Neste episódio, Haroldo Dutra Dias dá continuidade ao estudo do livro de Gênesis, à luz da Doutrina Espírita. O foco é a introdução do ciclo de Abraão, o grande patriarca, e a análise das temáticas bíblicas que se entrelaçam ao longo do Velho Testamento.
O que é estudado neste episódio
- Revisão das temáticas anteriores de Gênesis:
- Deus Único e Uno: A declaração do monoteísmo hebraico, onde Deus é o Criador de tudo, e sua obra reflete seus atributos de justiça, bondade, sabedoria e amor (questão 13 do Livro dos Espíritos).
- A criação dos seres inteligentes: O propósito divino de que o ser humano seja imagem e semelhança de Deus, carregando o “gene da divindade” (Emmanuel, Fonte Viva, cap. 30), com Jesus como modelo ideal.
- A rejeição da proposta divina e a origem do mal: O uso do livre-arbítrio pelo ser humano para rejeitar a relação com Deus e buscar um plano individual, culminando em soberba, orgulho e egoísmo, e a progressão do mal do indivíduo ao império.
- A ação de Deus diante do mal:
- Através da Justiça Divina: Representada pelo Dilúvio (Noé), que demonstra a lei de causa e efeito e a correção das injustiças, com sabedoria e proporção.
- Através da Bondade Divina (Graça): Introduzida com Abraão, marcando o início dos temas da Eleição, Aliança e Redenção.
- Eleição, Aliança e Redenção:
- Eleição: Deus escolhe indivíduos (como Abraão), casais, famílias, comunidades e nações, não por mérito, mas por sua bondade, para corrigir o mal através do trabalho e do progresso no bem.
- Aliança: Uma parceria ou contrato entre Deus e o eleito, visando a realização de uma obra.
- Redenção: O objetivo final, que é o retorno do ser humano à proposta divina de ser imagem e semelhança de Deus.
- A progressão da revelação: A primeira revelação (Abraão) centrada em um homem, a segunda (Jesus) em um homem visando uma comunidade ampla, e a terceira (Espiritismo) universal e não centrada em um único homem.
Reflexões
- A Bíblia, embora composta por diferentes autores e épocas, mantém uma unidade temática, desenvolvendo e retomando conceitos fundamentais sobre Deus, o ser humano e o plano divino.
- A escolha de Abraão por Deus não se baseia em merecimento, mas na infinita bondade e graça divina, demonstrando que a caridade de Deus atua simultaneamente com Sua justiça.
- A compreensão desses grandes temas é essencial para interpretar corretamente as escrituras, especialmente o Novo Testamento, e entender a estrutura e o propósito da narrativa bíblica.
Ler transcrição do episódio
A Luz do Espiritismo Olá, amigos! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, do Velho Testamento, Gênesis de Moisés, A Luz do Espiritismo. E, nós ingressamos, já no episódio anterior, em um novo ciclo do livro de Gênesis, que é o ciclo que introduz o primeiro, o maior de todos, o grande patriarca, Abraão. Já havíamos comentado que a semelhança de uma colcha de retalhos ou de tricô, os livros bíblicos são compostos sempre retomando temas, as grandes temáticas bíblicas. E, aqui, especificamente, entra em cena uma temática que não havia entrado nos capítulos anteriores do livro Gênesis.
Nos capítulos anteriores, quais temáticas foram abordadas? A primeira delas, a temática do Deus único, do Deus Uno, do Deus Criador de todas as coisas, de todas as potências, quer sejam elas terrestres ou celestes. Então, os primeiros capítulos do livro Gênesis constituem uma declaração do monoteísmo hebraico e um projeto do mundo espiritual superior de implantação no plano dos encarnados de uma nova sistemática religiosa. De um novo tipo de religiosidade. Uma religiosidade, agora, embasada no monoteísmo, no Deus Uno e no Deus único.
Lembrando que há uma diferença. Deus único significa que só há um Deus. Deus Uno significa que todas as coisas estão alinhadas em um plano de unidade. O cosmos inteiro expressa essa linha de unidade da criação. Por quê? Como dizem os Espíritos, no início do livro dos Espíritos e também no início das leis morais, no primeiro capítulo das leis morais, a lei divina ou natural, quando os Espíritos simplesmente dizem Deus é o autor de todas as coisas. Portanto, a lei divina e a lei natural é a mesma lei, porque Deus é o autor de todas as coisas.
