#018 – Estudo do Velho Testamento – Livro Levítico

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento, conduzido por Haroldo Dutra Dias, mergulhamos no Livro de Levítico, explorando a profundidade da Páscoa judaica e suas conexões com a história da salvação. O estudo se aprofunda na interpretação do Êxodo 12:42, revelando as “quatro noites” da tradição judaica e seu significado para a compreensão da jornada espiritual da humanidade.

O que é estudado neste episódio

  • As Festas Judaicas: Uma discussão sobre as sete festas bíblicas principais e as festas adicionais criadas pela comunidade judaica ao longo do tempo, destacando a distinção entre as de base bíblica e as de reforço de identidade cultural.
  • O Targum e suas Interpretações: A importância do Targum, as traduções aramaicas do Velho Testamento com acréscimos interpretativos, como ferramenta para compreender as bases do cristianismo nascente e as tradições que os apóstolos e evangelistas conheciam.
  • Êxodo 12:42 e as Quatro Noites: Análise detalhada do versículo de Êxodo que descreve a noite da Páscoa como uma vigília do Senhor. O Targum expande essa “noite” em quatro, cada uma com um significado profundo:
    • Primeira Noite: A Noite da Criação: A interpretação de que a criação do mundo ocorreu à noite, simbolizando a transição do caos para a ordem, da escuridão para a luz.
    • Segunda Noite: A Noite da Aliança com Abraão e o Sacrifício de Isaque: A noite em que Deus fez a aliança com Abraão e o episódio da Akedá (amarração de Isaque), onde um cordeiro é sacrificado em lugar de Isaque, prefigurando o “Cordeiro de Deus”.
    • Terceira Noite: A Noite da Páscoa (Êxodo): A libertação do povo hebreu da escravidão do Egito, simbolizando a saída da estreiteza e da escuridão para a luz da Terra Prometida.
    • Quarta Noite: A Noite Messiânica: A visão do futuro, quando o Messias virá para libertar o mundo do mal e da impiedade, inaugurando uma nova era de regeneração e purificação da Terra.
  • Simbolismo da Noite e a Jornada da Luz: A interpretação de que todas as “quatro noites” representam um movimento de saída das trevas para a luz, do caos para a ordem, da desarmonia para a harmonia.
  • A Nova Criação e o Cristo Interior: A conexão entre a regeneração do mundo e a “nova criatura” em Cristo, que representa o homem livre, consciente e cocriador em Deus, em contraste com o “primeiro Adão” suscetível e desordenado.
  • A Páscoa como Celebração da Libertação: A compreensão de que a Páscoa não é apenas a rememoração de um fato histórico, mas a celebração da esperança da libertação do mundo e da regeneração, onde o amor vence o mal.
  • Deus como Salvador e Pastor: A análise dos atributos de Deus no Velho Testamento como Salvador (libertador da escravidão), Pastor (guia), Senhor e Pai (aquele que cuida e educa), e como Jesus exerce essas funções por delegação divina.

Reflexões

  • A tradição judaica, através do Targum, oferece uma rica tapeçaria de interpretações que conectam a criação, a aliança, o êxodo e a era messiânica, mostrando a unidade do plano divino de redenção.
  • A Páscoa, em sua essência, simboliza a jornada da humanidade da escravidão e da ignorância para a liberdade, o conhecimento e a harmonia com a lei divina, um processo de constante regeneração.
  • A figura do “Cordeiro de Deus”, presente desde o sacrifício de Isaque e culminando em Jesus, representa o sacrifício necessário para a libertação da humanidade da escravidão do mal e a instauração da nova aliança.

Ler transcrição do episódio

Boa noite pra todos! Nós temos aqui dois recadinhos. Eu queria mandar um abraço para o Valmir, de Saboeiro, Ceará, A história do Valmir é interessante. Toda a família do Valmir é evangélica, protestante, e o único espírita é o Valmir. E, toda quinta, eles se reúnem para assistir o Levítico, a família toda. Então, um abraço na família do Valmir, na esposa, nos filhos, nos pais, para dizer para a gente que é uma honra nós estarmos aqui reunidos em nome de Jesus para aprender sobre a palavra divina. Temos certeza que os laços que nos unem são muito, muito superiores aos laços, àqueles elementos que nos afastam, que criam divergência.

Jesus é o nosso guia e modelo e todos nós aqui estamos no esforço de seguir os passos do Cristo e adequar a nossa vida aos ensinamentos dEle. Então, muito obrigado por vocês, pela presença, por acompanharem o Levítico e orem por nós, por todos nós aqui do Grupo, especialmente por nós que estamos conduzindo aqui a reflexão. E, queria mandar um abraço também para o Marco Gandra, mandar um abraço para o Marco Gandra do Portal Saber. O Marco, amigo querido, ele mandou um e-mail perguntando sobre as festas judaicas. Ele tinha feito uma pesquisa e apareceu muito mais do que sete, apareceu umas treze festas, e aí gerou aquela dúvida se são sete, se são mais.

