Neste episódio do estudo do livro Gênesis, conduzido por Haroldo Dutra Dias, mergulhamos nos desdobramentos da vida do patriarca Jacó, à luz da Doutrina Espírita, explorando as complexas relações familiares e as leis de causa e efeito que permeiam a narrativa bíblica.
O que é estudado neste episódio
- Reconciliação de Jacó e Esaú: O estudo inicia com o reencontro de Jacó e Esaú, onde, contrariando as expectativas de vingança de Jacó, Esaú o recebe com amor e perdão. Este momento é destacado como uma poderosa lição de misericórdia divina, mostrando que o Velho Testamento não se resume à lei do “olho por olho”, mas contém os germes da conciliação e do amor que Jesus viria a ensinar. A maturidade espiritual de ambos os irmãos, que já haviam resgatado seus enganos, permitiu que a lei divina jorrasse misericórdia.
- O episódio de Diná e a violência dos irmãos: A narrativa prossegue com o trágico episódio envolvendo Diná, filha de Jacó, que se apaixona por um príncipe estrangeiro. A reação violenta de seus irmãos, Simeão e Levi, que massacram os homens da cidade em retaliação à suposta “desonra” da irmã, é analisada como um ato de covardia e injustiça. Este evento é apontado como o início de um débito coletivo, gerando uma luta sem fim e uma intranquilidade que se estende por gerações.
- As perdas de Jacó e a sucessão de sofrimentos: Em meio a esses dramas, Jacó enfrenta novas perdas: a morte de Raquel no parto de Benjamim e, logo em seguida, a morte de seu pai, Isaac. Esses acontecimentos ilustram a sucessão de dificuldades e resgates dolorosos na vida do patriarca.
- A venda de José pelos irmãos: O estudo introduz a história de José, o filho preferido de Jacó, que é vendido como escravo pelos irmãos mais velhos. Este ato é contextualizado como a repetição de um padrão de enganos e conflitos fraternos que se manifesta desde Caim e Abel, passando por Isaac e Ismael, e Jacó e Esaú.
- A quebra do ciclo de enganos familiares: A história de José é apresentada como um ponto de virada. Ele é o personagem que, através de suas ações, irá quebrar o ciclo vicioso de vícios, maldades e crueldades que se perpetuam na família patriarcal. José representa a bússola que aponta para as propostas do Evangelho de solução de conflitos e equacionamento das heranças familiares.
Reflexões
- A misericórdia divina pode intervir nos processos da justiça quando o Espírito amadurece e se abre para o aprendizado, permitindo o resgate através do trabalho no bem e do amor, como exemplificado na reconciliação de Jacó e Esaú.
- Os erros e vícios podem ser perpetuados nas famílias e instituições, criando um “karma coletivo” que exige coragem e entendimento para ser quebrado, como se observa na repetição dos conflitos fraternos na linhagem de Jacó.
- A figura de José surge como um arquétipo daquele que, ao fazer diferente, é capaz de interromper o ciclo de enganos e violências, apontando para a solução dos conflitos através dos princípios do Evangelho.
Ler transcrição do episódio
A Luz da Doutrina Espírita Olá, pessoal, bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. Nós estávamos, no episódio anterior, comentando sobre todas aquelas circunstâncias e fatos envolvendo a vida familiar do patriarca Jacó. E fazíamos um comparativo das questões de causa e efeito envolvendo este patriarca. Nós exatamente paramos no ponto em que Jacó encontra-se com seu irmão Isaú. Então, ele fica temeroso, porque o Isaú vem com um grande exército de homens, e ele imagina, então, que o seu irmão vem ainda magoado, furioso, querendo uma desforra, querendo uma vindima em razão daqueles fatos do passado.
Mas, para a surpresa do Jacó, o seu irmão o recebe com todo o amor, quer conhecer suas esposas, seus filhos, e o Jacó insiste e insiste para que ele receba um presente. Ele aceita o presente, mas parte em paz e, ali, o Jacó consegue reconciliar-se com o seu irmão, não através de um resgate doloroso, não através do resgate da dor com o seu irmão, até porque o engano que ele praticou contra o seu irmão, ele, Jacó, já havia resgatado. O mesmo tipo de engano que ele praticou contra o seu irmão, o seu tio Labão praticou contra ele.