Isso significa que Ele deixa as suas marcas, as marcas dos seus atributos, aqueles atributos que estão listados lá na questão número 13 do livro dos Espíritos, esses atributos ficam gravados em tudo que Deus faz. Toda a obra do Criador retrata os seus atributos. E, Nós podemos dizer assim, para facilitar a nossa compreensão, porque falar de Deus é complicado, nós não temos parâmetro para falar dEle, mas podemos, para a nossa compreensão, simplificando, dizer que os atributos de Deus nos dizem sobre o caráter do próprio Deus, sobre a natureza do próprio Deus.
Por exemplo, Ele é infinitamente justo, mas, ao mesmo tempo, simultaneamente, mesclado, Ele é infinitamente bom. Ele é infinitamente sábio, a inteligência suprema, mas, é também o amor infinito da criação. Então, imaginar um autor de todas as coisas, um Criador, que seja infinitamente justo, infinitamente bom, infinitamente inteligente e infinitamente amoroso, nos diz das características que a sua criação vai expressar. Então, esta é a primeira declaração do livro Gênesis. Deus é único, só há um Deus. Há potências, potências terrestres, governadores, reis, imperadores, etc.
E potências espirituais, inteligências espirituais, que também constroem impérios, comunidades, poderes, potestades. Há, há sim isso, de fato há, tanto para o mal, quanto para o bem. Há Espíritos da mais elevada hierarquia do Universo, os co-criadores em plano maior, que moldam, que plasmam os planetas, os sistemas solares, as galáxias, os universos, mas todos eles são criaturas. Deus criador é único, só há um Deus criador, só há um Deus que cria todas as coisas e tudo o que Ele cria não tem fim, é eterno. Surge no momento em que Ele cria, mas não mais tem fim.
Então, é uma característica marcante. E, Deus é uno, uno no sentido de que há um plano de unidade, como Ele é o autor, o seu estilo, a sua marca está registrada em cada detalhe da sua obra infinita. Então, esta foi a primeira declaração, Deus único e Deus uno. Depois, nós temos uma segunda temática do livro de Gênesis. Estamos aqui fazendo uma revisão. A segunda temática é a principal criação de Deus, que são os seres inteligentes, os seres inteligentes da criação, os Espíritos. O princípio inteligente que evolui e se transforma no Espírito e a humanidade, a fase humana é a fase em que Ele desenvolve os potenciais, este ser, esta criatura, foi projetada, foi criada segundo um plano, um propósito divino.
Esta criatura deve ser imagem e semelhança do seu Criador. Então, a criatura, o ser inteligente da criação, foi criado para ser divino. A inteligência criada destina-se a ser divina, a se transformar em uma inteligência divina, divina com d minúsculo, como diz o Salmo, repetido por Jesus. Vós sois deuses, deuses com d minúsculo, no sentido de que somos filhos, trazemos o gene da divindade. Diz Emmanuel, no capítulo 30 do Fonte Viva, uma mensagem chamada Educa. Nós também, os Espíritos imortais, trazemos o gene da divindade.
Estamos em Deus tanto quanto Deus está em nós. Esta é a declaração. Deus está em nós porque as características, os atributos de Deus estão gravados em nós, criaturas, seres inteligentes da criação. Portanto, o propósito, a meta é nos tornarmos imagem e semelhança de Deus. Então, este é um grande tema. Toda a literatura bíblica vai retomar este tema. Vamos usar aqui a metáfora da música que fica mais fácil para entender. A Sinfonia de Beethoven, a nona, começa tan, tan, tan, tan Este é o tema. E, se você ouvir a sinfonia inteira, este tema vai reaparecer de diversos modos, invertido, modificado, ele vai aparecer.
Ou seja, o tema vai ser desenvolvido, vai receber variações, vai ser retomado. Este tema da criatura humana, do ser humano, imagem e semelhança de Deus, vai ser retomado diversas vezes em todos os livros bíblicos, até Apocalipse. Inclusive, a apresentação de Jesus Cristo como Messias, como Filho amado, quer retomar o tema de que, agora, nós conhecemos alguém que se fez homem, que encarnou, que se apossou da condição humana e que é imagem e semelhança de Deus. Então, ele é o modelo, o modelo do ser humano ideal, do ser humano que corresponde ao projeto, ao propósito divino.
