#007 – Estudo do Velho Testamento – Livro Salmos

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias nos conduz por uma profunda análise do Livro dos Salmos, com foco especial no Salmo 1. O estudo, à luz da Doutrina Espírita, transcende a mera exegese histórica, buscando a essência espiritual dos textos e sua conexão com os princípios universais da justiça, amor e caridade.

O que é estudado neste episódio

  • Salmo 1 na íntegra: O estudo inicia com a leitura completa do Salmo 1, que contrasta os caminhos do justo e do ímpio.
  • A oposição entre o justo e o ímpio: É explorada a dualidade apresentada no Salmo, onde o justo é comparado a uma árvore frutífera plantada junto a cursos de água viva, enquanto o ímpio é como a palha que o vento dispersa.
  • O conceito de “justo” na tradição hebraica e espírita: A palavra “justo” é analisada em seu sentido hebraico, que implica conexão e comunhão com Deus através de atos concretos. É feita uma ponte com a questão 879 de “O Livro dos Espíritos”, que descreve o caráter do verdadeiro justo.
  • O significado de “recitar a lei do Senhor”: Haroldo Dutra Dias desmistifica a ideia de que “recitar” seja apenas um ato mental, explicando que na cultura hebraica, era uma experiência profunda que mobilizava afeto, cognição e comportamento, um processo de autoeducação e vivência da lei divina.
  • A metáfora da árvore frutífera: A imagem da árvore que dá frutos é aprofundada, destacando que a árvore não come seus próprios frutos, simbolizando que o justo produz benefícios para os outros. A prosperidade do justo é entendida como a capacidade de gerar justiça, amor e caridade.
  • O caminho do ímpio e o julgamento: A condição do ímpio, que não tem conexão com a “água viva” (a lei divina), é comparada à folha seca que murcha e é levada pelo vento. O “julgamento” é interpretado como a avaliação da encarnação, onde o ímpio não “permanece de pé” na assembleia dos justos, significando que ele não tem condição de estar ao lado daqueles que buscam o bem.
  • A justiça divina e a regeneração: É abordada a diferença entre a justiça humana e a divina. A lei divina, embora tenha um “código penal” para espíritos criminosos, visa a regeneração e a educação, através da tríade: teshuvá (retorno ao bem), reparação do mal e expiação.

Reflexões

  • A verdadeira conexão com o divino não se limita a atos mentais ou rituais vazios, mas se manifesta em ações concretas de justiça, amor e caridade no dia a dia.
  • O “recitar a lei” é um processo contínuo de autoeducação e vivência dos princípios divinos, que molda o caráter e as ações do indivíduo, transformando sua vida em um “cântico” harmonioso.
  • A justiça divina, ao contrário da humana, não busca apenas punir, mas regenerar. Mesmo o ímpio, em seu percurso evolutivo, será conduzido à regeneração, demonstrando a infinita misericórdia e sabedoria de Deus.

Ler transcrição do episódio

Estamos felizes, né, Arudo, de estar aqui mais um dia, né? A gente tem recebido tantas, assim, demonstrações de carinho com o estudo, né? Essas pessoas estão felizes, né, com os estudos. Isso é tão gratificante, né? Porque a gente estava falando agora há pouco na leitura, né, que temos com o Cristo, né, Arudo? E é importante que ele esteja aqui entre nós nesse momento. Tão importante que a gente se conecte com ele nesse momento de tanta aflição que nós estamos passando aí. No mundo, né, deixando também para as pessoas essa mensagem de comunhão com Deus, de fé, né, de esperança, né, e de ação cristã, né, Haroldo, o que seria a ação cristã nesses momentos em que às vezes a guerra parece, né, estar tão fora do alcance das nossas ações aqui, né, se não a gente vibrar no bem, né, vibrar na…

no evangelho, né? Eu fico pensando que é uma contribuição relevante, né? Exatamente, Juiz, é isso aí. Mas e aí, Haroldo, nós vamos seguir agora o Salmo 1, né? Pois é, a Eleonora até sugeriu que a gente fizesse uma leitura, né, Eleonora? Do Salmo 1 completo, sempre lembrando que essa proposta nossa do estudo não é a proposta de ficar comentando versículo por versículo, né? Em nenhum estudo desde o Gênesis a gente fez isso. A gente pega elementos principais ali que são um convite para que as pessoas possam depois prosseguir nos seus estudos, prosseguir na sua jornada.

