#087 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Dando continuidade ao estudo do livro Gênesis, Haroldo Dutra Dias nos guia por mais um episódio da série “Estudo do Velho Testamento à Luz da Doutrina Espírita”. Após explorar a história de Noé e o Dilúvio, este estudo inicia um novo ciclo, mergulhando na figura do patriarca Abraão, considerado um dos pilares da primeira revelação divina.

O que é estudado neste episódio

  • Transição de Noé para Abraão: O estudo retoma o encerramento do ciclo de Noé, contextualizando a escalada do mal e a necessidade de uma nova etapa na revelação divina.
  • A Torre de Babel (Gênesis, capítulo 11): Antes de adentrar na história de Abraão, é feita uma análise detalhada da Torre de Babel como um símbolo da arrogância e autossuficiência humana, que busca o progresso sem a parceria divina. A narrativa é interpretada como uma reedição do “projeto da serpente”, que exacerba o egoísmo e o orgulho, e também como uma explicação bíblica para a diversidade de línguas e culturas.
  • Introdução a Abraão: A figura de Abraão é apresentada como uma contrapartida ao projeto da serpente, surgindo em um mundo politeísta e confuso. Ele é o patriarca que dará início à primeira revelação do monoteísmo.
  • O Monoteísmo Judaico: É ressaltada a importância do monoteísmo judaico como o alicerce para a compreensão de um Deus único, imaterial e criador, em contraste com as divindades antropomórficas de outras culturas da época.
  • A Vocação de Abraão (Gênesis, capítulo 12): O estudo aborda o chamado de Abraão por Deus para sair de sua terra e parentela, com a promessa de formar um grande povo e ser uma bênção para todas as famílias da terra. Esta passagem é fundamental para entender o caráter universalista da proposta divina desde o início.
  • Os Três Pilares da Primeira Revelação: São destacados os conceitos de vocação (o chamado de Abraão), eleição (a escolha de um povo para ser guardião da revelação e educador dos demais) e aliança (o pacto entre Deus e esse povo para retomar o projeto divino do Éden).
  • A Aliança como Parceria: A aliança é contrastada com o projeto da serpente, representando a parceria entre o ser humano e Deus, um religamento da criatura com o Criador. É discutido o paradoxo de um Deus fiel e um ser humano infiel, e como isso se desdobra ao longo do Velho Testamento.
  • A Nova Aliança em Jesus: O estudo antecipa a ideia de que Jesus será o novo Abraão, cumprindo integralmente a aliança e inaugurando uma nova comunidade, a do “homem novo”, em contraste com o “homem velho” do projeto da serpente.

Reflexões

  • A história da Torre de Babel serve como um alerta para a humanidade sobre os perigos da arrogância e da autossuficiência, que buscam o progresso sem a orientação divina, resultando em confusão e divisão.
  • A vocação de Abraão e a subsequente aliança com Deus representam o início de um projeto divino de parceria e religamento entre o Criador e a criatura, visando a educação e a elevação de toda a humanidade, com um propósito universalista desde o seu alicerce.
  • A compreensão da progressão do “projeto da serpente” ao longo da Bíblia, desde o casal no Éden até impérios inteiros, nos ajuda a interpretar os símbolos bíblicos de forma mais profunda e menos literal, percebendo a evolução do mal e a constante intervenção divina para reequilibrar a balança.

Ler transcrição do episódio

A Luz da Doutrina Espírita Olá, amigos! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. No episódio anterior, nós encerramos, então, este ciclo que trata da história de Noé. Percorremos, aí, um longo caminho, desde a criação, toda a sua simbologia, até a figura de Noé, do dilúvio, da destruição, da escalada do mal, em que comentamos, em pinceladas rápidas, em um voo panorâmico, estes grandes temas bíblicos que irão reaparecer, serão desenvolvidos ao longo de todos os demais livros da Bíblia, sobretudo, do Novo Testamento.

E, hoje, nós iniciamos um novo ciclo do livro Gênesis, que trata do grande patriarca Abraão. É bom lembrar que, toda vez que se faz referência ao monoteísmo judaico, é comum dizermos o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Lembrando, então, que estes são os patriarcas, os fundadores da cultura hebraica e, por assim dizer, os alicerces, estes três patriarcas, os alicerces da primeira revelação. Ora, se Jesus disse que não veio destruir a lei, nem os profetas, não veio abolir a primeira revelação, mas completar, dar cumprimento, dar continuidade, nós podemos deduzir que estes três patriarcas, então, são uma simbologia do monoteísmo judaico, portanto, uma simbologia da primeira revelação da lei divina, a primeira revelação dos aspectos da lei divina.

