#022 – Estudo do Velho Testamento – Livro Salmos

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias e Eleonora Dutra Dias dão continuidade ao estudo do Livro dos Salmos, aprofundando-se no Salmo 7. O estudo é enriquecido pela participação da comunidade, que contribui com transcrições e materiais complementares.

O que é estudado neste episódio

  • Salmo 6 e Salmo 7: É feita uma conexão entre os Salmos 6 e 7, destacando que ambos abordam a justiça divina. Enquanto o Salmo 6 mostra Davi clamando pela misericórdia de Deus e reconhecendo suas imperfeições, o Salmo 7 apresenta Davi clamando pela atuação da justiça divina contra aqueles que o prejudicaram.
  • A Justiça Divina no Velho Testamento: Haroldo Dutra Dias explica que a lei de causa e efeito no Velho Testamento é apresentada de forma concreta, com uma linguagem que pode soar como um “Deus que vinga” ou “castiga”. No entanto, essa linguagem é uma representação da época para expressar a lei divina da providência, onde “tudo o que se semeia, se colhe”.
  • Leitura e Análise do Salmo 7: É realizada uma leitura do Salmo 7, versículo a versículo, com base no texto hebraico original. São destacados os seguintes pontos:
    • Clamor por Refúgio e Salvação: Davi busca refúgio em Deus e pede para ser salvo de seus perseguidores (Salmo 7:1-2).
    • Declaração de Inocência e Aceitação da Consequência: Davi declara sua inocência em relação às acusações e, caso tenha cometido iniquidade, aceita as consequências (Salmo 7:3-5).
    • Deus como Juiz Justo: Davi clama para que Deus se levante em sua indignação e julgue os povos com retidão, sondando a mente e o coração (Salmo 7:6-10).
    • Deus como Escudo e Juiz: É enfatizado que Deus é um escudo para os retos de coração, mas também um juiz que se “indigna” com o mal, levando à expiação e ao resgate (Salmo 7:10-12).
    • A Lei do Retorno: A linguagem de “espada”, “arco” e “setas inflamadas” é interpretada como símbolos da lei de causa e efeito, onde o mal semeado retorna ao semeador (Salmo 7:12-13).
    • “Dores de Parto da Iniquidade”: O versículo 14 é interpretado como a ideia de que quem “concebe o mal” terá as “dores de parto do mal”, ou seja, a expiação e o resgate.
    • A Fossa Cavada pelo Ímpio: O versículo 15 é analisado, mostrando que quem cava uma fossa para outros, cai nela.
    • A Moleira e a Reencarnação: O versículo 16, que fala sobre a malícia recaindo sobre a cabeça e a violência sobre a moleira, é interpretado como uma referência à reencarnação e à lei do retorno em vidas sucessivas.
    • Agradecimento à Justiça Divina: Davi encerra o salmo rendendo graças ao Senhor por sua justiça (Salmo 7:17).
  • Contexto Histórico e Espiritual do Salmo 7: É revelado que o Salmo 7 é um “Shigayon” (canto ou cantiga) de Davi, composto após ouvir as palavras de Cuxi, o benjamita, que anunciou a Davi a morte de Absalão. Essa conexão é profunda, pois Absalão era o filho de Davi que se tornou ímpio e o perseguiu. A experiência de Davi com seu filho ímpio é usada como uma analogia para a experiência de Deus com seus filhos, os seres humanos, que muitas vezes se afastam do bem.

Reflexões

  • A justiça divina, embora apresentada com linguagem concreta no Velho Testamento, reflete a lei de causa e efeito, onde cada ação gera uma consequência.
  • Todos os seres humanos são uma mistura de “sombra e luz”, necessitando tanto da proteção divina para o bem que germina quanto da correção para o mal que ainda se manifesta.
  • A expiação e o resgate são processos de purificação que ocorrem ao longo de milênios e múltiplas encarnações, visando a evolução do espírito até a pureza.

