#057 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Gênesis, dando continuidade à análise do capítulo 3, que aborda a desobediência de Adão e Eva e suas consequências. O estudo é enriquecido com reflexões do capítulo 9 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, intitulado “Bem-aventurados os mansos e os pacíficos”, com foco no item “Obediência e Resignação”.

O que é estudado neste episódio

  • Obediência e Resignação como virtudes ativas: Haroldo retoma a discussão sobre essas virtudes, destacando que elas carregam o fardo das provações que a revolta insensata abandona. A obediência é ligada à inteligência (Adão), à capacidade de examinar e aprofundar, enquanto a resignação é associada ao sentimento (Eva), à aceitação do coração.
  • A revolta insensata: É o oposto da obediência e resignação, caracterizada pela recusa em analisar a sabedoria divina por trás das provações e pela não entrega do coração a Deus. Ela leva ao abandono de deveres e responsabilidades.
  • Covardia, orgulho e egoísmo: O estudo explora como a covardia impede a resignação (pois a entrega a Deus exige coragem) e como o orgulho e o egoísmo deturpam a inteligência, impedindo a obediência e a compreensão dos desígnios divinos.
  • Jesus como encarnação da obediência e resignação: Lázaro, em mensagem ditada em Paris, 1863, afirma que Jesus exemplificou essas virtudes em um momento de corrupção material da humanidade. A corrupção não é apenas financeira, mas um “apodrecimento moral” e dos potenciais espirituais, que se inicia com Adão e Eva e se alastra pela humanidade.
  • A virtude e o vício da geração atual: Lázaro aponta a “atividade intelectual” como a virtude da nossa geração e a “indiferença moral” como seu vício. A atividade intelectual, embora não garanta genialidade, representa uma elevação no acesso à informação. A indiferença moral, por sua vez, é vista como um mal que corrói os valores humanos.
  • A lei do progresso e a ação divina: A humanidade é impulsionada pela lei do progresso. Aqueles que resistem a essa lei, por preguiça ou orgulho, serão “açoitaloemos” e forçados a ceder através da “dupla ação do freio e da espora”, o que explica o aumento do sofrimento como meio de derreter o orgulho.
  • A serpente como projeto de humanidade sem Deus: A serpente simboliza um projeto de autonomia humana que exclui Deus, levando à competição e à busca por ocupar o lugar divino. Este projeto, que se alastrou pela humanidade, resulta em desigualdade, crime, suicídio, depressão, egoísmo e indiferença.
  • A desconexão e a fuga da presença divina: Após a desobediência, Adão e Eva se escondem da presença de Deus, simbolizando a desconexão e a fuga da consciência divina. Essa fuga se retroalimenta, levando a um afastamento cada vez maior.
  • A pergunta de Deus: “Onde estás?”: Esta pergunta não é sobre localização física, mas sobre o grau de afastamento espiritual. É um convite à reflexão e ao autoexame da inteligência.
  • A nudez de Adão: Simboliza a perda da “cobertura divina” e a insuficiência da parte humana sem a conexão com Deus. A sensação de desordem, carência e incapacidade leva à necessidade de dominar e sobrepujar para suprir essa falta, que só pode ser preenchida pela reconexão com o Criador.
  • A transferência de responsabilidade: Adão culpa Eva (“A mulher que puseste junto de mim me deu da árvore e eu comi”), confessando sua omissão e a não utilização de sua inteligência para examinar e avaliar a situação.
  • O “castigo” como remédio: As consequências da desobediência não são uma maldição, mas um remédio divino para curar a omissão de Adão, a fragilidade de Eva e até mesmo a serpente, cada um com seu tratamento específico para a regeneração.

