Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias nos conduz por uma análise aprofundada do livro de Gênesis, especificamente o capítulo 7, explorando a simbologia da Arca de Noé e sua relação com a “casa mental” descrita por André Luiz em “No Mundo Maior”.
O que é estudado neste episódio
- A Arca de Noé como casa mental: A arca é interpretada como a estrutura psíquica humana, dividida didaticamente em três andares:
- Primeiro andar (porão): Representa as experiências do passado, as vivências evolutivas que antecedem a humanidade, simbolizadas pelos animais.
- Segundo andar (meio): Onde Noé e sua família habitam, simbolizando o presente, o ego e a consciência atual, com suas possibilidades de resgatar o passado e construir o futuro.
- Terceiro andar (superior): Com uma pequena janela por onde Noé solta a pomba, representa a faculdade de sondar o futuro e as possibilidades, associada à fé.
- O Dilúvio como símbolo da tribulação: O dilúvio é apresentado como um símbolo universal de provações, expiações e dificuldades que visam o burilamento e crescimento espiritual, tanto individual quanto coletivo, e sua relação com a transição planetária.
- A fé como fundamento e prova: A partir da Carta aos Hebreus, capítulo 11, versículo 1, a fé é definida como o “fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem”. Haroldo Dutra Dias desmistifica a fé como mero acreditar, enfatizando-a como fidelidade e confiança nas instruções divinas.
- A fé como clarividência dos propósitos divinos: A fé é apresentada como a capacidade do Espírito imortal de ativar regiões inexploradas do córtex frontal, permitindo vislumbrar os planos e propósitos de Deus para a vida individual e coletiva, como um “Dr. Estranho” que sonda as múltiplas possibilidades do futuro.
- O processo da fé: A fé não é um evento mágico, mas um processo que envolve ouvir as instruções divinas, seguir a “receita” de Deus, ter paciência e aguardar os resultados, como Noé fez ao construir a arca e esperar o retorno da pomba.
- A importância da fidelidade e confiança: A verdadeira fé implica fidelidade a Deus e confiança em Seus desígnios, mesmo diante de incertezas e da necessidade de “correções de rota”, como exemplificado pela trajetória de Chico Xavier em Uberaba.
- A reencarnação como “refazenda”: A encarnação é comparada a um “dilúvio” e a um processo de “refazenda”, onde o Espírito tem a oportunidade de refazer o que foi mal feito, desenvolvendo as potências da alma, como a fé, para não se afogar na carne e nas preocupações corriqueiras.
Reflexões
- A fé, na perspectiva espírita, transcende o mero acreditar, sendo um processo ativo de fidelidade e confiança nas orientações divinas, que nos capacita a vislumbrar e construir um futuro alinhado aos propósitos de Deus.
- As provações e dificuldades da vida, simbolizadas pelo dilúvio, são oportunidades de burilamento e crescimento espiritual, exigindo de nós a mesma confiança e perseverança de Noé para atravessar os momentos de escuridão e incerteza.
- A “casa mental” e seus três andares nos convidam a uma autoanálise profunda, reconhecendo a influência do passado, vivenciando o presente com consciência e desenvolvendo a fé como bússola para o futuro, em constante sintonia com a vontade divina.
Ler transcrição do episódio
A Luz da Doutrina Espírita A Luz da Doutrina Espírita A Luz da Doutrina Espírita Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, A Luz da Doutrina Espírita. Nós estamos, exatamente, no capítulo 7 do livro de Gênesis, do Antigo Testamento, abordando esta grande metáfora, este símbolo profundo, de resto, como todos os grandes símbolos do Antigo Testamento, que encerram, no dizer de Emmanuel, a ciência secreta do povo hebreu. Séculos e séculos de interpretação, de raciocínio, de desenvolvimento de uma argúcia no que diz respeito às questões religiosas.
Enfim, o povo hebreu se especializou nessa relação misteriosa, desafiadora com Deus, considerando que o Criador é sempre esse outro, Inteligência Suprema, Amor Infinito, que está sempre nos desafiando com a sua inteligência e com o seu amor, porque os caminhos por Ele escolhidos nem sempre coincidem com os nossos desejos e com os caminhos por nós trilhados. Essa é a grande experiência da religiosidade e da espiritualidade. Desenvolver esse relacionamento no cotidiano, nas questões corriqueiras do dia a dia, bem como nas grandes decisões, nas grandes tomadas de rumo da nossa existência física e da nossa evolução espiritual.
