#009 – Estudo do Velho Testamento – Livro Salmos

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Neste episódio, Haroldo Dutra Dias conduz o estudo do Salmo 2 do Velho Testamento, à luz da Doutrina Espírita, aprofundando-se nas questões levantadas por este salmo messiânico e suas implicações para a vida individual e coletiva.

O que é estudado neste episódio

  • Leitura e análise do Salmo 2: O estudo inicia com a leitura do Salmo 2 diretamente do hebraico original, destacando a pergunta inicial “Lama?” (Por quê?), que ressoa com a indagação de Jesus a Saulo.
  • Salmo de coletivo: É enfatizado que o Salmo 2, diferente do Salmo 1, é um salmo de caráter coletivo, dirigido às nações e povos, abordando a inquietação e insubordinação dos reis da Terra contra o Senhor e seu ungido.
  • A questão dos “reis da Terra”: Haroldo levanta a reflexão sobre se os “reis da Terra” mencionados seriam entidades desencarnadas, sugerindo uma leitura à luz de obras como “Libertação”.
  • A “fúria” de Deus: É discutida a linguagem antropomórfica do Antigo Testamento, como a menção da “fúria” de Deus, e a necessidade de interpretá-la simbolicamente.
  • O Messias e a escolha do caminho: O Salmo 2 é apresentado como um salmo messiânico, e a discussão se aprofunda na dualidade entre o Messias líder político (tradição judaica) e o Messias Jesus (tradição cristã), e qual tipo de salvação cada um representa.
  • A relação indivíduo-sociedade: Uma das principais abordagens é a superação da separação artificial entre indivíduo e sociedade, destacando que a Bíblia Hebraica e o Novo Testamento não fazem essa distinção.
  • Karma individual e coletivo: É abordada a dificuldade do espiritismo em lidar com o karma coletivo, em contraste com a ênfase no karma individual.
  • Os meios dos justos e dos ímpios: A discussão central gira em torno da questão se o justo pode utilizar os meios do ímpio para alcançar fins justos, com Jesus como modelo de Messias que não compactua com os métodos dos ímpios.
  • A coerência do ímpio e o desafio do justo: É ressaltado que o ímpio é coerente em sua falta de regras, enquanto o justo enfrenta o desafio de manter a justiça tanto nos fins quanto nos meios.
  • Exemplos práticos: São apresentados exemplos cotidianos, como a atitude de Chico Xavier ao escolher tomates e a questão de pedir descontos, para ilustrar a aplicação dos princípios de justiça na vida diária.
  • A ousadia do justo: O estudo conclui com a reflexão sobre a necessidade de o justo ser “intrigante” e ousado em suas ações, não se comportando como o ímpio, mas utilizando a inteligência e a estratégia para promover a justiça.

Reflexões

  • A separação artificial entre indivíduo e sociedade não existe na lei de vida. O Salmo 2 nos convida a expandir nossa compreensão da justiça e da responsabilidade para além do âmbito pessoal, abraçando o coletivo.
  • A coerência entre fins e meios é um desafio fundamental para o justo. Não basta desejar o bem; é preciso que os caminhos escolhidos para alcançá-lo também sejam justos, evitando a tentação de usar os métodos dos ímpios.
  • O justo não deve ser tímido, mas sim “intrigante” em suas ações, utilizando a inteligência e a estratégia para promover a transformação social, sem recorrer à violência ou à imposição, seguindo o exemplo de Jesus.

Ler transcrição do episódio

Bom dia, amigos! Sejam todos bem-vindos a mais uma sexta-feira de Estudo de Salmos à Luz da Doutrina Espírita. Bom dia, Haroldo. Bom dia, Júlio. Bom dia a todos que estão nos assistindo. Bom dia, Eleonora, Júlio. Bom dia, gente. Gravando mais dessa vez, agora de manhãzinha. Exato, exato. E mais animados com a entrada do Salmos 2, hein, Haroldo? Exatamente. E andou tirando a noite de sono de algumas pessoas aí. A gente faz só um sobrevoo sobre o Salmos. É porque hoje eu entendo o que diz Emmanuel no prefácio do Caminho e Verdade Vida.

Não é um trabalho exegético. Se fosse um trabalho exegético, nós teríamos que ficar aqui talvez seis meses em cima do Salmo 1, examinando todos os radicais, todas as palavras, todos os aspectos históricos, metafóricos, mas aí seria um estudo, vamos convir, seria um estudo altamente impeditivo para a maioria das pessoas. Então, a gente optou aqui por um voo panorâmico. Fazemos um reconhecimento do território, a gente explora os aspectos gerais e depois cada um que se sinta à vontade para poder aprofundar a partir daqueles parâmetros, daquelas reflexões que a gente levantou.

