#001 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste primeiro episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias nos convida a mergulhar no Livro de Gênesis, a Gênese Mosaica, sob a ótica da Doutrina Espírita. O estudo, que retoma as atividades do Grupo Meimei em 2015, propõe uma jornada de aprofundamento e renovação íntima, explorando o Gênesis como alicerce de toda a Bíblia e como uma obra literária e poética de profunda inspiração espiritual.

O que é estudado neste episódio

  • Apresentação do estudo: Haroldo Dutra Dias introduz o Livro de Gênesis como o foco principal dos estudos de 2015, destacando sua importância como o primeiro livro do Pentateuco Mosaico e a base para toda a narrativa bíblica.
  • Mensagem inicial: Leitura de um trecho do livro “Educandário de Luz”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, capítulo 17, “Grupo em Crise”, que aborda a importância da união, do trabalho e da fé diante das dificuldades, citando João 15:7: “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito.”
  • Metodologia do estudo: São apresentadas as diretrizes para o desenvolvimento do trabalho, incluindo a bibliografia, o programa e as disciplinas necessárias para o melhor aproveitamento. A abordagem será à luz da Doutrina Espírita, com ênfase nas obras de Allan Kardec (especialmente “A Gênese” e a “Revista Espírita”) e de Francisco Cândido Xavier.
  • O Evangelho como bússola: É ressaltado que o Evangelho de Jesus é central para o estudo, funcionando como um “sol da imortalidade” que o Espiritismo reflete. A mensagem de Emmanuel em “Educandário de Luz” é citada para ilustrar que o Evangelho é a luz da vida e que as obras dos missionários humanos são como “telescópios” que aclaram sua grandeza.
  • Respeito ao patrimônio judaico: O Livro de Gênesis é reconhecido como um patrimônio cultural e espiritual do povo hebreu, que o guardou e estudou por mais de 3 mil anos. O estudo incluirá diversas obras da interpretação judaica e de mestres hebreus, além de comentários de outras escolas religiosas, como a católica e a protestante.
  • Gênesis como literatura poética: Um ponto crucial é a compreensão do Gênesis como uma obra literária e poética, e não como um tratado científico de cosmologia. É enfatizado que o propósito do livro é comunicar a existência de um único Deus Criador, que está presente e atua em sua criação.
  • Desconstrução de conceitos: O estudo propõe a desconstrução de interpretações brutais e literais do Gênesis, que levaram a conflitos históricos, como o caso de Galileu Galilei. A importância de reconhecer o caráter simbólico e poético do texto é destacada.
  • Recomendação de leitura: Para o próximo encontro, é sugerida a leitura do capítulo 5 do livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (especialmente as páginas 88, 89 e 90, que tratam da estrutura do Gênesis) e a leitura repetida do capítulo 1 do Livro de Gênesis, sem a preocupação de entender de imediato, mas de se familiarizar com o texto.

Reflexões

  • O estudo do Gênesis, sob a perspectiva espírita, não busca disputas teológicas, mas sim aprofundar a compreensão da mensagem divina, promovendo a renovação íntima e o crescimento espiritual.
  • A valorização do Gênesis como uma obra poética e religiosa, e não científica, permite uma leitura mais profunda e simbólica, revelando a experiência de fé dos camponeses e pastores que a conceberam.
  • A humildade e a paciência são essenciais para o aprendizado, reconhecendo a vasta tradição interpretativa do Gênesis e permitindo que o texto revele suas nuances e significados em um processo gradual e prazeroso.

Ler transcrição do episódio

Primavera de estrelas, nos quais concorrentas cortejaram as cruzeiras. Perdemos fogo e água, nas mãos, na estação da cria, de sol, sol e neve, concebeu vias e flores, sempre. O homem surgiu, vida, vida, multidão. O homem viveu, chegou, vida, regeu, vida, chegou. O homem viveu, regeu, alma, abençoeu, gerou vida, regeu a vida, de amor. Vamos ler uma mensagem, para a gente poder começar? Lei uma que caiu aqui, eu até separei. Quem gostaria de fazer a prece, todo mundo fugindo, você faz para a gente a prece? Eu vou ler, primeiro, do livro Educandário de Luz, autores diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 17, Grupo em Crise.

Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito. Jesus, Evangelho de João, capítulo 15, versículo 7. Habitualmente, quando as tarefas de uma equipe consagrada ao serviço do bem parecem devidamente estabilizadas, a crise explode. Desequilibra-se o clima das boas obras e a tempestade ruge. Desentendem-se, irmãos, na sombra da discórdia. Quando mais necessária se faz a luz da harmonia. Edificações que se figuravam consolidadas apresentam brechas arrasadoras. Todo o esquema das realizações em andamento se mostra superficialmente comprometido.

Afastam-se, companheiros, de posições importantes, deixando claros difíceis de preencher. Esses são os dias de exame em que a ventania da crítica esbraveja em torno de nós, experimentando-nos a segurança da construção. E esses são, igualmente, os dias para a serenidade maior. Diante deles, nada de irritação nem de desânimo. Reunirmos-nos mais estreitamente uns aos outros na fidelidade ao trabalho a fim de conjurar perigos maiores é o nosso dever. Urge consertar a máquina de ação como pudermos, dentro de todos os recursos lícitos, à maneira dos ferroviários que restauram a locomotiva descarrilhada e, depois de colocá-la em condições de serviços, nos trilhos justos, seguir para a frente.

Nem acusações, nem lamentos. Trabalhar com mais ardor, esquecendo o mal e lembrando o bem. Restabelecer a união e avançar adiante. Compreender que as horas para a fé não são aquelas do sol rutilando no firmamento azul, mas, precisamente, aquelas outras em que as nuvens despejam ameaças de algum lugar do céu. Todos encontramos dificuldades no caminho em que transitamos. Sempre que chamados a servir, é forçoso recordar que estamos carregando encargos que a Divina Providência nos confiou no bem de todos e, cuidando de satisfazer aos desígnios de Deus, sejam quais forem os riscos e tropeços com que estejamos defrontados, estejamos convencidos de que Deus cuidará de nós.

