#004 – Estudo do Velho Testamento – Livro Salmos

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Neste quarto episódio do estudo do Velho Testamento, conduzido por Haroldo Dutra Dias, aprofundamos a compreensão dos Salmos, explorando sua natureza, autoria e a complexidade de sua interpretação à luz da cultura hebraica e da Doutrina Espírita. O estudo retoma e expande os temas introduzidos nos episódios anteriores, respondendo a perguntas da audiência e desmistificando conceitos ocidentais aplicados aos textos bíblicos.

O que é estudado neste episódio

  • A natureza dos Salmos: É reforçado que os Salmos são, em sua essência, “letras de música” (mizmor), destinadas a serem cantadas e não apenas lidas. Essa característica os distingue de outros textos poéticos ou narrativos da Bíblia, como o Sermão da Montanha, que, embora poético, não teve o mesmo uso litúrgico cantado ao longo dos séculos.
  • A autoria dos Salmos: A questão da autoria, especialmente a atribuição a Davi, é discutida sob a perspectiva da cultura pré-Gutenberg. Naquela época, o conceito de “autor” e “direitos autorais” como conhecemos hoje não existia. Davi é apresentado como um mecenas e líder que incentivou a música e o louvor a Deus, e os Salmos atribuídos a ele representam um movimento, uma escola, com contribuições de muitas mãos e vozes ao longo do tempo.
  • A diversidade de estilos literários na Bíblia: Haroldo Dutra Dias enfatiza a importância de reconhecer os diferentes estilos literários presentes na Bíblia (poesia, parábola, narrativa, etc.) para uma compreensão mais profunda. Ler a Bíblia como um texto homogêneo é uma ingenuidade que impede a captação de suas nuances e contextos históricos distintos.
  • Salmos de lamento e a Doutrina Espírita: Um ponto central do estudo é a distinção entre “lamento” nos Salmos e a “lamúria” ou “reclamação” que a Doutrina Espírita desaconselha. Os Salmos de lamento (como o Salmo 22) são apresentados como uma forma sagrada de expressar dor e vulnerabilidade a Deus, uma catarse que permite a elaboração do sofrimento e o fortalecimento da relação com o Criador, sem revolta ou inconformismo.
  • A relação com Deus: O estudo convida a uma reflexão sobre a forma como nos relacionamos com Deus. Questiona-se a ideia de que não podemos expressar nossas dúvidas, dores e até “brigar” com Deus, citando exemplos de personagens bíblicos como Moisés, Elias e Jó que tiveram diálogos francos com o Criador. A “blasfêmia” é redefinida como a incapacidade de compartilhar a dor com Deus, comparando-a à dor de um pai que não pode ouvir os problemas de seus filhos.

Reflexões

  • A compreensão dos Salmos como “letras de música” nos convida a vivenciar a espiritualidade de forma mais dinâmica e expressiva, reconhecendo a música como uma poderosa ferramenta de conexão com o divino.
  • A análise da autoria dos Salmos nos liberta de uma visão reducionista e individualista, mostrando que a criação espiritual é frequentemente um processo coletivo e atemporal, onde a inspiração divina se manifesta através de múltiplos indivíduos.
  • A distinção entre lamento e lamúria nos Salmos oferece uma nova perspectiva sobre a expressão da dor na jornada espiritual. Longe de ser um sinal de fraqueza ou falta de fé, o lamento sincero é um ato de profunda confiança e intimidade com Deus, permitindo a cura e o amadurecimento do espírito.

Ler transcrição do episódio

Boa tarde, amigos! Que bom que estamos juntos, todos que estão conosco ao vivo, hoje. Que alegria, né? Estão gostando do estudo de Salmos? Tivemos três estudos de introdução, né? Conversando, assim, sobre os aspectos gerais do que é Salmos, pra gente ir harmonizando as consciências e o coração, né, Aruldo? Exatamente, Leonora. E lembrando que não é um estudo linear. Então, a gente vai e volta, vai e volta, e cada vez que a gente passa, adquire uma compreensão mais profunda do tema. Então, Eleonora e Aruldo, a gente fez três episódios gravados, editados, né?

E o pessoal já estava inquieto, querendo participar com a gente, né? Que bom! E hoje a gente já pediu a eles fazerem umas perguntas, e a gente também, pra gente avançar um pouquinho mais, né, nesses estudos aí. Mas antes de ir pras perguntas, Aruldo, alguma novidade pra nós? Assim? Tem! Hoje a gente, a Leonora selecionou algumas perguntas, e nós vamos voltar também, Júlia, aprofundando um pouquinho aquela introdução, o título, essas dúvidas sobre a organização do livro como um todo, né? Então, eu acho importante sempre voltar nisso, pra que a gente tenha uma compreensão exata da composição desses salmos, na verdade, da Bíblia hebraica.

Há uma incompreensão generalizada da Bíblia hebraica em si, do processo de nascimento dela, de amadurecimento, de como esses textos foram reunidos e como eles chegaram até nós. E o mais importante, qual a visão que o povo hebreu tem desses livros que são deles? Que são deles! Isso é importante, né? Pra gente entender, né? A gente coloca uma visão ocidental sobre eles, né? É, exatamente! A gente é bom sempre lembrar disso quando está estudando texto, né? Que nós temos uma cultura ocidental, uma maneira de pensar ocidental, e é legal saber sobre esse olhar de quem está naquela cultura, né?

