Neste estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias nos guia por uma análise aprofundada do Livro de Isaías, explorando suas nuances e a riqueza de seus ensinamentos à luz da Doutrina Espírita. O estudo destaca a estrutura literária do livro, dividida em duas grandes partes que representam a justiça e a misericórdia divinas, e a importância de uma interpretação que transcende o literalismo.
O que é estudado neste episódio
- Estrutura do Livro de Isaías: O livro é dividido em duas partes principais: a primeira (capítulos 1 a 35) aborda profecias de julgamento, e a segunda (capítulos 40 a 66) foca em profecias de consolação e misericórdia. Há um interlúdio (capítulos 36 a 39) que narra o cumprimento de profecias, servindo como uma ponte histórica entre as duas seções.
- O conceito de “Tzedek”: A palavra hebraica “Tzedek” é explorada, mostrando que ela engloba justiça, misericórdia, amor e caridade. Essa compreensão unifica as duas partes do livro, revelando que Isaías, em sua totalidade, é um livro sobre a justiça divina em seu sentido mais amplo.
- O capítulo 53 e o “Servo Sofredor”: O ápice da segunda parte do livro é o capítulo 53, que descreve o “Servo Sofredor”. Este capítulo é interpretado como uma prefiguração do Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”, e sua missão de sacrifício e purificação.
- A “Akedá de Isaac” e a coroa de espinhos: A narrativa da “Akedá de Isaac” (o sacrifício de Isaac) é revisitada, conectando-a à simbologia do cordeiro provido por Deus e, posteriormente, à figura do Messias. A coroa de espinhos de Jesus é apresentada como a “milésima dica” de que Ele era o Messias, manifestando a presença divina na dor e no sacrifício.
- A importância da escuta e da interpretação: O estudo enfatiza a necessidade de “deixar o texto falar”, superando a subjetividade na interpretação bíblica. A experiência auditiva da Bíblia na antiguidade, comparada aos “podcasts da época”, ressalta a importância da escuta atenta e da interação para a compreensão profunda dos ensinamentos.
- A dor como purificação: A dor e a expiação são apresentadas como dádivas divinas para a purificação do espírito, um caminho necessário para a evolução. A solidariedade de Deus, manifestada no espinheiro da sarça ardente e na coroa de espinhos de Jesus, é um convite à empatia e ao amor ao próximo.
Reflexões
- A compreensão do “Tzedek” nos convida a ver a justiça divina não como punição, mas como um processo de retidão moral que integra amor, misericórdia e caridade.
- A figura do “Servo Sofredor” e a simbologia do sacrifício de Jesus nos mostram que a purificação espiritual pode ocorrer não apenas pela expiação cármica, mas também pela transformação interior e pelo amor, conforme ensinado pelo Cristo.
- A humildade em “deixar o texto falar” e a prática da “escutatória” são essenciais para uma compreensão mais profunda das escrituras, permitindo que a mensagem divina nos transforme e nos purifique.
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Então, divide ao meio. Divide ali. Uma banda é julgamento, outra banda, uma é justiça, outra é misericórdia. Então, em uma parte está uma coletânea de profecias de julgamento e na segunda parte, que é do 40 ao 66, está uma coletânea de profecias de consolação. Agora, a gente não pode imaginar que Isaías chegou e marcou assim ah, pessoal, eu vou fazer as profecias de julgamento, vai ser de tal, tal hora eu vou transmitir no StreamYard. Não é assim. Isso foi feito tudo misturado, tudo junto ao longo da vida dele, depois que a comunidade coleta, organiza e aquilo vira um rolo, vira um livro.
Isso é curioso, é a primeira vez que eu penso nisso, Aldo, porque, então, você está trazendo uma informação interessante para a gente pensar que, possivelmente, alguém anotou. Então, tinha essa, por exemplo, esses personagens, como é que eles eram identificados na época para alguém estar ali atento? Era por causa do verbo mesmo? Era por causa do verbo, Júlio. Na verdade, eu acho que os grandes profetas, eles tinham os dons mediúnicos muito fortes. Então, eles produziam, pelo que a gente conhece na vida, efeitos físicos, eles eram diferenciados.
É como os nossos grandes médiums da terceira revelação. O indivíduo tem, ele tem umas características que ele acaba se destacando ali, e atraindo o respeito, o carinho, pessoas acompanham. No caso do profeta, essas coisas aqui, ele repetia um milhão de vezes. E, a gente tem que entender que as pessoas tinham uma memória extraordinária, porque elas iam para a sinagoga, tudo delas era ouvir história, contar história e memorizar. Então, elas tinham, é o que a gente lembra, está acabando, infelizmente, mas o repentista nordestino, é que tem uma memória retada, faz um repente ali, você fala misericórdia, gravou isso tudo.
Então, tem que entender isso, que era uma outra sociedade, um outro tempo, então, eles tinham uma memória gigante. Hoje, como a gente tem muita coisa, aliás, desde a invenção da imprensa. Depois que as coisas começaram a ficar registradas ali, e você fala, está no livro aqui, para que eu vou decorar? Hoje, o YouTube está com o Google. E agora que não tem mesmo. Ninguém decora nem… Qual que é a sua identidade? Espera aí, deixa eu consultar no Google. Qual que é o meu número de identidade? Vou jogar no Google. Então, agora, essa comunidade, nós estamos falando de 700 anos antes de Cristo.
Nós estamos falando de uma sociedade de 2.700 anos atrás. É muita coisa. O Brasil tem só 500 e poucos anos. Olha isso. É mais de cinco vezes o tempo de vida do Brasil. E olha o tanto que nós, desde a chegada aqui dos portugueses, daquela turma toda, até hoje, olha o tanto que mudou em 500 e poucos anos. Então, a gente tem que ver que é um outro tempo completamente diferente. E isso vale também, Júlio, para o Evangelho. Porque as pessoas acham que o Mateus chegou e falou, agora eu vou escrever o Evangelho. Escreveu do capítulo 1 ao 27.
Não, não foi assim. Foi organizado, não é, Haroldo? A Parábola de Semeador, Jesus deve ter contado dela 1.245.000 vezes. Em lugares diferentes. Contou tanto que o povo gravava. Porque começava, se deixasse os apóstolos, já continuava. Era gravado. Agora, deixa eu perguntar uma outra coisa de pergunta de gente que não sabe nada. Esses profetas, é igual a sinagoga, existia um templo em que todos eles, assim, ou vinham de diversos lugares. Como que ouviam? Falhou. Peraí, Haroldo. Peraí que não… Parou pra mim tudo aqui.
