Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no livro de Gênesis, abordando a história de Abraão como o alicerce do monoteísmo e da Primeira Revelação. O estudo destaca a importância de Abraão para a formação do povo hebreu e a concepção de um Deus uno, presente e atuante na vida individual e coletiva, um conceito que Allan Kardec explora no capítulo 3 de “A Gênese”, no item “A Providência Divina”.
O que é estudado neste episódio
- A figura de Abraão como o patriarca fundamental para o monoteísmo e a Primeira Revelação.
- A distinção entre o monoteísmo de Abraão e o de outras civilizações antigas, enfatizando a ideia de um Deus uno que expressa seus atributos na obra da criação.
- A imanência de Deus, que age nos mínimos detalhes da vida, conforme o conceito hebraico de supervisão individual e a abordagem de Kardec em “A Gênese”.
- A experiência religiosa de Abraão, que se manifesta nas questões cotidianas, como a preocupação com um herdeiro, e a importância de vivenciar a espiritualidade no dia a dia.
- A análise do capítulo 15 de Gênesis, considerado o coração da história de Abraão, e a crítica às traduções que obscurecem a riqueza do texto original hebraico.
- A promessa divina a Abraão de uma descendência inumerável como as estrelas do céu, interpretada como uma “semente” no singular, que Paulo de Tarso identificará com o Cristo.
- A universalidade da mensagem cristã, que se origina na promessa a Abraão e se estende a todos os Espíritos alinhados com o monoteísmo e a lei divina, formando a descendência espiritual do patriarca.
- A importância de retornar às origens das fés monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo e espiritismo) em Abraão, buscando a união e a fraternidade universal.
- A advertência aos espíritas sobre o risco de sectarismo e a necessidade de viver a caridade universal e o respeito às diferenças, conforme os ensinamentos de Allan Kardec sobre o “homem de bem”.
Reflexões
- A espiritualidade não se restringe a eventos extraordinários, mas se manifesta nas experiências mais corriqueiras da vida, revelando a Providência Divina em cada detalhe.
- A descendência de Abraão é espiritual, abrangendo todos os que abraçam o monoteísmo e a lei divina, independentemente de sua origem, promovendo a fraternidade universal.
- A pureza da mensagem monoteísta e cristã, que se universaliza através do Cristo, deve ser resgatada, evitando o sectarismo e o preconceito que desvirtuam sua essência.
Ler transcrição do episódio
Olá, amigos, estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, à luz da doutrina espírita e hoje dando sequência a esse novo ciclo do estudo de Gênesis, porque, afinal de contas, nós adentramos na história do patriarca, dos patriarcas, o alicerce do povo hebreu e, portanto, a base sobre a qual foram depositadas as revelações, as instruções do mundo espiritual superior que compõem a primeira revelação, assim chamada primeira revelação. Nós temos um hábito, para efeito de simplificação, referirmos-nos à primeira revelação como Moisés, mas sabemos que Moisés representa uma síntese, representa uma conclusão de um grande trabalho que se iniciou aqui, com esse patriarca chamado Abraão, com a sua família e com os movimentos que ele fez interiores e exteriores para a fixação do monoteísmo, um monoteísmo muito diferente do monoteísmo dos círculos iniciáticos do Egito, da Mesopotâmia, da Índia Antiga, da China Antiga, da China Milenária, um monoteísmo que trabalha não somente a ideia de um Deus único, de apenas um Deus criador e governador do cosmos, mas de um Deus uno, um Deus que expressa as suas características ou os seus atributos, como está referido na questão 13 do Livro dos Espíritos, um Deus que expressa esses atributos na sua obra.
Portanto, a obra da criação, embora apresente uma diversidade infinita, ela guarda um plano de unidade e esse plano de unidade torna possível reconhecer o autor da obra. O autor da obra é esse Deus que se apresenta, que se revela, que se desvela ao longo de toda a literatura bíblica, e mais, um Deus presente, um Deus que age, que atua, age no plano individual, porque veremos aqui na linguagem simbólica do livro Gênesis, Deus agindo na vida de um homem, na vida da família, como também nos reinos, nos reis, nas comunidades, agindo no mundo.
