#103 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do livro Gênesis à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias nos conduz pela última geração do livro, focando na figura de José, um dos filhos de Jacó. O estudo explora a trajetória de José, desde sua venda como escravo pelos irmãos até sua ascensão no Egito, destacando seu papel como um “rascunho” da figura de Jesus, especialmente em sua capacidade de perdão.

O que é estudado neste episódio

  • A história de José, filho de Jacó, e sua venda como escravo pelos irmãos, conforme narrado em Gênesis, a partir do capítulo 37.
  • A truculência e os erros dos filhos de Jacó, que representam a fragilidade humana e a sucessão de paixões e escolhas equivocadas.
  • A lei de causa e efeito no Velho Testamento, onde as narrativas mostram o ser humano rebelde em conflito com a lei divina e suas consequências.
  • José como um ponto de quebra no ciclo de erros, destacando sua integridade moral e sua atitude de perdão, que aponta para Jesus.
  • A história de José como uma miniatura do Evangelho, um esboço da redenção que Jesus traria à humanidade.
  • O simbolismo da túnica de José como pomo da discórdia e a inveja dos irmãos.
  • O Egito como símbolo do resgate e da expiação, onde o espírito, ao colher o que plantou, purifica-se e expele o “veneno” do erro.
  • A figura de José como um espírito que passa pela prova e expiação com resignação e dignidade, convertendo o mal recebido em bem.
  • A retomada da história de José no Apocalipse, com simbolismos que se repetem na primeira e segunda vinda de Cristo.
  • A Doutrina Espírita como chave para a compreensão do Velho Testamento, conectando os “fios soltos” das narrativas à figura central de Jesus.
  • A distinção entre os personagens do Velho Testamento como “rascunhos” ou “esboços” de seres humanos imperfeitos, em contraste com Jesus, o “desenho perfeito” e o tipo humano mais evoluído.
  • A história de Tamar, nora de Judá, que, após ficar viúva, usa de um estratagema para gerar um herdeiro de seu sogro, e sua presença na genealogia de Jesus como um “rascunho” do feminino que se aperfeiçoaria em Maria de Nazaré.
  • O Velho Testamento como um “laboratório” das experiências dos encarnados, um desfile das imperfeições e paixões humanas, e como a lei de causa e efeito atua na educação do espírito.

Reflexões

  • O Velho Testamento, longe de ser apenas um livro de leis e punições, é um vasto panorama da lei de causa e efeito em ação, mostrando como as escolhas humanas geram consequências e impulsionam o aprendizado e a evolução do espírito.
  • José se destaca como um exemplo de perdão e resiliência, antecipando os ensinamentos de Jesus e demonstrando que, mesmo em meio à adversidade e à injustiça, é possível transformar o mal em bem e elevar-se espiritualmente.
  • As histórias de personagens como Tamar, com suas complexidades e imperfeições, revelam a jornada de aprendizado da alma humana e a misericórdia divina que permite que, mesmo através de caminhos tortuosos, a evolução se manifeste e contribua para o plano maior.

Ler transcrição do episódio

A Luz da Doutrina Espírita Olá, amigos! Bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. No episódio anterior, nós estudamos todas aquelas peripécias e dificuldades envolvendo a família de Jacó. E, agora, nós ingressamos, já, na parte final do livro Gênesis, final desta programação nossa, porque desde o início, nós deixamos claro que o estudo seria um voo panorâmico sobre esta gigantesca obra, apenas para que nós pudéssemos ter uma visão geral da sua estrutura, dos temas centrais que este livro aborda, das lições mais fundamentais que o livro apresenta.

E, recordamos que o livro era dividido em gerações, cada geração se abria com uma personagem, geralmente, um patriarca do povo hebreu, e, assim, a história do povo era estruturada nestas famílias cujos chefes são os patriarcas. E, agora, nós entramos para a última geração. Toda a narrativa do livro Gênesis, a partir do capítulo 37, foca em uma figura fundamental, muito importante da literatura bíblica, que é José, um dos filhos de Jacó, um dos doze filhos de Jacó, José, que vai para o Egito. Todo mundo conhece muito bem esta história, mas, aqui, a gente vai explorar alguns aspectos espirituais que estão por trás desta narrativa.