Exatamente! Deste contexto. A gente pegou emprestada a Bíblia hebraica e não tem nenhum problema com isso, né? Ainda bem que a gente pegou emprestada. Fizemos interpretações desde o segundo século do cristianismo, novas interpretações, uma nova leitura, mas é importante voltar para o ambiente de origem desses livros, entender o contexto histórico, o pensamento, para que a gente não fique apenas com essa visão daquilo que nós colocamos, né? É como se fosse assim, vamos voltar para a receita original, para a gente entender o que a gente acrescentou, né?

O que mudou. É essa a ideia. Agora me veio uma imagem, quando você falava, Lúcio, que é assim, né? Não que o que às vezes acontece é uma coisa do purismo, né? Da pessoa ser purista, né? Ela fala assim, não, vale é o que está lá atrás. É bom que se saiba, é bom que se conheça, mas o interessante é saber que a obra, ela caminhou com as pessoas. Ela interagiu com as pessoas. Uma obra, quando é lançada, uma música, que seja, ela interage com as pessoas, e a partir dali ela dá novos frutos, né? Então, é legal a gente pensar assim, que frutos deu no Brasil o Salmos?

Que frutos deu noutra região o Salmos? Porque eu tenho a impressão de que as 70 faces da Toral, essas diversas maneiras de nós olharmos as coisas, são importantes porque não tem só uma maneira de se interpretar, ainda que você tenha um início, um ponto de partida, aquilo se transforma no tempo, né, Arudo? Ganha novos significados, né? Se é que quando, por exemplo, os primeiros ouvintes e leitores do Salmos também não deram as suas próprias interpretações, né Arudo? Sem dúvida. A única coisa que um hebreu não quer é uma interpretação.

Se você quer arrumar briga com ele, é se você tiver uma interpretação só. Mais de uma, ele está sempre feliz. 70, né, no mínimo. Se não for uma, vai ser algum problema. Nessas três semanas, né, que nós compartilhamos os estudos, a gente pôde ver, assim, que o pessoal participou muito. Aqueles que só nos acompanham nas redes sociais, saibam que a gente tem um grupo de WhatsApp, temos um grupo de Facebook, a gente tem um grupo de Instagram, onde as pessoas, após o estudo, interagem, assim, compartilham os textos que o Arudo citou, compartilham algum outro texto ou relação.

Então, quem quiser participar, a gente vai dar trabalho para os administradores das redes sociais, mas é só chegar lá no Instagram e dizer assim, ah, eu quero participar do grupo de Instagram, porque aqui a gente não consegue compartilhar links, né, nos comentários do YouTube. Então, a gente já agradece a todos que estão participando, que estão vibrando pelo estudo, que estão curtindo, que já assistiram aos três estudos anteriores. E durante a semana, a gente abriu um questionário, né, para o pessoal que está participando, que eles pudessem fazer as suas perguntas, mas aqueles que ainda quiserem fazer aqui no chat, pode ir fazendo.

A gente não promete que vamos conseguir ler todas ou responder todas, né, mas aos pouquinhos a gente vai conversando e vai interagindo juntos. Então, a gente tem algumas curiosidades, né, que o nosso público está mais ou menos na nossa faixa etária, mais de 43 anos, 50 anos, né, a maioria do nosso público. Mesmo tendo pessoas do Brasil inteiro, São Paulo ainda segue sendo o maior número de participantes, né, dos que responderam o questionário. E tiveram algumas perguntas, eu vou começar pela primeira, que foi da Alessandra, que foi a primeira que fez a pergunta, que ela pergunta se seria o Sermão do Monte, a oração do Pai Nosso, um salmo?

Fazendo a conexão com o Antigo Testamento, o Novo Testamento. É. Bom, eu diria que é inspirado no salmo, faz sentido. Eu não sei se seria um salmo, porque, veja, Eleonor, isso nós temos que entender. Todo início do salmo, muitos salmos, muitos, dezenas deles, começam com mizmor ledavi, quer dizer, mizmor de Davi. Mizmor, em hebraico, é uma tradução difícil, mas seria o que hoje nós chamamos de a letra da música. Sabe? Então, em inglês, é o lyrics. Quando você coloca lyrics, não é um poema. Eu sei que lyrics é a letra de uma música.

O que isso é importante dizer? Você pode ler o texto, você pode pegar a letra de Drão, do Gilberto Gil, você pode pegar a letra de Tempo Rei, do Gilberto Gil, você pode ler a letra, você pode interpretar a letra, mas todo mundo sabe que é uma música. Então, essa é a ideia. Quando nós estamos falando dos salmos, nós estamos falando disso. Nós estamos falando de uma tradição de muitos séculos, de letras de músicas que foram cantadas por mais de oitocentos anos. Isso é importante. Isso é importante. Então, quando a gente fala assim, ah, o Sermão da Montanha, o Sermão da Montanha foi cantado por tantos séculos?

Não foi cantado, ele foi lido, ele foi comentado. Quer dizer, não foi cantado. Ah, mas nós tivemos músicas inspiradas no Sermão do Monte. Sim, aí sim. Aí sim. O Sermão do Monte guarda um aspecto de poesia, de ritmo, da escolha das palavras, da rima hebraica? Guarda. Tem isso. Tem esse componente poético. Mas, nós não podemos dizer que ele teve esse mesmo uso ao longo dos séculos que os Salmos tiveram. Então, é só para a gente fazer essa diferenciação. Isso traz uma reflexão boa, Eleodora, que é o seguinte, tem muito de poesia no Novo Testamento e no Velho Testamento.

Então, o estilo literário, a forma de escrever, tem muita coisa. Agora, veja, não é a nossa poesia ocidental. É a poesia hebraica, que tem as suas regras de construção, que tem as suas regras de ritmo. Então, o Sermão da Montanha obedece um cânone poético. Obedece. Muitos textos do Novo Testamento obedecem esse padrão de poesia. Isso é importante. Da mesma maneira que eu tenho estilo de histórias, eu tenho estilo de parábolas, o problema é que a gente lê de Mateus e Apocalipse sem perceber estilo literário. Então, a gente lê de Mateus e Apocalipse, achando que é um texto único, num único estilo literário.