Ler transcrição do episódio

Olá, amigos! Bom dia, Haroldo! Bom dia a todos os amigos que estão conosco. Estamos gravando hoje, dia 15 de novembro, aproveitando esse feriadinho para retomar salmos, né? Que alegria estarmos juntos. Bom dia, Haroldo! Estamos voltando, né? E aproveitamos aí, mesmo sendo feriado, né? Queríamos desejar um bom dia para todo mundo, com um cafezinho, para a gente poder retomar. O nosso estudo dos salmos. E aí eu queria saber, Eleonora, me conta um pouquinho como é que está o grupo, as perguntas que estão surgindo, né?

Você sempre traz para a gente uma retrospectiva aí do acompanhamento dos salmos, né? Concluímos o salmo 6, né? Deixamos uma promessa aí para a gente estudar sobre a árvore da vida, então a gente já está preparando esse estudo, acreditamos que lá pelo fim do ano, né, que esse seja o nosso estudo final, de conclusão, e estamos, nós temos o nosso grupo, né, que sustenta o estudo de salmos, né, então o pessoal vibra, o pessoal faz oração, fazemos prece, né, e sustentamos o estudo dele, né, então a gente tem a Aldenice, que ela faz todas as transcrições, Então a gente tem um drive lá que todos os estudos, né?

Desde Êxodo, desde Isaías e agora os Salmos, transcritos um a um para quem depois quer estudar e quer pegar, né? E a Silvana, ela condensa as opiniões, os elementos que o pessoal traz, então também a gente tem um arquivo de materiais. Então, quem está acompanhando lá conosco, aproveite, né? Para também acessar esse material que complementa o estudo, né? Que o pessoal ajuda e complementa. Com certeza. Então, na última semana a gente estudou o Salmo 6, né? E hoje a gente vai começar devagarinho a leitura do Salmo 7. Exatamente.

E é essa riqueza de estudo posterior, essa participação que dá ao nosso estudo dos Salmos essa recepção de todos, né Eleonora? Porque se fosse uma coisa só… que a gente entregasse, mas que as pessoas não participassem, não estudassem também, não refletissem, não tivesse essa contrapartida e ficaria um estudo com menos riqueza, com menos aproveitamento para todos nós. E o que a gente sempre comenta, né, que o estudo, ele é um voo que nós fazemos, né, sempre a gente pode ir lá e retornar e colher novos ensinos, novos insights, né, novas percepções que às vezes, numa primeira vez ou leitura, a gente não tinha meio que prestado atenção, então a gente sempre faz esse voo, a gente muda o estudo, mas a gente sempre deixa aberto para retornar, né.

Nos estudos anteriores também. Exatamente. Bom, Leodoro, vamos então para o Salmo 7, porque ele faz um par com o Salmo 6. Enquanto no Salmo 6 nós temos Davi recorrendo à misericórdia de Deus e reconhecendo suas deficiências, reconhecendo que o que está acontecendo com ele é fruto das suas imperfeições… Agora, é o contrário. Esse salmo aqui é o salmo que deixa claro que Deus defende o justo contra o ímpio. Então, é bem interessante porque o tema central, tanto do salmo 6 quanto do salmo 7, é a justiça divina. Então, ora eu estou clamando pela justiça divina, porque sinto que a lei de justiça, amor e caridade deve atuar em mim e, ora, eu estou clamando porque a lei de justiça, amor e caridade terá que atuar em alguém que me prejudicou.

