#070 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio, Haroldo Dutra Dias dá continuidade ao estudo do livro de Gênesis, aprofundando-se no capítulo 4, que narra o trágico incidente entre Caim e Abel. A análise se concentra nas nuances simbólicas e doutrinárias da narrativa, explorando a responsabilidade do primogênito, a natureza da culpa e a manifestação da justiça divina.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis 4:9-16: A discussão entre Deus e Caim após o fratricídio, a pergunta “Acaso sou eu o guardador do meu irmão?”, a maldição de Caim e o sinal colocado sobre ele.
  • O dever do primogênito: A tradição hebraica que atribuía ao primogênito a responsabilidade de proteger os irmãos e a família, contrastando com a negação de Caim.
  • A culpa e o abandono do dever: A reflexão sobre como o esquecimento das propostas espirituais antes da encarnação pode levar ao abandono do dever e gerar um sentimento de culpa inconsciente, conforme Emmanuel.
  • A ironia no Velho Testamento: A importância da ironia como fio condutor para a interpretação dos textos bíblicos, ensinando pelo absurdo e pelo contraste, e a necessidade de ir além da leitura literal.
  • O clamor do sangue de Abel: A ideia de que a injustiça fica gravada no fluido cósmico e clama por reparação, mesmo que não seja diretamente com a vítima.
  • O significado de “maldito”: A explicação de que “maldito” no hebraico antigo não significa uma maldição divina no sentido de vingança, mas sim a desaprovação de Deus à prática do mal, resultando em uma sentença de causa e efeito.
  • A perda do acesso aos recursos divinos: A analogia do solo fértil que não mais dará seu produto a Caim, ilustrando como o mau uso dos recursos neutros da providência divina (corpo, bens, talentos) pode levar à privação desses recursos em futuras existências.
  • Caim como “fugitivo errante”: A conexão com a doutrina espírita dos “Espíritos errantes” e a ideia de que o conflito com a lei divina leva à fuga de si mesmo, de Deus e da vítima.
  • A benção do arrependimento: A fala de Caim “Minha culpa é muito pesada para suportá-la” como o início do processo de arrependimento e a oportunidade de reencarnar para refazer e aliviar essa culpa.
  • A justiça divina e a lei de causa e efeito: A refutação da ideia de “olho por olho, dente por dente” como justiça divina, explicando que a lei de Deus é infinitamente mais sofisticada e visa a recuperação, não a punição.
  • O sinal de Caim: A interpretação do sinal como uma medida protetiva da misericórdia divina, que impede que Caim seja morto, permitindo seu recomeço. A analogia com Espíritos que reencarnam em corpos com deficiências como forma de proteção e oportunidade de resgate.
  • A ida de Caim para a terra de Nódi: O simbolismo do “leste do Éden” como um recomeço e “Nódi” (errante) como a terra dos que estão em processo de expiação e aprendizado.

Reflexões

  • A justiça divina não é punitiva, mas sim reeducadora e restauradora, buscando a recuperação do Espírito através da lei de causa e efeito e da misericórdia.
  • A culpa, quando reconhecida, é o primeiro passo para o arrependimento e a oportunidade de recomeço, demonstrando a benevolência divina em oferecer novas chances de aprendizado e reparação.
  • Os recursos que recebemos da providência divina são neutros; a forma como os utilizamos determina nosso progresso espiritual e o acesso a eles em futuras existências.

Ler transcrição do episódio

Nosso Estudo do Livro Gênesis de Moisés Episódio 4 Olá! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés. Quem nos acompanha nos episódios anteriores, sabemos que estamos no capítulo 4 do livro Gênesis estudando aquele incidente grave em que Caim mata seu irmão Abel. Nós comentávamos no episódio anterior que Caim na função de primogênito pela tradição e pelas leis e costumes do povo hebreu ele tinha o dever de proteger seu irmão mais novo, todos os irmãos mais novos, já que ele era o primogênito, é o filho homem mais velho, portanto, cabe a ele, Caim, a função de uma vez faltando o pai ou se o pai estiver ausente, se estiver trabalhando, não importa, ele assume esse dever de guarda de responsabilidade pelos demais membros da família, inclusive, de proteção da sua mãe.