Não sei se parou pra todo mundo, mas parou pra mim. Haroldo, voltou? Voltou, voltou. O templo, ele era um só. Era o Templo de Jerusalém. E as pessoas iam ao templo 3 vezes ao ano. Então, a primeira vez na Páscoa, depois Pentecostes, que era 49 semanas depois da Páscoa, e depois, agora, nesse período, que é ano novo, Yom Kippur e Festa das Tendas, é tudo junto, né? Essa era uma obrigação religiosa. Quem pudesse, quem não tivesse enfermidade, não tivesse dificuldade financeira, deveria ir ao templo. A peregrinação ao templo.
Mas, isso é 3 vezes no ano. E o que acontecia todo sábado, semanalmente? Você tinha ali o grupinho espírito ali na cidade, que era a sinagoga. A sinagoga era aquele localzinho que você ia lá, lia o texto, adquiriu as turbas, você podia chegar lá e fazer um comentário, era livre. Então, a comunidade girava ali em torno da sinagoga. Era ali que as pessoas estudavam, encontravam, celebravam a normalidade da vida. A normalidade da vida era ali na sinagoga. E aí, é muito provável que esses profetas, por exemplo, frequentavam ali.
Então, toda semana, a pessoa encontrava o Isaías ali. Estava lá o Isaías fazendo um comentário, falando alguma coisa. Então… E tem profetas contemporâneos, Haroldo, assim? Tem notícia de sim, Isaías com tal? Você sabe disso? Tem sim, tem sim. Eu estou até… Deixa eu ver… Estou pegando a minha anotaçãozinha aqui. Interessante, não é? Porque é interessante a contemporaneidade, não é? Para entender a fala deles, não é? Os profetas contemporâneos do Isaías, quer ver? Então, vamos lá. Essas são curiosidades do Júlio, viu, gente?
Tem paciência. Tem o Mikeias, o profeta Mikeias, e o profeta Oseias. Ah, eles são contemporâneos? Mikeias e Oseias são contemporâneos do Isaías. Olha que legal, hein? Então, é importante dizer isso, porque a Bíblia hebraica divide assim, profetas maiores e profetas menores. Mas esse maior e o menor não é a grandeza do profeta, é o tamanho do rolo do livro. Olha só. O Isaías é grande, aquele rolo gigante. O Oseias é pequenininho, porque realmente é o quê? Poucos capítulos, seis ou sete capítulos. Mikeias também, mas aqui, são contemporâneos do Isaías.
E é interessante, porque você vê que eles, por exemplo, o profeta Oseias, ele fala de um grande tema, que é o tema do casamento e da prostituição de Israel. Então, Israel é como se fosse a noiva de Deus, a esposa que se prostitui. Aí entra o grande tema da prostituição, da prostituta, que não tem a ver com sexualidade, tem a ver com fidelidade a Deus, tem a ver com monoteísmo, é interessante, e idolatria. Então, é nesse sentido. E o Isaías, a gente vai ver isso. Isaías também fala muito disso. Fala do grande dia do casamento, da núpcia, e Jesus vai pegar tudo isso, né?
A parábola, a festa das… Parou de novo pra mim. Peraí, calma. Parou. Vamos ver se volta. Parou pra vocês também aí? Deixa um recadinho. Aí, Haroldo, voltou pra mim. Parou? Oi, voltou? Voltou? Voltou. Então, quem quiser ler, esses são os três. Tem um que é um pouquinho antes, um pouquinho antes, que é o Amós. Então, se a pessoa lê Amós, Miquéias, Oséias e Isaías, ela tá vendo um período. Ela tá estudando um período. Depois a gente vem. Ezequiel, né? Jeremias, aí um pouquinho depois. Depois vem o Daniel. Então, assim, você tem uma sequência aí.
É interessante isso. Legal, né? Porque dá um estudo até, não sei se esse pouquinho antes ou depois seria o suficiente pra você ter, por exemplo, uma criança que assistiu a outro profeta. Com certeza. É, não. Eu falo pouquinho, é cem anos, né? Ah, tá. Setenta. Interessante, né, Haroldo? Porque imagino que até se consolidarem as profecias, né, a profecia, e ser considerado um profeta, ou se consolidar, leva um tempo, né, Haroldo? Até cair na tradição oral. Na verdade, por exemplo, o Chico nasceu em 1917, né? E nós estamos aqui em 2020, pouco mais de cem anos depois, e a presença dele está viva.
Presente, muito presente. Importante a gente pensar isso pra gente transportar pra aquela época, né? Lembrando que não tínhamos a imprensa, né? Não tínhamos essa máquina que registrava, né, as obras, nem havia esse acesso, né? Então, tornar tudo isso uma coisa pra se refletir de como é que é quando Deus quer coisa, né, Haroldo? Vamos dar uns bons dias aqui, ó. Quem abriu a sala hoje foi o Roberto Antônio Cá… Eu não sei falar o sobrenome. Cássio. Depois a Aline, que já estava curtindo aqui antes de começar, Marcos Amaral, Ana Cris Barros, Lourdes Queiroga, Gilda Brito, Cristina Varela, Maria Cristina Vidigal, Ana Paula Parísio, Heitor Barreiros, Sandra Morine, Josilene Marias, a Shirley da Bahia, a amiga nossa.
Mas o aniversário é amanhã, Haroldo. Parabéns. Um presente de véspera de aniversário. A Dionísia, a Marta de Paula, Marcelo Tranjan, que está sempre com a gente, a Cíntia Castelo. Então, assim, está uma turminha boa aqui, né? Já tem mais de 100 pessoas na sala, aqui com a gente. A Sandra Morine escreveu Zéias, 14 capítulos, Micéia, 7. Aí, está vendo? O pessoal está estudando, Haroldo. O pessoal está estudando. Um dia a gente podia fazer um encontro só sobre essa coisa aqui nossa, né? Para estudar juntos isso. Ia ser muito legal.
Quanto puder presencial, né, Haroldo? De verdade. Dionísia, mas é isso aí. Então, vamos lá, Haroldo. Vamos entrar nesse livro aí que está todo mundo esperando. O Tales também está aqui. O Theo Cabral. Vamos entrar mais. Bernadette Mello, que está sempre com a gente. Sônia Mota. Está também a Tânia Tiqueira. Está a Tomizuila. Teca Felizola. Jailton. Ribeiro Pinheiro. Muito bacana, pessoal. Muito legal. Vamos deixar na participação de vocês aí e vou parar de encher o saco aqui e falar, deixar o Haroldo falar, né, Haroldo?
