Neste estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Gênesis, explorando passagens do capítulo 3 e avançando para o capítulo 4. O foco principal recai sobre a interpretação da frase “E viu Deus que a luz era boa e fez separação entre a luz e as trevas”, do Gênesis, capítulo 1, versículos 4 e 5.
O que é estudado neste episódio
- A separação entre luz e trevas: Haroldo Dutra Dias propõe uma leitura não literal da separação física entre luz e escuridão, mas sim uma interpretação que a relaciona com o processo de evolução espiritual. Ele argumenta que, assim como o Gênesis descreve a criação exterior, ele também simboliza a criação e o desenvolvimento interior do Espírito.
- A lei única e a ordem universal: A partir da observação dos ciclos naturais, como os lunares, e da harmonia dos corpos celestes, os antigos sábios perceberam a existência de uma lei única que rege tanto o universo quanto a vida humana. Essa percepção leva à compreensão de que a aparente desordem na vida é apenas superficial, existindo uma ordem subjacente.
- Discernimento e evolução espiritual: A separação entre luz e trevas é apresentada como um elemento crucial na evolução espiritual, que exige discernimento. A capacidade de distinguir o bem do mal é fundamental, e, no início dos processos evolutivos, essa distinção pode ser difícil, amadurecendo com o tempo e a experiência.
- A relatividade do bem e do mal: O estudo aborda a questão se o bem e o mal são relativos ou se nossa percepção deles é que é relativa. Baseando-se na doutrina espírita, Haroldo Dutra Dias afirma que o bem e o mal são determinados por Deus, sendo o bem tudo o que decorre da lei divina, e o mal, o que se opõe a ela. A experiência é um elemento fundamental para o Espírito adquirir discernimento.
- O Livro dos Espíritos e a jornada evolutiva: São analisadas questões do Livro dos Espíritos, como a 120, 121, 122 e 913, que tratam da passagem do Espírito da ignorância ao conhecimento, do livre-arbítrio, da origem do mal e do egoísmo como vício radical. A discussão enfatiza que os Espíritos são criados simples e ignorantes, e que o livre-arbítrio se desenvolve com a consciência de si.
- Determinismo, livre-arbítrio e as determinações divinas: A questão 132 do Livro dos Espíritos sobre o objetivo da encarnação é explorada, destacando que Deus impõe a encarnação para a perfeição do Espírito. Em seguida, a questão 132 do livro “O Consolador” de Emmanuel é analisada, revelando a coexistência de determinismo e livre-arbítrio, e a supremacia das determinações divinas, baseadas na lei do amor.
- A ação de Deus na evolução: Haroldo Dutra Dias ressalta que Deus age constantemente em nós, impulsionando a evolução. A ideia de que a evolução é construída apenas por nós é questionada, mostrando que interagimos com as leis divinas e que a vontade de Deus é um guia amoroso e sábio.
- A responsabilidade e o discernimento: A mensagem 179 do livro “Palavras de Vida Eterna” é utilizada para enfatizar a importância de discernir e corrigir o mal, especialmente para aqueles que possuem responsabilidade. A fraternidade e a compaixão são destacadas como guias para auxiliar o próximo, reconhecendo que, se podemos identificar as necessidades alheias, é porque já podemos auxiliar.
Reflexões
- A evolução espiritual não é um processo solitário, mas uma interação constante com as leis divinas e a ação de Deus em nós, que nos impulsiona ao bem.
- O discernimento entre o bem e o mal é um processo gradual, que se aprimora com a experiência e a busca pela sintonia com a vontade divina.
- O egoísmo é a raiz de todos os males, e a verdadeira liberdade reside em alinhar o livre-arbítrio com a sabedoria e o amor de Deus.
Ler transcrição do episódio
Dando sequência ao nosso estudo, hoje, nós continuamos no versículo um pouquinho do capítulo 3, mas, já avançando para o capítulo 4. No versículo 4, do capítulo 1 de Gênesis, diz assim E viu Deus que a luz era boa e fez separação entre a luz e as trevas. Aí, no capítulo 5, chamou Deus a luz dia e as trevas noite, ouve tarde manhã o primeiro dia. Hoje, nós vamos estudar um pouquinho esta parte do E fez separação entre a luz e as trevas naturalmente sem focar no aspecto físico do versículo, separação de luz, de escuridão, porque isto é tão claro, tão evidente que não demanda nem explicação.
A narrativa de um abismo e a gente sabe que toda a criação no cosmos começa com uma estrela explodindo e gerando uma luz imensa e aquilo iluminando o ambiente e, se não fossem estes corpos celestes, o universo seria uma grande escuridão, ao menos aos nossos olhos mortais, que a gente sabe de uma luz espiritual envolvendo toda a criação. Mas, aqui, a gente gostaria de trazer isto para um ambiente interior, porque, ao mesmo tempo que o Livro de Gênesis trata da criação física, ele trata, também, do processo de evolução do Espírito.
