Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do livro de Gênesis, encerrando o tema da Arca de Noé e do Dilúvio. O estudo explora a função simbólica do Dilúvio como medida saneadora e sua relação com a progressão do mal, além de abordar a providência divina e a transição planetária.
O que é estudado neste episódio
- O Dilúvio e a Arca de Noé: Conclusão da análise da Arca de Noé, com foco na simbologia dos três níveis e a analogia com a “casa mental” apresentada em “No Mundo Maior”.
- Função do Dilúvio: Exploração do propósito do Dilúvio como um processo de estancamento da progressão do mal na Terra, comparando-o à expiação individual.
- Gênesis como Obra Literária e Cultural: Discussão sobre como o livro de Gênesis reflete elementos culturais e religiosos da sociedade hebraica, como o sacrifício de animais, e a importância de ir além da interpretação puramente histórica.
- Eco Espiritual do Texto: A contribuição da Doutrina Espírita para desvendar a essência espiritual do texto, interpretando o sacrifício de animais como a necessidade de dominar a animalidade humana.
- A Simbologia do Número 40: Análise do número 40 como um marcador de tribulação, expiação e sofrimento, presente em diversas passagens bíblicas (Dilúvio, peregrinação no deserto, tentação de Jesus).
- Providência Divina: Aprofundamento na ideia de que a expiação não é um processo meramente mecânico, mas sim conduzido e supervisionado por Deus, conforme abordado por Kardec em “A Gênese” sobre a Providência Divina e o fluido cósmico.
- A Nova Humanidade e a Transição Planetária: A relação entre o Dilúvio e o conceito de uma “nova humanidade”, a partir de Jesus como modelo, e a conexão com a “nova geração” descrita por Kardec em “A Gênese”.
- Grandes Temas do Velho Testamento: A importância de compreender os temas recorrentes do Velho Testamento para uma interpretação mais profunda e consistente de toda a Bíblia e da obra espírita.
Reflexões
- A Doutrina Espírita oferece uma chave de leitura para o Velho Testamento, permitindo transcender a literalidade e acessar o “eco espiritual” dos textos, revelando ensinamentos profundos sobre a evolução do Espírito e a ação divina.
- O Dilúvio, as expiações individuais e a transição planetária são manifestações da Providência Divina para estancar a progressão do mal e impulsionar a humanidade em direção a um estado de maior elevação moral e espiritual.
- A figura de Jesus é apresentada como o “novo homem”, o modelo para a “nova humanidade” que surge após o esgotamento do “homem velho”, simbolizando a vitória sobre as tentações e a concretização do projeto divino para a Terra.
Ler transcrição do episódio
A Luz da Doutrina Espírita Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, do Velho Testamento, A Luz da Doutrina Espírita. No episódio anterior, nós encerramos este estudo, esta explicação dos três níveis da Arca de Noé, fazendo uma comparação com a obra No Mundo Maior, psicografada por Chico Xavier, editada pelo Espírito André Luiz, onde Calderaro nos dá uma aula magna sobre a casa mental e nós, então, usando esta analogia da Arca como a casa mental. Mas, hoje, já encerrando esta fase da Arca de Noé, e avançando em outros tópicos do livro Gênesis, porque nós precisamos prosseguir, nós vamos encerrar fechando um pouco sobre a função do dilúvio e a conclusão do processo do dilúvio, que é quando as águas baixam após 40 dias e 40 noites de água descendo e, depois, Noé oferecendo um sacrifício dos animais impuros puros, desculpe, dos animais puros, Deus se agradando deste holocausto de animais e A promessa de que a espécie humana não seria mais destruída, de que, dali em diante, a bondade divina ia ter uma tolerância, uma benevolência maior para com a maldade natural do ser humano.