Portanto, é muito estranho quando na linguagem simbólica do Velho Testamento, é óbvio, Deus pergunta a Caim onde está teu irmão e ele indaga por acaso sou eu o guardador do meu irmão? Mas, é exatamente isso que ele é. Esse é exatamente o dever dele. O dever do primogênito é ser guardador dos seus irmãos. Ele tem essa função protetiva de amparo, esse é o dever. Mas, o texto é de uma sutileza tão grande porque o que nos leva a abandonar um dever? O que nos leva a menoscabar um dever? A voltar as costas para um dever assumido no mundo espiritual antes da encarnação?

É exatamente o fato de uma vez iniciada a encarnação, uma vez que nós esquecemos detalhes das vidas anteriores e do mundo espiritual, guardamos na memória apenas a essência dos acontecimentos, apenas a essência da proposta, chegamos aqui, abandonamos o dever porque julgamos não ser nosso dever. Então, nós olhamos para determinadas pessoas, determinadas circunstâncias e acreditamos num processo de ilusão que não constitui nosso dever permanecer no local em que a providência divina nos colocou com a sua infinita sabedoria.

E é por esta razão que todo o Espírito diz Emmanuel no capítulo Culpa, do livro Pensamento e Vida, todo o Espírito que abandona o dever, ele é tomado por um sentimento de culpa porque, inconscientemente, ele tem gravado na alma o dever. Ele sabe que aquela é a sua função, ele sabe que aquela é a proposta que foi desenhada para que ele pudesse tirar o melhor, o maior proveito da encarnação. Então, Cain, aqui, está se enganando porque não é possível enganar o Todo-Poderoso no seu infinito amor, na sua infinita sabedoria.

Não é possível enganar nem a nós mesmos, efetivamente enganar-nos é impossível. Então, a gente se ilude que é uma tentativa que nós fazemos de tampar o sol com a peneira, que é o que Cain está fazendo. E, primogênito, ele pergunta para Deus por acaso sou o guardador do meu irmão? É uma pergunta irônica. Aliás, é bom que se diga isso, o Velho Testamento é construído de ironia. Este é um ponto fabuloso. Os grandes sábios hebreus, os grandes mestres do povo hebreu que ensinaram a interpretação do Velho Testamento, entre eles, Gamaliel, seu avô Iléu, não se cansavam de repetir que o fio condutor da interpretação do Velho Testamento é a ironia, porque os fatos são irônicos, eles são provocativos.

E, esta pergunta colocada pelo autor do texto, na boca de Cain, que é a personagem, porventura sou eu o guardador do meu irmão, ela é de uma riqueza de ironia. É mais ou menos, pense assim, como o presidente de uma empresa reunir todos os funcionários e perguntar para eles por acaso eu sou o presidente desta companhia? É deste nível esta ironia. E, por que a ironia? Porque a ironia ensina pelo absurdo, ela ensina pelo contraste, ela mostra a ilusão. É por isto que Emmanuel vai dizer que a mente humana ou a mente do Espírito, na fase humana, ela se aprimora entre ilusões que salteiam a inteligência.

Saltear, no sentido de assaltar, de saquear, no sentido de sequestrar. As nossas ilusões sequestram a nossa inteligência. E, claro, porque um mínimo de inteligência, um mínimo de inteligência, não, um mínimo de ação da nossa inteligência seria suficiente para nos afastar de determinadas quedas espirituais. Quer dizer, nós já temos a compreensão do fato, já temos a compreensão do dever, já temos a condição, mas a ilusão bloqueia a nossa inteligência, afasta a nossa inteligência e nós, então, mergulhamos em determinadas propostas que não são inteligentes ou elas estão em conflito com a inteligência que nós já possuímos.

Por isso, o Espírito cai, depois, Ele enfrenta um processo de profunda culpa, porque Ele já dava conta de perceber, Ele já era capaz de discernir e Ele tinha toda a capacidade de vencer aquela situação, de sair vitorioso, senão Ele não viveria a situação. Então, isto é muito interessante, aqui, na ironia do Caim. Então, vamos nos lembrar disto, o texto do Velho Testamento é feito de ironia, feito de ironia. Vou citar mais algumas. Por exemplo, Balaão recebe um conselho da Jumenta. Então, você imagina, o texto é brincalhão, ele não ouviu ninguém, foi preciso a Jumenta falar com ele.

É engraçado isto, chega a ser até pitoresco, é quase que um stand-up. Imagina a Jumenta dando o conselho. Estas coisas vão acontecendo. O maior exemplo de fé no Velho Testamento, que é Jonas, ele não é hebreu, ele não é hebreu. Então, o hebreu, que é o guardador da fé, que é o povo escolhido para guardar a revelação e quem vem ensinar fé para ele, é um não hebreu. Então, estas ironias são gostosas, porque mostra que o texto bíblico foi escrito com inteligência. Falta, às vezes, inteligência para quem interpreta. Interpretar este texto ao pé da letra é faltar com a inteligência do texto, é faltar com a inteligência de quem produziu o texto.