Então, não é um Deus ausente, um Deus apenas transcendente, ele é um Deus, também, imanente. Isso é muito importante, muitíssimo importante, porque Kardec irá desenvolver essa ideia no capítulo 3 do livro A Gênesis, no item A Providência Divina. Nesse item, Kardec resgatará, para a mentalidade espírita, a ideia do Deus imanente, do Deus, Providência Divina, que age nos mínimos e ínfimos detalhes da nossa vida. É o conceito hebraico de supervisão individual. Nós, todos, todas as criaturas de Deus, estamos sob a supervisão individual da Providência Divina, assim como o planeta, no seu plano global, também está sob a supervisão da Providência Divina.
Então, isso é muito importante, nós veremos isso aqui, que a grande obra do monoteísmo, a primeira revelação, ela não vem com elementos espetaculares, pelo contrário, ela se processa, ela começa, ela finca suas raízes na vida de um indivíduo e esse indivíduo espalha essa revelação, essa ação divina, na sua família. Depois da família, é que ele vai para a comunidade. Então, a primeira revelação não começa com um grupo de pessoas, ela começa com um indivíduo, um indivíduo que vai vivenciar, que vai experimentar essa ideia de um Deus Único, essa ação do Deus Único na sua vida.
Pode parecer, no primeiro momento, quando a gente lê, nós comentaremos hoje mais especificamente o capítulo 15 do livro Gênesis, porque esse capítulo é muito importante. Eu diria que esse capítulo é o coração da história do patriarca Abraão. Ele é tão importante que Paulo vai retomar esse capítulo nas suas cartas, mas Paulo, como um doutor da lei, não vai se utilizar de traduções, esse é um grande equívoco. Eu leirei aqui um texto da tradução da Bíblia de Jerusalém que, nesse ponto, é muito falha, muito falha. Faz uma tradução querendo ser literária, querendo agradar o leitor, mas comete, realmente, um verdadeiro crime com o texto original e retira do texto original, ao traduzir, toda a riqueza que a gente pode interpretar, todas as consequências que a gente pode retirar do texto, em suma, o espírito da letra, que é o que Paulo fará.
E o mais curioso é que for traduzido esse texto por cristãos, cristãos que leram as cartas de Paulo, leram a interpretação de Paulo e, ao traduzirem o Velho Testamento, nublam o texto, obscurecem o texto de Gênesis, tornando difícil até a pessoa entender a carta de Paulo, porque, com essa tradução da Bíblia de Jerusalém, a pessoa não consegue entender de onde Paulo extraiu a sua interpretação desse texto. É um paradoxo, é um paradoxo, mas revela a inabilidade da maioria dos religiosos para tratar do Velho Testamento, o que não é nenhuma novidade, o que não deve despertar em nós nenhuma decepção, porque Emmanuel foi muito claro, no capítulo 4 do Livro ao Caminho da Luz, ao dizer que o Velho Testamento constitui a ciência secreta do povo hebreu que só poderia ser interpretado pelos grandes mestres da raça, os grandes mestres do povo hebreu.
É um monumento erguido pelo povo hebreu, cifrado, que contém séculos e séculos de experiência religiosa, séculos e séculos de vivência, de espiritualidade e religiosidade que foram expressadas, é claro, segundo a cultura, a língua e O gênero literário que eles estavam acostumados. Nós veremos aqui todos estes detalhes, vamos utilizar o texto original, vamos explorar as consequências que Paulo tira no próximo episódio deste texto, mas é importante compreender este texto. Então, eu vou ler aqui a tradução. Então, Abraão, o texto começa assim Depois destes acontecimentos, a palavra do Senhor, de Adonai, foi dirigida a Abraão numa visão.
Não temas, Abraão. Aqui, ele ainda chamava Abraão. Eu sou o teu escudo. Tua recompensa será muito grande. Abraão respondeu, meu Senhor, Adonai, fala o nome, não é? Que me darás? Continuo sem filho. Então, este é um ponto que nós precisamos, aqui, prestar atenção, prestar bastante atenção. Nós estamos falando de um indivíduo que viveu aproximadamente três mil e quinhentos anos atrás. Então, nós não estamos falando de um indivíduo que vive no mundo da internet, do facebook, do instagram, do whatsapp, do avião, do carro, não.
Nós estamos falando de um indivíduo que é pastor nômade, de um indivíduo que vive no deserto, criando ovelhas, cabras, plantando ali o que dá, colhendo frutos, comendo frutos, frutas desidratadas, castanhas, amêndoas, damasco, uma carne desses rebanhos pequenos, vive se deslocando e mora no deserto, mora em tendas e desloca nesse deserto com um grupo de pessoas. A poligamia era permitida, então, esse indivíduo aqui tem servos e servas, filhos com essas servas, tem mais de uma esposa, toda essa família se deslocava.
