#019 – Estudo do Velho Testamento – Livro Levítico

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Levítico, capítulo 23, versículos 15 a 22, para explorar a festa de Pentecostes. O estudo é conduzido sob a ótica espírita, revelando as camadas de significado espiritual por trás das celebrações e rituais descritos nas escrituras antigas.

O que é estudado neste episódio

  • Levítico 23:15-22: A leitura e análise detalhada da passagem que descreve a instituição da festa de Pentecostes, a segunda das três grandes festas mencionadas em Levítico.
  • A Progressão das Festas: A interpretação da sequência das festas (Páscoa, Pentecostes e as futuras festas) como uma progressão espiritual, do mais simples ao mais complexo, da libertação da escravidão à iniciação espiritual.
  • Pentecostes como Iniciação Espiritual: A celebração do recebimento da revelação no Sinai, a “dádiva da Torá”, como um marco de iniciação espiritual para o povo de Israel.
  • A Dádiva da Torá: A Torá é apresentada não como um merecimento, mas como um dom gratuito de Deus, simbolizando a revelação e o ensinamento divino. É discutida a distinção entre a Torá escrita (Pentateuco) e a Torá oral, infinitamente maior e mais profunda.
  • O Simbolismo do Fogo: A montanha do Sinai em chamas durante a entrega da Torá e as línguas de fogo sobre os apóstolos no Pentecostes cristão são interpretadas como manifestações do Espírito Divino.
  • A Torá como Ensinamento Divino: A palavra “Torá” é traduzida como “ensinamento”, destacando o papel de Deus como educador, condutor e orientador. É feita uma conexão com o papel maternal na transmissão da Torá e a manifestação divina como educador.
  • Jesus como a Torá Viva: Jesus é associado à Torá por ser a Palavra de Deus encarnada, a expressão máxima do ensinamento divino na Terra. A “Palavra de Deus” é desmistificada, transcendendo o sentido literal para representar a ação e a expressão de Deus.
  • A Lei Escrita no Coração: A profecia de Ezequiel sobre Deus escrevendo Sua Torá nos corações é comparada à lei divina inscrita na consciência, conforme o Livro dos Espíritos, enfatizando que a verdadeira Torá são sentimentos, pensamentos e atitudes alinhados com a vontade divina.
  • O Derramamento do Espírito: A promessa de Joel sobre o derramamento do Espírito sobre toda a carne e o afloramento de faculdades anímicas é interpretada como um processo progressivo de abertura espiritual, culminando no Pentecostes cristão e na Doutrina Espírita.
  • A Fé e o Fluido Perispiritual: A fé é discutida como um poder de querer e ter certeza de que a vontade se concretizará. É feita uma conexão com a manipulação do fluido perispiritual, conforme descrito em Obras Póstumas de Allan Kardec, onde a vontade é o princípio propulsor que dilata o fluido e permite a realização de “prodígios”.

Reflexões

  • A progressão das festas em Levítico simboliza a jornada evolutiva do Espírito, da libertação material à profunda iniciação espiritual e à união com o Divino.
  • A Torá, compreendida como ensinamento e orientação divina, não se limita a textos escritos, mas se manifesta como a lei inscrita na consciência e nos sentimentos, conduzindo o ser à sua destinação angelical.
  • O Pentecostes, em suas diversas manifestações (Sinai, Jerusalém, Doutrina Espírita), representa o derramamento do Espírito Divino e o despertar das faculdades anímicas na humanidade, à medida que esta alcança maturidade espiritual.

Ler transcrição do episódio

A ciência, hoje, mudando de festa. Hoje, nós vamos comentar sobre a festa chamada Pentecostes. No episódio, no nosso estudo passado, a gente estudou a Páscoa. Vemos alguns aspectos. E, hoje, é a grande festa das três grandes festas que são denominadas em Levítico, capítulos 23, 24 e 25. Essa é a segunda. Então, eu vou ler o trecho que está no capítulo 23 de Levítico, versículo 15 em diante. Contareis para vós outros, desde o dia imediato ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida, sete semanas inteiras serão.

Até o dia imediato ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias. Então, trareis uma nova oferta de manjares ao Senhor. Das vossas moradas, trarei dois pães para serem movidos. De duas dízimas de uma hefa de farinha, serão levedados e se cozerão. São primícias ao Senhor. Com o pão oferecereis sete cordeiros, sem defeito, de um ano, e um novilho e dois carneiros. Olocaustos serão ao Senhor com a sua oferta de manjares e as suas limações, por oferta queimada de aroma agradável ao Senhor. Também oferecereis um bode para oferta pelo pecado e dois cordeiros de um ano por oferta pacífica.

Então, o sacerdote os moverá com o pão das primícias, por oferta movida perante o Senhor. Com os dois cordeiros santos serão ao Senhor para o uso do sacerdote. No mesmo dia se proclamará que tereis santa convocação. Nenhuma obra serviu fareis. É estatuto perpétuo em todas as vossas moradas, pelas vossas gerações. Quando cegardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa cega. Para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o Senhor, vosso Deus.

