Neste nono estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias nos guia por uma análise aprofundada do livro de Levítico, focando no simbolismo do Tabernáculo. O estudo se aprofunda na riqueza da língua hebraica e na interpretação lúdica das escrituras, convidando-nos a uma jornada de descobertas que transcende as leituras superficiais.
O que é estudado neste episódio
- O Tabernáculo como “Casa” e “Descanso”: O estudo explora o duplo significado do Tabernáculo, não apenas como uma estrutura física, mas como um símbolo da presença divina e do anseio humano por repouso espiritual.
- A Interpretação Lúdica do Velho Testamento: Haroldo Dutra Dias enfatiza a importância de abordar as escrituras com um “espírito de criança”, ou seja, com abertura, curiosidade e a capacidade de explorar os múltiplos significados das palavras hebraicas, como a palavra “Beit” (casa), que pode significar família, povo, templo, tabernáculo, reino e nação.
- Moisés e a Fidelidade (Emuná): A figura de Moisés é revisitada, destacando sua fidelidade a Deus. A palavra hebraica “Emuná” é explorada, revelando seu significado profundo de confiança, fidelidade e confiabilidade em um relacionamento, muito além da mera crença.
- A Profecia de Natã (2 Samuel 7 e 1 Crônicas 17): O estudo se aprofunda na promessa de Deus a Davi, onde Deus promete construir uma “casa” para Davi (sua descendência e reino eterno) e um descendente de Davi construirá uma “casa” para Deus (o Messias construindo o templo espiritual). Esta profecia é central para a compreensão da vinda do Messias.
- Jesus como Construtor e Templo: A Carta aos Hebreus (capítulos 3 e 4) é analisada para mostrar como Paulo (ou o autor) compara Jesus a Moisés, mas o eleva ao status de construtor da casa de Deus, cumprindo a profecia de Natã. A parábola dos lavradores maus e a metáfora da “pedra angular” (Salmo 118) são usadas para ilustrar Jesus como o Messias que é o próprio templo e o construtor do reino de Deus.
- A Terra Prometida e o Descanso Espiritual: A promessa de uma “terra” e de “descanso” para o povo de Israel é interpretada em um sentido mais amplo, como a redenção e o descanso espiritual que o Messias traria, culminando na regeneração do mundo.
Reflexões
- A profundidade da língua hebraica e a interpretação lúdica das escrituras nos convidam a ir além da leitura literal, buscando os múltiplos significados e as camadas de sabedoria contidas nos textos sagrados.
- A fidelidade (Emuná) a Deus, conforme o Velho Testamento, não se limita à crença, mas se manifesta na confiança inabalável e na lealdade a um relacionamento com o Divino, mesmo diante das adversidades.
- A promessa messiânica, revelada na profecia de Natã, aponta para Jesus como o cumprimento da “casa” que Deus constrói para a humanidade e o “templo” que o Filho edifica para Deus, simbolizando a união entre o Criador e a criatura.
Ler transcrição do episódio
Vamos fazer a nossa prece, né? Lembrando que toda terça e quinta, né, Sheila? Toda terça, quinta e domingo, às oito da noite, nós estamos fazendo a prece coletiva para o seminário Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho que já está chegando, né? De quatorze, quinze de junho, agora, no SESI Minas. E a gente está precisando aí de uma ajuda, porque poucas pessoas estão aderindo à campanha da prece coletiva e ela é tão importante. Então, hoje, a gente vai fazer a nossa prece de hoje de abertura, do Levítico, vai ser uma prece coletiva para o seminário, né?
Então, vamos aproveitar. Pai de infinita bondade, Divino Mestre, nosso encontro do Levítico, nós suplicamos inspiração para os nossos corações, amparo para os nossos entes queridos e para todos que acompanham este estudo pela internet, possam também ser amparados e iluminados pela Tua bondade. Nesta noite, Pai, especialmente, nós Te pedimos, pelo Seminário Lítero-Musical Brasil Coração do Mundo, Pata do Evangelho, que toda a equipe de trabalho, todas as pessoas que já estão com o seu ingresso, que pretendem vir ao seminário, possam ser envolvidas nas vibrações de amor e de paz, neste momento tão delicado da Copa do Mundo, em que muitos Espíritos visitarão o Brasil, trazendo suas tendências, suas inclinações, nem sempre favoráveis à paz e à tranquilidade, e que nós, brasileiros, devemos estar vigilantes e atentos para demonstrar a nossa capacidade de serenidade, de paz, de respeito, sem nos entregarmos a qualquer baderna, perturbação da ordem ou destruição do patrimônio público.
Por esta razão, Senhor, suplicamos um amparo especial a todos nós, nós possamos manter o nosso equilíbrio e a nossa disposição de servir, amparados pela Tua bondade. Esteja conosco agora e sempre, Senhor. Que assim seja. Cumprindo a promessa do Levítico, a gente disse que ia iniciar sempre com uma poesia, e a gente tem esquecido nos estudos, mas hoje nós selecionamos uma do Parnagia Lentúmulo, do Castro Alves, que diz assim, Há mistérios peregrinos, no mistério dos destinos, que nos mandam renascer. Da luz do Criador nascemos, múltiplas vidas vivemos, para a mesma luz volver.
Buscamos na humanidade as verdades da verdade, sedentos de paz e amor, e em meio dos mortos vivos somos míseros cativos da iniquidade e da dor. É a luta eterna e bendita em que o Espírito se agita na trama da evolução, oficina onde a alma presa forja a luz, forja a grandeza da sublime perfeição. É a gota d’água caindo no arbusto que vai subindo, pleno de seiva e verdor. O fragmento do extrume que se transforma em perfume na corola de uma flor. A flor que, terna, expirando, cai ao solo, fecundando o chão duro que produz, deixando um aroma leve na aragem que passa breve nas madrugadas de luz.
É a rija bigor, não malho, pelas faínas do trabalho, a inchada fazendo pão. O escopro dos escultores transformando a pedra em flores, em carraras de eleição. É a dor que, através dos anos, dos algozes, dos tiranos, anja os puríssimos faz, transmutando os neros rudes em arautos de virtudes, em mensageiros de paz. Tudo evolui, tudo sonha na imortal ânsia risonha de mais subir, mais galgar. A vida é luz, esplendor. Deus somente é o seu amor. O universo é o seu altar. Na terra, às vezes, se acendem radiosos faróis que esplendem dentro das trevas imortais.
Suas rútilas passagens deixam fulgores imagens em reflexos perenais. É o sofrimento do Cristo portentoso, jamais visto no sacrifício da cruz, sintetizando a piedade cujo amor à verdade nenhuma pena traduz. É Sócrates e Assicuta, é César trazendo a luta, tirânico e lutador. É Seline em sua arte ou Sabre de Bonaparte, o grande conquistador. É Anchieta dominando, a ensinar catequizando o selvagem feliz. É a lição da humildade, de extremosa caridade do pobrezinho de Assis. Ó bendito quem ensina, quem luta, quem ilumina, quem o bem e a luz semeia nas faínas do evolutir, terá aventura que anseia nas sendas do progredir.
Um excelso a voz ressoa, no universo inteiro ecoa, para a frente caminhai. O amor é a luz que se alcança, tem de fé, tem de esperança, para o infinito marchai. Dicas suaves, é grandioso, não é? Vamos voltar ao nosso tamanho natural, não é? Descendo. Bom, hoje, a gente dá sequência a uma finalização de um subtema do Levítico, que é o Tabernáculo. Hoje, a gente tem falado muito sobre o Tabernáculo. E, agora, nós temos que abordar um aspecto do tema do Tabernáculo, a tenda no deserto, onde Deus se manifestava, sobre dois aspectos.