Estamos falando isso hoje porque já examinamos o primeiro andar da Arca, o segundo andar da Arca e hoje vamos examinar o terceiro andar da Arca de Noé. Lembrando que nós estamos aqui tomando como referência para a interpretação dessa metáfora do livro No Mundo Maior de André Luiz psicografado por Chico Xavier que fala da casa mental. De modo que nessa analogia, nessa interpretação a Arca de Noé simbolizaria então a casa mental, a nossa estrutura psíquica que é una, que funciona de modo integrado e indistinto, mas que didaticamente pode ser separada para melhor compreensão em três andares ou três níveis o porão que representa as nossas experiências do passado, as nossas experiências evolutivas principalmente naquelas faixas que antecedem a humanidade representadas pelos animais que foram levados para a Arca, o segundo andar ou o andar do meio que é onde estava Noé com a esposa e toda a sua família simbolizando o presente, o nosso ego, a nossa consciência atual, as possibilidades que nós temos agora de resgatar o passado e construir o futuro e o terceiro andar que era o andar que possuía uma pequena janela onde regularmente Noé soltava um pombo uma pomba e ela então voava por aquela imensidão de água, de dilúvio até encontrar terra firme uma espécie de um GPS, de um grande GPS, de um grande radar aguardando os tormentos do dilúvio.
Nós já comentamos aqui que o dilúvio é O grande símbolo, o grande tipo da tribulação de um modo geral. Aliás, seria bom que nós comentássemos isto aqui. O Antigo Testamento vai desenvolvendo os seus símbolos aos poucos. Primeiro ele apresenta como se fosse um grande roteiro de um filme em que a história e as personagens são apresentadas ao longo do roteiro. Então, ao longo da apresentação, ao longo das cenas, você vai descobrindo elementos das personagens que não são revelados no primeiro momento. Então, você pode apresentar uma personagem que nos parece ser uma ótima pessoa e ao fim do filme ela se revela uma grande vilã.
E vice-versa. Só para a gente dar um exemplo de que ao longo da história, ao longo do roteiro, o próprio enredo, a própria história em si vai se desenrolando e as personagens vão sendo apresentadas. Pois bem, esta aqui é uma apresentação inicial do dilúvio que simboliza todo o gênero de tribulação, todo o gênero de provação, de expiação, de dificuldade, de teste, de sofrimento, mas aquele sofrimento que tem por finalidade o burilamento espiritual, o crescimento espiritual, a redenção da alma. Isso pode se dar em um nível individual, como se dá também em um nível coletivo.
Neste momento, a Terra, em franca transição planetária, enfrenta uma grande tribulação, imensas dificuldades, imensos problemas, difíceis de serem resolvidos, difíceis até de serem equacionados, representando um auge deste dilúvio. Então, o dilúvio foi inserido no roteiro, mas ele só se revela completamente no, entre aspas, fim dos tempos, que é a transição planetária. Toda esta história bíblica é também um roteiro. Do início de Gênesis até o final de Apocalipse, nós temos o roteiro deste filme de sete mil anos. Sete mil anos de história da evolução humana, da evolução da espécie humana, enfocada do ponto de vista espiritual, porque eu posso enfocar a evolução da espécie humana do ponto de vista antropológico, industrial, econômico, sociológico.
Você pode escolher vários enfoques. Aqui, por se tratar de livros que lidam com a questão religiosa e com a questão espiritual, o enfoque dado aqui é o enfoque do Espírito, do aprimoramento espiritual individual e coletivo. Então, o aprimoramento espiritual também das comunidades, das nações, dos grandes grupos, das grandes instituições humanas. Então, esta é a ideia. Portanto, falamos em dilúvio, falamos em tribulação, falamos em dificuldade, circunstâncias desafiadoras, por vezes, opressoras. E, aqui, entra no terceiro andar esse espaço para que uma pomba saia e verifique as possibilidades.