O primeiro enfoque. Mas, antes de a gente adentrar na história de Abraão, é preciso que está no capítulo 12 e em diante, e vamos ter coisas aqui maravilhosas, grandes símbolos aqui na história de Abraão, principalmente uma promessa que é feita a Abraão e que Paulo vai explorar grandemente nas suas cartas. Por isso que é importante a gente conhecer este texto, conhecer esta história, para que a gente possa entender o que Paulo está dizendo e de que perspectiva ele está construindo o seu raciocínio. Mas, antes de adentrarmos no capítulo 12, em Abraão, nós temos que fazer um pequeno comentário sobre o capítulo 11, que é a Torre de Babel.

A Torre de Babel é um grande símbolo que introduz a figura de Abraão. Qual que é o símbolo da Torre de Babel? Isso é importante a gente ter em mente. O Velho Testamento apresenta um símbolo e, então, depois que ele apresenta o símbolo, ele enriquece este símbolo com muitos detalhes, com uma descrição detalhada. E, é comum a pessoa ler e ficar presa aos detalhes e se esquecer da essência do símbolo. Então, a Torre de Babel e a sua cidade, porque era uma construção de uma cidade, diz assim, Todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras.

Como os homens emigrassem para o Oriente, encontraram um vale na terra de Sená, e aí se estabeleceram. Disseram um ao outro, Vinde, façamos tijolos e vamos cozinhá-los ao fogo. O tijolo lhes serviu de pedra e o betume de argamassa. Disseram, Vinde, construamos uma cidade e uma torre cujo ápice penetre os céus. Façamos um nome e não sejamos dispersos sobre toda a terra. É importante isto aqui, por quê? Embora a gente faça uma leitura ingênua, imagine que se trate de uma iniciativa positiva, produtiva, na verdade, este projeto da Torre de Babel é uma reedição do projeto da Serpente.

Mais uma vez, o ser humano, agora pós-dilúvio, se reúne, se junta, se une em uma mesma língua, no mesmo local, em uma espécie de unificação e constrói apenas com as mãos humanas, sem a parceria com a divindade, que é a proposta divina, constrói por conta própria uma torre com a intenção de penetrar os céus, dando aqui uma amostra de arrogância e de autossuficiência, que é o grande tema que os livros bíblicos vão combater, vão alertar. A arrogância e a autossuficiência dos homens, dos seres humanos. Então, é a espécie humana, sem Deus, querendo alcançar as culminanças do progresso, um progresso autônomo, um progresso em que não há espaço para a lei divina, que não há espaço para o reino de Deus, não há espaço para a coordenação divina.

Esta é a proposta. E, então, no símbolo, Deus olha este projeto e espalha todos que faziam parte dele, confundem esses que estavam na torre, porque cada qual começa a falar uma língua, eles, então, se desentendem e cada qual procura o seu lugar, o seu território. Então, é também uma maneira de explicar a diversidade das línguas, das etnias, das nações, dos povos, das culturas, uma maneira bíblica de explicar por que esta diversidade, porque seria muito mais simples se nós não tivéssemos fronteira, se não tivéssemos uma língua única.

Como é que seria fácil isso? O mundo seria outro, uma única língua, uma única nação, toda solidariedade, tudo seria mais fácil de administrar, de resolver, sem fronteiras, num mundo sem fronteiras. Mas, não é assim que ocorre. Então, esta diversidade de caracteres, de diversidade evolutiva implica na necessidade de uma diversidade de culturas, de línguas, de espaço geográfico, de organização comunitária. Então, esta é a perspectiva bíblica para explicar este fenômeno sociológico. É claro que a Bíblia não está querendo substituir a antropologia e a sociologia de maneira nenhuma.

Pelo contrário, ela apenas quer agregar a estas explicações, a estes paradigmas, a visão essencial religiosa da presença de Deus no mundo, coordenando o mundo e da necessidade da parceria da espécie humana com o Criador. A criatura com o Criador. Então, é este o ponto. E, a narrativa termina como? Termina com um mundo confuso, um mundo espalhado, confuso, dividido, cheio de fronteiras e um mundo sem Deus, um mundo que se julga autossuficiente, um ser humano arrogante que se acredita não depender, não precisar da providência divina.