Então, vamos lá. A história é a seguinte, nós já sabemos disso. José vai encontrar seus irmãos em direção à terra de Siquem. Imagine, Siquem é aquela mesma região, região que fica dentro do território de Israel, do conhecido Israel de hoje. Foi onde tivemos aquele triste episódio da irmã de José, uma das filhas de Jacó, em Siquem, em que ela se deita com um príncipe antes do casamento e, aí, os irmãos, para vingarem, matam toda uma população, covardemente, quebrando um pacto, agindo sem nenhum princípio ético ou moral ou Contrariando os princípios éticos e morais que eles estavam recebendo do Deus Único, da primeira revelação que estava formando-se, forjando.

E, aqui, novamente, em Siquem, José será vendido pelos seus irmãos, quase foi assassinado pelos seus irmãos, por pouco não foi assassinado, ele, então, é vendido e vai como escravo para o Egito. Então, aqui, a gente vê, já de pronto, dois grandes elementos. Primeiro, um novo e gigantesco erro cometido nas proximidades de Siquem, renovando a truculência, mostrando a truculência dos filhos de Jacó, que representam, como que, um auge da perversidade, um auge de todos os problemas que envolvem as famílias dos patriarcas.

Porque, nós já comentamos isso, aqui, no episódio anterior, as famílias dos patriarcas representam o ser humano encarnado com todas as suas deficiências, com todas as suas fragilidades. Então, eles funcionam como um arquétipo, um arquétipo da fragilidade humana, um arquétipo do ser humano fazendo experiências apressadamente, de forma equivocada e tendo que sofrer as consequências dessas escolhas equivocadas e desses atos de truculência, de maldade, de crime, mesmo. Portanto, como é uma sucessão de paixões, de erros, de mau uso do livre-arbítrio, a impressão que a gente tem, quando lê o Velho Testamento, é de que o Velho Testamento é, na realidade, um detalhamento.

Da lei de causa e efeito. Por isso, quando a pessoa lê o livro de Gênesis, lê o Velho Testamento, ela tem essa impressão de que o Velho Testamento fala só da lei, só da ordem, da regra, do resgate. Mas, é isso mesmo, porque como é uma sucessão de seres humanos frágeis, fazendo péssimas escolhas e rejeitando a orientação e rejeitando o conselho da divindade, colocando-se numa posição refratária à inspiração do alto, o que predomina nas narrativas do Velho Testamento é o ser humano rebelde. E, o ser humano rebelde vive em conflito com a lei divina e, por viver em conflito com a lei divina, ele está sempre às voltas com a lei do resgate, com a lei de causa e efeito, que responsabiliza as consciências e que traz de volta, que retorna para os seus autores todo o resultado da maldade, da Escolha equivocada, da fragilidade.

Então, é um ciclo vicioso. Só que, aqui, nessa figura, em José, nós temos uma quebra. Isto é importante. Então, todo um ciclo que começou lá com Adão e Eva, em José, terá uma quebra. É como se José fosse aquela figura que destoasse do conjunto. Ele se destaca, ele não se encaixa dentro deste conjunto, e a vida dele, a maneira como ele vai agir, as decisões que ele vai tomar e a sua integridade moral, apontam para fatos futuros da história bíblica. Então, aqui, nós poderíamos dizer que José é uma seta aqui no livro de Gênesis, o primeiro livro do Antigo Testamento, José é uma seta apontando para Jesus.

Então, ele é como se indicasse que a história humana seria redimida através de uma figura e José é um tipo. Ele representa parcialmente, é claro, não integralmente, porque José redime uma família e a ideia do Cristo é que ele redime a humanidade inteira. Então, houve uma ampliação no grau, na profundidade do trabalho, mas a qualidade do trabalho segue a mesma linha. E a marca principal de José, nós vamos ver aqui, é também uma das marcas principais de Jesus, que é o perdão. Então, José é preso pelos seus irmãos, é vendido pelos seus irmãos, como um escravo, pelos seus irmãos de sangue, imagine isso, que queriam, inclusive, matá-lo, não fosse a intervenção de um deles, ele seria assassinado pelos próprios irmãos, o que é também um eco, alguma coisa que vai acontecer lá na frente, porque também Jesus será assassinado pelos seus irmãos.