Tudo o que acontece fora acontece dentro. É a mesma lei que rege os processos exteriores e os processos interiores. É uma lei só, porque Deus é um. Há um só legislador. Há uma unidade de planos, como os Espíritos dizem no Livro dos Espíritos, uma unidade de vistas, uma unidade de plano e uma unidade de governo. Os sábios da Antiguidade já tinham percebido isto. Como que eles perceberam isto? Um fenômeno muito singelo, por exemplo, no Egito, na Mesopotâmia. Se olhava para o céu, um movimento harmônico e altamente matemático, preciso dos corpos celestes e, a partir daquilo, eles começavam a observar fenômenos na vida cotidiana deles.
Então, uma coisa que se percebe, assim, quem lida com a agricultura, quem está mais em contato com a natureza, é como que os processos naturais são regidos pelo ciclo lunar. Tanto que as civilizações antigas, Mesopotâmia e Egito, tinham calendários lunares. O próprio povo hebreu tem um calendário que é lunar. E, a gente sabe disso. Quem planta, colhe, cuida de animal, o cio dos animais, até para a procriação, como que isto está ligado ao ciclo lunar. E, também, não podemos deixar de mencionar o próprio ciclo menstrual da mulher.
Ele segue também um ciclo lunar. Ao observar que havia uma correspondência entre o que está em cima e o que está embaixo, começou-se a perceber que a lei é única. Para o céu, se dizia conforme em cima, assim, embaixo. O aparente desordem, o aparente caos que a gente observa na vida é aparente. Há uma ordem, há um ciclo. E, por isso, é importante a gente voltar para este processo interior da evolução espiritual. Um grande elemento, um decisivo elemento na evolução espiritual é a separação da treva e da luz. E, separar – é interessante isto – para separar a alma, você tem que distinguir.
Eu não consigo separar se eu não distinguir. Distinguir é discernimento. A palavra discernir é saber separar, saber as características de um elemento do outro elemento para poder separar. A gente vê isto, por exemplo, na parábola do trigo e do joio. Quando o trigo e o joio estão muito novos, você não consegue distinguir um do outro. Então, eu não consigo dizer o que é joio e o que é trigo, porque é idêntico. Só depois que eles crescem, que eles vão frutificando, que o processo vai amadurecendo, aí, eles se diferenciam.
E, aí, você consegue separar um do outro. Esta, aliás, é a lição da parábola toda. O senhor da parábola diz que não arranca agora, porque você vai arrancar a joia junto e não é capaz de discernir. E, a evolução também apresenta este desafio. Qual é o desafio? Discernir o que é treva e o que é luz. E, no início dos processos, às vezes, é difícil. Você não consegue saber o que é treva e o que é luz. Precisa deixar que o processo amadureça, que as coisas se desenvolvam para que fique claro. O que é luz e o que é treva.
E, aí, começa a obra do discernimento. Então, a ideia central é esta, que a gente quer trabalhar hoje. Nós só temos alguns textos, aqui, para aclararem esta questão para a gente, que é muito importante. É uma questão tão importante, porque ela tem a ver com o bem e o mal. O que é bem e o que é mal? O bem e o mal são relativos? Ou, a nossa percepção do bem e do mal é que é relativa? Porque, se quem legisla, se quem governa a criação é Deus, Deus é absoluto. Então, o que os Espíritos vão dizer, aqui, é o que é bem está determinado por Deus e o que é mal já está estabelecido em contraposição.
O que não é bem é o mal. E, o que é bem é tudo aquilo que decorre da lei divina, que é eterna, imutável e perfeita. Então, isto é importantíssimo, porque a gente escapa de uma areia movediça da filosofia, que é o relativismo. O relativismo. Bom, mas, a nossa percepção é a mesma de Deus? Não é. Nós não temos a consciência divina e nós, ainda, não estamos integrados em comunhão com a consciência divina. Por não estarmos, ainda, em comunhão com Deus, nem sempre nós conseguimos discernir. E, ao não discernir bem o que é bem e o que é mal, surge um elemento fundamental, que é o elemento que perpassa por toda a evolução, que é a experiência.
A experiência, a experiência evolutiva. Falar de discernimento, falar de luz e treva, falar de bem e mal, não é sempre falar de experiência. Como que se dá o processo da experiência do Espírito ao longo da sua jornada evolutiva? Nós trouxemos alguns textos, aqui, para refletir sobre isso. O primeiro deles é o Livro dos Espíritos. Há algumas questõezinhas que nós queríamos abordar. Questão 120. Todos os Espíritos passam pela fieira – fieira é o caminho, não é? – do mal para chegar ao bem? Uma pergunta interessantíssima.