Este é o contexto, o quadro, a moldura para introduzir a figura de Abraão. É neste mundo que surge Abraão. É neste contexto histórico, temporal, sociológico, que surge a figura de Abraão. E, isto, a gente precisa entender muito bem. Cada cultura e cada nação possuía a sua coleção de deuses. Estes deuses eram amplificações do próprio ser humano. Então, se nós examinarmos o panteão grego, as divindades gregas, nós vamos ver que elas são amplificações do próprio ser humano. É como se você invertesse a lente e projetasse o próprio ser humano em uma tela grande.

Os deuses gregos são projeções gigantescas do próprio homem. Eles têm os defeitos, eles são explosivos, eles são passionais, eles são injustos, tendenciosos, como os seres humanos, com a única diferença de que eles são poderosos e imortais. Então, na verdade, as divindades da cultura grega são seres humanos. Cultua-se seres humanos e não um Deus imaterial, incorpóreo, perfeito, que é o Deus que será apresentado, aos pouquinhos, pelo monoteísmo judaico. Claro que o monoteísmo judaico não vai apresentar de pronto essa divindade tão sofisticada e tão abstrata.

É ao longo dos séculos que ela vai aprimorar, mas, pelo menos, ela já parte de um ponto sólido, que é a existência de um Deus único e esse Deus não é um ser humano. Foi ele que criou o ser humano e criou todas as coisas. Então, esse alicerce do monoteísmo judaico é muito importante. Se nós olharmos também para as culturas mesopotâmia, a síria, a babilônia e todos os outros povos ali do entorno, o Egito, etc, etc, e mesmo no Oriente, a China, a Arábia, o Japão, todos vão cultuar deuses humanos ou leis, ordens, sistemas que são humanos.

Nenhum deles vai falar de um Deus único, imaterial, que criou todas as coisas. Então, essa mensagem assim tão direta, tão direta, claro que nos ciclos iniciáticos, nos ciclos fechados, filosóficos, havia pequenos grupos que sabiam, no Egito, na Babilônia, na China, na Índia, no Japão, sabiam da existência de um Deus único, mas a grande massa, o grande número de pessoas era alimentada, essa massa, com uma cultura de muitos deuses, todos divididos, todas as forças da natureza representadas por deuses e cultuados com vários templos, vários sacerdotes, sacrifícios, etc, etc.

Então, do ponto de vista da comunidade, do ponto de vista sociológico, a nação que vai incorporar uma prática social de culto a um Deus único é o povo hebreu. É o povo hebreu que vai legar, dar de presente à humanidade essa prática social de adorar e de cultuar um único Deus que não é humano, um Deus que criou os seres humanos. Então, é importante isto aqui, a gente entender a confusão da Torre de Babel, que é uma reedição do projeto da serpente, é o mesmo projeto. O que a serpente pretendia? Não, Deus não está querendo que você coma daquele fruto, porque você vai ficar igual a Ele.

E, aqui, qual que é o projeto? Construir tijolo, quer dizer, o material humano, uma construção humana, com material humano, com mãos humanas, para penetrar os céus, não é? Para que o humano se aproprie do que é divino. Esta é a ideia. Já era a ideia da serpente e, agora, a gente vê que amplifica. Então, isto é um padrão dos símbolos bíblicos. Primeiro, ele é apresentado pequenininho, o símbolo. Então, aqui eu tenho uma serpente conversando com um casal e apresenta o projeto. Projeto de arrogância e autossuficiência.

O ser humano sem Deus. O ser humano que dá as costas a Deus, que zomba de Deus e que diz a Deus, eu não preciso de você, você não tem nenhuma utilidade na minha vida. Aqui, já não são mais um casal. Não se trata de uma esfera individual. Aqui, agora, é um conjunto de seres humanos já uma comunidade, uma cidade com um projeto. Então, a gente percebe que, assim como o mal progrediu, o projeto da serpente, agora, está tomando corpo e ele vai crescer mais. Ao longo dos livros da Bíblia, nós vamos ver que este mesmo projeto, que era lá do fruto, agora da torre de Babel, ele vai se amplificar de tal modo que nós vamos ter nações inteiras, um rei, todo um povo a serviço deste projeto.

