#005 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste quinto episódio do Estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias nos convida a aprofundar a compreensão do Livro de Gênesis, especificamente o Capítulo 1, à luz da Doutrina Espírita. O estudo transcende a mera leitura, buscando a essência poética e religiosa do texto original.

O que é estudado neste episódio

  • Estrutura do Gênesis, Capítulo 1: Haroldo Dutra Dias, com base nas análises de Bruce Waltz, propõe uma divisão do texto que abrange Gênesis 1:1 a Gênesis 2:3 como uma unidade. Ele destaca que a divisão tradicional em capítulos e versículos é uma convenção moderna, e que a sequência original do texto hebraico revela uma continuidade lógica da criação até o sétimo dia.
  • A Declaração Sumária da Criação (Gênesis 1:1): “No princípio, Deus criou os céus e a Terra” é apresentada como a magna declaração espiritual, cujo restante do capítulo detalha.
  • O Estado Inicial da Terra (Gênesis 1:2): O texto descreve a Terra como “sem forma e vazia”, amorfa, que posteriormente ganha contornos e é preenchida.
  • A Criação pela Palavra (Gênesis 1:3-31): É enfatizado que Deus cria através da palavra, sem o uso de mãos ou corpo, reafirmando Sua natureza imaterial e puramente espiritual na tradição hebraica.
  • A Finalização da Criação (Gênesis 2:1): Uma declaração de que os céus e a Terra foram acabados, indicando o encerramento do processo criativo direto e o início do curso de aperfeiçoamento.
  • O Sétimo Dia – O Shabbat (Gênesis 2:2-3): A santificação do sétimo dia é abordada como um elemento crucial que revela o viés religioso do texto. O Shabbat é um dia reservado para atividades espirituais, meditação e oração, sem manipulação do mundo material.
  • A Experiência do Texto em Hebraico: Haroldo Dutra Dias apresenta a sonoridade e a cadência poética do texto original em hebraico, destacando a importância do som, ritmo e aliteração para a compreensão da experiência religiosa que o texto propõe.
  • O Gênesis sob a Perspectiva do Camponês Hebreu: O estudo convida a uma leitura do Gênesis de trás para frente, partindo da experiência do camponês peregrino criador de ovelhas. A criação é descrita a partir do horizonte de percepção desse homem, centrada na Terra e nos elementos de sua vida cotidiana.
  • A Mensagem Central do Gênesis: A principal mensagem é que tudo o que existe é obra do Criador, um Deus único e uno, em contraste com o panteão de deuses da época.

Reflexões

  • Aliança entre Ciência e Religião: A Doutrina Espírita, conforme Allan Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (Capítulo 1), propõe uma fé raciocinada, onde a ciência e a religião se complementam. Estudar as leis naturais é estudar as leis divinas, pois Deus é o autor de todas as coisas. Não há distinção entre leis morais e leis físicas, químicas ou biológicas.
  • A Lei Natural como Guia Moral: “O Livro dos Espíritos” (Questões 617 e 633) revela que as leis da natureza não apenas regem o universo material, mas também fornecem um guia para a conduta pessoal. O sofrimento é visto como uma consequência do afastamento da justa medida estabelecida por Deus, um sinal de desequilíbrio.
  • A Unidade da Criação: A partir da questão 540 de “O Livro dos Espíritos”, a reflexão se aprofunda na interligação de tudo na natureza, “desde o átomo primitivo até o arcanjo”. As mesmas leis regem o micro e o macrocosmo, demonstrando a harmonia e a unidade da criação divina.

Ler transcrição do episódio

Bom, então hoje nós retomando o Gênesis, não é? Eu queria abrir assim, se você quiser fazer pergunta, participar, para a gente fazer uma coisa mais dinâmica, não é? Apesar de que na semana passada, teve só perguntas, não é? Só perguntas. Mas, a gente percebeu que está todo mundo já avançando, querendo saber coisas do capítulo 1, do capítulo 2, Adão e Eva que estão lá no capítulo 3, todo mundo ansioso, assim, para já ir para o conteúdo. Nós nem começamos o capítulo 1, não é? E hoje a gente começa o capítulo 1 de Gênesis.

Então, eu separei aqui. Eu acho que seria bom a gente ler todo o capítulo, o trecho todo, porque a gente vai ficar um bom tempo nesse capítulo 1. E hoje eu trouxe a promessa, a grande promessa, que é o texto em hebraico, narrado por um locutor. É claro que muitos não vão entender nada do que está sendo dito, não é? Mas, o importante aqui é a sonoridade, porque como é um texto de poesia, a gente ouve o som, a rima das palavras, vê como que isso tem uma cadência, como que isso foi feito para ser cantado mesmo na sinagoga e qual que é a experiência do som.

A gente acha que essa é uma experiência muito boa, porque ela é muito diferente da experiência de ler o texto em português. O texto em hebraico, que é o texto no original, ele tem um sabor, uma rima, um ritmo, um uso de palavras, técnicas avançadas de combinação de som, que na poesia é chamado de aliteração, quer dizer, a pronúncia, o som tem muito valor e por se tratar de um texto que é também um texto poético, a gente precisa ter contato com essas outras dimensões do texto, não é? E vamos já entrar também em algumas coisas de conteúdo.

Uma coisa que precisa a gente chamar a atenção, o Bruce Waltz, que nesse livro, que é um comentário de Gênesis, apesar de a essência do comentário dele ser fraca, a abordagem dele literária do livro de Gênesis é forte, quer dizer, nisso ele é forte e a gente precisa saber valorizar o ponto forte da obra do Waltz. E aqui ele faz a primeira proposta que seja dividido assim, do capítulo 1, versículo 1, ao capítulo 2, versículo 3. É uma unidade. E é importante dizer isso porque nós já falamos, não tinha capítulo. Não tinha versículo.

Não tem separação entre as palavras. Não tem vírgula, não tem ponto. Isso tudo é coisa moderna que foi colocada no século XVII depois da invenção da imprensa. Isso não há. De modo que essa divisão do final do capítulo 1 e início do 2 não foi uma divisão bem feita. Essa divisão não foi feliz. E por que que não foi feliz? Porque no capítulo 2, versículos 1 a 3, é que finaliza o sétimo dia. Então, na sequência da criação, primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, o sétimo ficou de fora, foi colocado no capítulo 2.

