#061 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

Play Video
Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Gênesis, Capítulo 3, dando continuidade à análise das consequências estabelecidas por Deus para as personagens envolvidas na narrativa da Queda.

O que é estudado neste episódio

  • As consequências para a serpente, Adão e Eva: O estudo explora as implicações da aceitação da proposta da serpente, que representa o afastamento de Deus e a busca por um caminho evolutivo autônomo.
  • A natureza da ilusão: É abordado como a ilusão pode cegar a inteligência, levando o Espírito a ceder a paradigmas que agridem seu patamar evolutivo, e como Deus permite essas experiências para o crescimento.
  • A postura consciencial da serpente: A serpente é interpretada como uma postura psíquica de rebeldia, orgulho, egoísmo e vaidade, que se recusa a aceitar a condução divina do processo evolutivo.
  • O significado de “maldito”: A palavra “maldito” é contextualizada como a desaprovação divina de um projeto, indicando que o Criador não endossa o caminho desagregador proposto pela serpente.
  • O projeto desagregador da serpente: É explicado como a proposta da serpente leva à desagregação e à “morte” (no sentido bíblico de desestruturação), contrastando com a vida que advém da agregação e interdependência.
  • A animalidade humana: A discussão se aprofunda na “animalidade” da serpente, que não é a animalidade natural dos animais, mas sim uma brutalidade gratuita, irracional e sem sentido, que se manifesta na crueldade humana.
  • A condenação da animalidade: A passagem “caminharás sobre o teu ventre e comerás poeira todos os dias de tua vida” é interpretada como a materialização e embrutecimento das emoções e processos psicológicos da serpente, que se alimenta do “pó” (resíduo material).
  • A hostilidade entre a serpente e a mulher: O versículo 15 é analisado, revelando que o mal (a serpente e sua semente) terá um fim, sendo “esmagado” pela semente da mulher, enquanto o bem (a mulher e sua semente) será “ferido”, mas vitorioso.
  • A vitória do bem: É enfatizado que a vitória sobre o mal ocorre individualmente, “um coração por vez”, e que a mulher, que iniciou a “confusão”, é também quem trará a “solução” através de sua semente, restaurando a harmonia.

Reflexões

  • A narrativa de Gênesis, à luz do Espiritismo, revela que as “personagens” (serpente, Adão, Eva) representam posturas psíquicas e estágios evolutivos da consciência, e não apenas figuras históricas literais.
  • A “rebeldia” contra a lei divina, simbolizada pela serpente, leva a um caminho de desagregação e sofrimento, enquanto a interdependência e a aceitação da vontade superior são o caminho para a vida e a evolução.
  • A vitória do bem sobre o mal é um processo individual e gradual, onde cada um de nós é chamado a “esmagar” a própria “serpente” interior, transformando as imperfeições e elevando-se espiritualmente.

Ler transcrição do episódio

Música Olá pessoal, estamos aqui em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés especialmente o capítulo 3 do livro Gênesis e dando sequência ao que comentávamos no episódio anterior, vamos dar sequência às consequências que foram estabelecidas por Deus para cada uma das personagens que atuam neste drama digamos evolutivo, neste drama da evolução. Nós comentamos no episódio anterior sobre a origem desses elementos da nossa natureza animal, corporal, instintiva, biológica, dos sentidos, dessa predominância ou melhor, desse domínio que a matéria e os sentidos exercem sobre a nossa inteligência, sobre a nossa emoção e principalmente sobre a nossa conexão com Deus.

Aqui então, uma vez aceito o projeto da serpente, surge então a consequência, uma espécie de plantio, colheita, causa e efeito. O que coube a serpente, o que coube a Adão e o que coube a Eva como consequência de terem estipulado, implementado e adotado este paradigma evolutivo que está explicitado e resumido na proposta da serpente para Eva. Lembrando que o elemento principal desta proposta da serpente é um afastamento de Deus. Eu começo por negar a preponderância, a presença de Deus em mim e na condução do meu processo evolutivo e crio um afastamento, uma hostilidade.

Mais ou menos, a gente pode resumir assim, eu quero seguir por conta própria, por meu próprio risco, quero me aventurar sem ter uma inteligência suprema, um amor supremo, me dizendo o que fazer, me orientando, me moldando, me envolvendo. Acontece que, embora o Criador respeite a minha decisão de afastamento, este afastamento nunca é absoluto, porque não tem fora de Deus. Não há um dentro e um fora. Não é? Há, na verdade, uma atitude. Eu estou sempre em Deus. Eu posso estar com uma atitude de afastamento de revolta ou com uma atitude de relacionamento, de alguém que quer, que busca e que quer um relacionamento.

