Neste terceiro episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do livro de Gênesis, focando em sua estrutura literária. O estudo, que não se limita a uma leitura superficial, busca desvendar a riqueza e a profundidade do texto bíblico através de uma abordagem que integra aspectos intelectuais, emocionais e espirituais.
O que é estudado neste episódio
- A importância da estrutura literária: Haroldo Dutra Dias enfatiza que compreender a estrutura geral de uma obra, como o Gênesis, permite um aprofundamento mais produtivo e evita que o leitor se perca nos detalhes. Ele compara essa visão ampliada à necessidade de coordenadas geográficas para deslocamentos maiores, ou a uma “caixa de ferramentas” metodológica, onde se aplica o método mais adequado ao objetivo do estudo.
- Abordagem multifacetada do texto bíblico: O estudo ressalta que o texto bíblico não deve ser abordado apenas pelo intelecto. É fundamental que a mensagem seja sentida e vivenciada, estabelecendo uma relação emocional e espiritual com ela. A análise intelectual serve como um primeiro passo para a compreensão, mas a jornada pessoal de cada um com o texto é intransferível.
- O encantamento e a estética do texto: Haroldo Dutra Dias alerta para o risco de uma abordagem puramente intelectual “matar” o encantamento do texto. A experiência de ler a Bíblia, especialmente o Gênesis, é comparada à apreciação de uma obra de arte ou de uma catedral, que envolve uma dimensão estética e artística que transcende a razão.
- Níveis da estrutura literária do Gênesis:
- Nível composicional (o mais geral): Subdividido em plano unitário da obra e conjunto de seções ou ciclos. O plano geral abrange o objetivo do livro, o escopo temático, a forma e a articulação dos temas (como as histórias se conectam).
- Objetivo geral do Gênesis:
- Mostrar que há um Deus criador do cosmos, que é ordem e hierarquia.
- Enfatizar que Deus é transcendente (infinito e incompreensível em sua totalidade) e imanente (se importa, age e provê na vida individual e comunitária).
- As dez linhagens (Toledot) e o prólogo: O Gênesis é estruturado em um prólogo e dez genealogias (Toledot), que marcam as divisões do texto.
- Prólogo: Criação do cosmos (Gênesis 1:1 – 2:3). Apresenta a criação perfeita de Deus, que “descansa” após a obra.
- Primeira linhagem: Linhagem dos céus, da terra e do homem (Gênesis 2:4 – 4:26). Esta seção, ao contrário do prólogo, aborda o que é perfectível, em evolução, e não perfeito.
- Atos e cenas: Dentro de cada seção, o texto pode ser dividido em atos (grandes blocos narrativos) e cenas (micro-histórias com cenários, personagens e episódios específicos).
- Exemplo da Linhagem dos Céus, da Terra e do Homem:
- Ato 1: A humanidade em prova (Gênesis 2:4-25). Cenas: O homem, o jardim e o mandamento; A mulher e o matrimônio; Epílogo.
- Ato 2: A queda e o mal (Gênesis 3:1-24). Cenas: A serpente e a queda; O mal e o juízo; Epílogo.
- Ato 3: A progressão do mal (Gênesis 4:1-26). Cenas: Caim e Abel; Lameque (progressão do mal, com a menção do “setenta vezes sete”); Epílogo.
- Exemplo da Linhagem dos Céus, da Terra e do Homem:
- A origem dos capítulos e versículos: O estudo revela que a divisão da Bíblia em capítulos e versículos é uma adição posterior (século XVIII para capítulos, e antes para versículos, mas a numeração é posterior), não presente nos textos originais. Isso ressalta a importância de entender as estruturas literárias originais para uma compreensão mais autêntica.
- Desafios da tradução e interpretação: Haroldo Dutra Dias aborda as complexidades da tradução dos textos bíblicos, especialmente do hebraico (sem vogais, sem separação de palavras, da direita para a esquerda) e do grego antigo (tudo junto, sem pontuação). Ele usa o exemplo da frase de Jesus ao bom ladrão (“Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso”) para ilustrar como a pontuação pode alterar o sentido.
Reflexões
- A compreensão da estrutura literária do Gênesis revela a profunda arte e intencionalidade dos seus autores, desmistificando a ideia de um texto desconexo e aleatório.
- A dualidade entre a transcendência e a imanência de Deus, presente no Gênesis, oferece um equilíbrio doutrinário essencial, evitando tanto a antropomorfização excessiva quanto a despersonalização divina.
- A análise das “dez linhagens” e a distinção entre o “perfeito” (criação do cosmos) e o “perfectível” (humanidade e sua jornada evolutiva) no Gênesis, alinha-se com a visão espírita da evolução e do aprimoramento constante do ser.
Ler transcrição do episódio
A oportunidade de aprender mais um pouquinho da Bíblia e que assim seja, Senhor. A gente gostaria de iniciar, para os internautas, pedindo desculpa por esse pequeno atraso. Tivemos forte chuva aqui em Belo Horizonte, derrubou nosso sistema de internet e aí voltou. A gente conseguiu recuperar a tempo. E também pedir desculpa pelo site do SER, que hoje saiu do ar, por uma questão muito boa. Graças a Deus, excesso de download simultâneo. Então, a saída do podcast, com a grande quantidade de download, o aumento, o nosso serviço contratado não deu conta de atender, nós tivemos que fazer um upgrade.
A gente espera, o mais breve possível, estar recuperado e disponível para todo mundo poder fazer o download. E gostaria também de mandar um abraço para a equipe do SER, que está agora na Editora, em Curitiba, junto com o Gesiane e o Luiz. Mandar um beijo para todos, porque parte do SER, do meio ambiente aqui em Belo Horizonte, é outra parte da Editora em Curitiba, mas é o SER só. Nós estamos todos juntos estudando o livro Gênesis. Então, o pessoal de Curitiba, sintam-se abraçados aqui conosco, sempre, todos os dias, como se estivessem juntos, de fato nós estamos.
E hoje a gente começa a entrar nas estruturas literárias do livro Gênesis. Na semana passada, a gente trabalhou sobre os temas centrais, criação, aliança, exílio, êxodo e redenção, a temática central do livro de Gênesis e de resto de quase toda a Bíblia. E hoje nós vamos trabalhar um pouquinho sobre estrutura literária. Mas é importante a gente fazer só algumas considerações, porque como é muito novo esse tipo de abordagem, só agora que alguns comentaristas especializados do texto bíblico estão começando a abordar essa questão literária, é importante a gente fazer algumas considerações, porque as pessoas não imaginam que nós estamos, na verdade, elitizando o estudo ou trazendo algo puramente para o capricho, que não tenha necessidade.
E não é isso. A gente imagina, na vida cotidiana, por exemplo, de uma grande cidade quando você tem que dar um endereço. Aí você fala sua rua, seu bairro, ou conhece ali as ruas do seu bairro, mas geralmente a gente dá uma referência maior. Você fala assim, eu moro na região norte, moro na região sul, moro na região nordeste, noroeste, sudeste. A gente costuma identificar os locais por região. A gente se refere à cidade tal do norte de Minas, do sul de Minas, e assim também do Brasil. Ah, eu moro na região sul, na região sudeste, no nordeste.
E sempre a gente vai dando referências, vai ampliando. Então, América Latina, América, Europa. Então, é natural, isso é da lei divina, porque é uma estrutura simétrica. Você tem aquilo que existe ali na sua rua, amplia para o bairro, cidade, região, Estado, região do país, e assim por diante. E por que a gente vai fazendo essa ampliação de coordenadas? Porque quando você precisa fazer deslocamentos mais amplos, você precisa conhecer coordenadas mais amplas. Se você vai se deslocar só na sua rua, basicamente você tem que conhecer seu endereço, seu CEP.