Então, tem muito simbolismo aí. O primeiro ponto que a gente gostaria de frisar aqui é que o livro Gênesis é uma obra literária. Isso significa que ele foi produzido por um povo, em uma determinada época, por um povo culturalmente condicionado. Então, a todo momento, os redatores deste livro buscam links ou âncoras com elementos da sua tradição. Então, vou dar um exemplo aqui. Quando a água baixa, Noé desce da arca, ele oferece um sacrifício que é o holocausto de animal e Deus se agrada disso. Está aí uma referência óbvia, explícita do Aspecto cultual da religião hebraica que, na época, era o sacrifício de animais no altar, como, de resto, era de todas aquelas sociedades da Mesopotâmia e do entorno do povo hebreu.
Era, sim, que se cultuava Deus, através de holocaustos, de sacrifícios de animais. Então, a gente percebe que, no texto aqui, há um reforço desse elemento cultural e religioso. Então, a todo momento, o texto lida, ele evoca esses elementos da cultura, esses elementos antropológicos da sociedade hebraica. Por outro lado, nós não podemos nos paralisar diante desses elementos culturais, por, sob pena do nosso estudo, se limitar a um estudo puramente histórico e antropológico ou sociológico. Então, nós estaremos aqui, olhando o texto, desconsiderando uma outra dimensão do texto.
É claro que quem redigiu o texto são os seres humanos culturalmente e historicamente condicionados, mas, isso significa que não tem nenhuma inspiração espiritual, não há nenhuma intuição, nenhuma conexão com o mundo espiritual, nenhuma conexão com essências espirituais que são imutáveis. Então, é aqui que entra a contribuição robusta da doutrina espírita para a nossa compreensão desse fenômeno. Altas inteligências do mundo espiritual que buscavam aprimorar e fazer com que essa sociedade avançasse espiritualmente falando, se aproxima, se associa a esse redator humano e esse redator, falando com os recursos que lhe são próprios, recursos culturais, históricos, sociológicos, antropológicos, essa pessoa escreve e fala às vezes sem se dar conta dos ecos que esse escrito, dos ecos espirituais que serão possíveis ser extraídos no futuro desse texto.
É o que nós estamos fazendo aqui. Então, nós podemos dizer que há sim um reforço antropológico do culto baseado em sacrifício de animais aqui no texto de Noé, há, mas e o eco espiritual dessa passagem? E a essência espiritual que esse vaso aqui carrega? Entendem? Então, eu olho para o vaso e sei que o vaso é histórico, ele é sociológico, antropológico, ele está situado no tempo e no espaço de uma sociedade específica, que é a sociedade hebraica, que produziu esse texto. Mas, eu vou ficar só com o recipiente e o conteúdo do recipiente.
Então, aqui no conteúdo do recipiente, a gente vai perceber um eco espiritual que é a essência do texto dizendo ou reforçando que o nosso elemento animal, a nossa animalidade deve ser sacrificada. Todos os aspectos da nossa animalidade que estão simbolizados aqui pelos casais de animais que foram colocados dentro da arca e que estão lá no primeiro andar, que é o andar da nossa inconsciência, esses elementos devem ser colocados sob domínio, domínio forte. O início do capítulo 9, aqui, diz que esses animais têm que ter medo do homem.
Olha aqui, interessante, não é? Se você for analisar isso sociologicamente, você fica assustado. Nossa, os animais têm que ter medo, mas não é isso, não é? O que está sendo dito aqui é que esses elementos do nosso passado, da nossa evolução ancestral têm que ser colocados sob um domínio muito rígido, sob pena de nós perdermos a nossa humanidade e passarmos a nos comportar como animais, com a crueldade, com o egoísmo, com a materialidade, com a falta de senso ético e moral, que não é típico ou que não é desejado na espécie humana.
Olha que interessante isso. Na espécie humana, a humanidade tem que preponderar sobre a animalidade, porque, senão, há um retrocesso. Isso é muito importante. Por exemplo, no livro dos Espíritos, quando Kardec indaga sobre monogamia e poligamia, dizendo assim, se a monogamia fosse abolida, vigorasse apenas a poligamia, o que aconteceria? E, aí, os Espíritos dizem, dizem, não com moralismo, mas eles dizem de uma perspectiva evolutiva. Eles dizem assim, é uma volta a barbárie, é um regresso a barbárie. É um recrudescimento do egoísmo, porque é como se nós abríssemos mão da nossa humanidade, da nossa capacidade de ter autocontrole sobre a energia sexual, de ter autocontrole sobre a atração física, sobre o libido e, simplesmente, passássemos a ter uma vida sem nenhum controle da razão, sem nenhum autocontrole, tal como animais selvagens.