Pelo amor de Deus. Não, não. O que é isso? Vamos lá. Você já está com saudade de Eleonora. Bom, então, o importante aqui para a gente revisar é a gente poder imaginar exatamente o que está aparecendo aqui. Dois quadros, né? Então, está aqui. Do lado esquerdo estou eu aqui e do lado direito está o Julio. E, no meio, uma frestinha separando os quadros. Essa é a estrutura de Zaías. Nessa frestinha aqui, separando, é um intervalo em que há uma coletânea de cumprimento de profecias. Então, é como se fosse uma narrativa.
Olha, essa profecia se cumpriu. Ah, não falei? Não falei? Olha, cumpriu e tal. E isso é do capítulo 36 ao 39. Então, 36, 37, 38, 39. Quatro capítulos de cumprimento de profecia. Isso desconcerta um pouco alguns estudiosos porque eles acreditam que isso foi colocado depois. A comunidade chegou e falou, vou colocar isso aqui, vou separar aqui e vamos colocar para mostrar que o homem era profeta mesmo. Porque ele falou, se cumpriu. Mas isso não tem importância. Quem colocou, se foi na época do Zaías. E por que não tem importância?
Porque nós estamos transportando para 2700 anos atrás uma preocupação que não era deles. Essa preocupação é nossa. Essa preocupação é nossa. A gente fica preocupado. Ah, o livro mudou aqui. Não é? E isso não estava no horizonte deles. Eles jamais pensariam isso. Porque o livro escrito para eles, o rolo, não é nem livro, né? É um rolo. O rolo de Zaías, depois que ele ficava velho, eles queimavam, escreviam outro. Então, aquilo era a ponta do iceberg. Aquilo era a ponta do iceberg. Ninguém ficava idolatrando o rolo de pegaminho.
Isso é que é importante. Esse fenômeno de idolatrar a Bíblia, e é incrível porque esse movimento está surgindo de novo no Espiritismo. Tem gente idolatrando o livro. Idolatrando o livro. Então, esse fenômeno é um fenômeno da invenção da imprensa para cá. Por quê? Porque as pessoas sempre compreendiam tradições espirituais. Tradições espirituais. Então, tradições que eram passadas. É o que acontece conosco, né? Até que a catacorjão Chico nasceu em 910, né? 110 anos já que nós estamos no nascimento do Chico, né? Então, quando a gente olha para tradições espirituais, o que acontece?
É o caso do Chico. Os lindos casos, as histórias, as pessoas que conviveram, as pessoas que deixaram algum depoimento. Aquilo vai formando uma tradição. Às vezes, tradições até contraditórias. Um fala uma coisa, o outro fala outra. Normal, isso é natural. Não tem nada demais nisso. Não tem nada demais nisso. Então, é importante a gente entender tradições. O livro está assim, tem esse intervalozinho do capítulo 36 ao 39, que são exemplos de cumprimento. Então, vai estudar Isaías, entenda assim, do capítulo 36 ao 39, ele é quase que uma leitura histórica.
É bacana para você se contextualizar historicamente e partir para as duas partes do livro. Qual que é a primeira parte? Já falei, do capítulo 1 ao 35, é a primeira parte, a primeira banda. E a segunda banda, capítulo 40 a 66. Então, 1 a 35, 1 a 35, 40 a 66. Primeira parte, coletânea de profecias sobre o julgamento. Segunda parte, coletânea de profecias sobre a misericórdia. Misericórdia. Só que aqui tem uma pegadinha. Tem uma pegadinha. E eu já falei isso aqui. Tzedek, em hebraico, tzedek, justiça. Se tiver que traduzir para português, eu tenho que usar duas palavras.
Para eu traduzir tzedek, do hebraico, eu tenho que usar justiça e misericórdia. Então, eu preciso de duas palavras em português para traduzir uma em hebraico. É por isso que a última lei moral de O Livro dos Espíritos é a lei de justiça, vírgula, amor e caridade. Por quê? Se você traduzir O Livro dos Espíritos para o hebraico, a última lei moral em hebraico vai ficar assim, lei no tzedek. Eu não preciso usar duas palavras, porque tzedek é justiça, amor, misericórdia e caridade. Caridade também é tzedek. Então, Aroto, como é que é caridade em hebraico?
Tzedek. Aroto, como é que é misericórdia em hebraico? Tzedek. Como é que é justiça em hebraico? Tzedek. A mesma palavra? É a mesma palavra. Bem-vindo, bem-vindo ao universo de pensamento hebraico. Então, se você me perguntar assim, o Aroto, mas você está dividindo em dois? Mas, na verdade, não tem, né? Ele está falando de tzedek. O livro inteiro ele está falando de justiça. Na primeira parte ele está falando da justiça, na segunda parte da misericórdia, mas tudo é tzedek. É por isso que eu estudei Yom Kippur. Aí você fala, mas Yom Kippur é o dia do juízo ou o dia do perdão?
Os dois. É o dia do tzedek. É o dia do juízo e o dia da misericórdia. E o dia da purificação também. Porque justiça aqui tem um sentido também de retidão moral. O justo é aquele reto moralmente. Moralmente reto. Não tem tortuosidade. Ele é íntegro. Retidão no sentido de inteireza. Inteireza moral. Não é? Porque nós espíritos imperfeitos, nós somos contraditórios. Nós buscamos o amor, mas praticamos a violência. A gente respeita a paz, mas usa a palavra para ofender. Natural. Nós estamos no processo evolutivo. Não tem nada de mais nisso.
Então, a gente é imperfeito. A gente é torto. Tortuoso. A gente não está ainda inteiro. É uma escultura que está cheia de arestas ainda. Precisa ser trabalhado. O justo tem retidão moral. Por isso que Yom Kippur é purificação, misericórdia, justiça, que é a mesma palavra. Então, a gente poderia dizer que o livro de Isaías é o livro do Yom Kippur. Porque ele é o livro que fala da justiça, ele é o livro que fala da misericórdia, ele é o livro que fala da retidão moral. No nível individual e no nível social. Não é só no nível individual, porque ele também denuncia a desigualdade social, ele denuncia a exploração da viúva, do mais pobre, do mais carente.
Isaías denuncia isso tudo. Está tudo junto, porque ele também não divide. Esse negócio de vida individual e vida social. Isso para Isaías não existe. Essa divisão não existe. É nós que dividimos hoje. Século XXI. Templo e oficina, né? Para eles, está tudo junto. Está tudo junto. Então, dito isso, nós estudamos a primeira parte, do capítulo 1 ao 35, nós vimos a estrutura, que a estrutura, como que era a progressão do ato, como se fosse um teatro, como se fosse um filme. A primeira parte foi assim, ela foi progredindo, foi progredindo, julga a Israel, julga os países, julga as 12 nações, aí julga a Terra, e o grande desfecho, o julgamento final da Terra.