Ele, também, já tinha feito um acordo com o tio. Então, agora, a gente percebe aqui um elemento extraordinário, que é a misericórdia divina conduzindo os processos da justiça. Ele, Jacó, que já havia sofrido muito, já havia resgatado muito pelos enganos, não necessitava mais de um processo doloroso e aquela questão com o seu irmão era uma questão que o afligia interiormente muito, muito, muito. Então, aqui, a gente percebe a misericórdia intervindo, Ezaú, também, amadureceu, viveu, teve as suas experiências, quem sabe, também, não tenha vivido as suas dores, as suas lutas, não tenha resgatado, também, os seus erros e as suas imaturidades.
E, agora, vem os irmãos, então, se conciliam, mesmo depois da morte dos pais, mesmo depois deles já mais velhos, mas ocorre a conciliação. Então, a gente percebe, aqui, que o Antigo Testamento não é apenas uma lição de olho por olho e dente por dente. Este é um grande equívoco que a pessoa que lê apressadamente o Velho Testamento comete. Nós temos, aqui, diante dos nossos olhos, uma grande lição de perdão, de conciliação, de apaziguamento feito pelo amor, pelo amor. Então, nós temos o germem, aqui, da conciliação, o germem da pacificação, esta semente do amor que Jesus, depois, vai se utilizar com tanta propriedade, que Jesus vai focar com tanta energia, com tanta vontade, vai resgatar estas origens do Velho Testamento que são origens de amor, de conciliação.
A lei só atua enquanto o Espírito não se dispõe a aprender e a mudar o seu comportamento. Então, enquanto ele está refratário ao processo educativo da lei, a lei atua devolvendo na mesma medida. Mas, tão logo o Espírito amadureça, tão logo ele se abra para novas possibilidades educativas da lei divina, a lei jorra misericórdia, bondade e possibilidades do resgate através do trabalho no bem e do amor. Nós temos aqui uma prova viva disso, que é o encontro de Esaú com Jacó e a conciliação de uma luta épica destes dois irmãos.
Mas, nem tudo são flores, nem tudo são flores. Mostrando aí os dramas vividos por Jacó no seu clã familiar, nós teremos um episódio muito ruim, um episódio de muita covardia, que é um episódio envolvendo Diná. Diná se apaixona com um príncipe de uma nação estrangeira e, Como jovens enamorados, eles acabam mantendo relações sexuais e amorosas, quebrando a tradição da época de que a mulher deveria casar virgem, deveria seguir todo um pacto. Mas, ora, foi ali um roubo de dois jovens, é claro, Jacó nem sabia disso, Lia não sabia disso, os pais também do rapaz, os reis desse povo também não ficaram sabendo disso e aquele reinado, aquele povo também não tem responsabilidade nenhuma nisso.
Mas, tão logo os irmãos de Diná ficam sabendo deste episódio, Simeão e Levi, ficam sabendo que a sua irmã havia sido defraudada, que a honra dela havia sido conspurcada, mesmo ela amando e mesmo ela querendo casar, porque o rapaz foi lá e falou, não, eu caso, eu quero casar, vamos fazer a cerimônia e tal. Fizeram todo o pacto, estabeleceram tudo, o casamento da Diná com o com o rapaz e aí, no acordo, eles exigiram que todos os homens daquele povo fizessem a circuncisão e na noite, na noite do dia em que eles fizeram a circuncisão, todos os homens estavam lá, naquela situação que a gente sabe qual é, o Esses dois irmãos aqui, Simeão e Levi, invadem a cidade e matam impiedosamente todos os homens daquele povo, todos os homens daquele povo.
Então, foi uma chacina, uma coisa horrorosa, horrorosa. A ponto de Jacó dizer a Simeão e a Levi, vós me arruinastes, tornando-me odioso aos habitantes da terra, os cananeus e os ferezeus. Tenho poucos homens, eles se reunirão contra mim, vencer-me-ão e serei aniquilado com minha casa. Mas, eles replicaram, acaso se trata a nossa irmã como uma prostituta, eles ainda insistiram, insistiram naquela história, acreditando que a suposta desonra da irmã poderia dar-lhes o direito de matar centenas e centenas de habitantes.