Possibilidades. Quando nós falamos em possibilidades, nós estamos falando no futuro. No futuro. Então, é bom que a gente já se acostume a pensar. E é interessante que o próprio cinema, as histórias em quadrinhos, os seriados hoje, já lidam com outro paradigma de futuro. Antigamente, as pessoas imaginavam o futuro como uma linha reta. Então, iam prever o futuro, ah, vai acontecer isso, isso e isso às 15h45 do dia tal do ano tal. Não é assim. Não é assim. Então, quem está acompanhando os filmes da Marvel, principalmente o Doutor Estranho, sabe que ele sonda ali o futuro e quando ele volta, ele fala olha, tem X possibilidades.
Tem 14 milhões de possibilidades. Porque o futuro ele vai se configurando na medida em que as pessoas no presente tomam decisões. Então, é um conjunto de pessoas na medida em que elas se movimentam, na medida que elas tomam decisões e na medida que elas agem efetivamente, elas vão reduzindo as possibilidades de futuro. Então, vamos dizer que o futuro vai se concretizando. Essa é a ideia aqui. A pomba é solta para sondar possibilidades. E qual é a faculdade do psiquismo humano? Qual é a faculdade do Espírito imortal de sondar as possibilidades do futuro?
Na linguagem bíblica, essa faculdade está inserida no que os textos bíblicos chamam de fé. Fé. Então, vamos ler o que Paulo escreveu no capítulo 11 da Carta aos Hebreus. Ele diz assim, as traduções são complicadíssimas aqui nesse texto. Então, eu vou fazer uma tradução aqui agora. Pegando aqui o texto grego para mostrar aí as dificuldades. Paulo diz assim, E A fé estinde pistis e a fé é Ripostasis ripostasis é Fundamento alicesse interessante, ripostasis é o que está na base. Então, a fé é o fundamento. É o alicesse.
É o que está na base. Se você quiser interpretar essa palavra num sentido mais abstrato, você pode colocar aqui que é a certeza. Mas, eu tenho um pouco de medo de traduzir ripostasis por certeza. Então, a fé é o fundamento. É o alicesse. É o que sustenta o edifício. Essa é a ideia. Então, a fé é o fundamento pragmatom das coisas, dos fatos, olha só, dos acontecimentos, coisas no sentido de circunstâncias, acontecimentos, fatos esperadas. É o pizzomeno das circunstâncias esperadas, dos fatos esperados, das coisas esperadas.
Olha que interessante. Então, olha que incrível isso, porque você avalia as possibilidades, então você espera um conjunto de possibilidades. E o que lhe garante o fundamento de que você está certo? A fé. A fé. Por isso que fé não é acreditar. Fé não é acreditar. Porque fé vem de fidelidade. Então, esse fundamento, essa firmeza que se tem nas coisas esperadas, nas coisas que estão por vir, naquilo que é vislumbrado, que é visualizado, o fundamento disso é o que? É a relação com Deus, que é o Todo-Poderoso, que é o autor e é aquele que controla tudo.
Nada acontece sem essa supervisão divina. Então, é exatamente em decorrência dessa relação com Deus, dessa confiança, porque fé aqui é no sentido de confiar, fiar com fidelidade, estar junto. E Noé estava. Porque Noé ouviu Deus, ninguém ouviu. Ele construiu a arca seguindo as instruções. Porque o pessoal acha que fé, acreditar, é assim. Não, eu acredito em Deus. Eu acredito. Mas acredita como? Deus existe. E? Deus existe, mas você vai agir conforme Ele está te orientando? Deus existe, mas você vai seguir as instruções?
Porque Ele está mandando você colocar uma xícara de farinha. Você está colocando três? Ele está pedindo você colocar dois ossos, você não está colocando nenhum? Ele está pedindo você mexer a massa. Você colocou todos os ingredientes e pôs no forno? Ele está instruindo para você esperar trinta minutos. Quinze minutos você abre, tira a forma e já quer comer o bolo. Então, por isso que fé não é acreditar. Fé é confiar, principalmente no sentido de seguir as instruções divinas. Seguir a orientação divina. Agir de conformidade com as orientações divinas.
