Neste episódio, Haroldo Dutra Dias dá continuidade ao estudo do livro de Êxodo, aprofundando-se na terceira parte da obra, que aborda o tema da comunhão. Esta seção abrange os capítulos 25 em diante, e o estudo é enriquecido pela perspectiva da Doutrina Espírita, que oferece chaves de compreensão para os ensinamentos bíblicos.
O que é estudado neste episódio
- A Comunhão da Criatura com o Criador: A grande temática bíblica da relação entre Deus e o ser humano é explorada, levantando questões fundamentais sobre o sofrimento, a morte, a desigualdade e a natureza de Deus.
- A Visão Tríplice do Ser Humano: A Doutrina Espírita apresenta o ser humano como corpo, perispírito (corpo espiritual intermediário) e espírito imortal (essência divina), utilizando a analogia do abacate para ilustrar essas camadas.
- Camadas de Manifestação Divina: A Cabala é citada para explicar que Deus se manifesta em camadas, sendo sua essência inacessível a qualquer ser criado, e suas emanações se graduam até atingir a matéria mais densa.
- Pluralidade dos Mundos Habitados e Categorias Morais: Com base em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, são detalhadas as categorias dos mundos (primitivos, de expiação e provas, de regeneração, ditosos e celestes), explicando a evolução dos espíritos e a diminuição do sofrimento e do mal em cada estágio.
- A Evolução Espiritual e a Comunhão com Deus: A Doutrina Espírita oferece uma compreensão sofisticada da jornada evolutiva do espírito, desde sua simplicidade e ignorância inicial até a pureza espiritual, onde a comunhão com Deus é máxima.
- O Simbolismo Bíblico e a Doutrina Espírita: É enfatizado como os textos bíblicos, escritos de forma simbólica e inspirada, podem ser compreendidos mais profundamente à luz dos ensinamentos espíritas, especialmente ao abordar temas como a construção do Tabernáculo.
- A Lógica do Sofrimento e do Mal: A Doutrina Espírita explica que o mal e o sofrimento estão no início da jornada evolutiva do espírito, como parte do aprendizado e aprimoramento do livre-arbítrio e do senso moral, cessando à medida que o espírito atinge a pureza moral.
- Como Identificar a Comunhão com Deus: A comunhão com Deus é um processo subjetivo e único, que se desenvolve através do apuro da sensibilidade e do sentimento, comparado ao treino do paladar para apreciar nuances.
Reflexões
- A Doutrina Espírita oferece uma lente única para compreender as questões existenciais levantadas pelos textos bíblicos, como o sofrimento e a relação com o divino, ao apresentar a evolução do espírito e a pluralidade dos mundos.
- A jornada espiritual é um processo contínuo de aprendizado e aprimoramento, onde o mal e o sofrimento são etapas necessárias para o desenvolvimento moral e intelectual do espírito, culminando em uma comunhão plena com Deus nos mundos celestes.
- O estudo sério e metódico da Doutrina Espírita é essencial para desvendar os simbolismos bíblicos e aprofundar a compreensão da relação entre a criatura e o Criador, revelando uma lógica e uma coerência que transcendem as interpretações literais.
Ler transcrição do episódio
Jesus está comigo Em todos os perigos Ainda me sinta só confio Que Jesus olha por mim Jesus está comigo Não me abandonará Levanta os olhos e contigo a vida é convite a superar Jesus está comigo Nas minhas alegrias E todo o seu amor é um motivo a mais Pra perdoar, pois ele está comigo Jesus está comigo Já não me sinto só orgulho A dor é passagem a mais o amor de Deus É luz que nunca vai se apagar Jesus está comigo Boa tarde, amigos. Tudo bem, Haroldo? Boa tarde, Leonora. Boa tarde a todos que nos acompanham aí na live.
Que linda música, né? Se Jesus está com o Júlio, está conosco também, né? Está com todos nós. Verdade, verdade. É, e nessa versão do violão ficou bonita, né? O Júlio tocando aí. Com dedilhadinho, do jeitinho que ele gosta de fazer, né? Gente, boa tarde a todos. Hoje o Júlio também não estará conosco, mas deixa um abraço pra todos nós. Vamos dando início ao nosso estudo de êxodo à luz da doutrina espírita, dando boa tarde a todos os amigos que desde cedo sempre mandam um olá, sempre mandam um bom estudo, dizendo que estão esperando, né?