Interessantíssima. Todos os Espíritos passam pela fieira do mal para chegar ao bem? Os Espíritos respondem que, pela fieira do mal, não, mas pela fieira da ignorância. Distinguem-se. Os Espíritos são criados, sempre, em ignorância. E, como que eles saem da ignorância para a experiência, para o conhecimento, se eles não precisam passar pela fieira do mal? Esta é a grande questão. Eu preciso praticar o mal para me tornar experiente? Questão 121. Por que é que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o caminho do mal?
Os Espíritos respondem que não tem eles o livre-arbítrio. Deus não os criou maus, criou-os simples e ignorantes, isto é, tendo tanta pedidão para o bem quanto para o mal. Os que são maus, assim se tornaram por vontade própria. Aí, o Kardec vai longe. Como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm consciência de si mesmos, gozar da liberdade de escolha entre o bem e o mal? Há neles algum princípio, qualquer tendência que os encaminhe para uma senda de preferência à outra? Pergunta inteligente. Ele começa a escolher sempre, desde o início?
Tem algum elemento interior nele que o leva ao bem? Aí, os Espíritos respondem que o livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo. Então, quando ele não tem consciência de si mesmo, ele não tem livre-arbítrio. Aqui, o que os Espíritos estão trabalhando? Há algo que a gente precisa refletir, o determinismo. Nos reinos – nós vamos ver um texto de Emmanuel que vai falar sobre isto – nos reinos inferiores da criação e, mesmo nos seres humanos que não têm consciência de si, eles agem e vivem no puro determinismo.
De fato, eles não escolhem. Foi bacana, porque a Aíla falou muito sobre isto no encontro da semana passada. A gente acha que tem liberdade, mas, na verdade, não tem liberdade. Você está determinado. Uma criatura que só faz aquilo que ela deseja, que só segue o desejo dela, não é livre. É um escravo. Eu lembro de um programa – até comentei sobre isto – da GNT que era um pessoal de São Paulo e de outros lugares que fundaram um grupo de pessoas que o lembra era o seguinte de que você faz tudo o que você quiser. Tudo o que você quiser, você faz.
Você não pode ter nenhum tipo de não, não existe não. Essa era a filosofia. E, aí, começou a mostrar-se algumas coisas da vida deles, algumas coisas bem engraçadas que eu não vou nem comentar aqui. Mas, o interessante foi que passou o Dzhikovat, aquele psicólogo, psiquiatra, para fazer um comentário. Aí, o Dzhikovat perguntou o que ele achava desse estilo de vida. Ele respondeu que todos são escravos e todos revelam uma psicologia infantil, porque você fazer tudo o que você quer é ser criança. Então, isso revela uma infantilidade psicológica, porque faz parte do amadurecimento psicológico você se impor limites.
Isso é típico do amadurecimento. Não há amadurecimento, não há escolha na vida sem limites, sem responsabilidade, sem deveres, sem disciplinas. E, ele dizia que, evidentemente, nós não estamos falando disso aí de um extremo para o outro. Criar uma vida tão asoberbada de deveres e disciplinas que não tem espaço para o lúdico, que não tem espaço para a espontaneidade. Não é isso. Ele está dizendo que, se eu faço tudo o que eu desejo, vai ser realizado. Isso é uma psicologia infantil. Não é assim que se processa. É interessante o que os Espíritos estão dizendo no início da evolução.
As leis funcionam no esquema de livre-arbítrio. Então, você fica perguntando – para ser bem singelo – será que a abelha tem opção? Não tem, não é? Há um conjunto de elementos psíquicos e elementos exteriores na vida da abelha que ela é abelha. A formiga não é formiga. A formiga não é formiga. É impressionante isso, porque, nesses reinos, tinha um senhor lá na Paraíba que era um especialista, um criador de formiga. Ele era especialista em formiga. Na sério mesmo. Então, o Zé Otávio e uma turma foram lá visitar o senhor da formiga para ver se ela era especialista.
Então, foram para o formigueiro. E, aí, o senhor começou a explicar que a sociedade das formigas era altamente organizada. Altamente organizada. Então, ele dizia que ia chegar no formigueiro e introduzir um perigo aqui, como se ele fosse um intruso. As formigas, que são as guerreiras, as protetoras, iriam vir. E, aí, começou a mexer rapidinho e vieram as formigas. Agora, vão colocar um alimento. As formigas, que são as operárias do desalimento, irão vir. Era uma coisa impressionante. Evidentemente, ninguém está imaginando aqui que as formigas têm um parlamento, que elas votam, elegem, fazem uma reunião de síndico, um estatuto, elegem.
