Neste episódio especial do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias recebe a Irmã Ayla, professora da Pontifícia Universidade Católica do Ceará, para um diálogo inter-religioso profundo sobre o livro do Gênesis. A conversa se aprofunda na experiência do monoteísmo e na percepção do amor divino, explorando as nuances da fé e da espiritualidade.
O que é estudado neste episódio
- Gênesis e a Literatura Contemporânea: A Irmã Ayla aborda a literatura contemporânea ao Gênesis, comparando os textos da criação hebraicos com os mitos mesopotâmicos. Ela destaca a linguagem erudita da época, que utilizava metáforas como serpentes, jardins e abismos para expressar conceitos profundos, de forma similar à abstração em teorias científicas e matemáticas na atualidade.
- A Experiência do Monoteísmo: É enfatizado que a diferença fundamental do povo hebreu não era apenas a crença em um Deus único, mas uma experiência profunda e íntima com esse Deus. Diferentemente dos deuses politeístas mesopotâmicos, que criavam o ser humano para servi-los, o Deus hebraico é amoroso e cria o homem para usufruir de um jardim de delícias, convidando-o ao descanso no sábado.
- O Fluido Cósmico e a Onipresença Divina: Haroldo Dutra Dias relaciona o conceito de fluido cósmico, estudado em episódios anteriores, com a onipresença de Deus no Gênesis. A Irmã Ayla complementa, ressaltando que a sabedoria hebraica já compreendia que Deus está imerso no ser humano e o ser humano em Deus, uma experiência que transcende a mera teoria.
- Deus Transcendente e Íntimo: A discussão explora o paradoxo de Deus ser ao mesmo tempo transcendente (sempre além) e o mais íntimo nas criaturas. Essa dualidade é ilustrada pela estrutura do santuário no deserto, onde o “Santo dos Santos” representa o lugar mais íntimo de Deus, e pela linguagem poética do Salmo 139, que descreve a impossibilidade de fugir da presença divina, que permeia o mais profundo do ser.
- O Amor de Cristo e a Plenitude de Deus: A Carta aos Efésios (3:14-21) é analisada, destacando a oração de Paulo para que os fiéis compreendam a largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Cristo. Esse amor é apresentado como a chave para serem tomados de toda a plenitude de Deus, uma experiência que sustenta a fé em momentos de crise.
- A Experiência do Retiro Espiritual: A Irmã Ayla compartilha sua experiência com retiros espirituais, chamados de “Exercícios Espirituais” por Inácio de Loyola. Ela descreve o retiro como um convite a se sentir amado por Deus, uma experiência que não se baseia na intelectualidade ou na práxis, mas na sensibilidade e na comunhão profunda.
- A Gratuidade do Amor Divino (Graça): O conceito de graça é abordado como a gratuidade do amor de Deus, que se manifesta independentemente do merecimento humano. Essa experiência de amor permite encarar os erros e as dificuldades com mais naturalidade, transformando a percepção do “fardo” moral em algo insignificante diante da magnitude do amor divino.
- O Amor como Cura e Transformação: A discussão culmina na ideia de que o amor de Deus, quando experimentado, é a cura para qualquer criatura. Ele ressignifica a vida cotidiana, transforma a atmosfera psíquica e permite que o indivíduo retorne ao mundo com um novo prisma, vivendo a vida de forma mais intensa e conectada.
Reflexões
- A compreensão do Gênesis e de outros textos bíblicos se aprofunda quando se transcende a leitura literal e se busca a experiência íntima com o divino, revelando a onipresença e o amor de Deus em todas as coisas.
- A experiência do amor divino, descrita como uma “efusão do espírito”, é um processo de dentro para fora, que transforma a percepção do indivíduo sobre si mesmo, seus erros e o mundo, conferindo-lhe uma força interior para superar adversidades.
- O diálogo inter-religioso, como o proposto neste estudo, enriquece a compreensão da fé, mostrando que, apesar das diferentes terminologias, a busca pela conexão com o divino e a experiência do amor são universais e fundamentais para o desenvolvimento espiritual.
Ler transcrição do episódio
Boa noite para todos! Boa noite para quem está nos acompanhando pela internet. Hoje é um dia muito especial para todos nós. A nossa casa é humilde, é simples, mas a nossa alegria transborda, não cabe hoje, dentro do Grupo Lei Bem. Nós estamos recebendo aqui a minha irmã querida, amada Maia. Mas, quando a gente chama ela de irmã Ayla, não é porque ela é minha irmã pelos laços sanguíneos, não. Embora ela seja da minha família espiritual, ela é irmã de caridade, é uma freira. Então, hoje nós estamos tendo uma oportunidade abençoada de estudar o livro Gênesis com a participação, com o olhar da nossa respeitável e venerável Igreja Católica, levando à frente o nosso dom do ser, que é o diálogo interreligioso, mas o diálogo profundo mesmo, não aquele diálogo que fica apenas jogando confete, contemporizando, mas um diálogo amoroso, não é, Mãe?
Em que a gente consegue extrair o melhor dessas vertentes caudalosas do Cristianismo, que é o Espiritismo e o Catolicismo. Então, a gente começa aqui vibrando, pedindo a Deus que abençoe o Papa Francisco, que abençoe a instituição da irmã Ayla, Nova Jerusalém, os padres e as freiras dessa instituição, tanto lá quanto aqui em Belo Horizonte, e pedindo também o aparo do nosso trabalho, porque eu e a maninha, né, a irmã Ayla, estamos absolutamente convencidos de que estamos a serviço do Cristo, de Jesus. E, é Ele que vai conduzir hoje, não é, Mãe?
É Ele que vai conduzir. É isso. Como sempre tem conduzido. Como sempre. É verdade, Mãe. Então, a gente queria, um pouquinho, hoje vai funcionar quase como uma entrevista, não repara não, porque nós estamos aproveitando a visita. Uma boa dessa, para a gente conversar um pouquinho, para quem, não sabe, a irmã Ayla acompanha o Gênesis, ajuda, traz material, vai dormir lá em casa hoje, a conversa vai longe, então, essas trocas aí, é muito intenso, muito profundo, graças a Deus, a gente tem essa oportunidade na nossa vida.
E, a irmã Ayla tem um DVD também sobre o Gênesis, já estudou mais detidamente sobre esses livros. É importante dizer que a irmã Ayla tem uma atividade também acadêmica, ela dá aula na Pontifícia Universidade Católica do Ceará, onde ela leciona sobre Pentateuco, Evangelhos Sinóticos, Apocalipse, depende do Sinestre. Geralmente, questão bíblica, literatura bíblica. Então, evidentemente, ela tem contato com todos os livros da Bíblia, já se negociou sobre todos eles, mas, especialmente, quando ela tem alguma atividade, ela medica uma pesquisa mais profunda, um estudo mais detalhado.
