Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, conduzida por Haroldo Dutra Dias à luz da Doutrina Espírita, mergulhamos no livro do profeta Isaías. O estudo aprofunda a compreensão da religiosidade do povo hebreu e as expectativas messiânicas que permeavam sua cultura e sociedade.
O que é estudado neste episódio
- A Religião e a Vida Hebraica: Como a religiosidade do povo hebreu se manifestava de forma integral, unindo aspectos políticos, econômicos e sociais em uma única experiência de monoteísmo. A vida comunitária girava em torno da convicção no Deus único, influenciando instituições e legislação.
- As Expectativas Messiânicas: A promessa de um Emissário, à semelhança de Moisés, que libertaria o povo da opressão. A expectativa popular de um Messias que restauraria a autonomia, a unidade e a proeminência política e econômica do povo hebreu, transformando-o de dominado em dominador.
- A “Prostituição” Denunciada por Isaías: A análise da denúncia de Isaías sobre a “prostituição” do povo, não no sentido sexual, mas como a traição da alma a Deus. A idolatria de outros “baals” (senhores/maridos), como a riqueza, o poder, a guerra e a sensualidade, em detrimento da comunhão com o Criador.
- O Contexto Histórico e Político: A situação de divisão interna do povo hebreu, as alianças com impérios opressores como a Síria e a Babilônia, e a iminência do exílio, que inflamaram as expectativas por um Messias libertador.
- A Crítica de Isaías às Expectativas Messiânicas: A denúncia do profeta contra o egoísmo e o orgulho por trás do desejo de hegemonia política e econômica, que visava substituir um império por outro, em vez de buscar a verdadeira liberdade espiritual.
Reflexões
- A verdadeira liberdade não é apenas a ausência de opressão externa, mas a libertação das amarras do egoísmo e do orgulho que nos levam a buscar dominar o próximo.
- A “prostituição da alma” é a traição dos valores espirituais em favor de interesses materiais e mundanos, um desvio que afasta o indivíduo e a coletividade da comunhão com Deus.
- A compreensão do contexto histórico e cultural é fundamental para interpretar as escrituras de forma profunda, evitando leituras superficiais e fantasiosas.
Ler transcrição do episódio
Música de encerramento Olá, meus amigos, bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro de Isaías, o profeta Isaías, do Velho Testamento, estudo feito à luz da doutrina espírita. No episódio anterior, nós prometemos comentar sobre expectativas messiânicas e prometemos falar sobre este tema, porque abordávamos como que o povo hebreu experimentava a religiosidade, como ele vivia a religiosidade. E, lá, aprendemos que o povo hebreu experimentava a comunhão com Deus e a religiosidade na sua vida comunitária, de modo que as questões políticas, as questões econômicas, as questões sociais estavam todas reunidas como expressões de uma única experiência, a experiência religiosa.
Tratava-se, então, de um monoteísmo complexo, porque não era apenas acreditar em um Deus único. Toda a vida individual, social, toda a vida comunitária do povo hebreu girava em torno desta convicção do Deus único. As suas instituições religiosas, as suas instituições políticas, econômicas, jurídicas, toda a sua legislação, em suma, tudo aquilo que regulava a vida do povo em sociedade girava em torno da experiência religiosa. Portanto, como eles viviam fatos graves, fatos muito importantes da sua vida social, da sua vida enquanto povo, é natural que estes fatos refletissem nas suas crenças e nas suas expectativas religiosas.
O povo hebreu nutria uma convicção retirada da promessa do próprio Moisés de que Deus enviaria um Emissário, um mensageiro, um ungido, à semelhança de Moisés. Da mesma forma que Moisés havia sido, então, enviado por Deus para libertar o povo hebreu da opressão e da escravidão no Egito, logo, logo, a mentalidade popular começou a fazer uma conexão bem simples, mais uma igual a dois. Se o povo estava no Egito, na qualidade de escravo, porque havia perdido a sua autonomia étnica, a sua autonomia e determinação enquanto povo e veio o legislador hebreu, Moisés, e libertou o povo, deu uma unidade ao povo hebreu, organizou os vários aspectos da vida social e comunitária e conduziu esse povo até uma determinada região que ele acreditava ser a região onde o povo hebreu deveria se instaurar e deveria expressar concretamente as suas convicções religiosas através de um modelo de vida comunitária, como que eles ligam, então, a figura do Messias?