Nós vamos falar do aspecto do Tabernáculo como uma casa e do Tabernáculo como descanso. Esses são os temas, casa e descanso. E, para isso, a gente vai ter que ter, assim, um pouco de paciência. Por quê? Porque o Velho Testamento, e é bom que a gente lembre disso, ele exige de nós um espírito de criança. Por isso, Jesus disse, aquele que não se fizer como um desses pequeninos não pode entrar no Reino dos Céus. Por que o espírito de criança? Primeiro, porque a criança tem aquela capacidade de abertura, de olhar para as coisas com ingenuidade, com pureza, mas, ao mesmo tempo, com curiosidade, com vontade de sugar das coisas o que elas têm escondido.
E, esse espírito é muito importante para a gente entender o Velho Testamento, principalmente esses símbolos aqui. Outro ponto muito importante é que as palavras do Velho Testamento, principalmente, da Bíblia como um todo, mas, principalmente do Velho Testamento, as palavras hebraicas, elas são como uma casa de várias portas. Elas têm muitos significados. E, os autores bíblicos, quando escreveram esses livros, os intérpretes, quando interpretaram os escritos, eles exploraram o máximo essa pluralidade de significado das palavras.
Então, hoje, nós vamos fazer isso aqui muito. Uma das coisas, porque a criança, ela começava a estudar o Velho Testamento na época de Jesus, quando ela praticamente entrava na adolescência, 12, 13 anos de idade, e O que que ele aprendia com os doutores da lei? Um Paulo de Tas, por exemplo, um Saulo, quando foi lá para os pés de Gamaliel aprender a estudar as Escrituras, o que que eles estimulavam? Eles estimulavam o espírito lúdico da criança. Porque a interpretação bíblica do Velho Testamento, do judaísmo, ela é lúdica.
Ela brinca com esses sentidos das palavras. Ela ensina a pessoa a não fechar a interpretação numa coisa só. Então, se você perguntasse para um Gamaliel assim, o que que significa isso? Ele não vai responder. Ele jamais iria responder. Porque uma frase significa muitas coisas. Muitas coisas. E fazia parte do processo de aprender a interpretação explorar os múltiplos sentidos. E isso tinha que ser lúdico, tinha que ser gostoso, divertido, alegre. Era um jogo pedagógico de alegria, de prazer. E não uma coisa fechada de o sentido, a interpretação, uma coisa carregada, pesada.
Isso não fazia parte. E hoje, nessa abordagem que nós vamos fazer, talvez umas duas reuniões para a gente abordar esse aspecto aqui, nós vamos ter que ter esse espírito lúdico. Aproveitar que nós estamos no meio, já com as crianças e nos fazermos crianças e nos permitimos esse jogo lúdico da interpretação. E aproveitando, abrindo a palavra, quero que participem, todo mundo pergunte, fale à vontade, vamos fazer uma coisa bem participativa. Mas, aproveitando esse jogo lúdico, é bom que se diga, às vezes, a gente fala assim, Velho Testamento, a pessoa pensa em Moisés e Olho por Olho, Dente por Dente.
Velho Testamento, Moisés, Olho por Olho, Dente por Dente. É a única coisa que a pessoa consegue reter. Mas, quando nós dizemos Velho Testamento, nós estamos falando de mais de 60 livros escritos ao longo de mil anos. Moisés representa um pedacinho da história. Antes de Moisés, nós tivemos Abraão, Isaac, Jacó, os filhos de Jacó, José no Egito, a escravidão, aí surge Moisés, liberta o povo, mas depois você tem Josué, tem os juízes, depois você tem Davi, Salomão, vários reis, e depois você tem Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Salmos.
Então, nós não podemos resumir mais de mil anos de história na vida de um homem. Quer dizer, essa é uma deficiência de visão. É bom lembrar que Isaías é Velho Testamento, Salmo é Velho Testamento, Abraão é Velho Testamento. E, quando nós falamos de Abraão, Isaac, Jacó, não tinha lei, não tinha Torá, não tinha Sinai, não tinha pedra, não tinha mandamento, não tinha nada disso. E, o Velho Testamento se refere, assim, ao Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Não fala o Deus de Moisés. Nós encontramos essa expressão, o Deus de Moisés.
É o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. E, esses homens viveram uma experiência religiosa antes de dez mandamentos, antes de Sinai, antes de tudo isso. Então, é importante a gente abrir. Moisés não é o Velho Testamento. Moisés é um pedaço da história. Muito importante? Muito importante. Na primeira revelação, ele é o maior profeta, né, aquele que recebe um investimento muito intenso da espiritualidade, tendo em vista a missão que ele tinha de trazer a lei, de ordenar o povo, de educar o povo, que era um povo escravo, um povo que tinha uma missão pela frente e precisava ser educado e preparado para essa missão.
Mas, nós não podemos nos limitar a isso. E, é isso que nós vamos fazer hoje. Vamos abrir um pouquinho, abrir a nossa mente. E, para falar do tabernáculo, como casa e como repouso, nós precisamos falar de uma palavrinha hebraica, que é esse jogo. A palavra que tem que tem é Múltiplos significados. Eu me recordo, né, de uma novela da Globo que esteve chamada A Casa das Sete Mulheres. Não é? É claro que quando eu digo assim A Casa das Sete Mulheres, eu não estou pensando numa casa de tijolo, de cimento. Não é isso? Quando eu falo A Casa das Sete Mulheres, eu estou pensando na família.
Quer dizer, uma família que tem sete mulheres e que são mulheres fortes, de gênio forte, mandonas, né, essa é que é a história. Eu não estou pensando na casa. Em hebraico também, a palavra Beit, que é casa, ela pode significar a casa, a estrutura física, mas ela pode significar também a família, o povo. Então, eu digo assim, A Casa de Jacó. Eu não estou falando do lugar onde ele morou, da tenda. A Casa de Jacó, eu estou falando da família de Jacó, a descendência de Jacó. Doze filhos, os netos, etc. A Casa de Isaac, A Casa de Abraão, A Casa de Levi, A Casa de Israel.
O que eu estou falando? Estou falando do povo inteiro, o povo inteiro que se originou de Abraão, porque era um costume desses povos nômades, que viviam no deserto, a referência deles de identidade é a referência da família, da origem familiar. Então, até hoje, se você vai no deserto da Arábia, a identidade das pessoas, ainda que ele não seja geneticamente daquela família, mas, por exemplo, ele se agregou à família, ele passou a fazer parte de uma tribo do deserto, ele diz que é descendência do patriarca daquela tribo.
Então, ele fala, eu sou filho do sheik fulano de tal. Ele toma como referência, porque a referência no deserto é uma referência de linhagem familiar. Então, o Gerhard von Hades, que é um grande estudioso alemão, ele costumava dizer o seguinte que no deserto você só tem famílias e se você não tem uma família, você morre. Você está solto, você não tem onde ficar, você não é recebido. Se você tem que viajar, uma outra família não te recebe, porque a sua identidade não é a identidade individual. Esse conceito de individualidade, carteira de identidade, CPF, eu sou indivíduo, isso é coisa dos últimos quatrocentos anos.