E, no caso do livro Gênesis, ela tem já um DVD. Eu vou ganhar de presente hoje. Então, é muito interessante. A gente quer puxar algumas coisas aqui e pedir para todos que a gente abra o coração para enxergar coisas diferentes, mas, igualmente ricas, igualmente profundas. A gente quer começar, primeiro, pedindo para a Imane, ela falar um pouquinho, Imane, da questão da literatura, que é contemporânea do livro Gênesis. Imane, vai passando, porque nós temos uma pena mais gostosa para falar. Então, primeiro, quero dar boa noite para vocês, aqui do centro, e também para as pessoas que estão acompanhando pela internet.
Então, para mim é uma grande honra. Eu vim para sentar em frente e ter aula com o professor, mas o professor me deixou no supoco. Em todo caso, é muito bom. Eu estava dizendo para o Haroldo que o bom do curso aqui, do aprofundamento sobre o Gênesis, é que ele não tem aquela pressão da universidade com a carga horária. Ele pode ir saboreando devagarinho, sem pressa. E nós temos um tempo corrido para falar sobre assuntos muito profundos. Então, às vezes, a gente sacrifica alguma coisa e não dá para ver a profundidade.
Então, a gente tem que fazer escolhas e explicar para os alunos as escolhas que a gente fez, porque não dá, realmente. Fiz um curso de extensão sobre os capítulos de 1 a 11 do Gênesis. Eu delimitei. Ficou só sobre a comparação com os mitos da Mesopotâmia. Então, tem várias formas da gente adentrar esse estudo do Gênesis, que é muito profundo. Principalmente, os textos do início são os textos da criação. Então, eu tinha que fazer a escolha. Ficou um curso aberto ao grande público. Num bairro bem pobre, numa sala que tinha umas goteiras, choveu e tudo.
Tinha que ter uns baldes. Mas também foi muito participado. Foi dentro de um ambiente católico, não foi um salão católico, mas os pastores da Igreja Bethesda estavam, eles foram. Foi muito enriquecedor para nós isso. Mas foi só sobre esses paralelos entre os textos da criação e os textos da Mesopotâmia também da criação. A grande diferença que a gente vê é exatamente que os escritores, o povo hebreu, o povo hebreu, ele usa às vezes linguagem parecida para falar que era a linguagem erudita da época, deixar claro que falar de serpentes, jardins, abismos, água e essas coisas, era uma forma de dizer uma coisa difícil em uma linguagem erudita, a linguagem da sabedoria da época.
Era essa linguagem. Hoje nós abstraímos em teorias científicas, em linguagem matemática, equações. E eles abstraíam para universalizar o conhecimento. Isso que nós hoje achamos que é historinha para criança, antes era erudição, era a sabedoria da época, era assim que se falava de algo, de forma que pudesse atingir a todos, como as teorias da física quântica tentam se expressar. Dizer isso que a gente tem um preconceito quanto a essa linguagem, mas na época ela era a linguagem de se passar esse tipo de conhecimento.
E mostrava a erudição. Colocar isso numa poesia como o capítulo 1, era muito mais difícil ainda. Então mostra a grandiosidade. O que o povo hebreu tinha de diferente, apesar de ter uma linguagem parecida, é a experiência que tem com esse Deus, a experiência do monoteísmo, que não é apenas uma crença superficial, mas é uma experiência profunda com um Deus que os conduziu, um Deus que estava presente com ele. Quando colocam por escrito essa forma de falar do início, do surgimento desses seres, dos universos, o que está ali, eles querem passar antes de tudo uma experiência que eles têm com Deus.
Uma experiência muito íntima até. Às vezes a gente fala do monoteísmo e pensa que é só intelectualmente eles sabiam que só existia um Deus. Não é bem isso. É uma experiência profunda que eles têm com Deus. Isso não havia no ambiente politeísta. Essas mesmas narrativas da criação, na linguagem da Cádia, da Suméria, eles têm deuses que são egoístas, que exigem muita coisa, criar o ser humano para trabalhar no lugar deles, essas coisas assim. Então mostra uma pluralidade de divindades concorrentes que criam o ser humano e criam o universo e colocam o ser humano para eles poderem descansar, como os nobres da época que o texto foi escrito, que descansavam enquanto os servos trabalhavam.
Então eles transferiram para a linguagem religiosa a realidade cotidiana do trabalho escravo e tudo. Então mostra um Deus amoroso que cria o ser humano num jardim de delícia para usufruir, para ter uma vida plena, para ter… Ele que trabalha. E quando ele descansa, ele convida o ser humano a descansar, o ser humano descansa junto com ele, que é diferente dos mitos que os deuses descansavam para o ser humano trabalhar, para os deuses descansarem. O sábado o ser humano descansa e a natureza descansa, porque os animais que trabalham na lavoura e todas as coisas, elas também descansam.
Então é uma coisa muito bonita e é um passeio na brisa da tarde. É uma linguagem figurada porque no finalzinho da tarde as pessoas voltavam do trabalho, os amigos se encontravam, como nós dois nos encontramos hoje, conversamos. Então eles colocam o ser humano e Deus nessa relação íntima de amizade. É uma forma de tentar traduzir em linguagem metafórica um sentimento interior, um sentimento muito profundo que eles têm. Foi o que eu percebi resumindo, comparando os textos do Gento com os mitos mesopotâmicos. Agora, Mani, não sei se você percebeu, a gente tem, nesses últimos estudos do Gênesis, a gente abordou um tema que é o fluido cósmico.
Mas a gente abordou esse tema com um propósito muito específico, que era o propósito de mostrar a onipresença de Deus, mostrar a providência divina e a previdência divina. Então, o estudo em si do fluido cósmico, nós percebemos isso em Kardec, é apenas um instrumento, porque a gente não sabe o que é, a gente tem uma ligeira ideia do que seja, mas sabe para que ele serve. Ele está a serviço do amor, da providência divina, da sua onipresença e me parece que toda essa ideia, inclusive da água, que a gente comparou com o fluido cósmico, ela está muito presente no capítulo 1 de Gênesis, como você mesmo acabou de falar agora.