Tem amigos que chegaram mais cedo, mas aqui no nosso, onde fica aqui gravado pra nós, deixa eu botar aqui, a primeira que entrou às três horas da tarde, a Marília, de Juiz de Fora, aguardando com muita alegria, nós também, Marília, aguardando esse momento com muita alegria. A Maria Aparecida, boa tarde, amigos do coração, em Budazarte, São Paulo. A Salete Costa, boa tarde a todos, presente aqui de Porto Alegre, lá do Sul. Eu nasci em Pelotas, né? Também sou gaúcha. Boa tarde, Salete. Vamos ver… Todos os amigos que estão, né?
A Tânia, que está sempre conosco. Tânia Cristina, de São Paulo. E tem aqueles amigos que acompanham depois o gravado e por conta do horário sempre alguém coloca que é a primeira vez que está participando, que está conseguindo. Eu marquei aqui o Pedro Alexandre, minha primeira vez aqui no estudo, muitas bênçãos a todos, sou de Portugal. Bem-vindo, Pedro. Deixa eu ver… Queria agradecer aqui a Silvia. Ela, toda semana, ela compila os estudos, né? A colaboração que o pessoal posta nos grupos, do WhatsApp, do Facebook.
A Silvia coloca tudo em um drive, fica tudo organizadinho lá. A gente tem o material por estudo. Então, a gente agradece a Silvia que voluntariamente faz esse trabalho pra todos do grupo. Postamos lá o material. E cada vez tem mais amigos dizendo que é a primeira vez. Boa tarde, sejam bem-vindos. Muito bom. Então, todos bem-vindos. Então, hoje, relembrando o livro de êxodo, o nosso estudo, a gente dividiu pedagogicamente, né? Era o do livro em três partes. Então, a primeira parte falava de liberdade, do capítulo 1 ao 18.
A segunda parte falava de fidelidade, do capítulo 19 ao 24. Aquela parte que nós estudamos os mandamentos. E a gente está começando a terceira parte, a partir do capítulo 25, falando de comunhão. Esse é o nosso tema da tarde de hoje. Exatamente, Leonora. Bom, então vamos, porque esse tema é um grande tema bíblico pra gente que se debruça sobre o estudo bíblico, que lê os livros da Bíblia hebraica, procura fazer essa relação entre os livros do Novo Testamento e os livros da Bíblia hebraica. A gente percebe que essa é a grande temática.
A grande temática. A comunhão da criatura com o Criador. E, é claro, que essa questão da comunhão com Deus, ela levanta uma série de aspectos, uma série de questões. Eu arriscaria dizer que ela levanta todas as questões, todas. Por exemplo, se Deus é o Criador, por que o sofrimento? Por que a morte? Por que a desigualdade? Por que Deus é imaterial e incorpóreo e nós, corpóreos? Tão juntos, tão próximos da matéria e, portanto, suscetíveis a todas as mudanças, a toda a impermanência da matéria. Por exemplo, os Espíritos, no livro dos Espíritos, quando vão falar da encarnação, da vida espiritual, eles chamam de vicissitudes da vida corporal.
O simples fato de alguém encarnar o coloca frente a frente com numerosas vicissitudes. Talvez não imediatamente, mas no curso da existência. Ao longo da encarnação, nós vamos experimentando essa multiplicidade de vicissitudes da vida corporal, até que chega o momento em que a maior das vicissitudes da vida corporal bate a nossa porta, que é a morte, a desencarnação, a maior de todas as vicissitudes. O momento de máxima fragilidade do Espírito encarnado. Fragilidade por quê? Porque, nesse momento, os processos fisiológicos, os processos corporais assumem uma prioridade, e o Espírito precisa aguardar o desprendimento com todas as consequências que isso tem.
Ao imaginar um Deus incorpore e material, soberanamente justo e bom, e ter que lidar com todas essas incertezas, com todas essas vicissitudes, é, por si só, uma contradição aparente. É um desafio, um desafio para todos nós. É parte da caminhada religiosa do povo hebreu, que depois se transmite para a comunidade cristã e que se transmite hoje para a comunidade espírita e para as demais comunidades cristãs atuais. Parte dessa jornada religiosa diz respeito a isso, a esse tipo de indagação. E é aqui, nós acreditamos, que a doutrina espírita pode dar uma contribuição muito diferenciada, muito mesmo, muito diferenciada, ímpar, sem igual.
Primeiramente, o que é a doutrina espírita vai apresentar o ser humano numa perspectiva tríplice. O ser humano é corpo. O ser humano tem algo intermediário, um corpo espiritual ou vários corpos espirituais, não importa, algo intermediário, que é o perispírito, e O espírito imortal, a essência, a centelha divina. Aquela essência que participa dos atributos da divindade. Então, é mais ou menos assim, não é, Leonora? É como se a gente pegasse um abacate, fizesse um corte, abrisse o abacate, a gente vai perceber que existe um caroço, existe aquela substância mais cremosa, verde, e existe a casca.
