Neste segundo episódio do estudo do Velho Testamento, conduzido por Haroldo Dutra Dias, aprofundamo-nos no livro de Gênesis. Após uma introdução que estabeleceu a linha condutora do estudo, este episódio propõe um voo panorâmico sobre a obra, destacando sua estrutura e os temas centrais que a permeiam, à luz da Doutrina Espírita.
O que é estudado neste episódio
- A importância da visão geral da obra: Haroldo Dutra Dias enfatiza a necessidade de compreender a estrutura geral do livro de Gênesis antes de se aprofundar em capítulos ou versículos específicos. Ele adverte contra a “interpretação teste rochá”, onde o texto bíblico se torna um pretexto para projeções pessoais, em vez de uma fonte de estudo e elevação.
- Interpretação do Evangelho vs. Uso Terapêutico: É feita uma distinção clara entre o estudo do Evangelho, que busca silenciar as questões íntimas para absorver a luz do texto, e o uso terapêutico do Evangelho, que permite a catarse pessoal. Ambos são válidos, mas não devem ser confundidos.
- Os cinco temas centrais da Bíblia (e de Gênesis): O estudo apresenta uma sequência temática que, segundo estudiosos, estrutura toda a Bíblia e, em especial, o livro de Gênesis. São eles:
- Criação: O primeiro capítulo de Gênesis proclama que tudo foi criado por Deus, superior a todas as divindades e elementos cultuados por outros povos. A Doutrina Espírita, no Livro dos Espíritos, retoma este tema ao definir Deus como a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas.
- Aliança: A criação de uma nova humanidade, representada pela eleição de Abraão e Sara, para dar origem a um povo que expressasse o potencial divino.
- Exílio: A consequência da falha humana em cumprir o projeto divino, resultando em peregrinação, sofrimento e vulnerabilidade à escravidão.
- Êxodo: A libertação da escravidão, que se manifesta em pequenos êxodos ao longo de Gênesis e culmina na expectativa do grande êxodo final.
- Redenção: A libertação absoluta que ocorre quando o ser se torna plenamente imagem e semelhança de Deus, retornando ao projeto original.
- O “nascimento do mal” e a renúncia ao potencial divino: A escolha do homem de não ser imagem e semelhança de Deus, desconectando-se do Criador, é apresentada como o “nascimento do mal” ou “pecado original”. Essa falha humana perturba toda a criação, pois o homem abdica de sua função primordial.
- Jesus como a “semente” da redenção: A falha da aliança com Abraão e seus descendentes é superada pela vinda de Jesus, a “semente” singular prometida. Jesus é o único que foi integralmente imagem e semelhança de Deus, instaurando uma nova humanidade de seres que expressam seus potenciais divinos.
- O “homem velho” e o “homem novo”: O “homem velho” é o homem adâmico, desconectado de Deus. O “homem novo” é o homem em Cristo, que imita o modelo e guia, Jesus, e ocupa seu lugar na criação, expressando seu potencial divino.
Reflexões
- A compreensão da estrutura literária de Gênesis revela que a Bíblia, como um todo, é um desenvolvimento de temas centrais que se iniciam neste livro fundamental.
- A Doutrina Espírita, ao abordar a criação e a evolução do ser, dialoga profundamente com os conceitos bíblicos de potencial divino e a busca pela reconexão com o Criador.
- A figura de Jesus é apresentada como o modelo de redenção, aquele que concretiza o projeto divino para a humanidade, oferecendo um caminho para a nova geração de seres humanos.
Ler transcrição do episódio
Os companheiros de voz adocicada e edificante, na propaganda salvacionista, que se fazem verdadeiros provões de intolerância na atmosfera caseirinha, acumulando energias exorbitadas em torno das próprias tarefas. Sem dúvida, a equipe familiar no mundo nem sempre é um jardim de flores. Por vezes, é um espinheiro de preocupações e de angústias, reclamando do estatutismo. Contudo, embora necessitemos de firmezas atitudes para temperar a afetividade que nos atropia, jamais conseguiremos sanar as feridas do nosso ambiente particular com o chicote da violência ou com o implácito do silêncio.
Consoante a advertença do apóstolo, se nos pagam o cuidado para encontrar a família, estaremos negando o apoio. Os parentes são obras de amor que o Pai compassivo nos deu a realizar. Ajudemos-nos através da cooperação e do carinho, atendendo aos desígnios da verdadeira fraternidade. Somente adestrando paciência e compreensão, tolerância e bondade, na praia esplêndida do ar, é que nos abrigaremos a servir com vitória. Vamos elevar os nossos pensamentos, buscando acelerar os nossos corações, entrando em sintonia com o lado espiritual da vida, agradecidos pela oportunidade do estúdio, e buscando nos sustentarmos mutuamente para que a nossa noite transforme em paz e harmonia e que possamos sair fortalecidos, repletos de reflexões que nos favorecem na nossa caminhada.
Por isso, Senhor Jesus, queremos rogar a Ti a Tua proteção e a Tua misericórdia. Agradecidos que somos por estarmos todos juntos, buscando as lições que nos fortalecem e nos alimentem. Com este pensamento, Senhor Jesus, queremos pedir atenção para iniciarmos os nossos estudos da noite, confiantes na Tua presença e no Teu direcionamento. Muito obrigada, Senhor, que assim seja. Certo. Bom, retomando então o nosso estudo de Gênesis, semana passada foi uma introdução, apenas fizemos alguns acordos de qual seria a linha condutora do nosso estudo, da reflexão, e essa semana a gente pretende fazer um voo panorâmico sobre o livro de Gênesis, por várias razões.
No prefácio do livro Caminho, Verdade e Vida, o Emmanuel diz assim, lembrando que esse livro, Caminho, Verdade e Vida, foi o primeiro livro de Emmanuel, a coletânea de mensagens, onde ele inicia o trabalho de interpretação do Evangelho à luz da doutrina espírita. Então, aqui oficialmente ele lança uma espécie de programa que gerou a série Fonte Viva, que é o Caminho, Verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e o Fonte Viva, e depois Palavra de Vida Eterna, Livro da Esperança, Ceifa de Luz, uma série de outras obras, e um conjunto de mensagens esparsas, que foram publicadas em diversos livros, ao todo aproximadamente mil e setecentas mensagens, e que agora o trabalho do Salvo, da Larissa, esposa dele, mais uma equipe, conseguiu reunir e estão publicando por livro do Novo Testamento.
