#097 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

video
play-sharp-fill
Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Neste episódio, Haroldo Dutra Dias nos guia pelo capítulo 24 do livro de Gênesis, encerrando o ciclo de Isaque e preparando o terreno para o ciclo de Jacó. Acompanhamos a transição da missão do monoteísmo de Abraão para seu filho Isaque, e a busca por uma esposa alinhada aos propósitos divinos.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis, Capítulo 24: A narrativa da busca de uma esposa para Isaque. Abraão, em sua velhice, encarrega seu servo de encontrar uma mulher para Isaque, que dará continuidade à linhagem patriarcal e à missão do monoteísmo.
  • O Encontro no Poço: O servo de Abraão, seguindo as instruções divinas, encontra Rebeca junto a um poço. A jovem oferece água a ele e a seus camelos, demonstrando hospitalidade. Este evento é um “tipo literário” ou “motivo” recorrente na Bíblia, que se repetirá com Jacó e, posteriormente, com Jesus e a mulher samaritana (João, Capítulo 4).
  • A Importância da Família na Primeira Revelação: A formação da família e a vida cotidiana são o alicerce onde a primeira revelação divina se enraíza, destacando a importância de uma esposa alinhada aos propósitos espirituais.
  • A Água e o Poço como Símbolos: A água, essencial para a sobrevivência no deserto, simboliza as necessidades vitais e cíclicas do ser encarnado. O poço, local de encontro e de provisão, representa a condição de fragilidade e dependência do Espírito na carne.
  • A Hospitalidade como Regra de Sobrevivência: Em sociedades nômades, a hospitalidade não é apenas um ato de boa vontade, mas uma regra fundamental para a sobrevivência e preservação das tribos e comunidades.
  • A Mulher como Símbolo da Encarnação: A mulher que oferece água do cântaro é uma metáfora do útero materno, essencial para a encarnação do Espírito.
  • Contraponto entre as Águas: É feita uma antecipação do diálogo de Jesus com a mulher samaritana, onde a “água viva” oferecida por Jesus transcende as necessidades físicas, simbolizando a água espiritual que sacia a alma eternamente.

Reflexões

  • A condição do encarnado é de constante dependência e atendimento de necessidades físicas, um ciclo que se repete incessantemente até a morte do corpo.
  • A encarnação nos impõe uma necessidade absoluta da hospitalidade e cuidado de outros seres humanos, desde o nascimento até a velhice.
  • O Velho Testamento foca na vida corporal e nas regras de bem proceder na existência física, enquanto o Novo Testamento, sem anular o primeiro, acrescenta elementos da vida espiritual e da eternidade, preparando o terreno para a Terceira Revelação, que esclarece a relação entre ambos.

Ler transcrição do episódio

Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis à Luz da Doutrina Espírita. E hoje, avançando no nosso ciclo, já que este estudo do Gênesis se encaminha para uma conclusão, mas faltam ainda alguns ciclos para a gente estudar, nós vamos encerrar o ciclo de Isaac, porque no próximo episódio nós já adentramos no ciclo de Jacó, depois dos filhos de Jacó, especialmente José, para concluirmos as gerações, os ciclos do livro Gênesis e os temas principais, aqueles fios condutores que situam uma boa interpretação do Velho Testamento.

Sem o conhecimento destes fios condutores, nós ficamos perdidos com algumas narrativas dos Evangelhos e do Novo Testamento como um todo. O exemplo disso é o tema de hoje. Nós vamos estudar o capítulo 24 do livro Gênesis, no qual providências são tomadas a pedido do próprio Deus para que ocorra o casamento de Isaac. Isaac, o patriarca, herdeiro de Abraão, Abraão já na sua velhice, se preparando para a morte, transfere para Isaac a missão do monoteísmo e aqui, naquela visão patriarcal da família antiga, de três mil anos atrás, do Oriente, é preciso, então, encontrar uma mulher para Isaac, a fim de que ele dê prosseguimento a essa família patriarcal.

Isso é um ponto muito importante. Todo o desenvolvimento da primeira revelação, em especial aqui dos patriarcas, se dá no âmbito da família. Então, é a constituição da família e é em torno da vida cotidiana da família que a primeira revelação se enraiza. Então, ela se estrutura nesse ambiente familiar. Daí, a importância de encontrar uma esposa, mas não uma esposa qualquer, uma esposa que esteja alinhada com esses propósitos da espiritualidade superior, esses propósitos divinos, relativamente à missão dos patriarcas e do povo hebreu.