Mas, no próprio e-mail do Marco, ele um pouco apontou a resposta. Na verdade, nós temos as chamadas festas do período bíblico, que são as festas principais e, depois, festas que foram sendo criadas ao longo do tempo pela comunidade judaica. Então, a festa de Ranucá, a festa pela destruição do templo e uma série de outras festas que têm apoio em eventos que não são eventos do período bíblico do Velho Testamento. São festas que têm sua base, sua razão de ser em acontecimentos que não são estes que estão ali no momento em que o Levítico é redigido.

E, mesmo para a comunidade judaica, embora haja essa quantidade de festas que foram criadas, destruição do templo de Jerusalém, do jejum, da Ranucá e etc., eles sabem que, do ponto de vista bíblico, há um núcleo, que são as sete festas. Na verdade, as três principais festas, que é Páscoa, Pentecostes, semanas, né, e a festa das cabanas, a festa das tendas. Essas, na verdade, são as principais festas, as três, porque a tradição do povo hebreu pedia que todo homem, todo varão, se deslocasse em peregrinação a Jerusalém nessas três festas.

E, as outras quatro que se somam às três para completar sete, elas estão, na verdade, ligadas a uma das três. Então, por exemplo, festa dos Pães Ázimos, e festa das Premissas, está ligada a Páscoa, porque é logo em seguida. Você faz a Páscoa e já logo começa os sete dias de Pães Ázimos. Você pega a última festa de Tenda, por exemplo, ela coroa a festa de Rocha Xanáquia, do Ano Novo, e a festa das Trombetas. Então, Yom Kippur, está tudo ligado ali, coroando com a festa das Tendas. Mas, é como se nós tivéssemos, assim, três sóis e quatro planetas girando em torno destes três sóis.

E, depois, outros planetas foram sendo acrescentados a outras festas. É até bom se dizer isso, sem nenhuma crítica. Muitas festas foram criadas pela comunidade judaica muito depois do cristianismo, porque o cristianismo, a comunidade cristã, ela se apropriou destas festas e ela deu um significado muito cristão a estas festas. Por esta razão, a comunidade judaica acabou criando outras festas, só delas, como, por exemplo, no Natal, eles comemoram o Hanukkah, comemora a destruição do templo. Então, são festas muito típicas que dizem respeito mais a um reforço de identidade étnica e cultural do que, propriamente, a uma base bíblica mesmo.

É mais para diferenciar a comunidade judaica da comunidade cristã. Isto é muito comum, não é? Muitas práticas foram colocadas no judaísmo, não no sentido de ampliar o que já estava no judaísmo, mas no sentido de diferenciar a comunidade judaica da comunidade cristã. Porque a comunidade cristã tem, também, como base o Velho Testamento. Então, a gente tem que ficar atento a isto para perceber isto, não é? É incrível também porque, mesmo os pesquisadores judeus, eles têm uma profunda busca das tradições remotas, não é?

Porque as tradições, hoje, atuais do judaísmo não são, necessariamente, as tradições da época de Jesus. Ou de épocas anteriores a Jesus. Muitas destas tradições, na sua integralidade, elas se perderam e foram se alterando. Até porque eles tinham um templo, não é? A presença do templo ali, a ida ao templo, tudo o que acontecia no templo fazia com que houvesse uma centralidade no judaísmo que, depois que o templo é destruído, o judaísmo precisa encontrar outras formas de centralidade, ele precisa procurar outros pontos de união da comunidade que estava dispersa.

E, aí, por exemplo, a sinagoga ganha uma força, as casas de estudo ganham uma dimensão que, por exemplo, o templo tinha na época de Jesus. Então, a gente tem que estar atento a isto, não é? Mas, marco um abraço e nós vamos dar sequência, hoje, àquela reflexão que a gente estava fazendo sobre a Páscoa. Só que, hoje, a gente preparou uma coisa boa, uma surpresa. E, a surpresa está nesta obra aqui do Roger Ledo, que está em francês, chama Lanoui Pascal, A Noite Pascal, A Noite da Páscoa. É… O Roger Ledo é um grande especialista em Targum.

O que é Targum? Na época de Jesus, por conta do povo hebreu ter ficado muito tempo na Babilônia, entre os persas, sob a exposição da língua aramaica, quando o povo volta para Jerusalém, volta para Israel, para a terra de Israel, ali da Palestina, a maior parte do povo não fala mais hebraico. O hebraico não é mais uma língua da rua, do dia a dia. O hebraico era uma língua utilizada para o culto. Para a gente ter uma ideia disso, basta lembrar a Igreja Católica, há 200 anos atrás. A missa era celebrada em latim, o culto era todo em latim, as pessoas saíam da igreja e falavam a sua língua.

Se ela estivesse na França, ela falava francês, se estivesse na Itália, ela falava italiano, mas a missa era celebrada em latim. Na época de Jesus, também, o culto era em hebraico e as pessoas falavam na rua aramaico, com todas as variações de dialeto. Então, quem morava em Jerusalém, o dialeto era um pouquinho diferente, quem morava na Galileia… Essa história de paulista, nordestino, mineiro, os sotaques, os dialetos, que a língua é algo vivo. Então, o que eles fizeram? A pessoa ia para o culto, na escola de estudo, ou na sinagoga, ou no templo, como é que ela entendia?