Então, esse caroço seria a essência espiritual. Esse elemento verde ali, que é a polpa, o perisperma, por isso que Kardec usa a palavra perispírito, seria esse corpo, esse conjunto de corpos espirituais que interagem com a mente espiritual e a casca fininha, o corpo físico. Então, veja que a essência está ocultada, está sobrecamada, está protegida, não está visível. Você olha para o abacate no pé, você não vê o caroço que está interno. Eu consigo ver mais a casca ou, no máximo, se tiver um furinho na casca, um pouco da polpa, da fruta que vaza ali da casca.
A situação é semelhante quando a gente pensa no ser humano. Mas, não temos acesso direto à mente espiritual? Estou falando de perispírito, não. Mesmo que você esteja no mundo espiritual, por exemplo, na colônia Nosso Lá, você não vê o Espírito, você vê o perispírito. Não tem acesso à essência espiritual. Só os Espíritos muito evoluídos, extremamente purificados, começam a ter acesso à essa essência divina. Então, nós temos camadas. Temos camadas. E, o fato de termos um corpo físico, o fato de termos estruturas mais materializadas, mais grosseiras, nos coloca em um mundo que é corporal e material.
Um mundo que é corporal e material. Essa cosmovisão espírita é muito sofisticada. Muito sofisticada. Ela nos ajuda a compreender, como diz Kardec, uma multiplicidade de fenômenos, de acontecimentos, de fatos da vida. Permite que a gente compreenda. Não é? Por outro lado, os Grandes estudiosos da Bíblia hebraica, os doutores da lei, os sábios, quando pensavam sobre Deus, eles pensavam em camadas também. Então, aqueles estudos mais profundos da Bíblia hebraica, imagina, eles tinham uma tradição de deixar participar desses estudos mais profundos só os alunos mais avançados.
Um principiante não poderia participar desses estudos porque ele tinha que passar por um condicionamento, por um treinamento de interpretação. Tem que aprender primeiro a interpretação literária, depois tinha que aprender a interpretação simbólica, depois fazer os colares de pélula, até que ele pudesse entrar na Kabbalah. No estudo mais aprofundado. Então, um dos princípios da Kabbalah é que Deus se manifesta através de camadas. Então, Deus tem uma essência que é inacessível a qualquer ser criado. Olha isso. Então, a essência, o pensamento divino, a essência divina, só é acessível a ele, Deus.
Então, a primeira manifestação de Deus, se ele não manifestar, ninguém sabe. Percebe? Por quê? Porque nenhum ser criado, por mais evoluído que seja, entra na intimidade de Deus, a não ser que Deus permita. Então, é o criador que permite, é o criador que se revela. Então, na Kabbalah eles chamam de é o criador que emana. Ele precisa emanar. Ele precisa manifestar. E a primeira manifestação dele, só os seres puros têm acesso. Só que essa manifestação é como uma pedrinha que caiu num lado. Ela vai gerando ondas. Ela vai gerando outras camadas até chegar na matéria bruta, na matéria mais densa que a nossa.
Haveria uma gradação de manifestações da divindade. Uma gradação. Ou seja, para nós que estamos na matéria mais densa, mais grosseira do universo, nós estamos na última onda da manifestação de Deus. Quando chega a nós, ela já passou por todas as outras esferas até que chega em nós. E, nesse ponto, a doutrina espírita, mais uma vez, dá uma contribuição inestimável quando ela vem nos ensinar sobre a pluralidade dos mundos habitados e a categoria moral dos mundos. Então, nós temos o capítulo 3 do livro O Evangelho segundo o Espiritismo Meu Reino não é deste mundo e Kardec vai explicar essa categoria.
É claro que é uma categoria geral, a gente não pode tomar o pé da letra, existem gradações infinitas, mas dá para a gente ter uma ideia. Então, nós teríamos os mundos primitivos, matéria densa, mais densa, que é a mesma matéria da nossa, não é? Só que é um mundo mais agressivo, ele tem fenômenos geológicos mais agressivos, porque é um mundo recente, é um mundo recente, então ele está num processo de formação ainda muito instável, muita mudança climática, muita mudança geológica, e não há, nos mundos primitivos, seres inteligentes, primatas inteligentes na superfície desses mundos, por isso eles são primitivos.