Então tem o Evangelho por Emmanuel, Mateus, Evangelho por Emmanuel, Marcos, agora vai sair o Lucas, depois João, Atos, as cartas de Paulo, as demais cartas e Apocalipse. As pessoas vão poder ter sete livros, com uma coletânea de todas essas mensagens comentadas por Emmanuel de versículos do Novo Testamento. É importante a gente ler isso que ele vai colocar no prefácio, porque ele fez algo parecido com o que a gente está tentando fazer aqui, chegar numa linha mestra, num fio condutor do trabalho. E ele afirma assim, muitos amigos estranhar-nosão talvez a atitude, isolando versículos e conferindo-lhes cor, independente do capítulo evangélico a que pertencem.
Em certas passagens, extraímos daí somente frases pequeninas, proporcionando-lhes fisionomia especial. E, em determinadas circunstâncias, as nossas considerações desvaliosas parecem, parecem contrariar as disposições do capítulo em que se inspiram. A gente queria destacar esse finalzinho. Em muitas ocasiões, as nossas considerações desvaliosas parecem contrariar as disposições do capítulo. O que é isso? A gente acostuma a ver Emmanuel comentando um versículo ou, às vezes, comentando uma palavra de um versículo. E, ele escreve todo um texto baseado em uma palavra.
O leitor desatento ou inexperiente pode pensar que o Emmanuel isolou aquele versículo ou isolou uma palavra e que ele não está conectado com o contexto geral do capítulo e do livro que ele está comentando. Mas, a gente acredita que o verbo dele, essa expressão parece, esse verbo parece, vindo do próprio Emmanuel, já dá uma dica pra gente que o Emmanuel não vai cometer um erro tão elementar quanto esse. Seria um erro de hermenêutica? Um erro interpretativo? Muito básico! Muito básico! E, não é o que ele faz. É importante, porque é isso aqui que vai fundamentar toda a nossa reflexão da noite.
Por que estudar a estrutura geral do livro de Gênesis? Por que entender a obra como um todo, o traçado geral da obra antes de entrar num capítulo ou antes de estudar um determinado versículo? Por duas razões. A primeira delas, pra gente afastar de vez e com bastante força esse equívoco que é a chamada interpretação teste rochá. Os psicólogos sabem o que é o teste rochá. Você projeta uma figura e pergunta pra pessoa o que você está vendo. Aí, a pessoa diz, eu estou vendo a minha avó coando café. Ah, eu estou vendo o meu primeiro filho quando ele nasceu.
Eu estou vendo o meu primeiro dia de trabalho. Mas, na verdade, a figura, aquela figura é apenas um elemento usado com muita habilidade pelos psicólogos pra que a pessoa faça livre associações, que ela acha que é livre, não é nada livre. Ela faça associações de ideias e o inconsciente dela vem à tona e o profissional, então, possa explorar o que está inconsciente, quais são os sentimentos, as intenções, as ideias, que estão por detrás da fala, do comportamento, das atitudes e que muitas vezes nem mesmo a pessoa é capaz de perceber.
O que a gente percebe é que um estudo do Evangelho de versículos ou de palavras mal conduzidos, ele vira um teste rochado. Então, a criatura coloca assim, bem-aventurados os aflitos. Daqui a pouco ele está conversando no primeiro dia que ele chegou no grupo espírita. Aí, está falando sobre direção de trabalho mediúnico ou sobre campanha do quilo. O versículo vira um pretexto para que a pessoa, na verdade, exponha angústias, preocupações, anseios, dores, ansiedades, a partir de um versículo do Novo Testamento. Tem algum problema?
Nenhum. Quer dizer, não há problema em se fazer isso, desde que fique claro para a pessoa e para quem está participando da reunião que isso não é a interpretação do Evangelho. Isso é uso terapêutico do Evangelho. Não há nenhum problema. É muito bom, até. Dependendo se tiver um grupo sólido, responsável, de pessoas maduras ou mesmo um grupo que conta com a presença de pessoas espirituales, da psicologia, da psiquiatria, é muito bom, porque as pessoas têm a oportunidade de ter um contato com esse magnetismo do Evangelho, com essa força que dimana do Cristo e que tem um poder curativo enorme.
Então, não há nenhum problema. Só não se pode confundir alhos com bugalhos. Isso não é interpretação do Evangelho. Por que não é? Porque se você utiliza um versículo do Evangelho ou da Bíblia, ou do Novo Testamento, não importa, ou até mesmo um texto, uma poesia, um texto literário, se você utiliza esse texto para falar de angústias íntimas, de questões íntimas, você não está absorvendo o conteúdo da obra. Você está, na verdade, rememorando conteúdos pessoais e próprios. Então, são dois movimentos diferentes. Quando nós abrimos um texto bíblico, um texto do Evangelho, com a intenção de estudá-lo, nós estamos num movimento que é silenciarmos as questões íntimas, silenciarmos nossos medos, nossas angústias, nossos temores, nossas preocupações, para que a luz do Evangelho venha até nós e altere o nosso patamar psíquico.
É diferente. É diferente. Então, nós poderíamos dizer que, no primeiro caso, o Evangelho terapêutico, o Evangelho terapia, você usar um versículo do Evangelho para fazer uma catarse, isso é o Evangelho descendo até nós. Estudar o Evangelho silenciando a luz do Evangelho para extrair a luz do Evangelho representa outro movimento. Nós subindo, cada um de nós subindo até o patamar vibratório do Cristo. Isso é importante. Entenda que nós não estamos comparando, nem desmerecendo e, muito menos, censurando. Não é isso. Mas, é preciso ter clareza do que se faz, do porquê se faz e do como se faz.
Porque, senão, a gente participa de processos de uma maneira completamente inconsciente. A nossa proposta do Gênesis e a proposta de Emmanuel quando comenta versículos não é essa. A proposta dele é pescar, diz ele, pescar valores espirituais do Evangelho. Pode até ser uma pesca intencional, não há nenhum problema. Não há nenhum problema. Eu posso escolher um tema específico, um tema que me chama a atenção, um tema que está me angustiando e fazer uma pesca temática. Não há nenhum problema. Aliás, é o que Emmanuel faz.
Então, ele se propõe, por exemplo, a trabalhar a questão da tristeza. E ele, então, busca versículos do Evangelho que tratam do tema tristeza, mas não para ficar rememorando ou repisando a tristeza pessoal, mas no sentido de buscar no Evangelho a cura da tristeza, a ótica do Cristo com relação à tristeza, por exemplo. É diferente. Nesse estudo de Gênesis, nós estamos buscando também isso. Estamos buscando valores espirituais do texto, até porque eu não tenho nenhuma competência para conduzir um processo de terapia bíblica, que existe, dá muito resultado, é muito bem feito, mas, claro, conduzido por alguém competente, por alguém que tem habilidade.