Até chegarmos, agora, na transição planetária, em que um planeta inteiro está a serviço deste projeto. Então, se alastrou de tal modo o projeto da serpente e os seus efeitos colaterais. Porque, quais são os efeitos colaterais do projeto da serpente? O projeto da serpente, ele é um projeto que estimula, no mais alto grau, o egoísmo. O egoísmo e a lei do mais forte. Quer dizer, o mais forte que se protege e pega tudo para ele. E, ele também exacerba profundamente o orgulho. Então, o orgulho é estimulado, é aplaudido, é valorizado, é condecorado, é colocado em uma galeria.

É preciso ser orgulhoso e é preciso ser egoísta para que o projeto da serpente tenha uma chance de êxito, mesmo que esse êxito seja de curto prazo e mesmo que ele traga efeitos colaterais, que a gente não precisa nem comentar mais. Basta olhar para o mundo hoje para a gente perceber o colapso do projeto da serpente. Mas, veja, ele começou em um casal, aí ele passou para a família, quando caiu o Matabel, aí, agora, ele passa para uma comunidade. Daqui a pouco, nos demais livros, nós vamos ver que ele passa para uma nação inteira.

Então, por exemplo, o Egito vai ser o símbolo do projeto da serpente que agora tem uma nação a seu serviço, um faraó e uma nação inteira a serviço do projeto. Depois, nós não vamos ter só uma nação e um rei, nós vamos ter um conglomerado de reinos, o Império Assírio-Babilônico, o Império Medo-Persa, o Império Grego-Macedônico e o Império Romano. E, depois, o Apocalipse lidando com essa simbologia, transformando, então, a Babilônia e Roma em um símbolo do projeto da serpente. Aí, a serpente deixa de ser serpente, passa a ser dragão, passa a ser uma besta, um animal gigantesco e multiforme e, agora, você não tem mais indivíduos nem comunidades, você passa a ter impérios dominando vastas extensões e, por fim, a própria terra.

Então, essa é a lógica. Se a gente entende essa progressão, como que isso vai crescendo, como que isso vai se desenvolvendo, fica fácil da gente lidar de maneira inteligente e menos ingênua com a simbologia bíblica. Senão, nós vamos ler ao pé da letra e aí fica difícil, porque não entende o fio. Aqui, eu dou cinco notas e, aí, eu inverto, eu vou repetindo, é a mesma coisa da música. Você dá um tema e, ali, você vai desenvolvendo esse tema, vai trabalhando e aquilo se transforma em uma uma sonata, uma sinfonia, uma peça de complexidade formal maior.

É isso que ocorre aqui na descrição bíblica. Por isso, nós estamos nesse estudo que estamos fazendo do Gênesis, nós estamos priorizando não a compreensão de detalhes, porque se a pessoa fica presa aos detalhes, ela perde a linha central. Mas, se ela compreende a linha central, ela tem condições de interpretar os detalhes, porque ela não vai se perder. É mais ou menos assim, nós damos o mapa da floresta, depois, você avalia as árvores. Porque, se você ficar preso nas árvores, você não tem a visão da floresta e fica preso lá dentro, fica perdido, não consegue conectar uma árvore na outra.

Porque a floresta é a conexão das árvores, é uma estrutura que está ali montada. É importante a gente, agora, entender isso. O que que se quer dizer aqui? Vamos voltar lá. Jardim do Éden, o Jardim de Delícias, o projeto divino. Quem teve a iniciativa e quem construiu esse projeto? Deus. Qual era a proposta? Seres humanos, a sua imagem e semelhança. Portanto, seres humanos divinos. Essa é a meta. Esse é o propósito. Aí, vem a serpente, que é uma representação do ser humano sem Deus, do ser humano autossuficiente e arrogante, sem Deus e propõe um projeto alternativo.

Um projeto em que Deus não está no centro, quem está no centro é o ser humano. E, por via de consequência, um projeto que gera um grande efeito colateral, que é o egoísmo e o orgulho, as duas chagas da humanidade. Então, essa é a consequência desse projeto da serpente. Esse projeto começa em uma mulher que convence o marido, portanto, no casal, que é a base. Então, se a gente pensa em termos de espécie humana, de reprodução, de multiplicação da espécie humana, foi lá na menor célula que é o casal. Quer dizer, eu preciso desse casal para que haja reprodução, para que haja multiplicação da espécie.