Não foi uma divisão muito adequada do livro de Gênesis. Não é a divisão que os judeus fazem. Eles dividem em porções e essa porção avança muito mais, ultrapassa o capítulo 5, a porção Bereshit. Então, realmente a gente tem que fazer esse ajuste aqui. Mas não é a proposta do Waltz que é uma proposta bem interessante? Porque pega a própria lógica da divisão em dias, nós temos capítulo 1, versículo 1, até capítulo 2, versículo 3. E ele propõe o seguinte, no versículo 1, do capítulo 1, tem uma declaração sumária da criação.

Resume. No princípio, Deus criou os céus e a Terra. Resumiu. Tudo que vem em seguida é um detalhamento dessa magna declaração espiritual. Nós vamos ver a importância dela. Aí, no versículo 2, mostra o estado em que a Terra se encontrava. No primeiro momento da criação, que era sem forma e vazia, amorfa e vazia. Ela ganha contornos, ela ganha forma e ela é preenchida depois da sua criação. Isso é muito importante a gente acompanhar essa lógica. Aí, ele propõe, do versículo 3 ao 31, a sequência das criações. Criação pela palavra.

Deus diz e a coisa se cria. As coisas surgem da palavra de Deus. Outro elemento muito importante para a gente. Não há uma criação feita pelas mãos de Deus. Deus não usa mãos, não usa corpo, até porque Ele não tem. Nesta tradição hebraica, Deus é imaterial, Ele é puramente espiritual. Ele só usa a palavra. Ele diz e as coisas se fazem. Aliás, este é um dos nomes de Deus na literatura hebraica. Aquele que diz e o mundo se faz. É um dos nomes de Deus. Aquele que diz e o mundo se faz. Basta Ele dizer e as coisas acontecem.

Depois, nós temos, no versículo 1 do capítulo 2, uma declaração interessante que diz assim, assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. Então, uma declaração de finalização. Criou, finalizou, fechou. E, daí em diante, a criação segue o seu curso de aperfeiçoamento. Muito interessante isto, também. E, por fim, nos versículos 2 a 3 do capítulo 2, é o sétimo dia, o Shabbat, ou o sábado. Muito interessante, também, isto, porque nós já vemos o viés religioso do texto. O texto pretende comunicar uma fé, pretende comunicar uma experiência religiosa, tanto que ele articula a criação, terminando com o Shabbat.

Olha que interessante isto. Ou seja, o povo hebreu já tinha a experiência de observar o sábado, já tinha a experiência religiosa do sábado. E, o que é a experiência religiosa do sábado? Sexta-feira, em um determinado horário, depende muito das condições astronômicas, mas nós vamos fazer uma aproximação, mais ou menos entre 17 e 18 horas, variando de um local para o outro, começa o Shabbat, porque o dia começa no anoitecer, quando surge a primeira estrela ou, se for visível, a lua. Quando começa a surgir é Shabbat, na sexta-feira, no sexto dia.

E, o Shabbat vai até o sábado, 17 e 18 horas. Não é como a gente que o dia começa meia-noite e termina meia-noite. Não é assim que eles contam. Então, a gente já começa a detectar que havia uma prática religiosa, uma experiência religiosa do povo hebreu e, a partir desta experiência religiosa, o povo hebreu, através dos seus escritores, dos seus autores inspirados, espiritualmente inspirados ou, diríamos nós, espíritas, através dos seus médiuns, relatam a criação, colocando lá um Shabbat. É muito curioso isso. É muito curioso que a gente percebe o viés religioso da poesia.

A poesia quer dizer o seguinte, o Deus que nós acreditamos, o Deus que nos orienta, o Deus que nos instrui, é o autor do cosmos, é o criador de tudo. É uma declaração importantíssima numa sociedade da época que acreditava e que cultuava vários deuses. Um Deus criador de cada coisa separada. Então, eu tinha um Deus da água, um Deus do céu, um Deus do ar, um Deus da nuvem, um Deus do relâmpago, um Deus da natureza. Eram deuses, eram um panteão de deuses, cada qual criador e responsável por algo da criação. Aqui, não.

Aqui começa o Deus único, o Deus único e o Deus uno. É um só criador, ele é criador de tudo e ele é uno. Toda criação tem um plano de unidade. Então, isso é importantíssimo também, porque são duas grandes declarações do texto. É interessante isso? Alguém quer perguntar alguma coisa, comentar? Todo mundo caladinho. Podemos avançar? Bom, então essa é a estrutura. Agora, vamos sentir o texto. O que vocês querem primeiro, hebraico ou em português? Em hebraico, né? Então, eu vou colocar aqui perto do microfone, porque este texto está protegido por direito autoral.

É uma narração de todo o Velho Testamento, feita por um locutor hebraico, judeu, um locutor de Israel. Então, a gente não vai poder disponibilizar o áudio na internet, porque está sob proteção de direito autoral. Nós vamos apenas colocar aqui, aí a pessoa ouve. Hã? Mas, aí não é por responsabilidade nossa. Se tiver, a responsabilidade não foi nossa. Vamos lá, então. Um, dois, três. Então, a gente vai começar aqui. É a luz. E é a luz. E Deus criou a luz para ser boa. E Deus dividiu entre a luz e a escuridão. E Deus chamou para a luz um dia, e para a escuridão uma noite fria.

E foi uma noite, e foi um amanhã, um dia. E Deus disse, ela será fria dentro do mar, e se distinguirá entre o mar e o mar. E Deus criou a escuridão, e se distinguirá entre o mar que está embaixo da escuridão, e entre o mar que está em cima da escuridão. E foi assim. E Deus chamou para a escuridão um céu. E foi uma noite, e foi um amanhã, um dia. E Deus disse, o mar ficará debaixo do céu em um lugar, e você verá a escuridão. E foi assim. E Deus chamou para a escuridão um lugar, e no caso do mar, foi um dia. E Deus criou a luz para ser boa.