E, a preocupação, qual que é o problema dele aqui? Ele não possui um herdeiro, não possui um herdeiro. E, nós precisamos compreender isso, que, embora nos pareça uma questão menor nos dias de hoje, para esse homem, no contexto cultural em que ele vive, esse é um grave problema. Então, o que nós vamos perceber aqui? Quando nós mergulhamos na literatura bíblica, nós não vamos encontrar aqui uma religiosidade mística, extraordinária, que trata de questões fora da normalidade. Não. A vivência religiosa desses patriarcas é experimentada nas questões mais corriqueiras, nas questões mais simples da vida cotidiana.
E, isso é importante ressaltar, porque essa, hoje, é uma grande fratura da nossa religiosidade e da nossa espiritualidade. Nós não conseguimos experimentar religiosidade e espiritualidade, por exemplo, dentro de casa, ao fazer refeições com os familiares, porque nós acreditamos que toda a vida privada não pode interessar a Deus. Aliás, Kardec começa o item Providência Divina, do capítulo 3, do livro Gênesis, colocando essa pergunta do cético. Como pode Deus, tão grandioso, tão onipotente, o Todo-Poderoso, se imiscuir nas mínimas questões da vida de um encarnado?
Ele coloca essa dúvida na boca de um cético, ou seja, Kardec coloca essa dúvida e, depois, ele vai rebater essa dúvida. Ele não vai concordar com essa atitude. Essa não é uma atitude espírita cristã. Não é uma atitude espírita. Essa não é uma orientação do Espiritismo. Mas, parece-nos que esse não é só um problema dos Espíritas. É um problema da religiosidade atual, da espiritualidade atual. Em algumas pessoas, até, preciso dizer, existe até um mecanismo de fuga. As pessoas querem fugir dos deveres, da rotina, da vida cotidiana, que é a relação afetiva, a criação dos filhos, o trabalho, o fato de dirigir um carro até o trabalho, ter que abastecer um carro.
Elas querem excluir essas ações, aparentemente, sem importância, da religiosidade e da espiritualidade. Então, elas querem se preocupar com o quê? Com arcanjos, com extraterrestres, com mundos, com universos. Elas, que são questões justas, são questões importantes, não estamos retirando a importância disso. Agora, essas questões não podem tomar mais do que o tempo necessário, porque o nosso foco tem que ser o campo onde a gente vence a partida, onde o jogo é vencido. Que é no plano cotidiano. Então, a primeira lição, aparentemente simples, é esta.
Qual será a experiência religiosa do homem que vai fundar o monoteísmo? É importante ser dito isso aqui. Não haveria espiritismo se não houvesse Abraão. Jesus não poderia ter vindo e trabalhado da maneira como ele trabalhou, não fosse a vida deste encarnado, que encarnou quase dois mil e quinhentos anos antes de Jesus. Então, para que Jesus pudesse vir e falar do sermão da montanha, foi preciso dois mil e quinhentos anos vir um Abraão encarnar. E, como é que ele experimenta Deus? Na falta de um filho homem, porque ele precisava de um descedente para deixar sua herança para entregar sua propriedade, para dar continuidade, para dar continuidade.
Então, aqui, a gente percebe coisas extraordinárias, porque, hoje, o paradigma do mundo é absolutamente individualista. Nós vivemos sem nos preocupar em deixar um planeta para os nossos filhos. Queremos o fluir. Se sobrar planeta para os nossos filhos. Olha aqui, nós não temos nem a preocupação de deixar o planeta para os nossos filhos, para os nossos netos. Não há uma preocupação de preservação ambiental para que os nossos netos possam sofrer. São as pessoas que a gente ama. Não. Basta que a gente usufrua. Então, o paradigma tem sido cada vez mais individualista.
Se eu estiver satisfeito em minhas necessidades, não me importa quem vem depois. É uma mentalidade, porque o egoísmo chegou em um ponto tão exacerbado, que é a mentalidade de olha, só não pode acabar comigo. É aquela história assim, olha, vai faltar água hoje, eu vou tomar banho, vou fazer tudo, porque a água só não pode acabar comigo, se não sobrar para o problema dos outros. Aqui, não. Então, aqui, a gente vê um homem que tem tudo. Ele tem tudo. Para o que a época dele enxergava como prosperidade, ele tinha tudo.