Não é o meu caso. Também não é o nosso propósito. O nosso propósito é estudar o livro, fazer conexões com o Novo Testamento e com a Doutrina Espírita para extrair novos recursos, novos recursos, novos valores, perspectivas novas. Então, o ideal é que a gente saia daqui com coisa nova. Ou, pelo menos, com novas conexões do conteúdo velho. Essa é a proposta, né? Daí, eu acho que a gente já responde o porquê de ter uma visão geral da obra. Qual que é a importância de ter uma visão geral da obra? Quando você entra numa floresta, se você focar muito, excessivamente, em uma árvore, você se perde.
Se eu quero entrar e sair, se a minha jornada pela floresta pretende ter êxito, se eu não quero me perder, eu preciso ter o traçado geral da mata, o traçado geral do caminho, senão eu me perco. Me perco numa multidão de elementos menores. Então, o livro Gênesis é um livro que tem uma multidão de assuntos, de temas, de cenários, de personagens, de acontecimentos. E é muito fácil você ficar perdido, por exemplo, você começa a estudar o livro de Gênesis, se encanta com A Serpente e você fica dois anos na Serpente e não sai.
E a pessoa pergunta mas o que você estudou no livro de Gênesis? A Serpente. Estudei A Serpente. Mas, o que mais? Não, eu só lembro da Serpente. Ou então, a pessoa foca tanto no Jardim do Éden, tanto no jardim, que a única imagem que ele tem de todo o livro de Gênesis é o Jardim do Éden. Então, ele se perdeu num detalhe, não viu o quadro geral. Ele não conseguiu ver a estrutura geral da obra. Quando nós temos uma noção da estrutura geral da obra, a nossa leitura, ela é uma leitura, uma leitura mais prudente, uma leitura mais contextualizada, menos absoluta, porque a gente se dá conta da complexidade da obra, do tamanho do problema.
Então, eu entro humilde, interpreto, estudo e saio humilde, sabendo que estou diante de um monumento. Basta lembrar que o livro de Gênesis tem 50 capítulos. 50 capítulos. Não é pouca coisa. Geralmente, os livros, os Evangelhos, por exemplo, têm 20 e poucos capítulos. Então, é um livro robusto, muito robusto. E, agora, a gente vai passear pela estrutura geral do livro de Gênesis. Bom, não é propaganda. Muita gente achando que a editora C me pediu para fazer propaganda do C, propaganda do livro Celeiro de Redenção. Eu até aproveito para fazer um comercial.
Esse é o último lançamento do C, o livro Celeiro de Redenção, que conta com a participação de várias pessoas que escreveram capítulos estudando a obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Nós estamos usando essa obra porque eu, particularmente, escrevi o capítulo 5 da obra e que tem muita coisa que nós vamos utilizar no estudo de Gênesis. E, como já está escrito, inclusive com gráfico, a gente não vai aqui reinventar a roda e ficar repetindo o que já está escrito. Então, vamos fazer referência a todo momento a esse capítulo 5 do livro Celeiro de Redenção, que tem tudo a ver, tudo a ver com o livro Gênesis de Moisés.
Aqui, a gente trabalhou uma coisa, assim, bastante interessante. Não é ideia original, isso foi buscado em diversos comentadores bíblicos, em especial, na mais nova e mais profícua, frutuosa iniciativa de comentário bíblico. É a moda, agora, são os comentários bíblicos que exploram a estrutura literária do livro. Quer dizer, isso é o que há, é o que há de mais atual, de mais eficiente e todos os grandes comentaristas estão se voltando para esse estudo e, cada vez mais, esse estudo ganha um fôlego enorme. As pessoas estão descobrindo coisas impressionantes com essa ferramenta que é a abordagem literária.
Mas, chega de fazer propaganda, vamos mostrar para ver se funciona mesmo, se isso não é só palavra, se realmente tem algum efeito, algum impacto no estudo do Gênesis e no estudo de toda a Bíblia do Novo Testamento. O capítulo todo? Não, o trechinho, aquelas páginas. O Julio está dizendo que colocou no site, no Facebook do C, o portal C, algumas páginas do capítulo 5 que tem o gráfico para as pessoas poderem acompanhar. Então, é só acessar o Facebook do C e baixar. Se você quiser ler o capítulo todo, é recomendável comprar o livro.
O Jesus vai ficar feliz hoje com a propaganda. Bom, primeira coisa, primeira coisa, tal qual na música, a literatura segue alguns princípios. Ninguém escreve jogando palavras ao vento. Não é assim que se escreve. Você não pega um monte de palavras, joga para cima e elas caem, e você já tem escrito uma obra literária. Em especial, uma obra literária com 50 capítulos, com dezenas e dezenas de personagens, com diversos acontecimentos, uma dinâmica, uma lógica e, por que não, dizer o livro que é o livro alicerce de toda a Bíblia.
Todos os livros da Bíblia se baseiam no Gênesis. Todos. Não tem como fugir disso. É impossível. Gênesis, de Moisés, é a pedra fundamental da literatura bíblica. Tudo mais vai dialogar com essa obra. Por isso que ela é a primeira. É a primeira e é a última. Se nós voltarmos, por exemplo, no Apocalipse, ele vai retomar tudo do livro Gênesis. A importância do livro. E como que essas obras se estruturam? Uma obra literária e, especialmente, a obra bíblica, com base em temas. Temas. E aqui está o segredo. Por quê? Se nós conseguimos identificar quais são os principais temas do livro de Gênesis, parcialmente nós deciframos toda a Bíblia.
E tudo começa a ficar tão claro. Aquelas coisas que eram tão obscuras começam a ficar tão claras. Tudo começa a fazer sentido. E a gente percebe que tudo é, na verdade, um desenvolvimento desses temas básicos. Então, os estudiosos dizem que a Bíblia como um todo e, especialmente, o livro de Gênesis dá uma sequência temática de cinco assuntos. Para quem está notando, primeiro assunto, criação. Criação. Esse é o primeiro grande tema. Segundo grande tema, aliança. Aliança. E quando a gente diz aliança, nós estamos falando de aliança mesmo, casamento, aliança, pacto.
Segundo tema, exílio. Exílio. Em Gênesis, o tema de exílio já aparece no capítulo 3. O exílio arquetípico é o exílio do Jardim do Éden. Todos os outros exílios são reflexos desse exílio primordial. Outro tema, êxodo. Êxodo. O êxodo do livro Êxodo, o êxodo de Moisés, é, na verdade, um desenvolvimento de pequenos êxodos que já estão no livro de Gênesis. Adivinhem qual o principal êxodo, o êxodo arquetípico? O êxodo de Adão e Eva, depois que saíram do Éden, e o êxodo de Caim e de todos os seus descendentes que saíram num processo de peregrinação.