Então, um ser humano de alta inteligência, um ser humano de extrema bondade, um ser humano que perdoa, que ampara, que auxilia, que promove o bem comum, que promove a cultura, que promove a beleza, que promove a harmonia, que promove a fraternidade, a generosidade, que é resistente e resiliente, resiste à dor, resiste à aprovação, resiste às situações mais difíceis, porque ele possui uma fortaleza interior. Este ser humano é o ser humano original, aquele que está no projeto. Jesus, então, é o modelo deste ser humano ideal.
É a partir dele que todos os outros seres humanos serão moldados. Então, olha o tema sendo retomado. Depois, nós temos o grande tema, o grande tema, que é o tema da rejeição da proposta divina, rejeição da proposta divina. Está certo. Deus projetou a criatura para ser sua imagem e semelhança. Nós trazemos o gene da divindade. No entanto, podemos negar essa potencialidade, podemos nos recusar a desenvolver o processo educativo, podemos recusar o processo educativo e pedagógico da divindade e optarmos por um plano humano e individual.
Então, este tema é o tema da origem do mal ou O projeto da serpente. O projeto da serpente, da origem do mal, diz respeito ao uso do livre-arbítrio feito pelo ser humano, que agora tem inteligência, que agora tem capacidade de escolha, que conquistou o livre-arbítrio, portanto, do princípio inteligente, que já alcançou um degrau evolutivo, que lhe dá condições de discernir de escolher, de ter livre-arbítrio e ele, fazendo o uso desse livre-arbítrio, rejeita a proposta divina, rejeita a relação com Deus, não quer relacionar-se com Deus, não quer a proposta divina e quer criar um plano individual.
Este projeto, levado às últimas consequências, ele implica numa soberba, numa autossuficiência da criatura, num orgulho e num egoísmo de tal modo exacerbado, que a criatura pretende ser Deus. Então, ela extrapola, ela vai além de não querer ter um relacionamento com Deus. No início, ela não quer um relacionamento, ela rejeita a proposta, mas, no final, na expansão deste projeto, ela quer substituir o Criador, ela quer ocupar a posição do Criador, ela quer ser a medida. Este é o projeto da serpente. E, é o grande tema, a origem do mal.
Mas, o mal surge e começa, então, a progressão do mal, a progressão do mal. Este é o grande tema bíblico, o grande tema bíblico. Nós vamos ver aqui, no Ciclo de Abraão, vai ser apresentado o Egito, porque o Egito, na simbologia do livro Gênesis, estou falando do Egito histórico, o Egito da literatura bíblica. O Egito da literatura bíblica de Gênesis, o Mitzrayim, ele representa o que? A estreteza. Ele representa este projeto do mal, que, primeiro, alcançou o indivíduo, Eva, depois, alcançou o casal, a relação conjugal, aí, englobou a família, quando Caim assassina o próprio irmão.
Então, olha, começa o indivíduo, vai para o relacionamento conjugal, atinge a família, a célula. E, depois? Depois, se expande para a comunidade, Lamec, da comunidade, você passa a ter uma cidade e, agora, você tem um império, que é o Egito. Junto com vários outros. Então, a progressão do mal sai do indivíduo e chega no império. Só que, quando chega no império, o mal é limitado. O mal se expande com muita velocidade, ele é muito feroz na sua expansão, muito agressivo, truculento, mas, ele é limitado. Por que o mal é limitado?
Porque ele é de origem humana, ele não é de origem divina. O mal não é de origem divina, é de origem humana. Então, como tudo que diz respeito à criatura limitada, a criatura é limitada, só é absoluto Deus, só Deus é absoluto. Como a criatura é limitada, tudo o que a criatura gera, tudo o que ela plasma, tudo o que ela cocria, é limitado. Então, o mal, como algo típico, algo típico da criação humana, do homem isolado, do homem que se afasta de Deus, do homem autossuficiente, soberbo, orgulhoso, egoísta, homem, eu digo aqui, ser humano, a espécie humana.