Não é. Não é. Não é. Então, mais ou menos, seria assim, Eleonora. Seria como se eu pegasse algumas páginas do Guimarães Rosa, algumas páginas da Adélia Prado, algumas letras de música, juntasse tudo e você lesse aquilo como se fosse uma coisa única. Aí, você vai falar, gente, mas, parece que esse texto mudou. Mudou mesmo. Mudou. Mudou. Então, quando você entra no Apocalipse, mudou. É outro estilo literário. É outra coisa. É outro texto. E eu não posso ler Apocalipse como eu leio capítulo 1 e 2 do Evangelho de Lucas.

Não tem como. Não tem como eu ler o Sermão da Montanha como eu leio uma parábola. São estilos literários completamente diferentes. Da mesma maneira que eu não posso ler uma notícia de jornal, como eu leio um poema de Carlos Drummond de Andrade. Não faz sentido. Na poesia já tem isso, né, Arô? Soneto, de um jeito. Então, essa percepção de que eu tenho dezenas de estilos literários, de que a Bíblia é composta de mais de setenta livros. Livros. A gente fala Bíblia achando que é um livro só, né? Não. A Bíblia é de setenta livros.

Tem livro que está distante um do outro mais de quinhentos anos. Mais de quinhentos anos. Veja isso. É como você achar que Adélia Prado é contemporânea de Homero. De Dante Alighieri. Pô, Adélia Prado era vizinha do Dante Alighieri. Não. Não. Então, isso acontece na Bíblia. Zacarias está distante de Gênesis mais de setecentos anos. O texto de Gênesis para o profeta Zacarias era um negócio arcaico. Arcaico. O Zacarias lia aquilo e falava nossa, que texto antigo. E hoje a gente olha como se tudo fosse de uma mesma época.

Muito importante, né? De uma mesma época, de uma mesma pessoa e do mesmo estilo. E no mesmo contexto histórico também. Olha que ingenuidade, né? Então, eu acho que é importante na nossa interpretação bíblica a gente desenvolver sensibilidades. A primeira sensibilidade é a sensibilidade da mudança de estilos. Eu tenho que estar sensível a isso. Se eu tiver, aí fica fácil de eu mergulhar naquele texto. Então, vamos lá. Para resumir. Entrou em Salmos? Você está lidando com letra de música. Letra de música sacra. Letra de música litúrgica.

Letra de música religiosa. Esse aqui é o mais importante. Joia. Muito, muito bem respondido, né? A gente tem aqui algumas perguntas que eu vou tentar juntar numa só. Várias perguntas que foram até as primeiras que nós fizemos sobre os autores de Salmos. Então, eu vou dar uma lida aqui. Como saber que salmos de Davi foram escritos por ele? E uma outra. Se os salmos atribuídos a Davi, nem todos foram escritos por ele, como saber quais são os de autoria dele? Quais são os de sua autoria? Quando a gente falou sobre os autores, até era uma dúvida que eu mesmo tinha, porque numa primeira pesquisa, e a gente vai pesquisar nos vídeos que tem na internet, ele divide os salmos pelos seus autores.

E o Haroldo veio e explicou que não tem nada a ver, né? Autores e os salmos os de Davi. Mas tem perguntas assim. Se alguns foram atribuídos a Davi, como é que a gente sabe? Parece que está escrito, né? Tem alguns que começam. É uma pergunta muito boa. Uma pergunta muito boa. Muito boa. Eu acho que tem um jeito bem direto da gente saber isso. Desencarnar, encontrar com Davi no mundo espiritual, abrir os salmos, e eu acho que nem ele vai saber. Porque, veja, Leonora, nós, nós que vivemos em e que estamos numa cultura do livro, uma cultura pós-Gutenberg, o que é uma cultura pós-Gutenberg?

Depois de Gutenberg, você começa a ter livros impressos. A partir do momento que você tem livros impressos, você tem um conceito de autor do livro e direito autoral. Isso nasce com Gutenberg. Isso nasce com Gutenberg. Então, eu imprimo um livro, o autor ou autores colocam o nome, aquilo gera um direito autoral, inclusive um direito econômico sobre a obra. Especificamente no século XIX, no século XX, o direito econômico sobre a obra ganha o maior relevo. O maior relevo. Então, quando você publica um livro e você coloca lá o copyright, há Uma venda do livro.

O livro é um produto e aí é importante eu saber qual é o autor, porque só o autor pode mudar o livro ou, então, com autorização do autor. Então, esse é o direito autoral intelectual. Ninguém pode mudar o conteúdo de um livro sem autorização do autor. E tem o direito econômico que eu posso ceder. Então, eu posso transferir o direito autoral econômico, eu posso doar o direito autoral econômico. Olha, Rosângela Santos está lembrando a primeira máquina de impressão, 1439, ou seja, século XV. Agora veja, Leonora, quando eu volto para mil anos antes de Cristo, essa pergunta sobre quem é o autor, ela ia deixar o próprio Davi espantado.

Se você perguntasse para o Davi, assim, Davi, se você voltasse, Davi, quem é o autor? Ele, oi? Como é que é? Por quê? Por quê? Porque você não tinha livro impresso, você não tinha máquina de imprimir livro. Você não tinha máquina de imprimir livro. E o conteúdo era transmitido na oralidade. Então, os salvos sobreviveram porque eles eram decorados e cantados. Veja, Leonora, na Grécia Antiga, você tinha os aedos, os cantores. Meu Deus! A obra Ilíada e Odisseia, que são os poemas, meu Deus, aquilo são milhares de versos.