Se o Messias seria semelhante a Moisés, então, já que eles viviam uma ampla divisão interna, o próprio povo hebreu havia se dividido em dez tribos do norte, dez tribos do sul, já que agora eles experimentavam a aproximação do degredo, da opressão, do domínio de potências, como se fossem uma reedição do antigo Egito, potências como a Síria, como a Babilônia, já que se avizinhava da comunidade hebraica essa perspectiva de voltar a ser escravo, que figura que eles associavam ao Messias? Imaginem, qual deveria ser a expectativa popular do Messias?
O Messias seria, novamente, alguém que libertaria o povo da opressão. O Messias seria alguém que estabeleceria um domínio político, um domínio econômico, um domínio social, capaz de afastar, de repudiar a intromissão de qualquer potência, como, por exemplo, a Síria e a Babilônia, os impérios assírios, o império assírio e o império babilônico. Então, a primeira função do Messias seria afastar essa volúpia e essa ganância do império opressor e, ao mesmo tempo, colocar o povo hebreu em uma situação de proeminência, de evidência, para que ele, de dominado, se transformasse em dominador e pudesse, então, transmitir a sua superioridade espiritual, que eles acreditavam ter e, em certos aspectos, tinham.
Eles imaginavam, então, que deveriam, como eram lideranças, do ponto de vista religioso e espiritual, eles deveriam, também, ser lideranças econômicas, lideranças políticas, lideranças sociais. Então, a primeira expectativa do Messias é que ele agisse na pauta do que Moisés agiu, afastasse todo tipo de problema econômico, todo tipo de problema político, todo tipo de problema social, devolvesse, então, a unidade ao povo hebreu e estabelecesse a supremacia do povo hebreu sobre a Terra. É um projeto cujos fins podem até ser nobres, mas que falha, que revela matizes de egoísmo e de orgulho inconfessáveis, inconfessáveis.
Por trás destes nobres desejos, por trás destes nobres anseios, há um egoísmo feroz, há um orgulho extraordinário, gigantesco, disfarçado e coberto de boas intenções, coberto de nobreza espiritual. No fundo, no fundo, na matemática simples da vida, que qualquer pessoa do povo consegue entender, a grande expectativa messiânica era substituir um império por outro. É a expectativa de eu sou dominado e eu não quero apenas me libertar, eu quero me transformar em um dominador. Este é o grande ponto. Não é apenas o ideal de liberdade, não é apenas recuperar a autonomia, é ocupar o lugar do dominador, é tornar-me tão poderoso quanto o dominador, é tornar-me tão próspero quanto o dominador.
No fundo, é isto. Embora não se diga, embora não se admita, estas são as intenções inconfessáveis por detrás das expectativas messiânicas. E, as expectativas messiânicas foram crescendo ao longo do tempo, depois de Isaías, porque depois de Isaías, eles viveram grandes tormentos na sua vida comunitária. A parte do povo hebreu foi exilada, as dez tribos do norte foram as primeiras a serem dizimadas e levadas cativo para a Síria, para o Império Asírio, depois o Império Babilônio derrota o Império Asírio, unifica e se transforma no famoso Império Asírio-Babilônio, a grande Babilônia do profeta Daniel, a Babilônia simbólica, que é uma espécie de metáfora de todo o poder político-econômico opressor sobre a Terra.
A Babilônia, então, passa a ser um grande símbolo de opressão, de sistema de comércio, de sistema econômico, de sistema de organização social. É nisso que se transforma a Babilônia e, Por fim, o Império Asírio-Babilônico vem para as duas tribos do sul e leva cativo também o povo que estava em Jerusalém, a tribo de Judá e a tribo de Benjamim. Ao final deste processo, todo o povo hebreu se vê novamente na condição de escravo. Quando isto acontece, as expectativas messiânicas começam, assim, a inflamar, porque a parte triste da promessa havia se cumprido, voltou à escravidão e, agora, eles começam a esperar um novo Moisés, um novo libertador, alguém que, novamente, os tiraria da escravidão, alguém que, novamente, os tiraria da opressão política, econômica, social, para que eles pudessem, não somente, recuperar a unidade do povo, não somente se fixar na região e constituir uma nação, mas, tomar o poder e se transformar na nação poderosa e opressora.