Mas, a partir do momento que você começa a deslocar, por exemplo, quem monta uma pizzaria, um negócio de sanduíche no bairro, aí ele já tem que conhecer mais ruas, ele acaba conhecendo mais o bairro, e assim por diante, à medida que você vai tendo necessidade, você vai ampliando o conhecimento. Com o estudo de qualquer livro bíblico do Velho Testamento ou do Novo Testamento, a questão é a mesma. Quanto mais a gente tem uma visão geral da obra, mais a gente consegue fazer aprofundamentos mais específicos, mais detalhados, mais produtivos dessa obra.
Porque conhecer o todo e ter uma visão das coordenadas gerais possibilita para a gente, ao entrar no específico, não se perder. E essa é a chave para uma boa interpretação, para uma interpretação consistente. Que a gente não perca nunca as macro referências, as referências gerais. Cláudia, você ia falar? Eu estava começando com o Júlio esta semana, que é uma metodologia, é um método de estudo, contando os outros, mas que se aplica à necessidade de quem está buscando se aprofundar. Exatamente. Então, não quer dizer que os outros métodos não sejam eficientes, mas essa visão ampliada é necessária em determinados momentos.
Geralmente, quando busca se aprofundar. Exatamente. E hoje, também, Cláudia, é até interessante você ter tocado nisso, porque os estudiosos evitam uma metodologia só. Isso. Hoje, a ideia é de que um método é uma ferramenta. Então, você tem que ter uma caixa de ferramentas. Porque se você encontra um prego, você não vai usar uma chave de fenda, você vai usar um martelo. Se você encontra uma rosca Philips, você vai usar uma chave Philips. Então, o ideal é a pessoa ter uma caixa de ferramentas, um conjunto de métodos e ela vai aplicar o método mais adequado ao objetivo da tarefa que ela está buscando naquele momento.
Então, por exemplo, a evangelizadora quer trabalhar um versículo específico do Evangelho, quer tirar uma mensagem, não faz sentido ela ficar com os alunos ali olhando a estrutura geral do livro. Não tem sentido. Ela é uma completa despropósito. Então, foi bom você ter lembrado isso, que a metodologia tem que servir a gente e não nós sermos escravos da metodologia, porque isso costuma acontecer demais. A pessoa se encanta com uma metodologia e aí, ao invés ao invés dela possuir a metodologia, é a metodologia que a possui.
Então, aqui, a gente não faz isso. Nós temos uma caixa de ferramentas e Vai sacando as ferramentas, a chave, a fenda, um alicate, um martelo, um serrote, de acordo com a necessidade que a gente vai, do trabalho a ser desenvolvido. Como o nosso estudo aqui é um estudo sobre o livro de Gênesis, esse é o propósito, nós estamos estudando o livro inteiro e o livro tem 50 capítulos, a metodologia adequada de início, porque nós não vamos ficar só nela, é só uma introdução, daqui a pouco a gente vai entrar nos capítulos, a metodologia adequada de início é uma metodologia que explora a estrutura geral da obra, para que a gente não se perca em detalhes e para que a gente tenha uma visão de conjunto e nós vamos ver aqui quanto que isso é belo, o quão rico é Compreender a estrutura geral da obra, porque começa a fazer sentido, você vai tendo uma visão da arquitetura.
Agora, tem uma outra coisa que eu não poderia deixar de dizer, que a nossa abordagem aqui, como é um estudo, é uma abordagem sempre intelectual. E o texto bíblico, ele não pode, do Novo Testamento ou do Velho Testamento, ele não pode ser abordado apenas pelo intelecto. Uma abordagem completa do texto bíblico, ela tem que levar em conta aspectos emocionais e aspectos espirituais. Ou seja, a mensagem ela precisa ser sentida e ela precisa ser vivenciada. Não é? Mas, se ela não for conhecida, como é que você vai viver algo que você não conhece?
Como é que você vai trazer para a sua experiência prática algo que você sequer tem ideia do que se trata? Então, o nosso trabalho aqui, é bom deixar claro, é um trabalho só introdutório. Por mais que a gente estude o livro de Gênesis aqui, há um trabalho que é individual de cada um de nós, que é se conectar, se colocar na mensagem para poder vivenciá-la, ter uma relação emocional com a mensagem, deixar a mensagem passar pelo sentimento, viver a mensagem no dia-a-dia, experimentá-la como uma experiência de vida, fazer a sua própria experiência, mas, naturalmente, isso nós não podemos ajudar.
Né? Isso aí, era como Honório Abreu dizia, é uma experiência pessoal, individual e intransferível. Intransferível. Aqui, o que nós podemos fazer, mas, apagou. É hoje, tá? Voltou. Desculpem aí, aqui a gente deu um blackout, mas eu parei. Vamos voltar, ninguém perdeu nada não. Pode continuar? Tempo? Bom, então, essa experiência pessoal, individual e intransferível, ela tem que ser feita. Aqui, nós damos, na verdade, o primeiro passo. Estudamos a obra, temos a primeira aproximação dela e, depois, há uma tarefa aí que é própria, que é bastante peculiar, né?
Cada um vai fazer a sua jornada do texto. Bom, vamos lá. Ah, esqueci de falar uma coisa também. Quando você vê um grande prédio, quando você entra uma igreja bonita, um prédio bonito, um jardim, uma arquitetura, existe um encantamento, uma relação artística que você tem com aquele objeto que independe de análise. E a análise, às vezes, ela nunca pode matar essa sensação do todo. Então, por mais que eu seja um especialista em arquitetura e faça um estudo de 20 anos sobre igrejas do período barroco, nada é igual a entrar na igreja do Pilar em Ouro Preto.
A experiência de ver a igreja iluminada, isso não tem, não tem experiência intelectual, não tem análise, não tem raciocínio que vá substituir isso. Então, a gente sempre adverte aqui, e é bom deixar isso muito claro, principalmente para quem está acompanhando pela internet, que não é nosso propósito tirar o encantamento do texto. Existe um encantamento que é você ver o texto como um todo, essa experiência do todo do texto, dessa catedral, dessa obra arquitetônica que é o livro de Gênesis, que é uma experiência artística, é uma experiência estética, não passa pela razão, não passa pelo raciocínio estrito.
E é bom que não se perca isso. Acho muito importante não se perder isso, porque senão nós vamos ficar fazendo uma experiência intelectualóide do texto bíblico, não é o nosso propósito. Fazer uma hipertrofia do raciocínio e perder aspectos espirituais, emocionais, estéticos, artísticos, que também compõem a experiência. Então, se nós temos cinco sentidos, se Deus nos deu cinco sentidos para fazer a experiência terrena, nós não podemos imaginar que apenas com o sentido intelectual e da razão nós vamos tirar todo o perfume, nós vamos extrair toda a beleza que está num livro bíblico.
Seria uma pretensão, uma grande pretensão. Então, deixando claro a questão das ferramentas para a gente não ter nenhum excesso. Gosto muito de um pai de igreja quando ele diz assim, os excessos são coisas dos demônios. Só ficou exagerado em qualquer coisa, perdeu o sentido. Aqui, nós temos que ter o equilíbrio, tudo com muito equilíbrio. Mas, vamos lá, para a estrutura. Como a gente comentou, a gente está tirando do capítulo 5 do livro celeiro de redenção, editado pelo Ser. É um ativo em que a gente escreveu sobre estrutura e demos exemplo do livro de Gênesis.
O esquema já foi, inclusive, colocado à disposição e está o livro aí para quem quiser acompanhar isso que a gente falou. Aí, eu gostaria de explicar algumas coisas aqui. A primeira, eu vou começar pelo fim. Quando a gente falou de estrutura literária, estrutura literária, baseado nas pesquisas que fizemos, são cinco níveis. Então, vamos começar pelo último, que é o mais geral, que é o nível da composição. O geral. O que que tem no nível da composição? Aí, nós escrevemos assim, o nível composicional pode ser subdividido em dois conjuntos.
O plano unitário da obra e o conjunto de seções ou ciclos, pode chamar de seções ou pode chamar de ciclos, responsável pelo desdobramento desse plano geral. Simples. Um plano geral e o desdobramento desse plano. É isso. Mas, vamos lá. O que que é esse plano geral? Nele, podem ser localizados o objetivo geral do livro, o livro foi escrito para quê? O escopo temático, quais são os temas que vão ser abordados no livro? A estruturação geral da forma, qual que é a forma que o livro tem? E a gente vai ver que na literatura bíblica, por ser literatura do povo hebreu, tanto o Velho quanto o Novo Testamento, tudo tem forma.