Eu gosto muito da imagem que você traz para a gente, Haroldo, das chaves de leitura. Isso, exatamente. A gente realmente está oferecendo chaves de leitura. Chaves de leitura. E aí, lembrando também, todo mundo às vezes pergunta, né, Leonor? Ah, qual obra vocês estão se baseando? Nós não estamos nos baseando em nenhuma obra. Toda vez que a gente tiver uma contribuição relevante de alguma obra, a gente vai trazer especificamente aquela contribuição e vai citá-la, e citar a referência. Mas, nós não estamos sob o guarda-chuva de nenhuma obra, porque, infelizmente, os comentários…

Eles ficam muito na superfície do texto, em elementos históricos. A maioria dos comentários, infelizmente, fica preocupada com quem escreveu o Salmo, quando que o Salmo foi escrito, quantos adverbios, quantos substantivos tem no Salmo, qual é a voz dos verbos, se o verbo está no plural, está no singular. E aí, 80% da discussão dos livros fica em torno da letra. E de algo que já está sendo feito, né, Herô? Algo que já está sendo feito. Porque nós repetirmos aqui essa abordagem tão importante, né, que é feita já por outros autores e temos aí em obras, né?

Então, quando a gente tiver algo… porque, olha, aqui tem um comentário interessante, aqui é o Alonso Checo, aqui tem um comentário da… Aí, a gente busca, a gente busca isso e traz aqui para o nosso estudo, né? Mas, lembrando que o nosso foco aqui é na essência espiritual do texto e, especialmente, a conexão desse texto com os princípios da doutrina espírita para que a gente possa ter uma visão é… mais espiritual do texto, não histórico. Era isso que eu ia comentar, a luz da doutrina espírita para iluminar esses textos hoje para nós.

Exatamente, que a contribuição da doutrina espírita é levar o texto para a dimensão espiritual. Nós somos espíritos imortais numa experiência transitória no corpo. Somos espíritos num processo de evolução que saem de uma categoria de espíritos imperfeitos. Primeiro, são princípios inteligentes, simples e ignorantes. Acabam atingindo a condição de espíritos imperfeitos, que ainda não usam o livre-arbítrio com sabedoria e com amor, mas que, enfim, chegam à categoria dos espíritos puros, plenos de sabedoria e de amor.

Esses são os princípios que orientam a nossa interpretação. A gente nunca perde esse fio condutor. Porque se a gente perder esse fio condutor, nós vamos ficar aqui avaliando qual substantivo que era utilizado sete séculos antes de… Não é essa pessoa que quer esse tipo de informação, ela vai lá no livro ler, né? Ela pode obter essa informação por conta própria. O nosso objetivo aqui é trazer uma informação que nem sempre é fácil. Trazer uma informação que é mais difícil, né, Leonor? Vamos fazer a leitura, então, né, Leonora?

Vamos ler, então. Salmos 1, na íntegra, né? É, na íntegra. Então, começa com a palavra ashrei, que pode ser traduzida como bem-aventurado, né, ou feliz. Mas feliz no sentido de venturoso, né? Venturoso, bem-aventurado, feliz o homem que não anda sob o conselho dos ímpios, nem… no caminho dos transgressores. Ou seja, nem anda no caminho dos transgressores. Nem permanece… Perdão, perdão, desculpa. Eu estou traduzindo agora, né? Estamos a mesmo. É, bem-aventurado o homem que não anda sob o conselho dos ímpios. Nem permanece no caminho dos transgressores.

Não se assenta no assento dos escarnecedores ou dos que escarnecem. Antes, o seu prazer está em recitar a lei, a Torá do Senhor, dia e noite. Olha isso. Recitar. Porque esse aqui é bonito, não é? É o Iêgué. Iêgué. É quando você fica cantando o texto da Torá. Esse verbo é muito bonito. Na Bíblia de Jerusalém, ele fala em meditar também. Poderia ser, né? Não, não é. Porque meditar é um ato puramente mental. Aqui eu tenho que usar a boca. E isso é bonito, né? Porque esse verbo, ele reflete algo que é típico da cultura hebraica.

Os textos são lidos… com uma sonoridade, com entonação. Inclusive, na Torá, tem os sinais de… Então, eles leem assim, Bereshit, Bará, Elohim, Eta, Shamay, Verita, Aretz. Então, é uma prosa cantada, né? É como recitar um verso. Eu vou dar um exemplo aqui. Quem faz muito isso é Maria Bethânia. Maria Bethânia, ela grava poesias, não é, Júlio? Ela vai recitando a poesia. Então, o verbo aqui é e recita a Torá e tem prazer em recitar a Torá dia e noite. Olha que interessante. Olha que interessante. É como a árvore plantada junto a cursos de água que dá o seu fruto no seu templo.

Sua folha não murcha nem caia. Tudo o que ele fizer, tudo o que ele faz, prospera. Olha que lindo. Então, esse justo, esse virtuoso, esse bem-aventurado, esse feliz, ele é comparado a uma árvore junto ao curso de água, porque a água que corre na cultura hebraica é a água viva, A água viva é a água que corre. A água de um rio, geralmente a água de um rio, de uma fonte, ao contrário da água que está num poço, que está parada. Então, essa árvore está plantada junto ao curso de água. Olha que bonito, não é? Dá fruto no tempo certo e sua folha não murcha nem cai.