Essa espécie humana, esse ser humano, é limitado. Então, o que ele produz pode alcançar um império, pode vastas extensões, mas é extremamente limitado e frágil. E, aí, adivinhe, esse tema vai ser explorado em todos os livros da Bíblia. Reis que morrem, reis que adoecem, reis que cometem truculência, e, aí, o império dele acaba e é substituído por outro. Essa é a história. Porque esse é um grande tema, a expansão do mal. Então, Deus criador, único e uno, criatura humana, imagem e semelhança de Deus, o projeto divino, tema 3, a origem do mal, a rejeição do projeto divino e sua substituição por um projeto humano, limitado, falível, truculento, violento, egoísta e orgulhoso.
E, agora, Deus age. Deus age de um outro modo, porque, em função da expansão do mal, Deus age em duas frentes. Olha que bonito, agora vamos acompanhar isso. Bastante atenção, porque esse é um tema delicado. Nós precisamos acompanhar isso aqui com cuidado. Como Deus é soberanamente justo, toda injustiça perpetrada pelo mal será corrigida. É a lei do retorno ou lei de causa e efeito. Então, o mal tem uma relativa liberdade, uma liberdade limitada, ele age, ele gera causas, ele cria circunstâncias ou ele controla as circunstâncias ao seu interesse, mas, há uma lei do retorno.
Há um retorno, o efeito da causa. Onde que esse tema foi tratado? Da soberana justiça de Deus, Deus agindo sobre o mal com a sua justiça, no dilúvio. Então, o tema do dilúvio, Noé, trata dessa ação da justiça divina, que manda para a criatura individual, para o casal, para a família, para a comunidade e para as nações e os impérios, manda tribulação, tribulação, expiações e provas. Então, essa é a faceta da justiça. A justiça divina agindo por quê? Porque, embora a criatura rejeite a proposta divina e, embora a criatura tresloucada queira substituir Deus, Deus não abre mão da sua condição de Deus.
Deus não abre mão do seu status de governador do cosmos. Ele é Deus. E, como diz Emmanuel, a providência divina não pode descer para errar com seus filhos. A pretexto de amor, a providência divina não vai descer ao nível do mal para errar junto conosco. Errar junto conosco. Então, essa é a faceta da justiça e ela está expressada no dilúvio em Noé, naquela história. Mas, isso nós já comentamos bem, já exploramos, de modo geral. E, agora, vai surgir uma outra faceta. Diante do mal, Deus não age apenas com a justiça. E, uma justiça sabe, porque ele diz assim, destruiu, houve o dilúvio, ele diz, não vou destruir mais.
Há uma proporção. A lei de destruição age, mas, ela age com sabedoria. Ela age de maneira proporcional. Há uma inteligência suprema e um amor supremo coordenando essa justiça. Mas, tem uma outra forma de Deus agir sobre o mal. Essa outra forma é através, a primeira é através da sua justiça, da sua soberana justiça. Mas, tem também através da sua soberana bondade. Então, através da infinita bondade, Deus também age sobre o mal. E, como é que Ele age sobre o mal? Aí, entra Abraão, entra a história do patriarca. Quando Deus exerce a sua bondade sobre a ação do mal, vão surgir aqui três temas importantíssimos, importantíssimos.
Anota aí. Da justiça, nós entendemos. Quando Deus exerce a sua justiça sobre o mal, surge o mal, o mal começa a progredir, a progressão do mal. É um tema. Deus age de duas maneiras, com justiça e com amor. Com justiça, nós sabemos que há ação e prova. E, o amor? Com amor, vai surgir a Escolha ou Aliança a escolha a eleição, desculpe, a eleição ou escolha, a aliança e a redenção. O que significa isso? Em meio ao mal que se espalhou, Deus escolhe um indivíduo, alguns indivíduos, uma comunidade, um povo. Por que o mal não progrediu?