E Deus disse, e o fim do lugar, o fim do mar, o fim do mar, o fim do céu. E foi assim. E o fim do lugar, o fim do céu. E Deus criou a escuridão. E foi uma noite, e foi um amanhã, um dia. E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e a noite, e você verá a escuridão. E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e a noite, e você verá a escuridão. E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e a noite, e você verá a escuridão.

E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e a noite, e você verá a escuridão. E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e a noite, e você verá a escuridão. E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e o noite, e você verá a escuridão. E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e o noite, e você verá a escuridão. E Deus disse, a escuridão ficará debaixo do céu, e se distinguirá entre o dia e o noite, e você verá a escuridão.

E Deus disse, e você verá a escuridão. E Deus disse, e você verá a escuridão. E Deus disse, e você verá a escuridão. E Deus disse, E Deus disse, e você verá a escuridão. E Deus disse, e você verá a escuridão. E Deus disse, e você verá a escuridão. Sábado. Segunda parte. Pronto, sétimo dia. É isso. Bom, claro, não dá para entender, mas a gente percebe, para quem prestou atenção no som, a cadência. Bereshit Bará Elohim Eta Shamayim V’eta Arets E aí vai, quer dizer, é cadenciada, ele dá umas paradas, uma cadência, porque é isso mesmo.

As frases são divididas assim, elas são sempre uma parte ascendente e uma parte descendente. Uma parte ascendente, uma parte descendente. Então, começa assim, Bereshit Bará Elohim Eta Shamayim V’eta Arets E vai nesse ritmo, sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce, e vai criando uma cadência natural. Lembra quase que um trem, não é? Fazendo assim, a roda de um trem. E vai gerando aquela sequência. Muita sonoridade parecida, jogo de palavras, para o som casar, porque não é uma rima, como no português, é uma rima rítmica.

Então, as rimas acontecem no acento forte das palavras. Isso é muito bonito, porque a gente vê o artesanato da composição. Como é que as sílabas fortes vão rimando? Elas dão direitinho. Tá, tá, tá, tá, pá. Tá, tá, tá, tá, pá. É quase que a marcação, eu compararia um metrônomo, não é? É quase que a marcação de um compasso e o metrônomo dando. Tá, tá, tá, tá, tá. Uma marcação perfeita. Só para a gente entender o artesanato do texto. Para a gente, Oi, Sérgio. É interessante você falar dessa cadência, dessa questão musical, porque a via de entrada cerebral é outra.

A entrada é a que vicia direito. Então, é interessante porque a palavra falada e a vida de uma forma é num hemisfério e toda essa cadência musical e poética é outro hemisfério. Ou seja, sensorialmente falando, a abrangência é muito maior. Exatamente. E tem um aspecto interessante, porque em algumas questões do culto, a gente tem indícios disso, embora isso não tenha se preservado integralmente, mas a gente tem pelos salmos, por exemplo, e a tradição hebraica acabou recuperando alguma coisa, o texto também era cantado.

Então, por exemplo, o primeiro verso, né, Bereshid bara Elohim Eta shamayim vetare é um canto gregoriano, quer dizer, que inspirou o canto gregoriano. Então, era de fato a experiência. Você imagina isso num silêncio e essa sonoridade? Por que nós estamos trazendo isso aqui? Para mostrar a experiência do hebreu com o texto, que não é uma experiência de nós, ocidentais do século XXI, racionais, apressados, estressados, ansiosos. Não é isso. Não é. Não tinha essa experiência de laboratório, vou pôr o texto num laboratório, num microscópio.

Não é isso. Era, de fato, uma experiência em que a pessoa entrava em contato e isso ficava gravado, porque, como fica na nossa memória, Como pode um peixe vivo viver fora d’água fria? Como pode um peixe vivo viver fora d’água fria? Como poderei viver… Você vai falar que você decorou isso? Você não decora isso. Isso impregna na sua alma, isso cola, fica lá na sua alma. A gente lembra dessas canções, cantigas de ninar, cantigas de infância, os escravos de Jó jogavam. Isso fica, porque tem uma melodia, tem uma rima, é construído para entrar na alma mesmo.

Uma cadência no hemisfério direito, você tem uma experiência com aquilo. E, eu não gostaria que o nosso estudo aqui fosse um estudo puramente intelectual, de ficar analisando palavras, analisando conceitos, porque, senão, a gente perde esse aspecto que você falou do hemisfério direito, da sensibilidade, da ligação afetiva com o texto. E, isso é tão importante, nós tivemos um grande jurista no Brasil, Pontes de Miranda, Pontes de Miranda, foi um grande jurista, e ele dizia assim, primeiro requisito para se fazer uma boa interpretação de uma lei, para que você seja um grande intérprete de uma lei.

E, aí, ele está pensando em uma lei, por exemplo, um código civil, uma lei gigantesca. Então, são centenas de artigos, milhares de artigos. E, dá um trabalho você interpretar aquilo. Um código penal, um código de processo civil, um estatuto da criança e do adolescente, um código de defesa do consumidor. Ele está pensando em uma lei assim, grande. Qual que é o primeiro requisito para você ser um grande intérprete de uma lei? Gostar dela. Parece curioso, não é? Mas, é verdade, porque, se você já vai com ódio da lei, você não vai interpretá-la bem, porque você vai com tanta má vontade que, primeiro, tudo que é de bom vai te escapar.

E, você vai ser tendencioso. Você vai vir com milhões de pedras na mão, vai destacar apenas falhas e não vai conseguir fazer uma hermenêutica integrativa. Não vai conseguir fazer uma interpretação que integre, que salve, que recupere, que dê unidade. Não. Você vai fazer uma hermenêutica destruidora e que é o que acontece, muitas vezes, com quem vai interpretar o Velho Testamento. A pessoa vem com tanto ódio no coração que ela só consegue destruir. E, aqui, não tem jeito, não é? Nós vamos ver que este é um texto base, texto basilar.