Então, você tinha um tradutor que fazia a tradução simultânea para o aramaico. Mas, o tradutor, ele explicava, ele traduzia e dava uma explicada também, porque muitos termos, muitos elementos do Velho Testamento se perderam, as tradições se perderam, não estavam escritas. Então, aquele tradutor simultâneo, ele recuperava essa tradição de interpretação, que era viva nas escolas de interpretação bíblica e trazia para o Targum. Quando, mais tarde, essas traduções foram escritas, porque durante muito tempo elas ficaram, assim, na oralidade, ficaram na cultura mesmo, na cultura oral.

Quando eles resolveram escrever isso em textos, reescreveram o texto do Velho Testamento, praticamente todo em aramaico, com esses acréscimos. Então, eu hoje vou ler um versículo aqui de Êxodo, Êxodo 12, versículo 42, que fala da noite, da Páscoa, e vou trazer a tradução do Targum, porque ela acrescenta umas coisas, assim, muito interessantes, muito interessantes. Alguém pode se perguntar, mas qual a utilidade aí do Targum, o que ele está trazendo de novo? Sabe aquela história de cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo?

Este é meu sangue, bebei todos vós, sangue da nova aliança, este é meu corpo, fazei isso em minha memória. Todas essas coisas são, são às vezes difíceis da gente entender, não é? Como que a gente conecta, como que os autores ali do cristianismo nascente, João, Mateus, Marcos, Lucas, Paulo, de onde eles tiraram isso? Essas ideias surgiram de onde? Qual que é a base disso? Será que eles criaram isso do zero ou será que eles estavam dando continuidade a uma tradição? Evidentemente, trazendo elementos novos, mas dando uma continuidade, ampliando um material que já existia.

E é o que nós vamos ver no Targum, porque este Targum aqui é um Targum, Neofite, o nome dele, ele tem uma tradição muito antiga, ele contém uma tradição que é muito antiga. Ele fala de coisas que com certeza os evangelistas, os apóstolos conheciam. São histórias, interpretações que as pessoas conheciam, porque elas ouviam isso no tempo, na sinagoga, durante a festa. Então, vamos lá. Qual que é o versículo? Êxodo 12, 42, diz assim, assim como o Senhor passou em vigília, sem dormir, em vigília, acordado, aquela noite para tirar do Egito os israelitas, estes também devem passar em vigília essa mesma noite para honrar o Senhor por todas as suas gerações.

Então, aqui está falando sobre o êxodo. O episódio passado, o nosso estudo passado do Levítico, nós comentamos aqui sobre a Páscoa. Pessar, que era a morte dos primogênitos do Egito e que o anjo da morte pulou as casas em que estavam com uma maca do sangue do cordeiro. Pular em hebraico, Pessar, a festa do salto, do pulo, as casas que foram puladas, que foram poupadas. Então, a Páscoa, ela celebra a libertação do povo do Egito. O êxodo, saíram da escravidão no Egito em direção à terra prometida, à promessa. Então, libertação e promessa.

Essas são as palavras-chave do êxodo. E a Páscoa, ela simboliza isso. A função do cordeiro é o cordeiro é o que padece no lugar de quem é libertado. Essa é a ideia. Não estou falando de Jesus ainda, não. Vamos voltar. O que é o cordeirinho? O cordeirinho, ele é sacrificado, por quê? Porque lá no Egito, o filho mais velho de cada casa israelita só não morreu, porque um cordeirinho morreu e o sangue dele foi colocado na porta. Esse é o simbolismo. Não é? Aquele cordeirinho que morreu em sacrifício ficou no lugar do Primogênito da família israelita.

E os egípcios, como não tinham essa tradição, não cumpriram esse mandamento, aí, no caso, o filho mais velho da casa, cada casa egípcia, o filho mais velho morreu, padeceu. Essa é a história. Mas, hoje, eu queria chamar a atenção para uma coisa aqui interessante. Foi de noite, foi de noite e o texto diz mais, poético, vamos levar isso literalmente, desde que Deus ficou em vigília, passou a noite acordado. É claro, não é, gente? O texto não está dizendo que Deus dorme, acorda, não é isso, né? Vigília no sentido de, imagina assim, uma mãe, um pai, que fica ali a noite acordado.

O que isso está dizendo? Do cuidado de Deus. Ele passou em vigília. Ele ficou ali acordado até libertar o povo, conduzindo-o para o êxodo. Isso é muito importante. Isso é o que está dizendo aqui. Aí, vem o Targum. O que o Targum fala? O que ele traduz? Ele traduz um versículo e faz virar quatro. Esse tradutor é bom. Quando foram traduzidos do hebraico para o aramaico, há uma noite, que é a noite do êxodo, a noite da Páscoa, virou quatro noites. Então, ele diz assim, ele diz que, com efeito, isso já é o Targum, quatro noites estão inscritas no livro do memorial.