Serão os próprios irmãos dEle, metaforicamente falando, o irmão como o povo, quem irá entregá-lo para o martírio na cruz. Então, aqui, a história de José é uma miniatura, já, do Evangelho, da ideia do Evangelho. Está um esboço, é como se a história começasse a se esboçar. Em música, isso é muito comum, os grandes autores da música, eles dividem as suas obras em estruturas muito bem formuladas e Tratam temas. Então, às vezes, um tema musical começa a aparecer e lá na frente ele é retomado e desenvolvido. Então, é como se você desse, assim, uma dica, uma entradazinha, anunciasse a história e lá na frente você a retoma e a desenvolve.

Então, José é isso, José é aquela entrada, aquela história que é introduzida e que, depois, com a figura do Cristo, ela é retomada, ampliada, fortalecida, aperfeiçoada e levada a um patamar inigualável. Mas, nós temos aqui José apontando. É muito interessante isso, porque José é o vínculo, então, do Velho Testamento com o Novo. Um primeiro vínculo, um dos primeiros vínculos. Nós já tivemos esses vínculos, eles estão sempre colocados. Então, desde o início da narrativa, você tem Adão, Eva, Cain, mas tem o Abel, que é um esboço bem pequenininho, mas ele já está lá.

Depois, a gente tem Noé, temos Sete, então, a gente consegue o Enoch, melhor dizendo, Enoch. Então, a gente vai vendo que essas figuras, elas vão sendo apresentadas para representarem conexões com o que virá depois do Novo Testamento. E o Paulo, nas suas cartas, vai explorar demais esse aspecto, essas micro conexões que existem no Velho Testamento com o Novo Testamento. É como se o Velho Testamento deixasse, assim, tomadas para que depois o Novo Testamento viesse e se encaixasse. E José é uma grande tomada. Aqui, grande parte do Novo Testamento se encaixa nessa história e a atitude dele é incompreensível para a época, porque a época não é uma época de perdão.

Esse tempo aqui não é um tempo em que o perdão é uma virtude. A virtude é você vingar, é você retribuir mais grave do que a ofensa, então, demonstrando a sua força, demonstrando a sua ira, isso é considerado uma virtude e José destoa totalmente disso e apresenta aqui o perdão que nós vamos ver na história, quando os seus irmãos voltam a encontrar com ele. Eles aguardam que serão punidos no mesmo nível, no nível mais grave. E José, então, corta a história. Ele quebra um ciclo de equívocos, de tropeços, tropeços da família, da primeira família, que é a família de Jacob.

Então, na linguagem extremamente simbólica do Velho Testamento, o que incomoda os irmãos de José é uma inveja, principalmente em razão de uma vestimenta que ele tem. Aqui, a gente já começa a pensar na parábola do festinho das bodas, da túnica nupcial, da vestimenta, a roupa simbolizando o caráter da criatura, como ela se apresenta, diz da pessoa, do gosto dela, da preferência dela, de como ela se porta, de qual imagem ela quer passar, até hoje, até hoje a roupa tem essa função. Essa túnica é o pomo da discórdia, ela vai gerar um problema entre os irmãos e eles vão agir por inveja vendendo o seu irmão José.

Então, este é o primeiro ponto que a gente gostaria, assim, de ressaltar nesta história de José, que ele é esta tomada, este ponto onde o Novo Testamento vai se conectar com o Velho. Outro aspecto fundamental é que, com José, surge, aqui, na história bíblica, no livro de Gênesis, que é o primeiro e fundamental livro da Torá, fundamental, surge, pela primeira vez, o Egito, Mitzraim, em hebraico, que significa aquilo que é estreito, para evocar a escravidão, a estreiteza da escravidão, o estar preso, o estar amordaçado, amarrado.

E, a gente, metaforicamente, também, podemos pensar no Egito como o resgate. O Egito é o resgate, porque resgatar é perder o movimento. Quando o Espírito está no resgate, na expiação, ele não tem escolha, ele não consegue se liberar, não consegue afastar aquela expiação e ele perde em livre-armitrado. Então, naquela área em que ele está efetuando o resgate, é como se ele estivesse amordaçado, amarrado e preso. Ali, ele vai expurgar o mal cometido, ele vai expelir a onda mental, aqueles fundamentos que causaram o erro.

