#093 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do livro Gênesis do Velho Testamento, à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias aprofunda a discussão sobre o conceito de fé, iniciado em episódios anteriores. O estudo se baseia na Carta aos Romanos, capítulo 4, onde Paulo aborda a fé de Abraão em contraste com as leis e códigos moralistas.

O que é estudado neste episódio

  • Fé como Confiança e Relacionamento: A fé não é meramente acreditar, mas sim confiar, o que implica estabelecer um relacionamento com Deus. Este relacionamento é peculiar, pois não é entre iguais, mas entre a criatura e o Criador, a inteligência suprema e o amor infinito.
  • A Natureza de Deus: Deus é uno, imutável, coerente, soberanamente justo e bom, onipotente, e sua lei é a lei do amor universal, tratando todos os seres em pé de igualdade. Ele transcende o humano, não se deixando aprisionar por caprichos ou preconceitos.
  • A Exigência da Fé Bíblica e Raciocinada: A fé bíblica e espírita exige a entrega total do ser humano, incluindo sua inteligência, razão, conhecimento, experiência, sensibilidade, compaixão e amor. Deus confia que o ser humano usará plenamente seu potencial para discernir o certo do errado e para agir com sabedoria e amor.
  • Falsos Problemas da Fé Cega: A crença de que fé é apenas acreditar gera “falsos problemas” ou “falsos paradoxos”, como a ideia de que Deus pediria atos irracionais ou cruéis. A fé verdadeira, ao contrário, exige o uso de toda a capacidade humana para compreender a vontade divina.
  • Jesus como Modelo de Fé: Todas as figuras do Velho Testamento, incluindo Abraão, buscavam um padrão de fé que só foi plenamente alcançado por Jesus Cristo. Ele representa o modelo perfeito de fé e confiança em Deus, utilizando todo o potencial humano para servir ao Pai.
  • A Aliança entre Ciência e Religião: A fé raciocinada, conforme defendida pelo Espiritismo, exige que a razão e o conhecimento científico sejam empregados na busca da verdade. Kardec, no Evangelho Segundo o Espiritismo, enfatiza que a fé verdadeira deve ser capaz de encarar a razão e se aprimorar constantemente.
  • Abraão e a Entrega do Máximo: Embora Abraão tenha cometido erros, ele deu o máximo de si dentro de seu contexto. O desafio para o ser humano hoje é entregar o máximo de sua inteligência, amor, sabedoria e sensibilidade, pois Deus espera o uso pleno de todo o potencial.
  • A Fé como Superação Constante: A fé é uma relação exigente que demanda superação contínua, pois Deus, sendo inteligência suprema e amor infinito, espera que a criatura entregue o melhor de si em todos os aspectos.

Reflexões

  • A fé não é uma crença passiva, mas uma confiança ativa que exige o uso integral de todas as faculdades humanas – razão, inteligência, sensibilidade e amor – para se relacionar com o Criador.
  • Deus, em sua perfeição, espera que utilizemos todo o nosso potencial, não apenas uma parte, para discernir Sua vontade e agir em conformidade com o amor e a sabedoria.
  • Jesus é o modelo de fé que nos mostra como integrar plenamente a inteligência e o amor em nossa jornada espiritual, superando a fé cega e fanática.

Ler transcrição do episódio

Olá, estamos aqui em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis do Velho Testamento, Gênesis de Moisés, a Luz da Doutrina Espírita. No episódio anterior, nós comentamos sobre a Carta aos Romanos, capítulo 4, em que Paulo fala de Abraão, a questão dos códigos, das leis, das regras moralistas e da confiança em Deus, do Espírito que sabe qual é a vontade de Deus a seu respeito e segue às vezes incompreendido, criticado, apedrejado, cumprindo a vontade de Deus, embora desagradando aos homens, desagradando ou não correspondendo às expectativas dos homens.