E, aí, aqui começa uma situação muito complicada, muito complicada, porque o débito que até agora ficava circunscrito a pessoas, a indivíduos e a ambientes familiares, agora ele se estende e se transforma num débito coletivo, coletivo. Essa matança dos cananeus desse povo, que é os cananeus, exatamente, os habitantes do território do Israel, vai gerar uma luta sem fim até os dias de hoje. Vai gerar uma intranquilidade. Esse gesto desmedido, essa violência, vai criar uma situação horrorosa, horrorosa, né. Então, Deus, então, disse a Jacó levanta-te, sobe a Betel e fica-se a ti ali, ou seja, sai, vai embora.
Vai embora, Jacó tem que sair, então, da terra, vai para a Betel e, aí, o que acontece? Ele chega lá, Raquel dá à luz ao décimo segundo e último filho, que é o Benjamin, a tribo mais nova, o filho mais novo, que vai dar nome à décima segunda tribo, mas, no parto, Raquel morre. Ela morre no parto. Uma situação aí muito, muito terrível, né. Logo depois disso, também, nós temos a morte de Isaac. Então, logo, Raquel morre, o pai de Jacó também morre, Isaac. Então, assim, é uma luta, uma luta terrível, uma luta, um resgate muito doloroso, uma crise vivida por Jacó, uma sucessão de perdas uma sucessão de dificuldades e, agora, tendo que administrar esses filhos truculentos, completamente truculentos.
E isso vai acarretar, eu vou ter que fazer um pulo aqui, agora, fazer um pulo aqui para a gente já entrar um pouquinho, porque depois eu quero, no próximo episódio, reservar para essa história, mas é que a gente precisa introduzi-la. Essa história se desenrola e, aí, nós temos aquele episódio em que os filhos vão pegar o filho José, que era um filho preferido de Jacó, um filho muito espiritualizado e vão, eles vão vender esse filho. Iam matar, mas acabam vendendo e falam para o pai que o filho morreu. Então, olha o sofrimento desse homem.
E, aí, a situação se agrava de tal modo, de tal modo, que todo o clã, olha que interessante isso, são irmãos atentando contra o próprio irmão. Então, é uma coisa curiosa, por quê? Parece que é O grupo familiar, eles compartilham dos mesmos defeitos. Não é? Aquele ímpeto de Jacó de prejudicar seu irmão, aquele ímpeto de Isaac de prejudicar também seu irmão Ismael, não é? A incapacidade de Abraão de lidar com aquela história de Isaac e Ismael, de não controlar aquilo, de não usar da sua autoridade patriarcal para resolver e apaziguar aquilo, de deixar que aquelas coisas cheguem naquele ponto, por mero capricho das esposas, não terem ter vindo, isso passa para o próprio Isaac, aquilo se repete.
Então, a gente tem uma verdadeira aula de constelação familiar aqui, nesse texto livro. Uma verdadeira aula de constelação familiar. Como que os grupos familiares como as instituições, às vezes você chega em uma instituição que tem cinquenta, cem anos e a gente costuma dizer que a instituição tem uma cultura institucional. É uma cultura. Os erros, eles são mantidos, eles são conservados, não só as virtudes, não é só o patrimônio, não é só o prédio que é conservado, não. As falhas de administração, os vícios, não é?
Às vezes, as injustiças, elas são cultivadas pela instituição. Então, mudam as pessoas, mas os erros continuam sendo cometidos. Eles permanecem, não é? E, nas histórias familiares, também, também. Daí, a constelação, dizer da necessidade da gente reconciliar com a história das nossas gerações anteriores. Reconciliar, acolher a todos, não julgar, mas entender essa história toda de injustiças e Termos suficiente coragem e entendimento para fazermos diferente, para quebrarmos o ciclo familiar, o ciclo de engano familiar, porque eles vão se repetindo, eles vão se perpetuando, não é?