Eles não só acreditavam na existência de um Deus único, eles experimentavam um Deus único, uma experiência de Deus, que é diferente só de você ler ou acreditar em uma teoria, ou em outra teoria, é muito mais do que uma teoria. A gente queria falar um pouquinho sobre isso. Eu quero, primeiro, parabenizar você por colocar nessa linguagem atual, porque o que você está fazendo com esse tema da criação, tratando assim a partir das teorias da física quântica, é o mesmo que os autores e as pessoas que, na época em que o Gênesis foi escrito, tentaram fazer com a linguagem da época.
A linguagem da época era aquela. Tentaram colocar essa fé no Deus criador a partir da linguagem culta da época, para que pudesse ser compreensível e atingir todas as pessoas da época. E o que você está fazendo é pegar a linguagem de hoje, da física atual, aquilo que nós conseguimos perceber, porque a física quântica também é criança, acabou de nascer. Tem muita coisa que ainda não é conhecida, mas ela nos leva a uma humildade de saber que tem certas coisas que as teorias ainda não podem e tão cedo não poderão abranger e explicar.
Mas o que você está fazendo é, na linguagem atual, colocar o tema da criação na linguagem atual, assim como o autor do Gênesis tentou na linguagem do tempo dele também se expressar, uma fé, uma experiência no Deus criador. E eu quero dizer que eu gostei muito, eu sempre vejo depois, porque no horário que estão aqui ao vivo, eu dou aula. Mas eu gostei muito da última aula, gostei de todas, mas estou retomando por causa da sua pergunta, é que essa ideia que é tão atual, ela já está presente de alguma forma na sabedoria hebraica.
Eles lá, o povo hebreu já tem uma compreensão de que Deus, eles estão mergulhados em Deus, Deus está mergulhado neles. Eles conseguem encontrar Deus no mais íntimo de si. Então, isso aí já é uma coisa que também eles tentam. Claro que eles têm dificuldade, falam de forma poética, mas eles, essa coisa que você falou na última aula, de Esse cuidado, dessa ação de Deus dentro da pessoa, de não ficar buscando fora, mas onde é que está Deus? Então, é até um paradoxo, porque ele é o ser supremo, ele é sempre transcendente, ele é mais, então ele está sempre além.
Mas ele também é o mais íntimo, ele é o mais íntimo nas criaturas, ele está no mais interno das criaturas. Então, eles já sabiam disso, e eles já de alguma forma começavam a pontuar essa coisa. Isso é muito importante, porque você vê que, até retomando o texto do Levítico, se eu falar demais você… Retomando o texto do Levítico, que também você falou, o santuário não é como os outros santuários das outras civilizações, uma subida. Ele é na horizontal. Então, onde é que… Qual é o lugar do santuário do deserto que representa o lugar de Deus?
É a sala mais íntima do santuário, que é a sala mais íntima. E as pessoas vão do mais externo para o mais íntimo. Então, eles também traduziram isso do centro do… O santuário está no meio do acampamento e o santo do santo é o lugar mais íntimo do santuário. É que eles querem passar isso no mais interno, de alguma forma. Mas, aí, todos nós estamos mergulhados também nele, respiramos nele. Você se lembra, assim, de alguns textos? O Salmo 139, no início. O Salmo 139, ele sofreu uma créscimo a partir do versículo 19, mas ele é um salmo que ele diz que não dá para se esconder de Deus, porque se a pessoa for mais alta, se você quiser, a sua voz é bonita, melodiosa.
Isso aqui é bom ter uma irmã, né? Uma irmã assim. Está testando demais, inclusive. Está testando até demais. É Que isso, né? Que coisa! Então, diz assim, Senhor, tu me sondas, me conheces, sabes quando me assento e quando me levanto. De longe, penetras os meus pensamentos, esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra não chegou à língua e tu, Senhor, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante, e sobre mim pões a mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim, e sobremodo elevado não o posso atingir.
Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás. Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também. E tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá adguiar a tua mão, e a tua destra me sustentará. Se eu digo, as trevas com efeito me cobrirão e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te são escuras. As trevas e a luz são a mesma coisa, pois tu formaste o meu interior. Tu me teceste no seio de minha mãe.
Graças te dou, visto que, por modo assombrosamente maravilhoso, me formaste. As tuas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Aí, tu manda um pedacinho. É uma forma dele se colocar em oração e dizer assim, mas eu sou uma obra maravilhosa, não só as outras obras, mas eu sou uma obra maravilhosa. E não tem jeito de fugir. Deus está em cima? Ele está onde eu sou e Ele está. Ele começa nas distâncias, o mais alto que eu puder ir, o mais baixo que eu puder ir, o mais distante, nos mares, no fundo do mar, não tem jeito de me esconder.
Tem um pensamento. Para eles, os ossos é o que há de mais íntimo, é o que há de mais profundo. Etzên, em hebraico, simboliza a essência. A essência. Então, os ossos, para eles, seria o primeiro que seria… É como você vai construir a casa, aí você coloca aquelas colunas, aquele supremo audado, aquela… É o alicense. Então, seriam os ossos. É o que é feito primeiro, o primeiro que Ele diz e é o que fica por último, quando os músculos se vão, se decompõem. Então, Ele fica imaginando Deus formá-lo dentro do útero materno.
Então, Ele fica assim. Tudo… Não dá. Se ficar a escuridão mais escura, para Ele é igual a luz mais intensa. Ele coloca a mão sobre a minha cabeça, está na minha frente, está nas minhas costas. Quer dizer, Ele me rodeia toda. Está no mais íntimo, porque os ossos são o que há de mais íntimo. Então, é assim. É isso. Ele já tem essa consciência de que não se pode ser exterior a Deus, ou Deus está no exterior da pessoa. Ele envolve e, ao mesmo tempo, Ele está no íntimo. Paulo fala disso? Na Carta aos Efésios, ele tem uma frase, acho que é 3,18, na Carta aos Efésios, que ele…
Tem sempre um ponto de interrogação aqui, deixa eu ver. Eu acho que eu deveria ler o 14. Pois, leia com sua voz melodiosa, a belo dada. Então, está em Efésios, capítulo 3, versículo… Vou ler do 14 ao 21. Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior. E assim habite Cristo no vosso coração pela fé, estando vós arraigados e alicerçados no amor, a fim de poder descompreender, com todos os santos, qual é a largura e o comprimento, e a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que é sé de todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.
Ora, aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém. É um texto bonito porque quando ele fala na altura, no comprimento, na largura, na profundidade, ele está falando também disso que a gente estava um pouco dos talmos, então, altura, Deus é o ser supremo, eu não vou atingi-lo, eu não vou conseguir dar conta de Ele é sempre mais alto.