Disse mais o Senhor a Moisés, fala aos filhos de Israel, dizendo, no mês sétimo ao primeiro do mês, tereis descanso solene, memorial, com sonidos de trombeta e santa convocação. Qual é o livro que a gente recebe de novo? É Levítico, capítulo 23, versículo 15, até 22. Porque a do 23 já começa a entrar lá na trombeta. Bom, o texto é difícil, esse é puxado. Vamos falar um pouquinho dessa festa de Pentecostes. Interessante que a gente tinha comentado das festas que estão no Levítico, que são festas solenes, sete festas, porque elas vão alcançando uma progressão.

E o texto diz assim, contareis sete semanas. Na festa anterior de Páscoa, estava assim, contareis dias, agora está contando em semanas. A próxima grande festa vai contar em meses, depois conta em anos. Depois em milênios. Então, é como se a gente estivesse saindo de um nível de mais simples para algo mais complexo, mais elaborado. Então, Pentecostes é algo que está mais elaborado que a Páscoa. Então, pressupõe, se a gente for extrair o sentido espiritual da festa, já indo direto ao ponto, é um patamar assim. A Páscoa celebra libertação da escravidão.

Pentecostes já é uma iniciação espiritual. Por que isso? Porque na festa de Pentecostes se celebra o recebimento da revelação no Sinai. É chamada a dádiva da Torá ou o dom da Torá. Bonito isso, a gente tem que comentar cada detalhe aqui. Por que dom? Porque Deus dá gratuitamente. Não é que o povo merece, o povo não merece, o povo era escravo. Enquanto Moisés recebe a Torá, a Torá é no sentido de revelação, eu vou falar um pouquinho sobre Torá, em sentido de revelação. Enquanto Moisés está recebendo a revelação, o povo está adorando o bezerro de ouro.

Então, não é merecimento. Isso aqui não é uma conquista, ah, eu mereço, então eu vou receber, não. É dádiva. É um presente, um dom, uma oferta. E, por isso, precisa ser celebrada. Coisas curiosas, né? Moisés leva o povo até o pé da montanha, mas o povo não sobe. Sobe só Moisés. Ele sobe, a montanha se incendeia. Isso é muito importante, esse simbolismo, né? Ela fica flamejante. Então, é como se ela fosse uma chama, uma chama. Eu acho interessante, se eu pegar um livro dos Espíritos aqui, esse aqui me veio aqui agora.

Quando, olha que interessante, eu estava procurando, eu abri a página, caiu exatamente na pergunta que eu precisava, que eu não sabia, né? Para mostrar que é um dom mesmo da Torá, né? É um presente. Questão 88 do livro dos Espíritos. Tem os Espíritos uma forma determinada, limitada e constante? O cadete não está perguntando de perispírito, não. Está perguntando o Espírito. Questão 88. Segundo, o que vos possa parecer? Não. Segundo o que vos possa parecer? Não. Para nós, tem. Para a gente, nós encarnados, parece que não tem forma.

Mas, na perspectiva dos Espíritos, da pleja dos Espíritos de verdade, tem. Então, é uma questão de percepção. Os Espíritos são, se quiserdes, uma chama, um clarão, uma centelha etérea. Mas, uuuh, né? Todo mundo fica assim, nossa, né? O Kardec, 88, ah, essa chama ou centelha, tem cor? Então, se eu estou falando chama, por que eu estou falando isso aqui? Chama é fogo. E o que o livro, o que o Velho Testamento diz é que quando Moisés está recebendo a Torá, a montanha se incendeia, ela pega fogo. E lá na frente, em Atos, quando os apóstolos se reúnem, na festa de Pentecostes, descem sobre eles línguas de fogo.

Bom, essa chama ou centelha tem cor? Tem. Para vós essa coloração varia do escuro e opaco ao brilho do rubi, segundo a menor ou maior pureza do Espírito. Aí, o Kardec põe um comentário. Representam-se, ordinariamente, os gênios com uma flama ou uma estrela na fronte. É essa uma alegoria que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça por ser ali que se encontra a sede da inteligência, para nós, ocidentais, porque, para os hebreus, a sede da inteligência é aqui, interna, da inteligência e do sentimento.

Não é aqui. Mas, é uma centelha. Está começando a ficar interessante, não é? Vamos deixar essa questão 88 aqui e vamos voltar para o dom da Torá. E, o que é a Torá? O que é a Torá? Outra questão. Porque, se nós temos uma festa que celebra o recebimento da Torá, o dom da Torá, o que é a Torá? Nós vamos ouvir, muitas vezes, os próprios sábios do povo hebreu didaticamente dizendo que a Torá é o Pentateuco, o Mosaico, de Gênesis a Deuteronômio. Mas, não é isso. Não é isso. Essa é o que eles chamam de Torá escrita, aquilo que foi anotado.

E, logo, logo, eles falam que existe uma Torá oral, que é infinitamente maior que a Torá escrita, que a Torá escrita é a ponta do iceberg. Por trás está a Torá oral. Oral por quê? Porque Moisés a recebeu quando Deus falou com ele e eles vão mais além. Quando olha que bonito isso, né? Os textos dizem assim, da tradição do povo, quando Deus falou com Moisés, deu um eco, setenta vozes e esse eco perdurou. Setenta vozes por quê? Porque eles, simbolicamente, representavam o mundo inteiro como setenta nações. Então, Moisés ouviu, mas ecoou para todas as nações do mundo.