Tinha esposa, tinha servos, tinha um rebanho, tinha as tendas, comerciava, não lhe faltava nada. Não lhe faltava nada. É importante isto. Só lhe faltava o sentido de continuidade. Então, ele queria um herdeiro. Ele queria alguém para quem ele pudesse entregar a tocha. Então, a primeira lição que nós extraímos aqui deste texto de Gênesis, porque nós, muitas vezes, nós mesmos, vinculados ao trabalho, não temos esta preocupação com a sucessão, com a entrega. Muitas vezes, trabalhamos na Serrara do Cristo de modo excelente, mas não preparamos as pessoas que vão dar continuidade ao trabalho.
Não temos esta preocupação, porque a gente se contenta que o trabalho se esgote com a nossa ação pessoal. E, não fosse esta preocupação, aqui, deste patriarca, não haveria Isaac, não haveria Jacob, não haveria Doze Tribos. Por quê? Porque ele é o pai de Isaac e ele é o avô de Jacob, e ele é o bisavô das Doze Tribos de Israel. Então, quando ele diz assim, eu não tenho um descendente, eu não tenho um descendente, a preocupação dele é como é que nós vamos formar um povo, eu não tenho um descendente. E, ele vai experimentar a presença e a ação divina a ação divina nos mínimos detalhes, nos mínimos detalhes.
Este é um ponto importantíssimo da espiritualidade, que, se nós tivermos maturidade, a gente consegue perceber isto. Eu me recordo aqui, e peço licença para citar este caso pessoal, até porque não tem jeito, de uma vez que, em uma reunião mediúnica, o médico incorporou no médium e perguntou se alguém estava precisando de alguma coisa, e eu disse que estava com um problema na região tal, e não falei nada. O Espírito impôs a mão e, logo, sentia aquele calor, e começou a descrever uma viagem que eu havia feito para fazer uma palestra e começou a descrever todo o meu estado de ânimo, todas as agruras que eu passei na viagem.
E, você ficou nervoso, aconteceu isto, e eu não havia dito nada, nem tinha intimidade com o médium, ele não sabia nada da minha vida, do cotidiano da minha vida pessoal, e o Espírito descreveu tudo, falou, mas fique tranquilo, ainda falou algumas coisas, aplicou o passe. Naquele momento, eu pude experimentar espiritualidade e religiosidade em um fato corriqueiro, um fato que, para outra pessoa, eu estou contando para você, e para você não tem valor, porque a viagem não foi sua, não foi você que viveu o problema, não foi você que recebeu aquele auxílio.
Então, quando o auxílio vem em um detalhe da sua vida particular, você tem uma experiência genuína de espiritualidade, não é uma experiência de livro, não é uma experiência puramente intelectual, você tem uma vivência, e vivência é alicerce, é alicerce intransferível, porque não adianta nem eu te contar esta história, eu estou contando só para ilustrar, mas não vai fazer sentido, não vai te tocar, como me tocou, não vai. Então, para Abraão, a experiência religiosa dele vem do fato de ele ter recebido a promessa de que teria um filho, em condições que humanamente seria impossível ele gerar, e não é que o filho veio, veio, veio.
Então, é importante a gente atentar para isto, voltar a entender a época e transpor para o nosso tempo a lição que está aqui, a lição que está aqui. Às vezes, você pode estar desempregado, pode estar com um problema emocional, deprimido, passou por uma perda afetiva, ou filho, algum problema, e você vai ter a grande experiência de religiosidade, de espiritualidade, na sua vida, com uma intervenção que você vai sentir, uma intervenção da providência divina, neste detalhe da sua vida. E, a partir disto, a sua experiência de fé não será uma experiência de quem fala da boca para fora, será uma experiência de quem viveu, de quem sentiu a sutileza da expressão de Deus na vida individual.
Então, este é o primeiro ponto que nós temos que chamar a atenção. Aí, aqui, traduz assim, Abraão disse, «Eis que não me deste descendência, e um dos servos de minha casa será meu herdeiro». Está se referindo aqui a Ismael, que era o filho de Hagar, serva dele. O nosso Ismael, o governador espiritual do Brasil, é o Ismael. Mas, como ele era filho da escrava, ele não poderia ser o herdeiro oficial. Então, foi-lhe dirigida esta palavra do Senhor, «Não será isso o teu herdeiro, mas alguém saído do teu sangue». Ele o conduziu para fora, e aqui é o texto importante, e disse, «Ergue os olhos para o céu e conta as estrelas, se as pode contar».