É muito importante a gente entender isso. Acontece que, no Velho Testamento, a lei de causa e efeito não é tratada de forma abstrata, como na Terceira Revelação. Então, com Kardec, nós temos o tratamento dessas leis num nível de abstração. Aqui, é num nível de concretude. Então, aqui, aparece o Deus que vinga, o Deus que impõe ao ímpio o castigo de tudo o que ele fez. Mas, essa linguagem é só uma linguagem da época, de 3 mil anos atrás, mas, para fazer referência a um elemento mais abstrato que é o da lei divina da inteligência suprema que rege o universo da providência divina que estabelece uma lei de consequência tudo o que a gente tudo o que a gente semeia nós vamos colher então é só para trazer isso porque a gente vai ler o salmo 7 aqui e aí vai dar esse estranhamento esse é um salmo tipo de estranhamento acho que seria legal vou fazer uma leitura vamos conhecer esse salmo então lembrando que eu estou fazendo uma leitura aqui eu não estou seguindo uma tradução específica porque eu estou com o texto do original aqui o O Velho Testamento interlinear.

Então, estou seguindo o texto hebraico, a tradução não fica tão boa, mas ela é mais fiel a realmente as palavras que estão lá no hebraico. Então, começa assim, Senhor, Deus meu, em ti me refugio, salva-me de todos os que me perseguem e livra-me, para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre. Olha a linguagem concreta, né? Ele quer falar de um esmagamento, aí ele usa a figura do leão com a presa. É dessa. Senhor meu Deus, se eu fiz o de que me culpam, se nas minhas mãos há iniquidade, se paguei com o mal a quem estava em paz comigo, eu que poupei aquele que sem razão me oprimia, Olha isso.

Sem razão, meu bem-vindo. Persiga o inimigo, a minha alma, e alcance-a. Espezinhe no chão a minha vida e arraste no pó a minha glória. Olha que versículo. Parece que é quase um texto da Doutrina Espírita sobre o resgate. Olha, não é? Sim. Se eu… Meti crimes, prejudiquei um amigo. Se eu fiz aquilo que me culpa, ou seja, eu vou receber o retorno. Olha isso. Levanta-te, Senhor, na tua indignação. Indignação, ira divina, é a lei de causa e efeito. Levanta-te, Senhor, na tua indignação. Mostra a tua grandeza contra a fúria dos meus adversários.

Para que não haja excesso, para a misericórdia atuar. Reúnam-se ao redor de ti os povos e por sobre eles remontam-te as alturas. O Senhor julga os povos, julga-me, Senhor, segundo a minha retidão e segundo a integridade que há em mim. Cesse a malícia dos ímpios, mas estabelece tu o justo, pois sondas a mente e o coração, Ó justo Senhor! Olha isso! Pois sondas a mente e o coração. É daqui que saem aquelas letras, Leandro, né? Senhor, eu sei que tu me sondas, né? É daqui, né? É as músicas. Parece que ele está num momento assim que ele sabe que ele está em julgamento, né?

Parece quase assim a transição. Eu sei que chegou em um momento limite, né? Tudo que eu fiz, né? Esse chegou em um momento ali. Então, leva em conta a melhora que eu tive. Eu sei que há iniquidade em mim, mas também já tem coisas boas, eu já mudei. Deus é o meu escudo. Ele salva os retos de coração. Olha, Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias. Essa é uma palavra maravilhosa, Leonor, porque, realmente, Deus se indigna. Quando nós caímos na impiedade, nós vamos ter que arcar com a indignação de Deus.

E, depois que Deus se indigna com o mal, o que vem depois? A expiação. O resgate. O resgate, mesmo que ele se dê nas bases da misericórdia divina, do amparo divino, porque o Criador não quer esmagar nenhuma das suas criaturas, mas ele se indigna. Porque, senão, fica uma sensação de que eu posso fazer qualquer coisa de que não tem lei no universo, de que Deus não está olhando para a injustiça, de que ele não está se indignando com a covardia, com a injustiça, né? Deus é justo juiz. Olha, Deus é justo juiz. Parece aqui, né?