Isso é muito importante. E por que Torá? A palavra Torá, em hebraico, representa ensinamento. Isso é que é Torá. Então, a Torá é o ensinamento de Deus, oral. É a voz de Deus ensinando, conduzindo, educando, dirigindo. Interessante, né? E, se a gente pega, por exemplo, o livro de provérbios e de eclesiásticos, é muito interessante isso. O provérbio diz assim, Filho meu, não desprezes a Torá de tua mãe, nem a corrigenda do teu pai. Curioso, né? Porque o pai fica como aquele que impõe a lei, que corrige, que fiscaliza.

Mas, a função maternal é a função de ensinar a Torá. São as professoras, as pedagogas, as mães. Elas têm a missão da Torá. A gente vê isso no Conselho, né? A Mãe Divinidade ensinava, né? Então, tem a ver com esse elemento feminino do educar, do conduzir, do instruir, do orientar, do dar diretrizes, né? Então, essa manifestação divina de Deus como educador. Isso é a Torá no sentido mais profundo. Não tem jeito, né? A gente vai ter que ficar fazendo pingue-pongue, né? Porque Pentecostes é luz demais, é fogo demais. Aí, não vamos ter que ficar fazendo.

Mas, quem quiser, quiser falar alguma coisa, alguém quiser fazer algum comentário, fica à vontade. Por isso que Jesus é associado como a Torá. Por quê? Porque Ele é a Palavra de Deus. É bom a gente começar a descolar do sentido literal, porque quando fala assim Palavra de Deus, a gente pensa mesmo numa língua, no dente, num aparelho fonador, Deus falando, mas não existe isso. Deus é Espírito e Verdade. Deus não tem boca, não tem garganta, não tem faringe, não tem língua, nem dente. Então, a gente tem que sair desse sentido literal de Palavra de Deus.

Palavra como se Deus estivesse falando inglês, português, esperanto, hebraico. Inclui aí também que os evangélicos falam a Palavra, né, a Palavra, referente-se ao Escrito Bíblico. Isso, que é um equívoco. Esse é um grande equívoco. É um grande equívoco, porque perde-se quando a gente compara o que está registrado por escrito, a gente perde o que Paulo chama de o Deus vivo. Porque Deus é Espírito e Ele está onipresente. E, se Ele está onipresente, Ele está agindo. Então, Ele está agindo agora, aqui agora, em cada um de nós, aqui nesse ambiente e no universo todo.

Então, se Ele está agindo, Ele está ensinando, Ele está conduzindo, Ele está orientando, educando, corrigindo, regenerando. Então, como que eu posso matar a ação de Deus em palavras humanas grafadas num papel? Ele nem a Palavra mata. Ah, e o Espírito vive e fica. É isso que o Paulo, é isso que ele quer dizer. No profundo, é isso. A Palavra, a anotação mata. O Espírito é que dá vida. Mas, nós vamos chegar lá, daqui a pouquinho. Se for bom, você já pegou lá pingue-pongue, que hoje está intenso, né? E, Jesus é verbo. Jesus é a fala de Deus.

E, quando que a gente vê isso? Quando Ele está diante de Pilatos, em silêncio. Não estou fazendo piada, é sério. Jesus é a expressão de Deus na Terra. Ele é a Palavra de Deus, encarnada. Tudo que Deus tem a dizer à humanidade é Jesus. A humanidade terreno. É o que Kardec diz na questão 625. O comentário dele. Tudo o que ele tem a dizer. Então, quando Pilatos chega para ele e fala assim, diz-me a verdade. Jesus fica em silêncio. Porque Pilatos estava preso ainda a idioma, a linguagem humana. Ele não entendeu que a fala de Deus é Jesus.

Ah, está muito difícil. Isso é difícil. Nesse caso, ele não silenciou, ele berrou. Ele gritou. E, gritou alto. Gritou alto. Falou alto demais. Falou alto demais. Muito alto. Porque Ele é a fala. Isso é bonito, né? Porque o que que é uma fala? Eu estou aqui mexendo as minhas cordas vocais, aí eu provoco aqui uma vibração e o ar vibra e aí vocês escutam. Quer dizer, uma vibração de ar. Imaginar que a expressão de Deus é isso? Movimentar vento? Fazer vibrar o ar para soar no meu timbre e eu ouvir? É bem infantil isso.

É bem primário. Deus é infinitamente maior que isso. E, Ele se expressa mesmo. E, Jesus fala, lindo, né? Ele diz assim, Brilha a vossa luz diante dos homens. Porque, se o Espírito é uma centelha, Ele radia. Ele é uma chama. Ele radia para frente, para trás, para o lado, para cima, para baixo, em tudo. Ele é um foco de radiação. Brilha a vossa luz diante dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem quem? A Deus. Porque, quando nós brilhamos a nossa mais profunda luz, nós estamos expressando Deus.

Deus está se expressando por nós. Esse é o sentido do Pentecoste. É por isso que, quando Moisés recebe a Torá no Sinai, Deus fala com ele. Depois, Deus escreve em pedras, que é o decálogo. Decálogo. Os Dez Mandamentos, que são os princípios constitucionais. É o artigo quinto da Constituição. E, depois, Moisés vem criando artigo e dá-lhe artigo. Cria, vai lá, vai especificando, desenvolvendo, desenvolvendo a parte escrita. Mas, lá na profecia, diz assim, está em Ezequiel, Eu tirarei o coração de pedra deles e colocarei no lugar um coração de carne e escreverei a minha Torá nos seus corações.