Tudo tem uma forma. E essa forma, ela é portadora de significado espiritual. Nós já vimos isso, por exemplo, naquele de Lucas, que está lá no Parábolas de Jesus, texto e contexto. A gente colocou lá, começa em Jerusalém, vai até Jerusalém e volta pra Jerusalém. E tudo estruturado, os níveis, porque a forma é portadora de sentido. Então, aqui nós temos a forma. Bem como a concepção, configuração e articulação, junção dos temas. Traduzindo, como é que o Jardim do Éden se conecta com a história de Noé? Como é que a história de Noé se conecta com a história de Abraão?
Como é que a história de Abraão se conecta com a história de Isaac? E a história de Isaac se conecta com a história de Jacó? E na história de Jacó se conecta com José do Egito? E aí termina o livro. Isso é articulação. É como esses grandes trechos se juntam uns aos outros. Como é que eles se conectam? Porque a primeira impressão que a pessoa leiga tem, quem está começando a ler o texto, é que não tem nenhuma ligação. A impressão é que o autor bíblico jogou pra cima um tanto de tema, caiu, ele juntou e do jeito que caiu, está juntado.
Mas, não é isso. Não é isso. Está tudo conectado artesanalmente. É um artesanato lindo, muito bonito. Nesse nível geral da obra, a gente observa isso, que é o nível da composição. Como é que as coisas estão conectadas? Quantas partes tem? É composto de quê? Como é que isso juntou? Qual é o plano geral? Então, aqui, vale dizer que a temática geral, o plano geral da obra, nós já falamos, já foi trabalhado aqui. Você tem uma estrutura temática, que é criação, aliança, não é? Exílio, êxodo, redenção. Está aí o fio condutor.
Tudo vai juntar e formar um todo, baseado nessa temática. E o propósito do livro de Gênesis, o objetivo geral do livro de Gênesis, nós podemos resumir, sem querer esgotar, porque a ideia aqui não é esgotar, nem ser reducionista, mas apenas selecionar o essencial. Primeiro objetivo do livro de Gênesis, há um Deus criador do cosmos. Primeiro objetivo da obra. A obra quer mostrar que a criação é um cosmos, ou seja, a criação é ordem, ela é ordenada. Tudo tem o seu lugar. Cada coisa tem o seu papel. Cada elemento tem a sua função.
E essas funções, esses papéis, estão em uma hierarquia. Tem coisas que são mais importantes, que coordenam outras que são menos importantes. Menos importantes no sentido de complexidade. Então, por exemplo, dos seres vivos, o homem, no relato de Gênesis, é o mais complexo. Por isso, ele coordena, ele domina todos os outros seres vivos. Há uma ordem. O livro dos Espíritos vai se referir a essa ordem quando fala do objetivo da encarnação. Tem essa pergunta lá, não é? Qual o objetivo da encarnação? Colocar o homem em condições de exercer o seu papel no conjunto da obra da criação.
Olha que interessante. A criação é ordenada, é um cosmos e ela possui uma causa primária, uma inteligência suprema, um Criador. Está isso lá. Mas, tem uma outra mensagem, que é importantíssima, importantíssima. Porque quando eu falo de Criador, eu estou enfatizando o seguinte, Deus é infinito, nós já falamos sobre isso. O livro vai destacar isso. É impossível compreender Deus plenamente, nós seres humanos, porque seria o relativo querer entender o absoluto. Não tem jeito. Deus é transcendente. Para expressar Deus, a gente usa uma linguagem que é uma linguagem humana.
Então, a primeira coisa que é preciso incorporar é que não é adequado fazer uma leitura literal do livro de Gênesis, porque aqui eu tenho linguagem humana tentando compreender aquilo que é infinito, absoluto. Então, nós temos que considerar as limitações da linguagem humana. É o que os Espíritos, a todo momento, no livro dos Espíritos, falam para Kardec. A vossa linguagem é limitada para expressar certas coisas. Para nós, as palavras nada importam, o que vale é a intenção. Entendei-vos quanto às palavras. Vossas controvérsias são fruto de não vos entenderem quanto aos termos que vocês usam.
Toda hora eles estão dizendo isso. Ou seja, como se eles estivessem advertindo que eles estão trazendo ideias, não palavras. Palavras são embalagens. E é muito comum, isso é muito comum, as pessoas ficarem presas ao rótulo, presas à embalagem e não conseguirem extrair a ideia que está empacotada. A ideia que está empacotada. É importante a gente ir para a ideia, para os conceitos, para os princípios e nos entendermos com relação às palavras. Interessante isso, não é? Até porque, olha só, o livro dos Espíritos foi escrito em francês.
E se você tiver que traduzir ele para chinês? Qual o trabalho que vai dar isso? O trabalho que deu, por exemplo, para traduzir o livro dos Espíritos para o árabe. Como é que faz? Então, a gente não pensa nisso. Está escrito em francês. Você vai para uma língua japonesa, por exemplo, é completamente diferente da mãe, porque a língua francesa vem do latim, do grego, do indo-europeu. A língua japonesa tem outra raiz, é outra família de língua. Olha a dificuldade, é isso que os Espíritos estão dizendo. E eles dizem que a Doutrina dos Espíritos é universal.
Então, se ela é universal, não pode estar presa à língua. É preciso captar a ideia. E, às vezes, a pessoa fica presa à linguagem. Então, por exemplo, tem gente que briga, briga, briga, fica dez anos brigando porque Kardec usou a expressão fluido. E fica ali dez anos girando. Você está preocupado com a ideia ou com a palavra? Não podemos cair nisso. Não é? Temos que ter essa noção de que palavras são insuficientes para se falar de Deus. Deus é uma realidade transcendente que não cabe na linguagem humana. Não cabe. Então, atento a isso.
E a linguagem humana, ela é uma linguagem, dizem os linguistas cognitivos, é uma linguagem corpórea. A nossa linguagem é corpórea. Ela está toda baseada no nosso corpo. Então, eu digo pra cima, pra baixo, mas não existe pra cima e pra baixo no Universo. Isso não existe. Não tem. Então, nós fazemos a experiência do mundo através do corpo, dos olhos. Nós enxergamos pelos olhos, mas o Espírito diz assim. Vocês enxergam pelos olhos, mas o Espírito, todo ele enxerga. E agora? Já imaginou você enxergando 360° ao mesmo tempo?
Pra cima, pra baixo, pros lados, pra frente, pra trás, pra tudo. Você vendo tudo ao mesmo tempo? Qual seria a nossa linguagem? Imagina, se você todo enxergasse. Como é que você entrava numa rua? Falava assim, vira, ah! Direita? Direita de quê? Olha! Como Deus não é corpóreo? Como Deus não é material? E a nossa linguagem é toda corpórea? Como é que você expressa Deus com linguagem? Símbolos, é uma tentativa. Inocência, ingenuidade, imaginar que nós vamos aqui, na linguagem do livro de Gênesis, conseguir descrever com exatidão o Deus criador do cosmos.
Mas, essa é uma mensagem central. Mas, há uma outra mensagem muito importante, importantíssima também. Porque, às vezes, a gente comete esse excesso. Imagina um Deus tão transcendente, um Deus tão absoluto, tão ilimitado, que a minha realidade de criatura é desinteressante para Ele. Olha que armadilha! Não, Deus é grandioso demais. Você acha que Ele está preocupado comigo aqui? O que é isso? Ele criou um sistema de banco que funciona automático. Ele está preocupado. É? Bom, para quem ama, é assim? Para quem ama, é assim?