Este é um ponto muito importante. Agora, vamos aprofundar um pouquinho mais sobre o tema da fé. Nós já havíamos falado, nos episódios anteriores, que fé não é acreditar, fé é confiar. Explicamos, também, detalhadamente, que você não confia se não estabeleceu antes um relacionamento. A fé ou a confiança no Deus Único implica, em primeiro, estabelecer uma conexão, uma relação com Deus, um relacionamento com Deus, uma relação com Deus Único. Se é um relacionamento, imagina, de um lado eu tenho uma pessoa, do outro lado eu tenho outra pessoa, de um lado eu tenho você, do outro lado eu tenho Deus.

Olha que relacionamento diferente, peculiar. Por que peculiar? Porque não é uma relação entre iguais. Não é como você se relacionar com outro espírito criado, com uma outra criatura, limitada, embora mais evoluída que você, ou menos, mais ou menos evoluída, mas criatura. É uma relação diferente. Aqui, nessa relação, do outro lado, há a inteligência suprema, o amor infinito, um ser imaterial, incorpóreo, soberanamente justo e bom, onipotente, um Criador, que é um, porque não tem outro, como Ele. Então, Ele possui as perfeições no grau máximo, porque não há ninguém que se equipare a Ele.

E, mais, Ele é Uno, tudo o que Ele faz tem uma marca de unidade, tem uma sintonia. A lei natural, a natureza, está em sintonia com a lei moral, que é a mesma. Então, a lei moral, a lei natural, a lei divina, o natural, é a mesma lei, é uma só. Então, há uma unidade. Este Deus não se contradiz, Ele é imutável, Ele não se equivoca, Ele não atende a anseios humanos, Ele não atende a caprichos humanos, Ele não atende a preconceitos humanos, Ele não se deixa aprisionar por uma cultura humana, por uma língua, por uma cultura.

Por um costume, por um hábito, por aquilo que é humano, Ele transcende o humano, Ele está acima de tudo o que é humano, porque Ele é perfeito e absolutamente coerente. E, nós já sabemos, porque Ele já se manifestou, a sua lei é a lei do amor para a comunidade universal. Todos os cílios são tratados em pé de igualdade. Ninguém possui prerrogativa, imunidade ou direito de prejudicar outro em ninguém. Nossa, então, vai ficar ficando difícil. É com este ser que nós pretendemos estabelecer um relacionamento. E, confiar.

E, do outro lado de cá? Do lado de cá, nós temos um ser humano dotado de razão, que pensa, que raciocina, que calcula, que reflete, que escolhe, que discerne, que sente, que se emociona, que ama, que se comove, que tem sonhos, que tem anseios. Quando se estabelece uma relação com Deus, a fé é a confiança que a criatura tem no Criador e a confiança que o Criador tem na criatura. Agora, o que que acontece? Nós pensamos em fé como o ato de acreditar. Então, se você pensa que fé é acreditar, você vai ter alguns problemas sérios, que nós vamos chamar, aqui, de falsos problemas ou falsos paradoxos.

Por que falsos paradoxos? Porque esses problemas só existem para aquelas pessoas que pensam que fé é acreditar. Então, vamos lá. Primeiro problema. Tem um leão faminto e chega alguém, um religioso, um religioso, e diz assim, Deus está mandando que você enfie a cabeça na boca do leão. Deus está mandando que você mate a outra pessoa, porque ele precisa que você mate alguém para que o trabalho dele seja realizado. Se fé é só acreditar, então, o que que significa isso? Que, nessa relação com Deus, Deus só está te pedindo de acreditar.

Ele não está pedindo para você pensar, ele não está pedindo para você sentir, ele não está pedindo para você se comover, ele não está pedindo nada de você a não ser acreditado. Então, é um falso problema. Na fé bíblica, na confiança bíblica, Deus está pedindo de você tudo o que você tem, tudo, incluindo a sua razão, o seu conhecimento e a sua experiência. Nossa, mas eu não tinha pensado nisso. Sim, não é uma relação com Deus? Ele não é a inteligência suprema? Você confia na inteligência suprema de Deus? Confia? Pois bem, Deus confia na sua inteligência também.