Aí, nessa hora, muito religioso desanima, porque lidar com Bíblia é fácil. Ah, não, a Torá, cinco livros de Moisés. Agora, lidar com a Torá que é escrita no coração, que ela é imaterial, não está em livro, ela não está em linguagem, ela não está em nenhum idioma, ela não tem vogal, não tem consoante, não tem acento, não, ela está no coração. Se ela está no coração, ela é sentimento. São sentimentos, são pensamentos, é conduta, são atitudes. Essa é a Torá. O que o profeta está dizendo é que Deus quer pensamentos, Deus quer, sentimentos, Deus quer, atitudes, Deus quer, ações que sejam a sua lei.

E é bonito, né, porque quando a gente vai no livro dos Espíritos também, onde está escrita a lei divina? Aí, depois eu falo assim, no Alcorão, no livro dos Espíritos, no Evangelho, nos quatro Evangelhos, não, no Evangelho de João, não, no Pentateuco Mosaico, na consciência, né. Quer dizer, a Torá está escrita na consciência do Espírito. Você comentou uma vez que não é o cérebro onde habita a razão, é no coração. É no coração, porque o coração é a sede de todo o elemento emocional e também de todo o elemento espiritual.

Por isso que a Sra. Pônei-se e falou, escreveu no coração, escreveu na consciência, porque a consciência não quer dizer… Agora, é interessante, Júlio, porque quando a gente pensa também, e é uma coisa até complicada, para nós Espíritas também, porque se você pensa o Espírito puro, o Espírito, o Espírito, puro, puro, Espírito, estou falando perispírito não, porque perispírito eu penso, chaca, coronário, frontal, laríngeo, o cardíaco, o esplênico, aí eu penso tudo bonitinho num corpo, dois bracinhos, duas perninhas, as glândulas.

E o Espírito? Unificou tudo, não é? Porque se ele é uma centelha, não tem bracinho, não tem mãozinho, não tem pezinho, não tem estômago, não tem olhinho. Onde estão os chacrezinhos na centelha? Onde está a consciência na centelha? Vamos voltar um pouquinho, porque aí também já fica demais, não é? Vamos voltar para o nosso círculo, porque aí já começa sair demais. Então, quando a gente vai para o Pentecostes, acontece a mesma coisa. Estão várias nações, cada qual na sua linguagem, e desce fogo. Línguas. Línguas por quê?

Porque seria falado. Se fosse para ouvir, seriam ouvidos de fogo, não é? Se fosse para fazer alguma coisa, seriam mãos de fogo. Como era para falar, desceram línguas. É fogo. Centelha. Então, é Manifestação espiritual no Pentecostes, que já havia sido prometida. Eis que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne. Só que, aqui, nós temos que fazer uma consideração. Nós não estamos falando apenas de Espíritos num fenômeno de psicofonia. Por quê? Se o Espírito vem para se comunicar com o encarnado, e usa a psicofonia, e Ele está inspirando, quem está inspirando o Espírito que está ditando a psicofonia?

Há um outro Espírito. E quem está inspirando esse outro Espírito? Há um outro superior. E quem está inspirando esse superior? Há um outro superior. Então, quem inspira todos os outros Espíritos da criação? Deus. Por isso, João Evangelista diz assim na sua carta, Olhar se os Espíritos são de Deus. Ou seja, remontar, remontar a origem, a causa da inspiração espiritual. Porque todo Espírito que se comunica está expressando-se e o faz em nome de Deus, para o bem, está expressando o Espírito divino. Então, quando Deus diz Eis que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne e profetizarão e terão sonhos.

Como é que é isso? É o Pentecostes lá na frente. A gente percebe que há uma linha evolutiva, é um crescendo. Moisés sobe sozinho, o povo fica na pé da montanha. Ele recebe a Torá e ele desce para instruir e proíbe consultar mortos. Mas, lá em Joel, lá na frente, alguns séculos depois, há uma promessa de um derramamento geral de Espírito, de Espírito divino, e um afloramento de faculdades, visões, sonhos, faculdades anímicas. Então, está abrindo, né? Claro! Por quê? A disciplina que você coloca para crianças num berçário é diferente da disciplina que se coloca para crianças num jardim da infância.

A disciplina que você coloca para um aluno da graduação é diferente da disciplina de um aluno de pós-graduação. Porque, à medida que a pessoa vai avançando, ela vai ganhando em liberdade e em acesso. Nós achamos maravilhoso um chefe pegar aquelas facas extremamente afiadas e cortar com aquela velocidade. A gente acha lindo, né? Mas, ninguém coloca uma faca daquela nas mãos de uma criança. Por quê? Por que Moisés proíbe consultar os mortos? Porque não se coloca uma faca nas mãos de criança. Precisa aguardar que o tempo amadurecesse em os homens, que o tempo amadurecesse as criaturas no trato com as faculdades anímicas para que um processo gradativo de abertura para a espiritualidade pudesse ser concretizado.

Não é? Então, tem um sentido progressivo de abertura. E isso é Torá. Torá é isso. Torá não é condução, ensinamento, educação? Então, Deus veio conduzindo, através da primeira revelação, crianças espirituais. Chega Jesus, quer a Torá viva, para adultos, maiores de idade. E passa a ser a referência central da nossa evolução. E, depois, vem a doutrina espírita, que é um derramamento espiritual amplo para maduros, para seres maduros, na madureza, a fim de que eles possam entender o que representou a presença de Jesus no orbe.