Emmanuel Capítulo 17 Confiante Senhor, na Tua promessa de que poderíamos nos reunir em Teu nome, o Senhor estaria conosco. Aqui nos colocamos humildemente para receber, ampliar os nossos conhecimentos acerca da Tua vida, do Teu exemplo e do Teu amor. Por isso, Te rogamos, O Mestre, que amplie nestes instantes os nossos horizontes de entendimento, o nosso discernimento e que venha a paz, para que possamos comunicar contigo de sentimentos e conselhos com uma sintonia maior do que a nossa. Te pedimos, portanto, Senhor, que fique conosco, mas que, sobretudo, possamos permanecer contigo em todos os momentos da nossa existência, hoje, agora e sempre.

Que Deus te abençoe. Boa noite para todos! Com muita alegria, nós reiniciamos o ano de 2015 com a nossa reunião de estudo no Grupo Meimei e com a presença de todos que estão acompanhando pela internet através do canal do Portal Ser no Youtube. E anunciamos com muita alegria que este ano o livro que nós vamos estudar é o livro de Moisés, o primeiro livro do Pentateuco Mosaico, que é o livro de Gênesis, a Gênese Mosaica. E hoje nós reservamos a noite e combinamos este encontro de corações para que a gente possa estabelecer algumas linhas do trabalho que vai ser desenvolvido ao longo do ano e estabelecer também alguns parâmetros que vão servir para o desenvolvimento do trabalho.

Bibliografia, programa, algumas disciplinas que todos nós precisamos adotar para seguir o estudo com o melhor aproveitamento possível e também o espírito do trabalho, o que está nos inspirando, a partir de que perspectiva nós vamos abordar o livro de Gênesis. Isso é muito importante ficar claro para todos. Este ano a gente espera contar com algumas novidades, algumas inovações no nosso estudo, com a maior participação de quem está aqui fisicamente presente, uma maior participação de quem está acompanhando pela internet.

Nós pretendemos abrir, ainda estamos estudando com o Tiago, com o Júlio, uma melhor forma de fazer isso, para que quem acompanha pela internet possa fazer perguntas e possa interagir com o grupo que está estudando o tema, evidentemente, desde que essa interação seja toda voltada para o estudo do livro, porque nós precisamos aproveitar com bastante cuidado o tempo, não podemos sair do tema nem do livro, do estudo. Mas a gente acredita que será uma experiência muito rica para todos nós porque o livro de Gênesis é o alicerce da Bíblia, é o primeiro livro e não há um livro sequer da Bíblia nem do Velho Testamento nem do Novo Testamento que não faça uma referência, pelo menos indireta ao livro de Gênesis de Moisés.

É um livro tão poderoso, com tantas imagens, com uma linguagem tão forte e com temas tão importantes que ele acaba inspirando todos os livros subsequentes. Basta lembrar, por exemplo, o Evangelho de João que começa usando a mesma frase de Gênesis, no princípio. E a partir dali vai fazendo o seu enredo, mas sempre dialogando com o livro de Gênesis como se fosse um contraponto, como se fosse um coro de vozes em que o Evangelho de João fosse, na verdade, um canto, uma resposta ao canto que está em Gênesis. Então, isso é importante ser ressaltado.

Como que a gente pretende desenvolver? Nessa reunião e na próxima reunião, a gente pretende trabalhar aspectos gerais do estudo em si. Depois da terceira reunião em diante, nós vamos entrar no livro na sequência dos capítulos, sem muita pressa, com tranquilidade, depois de vista a estrutura geral da obra, mergulhar nos capítulos e seguir mais ou menos a ordem dos capítulos porque o livro é bastante esquemático. Ele é quase que um programa mesmo de estudo e ele já está todo colocado numa ordem muito lógica, embora bastante poética também, que é uma obra de arte.

E a gente acha muito interessante seguir essa ordem da obra porque aí o estudo flui naturalmente, como se nós estivéssemos navegando nas águas de Gênesis. Chove muito aqui em BH, graças a Deus, e é uma recepção para o livro de Gênesis porque o livro de Gênesis começa com água e muita, muita água. Como que vai ser a nossa abordagem do livro de Gênesis? É importante já estabelecer isso. A luz da Doutrina Espírita. Esse é o primeiro ponto. Nós achamos bastante oportuno e sabemos que temos muitos companheiros católicos e evangélicos que estão acompanhando o estudo.

Sejam bem-vindos. Da nossa parte, de nenhum de nós aqui, há qualquer disposição em estabelecer disputas teológicas, não é o nosso propósito, disputar interpretações do livro de Gênesis, de jeito nenhum. Mas, a gente pretende trazer a visão espírita, aquela que está particularmente na obra do Codificador Kardec, que tratou em muitas das suas obras do tempo e também na obra subsidiária principal, em especial, a obra de Francisco Canto Xavier, que tem um compromisso muito próximo, muito particular com os temas bíblicos.

Então, nós já podemos dizer que a visão espírita do livro Gênesis vai ser buscada nas obras do Codificador, principalmente a Revista Espírita e a obra A Gênese, a quinta obra, a quinta obra da Codificação, que trata especificamente do livro Gênesis. É um estudo da Gênese Mosaica. Então, a todo momento, nós, necessariamente, temos que consultar essa obra de Kardec e outros textos de Kardec numa sequência cronológica, para que a gente possa estabelecer ali certos muitos segundos. Além disso, é importante também frisar que, para nós, o Evangelho de Jesus é central.

Então, citando assim uma frase bastante inédita, o Evangelho é o sol da imortalidade, que o Espiritismo reflete com sabedoria para a atualidade do mundo. O Júlio gosta bastante dessa frase, que a gente repete quase todo dia. Mas, o interessante é que no livro Educandário de Luz, psicografado por Chico Xavier, há uma mensagem do Emmanuel, chamada Evangelização, que ele diz assim, o Espírito do Evangelho de Cristo, porém, é sempre a luz da vida. O Evangelho, todavia, é como um sol de espiritualidade. Todas essas obras notáveis dos missionários humanos, na sua tarefa de interpretação, funcionam como telescópios aclarando-lhe a grandeza.