Ele é sempre, mas a largura, Ele me envolve e a profundidade Ele está interno. Então, para ele, é o amor de Cristo que mostra isso. A vida do Cristo, a atividade do Cristo, que é o amor, a vida do Cristo é resumida no amor, é que nos dá poder, essa experiência. E aí ele, isso aí na realidade é uma oração, ele diz, eu me proxo de joelho, me coloque de joelho para pedir, eu desejo intensamente que vocês possam fazer essa experiência de saber o quanto Deus é supremo, mas também o quanto Ele envolve e o quanto interno Ele está.
Eu lembro desse versículo porque ele foi uma carta de Bento XVI aos jovens e foi interessante porque o Bento XVI todo mundo sabe como é, bem rígido, aquele alemão rígido e tal e ele escreveu uma carta aos jovens que o título era Alicessados e Arraigados em Cristo. Aí ele foi e escreveu assim, jovem, eu gostaria de dizer para vocês que eu, na época da guerra quando eu era jovem, eu duvidei da existência de Deus. Eu tive uma crise de fé. Ele diz isso na carta aberta aos jovens. Eu tive uma crise de fé mas eu não sucumbi porque estava alicensado e enraizado em Cristo.
Eu convido vocês a fazerem uma experiência porque se vocês fizerem a experiência isso segura vocês em qualquer momento. Então ele usou esse texto aí a gente teve que falar isso, mas eu vi muitos jovens chorarem por causa desse texto que a gente lia e explicava nas paróquias, na época. E foi aí que ele fez o convite para o primeiro encontro dele com a juventude. Porque a juventude estava acostumada a encontrar com João Paulo II, que era aquela simpatia e tudo. Quando chegou bem no XVI ele todo mundo desanimou. Mas ele disse isso, ele falou dele mesmo quando era jovem.
E um papo aí, mas bem no XVI, dizer que teve uma crise de fé, de ateísmo por alguns momentos por algum tempo. Foi interessante. Então, isso sustenta, porque é uma experiência. Se a pessoa tem a experiência tudo que vier ela se aguenta na experiência. Porque ela diz, olha, ele é sempre maior, não vou conseguir entendê-lo, mas ele me envolve e ele é o mais íntimo de mim. Então eu tenho a força que vem de dentro para fora assim e essa força faz superar. Então é por isso que ele fala no poder aí também nesse texto. A exusia do grego.
E aquela dinâmica, a dinâmica também. Afim de poder compreender. Ora, aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o quanto pedimos ou pensamos. Imagina se ele não vai dar uma experiência de amor, não é? Pois é, Mani, então agora já que você está falando dessa experiência de amor, porque, na verdade, a gente sentiu um chamado para poder trabalhar esse tema hoje. Nós fomos chamados para falar desse tema e as duas mensagens que caíram do Emmanuel no início aqui só veio confirmar o que a gente já estava conversando lá dentro preparando essa conversa aqui e Mostrando para a gente que a gente está no rumo, Jesus está no leme.
Está no leme. Aí eu queria agora que você contasse uma experiência. Como que foi, eu queria que você falasse como que foi, qual é o propósito, como tem sido até hoje, o que você aprendeu lá, qual foi a experiência, o primeiro retiro com o padre Caetano. O que que é o retiro? O que que foi essa experiência? A experiência, porque a gente está achando que o Espírito está precisando de mais disso. O movimento espírita está muito distante disso. Isso é algo preocupante. Mas, conta da experiência. Vamos falar dessa experiência.
Eu queria dizer primeiro que essa coisa que você falou, o Espírito, mas, na realidade, durante muito tempo, o cristão, de maneira geral, ficou muito dado à intelectualidade. Alguns. E outro à assistência humanitária. Mas, assim, era tanto um estudar quanto um fazer sem um, aquilo que Paulo chama de robustecer-se na comunhão. Hoje todo mundo quer fazer dieta, Paulo falava da gente ficar gordinha da graça. Gordinho da graça. No amor de Deus. Então, robustecer-se, no amor de Deus. Acho que foi uma época geral que a gente se distanciou muito da coisa da experiência, de ter a nossa sensibilidade alimentada, porque a gente ficou muito à intelectualidade, alimentada à práxis, o fazer, mas essa parte da sensibilidade ficou há algum tempo, de maneira geral, no protestante, no católico também.
Mas, hoje, há um retorno, há uma busca por essas experiências profundas, não só dentro do cristianismo, mas também fora do cristianismo. Até mesmo as pessoas que querem num feriado um pouco de paz e um turismo ecológico, no fundo, elas estão querendo uma interiorização, às vezes, sem conseguir dar esse nome. Então, às vezes, são pessoas que não estão ligadas a nenhuma fé, a nenhum grupo religioso, mas elas sentem uma necessidade de silêncio, de paz, de estar em harmonia com a natureza. E isso tudo é uma sede de algo que ficou sufocado durante algum tempo.
Então, o retiro, ele geralmente se chama Exercícios Espirituais, porque foi esse nome que o fundador dos jesuítas deu, que é o Inácio de Loyola. Então, ele era um soldado e fazia exercício físico. E ele, na guerra, ele foi ferido. Então, ele, durante o tempo que ele passou muito enfermo, ele primeiro se revoltou, mas depois ele teve uma forte experiência com o amor de Deus. Ele se sentiu profundamente amado. Então, ele escreveu uns textos de como fazer um exercício que seria um mínimo de ir para um lugar, de se retirar, de fazer um pouco de silêncio, de tentar entrar em harmonia primeiramente corpo e espírito, porque às vezes nós estamos desorganizados.
Então, e O primeiro exercício é o amor de Deus, é se sentir amado. Então, se é pra eu me sentir amado, se é pra eu estou aqui, me amem, então não tem muita coisa pra fazer. Quem tem que fazer é Deus, entende? Então, a gente faz o mínimo que é ir pra um lugar. Então, você perguntou pela Nova Jerusalém, se eu falar muito, corta. Porque as conversas minhas com o Haroldo, a gente vai a noite toda, mas aqui ninguém pode ir a noite toda, então tem que correr um pouco. Então, eu fui pra Nova Jerusalém pra fazer o retiro, quando eu tive a introdução, está lá no podcast, eu fui a primeira vez, era no carnaval, um retiro com muitos jovens, não tinha nada a ver de querer ser padre ou freira, não é isso, eram jovens que quisessem uma coisa alternativa ao carnaval, e o padre Caetano conduziu o retiro pros jovens.