E também um êxodo muito importante, que é o êxodo de Abraão. Abraão saiu da sua terra, de Ur, da Caldeia, e peregrinou em direção a uma terra prometida que lhe seria mostrada. Então, a gente vai percebendo que é interessante isso, né? Como os grandes temas já estão ali, em miniatura. O que os outros vão fazer é desenvolver esses temas, ampliar esses temas. E não poderia deixar de ser o último tema, redenção. Redenção. Alguma coisa muito séria ocorreu na perspectiva do texto bíblico. Algo de muito grave aconteceu. Um problemão aconteceu.
E nós somente seremos felizes quando esse problemão for resolvido. E a solução desse problemão, com a nossa libertação desse grande problema, se chama redenção. Redimir. Redimir. Que é livrar, libertar. Porque, na perspectiva bíblica, esse problema nos tornou escravos. Bom, então, Criação, Aliança, Exílio, Êxodo e Redenção. Agora, vamos comentar. Aqui está toda a Bíblia. Se alguém dissesse assim, resume toda a Bíblia em dois segundos, eu diria Criação, Aliança, Exílio, Êxodo, Redenção. Está resumido. O resto é só estudar.
É comentário. Tá bom. Olha como é que é importante. Esse é o eixo. Esse é o fio. Quer entrar e sair de Gênesis sem se perder nos 50 capítulos? Ficar atento nesses temas. Alguém quer falar alguma coisa? Tá todo mundo tão calado. Ninguém da internet? Da internet, sim, né? Ninguém quer falar nada? Não? Então, vamos lá. Primeira coisa, o povo hebreu, um povo de agricultor, de camponeses, de pastores, poetas, produziram uma literatura que nós damos o nome de Velho Testamento e que eles dão o nome de Bíblia Hebraica. É a literatura do povo.
Essa literatura foi produzida como resposta social a outras literaturas. Então, esse é o primeiro ponto interessante. Eles estão dialogando, contestando outras literaturas e outros povos. Então, não sejamos ingênuos. Quando Gênesis, quando a gente lê alguma coisa em Gênesis e vê o que foi escrito, isso que foi escrito está contestando muita coisa que estava escrita na época que o livro Gênesis foi escrito. Está dialogando. Então, por exemplo, nós sabemos da literatura caldeia do chamado Tiamat, que é um monstro mitológico que governa os abismos e que, segundo a tradição caldeia, foi o responsável pela criação do mundo.
Como que Gênesis vai contra-argumentar? Gênesis vai dizer que Deus está acima do abismo. Isso não é inocente. Não é inocente. Nós sabemos que a literatura egípcia cultuava deuses, ainda que em um nível simbólico, ainda que os sacerdotes iniciados fossem monoteístas, mas, para o povão, eles ensinavam o quê? Horus, Isis, Osíris, vários deuses com cabeça de águia, os mais variados. O que que Gênesis vai sutilmente dizer? Todos os animais foram criados por Deus, para não ter dúvida. Então, a gente precisa desenvolver essa sensibilidade literária.
Por isso que o primeiro tema se chama criação. Então, o que que o primeiro capítulo de Gênesis está berrando, gritando, gritando alto, está gritando assim? Tudo, tudo, tudo foi criado por Deus. Então, se chegasse um caldeu e dissesse assim, mas o Tiamat é muito poderoso, foi criado por Deus. Ah, mas o Horus é um deus muito poderoso, foi criado por Deus. Mas, o Leão é um animal sagrado para nós, foi criado por Deus. Mas, as vaquinhas são animais sagrados, foi criado por Deus. Não, mas aqui a gente cultua o fogo, foi criado por Deus.
Para nós, os sagrados são os carvalhos, foi criado por Deus também. Então, tudo foi criado por Deus. Ou seja, qual que é a ideia? Deus, o Criador, é superior a tudo que você der conta de imaginar. E, ele é superior até ao que você é incapaz de imaginar. Mesmo que você não imagine, ele é superior. Essa é a mensagem central. Deus é Criador. Criador. Tudo foi criado por ele. Como que o livro dos Espíritos retoma isso? Retoma numa linguagem século XIX, linguagem polida, filosófica, com colorido científico. Deus é inteligência suprema, ou seja, existem inteligências divinas?
Existe. Mas, qual que é a suprema? Deus. Suprema. Existem causas desconhecidas? Existem. Mas, qual que é a primária? Deus. Então, com a primeira pergunta do livro dos Espíritos, é retomado o tema criação. Causas? Ah, mas a causa disso foi os ventos que vieram. Mas, e a causa dos ventos? Não, a causa dos ventos foi um aquecimento. E a causa do aquecimento? Não, a causa do aquecimento é o movimento de rotação da Terra. Mas, qual que é a causa do movimento de rotação da Terra? Bom, a causa dos ventos… E, aí, você vai nisso.
Daqui dez anos, você vai estar pesquisando causas, vai ficar cansado e, aí, o livro dos Espíritos vai dizer assim, ó, Antes dessa causa que você achou, depois de dez anos, tem uma que é a primária. Deus. Deus. Esse é o tema geral. Deus criador até a vida de Jesus e vai ser Deus com ele. Ah, vou repetir. A Sheila está perguntando se é Deus criador e, aí, quando vem Jesus, passa para Deus Pai. Bom, na verdade, para Jesus também é o Deus criador. Quando ele traz essa, ele enfatiza, porque isso já estava também, né, quando ele enfatiza essa questão do Deus Pai, ele está querendo trabalhar mais a nossa relação com o Deus criador.
Então, não é tanto explorar características de Deus, é mais tratar a nossa relação com esse Deus. A gente vai ver isso mais pra frente um pouquinho. O livro de Gênesis que vai deixar uma amostra disso, né. Deus é Deus. Ele não muda. E é interessante porque a gente não vê Jesus especulando sobre Deus. A gente não encontra Jesus falando sobre a natureza de Deus, não. Toda vez que ele se manifesta sobre Deus, ele está falando da nossa relação com Deus. Então, você pega a parábola do filho pródigo. Então, são dois filhos e o relacionamento deles com Deus.
Parábola dos trabalhadores da vinha. Então, tem um senhor da vinha, alguém está prestando serviço. É sempre a nossa relação com ele. Nunca que Jesus está falando abstratamente sobre a natureza de Deus, Ele não vê necessidade nem utilidade em tratar disso. É interessante, né? Mas, acha primordial e coloca isso como a agenda principal do Evangelho, falar da relação da criatura com o Criador, que ele vai chamar de pai. É interessante porque ao enfatizar, né, que isso não esteja no velho, isso está no velho, mas não está enfatizado, que é diferente, né?