Isto aqui é importante, por isso que se chama expiação. Então, a expiação é – isto aqui é importante a gente entender isto – a expiação é assim, você assimilou um veneno, este veneno está no seu organismo. Em função deste veneno, você pratica o mal, você envenena a vida, as circunstâncias e as pessoas. Na expiação, não é simplesmente um resgate, uma reparação do mal causado, é também a retirada do veneno. Então, este veneno tem que ser expelido, por isso que fala expiar, o veneno tem que sair, porque, se ele não sai, a criatura até repara, ela resgata, mas, aí, ela volta a cometer o mesmo erro, se o veneno não for extirpado.

Então, temos esta ideia aqui também. O Egito é o símbolo do resgate, é o símbolo do Espírito que está preso, porque ele escolheu o que ele queria plantar, agora, ele vai ter que colher, a colheita é obrigatória. Então, não há escolha na colheita, há escolha no plantio. Eu faço a escolha do plantio, implicitamente, eu já estou escolhendo a colheita. Na hora que chega na colheita, não tem como mudar de ideia, senão, seria muito fácil, seria quase infantil. Eu faço escolhas, planto a maldade e, na hora de colher, não, não quero colher, mudei de ideia.

Isso não funciona perante a lei divina. Ao escolher plantar, eu já escolho colher. Ao escolher a semente, eu já escolho o fruto que eu vou colher. Então, está implícito, já está no combo, é o combo do livre-arbítrio. Então, a gente pode dizer que no livre-arbítrio também está o resgate, porque, se eu escolho praticar o mal, eu já estou escolhendo resgatar. Se eu escolhi prejudicar alguém, eu já estou escolhendo também sofrer as consequências. É o combo. Está no conjunto. E, o Egito representa esse combo. É para onde José vai, então, a gente percebe também que ele é um espírito que está em expurgo.

Essa experiência que ele passa é uma experiência também de resgate. Ele se purifica, mas José é aquele espírito que passa pela prova e pela expiação, com tamanha resignação, com tanta dignidade, com tanta honradez e pureza, que ele consegue converter o bem feito numa moeda de resgate do mal. Então, ele repara também, resgata o mal pelo bem praticado e é o que vai acontecer. Então, a gente tendo essa ideia do que que José representa, a figura fica clara para a gente. Fica clara, bem clara. E como que ele remete também ao que Jesus irá construir num nível global, num nível planetário.

O que José faz no nível da sua família, Jesus faz no nível planetário. Então, aqui eu gostaria de destacar um ponto aqui, que o Apocalipse retoma essa história, é claro, gente, com simbolismo. Nada disso aqui, já falamos milhares de vezes, pode ser interpretado ao pé da letra. Olha que interessante, no primeiro momento, José é quase morto e levado como escravo, depois ele volta como quase um rei. Um administrador do reino. Então, em Jesus, esse tema vai se repetir. Então, na primeira vez ele vem e é entregue pelos irmãos, é crucificado e a história bíblica fala de um ressurgimento do Cristo, quando a humanidade se regenera, onde ele é recebido ou melhor, ele recebe os seus irmãos, ele os perdoa e, agora sim, ele vai ser reconhecido como um rei.

Então, a história da primeira vinda do Cristo e da segunda vinda do Cristo, que são questões simbólicas, pelo amor de Deus. Ninguém vai ficar interpretando isso ao pé da letra, é um aspecto simbólico. Então, na primeira missão terrena de Jesus, ele faz essa primeira parte da história de José. Ele vai ser preso, vai ser levado e, depois, ele volta para perdoar e para receber o reconhecimento que os irmãos não lhe deram. Então, deixe-me ver como que é bonito isso, como que o processo das revelações é conduzido pelo Cristo mesmo e por inteligências superiores, porque essas histórias são contadas com vistas ao que virá.

Por isso que o Paulo diz assim, a chave para o entendimento do Velho Testamento estava guardada, porque essas coisas aqui, Noé, Abel, José, essas coisas não se conectavam, eram fios soltos que a gente não conseguia amarrar, a gente não conseguia linkar uma coisa com a outra. E, depois que vem o Evangelho, tudo se conecta e tudo se dirige para um núcleo, para uma síntese que é a figura do Cristo, que é o tipo humano mais perfeito. Então, se no Velho, vamos abordar isso aqui, se no Velho Testamento nós temos esboços de seres humanos, por que esboços?