E acrescentou, «Assim será a tua posteridade». Abraão criou no Senhor e foi tido em conta de justiça. Então, agora, vamos ler o texto original, para retirar os aspectos criminosos da tradução. Vou ler aqui, a partir do versículo 4. Vamos ler. «Veinér devar Adonai, eis que a palavra do Senhor a palavra do Senhor a ele Então, eis que surgiu, eis que veio a palavra do Senhor a ele, dizendo, não te apossará. Olha só, não te apossará. Este não te apossará, senão este que sairá desde as tuas entranhas. Texto forte, não é?
Ele te apossará, e fez sair a ele para fora, e disse, olha agora para os céus e conta, e enumera, contar no sentido de enumerar as estrelas, se podes enumerar enumerar elas, não é? E disse a ele, assim será a tua semente descendência, posteridade, assim será a tua semente, no singular, e creu no Senhor. E Ele considerou como justiça para ele. Considerou isto como justiça para ele. Abraão Este é o texto original, difícil, não é? Mas, o importante aqui é semente está no singular, semente. Então, uma semente que vai gerar vários frutos.
Esta ideia é bonita, porque ela remete à árvore, a semente, a plantação, a árvore. Isto é bonito, porque nós vamos ver tudo na obra subsidiária a ideia da árvore e do Evangelho. A árvore e do Evangelho. Por que? Nós vamos ver isto no episódio posterior, Paulo irá tomar este texto aqui e ele vai comentar isto aqui, e disse a ele, assim será a tua semente, quer dizer, como as estrelas do céu que você não pode contar, que você não pode enumerar, assim será a tua semente, semente no singular. E, aí, Paulo, brilhantemente, vai interpretar a semente de Abraão é o Cristo.
O grande herdeiro de Abraão, que irá produzir frutos inumeráveis, e olha a ideia de universalidade, porque os herdeiros de Abraão serão mais numerosos do que as estrelas do céu. Kardec chega a comentar isto aqui, também. Ele fala que isto aqui é uma descendência espiritual, que são os Espíritos alinhados com o monoteísmo, os Espíritos em sintonia com o plano de unidade da lei divina. Esta é a descendência. Toda vez que o Espírito se converte a este plano de unidade e passa a agir, pensar e sentir em consonância com esta lei divina que é única, esta lei que é divina e natural ao mesmo tempo, ele se torna, de fato, não só de direito, mas, de fato, um herdeiro, um descendente do patriarca Abraão.
Isto é importante. Por isso que o Deus bíblico é um Deus que tem sobrenome. Ele é o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob. Ele é este Deus. Ele é este Deus com estas características aqui, com este plano, com esta ação, este Deus que expressou seu propósito, que planificou a sua manifestação no mundo ao longo do tempo. Então, bonito aqui o texto, atua semente. E, este texto é lindo, porque Corravim, Corravim, as estrelas, eu digo para ele contar as estrelas, ele diz que não tem como contar. É um deserto sem luz nenhuma, aquela multidão de estrelas.
Ele diz que é assim. O que será? Assim será a tua semente. É uma semente que vai gerar. E, é a partir deste texto que Paulo extrai a ideia da universalidade da mensagem cristã, da universalidade do Evangelho. E, aí, ele se torna apóstolo dos gentios, o apóstolo das nações, porque ele entende que esta luz, que esta fé que Abraão manifestou, é uma fé que precisa ser universal, precisa abranger o mundo inteiro, o mundo inteiro. Aliás, isto não é novo, há um movimento muito bonito na Palestina, em Israel, que une os crentes de Malmé, os muçulmanos, os judeus e os cristãos e esta organização tem um nome, chama-se Filhos de Abraão.
Filhos de Abraão. Cristãos, judeus e muçulmanos se abraçam, se confraternizam, dão as mãos para encontrarem aquilo que os une, aquilo que os vincula e não aquilo que os separa. E, aqui, é bonito, por quê? Se os muçulmanos voltarem às suas origens, se os cristãos voltarem às suas origens, se os espíritas voltarem às suas origens, se os judeus voltarem às suas origens, vão chegar onde? Em Abraão. Vão chegar em Abraão, neste patriarca. É daqui que sai a semente e esta semente vai frutificar, gerando árvores, muitos frutos e Milhares e milhares e milhares de outras sementes.