E, aqui, a gente percebe claramente isso. Então, volta à tona daquele problema de irmãos, novamente, os irmãos vendendo José e falando para o pai que o irmão estava morto, não é? Quer dizer, não bastou Abraão com seus dois filhos, Isaac e Ismael, que aconteceu a mesma coisa, não bastou os filhos de Isaac, Ezaú e Jacó, não bastou. Agora, a história volta novamente. Dessa vez, os filhos mais velhos contra José. E, José é levado, então, como escravo para o Egito. Mas, essa história terá uma grande reviravolta, uma grande reviravolta, porque José vai fazer exatamente o que nós estamos falando aqui.
O José vai quebrar essa herança da família patriarcal. Então, todos esses erros que estão sendo cultivados de Jesus de geração a geração, é como se todos esses Espíritos desse clã familiar compartilhassem vícios, maldades, crueldades, compartilhassem de uma falta de ética, mesmo, de uma falta de moral. Eles estão em conflito com a lei divina. A lei divina está ali colocando eles em situações para que eles aprendam a lei divina. Então, essa é uma história de causa e efeito, causa e efeito, causa e efeito, a todo momento.
A história dos patriarcas é causa e efeito, causa e efeito, causa e efeito, mas, aí vai chegar um indivíduo que vai cortar isso, vai cortar o mal pela raiz. Ele vai dar um basta em toda essa história da geração toda, fazendo diferente. E, a maneira como ele faz tem tudo a ver com o que o Evangelho propõe, o que o Evangelho propõe. Então, José também é uma grande seta lá no Velho Testamento, uma grande bússola apontando, apontando para o Evangelho, apontando para a proposta do Evangelho de solução de conflitos, a proposta do Evangelho de equacionamento dessas heranças familiares, malditas, vamos dizer assim, dessa maldição aí, maldição não que alguém fez, é uma maldição da própria família, que perpetua práticas iníquas, que perpetua práticas violentas.
Porque, o que os irmãos fizeram lá com aquele povo, com o noivo lá da Diná, é uma coisa truculenta, injusta, brutal, covarde. É covardia pura, é covardia pura. Mas, esse carma coletivo será resgatado. Será resgatado duramente, duramente, e aqui, o nosso coração só pode, só deve se encher de misericórdia. Porque, aquele que pratica a violência, a crueldade e a truculência é digno de misericórdia. Porque, ele, pela lei de retorno, receberá na mesma intensidade do mal praticado, a menos que ele se corrija, a menos que ele decida transformar-se e aderir às propostas do bem e do amor.
Mas, não é o caso aqui dos filhos. O pai tenta diverti-los e eles falam não, não estou errado, ainda acho que estão certos. Então, eles são uma amostra do Espírito que se cristaliza. Mesmo praticando o mal, mesmo sendo truculento, ele acha que está certo. Então, aqui, a gente percebe que esses irmãos não se corrigiram, eles sequer admitem que estão errados e insistem na sua conduta, insistem no seu comportamento acreditam que estão certos e justificam a sua conduta. Justificam. Encontram uma maneira de achar que o fato da sua irmã ter perdido a virgindade antes do casamento justifica matar centenas de pessoas covardemente, centenas de inocentes, covardemente, para defender uma suposta honra da irmã, que ia casar com o rapaz que tirou a virgindade dela, que iria se casar.
Então, a situação já estava resolvida, o pai já havia resolvido, já estava acordado, tudo certo, eles aceitaram até a circuncidade para poder reparar o mal, tudo poderia prosseguir com com de uma maneira pacífica, poderia ter sido dada uma solução tranquila para esta situação, mas, eles preferiram a covardia, o ódio à guerra. E, aí, nós vamos ver um retorno disso tudo e que situação e a figura que vai colocar fim a isso, que é José. Então, no próximo episódio, a gente comenta sobre José e Como que ele acolhe, como que ele resolve esta questão que é familiar e que é coletiva.
Uma questão que é familiar e que é coletiva. Então, até o próximo episódio. Mais profundos, mais amplos do conhecimento de Deus, das Suas leis e da vida. É importantíssimo aqui
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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