Então, nós acreditamos que as reflexões que foram levantadas no Salmo 1 são reflexões muito boas que dão panga Dá trabalho aí para muitas reflexões, mas cada um deve fazê-las individualmente, no seu ritmo. Como a nossa intenção aqui é cobrir todos os salmos, então a gente… Nós não estamos apressados, mas a gente está com um senso de urgência, né? Urgentes, mas não apressados. Não vamos atropelar, não vamos sair correndo, mas a gente também não pode se deter Porque a ideia nossa aqui dos Salmos é o seguinte, é conhecer a floresta, não as árvores.

A gente não quer se tornar especialista nas árvores. A gente quer ter uma visão da floresta. Os Salmos como um todo. E não se tornar um especialista num Salmo específico. Então, infelizmente, saímos do Salmo 1 e hoje entramos no Salmo 2. Bem, Haroldo, e lembrando, até quando nós começamos com o estudo do Antigo Testamento, Era uma ideia de, inclusive, aproximar o texto das pessoas. Então, cada um vai sentir mais vontade de aprofundar-se mais. Algumas pessoas vão querer conhecer as árvores e podem e devem dentro do seu desejo.

Bom, então, a primeira coisa que nós vamos fazer é uma leitura geral dos salmos. Eu vou… Primeiro, vou fazer uma leitura… olhando o texto hebraico, por quê? Porque, como a Eleonora comentou, né, Júlio? A gente recomenda aí que acompanhe pela Bíblia do Peregrino, pela Bíblia de Jerusalém, mas aqui eu estou seguindo do original hebraico. Então, não estou seguindo nenhuma tradução. A gente está lendo diretamente do original hebraico. E o texto começa, Eleonora chegando, o texto começa com uma pergunta. Lama, por quê?

Por quê? É interessante isso, porque é muito interessante. Nós vamos ver. Esse salmo aqui é um salmo messiânico. E ele começar com lama. Por quê? Porque foi a frase que Jesus iniciou o discurso com Paulo, com Saulo. Saulo, Saulo, lama, por quê? Por que me persegues? Por que me persegues? Nossa! Por que me persegues? E esse salmo aqui… No geral, só fazer essa introdução antes da gente ler, é como se o Messias estivesse perguntando para as nações, Lama, por que me perseguem? Por que vocês estão perseguindo? Mas veja, agora não é mais perseguindo ele, pessoa, mas ele, os princípios, os valores, a condução dele.

Era um pouco do que o Saulo estava fazendo. Saulo, Saulo, Lama. Lama, por quê? Então, a primeira… Ressonância aí é bom a gente anotar. Então, está assim. Lama, porque… Agora, aqui tem uma expressão, Rachu, porque estão inquietas. Ó! Porque estão inquietas as nações e as populações, os habitantes, né? Os povos dessas nações. Então, aqui a gente já percebe, nesse primeiro versículo, que é um salmo de coletivo dirigido à sociedade. Não é mais um salvo falando com o indivíduo, falando com nações e povos. Por que estão inquietas as nações e as populações, né?

O Lamim. E aqui vem, monologam em vão. Aquele mesmo verbo do monologado, que o justo que monologa, que recita a Torá, e aqui, esses ímpios monologando, recitando o quê? A sua inquietude, a sua indignação, a sua insubordinação. Isso é muito importante, não é? Monologam em vão, posicionam-se os reis da Terra e os seus dignatários, os seus representantes. Posicionam-se os reis da Terra e os seus representantes e se insurgem contra o Senhor. Então, aqui fica uma dúvida. Os reis da Terra e seus representantes… Será que está insinuando aqui que os reis da Terra não estão encarnados?

Ó! E que os encarnados são meros representantes dos verdadeiros reis da Terra? Uma boa reflexão. Para quem já leu Libertação, é uma reflexão bem legítima. É uma reflexão bem interessante. Então, posicionam-se os reis da terra e os seus representantes, os seus dignatários, se insurgem contra o Senhor e contra o ungido dele, e contra o seu ungido. E qual que é a reclamação? Dois pontos. Agora virá a reclamação deles. Rompamos os grilhões deles. Deles quem? De Deus e do ungido. Rompamos os grilhões deles. Arremessemos de nós as cordas deles então, eles estão se sentindo presos ou eles estão sentindo que Deus está prendendo eles que o ungido está amordaçando está colocando grilhões então, o grito deles na perspectiva deles é um grito de liberdade eu quero me livrar de Deus e do seu ungido Essa é a reclamação.