A partir do momento que eu começo a ter na superfície de um mundo primitivo, seres inteligentes da estirpe do homo sapiens, começa a expiação imprópria, os mundos de expiação imprópria. Então, os fenômenos geológicos, eles cedem um pouco, as questões da natureza relativamente se estabilizam, eu tenho uma estabilização também das espécies biológicas, dá uma organizada, só que aí começa uma atividade inteligente desses seres. Mas uma atividade muito experimental ainda, por quê? Porque eles são inexperientes, eles acabaram de atingir a razão, eles estão aprendendo a fazer escolhas, e aí começa um longo processo de milhares e milhares e milhares de anos, em que esses seres inteligentes vão precisar educar o livre-arbítrio e vão precisar desenvolver o senso moral.
Então, nesses mundos de expiações e provas, expiação e provas, o erro cometido deve ser corrigido, o mal praticado deve ser reparado, daí a expiação. E prova por quê? Porque os dissabores, as vicissitudes da vida corporal, elas aprimoram a inteligência, os sentimentos e a moralidade do ser, ao longo de séculos, séculos e séculos, um processo lento. Nos mundos de expiação e prova, o mal predomina, o mal predomina, até que… Deu uma quedinha, já deve estar retornando. Voltou, né? Até que… Até que esses mundos de expiação e provas passam por um progresso moral.
Vejam, não é tanto uma mudança física, porque nós vamos entrar no mundo de regeneração, mas vamos continuar com o corpo físico encarnando. Não é tanto uma mudança de natureza física. Claro, há uma evolução do cérebro, porque a evolução não para. Não para nunca. Mas não é um salto assim. Quando a gente começa a pensar nos mundos ditosos, aí acontece algo que eu não sei explicar, não me pergunte, nos mundos ditosos não há mais corpo físico como o nosso. Existe ainda encarnação, mas em corpos muito sutis, corpos tão sutis que são mais sutis que o nosso perispírito, para a gente ter uma ideia.
Então, vocês imaginam o perispírito deles. Então, é claro que nos mundos ditosos não há tantas vicissitudes da vida corporal. Por quê? Porque a vida corporal lá é muito mais sutil do que a nossa. As necessidades são muito menores. O grau de sutileza da matéria é incomparavelmente maior que a nossa matéria aqui. Até que nós chegamos nos mundos celestes. Aí o nome já diz. Mundos celestes, reino absoluto, reinado absoluto do bem. Não existe o mal. Ninguém encarna. Não tem mais encarnação. É a morada dos Espíritos puros.
Então, lá nesses mundos a comunhão é máxima. Máxima. Os processos de comunhão com Deus são assim, incomparavelmente maiores que os nossos. Por quê? Porque a sutileza, o aperfeiçoamento, a inteligência, o avanço do sentimento, o avanço moral é tão maior que o nosso, que a gente sequer consegue descrever os processos de comunhão divina desses seres com Deus. Nós não conseguimos nem descrever. Lá, nesses mundos celestes, não há mais vicissitude. Não há nem prova. Não há prova, não há expiação, não há vicissitude, não há mal, não há mais sofrimento.
Então, é algo algo celestial. É uma vida, já. Agora, é claro, é claro que nós só tivemos acesso a esse tipo de conhecimento a partir de 1864, quando Kardec publicou o Evangelho segundo o Espiritismo. Então, até 1864, nós tínhamos várias ideias, mas não era uma ideia tão precisa, tão bem colocada, tão didacticamente organizada quanto essa. Interessante, não é? Muito interessante. E quando você falou em comunhão como uma pedra que vai se expandindo, a gente também pensa espiritualmente, quando você fala esses mundos todos, essas as gradações espirituais, essa comunhão funciona como uma teia também.
Os espíritos, os protetores que nos cuidam, devem ter os protetores deles, até chegar a Jesus. Imagino assim. Depois de Jesus, tem outros Cristos também, que são orientadores do próprio Cristo. Você tem um Cristo planetário, você tem um Cristo do Sistema Solar, você tem um Cristo de constelações, você tem um Cristo da Galáxia, isso não para, não para. Sempre terá um Espírito mais velho, mais experiente, sempre, sempre, sempre. Isso não para. A gente está sempre num meio, sempre tem alguém atrás e sempre tem gente à frente.
É importante a gente se acostumar com isso. Então, essa visão clara da evolução, essa visão clara da comunhão, o povo hebreu tinha? Não! Os cristãos primitivos tinham? Não! A maioria dos cristãos hoje tem? Não! Mas, nós temos essa fonte de ensinamentos dos Espíritos, dos Espíritos da Pleja e do Espírito Verdade, Espíritos mais experimentados, que trouxeram sua sabedoria, sua experiência e dividiram conosco seus conhecimentos. Por isso, nós temos acesso a essas informações, porque eles compartilharam conosco esses conhecimentos.