É importante frisar isso, e ele continua, é que a sua luz, a luz do Evangelho, se dirige à atmosfera interior da criatura, intensificando-se no clima da boa vontade e do amor, da sinceridade e da singeleza. Interessante. E, no final dessa mensagem, que é belíssima, o Emmanuel diz assim, resumindo, somos compelidos a concluir que em Espiritismo não basta crer. É preciso renovar-se, renovar-se. Não basta aprender as filosofias e as ciências do mundo, mas sentir e aplicar com o Cristo. Bonito, não é? Então, esse é um outro alicerce importante desse estudo de Gênesis, que, para nós, o Evangelho é um sol e nós gravitamos em torno desse sol.

Claro que reconhecemos que mais proximamente do coração de Jesus gravitam corações muitos mais experientes que os nossos. Corações que têm uma intimidade com o Cristo, que os tornam capazes de serem porta-vozes da vontade e do sentimento de Jesus com relação aos tutelados da Terra. E, em torno desses corações mais próximos do Cristo, gravitam outros, e assim sucessivamente, em círculos, como se fossem planetas em torno do Sol. Então, assim como há Mercúrio, que quase está junto ao Sol, há também Plutão. E nós consideramos como esses corações que estão mais distanciados da esfera imediata do Cristo, mas que nem por isso deixamos de sentir a sua presença, o seu magnetismo, a sua luz, o seu amor, o seu esclarecimento.

Portanto, quando nós nos referimos ao Evangelho, não estamos nos referindo a um conjunto de 27 livros. Isso, na verdade, é um testemunho de quem conviveu com ele, as pessoas que compartilharam da vida de Jesus, do seu cotidiano, se sentiram tão impactadas que o coração delas quase que gritou para que elas pudessem registrar. E, graças a Deus, registraram essas experiências. Mas, quando nos referimos ao Evangelho, nós estamos nos referindo a um coração vivo, ao coração do Cristo. E, portanto, os livros do Velho Testamento, os livros da Doutrina Espírita, os outros livros que nós vamos trabalhar aqui funcionam como telescópios.

São tentativas de nos aproximar, de visualizarmos, de compreendermos, de ampliarmos a nossa percepção desse Sol, que é o nosso centro. Então, o Evangelho de Jesus, os livros do Novo Testamento funcionam para nós, aqui no Estúdio de Gênesis, como uma bússola, como um foco, um atrator em torno do qual nós gravitamos. E, o objetivo disso é a nossa renovação. Então, é bom deixar isso bem claro, que o nosso Estúdio de Gênesis não é um exercício de esgrima intelectual. Nós não estamos aqui para disputar conceitos, muito menos para disputar interpretações.

Também não estamos aqui para exibir um conjunto de informações, porque isso está um pouco fora de moda. Hoje, a exibição de informação é feita com muito mais eficiência pelo Google. Basta a pessoa jogar lá, ela vai ter um conjunto de informações. Nosso objetivo aqui não é derramar inadvertidamente um conjunto de informações para impressionar, talvez, a pessoa que está assistindo, a pessoa que está acompanhando. A informação aqui é tratada com muita responsabilidade, porque a gente sabe que cada centímetro de informação absorvida representa um degrau de responsabilidade na nossa renovação íntima.

Então, esse é um ponto importantíssimo. Outra coisa que nós vamos buscar. O Livro de Gênesis é um patrimônio cultural do povo hebreu. Paulo de Tarso diz na Carta aos Hebreus, na Carta aos Romanos, numa pergunta muito interessante, ele pergunta assim, qual a vantagem, então, de ser hebreu? Porque ele estabelece todas as virtudes de quem não é hebreu e coloca todas as criaturas humanas no mesmo patamar de dificuldades, de lutas, de necessidades, de anseios, de desafios, de provações, de dores. E aí ele pergunta, qual a vantagem, então, do povo hebreu?

Qual a vantagem do judeu? E aí ele diz, muita, em muitos aspectos. A eles foram confiados os oráculos divinos. Então, nós não podemos nos esquecer que o Cristo, na qualidade de governador espiritual do orbe e a espiritualidade superior que o assessora, entenderam de confiar um patrimônio espiritual ao povo hebreu. E esse patrimônio espiritual está parcialmente registrado nos livros do Velho Testamento. E nós vamos aqui entrar em contato com, talvez, um dos principais livros do Velho Testamento, que é o livro de Gênesis.

Portanto, nós estamos tratando de um patrimônio espiritual e devemos tratá-lo com muito respeito. Respeito ao patrimônio e respeito a quem o guardou. Porque esse povo guardou esse patrimônio por mais de 3 mil anos com muita seriedade, com muita dedicação. Como quem guarda um tesouro, como quem protege uma pedra preciosa, uma cripta preciosa. O povo hebreu, ao longo de muitos e muitos e muitos séculos, interpretaram, se debruçaram, estudaram, escreveram, refletiram sobre o livro de Gênesis. Então, nós não consideramos prudente desprezar esse patrimônio intelectual.

Traremos aqui, ao longo do estudo de Gênesis, várias obras da interpretação judaica, várias obras de mestres e sábios do povo hebreu, que deixaram registrados as suas experiências, as suas intuições, as suas vivências, suas concepções, um modo muito particular, sofisticado, artesanal, artístico de interpretar o livro de Gênesis e uma hermenêutica, eu diria, insuperável. Insuperável. Tão insuperável que Jesus chega a afirmar. Os fariseus estão sentados na cadeira de Moisés. Ouvi tudo o que eles disseram, mas não faço o que eles fazem.

Então, o próprio Cristo estava chamando atenção para o patrimônio que eles tinham. Eles podiam não ser tão felizes no ato de aplicar, no ato de colocar em prática, de viver, mas eram extremamente felizes na atividade de ensinar, de estudar, de interpretar, de extrair o espírito da letra e muito da nossa tradição, sobretudo da tradição de Belo Horizonte, partir do grupo emano, tendo como figura central, em torno da qual gravitam vários outros corações, que é o honório, muito dessa maneira de estudar é fruto dessa experiência do povo hebreu, desse patrimônio espiritual que eles deixaram.