A primeira noite foi aquela que… vou falar. Antes, deixa eu voltar nesse livro do memorial. Eu vou evitar citações aqui para não ficar enfadonho. O povo hebreu acreditava que, no mundo espiritual, no mundo divino, há um livro onde todas as boas ações são inscritas. E o nome de todas as pessoas que operam no bem, os eleitos, também está escrito. É o chamado livro da vida, que João faz referência lá no Apocalipse. Ou livro do memorial. Por que eu estou citando isso aqui? Isso está no Targum, mas está também em outros textos da tradição judaica a existência desse livro memorial.

E é curioso que, quando Jesus vai celebrar a Páscoa, ele diz assim, fazer isso em minha memória. Fala de novo de memória. Aí, ele diz assim, a primeira noite do mundo foi a noite da criação. Hum? Alguém aqui sabia que o mundo foi criado de noite? Laura, pode falar. Sabia? Foi criado de noite? Não? Sabe como é que eles concluíram isso? O Targum diz assim, havia trevas. Olha o que Gênesis fala. Havia trevas. Sobre a face do abismo. E o Espírito de Deus pairava sobre as águas. E disse Deus, haja luz. Então, estava escuro.

É divertido, né? Não é bom? Eu estou falando isso aqui pelo seguinte, aqui, quando a gente entra em Targum, em interpretação, é lúdico porque a interpretação aqui não é pesada, ela é gostosa, é boa. Então, você interpreta com leveza. Para quê? Para você conectar as coisas. Se você estiver fazendo uma interpretação pesada, você não consegue conectar. Então, a primeira noite foi a da criação. Tanto que diz assim, e foi a tarde e amanhã dia primeiro. Foi a tarde e amanhã dia segundo. Porque o dia hebraico começa às 18 horas.

Começa o dia de noite. A criação foi de noite. A noite da criação, todo mundo já deve estar assim, vamos, noite da criação, a Páscoa foi? O êxodo foi? De noite. Não foi de noite? Deus não ficou em vigília, não é o que está falando, o êxodo, 12, 42? Deus ficou em vigília e o anjo da morte passou de noite, pulou a casa dos hebreus e entrou na casa dos egípcios e morreram todos os primogênitos. Não é isso? E durante aquela noite, eles celebraram a Páscoa, comeram um pão sem fermento, que é pão rápido, pão que não dá tempo, apressado, erva amarga, para saber como é doloroso ser escravo.

E o cordeiro sacrificado, por quê? O cordeiro morreu no lugar do filho mais velho. Esses são os elementos da Páscoa. Criação, Páscoa, está relacionado. Primeira relação entre a criação e a Páscoa, o êxodo. Quando eu falo Páscoa, eu estou falando êxodo, mar vermelho se abrindo, tudo aquilo, tá? É todo o evento, né? Nós vamos comentar mais. Segunda noite. Segunda noite foi quando Deus se manifestou a Abraão e a Sara e quando Isaac foi atado para ser sacrificado. Todo mundo lembra disso? Por que que eles falam que foi de noite?

Porque o texto diz assim, que os céus desceram e os olhos de Isaac se turvaram quando desce o cordeiro que vai substituir Isaac. Segunda noite. Qual que é o nome disso aqui? Chama-se aquedá de Isaac. Aquedá é se amarrar, a atadura, atadura no sentido de amarrar, de prender. Todo mundo lembra dessa história, né? Abraão chama seu filho Isaac e diz pra ele, filho, nós vamos ter que sair para fazer um sacrifício a Deus. E oferecer um sacrifício a Deus. Vamos, pai. O que é que nós vamos sacrificar? Calma, filho, lá você vai saber.

Subiram no monte e quando chegou lá, quem ia ser sacrificado? O Isaac. O Isaac. Aí, o Isaac é atado quando Abraão ergue o cutelo, né, a lâmina pra sacrificar. Deus diz, não, não, não. Não faça isso. E, aí, o que acontece? Desce um cordeiro. Gente, isso é antes do êxodo, hein? Desce um cordeiro atado pelo chifre. Por quê? Abraão liberta Isaac e sacrifica o cordeiro no lugar de Isaac. Mas, então, pela primeira vez, aqui é a primeira vez mesmo, pela primeira vez, um cordeiro de Deus, que foi ele que ofereceu, foi sacrificado no lugar de Isaac.

Mas, o bonito dessa história e ela é importante para o povo hebreu é a disposição de Isaac de se deixar sacrificar, né? A entrega de Isaac, o desprendimento de Isaac, de ir para o sacrifício. Então, a aquedade de Isaac simboliza o espírito de renúncia, o espírito de sacrifício, o espírito de doação. Mas, não seria Isaac, um cordeiro entraria no lugar. E, quando que aconteceu isso? De noite. Aqui, é claro que a interpretação dá uma forçadinha, que fala que os olhos de Isaac se turvaram e ele não enxergou, então era de noite.