Parece aqui, entre esse 11 e 12 que está para mim, um contraponto, né? Que Deus é um escudo e salva. Mas Deus também é um juiz e condena, né? Condena. Condena. Exatamente, Eleonora. Ou seja, Ele é justo. Justo. Ele é justo, porque quem mantém o bem no universo? Deus. Quem corrige o mal? Deus. Bonito isso, né? E aí fala, ó, se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada. Já armou o arco, tendo pronto. Para ele preparou já instrumentos de morte. Preparou suas setas inflamadas. É? Então, é uma imagem dura, de guerra, de flecha sendo enviada, mas isso significa o quê?

São as imagens concretas para a ideia abstrata de que existe uma lei no universo, tudo que você semeia, você colhe, né? Esse versículo é aquele que você falou que poderia causar alguma estranheza, né? Deus com espada, Deus com águas, com tíferas, né? Nossa, tá com uma flecha, tá? Flechas, todos símbolos, né? Porque também, Eleonora, o que aconteceu? Há uma interpretação exagerada no meio espírita? Ah, não, o Velho Testamento apresenta um Deus ímpio, um Deus vingativo, um Deus que castiga. E, aí, a sensação que dá é de que nós corremos o risco também de construir uma visão de Deus na terceira revelação de um Deus conivente com o mal, de um Deus que não se importa com a covardia, com a injustiça, com a violência, com a maldade.

Quer dizer, não tem problema. Pode ser malvado, pode abusar das pessoas. Não tem, não tem. Porque Deus é misericórdia, sabedoria. Tem a eternidade depois para resgatar. Então, nós temos que tomar cuidado. E aí, olha que versículo espetacular. Eis que o ímpio está com dores de iniquidade. Concebeu a malícia. Isso aqui é maravilhoso, Eleonora. Porque, olha, se você gestou o mal, você vai dar à luz ao mal. Então, conceber o mal e ter dores de parto do mal, o que são as dores de parto do mal? É o resgate, Eleonora. É a expiação.

A expiação são as dores de parto do mal. Nós concebemos a malícia, concebemos a injustiça, concebemos a maldade. Ficamos grávidos do mal e agora tem que dar à luz. Tem que sofrer as consequências. Mas leia de novo, Haroldo, essa tradução que… Eu estou na de Jerusalém e estou com a do Shulker aqui. E você leu uma coisa tão bonita que eu não encontrei… É o versículo 14. O 14, né? É o 14. É, é o 14. Não, desculpa, Leonor, desculpa. Aí no seu, é porque tem um probleminha aqui de versículo, né? Sabe o que acontece? As traduções, aqui tem uma variaçãozinha de versículo.

Eu acho que o aí está no 15. Vede, conceber um crime está preenche de maldade e dá luz a uma fraude. Isso. É assim. É assim. Ele gerando a iniquidade. Concebe a maldade e dá luz à mentira. Está grávida de iniquidade. Concebe injúria e gera falsidade. É isso que você falou. Você está plantando, concebendo e gerando o mal, ele vai dar luz. Vai dar luz. Continua aqui no 16. Abre… e aprofunda uma fossa, uma cova, e cai nesse poço que faz. Olha isso. A sua malícia lhe recai sobre a cabeça, e sobre a própria moleira desce a sua violência.

Olha a lei de retorno aí, Eleonora. Claro, mais explícito do que isso aqui, retorna a injúria dele. O texto diz assim, retorna a injúria dele na cabeça dele. E, sob a moleira, retorna a violência. Olha, agora, Eleonora, por que sobre a moleira? Por quê? Quem tem moleira? Quem tem moleira? É o nenê, né? A maldade que a gente faz retorna sobre a moleira. Olha aqui, Eleonora. Esse é o versículo da reencarnação. É, olha que lindo. Esse é o versículo da reencarnação. Retorna a injúria dele sobre a cabeça dele. Aí vai repetir a mesma frase explicando.