Porque, se você age de conformidade com as orientações divinas, você tem fé. Fé no sentido de fidelidade, confiança. Você é fiel à receita que Deus está te passando. Você é fiel às orientações que Ele está te passando. E você confia que isso vai te levar ao resultado almejado. Olha como é desafiador. É desafiador, porque você quer comer o bolo, mas Deus te dá os ingredientes. Ele não te dá o bolo. Ele não te dá o bolo. Para que você tenha o bolo gostoso ali, você vai ter que, primeiro, juntar os ingredientes, porque Ele começa assim, Ele te manda um ovo.
Você fala, mas o que é isso? O que eu vou fazer com esse ovo? Daqui a pouco, Ele manda farinha. Aí, dá um tempo, Ele manda o açúcar. Dá um tempo, Ele manda a forma. Então, Ele vai mandando os ingredientes aos poucos. Então, o primeiro desafio aqui é entender o que Deus está enviando. O que Deus está enviando? Aguardar. O que Ele está enviando? Por que Ele está enviando isso? Aos poucos, Ele vai mandando. E, aí, a gente tem que saber reunir o que Deus nos envia para seguir a receita. É nesse sentido que há a fé, a fidelidade.
Por que a base é a fidelidade? Fidelidade por quê? Você precisa manter-se em relacionamento com Deus, mas manter-se em um relacionamento exclusivo, porque se você começa a ouvir as instruções de Deus e começa a ouvir outras instruções, você não vai concretizar aquilo que Ele planejou, aquilo que Ele projetou para o seu destino. Então, esse é o sentido de fidelidade. O outro é o sentido de confiança. Se você não confia na receita, se você não confia nos ingredientes que estão chegando, se você não confia que esses ingredientes vão dar um resultado, vão te levar a um resultado, você age de modo desnorteado, você passa a ser infiel a Deus, você passa a desconfiar dele.
E aí, o que acontece? Você passa a complicar as circunstâncias, porque você vai tomando decisões, você vai se movimentando de um modo contrário à fé. Esse é o sentido. Por isso que a fé é o fundamento, é a base, é o alicerce das circunstâncias, dos fatos, das coisas esperadas, esperadas. Então, está muito abstrato, vamos tentar concretizar isso aqui. Noé recebeu a instrução para construir a Arca e foi recebendo os elementos e ele seguiu e construiu a Arca. Não é? Quando ele construiu a Arca, todo mundo ria, todo mundo estava rindo.
Uma Arca daquele tamanho, um homem colocando um animal, todo mundo falava assim, esse homem ficou doido. De repente, começou a chover. Então, quando começou a chover, aí sim, se confirmou para Noé as coisas esperadas, aquilo que ele esperava que ia ocorrer, as circunstâncias esperadas. Mas, elas só se tornaram certeza para ele, porque ele seguiu as instruções, porque ele confiou. Então, é isso que o Paulo está dizendo aqui, a fé é o fundamento, é o alicerce das coisas esperadas, mas, é também elenhos, a prova das coisas ou daquilo que não se viu, do não visto, daquilo que não foi visto, a prova daquilo que não foi visto.
Olha isso! Quer dizer, não aconteceu ainda, não foi visto ainda, mas, essa fidelidade, essa confiança que você tem em Deus, é a prova daquilo que você não viu ainda. Moisés, Noé não tinha visto o dilúvio, mas, a confiança dele em Deus dava clarividência, ele via antes de poder ser visto, ele já divisava, já delineava, antes que houvesse algo concreto. Gente, porque ver algo que está concreto, isso aí não requer esforço nenhum. Eu pego uma pedra e coloco na sua frente, você fala, não estou vendo a pedra. Qualquer, é por isso que Jesus censura, chama a atenção de Tomé.
Ele fala assim, toca Tomé, você quer algo concreto que já aconteceu? Pois é, agora eu já estou no mundo espiritual, então toca, olha aqui, a imortalidade aqui na sua frente. Mas, agora é concreto, agora é qualquer um tocando e pegando, agora é qualquer um se convence, Tomé. Fé, era você ter confiado antes de ver, quando não havia nada de concreto. Por quê? Porque aí seria uma demonstração de que você estava desenvolvendo no seu íntimo, essa faculdade de confiar, essa faculdade de sondar o futuro com a fé. Sondar o futuro com a fé.