No Novo Testamento, em Jesus, é enfatizado, enfatizado com muita força que Deus é pai. Ao enfatizar Deus pai, Jesus está querendo dizer da relação. Porque, ao falar de Deus criador, eu posso estabelecer uma reflexão sobre Deus puramente abstrata. Ele é criador, não tem nada a ver com isso. Ele fica lá, eu fico aqui. Mas, quando eu falo Deus pai, aí não tem jeito. Sobretudo, dentro daquela mentalidade daquele povo, né? Não tem como, porque é outra mentalidade, é outro estilo de vida. Não tem como eu não ter uma relação com meu pai.
Isso não existe. Até porque as pessoas eram identificadas pela genealogia, pelo vinho. Você é quem? Eu sou fulano, filho de fulano. Como é no interior, né? Como é no interior. Tem uma fala do Drummond que eu adoro. Drummond é de Itabira, e a gente que nasceu em cidade do interior, ele diz assim, quem nasceu no interior tem uma vantagem sobre os que nasceram nas metrópoles. Nós desconhecemos o anonimato. O Drummond é muito inteligente, muito irônico, ele está querendo dizer que quem nasce numa metrópole é tanta gente que você é desconhecido, então você fica com vontade de aparecer.
A gente que nasce no interior, por exemplo, nasce em Jequitinho, todo mundo te conhece, então o que você menos quer é aparecer. Porque todo mundo já conhece, sabe tudo da sua vida. Então, o que você mais ama é o anonimato, que a gente desconhece. É interessante isso. Naquela sociedade, você é fulano, filho de fulano. Então, a gente vê Jesus dizendo assim, Simão, bar, Jonas. Que era a mãe, bar é filho. Simão, filho de Jonas. Simão. Isso não existe. Simão, quem que é Simão? Simão, filho de Jonas. Simão, filho de Jonas.
Ao trazer essa questão da filiação, Jesus está retomando isso, espera aí, você não tem uma identidade a não ser a partir da sua relação com Deus. É preciso voltar pra isso. Mas, aí, é outro tema, né. Deus criador, Deus criador, Deus criador vamos dizer, o grito principal do livro Gênesis. Então, o livro de Gênesis não quer fazer cosmologia, não quer fazer física, nem astronomia, nada disso. Toda linguagem, toda estrutura literária é apenas artesanato. A preocupação deles é dizer há um ser imaterial, transcendente, criador de tudo, criador de tudo e mais, e mais.
E mais. Criador que atua na sua criação. Isso é fundamental, fundamental, fundamental. Mas, nem tudo são flores. Deus criou tudo, criou todas as espécies, criou primeiro tudo que é mineral, tudo que é inorgânico, depois criou tudo que é vegetal, depois criou todas as espécies animais, e aí criou uma espécie, especial, especial. Essa Ele deixou pro sexto dia, a obra de arte final, a espécie humana. Não é? Que é uma espécie geneticamente 10% diferente das moscas. É o genoma que descobriu isso, não é? É bonito isso. O projeto genoma descobriu que o código genético de uma mosca é mais de 90% semelhante ao código genético humano.
Então, as nossas irmãzinhas moscas não estão tão longe assim da gente. Aliás, tem umas até mais desenvolvidas, não é? Há uma solidariedade, solidariedade. Solidariedade. Mas, a espécie humana é essa que tem dois bracinhos, duas pernas, marido, os ouvidos, a espécie humana. Depois que foi talhada, e a linguagem bíblica é poética e literária, porque fala de um barro, então da ideia de argila, da ideia de um artesão. Então, moldou. Bonito, não é? Moldou. E a argila, vermelha, não é? Vermelho escuro. Bonito isso. Moldou.
E então, e então, soprou na marinha. E aqui há poesia insuperável, porque vento e espírito, em hebraico, é a mesma palavra. Falar que Deus insuflou o ar, a respiração, o fôlego, e falar que Ele colocou o espírito é a mesma palavra, ruar. Em grego também, pneuma. Ar, vento, espírito, é a mesma coisa. Mas, aqui que está interessante, o livro de Gênesis tem algo especial, muito especial. Se nós examinarmos a mitologia grega, os deuses são homens amplificados. Se você examina Zeus, Apolo, Afrodite, Atenas, você pode ficar bastante decepcionado.
Por exemplo, na mitologia grega, nós temos um famoso concurso de beleza, talvez o primeiro descrito na literatura. E, Um pobre coitado foi chamado para ser jurado num concurso de beleza de mulher, para dizer qual era a mais bonita. Isso é silado. Duas mulheres perguntando qual era a mais bonita, imaginam quatro, cinco deusas frias. Deu guerra. Deu guerra. O deus, muito esperto, se esquivou e pediu para um mortal decidir, esse pobre coitado, pagou o pato. Então, os deuses têm comportamentos que são humanos, eles são homens ampliados, eles são homens com poder, poderes.
Mas, são homens. Aqui, não. Aqui, não. Gênesis vai na contramão desse processo. Então, a gente pega toda a cultura grega, o que é a cultura grega? Um culto ao homem. As estátuas de homens nuos, mulheres nuas, de roupa, é o culto ao humano. Gênesis está na contramão. Não pode ter imagem nenhuma, porque eu não posso ocultar nada que pode ser visto. Isso já é um povo de pastores, agricultores, camponeses, imaginarem um deus completamente imaterial, já é desnorteante. Não tem forma, não pode ser visto, não tem imagem e criou o homem, agora que vem a parte sensacional.
A sua imagem e semelhança. Então, é o contrário. Deus, o imaterial, o divino, o transcendente, criou filhos divinos. Daí, a afirmação de Saul, vós sois deuses. Que Jesus vai retomar no Evangelho de João. Não está escrito, não é? Vós sois deuses. Jesus retoma o texto bíblico do Velho Testamento. É até interessante, porque Jesus citando o Velho Testamento, tem gente que acha que não precisa estudar. Eu acho boa essa passagem. O próprio Jesus cita o Velho Testamento. Não está escrito, vós sois deuses. Essa concepção é extraordinária, original, não tem nada, nada, nada que se compare em grandiosidade.
Porque nós podemos encontrar isso espaço como um princípio lá na Antiga China, lá na Antiga Índia, na própria Caldeia, Zoroastro, no próprio Egito. Isso está assim, mas está velado, está oculto, está assim como uma pedra escondida em toneladas de cascalho. Aqui não, aqui está explícito, pulido, exposto. A luz do sol. Deus criou seres divinos, divinos, divinos, mas não prontos. Tem algum probleminha? Eu tenho fé que Deus te criou divino, Tiago. Tem um potencial enorme. Bom, escutado. Está todo mundo tão calado hoje, não é?