Agora, o fato que nos chama a atenção aqui, olha isso, o texto diz assim, especialmente no versículo 10 em diante, que o servo de Abraão tomou dez camelos de seu senhor e levando consigo de tudo o que seu senhor tinha de bom, para dar como dote, para você encontrar uma esposa, você tem que pagar o dote. Diz que ele levou tudo o que tinha de bom, pôs-se a caminho de Aram na Araim para a cidade de Nacor. Ele fez ajoelhar os camelos fora da cidade, perto do poço, à tarde, na hora em que as mulheres saem para tirar água.

Olha a narrativa aqui, para os camelos no poço, eles se ajoelham à tardinha, que é o horário que as mulheres vêm para buscar a água do poço e fazer o suprimento do dia seguinte. Então, pega no finalzinho do dia e aquela água serve até o outro dia, no finalzinho. Finalzinho do dia para a gente, porque na tradição do povo hebreu, o dia começa às dezoito horas. Na nossa tradição ocidental, pós-calendário gregoriano, etc., o dia começa depois da meia-noite. Então, deu meia-noite e um, começou um novo dia. Para o povo hebreu, não.

Deu dezoito horas e um, começa um novo dia. Então, elas vinham, na verdade, dezessete e pouquinho, no final do dia e início do novo dia. Importante a gente ter isso em mente. Começava um novo dia e você fazia a provisão de água para aquele dia que começava. Isso é muito importante a gente atentar para isso. Então, ele fez ajoelhar as camisas. Então, disse o Senhor, Deus, serve hoje propício e mostra a tua benevolência para comer o Senhor Abraão. Isso é o servo orando, pedindo a Deus que ele seja generoso. Eis que estou junto à fonte e as filhas dos homens da cidade saem para tirar água.

A jovem a quem eu disser, inclina o teu cântaro para que eu beba e que responder, bebe e também a teus camelos darei de beber. Esta será a que designaste para o teu servo Isaque. E assim saberei que mostraste a tua benevolência para comer o Senhor. Então, o teste consistia em ele pedir a água para as mulheres e aquela que oferecesse água para eles e para os camelos, que apresentasse tal hospitalidade, a ponto de oferecer a água, essa era a escolhida para ser a esposa, a futura esposa do Isaque e aí o servo começaria as tratativas, procuraria o pai dessa moça, ofereceria os dotes, apresentaria o rapaz e entraria ali no acordo, no contrato pré-nupcial, já encaminhando tudo para o casamento desse patriarca.

E olha o que aconteceu, não havia ele acabado de falar e eis que saiu a Rebeca, filha de Batuel, filho de Melca, a mulher de Nacor, irmão de Abraão. Olha só, trazendo o seu cântaro sobre o ombro. Então, ficou ali entre família, como sempre fica nessas sociedades. A jovem era muito bela, era virgem, nenhum homem dela se aproximara. Ela desceu a fonte, encheu seu cântaro e subiu. O servo correu para diante dela e disse, por favor, deixa-me beber um pouco da água de teu cântaro. Ela respondeu, bebe, meu senhor, e abaixou depressa seu cântaro sobre o braço e o fez beber.

Quando acabou de lhe dar de beber, disse, vou dar de beber também até os camelos, até que fiquem saciados. Apressou-se em esvaziar seu cântaro no bebedouro, correu ao poço para tirar a água e tirou-a para todos os camelos. O homem a observava em silêncio, perguntando a si mesmo se o senhor tinha ou não levado a bom termo sua missão. Quando os camelos acabaram de beber, o homem tomou um anel de ouro, pesando meio ciclo, em seus braços dois braceletes, pesando dez ciclos de ouro e disse, de quem és filha? Peço-te que me digas, haverá lugar na casa de teu pai para que passemos a noite?

Ela respondeu, eu sou filho de Batuel, o filho de Melca, que gerou a Nacor, e prosseguiu em nossa casa a palha e forragem em quantidade e lugar para pernoitar. Então o homem se prostrou e adorou ao Senhor e disse, bendito seja o Senhor, Deus, de meu senhor Abraão, que não retirou sua benevolência e sua bondade a meu senhor. Deus guiou os meus passos à casa do irmão de meu senhor. Acabou que ele foi para casa e vai descobrir que é o próprio irmão do Abraão. Mas o que é interessante aqui, qual o tema que surge aqui, qual o motivo, qual o tipo literário que surge?