Então, muda a minha intenção, mas não muda a minha condição. Este é o ponto fundamental que o texto deixa aqui subentendido. Ou seja, não é possível usurpar o poder absoluto de Deus e governar o cosmos infinito por várias razões. Primeiro, a criatura não possui a inteligência absoluta que dê conta do infinito. Toda a inteligência, por mais ampla, por mais possante que ela seja, ela é limitada. Ela não abarca o infinito. Há sempre um desconhecido. Há sempre um desconhecido na criação e eu não controlo o que eu desconheço.

Este é um ponto fundamental. Segundo, não fui eu que estabeleci as bases do cosmos, do universo, da vida, de modo que eu não sei o que, de fato, está na essência, o que sustenta. Então, esta proposta da serpente é aquela que Emmanuel define como ilusão que assalta, que sequestra, que rouba, que agride a inteligência. Faz parte deste tipo de ilusão. Aquela ilusão que é tão poeril, ela é tão frágil, mas, possui uma carga emocional tão grande, possui uma carga anímica tão poderosa, que ela embriaga a inteligência, ela embriaga o Espírito e o Espírito cede cegamente a um paradigma, a uma ideia, a uma filosofia, a uma proposta de vida que ele jamais cederia se ele permitisse que a sua inteligência, que o seu conhecimento anterior, que as suas experiências anteriormente vividas, se ele permitisse que essas experiências o orientassem, ele jamais cairia nessa ilusão.

Então, a ilusão é um tipo de enceguecimento temporário. Eu sou capaz de ver, mas, temporariamente, eu me torno cego. Temporariamente, eu me perco, eu me permito uma experiência, uma vivência que agride o meu patamar de conquista evolutivo. Isso é ilusão. E, aí, você pode pensar assim, então, por que Deus deixa isso? A criatura já atingiu um patamar e, aí, ela volta para uma experiência totalmente abaixo do patamar que ela já está? Ora, porque o Criador tem caminhos que a nossa inteligência não descortina. Então, você olha com piedade, coitadinho do Gregório, do livro Libertação, coitadinho dele ficou vários séculos estacionados no umbral, parado e lá diz que ele reencarnaria.

Olha, pode ser que ele já reencarnou, já teve a sua experiência e já passou todos nós, a você e a mim, e atingiu um patamar que nós, que estamos aqui achando que estamos andando, não vamos conseguir atingir. Pensa num Saulo. Era um Saulo e, de repente, vira um Paulo e todo mundo comeu poeira. Então, nós não podemos avaliar a evolução espiritual assim de uma maneira tão linear, tão cartesiana, tão simplória. A evolução tem caminhos, ela tem também os seus saltos quânticos. A evolução tem isso. A criatura está aqui, aparentemente estacionada e, de repente, ela dá um salto de qualidade, retoma o seu destino e é por isso que essas experiências são permitidas.

Mas, a proposta dessa repente é poeril. Como que um ser relativo pode dar conta do absoluto? Como é que uma inteligência limitada pode querer afastar a inteligência absoluta e controlar o infinito que ela não conhece? É poeril, não é? Sim, mas não é que nós aceitamos essa proposta? Aceitamos. Ela foi aceita. Então, qual foi a consequência para a serpente? Lembrando que a serpente é uma postura consciencial perante a evolução espiritual. Postura consciencial. Pode ser que semana que vem, pelas atitudes que você adote, você se torne uma serpente.

E, daí, três semanas, você seja um Adão. E, aí, no mês seguinte, você seja Eva. Porque Adão, Eva e a serpente também representam posturas psíquicas perante a vida. Perante o próximo e, sobretudo, perante Deus. Uma postura psíquica. Qual é a postura psíquica da serpente? De orgulho, de prepotência, de egoísmo, de vaidade, mas, principalmente, aqui está a palavra chave para descrever a serpente. Qual é o sentimento que inspira a serpente? Re-beu-dia. A serpente é aquela criança mimada que deita no chão e fica gritando, chorando, fazendo pirraça.