Por isso que o espiritismo e a doutrina espírita é considerado o cristianismo redivivo. Então, nós temos aí um Pentecostes tripartido, né? O Pentecostes no Sinai, o Pentecostes em Jerusalém com os apóstolos e um Pentecostes em Paris. Gente, alguém quer comentar alguma coisinha? Todo mundo caladinho, poxa vida! Bom, é… Agora, já que está todo mundo calado, vamos sim… Porque, com a humanidade atingindo a madureza, do ponto de vista espiritual, diz Emmanuel, né? Agora, pode ser facultado um acesso coletivo às faculdades anímicas.

Porque, naquele momento, a humanidade, o denominador comum da humanidade, estou dizendo indivíduos, porque nós sempre temos indivíduos que estão muito à frente e outros que estão muito abaixo. Mas, o denominador comum da humanidade já tem maturidade para lidar com faculdades anímicas, sem que isso prejudique o cumprimento do seu dever na encarnação. Porque esse é o grande problema. A criatura começa a lidar com as faculdades anímicas e ela foge do dever do encarnado. E, nós não podemos, porque é o que está no Livro dos Espíritos.

Cada ser concorre para a harmonia geral. Então, nós, encarnados, nós contribuímos para a harmonia geral, desde que a gente cumpra as nossas funções de encarnado. Então, tem que ter um equilíbrio aí. E, a humanidade, então, atinge, aí nós temos um Pentecoste no mundo inteiro. Pancadas, Irmãs Fox, no mundo inteiro. E, agora, mais ainda, cada hora surgindo, não é? Porque as pessoas estão nas igrejas, estão nos tempos budistas, elas estão tendo sonhos, elas estão tendo regressão, estão nascendo crianças de 4 aninhos tocando piano, mais do que pianista que estuda há 40 anos, e está todo mundo assombrado.

Mas, isso já foi prometido lá em Joel, o derramamento do Espírito. Mas, o que é esse derramamento do Espírito? Então, um pouquinho, só um tiquinho, só um tiquinho, vamos só ler aqui o Paulo, capítulo 8 de Romanos, versículo 12. Filhos e herdeiros, assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne, como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viver segundo a carne, caminhais para a morte. Mas, se pelo Espírito mortificareis os feitos do corpo, certamente vivereis. Pois, todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

É isso aqui que eu queria destacar. Romanos 8, versículo 14. Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. No Velho Testamento, quando fala Ruar ou Ruar Kodesh, o Espírito Santo é um dos nomes de Deus. A gente vê uma confusão tremenda que as pessoas fazem. Porque elas vão na Vulgata Latina, elas vão em alguns teólogos católicos do século II, do século III, e fazem uma confusão de Espírito Santo com Trindade. E isso é outro aspecto, eu não vou entrar nisso, porque não é o tema aqui, falar de Trindade.

Não é objeto do nosso estudo. Mas, para um judeu, para um hebreu, Ruar Kodesh, que é sempre com singular, o Espírito Santo é um dos nomes de Deus. Deus é o Espírito Santo. Santo no sentido de que ele é separado, ele é reservado. Separado do quê? Da criação. Se não existir a criação, não acontece nada com Deus. Não é? É o que a gente aprende no Livro dos Espíritos. Deus não é a criação. A soma de tudo que é criado não dá Deus. Isso é panteísmo. Ah, Deus é as estrelas, as constelações, aí soma tudo, é Deus, todos nós juntos.

Não! Se a criação infinita acabar, Deus continua. É o que eles chamam de transcendência divina. Por isso que ele é um Espírito separado. Mas, mas, embora ele seja distinto da criação, ele está presente nela toda, ou melhor, ela toda está nele. Como? Aguarde, daqui a pouquinho tem um texto aqui de Obras Pós. Vai dizer isso, não eu, Kardec. É a criação que está mergulhada em Deus. Então, a criação está absolutamente perpassada por Deus. Acho que, de uma maneira simples, bem limitada, bem deficiente, mas dá pra entender.

É o Espírito e o corpo. O Espírito e o corpo. O meu corpo não é o meu Espírito. É tanto que eu desencarno. Deus, graças a Deus, não desencarna, porque senão a criação estava perdida. A gente desencarna, você deixa o corpo lá e o Espírito sai. É, nem encarna, graças a Deus. Então, vamos lá. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos. Por quê? Ser guiado é receber Torá. O que é Torá? Torá não é ensinamento, pedagogia, ensino, orientação, condução. Condução, ensino, orientação é o quê? Ser guiado. Ser guiado por Deus é ser filho.

Não, nem todos se deixam guiar. Aí ele vai… Eu perdi a explicação. Eu fiquei agora falando em encarna, mas a gente fala que o verbo, a gente não, né? O verbo se fez carne. É, o verbo se fez carne. É porque o verbo divino, que é o Cristo, o governador espiritual do orbe, concretizou-se no plano material, né? No nosso plano. É o verbo da sua obra. Porque o Cristo, isso é que é bonito, né? Porque André Luiz fala assim, essas inteligências divinas, a ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, se tornam agentes executores da sua vontade.