E, aí, ele diz que não tem isso. Mas, operam na lei divina, a vontade divina, que organiza e vive aquilo como natureza. Ela vive aquilo em uma experiência total de ordem. Até viram o Livro do Arbítrio, porque, quando vem o Livro do Arbítrio, ela vai ter que ou seguir ou questionar, ou deixar-se mover ou se opor. É o que está aqui. Já não haveria liberdade, desde que a escolha fosse determinada por uma causa independente da vontade do Espírito. Então, ele precisa ter consciência para que ele tenha o Livro do Arbítrio.
A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. É o que se contém na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original. Uns cederam a tentação, outros resistiram. Então, há, sim, uma força para nos tirar da sintonia com a lei divina, para testar se, agora, de posse do Livro do Arbítrio, nós estamos agindo em conformidade com a lei porque nós queremos ou por acomodação. Porque, agora, com o Livro do Arbítrio, tem que ser uma adesão – Aí vem a letra A – de onde vem as influências que sobre ele se exercem?
Dos Espíritos imperfeitos que procuram apoderar-se dEle, dominá-lo e que rejubilam com o fazê-lo sucumbir. Foi isto que se tentou simbolizar na figura de Satanás, do adversário. Tal influência só se exerce sobre o Espírito em sua origem acompanha-o na sua vida de Espírito até que haja conseguido tanto império sobre si mesmo que os maus desistem de obsidiá-lo. Por esta questão nº 122, a gente conclui que quem está obsidiado é todos nós, porque você só deixa de ter uma influência espiritual negativa quando você adquire o total autodomínio.
Este total autodomínio está simbolizado na passagem da tentação de Jesus. Jesus revela absoluto autodomínio e, aí, a entidade se afasta. O Sr. Honório gostava disto. É como você pegar uma bolinha de Tênis e tentar derrubar um muro de um quilômetro de concreto. Você vai perder o seu tempo. Você vai ficar jogando a bolinha e o muro não vai acontecer nada com ele. Ele é tão resistente que aquela influência fica pueril, uma influência frágil. É interessante. Nós temos uma grande questão para a gente ir do livro dos Espíritos para outra parte, que é esta aqui.
Olha! Que interessante! Nossa! Fantástico! Este é fantástico! Aqui, eu achei uma questão que é a do 913. Dentre os vícios, qual você pode considerar o radical? Os Espíritos respondem. Temos o dito muitas vezes, o egoísmo. Daí, deriva todo o mal. Estudai todos os vícios, todos, e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhe deis combate, não chegareis a extirpá-lo, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade.
Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades. E, aqui, quando eles vão falar da virtude, a 895, postos de lado os defeitos e os vícios, acercas dos quais ninguém se pode equivocar, vamos tirar defeito e vício, qual o sinal mais característico da imperfeição? Eu olho para o espírito imperfeito, mas, aí, eu tiro os vícios e os defeitos.
O que é que fica que é um sinal característico da imperfeição? Eu não responderia nada. Mas, se eu tirar os defeitos e os vícios, não é estranho? A pergunta do Kardec é que todo mundo vê vício, imperfeição e defeito. Isso aí é fácil, eu olho para alguém e vejo que ele tem um vício e você tem um defeito. Mas, tirando isso, aquilo que é a raiz da imperfeição moral que altera o nosso discernimento, porque aqui que está a questão, tem a ver com o egoísmo. É o que alimenta o egoísmo. Vai ficar, mais ou menos, subentendido, isso.
É interessante, já que nós estamos falando que é preciso discernir o bem do mal. Vai ter um critério. Os Espíritos respondem o interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Você vê aquela camadinha. Então, é uma camada de virtude. Pode um homem possuir qualidades reais que levem o mundo a considerá-lo um homem de bem, mas, essas qualidades, com o quanto assinalhem um progresso, nem sempre suportam certas provas. E, às vezes, basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique descoberto.
Daí, a pessoa se revela. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos os admiram como se fosse um fenômeno. E, quando se sente que está perdendo demais, a gente fecha de novo. Tem medo. Acalou. Agora, vem uma coisa que a gente sente que, às vezes, nos nossos estudos do livro dos Espíritos, nos estudos de Espiritismo, a gente aborda pouco este tema. Apesar de que a gente tem visto muito este tema, e agora está vindo à tona. A Hila já veio aqui e falou sobre isto. Várias pessoas estão começando a falar, a própria série psicológica da Joana, que é Deus age dentro de nós, Deus possui um espaço dentro de nós, um lugar dentro de nós onde Ele se comunica, onde Ele age, onde Ele interage, que é o aspecto da evolução dirigida.