Essa é a serpente. É essa a atitude, a atitude de rebeldia, de inconformação, de não aceitar a condução divina do processo evolutivo. Não aceito a lei de Deus, não aceito as limitações impostas pela providência divina, não aceito as circunstâncias que a providência divina envia e me rebelo. Me rebelo e quero construir um Mundo à parte. É tão bonito isso e é que, mais uma vez, nós temos que voltar ao Parnaso de Alentúmulo. Olha, a obra Parnaso de Alentúmulo, como muito bem esclareceu o nosso querido amigo Alexandre Caroli na sua tese, na sua dissertação de mestrado, a obra Parnaso de Alentúmulo tem uma sequência lógica.

Os poemas comentam as leis morais. Os poemas, eles estão divididos pelas leis morais do Livro dos Espíritos. Portanto, a gente precisa prestar muita atenção, porque ali tem um resumo. Na verdade, o Parnaso de Alentúmulo é o abstract. Sabe quando você faz aí o seu a sua conclusão de curso? Ou quando você faz a sua dissertação, a sua tese de doutorado, o trabalho de conclusão de curso, o TCC? Você faz um abstract, que é aquele resumo do que você vai abordar. O Parnaso de Alentúmulo é um abstract das mais de 400 obras que o Chico iria psicografar.

Ele vem resumir o que vai ser tratado. É como se o Emmanuel escrevesse com o auxílio daqueles Espíritos, já que ele é o maestro da orquestra, é como se ele fizesse uma declaração de intenções. Olha, eu pretendo escrever sobre isso e isso e isso, eu pretendo desenvolver isso e isso e isso. Agora, vamos observar uma coisa. No livro A Caminho da Luz, que é um livro posterior ao Parnaso de Alentúmulo, Emmanuel desenvolve um tema muito interessante sobre o degredo, aqueles Espíritos que vieram do sistema de capela. E, ele dá uma característica lá do polvariano, dizendo que o polvariano é Aquele típico Espírito que adotou essa postura da serpente, que é uma postura de rebeldia.

Eu não quero saber de Deus, não me fale de Deus, eu agora estou revoltado, sofri muito, não aceito esse sofrimento e é um absurdo eu sair do meu mundo e vir aqui para esse mundo primitivo, ficar encarnando em corpos brutalizados, perdendo a minha tecnologia, conforto, tudo o que eu criei lá No planeta do sistema de capela. Mas, é o seguinte, eu não quero nem saber de Deus, não me venha falar, já que eu perdi o meu paraíso lá, que eu considero um paraíso, eu vou construir outro aqui, vou construir por conta própria, deixa eu seguir meu caminho.

Essa é a postura que está lá. E, a gente vai encontrar essa postura nos poemas do Castro Alves, do Parnagio de Alentum. O Castro Alves, no Parnagio de Alentum, vai falar e o Augusto dos Anjos também, olha que interessante, hein? O Augusto dos Anjos vai falar dessa raça adâmica. A civilização traz o gravame Da origem remotíssima dos áreas Estírpitas histórias planetárias Segregadas num mundo amargo e infame Árvore genealógica de páreas Faz-se mister que o cárcere a conclame Para reparação e para o exame Dos seus crimes nas quedas milenárias Foi essa raça podre de miséria Que fez nascer na carne deletéria A esperança nos céus inesquecidos Glorificando o instinto e a inteligência Fez da terra o brilhante e crel da ciência Mais um mundo de deuses decaídos A civilização traz o gravame Da origem remotíssima dos áreas Estírpitas histórias planetárias Segregadas num mundo amargo e infame Árvore genealógica de páreas Faz-se mister que o cárcere a conclame Para reparação e para o exame Dos seus crimes nas quedas milenárias Foi essa raça podre de miséria Que fez nascer na carne deletéria A esperança nos céus inesquecidos Glorificando o instinto e a inteligência Fez da terra o brilhante e crel da ciência Mais um mundo de deuses decaídos Que gera os caíns e os homicídios, não é?

Então, é a raça dâmica reinventando os caíns. É bonito esse poema aí. Nós vamos colocar aí para você ver, o poema do Augusto dos Anjos, que é muito interessante isso, porque é essa consequência que vai gerar. Então, aqui está descrevendo essa postura da serpente. A serpente é isso, é esse posicionamento de rebeldia, de não querer admitir a constante presença de Deus em mim e no cosmos. E qual que é o castigo dela? O castigo no sentido da consequência que ela vai sofrer. Por que fizestes isso? És maldita entre todos os animais domésticos e todas as feras selvagens.