Então, com esses conhecimentos, nós voltamos para a literatura bíblica, para a Bíblia hebraica, para os textos do Novo Testamento, e nós vamos perceber que os autores bíblicos inspirados escreveram de maneira simbólica, talvez até sem entender o que estava psicografando, talvez sem entender completamente o que estava escrevendo, mas, escreveram inspirados, inspirados. Então, quando nós examinamos a terceira parte do livro Exodú, tudo isso que eu falei até agora, tudo isso que eu falei está lá, está lá, só que está sob o véu do símbolo, está lá guardado debaixo daquela linguagem simbólica, metáfora, símbolos, está lá guardado.
O que nós temos que fazer? Extrair o espírito da letra e entender, através daqueles simbolismos, nós vamos apurar a nossa visão. Então, estudando o simbolismo lá, nós falamos, nossa, compreendi melhor. Então, eu lembro o Honório, o Sr. Honório adorava falar isso, não é? Ele dizia assim, Arouldo, eu não sei se eu aprendo mais Evangelho quando eu estudo Doutrina Espírita ou se eu aprendo mais Doutrina Espírita quando eu estudo Evangelho. Olha que interessante, porque é uma via de mão dupla. É uma via de mão dupla. Estudando os textos bíblicos, eu refino meu conhecimento espírita, estudando o conhecimento espírita, eu refino meu conhecimento bíblico.
É um processo recíproco. Mas, Eleonora, eu vou deixar o pessoal fazer alguma pergunta, falar um pouquinho, eu vou só acender a luz, está ficando escuro aqui, né? Deixa eu só acender a luz um pouquinho. Acenda lá que a gente vai lendo as perguntas aqui. Gente, quem tiver perguntas… Mas muito didático, né? Como Arouldo explana todo esse conhecimento que a gente tem da Doutrina Espírita de uma forma tão clara, tão… tão didática para a gente entender a nossa própria evolução e essa comunhão com Deus, né? Estava comentando aqui, Arouldo, como é didático, assim, como você consegue resumir em pouco tempo, toda…
Eu estava te ouvindo, eu só não estava… Eu só estava com a câmera gravada, mas eu estou ouvindo. Ah, a gente tem perguntas, por exemplo, o Eduardo Faveiro está perguntando se a Terra é o planeta mais atrasado do nosso Sistema Solar, se a gente tem essa informação, né? Quem está perguntando? O Eduardo. Eduardo Faveiro. Eduardo, é assim… Vamos examinar. Em algum planeta do Sistema Solar aí que tem Espírito encarnado em corpos iguais aos nossos? Não encontramos ainda, né? O pessoal está procurando. Então, a ciência, a astronomia, quando examina o clima, a estrutura dos planetas do Sistema Solar, nenhum deles é hábil para que um corpo físico possa habitá-los.
Nenhum. Nenhum. E é um ponto curioso. A Terra está numa distância tão adequada, se ela estivesse mais próxima, nós morreríamos. Se ela estivesse mais distante, nós morreríamos. Então, veja. O que significa isso? Existe uma distribuição… Agora, aqui, nós estamos especulando, gente, porque nós temos que entender que tem certos conhecimentos que são inacessíveis a nós encarnados. Importante entender isso. Mas, a gente dá uma olhadinha no Sistema Solar e fala, nossa, que engraçado, né? Só tem um planeta de expiação e provas no Sistema Solar.
É. Só tem um. E, curioso, se você procurar um Sistema Solar próximo do nosso, ele está, assim, há muitos anos luz de distância. Ou seja, não dá para chegar lá com o corpo físico. Olha que interessante. Então, assim, a gente está adequadamente isolado para só criar problema no nosso planeta. Para que o nosso problema não extrapole para outros planetas. E está suficientemente afastado para não interferir. Não é? E tem uma, no Evangelho, tem uma explicação, analogia lá, que também, cada peixe em seu em seu tipo de mar, tem o peixe de água doce, tem o peixe de água salgada, tem o peixe da Amazônia.
Então, tem cada corpo para o seu planeta. Exato. Nessas manipulações todas de fluido cósmico. Exatamente. Eu estou procurando aqui as perguntas, mas que estejam, assim, relacionadas com o tema que a gente está estudando hoje, de comunhão, dentro do do antigo testamento à luz da doutrina espírita. Então, quem tiver dúvidas sobre o que a gente está conversando hoje, né? O Denis se perguntou, mas eu não sei se eu entendi, o Haroldo pode dar um exemplo onde o que ouvimos da doutrina está lá no êxodo, comunhão. Exatamente.