Aquilo era decorado, hein, Leonora? Aquilo era decorado. E os aedos iam para a apresentação e cantavam aquilo de cor. E as pessoas sabiam de cor, pelo menos, alguns trechos. Da mesma maneira, Leonora, que quando a gente vai numa banda, num cantor, numa cantora da nossa preferência, a gente canta as músicas de cor. Da mesma maneira. Então, as pessoas iam no litero musical, aí o Júlio pegava o violão e começava a tocar uma música da autoria dele, o Tim Vanessa tocava uma música, Denis, e tantos outros, tantos outros.

As pessoas cantavam de cor. As pessoas cantavam de cor. Então, se você chegasse no litero musical e perguntasse assim, fulano, onde que estão imprimidas as suas letras das músicas? Você fala assim, meu amigo, eu não tenho. E como que você sabe cantar essas músicas? De tanto ouvir, eu decorei. Então, a composição dos salmos, a composição dos salmos, ela está ligada a Davi, porque Davi foi o rei que promoveu os músicos. Davi foi o rei que trouxe para o culto, que financiou músicos, letristas, eventos. Ele é um indivíduo que ele é um indivíduo que compôs, que tocou, que incentivou.

Então, ora ele era instrumentista, ora ele era cantor, ora ele era letrista, mas tem hora que ele era público. Então, quando você diz assim, salmo de Davi, você está se referindo a um movimento, a um movimento, você está se referindo a uma época, a uma tradição, a uma escola. Da mesma maneira que eu digo a escola pitagórica, a escola aristotélica. Então, você tinha aquele indivíduo ali que era uma liderança, e ao redor dele, Eleonora, centenas de pessoas produzindo com ele. Então, no salmo de Davi, tem muita coisa de Davi?

Tem, mas tem centenas de mãos dando pitaco. Mãos ou bocas, né? Que era cantado. Então, se você perguntar para o Davi, Davi, esse salmo é você que compôs? Olha, eu lembro que eu cheguei com as quatro frases, aí cantei essas quatro, teve um lá que completou o outro, aí tinha uma outra lá que criou mais duas frases, no final, nós compusemos o salmo. É a mesma coisa você chegar com a Luís, com o Marcelo, e falar assim, ó Luís, qual parte dessa música você fez? É uma pergunta artificial. É uma pergunta artificial. A gente está diante do Júlio aqui.

Não é assim que funciona. Não é assim. O Júlio faz uns acordes ali, aí manda, aí vem o Látios, põe uma letra, vem o… Nossa, estou esquecendo o nome aqui. Me ajuda aí, Júlio. Vem o… João. O João, põe um verso, aí manda para o Luís Henrique, o Luís Henrique muda as melodias, muda a harmonia, muda a música. Aí o Júlio fala, nossa, nossa, eu sou bom mesmo. Caramba, é outra música. E eu não deixei de botar a mão nele não. E a Cacá Rezende chega e canta e parece que é outra música. Agora você chega com o Júlio, dez anos depois, e fala, ô Júlio, naquela música, foi você que fez esse acorde?

E ele fala assim, não sei, não sei se foi eu, se foi o Luiz Henrique, eu não sei, eu só sei que eu mandei um troço para ele e voltou. E nós começamos a cantar, aí teve um dia que a gente fez um litro musical, mudou o arranjo, e o pessoal gostou do novo arranjo, eu até abandonei o jeito que era, e hoje a gente só canta nesse arranjo. Perceberam? A mesma coisa. É a mesma coisa. Então, é importante… É importante a gente se dar conta de quão artificial é essa pergunta. O importante é Davi, Davi, foi um grande mecenas, Davi foi um grande líder, Davi foi aquele indivíduo que chamou as pessoas para cantar.

Para cantar adorando a Deus, para cantar agradecendo a Deus, para cantar suplicando algo a Deus, e para cantar lamentando, para cantar chorando, para cantar quando você está constrito, quando você está quebrantado, quando você está arrasado. Então, quando ele estava arrasado, ele chamava para cantar, quando ele queria adorar a Deus, ele chamava para cantar, quando ele queria agradecer, ele chamava para cantar, e quando ele queria pedir, ele chamava para cantar. É isso. Estava falando, Arouca, e aí estou pensando assim, até tem um exemplo interessante disso, por exemplo, quando você compõe uma música.

Nossa, a gente tem tanta influência do meio, daquilo que você ouve, para não dizer, da própria criação de Deus, te inspirando o tempo todo, você vai falar, o que é seu? Acho que as perguntas aqui, talvez seja mais no sentido de entender, até uma coisa boba, não é? Quero diferenciar esse autor daqui, para eu entender qual é o estilo de um, qual é o estilo de outro. Qual é aí do Fernando Branche? Tem o Fernando Branche, tem o Paulo César Pinheiro, você tem outro. Tudo bem, qual é a do Paulo César Pinheiro? Qual é a do Fernando Branche?

Talvez a pergunta seja algo assim, apesar de que talvez a gente não tenha exatidão em o que você está falando. Não existe uma exatidão para se afirmar, porque não foi feito um registro e eles não tinham essa preocupação naquele tempo autoral, ou seja, não tinha uma questão que envolvia autoria no aspecto direito, do direito do autor. Não era assim, não tinha barcade, não tinha copyright, não tinha isso. É que, na verdade, era tudo no Livro de Deus, tudo registrado lá, tudo no fluido cósmico. Eu fiquei lembrando aquelas músicas que a nossa mãe canta para nós quando era pequena, e que a gente canta depois para os nossos filhos e não temos a menor ideia de quem compôs ou não compôs.