Na época de Jesus, a sua identidade é a sua origem familiar. É a que você está conectado. Ser um indivíduo autônomo não é nada. Não é nada. É importante a gente ter isso em mente. Cláudio, nesse marmita, a gente vê, por exemplo, Paulo de Itaxi. Por que ele é de Itaxi? Isso aí é uma designação que já existia, buscar o nome da cidade para o nome de família, como é isso? Maria de Magdala. Isso. Geralmente, você faz isso, que é uma coisa que a gente usa, por exemplo, no interior de Minas. Ah, é o José da Maria do Carmo.
A gente fala isso. O que acontece é que você tem nomes, embora a gente, Jesus, Maria, Saulo, são nomes que, se você chegasse na época de Jesus, você ia encontrar mais de um milhão de pessoas com aquele mesmo nome. Então, o que a gente agrega ao nome ou a referência familiar, Simão, Bar, Jonas, filho de Jonas, ou o Saul de Tarso, o Judas Iscariotes, o Jesus de Nazaré. Não, é uma forma de você delimitar a origem, porque se você chegar lá em Nazaré, você vai encontrar quem é o Jesus de Nazaré. Porque Nazaré é o que? É um aglomerado de famílias que moram naquele local.
São famílias. São aquelas famílias. Como hoje. Acabou aparecendo na Bíblia, parece que é um sobrenome, é uma origem. Um ponto de referência. Então, a gente começa falando do tabernáculo a partir do texto da Carta aos Hebreus. Carta aos Hebreus, capítulo 3, versículo 1 até o capítulo 4, versículo 14. Então, bom, o que que está dito aqui? Porque o Paulo começa a brincar. Então, vamos voltar ao mundo de Paulo agora. Faz de conta que você está do lado de Paulo, menino, que o Gamaliel está aqui, todos somos crianças, e agora nós vamos participar de uma atividade pedagógica de interpretação do Velho Testamento.
Combinado? Vamos? Você topa? Então, vamos. Então, como é que ele começa a desenvolver no raciocínio dele? Ele começa esse trecho da Carta fazendo uma alusão ao texto de números que está no capítulo 12, principalmente o versículo 7. O que que Paulo faz? Para a gente que acredita que a Carta foi escrita por Paulo, ou o autor da Carta aos Hebreus, o que que ele faz? Ele compara Jesus com Moisés. Ele começa fazendo uma comparação. Só que é uma comparação respeitosa. Ele não desrespeita, nem desmerece Moisés, não, pelo contrário.
Ele exalta a figura de Moisés, ele evoca o respeito que a figura de Moisés tem, mas diz assim, Jesus merece o mesmo e mais respeito ainda. Então, ele não tem necessidade de desmerecer Moisés para exaltar Jesus, pelo contrário. Ele iguala, ele diz, ó, o mesmo respeito Jesus também é digno do mesmo respeito. E, depois, ele desenvolve para dizer que Jesus ainda merece um respeito ainda maior. E, como é que ele diz isso? Ele diz assim, que ambos, tanto Jesus quanto Moisés, foram designados por Deus para orientar um povo.
Um povo? Os dois. E, isso está em Hebreus 3, versículo 2. E, o que que ele vai dizer também? Que ambos se mostraram fiéis nessa missão que foi conferida a eles. Está em Hebreus 3, versículo 5 a 6. Fieis. Aqui, vamos brincar com a palavra. A palavrinha aqui, a palavrinha, vem da raiz emuná. Emuná. Que, em hebraico, emuná pode ser traduzida por fé, confiança, fidelidade, confiabilidade. Olha, primeira correção que nós temos que fazer. A palavra fé em hebraico tem muito pouco a ver, muito pouco, só um pouquinho, muito pouco a ver com acreditar.
Você acredita em Fantasma? Você não usa a palavra emuná para dizer isso em hebraico. Você acredita que tem onça aqui? Acreditar é uma ressonância longe da palavra emuná. Qual que é o centro da palavra emuná? Fidelidade. Então, fé em hebraico significa que você tem, no mínimo, duas pessoas, duas, que existe um relacionamento entre elas e que, nesse relacionamento, uma é fiel à outra. Estabelecer um relacionamento conjúrio, eu confio nele e ele confia em mim. Ele é fiel a mim e eu sou fiel a ele. Isso é fé. Emuná. Por isso, no Velho Testamento, o relacionamento com Deus é simbolizado por um casamento.
Deus é o marido, nós somos a esposa. Olha que interessante. Então, eu confio em Deus, ele é confiável, ele é fiel nesse relacionamento e ele espera que eu também seja confiável, que eu seja digno de confiança, que eu tenha credibilidade. Isso é fé. Então, quando Paulo diz aqui que Jesus e Moisés eram fiéis, ele está querendo dizer que eles eram confiáveis. Quer dizer, na fala simbólica do Velho Testamento, Deus podia confiar neles, dava uma tarefa, sabia que eles iam se manter fiéis naquele propósito, naquela missão, naquela tarefa.
Confiáveis. Então, isso é muito importante. Dignos de confiança. Isso é tão sutil, isso é tão importante, porque hoje, fala em fé, a gente pensa, acredita que Deus existe. Isso não tem nada a ver com esse contexto aqui. E é por isso que Humberto de Campos tem um capítulo no livro Boa Nova que se chama Fidelidade a Deus. Então, nós poderíamos dizer, aliás, até um sábio, Efraim Nurbar, um sábio judeu, um dos maiores estalmudistas de Jerusalém, ele diz assim, acreditar que Deus existe é leite materno. Leite materno. A criancinha recém-nascida, você dá o primeiro peito para ela e ela começa a tomar o leite materno.
Isso é o início do início do início do início. E é a parte mais fácil. Mais fácil. O desafio é confiar em Deus, entregar-se a Deus, sobretudo, quando tudo a sua volta está desmoronando e quando tudo a sua volta é tragédia e dor. Aí, começa o treino da fé. Você confia em Deus? Você vai se manter fiel nesse relacionamento ou você vai cascar fora? Você vai pular fora? Não, deixa Deus lá e eu vou resolver do meu jeito. É isso que está em jogo. É isso que está em jogo aqui. Então, por que que quando Paulo vai dizer que tanto Jesus quanto Moisés receberam a tarefa de conduzir o povo e eles eram confiáveis, fiéis a Deus nesse mandato, nessa tarefa, ele cita números 12, principalmente, versículos 1 a 16.
O que é que tem no números 12? Tem uma história curiosa. A história é a seguinte. Moisés estava com Arão e com a sua irmã Miriam, Maria. Em hebraico, Maria é Miriam. A irmã de Moisés se chama Maria, Miriam. E, o que que aconteceu? Moisés chamou setenta anciãos para conversar, encontrar com eles. De repente, o texto diz assim, o Espírito de Deus desce sobre esses anciãos e eles começam a ter visões, sonhos, começam a profetizar. E, Até gente que não estava lá com eles, que estava fora, também tiveram visão, sonhos. Uma reunião mediúnica.
A Miriam e o Arão viram aquilo e falaram assim, todo mundo pode. Moisés não é ninguém especial, pensaram. Está todo mundo tendo sonho, tendo visões aqui. Uma cena adiante, Moisés dá uma determinação, Arão e Miriam falam assim, não, o que você tem de especial? O que você tem de especial? E, aí, começa o capítulo 12. Aí, Deus vem, claro, quando Deus vem, vocês entendem que eu estou no jogo lúdico, da interpretação. Nós estamos falando de metáforas. Ele vem e diz assim, ei, peraí, o negócio é esse. É, Ele explica que ele, Deus, se comunica com os profetas em geral, através de sonhos, de visões ou de enigmas, parábolas, com símbolos.