E, voltaríamos para a barbárie. Não é isto que se deseja. Então, o que os Espíritos estão dizendo é que a humanidade, os seres humanos, vão criando mecanismos, inclusive sociológicos, sociais, jurídicos, religiosos, do ponto de vista de religião formal, para quê? Como muletas para eles avançarem espiritualmente. E, a monogamia e a instituição do casamento é um destes elementos limitadores, que limitam a libido, limitam o desejo sexual, fazem com que a pessoa discipline estas energias dentro dela, no sentido de alcançar um padrão de humanidade.
Humanidade, não é angelitude, não, porque a angelitude são patamares muito superiores e nós não temos nem condição de divisar, de entender. Nós estamos falando de humanidade. Isto é muito importante, não é? Agora, qual que é a lógica aqui do Dilúvio? Porque este é um ponto que nós precisamos entender. O texto de Gênesis, se você já brincou com o Lego, você sabe que quando você está com a peça de Lego, você tem peças que são semelhantes. Então, você tem vários tipos de peças. E, graças a esta diversidade dos tipos de peça, você consegue montar objetos, outros objetos.
Então, eu preciso de diversidade de peças. Então, eu tenho uma mais compridinha, tenho uma menorzinha, tenho uma que é mais alta. Mas, não basta eu ter uma peça de um tipo, eu preciso ter várias peças de um tipo, para que eu consiga montar algo. O texto bíblico é a mesma coisa. Então, aqui eu vou falar de uma pecinha do Lego, aqui do texto bíblico, uma pecinha, que é esta história de Dilúvio. Esta história de Dilúvio tem um propósito. Qual que é o propósito do Dilúvio? O propósito do Dilúvio é estancar a progressão do mal na Terra.
Este é o ponto. Estancar a progressão do mal na Terra. Ou estancar a progressão do mal no indivíduo. É a mesma função que a expiação tem. A prova e a expiação. Quando nós atravessamos uma expiação ou uma prova, o que está acontecendo? Um processo de estancamento de uma maldade que tem se multiplicado na nossa individualidade. Ao longo de várias encarnações. Então, o Espírito vai cometendo o mesmo erro, ele vai repetindo o mesmo erro, ele vai criando uma exponencial de maldade, ferindo o semelhante, causando dor e infelicidade no próximo, rompendo com deveres e com compromissos, e aquilo vira um hábito.
Aí vem a expiação como um elemento que paralisa aquele ciclo de crescimento da maldade. Essa é a função do dilúvio. E esse dilúvio, ou a expiação, ou a aprovação, a tribulação, vamos dizer assim, a tribulação, o sofrimento, ele tem marcas. Por exemplo, o número 40. O dilúvio durou 40 dias. O povo hebreu ficou no deserto perambulando 40 anos. Jesus foi tentado no deserto 40 dias. Então, é uma pecinha. Eu não posso dar uma interpretação mística a esse número 40. Eu tenho que entender esse número 40 como um marcador de qualidade.
Eu coloco 40 ali e eu sei que a marca é a tribulação. Então, esse é o segredo da interpretação, dessa interpretação que é desafiadora. Interpretar o texto do Novo Testamento, por que que é desafiador? Porque você tem que ser capaz de identificar esses marcadores temáticos. Então, eu pego aqui, água matou toda a carne, 40 dias, agora eu já entendi, são marcadores da tribulação, da expiação, do sofrimento, cuja função é paralisar a marcha crescente do mal, o crescimento exponencial da maldade, seja no indivíduo, seja em uma comunidade, seja no planeta como um todo.