Maldito aqui, temos que ver aqui o simbolismo, o bendito e o maldito. Quando vem de Deus, bendito significa que Deus homologou, que Deus disse assim, conta comigo. O maldito é quando Deus diz assim, isso eu não apoio. Não é? Então, eu vou assistir a um jogo no estádio de futebol do meu time, jogando com o meu arqui-adversário. Eu falo, vou divertir, vou torcer, vou gritar, vou fazer de tudo. Ok, então, Deus está dizendo, aprovo. Agora, você diz assim, não, eu vou lá para fazer violência, para machucar, para causar tumulto.

Aí, Deus diz assim, não aprovo, não estou com você. Aí, você está sozinho. Aí, você vai sofrer todas as consequências dessa escolha infeliz. É esse o sentido aqui, que o que o texto está dizendo é que o Criador não endossou esse projeto. Por que ele não endossou o projeto da serpente? Porque ele sabia, ele disse, ele predisse, se você comer do fruto dessa árvore, porque, não nos enganemos, gente, toda ideia produz um fruto, toda filosofia gera um fruto, toda teoria científica gera um fruto, qualquer ideia que a gente tem, tem uma consequência, afeta a maneira como você vive, afeta a maneira como você pensa, afeta a maneira como você se relaciona, como você se comporta, não tem jeito.

Tudo tem uma consequência prática. Então, às vezes, a teoria é muito bonita, mas, a consequência prática é desastrosa. E, isso já tinha sido predito. Se comeres do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morrerás. Então, qual que era o fruto aqui? Morte. Morte, estagnação, desestruturação, desagregação. Por quê? Porque o projeto da serpente é um projeto desagregador. Quer ver como é desagregador? Eu moro em um bairro aqui em Belo Horizonte, é um bairro muito populoso, mas, ele tem pouquíssimas, duas ou três vias de acesso e de saída.

Então, adivinha, de manhã cedo no final da tarde, todo mundo está saindo ou chegando por essas poucas vias. Então, vamos imaginar qual que é a lógica do trânsito no mundo em transição, o mundo que nós vivemos hoje. Qual que é a lógica do trânsito? Você entra no seu carro, liga o carro, tira ele da garagem e qual que é o seu paradigma? Eu vou defender o meu. Eu tenho que ir daqui para tal lugar, num tempo X, eu quero chegar rápido, eu vou pensar só em mim, só em mim. Eu só tenho compromisso comigo. Acontece que milhares de criaturas estão saindo no mesmo horário que você e todas com o mesmo projeto.

Eu só vou pensar em mim. Mas, a rua não é individual. Você não tem uma rua só para você. A rua é coletiva. Então, você tem uma rua que é coletiva sendo utilizadas, sendo utilizada por pessoas com projetos individualistas. Aí, o que que acontece? Eu não preciso explicar. Acontece o efeito desagregador do trânsito que nós vivemos hoje nas grandes metrópoles, porque é uma via coletiva utilizada por egoístas individualistas violentos e prepotentes. Então, o indivíduo faz uma loucura, loucura, para que o carro dele fique uma posição na sua frente.

Ele corre risco de atropelar, de ferir as leis de trânsito para ficar uma posição na sua frente. Qual a chance de êxito desse projeto? Nenhuma. Nenhuma. Agora, imaginem, uma via coletiva, milhares de pessoas, todos saindo de casa pensando assim, eu vou pensar no meu semelhante. Já imaginou? Todo mundo pensando no semelhante. Já começaria o seguinte, nós não teríamos tantos carros. O nosso trânsito seria mais racional, nosso sistema de transporte seria mais racional, porque ele não seria um sistema individual, seria um sistema coletivo, funcional, racional, que aproveitaria ao máximo, que utilizaria o mínimo de recursos para obter o máximo de resultados.

Então, adivinhem, o projeto da serpente é um projeto desagregador, ele não agrega. Ou, se ele agrega, ele não mantém coesão, em pouco tempo desagrega. Por isso que ele é projeto de morte, porque, na linguagem bíblica, tudo que desagrega é morte, tudo que agrega é vida. Tudo que ordena, tudo que torna coeso, tudo que torna harmônico e interdependente é vida. Pensa numa célula, está lá a célula sozinha, mas no seu corpo tem bilhões e elas atuam de uma forma interdependente. O que é interdependente? Cada uma tem uma margem de liberdade, mas ela atua segundo o tecido e segundo o órgão em que ela está inserida.