Mas, com Moisés, ele diz assim, com Moisés eu falo abertamente, abertamente, face a face, sem enigma, direto ao ponto. Ou seja, mostrando que com Moisés havia um relacionamento especial. A linguagem era direta, linha direta, sem símbolo, sem enigma, sem metáfora, sem parábola, tudo explicadinho, direto ao ponto, quase que um livro dos Espíritos. Direto. E, aí, para que isso? Para dizer da singularidade da missão de Moisés, da importância, da grandeza da missão de Moisés. Porque a primeira revelação, o pilar da primeira, nós não podemos dizer que toda a primeira revelação é Moisés, já dissemos isso aqui, mas o pilar da primeira revelação é Moisés, ele é singular, ele foi constituído.
E, aí, o que que Deus faz? Repreende Arão e Míriam e, naquele momento, Míriam fica leprosa. Dá um castigo em Míriam. E, aí, ela fica apavorada. Ela fala, não, já arrependi, pelo amor de Deus, eu chamo meu irmão e Moisés tenta interceder. Agora, ela vai ter que ficar fora sete dias a pensar no que fez. Depois, a história se resolve. Essa é a história. O Velho Testamento é a história. Por isso que é lúdico, por isso que é pedagógico. É um conjunto de histórias. Eles vão controlando o horário aí. E, o versículo central dessa história é Números 12, versículo 7, que no texto em hebraico está dito assim, através com os profetas, eu falo através de sonho, de visão, de enigma, não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa.
Então, vamos lá. Não é assim com o meu servo, avdi, porque servo é éved, avdi meu servo, meu escravo. Então, chama Moisés de servo, que é fiel, neman, da palavra emuná, fiel. É a mesma raiz de fé. Moisés é confiável, Moisés tem fidelidade. Em toda a minha casa, beit, becol, beit, toda a minha casa. Usou casa. Em que sentido? Que casa que Deus está falando? Que Moisés é um servo confiável na casa dele. Que casa? Casa de pedra? Ele estava no deserto, morava em tenda. Que casa que ele está falando? Aí, começa, olha que interessante, começa agora, aqui tem umas professoras, começa o jogo pedagógico.
Quais os sentidos da palavra casa em hebraico? Família, povo, templo, tabernáculo, é um ou outro? Não, é um e outro, não é um ou outro. Casa não é templo ou família, casa é templo e família e tabernáculo e povo e tribo é um conjunto de coisas. Isso, às vezes, assusta as pessoas, porque as pessoas querem ter certeza. Eu tinha um professor que dizia assim, somente a ignorância tem certeza de tudo. Saber é a certeza de nada. Tudo tem vários aspectos, é isso aqui. Acontece, vocês lembram aquela história dos Targums? Quando, na época de Jesus, o povo tinha voltado da Babilônia, não falava mais hebraico, falava aramaico.
Então, quando alguém lia o texto em hebraico na sinagoga, tinha que haver uma tradução simultânea para a língua do povo que era o aramaico. Essas traduções do Velho Testamento para o aramaico chamam-se Targum. Quando você vai no Targum de Onkelos, que é um Targum, é o clássico, do clássico, como que esse texto está em aramaico? Ele está assim, não é assim como eu servo Moisés, ele é fiel em todo, até aqui está tudo igual, só que aí, o Targum substituiu a palavra casa por povo. Ele é fiel em todo o meu povo. Substituiu casa por povo.
Então, o povo, hebreu, era a casa de Deus. Vocês lembram aquele texto de Êxodo que eu citei, que ele diz assim, construam para mim um tabernáculo e eu habitarei no meio dele, do povo. Ou seja, a habitação de Deus é o povo, é a comunidade. Jesus também vai tomar essa lição e vai dizer assim, onde estiver dois ou mais reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles. Dizendo que Jesus também habita na comunidade dos seus discípulos. Ele habita entre nós. Ele está aqui. De algum modo que a gente não compreende, mas ele está aqui.
Agora. Interessante isso, né? Substituiu a palavra casa por povo. Ora, gente, você dá um jogo desse para Paulo de Tarso, ele brinca o dia inteiro. Você solta uma deixa dessa na mão de Paulo e ele vai, meu Deus, vai escrever uma carta inteira. Só que esse jogo casa povo e foi o que ele fez. Foi o que ele fez. Mas, ele brincou fundo, mergulhou fundo. O que que ele diz? Primeiro, já que ele está trabalhando casa povo, ele vai falar da construção da casa. E, aí, ele lembra um texto de alguém que foi meio que contemporâneo dele, que é o Filo de Alexandria.
Filo de Alexandria, um judeu helenista, viveu um pouquinho antes de Paulo e tem uma obra do Filo de Alexandria, que se chama Migração, está no item 193, que o Filo de Alexandria fala assim, aquele que fez é superior à coisa feita. Interessante, né? Ele está falando de Deus. Aquele que fez é superior à coisa feita. Quem é superior ao quadro? O artista. Quem é superior à partitura? O músico que a compôs. Então, Deus é superior à criação, óbvio. Agora, nós temos que começar a ouvir eco. Temos que ouvir eco. Quem é superior?
A casa ou quem construiu a casa? Quem é superior? Quem construiu a casa? Quem construiu a casa? Quem construiu a casa? Quem é superior? Quem construiu a casa ou quem trabalha na casa? Quem construiu a casa. O servo da casa é menor do que quem construiu a casa. Todo mundo está de acordo com isso? Nesse raciocínio aqui? É o que Paulo vai dizer. Não é? Paulo vai brincar com isso. Quem construiu o povo é superior ao povo? É superior ao povo. Quem formou o povo é superior ao povo. Quem formou o povo é superior a um servo do povo, não é?
É. Esse é o jogo lúdico de Paulo. Aí, ele vai dizer o quê? Ele vai dizer assim. Hebreus, capítulo 3, versículos 3 e 4. Jesus Primeiro, ele compara com Moisés. Aí, ele dá toda a honra e glória merecida a Moisés. Merecida. Ele não desmerece em nada a Moisés. Só que, aí, ele vai dizer assim. Jesus, todavia, foi considerado digno de maior glória que Moisés. Assim como recebe a maior honra da casa, aquele que a estabeleceu. Ou seja, quem construiu a casa tem que ter mais honra do que quem é servo da casa. Por que ele está dizendo isso?
O quê? Ele não está nem pensando na terra, não. Ele está pensando aqui, realmente, no povo hebreu e no tabernáculo. Ele está limitando o raciocínio. Mas, nós podemos ir para esse raciocínio. Ele vai chegar a esse raciocínio. Não aqui. Não aqui, agora, nesses versículos. Ele vai chegar ao raciocínio do Criador de toda a terra. Ora, inteligente? Deu para perceber ou não está pegando? Está difícil? Ele está dizendo assim. É como se ele falasse assim. Ei, não fui eu que disse, não. Não fui eu que disse que Moisés é servo, não.
Quem disse que Moisés é servo dentro da casa foi Deus. Está lá em números 12 e 7. Se ele é servo dentro da casa ou sobre toda a casa, não foi ele que construiu. Ou é? Quem construiu? Agora, nós vamos… Deus. Deus. Quem mais? Interrogação. Vamos guardar. Agora começou o jogo. Começou o quebra-cabeça. Agora está divertido. Eu achei que era Moisés que tinha construído. É, mas não foi. Está vendo? Isso é bonito porque no jogo de interpretação do Velho Testamento que eles aprendiam com os sábios, você não pode tirar a dedução a não ser com base num texto.