Então, eu vou nesse casal e coloco um novo programa. O hardware é o mesmo. Eu coloco um novo software lá, tiro o software divino e coloco um software puramente humano. E, aí, essa estrutura, que é esse casal, reproduz o quê? Uma família desequilibrada. Olha que bonito! Então, o símbolo é natural, não é? Esse casal produz uma família desequilibrada. Por que uma família desequilibrada? Porque é uma família em que o irmão mata o outro. Por quê? Por orgulho e por egoísmo. Por orgulho e por egoísmo. Então, aqui, o projeto já revela que é uma furada.

O projeto já se revelou altamente nocivo. Mas, não para por aí. Então, aquilo que era um evento familiar começa a se espalhar, atinge uma comunidade inteira, uma cidade, que é Bavel. Quer dizer, uma nova… E, isso, depois do dilúvio, porque a coisa se ampliou, o mal foi se alastrando, aí houve um dilúvio, mesmo assim, não resolveu. Sai do dilúvio, vem uma cidade, então, aqui é o casal, família, comunidade, agora uma cidade. Naquela época, as cidades funcionavam quase como um estado, não é? Então, aqui é uma cidade.

E, qual que é o projeto? Construir uma torre que penetre no céu. É o mesmo projeto. É o mesmo projeto da serpente, só que, agora, ganhou fôlego. E, é nesse contexto em resposta a esse crescimento do projeto da serpente que surge Abraão. Abraão, o patriarca que vai, o missionário patriarca, que vai iniciar a primeira revelação. Porque, nós temos uma dificuldade, a gente acha que a primeira revelação, principalmente Espírita, a gente vê Espírita falando disso toda hora, a primeira revelação Moisés, não. Moisés é a culminância da primeira revelação.

A culminância da primeira revelação. Mas, a primeira revelação começa com Abraão. É tanto que o Deus dos Hebreus, o nosso Deus, o Deus único, é Deus de Abraão, Isaac e Jacó, não é Deus de Moisés. Não existe essa expressão no judaísmo. O Deus de Moisés, não tem. É o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, que são os patriarcas. Aliás, avô, bisavô, avô e filho, não é? Isaac é pai de Jacó, Abraão pai de Isaac. Então, é avô, pai e filho. Avô, pai e filho. Avô, pai e filho. Só que, José vai gerar os doze tribos, os doze filhos. Então, fica ele sendo pai, Isaac avô, Abraão bisavô.

São os pais. São chamados de os pais. É que Moisés não entra. Moisés só vai surgir muitos séculos depois. Então, isso é uma confusão que se faz. É uma mania que a gente tem de achar que a primeira revelação é só Moisés. A primeira revelação é composta de dezenas e dezenas de missionários, séculos e séculos de trabalho para implementar o monoteísmo na Terra. Quando está implementado, aí vem Jesus para dar continuidade e aprimorar esse projeto. Então, é importante a gente ter essa visão aqui. Então, surge Abraão nesse contexto.

Abraão é uma contrapartida ao crescimento do projeto da serpente. Então, a serpente queria multiplicar-se através da Torre de Babel e agora surge o patriarca Abraão, cuja semente será mais numerosa, né, irá gerar um número mais numeroso de filhos que as estrelas do céu, porque os filhos de Abraão são os espíritos monoteístas, aqueles que compreenderam e adotaram o monoteísmo como filosofia devida. Ou seja, o ser humano que quer deixar de ser arrogante, quer deixar de ser autossuficiente e quer estabelecer uma parceria com o Criador.

Quer construir, levar adiante o projeto evolutivo da criação em parceria com Deus. Isso é importante. É isso que é importante a gente destacar. E, é importante frisar, também, que Abraão está aqui na Caldeia, que é uma região onde dominava o projeto da serpente, onde dominava o politeísmo. A família de Abraão é politeísta. Seu pai, seu avô, o ambiente, a comunidade em que ele vive é politeísta. Não se conhecia Deus único. Entenda, nós não estamos falando aqui de dez mandamentos, nós não estamos falando aqui de lei mosaica, de leis, nada disso.