Por quê? Porque elas têm que atuar para que o corpo permaneça vivo. Se uma célula decreta independência absoluta, o que que se chama isso? Isso tem nome. Qual que é o nome disso? Câncer. Câncer. O câncer é uma célula declarar independência absoluta. Então, ela deixa de ser interdependente para virar absolutamente independente. Aí, ela mata o corpo e morre. Depois que ela mata o corpo, ela morre. Então, não é independência ou morte, não. É independência e morte. Porque o nosso grito deveria ser interdependência e vida.

Porque só tem vida onde há interdependência. Onde eu conjugo independência com dependência. Tem um pouquinho de dependência e um pouquinho de independência. Aí, vira interdependência, que é uma margem de liberdade, mas uma liberdade dentro de um coletivo. Uma liberdade a favor de algo maior. Então, o projeto da serpente é um projeto de morte, é um projeto desagregador. Por isso está dizendo, maldita és entre os animais domésticos e as feras selvagens. Porque o problema aqui não são os animais domesticados nem as feras selvagens.

O problema não é o nosso patrimônio evolutivo passado na animalidade. O problema é quando a nossa animalidade sobrepunha a nossa humanidade. Então, querem ver uma coisa que chocou? Algo que chocou e provocou um impacto nas ciências, na filosofia, foi a Segunda Guerra Mundial. Por quê? Os intelectuais não conseguiam compreender como que uma nação tão civilizada, tão educada, tão tecnologicamente tão desenvolvida tão fina como o povo alemão, de uma sensibilidade que é característica da Alemanha, um povo extraordinário, extraordinário.

Como que essa nação extraordinária se permitiu as atrocidades do nazismo? Entendem? Então, o grande questionamento é o nazismo surgir em uma nação bárbara, a gente entende, eles já são bárbaros mesmo, mas na nação alemã, no seio do povo alemão, um povo tão nobre. Nós tínhamos um fato tão curioso na Segunda Guerra Mundial que muitos pilotos de caça, e é importante que se diga isso, porque o piloto de caça é o supra-sumo da formação na aeronáutica. Você entra lá os aspirantes, cadetes, não sei nem qual o nome, e eles vão progredindo, o piloto de caça é o top, é o último nível, são aqueles indivíduos que tem a mais alta aptidão física, psicológica, mental, intelectual.

E, durante os bombardeios na Alemanha, muitos pilotos ficavam constrangidos porque, quando sobrevoavam grandes cidades alemãs e tinham que bombardear, e viam que aqui eram instituições onde eles estudaram, universidades que eles estudaram, que eles frequentaram. Difícil, não é? Porque o povo alemão era um centro de processo civilizatório, invejável, invejável. Então, o que aconteceu aqui? A animalidade sobrepujou a racionalidade, a humanidade, a condição humana foi tomada por essa animalidade, que não é a animalidade do leão, percebem?

A brutalização de alguém que se vê preso na criminalidade, na violência, no embrutecimento, ele não está regredindo ao leão, porque o leão não é assim. O leão, o leopardo, a mesma víbora, eles não são cruéis. Então, esse tipo de animalidade aqui, que é a animalidade da astúcia, é quando o ser humano se torna um duende, se torna uma criatura exótica do mal, da maldade. Ele deforma e, aí, ele se transforma nesse animal que é a serpente do capítulo 3, entendem? Por isso que ela é maldita entre todas as espécies, porque é um tipo de animalidade não natural.

Olha que bonito isso! A animalidade do marimbondo, você fala, ah, mas o marimbondo pica, mas ele só pica se você for incomodá-lo. Ele não vai, você não vai ver um marimbondo andando e falar, ah, hoje eu vou picar alguém, vou fazer uma maldade. Não! Ele está quieto lá no canto dele. Ele pica por instinto de defesa, de proteção da casa dele, mas ele está lá no canto dele. Agora, essa animalidade da serpente aqui, não. Ela sai da casa dela, do país dela e vai fazer guerra no país do outro. Ela tem o que comer, tem onde morar, está vivendo bem, mas não se satisfaz, anda milhares de quilômetros para ir lá destruir o lar do outro.

Não é uma animalidade natural. Nenhum animal faz isso. Isso não conta na natureza. Essa coisa é sem sentido. É uma brutalidade que não está a serviço do instinto de conservação. Nada que a serpente faz se destina a conservar, porque o leão mata as ervas para comer, senão ele morre. É instinto de conservação. Aqui, não. A animalidade da serpente é crueldade gratuita, irracional, injustificável, desnecessária, exagerada. Não tem lógica. Não tem parâmetro. Por isso que, dentre todos os animais, essa é a pior animalidade.