Visualizar as coisas esperadas, as coisas prometidas por Deus, para a sua vida e para a comunidade, para o coletivo. Então, a gente percebe que fé, a fé nesse sentido aqui, genuíno, que está ligada ao terceiro andar da casa mental, lá explica, no mundo maior, que é essa região do córtex frontal aqui, células ainda inexploradas no nosso cérebro. Por que inexploradas? Porque nós, desencarnados, não desenvolvemos essa faculdade. Não desenvolvemos. Essa faculdade, nós não desenvolvemos. Por isso, Jesus chama a atenção de Tomé.
Pois é, Tomé. Agora, encostar aqui, na minha mão materializada, isso aí, qualquer um faz, Tomé. Isso aí, se eu voltar lá para a pré-história, chamar um homem primato, ele vai tocar aqui. Isso aí não requer desenvolvimento anímico nenhum. O que eu pedia a você, Tomé, foi que desenvolvesse essa grande faculdade do Espírito imortal, que é a faculdade de confiando em Deus, sendo fiel a Deus, ouvir as instruções divinas e montar o quebra-cabeça do que será? Do que será? Das possibilidades do futuro, dos planos, dos propósitos divinos para a minha vida, para a sua vida e para o planeta inteiro.
Então, a gente percebe aqui que essa habilidade, essa faculdade do Espírito imortal não tem nada a ver com inteligência. Você pode ser muito inteligente e não ter isso. Você pode ser pouco inteligente e ter muito isso. Não tem a ver com inteligência. Não tem a ver com classe social. Você pode ser abastado e não ter mínimo de fé. Você pode também não ter recurso nenhum e não ter fé. Você pode ter pouco recurso e ter fé. Pode ter muito recurso e ter fé. Não tem garantia. Não é o fato de ter ou não ter bens materiais.
Não é o fato de ser mais velho ou ser mais novo. Não é o fato de ser inteligente ou não ser inteligente. Não tem nada a ver. Isso aqui é uma faculdade à parte. É o terceiro andar da casa mental. Os Espíritos que desenvolvem isso aqui, eles começam a ter uma clarividência. Mas, não é clarividência de ver Espírito, não. É uma clarividência dos propósitos divinos para a sua vida e para a vida dos indivíduos e das comunidades que estão junto com ele. É isso aqui. A fé é o fundamento, é o alicerce das coisas esperadas ou dos fatos, das circunstâncias esperadas e a prova do que não é visto.
Do que não é visto. Do que não foi visto. Prova. Então, fundamento, alicerce e prova. Olha isso. Então, nós podemos dizer a partir deste primeiro versículo aqui, porque, olha, este é o versículo 1 do capítulo 11 da Carta aos Hebreus. Olha o que que o Paulo vai dizer no versículo 2. Pela fé entendemos compreendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus. Olha isso. Os mundos nem gosto de mundos, porque aqui está aionas, não gosto de mundos, não. Os ciclos, os períodos, porque o aion tem mais a ver com o tempo.
Então, que os períodos que os grandes ciclos da criação universal olha que interessante isso foram criados pela palavra de Deus. O que que o Paulo está dizendo? Que em tudo que nasce, cresce, se desenvolve e morre, incluindo o universo, incluindo o planeta Terra, nasce, cresce, se desenvolve e acaba, incluindo o planeta, incluindo meu corpo, incluindo essa minha existência, como Haroldo, que vai acabar um dia, tudo, tudo tem um propósito, tudo tem um planejamento, tudo tem um arco, tem uma história, tem um roteiro e o roteirista é Deus.
É isso que ele está dizendo. Então, pela fé, nós entendemos o roteiro das coisas. Qual que é o roteiro da Terra? Olha isso! Qual que é o roteiro da Via Láctea? Mas, vamos ser mais humildes, qual que é o roteiro da tua presente encarnação? Qual que é o roteiro da encarnação das pessoas que você ama? Qual que é a história que está roteirizada, que está planejada, planejada nas linhas gerais? Porque a cada decisão que você toma no presente, você pode ir alterando e configurando tudo. Então, pela fé, nós entendemos isso.