Deus confia que certas coisas você vai resolver com a sua inteligência, porque não é possível você cometer certos erros tendo já a inteligência que você tem. Não é. É uma cobra que te pica e você fala não, eu acredito em Deus, então esse veneno aqui, a pessoa inteligente já vai procurar o antídoto. Por quê? Porque Deus confia que você vai usar a sua inteligência para remover os obstáculos do seu caminho. Ele confia em você. Deus confia que você será sensível à dor do outro. Confia que você terá compaixão. Confia que você vai colocar o seu sentimento para funcionar.

Então, numa decisão, Ele confia e diz, ó meu filho, tenha compaixão. Tenha compaixão. Deus espera que você tenha compaixão. Isso é fé. Então, se Deus espera que você use toda a sua inteligência, toda a sua experiência, toda a sua sensibilidade, todo o seu sentimento, essa fé aqui é uma entrega total, é uma parceria plena, plena. Não adianta você entregar mais ou menos para Deus. Ele não espera que você entregue o que não pode dar. Porque, quem deu tudo de si a mais não é obrigado. Mas, a pergunta é, você deu tudo que podia dar?

Olha como o tema é desafiador. Isso é a fé. Essa é a fé bíblica. Essa é a fé raciocinada do Espiritismo. Essa é a fé raciocinada. Então, eu vou fazer um trabalho, está aqui um trabalho espiritual, então, vamos fazer uma capa de um livro, vamos fazer uma peça de teatro. Vem cá, você quer trabalhar para Deus? Você está sentindo um chamado para fazer essa atividade? Estou. O que você é capaz de fazer? Não, eu tenho experiência. Então, faça cem por cento do que você é capaz de fazer. Porque Deus não espera noventa e nove por cento de você.

Deus confia no total. Deus confia que você vai usar cem por cento da sua sabedoria, cem por cento da sua experiência, cem por cento do seu talento, não é oitenta, setenta, sessenta, cinquenta, é cem por cento. Ele espera que você vai fazer o melhor que você é capaz de fazer. Ele não espera oitenta por cento de dedicação, Ele espera cem por cento de dedicação. O máximo que você puder dar. Agora, você deu o máximo e alguém diz que o trabalho não ficou bom, não esquece, você não deu o máximo, você está em aprendizado.

Tudo o que a gente faz é melhor do que quem está evolutivamente abaixo da gente e é pior em comparação com quem está evolutivamente superior a gente. É sempre assim. Você pode escrever um livro e dizer que é o máximo. Aí, um Espírito Angélico diz que não é bem o máximo. Razoável, mas, para alguém que está igual ou abaixo de você, está ótimo. Não é esse o critério. O critério é você deu o máximo. Qual é a diferença aqui? Jamais eu vou imaginar que Deus chegou para mim e falou para eu matar alguém. Por quê? Porque Deus confia que eu, Haroldo, vou usar a minha inteligência, a minha sabedoria, o meu conhecimento, a minha sensibilidade, a minha compaixão para saber que Deus jamais pediria isso.

Isso não é de Deus. Porque Deus exige todo o meu potencial. Nesta relação, Ele exige todo o meu potencial, como Ele dá tudo. Deus, quando age, toda a ação divina tem a marca de 100% de inteligência. É a inteligência suprema. Tudo o que Deus faz tem a marca da inteligência suprema. Tudo o que Ele faz tem a marca do amor infinito. Então, é natural que Ele não espere de nós a não ser o máximo que nós pudermos dar, o máximo da competência. Por isso que o Espiritismo fala da fé raciocinada, porque não tem sentido uma fé cega e fanática.

Porque, em uma fé cega e em uma fé fanática, você não está dando a Deus, você não está correspondendo com a expectativa que Deus tem do uso da sua inteligência. Você não está usando a inteligência que Ele te deu. Você pode estar usando só a sensibilidade, só o sentimento, mas não está usando a razão. Ou, você pode estar usando só a razão, mas não está usando a sensibilidade. Deus espera tudo, espera que você use tudo num grau máximo. Então, é uma relação exigente. É uma relação exigente. Por isso que fé não é acreditar.