Então, nós vamos trazer muitas obras de muitos comentadores e, com isso, eu acredito que será uma grande experiência, porque, quando a gente deixa que eles falem, o texto ganha vida, ganha ângulos, aspectos, nuances que a gente lia e não tinha, não tinha. Aspectos que a gente passava desapercebido ganham um brilho enorme. Então, é doutrina espírita, evangelho, tradição judaica. Além de outros comentaristas, porque, também em outras escolas religiosas, especialmente na escola católica, na escola protestante, nós temos gigantes, gigantes, grandes intelectuais, grandes teólogos, padres, freiras, estudiosos, pessoas que deixaram uma produção literária, uma produção de comentários sobre o livro Gênesis magnífica.

A ideia é que a gente não precisa reinventar a roda e nós não podemos ser ingênuos. O livro Gênesis foi escrito há mais de 3 mil anos e, há mais de 3 mil anos, ele é estudado e comentado. Portanto, eu diria que nós não podemos entrar nessa conversa achando que a conversa começou agora. Há 3 mil anos, as pessoas estão conversando sobre esse livro. Então, é bom, se a gente deseja fazer parte da conversa, se a gente deseja falar alguma coisa que seja aproveitável, é bom escutar a conversa anterior. Em que ponto que a conversa está hoje?

Porque, às vezes, nós trazemos questões, é natural isso, não há nenhum problema, não é natural. Quem está chegando na conversa agora tem que se atualizar. E é natural que quem chega, chegue ansioso, cheio de perguntas, cheio de dúvidas, cheio, cheio de indagações. Mas, isso pode ser um risco, porque muitas indagações na cabeça, às vezes, não deixam espaço para as respostas. Então, é preciso esvaziar o copo. Muita criatura chega cheia de dúvidas e, às vezes, tem uma coisa curiosa, porque são dúvidas certezas. A pessoa tem tanta dúvida que a dúvida dela é quase que uma certeza.

É aquela dúvida tão convincente que ela acha que não existe resposta para aquela pergunta. Na verdade, é preciso tomar cuidado com isso. A gente vai perceber que algumas dúvidas são bem primárias. É importante entender isso. Não desmerecendo ninguém, nem o caminho de ninguém. Tudo é uma jornada. Tudo é uma jornada. Ninguém chega à universidade sem passar pelo jardim da infância. É natural, muito natural. E, nenhum pedagogo, nenhum professor em sã consciência vai menosprezar a experiência de quem está no jardim da infância.

Vai diminuir a aula da infância, vai diminuir as técnicas pedagógicas, vai diminuir o material didático elaborado, porque ele sabe que aquilo é caminho. E, para quem está naquele piso, aquilo é o máximo que ele pode absorver naquele momento. Ninguém vai ensinar um conteúdo de universidade para uma criança. Isso é fato. Mas, também, a criança que está estudando não pode alimentar a ilusão de que está na universidade. Então, esse é um delírio, também, que nós temos que tomar cuidado, precisa ser corrigido. Reconhecer que existe um patrimônio interpretativo, que existe uma tradição de estudo de interpretação desse livro.

E, nós temos que ter a humildade de recorrer a ele, minimizando as nossas dúvidas, colocando as nossas dúvidas no seu devido lugar e tendo a paciência, porque a grande alegria disso não é chegar na resposta, mas é o processo das perguntas, que eu, particularmente, acho muito interessante. A coisa mais gostosa, mais saborosa, é você ter uma dúvida sobre o livro de Gênesis ou sobre qualquer livro da Bíblia e tirar essa dúvida. É uma alegria tão grande que não importa se a sua dúvida é inicial ou se ela é uma dúvida já avançada, isso não importa, a alegria é a mesma.

Para quem aprende 2 mais 2 é igual a 4, é a mesma alegria de quem está aprendendo uma equação dificílima, é a mesma alegria. E, a gente não quer que ninguém, você está aí, se você estiver se sentindo, puxa, mas eu não sei nada, esse livro é tão difícil. Então, vem aproveitar, vem viver essa alegria com a gente, a alegria de aprender, a alegria de mergulhar no livro, a alegria de tirar suas dúvidas e despreocupe-se, não fique se comparando a ninguém, imaginando que você está em um nível e o outro está em outro, que isso não importa, o que importa é o nível que você está e importa o prazer que você extrai da experiência que nós vamos viver estudando o livro Gênesis.

Alguém quer falar alguma coisa? Engatei uma quinta aqui, não parei. Zé, não quer falar nada? Nada? Nada? Nada? Bom, aí nós tínhamos que fazer alguns combinados. A gente precisa do texto. Eu lembro que nós participamos de um evento com o Enéas, o pastor Enéas, que aliás se casa agora, domingo, um abraço pro Enéas, pra cá, eles estão se casando, felicidade pra eles, muita alegria, muita paz. E ele estava dizendo assim, que toda vez que começa um estudo, ele pergunta pra mim, cadê sua Bíblia? Cadê sua Bíblia? Aí a pessoa fala assim, está aqui no meu coração.

Aí ele fala, então abre aí no capítulo 1 de Gênesis pra mim. Empresta aí pra eu ler. Então, seria muito bom, seria aconselhado, não é nenhum pré-requisito, ninguém vai ser impedido de participar, mas seria bom que todos nós tivéssemos pelo menos uma Bíbliazinha, trouxéssemos ela pro estudo, porque nós vamos seguir o texto. Ah, sim, sim, sim. E aí a gente vai dar algumas indicações aqui das traduções, traduções no plural, plural é mais de um, de traduções que nós vamos utilizar no livro, no estudo do livro, que as pessoas podem, se puderem, se tiverem um recurso financeiro pra isso, adquirir todas elas, se não tiverem, concentra em uma e está ótimo, porque nós vamos ler várias aqui.