É a segunda noite. A primeira noite foi a noite da criação e a segunda noite tem a ver com Abraão. Por quê? Quando eu falo segunda noite, não é só o sacrifício, porque Deus também fez o pacto da aliança à noite. Todo mundo lembra? Deus chega para Abraão e fala – Abraão, podes contar as estrelas do céu? Eu vou contar as estrelas do céu de noite. Quando promete que Isaac vai nascer? De noite. Quando a aquedade de Isaac? À noite. Então, toda essa história de Abraão, aliança, noite. Então, essa segunda noite, aqui eu já estou avançando um pouquinho, ela tem a ver com a aliança, a aliança com o povo hebreu, a aliança com Abraão, o sacrifício de Isaac é noite.

Então, nós temos criação, aliança. Comentamos isso, não é? Daquele fio central da Bíblia? Criação, noite da criação. Aliança com Abraão, foi a aliança feita com Abraão, a principal, porque é onde nasce o povo hebreu, não é? Noite também. Terceira noite, não, essa é tranquila, é a noite da Páscoa. Então, vocês estão vendo que o Targum pegou o capítulo 12, versículo 42 de Êxodo, que está falando da noite da Páscoa, e colocou duas antes e uma depois. Então, a terceira noite é a noite da Páscoa. Nós já sabemos porquê. Deus ficou em vigília, etc, etc.

E, a quarta noite? A quarta noite, todos os jugos de ferro serão retirados das gerações. Olha só! E, a impiedade será retirada do mundo. Nessa noite, vai marchar Moisés, mais um outro, aí o texto está incompleto, ele não fala. Está Moisés e mais alguém marchando e, no meio dos dois, a palavra de Deus, o Messias. Então, a quarta noite é a noite do Messias. É o êxodo da Terra. O mundo vindouro, a purificação da Terra, a regeneração da Terra. É a noite messiânica. Olha que interessante! E, isso é o que eles tinham. Isso é a tradição.

Agora, imaginem os cristãos vivendo a experiência de Jesus, sendo sacrificado na Páscoa, a noite, a ressurreição no amanhecer. Que associação fizeram? Essa. Conectaram essas tradições. Ok, aqui nós vimos o texto. Alguém tem alguma dúvida sobre as quatro noites? E, tem a noite do Levítico, que é a quinta, não está brincando? Isso é piada, gente, é piada. Por que a noite? Tem uma simbologia da noite? Isso, então, é interessante isso, não é, Tião? Porque todas essas quatro eventos, eles estão sugerindo um movimento de saída das trevas para a luz.

Então, nós saímos das trevas do caos para a luz da criação, que é a ordem. Isso é bonito. Porque a criação, Deus não só fez criar coisas. As águas, por exemplo, não fala quanto que Ele criou. Né? O capítulo 1 de Gênesis fala que Deus ordenou a água, Ele separou a água de cima e a água de baixo, mas não fala quanto que a água foi criada. O abismo com o caos também não fala. Então, muito da criação é ordem. Porque tudo que é luz, tudo que é divino, é ordem, harmonia. Ordem no sentido de cada coisa no seu lugar, tudo cumprindo a sua função, tudo num movimento perfeito de equilíbrio.

Movimento, porque ordem não é estática, né? É um movimento de equilíbrio e de luz. Isso é ordem. Criação é ordem. Saiu do caos para a ordem. É importante a gente entender também que na época que o livro de Gênesis foi escrito, os mitos, as tradições dos povos vizinhos falavam de deuses que criaram o mundo a partir do caos. Por exemplo, a partir do mar do caos, que é o Tiamat. Aquele mito do Tiamat, que está lá na caverna do dragão. O Tiamat é o caos primordial, de onde o Deus criador faz emergir a ordem. Então, é interessante isso.

Quer dizer, a criação é um ato de caminhar da desordem para a ordem, da desarmonia para a harmonia, da treva para a luz. Aí, vamos para a segunda noite, a aliança. O que é a aliança de Deus com o povo hebreu? O povo hebreu é o filho mais velho, é o primogênito entre as nações e Deus está separando esse povo para tirá-lo das trevas para a luz da aliança. Porque, na aliança, Deus vai dar a sua lei. Ele vai revelar a Torá, vai revelar a lei divina. E, a lei divina é a ordem. Terceira noite, a noite da Páscoa. Você sai da escravidão do Egito, da estreiteza do Egito, da escuridão do Egito para a luz da Terra Prometida.

E, a noite messiânica? Eu saio das trevas do mundo dominado pelo mal, pela impiedade, para o mundo vindouro, que é um mundo messiânico, onde reina o amor, a harmonia, a ordem. Então, movimento do caos para a ordem, da noite para o dia. E, no Evangelho de Lucas, por exemplo, Jesus é comparado à estrela da aurora. A aurora, o dia, o novo dia. Jesus é comparado a esse novo dia da humanidade. O Emmanuel usa isso muito. Lindo, não é? O alvorecer de um novo dia, alvorada cristã. Olha o título do livro, do Neolúcio. Alvorada cristã.

A caminho da luz. Isso mesmo. É esse movimento rumo ao mundo regenerado. O mundo em que o amor venceu o mal, a desordem, o caos, o ódio, etc, etc, etc. Interessante, não é? E, tem uma coisa bonita, eu já li esse texto aqui nos outros do Levítico. Há uma mensagem de Paulo na última parte do Livro dos Espíritos, Esperanças e Consolações, que é uma mensagem que Paulo vai falar sobre culpa. Culpa, culpado, castigo, inferno, céu, etc. E, ele começa essa mensagem dizendo assim, gravitar para a unidade divina, tal é o propósito da humanidade.