Ah, não, eu acredito que Deus está mandando eu pôr a cabeça na boca do leão. Sendo que qualquer pessoa com a mediana inteligência sabe que isso é uma bobagem. Ah, não, Deus está me pedindo para entrar naquela igreja e matar todo mundo. Qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade, se fosse seu filho lá, e se naquela igreja tivesse sua mãe, seu pai, seus filhos, todos os seus familiares, você faria isso? Qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade, com o mínimo de humanidade, jamais faria isso? Então, como é que você quer estar em uma relação com Deus se você não usa o mínimo da sua sensibilidade, o mínimo do seu sentimento?

Você não está relacionando. Então, aqui é o desafio. O desafio é porque Deus não está pedindo que você dê o que não tem. Ele não está pedindo que você tenha uma sabedoria que você não conquistou, ou que você tenha uma percepção que seria humanamente impossível você perceber aquilo. Então, Deus conta que, em função da nossa imperfeição, nós vamos cometer erros. O que Deus não espera é que você deixe de usar o que você já tem. Inteligência, razão, experiência, sabedoria, reflexão, sensibilidade, amor, compaixão, humanidade, e isso tudo é fé.

Isso tudo é fé. Então, o que nós vamos entendendo aqui? Por que nós estamos falando sobre isso? Porque aqui nós precisamos entrar em um tema que é mais complexo. Todas as personagens do Velho Testamento, e Paulo dirá isso corajosamente, porque isso não era aceito pelos hebreus como não é aceito até hoje. Paulo vai dizer que todas as personagens do Velho Testamento estão buscando um padrão de fé que só foi alcançado com Jesus Cristo. É isso mesmo. Tudo era um rascunho, tudo era um projeto, um projeto que foi sendo aprimorado, que foi sendo aprimorado, que foi sendo aprimorado, até chegar no modelo.

Um projeto que chegou no modelo, um modelo perfeito para a humanidade terrena. Terrena. Terrena. Por que terrena? Porque situações da Terra. Não tinha como Jesus vir aqui e exemplificar situações que não são vividas no planeta Terra. Não tem sentido. Ele exemplificou para situações que um encarnado na Terra pode viver e experimentar. Modelo. Então, ele é modelo. Todos os outros foram esboços, tentativas, incluindo Abraão, que é o primeiro até o último, foram aprimoramentos, aprimoramentos no projeto até chegar no modelo.

Chegou no modelo, agora é só replicar o modelo. Jesus é o modelo da fé em Deus. É o modelo da confiança em Deus. Jesus usa tudo, todo o potencial humano para servir a Deus. Fé É usar todo o potencial humano para se relacionar com Deus, incluindo a inteligência e a razão. Então, se eu não uso toda a razão, se eu não procuro estudar, aprender, aprimorar o meu pensamento, eu não estou tendo fé em Deus, como Jesus quer. Por isso, Kardec irá escrever no capítulo 1 do Evangelho segundo o Espiritismo o item A Aliança entre a Ciência e a Religião.

Ele irá dizer se a doutrina espírita afirmar algum ponto e a ciência vier a comprovar e a desmentir, naquele ponto, nós vamos recuar, corrigir e avançar. Por quê? Porque a fé verdadeira, fé verdadeira, tem que usar todo o potencial da razão. A fé verdadeira tem que ser capaz de encarar a razão em qualquer época da humanidade. Qualquer época, por quê? Porque a razão vai aprimorando. Eu não posso permanecer parado, eu tenho que aprimorar. A minha inteligência, a minha razão tem que aperfeiçoar, aperfeiçoar toda a inteligência, toda.

Então, não é ah, eu confio em Deus, então eu vou menosprezar a inteligência e os recursos humanos. Pelo contrário, eu tenho que usar todos os recursos da ciência humana. Depois de esgotado todos os recursos, aí eu vou usar outros. Isso é fé. Eu vou usar toda a sabedoria, toda a sabedoria humana. Porque, às vezes, a solução do seu problema está num diálogo que você vai ter com uma pessoa mais experiente do que você. E, ela vai dizer assim, meu filho, não faça isso. Eu já vivi, já cometi esse erro. Deixe-me te dizer, relacionamento é assim, trabalho, profissão é desse jeito, não é assim que você faz.