Eu acabei de falar que é exatamente o capítulo 3 de o livro Evangelho segundo o Espiritismo, que fala sobre a escala dos mundos. E, A questão número 100 do livro dos Espíritos, em diante, que é o tema da escala espírita, que fala da evolução dos Espíritos, desde os Espíritos imperfeitos, de terceira ordem, até os Espíritos puros, da primeira ordem, e lá está descrita a característica dos Espíritos de primeira ordem, de segunda ordem e de terceira ordem. O que nós aprendemos lá? Os Espíritos puros são os que estão em maior comunhão com Deus, não é?
Além disso, temos uma questão no livro dos Espíritos que nos diz que os Espíritos puros veem a Deus e o compreendem, claro que não veem com olhos físicos, eles não têm mais corpo físico, senão eles não seriam Espíritos puros, então esse ver aí é uma linguagem metafórica, mas eles veem e o compreendem, e nós, que somos Espíritos imperfeitos, que temos um corpo, nós sentimos e elucubramos, tentamos adivinhar, tentamos formar uma ideia. Então, juntando esse conhecimento, quando a gente vai ler sobre o tabernáculo, lá em Êxodo, sobre a construção do tabernáculo, aquele lugar onde Deus se manifestaria, tudo fica mais claro.
É esse o sentido. Então, veja, eu tenho que reunir. Estudo bíblico à luz da doutrina espírita é igual cozinhar. Você tem que separar vários ingredientes e tem que reuni-los, porque as coisas não estão. Então, eu tenho que pegar a farinha de trigo, aí pega o açúcar, pega um pouquinho de sal, pega o óleo, pega os ovos. Você tem que separar uma série de ingredientes e reuni-los para que a gente possa ter uma compreensão. É exatamente isso que nós estamos fazendo aqui há 46 minutos. Tentando reunir uma série de ingredientes para que a gente comece a estudar a terceira parte do êxodo.
Comece a estudar. Comece a refletir sobre esses aspectos. Muito bom. Separando os ingredientes. É isso que nós estamos fazendo. Separando as chaves, que nem o Kardec diria, para ir abrindo essas portas. A Lourdes fez uma pergunta, acho que está muito relacionado com o tema que você abriu, a nossa conversa hoje. Alguns ateus dizem que o são por não conseguirem acreditar em um Deus que permite tanto sofrimento. Existe uma maneira de explicar a Deus para essas pessoas? Seria o sentimento um caminho? Eu acho que falta o conhecimento mesmo.
As abordagens religiosas anteriores não eram capazes de satisfazer essa sede de conhecimento, de racionalidade, de lógica. Então, quando a doutrina espírita vem e explica esses três aspectos, quais três aspectos? O ser humano é espírito, corpo intermediário e corpo físico. O espírito está numa jornada evolutiva. Ele começa simples e ignorante, sem exceção, sem exceção, sem exceção. Todos os espíritos começam simples e ignorantes. Têm que evoluir até atingirem a pureza espiritual, e fazem isso percorrendo vários mundos.
Esses mundos com as suas características, que são características relativas ao grau de elevação moral dos habitantes. Mundos primitivos, expiação e prova, regeneração, ditosos e celestes. Quando eu junto isso tudo, fica mais claro. Mas, fica mais claro se eu quero compreender. Porque, se eu não quero aceitar isso, se eu não quero compreender, não tem jeito. Aí é só o tempo, a experiência. Porque não adianta a gente explicar isso e a pessoa fala que não aceita isso. Não adianta, a gente tem que respeitar. Respeitar.
Entender também que o fato da pessoa não acreditar em Espírito, não acreditar em Deus, não a torna uma pessoa amar. Não necessariamente. Porque, se fosse assim, todo religioso era uma pessoa boa. Não é o caso. Não é o caso. Então, a gente entende. Cada um está no seu processo. A pessoa fala assim, eu não acredito em Espírito. Ok. Quando a gente desencarnar, a gente volta a conversar sobre isso. Vamos adiar essa conversa para depois. É isso que você tem que entender, não é? Agora, se eu, por isso que o Kardec falava, o Espiritismo requer um estudo sério e metódico.