Olha que interessante. Três coisas para atingir esse fim, três coisas são necessárias. Conhecimento, amor e justiça. Três coisas lhe são contrárias, ignorância, ódio e injustiça. Quando a gente estuda André Luiz, Emmanuel, e isso está muito forte na homeopatia, a homeopatia, embora eu não tenha conhecimentos sobre isso, tenho conhecimentos muito singelos, muito simples sobre a homeopatia. Mas, um grande teórico que se seguiu a Hahnemann, e o próprio Hahnemann fala isso, mas o Tyler Kent fala muito sobre isso, que o ser humano só adoece porque ele abandona o correto pensar, o correto sentir e o correto agir.

Pensar de modo correto é o que o Paulo vai chamar de conhecimento, que era a missão da Grécia. Sentir de modo correto é o amor, que é quando o nosso sentimento está integrado com Deus, com o amor divino e com a lei divina, missão de Israel. A missão religiosa é uma missão de educação do sentimento, coube a Israel. E, o correto agir é a justiça, porque o correto agir é dar a cada qual o que lhe pertence, respeitar o limite do outro e fazer ao outro somente aquilo que nós gostaríamos que o outro nos fizesse. Esse é o correto agir, é a ação justa.

Toda vez que a gente sai do conhecimento da sabedoria, que é o correto pensar, do correto sentir e do correto agir, nós nos tornamos frágeis, suscetíveis a adoecer. E, para a homeopatia, essa suscetibilidade, quando você não está pensando, não está sentindo e não está agindo da maneira correta, você se torna frágil, suscetível e, então, os agentes exteriores encontram campo para perturbarem a ordem orgânica do seu corpo ou a ordem do seu campo mental, a ordem da sua aura, do seu campo espiritual, etc. E, aí, nós adoecemos.

Você tem um vírus, mil e quinhentas pessoas estão expostas a esse vírus, mas só quinhentas adoecem. A medicina, ela estuda muito, muito, a medicina tradicional, ela estuda muito os agentes externos, os agentes que concretizam a doença, que invadem o nosso cosmos orgânico e que trazem a doença. Mas, a medicina tradicional não estuda a suscetibilidade, porque que duas pessoas expostas ao mesmo vírus, uma não adoece. Por exemplo, tem gente agora que está morrendo com 95 anos e tem AIDS. Ele é soropositivo e nunca manifestou a doença.

E o vírus está lá. Então, a suscetibilidade vem dessa desordem. E, aqui, o texto, dê uma viajada aí, né, para trazer. Está falando disso. Da saída do caos, da desordem, para a luz, para a ordem. O que que é importante nisso, da gente entender? A tradição da primeira revelação, isso é bom para nós cristãos, para cristãos, e é bom para nós cristãos espíritas, cristãos católicos, cristãos ortodoxos, cristãos evangélicos, protestantes, e para nós cristãos espíritas. Isso é muito importante. Na tradição da primeira revelação, a criação está ligada com a aliança, com o êxodo e com a regeneração do mundo.

Está tudo ligado. Está tudo ligado. Regenerar o mundo é uma nova criação. Já falamos isso aqui também, né, da nova criação. Eles enxergavam a era messiânica, a função do Messias, como uma nova criação, inclusive, com desdobramentos incríveis, né, como, por exemplo, a ressurreição. Não há a ver mais morte. Eu não vou ficar nisso não, tá? Só para lançar a sementinha. Só para lançar a sementinha. Porque o Hahnemann chega a dizer isso, né? Nós morremos por causa da suscetibilidade, por causa dessa doença primária que nós temos.

O dia que nós tirarmos isso, não precisa morrer mais. Não morre mais. Mas, vamos guardar isso. Voltemos. A nova criação, a regeneração, é o mundo sendo refeito em uma nova criatura. Uma nova criatura. Por quê? Porque o primeiro Adão, e agora pau, vamos lá para o Novo Testamento. O primeiro Adão, o homem alma vivente, ele é um homem suscetível, frágil, desordenado. É um homem que está mergulhado no caos, escravizado. O segundo Adão é um homem livre, espírito que gera vida. Não é? Não é? Eu estou lembrando o Sr. Honório aqui, Janain.

O capitão da onda mental do Sr. Honório. O Sr. Honório adorava esse texto. Os olhos dele até brilhavam quando ele falava disso. Porque ele dizia assim, a nova criatura que nós estamos gestando, que é o nosso Cristo interior, ele é um ser que evolui conscientemente. Ele faz uma evolução consciente. Se ele faz uma evolução consciente, ele tem poder cocriador em Deus. Porque, já, a doença é querer criar fora de Deus. O nosso problema é querer criar circunstâncias, relações, é querer agir fora da lei divina e fora do amor de Deus.