Essa é a progressão da primeira parte. Então, eu vou subindo, subindo, subindo, chega no topo, e para no topo. Para lá no ápice. Aí, dá um intervalo, você sai até tremendo, fala misericórdia. Aí, você fala, ah, você quer misericórdia? Então, a segunda parte é misericórdia. Misericórdia. Só que a segunda parte, a estrutura dela é diferente. A estrutura dela é assim, é bonito isso. Vai subindo, vai subindo, chega no ápice, depois vai descendo a mesma escadinha. Tem um nome isso, né? Tem um nome. Exatamente. Tá lá, até escrevi isso lá no livro.
Parábolas de Jesus, texto e contexto. Então, sobe uma escadinha e desce. Por quê? Porque misericórdia você alcança, mas depois você tem que exercer. Misericórdia é algo que você obtém, mas depois você tem que aplicar. Então, você sobe para alcançar, depois você tem que descer para aplicar nos outros. Porque você não recebeu misericórdia, agora você tem que ser misericordioso. Então, a segunda parte, nós podemos dizer que é assim, são 13 capítulos subindo, 13 capítulos descendo. 13 capítulos subindo, 13 capítulos descendo.
E o capítulo que é o platô? É o capítulo 53. Imagina uma pirâmidezinha, né? Uma pirâmidezinha. Então, eu subo, 40, 41, 42, 43, 52, cheguei no topo, 53. Depois eu começo a descer, 54, 55, 56, 57, até 66. Quem está anotando aí, vamos lá. Não confunde, vamos lá, gente. Estou falando da segunda parte. A segunda parte é do capítulo 40 ao 66. É uma escadinha. Eu subo 13, subo do 40 até o 52, chego no platô, chego no ponto mais alto. O ponto mais alto é o capítulo 53. Guarda isso. Anota. Como diz a piada, né? Anota. O ponto mais alto é o capítulo 53.
Aí, eu começo a descer a escada, 54, 55, até o 66. Vamos lá. Haroldo, qual é o tema do ápice? Qual é o tema do capítulo 53, que é o ápice da misericórdia? Qual que é o tema que é o ápice da misericórdia? Olha a importância de a gente estudar a estrutura literária de um livro. Quando você estuda a estrutura literária de um livro, você aprende quais são os temas mais relevantes para o profeta, não para você. Porque não interessa eu chegar aqui e falar Ah, Haroldo, eu gosto tanto do capítulo tal de Isaías. Maravilha, mas eu quero saber o Isaías.
Qual que é o capítulo mais importante aqui na segunda parte de Isaías? É o 53. A estrutura literária está dizendo isso. Então, não é subjetivo, não é o seu gosto, não é o que você acha que você gosta, que você achou bonito, o que você identificou. Isso é subjetividade. Subjetividade tem hora e lugar. Eu sempre comentei isso. Hermenêutica, estudo bíblico, não é subjetividade. Tem espaço pra subjetividade? Tem. Mas isso é dinâmica de grupo com o Evangelho. E, às vezes, eu vejo muito isso. As pessoas se reúnem e ficam fazendo dinâmica de grupo.
Ah, eu senti uma emoção quando eu li a parábola tal. Isso é dinâmica de grupo. Isso não é estudo do Evangelho. Porque a dinâmica de grupo é eu dizer o que eu estou sentindo ao ler o Evangelho. Estudar o Evangelho é eu descobrir o que o Evangelho quer dizer pra mim. É diferente. Então, nós podemos fazer uma dinâmica de reflexão sobre o livro Isaías, onde cada um vai expor seu sentimento, vai dizer o que achou, vai falar qual que é a parte que achou mais bonita, qual que é a parte que se identificou. Maravilha, não tem nenhum problema nisso.
É maravilhoso isso. É lindo. Mas isso não é estudar o profeta Isaías. Estudar o profeta Isaías, eu tenho que deixar o livro falar. Então, eu tenho que me calar e deixar o livro falar. E é o que nós estamos fazendo aqui. Então, o que acontece? Não é nenhum nem outro. Gente, sem radicalismo, né? Então, o que eu gosto de fazer? Vamos estudar uma passagem do Evangelho? Vamos. Eu deixo, assim, 15 minutos finais pra roda da subjetividade. Eu sempre deixo 15 minutos finais pra cada um dizer como é que está sentindo, o que sentiu, o que gostou.
Maravilha, é lindo isso, é importante. Mas, isso tem que ficar pro finalzinho. Porque, na maior parte do tempo, eu tenho que deixar o texto falar. Senão, eu não aprendo. Senão, eu vou lá estudar o Evangelho e estou sempre falando o que estou sentindo, mas nunca estou aprendendo com o livro. Não é? É como se você fosse à aula, fosse pra escola, só você falasse e o professor ficasse calado. Não vai dar. O que vai dar isso? Vai dar que você não vai aprender nada. Você vai ficar só expressando o que você já sabe e você não vai ter oportunidade de aprender conteúdo novo.
Então, tem que ter esse equilíbrio. Aqui, nós estamos estudando qual que é a estrutura do livro. Então, na segunda parte, qual que é o capítulo mais importante? O servo sofredor. O servo sofredor recebendo todos os erros humanos e espiando esses erros como um cordeiro da Páscoa. Olha que forte! Então, sem querer voltar pro nosso passado religioso, o capítulo 53, qual que é o tema? Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Não é? Tende piedade de nós. Esse é o capítulo. E isso aqui, gente, era difícil pra um hebreu engolir isso.
Era difícil. O Messias ser um servo sofredor, essa parte aqui, eu vou te falar, dava diarreia, dava dor de barriga, dava amargor na boca. Isso aqui, Isaías conquistou muitos inimigos e isso aqui explica o que que até hoje Jesus crucificado, como diz Paulo, é escândalo para o mundo. Escândalo para o mundo, porque é desafiador. Então, aqui, o que que o Isaías faz? O Isaías retoma uma simbologia, eu vou voltar aqui, que os hebreus conhecem como aquedá de Isaac. Aquedá de Isaac. A atadura, é como se fosse o amarrar Isaac.
Todo mundo lembra, Abraão acordou, ele com todos os servos, ele mesmo preparou um jumentinho, chamou um servo, chamou o seu filho, e o filho de Abraão, Isaac, perguntou, papai, onde nós vamos? Meu filho, nós vamos no monte, sacrificar para o Altíssimo. Ah, papai, que legal, então vamos. E aí tá indo no meio do caminho, Abraão, que já é um senhor, ao invés de subir em cima do jumentinho, ele vai andando e levando o jumentinho, já é uma coisa estranha. O jumentinho que ele preparou, ele não deu ordem para o servo preparar, ele preparou.