Você não pode chegar da sua cabeça e falar assim, ah, eu acho que Moisés é servo. Por que você acha? Ah, porque eu estava aqui e caiu uma maçã na minha cabeça e eu achei que era. Não, não pode. Você tem que ter um texto. Toda reflexão, toda interpretação tem que partir de um texto. E, aqui, ele deu um texto. Ele puxou um texto. Deus falando para Moisés, falando para Moisés, para Arão e para Miriam, irmã de Moisés. Ele, Moisés, é meu servo em toda minha casa. Minha casa. Ok. Vamos lá. Vai ficar bom. Então, Jesus, todavia, foi considerado digno de maior glória que Moisés, assim como recebe a maior honra da casa aquele que a estabeleceu.
Pois toda casa é preparada por alguém. Preparada no sentido de construída, edificada. Mas, quem preparou todas as coisas é Deus. Até aí, alguma dificuldade? Não. Até aqui. Deus preparou todas as coisas, Deus edificou a casa. Então, mas, peraí, e Jesus? Por que ele está falando que Jesus, então, é digno de mais glória do que Moisés, se quem construiu a casa foi Deus? Deus? Faltou uma pecinha mascava a cabeça. Não faltou? Eu estou entendendo. Deus construiu todas as coisas, inclusive a casa. Então, quem construiu o povo hebreu?
Quem formou o povo hebreu? Deus. Não foi ele que chamou Abraão? Abraão, sai da tua parentela e vem pra uma terra que eu vou te mostrar. Da tua descendência eu farei um povo. Não foi assim que começou a história? A história não começou assim? Aí ele trouxe Abraão, Isaac, Jacó, formou um povo, o povo ficou cativo no Egito, aí ele mandou Moisés pra libertar o povo do Egito, trouxe o povo pra Canaã, formou, não é assim que é a história? Então, quem formou foi Deus. Isso ninguém tem dúvida. O construtor da casa é Deus. A pergunta é onde entra Jesus nessa história?
Essa pecinha. Nós temos que sair de Moisés. Por isso que Moisés não é todo o Velho Testamento. Nós vamos ter que avançar. Avançar. O Velho Testamento é muito mais do que a figura de Moisés. Pra onde Paulo vai agora? Para o Rei Davi. Rei Davi. Aproximadamente mil anos antes de Jesus. Olha que bonito isso. E pra onde que ele vai? Estou meio perdido, vocês me ajudam aí que o relógio ali está parado. Pra onde que ele vai? Ele vai para dois textos que são paralelos. Esses dois textos contam a mesma história. Segundo Samuel, capítulo 7, e Primeiro Crônicas, capítulo 17.
Segundo Samuel, 7, Primeiro Crônicas, 17. Eu vou ler, é a mesma história, só que contada assim com um pouquinho as palavras diferentes. Então, vamos lá? Segundo Samuel, capítulo 7, versículos 1 a 17. Vamos lá. Profecia de Natan. Esse Natan é famoso. Ele é um profeta amigo do Davi. Aí, eu não sei se era amigo do Davi ou amigo da onça, porque esse é o profeta que quando o Davi mata seu melhor amigo, vai ficar com a mulher dele, casa com essa mulher, depois de indiretamente matar o amigo, o general dele, e essa mulher tem um filho, e é o Salomão.
E, aí, o Natan, quem não quer nada, conta aquela parábola, o rei, estou com uma dúvida, preciso que o senhor faça um julgamento. Um homem tinha cem ovelhas e o vizinho dele tinha uma. Aí, esse homem matou o seu vizinho para ficar com a única ovelhazinha dele. Qual que é a sentença? O Davi falou que a sentença é pena de morte. O senhor não tem que morrer. Que covardia! Tem cem ovelhas e vai matar o vizinho para ficar com uma ovelhinha? A sentença é essa, rei? É essa? Pena de morte? Tem certeza? Absoluta! Pois é, rei, esse homem é senhor.
É você. Você podia e tem todas as mulheres do reino. Você matou seu melhor amigo para ficar com uma, mas ele só tinha uma. Então, esse Natan profeta, sim, profeta ácido. Profeta danado, esse aqui. É que as médicas a gente não gosta. Só fala coisas que a gente não quer ouvir. Aí, o Natan, vou contar a história. Quando o rei ocupou a sua casa e Adonai, o Altíssimo, tinha livrado de todos os inimigos em redor, o rei disse ao profeta Natan. Então, imagina a cena. Davi está lá, tomando o vinho dele, comendo o pão naquela casa, fez a guerra.
Ele falou para o Natan, Vê, Natan, eu habito numa casa de cedro e a arca de Deus habita numa tenda. A arca da aliança está numa tenda. E eu estou aqui numa casa de cedro. Olha onde que essa história vai parar. Não pode. Tem que arrumar uma habitação mais confortável para Deus. Tem que fazer uma coisa real, sofisticada, bonita, um templo bem bonito, um palácio, para que a arca possa habitar. Olha, e o Natan ficou entusiasmado. Natan ficou entusiasmado. Falou assim, Natan respondeu ao rei, Vai e faz o que o teu coração diz, porque Adonai, Deus, está contigo.
Mas, Deus não merece miséria não, tem que dar coisa boa pra ele. Vamos fazer uma casa bem chique, um palácio. Mas, nesta mesma noite, a palavra de Deus veio a Natan nestes termos. Vai dizer ao meu servo Davi, olha a palavra servo de novo, a mesma que Deus usou para Moisés, meu servo Moisés, meu servo Davi, vai dizer para o meu servo Davi, assim diz Adonai, Senhor. Porque aqui, gente, está o tetragrama, aqui o nome que aparece aqui é as quatro consoantes que ele não pronuncia, que é o nome de Deus, não pronuncia porque não tem vogal.
Então, este negócio de Yavé, Jeová, isso é chute, isso é chute. Nós não sabemos qual é a pronúncia. E, os judeus chamam Adonai, meu Senhor. Quando aparece o nome de Deus, eles dizem meu Senhor. Assim diz Adonai, construirás, construirias tu uma casa para que eu venha habitar? Deus está falando assim, Natan, vai lá e pergunta pra Davi assim, você vai construir uma casa para eu habitar? Você vai construir para mim uma casa, eu que sou Deus? Em casa nenhuma eu habitei desde o dia em que fiz subir do Egito os filhos de Israel até o dia de hoje.
Eu nunca tive casa. Mas andei em acampamento errante debaixo de uma tenda e debaixo de um abrigo. Durante todo o tempo em que andei com os filhos de Israel, porventura, eu disse a um só dos juizes de Israel que eu tinha instituído como pastores do meu povo de Israel, por que não edificas para mim uma casa de cedro? Deus aqui está sendo até irônico, né? Eu perguntei pra alguém, por que você não fez uma casa de cedro para mim? Algum dia eu pedi para fazer casa de cedro para mim? Ele fez um puxão de orelha assim, esfogueante na orelha do Davi.
Eis o que dirás ao meu servo Davi, assim fala Adonai, dos exércitos, assim fala o Senhor das Estrelas. Por que? Que exército sevaot, em hebraico, pode ser estrelas também. Por que que eu prefiro traduzir aqui, assim diz o Senhor das Estrelas? Porque quando ele chamou Abraão, quando começou essa história, vamos voltar para o início da história. Toda vez que você quiser entender uma coisa, volta para o início da história. Não me venha com resenhas críticas, eu quero a história completa. Você pega uma pessoa e critica uma coisa que ela fez, você não conhece a história dela.