Eu sei que são as musiquinhas que a gente canta. Não sabe nem se o que ela cantou está certo. E uma tradição que vai ficando no coração. Imagina alguma coisa assim. Mas claro que a pergunta vem do nosso contexto, como o Haroldo falou, de livro. E nós falamos de música e a gente tem uma pergunta, porque no último estudo, o Júlio e o Haroldo falaram sobre a música O Irmão Oculto. E o pessoal procurou essa internet, procurou no Espiritismo TV e não tem a gravação, porque não tem a gravação, na verdade. Eles não gravaram ainda.

Então há um pedido, Júlio, para que você cante no final essa música. Eu acho engraçado. Sinalizado. O problema todo é que eu tocava num grupo infantil chamado Segredo, e o grupo acabou. Lógico, contaram o segredo. Aí A questão do Filho Oculto é que ele é oculto. Só estão querendo achar a música. O pessoal procurou e, na verdade, algumas pessoas têm uma gravação que o Júlio uma vez tocou e passou para alguém, dessas para ver como é que está, e uma pessoa passou para outra. Mas o fato é que a gente não tem gravado em local nenhum.

Então há o pedido para que o Júlio toque para nós. Eu vou deixar isso pontuado para o nosso final. Nós vamos preparar. Então a gente falou que o salmo é para se expressar, que é para comungar, é para chorar, para reclamar. E tem uma pergunta aqui. Quando você disse do reclamar é para se relacionar com Deus e que na última parte do Evangelho segundo o Espiritismo tem relação com salmos, as preces, né? Tem relação com a recomendação de Jesus em entrarmos no quarto no momento de oração? Tem. A oração, né? A oração, mas cuidado para não confundir salmo com oração, né?

Porque os salmos são os hebreus chamam de terrelim. O terrelim é o terrelim é um louvor em forma de música, né? Porque eles têm os livros de orações deles. Você tem orações que não são cantadas, são oradas. Então tem essa sutileza aí que a gente precisa ficar atento, né? Os salmos, eu posso orar com salmos? Posso. Os salmos eram utilizados para orar? Com certeza, com certeza. Não tenho a menor dúvida disso, mas nem toda oração é salmo. É só para a gente ir. Oração na cultura hebraica é um termo mais amplo. Eu posso orar orando mesmo, recitando um texto, né?

Eu posso orar de forma espontânea, então eu crio a minha oração e eu posso louvar. O louvor no sentido genérico, que é o terrelim, né? Que é a cantiga, a canção. A canção. Todas essas formas, todas essas modalidades são formas de estabelecer uma relação com Deus. De entrar em contato com Deus. É nesse sentido. É nesse sentido. E aí o Pedro, ele perguntou, a gente já falou isso lá no primeiro estudo, mas como a gente está hoje meio que rememorando tudo, né? A palavra salmo é o nome de um instrumento musical? Me desculpe se já foi perguntado antes.

Não, fique tranquilo, eu até separei tudo no dicionário hebraico, né? Então, olha, para os hebreus, o livro dos salmos é chamado em hebraico de terrelim. T, de tatu, e, de elefante, h, de hoje, i, L, i, m. Terrelim. Terrelim vem da palavra terrilá. A palavra terrilá em hebraico é traduzida como louvô, elogio, hino, louvo, louvação. Tá vendo? Então, terrelim. Agora, tem uma outra palavrinha que toda vez que muitos salmos, eles começam, eu falei isso, né? Eles começam com mismor. A palavra mismor, porque muitos salmos começam mismor, ledavim, né?

A palavra mismor em hebraico, aí sim, é música, canto. Então, eu poderia traduzir canto de Davi, cantiga de Davi, música de Davi. Então, essas são as duas principais palavras na Bíblia hebraica associada aos salmos. Mismor e terrelim. Terrelim é o nome que os hebreus dão para os salmos. Então, eles reúnem os salmos e chamam esse livro de terrelim. Porque salmos é uma palavra grega, está na septuaginta. Salmoi, que é louvor, né? E, durante nossos estudos, causou assim, não vou dizer estranheza, mas causou um questionamento do pessoal.

Por quê? A gente é acostumado a preces para pedir, para agradecer, para louvar, né? Aí você está falando que salmos não é prece. O que que causou estranheza? E agora que no grupo está essa pergunta e aqui também no questionário também. A questão da reclamação. Não entendi bem a questão do salmo de lamentação. A doutrina espírita recomenda passar pelas provas sem murmurar, sem reclamar. E aí você falou que essa reclamação é uma forma de nós nos relacionar com Deus. Dizer assim, olha, eu não estou entendendo para onde você está me levando, né?

Então, vamos lá. Não é isso que está na codificação. O que está na codificação é que nós devemos passar pelas expiações e pelas provas com resignação. Resignação. Paciência, obediência, não é? É isso que está dito lá. Eu, eu não colocaria como sinônimo o lamento de Davi como a reclamação. Alamúria, né? Era o que você falou no estudo lá. Então, eu acho que é importante a gente fazer uma distinção. Uma coisa é a alamúria, a reclamação que vem da ausência de resignação, que vem da revolta, que vem da inconformação, que vem da ingratidão a Deus e que reflete um desequilíbrio no Espírito diante das expiações e provas da vida.