Nossa! O que habita nos céus, o Senhor que habita nos céus, isomba deles. Aí vem o antropomorfismo, o simbolismo do Antigo Testamento. Fala a ele na sua fúria e na sua inflamação. Isso é importante. Deus falando com fúria, Deus falando com raiva. Ai, todo mundo assusta. Nossa, Deus com raiva? Vamos entender isso depois. Quer dizer, na fúria dele na sua inflamação, os assusta eles ficam assustados e aí Deus começa a dizer eu estabeleci o meu rei sobre a montanha santa de Sião e que se proclame essa prescrição do Senhor olha que interessante que se proclame o decreto do Senhor, ele me diz olha que bonito tu és o meu filho hoje eu te gerei hoje eu te gerei e opa perdi aqui peraí e eu te darei as nações por herança e os confins da terra serão a tua propriedade você vai despedaçar-las com um bordão de ferro e como utensílio do oleiro você vai esfacelá-los olha isso e agora Pois, ó rei, hajam com discernimento, hajam com prudência e com temor, e vos alegrais com estremecimento.

Valeu, Deus. Beijai o filho para que ele não se irrite e para que não pereçais no caminho, porque dentro em pouco a ira dele se inflamará. Bem-aventurados todos os que se refugiam nele. É um salmo aí bem simples. Nossa! Cara, é muita coisa, Arudo. É impressionante. É impressionante. É impressionante. Pelas pesquisas que eu fiz, a internet já fala que esse salmo tem uma divisão em partes. Ele tem uma divisão, pelo menos umas três ou quatro partes, dependendo do… das pessoas que fazem o comentário, e que eu achei interessante também que é um salmo que é citado no Novo Testamento, é citado em Atos, é citado depois em Hebreus, em Romanos, depois que passa eles reconhecem esse Messias, parece assim.

Nós vamos chegar lá, e já está lá na frente, a gente vai chegar nisso, Mas, assim, eu acho que é importante que todos os salmos são citados no Novo Testamento, né, Leandro? O livro mais citado no Novo Testamento é Salmos. É o livro mais citado. Por conta disso, né? O salmo resume aquilo que a gente estava falando. Você ora como você crê. A oração, aquilo que você ora, aquilo que você expressa na oração, É a sua mentalidade, é aquilo que você acredita, são suas crenças mais fundamentais. Isso é importante, né? Agora, eu queria chamar a atenção para um ponto aqui.

Antes da gente interpretar o Salmo, nós estamos saindo do Salmo número 1, que fala do ímpio e do justo. Um Salmo individual. Está falando sobre a pessoa, sobre mim, sobre a Eleonora, sobre o Júlio, sobre cada indivíduo, que escolhe o caminho dos justos e o caminho dos ímpios. Por que vem agora um Salmo 2 falando das nações? Pois é, por quê? Por quê? Por quê? E ele começa com lama. Por quê? Então, eu já vou… Por quê? Isso aqui é importante. Isso aqui é muito importante. Eu digo que é o conceito central bíblico da Bíblia Hebraica e do Novo Testamento.

Não existe diferença. Não existe diferença. Não existe diferença. Então, quando Emmanuel afirma, no prefácio do Caminho, Verdade e Vida, o Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Toda a terra é seu altar de adoração e seu campo de trabalho, ao mesmo tempo, por honrá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas, é que temos naufragado tantas vezes. Então, infelizmente, na tradição católica, na tradição evangélica e na tradição espírita, nós fizemos uma separação artificial entre indivíduo e sociedade isso não existe na lei de vida isso não existe então isso tanto que a gente fala de uma iluminação que é só individual eu me ilumine individualmente e a sociedade é problema de Deus isso não é bíblia então vamos lá Salmo 2 é um espelho do Salmo um Salmo 2 é um espelho do Salmo 1.

Lá no Salmo 1 eu tinha o justo, o ímpio. O caminho dos justos, o caminho dos ímpios. Agora aqui o que eu tenho? Eu tenho o justo, o ungido, governador da terra e os ímpios. As nações de ímpios. É o mesmo fenômeno. Qualitativamente é a mesma coisa. A mesma coisa, só que ela ganhou uma escala global. Então, quando a Bíblia está falando para o indivíduo, ela está falando para a nação também. É por isso que nós, espíritas, somos ótimos para falar em carma individual. E a gente praticamente não estuda carma coletiva. Dá um nó na cabeça do espírito.