Você precisa agir dessa maneira. Já tem pessoas com experiência, já tem pessoas que viveram, são mais sábios, você tem que beber dessa sabedoria e isso é fé. Isso é fé. É uma confiança que usa tudo e, também, a sensibilidade. A sensibilidade, a compaixão, o sentimento, o amor, aquilo que é interior, que vem do coração, tem que ser usado nessa relação com Deus, na fé. Então, é engraçado que você coloca um vídeo de bebês, de criancinhas, aí, todo mundo se comove, de criança, a gente se comove. Ou, então, um cachorrinho, um vídeo de cachorrinho, de animal, a gente se comove.

Essa comoção, essa sensibilidade, esse sentimento, você tem que levar para a relação com Deus, porque, senão, você não vai perceber Deus. Se você não usar toda a sua sensibilidade, você não vai ter fé. Nossa, eu não imaginava que era isso tudo. É isso tudo. É isso tudo. Por isso que está lá o lema, espíritas, amai-vos, primeiro mandamento, instrui-vos, segundo, porque a fé verdadeira vai exigir o máximo grau de sabedoria que você puder alcançar e o máximo grau de amor. Se você não estiver dando todo o amor que você tem e se você não estiver utilizando toda a inteligência que você é capaz de usar, você não está confiando em Deus, porque ele não é a inteligência suprema.

Como que a inteligência suprema vai se comunicar com alguém que não usa a inteligência? Com uma pessoa mística, crédula, que acredita em qualquer bobagem, em qualquer fantasia, que não investiga nada, que não duvida de nada, que não pensa, que não reflete, que não aprende, que menospreza o conhecimento que a humanidade já adquiriu e acredita em qualquer bobagem, qualquer bobagem, menosprezando, assim, conhecimentos simplórios da ciência humana. Como é que a inteligência divina vai se comunicar com alguém que não usa a inteligência?

Ora, como é que o amor infinito da criação, que é Deus, vai se comunicar com alguém que não usa o coração? Alguém que não usa sensibilidade? Alguém que você fala em colocar uma arte misturada com a palestra espírita, a pessoa horroriza, porque não pode. Como? Como? Não vai ter sensibilidade? Não vai ter sentimento? Não vai se tocar? Então, como é que você quer experimentar o amor infinito de Deus? Então, aqui surge quando nós dizemos que Deus estabelece um plano para a criatura na vida particular dela, coloca a criatura em um conjunto de circunstâncias e Manifesta uma vontade para aquela criatura particular, Deus manifesta esse propósito contando que você vai usar o máximo da sua inteligência e o máximo do seu amor, nem um por cento menos, o máximo, o máximo do seu talento, o máximo da sua capacidade.

Então, você pode chegar aqui e dizer é Abraão cometeu uns erros, não é? Claro, ele viveu há dois mil e quinhentos anos atrás, era uma outra sociedade, era um outro tempo, era uma outra humanidade, mas, ninguém pode dizer que ele não deu o máximo dele. Em alguns momentos, ele falhou, nós vamos ver aqui, ele não deu o máximo que ele podia dar, nós vamos ver isto aqui, mas, em alguns momentos, ele deu o máximo. Agora, se era imperfeito, não tem problema, o tempo passou, dois mil e quinhentos anos passaram. Hoje, a humanidade tem muito mais recursos do que Abraão teve.

O que seria dar o máximo nosso hoje? Então, este é o desafio, porque, aí, nós saímos deste falso problema da fé cega, porque a fé cega é uma fé de pessoas acomodadas. Eu diria mais, a fé cega é uma fé de pessoas covardes, que não estão dispostas a dar tudo o que tem a Deus. Então, é curioso isto, porque, assim, você vê uma pessoa fanática que tem fé cega, mas, ele é um ótimo comerciante. Então, no comércio, para ganhar dinheiro, ele usa toda a inteligência, toda a sabedoria, mas, nas coisas de Deus, ele não usa a inteligência.