Tudo o que ele faz prospera. Prospera no sentido… É uma árvore que está sempre dando fruto, que está sempre entregando fruto. O fruto. Lembrando que isso é importante. A árvore não come o próprio fruto. É importante a gente lembrar disso. A árvore não se alimenta do fruto que ela produz. Então, está óbvio aqui que o justo é alguém que entrega o fruto. Ele está sempre alimentando outros. O alimento dele é a água e os nutrientes do solo, onde ele está plantado. Olha que bonito, né? Aí, agora, começa a oposição. Não é.

Não é assim. Não é assim com o ímpio, que é como a palha que o vento dispersa. Ou seja, olha a ideia aqui da folha seca, do galho seco. Lá que Jesus utiliza em João. Aquela folha seca que não tem vitalidade, por quê? Porque ela deslocou-se da árvore, ela não está mais recebendo nutriente, ela não recebe mais água, ela secou e aí o vento leva. Por isso, os ímpios não ficarão de pé no julgamento. Os transgressores não permanecerão na Assembleia dos Justos, porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perece, deixa de existir.

Esse é o Salmo 1. É, perfeito. Então, ele fala sobre esses dois caminhos e fala sobre um que é alimentado, que está em conexão, né? Exatamente, Leonora. Agora, a gente vai começar a trabalhar a estrutura geral do salmo, né, Leonora? Então, a gente percebe aqui, Leonora, que tem um fio condutor. Qual que é o fio condutor aqui? É como se você tivesse uma linha de uma cor, outra linha de outra cor. Então, uma linha é o justo, certo? A outra linha é o ímpio. O ímpio. Esse conceito é importante. O que representa o ímpio na tradição judaica?

É aquele que não tem conexão com Deus, nem conexão, nem comunhão. Ele não escuta a lei do Senhor. Ele não recita a lei do Senhor. Olha isso. E ele não vive, É importante, porque os símbolos da cultura hebraica, Leonor, eles são todos concretos. Veja, não tem aqui atos mentais abstratos, você percebeu isso? É, ouvir, recitar, frutificar, é tudo concreto. O justo, ao contrário do ímpio, ele tem conexão e comunhão com Deus. Ele é alimentado… por Deus, como a árvore é alimentada pelo solo e pela água, pela água viva.

Olha que bonito isso. Ele dá frutos. Conhece-se a árvore pelos seus frutos. Olha. E o caminho do ímpio e o caminho do justo são caminhos diferentes. São caminhos completamente diferentes. Então, aqui, a gente está trabalhando uma oposição mesmo. É uma comparação do ímpio e do justo. Do ímpio e do justo. Então, esse é o primeiro ponto que eu gostaria de chamar a atenção. Agora, eu vou deixar esses comentários um pouquinho para a gente poder abrir, porque essa palavra justo vai aparecer lá no Livro dos Espíritos. A gente até leu essa pergunta, o Júlio trouxe essa aqui, não é?

Qual o… Nós lemos na semana passada. É, não foi? O que chama a atenção, partindo, né? Que nós começamos as reflexões assim, o homem no caminho, e aí parece que ele tem essas condições de ir para um caminho ou para outro, a gente falou muito sobre essa vigilância, porque quando a gente começou na semana passada, que você começa a ouvir o mal, começa a parar com o mal, começa a se sintonizar com o mal, e aí você vai escolhendo um caminho ou outro, e aí ele faz realmente esse paralelo… nos chamou muito a atenção no primeiro estudo que conversamos sobre essa vigilância de quem está no caminho.

E agora a gente vai falar sobre aqueles que estão em conexão, estão em conexão com a água viva, estão sendo alimentados por suas raízes. Muito que Jesus trouxe sobre a videira, sobre nós estarmos juntos nessa vida, nessa videira, a verdadeira, né, essa seiva que alimenta essa árvore, eu penso assim muito quando nós estamos em conexão com Deus e com os planos dele a nosso respeito, né, e aí quando a gente se sai, sai desse caminho, a gente seca, né, coisa que você quis trazer com a palha, a gente seca e A gente zomba do bem, que foi o que você falou, né?

A progressão do… É, a progressão do mal, né? A progressão do mal. É um salmo que fala sobre os dois caminhos, mas fala muito sobre a vigilância, né? A gente perceber em qual caminho está, em qual caminho a gente está indo. Essa questão me marcou muito, né, Arudo? Do que você falou, né? Dessa etapa máxima, né? Zombar do bem, né? Isso… Exatamente, Júlio. Essa progressão. Então, veja, eu começo, eu começo, porque olha só, bem-aventurado o homem que não anda, eu queria chamar a atenção para isso, o texto bíblico hebraico, ele só tem coisas concretas.