Mas qual a diferença? Qual a diferença? Seria uma dificuldade, Haroldo, de percebermos que… fazemos parte daquilo que a gente acha que é o mal do outro? Eu acho que seriam várias coisas, Júlio. Assim, nós temos um padrão moral para a nossa vida individual e somos coniventes com certas escolhas políticas, sociais e econômicas, porque elas são sociais, entendeu? Então, assim, você fala em caridade, em bondade na sua vida individual. Mas quando eu falo de uma questão social, você admite que haja injustiça, que não tenha bondade, não tem problema, porque aí é social.

É de Deus a responsabilidade, né? E a construção, como que ela vai ser feita? A construção é feita assim, não pode ter buracos. O que é justo na vida individual tem que ser justo em todos os aspectos da sociedade. E os missionários não vêm para missões individuais apenas. Por quê? O compromisso do Cristo, ele é duplo. Iluminar o indivíduo, mas iluminar as nações. Iluminar as nações também. Nossa, Arondo, eu vou fazer aqui o papel da turma que às vezes assiste aqui. Eu estou entendendo isso que você falou, mas como é que a gente tem que achar o meio termo?

Porque me lembrei ali dos zelotes no tempo de Jesus, aqueles que queriam também uma justiça. Ou seja, entendiam que a justiça social, ou que o bem deveria ser feito à força, e por fim isso era para eles o cumprimento de uma obrigação social, ou seja, do bem de todos. Então, a gente hoje sofre com isso. Quando você pega o indivíduo que quer pensar para todos, impondo à sociedade o que ele pensa que é o bem para a sociedade, é o bem para todos. E como é que a gente trabalha essa questão social, as nações, e é difícil mesmo para nós, por isso que estou falando, sendo que a gente também tem o aspecto do autoconhecimento, a promessa de que nenhuma de suas ovelhas se perderá, ou seja, existe uma individualidade, existe uma particularidade.

Aquilo que a gente também aprende de respeitar o livre-arbítrio do outro, ou seja, como é que você trabalha o respeito ao livre-arbítrio do outro e, ao mesmo tempo, não é conivente com o mal, E eu vejo que nós, por não sabermos nos posicionar, a gente ou está num lado da negligência ou do lado de uma ação repressora do outro. Muito menos de si, mas do outro. Não sei. Isso aí. Me salva dessa. Não, mas essa é a reflexão. Então, vamos lá, né, Júlio? Vamos ter que limpar aqui. Então, o que o Salmo 2 está ensinando para a gente?

A primeira coisa que nós temos que superar é essa oposição indivíduo-sociedade, porque ela não existe. Ela não existe. Grande parte da sua individualidade é fruto da sociedade. Para você ser julho, você depende da sociedade onde você está inserido. Então, quando a gente diz assim, ah, o julho é pedreiro. Pedreiro é uma categoria social, não individual. Está certo? Então, eu gosto sempre de um raciocínio que é assim. Qual que é a diferença biológica de você para um homo sapiens, para um homem das cavernas? O primeiro ser humano lá, o primeiro homo sapiens.

Qual que é a diferença? Biologicamente nenhuma. Biologicamente nenhuma. Mas o que evoluiu no homo sapiens? O aspecto cultural, a compreensão e a sociedade. O aspecto cultural e a sociedade. Então, não existe essa oposição. Não existe linha divisória. Não existe linha divisória. A Terra inteira… Presta atenção. A Terra inteira é, ao mesmo tempo, altar de oração e campo de trabalho. Só que o que a gente pensa? A gente acha que existe diferença entre a casa espírita e a repartição pública. Então, quando eu estou numa repartição pública, eu estou na repartição pública.

Quando eu estou na Casa Espírita, eu estou num lugar sagrado. Quando eu estou dentro de uma empresa, eu estou dentro da empresa. Quando eu estou na Casa Espírita, eu estou num lugar sagrado. Estabeleceu essas linhas divisórias. Quem? Porque o ungido de Deus, o ungido Cristo de Deus, montou uma orquestra onde cada nação toca um instrumento. Ele tem um Espírito que coordena cada nação. Então, o projeto do Cristo não é um projeto de casa espírita. O projeto do Cristo não é um projeto apenas de igrejas, porque ele tem um governador para cada país.