Reflexões

  • A obediência e a resignação são forças ativas que nos capacitam a enfrentar as provações, enquanto a revolta e a insensatez nos levam a abandonar nossos deveres e a nos afastar de Deus.
  • A verdadeira corrupção da humanidade reside no “apodrecimento moral” e na indiferença aos valores divinos, um processo que se inicia com a busca por uma autonomia que exclui o Criador.
  • As consequências de nossas escolhas, mesmo que dolorosas, são frequentemente remédios divinos que visam nossa cura e regeneração, impulsionando-nos na lei do progresso.

Ler transcrição do episódio

Música Olá, pessoal! Estamos aqui em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés. Você que acompanhou o episódio anterior viu que nós paramos exatamente em um ponto da leitura do capítulo 9 do Evangelho segundo o Espiritismo, Bem-aventurados os mansos e os pacíficos, o item titulado Obediência e Resignação, em que nós comentávamos que a obediência e a resignação, consoantes ao ensino dos Espíritos, são duas virtudes ativas, muito ativas. E, aqui, nós damos sequência a este tema. Lembrando, como dizem os Espíritos, que as duas constituem forças ativas porque carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair.

Eu vou ler de novo, porque esta frase é maravilhosa. A obediência e a resignação, as duas constituem forças ativas porque carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair. O que é a revolta insensata? Revolta é o contrário de resignação. Insensatez é o contrário da obediência. Lembram que nós dissemos, no episódio anterior, que a obediência tem a ver com a inteligência, tem a ver com Adão, tem a ver com a nossa capacidade de examinar, comparar e aprofundar. Por outro lado, a resignação tem a ver com o sentimento.

A resignação é Eva. Ela tem a ver com a aceitação do coração. É quando o coração se abre e se entrega a Deus. Quando o coração não se entrega, diante da provação, ele se revolta. Quando ele não analisa, ele não examina a sabedoria de Deus por trás da provação, ele se torna insensato. É uma revolta insensata. E o que faz a revolta insensata? Deixa cair o fardo. Deixa cair, abandona, abandona o dever, abandona o posto de serviço, abandona as suas obrigações, abandona os entes amados, abandona as tarefas, abandona a si mesmo, abandona a Deus.

Deixa cair o fardo. Os Espíritos prosseguem. O covarde não pode ser resignado. Olha que interessante! Por quê? Para você se entregar de coração a Deus, você precisa ser corajoso. Corajoso. Porque você aceita, mas não tem garantias. Não tem garantia. Precisa ser corajoso. Do mesmo modo que o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Olha que interessante! Por quê? Porque o orgulhoso e o egoísta deturpam a inteligência. A visão do orgulhoso e do egoísta é distorcida e a sua inteligência é comprometida com os desvios do seu sentimento.

Este é o ponto. Então, o orgulhoso constrói raciocínios aparentemente maravilhosos, mas que são nefastos. São raciocínios cujas consequências são venenosas. Então, a inteligência, quando escravizada ao egoísmo e ao orgulho, é uma inteligência deturpada. Ela não consegue sondar os desígnios de Deus. Ela não consegue enxergar os planos ocultos de Deus por trás das coisas. Olha que interessante! E, aí, os Espíritos vão dizer – porque, se você acompanhou, você vai ver que, no último episódio, eu encerrei falando de Jesus no Monte das Oliveiras, mas não foi à toa.

Por que nós citamos esta passagem? Porque, olha o que os Espíritos vão dizer. Os Espíritos não, né? Quem dita esta mensagem é Lázaro. Foi ditado em Paris, em 1863. Lázaro diz assim Jesus foi a encarnação destas virtudes. Quais virtudes? Obediência e resignação. Virtudes que a antiguidade material desprezava. Eu acho interessante ele dizer antiguidade material. Por que material? Porque ele está falando do mundo dos encarnados. Porque o mundo antigo das esferas superiores é o mesmo. As esferas luminosas são as mesmas de hoje, de um milhão de anos atrás.