Então, ele simplesmente fez um, ele falou um pouco sobre o amor de Deus, mas breve, poucos minutos, e ele apenas pediu uma música, o violão, não lembro direito qual era, mas eu acho que era uma que dizia seduziste, me senhou e eu me deixei seduzir, foi uma luta de Deus igual, que mistura um texto de Jeremias com um texto de Paulo, das cartas de Paulo, e nós ficamos num, fomos jovens, agitados, mas fomos ficando naquele daquela lerdez do nordestino, ficando quietinhos e acalminhos e tal, e foi assim, porque também o padre Caetano tinha um magnetismo intenso, e a gente entrou naquela frequência assim, meio apagada, e vem aquela aquela coisa assim, de dentro pra fora, um Sentimento que eu não saberia dizer, né, umas lágrimas falando do que eu vivi, mas todo mundo passou por alguma coisa, né, as lágrimas tranquilas e uma felicidade, uma felicidade que não dá pra descrever, e só o que assim eu conseguia assimilar numa ideia era isso é o amor, isso é o amor de Deus, né, de dentro pra fora, não é porque como quando a gente conhece uma pessoa, a gente os Sentidos, as afinidades são do externo pro interno, né, algumas pessoas não conseguem nem passar da parte mais superficial, da química, mas esse é diferente, é algo que vai lá no íntimo, no íntimo do espírito mesmo, lá como a Carta aos Hebreus fala, lá onde há um entroncamento, eu sei se chama perispírito, é lá onde tudo se…
ele diz, é lá onde tudo se conecta, lá naquele ponto de conexão, né, que ele fala que a palavra de Deus como uma espada de dois rumos que vai lá, penetra aquela linha divisória, então é mais ou menos isso, então é uma uma felicidade intensa, que traz efeitos no corpo, enfim, corpo leve, corpo pesado, leve, pesado, que a gente frio, perde mais ou menos a noção do tempo, mas esse efeito físico, ele é totalmente secundário, ele não significa nada, e que cada pessoa pode ter… é um ou outro, mas essa felicidade intensa, e às vezes as pessoas não entendem, por exemplo, quando eu disse ela ia estudar, eu disse, se você vai estudar esse tema, prepare-se para ser amada, porque vai ter perseguição, mas antes de você pensar em pecado, antes de você passar por tribulações, qualquer coisa, você vai se sentir amada, prepare-se para saber o que é o amor, porque você vai primeiro se sentir amada.
Então, quando se sente amada, aquela enraizamento em Cristo, que fala aí a Carta aos Efésios, aí pode vir o que vier, então, como lá no Paulo Esteves, ele está sendo chicoteado, não sei mais nada, ficou naquela incomunhão íntima, aquilo tudo sumiu, aquelas coisas todas sumiram. Você tinha dito que o padre Caetano comentou isso, que tinha narrado, e ele disse que… Ele disse que isso é a coisa mais natural que existe, como comer, beber, dormir. Para todo mundo, e todo mundo tem que experimentar, e a gente tem que fazer pouca coisa para experimentar, isso é o retiro.
Esse é um sentimento que também o Inácio disse, que depois daí vem a reflexão, você se sente deslocado, primeiro você se sente deslocado porque se tem um lanche, ou se tem um almoço, você não sente fome, dá um tempo para engatar de novo aqui na realidade, mas também você se sente assim, se está fora do foco. A gente saiu de lá, todo aquele jovem querendo dar um jeito na vida, fazer alguma coisa útil da vida. Uns foram para a comunidade, outros se casaram, resolveram a vida deles e foram fazer alguma coisa. Agora, isso esfria.
Então, o retiro na comunidade, o padre Caetano marcava, todo ano tem que ter, para recarregar a bateria e se colocar no estrilho de novo, no foco. Quando você fala desse fora de foco, tem a ver com a experiência de se sentir culpado, de errar? Depois que você sente esse amor, como é que é? Muda essa relação? Depois que se sente amado, tudo isso que a gente fez ou deixou de fazer, não dói, não causa aquele mal estar. Porque, antes, você já foi amado, então, se já foi amado, você só diz assim, não é por aqui, eu vou me recolocar no foco, não é por aqui.
Então, veja, fica mais leve, quer dizer, nós não entramos num retiro para pensar no nosso pecado, nós não entramos num retiro para fazer uma avaliação do semestre, nós entramos num retiro para estar em comunhão, para se sentir em comunhão, se sentir amado. E, depois que a gente se sente amado, aí, então, pode vir o que vier. Então, a gente tem uma posição muito natural, não é por aqui, estava pisando na bola, agora vou por aqui. Mas não tem aquele, sabe, não tem aquela carga, entende? Veja, se a gente pensa assim no filho pródigo, quando ele volta, né, aí, antes dele começar a pedir perdão, tudo aquilo, o pai corre, beija, abraça, beija, e ele tinha treinado, ele ia dizer assim, ensaiado um discurso, né?
Então, ele, nesse discurso, ele ia dizer assim, pai, trata-me como um dos teus empregados, porque eu não sou digno de ser teu filho, né? Só que ele não diz no encontro, porque ele já foi beijado, abraçado, cheirado, como é que ele vai dizer, agora me trate como um empregado? Ele já foi tratado como um filho. Então, depois que recebeu todo aquele amor, não fica, não é necessário de ah, porque que, né, se chicotear, não é isso, isso é porque a pessoa ainda não se sentiu amada, né? Você não vai falar isso para os espíritos?
Eu estou falando para os católicos, você não sabe, mas tem a pessoa de católica assistindo aula. E, hoje, quando meus alunos não estão tendo aula para estudar. Eu estou resgatando, eu não mereço, eu sou o pior. Fala um pouquinho sobre isso. Depois que a pessoa se sente amada, qual que é a visão dela de carma, depois que ela se sente amada por Deus? Depois que se sente amada por Deus, qualquer coisa, mas qualquer coisa é muito insignificante comparado com o amor de Deus. Mas não tem nada que se compare com um momento de felicidade desse e nada pode tirar essa felicidade da gente.
Esse momento não é uma felicidade dessas que alguma coisa boa acontece que a gente comemora, é uma coisa que acontece dentro da gente. Então, quem me separará do amor de Deus? A espada, a morte, as palavras de Paulo, a vida, a morte, quem me separará do amor de Deus? Sabe o que é isso que Paulo tenta dizer que, às vezes, é tão barateado que a gente vê isso como adesivo de carro e aí fica uma frase barateada no sentido de que Deus é fiel, no sentido de que Ele é o único que permanece integralmente e eternamente conosco, porque todas as nossas relações sofrem solução de continuidade.