De um indivíduo para um império? Então, da mesma maneira, Deus escolhe um indivíduo, escolhe um casal, escolhe uma família, escolhe uma comunidade, escolhe uma nação, escolhe uma estrutura maior. É o tema da escolha. Para que? Para corrigir, através do trabalho, do progresso e da ação no bem, o mal. Faz uma aliança, uma aliança é uma parceria, um contrato, é ele que escolhe. Não é o escolhido, não, o escolhido é escolhido pela bondade de Deus. Ele nem merece ser escolhido. Se olhar aqui para Abraão, ele vai cometer vários erros.
Abraão é um homem, um homem comum, falível. Então, não é por mérito de Abraão que Deus o escolhe. Deus o escolhe porque Deus é soberanamente bom. Escolheu Abraão. Fez uma aliança com Abraão, uma parceria, um contrato. Abraão, eu vou fazer isso, isso e isso e você tem que fazer isso e isso. Com vistas a uma execução, quer dizer, o contrato tem, é um contrato de empreitada, para realizar uma obra. Qual que é a obra? A redenção humana. E, aqui, nós vamos ver apresentados aqui os primeiros elementos da Eleição, aliança, redenção.
Eleição é a escolha de Abraão, tirou ele lá da caldeia, de Arã, ele chamava Abraão, sua esposa chamava Sarai, seu sobrinho Ló, ele sai com a família, com o rebanho, sai e deixa tudo. E, vai em direção a uma terra nova, prometida por Deus. Há o tema aí da terra, do lugar onde vai nascer uma árvore, do monoteísmo, a árvore divina, a árvore da vida, a árvore da vida, que precisa de um terreno, precisa de uma terra, precisa de um ambiente. Então, nós estamos vendo como é que as temáticas vão se juntando aí, a gente precisa estar atento a isso.
Então, Abraão é eleito a uma aliança e o plano da redenção. Haverá uma multidão de eleições e de alianças. Depois, Deus irá eleger Isaac, filho de Abraão, depois irá eleger o filho de Isaac, Jacó e tantos outros, tantos outros profetas, personagens, bíblios. Nós vamos até a suprema escolha, a magna escolha, que é a escolha de Jesus. A gente vai entender quando Jesus é batizado por João Batista, vem aquela pomba branca, olha a pomba lembrando lá Noé, vem essa pomba e fala este é o meu filho eleito em quem me compraso, em quem eu sinto alegria, em quem eu me conforto.
Este é o meu filho eleito e faz uma aliança com o Cristo, só que aqui vai ter uma diferença. Todos que fizeram aliança com Deus antes de Jesus, descumpriram a aliança. Deus fez a sua parte, mas eles descumpriram. Agora, Deus faz uma aliança com Cristo e Jesus cumpre integralmente. Deus cumpriu integralmente e Ele cumpriu integralmente. Portanto, instaurou-se na Terra, verdadeiramente, o caminho da redenção humana através desse eleito que cumpriu a sua parte no contrato. Deus sempre cumpriu, porque Deus é fiel. Deus é fiel, Deus sempre cumpre.
Nunca descumpre o contrato. E, um contrato é curioso, porque Ele elege Abraão, Abraão vai ser o patriarca que vai constituir a nação dos hebreus, que é a nação escolhida e Ele falou que daquela nação, porque disse Abraão, da tua semente, da tua semente no singular, essa semente a gente vai ver. Não tinha jeito, porque a nação inteira falhou. Como é que Deus ia cumprir a sua promessa de que aquela nação iria ser luz para o mundo? Ele cumpriu essa promessa através da figura da pessoa do Cristo. Então, porque o Cristo nasceu na nação hebraica portanto, Ele é semente de Abraão e é Ele que vai cumprir o que a nação e o que todos os seus antecessores não cumpriram.
Aí, a partir dEle, o projeto de redenção realmente se estabeleceu no mundo. O projeto da redenção humana. Que redenção? A redenção de voltar o ser humano à proposta divina de ser imagem e semelhança de Deus. Essa é a temática. Então, a gente vê aqui o quanto é importante essa história de Abraão, esse ciclo de Abraão, porque Ele vai inaugurar esse tríplice tema eleição, aliança e redenção. Então, tem umas variações aí que antes da redenção tem o êxodo, depois nós vamos trabalhar isso. Vamos ver isso aqui. Mas, basicamente, para ficar simples da gente entender, é isso.