Percebe? Elas não mudam seus valores. As esferas de onde Deus legisla para o Universo estão sempre em harmonia com a sua lei divina. É o mundo material que está em mutação, que está se aperfeiçoando e procurando se adequar à lei de Deus. Por isso que ele fala que a antiguidade material é verdade. A antiguidade material desprezava a obediência e a resignação, como o nosso mundo de hoje. Porque a transição planetária revive a barbárie. Hoje, nós estamos regredindo a barbárie. Basta você olhar o trânsito de uma cidade no horário de antes ou como as pessoas se comportam no trânsito, como elas dirigem seus veículos.

É uma coisa bárbara. É um negócio impressionante como a gente se transforma Parece que a gente perde a noção de que nós somos seres humanos por trás do volante. Tamanha truculência, violência, egoísmo, cada um querendo defender o seu regresso à barbárie. Então, nós regredimos. Neste mundo de hoje, falar em obediência e resignação, isso não é valor. Não é valor. Porque o valor hoje, qual é o super-herói? O super-herói é o que arromba, é o que quebra. Está fechada a porta, ele explode a porta. Ele destrói uma cidade para salvar uma pessoa.

Não aceita nada. Por conta de um trauma vivido, ele se veste de preto, mora em uma caverna e combate o crime com um pouquinho de truculência, espalhando o medo. Estes são os nossos heróis. É isto que nós valorizamos. É isto que nós valorizamos. Então, aqui, Lázaro está fazendo esta ponderação. Ele, Jesus, veio no momento em que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção. Mas, não é corrupção de dinheiro, não é isto que Lázaro está falando. É corrupção do nosso DNA divino. É o que vai acontecer aqui, na sequência da história, com Adão e Eva.

Eles vão se corromper, porque foram criadas a imagem e semelhança de Deus, mas não quiseram ser imagem e semelhança de Deus, preferiram seguir um projeto autônomo e independente de humanidade e, aí, eles entram em um processo de corrupção, de corromper, corrupção no sentido de corroer. Para nós entendermos, é como se fosse um apodrecimento moral, um apodrecimento dos potenciais espirituais. Eles vão se corrompendo. Este é o grande tema bíblico. Por isso, nós vamos, lá na frente, encontrar Noé com a Arca, porque este processo de corrupção que começou com Adão e Eva vai crescer exponencialmente, vai crescer avassaladoramente e vai abranger todas as sociedades, todas as comunidades.

É o que nós estamos vivendo hoje. Então, é um processo de corrupção do humano. Nós não conseguimos ser humanos. Então, nós atiramos bombas, matamos crianças, mulheres e velhos indefesos. Nós colocamos uma bomba no metrô e a pessoa que está andando no metrô na Rússia é ferida, morre por conta de uma bomba que nós colocamos. Há título de quê? Há título de defender uma ideia, uma ideologia. Isto é perder a humanidade. Isto é corromper-se. É esta corrupção aqui. E Roma, na época, que simboliza a humanidade no texto bíblico, o ser humano, as organizações humanas, estava corrompida.

E é Lázaro que está falando. Ela falecia, ou seja, morria. Mas, escuta, não foi esta a advertência de Deus? No dia que comeres do fruto, da árvore, do conhecimento, do bem e do mal, certamente morrerás. É como se Deus dissesse assim, o dia que você quiser evoluir experimentando o mal, você vai se corromper. Vai morrer, espiritualmente falando, vai morrer. É isto. Isto aconteceu. E Jesus, diz Lázaro, veio fazer que brilhassem no seio da humanidade deprimida os triunfos do sacrifício e da renúncia carnal. Então, é o contrário.

Onde aumenta o egoísmo e o orgulho, vem Jesus com o remédio, o sacrifício e a renúncia, que é o antídodo, o antídodo para combater o egoísmo e o orgulho. Porque, em uma comunidade em que todos amam e todos praticam a caridade, talvez não tenha necessidade do sacrifício e da renúncia, porque todos vão se acooperando uns com os outros. Percebe? Se todos são amorosos, todos são caridosos, todos estão pensando no outro, ninguém vai precisar renunciar sozinho. O fardo pode ser dividido. Mas, enquanto imperam o orgulho e o egoísmo, alguns têm que renunciar e têm que se sacrificar.