É assim para quem pensa? E para quem ama? Porque amar é se importar, amar é cuidar, amar é interagir, é doar, é se interessar, é se encantar, é querer estar junto. Então, a segunda mensagem do livro de Gênesis é que Deus é imanente. Ele é absoluto, Ele é infinito, mas Ele ama tanto, Ele ama todo o amor do universo, que o amor dEle é infinito, Ele ama tanto que Ele se restringe para se relacionar conosco. Então, a segunda mensagem do livro de Gênesis é que Deus age nas vidas individuais e na vida da comunidade, como na vida da sua criação como um todo.
Ele é infinito, é um Deus que se importa, é um Deus providência, que provê, provedor, cuidador. Essas duas mensagens são muito importantes, elas são belíssimas, porque a gente não pode ir nem para um extremo, nem para o outro. Se a gente imaginar que Deus é só providência, a gente acha que Ele é um ser humano, que Ele tem mão, que Ele tem boca, que Ele fica com raiva, que Ele fica magoado, porque você está fazendo alguma coisa errada e você não acredita nele, aí Ele vai ficar triste, vai ficar vingativo. Isso é um excesso.
Agora, tem um outro excesso, que é um Deus que não tem sentimento, um Deus apático, um Deus que é quase uma soma da natureza. Isso é panteísmo. Um Deus que é soma dos elementos da natureza. Isso não é Deus. Isso é panteísmo. Deus não é soma de nada. Se você tirar toda a criação, Ele continua inteiro. Deus continua inteiro e íntegro se toda a criação acabar. É importante isso, ter essa dimensão. E, aí, a gente encontrará um meio-termo para a nossa compreensão. Para a nossa compreensão. Porque, à medida que a gente vai ampliando a nossa evolução, a nossa percepção também se amplia.
Então, essas são as duas mensagens centrais. Esse é o nível, é o plano geral da obra. Né? Esse plano geral está dividido em seções, ciclos. Vamos lá? Para quem está anotando, são dez. Dez. Aqui está uma coisa bonita. É uma coisa muito, muito, muito bonita. Tem um prólogo, né? Então, vamos lá. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Dez linhagens está na página 88 do livro. Dez linhagens com um prólogo. Isso é muito relevante. Aqui, eu já vou fazer uma primeira consideração. Todo mundo lembra lá das dez tribos do norte que se separou das dez tribos do sul, as dez tribos do norte, capital na Samaria, dez o número da rebelião, dez o número da revolta.
Aqui, já na estrutura do livro, essa mensagem já está colocada. Gênesis tem um prólogo que é a linhagem dos céus e da terra, né? Porque tudo aqui é linhagem, tudo é genealogia. Ou, em hebraico, Toledot. Toledot significa genealogias. Então, eu tenho onze genealogias, mas uma delas não entra na estrutura, ela está por cima. Por quê? Porque é da criação do cosmos, é aquilo que vem de Deus, é o perfeito, o puro. Por isso que toda vez que Deus cria em Gênesis, fala assim, e Deus viu que era bom. Porque tudo que vem dele é Perfeito.
E aí vem o que é linhagem com a Perfectibilidade. Como assim? Não é perfeito, é imperfeito, mas está suscetível de aperfeiçoar-se. Então, vamos lá, para quem está anotando. Primeira parte, prólogo, criação do cosmos. Capítulo 1, versículo 1, capítulo 2, até o versículo 3. Criação do cosmos. Tudo perfeitinho. Tão perfeito que ele descansa no sétimo dia. Fazem sete etapas, sete é o ciclo perfeito, então Deus, a primeira etapa, que é a criação do cosmos, ele fez num ciclo de sete, tudo perfeito, descansou. Está perfeito.
Não estamos nem entrando na mensagem ainda. Alguém quer falar alguma coisa? Está todo mundo calado. Eu queria que alguém falasse alguma coisa. Pode interromper aí. Olha que lindo isso. Deus cria num ciclo de sete, está tão perfeito que ele descansa. Por que que ele descansa? O que que você tem que fazer depois que você faz o que é perfeito? Descansa. Não fazer mais nada? Perfeito. Então, é lindo isso. A parte que compete a Deus, que é a criação do cosmos, que é o prólogo do livro de Gênesis, capítulo 1, versículo 1, até 2, versículo 3, está perfeito.
Está criado perfeito. Está perfeito. Aí vem, depois, capítulo 2, versículo 4, ao capítulo 4, versículo 26, a genealogia dos céus, da terra e do homem. Mas, dos céus? Deus não criou os céus perfeito? Não criou a terra perfeita? Não criou o homem perfeito? 2, versículo 4, até capítulo 4, versículo 26. Essa é a segunda parte da estrutura geral. A segunda sessão. Não. Tanto que um grande tema que a literatura apocalíptica vai desenvolver, sobretudo o livro Apocalipse de João, é Novos céus, nova terra. Então, os primeiros céus, a primeira terra e o primeiro homem não são perfeitos.
São perfectíveis, sujeitos à perfeição, aperfeiçoáveis, aprimoráveis ou Em evolução. Linguagem Espírita, evoluindo. Olha que lindo isso. Então, você pega o primeiro livro da Bíblia, a segunda sessão, que é a linhagem ou a genealogia dos céus, da terra e do homem, termina o último, que é Apocalipse, falando de um novo céu, uma nova terra e um novo homem. Uma nova geração, uma nova genealogia de homens. O novo homem. O homem novo. Porque esse aqui, que está criado aqui, é o homem velho. Tá fazendo sentido? Tá bom? Tá?
Porque isso é denso, né? Mas, tá gostoso? Tá bom? Então, vamos lá. Terceira parte, terceira sessão, capítulo 5, versículo 1 a capítulo 6, versículo 8. Lembrando que isso está na página 88 do livro Sereja e Redenção. Né? Linhagem de Adão. Genealogia de Adão, que é o primeiro homem. Então, estão percebendo que é um voo e ele tá, né, cosmos, aí eu dou um foco, céus, terra, homem, agora eu já dou um foco no homem, o primeiro homem. O primeiro homem, sujeito ao perfeiçoamento, o primeiro homem que tem um potencial divino, o primeiro homem que tem o potencial de ser imagem e semelhança de Deus, mas ele não é perfeito.
Ele é perfectível. É a genealogia de Adão. E aí, adivinha? Depois da genealogia de Adão, tem linhagem de Noé, linhagem dos filhos de Noé, linhagem de Sem, linhagem de Tera, linhagem de Ismael, linhagem de Isaac, linhagem de Ezaú, linhagem de Jacó, que vai de 37.2 a 50.26. Essa estrutura tá toda aqui, depois parece que já tá disponível, né, no site, não é, Júlio? Essa foi colocada e disponível pra olhar. Aí a gente fala, mas peraí, qual que é o critério que foi utilizado pra estabelecer essas seções aqui? Quem que falou que é assim?
O próprio texto. Se você for no início de cada seção dessa aqui, ele vai usar a palavra Toledoto, genealogia, e vai começar com a genealogia e vai citar, só conferir. É o próprio texto que dá essas marcas. São placas. Tipo assim, quilômetro 30, quilômetro 50, quilômetro 100. É o próprio texto. Depois, cada um pega em casa, a Bíblia, né, abre, dá uma olhadinha, que vai encontrar no texto. É o texto que vai dizer sobre isso. Nós temos uma outra maneira de dividir o texto, que aqui são dez linhagens, dez Toledotes. Isso é tão importante, antes de eu passar pra outra maneira de dividir, eu vou perguntar agora como é que começa o Evangelho de Mateus?
Genealogia de Jesus Cristo. Mas, é coincidência, não é? Não é? É coincidência. Não, não tem. É coincidência. Isso é 14, 14, 14? Não, não tem. Não é? Se você somar 14, 14, 14, dá o nome da palavra de Davi, em hebraico? Isso é coincidência, gente. Então, a gente volta a dizer os livros bíblicos foram escritos por artistas, artesãos, camponeses, poetas e artesãos. Isso aqui é artesanato. Ou se eu for falar na linguagem nordestina, em homenagem a Natália, isso aqui é literatura de cordel. É artesanato. Não é à toa que Mateus começa o seu Evangelho com a genealogia, porque ele está imitando a estrutura literária do livro de Gênesis.