Traz a história, não traz a crítica, traz a história toda. Qual que é a história toda? Deus chama Abraão e fala para ele, Abraão, olha para o céu. Aí ele olhou. Imagina um deserto, céu estrelado. Você vê estrela, até onde não tem. Não é? Um deserto? Ele olhou e Deus falou para ele assim, conta. Ele falou, você está de brincadeira, não tem jeito de contar isso não. Não tem como contar isso. Ele falou, assim será a tua descendência. Porque aqui estava fazendo referência a uma descendência espiritual. Então, aqui, ele volta a chamar esse tema.
Fala para o meu servo Davi, assim diz o Senhor das Estrelas. Fui eu que te tirei das pastagens, onde pastoreava as ovelhas, para seres chefe do meu povo, Israel. Meu povo. Fala para Davi, que o povo é meu. Eu chamei ele para deixar de ser pastor de ovelhas e ser pastor do meu povo. Fui eu que chamei ele. Eu estive contigo por onde ias, destruí todos os teus inimigos diante de ti. Eu te darei, eu te darei um grande nome, como o nome dos grandes da Terra. Prepararei um lugar para o meu povo e o fixarei para que habite nesse lugar e não mais tenha de andar errante, nem os perversos continuem a oprimi-lo como antes.
Gente, pausa. Essa aqui é a Principal promessa feita por Deus ao povo. É a maior promessa. Qual promessa? Se você é um nômade no deserto, se você é nômade, o que você faz? Você fica errante, peregrinando, peregrinando, peregrinando, peregrinando. Aí, vem Deus e diz assim, eu vou preparar um lugar para você parar de peregrinar. O que é isso? Descanso. Acabar a peregrinação. Acabar a peregrinação. E ele fala mais. Ele fala mais. Você não vai ter que andar mais errante e nem será oprimido pelos perversos. Qual que é o nome técnico para isso?
Redenção. Porque redimir é livrar da escravidão, da opressão. Bom, o que Deus está prometendo aqui? Descanso e redenção. Aperta a pausa, vamos raciocinar aqui. Por que que Kardec chama os espíritos que precisam encarnar porque ainda não são puros de espíritos errantes? Porque eles tem que ficar peregrinando, peregrinando, reencarna, reencarna, reencarna, aprende, purifica, aprende, purifica, aprende, purifica. Fica andando, fica andando. Até que ele, na sua última encarnação, para de peregrinar. Por quê? Porque ele se transforma num espírito puro, espírito bem-aventurado.
Então, ele entra no descanso espiritual. A cabala judaica, isso que eu estou falando não é só espiritismo, não. Não é. A cabala judaica, ela pega a peregrinação do povo hebreu no deserto porque eles pararam em locais. Eles foram peregrinando e parando em locais. O que que a cabala diz? Cada local que eles pararam no deserto é um estágio do desenvolvimento espiritual da alma ao longo das suas reencarnações. Quem diz isso é a cabala. Séculos antes do espiritismo. Diz que a peregrinação no deserto é um conjunto de reencarnações e que cada estágio é um patamar evolutivo.
Se eu falo descanso, você pensa em quê? Deus trabalhou seis dias e descansou no sétimo. Só que aí o que aconteceu? Adão e Eva complicaram. Deus fez a criação, viu que era boa, essa é a metáfora. Só que Adão e Eva trouxeram o mal para dentro da criação divina. O que que eles fizeram? Acabaram com o descanso. Plantão médico. Tá lá a pessoa descansando no domingo, toca o telefone, tem que vir aqui agora, plantão. Foi isso que aconteceu. Então, no processo de redenção do mundo, o povo hebreu sempre esperou um sábado simbólico.
Que sábado simbólico é esse? O maior de todos os descansos. Um dia em que não haverá dor, não haverá opressão, não haverá maldade, só haverá amor, paz, felicidade. É o sábado do Senhor. É o novo sábado, porque o primeiro sábado Deus descansou. Mas, aí, Adão e Eva complicaram. Nós temos que ter, agora, um segundo sábado de toda a criação. Olha que bonito! E o que Deus está prometendo aqui para Davi é isso. Eu vou te dar um descanso. Eu vou te levar para uma terra. Por isso que se chama Terra Prometida. Mas, que terra é essa?
Que terra é essa que o povo entrou, que depois de Davi, eles foram escravizados pelos babilônios, pelos persas, pelos gregos, e entraram na terra de Canaã escravizado pelo povo romano. Então, que terra é essa? Que terra é essa que foi prometida para Davi? Que descanso é esse? Sabe como é que eles deram o nome? A Era do Messias. Aqui, começa a esperança da vinda do Messias, que ia conduzir para a Terra Prometida, para o descanso do planeta. É a regeneração do mundo, não é de um homem, do mundo. Olha que bonito! Vamos continuar.
E o fixarei para que habite nesse lugar e não mais tenha de andar errante, nem os perversos continuem a oprimi-lo como antes. Desde o tempo em que institui juízes sobre o meu povo de Israel, eu te livrarei de todos os teus inimigos. Adonai te diz que ele te fará uma casa. Ah! Mudou! Davi estava querendo construir uma casa e Deus falou, não, não, não, eu que vou construir uma casa para você. Eu vou construir uma casa para você. E quando os teus dias estiverem completos e vieres a dormir com teus pais, farei permanecer a tua linhagem após ti, gerada das tuas entranhas.
Será ela que construirá uma casa para o meu nome. Deus falou que vai construir uma casa para Davi, mas falou que a descendência dele vai construir uma casa para Deus. Então, tem duas casas. Uma casa que Deus vai construir e uma casa que a descendência de Davi, que um filho de Davi, vai construir para Deus. Quem é esse filho? Quem é esse filho? Esperava que era o Salomão, não é? Ele chegou até achar que era e construiu mesmo um templo. Só que aí o que aconteceu? O templo foi destruído e eles foram cativos dos assírios e dos babilônicos.
Então, não era ele. Quem é? O Messias, filho de Davi, da árvore de Davi. Eis que farei brotar um renovo do tronco da tua árvore. Aonde vem a árvore? Da raiz de Gessé brotará um renovo. Quem que é Gessé? Pai de Davi. Porque raiz também é sêmen, espermatozoide. Do tronco de Davi, da linhagem de Davi, do esperma de Davi, sairá um herdeiro. É o Messias. Bom, depois vamos saber quem ele é. Por enquanto, cenas dos próximos capítulos. É o Messias. Aqui, gente, começa a promessa do Messias. Deus vai construir uma casa e o Messias vai construir uma casa para Deus.
O filho de Davi. Aí, bonito, né? Agora, será ela a descendência, a tua descendência, que construirá uma casa para o meu nome e estabelecerei para sempre o seu trono. Gente, para sempre é para sempre. O Messias seria um rei cujo trono duraria para sempre. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. É… pausa. Pausa. Vamos lá. Oi, Cláudia. A gente aprende que tudo o que se ensina em relação ao povo também se aplica individualmente. Então, a gente pode considerar que essa descendência seria eu a partir do momento que eu vivesse a mensagem do Cristo e visse Deus como pai e me tornasse filho de Deus.
É, o Paulo vai fazer isso, inclusive. Porque, aí, bonito isso que você está dizendo, Cláudia, porque a gente tem a Cláudia Abreu, tem a Cláudia Malta também, que é uma mulher, só para diferenciar as Cláudias. A pergunta é da Cláudia Abreu. Aí, bonito o que você está dizendo pelo seguinte, o que que o Paulo vai dizer? Vamos, primeiro, no aspecto histórico, porque é o nosso aspecto de base. Porque o problema, Cláudia, quando a gente vai para essa interpretação psicológica sem a base histórica, aí você dá voo que você pode ir para um lugar que não tem nada a ver.