O encontro no poço, isso é muito importante. Isaac vai encontrar sua esposa, Rebeca, no poço. O servo pede água e ela dá água e dá água aos camelos. Jacó vai encontrar sua esposa no poço e vai trabalhar sete anos para conquistar a mão, aquela história toda, no poço. E depois nós vamos ter uma história do poço novamente. No capítulo 4 do Evangelho de João, Jesus também encontra a mulher samaritana no poço. Então, olha que é aqui uma temática, a temática, porque o poço era o local do encontro, o local em que as mulheres vinham e era o único momento em que alguém poderia travar um contato com a mulher sem ser na presença dos seus pais, do seu pai ou dos seus irmãos.

Então era um momento socialmente permitido em que um homem podia se aproximar respeitosamente, é claro, e pedir água. E aí, pela prestatividade, pela maneira como aquela mulher respondia a esse pedido de água, eram, então, iniciadas as tratativas para um futuro casamento, que foi o que aconteceu com Isaac. Então, olha como é que os temas são interessantes, porque o mesmo motivo, o mesmo tipo vai ocorrer com Jacó. E depois nós vamos ver o próprio evangelista João repetindo essa história e agora colocando Jesus, lá como o sétimo marido, aquele nome simbólico, aquela interpretação toda da mulher samaritana, que é um texto de uma riqueza, de uma riqueza enorme, profunda.

Então, o que que nos chama a atenção aqui? Uma coisa que a gente precisa ficar atento é como que o texto bíblico é literatura. Nós não nos cansamos de falar isso. Todo episódio aqui, nós estamos repetindo isso, é literatura. Então, esse fato de posicionar os personagens em um poço, esse roteiro, é um roteiro. O servo chega, ele pede água, aí a mulher baixa o cântaro, deixa ele beber água, aí ela oferece para dar água aos camecas, é um roteiro, é um script, é uma história. Da mesma maneira, se você pegar todas as novelas, você vai ver que há um padrão, tem o vilão, a vilã, o bonzinho, aí acontece, tem um script e, em função desse script, você é capaz de adivinhar qual será a história.

Então, o que que o texto está nos revelando aqui? Que quem escreveu isso, as pessoas que escreveram isso, porque é um conjunto de pessoas ao longo do tempo, elas possuem fórmulas literárias que elas aplicam. Tanto que vai passar quase dois mil anos e João Evangelista vai pegar essa fórmula do poço e vai aplicar no caso da mulher samaritana para narrar o encontro de Jesus com a mulher samaritana, seguindo o mesmo script aqui de Gênesis 24. Quando nós estivermos estudando Jacó, nós vamos voltar de novo nesse poço. Então, aqui, ou seja, é um núcleo temático e, se você abre isso aqui, ele solta vários aromas, várias cores, como um vinho.

Qual que é a temática que surge aqui? Primeiro, do nômade que necessita de hospitalidade. O nômade que precisa ser acolhido, precisa pernoitar porque dormir no deserto, ficar sozinho no deserto é expor a própria vida, é correr muitos riscos e também o perigo da própria intempérie, do próprio clima, porque o deserto esfria demais à noite e a pessoa, os animais podem até morrer. Então, você compromete a sobrevivência ou compromete a viagem. Pode ser assaltado, etc, etc. Então, a hospitalidade nessas sociedades nômades, nessas sociedades do deserto, a hospitalidade é quase que uma regra de direito internacional.

É quase que um acordo que as famílias, as nações têm de preservação mútua. Então, a hospitalidade não é apenas um ato de boa vontade, porque hoje nós não necessitamos mais fazer isso. A sociedade está estruturada, está organizada na cidade, tem pousadas. Mesmo na época, na cidade, você tinha as pousadas e a pessoa podia ficar. Mas, aqui na situação do deserto, não. Aqui na situação do deserto, a hospitalidade implica sobrevivência. Então, hospitalidade é o cumprimento de uma regra internacional de preservação das tribos, de preservação das comunidades.

Então, esse é o primeiro ponto. O segundo ponto que chama a atenção aqui é a busca da água, a água que descedenta, a água que atende a uma necessidade vital, porque é impossível sobreviver sem água, sobretudo no deserto. Então, isso é importante a gente pontuar, porque a água aqui, ela vai assumir também um sentido espiritual. Quer dizer, eu sempre recorrer ao poço, eu ter a necessidade de todo dia, todo dia, todo dia, no final do dia, início do dia seguinte, as mulheres vêm com os cântaros e enchem os cântaros. É o que vai acontecer?