Esse estudo sério e metódico ele vai consumir dez, quinze, vinte anos da sua vida. Não é assim. Então, ali, pegar, dar uma lida, agora eu compreendi. Não é assim. Não é assim. Tem muitos detalhes. Então, por exemplo, por que Deus permite o mal e o sofrimento? O que? O mal e o sofrimento tem que estar no início da jornada. O mal e o sofrimento estão no início da jornada. Porque não existe mal e sofrimento no fim da jornada. Só existe mal e sofrimento nos mundos primitivos, nos mundos de expiação e prova, nos mundos de regeneração.
Nos mundos ditosos e no mundo celeste já não tem mais. Nos mundos ditosos ainda tem um pouquinho de mal. Porque lá, nos mundos ditosos, há um predomínio do bem. Mas o mal só deixa de existir nos mundos celestes. Então, como que Deus organizou a evolução? Em função do livre-arbítrio e da inexperiência, o mal está no início da jornada. O mal está no início da jornada. Por quê? O aluno que é novo e experiente vai errar mais. Até que ele se torne sábio, experiente, amoroso, afetivo, moralmente evoluído, e aí ele começa a eliminar o mal da sua vida.
Então, veja, essa é a lógica. Essa é a lógica. Nós temos uma pergunta aqui muito boa da Márcia. Vou botar aqui na tela. A Márcia pergunta assim, Eleonora, como identificar nossa comunhão com Deus? Isso é boa, né? Como é que a gente identifica em nós? Bom, Márcia, em vários textos, a começar pelo Livro dos Espíritos, o Livro dos Espíritos diz que nós, Espíritos imperfeitos, podemos sentir a Deus, sentir Deus, sentir e Se nós tomarmos a poesia de Alta de Sousa, ouve o teu coração em cada prece, como é que nós podemos medir a nossa comunhão com Deus?
Eu preciso exercitar esse processo. É subjetivo. É único. É uma jornada única. Cada um vai desenvolver de acordo com a sua individualidade, com a sua personalidade, com as suas características espirituais. Mas, é um treino. É um treino. Então, nós construímos essa proximidade. Nós construímos esse relacionamento através do apuro da sensibilidade. É, mais ou menos, como um treino do paladar. Um treino do paladar. Pensa num provador de café. Você coloca assim 35 tipos de café. Ele prova e consegue dizer. Uma pessoa que não tem essa experiência, você pode dar o café, ele não consegue nem distinguir.
Por quê? O paladar não está apurado para perceber. Então, para perceber a comunhão com Deus, o nosso paladar, que é o sentimento, tem que estar apurado. É um teste. Muito bom. Tem algumas pessoas que estão perguntando por que a gente não está respondendo todas as perguntas. Gente, o nosso tempo é limitado e a gente está escolhendo as perguntas que têm a ver com o tema que a gente está estudando. Porque às vezes são perguntas boas, mas sobre outros temas. A gente tem que acompanhar o estudo de hoje. E são muitas também, não é, Leonora?
Não dá para responder todas, infelizmente. Já estamos nos encaminhando para o final. Tem uma pergunta aqui do João Caldas, que está dentro do tema. Ele fala assim, Haroldo, por que nos mundos ditosos… Eu perdi. As mundos ditosos ainda têm o mal? O João perguntou isso. Por que o Kardec escreve, João? Kardec escreve assim, nos mundos ditosos há o predomínio do bem. Predomínio. O que é predominar? Predominar significa que ainda tem algo para ser dominado. Agora, quando ele vai descrever os mundos celestes, ele fala o reinado absoluto do bem.
É isso. E tem sentido? Tem. Olha a lógica de Kardec. Ele escreveu uma obra chamada O Céu e o Inferno. Lá no livro O Céu e o Inferno tem um item chamado Código Penal da Vida Futura. E o Kardec explica, para cada imperfeição do espírito há um sofrimento associado. Então, faz sentido que só vai cessar 100% o sofrimento quando eu atingir a pureza moral? Porque, quando eu atinjo a pureza moral, eu não tenho mais imperfeições morais. Portanto, eu não tenho mais sofrimento. Portanto, não tenho mais o mal. É muito lógico, né?
Muito lógico. Por isso que essa sutileza, essa sutileza das palavras que o Kardec… É isso que exige um estudo detalhado da Doutrina Espírita. É isso que você fala, nossa, o que ele está querendo dizer com isso? Você tem que pegar um outro livro, um outro texto. Aí você fala, agora entendi. Agora entendi. Agora entendi. Então, por que os espíritos puros não vão cair mais? Não vão amar o mal? Porque eles já estão saturados de mal, eles não querem ver mal nunca mais. Ele fala assim, Deus me livre. Nunca mais. Já estão experientes, já estão sábios, já desenvolveram o amor.