Então, é bonito porque o mundo oriental ele raciocina assim, como é que o rei executa? Como é que um rei executa algo? Mandando. Ninguém vai imaginar o que o rei vai lá fazer, não é? Então, o rei diz assim, eu quero que plante uva aqui. Ele não vai pegar a enxada. Ele fala, plante uva ali. Deu uma ordem. Então, é o verbo. Quando Deus manifesta um propósito, esse propósito se concretiza através dos Cristos, que são os executores dos propósitos divinos. E, como diz Emmanuel, Deus não manifesta propósitos a êxomo. Por quê?

Não manifesta a êxomo? Porque tudo que ele quer realiza-se. Então, há uma economia do querer divino. É verbo no sentido de verbo divino, né? No sentido da ordem do rei. Porque a ordem do rei já é a ação. Você está no terreno do rei, você não planta vinha lá, você não autoriza ela. Então, ao ordenar, já é a vinha plantada. Quando o rei fala, planta, acabou, já está plantado. Com Deus, então? Com Deus, então? Quando ele tem o propósito, os Cristos executam, né? Não tem outra via. Não tem outra via. Segura só um pouquinho.

Vamos lá. Olha o que Paulo diz. Porque não recebestes o espírito de escravidão para viveres outra vez atemorizados. Está falando da Páscoa. Mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual chamamos Abba, Pai. O próprio espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros. Herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. Nossa, né? Co-herdeiros com Cristo. Se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Estou começando a falar de uma coisinha aqui que eu vou fechar daqui a pouquinho.

Devo ter que correr. Vou correr um pouquinho. Filipenses, capítulo 2. Aqui tem um dos textos mais enigmáticos. Estou só lançando as coisinhas para a gente poder chegar. Filipenses 2,12 Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade. Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar. E, agora?

Então, o Pentecoste. O que é subir o sinal e receber o dom da Torá? Não é receber a orientação de Deus? Não é receber a orientação? Receber a orientação, ser educado, não é ser guiado? Como é que eu vou ser guiado se eu não permito ao meu coração desejar o que o educador me propõe? Como é que eu guio alguém se esse alguém não quer ser guiado? Então, a primeira ação de Deus em relação a nossa salvação, salvação no sentido de o que que é salvar aqui? Tirar da escravidão? É trazer o Espírito de volta para Deus, é a união divina.

Por isso que lá em nosso lar tem o Ministério da União Divina. É interessante isso. Por quê? Você tem um ministério que vai para um brau, que auxilia, que faz trabalho, que faz não sei o que. Aí, as pessoas que são ativistas, que não conseguem ficar paradas, pensam assim, puxa vida, até em nosso lar tem um ministério, pessoa que não faz nada. Ficam lá, não faz caridade, não vai para um brau, ficam fazendo união divina. Um ministério em nosso lar dedicado a uma ação, uma, aprimorar a conexão dos moradores de nosso lar com Deus.

É importante essa informação, né? Para eu chegar lá, né? E, com responsabilidade, por exemplo, as águas que percorrem nosso lar são magnetizadas pelo Ministério da União Divina. Bom, tem alguma coisa de especial nisso. Nós estamos falando da suprema ascensão espiritual do Espírito, que não é Ele comunicar com outro Espírito. Isso aí, olha, mediunidade, psicofonia, psicografia, isso aí é WhatsApp, é Facebook. Comunicar com outro Espírito é Facebook. Ele põe lá o seu perfil, o Espírito põe o dele, comunica, psicografa, fala.

Isso é interação. Então, a suprema comunicação é a nossa integração com Deus, o Espírito da criação infinita. E, aí, a gente tem que fazer o quê? Começar a prestar atenção quando Jesus diz o Reino dos Céus está dentro de vós. Ou quando Ele diz eu e o Pai somos um. União Divina. Somos um. Eu acho que dá pra gente complicar um pouquinho mais. Estou brincando. Simplificar um pouco mais. Evangelho segundo o Espiritismo Capítulo 19 A fé transporta montanhas. O Pentecoste ocorreu quando mesmo? Qual montanha? Sinai, né? O Pentecoste dos apóstolos foi quando?

Onde? No monte? Sião. Jerusalém? Montes. Montes. Monte Sinai, montanha flanejante, a fé transporta montanhas. Ok, vamos lá. Aí, vem um Espírito protetor em instrução dos Espíritos. Kardec comenta o Evangelho e depois dá para os Espíritos comentarem, porque é um Facebook, né? WhatsApp. Os Espíritos comentam. Dois comentam. José, um Espírito protetor. Depois, um outro Espírito protetor. O José fala a fé, mãe da esperança e da caridade. E o outro escreve a fé divina e a fé humana. Agora, nós vamos falar de Pentecoste.

A fé é o sentimento inato no homem de sua destinação futura. Bom, não importa de qual religião você é, não importa se você hoje é ateu, não interessa. Todo ser humano tem um sentimento inato de que será angelical. Angelical. A nossa destinação futura é Angélica ou pós-angélica. Não sei nem o que dizer. Espírito pra lá de puro. Essa é a nossa destinação. Esse é o nosso destino. É a consciência que tem das faculdades imensas. O que o Espírito está dizendo? Ei! Ei! Nós somos criaturas divinas. Nós temos faculdades que são imensas.