Nós vamos trabalhar especialmente, especialmente, com três traduções. João Ferreira de Almeida, Revista Incorrigida, porque a revista se atualizada, ela, ela tenta facilitar muito, e ao facilitar demais, às vezes, perde perfume, perde a profundidade do texto. Então, João Ferreira de Almeida, Revista Incorrigida. Bíblia de Jerusalém, é uma grande Bíblia, uma tradução conservadora, moderada, elegante, afinal de contas é um projeto francês, os franceses são muito elegantes, são muito polidos, são muito cuidadosos com a forma, embora às vezes ela, ela deixe de observar certos elementos muito importantes, ela ainda é uma tradução respeitabilíssima.

E ela foi feita a partir dos estudos judaicos que floresceram a partir da década de 50, depois da descoberta dos manuscritos do Mar Morto. A Bíblia de Jerusalém representa um esforço da comunidade bíblica de absorver a tradição judaica depois da descoberta dos manuscritos, porque a descoberta dos manuscritos do Mar Morto trouxe à tona toda a riqueza da tradição judaica, que nós já comentamos aqui. E então, as inteligências do catolicismo, em parceria com as inteligências do protestantismo, resolveram adotar um projeto de tradução que refletisse essas características.

A Bíblia de Jerusalém é o resultado desse trabalho gigantesco, hercúleo, um belíssimo trabalho. A maioria das pessoas que se envolveram nesse projeto de tradução são grandes intelectuais e hoje todas já estão no mundo espiritual. Quem sabe a gente tenha até a honra de receber a visita de algum deles no nosso estudo. Se vierem, são muito bem-vindos, que nos ajudem. A outra tradução é a Bíblia do Peregrino. Bom, a Bíblia do Peregrino não é muito aquela tradução de uma qualidade como a Bíblia de Jerusalém. Ela não tem aquela elegância, aquele refinamento, ela não tem aquele primor que a Bíblia de Jerusalém tem, mas ela tem algo que é insuperável.

São as notas de rodapé. As notas da Bíblia do Peregrino, do Alonso Schechel, que é um espanhol, então no original ela foi escrita em espanhol, mas tem uma tradução pela editora Paulo, belíssima, uma tradução por português, muito bem feita. As notas de pé de página dessa tradução são algo indescritível. O Alonso Schechel é um gigante. Escrevia com muita propriedade, traz interpretações, traz conexões, porque aqui nós vamos ver isso, a gente vai ler sempre fazendo conexões com o restante dos livros da Bíblia, sobretudo do Novo Testamento.

A todo momento a gente vai fazer essa ponte e aí tudo vai ficar mais claro, né, a gente espera pra nós, tudo começa a ficar mais claro e ele é um grande articulador, ele consegue fazer conexões insuspeitas. Você fala, meu Deus, onde que ele tirou isso? Como é que ele conseguiu chegar a isso? Então, João Ferreira de Almeida, Revista Corrigida, Bíblia de Jerusalém e Bíblia do Peregrino. Mas nós temos uma surpresa. Temos uma surpresa. Na próxima reunião já vamos usufruir sonoramente. Então, prepare os seus ouvidos, porque nós vamos ouvir o texto original hebraico narrado por um locutor de Jerusalém, um genuíno judeu, locutor daquele de rádio mesmo, com a voz bonita, lendo o livro em hebraico.

Nós vamos trazer o texto em hebraico a Todo momento, antes de ler a tradução, nós vamos trabalhar no texto em hebraico para mostrar a dificuldade que é traduzir e o quanto nós temos que ser prudentes e misericordiosos com os tradutores. Porque em alguns pontos a gente vai checar isso aqui ao vivo. A tradução vai para outro planeta. Para outro planeta. E por que nós estamos querendo trazer isso? Para que as pessoas não tenham a fé cega no texto traduzido. Isso é muito comum. As pessoas abrem o texto traduzido e tem uma fé cega.

Elas acham que Moisés escreveu em português. Seria tão bom. Seria muito bom. Mas, infelizmente, não havia língua portuguesa quando Moisés estava encarnado. Aliás, eu não tenho uma boa notícia. Não havia nem Portugal. Infelizmente, infelizmente, a Bíblia, o Velho Testamento, o Velho Testamento foi escrito em hebraico com alguns trechos em aramaico e o livro de Gênesis está em hebraico. É assim. E a gente precisa ter o contato com isso. E eu vou trazer também o texto cantado. Cantado. E aí talvez isso seja a grande surpresa do estudo de Gênesis que nós vamos fazer.

Porque o livro de Gênesis, o Pentateuco Mosaico, especialmente o livro de Gênesis, ele foi escrito para ser cantado. Cantado. Inclusive, as edições em hebraico possuem mais de 250 50 sinais que indicam acentos para quem vai cantar. Está tudo marcado. É como se fosse uma partitura para que o livro fosse cantado. Com sinais. Quando que a voz começa baixa, ela aumenta, diminui, aí aumenta de novo, aí atinge um… Tudo isso está indicado. Portanto, a experiência que um hebreu tinha, sobretudo os apóstolos de Jesus, as pessoas que viviam na época de Jesus, Jesus quando entrava na sinagoga em Cafarnaum, com os seus apóstolos, com os seus discípulos, eles ouviam esse texto cantado.

Então, a experiência que eles têm é a mesma que nós temos quando ouvimos Vanessa e Tim e as letras do Glásio. Então, imaginem daqui 500 anos as pessoas fazendo um estudo das letras do Glásio, lendo como se fosse um texto, mas sem a voz da Vanessa e sem o violão do Tim, e sem o acompanhamento vocal do Tim. Eu não sei quanto a vocês, mas eu acho que perde muito do brilho, né? Não é porque a Vanessa está aqui, não, não é porque está jogando flores nela, não, mas eu acho que perde muito. Porque quando você ouve a melodia, quando você vê o canto, você percebe que o texto é poético.

O texto foi feito para ser arte. E esse é o próximo ponto que a gente gostaria de abordar. O livro Gênesis é literatura. Esse livro é literatura. E mais, literatura poética. E nós precisamos remover com muito carinho, com muito carinho, a ideia de que o livro de Gênesis é um tratado de cosmologia. Então, particularmente, se você está buscando um tratado de cosmologia, digita aí no Google Michio Kaku. Michio Kaku. Digita física quântica cosmologia. Discovery cosmologia. Aí você vai ver astrônomos, cosmólogos, grandes cientistas, dando aulas em programas espetaculares que nós vamos trabalhar no seminário Litro Musical Pensamento e Vida, que vai ser feito ano que vem.