Na nação poderosa e opressora. O Messias, então, passa a ser aquele elemento que vai propiciar este tipo de expectativa. Ele vai concretizar este tipo de expectativa. Em resumo, qual era a expectativa messiânica? Hegemonia política e econômica. Hegemonia política e econômica. Domínio político, domínio econômico. É isso. Com submissão de todos os outros povos aos parâmetros, ao modo de pensar, ao modo de viver do povo hebreu. Em suma, substituir um império pelo outro. E, é claro, e é isto aqui que é bonito, antes de tudo isto acontecer, antes do exílio das tribos do norte, antes do exílio das tribos do sul, no momento em que as coisas estão se precipitando, porque Isaías escreve exatamente no momento em que está tendo uma guerra da Síria com a tribo de Efraim, a guerra siro-efraimita, no momento em que o império assírio está começando a aflorar como um grande império e o rei do sul, o rei de Israel, das tribos de Judá e Benjamim, está pensando em fazer uma aliança, ou seja, ingenuamente, o profeta percebe essa ingenuidade, ele quer fazer uma aliança com a Síria para poder brigar com o seu irmão.
Faz uma aliança externa com uma potência perigosa, com uma potência que não compartilha dos valores do povo hebreu, mas, mesmo assim, ele aceita fazer essa aliança para poder vencer a Síria, que estava se aproximando, com propósito também de domínio, e Uma própria tribo, uma tribo pertencente ao povo hebreu, os dissidentes, os hereges. Então, por conta de uma briga interna, o próprio povo hebreu não foi capaz de manter a unidade do povo, não foi capaz de se manter unido e ele se alia a um adversário para poder vencer dentro.
Então, aqui, a gente já destaca e é isso que Isaías está gritando e está denunciando. Então, nós precisamos compreender esse contexto histórico, esse contexto econômico, político do livro de Isaías para que a gente não fique fazendo interpretações ingênuas e cordiosas, fantasiosas. Cor de rosa eu digo não da cor, porque a cor rosa é maravilhosa, o otubo rosa. Eu estou falando de cor de rosa no sentido de sonho, de sonho infantil, de Alice no País das Maravilhas. Nós não podemos fazer essa leitura do texto bíblico. Então, é esse o problema que está aqui e é isso que Isaías está dizendo.
Ele está dizendo assim, nós vamos nos dividir internamente? Nós vamos nos aliar a um perigoso império cujas intenções, cujas práticas, cujas crenças representam tudo aquilo que nós abominamos? Nós vamos nos unir para atacar o nosso companheiro interno que já esteve conosco? Então, ele começa a dizer isso. Segundo, ele diz assim, e nós vamos abrir mão de todas as nossas convicções religiosas e espirituais para alcançar uma hegemonia política, econômica e social? É isso que nós vamos fazer? E começa a pontuar, a denunciar essa expectativa messiânica nascente.
Então, o profeta Isaías vai falar muito fortemente, vai denunciar a prostituição, a prostituição. Então, para aí, guarda, porque toda vez que a gente fala em prostituição, logo, logo, você já vem à sua cabeça sexualidade, sexualidade. Mas, acredite, os problemas que Isaías vai denunciar aqui são muito mais graves do que um desvio sexual, muito mais grave, muito mais grave. O desvio sexual provoca graves consequências para as pessoas envolvidas, mas esse desvio que ele vai denunciar aqui não se trata apenas de um desvio de condutas individuais.
Esse desvio que ele vai denunciar aqui é o desvio de conduta de um povo inteiro, de consequências, de séculos de consequências, consequências que terão impacto na evolução planetária. Então, não é simplesmente alguém se desequilibrar sexualmente e começar a se deitar e a dormir com todo mundo, embora isso não seja uma coisa simples, embora isso traga consequências para quem pratica, mas, diante do quadro grave aqui, isso é muito pequeno. Então, de que prostituição Isaías está falando? Ou melhor, de que prostituição os profetas falam?