Eles não têm a menor vontade de ter qualquer relação com o mal. Nenhuma. Nenhuma. Você acha que um espírito como Alcione está querendo praticar mal? Ela está querendo, ela está fugindo disso com todas as forças da alma dela. Não é sério. Por quê? Porque já teve um… Já teve milhões de anos sofrendo as vicissitudes da vida corporal, renunciando. Ela fala, não quero mais isso. Não quero mais isso. Eu estava lendo aqui que o nosso amigo, o Alexandre Abrantes, disse que fez uma pergunta e gostaria muito que fosse respondida.
Só que, pra gente, aqui ela vai… a gente não consegue voltar todas, né? Ela chega em um limite e eu não consigo fazer voltar. Eu pedi pra ele se pudesse repetir a pergunta. Se o Alexandre pudesse repetir a pergunta, a gente lê agora, então. Aqui no nosso sistema, ele chega num limite que não… que a gente não consegue reler. Mas muito importante, né, que a gente conversou hoje, que pra começar esse estudo de comunhão, a gente está separando esses ingredientes, né? Achei tão bonito isso que o Haroldo falou. Então, a gente está falando sobre evolução, a gente está falando sobre escala espírita, a gente está falando sobre evolução de mundos, pra gente ir entendendo depois por que que a gente construiu uma tenda, né?
Por que que a gente teve que construir um tendo. Então, eu não estou… É bom você ter pontuado isso, Eleonora. Eu não estou falando desses temas da doutrina espírita apenas por falar. É porque nós vamos precisar desses conceitos pra gente entender o tabernáculo. Quando lá na Bíblia hebraica fala construa um tabernáculo, eu vou habitar nesse tabernáculo, eu vou me comunicar com vocês, se nós não entendemos esses temas aqui, nós vamos ficar com a visão mágica de que Deus materializa, conversa com as pessoas, aí não dá.
Então, a gente precisa desses conceitos pra poder estudar com firmeza, com segurança esses temas bíblicos. Porque, lembrem, esse aqui é um estudo à luz da doutrina espírita, né? Deixar isso bem claro, né? Nós não estamos competindo, nem desmerecendo nenhuma abordagem, nenhum estudo. Mas o estudo aqui é à luz da doutrina espírita. Muito bom. Excelente. Chegamos ao nosso horário, dezoito horas. Hora do Ângelus. Hora do Ângelus. O pessoal tá colocando aí, pedindo prece. Apareceu agora pra mim. Parece que a Marília Mendonça caiu.
Nossa! Que os amigos espirituais possam recebê-la com todo o amor, com todo o carinho, que ela possa ser envolvida e que os familiares delas possam ser amparados, né? Então, nossos sentimentos à família, aos amigos, a todos, vamos incluí-los nas nossas orações. Vamos incluí-los. Sem dúvida. É incrível, né? Porque a gente tava falando aqui exatamente da vicissitude da vida corporal. É uma lição pra todos nós. A vida corporal é um sopro. É um sopro, né? É um sopro. Qualquer momento nós podemos sair da encarnação. No momento.
Exato, Márcia. Por todos que estavam com ela, por todos que desencarnaram, é oração a todos, né? Não só a ela, mas a todos os envolvidos, a todos os familiares. Oi, Leonora. Muito bom. Agradecemos a presença de todos. Você ia falar que semana que vem? Hã? Você ia comentar que semana que vem? Semana que vem nós vamos adentrar adentrar mesmo no estudo do tabernáculo. Porque a gente entenda a metáfora que está associada a esse tema da comunhão com Deus, né? Então, muito bom. Um bom final de semana a todos. Obrigado a todos que estiveram hoje presentes conosco ao vivo.
Aqueles que vão escutar depois em casa, agradecemos. E semana que vem esperamos todos seguindo com o tema de comunhão. Comunhão. Comunhão. Obrigado, Haroldo. Leonora, bom fim de semana. Meus amigos, minhas amigas queridas. Um ótimo final de semana pra todos. Fiquem com Deus. Até semana que vem. Até semana que vem. Tudo alcança Nada Te falta com Deus no coração Só Deus Só Deus Te basta Com Deus Te perturbe Nada Te estante Tudo Te basta Só Deus Não muda Águas de Santo São Nada Te falta Com Deus no coração Só Deus Só Deus Te basta Com Deus Te perturbe Nada Te estante Tudo Te basta Só Deus Não muda Águas de Santo São Nada Te falta Com Deus no coração Só Deus Te basta Com Deus Te basta Com Deus
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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