Meu Deus! Pronto? Bom, então, Deus criou os seres humanos divinos, mas potencialmente divinos, porque ao contrário dos animais, nós vamos ver isso no texto, quando a gente chegar nisso, que não tem opção de ser outra coisa, vamos voltar nisso. Foca nisso. A foca não pode ser outra coisa. Ela só pode ser foca. O leão só pode ser leão. O peixe só pode ser peixe. O homem pode ser o que ele quiser. Ele pode ser até leão. Ele pode ser cobra. Ele pode ser foca. Ele tem escolha. Livre, arbítrio, pensamento, reflexão. Ele sabe que ele é.
Entendeu? Por quê? Se você conversar com um papagaio, ele pode até falar algumas coisas, mas não espere que ele saiba que ele é papagaio. Ele simplesmente é. Ele é. Ele não sabe o que ele é. O homem não. O homem sabe o que é e pode optar por não ser. Por que eu estou falando isso? Porque aqui vai ter um problemão. Nós somos divinos, mas, se quisermos, podemos não ser. Eu posso não ser. Eu posso não ser divino. Eu posso optar por não expressar meus potenciais divinos. E, mais, posso optar por me afastar do Criador. E, adivinha qual que é a opção?
Foi feita pelo homem, pelo primeiro homem, que o primeiro homem aqui é, evidentemente, nós estamos falando de um grande símbolo, de um grande símbolo. Vamos ver isso com calma depois, com muita calma. O que que o homem, o gênero humano, porque Adam, em hebraico, é homem, de humanidade. É o terreno. A palavra original é Adama, que é terra vermelha. Então, Adam é o terreno. Ou, na linguagem do Livro dos Espíritos, é o corpóreo, o ser corpóreo, corporal, o ser na matéria, encarnado ou ligado à encarnação, está no estado de erraticidade, mas esperando voltar.
A terra vermelha, a carne, a carne, o sangue, é… Tem toda essa simbologia. E vem da argila também. Vem da argila, então é moldável. Moldável no sentido de que ele pode, mas ele pode escolher. Foi dado pra ele um potencial, mas ele fala, não, não quero ser divino, eu quero ser pior, eu não gosto de ser bom, eu quero ser ruim. Não quero. Bom, bom. Por que nós estamos dizendo isso? Deus criou tudo perfeito, tudo bonitinho, criou, está perfeito, ele sempre criava e tinha um controle de qualidade. Criou no primeiro dia e viu que era bom.
Então, está aprovado. Senão, ia lá e corrigia, né? Controle de qualidade. Criou tudo direitinho, o homem no sexto dia, descansou, no sétimo, o que o homem fez? Não quero ser imagem e semelhança de Deus. Não quero ser divino. Não quero seguir esse projeto de Deus. Quero seguir o meu projeto, que vai ser melhor que o de Deus. Projeto alternativo. Ele já tinha o pensamento, né? Já pensava, já tinha razão, livre-arbítrio. Quero criar o meu projeto. Deus projetou, mas eu posso projetar melhor. Bom, essa história se chama deu algo errado na criação.
Não pra Deus, porque pra Deus está previsível. Se Deus tivesse preocupado com isso, isso é importante pra nós vamos dizer, porque isso decorre do livro, hein? Se Deus tivesse tão preocupado assim, Ele não teria colocado essa opção na criação. Correto? Porque Ele deu alguma opção pra alguma planta? Não, existem milhões de plantas. Não, milhões é exagero. Catalogadas, parece que mais de 500 mil plantas, mas deve ter um milhão aí, no mínimo tem. Espécies animais, mais de 3 milhões, alguma tem opção de ser algo diferente?
Não tem. Por que que Ele deu a opção do homem, que é o único que pode ser imagem e semelhança dele, de ser diferente? Quer dizer, há um ato de grandeza em Deus. Quer dizer, não tá preocupado se você não vai querer. Isso não tá deixando Deus preocupado. Não foi um descuido. A opção. Quando a opção foi feita, eu não quero ser imagem e semelhança de Deus, eu vou construir a minha própria imagem, o livro Gênesis vai chamar isso de O nascimento do mal. Ou, se você preferir um vocabulário católico, o pecado original. Se preferir um vocabulário católico, se preferir um vocabulário mais filosófico, é o mal.
O mal entrou na criação. Deixando claro que o que é o mal? Na perspectiva do livro Gênesis, é você não optar por ser imagem e semelhança de Deus e mais que isso, desconectar-se de Deus. Perder a conexão com Deus. O afastamento. Aliás, o pecado é interessante, porque o pecado é errar o alvo. Então, você saiu da mira, saiu do alvo. Deu as costas. Então, algo que era isso, face a face, se transformou nisso. A criatura deu as costas ao Criador. Mas, se fosse só isso, se fosse só isso, era um probleminha. Se fosse só isso, era um probleminha.
Por quê? Se eu chamo a atenção do João Gabriel, eu faço alguma coisa, ele dá as costas, fica bravo, sai pro quarto, isso não é um problema. Isso é birra. Não é um problema. Só que não é só dar as costas. É renunciar ao potencial divino. É fazer a opção. Eu não quero o perfeito, porque eu prefiro o imperfeito, desde que seja feito por mim. Porque o meu negócio é ser o autor. Meu negócio é autoral. Eu quero é assinar a obra, ainda que ela seja infinitamente inferior. Eu corro esse risco. Entrou o mal no mundo. Entrou o mal no mundo.
O livro Gênesis vai trabalhar sobre o mal. Chegou o mal. O mal entrou. O homem não é mais imagem e semelhança. Então, ele não cumpre mais seu papel na criação. Isso é importante. É um problemão. Grande. Porque o homem tem uma função na criação. O homem que eu digo o gênero humano. Ele tem uma função na criação. Se ele não quer seguir o potencial, ele deixa de cumprir seu papel na criação. Então, a criação inteira se perturba. Essa é a ideia bíblica. Então, quando diz assim que alguém está perdido, que não está refletindo seus potenciais, não é só um problema seu.
É um problema da Terra inteira. Toda a criação é afetada. É por isso que expulsa do Éden, começa a nascer espinho, a mulher começa a ter parto doloroso. Na linguagem simbólica do livro Gênesis, nós vamos estudar tudo isso com calma. Por que que acontece? Tem dilúvio. Tem dilúvio. Por que que… Porque às vezes as pessoas se perguntam, meu Deus, o sujeito errou lá, abalou a natureza inteira. Mas, abalou a natureza por quê? Porque aquele que tinha uma função primordial na criação, que é o gênero humano, o ser humano, que era a função de ser imagem e semelhança de Deus, e mais, a função de gerenciar toda a criação, falhou.