Por isso que eu acho um erro essa tradução da Bíblia de Jerusalém, medita na lei do Senhor. Meditar é algo abstrato isso não existe na cultura hebraica então essa ideia nossa de que, ah, eu fiz uma oração aqui, eu arrepiei estou conectado com Deus o hebreu vai chegar e falar assim, você não está conectado com Deus para estar conectado com Deus você tem que estar agindo no bem, aí você está conectado isso que a gente chama de conexão eles chamam de inspiração aí você orou, chorou, arrepiou você está só inspirado você não está conectado A conexão vem do andar.

O andar, o verbo andar, é uma metáfora para comportar-se. Andar é comportamento. O andar de uma pessoa, o andar, é como ele se comporta. Qual é o comportamento dele? Como ele vive? Vive, viver de praticar atos concretos. Esse é o andar. O justo não anda sob o conselho dos ímpios. Então, veja que o primeiro elemento aqui é conselho, aconselhamento, ideia. Então, a gente tem ouvido nos jornais, nos noticiários, qual é o problema do mundo hoje. Não são grupos apenas, são ideias implantadas nas mentes das pessoas. Porque essas ideias perpetuam, elas não morrem.

São ideias que, por mais que elas sejam inomináveis, por mais que sejam ideias de um ódio, de uma violência desproporcional, essas ideias são transmitidas. Então, o indivíduo cresce aconselhado, ele cresce absorvendo essas ideias. Olha o perigo disso. Então, o justo, ele não anda, ele não se comporta segundo ideias dos ímpios. Isso é importante. Não permanece no caminho dos transgressores. Não para, né? Ele não permanece no caminho dos transgressores. O verbo permanecer aqui é importante. Porque transgredir, todos nós, todos nós estamos sujeitos.

Todos nós… Eu estou bem intencionado, eu quero, mas eu erro. Então, todos os dias nós estamos transgredindo a lei divina, que é a lei de justiça, amor e caridade. Todo dia. A questão não é essa, é você permanecer na transgressão. Eu identifiquei que eu transgredi e eu falo assim, não tem problema. Eu sei que isso é contrário à lei de justiça, amor e caridade, mas eu vou continuar fazendo assim mesmo. Então, eu permaneci no caminho. Eu permaneci porque se eu permaneci significa que eu não fiz a texuvá que é o retorno em hebraico, vocês lembram que a gente comentou isso aqui arrependimento é texuvá eu arrependo quando eu volto então, eu fui num caminho errado falei, gente, estou no caminho errado deixa eu voltar Deixa eu tomar o caminho certo.

É igual o GPS, né? Nossa, virei errado. Espera aí. Recalculando. Recalculando é ter chuva. É retorno. Isso é que é o arrependimento do hebraico. Arrependimento não é você sentar e falar Ai, eu estou tão arrependido. Deixa eu ficar sentado aqui. Vou ficar três dias arrependido. Isso para a cultura hebraica é delírio. Para a cultura hebraica, a palavra arrependimento se chama teshuvah. Teshuvah é retornar. Pegou o caminho errado? Retorna. Volta para o caminho certo. Quando você volta, aí aconteceu o teshuvah. E esse é o arrependimento.

Voltei para o caminho certo. Então, o justo, ele até toma caminho errado. Porque ele não é perfeito. Ele não é puro. Ele toma o caminho errado. Mas, quando ele percebe, ele volta. Ele retorna. O ímpio, não. Ele continua. Esse caminho está errado? Eu vou continuar nele. Eu vou continuar. Eu quero. Quero vencer. Eu vou. Vou continuar. E por ele tomar a decisão de continuar, ele acaba se assentando, se acomodando. E aí o que acontece? Surge um conflito. Porque você sabe que o caminho está errado, mas você tomou a decisão de prosseguir nele.

Qual é o próximo passo agora? O próximo passo é você querer convencer as pessoas que o caminho certo é errado. E que o seu caminho errado é o certo. Aí você vira um escarnecedor. E daí também, Arudo, a origem dos sofismas também? Do sofismo. Eu começo a escarnecer do bem. Ah, que isso! Olha, toda pessoa boa é boba. A bondade é ser bobo. Você não pode ser bobo. E o escarnecimento é até mais sofisticado, né, Aruto? Que é do sofismo, que é aquele que usa meia-verdade, né? Aquele que zomba do bem utilizando um conceito, né?

Um conceito verdadeiro, né? Ele manipula a verdade, ele enjambra, né? Ele vai, Júlio, tentando, porque no fundo, no fundo, o que é o escarnecimento? É eu tentando justificar ter pegado o caminho do mal. Eu tentando justificar para mim e para os outros que eu que estou certo. Eu não errei, não. Eu não errei. Esse caminho aqui está certo. É inevitável, não tem jeito, é isso mesmo. Não, é isso mesmo. São coisas do mundo… E foi esse o assunto que a gente abordou no primeiro estudo, né? A gente foi até aí pedindo essa vigilância, né?