Então, transição planetária é também um dilúvio, é uma dose de crise, de sofrimento e de dor para que se estanque o crescimento da maldade no mundo. As coisas ficam muito difíceis, ficam muito onerosas, tudo fica muito desafiador para colocar o ser em um processo de reflexão a respeito dos caminhos que ele tem trilhado. Esse é o sentido. Esse é o sentido do dilúvio. Então, a gente precisa entender o dilúvio aqui como uma medida saneadora, como se fosse um médico que recebe um paciente com hemorragia e ele estanca a hemorragia, porque, senão, o organismo vai morrer.
O organismo vai morrer. Ligado a esse grande tema, que é o tema da expiação, e essa expiação, ela é conduzida por Deus. Isso é uma coisa que, às vezes, nós, Espíritas, perdemos essa dimensão, porque o Espírita costuma imaginar que a expiação é um processo automático, decorrente de leis mecânicas. Então, o Espírita, muitas vezes, tem uma visão mecanicista da lei de causa e efeito. Ele imagina como uma coisa newtoniana. O universo é um mecanismo, é um relógio, uma grande engrenagem mecânica, regida por leis imutáveis e determinísticas.
Olha só! É uma concepção newtoniana de universo. Então, o resgate é o quê? É um negócio automático, decorrente da lei do mecanismo relógio. Não! Não é! Hoje, nós estamos aprendendo em física relativística e física quântica, principalmente, que não existe universo mecânico. Não existe engrenagem de relógio suíço que funciona sem intervenção da mente. Sem intervenção da mente, não funciona. É isso que a física quântica está mostrando. Não é? Há intervenções permanentes a cada milésimo de segundo para que o universo funcione.
Não existe um mecanismo mecânico. Mas, aqui, o texto bíblico já dizia isso. Com toda a sua linguagem de 3.000 anos atrás, mas ele dizia isso. Quem conduz o processo do dilúvio, quem supervisiona, é Deus. Isso é importante. Por isso, Kardec irá escrever no livro A Gênese, no capítulo 3, intitulado Deus, um item que se chama Providência Divina. E, lá nesse item, Kardec vai falar do fluido cósmico, que é o elemento que concretiza para nós, que torna possível para nós, humanos, compreendermos como Deus é onisciente, onipresente, como Ele atua permanentemente, porque a criação está mergulhada nesse fluido.
Então, Ele sente, Ele vê, Ele atua em tudo, mesmo nas coisas mínimas. Ou seja, há uma supervisão individual sobre a vida de cada um de nós. Então, é importante o Espírito incorporar esse elemento. É importante ele incorporar. Se a pessoa está com dificuldade, releia a série André Luiz. Releia a série André Luiz. Vai perceber em vários livros, alguém faz uma prece lá, desloca um ministro de nosso lar, desloca alguém e começam a atuar naquele caso, até Sanguinari resolver. Então, houve intervenção. Por que eles não deixaram a coisa correr com o relógio suíço?
Porque não tem relógio suíço. Não existe isso. O universo é dirigido por uma inteligência suprema e por um amor infinito. E qual amor infinito permanece imóvel, inativo? Não existe isso. Quem ama, age. Quem ama, age em favor do ser amado a todo momento, no limite das suas forças, como Deus não tem limite para as suas forças, Ele é o todo poderoso, amando e agindo. É isso que o texto quer dizer. E, às vezes, nós, Espíritos, estudando, estudando, estudando, não compreendemos isso. Não compreendemos esse elemento fundamental que está lá no livro Agêndote de Kardec, a providência divina.
Onde Kardec deixa claro que Deus, sim, supervisiona e age nos mínimos detalhes, nos mais insignificantes detalhes da nossa vida. Que é um conceito do povo hebreu também, que é a supervisão individual. Cada um de nós está sob supervisão individual. As coisas não acontecem assim, ah, autonômica, não, não. Há intervenções, param, agem, apertam, afrouxam atuações, que é o que está aqui no dilúvio. Então, Deus cessou o dilúvio, mandou sair, disse. Isso que incomoda quem vem com a mentalidade assim, meio intelectual, do século XVIII, século XIX, e lê esse texto aqui, Deus conversando, é um Deus antropomórfico, porque fala, quer dizer, não está conseguindo penetrar nos aspectos poéticos e espirituais do texto.