Porque esses seres humanos aqui, eles são incompletos, eles têm uma pequena parcela de luz e uma vasta parcela de sombra, uma pequena parcela de virtude e uma grande soma de vícios e imperfeições. Então, esses seres humanos representam o que? Um trabalho de construção, um trabalho educativo. Quando nós chegamos na figura do Cristo, nós temos o tipo humano perfeito, o tipo humano depurado, puro, que resolveu suas imperfeições, que resolveu seus vícios, que integrou completamente os aspectos sombrios da personalidade, purificou a todos eles e agora é o homem integral, o ser humano integral.

Então, essa é a ideia aqui, por isso que Jesus é o tipo mais perfeito da espécie humana, é o novo homem ou, como diz Paulo muito sabiamente, o novo Adão. Então, nós tivemos o primeiro Adão que é o tipo do homem imperfeito, é o tipo do espírito imperfeito e ele gera todas essas personagens aqui que são imperfeitas, que são esboços, que são construções, na linguagem do desenho, nós chamamos de rascunhos. Todas essas personagens aqui são rascunhos até chegar no desenho com arte final, que é o Cristo. Então, é o desenho completo, perfeito, finalizado, colorido, a obra está feita para a Terra.

Está bem claro isso lá no comentário que Kardec faz na questão 625 de O Livro dos Espíritos. Para a Terra, para a humanidade terrestre, não é assim Kardec escreve? Para a humanidade terrestre, Jesus representa o tipo da perfeição, a que podemos aspirar neste mundo, neste mundo aqui. Em outras humanidades, muito mais evoluídas, é claro que os tipos são diferentes, são mais evoluídos também. Mas, para a humanidade terrena, Jesus é o ápice, é a tipologia perfeita. Isso é fantástico, extraordinário. Então, a gente vê que José aqui, então, relembrando, é um rascunho da figura de Jesus.

Então, antes de a gente abordar alguns pontos fundamentais da história de José, eu queria só dar uma parada e abrir uma nova tela desse computador, porque na história de José é introduzida uma outra história muito interessante, que é a história de Tamar. Tamar. Judá, que é um dos filhos de Jacó, ele vai sair deste grupo e vai para uma terra distante. E, lá, ele encontra uma terra distante, que é a terra de Israel, também, dentro ali da terra. E, ele se casa com uma mulher cananeia e Tem filhos, esses filhos também se casam e, aí, surge a história da nora de Judá, que é Tamar.

Tamar fica viúva do primeiro filho de Judá, que ele morre. Aí, o irmão tem que, cumprindo a lei, casar-se com a esposa do irmão para gerar a descendência, mas, o irmão também morre. Tamar fica viúva. Então, ela usa de um expediente, ela se faz passar para uma prostituta, seduz o seu sogro, Judá, que é um dos filhos de Jacó, tem relações com ele, se deita com ele e dá à luz, gera filhos de Judá. E, por que é importante esta mulher? Porque ela está na genealogia de Jesus. Tamar é uma das mulheres que está lá presente na genealogia de Jesus.

Então, a gente vê bonito isto também, porque é um aspecto do feminino, Tamar aqui, representando a mulher que precisa se situar, ela precisava se integrar, de alguma forma, ela tinha que fazer parte daquela sociedade e, para uma mulher fazer parte, ela tinha que ter filhos, precisava casar e ter filhos. E, ela encontra, tudo acontece subterfúgio, acaba mesmo enganando, mesmo se fazendo passar por uma prostituta e ela consegue. E, tem o filho do seu sogro, Judá, que é uma das duas tribos. Aliás, é esta tribo aqui, este filho, o Judá, este patriarca, que vai dar, posteriormente, o nome aos judeus, aos Judá.

Então, Tamar é muito importante e a gente vai ver também, no Novo Testamento, que Maria de Nazaré vai representar o aperfeiçoamento do feminino, a perfeição do feminino. Então, Tamar é um rascunho que aponta para Maria. Olha que interessante, não é? É um rascunho. Ela tem aspectos positivos, mas, na maioria, os aspectos são de imperfeição, de vício e é um rascunho. E, isto será desenvolvido e educado para chegar no tipo do feminino, que é Maria de Nazaré. Então, é importante isto aqui, também, a gente destacar esta figura, Tamar, porque ela entra, assim, na narrativa, entra de uma maneira muito curiosa, interrompe e a gente vai entender por quê.