Que nem o Haroldo falou, a gente pode errar no dia a dia, mas a gente está em vigilância para retomar os caminhos, para não paralisar nele, né? E sempre tentar essa vigilância. Mas hoje acho que a gente vai ali pelo dois, né? Pelo contrário, né? Que aí a gente vai falar agora sobre o justo. O que vai acontecer com esse justo que… O seu prazer está na lei. O prazer dele está em recitar a lei do Senhor. E é importante isso porque, veja, para nós, para nós, assim, eu vou pegar os salmos aqui, vou ficar lendo em voz alta, não é isso.

Não é isso. A leitura na cultura hebraica do tempo que os salmos foram escritos, tá, gente? Do tempo que os salmos foram escritos. A leitura em voz alta do texto era um momento sagrado, era um momento de profunda conexão do ser. Então, ele lia em voz alta, ele cantava o texto. Aquilo mobilizava o afeto, a cognição e o comportamento. Aquilo afetava todas as esferas psíquicas do indivíduo. Não é só uma atividade intelectual. Eu gostaria de insistir nesse ponto. Então, é mais ou menos quando uma pessoa vai no lítero musical, ela chora, chora, chora, desidrata de tanto chorar, arrepia, conecta e sai dali e faz alguma coisa.

É isso. É essa experiência profunda, De mudança de vida, mudança de pensamento, mudança de sentimento. Isso é recitar dia e noite a Torá do Senhor. A Torá do Senhor. A lei do Senhor. Recitar dia e noite. E aqui tem uma coisa bonita, por quê? A palavra do justo é um cântico. Toda vez que um justo vai te cumprimentar, Eleonora, lembra do Chico falando. Chico Xavier dando bom dia, dando boa tarde, dando boa noite, respondendo uma pergunta, interagindo com alguém, a palavra dele era doce, era música. Os gestos dele eram música.

A forma como ele andava é uma música. A pausa, o ritmo, é tudo equilibrado. Quem dera, esse é meu sonho. Esse é meu sonho, né? Porque, às vezes, a minha palavra é uma marcha marcial. Às vezes, eu falo agredindo, cortando, ferindo, dando facada. Às vezes, eu ando como um soldado indo matar alguém. Esse é o ponto. Então, vejam o espírito… um bom espírito da segunda ordem, falando. Veja o doutor Bezerra falando. Veja o doutor Bezerra agir. Olha para ele. É música. O comportamento dele, as palavras dele, a articulação de ideias dele, é música.

É tudo harmonioso. É tudo repleto de bondade. É tudo repleto de justiça. Eles não condenam ninguém. Eles sempre se referem. Mesmo a pessoa mais perversa, eles se referem com respeito. É tudo respeitoso. É tudo feito com equilíbrio. É tudo harmonioso. É uma recitação da Torá. Quer ver? Olha aqui. Questão 879. Qual seria o caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza? Seria o caráter do verdadeiro justo, a exemplo de Jesus, porquanto praticaria, praticaria, não é meditaria, praticaria também o amor do próximo e a caridade, sem os quais não há verdadeira justiça.

Então, quando você tem um espírito de segunda ordem, os bons espíritos, que são os justos, porque o primeiro a orde são os puros, aí já está lá em cima. Aí é outra categoria, é outra categoria. Comunhão indescritível esses, né? Esse aí eu não sabia nem como que é. Temos uma ideia, a gente olha para Jesus e já tem uma ideia, mas vamos pensar aqui no segunda ordem, que é o justo. Todas as palavras deles respeitam a lei de justiça, amor e caridade. Todas as ideias que eles têm respeitam a lei de justiça, amor e caridade.

Todo o comportamento que eles têm respeitam a lei de justiça, amor e caridade. Então, a vida desse indivíduo é um cântico da Torá, é um salmo. Eu não sei se eu estou conseguindo transmitir. Eu achei muito importante isso que você está trazendo, porque realmente, quando começou a falar, eles recitam a lei, a gente fica pensando, mas o recitar para nós hoje é a letra, é um ato exterior. Eu vou ler e vou recitar? Aí você fala assim, não, é um mergulho na lei, né? É você encontrar essa lei dentro de você e fora. E fiquei lembrando dos nossos estudos anteriores sobre o lugar santo, sobre o santo dos santos, que seria…

Aqui pensando, né? Enquanto você falava. Então, de repente, a gente conseguia entrar nesse lugar santo, que é essa lei, e trazer para a nossa vida, né? Fiquei pensando, o homem, enquanto está na… na criação e na natureza, observando essas leis e louvando, que foi isso que nós trouxemos num outro estudo, quando você está realmente em comunhão. Eu consegui perceber com isso que nós trouxemos, que talvez esse recitar, que é trazer isso muito mais do que a nossa voz, mas o nosso espírito e o nosso ser, é a gente ir entrando nessa comunhão.