É interessante isto. Criou-se uma crença no movimento espírita de que a evolução é feita por nós. Eu construo a evolução. E, não é bem assim. Por que não? Por quê? Eu crio as leis do universo? Não. Então, as regras do jogo não sou eu quem as crio. Só isto já traz uma limitação. Não sou eu quem determina a evolução. Eu não construo a evolução. Eu interajo com as leis divinas. Como a Hila disse na semana passada, foi muito interessante. Até mesmo o ateísmo é uma resposta a Deus. Você pode gastar toda a sua energia se opondo a Ele, mas, se você deixar de interagir com Ele, ninguém se opõe a algo que não existe.
Então, eu vou gastar a minha energia. Eu posso gastar muita energia e muito tempo resistindo à lei divina, retartando a marcha do progresso e resistindo a uma força interior que me impulsiona, que é Deus, agindo em mim. Eu posso resistir a isto indefinidamente. Mas, não sofrer esta ação, não existe esta opção. Deus está agindo. Onde é que revela isto? Na questão 132. Olha o que a questão 132 fala. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos? Aqui, está falando de reencarnação, de encarnação. A questão é por que a gente não fica só no mundo espiritual evoluindo por lá?
Qual é a necessidade de a gente entrar em um útero e assumir um corpo de carne? Esta é a pergunta. Qual é o objetivo de encarnar? Os Espíritos respondem Deus lhes impõe a encarnação. Não está falando que Deus convida a criatura a encarnar, Deus propõe, chama, não. Impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é expiação, para outros, missão. Mas, para alcançar esta perfeição, eles têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal. Isto é interessante por quê? Há vicissitudes da existência corporal que independem de você ter débito ou ter crédito.
Você pode ser um Espírito que não tem nenhum débito com a lei. Se você encarnar, você vai ter que desencarnar. Eu vou desencarnar porque eu tenho débito. Mesmo que você não tivesse, mesmo que você não tenha débito, você vai desencarnar. Por exemplo, envelhecer é uma vicissitude da existência corporal. Não tem jeito. Envelhecer eu sou um Espírito que tem pouco débito. Eu vou permanecer assim com vinte anos até desencarnar. A questão de envelhecer é que ela implica em um desgaste. Há um desgaste natural do corpo que vai ser sofrido por todo Espírito que encarnar.
Esta é uma vicissitude da vida corporal. E, tem várias outras. Entrar na fila, crescer, esquecer, diminuir o perispírito para caber em um útero, passar pela experiência do útero, nascer. São vicissitudes. Visa, ainda, outro fim à encarnação, o de colocar o Espírito em condições de suportar a parte que ele toca na obra da criação. Para executá-la, é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento de harmonia com a matéria deste mundo, a fim de cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.
Então, ele nasce com uma tarefa. Esta tarefa é dada a ele. Mais atrás, quando os Espíritos estão falando da progressão dos Espíritos, eles dizem que Deus dá-lhes tarefas e, se ele cumpre estas tarefas, ele vai mais rápido. Se ele não cumpre, ele atrasa a sua jornada evolutiva e, aí, fica mais lento. Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão. A cada um. Todos nós temos missão, que é um conjunto de atividades propostas por Deus, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si.
Então, o objetivo é conhecer a verdade e aproximá-la de si. Por isso que você não precisa passar pela fieira do mal. Porque, se você recebe a missão que Deus te deu e a executa, você entra no conhecimento da verdade e se aproxima de Deus. Esta é a ideia. Os Espíritos continuam nesta perfeição que eles encontram a pura e eterna felicidade, a perfeição de estar próximo de Deus. Passando pelas provas que Deus lhes impõe, é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Passando pelas provas. Uns aceitam o submisso destas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinalada.
Outros só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade. Interessantíssimo! O Kardec está dizendo que alguns são com crianças dóceis e outros são com crianças rebeldes. Os Espíritos falam que a comparação é boa. A criança rebelde se conserve ignorante e imperfeita. Seu aproveitamento depende da sua maior ou menor docilidade. Mas, a vida do homem tem termo, ao passo que a dos Espíritos se prolonga. Ao infinito. Esta é a diferença. Então, aqui, nós vemos a direção da evolução.
Independente, por isso que os Espíritos separam muito prova de expiação. A expiação, o Emmanuel define bem, é após o crime cometido, um crime de lesar a lei divina, você vem para refazer, restaurar, reequilibrar esta expiação. Mas, tirando isto, tem a prova que é tarefas que nos são dadas pelo Criador, visando eliminar a nossa ignorância e nos aproximar dele, que nós podemos aceitar ou não, podemos cumprir ou não. E, são provas, porque são testes no desempenho daquela atividade. Você vai passar por vicissitudes, por dificuldades, você vai cometer alguns erros, mas, se você se mantém fiel à tarefa, você prossegue.