Então, o que que o Paulo faz? Ele fala assim, primeiro eu vou definir quem foi o filho que realizou essa promessa. Jesus. Aquele lá de Nazaré, de cabelo comprido, que nasceu. Ele. Ele é o filho. Ele cumpriu isso. A partir dele, abriu-se para todos nós a possibilidade de filiação. Por quê? Porque nós não temos como fazer isso sozinhos. Nós não tínhamos como fazer isso sozinhos. Só com a nossa experiência evolutiva, só com a nossa experiência reencarnatória, a gente não conseguia dar um upgrade tão grande. Entendeu? Então, é como se você estivesse com um fusquinha, aí chega uma BMW.
Não chega, não dava, não tinha como. Foi preciso vir um modelo, um tipo do alto para servir de guia e modelo. Para falar assim, é claro que a sua filiação divina, o teu Cristo interior vai ser despertado. Mas, só vai ser construído com os elementos que eu estou trazendo. Eu, Jesus, governador espiritual do óbito, estou trazendo. Porque se você fosse buscar só o que você tem da evolução, você não iria construir isso nunca. Falta elemento. E, Paulo vai dizer isso assim, né? Aliás, esse capítulo 3 e 4, ele vai dizer isso.
Nós só passamos a ter condição de ter uma filiação divina porque Jesus veio. Então, aí cabem esses dois aspectos. E, a gente tem que ficar atento no Evangelho a esses dois aspectos. Sempre o aspecto objetivo do que Jesus fez, ele não é um mero filósofo, ele não é um mero moralista, ele mudou a história do planeta. A vinda dele abriu um antes e um depois. Aí, tornou-se, porque só era possível se o modelo viesse do alto. Era impossível construir esse modelo aqui, na Terra. Ele tinha que vir do alto. Que, no fundo, Cláudio, se você pensar bem, se a gente começar aqui a interpretar, é o que Deus está dizendo para Davi, né?
Você vai construir para mim uma casa? Ingênuo. Algum dia eu te pedi casa de cedro, rapaz? Andei no deserto, acompanhei vocês, sofri junto, fui companheiro, andei, e você vai construir uma casa para mim? Com o teu cedro? Não, não, não. Eu que vou construir uma casa para você. E o meu filho, agora aqui, tem um detalhe, agora, pela primeira vez, Deus chama alguém de filho. Como é que ele chamou Moisés? Como é que ele chamou Davi? Servo. Meu servo. Diz ao meu servo Davi. Aqui, ele fala assim, eu serei para ele, para esse, teu descendente, um pai.
E ele será, para mim, um filho. Primeira vez. Aí, volta a fita. Quem é maior? O servo ou o filho? O filho. Por quê? Porque a profecia diz ele vai construir uma casa para o nome de Deus. É o filho que vai construir uma casa, não é o servo. Agora, ficou bom. Então, com essa nitroglicerina pura, Paulo escreve o capítulo 3 e 4 Epístolas aos Hebreus. Ok? Ok. Mas, vamos lá que tem mais nitroglicerina ainda. Se vocês estiverem, porque o jogo é divertido, agora está começando a ficar legal. Agora está começando a ficar bom, veja que agora a gente está começando a montar as pecinhas.
Aí, ele começa a dizer, se ele fizer o mal, castigaloei com a vara de homem, com a soite de homem, mas a minha proteção não se afastará dele, como a tirei de Saúl que afastei de diante de ti. A tua casa e a tua realeza subsistirão para sempre diante de mim, e o teu trono se estabelecerá para sempre. Natan comunicou a Davi todas essas palavras e toda essa revelação. Ok. O outro texto que está em Crônicas repete a mesma coisa. E, quando se completar o tempo de te reunires a teus pais, manterei depois de ti a tua posteridade.
Vai sair um de teus filhos, cujo reinado firmarei. Ele me construirá uma casa e eu firmarei seu trono para sempre. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Não lhe retirarei meu amor, como o retirei daquele que te precedeu. Manteloei para sempre na minha casa. Manteloei para sempre na minha casa e no meu reino e seu trono será firme para sempre. Natan comunicou a Davi todas essas palavras e toda essa revelação. O bonito aqui é o seguinte, se você pegar esses dois textos, a palavra casa em grego, vamos pegar o texto em grego, oikos, ela ocorre quatorze vezes.
E casa aqui, ela pode significar o que? Casa, família, povo, reino, nação. Tem um fato aqui que chama a atenção. Deus construirá a casa do filho e o filho construirá uma casa para o Senhor. Não é interessante? Não é interessante? Bom, por isso, por isso, em Hebreus 3, versículo 3 a 4, Paulo fala que Jesus e Deus são construtores da casa. Entendeu o que tem dois construtores agora? Vou ler o texto de novo. Ele diz assim, Jesus todavia foi considerado digno de maior glória que Moisés, assim como recebe a maior honra da casa aquele que a estabeleceu.
Então, ele está dizendo, Jesus tem mais glória do que Moisés porque ele estabeleceu a casa. Depois ele diz, pois toda casa é preparada por alguém, mas quem preparou todas as coisas é Deus. Mas, peraí, quem preparou? Jesus ou Deus? Os dois. Porque o que a profecia diz? A profecia de Natan, ela diz que o Senhor construirá uma casa para o filho e o filho construirá uma casa para o Senhor. Ah, nós vamos chegar, né? Nossa, tá quente, tá queimando agora, viu? Tá queimando. Tá ficando bom. Vamos lá. Então, oi? O que é isso aí?
O que é isso aí? Relógio aí, 3 minutos só. Agora o negócio tá ficando bom. Puxa vida, não tem nem… Meu Deus do céu, mano. Então, gente, essa mistura de Deus e do Messias que Paulo faz na Carta aos Hebreus é um eco da profecia de Natan. Porque isso aqui era lido, gente, isso aqui todo mundo conhecia. O menino nascia tomando leitinho de peito e já ouvia essa história. Pra gente aqui, não, você não conhecia essa história. Mas, na época de Jesus, isso aí qualquer um sabia. Se bobeasse até as ovelhas lá onde ele nasceu, sabia essa história.
Isso aqui era conhecido. Então, ele faz esse eco, ele evoca esses textos todos. Gente, agora eu vou ter que falar duas coisinhas, só porque como o tempo tá terminando, que eu ia preparar uma coisa aqui do Nicholas Thomas Wright, que eu vou ler um pouquinho pra gente terminar. Agora, Deus promete aqui que o Messias, o filho de Davi, o Messias-Rei, que ia herdar um trono pra sempre, não é? Um reino. Mas, ele promete também uma terra. Promete o quê? O grande êxodo. O grande fim do exílio. Porque o primeiro fim do exílio foi com Moisés.
Tirou o povo hebreu do Egito. Agora, não. Agora, nós temos que êxodo. Um êxodo de toda a humanidade. Hoje, é a terra inteira saindo da escravidão. Eu não posso adiantar, mas, isso significa que no novo e definitivo êxodo, que é a regeneração da terra, alguém assume uma missão semelhante ao que o povo hebreu teve no primeiro êxodo. Quem assume essa missão? Brasil. Coração do mundo. Pata do Evangelho. Um novo êxodo. Um novo patamar. Mas, não dá pra trabalhar isso agora. Só pra lançar isso aí. Por essa razão, quando Gamaliel vai para o deserto, ele leva pergaminho de Ditos do Senhor.