Não quis. Então, é um navio. Nós vimos lá o navio italiano, o comandante abandonou. Viu o que que deu, né? O que que acontece com um navio? Imagina um piloto de avião, não é? Você tá lá voando, tranquilo, eu chego daqui meia hora, o piloto chega e fala gente, eu tô muito cansado, tô estressado com essa companhia, eu tô indo embora e é agora, põe o paraqueda e pula. Qual que é a sensação que você vai ter? Só vai vir a aeromoça falando, tem algum piloto a bordo? Alguém que se arrisca a pousar nessa aeronave? Quer dizer, o comandante do navio abandonou.
Então, a criação sofreu. E esse tema tá em Gênesis. Então, não é só a criação. Olha a temática criação em Gênesis. Deus criou tudo, perfeito, deu uma função fundamental, primordial ao gênero humano e o gênero humano abdicou, renunciou. Caos. Vamos resolver o caos. Vamos resolver o caos. Como é que resolve o caos? Aqui nós temos que entender o seguinte, esse homem que renunciou ao projeto divino multiplicou-se sobre a terra. É tão bonito isso, é tão simples. Tá simples? Tá tranquilo? Esse homem multiplicou-se e criou famílias.
O homem que renunciou ao projeto divino, antes era só o casal. O casal multiplicou. Então, esse negócio de Caim, Abel, é só pra dizer isso. O homem que renunciou ao projeto divino, multiplicou e gerou outros homens para imitá-lo. E esses imitadores de Adão e Eva, esses descendentes de Adão e Eva, se agruparam em famílias e essas famílias se agruparam em povos. Então, o que é o grave agora? Eu não tenho mais só um casal, eu agora tenho povos seguindo a tendência de não serem aquilo que Deus os projetou para serem. A erva daninha tomou conta da plantação.
Até aqui tudo bem? Tudo bem. O que Deus faz? Tem que resolver isso. Como é que eu vou resolver? Então, no livro de Gênesis, Deus pensa assim. E se eu chamar um outro casal, marcar uma reunião com eles, no Meimei, fizer um programa pra que ele se multiplique se multiplique e gere uma nova humanidade, essa sim, humanidade de seres que expressem o potencial divino. O que é isso, gente? O que é isso? A nova geração. Uma nova geração de seres humanos, humanos, esses agora prudentes, sensatos, que falam, não, gente, eu quero expressar meus potenciais divinos, eu quero ser o melhor.
Que casal foi esse? Abraão e Sara. Abraão e Sara. Aqui está o tema da eleição. Eleição. Eles foram escolhidos por Deus para darem origem à nova humanidade. Qual que era o projeto? Eu escolho um casal, esse casal se multiplica, gera um povo, esse povo se estrutura, povo hebreu, ensina os outros povos e a terra vai ser regenerada, regenerar ou gerar novamente, gerar de novo. Uma nova geração. Quando eu digo nova geração, eu estou falando de nova criação. Regenerar é criar de novo. Uma nova geração, uma nova criação de novos seres humanos, esse sim, a imagem e semelhança de Deus.
Ok? Até aqui tudo bem? O que aconteceu com o projeto? Falhou. Falhou. Falhou. Aqueles que foram eleitos não conseguiram ser imagem e semelhança de Deus. Bom, o que que acontece? Exílio, peregrinação ou se você quiser, em uma linguagem espírita, erraticidade. Você está no mundo espiritual, mas, na verdade, você não é morador, você é inquilino. Você está lá, mas esperando para voltar, porque seu lugar é aqui. Errante. Exílio. Não está em casa, está em viagem. Que viagem? Uma viagem repleta de sofrimentos, dores, dificuldades, provas, testes educativos.
E um exílio que está sujeito à escravidão. Porque o fato de estar peregrinando te torna suscetível, vulnerável à escravidão. Quando você é escravizado, acontece o que? O êxodo, a libertação da escravidão. Isso vai acontecer a todo momento, a todo momento. Abraão vai lá para o Egito, tem problema lá, Deus livra ele. O faraó quase que pega, porque ele mente, fala que a esposa dele é uma irmã dele. Dá uma confusão, sai corrido do Egito. Então, está sempre assim, porque o exílio é cheio de perigo. Você está sempre cativo.
E toda vez que você se torna cativo, você é libertado. Tem um êxodo. Miniaturas e, evidentemente, isso expressa também uma expectativa de que um dia, um dia, essa jornada ia chegar ao fim e haveria o grande êxodo da Terra. Mas, isso já é a tema para a Apocalipse. E, o dia que tivesse o grande êxodo, o último êxodo, é importante dizer isso aqui, coisas pequenininhas vão acontecendo, vão ficando grandes, até que aconteça a grande coisa. Pequenos exílios geram pequenos êxodos, os exílios vão ficando maiores, os êxodos vão ficando maiores, até que tenha o grande êxodo, o grande êxodo, quando você é libertado, acontece a redenção.
Redenção significa libertação absoluta. Por quê? Porque o ser se tornou imagem e semelhança de Deus, voltou para o projeto original, ele agora é divino. Esse é o tema. Ficou claro isso? Por não deixar ninguém apavorado, porque eu contei só o problema, tem o problema na aliança, primeiro tem o problema na criação, não é isso? O homem abdicou da sua função, abdicou do seu papel. Problema na criação, entrou o mal. Para resolver o problema do mal, Deus criou a aliança, chamou um novo casal, falou vamos povoar essa terra, não é?
De coisa boa. Vamos substituir a geração. Olha que simbolismo nisso, gente. Porque quando você abre a Gênesis de Kardec, o que que Kardec diz? Como é que a terra vai ser consertada? Está lá no livro da Gênesis, o último capítulo. Substituição dos seres encarnados. Não mais encarnarão espíritos tão imperfeitos aqui, em uma leva de espíritos superiores encarnarão. O que que é isso? Substituição. Nova geração. Mas, isso está lá em Gênesis. Isso Deus fez quando chamou Abraão e Sarah. Daí a importância de Abraão sendo velhinho, Sarah velhinha, teu filho, Isaac.
O que que é a importância do livro de Gênesis em ter o filho? Porque às vezes você abre o livro de Gênesis e fala, meu Deus do céu, gastar tanto capítulo pra falar de um homem velho com uma mulher mais velha que não pode ter filho pra ter um filho. Meu Deus, que coisa estranha esses livros da Bíblia. Deu pra entender agora? É claro que o tema é importante, porque é a partir da família de Abraão que vai se criar uma nova geração de seres. Mas, deu errado. Não criou. Os descendentes de Abraão, o povo hebreu, faliu. Falhou.
Não sou eu, Arô, que estou dizendo isso, pelo amor de Deus, gente. Daqui a pouco vou publicar na internet que eu estou falando que o povo hebreu, os judeus falharam. Não sou eu, não. São os profetas da Bíblia. Todos. Porque se tem uma virtude do povo hebreu é reconhecer os próprios erros. Reconhecer os próprios erros. Quem denunciou o povo hebreu foram todos os profetas da Bíblia. Todos. Todos. Isaías, Jeremias, Elias, todos eles. E denunciaram firme, forte, forte, e o exílio é decorrência da falha. Isso não sou eu que estou dizendo.