Foi lá, seguindo, levando o jumentinho até o monte. Quando ele chega no monte, ele deixa o jumentinho e o servo, sobe só ele e Isaac. Aí, o Isaac pergunta ao papai, esse é o monte? É, meu filho. Nós chegamos? Chegamos. O senhor vai sacrificar? Vou. Mas, cadê o animal? E aí, Abraão engasgou, porque a intenção dele era sacrificar o filho, o filho. Olha que importante isso aqui. Isaac, naquele momento, representava o futuro de Israel, porque o patriarca da nação hebraica era Abraão. Isaac era a continuidade. Sacrificou Isaac, acabou o povo hebreu.
Acabou, simbolicamente falando, né, gente? Pelo amor de Deus, hein? Nós estamos aqui numa parábola, né? Óbvio, né? Sacrificou Isaac, acabou o povo hebreu? O que, Abraão ia morrer? Cadê o patriarca? Sacrificou o patriarca. Então, ele chega lá, na hora que ele vai consumar, na parábola de Gênesis, Deus diz assim, Abraão, por que eu não mandei você sacrificar? Ser humano, que bobagem é essa que você está fazendo? Eu vou prover o cordeiro do sacrifício. Aí, ele olha para o lado, tem um cordeiro amarrado no espinheiro. Olha isso, hein?
Bonito aqui pelo seguinte, quando Deus, que é outra parábola, né, gente? Pelo amor, vai interpretar isso, literalmente, em século XXI Espírita, interpretando o Velho Testamento ao pé da letra, pelo amor de Deus. Eu desligo isso aqui e saio da live. O pessoal achar que Deus desceu lá e falou com Moisés, misericórdia. Então, na parábola, quando Deus conversa com Moisés no Monte Sinai, o que que pega fogo? Um espinheiro. Uma sarça. Por isso que é chamado de sarça ardente. Então, agora, o mesmo espinheiro, ao invés de pegar fogo, olha a metáfora, tem um cordeiro amarrado, gente.
Quem é esse cordeiro? Demorou séculos e séculos e séculos e séculos para o Velho Testamento explicar, para a Bíblia Hebraica explicar. Quem vai explicar é Isaías. Isaías vai explicar no capítulo 53 do profeta Isaías. Ele vai dizer assim, Ei, você tá ligado aí? Tá lembrado daquele cordeiro amarrado lá no espinheiro? O mesmo espinheiro que pegou fogo no Monte Sinai, esse cordeiro é o Messias. Esse é o cordeiro que Deus ofereceu ao mundo para purificar o mundo. Purificar o mundo. Aí, o que diz o texto? Aí, o Abraão pega o cordeiro, desamarra Isaac, sacrifica o cordeiro e desce da montanha só Abraão.
Mas, cadê Isaac? O texto não fala. Abraão desce e volta. E aí, os sábios perguntam, e o jumento? E o jumentinho? Então, duas perguntas que saem desse texto. Abraão volta para casa. Cadê Isaac? Segundo, por que que ele voltou a pé? Cadê o jumento? Então, os grandes sábios do povo hebreu, que são espirituosos, que têm um senso de humor, que têm uma inteligência pra interpretar textos bíblicos, eles dizem assim, o jumentinho ficou lá. O jumentinho tá lá esperando o Messias. Porque o Messias virá num jumentinho, o jumentinho de Abraão.
Então, o que que nós estamos querendo dizer? Tem que ter espírito lúdico pra interpretar o Velho Testamento. Se você for uma pessoa muito rígida, você fica louco aqui. Se você for muito rígido, você já deve estar aí quase… Ah, não, não é possível. Isso aí é coisa de doido. Então, você tem que ter espírito lúdico. Espírito lúdico. O jumentinho que Abraão preparou… Gente, por que… Aí os sábios começam a perguntar assim, você vai lá nos livros hebreus, dos hebreus, as interpretações deles, eles falam assim, mas Abraão tinha mil servos, por que que ele preparou o jumento?
Ah… Por que que ele, o patriarca, não mandou um servo preparar? Isso não é trabalho de um patriarca? Por que que ele preparou? Ele preparou porque aquele não era um jumento qualquer, aquele era o jumento do Messias. Então, chega aqui Isaías e junta isso tudo. Então, chega aqui o profeta Isaías e ele reúne tudo. Ele junta isso tudo, não é? Ele mistura isso tudo aqui e ele fala… Olha, gente, vou dizer uma coisa para vocês. Sabe aquele cordeiro lá que Deus deu? Esse cordeiro é o Messias, pessoal. O que é isso, Isaías?
Você está maluco? O Messias vai ser um guerreiro, um rei. O Messias vai ser um rei com uma espada maravilhosa. O Messias vai ser um guerreiro, vai matar todos os inimigos, vai cortar a cabeça de todo mundo e vai libertar Israel. Não, não, não. Não, não. O Messias não vai ser um guerreiro. O Messias vai ser sacrificado. Porque é esse sacrifício dele que vai resgatar Israel. Resgatar Israel, você lembra lá? Não foi o cordeirinho que resgatou? Resgatar, gente, é entrar no lugar dele. Resgatar é entrar no lugar dele. Esse é o sentido hebraico.
Então, o cordeiro resgatou Isaac. Por quê? Quem ia ser sacrificado era Isaac. O cordeiro entrou no lugar. Então, a ideia é a seguinte… A pessoa pergunta… Mas, Haroldo, eu não consigo entender essa história de que Jesus morreu… É mais ou menos assim. Eu vou dizer de uma maneira bem carinhosa. Quem tinha que estar na cruz era você. Ou eu. Quem tinha que estar lá naquela cruz era eu. Era você. Só que quem foi pra lá foi Jesus. Pela lei de causa e efeito, quem tinha que ser crucificado era você. Só que o Cristo, um Espírito puro, que não tem nenhum débito com a lei, foi pra lá.
Por quê? Porque ele precisava ensinar um novo conjunto de instrumentos de purificação espiritual para além do resgate cármico-reencarnatório. Então, tem duas maneiras de você purificar a sua alma. Através de expiação, reencarnando e sofrendo expiação, mas tem um outro jeito. Através do evangelho de Jesus purificando a sua alma através da transformação e do amor. Esse é o outro jeito. Mas, pra ele ensinar isso, ele teve que aceitar o sacrifício. Não é? A Sandra Morin tá perguntando. Olha, é fácil. É fácil a gente entender o que que o povo judeu hoje tá esperando do Messias.