Outro aspecto curioso, que, nesta passagem, nós estamos estudando, o Caim, ele se afasta, então, o texto diz assim, eu vou ler o completo, O Senhor disse a Caim, Onde está teu irmão? Isto no versículo 9. Ele respondeu, Não sei, acaso eu sou o guardador do meu irmão? O Senhor disse, Que fizeste ouço o sangue de teu irmão do solo clamar por mim. Isto aqui é uma coisa profunda. A situação vivida pela vítima, ela fica gravada no fluido cósmico e ela clama por justiça. Mas, dia menos dia, quem agrediu, quem feriu, quem prejudicou, terá que encarar, face a face, o clamor da injustiça por ele praticada.

Você pode resgatar não necessariamente com a pessoa que foi prejudicada, porque ela pode ter perdoado, devoluído e foi embora. Mas, a gravação da injustiça no fluido cósmico clama pela reparação. Então, é bonito este texto. O sangue de Abel, do solo, clama por Deus, clama por justiça. E, aí, o texto continua Agora és maldito. O maldito, aqui, vamos lá, porque o hebraico antigo é muito forte, não tem sutilezas, substantivo-abstrato, abstrações, não tem esta sofisticação das línguas modernas, do francês, do português, do espanhol, do italiano, não tem isto.

O hebraico antigo é de substantivos concretos, é uma língua bem concreta, forte, é uma língua forte. Então, maldito, não é que amaldiçoou, espreguejou, imagina Deus amaldiçoar. Isto é ingênuo interpretar desta maneira. Às vezes, eu vejo pessoas muito inteligentes falando ah, mas o Velho Testamento, não dá para entender o Velho Testamento, fala que Deus amaldiçoou, meu Deus, meu Deus, isto é um texto literário, tem que tirar o espírito da letra, não é mais possível uma pessoa inteligente ler isto aqui ao pé da letra.

Então, bendito significa que Deus homologou, maldito significa que Deus reprovou. Então, digamos que você faça um plano para pegar um carro, ir para uma praça da sua cidade e atropelar várias pessoas. Você acha que o seu projeto vai ser homologado ou desaprovado por Deus? É claro que ele vai ser desaprovado. Deus não aprova a prática do mal. Deus não endossa nenhum ato que nós façamos que possa ferir o nosso próximo. Ele não endossa isso, jamais. Então, a frase é és maldito, quer dizer, está desaprovado o seu homicídio.

A lei divina desaprovou. Então, é uma sentença. Significa que ele terá que arrepender-se, terá que espiar, terá que reparar. Lei de causa e efeito. Então, maldito no sentido de desaprovo, esse que é o sentido, e expulso do solo fértil, que abriu a boca para receber da tua mão o sangue de teu irmão. Então, isso aqui tem uma coisa muito bonita, porque é o solo que foi feito para receber a semente e para entregar o fruto. O solo foi feito para sustentar, para servir de morada, mas, ele, agora, subverte, deturpa os recursos e usa os recursos neutros da providência divina para praticar o mal.

Então, o que acontece com o recurso? Você não tem acesso a ele. Percebe? Então, o dinheiro é um recurso neutro da providência divina. Aí, você recebe o dinheiro, encarna com as facilidades na área financeira e faz toda a prática de mal, ferindo, prejudicando diversas pessoas, dezenas, às vezes centenas, milhares de pessoas com o recurso que é neutro. O que acontece? Uma próxima existência, você vem afastado desse recurso. Então, é o que ele vai dizer aqui para ele. Expulso do solo fértil, porque você usou o solo, ele é lavrador, então o solo era para ele lançar semente.

Ao invés de lançar semente no solo, ele lança o sangue do próprio irmão. Imagine! Imagine! Como é que isso é grave, não é? Lança o sangue. Então, se nós pensarmos nesta perspectiva, todos os recursos da providência divina são neutros. O corpo, a comida, o que se bebe, os bens materiais que se possuem, as profissões, os cargos, as posições de hierarquia, de poder, é tudo neutro. Tudo neutro. Você pode utilizar isso para uma sementeira de luz, de bem, de amor. E, pode usar isso para uma sementeira de treva, de maldade, de perversidade.