Tudo sai daqui, não é? Tudo está sendo apoiado aqui. Até mesmo Jesus, nos seus ensinos, dizia assim, no princípio não era assim, no princípio não era assim, se referindo ao Bereshit, ao princípio, aqui, ao Gênesis. Então, é preciso a gente ter um afeto pelo texto, apreender estes aspectos emocionais do texto, estes aspectos poéticos, etc. Outra coisa que é importante aqui, já tínhamos falado das mensagens centrais, Deus é o Criador, Deus é o Uno e toda a dimensão religiosa do texto. O texto quer que você tenha uma experiência religiosa.

Por isso, até a prática religiosa de observar o sábado está na descrição da criação. Então, é óbvio que isto aqui não é um texto científico. Nos parâmetros, até porque nós podemos falar em ciência dois mil e quinhentos anos antes de Cristo? Acho que não, não é? Então, seria uma idiosincrasia. A gente querer abordar isto aqui com ciência. Embora o texto tenha sido objeto de fanatismo, de uma série de coisas. Vamos ler o texto em português, agora, para a gente ter outra experiência dele. Aí, vamos continuar falando mais outras coisas.

Eu vou tentar reproduzir a entonação dada, os ritmos. No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia. Havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Disse Deus, Haja luz! E houve luz. E viu Deus que a luz era boa e fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus a luz dia e as trevas noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia. E disse Deus, Haja firmamento no meio das águas e separação entre as águas de cima e as águas de baixo. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas de baixo do firmamento e as águas sobre o firmamento.

E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento os céus. Houve tarde e manhã, o segundo dia. Disse também Deus, Ajuntem-se as águas de baixo dos céus num só lugar e apareça a porção seca. E assim se fez. A porção seca chamou Deus terra e ao ajuntamento das águas mares. E viu Deus que isso era bom. E disse, Produz a terra relva, ervas que dêem sementes e árvores frutíferas que dêem fruto, segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela, sobre a terra. E assim se fez. A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente, segundo a sua espécie, e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espécie.

E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o terceiro dia. Disse também Deus, Haja luseiros no firmamento dos céus para fazerem separação entre o dia e a noite e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos e sejam para luseiros no firmamento dos céus para alumiar a terra. E assim se fez. E Deus fez Deus os dois grandes luseiros, o maior para governar o dia e o menor para governar a noite, e fez também as estrelas e os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas.

E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o quarto dia. Disse também Deus, Povoem-se as águas de enxames de seres viventes e voem as aves sobre a terra, sobre o firmamento dos céus. Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoaram as águas, segundo a sua espécie, e todas as aves, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. E Deus os abençoou, dizendo, Cede fecundos, multiplicai-vos, e enchei as águas dos mares, e na terra se multipliquem as aves.

Houve tarde e manhã, o quinto dia. Disse também Deus, Produza à terra seres viventes, conforme a sua espécie, animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo a sua espécie. E assim se fez. E fez Deus os animais selvagens, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. E também disse Deus, Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

Criou Deus, pois o homem, a sua imagem, a imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse, Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a. Dominais sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo o animal que rasteja pela terra. E disse Deus ainda, Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente. Isso vos será para manutenção ou para mantimento. E a todos os animais da terra e a todas as aves dos céus e a todos os répteis da terra em que há fôlego de vida, toda a erva verde lhe será para mantimento.

E assim se fez. Viu Deus tudo quanto fizera e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã o sexto dia. Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no sétimo dia sua obra que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito e abençoou Deus o dia sétimo e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que como Criador fizera. Este é o texto. Então, interessante, não é? Tem toda uma… Pois bem, vamos agora para uma lógica do texto. Geralmente, a gente começa a querer entender o texto do primeiro versículo, Gênesis capítulo 1, e vai na sequência.

Então, eu vou fazer uma outra proposta agora. Não que a gente vai estudar. Nós vamos estudar essa sequência. Eu vou fazer uma outra proposta para a gente ter um olhar aqui agora que vai dar um insight para todos nós. Vamos ver de trás para frente? Só que, para ver de trás para frente, pensa num camponês peregrino criador de ovelhas, cabras e cabritos que come peixe, pão feito de trigo, vinho, que é uva fermentada, planta, colhe, cuida de animais, deles traz seu mantimento e, todo sábado, para de fazer tudo para orar e para ter um contato, uma experiência mística, espiritual, religiosa com Deus.

Ok? Vamos pensar assim? Então, de trás para frente, sétimo dia, Deus santificou. O que é santificar? Já vimos isso. Separou para Ele, reservou para Ele. Então, nós temos um dia para cada coisa, cada coisa tem seu dia, cada coisa foi criada num dia. Então, tem o dia internacional do Sol e da Lua, que é o quarto, tem o dia para cada coisa. E, o dia de Deus é o sétimo, porque Ele santificou, ou seja, Ele reservou, Ele separou para Ele. Nesse dia não se faz nada de fazer, fazer, ou seja, não se tira o leite da cabra, não se tosquia a ovelha, não se faz o pão, não faz nenhum cozido de carne, não se ara a terra, não se colhe, é o que está no universo do camponês.

Achava que era só um sentido de trabalho, trabalho externo. Então, o dia a dia também não se faz nada. Nada. Nem a comida, nem limpar a tenda. Nada pode ser feito. Ou seja, o que isso significa? Não se pode manipular o mundo material no sétimo dia. Esse é o sentido. Por quê? Porque o sétimo dia é o dia do Espírito, é o dia santificado, é o dia para atividades espirituais. Não é dia para manipular nada material. É o dia da meditação, da oração, do canto. E, o shabat começa com a ceia, que tem que ser preparada antes do início do shabat, porque eu não posso preparar a ceia depois que o shabat começou.