Que tipo de Messias que eles tão esperando? Um primeiro-ministro, um político que vai que vai atuar política e economicamente, gente. Agora, o engraçado é que tem muita espírita esperando isso também. Eu acho engraçado que a gente fala dos judeus, né? Ah, não, coitadinho dos judeus. E tem espírita aí esperando um ser humano assumir e politicamente, economicamente, redimir todo mundo. Eu não vejo diferença. Qual que é a diferença? Não vou nem fazer a piada. É a mesma coisa. É a mesma coisa. Nós temos que entender. Então, ah, o que que os hebreus tão esperando?
O que que o povo judeu tá esperando? Tá esperando um político que vai resolver todos os problemas militares, todos os problemas econômicos e todos os problemas políticos do povo hebreu. Ah, e os outros povos? Problema dos outros povos. Problema dos outros. Eu quero resolver o meu problema. Agora, isso mudou? Será que é só os judeus que tão pensando assim? Gente, a maioria dos encarnados tá pensando assim. A maioria. Não é? É cíclico. É cíclico, Haroldo. É cíclico. Todos os países da Terra, todas as nacionalidades, estão esperando um Messias político guerreiro que vai resolver os problemas econômicos e sociais.
De uma maneira messiânica. Então, isso não é um privilégio dos judeus. É por isso que todo mundo ficou constrangido quando Jesus foi crucificado. Todo mundo, todos os apóstolos, todo mundo ficou perdido. Perdido. Porque quando ouviram aquilo falaram qual que é o sentido disso? Qual era o sentido? Jesus não tinha pegado o rolo de Isaías? Quando Jesus entrou na sinagoga de Cafarnaum, ele abriu o rolo de Isaías. Ele deu a dica. Ele leu o rolo de Isaías. Não é? Ele leu, abriu o rolo e falou Hoje, essa profecia se cumpriu diante dos vossos ouvidos.
Pois é, hein? Não é? Por que ouvidos e não olhos, hein, Heródoto? Porque a profecia era experimentada com o ouvido. Ninguém lia, Júlio. A maioria da população, ler e escrever era uma habilidade artesanal dos escribas. Habilidade artesanal dos escribas. Porque era muito difícil, aquele tanto de letras. Ninguém preocupava com isso. A pessoa ouvia. Por isso que os textos eram lidos na sinagoga. Eram lidos. Uma pessoa chegava e lia. Então, qual que era a experiência das pessoas com a Bíblia? Era auditiva, não era visual.
Hoje, nós temos uma experiência visual. Você olha para um livro. Você olha para o livro. Você olha. Você não escuta mais. Voltando a escutar agora. Como é que as coisas vão voltando, né, Heródoto? Eu acho que isso muda. Porque hoje, essa questão da tecnologia. As pessoas mais ouvem do que veem. Mesmo os estudos online. Muita gente só acompanha o áudio. Às vezes, não acompanha. É interessante que essas coisas parecem não estar conectadas, mas… Talvez até mesmo… Você que está estudando mais, com a questão do cérebro.
Era uma época que a pessoa absorvia pela palavra ouvida. Não era esse cérebro tão… O Israel está dizendo que era o podcast da época. O podcast da época. E as pessoas iam todo sábado à sinagoga para ouvir o podcast. E o bonito é que a Bíblia Hebraica era dividida em 52 porções. Então, todo ano, você ouvia o podcast da Bíblia Hebraica inteira. Repetido e acrescentado, Heródoto? Não, ia repetindo. Eles liam e comentavam. Então, ao final de um ano, você ouviu a Bíblia Hebraica inteira. Nós não temos isso. Nós não temos isso.
Por isso que, no sábado, você não podia fazer atividade material. Porque o sábado era o dia destinado a ouvir a Torá. Ouve, Israel. Ouve, Israel. Ouve. Era o dia de ouvir. Que é uma coisa bonita também. Porque, quando eu leio, é diferente de ouvir. Para ouvir, eu preciso de um outro. Para ler, eu posso estar sozinho. Interessante. Para ouvir, eu preciso de um outro. Porque eu não sabia ler, eu não sabia escrever. Porque ler e escrever era habilidade artesanal. Era complicado. Não é? Era como… Júlio, você toca violão?
Então, constrói um violão para você tocar. Não, não, Adô, eu sei tocar, mas não sei fazer um violão. Era a mesma coisa. Eu até entendo umas letras, mas eu não sei construir um texto. Pegar a pena, construir a tinta, preparar. Eu não sei. É isso. Então, você ouvia. Porque, para ouvir, você tem que interagir com o outro. Para ouvir, você tem que ficar em silêncio. Para ouvir, você tem que sair de você mesmo. Qual é a grande dificuldade, hoje, das pessoas que estudaram o Evangelho? Porque elas não conseguem sair de si.
Elas não conseguem sair dos preconceitos delas. Elas não conseguem sair do mindset delas. Elas não conseguem sair do burburinho das experiências. Então, ela transporta toda essa angústia dela para o texto. Ela não consegue sair dela para ouvir o outro. Para ouvir o que é novo. Para ouvir o que está além dela. Então, ouvir, também, era um exercício de interação com o outro. De acolhimento do outro. É. Então, é isso. É… É isso. É… Só ver se alguém está perguntando alguma coisa aqui. Arudo, existe alguma relação do espinheiro com a coroa de espinhos em Jesus?
Total. Total. Total. Aquela coroa de espinhos foi a última, a milésima dica. A milésima dica para mostrar que Jesus era o Messias. A milésima dica. Olha, sabe a sarsa ardente onde Deus falou… Ou seja, a coroa de espinhos é como se fosse Deus, agora, ardendo, se manifestando ao mundo, mas não numa planta de espinho. No espinho na fronte do Cristo. Deus se manifesta ao mundo pela mente do Cristo. Forte, hein? Forte. A mente do Cristo é o local em que Deus se manifesta para os Espíritos do planeta Terra. Sob a égide do Cristo?
Está lá no Pensamento e Vida. Ergue-se da animalidade sob a égide do Cristo. Então, o Cristo é a cabeça. Paulo fala isso na carta. O Cristo é a cabeça. Porque na cabeça dele está o espinho. O espinho é onde Deus se manifesta. Que é outra metáfora também. Olha… O espinho é onde Deus se manifesta. Está lá no Livro Boa Nova. Nas noites mais escuras é que percebemos as estrelas. É na dor, é na expiação, são nas provas, são nas dificuldades que nós percebemos certos atributos de Deus que quando você está na festa só fazendo festa, só rindo, você não consegue ver.
Tem certos aspectos de Deus que você não enxerga quando você está só dando risada. Tem algumas coisas de Deus que só as lágrimas podem te mostrar. A gente fala muito desses momentos… A gente já falou sobre isso quando a gente foi a Jerusalém, que a gente teve aquela explanação sobre as uvas que passavam pela dificuldade, pela rigidez do clima, um clima difícil que gerava o melhor vinho. Eram as melhores uvas para produzir o melhor vinho. Na cultura, a gente repara também que nos momentos mais tormentosos os artistas produzem mais qualidade.