Por isso que nós somos frágeis, porque nós nos afastamos de Deus. Quando nós reconectamos com Deus e nos tornamos nova criatura em Cristo, em Jesus, porque Jesus é o modelo e ele é o modelo do segundo Adão, da nova criatura, a nova humanidade começou com o Cristo. Então, quando a gente se conecta com esse modelo, eu passo a cocriar, a evoluir conscientemente. Então, eu deixo de ser um joguete de forças e de circunstâncias e eu passo a, Seu Honório adorava, direcionar o meu próprio destino, assumir as rédeas do meu destino.

Palavras eras. Tá aí, né? Tá? Ele adorava. Mas, de fato, é, né? De fato, é, né? Quando a gente faz essa conexão, por que que é importante? Porque a Páscoa celebra libertação. Nós não podemos ser ingênuos, nós não podemos ser ingênuos de imaginar que quando o povo hebreu acende a vela, coloca o cordeiro na mesa, come o pão, celebra a libertação do Egito, que ele está simplesmente rememorando um fato histórico ocorrido há milênios. Não. Não simplesmente. A vela que se acende na Páscoa é um símbolo da chama da esperança da libertação do mundo.

Então, o que se celebra na Páscoa é a regeneração do mundo. Estamos todos ansiando um mundo em que não haja maldade. Não estamos? É, mais um tiquinho. Começa próximo, né? Estamos ansiando por esse mundo, que é o mundo vindouro cantado por Isaías, por exemplo, em que o cordeiro vai se deitar ao lado do leão. No sentido de que o mais forte não vai jamais prejudicar o mais frágil. Porque o problema nosso hoje é Quando nos dá poder. Se nós temos mais poder, nós usamos para massacrar o mais frágil. Aí, a gente vem frágil para experimentar ser massacrado, né?

E fica nessa experiência que não precisava, né? É o que está lá no livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta, por exemplo, sobre o homem e a mulher, né? Os Espíritos respondem do ponto de vista físico, né? A compreensão do homem é mais forte, da mulher mais frágil. E aí, os Espíritos deixam claro porque a compreensão física do homem ser mais forte é porque ele tem a função de proteger, de cuidar, não de sobrepujar, de maltratar. Essa harmonia, um mundo em que todos pensam em sintonia com Deus e o que é que Deus, e aí o que diz Paulo?

Qual que é o contrário desse correto pensar? É a ignorância. A ignorância é no sentido de ignorar, né? Eu ignoro a lei divina. Eu não quero conhecer a lei divina. Eu não quero conhecer o universo infinito que Deus me colocou à disposição. Inclusive, há criaturas que fazem discursos a favor da ignorância, como se fosse um mal conhecer. Aprender é uma dádiva divina. Aprender é uma bênção. É o correto pensar. Aí vem o correto sentir, que é o amor, né? Que é o amor. E depois o correto agir, que é a justiça. Agir de modo correto.

Ou seja, com equilíbrio. Equilíbrio. Equilíbrio pra mim e equilíbrio pro outro. Tem que estar equilibrado. A Páscoa faz, ela une todas essas coisas, as quatro noites. Por isso, retomando agora, fica mais claro, né? Porque que a gente falou de não dá pra separar a criação da aliança do êxodo e do mundo vindouro. Mas, eu queria comentar uma coisinha agora pra gente encerrar essa parte. Na tradição do povo hebreu, o êxodo é, sim, é Deus em vigília mesmo. Porque não houve período na história do povo hebreu em que tantos milagres aconteceram como no êxodo.

No êxodo, todas as tragas vieram sobre o Egito. O mar vermelho se abriu, o pão desceu do céu, a rocha jorrou água, não é? A nuvem acompanhou o povo pelo deserto. Então, nunca Deus se manifestou tantas bençãos como no êxodo. Olha que interessante! Em compensação, nunca o povo foi tão testado quanto no êxodo. Porque qual que era o teste? O teste era vocês realmente confiam em mim? Vocês vão se entregar? E a dúvida já começou na saída, né? Eles ficaram com dúvida o tempo todo, né? Quando o mar se abriu, quando o pão caiu, quando a água brotou, a todo momento eles estavam inseguros.

Será que dá pra confiar mesmo em Deus? Plenamente? Será que dá pra se entregar mesmo? Plenamente? Mesmo com as provas? Mesmo com as provas, quer dizer, o momento que Deus está mais dando prova, e é o momento que eles testam e que eles falham, né? Todos os testes, eles tomam recuperação. Todos. Todos. Não tem um que passou. Todos, todos tomaram recuperação. Então, isso, isso nos faz pensar num outro aspecto da noite. Por que noite do êxodo? Por que noite se enxerga menos? A questão é Deus está menos presente ou a nossa percepção está mais limitada?

Essa é a questão. Então, aqui, tem uma metáfora profunda, porque Egito, em hebraico, é Mitzrayim. Mitzrayim vem da raiz, significa estreito, apertado, limitado. Então, qual é a escravidão do Espírito? Ele estar limitado na sua percepção por quê? Por conta dele mesmo, dele mesmo. Então, a gente percebe, olha que interessante, a gente vai na obra de André Luiz, eles vão fazer ações socorristas no umbral. Então, tem lá a pessoa que está, tem nós também encarnados, não estamos enxergando quem está no umbral. Quem está no umbral começa a enxergar o bem feitor que vai ajudá-lo, porque o bem feitor dá meio que uma materializada.