É isso. Então, agora, nós vamos ter a primeira escolha com vistas a uma aliança. Noé, houve uma escolha lá, ele é levado até chegar nessa figura aqui. Então, a gente vê que o trabalho de Noé, ele finaliza uma outra etapa. Noé está dentro da ação da justiça sobre o mal. Agora, não. Agora, nós temos uma ação da misericórdia, da bondade, da caridade de Deus, da graça divina sobre o mal, não a justiça. Salvar, recuperar, não isso. Agora, a bondade, a caridade de Deus, elegendo, fazendo uma aliança, com vistas a redenção.
Essa é a grande temática que nós vamos ver em Abraão. E, Abraão, aí, como a rocha do monoteísmo, claro, porque ele faz uma aliança com o Deus único, com o Deus Todo-Poderoso, com o Deus Criador de todas as coisas, com o Deus Uno, o Deus que deixa a sua marca, a marca dos seus atributos em toda a obra da criação. Então, surge, agora, um novo patamar de religiosidade. Se dá em uma base, ainda, não tão desenvolvida, porque a humanidade ainda não estava nesse estágio, então, ela se dá, ainda, segundo um parâmetro da criança.
Aqui, o eleito é, ainda, menino, criança, depois, mais lá para a frente, o eleito já é um adulto, já tem maioridade e, depois, na terceira revelação, o eleito já é maduro, já é coletivo. Também, há uma progressão. Como o mal tem uma progressão, então, vamos lá, a aliança, a primeira revelação, começa com um homem, Abraão. A segunda revelação está em um homem, mas, agora, já visando uma comunidade ampla. E, a terceira revelação, universal, não está centrada em nenhum homem. Ela é universal. Então, também, houve uma progressão.
O processo da revelação, também, experimenta essa progressão como o mal, claro. Mas, o importante, aqui, para a gente destacar esse grande tema, e é óbvio, essa temática, aqui, vai aparecer na Bíblia inteira. Se a pessoa não entende essa temática, ela não consegue entender o Novo Testamento. Ela abre lá, eis aqui o meu filho amado, em quem me comprasmo, não entende nada. Não entende nada. Vai lá Jesus no Monte Tabô, transfigura, começa a brilhar, aparece Moisés e Elias, não entende nada. Não entende. Porque, ela vai fazer uma leitura desconectada dos temas.
Então, ela não consegue entender a estrutura da Bíblia, a estrutura bíblica. Como que os livros, embora diferentes, escritos por pessoas diferentes, em épocas diferentes, eles dialogam, eles repetem esses temas, eles retomam esses temas, eles se apropriam desses temas. E, desenvolvem, dão uma nova roupagem, de acordo com a época, de acordo com os costumes. Mas, é assim que funciona. Então, agora, nós precisamos só chamar a atenção para um outro elemento, aqui, que a escolha de Abraão não é um ato de justiça. Abraão, ou Abrão, não merece ser escolhido.
Ele não tem merecimento para ser escolhido. Ele é escolhido, e ele falha várias vezes. Ele e Sara. Quando é feita a promessa, lá, de que Sara terá um filho, e esse filho vai ser Isaque, que vai dar continuidade, aí, ao projeto da aliança, Sara começa a rir. Ela duvida. Quer dizer, não são pessoas que merecem, que estão preparadas. Não, estão despreparadas. Abraão, nós vamos ver aqui, vai lá para o Egito, ele entrega a mulher dele para o faraó. Está totalmente imerso, ainda, nos problemas da sua cultura e do seu tempo.
Não merece. Ele é escolhido pela bondade divina, pela caridade divina, pela graça divina. Aqui, neste tema de eleição, aliança e redenção, está operando, não a justiça, mas a caridade de Deus, a bondade divina. Atuam, simultaneamente, a justiça divina, com dilúvio, e a bondade divina, com aliança. Este é o grande tema. Vamos guardar isto no próximo episódio. Nós vamos desenvolver estas grandes temáticas, mas, o mais importante aqui é que você tenha esta visão geral, porque, senão, você vai se perder nos detalhes dos versículos, nos detalhes da história e não vai captar a grande temática que está sendo desenvolvida.
Então, aguardo você até o próximo episódio. Aqui, assim, eu dou cinco notas e aí eu inverto, eu vou repetindo.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

Respostas