Repara-se que… Escritores, músicos e tal, a temática de um período de reflexão sobre a dor ela é outra, ela ganha sentido. Ela ganha sentido. Até o grande poeta Vinícius Moraes falava alegria é a melhor coisa que existe, mas para fazer um bom samba é preciso um bocado de tristeza. Alegria é maravilhoso, mas tem certas coisas para você alcançar É melhor ser alegre do que ser triste. É melhor ser alegre do que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe. É assim, Haroldo. Nós não estamos aqui fazendo um discurso de masoquismo.
Não, de forma alguma. Ah, vamos… Um louvor à tristeza. Não, discurso nenhum. Na verdade, a gente tem ainda alguns textos do Emmanuel que a gente estudou muito, gostou muito de estudar na época do Boa Nova quanto do Brasil Coração do Mundo, que é a palavra da cruz, que é a ressignificação dessa cruz. Eu acho que é importante, Júlio, a cruz do Cristo é para dizer que quem está sofrendo não é coitadinho. Nós precisamos ter empatia, nós precisamos ter amor ao semelhante, nós precisamos ter caridade. Nós precisamos parar de enxergar quem está sofrendo como coitadinho.
Não tem nenhum coitadinho. Não tem ninguém desaparado, Haroldo. Tem o Espírito que está sendo purificado. Então, quem está sofrendo é um abençoado. Isso não nos impede de ir lá ajudar. Está travadinho, não é? Travou um pouquinho, Haroldo. Só um pouquinho. Deixa eu voltar. Isso, voltou. Nós não vamos deixar de ajudar, porque até Jesus recebeu a ajuda do sirineu. Não é isso. Mas é parar de enxergar quem está sofrendo aqui no plano corpóreo como coitadinho. Não. É essa visão que nós temos que mudar. É essa visão que nós temos que mudar.
Por isso que está lá no Evangelho Segundo o Espiritismo. A dor é a dádiva que Deus envia aos seus eleitos. Deus chegou e falou assim… Filho, eu agora vou te purificar. Não vai ser agradável. Não vai ser agradável. Mas eu quero você puro. Eu quero você no mundo celeste. Entendeu, Júlio? Entendi. Deus olha para a gente e fala… Filho, eu não vejo a hora de você chegar no mundo celeste. Mas eu preciso te purificar. Para isso, eu vou ter que te purificar. Então, olha… Vou te mandar a dor agora, hein? Vou liberar aqui a causa e efeito.
Você vai espiar e vai ser provado. Como diz o grato na letra? Júlio, juntando aí… Deus se manifestou no Sinai num espinheiro. Sabe o que os sábios… Está lá no Talmud, isso. Está no Talmud. Sabe o que os sábios hebreus diziam? Falaram assim… Por que Deus escolheu um espinheiro para se manifestar ao mundo e para se manifestar na Moisés? Por que Ele não escolheu uma planta doce? Por que Ele não escolheu flores? Por que Ele se manifestou no espinho? Isso são os sábios dizendo. Não sou eu dizendo, não, tá, gente? Estou aqui, abre aspas, falando o que está no Talmud.
Eles dizem assim… Porque o povo estava escravo no Egito. Então, ao se manifestar no espinheiro, Ele quis se solidarizar com o povo que estava sofrendo. Interessante, não é, meu? Olha isso. É bonito. Se solidarizar. Então, alguém me pergunta assim… Jesus tinha carma? Não. Jesus tinha uma coisa para resgatar? Não. Não, não, não, não, mil vezes. Então, por que Ele foi crucificado? Para solidarizar com todos nós que temos um milhão de débitos para resgatar. É um fogo consumidor. Por quê? Porque Ele se manifesta no espinho.
No espinho da nossa vida. E é desagradável. É desagradável. Agradável e desagradável é uma coisa. Proveitoso é outra. A dor é desagradável. É muito desagradável. Toda dor é desagradável. Toda expiação é muito desagradável. Mas ela é útil, necessária, fundamental, para a transformação do ser em um Espírito puro. É isso. Porque é da lei, né, Haroldo? É da lei que fala que Deus… Aquele que ama corrige aquele que ama. Aí me veio também essa coisa do espinho em Jesus, e dizer que se manifesta no espinheiro. Ou seja, Deus também se manifesta na dor.
Ou seja, Deus também se manifesta na dor, não só quando você está… E tem a ver com a onipresença e onisciência de Deus, né, Haroldo? Ele se manifesta… E chega um determinado momento que o encarnado fica tão viciado nos prazeres rasteiros da vida, que chega um momento que Deus só se manifesta na dor. Porque a alegria dEle está tão viciada, a alegria dEle está tão deturpada, que não tem mais como Deus manifestar na alegria dEle. Você me corrige, Haroldo. E a dor não passa a ser até um reflexo psicológico da contrariedade?
Claro, claro. Aí tem todo um aspecto psíquico, tem a contrariedade, tem a luta com o homem velho, tem o desapego, tem o abrir mão de hábitos, tem o abrir mão de condicionamentos de prazer. Por isso que é desagradável, né? O Tales está lembrando aí o texto, né? Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. O Cristo, para ser crucificado, Ele teve que se apagar 99,99999%. Processo de dor, né, Haroldo? Imagina. Apagar o poder dEle, Júlio. Apagar o poder. Porque, se Ele erradia ali, ninguém tinha nem força psíquica de aproximar dEle.
Você não lembra? Quando Ele deu um brilhozinho para o Paulo, o Paulo caiu, ficou cego três dias. Se no dia da crucificação Jesus vibra na toda potência dEle, todo mundo caía desmaiado ali. Não conseguia nem ficar de pé. Não lembra o seu amigo que foi lá inventar de tocar no peito do Chico? Sim. Lembra disso? Lembro. Saiu da mocidade de jovens aqui, encontrou com o Chico, aí o manézinho aqui, né? O manézinho aqui de Minas, falou, ah, vou tocar no peito do Chico. Na hora que ele encostou no coração do Chico, caiu desmaiado.
Então, para ser crucificado, Jesus se apagou. Ele se apagou. Ele fez assim, ó. E ficou parecendo que Ele era igual a gente. Fazendo-se semelhante aos homens. Ficou parecendo. Então, Ele estava suando, sangrando. Gente, Ele não curou leproso? E foi isso que os espíritos obsessores ficavam dizendo lá. Mas você não curou todo mundo? Você não cura você? Ué, que isso? Arruma esse corpo aí, o seu Cristo. Você faz assim, você manipula o fluido cósmico. Importante a gente pensar nisso. É… Porque o fim não era esse, né, Arruda?