Esta é uma lição profunda. E, aí, ele continua. Assim, cada época é marcada pelo cunho da virtude ou do vício que a devem salvar ou perder. Cada geração tem uma virtude e um vício. Se ela optar pela virtude que ela tem, ela se salva. Se ela optar pelo vício, ela perece. E, aí, os Espíritos Lázaro vão dizer assim a virtude da vossa geração é a atividade intelectual. E, é verdade. Basta você acessar o Google, digite aí no Google, qualquer coisa que você quiser, qualquer coisa. Digite, aí, como fazer um bolo de cenoura com cobertura de chocolate.

Digite, aí, no Google. Digite, aí, como trocar o pneu de um carro, como trocar o pneu de uma bicicleta. Percebem? Digite, aí, um endereço para onde você vai. Então, a marca da nossa geração a virtude da nossa geração é a atividade intelectual. E, o nosso vício? Diz Lázaro, seu vício é a indiferença moral. Indiferença moral. Eu acho interessante isso. Não é a moralidade, ou, ao contrário, a maldade. É a indiferença que é pior. Indiferente. Não importa. A nossa sociedade, hoje, humana, é indiferente aos valores morais.

Indiferente. Como se eles não existissem. Então, você pega o seu carro em uma grande cidade, na hora em que todo mundo está saindo do serviço, entre seis e sete horas, você vai ver que todos são indiferentes à gentileza. Todos são todos que eu digo, não estou querendo dizer todo mundo, estou falando assim no coletivo. Coletivamente, nós somos indiferentes à educação, indiferentes à paciência, à calma, à serenidade. Então, são todas as pessoas agitadas, violentas, ansiosas, cada um querendo chegar primeiro, egoístas, grosseiras, com um instrumento poderoso na mão, que é um veículo.

E, nós assistimos todos os dias escândalos de corrupção, de uso do poder para interesse pessoal, de conchalos, e, quando você examina esses companheiros que caíram aí nessas teias do mal, a gente percebe o quê? Que eles refletem a sociedade, indiferente aos valores morais. É isso que Lázaro está dizendo. Digo apenas atividade, então, quer dizer, ele está dizendo assim, a virtude é a atividade intelectual, atividade, ele está dizendo. Digo apenas atividade, porque o gênio se eleva de repente e descobre por si só horizontes que a multidão somente verá mais tarde, enquanto que a atividade é a reunião de esforços de todos para atingir um fim menos brilhante.

Olha que interessante! Ele está dizendo que isso não é genial o que está acontecendo, que é a média, é um esforço que todos estão fazendo, porque o gênio ultrapassa tudo isso. Quer dizer, aquele que destaca na inteligência, ele ultrapassa. Mas, que é a prova a elevação intelectual de uma época. Então, a nossa época experimentou uma elevação intelectual, o acesso à informação. Mas, Lázaro está dizendo que isso não diz que nós nos tornaremos criaturas geniais, inteligentes, extremamente inteligentes. Não! Talvez, bastante informadas, talvez criaturas com muito acesso ou com muita atividade intelectual.

Quantidade, não qualidade. Submetei-vos ao impulso que nós vamos dar aos vossos Espíritos. Olha que interessante! Obedecei à grande lei do progresso, que é a palavra da vossa geração. Ai do Espírito preguiçoso, daquele que fecha o seu entendimento. Ai daquele, porque nós que somos os guias da humanidade em marcha, açoitaloemos e forçaremos a sua vontade rebelde. Olha que interessante! Por meio da dupla ação do freio e da espora. Ora puxa, ora empurra. Ora puxa, ora empurra. Freio e espora. Que interessante isso! Toda resistência orgulhosa terá de ceder, cedo ou tarde.