Não sei se foi isso que você tentou… Tentou dizer assim, essa lei, ela fazendo parte de toda a nossa vida, né? E isso trazendo os nossos frutos, que é mudando a nossa forma de agir, ou trazendo uma forma de agir mais consciente com aquilo que a gente estuda, com aquilo que a gente acredita, com aquilo que a gente busca, né? Estou pensando assim em uma comunhão com a lei. Mas que ao mesmo tempo começa em nós, começa com a leitura que a gente faz, com as coisas que a gente busca. É complexo, né? Porque no momento que você lê ali, recita a lei, se a gente pega e olha hoje, né?

E olha os judeus hoje, as práticas que ainda existem de recitar realmente, a gente diz, mas não é só isso, né? Não é só esse falar, né? Não é só isso. Não é só isso, porque eles também estão no caminho. O fato de eles serem o detentor da tradição não significa que eles estão seguindo a tradição deles. O fato do movimento espírita ser o detentor da tradição espírita não significa que o movimento espírita está vivendo o espiritismo. Nós temos que distinguir as coisas. Uma coisa é um grupo humano que detém a tradição, Então, o movimento espírita é, pela lei divina, o grupo que detém a tradição da doutrina espírita.

Mas, infelizmente, não é o grupo que dá o exemplo de vivência do Espiritismo, infelizmente, em linhas gerais. Isso acontece com todos os detentores das tradições, que uma coisa é você carregar a tradição, outra coisa é você incorporá-la no seu coração. Então, o que nós estamos dizendo aqui, recita a Torá dia e noite, O que significa isso? Significa assim, se eu tiver uma ideia, vamos ter uma ideia, uma ideia para resolver os problemas sociais de Belo Horizonte, o justo pergunta assim, essa ideia que eu estou tendo, está de acordo com a lei de justiça, amor e caridade?

Se eu falasse, eu tenho uma ideia agora para melhorar a aprendizagem dos alunos na escola que eu sou diretora. Ah, você teve essa ideia? Essa sua ideia está de acordo com a lei de justiça, amor e caridade? Ah, eu preparei aqui agora uma postagem que eu vou fazer no Twitter. Essa sua postagem está de acordo com a lei de justiça, amor e caridade? Isso é recitar a Torá dia e noite. Não é você ir para a igreja, para o centro espírita, então ele ficar cantando e achar que isso é conexão com Deus. Ou ir para uma montanha, ficar meditando uma semana e achar que você está conectado com Deus.

Não. Não. Quando a gente está repetindo no aprendizado, porque o aprendizado é pela repetição. Então, a gente até que não está dizendo que quem está no alto da montanha orando, ele pode estar em comunhão, Mas só subir a montanha não coloca ele em comunhão, né? Ou seja, ele pode estar em comunhão no alto da montanha. Mas só subir a montanha não coloca em comunhão. Como também só repetir palavras não o coloca em comunhão. O fato é que quando ele fala, eu estou te sentindo assim… ou recitar, ou citar novamente, revisitar, repetir, aprender, continuar aprendendo, continuar o processo, a caminhada, aí eu entendo que se você está nesse âmbito, ótimo.

Mas quando a palavra virou automática na nossa boca, quando ela já não tem nenhum sentido no nosso coração, e não estimula a nossa consciência, E nas nossas mãos ela não se transforma em nada, né, Herodo? Ou seja, se ela não se transforma em obra, aí ela perdeu o sentido, porque é justamente o objetivo da palavra. Exatamente, exatamente. O verbo aqui, Júlio, é interessante, porque ele é o verbo yerge, é monologar, é ficar falando consigo mesmo. Falando consigo mesmo. É isso. Então, essa ideia que você falou aí de ficar repetindo para mim mesmo, é um processo de auto-educação.

É isso. Então, imagina assim, vou dar um exemplo aqui, vai ficar mais fácil. Vamos supor que eu estou passando por uma fase difícil na minha vida. Aí, o que eu faço? Eu acordo de manhã e vou tomar café e fico assim, Arou, não perca a tua fé ante as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando segue pra frente erguendo a tua fé por luz celeste acima de ti mesmo, crê e trabalha não percas tua fé ante as sombras do mundo ainda que os teus pés estejam sangrando segue pra frente ergue a tua fé por luz celeste acima de ti mesmo, crê e trabalha esforça-te no bem e espera com paciência Crê e trabalhe, Haroldo, esforça-te no bem, espera com paciência, entendeu?

É isso. Esse é o verbo. E erguer é isso. É ficar repetindo para você. Para você, não é para os outros. E talvez, Haroldo, essa ideia pode ter estimulado a usar o meditar, né? Talvez. O que acontece, Júlio? Quando eles vão traduzir isso, a gente quer trazer o que é da cultura hebraica, que é concreto, para um termo abstrato, não é? É. Só que o termo abstrato não dá conta, porque ele é muito vago. Ele é muito vago. Então, é importante que o Kardec fale, olha, lá no Evangelho segundo o Espiritismo, notícias históricas.