Vai esvaziar, vai ter que encher de novo, vai esvaziar, vai ter que encher de novo, vai esvaziar, vai ter que encher de novo. Então, esse processo, ele diz, espiritualmente falando agora, trazendo a interpretação, o sentido espiritual, ele diz da existência corporal, da encarnação do Espírito. O Espírito encarnado é alguém que está nesse processo repetitivo de atendimento de necessidades orgânicas. Então, todo dia você tem que beber água, todo dia você tem que comer, nem só todo dia, em horários específicos, você tem que beber água, você tem que comer, aí você come, bebe água, depois, no dia seguinte, a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa.

Então, é um ciclo, é um ciclo sem fim, o ciclo sem fim do atendimento às necessidades corporais. O que coloca o encarnado, primeiro, em uma posição de fragilidade? Por que fragilidade? Porque ele sempre terá necessidade de atender a essas demandas do seu corpo físico, sempre. É cíclico, sempre. Por mais que você coma, amanhã você vai ter fome. Olha que coisa! Então, é insaciável, não tem fim, não tem fim. Só tem fim quando o corpo morre. E, aí, o Espírito entra num outro patamar de realidade, num outro nível de existência.

Então, este poço com esta água simboliza a condição de fragilidade, de necessidade do encarnado. Tem que estar sempre renovando, sempre pegando a água. Segundo, a necessidade da hospitalidade. Por exemplo, você reencarna e, nos primeiros sete anos, se você não tiver um outro ser humano cuidador, você não sobrevive. Um bebê acaba de nascer, se não tiver um cuidador, um outro ser humano cuidador, ele não sobrevive. Ele não sobrevive e ele não se desenvolve. Então, a encarnação nos impõe uma absoluta necessidade da hospitalidade de outro ser humano.

Então, nós necessitamos da hospitalidade de um ser humano que vai nos alimentar nos primeiros dias da vida e até um determinado ponto. Nós necessitamos da hospitalidade daqueles que vão nos acolher em suas residências. Nós temos necessidade de seres humanos que nos ensinem a falar, a interagir com a cultura, ler, escrever, etc., a sobreviver por conta própria. Então, ninguém, nenhum encarnado se fez sozinho, com autossuficiência. Nenhum encarnado é autossuficiente. Nenhum. Nenhum encarnado. Em um determinado momento da vida dele, pode adquirir poder, riqueza, recursos e acreditar-se autossuficiente.

Mas, ele não é. Tanto que ele envelhece de novo, aí tem uma doença, novamente vai necessitar ou sofre um acidente, acontece uma coisa, está ele lá, novamente, voltando àquele estágio inicial da encarnação de total dependência de outro ser humano para poder sobreviver. Então, é uma grande metáfora, isso tudo. A gente passa, aqui, ligeiro, por este capítulo 24, coisa sem graça, a Rebeca foi no poço, pegou água, deu para o camelo, isso não tem nada a ver comigo. Tem. Se a gente entende o símbolo, se a gente entende a metáfora aqui, isso aqui é um símbolo da condição do encarnado, é um símbolo da nossa condição.

Ou seja, 100% dependentes da hospitalidade de alguém e portadores de necessidades fisiológicas que não tem fim. Vão sempre se repetir, sempre se repetir. Então, esta é a condição corporal, é a condição de quem possui um corpo físico. Ponto final. O simples fato de você encarnar, você já está nesta condição aqui, descrita na passagem. É extraordinário isso, extraordinário. E, aqui, bonito, porque a mulher, no centro, aqui, desta passagem, ela que oferece a água, um grande símbolo também, porque nós necessitamos de uma mulher para encarnar, necessitamos entrar no útero dela, necessitamos do cântaro dela.

Qual que é o cântaro? O útero. O cântaro, aqui, que vai fornecer a água, é o útero. Se não tiver uma mulher que ofereça seu cântaro para que a gente possa beber da água e ficar lá nove meses, e, depois disso, ser cuidado, não tem encarnação para ninguém. Não importa quão importante você é, quão bonito você é, quão poderoso, quão inteligente, não importa. É preciso haver uma mulher que vá oferecer desse cântaro, cheio de água, para que você ocupe a posição de encarnado e desenvolva a sua história como encarnada, o seu plano reencarnatório.

Este é o grande símbolo, aqui, desta passagem, e é por isto que este símbolo vai aparecer lá na Mulher Samaritana e lá o diálogo vai sair apenas aqui das necessidades físicas, que é o que está sendo abordado em 24 no capítulo 24 de Gênesis, e Jesus vai fazer um contraponto. Vai falar para ela assim, se você soubesse quem está te pedindo água, é você que pediria água. Então, aí começa a ter duas tipos de água. A água que a mulher pode oferecer e a água que o Cristo oferece. Uma água espiritual que você toma uma vez e nunca mais vai precisar tomar de novo.