Usou o mau instrumento, não tem mais direito a esse instrumento. No livro Boa Nova, quando Jesus tem um diálogo com Tiago Menor sobre lei de justiça, é logo depois, no capítulo de Nicodemus, logo depois da conversa que Jesus tem com Nicodemus. Lá no livro, Humberto de Campos conta que Jesus diz assim, em uma imagem muito bonita, aquele que recebe uma veste linda, bonita, boa, estraga aquela vestimenta, menoscaba, faz desdenha, tem direito a receber de novo uma vestimenta nova? Aí, Jesus fala pode receber de novo? Não.

Terá que receber uma vestimenta tal como ele a entregou? Esse é o grande desafio, é o grande desafio da evolução. Você nasce e recebe um corpo que é um corpo totalmente adequado. E, aí, durante a encarnação, o Espírito utiliza aquele corpo para desatinos. Chega numa próxima existência, que corpo ele vai receber? Imperfeitas condições? Não pode. Ele vai receber um corpo nas condições que ele deixou o outro, nas condições que ele deixou o outro. E, assim, nós podemos estender, eu sei que esse assunto é difícil, mas ele, porque a gente lê aqui, Agora és maldito, expulso do solo fértil, que abriu a boca para receber da tua mão o sangue de teu irmão.

Ainda que cultives o solo, ele não te dará mais seu produto. Serás um fugitivo errante sobre a terra. Essa é a sentença. Então, você lê isso aqui e fala Nossa, mas Deus é vingativo. Então, a gente está raciocinando aqui sobre os meandros da lei de causa e efeito. Digamos que um alguém, por exemplo, ele vem, recebe uma família, pai, mãe, tudo estruturado, depois ele e aí o que ele faz? Desonra a família, desrespeita, não valoriza, aí ele constitui a família dele, desonra o casamento, desrespeita a família que ele constituiu, desonra a paternidade, aí chega na próxima encarnação, o que vai acontecer?

Vai receber de novo uma família toda certinha, vai constituir? Não! Vai receber uma igual ele deixou, igual ele deixou. Para que se desenvolva no Espírito, primeiro, a gratidão, gratidão a Deus, segundo, a honra, aprender a honrar os recursos e, terceiro, o senso de aproveitamento. O senso de aproveitamento, se eu recebo um ótimo instrumento, o mínimo que eu posso fazer é utilizar bem, o mínimo. Eu tenho um ótimo instrumento, o mínimo que eu posso fazer é utilizar bem. Para merecer ter de novo o instrumento. Então, é assim que se processa a evolução.

E, aqui, o Caim não mereceu, não mereceu mais. E, aí, vem a palavra do errante, não só errante. É bonito isto, porque Kardec, quando se refere aos Espíritos que não atingiram ainda a pureza, que estão sujeitos aos ciclos reencarnatórios de expiação, chama estes Espíritos de errantes, Espíritos errantes. Errante por quê? A casa, nosso lar, nossa casa, é o mundo espiritual, mas ele não mora lá. Ele fica indo e vindo, indo e vindo, indo e vindo, vai para lá, vai para cá, vai para lá, vai para cá, vai para cá. Errante.

Agora, no caso do Caim, tem um agravante, porque, além de errante, ele é fugitivo. Fugitivo por quê? Porque está em conflito com a lei. Quem está em conflito com a lei divina tem que se esconder, primeiro de si mesmo. Daí, a culpa. Os processos de culpa são uma fuga do Espírito da própria consciência. Então, a gente foge da própria consciência. Fuga. Depois, uma fuga de Deus. Uma fuga de Deus, porque a gente precisa romper com Deus para dar conta de ferir a lei dele. Um afastamento de Deus. É a parábola do filho pródigo.

Um afastamento de Deus. Está fugindo. A gente já viu isso lá no capítulo 3. Quando Eva, quando Adão e Eva ouviram a sugestão da serpente e colocaram tudo a perder, qual foi a primeira coisa que eles fizeram? Se esconderam, porque Deus passeava pelo jardim toda manhã. Então, eles tinham um contato direto. Fugiram. Tem que fugir, porque não dá conta mais de olhar a Deus face a face. É uma fuga. E, depois, fuga de quem? Da vítima. Fuga de quem prejudicou? Foge. Então, a gente percebe isso nos casos de obsessão. Não raro o obsidiado é alguém que está fugindo e o obsessor é alguém que está perseguindo.