Por quê. Então, com isto, eu queria concluir este episódio, reforçando, mais uma vez, este aspecto da nossa compreensão. A gente precisa, de uma vez por todas, compreender o Antigo Testamento como um laboratório, um laboratório das experiências dos encarnados. Então, todos os erros, todos os erros que o encarnado pode cometer durante a vida física estão descritos com riqueza de detalhes no Velho Testamento. Todos. Você pode pensar em qualquer tipo de erro, em qualquer posição, seja erro masculino ou feminino, não importa, qualquer erro, de qualquer posição, de qualquer classe social, qualquer tipo de erro, na esfera privada, na esfera pública, qualquer erro está descrito no Velho Testamento.

Todas as imperfeições e paixões humanas estão retratadas e pintadas com tintas ofuscantes no Velho Testamento. Então, o Velho Testamento é o desfile da alma humana do ser encarnado na Terra. Ou, como Emmanuel gosta de utilizar, numa das fissografias no culto doméstico que o Chico fazia na casa do Romulo Joviano, foi publicado pela editora Vinha de Luz, Deus Conosco, essas obras, tem lá uma mensagem em que Emmanuel diz que o Velho Testamento deve ser comparado com uma grande floresta. Por que uma grande floresta? Porque é a floresta das imperfeições dos encarnados.

Então, a gente entra nessa floresta e as pessoas estão buscando a felicidade, elas estão buscando encontrar um lugar, mas muitas vezes elas se perdem, elas se perdem e aí cometem erros, depois elas voltam para essa floresta de novo, cometem erros, aí voltam de novo, voltam, voltam, até que elas aprendam a passar por essa floresta e com mais lucidez, com maior aproveitamento. Aliás, esse é um texto de Kardec, que está no livro Obras Póssimas. Kardec usa exatamente essa analogia do Espírito encarnado, é como alguém que vem em uma floresta e comete um tanto de erro, até que ele vai aprendendo, aprendendo, aprendendo, até que ele aprende a passar pela floresta ileso e aí ele se tornou um Espírito puro, não precisa mais passar por aqui.

Essa é a ideia, essa é a ideia. Esse texto de Kardec chama-se O Caminho da Vida. O Caminho da Vida. Então, é muito interessante isso. Então, o Velho Testamento é essa floresta. Aqui, por isso, que a gente estuda o Velho Testamento, para entender a experiência humana, a experiência dos encarnados e como que a lei de causa e efeito vai educando, porque comete um erro, aí resgata, está sendo educado, aí comete de novo, resgata, é educado, aí deixa de cometer, comete outro erro, aí é educado. E, nesse processo de resgate, repetição, resgate, repetição, o Espírito humano vai se aprimorando, vai se aperfeiçoando, vai evoluindo e se preparando para novas experiências mais audaciosas.

Quando todo esse quadro de imperfeições, de vícios, de paixões humanas é apresentado, conclui o Velho Testamento. Aí, fica a grande pergunta. Ok, nós já cometemos todos os erros, como acertar? Qual o caminho a seguir? Como viver de uma maneira íntegra? Como é que seria um ser humano ideal? Aí vem a resposta. Então, há séculos de perguntas, Deus responde com um ser. A resposta de Deus é uma consciência que Ele envia à Terra. É o Cristo, é Jesus que encarna para exemplificar como é a vida humana que Deus espera e sempre esperou na Terra, como é um ser humano ideal.

Essa figura do Cristo. Então, é importante a gente guardar isso, porque, senão, não entende o Velho Testamento e acredita que o Velho Testamento é o ensino. Não! O Velho Testamento ensina pelo resgate Ele ensina pelo resgate. Por isso que ele mostra um tanto de abominação e, pior, pessoas agindo, acreditando que Deus mandou, acreditando que aquilo é divino, como a gente, quantas vezes nós erramos na religião acreditando que aquilo era de Deus. E, até hoje, no movimento espírita, estamos cometendo erros gravíssimos, mesmo com o conhecimento espírita nas mãos.

Acreditando que estamos fazendo isso em benefício do espiritismo, em benefício da casa espírita, em benefício da federação, em benefício do movimento espírita. É a mesma coisa. É a mesma coisa, a mesma coisa. Então, a gente não pode esquecer esse aspecto fundamental do Velho Testamento. No próximo episódio, retomamos a história de José e encerramos a história linda dessa personagem. Até o próximo episódio! Legendas pela comunidade Amara.org Legendas pela comunidade Amara.org

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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