É um processo de multiplicação. Se o mal se multiplica, o bem, também, com muito mais força, porque o bem é eterno. Ele multiplica e ele dura para sempre. Só o mal é temporário. É um texto fabuloso, um texto importantíssimo do nosso estudo aqui de Abraão, um texto que possui profundas implicações, além destas que Paulo extraiu, que é o aspecto da descendência da semente, entendendo que Jesus vai concretizar a promessa feita a Abraão. Porque, só Jesus confere universalidade à fé monoteísta. Olha que interessante isso.
A expressão da fé de Jesus, como aquele que viveu a lei divina na sua mais alta pureza, que expressava a lei divina na sua mais alta perfeição, só Ele pode imprimir a essa fé monoteísta as características de universalidade. Agora, se os movimentos humanos, se o cristianismo, se outras vertentes obscureceram esse aspecto universalista da mensagem cristã, se eles imprimiram a mensagem cristã com caráter fisiológico, sectarista, não é culpa do Cristo nem da sua mensagem. Mas, dos seguidores, que, não compreendendo a essência do Evangelho, empalideceram, deturparam mesmo, obscureceram, em alguns casos, mataram a mensagem cristã, a ponto de dizermos em cristianismo redivivo ou ressuscitado.
Cristianismo que ressurge das cinzas, ressurge do túmulo para voltar com toda a sua pureza, com toda a sua força e com toda a sua característica universal. Ficando, aí, uma advertência para nós, espíritas, porque apontamos o dedo para o povo hebreu, apontamos para os protestantes, para os católicos e, infelizmente, o espírito tem se tornado cada vez mais sectarista, o espírito tem se tornado cada vez mais excludente, cada vez mais desrespeitoso com as outras crenças, cada vez mais fanático, perdendo, aí, a essência do Espiritismo, que é, fora da caridade, não há salvação, e que é o aspecto de fraternidade universal.
Essa é a essência da doutrina espírita, fraternidade universal, caridade sem olhar a quem. A capacidade de unir-se, de respeitar e de acolher todos os Espíritos, com todas as suas características, com todas as suas opções. Aliás, no capítulo C de Perfeitos, do Evangelho segundo o Espiritismo, há um item lá, o homem de bem, ou o ser humano de bem, e uma das características lá do ser humano de bem é que não há nele preconceito de religião, preconceito de cor, preconceito de sexo. Então, ele não discrimina, ele não recrimina pessoas que têm outras opções sexuais, que apresentam diversidade sexual, ele não recrimina pessoas que têm opções políticas, não recrimina pessoas que têm outras opções religiosas, por quê?
Porque ele ama a todos como seus irmãos. Ele vive a fraternidade universal. Então, este é um norte, nós podemos sair disto. Então, dirigente espírita, casa espírita, ou mesmo espírita que se presta a isto, ele está se desviando da essência da mensagem de Kardec. Ele não é espírita, não é espírita. Está saindo, por quê? Porque ele não está ferindo um aspecto periférico, está ferindo um aspecto que é essencial no Espiritismo, que são aquelas características do homem de bem. Ferir aquilo é ferir o artigo 5º da Constituição.
É desrespeitar os elementos mais importantes e mais fundamentadores. Mas, infelizmente, temos instituições estimulando isto. Ficam, às vezes, preocupados com pureza doutrinária e, aí, fazem o quê? Coam um mosquito e engolem um camelo. Pregam pureza doutrinária e praticam preconceito contra os homens afetivos na casa espírita, em total desrespeito ao texto o homem de bem do Evangelho segundo o Espiritismo. Então, como é que justifica isto? Não tem justificativo. Não há justificativa para isto. Então, retornamos aqui a este texto fundamental para que a gente entenda a essência e as raízes da nossa fé, as raízes da nossa espiritualidade, as bases sobre as quais foram erguidas toda a nossa compreensão, toda a nossa cosmovisão.
Este é o texto de Abraão. No próximo episódio, vamos abordar Paulo como Paulo abordou este extraordinário capítulo 15 de Gênesis e as consequências que ele extrai deste texto fantástico, extraordinário, deste texto fundador do monoteísmo. Até o próximo episódio! Cita da Justiça. A Justiça Divina agindo, por quê? Porque, embora a criatura rejeite a proposta divina e, embora a criatura, tresloucada, queira substituir Deus, Deus não abre mão da sua.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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