Por que se faz essa ceia? Porque na hora que começa o shabat, que é escureceu, apareceu a primeira estrelinha, apareceu a luz, eu faço uma refeição, porque eu só vou comer vinte e quatro horas depois. Estou comendo aqui agora, cinco e meia, seis horas, só vou comer no dia seguinte, cinco e meia, seis horas. Mas, vou ler, vou cantar, vou dançar, vou viver o dia reservado para o Espírito. É claro, gente, dentro desse universo aqui, do universo aqui de quem escreveu o texto. Então, vocês estão percebendo que o último…

Vamos de trás para frente. Como é que começa? Começa com a experiência religiosa de Deus. É o sétimo dia. E, aí vai o sexo, o homem, os seus animais domésticos, do que ele se alimenta. Então, o que a criação está falando? O que o relato da criação está falando? De tudo a que o homem camponês tem acesso. O que ele tem acesso? Animais domésticos? Está aqui a criação deles. Tem acesso a répteis? Tem, não tem? Os répteis não passam lá na plantação? Então, quando foi criado os répteis? Ele colhe ervas? Ele não planta? Não tem semente para cada coisa?

Ele não planta, ele não colhe frutos? Por exemplo, o fruto do trigo, da planta. Não é lá o grãozinho que ele vai amassar e vai virar farinha para fazer o pão? Então, quando foi criado isso? Ele não se orienta pelas estações? As estações são determinadas pelo quê? Não é pelo sol, pela lua? Dia, noite? Então, quando que isso foi criado? Ou seja, toda a criação está centrada na Terra. Isto aqui não é cosmologia. Não está falando da criação do buraco negro? Da supernova? Do multiverso? Não está falando disso. Então, a primeira impressão que a gente tem aqui é que a Terra é o centro do universo.

Mas, meu Deus, para aquele camponês era mesmo. Mas, eu tenho uma notícia que vai assustar todo mundo. Para nós também é. Porque tem alguém aqui que está visitando o buraco negro? Então, que experiência nós temos disso? Você vive lá? Então, olha aqui. O texto não ganha uma beleza? Ele está falando do que está na mão dele, do que está no horizonte de percepção dele. E, ele começou a descrever e com a perfeição, não é? O mar, a poção seca, o céu, a água que está embaixo, a água que cai de cima. Então, tem água em cima e tem água embaixo, porque ninguém está imaginando aqui que já havia uma descrição da evaporação da água, do ciclo de água.

Então, tem água que está embaixo e tem água. Água que está embaixo e água que está em cima. Dia, claro, treva, a noite. Mas, o que que é importante nisso? Os Camponeses poetas sob orientação de Moisés, da escola mosaica, que redigiram este texto e que aperfeiçoaram este texto, descreveram tudo que eles podiam perceber. Tudo o que eles podiam perceber está aqui. E, nos deram uma mensagem. Tudo o que existe, pelo menos o que nós estamos percebendo, olha só, tudo o que existe é obra do Criador. É isso que eles estão dizendo.

Hoje, nós podemos fazer uma declaração mais ampliada. Um universo com mais de 200 bilhões de galáxias, cada galáxia com mais de 100 bilhões de sólidos, quer dizer, o nosso Criador é um Criador muito mais robusto. Muito mais robusto. Robusto no sentido de amplitude, de amplidão. Mas, aqui, eu queria desfazer uma pretensão de todos nós. Quanto nós somos pretenciosos. Porque a gente acha que os que escreveram este texto aqui são muito, muito, muito, muito menos inteligentes do que a gente. Nós somos os bons alvos. Conhecemos a átomo partículas, física quântica, cosmologia, Big Bang.

Agora, multiversos, não tem só um universo, não tem vários. Agora, nós temos que dar uma pausa no texto para trazer alguns elementos do Espiritismo, da codificação de Kardec para poder ampliar a nossa percepção. Para a gente entender o que está acontecendo aqui. No Evangelho segundo o Espiritismo, no primeiro capítulo do Evangelho segundo o Espiritismo, não vim destruir a lei que lei. Kardec coloca um item curiosíssimo que se chama aliança entre ciência e religião. Por que que isto foi colocado neste capítulo? Aliança entre a ciência e a religião, dizendo que a doutrina espírita propõe uma fé raciocinada.

O que é fé raciocinada? Não é fé racionalizada, tem muita gente confundindo. Ou fé racionalista, que é diferente, totalmente diferente. É fé raciocinada. Significa que quanto mais eu aprendo com a ciência, mais a minha fé tem condições de alçar voos mais amplos. É isso. Porque ela continua fé. Só que é uma fé que vai fazendo como uma grande angular, uma lente que vai se abrindo e cada vez mais captando um horizonte maior. Isto é que é fé raciocinada. Por quê? Porque a ciência não é capaz de explicar nem 1% do universo.

Se alguém tem dúvida disso, vamos lá na cosmologia. Hoje, já se sabe da energia escura e da matéria escura. Juntas, elas representam 96% do universo. O que que os físicos, cosmólogos e astrônomos têm a dizer sobre energia escura e matéria escura? Eles têm a dizer o seguinte, estamos no escuro, não sabemos nada, nada, nem o que é, não temos aparelho para medir, não sabemos absolutamente nada. Isto significa que os cosmólogos, você vai no observatório em Nova York, você vê o NEO, o substituto do Carl Sagan, dizendo, nós não sabemos nada sobre matéria e energia escura.

O que que ele está tentando te dizer? Nós não sabemos nada sobre 96% de tudo. Dos 4%, nós também não sabemos 100% dos 4%. Então, não sejamos também ingênuos. A ciência também é bem limitada. Embora ela seja apaixonante, necessária, importantíssima, porque a ciência também é concessão de Deus aos homens. Ponto. Por isso, Kardec propõe aliança, casamento, marido e mulher. Aliança, ciência e religião. Os dois têm que estar casados, têm que se acarinhar, têm que se amar, têm que tratar bem, têm que cuidar um do outro. Essa que é a proposta da doutrina espírita.

A doutrina espírita cuidando, carinhando, fazendo carinho, tratando bem, estimulando a ciência e a ciência cuidando do aspecto religioso, respeitando, amando, aperfeiçoando. É isso que é aliança. Mas, por quê? Por que Kardec faz essa proposta? Ora, está lá no Livro dos Espíritos, nas leis morais. Então, nós sabemos que o livro terceiro de O Livro dos Espíritos é composto de doze capítulos. Doze. O capítulo um, que é uma introdução, dez leis e uma conclusão, que é o capítulo doze, que fala a perfeição moral. Perfeição moral.