Então, podemos chamar isso de lamúria, de reclamação, de inconformação. O lamento dos salmos não é isso. O lamento, os salmos de lamento não são isso. Eles estão longe disso. Longe disso. Os lamentos, o salmo de lamento, por exemplo, o salmo 22. O salmo 22 é o rei dos lamentos. Então, você tem o lamento, você tem o lamentão e você tem o salmo 22. O salmo 22 é o ápice do lamento. Então, como que ele começa? Eli, Eli, lama sabatani, Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Ele é o toque, o toque do lamento. Veja, não é uma revolta, não é uma falta de resignação, não é um desequilíbrio de quem está lamentando, é a criatura abrindo o seu coração e a sua dor para o Criador.

É diferente. É diferente. Então, é como alguém que está no divã, é como alguém que está diante do terapeuta falando da sua dor. E, à medida que ele fala da dor, ele sente um alívio. E, à medida que eu falo para um amigo, para um amigo, para um terapeuta, para o Criador, à medida que eu elaboro aquilo, eu sinto um alívio. Acontece uma despressurização. Eu consigo elaborar a minha angústia. Eu não estou agredindo o meu amigo, eu não estou agredindo o meu terapeuta, eu não estou me revoltando com a vida. Eu estou fazendo uma catarse.

Eu estou elaborando o meu sofrimento. É mais profundo. É bem mais profundo. Então, veja que a gente tem que tomar cuidado com as palavras. Os salvos de lamentação são momentos sagrados. São momentos muito especiais com Deus. Muito especiais. Muito especiais. Eu estava olhando aqui, Aroldo, sobre essa questão das características do lamento. Até lembrei da música do Gil, Lamento Sertanejo, e tal. Mas eu estava falando assim, que ele me trouxe uns tópicos, tipo assim, no lamento, a expressão de aflição ou sofrimento, o chamado ou súplica a Deus, o questionamento e reflexão, expressão de vulnerabilidade.

Eu achei legal isso aqui, que é o lamento frequentemente envolve uma expressão de vulnerabilidade emocional, onde o autor se mostra aberto sobre suas fraquezas, dúvidas e insatisfações, busca por consolo ou respostas, ênfase nos sentimentos pessoais, ou seja, fala de si para Deus. É que lamentação não é revolta. Lamentar não é revoltar. Revoltar-se contra alguma coisa, isso já não é mais lamentar. Lamenta-se. É uma ressignificação. Júlio, vamos lá. Você pode, na sua linguagem, no seu vocabulário, você pode chamar lamento do que você quiser.

Você pode chamar lamento de revolta, você pode chamar do que você quiser. A palavra é sua, você usa ela do jeito que você quiser. Agora, quando você abrir o livro de salmos, cuidado, os salmos de lamento não são isso. Salmos de lamento não são reclamação, não são revolta, não são isso. É só essa pontuação. Quando a gente falou do nosso relacionamento com Deus nos salmos, e aí envolvia a palavra lamento, nós estamos tentando encaixar nosso relacionamento com Deus, nem tanto preocupado, é porque aí eles foram evocar as questões de doutrina que realmente nos recomenda sobre os aspectos da reclamação, da lamúria e tal.

Então, o que nós estamos tentando entender é como é que eu vou construir o meu salmo com Deus, a minha relação com Deus, quando eu estiver lamentando. É isso que eu acho que as pessoas estão querendo encontrar ali o afio tênue do equilíbrio, que é, olha, eu posso chegar para Deus como foi o Cristo, lá na cruz, porque me abandonaste, ou seja, nós estamos tentando agora entender como se relacionar com Deus, e acho que eles estão focando, é nisso, tem uma leitura muito literal da doutrina também, aquela coisa… É por isso que eu quis fugir disso, Júlio, é por isso que eu quis fugir disso, você pode interpretar a doutrina como você quiser, a hora que você for estudar os salmos do lamento, abra a mão dessas suas opiniões, abra a mão dessas suas interpretações da doutrina, abra a mão desses seus preconceitos de leitores pós-seco XIX.

Esquece isso. Esquece isso. Porque, senão, o que que a gente acaba fazendo, Júlio? Eu quero que o salmo se curve para caber na minha concepção de doutrina. Ele não vai fazer isso. É eu que tenho que me despojar das minhas compreensões, dos meus preconceitos, das minhas leituras da doutrina espírita, das minhas verdades, das minhas certezas, porque eita povo pra ter certeza como espírita, né? Não é? Então, eu tenho que abrir mão dessas certezas e eu tenho que ir lá pro salmo e perguntar pra ele, o que você é? Salmo de Lamento, o que é você?

Qual que é a sua função? Qual é a sua função? Que papel você ocupou? É isso. Aí eu tenho que abrir mão das minhas certezas. Percebe? E tem que ir devagar com essa já que a gente está se sentindo tão assim, né, Lula? Pra mim, eu guardo no meu coração a certeza de que Deus ouve também os meus lamentos, que pode dar a interpretação que for, né? Se é lamento no sentido de relacionar-se com Deus nas suas dúvidas, nas suas inseguranças, não é? O que eu entendo, o que eu tava curtindo nesse momento de relação com Deus que está nos salmos, é isso.

É que eu posso sim conversar com Deus. Eu posso sim dizer a Ele o que eu sinto. Eu posso sim. O que eu não posso é talvez o que eles estão buscando. O que que eu não posso no âmbito do lamento pessoal, da atitude pessoal, é a aplicação do salmo juízo. É isso. Eu acho que o pessoal estava chegando nisso. Eu fico pensando, né, Júlio, o que eu não posso na minha relação com Deus? O que que eu não posso, meu amigo? Na cultura judaica, é blasfemar. Blasfema é algo legal de a gente aprender, né? Então, eu acho que seria interessante ler o livro de Jonas, viu?