Levi. Paulo vai lá conversar com ele. Enquanto ele está no deserto, ele já está quase desencarnando. Aí, o que ele faz? Ele está no deserto. Está no deserto. Eu estou precisando ir para o deserto. O deserto é um bom local. Você fica lá na tenda, aquele céu estrelado, você vai começar a pensar. Aí, ele fala para Paulo assim, Nas minhas reflexões, tenho chegado à conclusão de que Canaã é o Evangelho. Não foi o que ele falou para Paulo? Aí, o Paulo quase fica zonzo. Falou, Mestre, eu não entendi nada. Eu não sei nem o que você está falando.
Ele falou, Pensa. Você lembra da entrada em Canaã? Lembra da história? Lembra da história? Olha esses homens agora, Simão Pedro, a terra prometida, o descanso, é o Evangelho. Pátria do Evangelho, Evangelho, descendência de Davi, Reno, Raiz, Árvore. Ok. Então, fica essa peninha aí. Agora, Nicholas Thomas Wright, para a gente terminar. Está no livro dele, Os desafios de Jesus, Editora Palavra. Eu selecionei, vou ler, relampo aqui, e aí, no nosso próximo encontro, a gente dá continuidade e volta com mais vagar para isso aqui.
Já afirmei que durante seu ministério na Galileia, Jesus agia e falava como se ele tivesse sido, em certo sentido, chamado para ser e fazer o que o templo era e fazia. Sua oferta de perdão sem os requisitos do sacrifício e adoração no templo. Para tudo. As pessoas iam para Jerusalém, no templo, para sacrificar animais. Para quê? Para pedir perdão. Porque você só sacrifica animal para pedir perdão dos pecados. Ok? Nós vamos ver isso em detalhes. O que elas faziam lá? Adoravam a Deus. Por quê? Porque o templo era casa de Deus.
Só que Jesus chegava e perdoava pecado. Ele olha para o paralítico e fala assim, meu filho, teus pecados estão perdoados. Ai, eu só estava tendo xilique. Como você está ficando maluco? Quem perdoa pecado é o templo. Você tem que ir lá e sacrificar um animal. O que é isso? Você está ficando maluco? Tem que ir para Jerusalém. Ninguém entendia. Aí, ele chega no templo, olha para o templo e diz, nossa Mestre, esse templo é bonito, né? É bonito, mas não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada. Aí, Estevão chega no cenário da defesa dele.
Ele olha assim, meus irmãos, a suntuosidade das vossas vestes é constrangedora. Quem mandou vocês construírem templo? Leia a profecia de Natan. Deus puxou a orelha de Davi e falou, eu não quero, você está ficando maluco? Eu andei no deserto, quem vai me construir casa? Para que vocês fizeram esse templo aqui? Para que vocês construíram isso? Nessa hora, teve gente rasgando o veste e falando, mata, apedreja, apedreja, apedreja. E, ele ficou apedrejado. Nós temos um negócio desconfortável aqui. Sabe o que é uma coisa desconfortável?
Jesus está dizendo que ele é o templo. E, agora? Mas, peraí, o que a profecia de Natan diz? O que a profecia de Natan diz? Quem iria construir um templo para Deus? O Filho. E, ele, Deus, iria construir uma casa para o filho. Ok? Quando ele foi batizado por João Batista, veio uma voz e disse eis o meu filho amado em quem me compraso. O que foi isso? A profecia de Natan se cumprindo. Chegou o filho. O filho de Deus que iria construir um templo. Beleza, vamos lá. Em Marcos, quem vai gostar é o Pato Caetano em Mahila, será uma delícia essa aqui.
Marcos 12, capítulo 12. Jesus chega antes de ser crucificado, entra lá em Jerusalém, olha para o templo, aí, o que ele conta? Parábola dos lavradores maus. Aí, o Nicholas Thomas Wright diz esta parábola antecede imediatamente o mais enigmático discurso de Jesus sobre pedra e filho. Pedra e filho. Só que tem um detalhe. Pedra, em hebraico é Eben. Filho é Ben. Só que não tem um E. Eben, Ben. Eben, Ben. Pedra, filho. Filho. É um jogo de palavras. Mesmo som. Jesus diz assim, a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular.
O que é a pedra angular? É a principal pedra para construir um edifício. Quem que é a pedra rejeitada? Ele. Então, ele fala isso. Todo mundo ficou olhando assim. Se tivesse efeito sonoro, seria um grilo. Ninguém entendeu nada. Alguém deve ter perguntado assim. O que ele está dizendo? Ninguém entendeu nada. Ninguém entendeu nada. Aí, Jesus, para clarear, contou a parábola dos lavradores maus. Aqui, ninguém entendeu nada mesmo. Ninguém entendeu nada. Essa é uma citação do Salmo 118. Um salmo de peregrinação sobre a construção do templo, além da celebração e sacrifício no templo.
Jesus está trazendo para si a figura de construtor do templo escatológico, do templo da era messiânica. Na visão de Daniel 2, a pedra que é cortada da montanha e que esmaga a estátua dos ídolos e que, então, se torna um reino preenchendo toda a terra era regularmente interpretada de forma profética escatológica. Todo mundo interpretava esse capítulo de Davi como a pedra que seria o Messias, que iria construir o reino de Deus na Terra. Vamos lá! Além disso, alguns leitores de Daniel no primeiro século parecem ter feito a ligação em hebraico entre pedra, Eben, e filho, Ben.
Joguinho de palavras. Por isso que é lúdico. Por isso que é divertido. Pedra e filho. Portanto, a história dos servos rejeitados, a parábola de Jesus, tem como clímax o filho rejeitado. Vocês lembram da parábola dos lavadores maus? Ele manda um tanto de lavrador. Eles matam todos os emissários do senhor da vinha. Aí, ele manda o filho. Eles matam o filho também. Ok! O filho, que é a pedra messiânica, que, rejeitada pelos construtores, ocupa lugar central no edifício. Aqueles que se opõem a ele encontrarão seu regime e seu templo destruídos, ao passo que seu reino será estabelecido.
Ou seja, uma profecia sobre destruição do templo e destruição de Jerusalém para que um novo templo passasse a vigorar. Todo enigma serve como rica e profunda explicação sobre o que Jesus estava fazendo no templo e porque o fez. O que Jesus estava fazendo no templo? Proferindo a sentença de destruição do templo. Como pode o Messias – agora, charadinha, só para terminar com a cabeça saindo fumaça – o Messias é filho de Davi, não é? Não é filho de Davi? O que que Jesus pergunta para os fariseus? Olha como é que Jesus é amoroso e misericordioso.
Mas, às vezes, eles falam umas perguntinhas apimentadas. Olha o que que ele perguntou. Como pode o Messias ser filho de Davi se, de acordo com o Salmo 110, ele também é chamado de o Senhor de Davi? No Salmo 110, composto por Davi, ele fala assim, se referindo ao Messias, meu Senhor. Aí, Jesus está perguntando, o Messias não é filho de Davi? Como é que o Pai chama o filho de meu Senhor? Com grilos cantando, alguém pergunta. O que que ele está falando? Cala a boca, deixa eu ouvir. Ninguém entendeu nada. Quem que entendeu alguma coisa?
Ninguém entendeu nada. Entendi nada. Meu Deus do céu, que espécinhas são essas que Jesus está trazendo? Cenas dos próximos capítulos para todo mundo ficar com vontade de quinta-feira que vem participar do Levítico. Quem vai fazer a prece final? Vamos. Quem quer a prece final? Ô, Júlio, Cássio, Anêcio, vocês fazem uma música, a prece? Tiago, podia pôr o efeito sonoro da próxima? Um grilinho? Aquele grilinho assim.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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