Era este ponto que eu queria destacar, que ele é muito, muito, muito importante. Alguém quer comentar alguma coisa sobre isto? Agora, eu vou pegar o consolador. Agora, tem uma coisa, aqui, maravilhosa, uma complicação, uma complicação maravilhosa. Um capítulo chamado Experiência, questão 131 do livro Consolador. Perguntam para Emmanuel como adquire experiência o Espírito encarnado. Aí, Emmanuel responde a luta e o trabalho são tão imprescindíveis ao aperfeiçoamento do Espírito como o pão material é indispensável à manutenção do corpo físico.
É trabalhando e lutando, sofrendo e aprendendo que a alma adquire as experiências necessárias na sua marcha para a perfeição. É interessante que ele não falou é errando. Trabalhando e lutando, sofrendo e aprendendo. Você conecta com a questão do livro do Espírito que eu acabei de ler, que é a 115, recebe a tarefa, recebe as provas e trabalha, porque tem que executar aquilo, vai ter as lutas dele, vai ter os sofrimentos, as tentações, as dificuldades, as vicissitudes e, aí, ele vai adquirir a experiência. Aí, perguntam para Emmanuel, a 132, há o determinismo e o livre-arbítrio, ao mesmo tempo, na existência humana?
O Emmanuel está querendo perguntar para Emmanuel o seguinte – pega a vida de qualquer um de nós, nós temos livre-arbítrio em tudo? Esta é a pergunta. Ou, é tudo determinado? Não temos livre-arbítrio em nenhum? O determinismo e o livre-arbítrio convivem? A resposta do Emmanuel é surpreendente, porque ele vai dizer, assim, não são só estas duas coisas, são três. Ele vai dizer, assim, em toda a vida do ser humano, tem o livre-arbítrio, tem uma parte que é determinismo e tem uma terceira coisa. Que coisa é esta? Que terceira coisa é esta?
E, ele ainda vai dizer mais, esta terceira coisa rege o livre-arbítrio e o determinismo. O livre-arbítrio e o determinismo estão subordinados a esta terceira coisa. Aí, é interessante. Por que eu deixei para ler isto, agora, depois de ler a questão do Livro dos Espíritos? As duas questões, a 115 e a outra, da encarnação, o objetivo da encarnação. Quando fala que Deus coloca uma tarefa e o que a gente ouviu semana passada é que Deus age dentro de nós, existe uma força atuando para além do nosso livre-arbítrio e para além do determinismo.
Vamos lá, vamos com calma. Emmanuel responde, determinismo e Livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos para a elevação e a redenção dos homens. O objetivo é elevar e redimir. Então, eles coexistem nos destinos. O primeiro, o determinismo, ele é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas. Mineral, absoluto. O determinismo é absoluto. Vai saindo mineral para o vegetal, para o animal e ele vai diminuindo. O livre-arbítrio vai crescendo, vai criando. E, o segundo, o livre-arbítrio amplia-se com os valores da educação e da experiência.
Quanto mais educado o Espírito, quanto mais experiente, mais livre-arbítrio ele tem. Acresce observar que sobre ambos pairam as determinações divinas, baseadas na lei do amor, sagrada e única, da qual a profecia foi sempre o mais eloquente testemunho. Não verificais, atualmente, as realizações previstas pelos emissários do Senhor há dois e quatro milênios, no divino simbolismo das Escrituras? Estabelecida a verdade de que o homem é livre na pauta de sua educação e de seus méritos, na lei das provas, cumpre-nos reconhecer que o próprio homem, à medida que se torna responsável, organiza o determinismo da sua existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-se definitivamente aos planos superiores do Universo.
O Espírito decide ingerir uma substância tóxica, suicida. Ele exerceu o livre-arbítrio, escolheu o suicídio, lesou a região do chacra, laríngeo e tecidos perispirituais. O que ele criou? Um determinismo. Por isso que ele diz aqui que o próprio homem, à medida que se torna responsável, eu não posso dizer que o homem das cavernas, que não tem consciência, ainda não tem responsabilidade, pode ser responsabilizado por todos os atos dele, não é assim que funciona, porque nem sempre ele age com consciência do que ele está fazendo.
Mas, o homem responsável organiza o determinismo da sua existência, ou seja, este determinismo que o Emmanuel está dizendo aqui vem de nós, porque o Universo é um tabuleiro de xadrez. Você é livre para mover as peças, mas, uma vez movida, está movida. Se você mexeu a peça, você alterou o jogo, alterou o tabuleiro. E, agora? Agora, aí vem a interpretação radical. Não! Causa e efeito, carma. Plantou limão, vai colher todo o limão e ter que chupar todo ele. E, os Espíritos olhando, você chupar aquela lavoura de limão.