Ele enviou um missionário, que é Dom Pedro II, para ser o imperador do país naquele momento. Então, tinha gente lá achando que toda a transformação do mundo ia ser feita dentro de uma igreja, e Jesus está mandando um imperador para governar o país. Ele está com foco global e a gente está se fechando num mundinho. Então, a primeira coisa que nós temos que fazer é eliminar isso. Nossa, é importantíssimo. Vai mexer. Vai mexer. Importantíssimo e difícil, como o Júlio comentou, né? Difícil. Desafiador, desafiador. Desafiador.

A gente… Agora… Parecendo aquela história, volte para casa e não entre na cidade, né? Isso. Agora, vamos lá. Você colocou uma segunda questão, e essa é a grande questão. A segunda questão. Essa é a questão agora que vai dividir. O Messias é Jesus ou não é Jesus? Esse Salmo 2 foi lido pela tradição judaica como um Salmo que fala do Messias de Israel. Mas o Messias de Israel, na tradição da maior parte do pensamento judaico, é um Messias líder político. A tradição cristã leu, A partir de Isaías e de Daniel, do profeta Daniel e de Isaías, a tradição cristã leu esse Salmo 2 como o Messias Jesus.

Qual a diferença? O tipo de salvação. Não, é mais profundo. A pergunta é, o justo pode utilizar os meios do ímpio? Depende. Se você perguntar para o Messias da tradição judaica, pode. Aí surge o Zelotes. Eu sou justo, mas eu posso fazer tudo o que o ímpio faz. Aí vem o Messias Jesus e diz. Eu sou justo e, por isso, não posso fazer nada que se assemelhe ao que o ímpio faz. Agora você escolhe quem você vai seguir. Né? Então, gente, eu falo… Eu tenho falado isso várias vezes no nosso estudo do Velho Testamento. A gente diz que segue Jesus, mas é só da boca para fora.

Porque na hora de resolver o problema, na hora de resolver os problemas individuais, na hora de resolver os problemas sociais, nós utilizamos os meios dos ímpios, não dos justos. Então, Júlio, Se você olhar para Jesus e falar assim, mas nós estamos querendo justiça social, nós vamos pegar a arma aqui, vamos impor. Ele vai dizer assim, afasta-te de mim, Satanás. Ah, Senhor, eu estou querendo impor um pensamento aqui, todo mundo vai ter que seguir. Afasta de mim. E aí, os seguidores do Messias, Jesus, vão perguntar, pode, Senhor, mas nós estamos lascados.

Como é que nós vamos implantar a justiça social, a justiça econômica, sem usar os meios dos ímpios então, esse salmo, é pra perder o sono mesmo, porque o discurso veja, o ímpio tá tudo bem, o ímpio ele é coerente, Júlio o ímpio, ele é coerente ele fala assim, eu só penso em mim, não é do meu grupo, vai morrer, eu não eu não tenho nenhum limite ético moral eu faço o que eu quero qual que é o a reclamação aqui que rompamos os grilhões deles deles quem de Deus e do Messias que isso eu não quero isso não afasta de nós as cordas deles essas leis de Deus aí desse Messias e eu não quero esprender isso não Eu posso matar, posso fazer o que eu quero, não tem limite para os meus meios.

Está tudo certo. Ele não é ímpio. Ele é 100% coerente. Qual que é a coerência dele? Não tem regra para mim. Eu faço o que eu quero. Está tudo certo. O problema não é o ímpio. O problema é o justo que quer usar os meios do ímpio. Justificando isso pelos fins que ele acredita. Não, eu acredito tanto no bem, que eu vou matar todos os maus. Ai, ai, ai… E não tem como não pensar, né? A TV hoje que está passando de notícia. Então, nós achávamos… Veja, Eleonora, é um salmo difícil, é um salmo difícil, vai requerer de nós muita prudência, muita prudência, mas a gente tem que entender, gente.

Porque a gente fica olhando para os zelotes lá e fica rindo dos zelotes. A gente fica rindo de Judas. Fica rindo, se achando superior. Se achando superior. Coitadinho do Judas. Traiu Jesus. Só que o Judas estava preocupado com o que ia lidar com o ímpio. As questões de Barrabás eram o seguinte. Quem é o Messias? Netanyahu ou Jesus? Barrabás. O Messias é um líder político, escolhido pelos homens? Ou ele é um ungido, escolhido por Deus? Como que eu lido com violência, com sequestro, com estupro? Que são os instrumentos dos ímpios.