É preciso nós compreendermos que na cultura hebraica, Deus não poderia ser representado por nenhuma imagem, nenhuma imagem, nenhum símbolo, nada, nada da criação poderia ser usado para representar o Criador. Então, o Criador não pode ser representado por nenhum animal, o Criador não pode ser representado por nenhuma montanha, por nenhum mar, por nenhum oceano, o Criador não pode ser representado por nenhuma pedra, por nenhum tipo de pedra, por nenhum tipo de planta, de animal, de relevo, por nada, por estrela. Nada que é criado pode representar o Criador.
Então, este é o segundo mandamento, não fará as imagens. Este é o segundo mandamento. Não confunda o Criador com a criação. Então, a concepção moroteísta do povo hebreu era muito abstrata. Deus é Espírito, Deus é Ruar. O mais próximo, mas não representa Deus, preste atenção nisso, é o vento. Não é que o vento seja Deus, porque o vento também é uma criação de Deus, mas o vento representa porque ele é invisível, você sente os efeitos dele, mas você não consegue ver, você não consegue ver o ar. Então, dá uma ideia do Deus invisível, que age, que é forte, que é potente, olha para um furacão, não é?
Mas, não pode ser visto. Então, é essa a ideia. Deus também não tinha um nome, por quê? Porque ele também não pode ser representado por uma palavra. Por isso que o nome de Deus não se pronunciava, senão você ia ficar apegado à palavra e não a Deus, que é o ser. Então, ele também não poderia ser pronunciado. Interessante, não é? Então, como que se referia a Deus? Se referiam a Deus de várias maneiras. Você substituía, ao invés de você dizer o nome de Deus, você usava expressões que se referiam a Deus. Como nós fazemos?
Como que nós fazemos? O Criador ou nas poesias do Chico, psicografadas pelo Chico, o Autor da Natureza, o Coração das Alturas, não é assim? O Coração Invisível do Céu, como chama André Luiz no nosso lar, não é? Então, a gente vai dando nomes para representar, para apontar, como um dedo que aponta para a estrela, mas a estrela não é o dedo, o dedo está só apontando. E, uma das maneiras mais respeitosas de se referir a Deus era Adonai, Adonai, meu Senhor, meu Senhor. Meu Senhor, meu Senhor, Senhor, Senhor no sentido do rei, aquele que governa, aquele que dirige, meu governante, meu rei, não é?
E, Jesus vai falar disso, o reino de Deus, o reino de Deus. Deus como o regente, aquele que governa, aquele que dirige, não é mesmo? E, claro, se Ele é o Criador de tudo, Ele dirige toda a sua criação, Ele governa toda a sua criação. Isso parece ser bem intuitivo, uma criancinha consegue entender isso, uma criança de 3 aninhos de idade consegue entender isso, não é? Mas, em Aramaico, ou nas línguas de matriz dessa matriz da língua hebraica, essas línguas orientais, em especial, as línguas semíticas, chamadas semíticas, tem o hebraico, o aramaico, o ciríaco, nessas línguas há uma expressão chamada baal, baal.
Baal é senhor, então é uma ótima tradução aramaica para Adonai, meu senhor, baal. Mas, baal também é marido, então, e aqui criou o trocadilho, aqui nós temos um trocadilho muito rico, Deus é senhor, mas ele é também marido. Nessa perspectiva, a união da criatura com o Criador é comparada a um casamento e Jesus vai reforçar essa crença popular, por exemplo, quando ele conta a parábola das bodas. Significando a iluminação da criatura, a união da criatura com Deus, há uma grande festa de casamento em que você tem que ir vestido apropriadamente, as bodas do reino.
Há um livro no Velho Testamento, que é o Cântico dos Cânticos, um livro que fala de sexualidade de forma explícita, que fala da união homem e mulher, do casamento tradicional no mundo semítico, mas, por trás, ele está simbolizando o quê? Essa experiência indizível, inexplicável, da união da criatura com o Criador, da comunhão com Deus, comunhão com Deus. Quando a nossa alma casa com Deus e Deus passa a ser Baal, passa a ser o Senhor. Então, o que acontece quando eu estou prometido em casamento, quando eu estou buscando essa união, se eu começo a adorar um outro Baal, um outro Senhor ou um outro marido?