Retorna a violência sobre a moleira. Ou seja, você nasceu de novo e na sua moleirinha o que você fez retorna. Eu, porém, renderei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores em nome do Altíssimo. Olha que… Esse é forte, né? Eis o Salmo 7, né? Esse é o 7. Esse, Eleonora, a gente vai estudar algumas palavras mais detalhadas dele. Não hoje, né? Hoje a gente está fazendo um sobrevoo, mas esse aqui eu acho que vale a pena… Vale a pena a gente… A gente aprofundar mais, sabe? Eu acho que fazer um estudo mais aprofundado Até porque é um tema muito caro, um tema muito importante para a Terceira Revelação, que é o tema da reencarnação, a lei de retorno, da semeadura, e nós temos que entender isso.

Eu acho que é muito importante a gente trabalhar isso. E é um salmo que está ali, ele está em um momento que está sendo em julgamento, né? E para mim, o que mais tocou em todos os versículos, os 17 versículos, é esse Deus que é escudo, esse Deus que é salvador dos corações, é juiz e que nos cuida a cada dia. O 11 e o 12, o 11 e o 12 está ao centro desse salmo. Exatamente. E termina aí com esse 16, que versículo maravilhoso. A lei do retorno. É isso daí. Essa tradução, a da moleira, ele não está em tradução nenhuma, né?

Não tem. É a vantagem de conhecer as palavras. Não tem. Ele só fala que recaia em meu crânio, ele nem fala em consciência, alguma coisa assim, para que eu… Não, ele fala em alguma coisa mesmo de cabeça, e quando você fala em moleira, para mim ali está a chave, porque ele conecta as encarnações, as vidas, os nascimentos e renascimentos, e tudo isso que eu fiz. Na moleirinha, por que na moleirinha? Não é? Aí olha só então esse salmo ele tem uma introduçãozinha muita gente é Shigayon concernente a ler Davi então Shigayon é um canto é como se fosse uma cantiga uma cantiga de Davi que cantou a Deus a respeito das palavras de Cuxi o Benjamita Olha que interessante.

Então, esse salmo dá a entender que esse Cuxi falou alguma coisa na sinagoga, fez uma pregação. O Davi, se inspirando nessas palavras do Cuxi, compôs uma Shigayon, uma cantiga a Deus. Tem uma nota aqui na Bíblia de Jerusalém sobre esse Cuxo. A versão traz em Cuxita. É o mensageiro que anunciou a Davi a morte de Absalão. Olha, quer dizer, um profeta, um profeta, eu tinha esquecido disso, exatamente, olha isso, e aí tem tudo a ver, porque Absalão, nós já vimos aqui, é o filho dele que conseguiu ele, se tornou ímpio, então, eu acho isso tão bonito, Eleonora, porque uma coisa é você falar abstratamente de um ímpio, de alguém maldoso que está fazendo maldade.

Outra coisa é quando esse ímpio é seu filho. E, agora, para Deus, todos os ímpios são filhos. São filhos. Então, eu lá, isso, olha, não tem igual. Só no Velho Testamento para ter essas coisas maravilhosas. Absalão, que era o filho de Davi, nós vimos lá no Salmo 3, Salmo 3, a gente vê que Davi está vivendo experiências para que ele possa ampliar a compreensão e entender o que é Deus. Ele, pai, tem um filho ímpio, que está cometendo atrocidades, inclusive querendo assassiná-lo. E graças a essa experiência, Davi tem condição de entender Deus, que é o pai da criação, mas que é renegado, que é perseguido, que é desrespeitado pelos filhos.

É. É essas coisas, assim, dos salmos que são maravilhosas, né? Porque vão dando uma riqueza da vida, da evolução. O que a gente passa, as coisas que a gente vive, dão ideia da própria experiência de Deus, do Altíssimo também, que tem seus filhos, alguns são ímpios, ele precisa corrigir, por isso que ele não destrói o ímpio. Ele regenera. Não é uma experiência que ele ouviu falar, é uma coisa que ele está vivendo ali, é do dia a dia. Se no Salmo 13 ele estava fugindo, porque o filho estava atrás dele, aqui ele recebe a notícia que o filho morreu, né?