É por isso que o sofrimento está se multiplicando como nunca antes na humanidade. A temperatura aumenta para derreter o nosso orgulho rebelde. Bem-aventurados, no entanto, os que são mansos pois prestarão ouvidos dóceis aos ensinamentos. Ouvidos dóceis. Docilidade ao ouvir. Uma mensagem maravilhosa, maravilhosa e que nos remete aqui ao texto. Porque a serpente, aqui no capítulo 3, ela representa exatamente o projeto de humanidade que foi concretizado no mundo e que nós estamos vivendo hoje. O projeto da serpente foi tão bem sucedido que ele se espalhou para todas as nações da Terra.

Aí, o que acontece? Multiplica-se a desigualdade, multiplicou-se o crime, multiplicou-se o suicídio, multiplicou-se a depressão, multiplicou-se o egoísmo e a indiferença. Indiferença. Você pode experimentar andar em uma grande avenida de uma grande metrópole. Experimente andar chorando por uma grande avenida, raríssimas pessoas vão perceber que você está chorando. Este é o projeto de serpente, porque ele é o projeto do autocentramento. Ele é o projeto do homem construindo o homem sem Deus. Tira Deus. Eu vou fazer sozinho.

Eu dou conta. Eu faço. Este projeto se alastrou e, agora, nós estamos experimentando o ápice das consequências deste projeto. Então, vamos examinar, aqui, algumas coisas para a gente entender. Depois que o projeto foi acatado, ou seja, depois que a inteligência e o sentimento consentiram com o projeto da serpente, entenderam? Porque a inteligência, que é Adão, e o sentimento, que é Eva, poderiam ter obedecido e consentido obedecido e resignado ou consentido com o projeto de Deus. Mas, eles não consentiram, não acataram.

Não acolheram. Não o ouviram com docilidade. Mas, há o projeto da serpente, sim. A serpente foi muito bem recebida. Na verdade, a gente percebe, aqui, no capítulo 3, que Eva desenvolveu uma relação muito mais íntima com a serpente do que com Deus. O relacionamento dela com a serpente é quase que de cumplicidade, de entrega. Então, ela consentiu, ela resignou-se, ela aceitou, ela acolheu a proposta da serpente, que era qual proposta? Vamos fazer, mas tira Deus. Nós vamos competir com Ele. Nós vamos fazer algo melhor do que Ele.

Nós vamos tirar a posição dEle. Nós vamos ocupar a posição de Deus. Este é o projeto da serpente. Vamos ocupar a posição de Deus. E, olha, gente, não é raro a gente ouvir, na ciência, nas artes, na política, na economia, variações da seguinte frase, não, nós não precisamos de Deus. Vem trazer este negócio de religiosidade, de Deus. Não, tira, nós não precisamos disso. É comum a gente ouvir isso, que é o DNA da serpente. Esta é a marca da serpente. É uma independência. É a célula que saiu do organismo, portanto, é uma célula cancerígena.

Ela quer um projeto independente que destrói o organismo. Isto é importante, a gente ouve isto muito. Então, a gente pega, por exemplo, um teórico da sociologia e vai examinar as ideias dele e saber qual é o DNA, o que está por trás das ideias dele, o que ele quer, realmente, qual é a proposta. Aí, você consegue ver se o projeto é divino ou se o projeto é da serpente. É fácil, você não precisa nem ler o livro. Você lê duas páginas e já identifica o DNA do projeto. E, assim, na ciência, nas artes, na economia, em todos os empreendimentos humanos, todos os empreendimentos humanos, a gente consegue detectar isto.

É profundo. Este texto é muito profundo. Então, o que o texto diz? Eles ouviram o passo do Senhor Deus que passeava no jardim à brisa do dia. Não é? Então, o que significa isto? Até eles acatarem este projeto humano, eles gozavam de de quê? De intimidade com Deus. Eles sentiam a presença divina no jardim interior. Deus caminhava no jardim interior, como caminha até hoje, vai caminhar sempre. Mas, a diferença aqui é que eles ouviam os passos, sentiam a presença e, aí, o homem e a sua mulher se esconderam. Aqui está o sintoma se esconderam entre as árvores do jardim, se esconderam da presença divina.