Ele fala, se você não compreende o texto, se você não vai lá naquele tempo, naquela cultura, naquele contexto, para você entender qual era o sentido ali. Senão, você transforma o texto no que você quer. No que você quer. Isto é interessante, não é? Então, este é o sentido. É por isso que as pessoas se assustam, elas vão lá no muro das lamentações e ficam vendo a pessoa lá baixando. Ritual, ok, ok, é um ritual. A pessoa está lá baixando a cabeça, baixando a cabeça, mas todo mundo fica olhando o comportamento, a pessoa baixando a cabeça, mas ela não percebe que ele está recitando.

Tirando estes excessos do ritual, Qual que é a base ali? Ele está repetindo o texto para ele. Percebe? Veja, eu não estou aqui dizendo que você vai fazer isso, que o ritual… Gente, pelo amor de Deus. Vamos pensar como espíritos imortais. Mas qual que é o elemento didático ali? Qual que é o elemento didático ali? Ele está repetindo. Então, imagina assim. Eu vou… estou ali no trabalho, estou na equipe, estou com o Júlio, estamos na equipe ali, acontece uma coisa desagradável, eu fico nervoso. Ao invés de eu soltar os cachorros, eu começo a falar benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições, perdão das ofensas.

Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições, perdão das ofensas. Verdadeira caridade. Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições, perdão das ofensas. É isso. Isso que o justo faz. Porque ele sabe que ele tem um lado dele que é instintivo, que é animalesco, que é brutal. Que é brutal. Gente, o terrorismo está dentro de nós. Não está só no outro. Então, esse monólogo aqui é eu falando com os meus terroristas. É eu educando meus monstros. Monstros S.A. minha companhia de monstros, vem aquele impulso falando assim, xinga a mãe do Júlio, manda o Júlio para PQP, aí eu falo, benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições, perdão das ofensas, benevolência para com todos, indulgência para com as…

Então, é bonito porque o justo aqui do salmo não é uma pessoa perfeita. O perfeito, gente, não é o… O perfeito é o puro. O justo está no caminho do bem. Ele não concluiu o caminho do bem. Ele está no caminho do bem. Isso é importante. O puro é outro nível, gente. O puro está no caminho do bem, mas é outro nível. O salmo não trata tanto deles. Esse salmo não é para anjos. Como é que o salmo começa? Acha bem-aventurado o ser humano. De ser humano, espécie humana, bem-aventurado, o ser humano não é um salmo de anjo, bem-aventurado o anjo que…

Os anjos têm outros salmos, gente, não são os nossos. Os anjos têm outros salmos, eles têm outras línguas, outros salmos. Por isso que o Paulo diz, ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos… Então, nós não estamos aqui estudando o salmo de anjo. Nós estamos estudando o salmo de seres humanos. Bem-aventurado o ser humano que está ali monologando, está recitando a Torá para ele dia e noite. Dia e noite. Dia e noite. Faz sentido isso, Eleonora? Faz sentido, Júlio? Faz sentido porque na sequência… Eu li o texto e ele fala assim, ó, ele é como a árvore, aí pensei, ele é alimentado e porque ele é alimentado, ele consegue dar os frutos, ele consegue dar alimento, né?

Isso aí. Quando ele se conecta com essa lei dia e noite, que é isso, a gente fica pensando, né? Nesse momento de conflito. Então, a gente sabe, bem-aventurados os mansos e pacíficos, bem-aventurados os pacificadores. Então, a gente fica lembrando, como você falou, né? Essas bem-aventuranças, pra quê? Pra nos conectar com o espiritual, com a lei divina, com Deus, com o amor, né? Então, a gente se conecta, aí a gente é como a árvore. Porque recebe esse alimento. O ímpio, Eleonora, é uma árvore também. Ele também é uma árvore.

Por isso que ele produz folha seca. Só que ele é uma árvore que não recebe água, não recebe nutrientes, não está recebendo a seiva, e por isso que seca, por isso que murcha. Então, o que significa isso aqui? Que a força esteja com você. Que a força esteja com você. Porque a árvore frutífera é que Jesus fala, eu sou a videira verdadeira, meu pai é o lavrador. Olha o que Jesus está dizendo, eu sou a videira, mas quem cuida de mim é o pai. Eu não sou o lavrador de mim, não. Eu sou a árvore do Salmo 1. É isso que Jesus está dizendo.

Eu sou a árvore que está lá no Salmo 1. Uma árvore plantada junto à água corrente, uma árvore que dá fruto. Uma árvore que está verde, que está viçosa. E o lavrador é Deus. Ele que cuida de mim. E eu dou fruto. Agora, a videira come uva? Come, Júlio. A videira alimenta de uva? A videira produz uva. Para os outros? Esse é o ponto. Eu não estou produzindo para mim. Então… Fala, em tudo ele prospera. Essa palavra aqui é mal interpretada. Ah, o justo ele prospera, ele tem a casa que ele quer, ele tem um carro que ele quer, ele tem só felicidade para ele.