Seria legal ler o livro de Jonas, as brigas dele com Deus, né? Seria interessante ler o profeta Elias. Elias Elias fica de mal de Deus. Seria interessante, né? Seria interessante a gente voltar para essas origens. Sim. Para a gente entender de onde a gente tirou isso, né? De onde a gente tirou que a nossa relação com Deus é uma relação artificial, que eu não posso chegar para ele e dizer assim, olha, foi mal, mas essa eu não entendi, não. Olha, você me desculpa, mas eu não tô conseguindo assimilar isso. Olha, você me perdoa, mas eu acho que você exagerou.

Quer dizer, de onde nós tiramos que não pode isso? Onde que tá isso? Onde que tá isso? Onde que tá isso? Vamos dar uma olhada nos diálogos de Moisés com Deus. Vamos dar uma olhada nos diálogos de Elias com Deus. Vamos dar uma olhada nos diálogos de Jó. Observa Jó conversando com Deus. Então, de onde que a gente tirou isso, Júlio? De onde que a gente tirou isso? Eu não quero entrar nesse ponto aqui, mas eu posso dizer até os séculos, em que séculos que essa tradição surgiu e foi muito depois de Jesus. E eu acho que isso tá ligado à deturpação do cristianismo.

E por isso que a doutrina espírita veio reviver o cristianismo. Porque essas coisas são adulterações. São erros humanos que se sobrepuseram. Esse é o ponto. E nós vamos ter muitos salmos pra gente analisar, né? Vamos lá, porque como é um tema sensível, a gente não pode deixar ninguém angustiado. Então, os salmos de lamento, eles são salmos, Júlio, de profundo sofrimento. E, Júlio, Deus, Deus é Deus. Deus é omnisciente. Deus… Mas tem uma coisa que Jesus nos ensinou sobre Deus, que é o seguinte, a coisa que Deus é mais sensível é a nossa dor.

Se tem uma coisa que comove Deus, é a nossa dor. Então, Ele faz de tudo pra nos consolar. Só tem uma coisa que Ele não pode fazer, abre aspas, Emmanuel, a providência divina não pode descer para errar conosco. Fecha aspas, Emmanuel. É a única coisa que Deus não faz. A providência divina não desce para errar conosco. Mas, se tem uma coisa que mexe com Deus, é lágrima. Por isso, por isso, que na parábola do bom samaritano, Jesus diz que o samaritano, veja lá, o verbo está na voz passiva. O samaritano foi movido. Porque tem uma tradução, e essa tradução, eu digo que é uma parte criminosa da tradução do bom testamento.

Coloca lá. Moveu-se de íntima compaixão, colocando-o na voz reflexiva. Então, quando eu digo assim, nossa, o Júlio emocionou-se. O que significa isso? Voz reflexiva significa que o Júlio foi tomado de emoção, mas a causa foi ele. Ele se emocionou. Não é o que está escrito lá. Na parábola do bom samaritano, o verbo está na voz passiva. Na voz passiva. O samaritano foi movido de íntima compaixão. Quem moveu? Deus. Quem sentiu compaixão pelo homem caído não foi o samaritano, foi Deus. E Deus moveu o samaritano para ajudar o homem caído.

A voz lá é passiva. O agente, o sujeito, oculto, é Deus. Isso está no livro do profeta. É Deus que se comode. É Deus que tem compaixão da dor. Então, blasfêmia é você dizer que você não pode expor sua dor para Deus. Isso é blasfêmia. Você pode brigar, você pode xingar Deus, ele não se importa. Mas, você não contar sua dor para ele, ele fica muito chateado. Eu acho que essa é a maior das blasfêmias. Porque é o seguinte, Júlio, é eu chegar para você e falar assim, olha, Júlio, a Bianca e o Bernardo estão proibidos de dividir com você os problemas e as dores deles.

Eles estão proibidos, Júlio. É um desrespeito a Bianca vir para você e ficar falando uma dor que ela está sentindo. O que você sente quando você ouve isso, meu irmão? O que você sente, meu irmão, quando você ouve isso? Sinto que eu não sou pai. Então, Júlio, você sente que você não é pai, né? Só que você não se incomoda de impor isso a Deus. Nossa, perfeito, perfeito. Então, querido, é assim, eu tenho um amigo evangélico, evangélico, não é o pastor é mesmo. Aí, ele me contou uma coisa, eu vou dividir com vocês aqui, rapaz, eu fiquei tão emocionado com essa história.

Ele disse que ele teve um filho, primeiro filho, né, apaixonado. Um dia ele pegou, aí eu estou na linguagem dele, tá, gente? Eu vou respeitar a linguagem dele. Ele disse assim, eu peguei meu filho no berço, olhei pra ele, falei assim, oh, meu Deus, que alegria, eu queria tanto ser pai, eu queria tanto ser pai, nossa, que alegria, que alegria, que alegria. Aí, ele disse assim, aí o Espírito Santo me revelou, o Espírito Santo, na linguagem dele, tá, gente? Meu amigo evangélico, ele disse assim, o Espírito Santo me revelou, o Espírito Santo me fez uma pergunta, meu filho, quantos filhos você pode ter?

Aí, eu conversei com o Espírito Santo e respondi, três, dois ou três, e aí o Espírito Santo me respondeu, eu posso ter todos. Então, Júlio, você pode ter dois, Deus pode ter todos, todos, todos que ele quiser. Ele pode ter quantos filhos ele quiser, Júlio, mas depois que ele tem, é filho, meu amigo, é filho. Então, vamos parar de dar pitaco nas conversas de um filho de Deus com o pai dele? E falou tudo, Haroldo, que medo quando um filho, ele não reclama, né, ele não fala contigo as dores que ele tá, o que ele tá passando, pra uma mãe, isso é a morte, né, você já lê que pergunta, tá tudo bem, mas tá tudo bem mesmo, mas me conta, até ele vir e te falar realmente, porque a gente sabe que todo mundo tá passando por atribulações.