É isso que ele está dizendo. Então, a fé é vamos agora explicar em uma linguagem André Luiz, a fé é essa faculdade do Espírito imortal de ativar as regiões do córtex frontal inexploradas e Vislumbrar os propósitos, os planos divinos. Portanto, namorar com o futuro. Sondar o futuro. Quase como um doutor estranho da Marvel, com a joia e tem tantas possibilidades. Sempre lembrando isso, que são possibilidades. Por que possibilidades? Porque as pessoas se movimentam, elas se movimentam, elas tomam decisões, elas alteram, então está tudo é uma matemática, é um jogo, as probabilidades vão se concretizando à medida que movimentações e decisões são tomadas e são feitas.
É isso. E a fé é essa clarividência. A fé é o terceiro andar da arca. E foi pela fé, por essa capacidade de soltar a pomba que o Noé teve o grande elemento, quando ela vem com o galinho no bico, ali foi a confirmação do que? De todo o processo da arca. Quando ele recebeu a instrução para construir a arca, quando ele construiu a arca, quando ele colocou todo mundo para dentro, quando ele esperou a água cair, quando ele ficou quarenta dias quarenta dias sem saber o que vai ser, no escuro, quantas vezes na nossa encarnação a gente fica assim?
Quantas vezes? Você olha e fala, e agora? E agora? Agora eu não sei, para onde vai essa arca? Você está dentro da arca? Aguarda? Aguarda? E aí, essa expectativa teve o seu encerramento, seu apogeu, quando a pombinha volta com o galho. É a fé. Mas, ele já sabia, ele já sabia que a pombinha ia voltar com o galho, tanto que ele soltou a pombinha, soltava, ela voltava, soltava, ela voltava, soltava, ela voltava. Ele já sabia. Ele estava aguardando o momento. Por quê? Porque a fé é o alicerce das coisas que se esperam e é a prova do que não é visto ainda, do que não foi visto.
Essa é a grande lição. Essa é a grande lição. Que nós vamos aprendendo, inclusive, com a encarnação, com a vida de outras pessoas. Então, a gente percebe quando Chico sai de Pedro Leopoldo e vai para Uberaba. Ele vai. Problemas em Pedro Leopoldo, possibilidades em Uberaba, os Espíritos orientam, mas havia garantias. Tanto não havia garantias, que ele foi convidado por uma pessoa e por uma instituição que o recebeu. Essa pessoa que o convidou depois abandonou o Espiritismo e depois ele teve que sair da instituição que chamou ele para fundar outra.
Mudou. As circunstâncias mudaram, mas o propósito não. O propósito da ida dele para Uberaba foi integralmente cumprido. Mas, foi cumprido da maneira exata, com as pessoas, com as instituições, nas circunstâncias? Não. Então, você tem que fazer correção de rota, alteração. Às vezes, tem que mudar até de aeronave. Acontece isso. Você sai para um destino, o avião dá problema, você pousa, troca de avião e continua. Mas, você chegou. Você chegou ao destino. Foi com o mesmo avião? Infelizmente, não foi. Infelizmente, não foi.
Então, ele teve que fazer várias correções de rota, mas os propósitos da ida dele para Uberaba se cumpriram integralmente. É uma lição para a gente. É uma grande lição. Uma grande lição, porque nós ficamos apegados à forma, à maneira. Nossa, eu tinha que realizar esse propósito, mas agora o fulano foi embora, abandonou. Haverá mudanças. Para que o propósito se cumpra. Ah, mas essa instituição não dá mais. Vai ter outra? Mas, eu imaginava que fosse dessa maneira. Vai ser de outra? Se você estiver vinculado ao propósito divino, você irá realizar o melhor.
E, se eu não estiver vinculado ao propósito divino e realizar o pior, aí você vai ter que refazer. Refazer. Isso é a reencarnação. Nós estamos aqui tentando fazer melhor e refazendo o que foi mal feito. Refazendo o que foi mal feito. Como diz o Gilberto Gil, refazenda. A música dele, refazenda. Por quê? Porque a gente perde a conexão tanto que ele já começa a música dizendo abacateiro, acataremos o teu ato. Nós também somos do mato, como o pato e o leão. A grande questão é que o abacate não quer ser outra coisa, o abacate não tem crise de identidade, o pato não tem crise de identidade, o leão não tem crise, ele sabe qual é o seu propósito de vida.