O capítulo um chama lei divina ou natural. E, aqui, começa a mudança de paradigma. Que se deve entender por lei natural? Qual que é a pergunta aqui? O que se deve entender sobre a lei de Mendelssohn? O que se deve entender sobre a lei da gravidade? O que se deve entender sobre a lei dos fluidos, dos compostos químicos? O que se deve entender sobre as leis fisico-químicas que regem a combinação dos elementos atômicos que estão na tabela periódica? O que se deve entender pela lei natural? Essa é a pergunta, Kardec. Os Espíritos respondem.

A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Felicidade do homem? Indica-lhe o que deve fazer ou não fazer, e ele só é infeliz porque dela se afasta. Não, espera aí. Nós estamos falando de lei moral ou lei natural? Esse capítulo está falando sobre lei de gravidade ou sobre lei moral, ser feliz, ser infeliz? Vamos lá. Questão 617. Qual a abrangência das leis divinas? Referem-se a alguma outra coisa além da conduta moral? Agora, Kardec está fazendo a pergunta reversa. A lei divina é só lei moral?

Tem distinção entre química, física, geologia e evangelho? Tem diferença? Essa é a pergunta. A lei divina é só moral? Então, Jesus veio ensinar a lei divina. Nós vamos ver isso aqui. Está lá na questão 625, 626, 627. Daqui. Noturno, 617. Mas, se Jesus veio ensinar a lei divina, a lei divina é só lei moral? Aí, eles vão responder Todas as leis da natureza são leis divinas, visto que Deus é o autor de todas as coisas. Ah, então, eu passei na UFMG e vou fazer o curso de química. Muito bem, você vai estudar Deus. Você vai estudar religião.

Não, não, isso é um absurdo. O que você está falando é um absurdo. Não no paradigma do Espiritismo. No paradigma espírita, estudar química é estudar aspecto religioso da criação. Eu estou avançando um pouquinho no argumento, mas, só para a gente ter o tom. Estudar química é estudar leis de Deus. Leis de Deus. Estudar biologia, os seres orgânicos, é estudar leis divinas. Estudar geologia é estudar leis divinas. Aí, estudar Evangelho é estudar leis divinas também. Bom, o sábio estuda as leis da matéria. O homem de bem estuda e pratica as leis da alma.

Questão de enfoque. Numa, eu estou aperfeiçoando meus sentimentos, me torno homem de bem. Na outra, eu estou aperfeiçoando minha inteligência, me torno sábio. Sabedoria e amor. Mas, tem uma perguntinha. 633, que é uma pedrinha no sapato. Uma pedrinha de 5 toneladas. Porque, aqui fica aparecendo, não, mas é isso. O homem sábio, que quer desenvolver a inteligência, quer se tornar um sábio, vai estudar as leis da física, da química, da cosmologia, dos átomos, biologia, sociologia, psicologia. O homem de bem vai estudar e praticar o Evangelho, lei moral, conduta.

Mas, tem diferença? Questão 633. A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode ser aplicada a conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Isso é uma afirmação de Kardec. Vamos explicar isso aqui. No meu relacionamento com o próximo, qual que é a regra do bem proceder? Faça ao outro aquilo que você quer que o outro faça a você. Essa regra, Áurea, é chamada, aqui para o Kardec, de regra da reciprocidade ou da solidariedade. Eu sou solidário ou recíproco. Só faço ao outro aquilo que eu quero que o outro me faça.

É uma reciprocidade. A medida do meu amor ao próximo é o amor a mim mesmo. Se eu me amo no nível X, eu amo o próximo no nível X. Se eu me amo no nível X elevado a 3, eu amo o próximo no nível X elevado a 3. Porque ninguém vai imaginar que Jesus ama o próximo como Haroldo ama o próximo. Mas, a lei não é amar o próximo como a si mesmo? Então, Jesus ama a si mesmo como ama o próximo. Então, ele ama a si mesmo infinitamente mais do que eu me amo. O amor que Jesus tem por ele é infinitamente maior, infinito não, mas é imensamente maior do que o amor que eu tenho por mim.

É por isso que ele ama o próximo muito mais do que eu. Mas, o Kardec está dizendo assim, a regra da reciprocidade não vale para a conduta comigo mesmo. Qual que é o parâmetro comigo? Como é que eu vou saber se estou fazendo mal para mim ou se estou fazendo bem para mim? Agora, é eu comigo. Não tem ninguém. Qual que é a regra? Achará ele, na lei natural, a regra dessa conduta e um guia seguro? E agora? Porque toda vez que eu falo de moral, eu estou falando de relacionamento com o outro. Mas, não tem outro. Agora, é eu comigo.

Qual que é a regra? Eu estou me fazendo bem ou estou fazendo mal para mim? Eu estou me respeitando ou estou me desrespeitando? Eu estou me amando ou não estou me amando? Como é que eu sei? E, aí, Kardec pergunta, ele pode buscar um guia seguro na lei natural? Gente, olha o que Kardec está perguntando. Nas leis da química, nas leis da física, nas leis da geologia, da biologia, na lei natural, que é também lei divina, olha o que os Espíritos respondem. Quando comeis em excesso, isso vos faz mal. Pois bem, é Deus que vos dá a medida do que necessitais.

Quando ultrapassais essa medida, sois punidos. Punido? Deus vai castigar? Está parecendo que é isso, não é? Dá-se o mesmo em tudo. Dá-se o mesmo em tudo. Só estou dando um exemplo simples, mas é em tudo. A lei natural a lei natural traça para o homem o limite de suas necessidades. Quando ele ultrapassa, quando ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Então, quem pune é o sofrimento. Você passou do limite, vem sofrimento. Fora da medida. Se o homem sempre escutasse essa voz que lhe diz basta, olha que interessante, evitaria a maior parte dos males de que acusa a natureza.