Este aqui é o sintoma da desordem interior. Este é o sintoma. Aqui, os dois se entregaram, se entregaram, porque, aqui, já começam os resultados, as consequências da falta de obediência e resignação, que é um processo de fuga da presença, fuga da presença, que, aliás, se você quiser ter uma ideia, lúdica e literária disso que nós estamos falando, que é bem filosófico, leia o capítulo do livro Morro Alto sobre o Mutum, que é a criança lá, que tem uma experiência. Leia lá, porque, aí, você vai ver que isto está bem retratado lá.

O que é que acontece com a criança, qual é a relação que ela tem com Deus quando ela pratica o mal feito lá? É isto, aqui. Você se esconde, você não quer a presença. Eu me afasto da presença. E, aí, a gente vai pensando quanto mais eu caminho na senda do mal, mais eu quero me afastar. E, aí, o processo começa a se retroalimentar. Mais afastamento, mais prática do mal, mais afastamento, mais prática, mais afastamento. Até entrar no processo de saturação ou de afastamento máximo da presença de Deus. E, o Senhor Deus chamou o homem.

Onde estás? Disse ele. Isto aqui é bonito, porque isto aqui é muito bonito. Nós estamos, aqui, vários episódios, vários episódios, tentando arranhar, tentando descortinar os aspectos amplos, gerais e universais deste texto. Porque, este texto, aqui, ele fala, em essência, da desconexão da humanidade de Deus. É isto que este texto fala e de um projeto de reconexão da humanidade com Deus e este projeto se chama Jesus Cristo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus Cristo é o projeto de Deus de reconexão da humanidade com o Criador.

Então, é disto que nós estamos falando aqui. E, olha que interessante, o Criador, na sua sabedoria, no seu amor infinito, percebendo que Adão se escondia, chamou Adão e perguntou para ele Adão, o que você fez? Não, não foi isto que ele perguntou. Não foi isto que ele perguntou. O que você fez? A pergunta é mais profunda. A pergunta é, Adão, onde estás? Você está onde? Porque, se nós estamos falando de afastamento de Deus, esta pergunta é vital. Quem está próximo não vai ouvir onde estás. Só quem se afastou. Então, a pergunta aqui é, filho, o quanto você se afastou?

Onde estás? A pergunta é para a inteligência, não é para o sentimento. É para a inteligência. É para a nossa capacidade de refletir, de ponderar, de examinar, de comparar, de aprofundar. Onde estás? E, o que ele faz? Ele renuncia, mais uma vez, ao que lhe é devido. Ele fala, ouvi teu passo no jardim, respondeu o homem, tive medo, porque estou nu e me escondi. Olha só, senti a presença, percebi que eu estou nu. Por que está nu? Porque, agora, o texto é simbólico. Adão perdeu a cobertura divina. Entendem? Então, todo ser humano, toda criatura alinhada com Deus, ela tem uma parcela humana e tem uma parcela de cobertura divina.

Se eu me afasto da presença, da conexão com Deus, só me resta a parte humana. E, ela é insuficiente. Eu sei que ela é insuficiente. Isso é visível. Porque a cobertura divina, o cobrimento, aquilo com que Deus nos cobre, é o plus. É o plus. Por isso, em Atos, nós vamos ouvir assim, mesmo em Romanos, Paulo dizendo que, se Deus é por nós, quem será contra? Se eu estou sob a cobertura do Criador, se eu estou homologado em conexão, eu tenho uma cobertura. Se eu não estou, qual é a sensação? Sensação de desordem interna, sensação de desagregação interior, sensação de carência, sensação de incapacidade, sensação de fracasso, de baixa autoestima.