Não estamos falando de nada disso. Nós estamos falando de uma sociedade politeísta, que cultua, adora vários deuses. E, aí, surge esta figura aqui que abandona tudo. Primeiro, ele entra em contato, em sintonia com a proposta divina. Sob a orientação da providência divina, ele deixa tudo, ele abandona todo este ambiente e vai em direção do monoteísmo para consolidar o monoteísmo. Então, ele sai ali com um grupo, com seu rebanho, com uma família, esposa, para fundar uma nova comunidade, uma comunidade de adoradores do Deus único.

Depois desta comunidade formada, é que será possível recebê-la a lei. Então, a lei vem depois. A lei não vem agora. A lei, ela vai num momento posterior. Então, é importante a gente entender o chamado de Abraão, não é? Então, vamos lá! Capítulo 12. Como é que se dá o chamado de Abraão? Só introduzir este tema, que a gente vai desenvolver no próximo episódio. Vocação de Abraão O Senhor disse a Abraão sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome, ser uma benção.

Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem, por ti serão benditos todos os clãs da terra. Olha isso! O Paulo vai explorar isto demais, porque a gente percebe que não se trata de formar uma comunidade e abandonar todas as outras. O que a gente percebe, claramente, aqui, é que é um chamado para trabalhar um grupo de formadores que, depois, vai evangelizar os outros. Por ti serão benditos todos os clãs da terra. Então, quer dizer, eu trabalho com você aqui, Abraão, a gente monta uma comunidade, depois você vai ensinar a todos os outros.

Então, é como se você se separasse, se fizesse uma seleção, os melhores alunos, ensinasse a eles e, depois, falaram, agora, vocês são monitores, agora, vocês têm que educar os outros irmãos. Então, é interessante isto, porque o texto tem um sabor universalista desde o início, embora o povo hebreu tenha se tornado o mais xenófobo, o mais fechado da história da humanidade, a ponto de rejeitar a proposta de Jesus, que era uma proposta de ampla abertura, como Paulo foi rechaçado, porque era o apóstolo dos gentios. Estava se distanciando daquele círculo fechado para um trabalho mais universalista.

Mas, a proposta universalista, e Paulo vai dizer isto nas cartas, Paulo vai explorar isto muito nas suas cartas. A proposta, aqui, a gente percebe, ela tem um sabor universalista desde o seu primeiro momento. Eu abençoarei, amortiçoarei, por ti serão benditos todos os clãs da terra. Da terra. Eu farei de ti um grande povo, engrandecerei teu nome, serás uma bênção. E, aí, depois, nós vamos ver, aqui, mais mais adiante, como é que vai ser esse trabalho de Abraão, o que ele vai percorrer, o que ele vai viver, o que vai ser dito para ele, porque tem muita coisa que vai ser dito para ele que somente vai se concretizar em Jesus.

É na figura do Cristo que vai se concretizar as promessas feitas a Abraão. Então, aqui, agora, eu preciso de de duas, de alguns temas que vão se esboçar aqui. Nós poderíamos dizer que são os magnos temas, quando o assunto é a revelação. Então, aqui, nós temos um chamado de Abraão, chamado a eleição de um povo para ser o guardião da revelação e para ser o povo educador dos demais. Então, a eleição de um povo, o chamado, a vocação, a vocação no sentido do chamado, o chamado de Abraão, a eleição de um povo e a aliança o pacto feito entre Deus e esse povo para que seja retomado o projeto divino do Éden.

Então, isso é muito importante. Então, é vocação, eleição e aliança. Vocação, eleição e aliança. De todos os povos existentes, Abraão foi escolhido para formar um povo. Então, esse será o povo eleito, o povo hebreu, que ele vai formar. Abraão é o patriarca, o que dá início ao povo hebreu, que será o povo guardião da primeira revelação. Então, aqui dá a eleição. Para que haja a eleição, a escolha desse povo, houve a vocação, o chamado de Abraão. E, depois do chamado de Abraão, que ele aceitou, ele foi ele foi chamado, ele aceitou o convite e ele partiu da sua terra.

Aí, há a eleição. Ele é eleito e o povo que vai surgir dele é eleito para educar todos os povos, para abençoar todos os povos. E, aí, surge a primeira aliança. Porque, a gente fala assim, no Velho Testamento, tem várias alianças, várias alianças, que são resumidas e integradas no que a gente chama de primeira aliança. Porque, depois, a gente vai tratar de Jesus, que é a segunda aliança. Mas, a primeira aliança não é uma só, é um conjunto delas. Então, aqui nós temos a primeira aliança da primeira aliança. Não é? Da primeira revelação.