Só que, aí, o que ele está dizendo? Sobre este determinismo, pairam as determinações divinas, baseadas na lei do amor, sagrada e única. Aí, o amor atua. Mas, eu acho tão bonito isto que é sobre ambos. O amor divino paira sobre o nosso livre-arbítrio. É aqui que eu acho uma coisa bonita, porque Deus interage conosco e nos convence a agir de um modo diferente. É aqui que eu acho mais interessante isto tudo. Por quê? Eu não sou capaz de discernir com perfeição o bem do mal, mas, se eu aceito a ação de Deus em mim, eu, simplesmente, agora, tenho um consultor.
Porque, as empresas têm consultoria, não é? Está com dificuldade de contratar um consultor, paga-cara e vem um consultor jurídico, contábil, dizendo que está aqui um planejamento e que me ajudou. Nós, também, podemos ter um consultor. E, interessante, ele tem sabedoria absoluta. E, diferentemente dos outros consultores, ele nos ama infinitamente. Então, aí vem todo o trabalho, quando a gente vê Tereza de Ávila, o trabalho de fazer a conexão com Deus, entrar em conexão com Deus, ouvir Deus dentro de você, no sentido de buscar esta consultoria.
Isto é que é importante, porque, muitas vezes, a gente interpreta – vou fazer a vontade de Deus, vou entrar em comunhão com Deus – como se você fosse um escravo, que disse que aceita a sua vontade, que não pode fazer nada. É como se a gente estivesse lastimando o fato de seguir a vontade de Deus. O que Emmanuel está querendo dizer aqui é o seguinte, é associar o seu livre-arbítrio à soberana vontade infinitamente sábia e amorosa de Deus. É um grande uso do livre-arbítrio. É uma mensagem até do Abba, que é lindo, o Abba termina a mensagem deles, dizendo que agora são escravos por vontade própria, deste novo Senhor, que me ensinou que as algemas mais pesadas, as mais fortes são as algemas da ilusão.
É aquilo que a gente comentou, você acha que está escolhendo, mas, na verdade, você não está escolhendo, você está sendo determinado. A Hila comentou muito isto, não há, de fato, escolha. Você está sendo determinado. Este é um ponto muito bonito. E, sobre o determinismo, tem uma página do Emmanuel que é muito linda também, ele vai dizer assim que uma das coisas que a gente precisa afastar da nossa mente é a ideia de que as expiações, os resgates são inflexíveis, não possam ser alterados, eles podem. Tudo pode ser alterado, tudo pode ser remanejado.
E, aí, ele termina dizendo que Deus pode regenerar, alterar, mudar a qualquer momento que nós estamos mergulhados na vida dEle. Imaginando essa sabedoria de Deus, o poder de Deus, se Ele não muda mesmo, e a gente tem a impressão que é uma coisa em linha contínua, mas, no fundo, Ele está sempre alterando, renovando as oportunidades, Ele está sempre ali cuidando, dando um direcionamento, explorando, e a gente, como vive na ilusão, tem a impressão de que Ele não está presente, desde que os méritos sejam nossos, desde que a gente sinta que está indo certo.
Deus é Deus. Agora, é interessante a questão 134, porque essa que eu li é a 132. A 134 é interessante. Eu acho que quem fez essas perguntas, o grupo que fez, que era o Clóvis Tavares, o Arnaldo, eu acho que o Arnaldo não tinha chegado ainda, mas era o Clóvis Tavares, uma turma, Martins Peralve, uma turma que sabia fazer perguntas. Perguntaram para ele como pode o homem agravar ou amenizar o determinismo de sua vida? O Emmanuel disse que você pode agravar ou amenizar o determinismo. Como? Como é que isso pode acontecer?
Aí, o Emmanuel responde a determinação divina na sagrada lei universal é sempre a do bem e da felicidade para todas as criaturas, para todas. Agora, se entra o meu interesse pessoal e o meu egoísmo, aí eu desequilibro o jogo. No lar humano, não vês um pai amoroso e ativo com um largo programa de trabalhos para a aventura dos filhos? Programa de trabalho? Então, Emmanuel está recuperando aqui a questão do Livro dos Espíritos que nós lemos, que Deus te dá uma missão para você, através das provas, das vicissitudes, vencer.