Porque esse Deus conversando, esse Deus atuando, é a maneira como o redator encontrou de nos transmitir o conceito de um Deus imanente, de um Deus que age, de um Deus que atua, de um Deus que atua. Daí, a importância que a prece ganha nesse contexto, que a prece ganha nesse contexto, porque, com a prece, eu entro em relação com Deus, eu entro em relação. Agora, Ele é Deus, Ele não vai se subordinar a mim, Ele vai interagir comigo, quer dizer, Ele não é uma ama seca, Ele não vai fazer tudo o que eu pedi para Ele fazer, Ele não vai receber ordens minhas, Ele não vai atender meus caprichos, mas Ele vai interagir comigo.
E Ele pode atender? Pode, pode atender, pode atender, sim, porque o processo é dinâmico, é fluido, é dinâmico, a todo momento está sendo atualizado. Então, isso é importante aqui, porque esse é o grande tema bíblico, os processos adotados pelo Criador para conter a progressão do mal. E, todo mundo fala, mas ficou só o Noé, a família, vai povoar a Terra de novo. Sim, esse é um outro grande tema bíblico que precisa ser compreendido, porque senão a gente não entende Jesus, não entende Jesus. Olha o que o Paulo vai dizer, Paulo vai dizer que o primeiro Adão é a alma vivente, e o segundo Adão, o Espírito que dá vida, que é Jesus.
Por que ele está dizendo isso? Porque, na compreensão simbólica de Paulo, imagina assim, até Jesus, até Jesus, o mal atingiu o ápice. Até agora, nós estamos imitando o mal da sociedade romana, da sociedade grega, da sociedade pérsia, da sociedade da época de Jesus. Nós estamos repetindo, porque aquilo ali atingiu o auge do egoísmo, do orgulho, da crueldade, da crueldade. Basta lembrar que cristãos eram pegados, centenas de cristãos, jogados para o leão comer antes do almoço. Então, as pessoas assistiam pessoas inocentes serem trucidadas para o leão, depois elas iam almoçar.
Depois elas iam almoçar. Isso era o chique da sociedade romana. Era o chique. Não era nem crime. Hoje, se fizer um negócio desse, é chacina, genocídio. Não! Lá era divertimento, ver velhinhos, velhinhas, crianças mulheres morrendo antes do almoço. Então, o que que o Paulo quer dizer? Que esgotou a maldade do primeiro Adão. Chegou no ápice. Então, agora, era necessária uma segunda humanidade. Era preciso povoar de novo a terra. Guarda isso. Povoar de novo a terra. E quem vem o primeiro para povoar de novo a terra? Jesus.
Por quê? Porque ele é um modelo. O novo povoamento da terra vai seguir um modelo de ser humano. Qual que é o modelo de ser humano? Jesus. Então, Paulo diz assim, aquele que aceita o Cristo e o confessa como modelo, guia, nova criatura é. Nova criação. É a nova humanidade. Você sai da humanidade anterior, que é essa que nós estamos estudando aqui em Gênesis, porque nós vamos estudar aqui o crescimento dessa primeira humanidade. Com Jesus, Novo Testamento é a nova humanidade. Então, o cristão verdadeiro é um novo ser humano.
Mas, não é um novo ser humano porque ele se renovou, fez a reforma íntima. Não é só isso. Não é só isso. Ele é um novo ser humano porque, agora, ele passa a fazer parte da nova humanidade. Aí, você vai lá em Kardec. Terceira revelação. Olha como é que fecha. Último capítulo do livro a Gênesis. O que que fala? A nova geração. O que que é isso aqui? Noé chegou aqui e ele recebe a ordem assim, Deus abençoou Noé e seus filhos e lhes disse, sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. Não é? Depois da transição planetária, em meio a essa transição planetária, o que que está dito lá no último capítulo do livro a Gênesis de Kardec?