E no Encontro do Ser, que vai ser feito em novembro, que é um aquecimento, uma prévia do Litro Musical. Nós vamos trabalhar com esses cosmólogos. Mas o livro de Gênesis não é um livro escrito por físico. Não é um livro escrito por cosmólogo. Isso é importante dizer. Já, inicialmente, nós recomendamos um filme pra que a gente comece a entrar no espírito do livro. O filme é o do Ridley Scott. Êxodo. Abstrações feitas da interpretação hollywoodiana do livro de Êxodo. Hollywood é Hollywood. Eu chamaria especial atenção para o trecho em que Moisés está na sua aldeia com a sua esposa, com o seu filho, eles estão ali vivendo.

Ali eles plantam alguma coisinha, tem o rebanho, porque eles são pastores camponeses, agricultores. Esse é um livro de Camponeses poetas, não de cientistas. Nós não estamos desmerecendo cientistas, pelo amor de Deus. Nós temos, se tem algo que nós temos, é um profundo respeito pela ciência. Na verdade, é mais do que respeito, é amor. Temos um profundo respeito pela filosofia, mas isso aqui não é ciência e nem filosofia. Isso aqui é religião, é religiosidade no mais alto nível. É fé. É fé. Mas não é uma fé como a de hoje, uma fé proselitista, que apenas quer encher templos.

Não. Isso aqui é uma fé de agricultor, de pastor, de ovelha, de camponês, que quer ter uma experiência com Deus, que teve uma experiência com Deus. E a experiência foi tão forte que ele quis comunicar. E como era uma experiência tão íntima, tão subjetiva, tão rica de emoções, só podia ser manifestado através da poesia. Então, esse é um ponto para nós fundamental, fundamental para entender do livro de Gênesis. Qual o caráter do livro. Então, a gente acredita que o livro de Gênesis, se eu pudesse separar só o livro de Gênesis, fazer uma edição só do livro de Gênesis, eu colocaria, assim, o livro de Gênesis, Ariano Suassuna, com o alto da compadecida, para dizer ou o problema é difícil de acabar, ou a promessa é difícil de cumprir.

Problema que não tem fim, ou a promessa é difícil de cumprir. Porque é poético. Colocaria Shakespeare, colocaria Drummond, para que as pessoas tivessem uma percepção de que isso é literatura. Isso é literatura. É literatura. Na sua mais alta expressão religiosa e espiritual. Por que a gente está enfrisando muito isso? Porque o livro de Gênesis, ele foi violentado, ele foi agredido por olhares embrutecidos. Eu lembro de uma poesia da Adélia Prado, que ela diz assim, mais ou menos assim, uma citação livre, depois eu trago o texto mesmo.

É uma poesia prece. Então, tem um momento da poesia que ela pede a Deus para suavizar as brutalidades e violências da sua fé. Porque a nossa fé, ela pode ser bruta, violenta, desajeitada. Ela quer fazer um carinho, mas como um leãozinho que quer brincar e que não sabe que já tem garra, então ele pula e te morde. Brincar com um filhote de leão é uma brincadeira assim que tem que tomar cuidado. Porque ele morde achando que está brincando e, de repente, ele arranca a sua mão. Não tem noção das mandíbulas. Ele está brincando.

Se ele tivesse mordendo, você não estava vivo. Ele está brincando. Mas, aqui também. Gênesis foi submetido a um processo de interpretação de leitura brutal. Brutal. Eu vou dar um exemplo. Só um. Quando Galileu Galilei começou a dizer, com base na observação de Copérnico e de outros, que, de fato, nas suas observações, a Terra girava em torno do Sol, a Igreja mandou uma intimação para Galileu para ele se explicar. Como é que você explica isso? Olha, tem companheiros que já fizeram os cálculos matemáticos, observaram a órbita, estão chegando à conclusão de que é a Terra que gira em torno do Sol.

E eu estou com os telescópios aqui, já fiz umas observações, estou confirmando isso. Sabe o que disseram para ele? Mas, isso está contrário ao livro de Gênesis. Então, é o seguinte, não perca a sua cabeça. Você está delirando, se você não retificar o que você está dizendo, nós vamos perder a sua cabeça para você. Basicamente era isso. Então, Galileu, querendo dar continuidade aos seus estudos e não pretendendo morrer ali, naquele momento, ao contrário, por exemplo, de Giordano Bruno, que falou, então me mata, então me mata.

Mas, aí, no caso de Giordano Bruno, já era um visionário, porque ele já estava imaginando, inclusive, outros sóis, cada qual com seus planetas e seres vivendo nesses planetas. Aí, realmente exagerou um pouquinho. E ele foi queimado vivo. Mas, Galileu queria continuar pesquisando e disse, não, então não gira, então não gira, vai que eu estou errado. E, dizem, quando acabou o julgamento, ele virou e disse assim, mas que gira, gira. Que gira, gira. Mas, e o curioso disso tudo, embora pareça engraçado agora, né, porque não é a gente que está no Tribunal sendo inquirido, Tribunal da Inquisição, não é a nossa cabeça que está a prêmio, o curioso é que eles tiraram conclusões sobre a rotação, sobre o movimento de rotação da Terra, com base no livro Gênesis.

Mas, como? Como que tiraram conclusões astronômicas de um livro poético, literário, cujo propósito é dizer para as pessoas que tudo que existe foi criado por um único Deus? Esse é o propósito do livro. É dizer que há um só Deus. Mais do que isso, esse Deus é Deus criador. Tudo foi criado por um, por um ser. Essa é a mensagem central. E esse Criador está presente na sua criação, dirige a sua criação, acompanha a sua criação e, pasmem, interfere e muito. E muito. Interfere, atua, age. É isso. A mensagem central do livro é essa.