A gente estava estudando recentemente. Aquele que percebia que era até o fim, não era o fim. Ele podia fazer isso. Mas você vai poder fazer isso quando você estiver espiando uma falta sua? Não vai. Nem se eu puder, né? Se ele pudesse isso, ele não seria modelo para nós. É, isso mesmo. Porque ele usaria os superpoderes dele de Cristo e nós não temos esses poderes ainda. Pronto. Então, não temos que passar e seguir como exemplo, porque não é exemplo para nós se o cara só tem medo de kriptonita, né? Exato. Então, ele falou, olha, vou apagar aqui.
Apagar. Agora eu estou me fazendo igual a todos. É bonito isso. É muito bonito. O Arruda… Complexo. Chegando… Eu sei que você já está no seu horário, só queria dar uma respostinha para o Marcelo Tranja, que me perguntou, fora do tema, mas talvez você explique rapidinho, por que os discípulos pediram para Jesus ensinar eles a orar? Porque naquela época existia uma multidão de orações, um tanto de oração decorada, duzentas orações de manhã, quatrocentas a tarde, quinhentas e cinquenta de noite. Era uma confusão. E ele estava assim, ô, Mestre, já que o Senhor está ensinando tudo de uma maneira mais simples, tem jeito só de simplificar isso aí, para a gente orar?
Aí Jesus faz aquela síntese, que ele pega mil duzentas e quarenta e duas orações e resume no Pai Nosso. Eu imagino também, Arruda, que eles viam Jesus se afastando para orar sozinho, na intimidade, e deve também ter criado uma expectativa de tanto que o Senhor ora lá, como é que o Senhor fala com Deus? Como é que o Senhor ora? Mas também o resumo, né? O Pai Nosso estava simplificando, ele simplificou a observância do sábado, ele simplificou a observância dos alimentos púrios e impuros, ele simplificou um tanto de coisa.
Então, eles chegaram pra ele naquele ponto fundamental e falaram, Mestre, como é que ensina a gente a orar? Aí Jesus fala aquela oração, a oração que eu digo assim, é a síntese do resumo, né? Se nós tivéssemos que fazer aquele resumo, ia demorar três mil anos. É verdade, Arruda. E ele vai na simplicidade, tudo que tem que ser dito numa oração está ali. Não pode ser. Não é você ficar repetindo as frases, é você entender os temas, entender os temas da oração. Não são as frases, são os temas. É como se você dissesse assim, olha, esses são os assuntos que a gente tem que falar com Deus?
Esses são os temas, os principais, os mais importantes. É, você já deve ter feito estudo disso, mas um dia a gente pode fazer isso. Obrigado, o pessoal adorou, a Sheila está falando que foi o melhor presente de aniversário, que esse episódio fez, né? Todo mundo gostou muito. Eu sei que foi por minha presença, né, Arruda? Com certeza. Mas, com certeza, metade aí foi por sua presença. Nós vamos dividir na tela aqui. É a presença de todos, né, a presença de todos. E, também, acho que essa reunião, essa união que que constrói, né, eu digo que o estudo, quando está as pessoas reunidas, cada um contribui com um tijolinho de vibração para a gente atingir.
Porque compreensão não é só intelectual. Tem certas coisas que, para você compreender, você tem que estar vibrando numa faixa diferente. E esse aqui é o ponto. Porque, às vezes, você está vibrando ali na tristeza, está vibrando na revolta, está vibrando na teimosia, você não consegue perceber o sentido. Aí, junta todo mundo aqui, todo mundo alegre, aí você vai entrando numa vibração, aí você compreende. Eureka! Você tem a compreensão. Porque você mudou de patamar vibratório. Então, tem isso também. Sim, sim. Não é só…
A equipe aqui é uma equipe de sustentação, né, Aroldo? É uma equipe para o trabalho. E eles vêm com essa boa vontade de estudar, de aprender, de ouvir, né, Aroldo? Com os ouvidos abertos. Porque é isso. Esse é o exercício, né? Não é um exercício de adoração que nós estamos fazendo. É um exercício de escutatória. Então, é bacana que a gente… A gente frisa isso muito no ser, né? A gente trabalha muito com isso, né? E é que a gente sempre pautou também, né, Júlio? Que é assim. Nós não estamos aqui para ouvir uma pessoa.
Nós estamos aqui para ouvir um texto. Mas, para a gente ouvir um texto, precisamos da boca de um ser humano. Tem que ter um intermediário. Nós estamos aqui como intermediários para que o texto possa falar. O foco não é nenhum indivíduo. O foco aqui não é nenhum indivíduo. Por isso que eu não gosto disso. Ah, eu ficar aqui falando interpretação, não falando coisa… Porque aí é como se eu quisesse ser o profeta Isaías. Eu morro de medo disso. Eu chego aqui, o foco é o profeta Isaías. Então, a gente chega aqui, tenta se apagar o máximo possível para que o profeta Isaías brilhe.
A luz da mensagem dele, do profeta Isaías. Nós somos apenas intermediários. Porque, senão, a gente cai num processo que é eu apago Isaías para eu brilhar. Pelo amor de Deus, se estiver acontecendo isso aí, pode fazer um comentário aí e chamar a atenção. Ah, é ótimo. Ah, eu vou profetizar agora, o que vai ser transição planetária. Eu não gosto disso. Não gosto disso. Cada um nasceu, né, Haroldo? A gente tem que ter essa tranquilidade, essa humildade de relacionar-se com os textos, né? Deixando que eles falem, deixando que eles nos transformem.
Porque a palavra é essa água viva, né? Que vai nos purificar, né, Haroldo? Tudo isso aqui é um processo de purificação, né? É um processo de novo batismo, né, Haroldo? Estamos sendo batizados por novos conhecimentos, né? Batizado pelo saber, pela palavra, pelo ensino de Jesus. É isso aqui que é o legal. Mas bacana, Haroldo. Você tem trabalho hoje ainda, né? Tenho, tenho. Um dia maravilhosamente cheio, graças a Deus. Um dia bonito em Belo Horizonte, né, Haroldo? Céu azul. Está muito bonito. Haroldo, dá um beijo para você, então.
Um beijo para todo mundo. É uma semana abençoada. Até sexta-feira que vem, no mesmo horário, nós estamos juntos, né? E amanhã… Não, depois de amanhã… Ué, domingo, partir das 18h. E ontem… Não, que porra. Chofada a cabeça. Um beijo para você, Haroldo. Fica com Deus, viu? Obrigado. Obrigado.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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