Na hora, a gente se separa, nem que seja provisoriamente. Seria isso? Olha, é difícil, você não faz pergunta difícil, pelo amor de Deus. Porque isso está no nível do existencial, entende? Então, qualquer coisa que a gente faça é muito insignificante diante do amor de Deus. Não quer dizer que Ele seja um papazinho burguês que vai passar mal na cabeça da gente e apoiar todos os nossos erros. Não é. Mas esse amor, ele é algo extraordinário. Então, qualquer coisa que a gente vem a assumir, antes de tudo, está o amor de Deus.
Aquilo que foi experimentado, que foi provado, que foi saboreado, que foi no mais íntimo. Então, ninguém nem nada pode nos tirar uma experiência dessas, nem nossa consciência pesada, nem nosso erro. Então, a gente tem uma força, uma coisa no interior que vai relevar tudo isso que, para nós, é uma ressaca moral, um fardo que se leva. Esse fardo, ele é insignificante diante do amor de Deus. Então, as perseguições que a gente possa passar, qualquer problema, uma perda do ente querido, tudo isso é sustentado por essa experiência que se vive.
É por isso que tem que ser uma experiência vivenciada por cada pessoa. Não dá para, a partir da minha fala sobre a minha experiência, você se basear na minha experiência e aguentar o tranco da vida. Não dá. Você faz a sua experiência. Eu faço a minha. E é nessa experiência que a gente vê o quão interno Deus está. Por isso que ele era tanto que esse Espírito de Deus é o pneuma. É comparado com o ar. Porque está no interno. Está envolvendo. Está envolvendo. Então, nós não prestamos atenção que nós estamos dentro da camada de ar, que nós estamos respirando.
Nós não prestamos atenção. A gente vive. Vai vivendo. Não preste atenção nisso. Mas nós estamos mergulhados em algo. E esse algo está mergulhado em nós. A gente está inspirando, inspirando. Está circulando tudo dentro de nós. E isso não é só uma coisa física. Isso é também algo espiritual. Essa centelha divina. O cântico dos cânticos diz que o amor é uma faísca de Deus. E que por isso nada pode acabar o amor. Nada pode apagar o amor. Nada pode destruir o amor. Porque é uma centelha, uma faísca de Deus. E por isso ele está acima de tudo.
E aí vem, então, a pessoa que fez a experiência de se sentir amada, aí pode amar. Aí pode ler a primeira carta aos corintios, o hino da caridade. Tudo supera, tudo suporta. Porque aquilo ali, primeiro, a gente sentiu. Aí naturalmente flui. Você está falando que é como um vulcão. Um vulcão. Os santos chamam de efusão. É a fusão do espírito. Quer dizer, se sai. É do mais íntimo para o mais externo, para o mais superficial. Tanto que você pode ter alguma coisa física, umas formiguinhas caminhando, o que você sente, um formigamento, qualquer coisa, mas é secundária, porque vem de dentro para fora.
Primeiro, acontece lá no mais íntimo. Lá no mais íntimo. Chega até na superfície. Na superfície. E é difícil de falar disso. Teresa Nabila, quando pedi para ela escrever, ela me matou. Como que eu vou ter palavras para escrever? Quando o início do Castelo Interior, o livro que ela escreveu para educar as monjas no retiro, na vida de retiro, aí ela escreveu assim que por obediência à autoridade, ela estava escrevendo e Também porque ela se preocupava que todas as pessoas pudessem passar pelas experiências que ela passou, porque ela não é uma exceção.
Ela comparou com um castelo interior, mas esse castelo, ela usou uma metáfora, castelo era uma coisa que todo mundo sabia, que tinha muitas moradas, muito quarto, só que esse castelo era um círculo, ele era circular, então as moradas… Era um núcleo, um centro. Na parte central é a sala do trono, que é por isso que vem de dentro para fora, e aí esse castelo tem as moradas, que seriam sete, por causa do nome simbólico, e geralmente as pessoas estão na mais superficial. E como ela era mulher, mulher tem medo de baratos e animais peçonhentos, ela disse que nessa sétima morada está cheio desses insetinhos, desses bichinhos, e a gente está convivendo com eles.
Enquanto que lá, quanto mais você vai para o centro, então o céu, que seria a sala do trono de Cristo, é o castelo mais interior, que seria o centro do espírito da pessoa. E ela disse que ela tinha que comparar, sim, porque não dava para falar, para expressar em uma linguagem cotidiana. Eu acho que isso não tem nada a ver com gênesis. O pessoal está dizendo, o que essa maluca foi fazer aí? Tira do ar que você não está falando nada de gênesis. Isso tem tudo a ver, porque a gente queria ultrapassar uma abordagem puramente intelectual de fluido cósmico para que começasse realmente a ter uma experiência de um Deus que está no meu mais profundo centro, no meu mais profundo eu, que no livro dos Espíritos se chama da consciência, esse núcleo profundo onde está a lei divina, onde está Deus, onde estão todos os potenciais divinos.
E, a partir daí, e a gente tem uma simbologia também, uma linguagem, que sobretudo é uma linguagem, uma maneira de expressar. Na obra de André Luiz, ele fala dos centros vitais. Então, no interior, no centro mesmo do cérebro, tal coronário, seria o mais central, que é a nossa parte onde se dá a comunhão divina e, a partir do coronário, tem o frontal, o laríngeo, o cardíaco, isso na visão de André Luiz, o plexo solar, o gástrico e depois o genérico, que seriam aquelas forças mais que nos conectam com as formas, com o mundo das formas, com o mundo material.
É interessante você falar isso porque sai do retiro e não tem nem vontade de comer, porque a pessoa está vivendo uma profunda experiência de interior que essas sensações são supridas. Por isso, no retiro, também se cuida do físico e do mental. Geralmente, o retiro é mais Começa com o jejum. Começa com o jejum. O jejum não é ficar com fome. O jejum é você ter um alimento que te ajuda a usar a sua fala te ajuda a abrir esses centros de força. Tem um inchaço, vai começar a purificar aos poucos da carne, porque a carne tem proteína, mas ela materializa muito, ela pesa, então vai aos pouquinhos tirando a carne, vai diminuindo isso.