Então, o pior animal é o ser humano que se animalizou. Aí, ele se torna o que, na linguagem bíblica, essa serpente aqui, ela vai receber um nome bíblico e profético, porque toda profecia vai se referir a essa animalidade humana como besta, a besta, que é um animal, geralmente, ele é uma mistura de partes de animais. Ele tem a boca do urso, a garra do urso, a boca do leão, a pata do jacaré. Geralmente, esses elementos da forma, eles expressam características. Então, a boca do leão, porque é uma boca poderosa, voraz, a pata do urso, que é uma pata forte, violenta, bruta.

Então, a linguagem bíblica, ela junta essas imagens para que a gente tenha uma proporção da irracionalidade, da falta de sentido da animalidade humana, quando o ser humano se torna grotesco, grotesco. Aí, você vê as páginas criminais, você vê as manchetes de guerra, você vê a própria guerra e vê que é uma coisa sem sentido, sem sentido. Então, recentemente eu vi essa questão das armas químicas na Síria, você vê uma criança daquela gemendo com o uso de uma arma química. Qual é o sentido disso, gente? Qual é o sentido disso?

Como que humanamente, racionalmente, a gente justifica um negócio desse? Como? Isso não tem justificativo. Então, é isso que o texto bíblico está dizendo. De todos os animais domesticados, de todas as feras, olha que interessante, hein, mesmo os instintos mais ferozes não se comparam à animalidade de alguém que constrói e usa uma arma química. E o pior não é isso. O pior não é isso. O pior é que esse que usa a arma química está usando um terno importado, de luxo, está andando num carro de luxo, usando talheres de prata e de ouro, cheio de regras de etiqueta, você olha pra ele ou pra ela, parece um djenterman, parece uma lady.

Mas, na verdade, é o que Jesus dizia e denunciava, de túmulo caiado. Por fora está lindinho, por dentro é só podridão. Podridão. Então, é essa animalidade que está sendo condenada pela palavra divina. Essa animalidade vai ter fim. Ela vai ter fim. É fixado um tempo cósmico, é importante entender isso. Tempo cósmico não é tempo humano. Tempo humano é setenta anos, cem anos, quinhentos anos. Tempo cósmico é outra coisa. Tempo cósmico é um ciclo que Deus estabelece para início, meio e fim. Essa animalidade da serpente, ela tem início, meio e fim.

Vamos ver? Então, vamos. Versículo seguinte, que é o 15. Mas, vamos terminar o 14. Caminharás sobre o teu ventre e comerás poeira todos os dias de tua vida. E como é a poeira? A palavra poeira aqui tem a ver da origem de onde o homem foi formado. Lembram disso? Que o Adão foi formado do pó da Adama, da terra vermelha, da terra… Esse é o alimento da serpente. Então, o que significa aqui? A serpente, ela cada vez mais se brutaliza e o alimento dela é o sumo do material. Então, suas emoções, seus processos psicológicos, seus processos orgânicos são todos materializados, altamente materializados, embrutecidos, pouco espiritualizados.

E esse embrutecimento tem consequência. Então, a serpente se alimenta de pó, que é resíduo, resíduo de matéria. Aqui, vamos ver uma ressonância disso, Jesus dizendo assim, Toda vez que entrares em uma casa, diga, a paz seja sobre essa casa, ou a paz desça sobre essa casa. Mas, se não receberem a vossa paz, que a paz retorne a vocês e, saindo daquela casa, sacude o pó das vossas sandálias. Por que sacudir o pó das sandálias? Porque pó alimenta serpente. A serpente se alimenta de pó. Se você conservar isso, ressentimento, amágoa, a raiva da situação que você viveu, você vai criar uma tomada psíquica para se sintonizar com a serpente.

E, é isso que Jesus não quer do discípulo dele. O discípulo dele leva a paz. Se a paz não é recebida, ele pega a paz e vai embora. Mas, não leva a serpente. Vamos ver aqui. Porém, hostilidade entre ti e a mulher, entre a serpente e a mulher. Então, aqui é bonito. Eu vou acabar de ler aqui. Vamos ver o que você vai entender. Porém, hostilidade entre você, serpente, e a mulher, e entre a tua semente e a semente dela. A mulher ia gerar uma serpente, ia gerar frutos e a serpente também ia gerar frutos. Ela te esmagará a cabeça.