Isso vai se refletir quando uma necessidade de destacar, com a necessidade de sobrepujar, de ferir, de conquistar, de dominar. Para quê? Para suprir, para suprir a carência. Faça um movimento contrário para suprir a carência. Carência que não será suprida por homens. Porque, na verdade, o que eu estou sentindo falta é da cobertura divina. E, aí, ele se esconde. Se esconde porque não tem coragem, se tornou orgulhoso, não tem coragem de retomar a conexão, não tem coragem de aceitar a presença divina. A presença divina que vai pronunciar retidões sobre tudo o que é torto na nossa vida, como diz o Luís.

A presença divina que pronuncia retidões, que corrige tudo o que é torto. E, aí, Deus pergunta para ele e quem te fez saber que estavas nu? Quem te fez saber? Comestes, então, da árvore que te proibiu de comer? É um bonito texto, não é? É como se o Criador dissesse assim Mas, então, você comeu do projeto o homem sem Deus, o projeto do mal, você comeu dele. Porque, senão, você nunca sentiria a falta da cobertura, você nunca se sentiria nu. Você nunca experimentaria essa consciência de estar nu. Estaria sempre acobertado, amparado.

Amparado é melhor, não é? Amparado. Que é bonito, aqui, o projeto, não é? O projeto divino é o máximo de conexão com o mínimo de acoplamento. Olha isto, aqui. Deus quer estar o maximamente conectado conosco, mas, sem nos tomar, sem nos anular. Então, com o mínimo de acoplamento. Ele não vem para nos anular. A gente ganha em autonomia, em liberdade, com o máximo de conexão. Bonito, isto? Então, ele pergunta, você comeu? E, aí, o que ele faz? Ele se entrega. A mulher que puseste junto de mim me deu da árvore e eu comi.

Me deu. A mulher me deu e eu comi. O que ele está dizendo, aqui? Deixei de exercer as minhas funções. Abri mão do que me competia. É quando você fala, assim, amordacei a minha inteligência e, por isso, entrei nessa fria. Assaltei, como diz Emmanuel, do verbo saltear, assaltei. As ilusões assaltaram a minha inteligência. Tampar a boca dela, amarrar as mãos e os pés dela, colocar no porta-mala, minha inteligência não pôde agir. E, aí, você entrou naquela situação levada pela ilusão. E, agora, estamos experimentando o amargo sabor da desilusão e, pior, tendo que ir lá, tirar a mordadura da boca da inteligência, soltar a nossa inteligência e olhar para ela e falar, nossa, como que eu caí nisso?

É um Adão que não exerceu, acatou, recebeu da mulher, está pondo a culpa nela, mas está confessando. Eu não examinei, não comparei, não aprofundei, eu acatei sem avaliar, eu não fui Adão. Eu não fui Adão, não exerci as funções de Adão. Omiti, me entreguei à omissão. Mais uma vez, que é o tema da parábola dos talentos. Aquele que recebeu um enterrou porque omitiu-se, não quis correr o risco, não quis agir, ficou com tanto medo de cometer um erro que preferiu enterrar o talento. Então, está aqui a cena de novo se configurando e transfere responsabilidade.

Depois, nós vamos ver que o castigo, entre aspas, para Adão tem a ver com esta atitude dele. Tem uma sabedoria aqui. A Adão serão ditas palavras que tem a ver com a omissão dele. E, nós vamos perceber que não é uma maldição. O que Deus vai dar a Adão é o remédio para ele curar deste mal, que é a omissão, que é a frouxidão da inteligência. Vai dar um remédio para ele. Como vai dar para Eva? Só que o de Eva é outro, porque o mal dela é outro. Como vai dar um para a serpente? Para a serpente, também. A serpente também vai ser regenerada, mais dificilmente, mas também será.

E, o remédio dela é outro. Mas, aí, já é tema para o nosso próximo episódio. E, a gente fica por aqui. Até lá! Eu aguardo você! Se você é inteligente, você não precisa ser grosseiro.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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