Isso aqui o nenenzinho mamava no peito da mãe e a mãe já cantava essa estrutura para ele. A criança mamava ouvindo isso aqui. Agora, para a gente é complicado. Você vai falar, nossa, mas que estudo complicado, meu Deus, que coisa intelectual, mas isso aqui é brincadeira de ciranda, dos meninos era isso. Não tem nenhuma complicação nisso, porque eles estavam acostumados. É complicado hoje para a gente. Para eles, não, é natural. Linhagens. Linhagens. Por quê? Você vai numa cidade do interior, como é que as famílias são reconhecidas?
Pela linhagem. É o filho de não sei quem, não é? É o filho do José, os filhos da Maria, os filhos do Joaquim, a família do seu… Não é assim? São linhagens, são famílias. Isso é natural, sobretudo num povo que é camponês, pastor e que peregrina pelo deserto. É natural fazer uma divisão do livro em linhagens. Então, não tem complicação nenhuma nisso. Mas, é importante para a gente entender os blocos do Livro de Gênesis. Então, está aqui, depois, o que eu aconselho? Pega em casa, se você não tiver o livro, adquira, mas, de qualquer forma, a gente disponibilizou o gráfico aí.
Olha, vá em cada sessão dessa aqui, abra a sua Bíblia, confere, verifica, dá aquela… para sentir as partes, as meninas são mais delicadas, pega aquelas coisinhas amarelinhas, verdes, faz as marcações de cada parte, assim, bonitinho, para ter uma ideia, porque aí você passa a ter uma outra relação com o texto. Aquilo que parecia um emaranhado de capítulos, agora vira uma coisa ordenada, um cosmos, um cosmos. Essa estrutura está no livro do Bruce Waltke, que está citado aqui na bibliografia. E tem uma outra forma, que é o Hansbeck, que divide, aí ele já divide por o formato literário interno.
É uma coisa mais complicada, eu não vou mencionar isso agora, depois quem quiser ler aqui o capítulo, está explicadinho, mas é uma maneira interessante também. Aí, são menos ciclos, ele divide assim. A história primeiro, que está num formato de paralelo, de paralelismo, aí depois o ciclo de Abraão, que está numa forma concêntrica, são ciclos que fecham um concentro, tem um material de ligação, aí vem o ciclo de Jacó, um outro material de ligação e o ciclo de José. Então, você tem ciclo de Abraão, ciclo de Jacó, ciclo de José.
Isso aqui é importante, porque nós vamos ver Deus sendo referido assim, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. O Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Então, o próprio povo já tinha essa ideia dos grandes ciclos do livro de Gênesis, Abraão, Isaac e Jacó, os patriarcas. Então, já dividiam o livro de Gênesis nesses grandes ciclos. A história primitiva, que é o Adão, Adão e Noé, Abraão, seu filho Isaac e Jacó. São grandes ciclos e a gente vê que isso tem realmente uma fundamentação inclusive literária, porque a maneira da narrativa ela muda de forma.
Então, você pode fazer narrativa paralela, vou dar um exemplo de narrativa paralela, no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho. Agora, narrativa concêntrica é quando você faz uma afirmação geral, aí você repete a mesma afirmação e acrescenta um dado, aí repete a mesma e acrescenta outro dado, aí vai repetindo e vai fechando o ciclo. Cada vez que você repete, você põe um detalhe novo. Isso é chamada narrativa concêntrica. Por exemplo, quem quiser checar, capítulo 8 do Evangelho de João, quando fala, eu sou o pão da vida, aquilo tem uma narrativa concêntrica.
Tanto que a pessoa lê e fala, não, mas isso aqui é repetitivo. Você está repetindo a mesma coisa? Parece não, está. Está mesmo. É uma espiral, cada vez que ele repete, acrescenta um dado. Isso é uma forma muito importante da literatura bíblica. Pois bem, essa é a forma geral. Esses são os ciclos, os sessões gerais do livro de Gênesis. Mas, agora, nós temos que passar para um outro elemento. E quando eu pego, e quando eu pego um ciclo? E se eu dividir, se eu dividir um determinado ciclo? O que que vai dar? Aí, nós vamos entrar num outro conceito aqui, que são os atos e as cenas.
Cenas. Aí, aqui fica igual filme, igual teatro. Igualzinho, teatro que vai gostar. Então, olha que interessante. O que que são atos? Você pega numa sessão, então pega na sessão lá, vamos supor, Linhagem de Adão, que está no capítulo 5, versículo 1, até o capítulo 6, versículo 8. Se você pega esse trecho, você consegue dividir ele em primeiro ato, segundo ato, terceiro ato. Se você pega um ato, aí tem lá cena 1, cena 2, cena 3. Vou dar um exemplo aqui que vai ficar mais claro. Vamos pegar na sessão, na sessão ciclo aqui, que é a Linhagem dos Céus, da Terra e do Homem.
Vamos dividir em atos. Isso está na página 89. Tem três atos. Essa sessão, repetindo, Linhagem dos Céus, da Terra e do Homem tem três atos. O primeiro ato é a humanidade em prova, a humanidade sendo testada ou a provação da humanidade. O mundo de provas é o primeiro ato. Segundo ato, a queda e o mal. Não passou no Enem. Tomou bomba. E aí vem o mal. Terceiro ato, a progressão do mal. Não basta estar ruim, tem que piorar. Esse é o lema do mal e do afastamento a Deus. Não basta estar ruim, não é? Então, a progressão do mal.
Olha que interessante isso. Então, vou dar aqui, a humanidade em prova, o ato 1, vai do capítulo 2, versículo 4, até o versículo 25. O ato 2, que é a queda e o mal, vai do capítulo 3, versículo 1, até o versículo 24. E, a progressão do mal vai do capítulo 4, versículo 1, até o versículo 26. Então, nós temos um trecho inteiro, que é do capítulo 2, versículo 4, até capítulo 4, versículo 26, que é exatamente a seção chamada Linhagem dos Céus, da Terra e dos Homens. Céus, Terra e Homem. Essa seção, vocês lembram, são 10 seções, mais uma, não é?
São 11 seções. Criação do Cosmo, a primeira linhagem dos Céus, da Terra e do Homem. Essa primeira linhagem está dividida em 3 atos. Olha que interessante isso. E, aí, você pega… é interessante estudar assim, porque quando eu vou estudar, por exemplo, essa linhagem dos Céus, da Terra e do Homem, eu já olho esses 3 atos. Olha, a humanidade em prova, a queda e o mal e a progressão do mal. Vamos pegar um ato agora, vamos pegar o primeiro ato. A humanidade em prova, em teste, fazendo o Enem. Tem duas cenas e um epílogo.
Duas cenas. A primeira cena, o homem, o jardim e o mandamento. Segunda cena, a mulher e o matrimônio. Então, quando eu digo cena, é cena mesmo. É a ideia de uma câmera filmando. Então, se eu pegar a Gênesis do capítulo 2, versículo 4 até o 17, onde que a câmera, onde que a filmadora está focando? Está focando em Adão no jardim, recebendo uma ordem. É isso que a câmera está pegando. Quando acaba isso, a segunda cena, que é do capítulo 2, versículo 18 até o versículo 23, o que que a câmera está focando? A mulher, Eva.
Eva. A mulher e a relação dela com o homem. E o que que os atos dela vão implicar na sua relação com o marido? O matrimônio. E aí, a gente tem um epílogo. Sempre tem um epílogo. Capítulo 2, versículo 24 até o 25. São dois versículos. Aí, começa o novo ato. Qual que é o novo ato agora? A queda e o mal. Aí, adivinha qual que é a primeira cena? A serpente e a queda. Parece um teatro, não é? Parece, não é? A serpente e a queda. Cena 2. O mal e o juízo. O mal e o julgamento do mal. A sentença condenatória. É a segunda cena.