E aí ele está nesse momento do julgamento ali. Isso. E conversando com Deus. Houve o julgamento do ímpio. Olha, Absalão morreu, mas é o filho dele. É um misto, não é, Eleonora? É um misto. Então, para Deus, ver um filho numa expiação dolorosa… Para nós não é, né? A gente… Para nós, quando é com a gente, né? Para nós, quando é com a gente. Porque quando a gente olha para o outro, fala… Está resgatando, né? Está resgatando, está espiando, né? A gente trata assim… Ah, está espiando, está resgatando. Então, é só para a gente entender que o resgate, a expiação, não é uma coisa agradável nem para Deus, né?

Por isso que ele fala ali para… para que Deus exerça a sua lei, mas que também tenha a misericórdia. Então, pode trazer essas armas aí, mas também protege dos que são muito vingativos e severos, ele fala aqui. Isso. E aí ele começa a fazer uma reflexão sobre ele. Isso é bonito, porque… Davi matou o melhor amigo indiretamente para ficar com a esposa. Tem essa história também. Ele fala assim, olha, In ish avel, se existe injustiça, berrafai nas palmas da minha mão. Olha isso. Eu acho essa simbologia tão bonita, né?

Porque, se existe injustiça nas palmas das minhas mãos, porque todo o mal que você faz fica impregnado em você e fica impregnado no local do instrumento que você usou para fazer o mal. Se você usou as mãos, vai ficar impregnado nas suas mãos. Se você usou a língua, vai ficar impregnado na sua língua. Se você usou a língua para… caluniar, para mentir, o mal vai ficar impregnado aqui. Se você usou os olhos, o mal vai ficar impregnado nos seus olhos. Se usou os instrumentos sexuais, os órgãos vão ficar impregnados ali.

Então, onde você praticou o mal, o mal vai ficar impregnado. Se existe injustiça nas palmas das minhas mãos, se retribuir o que mantém a paz comigo e retirei mal comigo, O que me hostiliza sem motivo. Ou seja, ele está falando o bem e o mal que ele fez. Ele fala assim, essa tradução, se paguei com o mal ao meu bem feitor, o cinco que você falou. É, isso. Se retribuir o mal, o que mantém a paz comigo, se eu fui ingrato. Se eu fui ingrato. Porque a pessoa estava em paz comigo, estar em paz comigo é ser um bem feitor, né?

Se eu retribuir com o mal, se eu hostilizei sem motivo, olha isso, então, ele está dizendo assim, é uma via, é uma via de mão dupla, a gente vê a lei de justiça atuando nos outros que me fizeram mal, mas vai atuar em mim também, porque eu fiz o mal também, mas acho que depois a gente aprofunda mais isso, né, Leonor, esses detalhes, Esse é um salmo, porque ele tem muito problema de tradução, né? A gente vê que a tradução tira a beleza do salmo, né? Não, quando você leu ali, realmente ele fica muito mais poético até, né?

Porque os símbolos que ele usa aumentam o significado das palavras, né? Mas é um salmo em que… Ele está em conversa com Deus, sabendo que tem muito a ser visto ali, de erros, né? E julgado, mas que também ele pede que Deus o proteja, né? Vigia, seja o escudo, né? Exatamente. No fundo, no fundo, Leonora, todos somos sombra e luz, né? Para a nossa luz, a gente pede refúgio, escudo, proteção. Para as nossas sombras, a gente pede correção, regeneração. Então, todos nós somos criaturas que precisam ser protegidas na germinação do bem e que precisam ser corrigidas na germinação do mal.

Porque nós germinamos, simultaneamente, o bem e o mal. Sombra e luz, bondade e maldade. Todos nós. É importante a gente entender isso, porque, senão, nós caminhamos pelo mundo de expiação e provas ingênuos, achando que aqui tem criaturas que são só boas. Não tem. Todas as criaturas que estão na Terra ainda são um misto de sombra e luz. Ainda são um misto de sombra e luz. Quer essas sombras sejam frutos da fraqueza, da imaturidade, quer essas sombras sejam frutos da maldade mesmo, deliberada, do endurecimento, da impiedade, não importa, não importa, sombra é sombra.

