai abordar com muita calma, vamos explicar, vamos falar sobre isso, então continua acompanhando a gente, nós vamos vencer esses desafios todos aí, se Deus quiser, um abraço para todos.

Bom, aqui a gente encerra a resposta às perguntas e pede a todos que façam perguntas, que acompanhem, a gente vai sempre reservar alguns episódios para responder perguntas, para a gente ter essa interação com quem está assistindo, e esperamos que esse público cresça cada vez mais, porque nós nos sentimos como alunos, eu me sinto como alguém que está estudando junto, então quando alguém faz uma pergunta, para mim é maravilhoso, porque me força a pensar, a estudar, a aprender, e nós estamos todos juntos, é uma grande família estudando o livro Gênesis, um abraço para todos.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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