E aí, tem um epílogo. Mas, não basta estar ruim. Tem que piorar. Tudo pode piorar. Terceiro ato. A progressão do mal. Cena 1. Caim e Abel. Caim e Abel. É importante isso aqui. Aí, agora, eu chamo a atenção aqui. Qual a importância de se estudar a estrutura literária? Quando eu leio a história de Caim e Abel, se eu entendo que essa cena está no ato 3 da segunda sessão, eu entendo que Caim e Abel é apenas uma progressão do que aconteceu com Adão e Eva. É lei de reação. Porque a ação está lá atrás. A ação foi descrita antes.
Aqui é a reação. Caim e Abel. Cena 2. Lameque. O negócio piorou. Piorou. Piorou a ponto que o Lameque diz assim. Caim vai ser castigado. Sete vezes. Lameque, setenta. Então, é uma progressão. Já começa uma progressão do mal. E, aí, tem um epílogo. Encerrou a sessão. Então, a sessão Genealogia dos Céus, da Terra e do Homem tem três atos. Cada ato, cada um está com duas cenas. Simétrico. Olha que bonito. Tudo simétrico. Cada ato com duas cenas e um epílogo. Tudo bonitinho. Não é isso? Tem com setenta vezes sete. Do perdão.
Tem. É daqui que sai. É daqui que sai. Você foi bem. Você foi lá. Não é? É o contrário. O setenta já está aqui. Sete vezes se tomará a vingança de Caim. De Lameque, porém, setenta vezes sete. Progressão. E, aí, vem Jesus ensinando o perdão, setenta vezes sete, que é na proporção da progressão do mal. Então, qual que é a medida do perdão? A mesma proporção da progressão do mal. Se o mal for assim, o perdão é assim. Se o mal for assim, o perdão é assim. Na mesma medida da progressão do mal. Não tem ingenuidade no texto bíblico.
Tem ingenuidade do leitor bíblico. Isso é o que mais tem. Ingenuidade do leitor da Bíblia. Ingenuidade do texto bíblico não tem. Então, Lameque está aqui. Foi muito bem lembrado isso. Isso está no capítulo 4, versículos 24 e 25. Que é exatamente, Jana, só te cortando, é exatamente a terceira cena, a terceira cena, que é exatamente o epílogo do terceiro ato da segunda seção do Livro de Gênesis. É bonito porque você tem, logo no ato que trata da progressão do mal, o final desse ato, que é o epílogo das duas cenas, que vai falar dos 70×7 do Lameque.
Quando o Pedro faz a pergunta, porque o Pedro pergunta, né, até quantas vezes? Até 7? Ele está se referindo a quem? Está se referindo a essa cultura toda, né, porque isso era música para o ouvido deles. Ele já, Caínes é vingado sete vezes, Lameque 70×7. Isso aí é ditado popular. É como pode o peixe vivo, qualquer criança completa, vive fora da água fria. Isso, pra eles, é ditado popular, porque já fazia parte da cultura deles. Nasciam, ouvinham, a vida inteira ouviam isso. E, aí, Jesus, usando da própria cultura, não te digo que sete vezes, mas 70×7, que é a máxima progressão do mal, porque o ato 3 encerra com Lameque.
Aí, tem o epílogo. Essas festas judaicas em ciclo de sete? Também. É por causa desse pernambulismo? Não, eu acho que é por causa do ciclo da criação, que é a primeira seção do Livro de Gênesis, que é a criação do cosmos, que ela se dá num ciclo de sete, porque as festas são celebrações de Deus, celebrações comunitárias pra se viver uma experiência de Deus. E, é bonito que elas sejam ciclos setenários, porque Deus, no Gênesis, criou o cosmos num ciclo de sete. Que é o ciclo perfeito. Que é o ciclo perfeito. Porque o sete é o número perfeito do ciclo, do ciclo, quando o assunto é tempo.
Quando não tem tempo, o número perfeito é o três. Quando tem o tempo, é sete. Mas, vamos esperar, calma, isso aí é lá pra frente, né? São cenas dos próximos, cenas dos próximos atos, das próximas sessões. Estão gostando? Está gostoso? Não é interessante? Claro que eu estou aqui só falando, estou explicando um pouquinho, mas no livro está com gráficos, com os versículos todos. Vale a pena pôr o pãozinho de queijo pra assar, fazer aquele cafezinho, sentar com calma, fazer uma prece, olhar com calma pra saborear, porque isso aqui é obra de arte.
Meu coração fica dolorido quando vejo alguém pegando isso aqui, interpretando literalmente, porque é um crime, é um crime, é um crime com essa obra de arte. Isso aqui é pra delicadeza, e tem que ter um coração delicado. É muito bonito, é muito, muito, muito bonito. Então, explicando, eu acho que agora já dá pra ficar mais claro isso, que as cenas, o que são as cenas? São micro histórias, pequeninas histórias, que se desenrolam no espaço e no tempo. Então, tem um espaço, um cenário e um tempo, compostos de cenários, personagens, episódios habilmente dispostos, segundo os padrões culturais assimilados, ou seja, que o povo hebreu aprendeu de outros povos, como dos babilônios, dos egípcios, dos persas, etc., ou próprios, típicos da própria sociedade judaica, onde se produziram todas elas, quer dizer, todos esses elementos, manejados com a finalidade de criar uma narrativa.
É um micro historinha. Então, nós podemos pegar uma cena aqui, por exemplo, a serpente e a queda. Então, você tem a serpente, ela está enrolada numa árvore, a árvore, a árvore da ciência, do bem e do mal, tem um fruto que não fala qual é, não sei de onde que esse povo tirou a maçã, não é? Mas ela está enrolada, aí a mulher está ali, então tem todo um cenário, uma composição de cenário. Isso é uma cena. E cada detalhe, por isso que é importante, o Sionório fazia isso, mas fazia com habilidade, porque ele pegava uma passagem do Evangelho e ele identificava o cenário.
Olha, tem um barco, o barco está perto da praia, e aí Jesus manda afastar o barco, aí tem uma rede, tem um pescador, então ele montava o cenário e aí ele começava a distrair o significado espiritual do cenário. Só que se a pessoa não tiver habilidade para descobrir o cenário, a interpretação dela fica pobre, fica pobre. Nós estamos mostrando isso aqui, as estruturas gerais, até as estruturas específicas, e a cena é a nossa menor estrutura? A cena é a nossa menor estrutura. Então, vamos lá, estou estudando Gênesis, eu pego a cena da serpente e da queda.
Capítulo 3, versículo 1 a 7, são sete versículos, sete versículos, eu tenho a cena. Então, se eu tenho a estrutura, eu sei que isso é uma rua, que está dentro de um bairro, que está em uma região, que está dentro de uma cidade, que está dentro de um estado, que está dentro de uma região, que está dentro de um país, que está dentro de um continente, e aí eu vou ampliando. Então, essa cena, se eu consigo identificar a cena, eu falo, o que é que tem aqui? Tem uma serpente, tem essa árvore, tem esse movimento, tem um fruto que não fala qual é, tem a mulher, eu identifico e aí sim, depois de identificar o cenário, eu começo a tirar os elementos espirituais decorrentes da cena.
Bonito isso? Mas, é engraçado, Tiago, porque, por exemplo, nessa cena, o homem não está. Porque a serpente conversa com Eva, com Eva, depois que ela vai oferecer ao marido o fruto que ela comeu. É, a maçã, ela aparece no século I já, na simbologia, as vezes a pessoa tem que escolher um símbolo para apresentar o pecado. No caso, eles escolheram a maçã. E ela é reproduzida até o final do século XI. Exatamente. Agora, varia de região para região. No Jequitiunha, é a jaca. Na região de Goiás, é o piqui. Não é? E, lá no Nordeste, é a banana.
Vai variando aí de região para região. Mas, é interessante. Exato, varia com o século. São uma pictografia. Então, é isso. Olha só, quando a gente define essa estrutura mínima que é a cena, que faz parte de um ato, o ato faz parte de uma sessão. Juntas sessões, eu tenho um livro. É isso. É isso. Evidentemente, não precisa nem dizer que uma cena é composta de períodos, orações, orações são compostas de palavras. Mas, aí, eu acho desnecessário dizer isso, porque Deus nos perdoe. Aí, é muito óbvio, não precisa entrar nisso.