Então, é importante a gente caminhar pela vida entendendo que todo mundo é sombra e luz, que todos nós estamos no processo de correção, todos nós estamos no processo de regeneração, de sermos polidos, corrigidos. E eu acho que por isso que no final ele agradece. Eu agradecerei a sua justiça e quero tocar o nome do Altíssimo. Olha que lindo, não é? Ele agradece a Deus. E para tocar o nome do Altíssimo, eu tenho que me purificar. É o que a escala espírita, questões 100 a 114, é o que a doutrina espírita… no capítulo 3 do Evangelho segundo o Espiritismo, há uma progressão.

Para chegar ao Altíssimo, a gente já estudou isso lá em Levítico, no nosso estudo de Levítico, a gente já viu isso em detalhes. Para chegar ao Altíssimo, tem que passar pela purificação. E, a purificação é o quê? Ela vai filtrando a sombra que existe em nós até o momento que resta apenas a luz. Mas, isso não é um processo de anos. Isso é um processo de milênios. É aqui que está a distinção, não é, Leonora? Não é algo que você faz em anos, em semanas, em uma vida. Isso demora milênios. Por isso, a gradação, terceira ordem, segunda ordem, até chegar na primeira ordem dos Espíritos puros.

São puros porque foram purificados. São puros porque foram purificados. Por muitos momentos desse de aferição, a gente passou, né? Então a gente foi lá e passou por essa balança entre o bem e o mal, e renascemos de novo e começa a caminhada, né? Exatamente. Momento de aferição. Muito bem, muito prazer ao Salmo 7, até o… Ele fala aqui que é uma lamentação, é de Davi, como você falou, e é um canto. É um canto. É uma canção. É. É uma cantiga que ele fez quando recebeu as palavras de Cuxo, o Benjamim, sobre esse juízo.

Mas nós vamos falar disso também. Toda desencarnação é um juízo, é um julgamento. É um julgamento. Então, Cuxo. Significa que nós vamos ao tribunal várias vezes ao longo da nossa evolução. A gente encarna e desencarna e toda vez que a gente desencarna há um juízo, há um julgamento. Então, a gente tem muitas idas ao tribunal divino ainda. A notícia boa é que, se você for dedicado, cada vez que você for ao tribunal, você vai numa situação melhor. Se a gente está progredindo, semeando bem, querendo melhorar, cada vez que a gente for ao tribunal, a gente vai numa circunstância.

E as mãos vão estar com menos injustiça, né? Isso, Edelmo. Esse é o sentido de purificar. Esse é o sentido de limpar. Limpar o que está sujo, né? Limpar o que está sujo a gente fala isso, as mãos as mãos estão sujas de sangue a gente usa isso por isso que Jesus fala que bem aventurados os puros de coração os limpos de coração os limpos, exatamente os que foram você está limpo, é porque foi limpado estava sujo e foi limpo então estamos nessa caminhada Estamos nessa caminhada. É isso, né? É isso. Na próxima semana que vem estaremos com o Júlio, que hoje ele não pôde estar conosco, e com todos vocês, né?

Acompanharemos, seguimos o estudo do Salmo 7, aí na semana que vem, que nem o Arundo falou, a gente vai trazer mais palavras e mais interpretações desse momento do julgamento, né? Desse momento que a gente está lá em julgamento. Muito bom, Arulio. Obrigada, adorei essa tradução também. Acho que é muito importante a gente trazer, porque, como a gente falou, o texto parece que amplia mais. Ele fica mais poético quando você traz essa tradução do original. Então, abraço a todos e até a semana que vem. Até a semana que vem.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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