Agora, imagina seu filho chegar e falar assim, não, mamãe, de agora em diante, eu não vou compartilhar nenhuma dor minha com você, porque é desrespeito, mamãe. Você vai ficar feliz com isso? Eu vou apertar até me contar, né. Fazer doer até, não sei. E a gente, então, gente, tá cheio de passagem no Evangelho, cheio de passagem. Olha o que Jesus diz, ele conta a parábola que o passou de ovelha e deixou 99 que estavam no caminho reto pra ir buscar a única ovelha que desviou. Foi Jesus que falou isso. Depois ele contou a parábola do colar.

O que é um colar se tiver faltando uma perna? Uma drachma, né? Uma drachma, que as colares eram feitas com moedinhas, né? Depois ele conta a parábola do filho pródigo. Então, de onde nós tiramos isso? Não foi de Jesus. Não foi de Jesus. Porque, enquanto ele esteve conosco, o nome que ele dava pra ele, o nome que Jesus dava pra ele era Consolador. Por isso que ele diz assim, e eu vos enviarei um outro Consolador. Um outro. Porque eu não vou deixar vocês um segundo sequer sem um Consolador. Eu acho que ficou claro, né?

Nós vamos ter tempo de estudar isso, muito bom. Acho que as pessoas precisam se sentir inibidas também de falar com a gente, de questionar, de dizer. Até mesmo quando entenderem que nós estamos falando alguma coisa que não é contra a doutrina, tem que falar mesmo. E a gente vai elaborar, porque isso é o ponto, Aroto, que mostra pra gente a nossa dificuldade. A gente vai descobrir por que Salmos está chegando na nossa vida, é fazendo o estudo. E nós já descobrimos que nós temos aqui um ponto, como diz a Sheila lá, pontos mortos, né, Aroto?

Nós temos aqui um ponto morto. Um ponto que precisa ser ativado pra que nós compreendamos mais sobre a nossa relação com Deus, mais sobre nós mesmos, porque realmente a gente às vezes passa a vida reclamando de Deus. E nós estamos falando aqui de reclamar com Ele, né? Mas é muito bonito. Não temos respostas definitivas e vamos aprender juntos. Eu acho que talvez, por que, Júlio? Porque a relação com Deus é construída, sabe, Júlio? Da mesma maneira que a relação com a nossa mãe, com o nosso pai. Então, quando você era um bebezinho, você mordia o seio da sua mãe.

Eu espero que hoje você não faça isso. Eu espero que hoje a relação com a mãe esteja um pouquinho mais madura. Então, a nossa relação com Deus é construída. Eu acho que pode até ser, Júlio, que no início, quando você está construindo essa relação, porque ela não é intelectual, ela não é intelectual, ela é afetiva. Nos primeiros momentos, quando você está construindo essa relação com Deus, pode até ser que você comece reclamando, sabe, Júlio? Que você comece revoltado, igual uma criança fazendo pirraça. Mas, eu encorajaria essa pessoa a não perder a relação com Deus, porque ela vai amadurecer, sabe, Júlio?

Depois que ela estiver amadurecida na relação dela com Deus, os lamentos dela vão se tornar mais profundos. Os lamentos vão se tornar abertura de alma. Os lamentos vão se tornar eu colocar o meu coração à mostra. Eu dizer para Deus realmente o que eu estou sentindo. Porque me parece, sabe, Júlio, quando eu olho as minhas orações e as orações das pessoas que estão ao meu redor, me parece que são orações ainda muito verbais. Muito verbais. Pouco afetivas. Pouco afetivas. Temos mais perguntas. Temos perguntas lindas sobre a canção.

Que o mundo é uma música. Tem várias questões ainda. Mas agradecemos a todos que encaminharam as suas questões. Aqueles que ainda não conseguiram participar. A gente está ali ainda com o questionário. Fica aberto para próximas oportunidades. O pessoal perguntando se o estudo vai ser às 17h ou às 19h. Quando for live, a gente faz às 17h. E quando for os estudos gravados, a gente deixa às 19h porque o pessoal sai do trabalho e tem um tempinho para assistir. Porque é um horário melhor para as pessoas assistirem juntas.

Por isso a gente coloca inclusive como estreia, como lançamento, que as pessoas podem vir, assistir juntas. Até a gente vem. É isso, a gente agradecer. A gente também está gostando muito. Está sendo desafiador. Estamos estruturando para fazer um estudo muito bacana para vocês, por isso escolho inclusive fazer alguns episódios gravados. Que a gente pode editar, entregar para vocês um material bacana. Mas vamos juntos. Vamos aprender sobre esse texto. Nós vamos sair no final melhores do que entramos. Com certeza. Bom fim de semana, Júlia, Leonora, amigas e amigos.

E vamos para a música. Obrigada, gente. Até semana que vem. Não é este lugar Ao resto dos animais O teu lugar, irmão É o lar de nosso pai Foi ele que clamou A que viesse aqui A tua herança É sem fim Saiu Caíste pra poder Voltar Caíste pra saber Se levantar Agora vem a mim Comigo Regressar A casa É hora Também te espera Nosso irmão E de braços Abertos Nosso pai Virá correndo A ti E anunciará Meu filho A festa Começou Meu filho A festa Começou Agora vem a mim Comigo Regressar A casa É hora Também te espera Nosso irmão E de braços Abertos Nosso pai Virá correndo A ti E anunciará Meu filho A festa Começou Meu filho A festa Começou

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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