A primeira aliança da primeira revelação. Que é esse pacto com Abraão. E, aí, a gente é bonito porque qual é o tema da aliança? É o tema da parceria, que é o contrário do projeto da serpente. O projeto da serpente é autossuficiente. Ele é um projeto de estímulo à autossuficiência. Mais do que autossuficiência, é arrogância mesmo. Não preciso de Deus. Não preciso. Se Ele existir, eu não preciso dEle. E, eu nem acredito que Ele exista. É isso. Eu não acredito que Ele exista, mas, se Ele existir, eu não preciso dEle. Então, é isso.

Arrogância e autossuficiência. Aqui, não. A arrogância e a autossuficiência é substituída pelo tema aliança. Quer dizer, o ser humano e Deus fazem um pacto, um acordo. São sócios, agora. Eles têm uma empresa, uma empresa no sentido de uma atividade a ser desenvolvida. Qual atividade? Resgatar o monoteísmo, espalhar o monoteísmo na Terra, para que os seres humanos também façam suas alianças individuais com o Criador. Então, é uma religária. É o religário. É ligar, de novo, a criatura-Criador. A ligação que foi rompida com o projeto-serpente.

E, esse é o projeto religário que Abraão vai dar início. Então, é muito importante isso. E, o bonito disso aqui, que Paulo vai explorar isso, é que há aqui um acordo. Então, em um acordo em que uma parte se compromete a fazer certas coisas e outra parte se compromete a fazer. Agora, esse acordo é peculiar, porque um dos contratantes é Deus. Ora, Deus cumpre tudo o que Ele promete. Segundo, Ele não falha. Ele é absolutamente confiável, fiel, confiável. E, o homem? O homem é, por natureza, infiel, não confiável, descumpre.

Então, quando se faz esse pacto, nós temos aqui um paradoxo. Como é que isso vai ser realizado se eu tenho uma parte que não cumpre e uma parte que cumpre tudo? Será que essa aliança vai dar certo? Então, esse é o tema da Bíblia inteira. É o tema da Bíblia inteira. E, o Velho Testamento inteiro é uma narrativa do homem falhando no cumprimento da aliança. O ser humano falindo, não dando conta de honrar o compromisso firmado com o Criador. Mas, o Criador sempre honrando até que surge uma pessoa, um ser humano, do povo.

E, por que tem que ser do povo? Para cumprir o contrato. O contrato exige, não foi eleito um povo? Então, vai surgir um indivíduo, esse indivíduo é Jesus e, aí, Ele vai cumprir integralmente, como Deus cumpre a parte dele. Então, Deus cumpre a sua parte e, agora, eu tenho um ser humano que cumpre também a sua parte. Então, aí, dá início a uma nova aliança. É isso. O Novo Testamento, uma nova aliança. A nova aliança em que, agora, as duas partes cumprem o acordado. E, aí, eu vou precisar… Então, Jesus vai ser o quê?

Um novo Abraão, porque Ele, agora, vai ter que gerar uma nova comunidade, que é a comunidade do novo homem, do novo ser humano, do homem novo. Vamos sair do homem velho e ir para o homem novo. Esse é o tema, olha que grandioso o tema. Eu estou, aqui, só dando aquele arco, fazendo aquele esboço bem geral mesmo do quadro para a gente voltar nos próximos episódios, agora, e ir preenchendo e fazendo o desenho e a arte final. Mas, é isso. É isso que nós precisamos compreender aqui, nessa história de Abraão. A vocação de Abraão, o chamado de Abraão, a resposta de Abraão, a eleição, a escolha e a aliança.

A primeira aliança. São temas importantíssimos e nós vamos frisar as marcas, os símbolos dessa aliança, dessa eleição. Nós vamos ver tudo isso para que a gente compreenda essa temática, senão tudo da Bíblia, todos os livros vão ficar confusos e a gente não vai conseguir entender. Mas, isso é material para o nosso próximo episódio. Eu aguardo você. Até lá! Abraão Não existe isso. O universo é dirigido por uma inteligência suprema e por um amor infinito. E qual amor infinito permanece imóvel, inativo? Não existe isso.

Quem ama, age. Quem ama, age em favor do ser amado. Abraão

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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