Isso é o texto bíblico que afirma na boca dos profetas. Ok? Então, o povo falhou. Mas, tem um detalhe. Deus não assinou o contrato? Assinou. O homem falha. Deus não. Então, Emmanuel diz assim, A providência divina não pode descer para errar com os homens. Nós falhamos. Nós falhamos. Mas, a providência divina não desce ao nosso nível para errar conosco. Qual que era a promessa? Qual foi a promessa? Qual foi feita a promessa para Braão? A promessa foi feita assim, a tua semente no singular. Faça um pacto com a tua semente no singular.
E Paulo, evidentemente, vai trabalhar isso e vai dizer essa semente foi Isaac? Não foi. Isaac falhou. Jacob falhou. Todos falharam. Que semente é essa? Ela vem. Ela se chama Jesus Cristo. Jesus, o Messias. O que que é Jesus? Jesus é a semente de Abraão, o homem único, o único, o único que foi integralmente imagem e semelhança de Deus. Ele foi tão imagem e semelhança de Deus, ele levou o potencial divino tão alto, tão alto, que a gente acha que ele é Deus. Algum problema com isso? Eu não tenho nenhum. Ele é tão reflexo de Deus, tão imagem e semelhança de Deus, que você olha pra ele, a sensação é que você está olhando pra Deus.
Ele é divino. Então, gente, é importante dizer isso aqui, que às vezes a gente espírita dá uma escorregada nisso. Kardec diz assim, na nota da questão 625. Sendo Jesus o mais perfeito que já veio à Terra e sendo o seu ensino a mais pura expressão da lei de Deus, o Espírito divino o animava. Isso é Kardec. O Espírito de Deus animava Jesus, ou seja, Deus agia por Jesus, Deus falava pela boca de Jesus, Deus andava com as pernas de Jesus, fazia com as mãos de Jesus, o Espírito divino o animava. Palavra de Kardec, questão 625, no comentário do Codificador.
O ensino de Jesus é a mais pura expressão da lei divina. É claro que tem outros que já ensinaram a lei divina, mas não tão puro. Então, nós estamos falando de que lado? Nós estamos falando do maior diamante que já veio à Terra. Ele cumpriu. E, adivinha? Instaurou uma nova humanidade. Por isso que os seguidores dele, aqueles que seguem e vivem o seu ensino, vão dar origem a uma nova humanidade, a um novo povoamento da Terra de homens, gênero humano, homens e mulheres, que expressem os seus mais altos potenciais, seus potenciais divinos.
Esse é o trabalho instaurado por Jesus. Daí a importância que os apóstolos dão às comunidades cristãs, porque elas não são simples igrejas. Elas são ninhos, viveiros de novos seres. Paulo chega a dizer abertamente, novas criaturas em Cristo. Inventação de bebeza. Exatamente. Não é? Então, o homem velho, quem que é o homem velho? Quem que é o homem velho? Não é só um aspecto psicológico. Quando a gente fala homem velho, ah, sou eu, cheio de defesa. Não. O homem velho é o homem adâmico. É o homem que não ocupa sua posição no ciclo da vida.
É o Simba. Você tem que ocupar o seu lugar no ciclo da vida. Você é muito mais do que você pensa. Não é? O homem velho é esse homem adâmico, o homem desconectado de Deus, o homem que deu as costas pra Deus, o homem que não expressa seus potenciais divinos, o homem que não é a imagem e semelhança de Deus. E agora tem um novo homem, um novo homem, um homem novo, que é um homem em Cristo. Por quê? Porque ele imita o Cristo. Por isso que Cristo é modelo. Por isso que Jesus é modelo e guia. Porque tem um novo êxodo. Por isso que ele é guia.
Tem um novo êxodo. Tem uma redenção pra acontecer. Olha como é que fecha. Não fica tudo mais claro? Fica tudo mais claro. Por isso Paulo diz assim, já não sou eu mais quem vive, é o Cristo que vive em mim. Ou seja, eu não sou mais Adão. O primeiro homem é Adão, alma vivente. O segundo homem, o novo Adão é o Cristo, Espírito que dá vida, vivificante. O novo gênero humano. O homem em plena comunhão com Deus, expressando o seu potencial divino e importantíssimo, ocupando o seu lugar na criação. Isso é o tema central da Bíblia.
E como toda a Bíblia é, na verdade, um reflexo do Gênesis, porque Gênesis é o cristal básico, todos os outros livros e a Bíblia como um todo, é apenas uma ampliação desse fractal, desse cristal. O modelo arquetípico é o livro de Gênesis. Esses são os temas centrais de Gênesis e, portanto, os temas centrais da Bíblia. Se a gente lê a Bíblia nessa perspectiva, tudo fica mais simples. Tudo fica mais simples, mais claro. Alguém quer falar alguma coisa? Ficou claro assim? Então, criação, aliança, exílio, êxodo e redenção.
Por isso, gente. Por isso. E isso é um fato que a gente chama atenção nesse livro, se lê de redenção, é que quando Humberto de Campos escreveu o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, ele não é bobo. A estrutura literária do livro é a mesma de Gênesis. Os temas são os mesmos. Ingênuo foi quem leu. Tá tudo lá. Até as palavras são as mesmas. A estrutura é a mesma. A gente tentou demonstrar isso no capítulo 5, evidentemente, em pinceladas gerais, porque não dá pra explorar em detalhes. Mas, tá lá. Tá lá.
É importante reconhecer isso, porque agora a gente entra no livro de Gênesis com outra cabeça. Entendeu? Por que que começa com a criação? Por que que depois fala de Abraão? Por que que depois fala do exílio? Por que que tá na hora de terminar? Isso. Então, vamos fazer a prece. O áudio tá funcionando, né? Então, pessoal, terminou, ninguém precisa ficar apavorado. Acabou, vamos fazer a prece. Quem quer fazer a prece? Você faz, Sheila? A Sheila faz pra gente a prece. Pai de amor e bondade, Jesus, Mestre, agradecemos pela bênção de mais este dia na prece.
E agradecemos por tantas oportunidades que temos dado. Agradecemos em especial a oportunidade deste novo instituto que possamos compreender as Gênesis, nossa origem, nossas dificuldades, nossos potenciais e que possamos novamente nos reencontrar com Deus. Abençoa-nos nossos melhores propósitos de atividade e crescimento. Ilumina nossa mente, nosso coração para que façamos uma jornada para dentro de nós em busca do Pai. Graças a Deus. Graças a Deus.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
Respostas