Porque no imaginário dos povos existiam muitos Deuses. O abismo era um Deus, o trovão era um Deus, vários Deuses. Cada Deus criou alguma coisa. Então, essa ideia de que tem um Deus só, de que Ele criou tudo era o supra-sumo da inovação. Isso era uma coisa, assim, quase que inconcebível. Porque que era inconcebível? Porque, no fundo, o que o livro de Gênesis estava dizendo é todo mundo está errado. Mas isso é duro de dizer. Porque todas as civilizações da Terra tinham seus templos, seus altares, um conjunto de sacerdotes que viviam dos sacerdotes, um conjunto de rituais e um sistema educacional que era coordenado pelos sacerdotes.

Então, quando você vai chegar para um egípcio e dizer assim, olha, nós temos um novo livro aqui agora, escrito numa outra língua, não está em hieroglifo, não. Está em hebraico. Hebraico é a língua, a língua dos escravos. Língua de quem? Língua de escravo? Vocês escreveram um livro na língua dos escravos? E o que esse livro está dizendo? Olha, a notícia não é boa, não. A notícia não é boa. A notícia não é boa. Mas o que que está dizendo? Bom, ele está dizendo que algumas pirâmides, assim, não tem muito sentido porque são templos erguidos a deuses que não existem.

Então, você está querendo que a gente tire as pirâmides e pare de adorar os nossos deuses. É, a proposta é essa. E o que que a gente faz com os sacerdotes? Bom, tem muitas ovelhas, né, tem muito campo pra plantar, serviço não falta, né. Agora, o sacerdote de Deus que não existe não faz muito sentido, né. Então, nós temos que enxergar as coisas dessa perspectiva realista. É óbvio que isso gerou conflito. Quem vai lá assistir o filme Exo, do Ridley Scott, e aí a gente vai ver o quanto de amor existia, o quanto de união, o quanto de interlaçamento e também o quanto de cisão, né.

Então, no livro de Gênesis, quando Deus diz assim pra Abraão, Abraão, sai da tua parentela e da tua família, sai de todo mundo e vai pra um lugar que eu vou te mostrar. Não é brincadeira, né. É você sair de todas as suas raízes pra construir algo totalmente novo. E, Como é um problema que não tem fim, uma promessa difícil de cumprir, esse Deus não tem forma. Ele não é material. Você não consegue tocá-lo e ele não mora e nem necessita de templos. Dá pra entender o tamanho do desafio? Porque não é um desafio que você vai pra universidade Harvard e coloca um conjunto de doutores, mestres, intelectuais e propõe um desafio.

Esse foi um desafio proposto pra pastores e camponeses. Homens e mulheres comuns estavam ali comendo suas tâmaras, seus figos secos, tomando seu leitinho de cabra, comendo um queijinho de cabra, um cordeiro ao molho de hortelã, vivendo uma vida muito, muito, muito concreta, muito concreta, muito material. Então, quando você abre o livro e percebe a força poética do livro, a intensidade, a riqueza no uso das palavras, a sonoridade das palavras, a cadência rítmica das frases, quando você vê esse canto, não pode ser obra humana.

De fato, é preciso reconhecer. Eu acredito que, ao longo dos nossos estudos, cada vez mais nós vamos nos curvando a isso e vamos reconhecendo que esse livro, ele foi inspirado. Assim como acontece conosco quando a gente abre a obra Paulo Estevão, psicografada por Chico Xavier, e você tem a absoluta certeza de que isso não é algo da Terra, não é algo humano e que isso veio lá de cima, mas muito lá de cima, muito lá de cima mesmo e veio como uma obra que merecia o Nobel da literatura. Com Gênesis é assim, é assim também.

Então, a gente vai precisar desconstruir uma série de conceitos. E a minha preocupação não é nem tanto com os conceitos. A minha preocupação é se alguém que estava encarnado lá no tribunal que condenou o garileu está hoje assistindo o estudo. Essa pessoa vai ter muita dificuldade por conta dos atavismos religiosos. Então, as fixações mentais dessa criatura nessas interpretações arraigadas é tão forte que talvez em alguns pontos aqui machuque, embora não seja nossa intenção de modo nenhum. Então, é preciso ter coragem para entrar nessa aventura porque a nossa mentalidade vai ser renovada e, ao final, nós mesmos vamos sair renovados dessa experiência.

Essa é a proposta. Eu vou dar alguns exemplos, só, sem entrar, porque nós temos que abordar no próximo estudo a estrutura geral da obra. Por que estrutura geral? Nós vamos deixar isso para o próximo episódio. Porque se eu tenho um jardim, digamos que eu tenho um jardim do tamanho do bairro Savasse, em Belo Horizonte, do tamanho de um grande bairro ou do tamanho de uma pequena cidade, um grande jardim, com 3 mil modalidades de flores, se você não olhar o jardim por cima, se você não entender primeiro a estrutura geral do jardim, os tipos de flores que tem, pode ser que você entre no jardim e fique preso no setor das orquídeas ou No setor das margaridas.

E aí você pensa que esse jardim só tem margarida, mas não. Ele tem bromélias, camélias, orquídeas, etc. Botões de rosa, cravo, ele tem um conjunto. Então, a gente precisa ter a visão do conjunto, do conjunto da obra. E para isso, para o próximo estudo nosso, eu já, aproveitando para fazer um comercial do nosso livro, do ser, o celeiro de redenção, que contou com a participação da Ayla Pinheiros, José Otávio Aguiar, Gisela Amorim, Alexandre Caroli, João Romário Filho, Gladston Lage, Aloysio Elias e eu. Um livro que aborda o Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, com capítulos riquíssimos, interessantíssimos, mas eu queria recomendar para o nosso próximo encontro o capítulo que eu fiquei com responsabilidade, que é o capítulo intitulado A Árvore do Evangelho.

Capítulo 5. Assim, eu recomendo escolher um momento bem tranquilo, colocar um chinelo, fazer uma pipoca de microondas, uma prece, tomar uma água frutificada e um passe, porque o capítulo é denso, então tem que ter calma. Mas a parte que a gente mais gostaria que fosse lida, são duas só, três. 88, 89 e 90, que é a parte que vai tratar da estrutura do livro Gênesis de Moisés. Então, seria bom, com a tradução na mão e com o livro, acompanhar e marcar, se você quiser colocar aqueles marcadores coloridos nas partes, né, verde, amarelo, azul, vermelho, branco, demarcar mesmo no seu livro quais são as partes, a estrutura do livro.