Nós, seres humanos, não. A gente tem crise, não sabe o que é, não sabe qual é o propósito da nossa existência e se perde. Então, tem pato querendo ser leão, leão querendo ser pato, abacate querendo ser manga, manga querendo ser abacate, e as coisas ficam mais difíceis. Mas, não tem problema, a refazenda, refazendo tudo, refazendo tudo. Esta é a grande lição da encarnação. O que os Espíritos tem nos Oretatos, principalmente Emmanuel, que é muito firme e enérgico nesse ponto, ele diz assim, você já está refazendo há uns 3 mil anos, você vai ficar refazendo a mesma coisa e até quando?
Então, ele chama isto de encarnações de baixo teor espiritual. E, estes Espíritos, que estão em encarnações de baixo teor espiritual, ele, metaforicamente, diz que eles estão afogados na carne, porque eles encarnam em carne mesmo, afogam na carne, ficam só preocupados. E, aqui, não desenvolvem nenhuma habilidade espiritual, nenhuma faculdade espiritual, porque estão só afogados no corriqueiro da vida física. E, é interessante que o Emmanuel não usa a expressão afogados na carne, ele não usa isto gratuitamente, ele está fazendo uma referência ao dilúvio, porque nós também podemos entender que a encarnação – encarnar, reencarnar – é passar por um dilúvio, porque você está estabilizado, muitas vezes, no mundo espiritual, com a memória, e, aí, você se arrisca a uma navegação complexa que é encarnar, que é encarnar.
Arriscado, é uma odisseia, é uma odisseia, podem acontecer muitas coisas e você pode, no meio desta viagem, se desestruturar, se desestruturar, complicar, complicar mais do que quando você estava lá, ou resolver. Você pode, também, redimir. Chega aqui, começa a ter uma resposta, um resultado muito acima do planejado, você redime, em algumas áreas. Redime. É este dilúvio, este dilúvio. Mas, ninguém sai dele, incólume, sem desenvolver esta potência da alma, que é a fé, que é a fé. Lembrando, vamos falar, de novo, para ficar gravado.
Fé Não é apenas acreditar, não é apenas acreditar. Num jantar, jantar da fé, acreditar é A entrada. É um tirar gostosinho, que você serve de entrada. Não é o prato principal. O prato principal do jantar da fé é a fidelidade, o prato principal. E, a sobremesa, o primeiro prato, é a confiança. Então, fidelidade e confiança. Porque, Noé poderia falar assim, eu acredito em Deus. Não, eu acredito que haverá um dilúvio. Eu acredito que tem que construir a arca e poderia ter ficado de braços cruzados. Ou poderia ter construído uma arca perguntando opinião para os vizinhos, como é que construir a arca.
O vizinho diz, mas nunca construí não, mas coloca uma madeirinha aí. E, dava lá um dia de dilúvio, a arca rompia, estava todo mundo morto. Então, a fé de Noé, que é, inclusive, citada aqui, a fé de Noé vai desde o primeiro momento em que ele ouve a instrução divina até o momento em que ele seleciona os elementos, os ingredientes, depois ele segue a receita, segue a receita, aí, ele executa a receita, ele espera, tem paciência, aguarda e aí, vem o resultado. Então, isso tudo é o processo da fé. A fé não é um raio, uma mágica, não.
A fé é um processo. A fé se expressa mediante um processo, cujo núcleo é a confiança e a fidelidade. E, assim, essa lição aí, grandiosa, a gente encerra este episódio de Gênesis. No episódio seguinte, nós vamos abordar outros elementos aí, então, dessa arca e desse convite da revelação divina para o desenvolvimento das nossas potencialidades anímicas, as potências da alma, como gostava de chamar Léon Denis, as potências da alma. Até o próximo episódio. O que que a ilha tem? O que que a ilha tem? E aí, ele diz uma frase bonita no filme, que é assim, e, então, eu comecei a ver o que que o mar ia trazer todos os dias.
O que que o mar ia trazer?
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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