Então, acabou. A serpente já perdeu. Vou ler de novo. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar. Ferir. A serpente fere. A mulher esmaga a cabeça. Perceberam? Não? Então, vamos lá. O mal sucumbe. O bem é ferido. O mal, na Terra, é um projeto que tem começo, meio, fim. Vai acabar. Vai acabar. A serpente e sua semente, ou seja, todas as pessoas, espíritos, organizações, egrégoras, tudo que segue o projeto da serpente vai acabar. Vai ser derrotado. Vai perder. Vai perder. Cabeça esmagada. É a essência do plano.

O plano vai sucumbir. Está definido. E, o bem? O bem vai ser ferido. Olha, ferido. Então, o bem vence com cicatrizes. Com cicatrizes. Ele sai vitorioso, mas cheio de marcas. Paulo, muito inteligente, muito inteligente, percebeu isso e disse assim, de agora em diante, ninguém mais me moleste, pois trago em mim as marcas, as cicatrizes do Cristo. São as cicatrizes do bem. Porque o bem é ferido pelo mal e ele fica coberto de cicatrizes, mas vence. O mal é esmagado como? Como? Pelo calcanhar, ou seja, debaixo dos nossos pés.

Então, isso é importante. Na Epístola, depois de Tiago e Pedro, eles vão retomar esse tema. Não se refere aqui a um processo social, coletivo de esmagamento do mal. O mal é vencido dentro de cada individualidade. Cada individualidade vence o mal, esmaga o mal dela, não do outro. É o seu calcanhar que esmaga a serpente, a sua serpente. E, aí, você se liberta, atingindo patamares superiores de humanidade, de autocontrole, de autodomínio, retomando a sua inteligência, retomando o seu discernimento, retomando os seus padrões de afetividade e de sentimento e abdicando-o dessa animalidade da serpente.

Então, a vitória do mal é uma vitória um coração por vez. Um coração por vez. Por isso diz Emmanuel assim, o Evangelho segue avançando, palma a palma, um coração por vez. Não é assim, coloca cem mil e pum, acabei com o mal de cem mil. Não é assim que funciona. Porque o mal é esmagado pé por pé. E, aí, fica o calcanhar, que é o calcanhar à base. Lembra lá o calcanhar de Aquiles? A serpente fere no calcanhar, ela vai sempre nas bases, sempre nas bases das coisas. O mal se infiltra sempre nas bases, sempre nos elementos de estruturação.

Ele se infiltra. Então, vamos dar um exemplo. Está um grupo funcionando muito bem, aí começa haver briga interna, dissensão, acaba com o grupo, porque o mal age sempre no calcanhar. Então, está aqui o projeto. Agora, olha que coisa linda. A mulher, a semente da mulher, a semente, está no singular. E, Paulo vai usar isto aqui de uma forma linda, porque ele vai dizer assim, quem é a semente da mulher de Gênesis? Quem é esta semente? Ele vai dizer, é uma pessoa. Mas, eu não vou contar agora, você vai ter que aguardar o próximo episódio de Gênesis para saber quem é a semente da mulher que vai esmagar a cabeça da serpente.

Tudo isto aqui é simbólico, é claro, ninguém toma isto aqui ao pé da letra, porque isto aqui descreve um processo de depuração espiritual e não uma guerra com pessoas ou com instituições, nada disso. Jesus não guerreia com ninguém. Ele traz a espada simbólica para que exista uma guerra dentro de nós e o homem novo vença o homem velho. Então, no próximo episódio, nós vamos aprender a descobrir com Paulo quem é a semente ou a descendência da mulher. E é bonito porque quem ouviu a serpente e instaurou o projeto da serpente na Terra foi Eva.

E qual a tarefa que Deus nos deu para Eva? Já que ela criou a confusão, ela que traz também a solução. É através da mulher que virá a semente com um novo projeto contrário da serpente de restauração. Bonito isto, porque traz implícito aqui um aspecto da lei de causa e efeito. Quem perturba é o mesmo que vai harmonizar amanhã. O algoz de ontem é o bem feitor de hoje. E assim, pelo amor, Deus regenera a evolução. Até o próximo episódio. Nós podemos dar um nome de princípio inteligente, se você está se referindo ao início da evolução, espírito, se você está se referindo genericamente, ou espírito.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Hide picture