Como é que eu lido com isso? Aí nós, que nos sentimos superiores a Judas, temos que sair do nosso pedestal e andar nas ruas. E colocar os pezinhos na realidade. Risos É uma sacudida. São dois. Está todo mundo aqui pensando, Haroldo, a sua, os seus pezinhos, aonde que a gente anda, a responsabilidade nos locais onde nós nos encontramos. Está tudo aqui mexendo na cabeça. Aonde que a gente tem que ser justo, aonde que está sendo pedido para nós. Então, aqui, Eleonora, o justo, ele é sobrecarregado mesmo. Porque, além de pensar na justiça, os meios dele têm que ser justos.

Não bastam os fins, os meios também têm que ser justos. Então, um ímpio ofender, um ímpio desmerecer, um ímpio atacar alguém, está tudo certo. Quem não pode fazer isso é um justo. Ou quem escolheu o caminho, né? Está tentando esse caminho. Então, luta armada, revolução armada, não é meio de justo. Isso o tempo todo me lembra, né? Por isso que eu falei da salvação. E você falando desse texto, só me vem à mente, como é que a gente ainda, quando se pergunta Jesus ou Barrabás, grita Barrabás, porque… A nossa condição de escolher o modelo de salvação pela violência, pelo caminho dos ímpios, ainda é grande.

Então, você vê o ensinamento que tem. Recentemente, na nossa reunião, trouxe uma informação que não sabia, depois fui atrás, achei coisas falando que Barrabás também era… Se for uma informação verdadeira, simbólico, não é, Haroldo? Porque significando salvação, a pergunta é, qual salvação você está escolhendo? Qual salvação você está escolhendo? Qual é o caminho que você está escolhendo? Porque é o caminho dos justos ou o caminho dos ímpios? Eu acho que essa é a pergunta boa. Essa é a pergunta boa. Porque não é o destino, é o caminho que você vai tomar.

Por isso Jesus diz assim, eu sou o caminho. Então você chegar aqui e falar de virtudes, falar do mundo celeste, onde tudo é justo, onde todos são bons, onde não tem maldade, ok. Qual o caminho nós vamos tomar para chegar lá? Porque aqui tem gente com arma, matando, sequestrando e estuprando. E aí? E tem essas maldades grandes, mas tem as maldades tão sutis, de falsidade, de enganação. De querer o mal. Isso, Eleonora. E de um sistema que é injusto. E de costumes que são injustos. Por isso que eu trouxe essa reflexão aqui, que é o seguinte, às vezes você tem uma pessoa extremamente moralista, ela fica o dia inteiro falando de leis morais do Livro dos Espíritos, e quando você vai ver essa pessoa, ela é extremamente preconceituosa.

As práticas sociais dela, familiares, as relações dela, são cheias de preconceito, de autoritarismo, porque ela acha que a lei divina não chega nesse ponto. Tem uma visão de um pai intolerante, né? As pessoas refletem a visão que elas têm de Deus, né? Pessoas, às vezes, são tão rígidas, corajosas, corretas, mas intolerantes, absurdamente intolerantes com o erro do outro, com a questão das escolhas que o outro faz. E tem a ver com isso, de uma visão muito rígida, de um pai muito duro, de um pai muito rígido. O ímpio também é intolerante, sabe, Júlio?

O que me assusta aqui é que é uma intolerância seletiva. Sim, eu estou falando desde o início. Então, o que é a indignação seletiva? A intolerância seletiva? É o que Jesus disse. Vocês coam mosquito, mas deixam passar camelo. Então, nós elegemos causas e normas para ser intolerante com as pessoas e achamos normal certas condutas que são normais. Proporcionalmente, muito mais graves. E para a gente não incomoda. É o cisco e a trave, não é, Haroldo? No olho, não é? Então, veja… Você já sabe que o Haroldo trouxe aqui, que nos lembrou sobre o templo e a oficina, eu acho que é essa que tem que ficar para abrir esse Salmo 2, que não há diferença que Emmanuel nos lembre entre o templo e a oficina.

Mas você ia comentar, Haroldo. Então, quando o Espírito caminha para um nível de consciência, É o que eu falo que é um negócio que para mim é o paradoxo. O paradoxo do tomate. É o Chico escolhendo o tomate. Então ele chega, ele olha, uma condição injusta. Injusta. Porque, veja, numa sociedade de justos, eu posso ter tomate ruim na prateleira? Não. Numa sociedade justa, eu posso ficar pedindo desconto, pedindo desconto para colocar o outro numa situação difícil? Não. Em que eu diminuo o trabalho dele? Não. Então, o Chico chega e vê uma prateleira com tomates bons e tomates ruins.