É como hoje a Cláudia pegou o João lá e pôs para fazer para cá. Deu um programa de trabalhos para ele. Para a aventura dele. E, cada filho, cessado o esforço da educação na infância, na preparação para a vida, não deveria ser um colaborador fiel da generosa providência paterna pelo bem de toda a comunidade familiar? A gente não deveria agir no bem de todos? Entretanto, a maioria dos pais humanos deixa a Terra sem ser compreendida, apesar de todo o esforço despendido na educação dos filhos. Olha que interessante! Nesta imagem muito frágil, em comparação com a paternidade divina, temos um símile da situação.
O Espírito que, de algum modo, já armazenou certos valores educativos é convocado para este ou aquele trabalho de responsabilidade junto de outros seres, em provação rude ou em busca de conhecimentos para a aquisição da liberdade. Este trabalho deve ser levado a efeito na linha reta do bem, de modo que este filho seja o bom cooperador de seu Pai Supremo, que é Deus. O administrador de uma instituição, o chefe de uma oficina, o escritor de um livro, o mestre de uma escola têm sua parcela de independência para colaborar na obra divina e devem retribuir a confiança espiritual que lhes foi deferida.
Os que se educam e conquistam direitos naturais, inerentes à personalidade, deixam de obedecer de modo absoluto, no determinismo da evolução, porquanto estarão ápidos a cooperar no serviço das ordenações, podendo criar as circunstâncias para a marcha ascensional de seus subordinados ou irmãos em humanidade no mecanismo de responsabilidade da consciência esclarecida. Neste trabalho de ordenar com Deus, o filho necessita considerar o zelo e o amor paternos, a fim de não desviar sua tarefa do caminho reto, supondo-se senhor arbitrário das situações, complicando a vida da família humana e adquirindo determinados compromissos, por vezes bastante penosos, porque, contrariamente ao propósito dos pais, há filhos que desbaratam os talentos colocados em suas mãos na preguiça, no egoísmo, na vaidade e no orgulho.
Daí, a necessidade de concluirmos com a Apologia da Humanidade, salientando que o homem que atingiu certa parcela de liberdade está retribuindo a confiança do Senhor, sempre que age com a sua vontade misericordiosa e sábia, reconhecendo que o seu esforço individual vale muito, não por ele, mas pelo amor de Deus que o protege e o ilumina na edificação de sua obra imortal. Ele pegou a liberdade e colocou a serviço da vontade divina e, aí, a esfera de determinação dele de poder vai só se ampliando. Interessantíssimo isto!
E, para a gente encerrar, para a gente encerrar a mensagem 179, do livro Palavras de Vida Eterna, porque é isto que a gente vai se deparar, sobretudo, com quem tem responsabilidade. Quem adquire discernimento, muitas vezes, é convocado a corrigir o mal. E, lembra-se da mensagem do Emmanuel, diante do bem e do mal, não há postura neutra. Com o critério com que julgaste, sereis julgados e com a medida com que tiveres medido, vos medirão também. Mateus 7, versículo 2 Discernir e corrigir Viste o companheiro em necessidade e comentaste-lhe a posição.
Possuía ele recursos expressivos e, talvez pela imprevidência, caiu em penúria dolorosa. Usufrui conhecimentos superiores, e feriu-te a sensibilidade, porque ele se arrojou em terríveis despenhadeiros do coração, que, às vezes, os últimos dos menos instruídos conseguem evitar facilmente. Então, a pessoa muito inteligente, às vezes, comete erros do coração que o último dos ignorantes não comete. Detinho oportunidade de melhoria, com as quais milhares de criaturas sonham, debalde e procedeu impensadamente, qual se não retivesse as vantagens que lhe brilham nas mãos.
Desfruta ambiente distinto, capaz de guindá-lo às alturas, e prefere desconhecer as circunstâncias que o favorecem, mergulhando-se nas sombras das atitudes negativas. Mantinha valiosas possibilidades de elevação espiritual no levantamento de apostolados sublimes, e emaranhou-se em tramas obsessivas que lhe exaurem as forças. Tudo isto, realmente, podes observar e refletir. Entra, porém, na esfera do próprio entendimento e capacita-te de que não é possível a imediata penetração no campo das causas. Ignoramos qual teria sido o nosso comportamento na trilha do companheiro em dificuldade, com a soma dos problemas que lhe pesam no espírito.
Não te permitas, assim, pensar ou agir diante dele sem que a fraternidade te comande as definições. Ainda mesmo no esclarecimento absoluto que, em casos numerosos, reclama austeridade sobre nós mesmos, é possível propiciar o remédio da fraqueza a doentes da alma pelo veículo da compaixão, como se administra piedosamente a cirurgia aos acidentados. Se conseguimos discernir o bem do mal, é que já conhecemos o mal e o bem. E, se o Senhor nos permite identificar as necessidades alheias, é porque, de um modo ou de outro, já podemos auxiliar.
Fim.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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