Então, eu vou parar aqui na cena para descer, que tem período, que tem oração, que tem frase. Mas, tem, porque essas cenas, elas são articuladas com palavras. E, as palavras não estão soltas, elas estão em orações. Essas orações subordinadas, coordenadas, formam fios e esses fios se entrelaçam e formam uma tapeçaria. Ou, se você quiser, são luzes que se intercusam e formam fotografias. Cada cena é uma fotografia. Eu vou juntando fotografias, vou tendo atos. Vou juntando esses atos, vou tendo sessões e eu junto sessões, eu tenho um livro.
É isso que a gente gostaria de enfatizar na estrutura, a gente tem aqui a estrutura, toda, nós vamos estudar o livro de Gênesis, não por capítulo. Mas, não? Por que não? Magoei. Achei que o estudo ia ser por capítulo e por versículo. Então, eu tenho uma péssima notícia. Quem for cardíaco, por favor, tome o remédio. Tome água frutificada. Se prepare para a notícia que eu vou dar. Esse livro foi escrito há mais de três mil anos. Três mil anos. Especula-se que mais de mil e duzentos anos antes de Cristo não tinha papel, nem caderno, tilibra, nem linha.
Não tinha caneta, não tinha celulose, o negócio era em couro de animal, pergaminho. Só Depois da invenção da imprensa, no século XVIII, é que reuniram-se teólogos e resolveram dividir os livros bíblicos em capítulos e versículos. Mil setecentos e pouco. Século XVIII. Então, vamos imaginar. Na época de Alcione, não tinha texto bíblico com capítulo e com versículo. Na época de João Evangelista, não tem capítulo. João Evangelista não cita texto bíblico por versículo. Apóstolo nenhum falava assim Êxodo capítulo 20, versículo tal.
Isso não existe. Mil seiscentos e oitenta. Ela pegou já, ela estava ali na época em que esse negócio estava sendo criado. Não pegar um pedação. Bacana você ter falado isso. Inclusive, lá no texto, diz assim, um versículo, porque é o diminutivo de verso. O diminutivo de verso. Estava sem definição. Mas, ao invés de você pegar um tamanhãozão, você pega um pedacinho menor, uma frase, uma pequena estrutura. Não é? Porque isso sempre teve. A divisão do texto em pedacinhos pequenos sempre teve. Mas, numeração, Mateus capítulo 5, versículo tal, isso é posterior.
O texto não era assim. É tão curioso isso, porque quando a gente pega, por exemplo, pergaminhos da Bíblia hebrárica, gente, não tem nem vírgula. Aliás, eu tenho uma outra péssima notícia para dar. Não tem separação entre as palavras. As palavras são escritas todas juntas. Não tem ponto, não tem vírgula. Eu tenho uma outra notícia ruim. Pode piorar. Não tem vogal. Só tem consoante. E elas são todas juntas. Não tem capítulo, não tem versículo, não tem vogal, não tem vírgula. As letras são todas colocadas uma atrás da outra e é tudo consoante.
Bem-vindo ao texto hebraico. O trabalho, no caso da Bíblia hebraica, Velho Testamento, o trabalho de dividir, o trabalho de colocar vogal foi feito quase mil anos depois de Cristo. O trabalho de colocar vogal no texto. Pontinhos. Aí, tradição. Então, eu acho interessante isso que você colocou. Porque a pessoa pergunta, quando a pessoa diz assim, não, pra mim, toda a verdade está na Bíblia. Então, quem colocou as vogais? Quem colocou as vogais? Porque elas foram colocadas mil anos depois de Cristo, pelos maçoretas, sábios do Tiberí.
Tem textos, tem textos que você pode colocar vogais diferentes e aí você tem vários textos. E os judeus adoram isso. Vocalizar de maneira diferente. Nós vamos ver isso aqui no decorrer de Gênesis. Eu vou mostrar algumas possibilidades de colocar vogais diferentes que faz o mesmo, faz sentido e quer dizer outra coisa. Tem gente que não vai dormir hoje, né? A maninha Ayla deve estar delirando aí. Então, a pessoa fala, não, tudo está na Bíblia, só na Escritura. Quem colocou as vogais? Do Velho Testamento. Quem colocou as vogais?
Sábios, maçoretas, mil anos depois de Cristo. Ou seja, como é que o texto foi transmitido? Tradição oral. Não estava no texto. Por isso, você tinha que ter um mestre. Por isso, você tinha que ir aos pés de um mestre e estudar com ele, porque nem vogal o texto tinha, nem separação entre as palavras. Agora, o mais curioso é o seguinte, eu vou mostrar esses versículos aqui. Tem alguns versículos que você pode separar as consoantes de maneira diferente, dar verbos diferentes e faz sentido. Então, hoje, quando alguém pega uma Bíblia em português, dividida em capítulos, dividida em versículos, com vírgula, com pontos de exclamação, isso, gente, não é de Moisés.
Moisés não tem nada a ver com isso. Cuidado! No texto verdadeiro em hebraico, é uma consoante do lado da outra e é da direita para a esquerda. Não pode ser simples. O negócio é complicado para valer. Não é assim. Você tem um número de letras na horizontal e um número de letras na vertical. Por que isso? Porque o escriba recebia por letra. Vocês não imaginavam que ele ia ficar contando todas as letras. Então, já tinha um número de letras na horizontal e um número de letras na vertical. Ele multiplicava e já sabia quantas letras por página, por pegaminho.
Cada pedaço de pegaminho que ele entregava, ele pegava x letra e dava o dinheiro. Não é? Então, só para dizer isso e nós vamos explorar isso aqui. Nós vamos embaralhar as letras. Meu Jesus! E aí, separa para cá, separa para lá. Não é? Então, nós temos isso, por exemplo, com o texto célebre do Novo Testamento. Então, vamos lá para o Novo Testamento. O grego também não tem. Até o século IV, o Novo Testamento era escrito tudo consoante letra maiúsculo, só que em grego nós temos uma vantagem que tem as vogaisinhas. Mas, era escrito tudo junto, não tinha capítulo, não tem versículo, não tem ponto, não tem vírgula, não tem nada.
É uma letra atrás da outra, mas aí tem consoante e vogal. O texto uncial. Esses eram os manuscritos, mais de 400 anos depois de Cristo. Depois disso, lá na frente, é que começaram a escrever em minúsculo, letra cursiva, separando as palavrinhas. Mas, é muito depois. Primeiro, escrever em minúsculo, tudo junto. Depois, começaram a fazer abreviatura. Depois, separaram a palavra. Muitos séculos depois. Então, nós temos um problema célebre, por exemplo, Jesus conversando com o bom ladrão. O que que ele disse? Em verdade, te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.
Como é que pontua isso? Em verdade, te digo, hoje estarás comigo no Paraíso ou te digo, hoje estarás comigo no Paraíso? Qual que é a frase? Porque o texto, o manuscrito, não tem separação entre as letras, portanto, não tem vírgula, está tudo junto. Você vai separar como? Bom, separa agora. O que que Jesus está dizendo? Te digo, hoje, dois pontos, estarás comigo no Paraíso ou te digo, dois pontos, hoje estarás comigo no Paraíso? E agora? Porque o Velho Testamento é uma tradição oral, mas e o Novo? E o Novo? E o Novo?
É isso aí. Então, por que que nós estamos trazendo isso aqui? Para perder a ingenuidade da tradução. A pessoa está andando com a tradução em português e tendo certezas. Ou quando ela não faz assim, mas no latim está escrito isso e quem disse que o Novo Testamento foi escrito em latim? Latim é uma tradução feita no século IV. O Novo Testamento foi escrito em grego. O que que você está me vindo com latim? Nós estamos falando de Dante, Alighieri, você está me vindo com a tradução em inglês? O texto está em italiano? Qual que é o sentido disso?