Por que está perseguindo? Porque foi ferido. Foi injustiçado. Entre aspas, não é? Entre aspas, porque há muita injustiça no mundo. Muita, mas não há nenhum injustiçado. No entanto, o obsessor foi agredido, recebeu uma injustiça e ele resolve fazer justiça com as próprias mãos. Então, ele se transforma em um perseguidor. E o obsidiado? Se tem um perseguidor, tem um perseguido. O perseguido é quem? É quem foge. Quem está fugindo? É um fugitivo. Ferir a lei divina nos coloca nessa posição constrangedora. Olha que posição constrangedora que o Caim entrou nela.

Mas, aqui tem um texto bonito. Então, Caim disse ao Senhor minha culpa é muito pesada para suportá-la. Minha culpa é muito pesada para suportá-la. Então, aqui, começou a benção do arrependimento. A benção do arrependimento. E, aí, vem a culpa. A culpa muito pesada para suportá-la. Olha, isso é o que todo espírito que pede uma nova encarnação fala. Minha culpa é muito pesada para suportá-la. E, aí, os benfeitores dizem assim, então, encarna reencarna reencarna A culpa está pesada demais para suportar? Reencarna para refazer, recomeçar, reconstruir e aliviar a culpa que está muito pesada.

É um processo bonito, não é? Caim continua, vê Hoje, tu me banes do solo fértil, terei de ocultar-me longe de tua face e serei um errante fugitivo sobre a terra, mas o primeiro que me encontrar me matará. Aqui, é uma coisa maravilhosa. O Caim entrou num processo de culpa tão grande que, agora, ele começou a pensar que lei de causa e efeito é olho por olho, dente por dente. Essa é uma confusão muito grande. Muitos de nós pensam, acreditam que a ação e reação, lei de causa e efeito, é olho por olho, dente por dente. Eu matei, tem que ser assassinado.

Eu fiz isso, olho por olho, dente por dente. Olho por olho, dente por dente é uma medida de contenção humana, não é da lei divina. A justiça divina é muito, é infinitamente mais sofisticada do que isso. Infinitamente mais sofisticada. E, por que que o olho por olho, dente por dente não é justo? Pelo seguinte, se a lei divina fosse de olho por olho, dente por dente, uma lei dessas para espíritos imperfeitos significa todo mundo cego e banguela. Todo mundo cego e banguela. Por que? Quem nunca feriu? Quem nunca errou?

Quem nunca prejudicou alguém nessa ou numa existência anterior? Quem? Qual de nós, espíritos encarnados na Terra, pode levantar a mão e dizer assim não, eu sou puro? Se eu fosse puro, eu não estaria aqui, não é? Se eu fosse puro, eu não estaria encarnado. Qual de nós? Uma lei assim seria uma lei de mutilados. Uma lei de mutilados em que todo o agressor teria que se transformar em vítima e alguém teria que assumir o lugar do agressor. Então, eu mato alguém, então agora eu terei que ser assassinado, mas alguém vai ter que me assassinar.

Então, eu tenho que passar o bastão de assassino para alguém. Imagine isso. Se a lei divina fosse isso, hoje eu sou o assassino, amanhã, para eu resgatar, eu tenho que passar o bastão de assassino para alguém, porque, senão, eu não resgato. Faz sentido isso? Faz sentido isso? Então, hoje eu sou um usurpador, roubo bens, espolio, amanhã, para eu resgatar, eu tenho que passar o bastão de espoliador, de ladrão para outra pessoa, para ela poder me redimir. Que sentido tem isso? Então, quando Caim diz isso aqui, olha só, o primeiro que me encontrar me matará.

O Senhor lhe respondeu quem matar Caim será vingado sete vezes. Olha que coisa! Olha só! Então, o que que está dizendo aqui? E, aqui, tem um simbolismo profundo, né? Profundo. Aqui surge sete vezes, depois nós vamos ter um descendente de Caim, nós vamos ter setenta vezes sete, está tendo uma progressão aqui, uma vez, sete vezes, setenta vezes sete. Nós vamos ver isso aqui, essa progressão. Mas, o curioso disso aqui é que o Caim acredita que agora ele terá que ser assassinado. E, aí, Deus diz, não. Aquele que assumir o lugar de Caim será sete vezes mais culpado que o próprio Caim.