Aí, você vai vê-lo dentro de casa, com os filhos, ou, às vezes, com a esposa, com o marido, ele usa toda a sensibilidade, todo o amor dele, mas, com o próximo, ele não usa. É curioso isto. Então, é uma fé cega, fanática, por quê? Porque a criatura não está dando o melhor que ela tem a Deus. Não está. Então, nós vemos especialistas para ganhar dinheiro, para profissão, para arte, para alguma coisa, mas, na hora que vai tratar com Deus, entrega o pior. Entrega o pior e recebe sempre o melhor, porque Deus nunca dá o pior.

Deus sempre dá o máximo que Ele pode e o máximo que é dEle é absoluto. O máximo de Deus é a inteligência suprema e amor infinito. Deus nunca entrega menos que isto. Escuta aqui, Deus nunca entrega menos do que a inteligência suprema e amor infinito. Então, a pergunta é o que você está entregando? É o máximo da sua inteligência? É o máximo do seu coração, do seu sentimento? Não! Então, você não está em uma relação ideal. Com Deus. Nem eu. Nem eu. Porque, se eu estivesse entregando toda a minha inteligência na minha relação com Deus, talvez eu não estivesse mais encarnado ou precisando encarnar.

Porque não tem nenhum Espírito bobinho, hoje, encarnado. Todos somos milenares com vastas experiências, vastas experiências, experimentados todos nós somos. Mas, não estamos dando o máximo. Então, aqui, a gente fica com este desafio do que é a fé. E, aí, a gente entende Jesus. Jesus não fica invocando Deus toda hora. Ele usa a inteligência. Quando perguntava para Ele, tem que pagar atributo? Ele diz, quem que está na moeda? Aí, é César. Então, dá César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Usou a inteligência.

Surpreendendo todo mundo. Por quê? Queriam que Ele desse uma resposta fanática. Queriam que Ele desse uma resposta partidária, que Ele tomasse partido, lado A ou lado B. E, o que Ele usou? A inteligência. Usou a inteligência fina, uma inteligência de Cristo. Para dar uma resposta brilhante. Deixou todo mundo perplexo. E, ainda, elogiou o centurião de Cafarnaum, quando Ele falou, eu vou lá curar o seu servo. Aí, o centurião falou, mas para quê? Sou eu ir lá, para quê? Eu sou o centurião, dou uma ordem aqui, o soldado vai, para que você precisa sair?

Você tem muito mais recurso do que eu, só você dá uma ordem. Aí, Jesus falou assim, nem em Israel, eu vi uma fé como essa. Por quê? Porque o centurião usou toda a inteligência, toda a experiência, experiência de centurião. Ele usou a experiência de centurião, para chegar a uma conclusão de fé. Usou inteligência. Usou tudo. Usar tudo. Usar tudo. Sensibilidade, amor, inteligência, porque Deus não espera menos do que o seu máximo. Deus não espera menos do que o seu máximo. Então, se você não usou toda a sua inteligência, não venha culpar Deus.

Se você não usou todo o seu sentimento, não venha por culpa em Deus. Não venha por culpa. E, é essa fé desafiadora. Por isso, quando fala a palavra fé, eu, sim, até me arrepio, até me calafrio, porque ela é uma fé exigente, exigente. Você tem que estar sempre se superando, sempre se superando, para estar bem nesta relação, que é a relação criatura-criador. Até o próximo episódio, onde nós vamos prosseguir em um exemplo gigantesco de fé. No próximo episódio, nós vamos falar da aquedar de Isaac, do grande acontecimento que é quando Abraão leva Isaac para ser sacrificado.

Esse é um fato importantíssimo. Muita coisa vai se desvendar a partir desse acontecimento. Até o próximo episódio. Cada um com a sua cruz, cada um com a sua lição, cada um com o seu problema. Mas, a lei de amor trata todos iguais. Não existe alguém melhor que o outro, perante Deus, não. Mas, e perante os homens? Perante os homens, também.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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