Isso é injusto. Mas ele não é justo? Aí o que ele faz? Ele pega um tomate bom e um ruim. Aí a pessoa chega e pergunta, mas Chico, por que você está fazendo isso? Olha, se eu pegar só os bons, vai ficar só ruim para os outros. Bem, qual que é o ponto aqui? Ele estava diante de uma prateleira que foi feita por um injusto por um injusto porque colocar tomate ruim numa prateleira para vender é coisa de ímpio o problema é que a gente tem ímpio espírita, ímpio católico ímpio evangélico o sujeito é espírita você vai no estabelecimento dele, chega lá na prateleira tem tomate ruim na prateleira mas ele Não tem problema nenhum, porque ele dialoga tão bem com os espíritos na reunião mediúnica.

Ele fala de amor e de caridade. Quando o injusto chega, a injustiça para nele. Quando o Chico chegou na prateleira de um ímpio, tinha tomate ruim, tomate bom, ele cessou a injustiça. Cessou. Vai, Marudo, mas isso não é suficiente. Não, eu sei que não é suficiente. Ali ele estava sozinho. Eu sei que não é suficiente. O que os justos têm que fazer para mudar a prateleira de um ímpio? Derrubar a prateleira? Matar, prender o ímpio? Será que não tem outras alternativas? Por exemplo, deixar de comprar? Os justos montarem um lugar onde só…

Tem várias alternativas. Separar os podres e entregar para ele, né? Percebeu? Tem várias alternativas. Mas a gente só pensa nas alternativas do ímpio. A gente só pensa nos instrumentos do ímpio. Então, Júlio… Se fizesse uma enquete hoje, no movimento espírita, no movimento católico, evangélico, Barrabás ia ser eleito de novo. Os métodos dele são violentos e rápidos. Agora, não resolve. Agora vocês querem ver? Agora todo mundo vai arrepiar. Uma vez eu estava com uma nóia, fui comprar um negócio. Recém passado o concurso de magistratura.

Aí eu fui comprar, fui pedir desconto. Aí ele falou, não, não peça desconto. Falei, que isso Sonora? Não faça isso meu filho, não desmereça o trabalho dos outros. Se você acha que é caro, compra em outro lugar. Meu coração palpitou. Mas Sonora, o preço que ele está colocando não é justo, então compra de outro. Todo mundo pede desconto, né? Porque se eu entrar no pedir desconto, eu entrei no ciclo do ímpio. Ele criou uma armadilha e eu perpetuo a armadilha dele. E acho normal, e acho normal. Você vem e coloca um preço acima do que é justo, e eu injustamente tenho que ficar pedindo desconto.

E eu acho isso bonito. E você, mesmo sendo espírita e lendo todo dia, ficando rezando o dia inteiro, você acha justo fazer isso. E você acha que você é um justo. Nossa, hoje sacudiu mesmo. Eita, meu Deus! Hoje puxou o tapete de todos nós. Sacudiu. Hoje eu não vou nem sair fazer compra. Então veja. Mas nós não temos opção tem os justos são tímidos né tá lá no livro dos espíritos o mal é audacioso exótico não exótico não intrigante o mal é intrigante e por que que nós justos não podemos ser intrigantes seja intrigante Deixa todo mundo com interrogação na cabeça.

Olha, que tal o preço? Não, obrigado. Esse preço eu não compro. Não, não, eu te dou um desconto. Agora é que eu não compro mesmo. Eu não compro nada que esteja acima do valor e que me dê desconto, porque eu não aceito desconto. Eu só compro produtos que o preço é justo. Eu vou em outro lugar. Isso é ser intrigante. Isso é um justo intrigante. O que é um justo intrigante? Nós estamos discutindo, não sou eu porque eu sou explosivo um justo intrigante ele está no debate e o outro começa a ofender ele fala, olha, eu uma boa noite, eu vou me retirar, eu vou sair por que você vai sair?

É porque eu não participo de debate onde há agressão por que só o mal é intrigante? É essa crítica que os espíritos estão fazendo os bons são tímidos os maus São intrigantes. Quem disse que o justo não pode ser intrigante? Intrigante é a sua maneira, né, Álvaro? A sua maneira. Mas Jesus não era intrigante? Jesus não era intrigante? Jesus era intrigante. Senhor, nós devemos pagar tributo? E a carinha que está aí na moeda, vira? Do tributo. Qual que é a carinha? É de César. Então devolve para ele. A carinha que está aí é de quem?