E, o Senhor colocou um sinal sobre Caim a fim de que não fosse morto por quem o encontrasse. O texto parece simbólico, parece não, parece, é muito simbólico, né? Caim se retirou da presença do Senhor e foi morar na terra de Nódi, a leste de Éden. Porque, onde nasce o sol? Onde nasce o sol? No leste ou no oeste? No leste. Caim foi morar no leste do Éden, ou seja, recomeçar, recomeço, refazer, reconstruir, recomeçar, leste do Éden. Nódi, Nódi, que tem um trocadilho, né, Nódi, Nádi, que é com fugitivo, né, errante, Nádi, em hebraico, é errante, foi morar na terra de Nódi.

Olha que coisa, né? A terra dos errantes. Bonito o texto, né? É um simbólico. E, esse sinal aqui? Muitos que têm experiência com reunião mediúnica, já devem ter presenciado, às vezes, em um tratamento de desobsessão. E, quem está sendo tratado é alguém que nasceu em um corpo com muita dificuldade ou com alguma deficiência, com alguma deformidade, alguma deficiência grave. E, aí, houve os Espíritos falando assim não adianta vocês terem escondido ele nesse corpo, não. Se referem ao Espírito que está ali em expiação como alguém que foi escondido.

Foi isso aqui que foi feito com Caim. Colocou um sinal nele, um sinal para quê? Para que quem encontrasse Caim não o matasse. Matar no sentido de de Extinguir, de tirar as possibilidades. Então, vem a pessoa ali, por exemplo, num corpo com paralisia cerebral. Às vezes, é um Espírito que cometeu atrocidades em encarnações anteriores, às vezes, cometeu atrocidades. E, ele vem ali num corpo com paralisia cerebral. E, nós olhamos e não nos damos conta de que aquele Espírito está ali protegido. Porque quem olha se comove, se enche de compaixão, fala, meu Deus, vamos ajudar.

E, aí, você vê os pais naquela luta, naquele carinho, naquele amor, vê toda a comunidade ali ajudando e sem saberem que Espírito é aquele que está ali. Será que se soubesse que Espírito é tudo o que ele fez, o que aconteceria? Alguns poderiam ser tomados de uma antipatia, de uma antipatia. No entanto, o Espírito está ali naquela situação de fragilidade, naquela situação de carência física e aquela carência, aquela fragilidade é um sinal de Deus para que ninguém o fira, para que ele possa recomeçar. Porque, a misericórdia é um dos artigos da lei de justiça.

A lei de justiça divina tem vários artigos, é igual ao artigo quinto da Constituição, tem, tem vários incisos, é uma lei de justiça também, tem vários artigos e alguns artigos com vários incisos. E, um desses artigos ou um desses incisos é a misericórdia, que a justiça divina é perfeita porque a misericórdia faz parte da justiça divina. A misericórdia não é uma alvará para que a justiça não se aplique, não. A misericórdia já é a justiça divina, por isso que ela é eficiente, porque ela não quer apenas punir, ela não quer punir, ela quer recuperar, restaurar, reeducar, resgatar, salvar.

Salvar. Então, aqui é a medida da misericórdia protegendo o Caim com um sinal. Este sinal pode ser uma carência financeira, uma carência física, uma determinada circunstância que nos coloca em uma posição aparentemente de perda de problema, que a gente olha e fala, nossa, mas o que está passando por isso? Mal sabe o Espírito e os que o acompanham que aquilo é uma medida protetiva, protetiva, para que ele não seja perseguido para que não haja justiça pelas próprias mãos daqueles que ele prejudicou. Porque, imagine como que é o resgate de um Espírito que prejudicou mil, duas mil, cem mil pessoas, um Espírito que causou um desastre coletivo, como é que faz?

Vai deixar todas as vítimas exercerem justiça com as próprias mãos? Vai ser um massacre. Como é que a justiça divina permitiria isso? Então, o texto é de um simbolismo muito profundo, e o interessante é que ele vai para Nódea, para a terra de Nódea, e percebe, até agora tem Adão, Eva, Serpente, Abel que morreu, Cain. Cain vai para Nódea e casa, tem filho, mas, peraí, onde que surgiu essa esposa? E, os sogros do Cain não estão na história, não estão na história, não estão na história, porque essa história não pode ser interpretada ao pé da letra.

Essa história precisa ser extraída o Espírito da letra. Mais detalhes nós veremos no próximo episódio. Eu espero você. Até lá! Por isso que a ovelha conhece o cheiro do pastor. Ela sabe quem é o pastor, porque é ele que alimenta ela, é ele que cuida dela. Então, aqui, quando o cordeiro é sacrificado, ele é sacrificado nessa maldade que a nossa sociedade faz com o Zé.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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