De que acusa a natureza? Peraí, muita calma agora. Para quem já está sentindo uma zonzeira, vamos recuperar o fôlego, calma. Nós estamos dizendo que não tem diferença entre lei natural e lei divina. Por que não tem diferença entre lei natural e lei divina? Porque se eu for estudar o estômago, os processos químicos que ocorrem no estômago, o tamanho do meu estômago, o que cabe nele, o que eu posso pôr ali dentro, com que frequência eu posso pôr coisas dentro dele, algumas coisas que são agressivas para ele, que eu não posso toda hora ficar colocando dentro dele, que eu não posso deixar de colocar coisas dentro dele, se eu observar leis físico-químicas, biológicas, do estômago, do estômago, não estou falando de nada sobrenatural, do estômago, eu vou conhecer, se eu observar os princípios que regem o funcionamento físico do meu estômago, eu vou descobrir que por trás desses princípios há vontade de Deus que estabeleceu limites e justa medida, justa, justo é o que é bom e o que é mau, o que é certo, não certo e errado, mas o que é bom e o que é mau, o que é adequado, o que é equilibrado e o que é desequilibrado.

Se eu observo, eu estou bem, se eu não observo, o que acontece? Sofrimento, sofrimento, mas você está querendo dizer que eu aprendo sobre Deus, que eu aprendo sobre as leis de equilíbrio que Deus quer, estudando o estômago? Eu não, os Espíritos, os Espíritos que ditaram a codificação para Kardec. Bom, então aqui tem uma coisa curiosa, tem uma coisa curiosa e aqui a gente lembra do nosso querido amigo, Doutor Ricardo Vardil, nosso médico homeopata, você chega e fala, Doutor Ricardo está doendo, está fazendo isso, ele fala, opa, onde que você se excedeu?

Por que está fora da medida? Porque toda doença, toda doença é um sofrimento para dizer ao homem, você passou da medida. Qual é a medida? Qual é a justa medida? A justa medida é a lei de Deus. Mas, peraí, estou confuso, quer dizer que quando eu estudo tabela periódica, funcionamento dos elementos químicos, eu estou estudando lei de Deus? Está, está estudando lei de Deus. Então, você está querendo dizer que o que está escrito aqui é o que Francisco de Assis dizia que se você quiser conhecer Deus, basta você cuidar de um jardim?

É, É, Quer conhecer Deus? Pega um pedacinho, faz um pedacinho, ou um jardim, o que você quiser. Começa a plantar, prepara a terra, aduba, rega, fica olhando, observa. Você vai ter uma experiência de Deus. Por quê? Porque todas as leis de Deus estão no crescimento de uma semente de feijão. Então, faz sentido Gênesis começar falando sobre a criação das coisas? Faz, faz total sentido. Porque se eu observar o curso do Sol, se eu observar a regra das estações, se eu observar como o Sol funciona, eu estou aprendendo sobre lei moral, eu estou aprendendo sobre Evangelho.

Ixa, exagerou, né? Não, esse é o paradigma espírita. Quer aprender sobre como os anjos se relacionam nas esferas celestes? Estuda como o átomo de hidrogênio se relaciona com o oxigênio. Por quê? Não é do átomo ao arcanjo? Eu esqueci da questão. Qual que é o nome? Esqueci o nome dessa questão. Está aqui no Jesus Cristo. Deu um branco agora. Está lá. Jesus Cristo responde para Kardec. Do átomo ao arcanjo. Porque o arcanjo começou no átomo. Então, o próprio feto, o bebê, ele vai começar e vai reviver todos os reinos, todo o povo.

A série chamada série filogenética. Desde o início da espécie, de todas as espécies orgânicas, ele revê tudo até chegar na espécie humana. Ou seja, ele estuda o capítulo 1 de Gênesis. Antes de nascer, nove meses de curso que a gente faz, de capítulo 1 de Gênesis. Você começa lá e vai pegando tudo. Réptil, etc. Vai tudo, tudo, tudo. Até chegar no… 540. 540. Maravilhoso. Deu branco, mas o Júlio escreveu no branco. É bonita. Essa é maravilhosa. Você foi inspirada aí, Júlio. Os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da natureza Não, é essa, Júlio?

Ah, está certo. É essa mesmo. Os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da natureza agem com conhecimento de causa, em virtude do livre-arbítrio, ou por impulso instintivo e refletido? Olhe a resposta. Uns sim, outros não. Façamos uma comparação. Figurai essas miríades de animais que, pouco a pouco, fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos. Os corais, né? Acreditais que não haja aí um fim providencial e que essa transformação da superfície do globo não seja necessária à harmonia geral? Entretanto, são animais do último grau que realizam essas coisas, provendo as suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus.

Pois bem, do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto. Enquanto se ensaiam para a vida, antes que tenham plena consciência de seus atos e de seu livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos dos quais são agentes, mesmo de forma inconsciente. Primeiramente, executam. Mais tarde, quando suas inteligências estiverem mais desenvolvidas, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material. Mais tarde ainda, poderão dirigir as do mundo moral. É assim que tudo serve. Tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo.

Admirável lei de harmonia, da qual o vosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto. É lindo, não é? Ou seja, tudo é um. Está tudo interligado na criação. Tudo, pecinhas, umas trabalhando para as outras e vão ganhando em grau de complexidade. Ou seja, é uma lei só regendo tudo. A lei que rege os átomos é a mesma que rege o sistema solar. A gente vê que a forma é a mesma. Você pega uma galáxia, é a mesma coisa, espiralada. Está lá. É o mesmo princípio que rege tudo. Mas, não precisa sair longe, não. Basta olhar para o seu corpo.

Os órgãos também. Células que se unem, formam tecidos. Tecidos que se unem, formam órgãos. Órgãos que se unem, formam o corpo. É tudo a mesma coisa. Por isso, Gênesis começa descrevendo isso. A partir da experiência do camponesa e a partir da experiência da Terra. É claro, para ele, a Terra, o centro do Universo, é onde ele está. O centro é onde você está. É referencial. É o seu referencial. Eles narraram o referencial deles. E, bastava ele escrever um trigo. Se eles descrevessem aqui o crescimento do trigo, o processo de nascimento e crescimento, desenvolvimento do trigo, eles já estariam descrevendo toda a lei divina.