É de César. Então devolve para ele. Ó, César está te dando as estradas, você está usando as estradas. César está te dando os aquedutos, você está usando os aquedutos para beber água. César está te fornecendo serviço de correio, você está usando serviço de correio. E você não quer pagar o tributo? Você acha isso justo? Daí a César o que é de César. E não vem misturar Deus nisso. Daí a Deus o que é de Deus. Você não quer ser justo? Então, você acha que é justo. Você ser justo nas coisas religiosas. E nas questões sociais, você usufruir de tudo e não pagar o tributo?

O tributo é injusto. Ora, então reúna os justos para que eles participem da administração e de forma intrigante mudem o sistema tributário. Oh, promessa difícil de cumprir! Oh, trem de peças, Jesus! Barra barra barra barra barra é o que vai fazer o que eu não tenho coragem de fazer aí a pessoa fala olha mas aí você tá saindo da realidade queridinho crê te levarei aonde não queiras É uma confusão, Aroso, que se tem, você falou, por exemplo, porque na época, a gente viveu na política, muita gente usava isso, que a atitude de não ser tímido era ir para a rua e quebrar ou fazer.

Não ser tímido era você pegar a arma e tal. E falando que é por isso que está isso aí, porque vocês são muito tímidos. E aí os ímpios recebem a gente e falam assim, Eu não te falei que eu tinha razão? Eu não falei pra você que eu tinha razão? Vocês têm que usar os nossos meios de ímpio. Eu não falei pra vocês que a gente tinha razão? Agora vocês ficam seguindo esse tal de Jesus? É isso que dá. Ai, ai, ai. Eita, meu Deus. Olha, eu até lembrei de um texto depois, posso trazer pra você? Vai ficar assim, ó. Nós estamos aqui, nós já chegamos num ponto que…

Enfim, ainda bem que é só à noite. Mas é um texto que nós recebemos de um escritor, que não vou falar o nome, porque não tem 70 anos de morte, mas ele falava isso, que a ousadia agora era criar concórdia. Isso. É isso aí, ué. É isso aí. Qual que é a coisa intrigante a se fazer? Se comportar como ímpio? Ele não tem regra. Exatamente. Exatamente. Exatamente. O ímpio rejeitou a lei do Senhor. Agora, ele é coerente. Eles não são unidos, graças a Deus, né? As alianças deles são frágeis, né? Porque imperam o egoísmo e o orgulho.

Mas eles são 100% coerentes. Eu não sigo a lei do Senhor. Então, eu posso matar, eu posso roubar, eu posso enganar. Eu posso fazer o que eu quiser. Tem uma coisa bonita que é, ser justo é jogar xadrez com o ímpio, só que o ímpio não tem regra, e o justo tem que obedecer as regras do xadrez. É ruim, é por isso que não dá certo, é complicado demais. Mas o justo que vai ganhar, né? Porque o jogo está ganhando. Vai ganhar. Dizem que o justo vai ganhar, e já ganhou, né? Já ganhou. Estava falando, Haroldo, que são posturas muito inseguras que nós temos de algumas áreas, e a insegurança nos torna…

Ela nos coloca nessa condição, muitas vezes, de ímpio, né? Porque… maturidade, imaturidade no bem, maturidade em agir no bem, insegurança, assim, entre ser honesto e parecer que ser bobo, né? É, sim, exato. Mas… Você não pediu desconto, você foi bobo. Esse é que é o ponto. Mas, às vezes, como justos, nós somos bobos mesmo, Júlio. Os Espíritos dizem isso. Vocês são bobos e tímidos. Porque vocês precisam ser inteligentes, mas não usar as armas do do nível. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sim. Então, vocês têm recursos e são grandes, agora tem que usar com inteligência, com estratégia.

Ó, despedida, Eleonora. Agora sim. Obrigada, amigas. Excelente estudo. Semana que vem a gente retorna, né? Já com um coraçãozinho assim. Ó, não deixe isso ferver demais na cabeça não, viu, gente? Calma. Semana que vem a gente vai baixar a poeira. Nera, vai, vai sim. Vai ficar aqui. Um abraço a todos, fiquem com Deus, viu? Desafiador. Gente, obrigado, uma boa semana. Obrigada, Haroldo, obrigado, Júlio. Abraço, gente. “

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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