Mas, acima daquele bem feitor que está se materializando para ajudar no umbral, às vezes tem entidades que não estão sendo vistas nem pelo que está se ocorrendo no umbral. Não é isso? Não tem isso lá em André Luiz? Não tem? Os níveis? São níveis. Então, o encarnado não está percebendo nada. O do umbral já está numa situação melhor. Por isso que eu falo que eu estou feliz no umbral. Porque o do umbral já vê o encarnado e vê uma dimensão espiritual. Está melhor. Então, o que está fazendo? Essa ficou ruim, não é? Isso é que é falácia, não é mesmo?

Essa não ficou boa, não é? Gente, essa propaganda é enganosa, não ficou boa, o umbral não está com nada, não é? O umbral não está com nada. Então, quem está se ocorrendo no umbral, ele percebe o umbral, a esfera encarnada. Mas, não espere, ele não percebe esferas acima. Ou seja, será que o problema é de presença ou de percepção? Estreiteza. A libertação do Espírito, ela é uma ampliação da sua conexão com Deus, com a criação e com Ele mesmo. O êxodo é, antes de mais nada, uma libertação de si mesmo. Por isso, Paulo diz, já não sou eu quem vive, é o Cristo que vive em mim.

Ele já estava no estado estado de comunhão com o Cristo. E que aí eu não sei explicar, porque eu não sei como é que funciona. O dia que eu chegar lá, eu conto. Então, isso aqui tem a ver com isso. Por isso que o êxodo, Deus, isso é importante a gente… Deus, no Velho Testamento, na tradição do povo hebreu, é chamado de O Salvador. É importante a gente falar isso porque essa palavra Salvador, salvar, salvação, ela foi utilizada de uma maneira muito imprópria, eu diria muito simplória. A salvação foi barateada. Olha, os sentidos mais antigos da expressão salvar é libertar da escravidão.

Deus é salvador por quê? Porque libertou da escravidão do Egito. Deus é salvador por quê? Vai libertar o mundo da escravidão do mal. Porque o mundo está escravo do mal. Por isso que Deus é salvador. Deus é também pastor. Por que pastor? Porque Ele guia. Ele é Senhor, Ele é Pai. Por quê? Porque Ele tratou o povo hebreu como filho. Ele fala assim, meu filho Israel, meu filho primogênito, filho mais velho, meu filho. Então, as nações são filhos. Interessante, não é? Ele é Pai. Pai por quê? Porque Ele cuida, Ele dê o alimento, Ele conduz, Ele protege, Ele liberta, Ele educa.

E, quando vem Jesus, Ele exerce essas funções divinas por delegação. O que Ele diz assim? Isso no Evangelho de João tem muito. Meu Pai me confiou. A obra que meu Pai me confiou, meu Pai me determinou o que fizesse, a minha comida fazia a vontade do meu Pai, meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho. Aquela história que nós lemos lá de segundo Samuel, do Filho de Deus que ia construir um templo, está lá no episódio não sei qual, tem que consultar, que fala disso tudo, do Filho. Então, Jesus vem exercendo em nome do Criador essas funções de salvar, que é libertar da escravidão, conduzir, por isso que Ele é guia, servir de modelo para que a gente seja a imagem e semelhança de Deus, porque Ele é a imagem e semelhança de Deus, né, e aí vai tudo se conectando na Páscoa.

Então, olha como que esse tema é complexo. Por isso que quando Jesus diz assim, porque Ele é o Cordeiro de Deus, Ele é o Cordeiro, para que o mundo saia da escravidão, um Cordeiro tem que ser imolado. Aí, eu estou falando isso tudo na metáfora bonita, no simbolismo. Então, lá no Isaac, porque o Isaac é o símbolo do povo hebreu, da primeira revelação. Isaac foi poupado, mas Deus ofereceu um Cordeiro. E o que o Novo Testamento vai dizer? Esse Cordeiro que Deus ofereceu é Jesus. Ele é o Cordeiro de Deus, que tira o mundo da escravidão.

E aí Ele diz, esse é o sangue da nova aliança. Olha como é que Páscoa, aliança, criação, está tudo ligado. Está tudo ligado. Esses temas estão todos ligados. Você puxou um fio e vem tudo. Vem tudo. E agora a gente está percebendo. Então, quando a gente for ler lá a Páscoa no Evangelho, lembrar dessas quatro noites, lembrar de todos esses eventos, como que eles todos estão conectados. E a ideia é de que, ora, se Deus criou o mundo, Ele não pode exercer o seu poder de criador para regenerar o mundo? Ele criou. Ele é o criador onipotente.

Ele não pode criar de novo, não pode regenerar, não pode libertar, salvar. Essa é a Páscoa. Alguém quer falar alguma coisa? Todo mundo calado, se ninguém interferiu, acabou. Alguém quer falar alguma coisa? Então, agora, só nos resta dizer a caminho da luz. Quem vai fazer a prece? Vai, Cláudio?

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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