Por quê? Porque ela é uma água que você toma e ela se transforma em uma fonte dentro de você. Você toma esta água e ela passa a jorrar água eternamente. Então, é como se você bebesse uma cachoeira, se a cachoeira entrasse dentro de você. É mais ou menos esta história. Então, vai haver este contraponto. Então, isto é bonito, simples assim e um grande símbolo espiritual está sendo desenvolvido, um grande padrão literário e a gente precisa identificar isto, porque estes padrões literários, por exemplo, o encontro do patriarca com a sua mulher no poço é uma pecinha de lego.

Então, o livro de Gênesis é composto de várias peças de lego, uma azul, outra vermelha, outra verde, uma de um tamanho e outra do outro. Quando você identifica estas pecinhas, você vai ver que estas peças se repetem ao longo dos livros, na Bíblia inteira, no Velho e no Novo Testamento. E, o que você tem que fazer? É o que nós estamos fazendo aqui. Nós estamos separando a pedrinha. Então, nós vamos ver o capítulo 24, e depois o Jacob vai ter também o poço. Separamos aqui. Nós vamos ver lá no capítulo 28, já a partir do capítulo 27, o capítulo 28, que vai acontecer a mesma coisa com o Jacob.

Também é a história de um poço e lá ele encontra a sua pretendida, é enganado pelo sogro, e nós vamos ver esta história toda. Mas, é uma pecinha. Então, você separa as pecinhas e vai reencontrar isto lá no capítulo 4 do Evangelho de João. Mas, vai encontrar isto também em vários profetas. Eles vão retomar este tema aqui, porque é um tema muito importante. Ele vai aparecer em vários aspectos. E a gente tem que estar separando estas pecinhas. Por isso que o nosso estudo aqui de Gênesis é este estudo de identificar estas pecinhas, para que a gente aprenda como que a estrutura é construída, do que que esta estrutura literária é composta, quais são os tijolos.

Aqui, hoje, nós identificamos um tijolo. Este é um tijolo básico, que é o encontro aí de Isaac com a sua futura esposa no poço, e recebendo dela o acolhimento, recebendo da água, este grande símbolo, então, da condição do Espírito encarnado. É disto que nós estamos falando aqui. Aliás, para a gente encerrar, fica aqui uma dica profunda. De resto, todo o Velho Testamento, via de regra, todo o Novo Testamento, ele está focado na condição de encarnado, na condição do encarnado, no aspecto físico, ter um corpo físico, estar encarnado na Terra, ter que conviver com as suas próprias questões fisiológicas, com as suas necessidades físicas, etc.

Ter que se relacionar com os outros e integrar uma comunidade, também, de seres corpóreos. Então, o Velho Testamento trata da vida corporal. Qual a ética, qual a moral desejada por Deus para a vida corporal? Quando nós ingressamos no Novo Testamento, ele retoma isso, claro, só que, aí, ele vai acrescentar outros elementos que dizem respeito, agora, à vida espiritual. Não à vida espiritual, eu vou dizer desencarnar e ir para o mundo espiritual. Não é isso. Mesmo estando encarnado, há aquelas necessidades espirituais, há os vínculos espirituais, as relações com o mundo espiritual, o nosso posicionamento mesmo encarnado perante a eternidade e a vida espiritual.

Por isso que se completa. Então, um trabalha o aspecto corporal, a existência corporal, as regras de bem proceder na encarnação, na vida física, e o outro, as regras de proceder da eternidade, do Espírito imortal, mesmo sem corpo, mesmo não estando encarnado. Por isso que o Evangelho é mais amplo e ele já prepara para a terceira revelação, que vem apenas explicar os dois elementos. A terceira revelação vem explicar, vem esclarecer esses elementos da vida corporal e esses elementos da vida espiritual e as relações entre ambos.

Então, isso é importante para a gente pensar como que as três revelações se articulam. E, aqui, a gente encerra Isaac, no próximo episódio, então, um novo ciclo, um ciclo de Jacó. Com isso, a gente completa os três grandes patriarcas, Abraão, Isaac e Jacó. Isso é muito importante, porque quando nós falamos de monoteísmo bíblico, nós estamos falando do Deus, de Abraão, Isaac e Jacó. Então, esse monoteísmo tem uma história, ele tem raízes, ele possui patriarcas, ele possui uma base e é em cima dessa base que tudo mais é construído.

Então, até o próximo episódio. Os altos e os baixos moram da culpa de si. Tem uma região nessa guerra chamada de culpa de si. E aí?

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Hide picture