Espíritos mais avançados vão renascer na Terra e vão constituir uma nova geração de seres. Nada de derrogar as leis naturais, nada de derrogar nenhuma coisa hollywoodiana. Em silêncio, em cada útero, em cada maternidade, a humanidade vai ser substituída. Porque vão nascer Espíritos que são similares, que são mais conectados com o modelo que é Jesus. É a nova humanidade. É o tema, é o tema do dilúvio. Então, a transição planetária pode ser interpretada como um grande dilúvio que acaba com a geração velha. Entenderam agora?
Acaba com a geração velha para que uma nova geração de seres surja. Olha o tema aqui. É o mesmo tema. Aconteceu aqui local e agora está acontecendo em um plano global planetário. O que aconteceu local está acontecendo agora em um plano global planetário, em um nível planetário. Mas, o padrão é o mesmo. Então, estudar aqui o capítulo 7, 8 e 9 de Gênesis é entender a transição planetária, porque o padrão é o mesmo. A nova humanidade, a nova criatura em Cristo, o homem velho e o homem novo, que a gente pensa que é só a reforma íntima, não é só isso.
O homem velho é a humanidade anterior, é essa humanidade anterior que atinge o limite da crueldade, do egoísmo, da barbárie, do orgulho, do máximo. Depois disso, do auge do máximo do mal, é o bem, o novo homem. Por isso, também, o Evangelho de Mateus começa com a genealogia Nasceu quem? Nasceu o novo homem. O novo homem. Pilatos, quando apresenta Jesus, diz o que? Eis o homem. Eis o homem. Eis o homem. Esse era o homem. Jesus é o ser humano que Deus projetou para a Terra. É esse ser humano que tinha que estar vivendo aqui.
É um ser humano igual àquele. Não a gente. Era para a gente ser daquele jeito. Por quê? Porque nós somos imagem e semelhança do Criador. Nós temos o potencial, o DNA para ser como Jesus. Mas, optamos por não ser porque adotamos um outro projeto, que é o projeto da serpente. Se você não quiser, volta nos episódios anteriores, onde a gente explica, em vários episódios, detalhadamente, o projeto da serpente. Mas, é isso. Então, vai ser retomado e, com isso, a gente vai conseguir entender a temática. Quer dizer, quando a gente entende os grandes temas do Velho Testamento, tudo fica mais simples de entender.
Você começa a ter uma visão global. Eu lembro, é como na música, você pega uma sonata. Se você não tem compreensão nenhuma do que é uma sonata, de como é que ela se estrutura, quais são as partes dela, sobre forma musical, você olha e só vê nota. Você só consegue ver nota. Então, o indivíduo que senta e vai tocar, ele só consegue tocar as notas, as notas da música. Mas, então, a pessoa amplia sua compreensão, ela entende que a sonata tem uma forma, ela é dividida em partes, cada parte tem uma estrutura. Aí, na estrutura de cada parte, ele encontra o motivo, que são os temas, as células, como que esses motivos, esses temas se repetem, como é que eles se articulam.
Depois que ele entende a forma global e a forma das partes, aí ele consegue tirar a música das notas. Antes, ele só tirava a nota da música, as notas da música. Agora, ele tira a música das notas, porque ele tem a visão global. É o que nós estamos buscando no estudo do livro Gênesis. A pessoa pergunta por que estudar o Velho Testamento e o livro Gênesis? Para entender as formas, os grandes temas, as formas estrutural e os temas da Bíblia, porque senão você não vai conseguir interpretar nada, interpretar de uma maneira profunda, consistente, competente, mesmo no Novo Testamento.
Vai, assim, fazer interpretações ingênuas, limitadas, pobres. Então, precisa compreender esses grandes temas. E, este aqui é um tema. Este aqui é um grande tema. E, ele vai se repetir. Como é que ele vai se repetir? Nós vamos voltar a ter um dilúvio. Não vai chamar de dilúvio, que é o que? Deus apresenta a terra prometida, uma nova terra, porque se você tem uma nova humanidade, tem que ter uma nova terra, tem que ter um novo céu, novos céus, nova terra. Então, ele apresenta. Aí, o povo fala, ah, não vai dar, não. Isso aí está cheio de gente morando lá, duvidando da promessa.