Algumas pessoas têm dificuldade, então, no retiro, cada um vai no seu ritmo, ninguém vai como fazia São Francisco. Se você não aguenta ficar com fome, vamos comer o franguinho. Então, a gente vai entrando também na dinâmica do psiquê. Nós estamos numa vida agitada, então a gente leva um tempo para desacelerar a mente. Eu entrei no retiro e já tive aquela grande experiência. Não, às vezes é lá para o último dia, porque você vai entrando no retiro devagarinho. Alimentação suave, aí quando a gente às vezes vai fazer o silêncio, aí pensa mil e uma coisas, então, isso aí a gente vai acalmando a mente, vai colocando uma frequência.
Agora, só que assim, a gente está em contato com a natureza, está todo mundo querendo a mesma coisa, a pessoa que está assessorando ao retiro, o retiro já deixou não sei quantos, a gente chama interseção. Vocês chamam vibração, né? É responsável por… Tem a sustentação? Tem, a gente chama interseção. Aí tem aquelas pessoas que intercedem, intercedem, e aí tudo vai ficando até todo mundo ficar igual, né? E isso tudo, mulher, para a pessoa ficar mais leve e mais sensível? Mais leve e mais sensível. Então, tem que ir desacelerando, a gente tem que sair do nosso ambiente cotidiano, a gente tem que ir para um outro lugar, não pode ser no lugar que a gente já vive o tempo todo.
Por exemplo, nossa casa, nós tínhamos uma casa de retiro lá, para os outros, mas quando a gente tem que fazer, a gente vai para outro lugar, que tem que sair daquele ambiente, né? Porque isso aí faz um efeito também, né? E quando você faz esse silêncio interior, você disse uma vez para mim, que aí você começa a ter… É, o silêncio interior nos dá os insights, né? Primeiro, ele possibilita a experiência, né? Porque, assim, uma coisa é o padre Caetano chegar e cantar uma música e todo mundo entrar no ambiente, né? Mas outra coisa são os povos mortais.
Então, a gente vai devagarinho, as pessoas vão, né? Então, aí, tanto o silêncio ajuda a fazer a experiência, quanto o silêncio, também mesmo, ele nos ajuda com os insights. A gente começa a entender alguma coisa, a gente começa a entender a atitude das pessoas ou da gente, a gente começa, o nosso intelecto fica aberto, a gente começa a entender alguma coisa de um texto bíblico, ou alguma coisa a gente… Ah, agora entendi, sem fazer esforço, quer dizer, a gente fica muito… Não sei, a gente fica diferente. Eu queria que você falasse um pouquinho dessa gratuidade desse amor divino.
Qual que é a terminologia? Porque… Eu acho que o termo graça é um termo sensacional, porque graça já diz. É de graça, quer dizer, é gratuidade, é ele que vem, é ele que vem. Então, ele pode invadir o nosso cotidiano como fez com o Paulo, que encontra ali, ou a gente pode se colocar à disposição, a gente faz o mínimo, a gente vai para um lugar adequado, tem uma pessoa mais experiente, que a gente chama de assessor, que vai assessorar o retiro, vai dar alguns textos, vai falar algumas experiências, como eu falei aqui, mas é só para…
Vamos… Vai ajudar nos exercícios de… Geralmente, a gente canta uma coisa que se chama de mantra, que a gente repete um refrão várias vezes para dar um ambiente, mas é o mínimo que se faz, porque cabe mesmo a iniciativa, é de Deus, quer dizer, a gente só não vive isso todo dia, porque a gente não pára, porque a gente não pára, a gente é muito agitado, mas as pessoas que estão numa vida mais silenciosa, elas vivem isso quase todo dia, se não, todo dia. Sintoniza, é uma sintonia, bota na frequência. Não tem nada de mágico, é uma coisa natural.
Deus nos ama, o problema é que a gente não se sente amado, e quando a gente se predispõe, aí a gente se sente amado. Ele nos ama porque ele é bom, porque ele é amor, independente se a gente merece ou não, ele ama porque ele não pode ir contra si mesmo, e ele é amor. Ele não pode… Não interessa quem é você, não interessa, não interessa quem faz o que fez, ele ama porque ele é amor. E aí a gente encara até os nossos erros, errar o alvo, errar o objetivo, com mais naturalidade, quando a gente se sente amado. Não é que a gente agora…
Não, é porque a gente está ali… Não é rebeldia, a gente está ali cessado e enraizado nesse amor, e é de dentro para fora, então não tem como. Interessante que não vai funcionar se você ficar no retiro eternamente. Não. Você vai, se há aula de energia… É importante voltar, para não ter aquela impressão. Então, para que eu esteja nesse momento, eu me retiro e fico naquela condição sem retornar. Como é isso? É a transfiguração, que o peso já se empolgou. Agora vamos construir três tendas, vamos ficar aqui para o resto da vida.
Vamos não, vamos descer aqui o monte que nós temos coisas para fazer. Nós temos que trabalhar lá em Jerusalém. E foi para Muvu, em Jerusalém, que era a festa das tendas. Deve ter mais de um milhão de pessoas na cidade. Se você já está integrado, então você pode ir para o mercado. É isso que ele disse. A mística é que se você foi para o Taboba, você pode ir para o mercado, porque naquele tempo o mercado era o ambiente mais bagunçado que existia na face da Terra. Hoje nós diríamos assim, você pode ir para o trânsito na hora do rancho, não tem problema, pode ir.
Você já está conectado. Então, você não fica lá, você volta para o dia a dia. E aí você vai viver a sua vida cotidiana sob outro prisma. Tudo que era sem graça, tédio, insignificante, aquela vidinha, aquele marasmo, aquilo é um dinamismo, sabe? É quase como escutar o Ponte Piete do Carmo. É uma coisa assim, não é? Porque você ressignifica tudo. Ressignifica a partir da experiência do amor, que faz toda a diferença. Por isso, tem que parar de tempos em tempos e fazer. Fazer essa experiência para recarregar a bateria, para voltar para o cotidiano de forma mais intensa.
Então, eu desejo muito que vocês façam essas experiências. Ela é para todos. Ela é a coisa mais natural que existe. Porque Deus já nos ama. Nós temos que parar e aproveitar. É assim, é uma coisa é a criança saber que o pai quer bem, que a mãe quer bem. Outra coisa era ser posta no colo e beijar. É diferente, não é? Então, não sabia que ia falar sobre o retiro, pensei que ia falar sobre o gênero, mas eu quero dizer isso, que o que nós sentimos em uma experiência assim é exatamente essa coisa que você falou, nós estamos mergulhados nesse amor, e esse amor está dentro de nós.