Toda ela está lá no trigo. É incrível, né? É incrível. Porque você começa, ah, então, as substâncias químicas, você pega um cristal, está lá aquele tanto de átomos formando as moléculas. Ei, peraí, gente, já não são as famílias espirituais? Toda a crosta, né, que vai ser a concha, é a mesma construção do nosso esqueleto, dos nossos olhos. É, sem falar o cálculo de Fibonacci. Sem falar o cálculo de Fibonacci. Quer dizer, essa casca dele, essa casca dele, além de ter todos os elementos do nosso esqueleto, segue princípios matemáticos que são de todas as formas da natureza.

Na arquitetura, no cálculo matemático também das presas. E aí? O que que é lei divina e o que que é lei natural? É lei divina ou natural? É a mesma coisa? É a mesma coisa. Então, se eu busco alguma coisa da Física e traço para cá, algum princípio da Física, é também Evangelho. Se eu trago alguma coisa do Evangelho, é também Física. Não existe essa distinção no Espiritismo. A doutrina tem um triplice aspecto, porque aspecto é como você aborda. Eu posso abordar o mesmo fenômeno do aspecto do Químico e posso abordar o mesmo fenômeno do aspecto do Físico e posso abordar o mesmo fenômeno do aspecto do Geólogo.

Isso é só o que você está olhando, porque o fenômeno é o mesmo. O fenômeno não se divide só porque você está dando foco em algumas coisas. Não é isso? E é por isso que hoje é moda dizer o enfoque multidisciplinar. Isso quer dizer o quê? O fenômeno é sempre maior do que o nosso enfoque. Não existe ciência, filosofia e religião na natureza. Essa divisão não existe. Isso é só enfoque. Você pode enfocar as coisas de uma perspectiva científica, enfocá-las de uma perspectiva filosófica ou enfocá-las de uma perspectiva religiosa.

Mas, as coisas são o que são. Elas nos mudam porque você mudou a sua lente. Não é porque o fotógrafo foi lá e trocou a lente, o Tiago chegou aqui e mudou a lente, mudou o foco e mudou a coisa. Não, a coisa é a mesma. Então, isso é muito importante para a gente. Era algo que eu queria trazer de hoje, deste primeiro dia, porque vai dar o tom do nosso estudo. Vai dar o tom. Essa conversa, essa tendência que as pessoas têm de ficar contrapondo religioso a cientista, químico a padre. Gente, isso é demodê. Isso já passou, já era.

Isso já acabou em 1857. Com Kardec, isso acabou. Acabou. Essa é a grande contribuição do Espiritismo para a humanidade. Acabou. A palavra de ordem é aliança, união, juntar recursos, juntar enfoques, para que o nosso enfoque seja cada vez mais grandioso, cada vez mais amplo, cada vez mais profundo, cada vez mais eficiente. É por isso que nós vamos ver o André Luiz descrevendo Física Quântica no livro Mecanismo da Mediunidade, para terminar o livro falando de Evangelho, do papel magnético de Maria, José e dos outros Espíritos que sustentaram a reencarnação de Jesus.

Só que para explicar isso é ter que falar de Física Quântica. Esse é o paradigma espírita. Essa é a maior contribuição do Espiritismo ao pensamento humano. Não tem divisórias. Não tem divisórias. Então, se alguém pergunta para a gente assim, você é Espírito, você é religioso? Pergunta errada. Pergunta errada. Nós não funcionamos nesse paradigma. Não funcionamos nesse paradigma. Eu leo o capítulo 1 de Gênesis ou eu, como estou fazendo agora, reestudando as matérias do pré-vestibular, para aprender um pouco mais. Quando eu estou lá estudando Química, eu estou estudando Evangelho também.

É a mesma coisa. Não tem diferença. É a mesma lei. Porque eu sei que elementos fisico-químicos do meu corpo representam parâmetros de equilíbrio dados por Deus. Se eu desobedecer, por exemplo, se eu não obedecer sono, alimentação, descanso, relaxamento, ele coisas, eu vou sofrer consequências do meu desequilíbrio, da minha desarmonia, porque eu saio do equilíbrio, da harmonia proposta pela lei divina. Eu sofro. É sofrimento mesmo. Quem teve diarreia, quem tem úlcera gástrica, quem tem algum problema de estômago, sabe o que eu estou falando.

É sofrimento. Se você não amar, não respeitar, não cuidar do seu estômago, você vai amargar problemas ligados ao estômago. Porque Deus está castigando? Não é isso, né? Porque ele estabeleceu parâmetros de equilíbrio. E, aí, voltando ao Dr. Ricardo, está doendo? O que está fora da medida? O que está fora da medida? Isso é maravilhoso. Com isso, Gênesis ganha outros ângulos. O nosso mergulho aqui no texto ganha dimensões inusitadas. Mas, a gente vai ver que muitos já intuíam isso e, no nosso próximo encontro, eu vou trazer alguma coisa desse comentário judaico do livro de Gênesis, que já fala umas coisas bem interessantes sobre isso.

De não haver distinção entre lei natural, lei divina, porque tudo é lei divina. Muito interessante isso. Ixi, meu Deus, isso aqui vai ser duro. Bereshit, um comentário da Artscroll, da série Messorá. Está em hebraico, com umas partes em inglês. Todo o inglês não existe em português. Então, é isso. Fica essa grande questão para a gente meditar, pensar. Como que isso é bonito? Deus está em tudo. Está em tudo. Do micro ao macro, as mesmas leis funcionam e regem. Tanto as leis do mundo material, quanto as leis do mundo moral seguem o mesmo princípio.

No mundo material, elas têm um nome. No universo moral, elas têm outro nome. Então, a força fraca, a força forte, que liga as partículas no interior do átomo, tem um nome. A força que liga os seres, nós chamamos de atração, de amor. É a mesma lei. É a mesma força. É o mesmo fenômeno. Só que ele vai se desdobrando, mas ele tem as mesmas leis. Tem equações perfeitas. É Deus. É Deus.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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