Em função dessa rebeldia do povo, o povo sofre um castigo. Fica quarenta anos andando em círculo no deserto. E, durante esses quarenta anos, ele é submetido, o povo hebreu, a três testes. E, ele falha nos três. Quando Jesus inicia a sua missão, Jesus não é uma nova humanidade? Não é um novo homem? Não é o cumprimento da aliança? Não é um novo povo hebreu? Olha que interessante. Então, ele vai ser submetido ao teste, que é quarenta dias no deserto, as mesmas três tentações, que é a passagem de Mateus, a tentação de Jesus.
E, aí, ele vence todas as três. Por quê? Porque ele é um novo homem. É o homem modelo, guia. Então, ele faz certo o que antes foi feito errado. Agora, ele não é mais um teste, não é mais uma tentativa. Agora, ele é o êxito. Jesus é o êxito. Nós vamos ter um outro dilúvio, que é a cruz. Na crucificação, você tem um novo dilúvio. Todos os elementos, abandonado pelos amigos, injustamente condenado, tudo, você reúne tudo, tudo quanto é adversidade, que um encarnado pode passar numa existência corporal. Todas as adversidades, adversidade física, corporal, porque ele apanhou, estava morrendo, emocional, afetivo, espiritual, tudo, reúne tudo, todas as adversidades.
E, Jesus, o quê? Vence todas. Ele é o êxito. Então, todas as histórias bíblicas, que são histórias de falhas, porque o que o Velho Testamento descreve é falha, é tentativa que deu errado. São homens e mulheres falhando, tropeçando, e agora vem o Cristo, acertando, tendo êxito na mesma prova. Não mudou o teste, não é o mesmo teste, é o mesmo, os mesmos testes. Então, quando a gente tem a compreensão disso, tudo se abre, a gente consegue olhar e falar entendi, agora eu entendi o plano geral, inclusive da obra espírita, inclusive da codificação cadequiana, da nova geração, inclusive, você vai entender com muito mais profundidade, muito mais perspicácia, conhecendo esses temas, porque tudo se abre, a gente consegue fazer conexões mais profundas, mais auspiciosas.
Esse é o tema, a gente consegue fazer conexões mais auspiciosas. Então, rememorando aqui, que uma criação perfeita, a imperfeição surge pela ignorância, pela ignorância. O Espírito foi criado simples e ignorante, em função da sua ignorância, a ignorância, a simplicidade de Adão e Eva, ele faz, ele permite que a imperfeição entre na criação. Depois, ele se rebela com o Criador, porque, por tanta ignorância, ele começa a ser autossuficiente, ele começa a se achar, se enxergar como autossuficiente. A partir do momento que o ser humano se enxerga como autossuficiente, como alguém que não precisa de Deus, ele permite uma escalada exponencial da maldade.
Então, o mal começa a crescer exponencialmente, de uma maneira avassaladora, tremenda, imensa. E, tudo mais, na Bíblia, é a história das intervenções divinas, intervenções da providência divina para sanear a escalada do mal. Essa é a história. Todos esses livros aqui. E, por fim, a intervenção definitiva, que é a vinda do Messias. A vinda do Messias. O Messias é a resposta divina aos homens para o mal e para a dor, para o sofrimento. Para o mal e para o sofrimento. É a resposta divina. Eis aqui o caminho. Por isso, Jesus é guia e modelo.
É isso que a gente queria tratar no próximo episódio. Nós vamos, agora, avançar para outros temas do livro Gênesis, não menos importantes, conectados a este, para que a gente entenda essa sonata, essa sinfonia, as formas e os temas que vão se repetindo. E o ouvido atento, como diz lá, o ouvido atento consegue captar esses temas que se repetem. Às vezes, toca na ordem inversa, mas é o mesmo tema, se repetindo. Então, até o próximo episódio. Uma arca daquele tamanho, um homem colocando animal, todo mundo falou assim, esse homem ficou doido.
De repente, começou a chover. Então, quando começou a chover, aí sim, se confirmou para Noé as coisas esperadas.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

Respostas