Fé É consciência dessas faculdades, cujo germe foi depositado nele, no Espírito. Germe. Todas as faculdades que se expressam nos seres angélicos estão dentro da gente, são germes. E nós somos sementes, sementes que vão nos abrochar. Primeiro, em estado latente e que deve fazer eclodir e crescer por sua vontade ativa. Ou seja, como que eu, eu, Aroldo, eu, Júlio, Tiago, Cheia, Cláudio, José, Janaína, como que nós vamos fazer essas sementes divinas desabrochar em nós? Só tem um jeito. Vontade. Só a vontade faz eclodir.

E o que eu posso, numa evangelização da infância, fazer? Eu posso mostrar pra criança que ela tem as sementes. Eu posso dizer quais sementes a criança tem. Mas, se o evangelizador não for capaz de desabrochar, a vontade da criança desabrochar as suas sementes, não evangelizou. Ela tem que querer, querer desabrochar essas sementes. Até o presente, a fé não foi compreendida, senão sob o aspecto religioso. Ah, eu acredito no santo tal. Eu acredito que o doutor Bezerra vai cuidar do meu estômago que está doendo. Eu acredito que esse problema financeiro meu vai ser afastado.

Fé no aspecto religioso. Porque o Cristo a preconizou como alavanca poderosa e porque não se viu nele, senão o chefe de uma religião. Então, o que ele está dizendo? Duas coisas. Jesus disse assim, a fé, ele deixou isso claro toda hora no Evangelho. É uma alavanca que muda tudo, tudo, sem exceção. Mas, acontece que nós olhamos para Jesus e vemos ele um líder religioso. Então, eu acho que aquela fé que ele está falando é só fé religiosa. Desafiou a gente, né? Não sou eu que estou dizendo isso, não. Eu estou só lendo, né?

Mas, o Cristo que realizou milagres verdadeiros, mostrou por esses mesmos milagres, é claro que eu estou usando milagre aqui na expressão metafórica, né? Não é uma derrogação da lei divina, pelo contrário, é um cumprimento da lei divina. Mostrou por esses mesmos milagres o que pode um homem quando tem fé. Então, a mulher chegou e falou, Senhor, eu tenho oito anos que eu estou com esse fluxo de sangue, mas eu quero. E, curou. E, chegou o século, o que queres que eu te faça? O que você quer? Dize para mim, o que você quer que eu veja, Senhor?

Eu quero ver. Então, vê. Quer dizer, o homem quando tem fé, quer dizer, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode receber seu cumprimento. Isso é fé. É quando eu quero e eu tenho certeza que o que eu quero vai se cumprir. Rapaz, esse sujeito está parecendo meio exagerado, hein? Vamos lá. Ora, que eram esses milagres, se não efeitos naturais, cuja causa era desconhecida dos homens de então, mas que se explica em grande parte, não na totalidade, mas aqui, em grande parte, hoje. E que se compreenderá completamente, ou seja, nós só vamos compreender aqueles efeitos naturais que as pessoas da época de Jesus chamaram de milagre, nós só vamos compreender isso completamente pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo.

A fé é humana ou divina? Segundo o homem, aplique suas faculdades às necessidades terrestres ou às suas aspirações celestes e futuras. Então, é um poder. Que poder é esse? É o poder de querer e de ter a certeza de que meu querer vai se concretizar. Se eu aplico isso para coisas materiais, eu realizo coisas materiais. A fé é humana. É uma fé humana. A pessoa fala assim, eu vou atingir aquela posição. Como ele desenvolveu isso? Um querer profundo, que é aquilo que o Espírito dele vibra, vibra com uma força tão grande, de uma forma tão consistente e ele tem tanta certeza de que ele vai realizar e ele chega.

Mas, é uma fé humana, porque ele está aplicando esse poder para concretizar coisas materiais. Se ele usa essa faculdade para as suas aspirações celestes e futuras, aí a fé é divina. Aí, meu Deus do céu! O homem de gênio que persegue a realização de alguma grande empresa, triunfa se tem fé, porque sente em si que pode e deve alcançar. E essa certeza lhe dá força imensa. Olha só! Ele sente em si que pode e deve alcançar. Quando você sente que pode e que você deve, que você merece alcançar, você alcança. Mas, vamos lá.

E isso lhe dá uma força imensa. O homem de bem que, crendo em seu futuro celeste, querem encher sua vida de nobres e belas ações, aure em sua fé na certeza da felicidade que o espera a força necessária. E aí, ainda se cumprem milagres de caridade, de devotamento, de abnegação. Enfim, com a fé não existem más tendências que não se possa vencer. Aí vai! Atenção! O magnetismo, o magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura. Ele, o magnetismo, cura e produz esses fenômenos estranhos que outrora eram qualificados de milagres.

Eu repito, a fé é humana e divina. Se todos os encarnados estivessem bem persuadidos da força que têm em si, se quisessem colocar sua vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que até o presente chamou-se de prodígios e que não é, senão, um desenvolvimento das faculdades humanas. Um minuto de silêncio. Ah, mas esse espírito está aí, esse espírito, Kardec, obras póstumas, no item, está no início das obras póstumas, chamado Fotografia do Pensamento e Telegrafia Espiritual. E, agora, agora, eu só vou ler isso aqui para falar do Pentecostes, do Espírito de Deus invadindo a Terra e as pessoas profetizando, tendo sonhos, despertando suas faculdades.