Isso vai ajudar muito, porque cada parte é uma obra de arte, é um artesanato e elas estão todas conectadas em uma teia. Então, forma realmente uma peça muito bonita e a gente precisa ver essa estrutura, olhar o jardim de cima, para que a gente possa aproveitar. Depois que a gente sobrevoar o jardim do Éden, nós vamos entrar no jardim do Éden. Nós vamos entrar e percorrer passo a passo cada capítulo, os seus versículos, escolhendo aí os elementos principais, porque não dá pra fazer um estudo detalhado de cada versículo, porque senão daqui a 30 anos nós estamos aqui com o estudo de Gênesis e a nossa ideia é fazer um espiral.

A gente foi no Levítico, vai em Gênesis, vai em Êxodo, vai em outros e depois a gente volta nesses livros de novo, mas volta mais enriquecido. A gente acredita que isso é melhor. Então, eu vou dar algum exemplo de que isso não é ciência. Nós não podemos examinar o livro de Gênesis como se fosse ciência. O livro começa descrevendo os momentos iniciais da criação dos elementos que estão aqui descritos. No princípio, Deus criou o céu, criou a terra, tem um abismo, tem um abismo, mas não fala quem criou o abismo. A gente subentende que a ideia central do livro é de que Deus criou tudo, mas não tem aqui a data que o abismo foi criado.

E havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Também não tem se as águas, quando elas foram criadas. Então, você tem dia, foram criadas em seis dias e Deus descansou no sétimo. Tem lá a ordem de tudo que foi criado em cada dia. Nós vamos trazer isso aqui certinho. O esquema, tudo bonitinho. Mas não tem o dia que a água foi criada. Nem o abismo. E o curioso, tem dois tipos de água. As águas de cima e as águas de baixo. De baixo que estão na terra. E as águas de cima. Mas não fala quando elas foram criadas.

O mais curioso é que fala em primeiro dia, segundo dia, terceiro dia, mas o sol só foi criado no quarto. Então, como é que você contou os três primeiros? Não tinha sol. Foi isso que chocou os religiosos. Como é que Galileu podia afirmar que a terra girava em torno do sol se o sol só foi criado no quarto dia? Então, esses símbolos profundos, sutis, essas sutilezas mostram que o texto não é um tratado de física, não é um tratado de cosmologia, não é um tratado de astronomia. É um livro literário falando sobre uma experiência com o Deus Criador.

É isso. Só pra gente ter uma amostra do que será. Então, a gente recomenda a leitura do capítulo 5 do livro e a leitura do capítulo 1 do livro de Gênesis. Não lida, mas leia, não preocupe em entender. Entender agora não é importante. O importante agora é ler. Ler. Ler e saber. O que é que está no primeiro dia? O que é que está no segundo dia? O que é que está no terceiro dia? Entender, não precisamos entender agora. Precisamos ter o texto de memória. Assim como você canta uma música em inglês, às vezes você canta, faz a pronúncia certa e não sabe nada do que ela está dizendo.

Ou às vezes você canta uma música em português mesmo e não sabe o que ela está dizendo. Não é? Tem músicas, por exemplo, do Chico Buarque que eu canto e eu confesso que eu não estou entendendo nada do que ele está falando. Podemos dar um exemplo aqui de uma música dificílima que chama Vitrines. É realmente um desafio uma poesia tão sofisticada que você fica confuso do que ele está falando mesmo. Confuso de uma mulher da cidade, de uma cidade, de uma mulher, dos dois. Não é? Então, isso é comum. Então, o mais importante pra gente aqui é cantar a música, sabê-la de cor.

Entender é um outro passo. Outro passo, porque o entendimento é gradativo. A gente vai ver isso aqui. É progressivo. A leitura não. A leitura pode ser agora. Se tiver erro, nós podemos ler agora. Sem medo, leia. Leia várias vezes. Tenha intimidade com o texto. Conheça. Pra gente não cometer o erro, por exemplo, de falar que o sol foi criado no quinto dia, quando, na verdade, ele foi no quarto. Não foi para o quarto, não. Foi criado no quarto dia. Saber essa ordem, ter uma noção do texto é importante pra gente. Isso é uma leitura que se faz, olha, o capítulo 1.

É difícil ler o livro Gênesis todo? Não estão querendo que leia todo. Leia um capítulo. Uma pessoa faz isso em três minutos. Nós temos, até o próximo encontro, sete dias. Então, dá pra ler sete vezes o capítulo 1 de Gênesis. E descansar no sétimo. Vamos ler seis vezes e descansar no sétimo. Exatamente. Boa sugestão. Pra já começar a acostumar com o esquema do livro. Alguém quer falar alguma coisa? Fazer algum comentário? Acrescentar algo? Fazer alguma pergunta? Tem algum internauta aí se manifestando, Tiago? Por enquanto, não.

Uma forma de interagir, né? Ninguém? Tá todo mundo tão calado, né? Os caras não estão entendendo as perguntas. Vaziou demais. Não sobrou nenhuma. Vamos. Quem se sente, assim, com vontade de fazer a prece? Você faz, Cláudia. Cláudia abriu e vai fazer a prece pra gente. Te agradecemos, Mestre querido, por mais estes momentos em que tivemos a oportunidade de estarmos juntos novamente, buscando, Senhor, estudar mais um pouco desta lei que é a lei de Deus. Que possamos nos envolver ao máximo com a proposta, que estamos dedicados para juntos nos enriquecermos com estes ensinamentos, buscando aplicá-los no nosso dia a dia em favor da nossa transformação e do nosso crescimento.

Que possamos retornar aos nossos lares sob a cor proteção e voluntário. E estarmos aqui novamente reunidos na próxima semana. Fique conosco, Mestre, hoje, Senhor, neste ensino.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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