Dois maridos é Adultério. Adultério é visto, nessa cultura, como prostituição. Então, sair dessa jornada da comunhão com Deus para ingressar numa jornada de comunhão com outros interesses, tendo como Senhor, por exemplo, Mamon, que é o Deus da riqueza ou Uma outra deusa da fertilidade, da sexualidade, tem vários deuses, ou o Deus da guerra. Se eu adoro outros deuses, outros valores e começo a direcionar a minha vida para entrar em comunhão com esses valores, eu estou traindo, eu estou adulterando o meu marido, que é Deus.
Adonai o Senhor! Então, eu estou em prostituição. E, é esse o aspecto que Isaías está denunciando aqui. Ele está dizendo assim, ó, Jerusalém e Israel, que ele vai chamar as tribos do norte de Israel, Israel e Jerusalém, norte e sul, se prostituíram. Por que se prostituíram? Por quê? Da boca para fora, com os lábios, esse povo diz adorar Deus, o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus revelado por Moisés. Mas, na prática da vida individual, na prática da vida comunitária, na prática da vida religiosa, política e, sobretudo, econômica, esse povo, na verdade, adora outros deuses, o deus da riqueza, o deus do poder, o deus da guerra, o deus da sensualidade, o deus da luxúria, etc.
Porque, haviam deuses representando todos esses aspectos da psiquê humana. Então, se eu elejo esses valores para serem os valores principais da minha existência, eu estou, na verdade, traindo Deus com esses deuses ou deusas. A idolatria, o adorar outros deuses, o adorar outros valores, é Etiquetado, no Velho Testamento, como prostituição da alma. Não é a prostituição do corpo. Não se trata do ato sexual corporal. É uma prostituição muito mais profunda, muito mais arraigada e muito mais difícil de vencer, muito mais difícil de superar, que é a prostituição da alma, aquela que vem da alma.
Então, é essa denúncia que Isaías vai fazer, é Isso que ele está mirando. Então, Isaías vai denunciar essa prática, tanto no Reino do Norte, quanto no Reino do Sul. Então, o rei, como representante dos interesses do povo, está, na verdade, adorando mais o poder político, o poder econômico, a hegemonia política, econômica, social, etc., etc., do que Deus, do que os valores primordiais do Espírito Imortal, porque, no fundo, a religiosidade quer trabalhar os aspectos espirituais da nossa individualidade, a comunhão com Deus.
E, isso fica prejudicado, sobretudo, por conta da prática comunitária de vida. Então, o profeta olha para a vida, ele olha pela janela, ele olha como o povo está vivendo e, observando o povo vivendo, as esperanças do povo, aquilo que o povo está buscando, ele conclui que houve uma dissociação. O povo saiu daquele caminho da comunhão com Deus para eleger, para escolher um outro caminho, outros valores, outras perspectivas. Então, essa é a grande denúncia do profeta Isaías e ele vai apresentar um contraponto, porque esse tipo de expectativa e tudo o que vai acontecer com o povo previsto por Isaías, que vai acabar com o exílio, todo o povo será novamente levado como escravo.
Então, eles vão voltar ao marco zero, eles vão voltar ao marco da escravidão no Egito. Olha como é que isso é grave e Aí surge a expectativa do quê? Do Messias ser o novo Moisés, do Messias ser aquele que vai libertar o povo da opressão econômica, política, social. Então, Isaías vai oferecer um contraponto, um contraponto grandioso, porque ele vai apresentar um Messias que é absolutamente diferente disso tudo. Um Messias que, na perspectiva daquele povo, é decepcionante, é uma verdadeira decepção. É que a verdade, às vezes, é decepcionante, porque ela fere nossos interesses particulares, particularistas.
E, aí, quando nós estamos escravos dos nossos desejos, dos nossos interesses e a verdade nos liberta, não é nada agradável. Nem sempre a libertação é agradável. Então, entenda isso. O povo, quando Moisés libertou o povo, estava com ele no deserto, o que o povo fez? Construiu o bezerro de ouro e falou assim, você tirou a gente de lá para passar fome aqui? Que liberdade é essa? Eu prefiro ser escravo lá e comer. Então, nem sempre a liberdade é tão agradável assim quanto a gente imagina. Há muitos ganhos na escravidão, ganhos psicológicos, doentinhos, perniciosos, mas, nem sempre fáceis de serem vencidos, de serem superados.
Sobre a figura do Messias que Isaías apresenta, nós vamos ver no próximo episódio.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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