Ele nos envolve, ele nos transcende, ele nos é interno, íntimo, íntimo profundo, como diria Teresa, no mais íntimo, não é? Então, é isso, e essa é a lei divina, é isso que move o universo, esse amor de Deus. Tudo foi criado, marcado pelo amor, porque Deus é amor, o amor está presente em cada coisa que Ele faz. Essa lei, toda a natureza está impregnada disso, e nós, seres humanos, somos a consciência da criação. Os outros seres ainda estão num processo que eles ainda não percebem o Criador, e nós, seres humanos, nós já chegamos ao ponto de perceber e nos sentir amados.
E quando nós nos sentimos amados, tudo muda. O padre Caetano falava assim, que o amor de Deus experimentado por nós é muito mais poderoso do que mil bombas atômicas. Quer dizer, acontece algo no nosso redor. Os seres participam disso, porque o mundo fica de outra cor. Tinha as senhoras que faziam retiro lá, que elas diziam assim, quando a gente atravessa o portão, parece que o sol e o céu é diferente do lado do portão do que do outro lado de dentro do portão. É assim, uma percepção que você tem. Aí eu dizia assim…
Amplia. Amplia. Aí eu dizia assim, mas aí você vai, por onde você andar, a atmosfera vai… A atmosfera psíquica. A atmosfera psíquica vai transformando esse dia-a-dia, e aí as pessoas convivem diferente. Agora, Maninha, tem uma surpresa para você. Mais uma, além dessas todas? Tudo o que nós falamos aqui hoje, que está ligado ao Gênesis, ao livro Gênesis, é o capítulo 30 do Pensamento e Vida, chama Amor. Fico muito feliz por não ter ficado fora do… Foi hoje tudo ligado, tudo ligado, porque eu acho que isso é a coisa mais linda, porque a gente imagina que o fluido cósmico é um veículo apenas, apenas da sabedoria divina, mas ele também é o veículo do amor divino.
É por ele que o amor divino abarca e abrande toda a equiperação, a ponto de… do Paulo dizer com razão, nele nos movemos, existimos em atos, como peixes. Eu conheci com a Ila, ela me deu uma missão muito ruim, buscar a Ila. Aí, nós viemos conversando, e me lembrei agora do que a gente comentou sobre aqueles… Comentar de outras pessoas é mais feliz sobre a sua participação, às vezes nas casas, sem que a gente cite aqui para não… Mas, é claro, eu lembrei agora, e eu sei citar as coisas do Evangelho, porque amou o mundo de tal forma…
Que lhe deu o seu filho. Então, encaixa bem naquilo que falou, ou seja, no comentário de que a lei de progresso garantiria que independente de Jesus ter vindo, é uma fala assim… Então, a gente fala assim, eu liguei com ela, nós vamos ter que aputar o braço, você quer anestesia? Com Jesus, esse amor dele é tão grande, quando você fala do Cristo, do pensamento de vida, quando fala sobre a édice do Cristo, e que amou o mundo de tal forma, eu lembrei disso agora, para a gente ter a dimensão de Jesus na nossa vida. Jesus é a encarnação do amor de Deus para nós.
Ele nos mostra em tudo o que vive e diz, esse amor de Deus. Então, as pessoas se agregavam a Jesus porque o olhar dele era de amor, a atitude, os gestos eram de amor, mesmo quando exortava, era de amor, desconcertava, deslocava, porque tudo dele era amor. A transpiração dele era amor, a respiração dele era amor. Então, não havia como não se agregar a ele. As pessoas tinham que gastar muita energia e fazer muito esforço para rejeitar Jesus. Tinha que fazer um esforço que desfigurasse, porque o ser humano é a imagem e semelhança de Deus.
Nós fomos criados para amar, para amar e ser amados. Primeiro pelo nosso Criador, segundo pelas pessoas, o nosso próximo e também extensivo aos outros seres. Se nós cuidamos, se nós nos importamos com o que acontece na natureza, é um gesto de amor colocado no seu padrão correto. Uma coisa é o que eu amo a Deus, outro tipo de amor é o próximo e assim vai, mas é amor. Isso é ser semelhante a Deus, isso é ser um representante de Deus aqui, uma imagem. Agora, não vivenciar isso, fechar seu amor, é perder a constituição humana mesmo.
Desfigurar-se, até mesmo, às vezes, fisicamente, quando a gente visita certos ambientes, como um presídio, alguma coisa, às vezes a gente vê as pessoas que elas têm um físico desfigurado, um rosto desfigurado, a expressão é desfigurada. Então, a gente vê que perde aquele brilho no olhar, aquele brilho no rosto que é próprio do humano que ama e Acho que perde, desfigura-se e animaliza-se ou então, mais que isso, se transforma numa fera, num ser que perde o seu, o seu corpo físico, o seu corpo espiritual, porque desfigura, porque a falta de amor desfigura a gente, ela nos deixa disforme, a gente perde a forma humana.
Isso é muito assim, porque nós também não temos estruturas para o desamor, nós não temos. Nós não temos estrutura para a rejeição, isso nos mata, nos fere, nos traumatiza. Nós não podemos, nós não temos estrutura para aguentar a rejeição. Agora, se nós temos a experiência de amor, a gente dá conta de que aquela experiência de amor resolve a outra experiência de desamor. Mas que a gente tem estrutura para o desamor, a gente não tem. Eu acho interessante que Jesus falou assim para Tiago e João, vocês são capazes de beber o cálice que eu vou beber?
E ele disse sim, ele disse ainda não, porque o cálice amargo era o desamor que o colocou na cruz. Então, naquele momento, eles não tinham estrutura ainda para beber aquele cálice amargo do desamor. Eles ainda precisavam crescer nessa experiência de amor. E depois, né, eles fizeram, aí aguentaram o martírio, Tiago, por exemplo, né, foi martirizado, né, João aguentou uma vida longa levando, né, muitas rejeições e tudo, muita perseguição, que ninguém sabe que é pior se é um martírio, né, mata logo ou deixa viver muito tempo, né, aos pouquinhos.
Eles não, naquela época, eles não estavam com estrutura para isso. Então, é preciso provar um pouco, nós não somos, nós não temos estrutura para o desamor, porque nós fomos criados para amar e ser amado. Isso vai contra o que nós somos, né? Então, a gente não sabe lidar direito com isso. O amor é a cura, né? Eu canto com o mantra, que é assim, O amor é a cura para qualquer criatura que se lembrar Vamos cantar nessa música, ela vai ser a nossa prece de encerramento. É a cura original É a cura criatura que se lembrar da Doçura da irmã e la de vocês É a cura criatura que se lembrar que se lembrar da Doçura da irmã Bonito demais Boa noite para todos Boa noite Pelo amor de Deus
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