O fluido perespiritual é imponderável, como a luz, a eletricidade e o calórico. No estado normal, é invisível para nós, revelando-se apenas através dos seus efeitos. Torna-se, porém, visível para aqueles em estado de sonambulismo lúcido e mesmo no estado de vigília para as pessoas dotadas de dupla vista, o clarividente. Ele consegue ver o fluido perespiritual. Vamos lá. No estado de emissão, quando eu estou emitindo o fluido perespiritual, apresenta-se na forma de feixes luminosos, bastante semelhantes à luz elétrica difundida no vácuo.

Aliás, é isso que se limita sua analogia com este último fluido, visto que não produz, pelo menos ostensivamente, nenhum dos fenômenos físicos que conhecemos. O fluido perespiritual não produz fenômenos físicos que nós conhecemos, é isso que ele está dizendo, pelo menos ostensivamente. No estado ordinário, apresenta tonalidades diversas, conforme os indivíduos dos quais emana. Ora vermelho fraco, centros, chacas mais baixas, ora azulado ou acinzentado, como ligeira bruma, na maior parte das vezes espalha sobre os corpos circunjacentes.

Ou seja, eu já espalhei meu fluido aqui nos livros, nessa mesa, na gravata. Se chegar alguém com sensibilidade aqui, bom, estou pulando. Mais ou menos acentuados. Os relatos dos sonâmbulos dos videntes são idênticos sobre esta questão. Teremos ainda a ocasião de tratar disso quando falarmos das qualidades, falamos das qualidades que se imprimem ao fluido, qualidades que se imprimem ao fluido perespiritual. Conforme o motivo que o põe em movimento, desejo, o querer, o sentimento, o pensamento do Espírito. E conforme o adiantamento do indivíduo que o emite, nenhum corpo lhe constitui obstáculo, penetra-os e atravessa-os a todos.

Até agora não se conhece nenhum que seja capaz de o isolar. Apenas a vontade pode ampliar-lhe ou restringir-lhe a ação. Olha a fé aí, vontade de querer e certeza de que vai se realizar. Ela, com efeito, é o seu mais poderoso princípio. A vontade é o mais poderoso princípio que movimenta o fluido perespiritual. Pela vontade a imagem dirige-se em seus reflúvios através do espaço. Acumula-se por seu intermédio sobre um determinado ponto, deles saturam-se certos objetos ou, então, é retirado dos lugares onde é abundante.

Digamos, de passagem, que é nesse princípio que se funda a força magnética. Parece, enfim, ser o veículo da visão psíquica. Como o fluido luminoso é o da visão ordinária, porque a gente só enxerga porque tem luz, só se enxerga espiritualmente porque tem fluido perespiritual. Agora, aqui que vem o interessante. O fluido cósmico, embora emane de uma fonte universal, que fonte? Deus. Matéria cósmica, onde a forma se acaba e principia. Fonte máter dos conhecimentos. Alguns usagens. O fluido cósmico, embora emane de uma fonte universal, individualiza-se, por assim dizer, em cada ser.

E adquire propriedades características que permitem distingui-lo de todos os outros. Então, o fluido cósmico individualizou na Sheila de uma forma única. O fluido perespiritual dela, na verdade, é a manipulação do espírito dela de um pedacinho de fluido cósmico que ela captou. Então, bonito, Sheila. Bonito. Você está conectada a Deus. O seu fluido perespiritual, que é o veículo em que você emana todas as suas faculdades psíquicas, é feita em matéria cósmica, que é o fluido de Deus. Nem mesmo a morte apaga esses caracteres de individualização, que persistem ainda por longos anos após a cessação da vida, conforme podemos verificar.

Você pega uma roupa, um livro de três séculos e está lá o fluido perespiritual da criatura que manipulou aquele livro. Cada um de nós tem, pois, o seu fluido próprio que o envolve e o segue em todos os seus movimentos, como a atmosfera acompanha a cada planeta. É muito variável a extensão da irradiação dessas atmosferas individuais. Então, a Cláudia tem uma atmosfera que é dela. Então, a Gisela, eu, o Tião, cada um tem a sua atmosfera. É muito variável. Estando o Espírito em estado de repouso absoluto, essa irradiação pode ficar circunscrita a alguns passos de distância, mas sob o domínio da vontade pode atingir distâncias infinitas.

A vontade parece dilatar o fluido, assim como o calor dilata os gases. As diferentes atmosferas individuais encontram-se, entrecruzam-se, misturam-se, misturam-se, sem jamais se confundirem. Exatamente como as ondas sonoras que permanecem distintas, malgrado a infinidade de sons que simultaneamente agitam o ar. Pode-se, portanto, dizer que cada indivíduo é centro de uma onda fluídica, cuja extensão está na razão da força e da vontade, fé. Assim como cada ponto vibratório é centro de uma onda sonora, cuja extensão está na razão da força e da vibração.

A vontade é a causa propulsora do fluido, como o choque é a causa da vibração do ar e propulsora das ondas sonoras. Vontade, querer, certeza de que vai se realizar, a expansão da nossa atmosfera perispiritual, que é feita de fluido cósmico. Então, nada mais, nada menos do que nós agindo em Deus e Deus agindo em nós. Semana que vem a gente fala mais de Pentecostes. A montanha pegou fogo pra valer, de verdade.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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