E para encerrar todas as más notícias da noite, eu prometo encerrar João Ferreira de Almeida. Desencarnou. Porque alguns espíritas acham que o João Ferreira de Almeida está vivo. Faz tradução de João Ferreira de Almeida. Ele desencarnou. Desencarnou. Em 1680. 1680. Então, caro amigo que está acompanhando agora, não se assuste. O português utilizado por João Ferreira de Almeida na tradução dele é português do Dom Diniz. É anterior ou contemporâneo à carta de Peruvá de Caninha. Ou seja, a tradução original do João Ferreira de Almeida, você precisa de um dicionário para entender.
Mesmo falando português. Porque é um português arcaico. Então, o João Ferreira que você tem na sua mão, se você estiver utilizando, é a tradução da tradução da tradução da tradução da tradução da tradução e se for com a nova revisão autográfica, da tradução. Isso é para a gente entender como que o assunto é sério. Por exemplo, isso está acontecendo agora conosco, espíritas. Paulo e Estevão foi discografado. Se você pegar a primeira edição do Paulo Estevão, e quem estiver aí e quiser doar para você, nós estamos montando um museu com todas as primeiras edições de todas as obras do Chico.
Nós vamos montar um museu no C. Vamos digitalizar. Vai ter lá uns iPads, um projeto para a gente preservar a memória. A primeira edição do livro do Paulo Estevão, o português que está lá é português com PH. Algumas palavras tem PH. Não é o português de hoje. Então, ler o Paulo Estevão na primeira edição que é a edição psicografada já é difícil para nós hoje. Porque não é o nosso português. Imagina daqui 300 anos. Um brasileiro não vai conseguir ler Paulo Estevão na primeira edição. É assustador isso, não é? Mas, é bonito, não é?
O que eu estou te dizendo é o seguinte, daqui 300 anos nós vamos precisar de uma tradução do Paulo Estevão. O português! É maravilhoso, não é? A gente está montando essa ideia de montar um museu no C é para preservar porque se algum amigo de Paulo tivesse tido a ideia de guardar as cartas originais e montar um museu, hoje nós teríamos originais. Não teve ninguém que tenha essa ideia. Ninguém guardou as cartas. Nenhum texto do Novo Testamento tem o original. Só tem cópia. Mas, não é possível. Está acontecendo agora, gente.
Algumas obras do Chico não são mais editadas. Daqui a alguns anos nós não vamos saber que essas obras existiram se elas não forem preservadas. Claro que nós temos iniciativas lindas como do Geraldo Lemos, que montou a casa de Chico Xavier lá em Pedro Opoldo, projeto lindo do Geraldo Lemos, de muito bom gosto, tudo bonitinho, tem todas as obras, mas está lá a obra física, precisa fazer um projeto de digitalização, porque daqui a algum tempo a praça, o tempo, consome. Então, precisa realmente fazer um trabalho de preservação aí, porque senão nós vamos ver a obra do Chico Xavier, que é nosso contemporâneo, daqui a algum tempo não tem mais acesso a ela, a obra integral.
É isso que nós estamos falando de texto bíblico. Da importância que nós estamos dando aqui a passagens, a estruturas, porque Jesus, quando abriu o Livro de Isaías, não tinha capítulo, não tinha versículo, então eles liam por estruturas. Por isso que essas estruturas que nós estamos estudando aqui eram naturais, eram divisões naturais do texto. Você tinha que dividir ao ler. Então, você tinha que conhecer as cenas. Todo leitor conhecia as cenas. Eles conheciam cada cena, porque não tinha capítulo, não tinha versículo, você tinha que conhecer a história.
Hoje, como a gente tem capítulo e tem versículo, a gente fica desatento para as cenas. Para encerrar, nós vamos seguir no estudo do Gênesis, não capítulos e versículos, mas sessões. Sessões. Então, se prepare, porque a partir de semana que vem, quem já quiser ler, nós vamos começar pela primeira sessão, pela primeira grande sessão do livro, lembrando que são onze, a primeira mais dez linhagens, as genealogias, e a primeira é a criação do cosmos, capítulo 1, versículo 1, ao capítulo 2, versículo 3. E, a todo momento, nós vamos estar voltando em cenas, atos.
Então, nós vamos estar voltando tanto nisso, que no final do estudo de Gênesis, todo mundo já vai saber isso de coça ao teatro, de tanto que vai repetir, não precisa ficar apavorado. Mas, semana que vem, criação do cosmos, Gênesis, capítulo 1, versículo 1, ao capítulo 2, versículo 3. E, de agora em diante, vamos ver isso como uma unidade, capítulo 1 inteiro e o capítulo 2 até o versículo 3 é uma unidade só, é uma sessão. Aí, nós vamos dividir em atos e em cenas. Então, vai ser lindo, porque vai ter os dias da criação, tudo estruturado.
Aí, a gente vai ver a lógica dessa sessão. Não tem, Tiago, por incrível que pareça, né? É… Não tem. O velho ainda não, né? Fica a dica! Fica a dica! Hashtag, fica a dica! Hashtag, fica a dica! É porque, mas sabe o que acontece, Tiago? Porque você pode dividir em diversas estruturas dependendo do enfoque que você dá. Então, se você já traduz, colocando naquilo, é como se você estivesse formatando, né? Oh, meu Deus, já enviaram aí no Mundo Maior. Nossa, que coisa linda! Nós já estamos recebendo as primeiras edições de todas as obras.
Esse museu vai ficar maravilhoso, vai ficar maravilhoso. Nós vamos ter todas as primeiras edições, vamos digitalizar, não para comercializar, evidentemente, para ferir direito autoral, né? Tudo dentro da lei de direito autoral, gente, fiquem tranquilos, né? Tudo dentro da lei. Armazenado como um museu, isso pode, né? Se não pudesse existir a biblioteca, não é mesmo? Então, a biblioteca digital está lá disponível, não pode copiar, é só o uso, o acesso no local, né? Tudo resguardado os direitos autorais, mas fazendo aí o resgate desse acervo, dessa obra.
Semana que vem a gente já entra na primeira sessão, Criação do Cosmos, que é maravilhosa, vamos ver os atos. Então, a gente sempre vai ver a estrutura geral da sessão, fazer alguns comentários gerais e entrar nas cenas. E o bonito é que a gente já vai criando a tradição de deixar as cenas na memória. Isso é bonito, né? Então, o primeiro dia, o que foi criado? O segundo, o terceiro, o quarto. Isso é importante porque isso dá para a gente um piso de leitura bíblica, um piso. E, aí, o texto, principalmente o Novo Testamento, começa a fazer mais sentido, né, porque começa a entrar no nosso vocabulário.
Eu espero, quem está acompanhando, um beijo para o ser em Curitiba, né, que está acompanhando, um beijo em todos, todos os amigos que estão acompanhando pela internet, nós que estamos aqui. Espero que vocês tenham gostado. Desculpem aí que hoje ficou um pouquinho mais difícil, porque tem que falar dessa parte mais técnica, mas era muito importante falar sobre isso. E, ao longo de todo o estudo, nós vamos voltar a isso. Então, isso vai ficar claro. Se você não entendeu, leia o texto, fique tranquilo, vamos repetir tantas vezes que isso vai entrar no cotidiano, vai virar uma coisa natural.
E, espero que vocês estejam gostando dessa experiência que é o livro de Gênesis. Alguém quer falar alguma coisinha para encerrar ou podemos fazer a prece? Deus, faz a prece para a gente? Deus, Pai de infinita bondade, de eterna misericórdia, neste momento, gostaríamos de voltar a Ti para primeiramente agradecer a oportunidade da vida, agradecer o retorno ao mundo físico, para novas provas, para novas expiações que servem como utilitários no nosso engradecimento espiritual. Agradecemos em especial pelo encontro de hoje, que os esclarecimentos, os ensinos possam sair da nossa intelectualidade para entrar nos nossos corações.
Obrigado, Pai, mais uma vez por tudo e ser conosco hoje, agora e por toda a eternidade. Que assim seja.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
Respostas
Bom dia!
Lindo podcast. Muito obrigado pela oportunidade de estudo.
Gostaria do material que o Haroldo se referiu durante a aula.
Abraços a equipe do SER.