Bom, então ele está comendo do próprio fruto. A bondade dele só beneficia ele? A justiça dele só beneficia ele? Não. O justo é uma árvore frutífera e ele não come o fruto. E quais são os frutos do justo? Justiça, amor e caridade. Todos os atos dele são de justiça. A ninguém ele trata a não ser de forma justa. Olha que coisa! A todos ele doa o amor. E a caridade dele está direcionada para todos ao redor. É uma árvore frutífera. Agora, o que acontece com essa árvore que não tem conexão? Ela não tem seiva. Ela não tem água.

Ela não tem nutrientes. Ela seca. Evangelho de João, o galho seca. O galho seca. Todo aquele galho que está em mim e não produz fruto, meu pai arranca. Ele seca. Ele seca. Vai ser reciclado. Vai começar de novo. Começar de novo. É profundo, né? Esse salmo aqui, gente, é a Torá inteira. Esse salmo aqui é uma miniatura da Torá. Ele é uma miniatura do Evangelho. É por isso que Jesus chega e fala, vou transplantar a árvore do meu evangelho para… O que Jesus estava fazendo? Estava recitando o Salmo 1 para o Iléu. Estava recitando o Salmo 1 para o Iléu.

Quem tem ouvidos de ouvir, ouviu. Esse símbolo da árvore, né? É utilizado em todos, no antigo o testamento e Jesus ele retoma e a gente está aqui tentando buscar esse sentido espiritual e essa conexão. Fiquei pensando de novo que essa árvore que dá fruto começa pela conexão, então ele fala lá, começa pela conexão, começa por estar repetindo essa lei, por estar conectado Aí ele é alimentado, ele recebe essa água e aí que ele dá os frutos. E o que significa ser esses ímpios que são como a palha e não ficarão em pé no julgamento?

Aí, Eleonora, é importante. Nós crescemos ouvindo a tradição católica e a tradição evangélica do inferno. Você morreu, vai ser julgado, vai para o inferno. Não é isso? Ou você vai para uma sala de espera até ir para o inferno. A não ser que você esteja naquela igreja, porque aí todo mundo que está na igreja está salvo, independente do que faz. Posso estar cometendo crime, mas eu converti, estou na igreja, eu estou no céu. Então, no céu tem justos e criminosos. E a gente cresceu com isso. Tem dois mil anos dessa deturpação do cristianismo.

Mas nós temos que trazer o ensino para o seu ponto justo. Toda vez que a gente desencarna, tem um julgamento. E o julgamento é o quê? A avaliação da sua encarnação. Avaliação da sua encarnação. E nessa avaliação é o seguinte, você vai para a Assembleia dos Justos, chega lá e fala, Aroudo, vou olhar aqui a sua vida, o conjunto da sua vida. Veja, é o conjunto. É o conjunto. Eu cometi uma transgressão, eu desviei, mas eu fiz o retorno, eu busquei. Eu olho no conjunto e falo, Haroldo, você tem condição de estar ao lado dos que estão buscando o bem.

Ou então, não, meu filho. Você não tem condição de estar na Assembleia do Justo porque você só busca o mal. O seu compromisso é em prejudicar o outro. Você está radicalmente comprometido com o sofrimento do outro, por conta do egoísmo e do orgulho. Então, ele não fica de pé. Só a metáfora aqui, o justo fica de pé. O íntimo fica sentado no banco dos réus. Então, esse aqui, Eleonora, é um aspecto que, às vezes, a gente tem um pouquinho de olhar de poliana. Existe, veja, no livro O Céu e o Inferno, Kardec colocou um item lá, o código penal da vida futura.

Então, existe um código penal na lei divina. Para que tem um código penal? Para espíritos criminosos. Porque uma coisa é eu errar, uma coisa é eu ter um vício, uma má inclinação. Outra coisa é eu começar a cometer crimes perante a lei divina. A diferença é que, ao contrário da lei humana, a lei divina, o que ela faz com o criminoso? Ela regenera. Educa. Educa. Mas não passa borrachinha no que ele fez olha, nossa, não você apenas não conhecia a luz por isso que você degolou bebês por isso que você jogou seu próprio filho do quinto andar é porque você não conhecia a luz não, meu irmão, minha irmã, meu irmão você cometeu um crime perante a lei divina e agora você vai responder porque existe um código penal na lei divina que está gravada em nós, né, Arudo?

Porque se resolvesse para o ser humano, apagar, né, se resolvesse, fosse… Como a gente faz no caderno, resolve. Você vai lá, apaga aquele escrito errado, escreve ali, ok, resolveu. Beleza. A questão é que está gravada em nós, né? Então, o problema é que não é que não passa borracha, é que a borracha é essa, né? A borracha é essa. É porque tem um percurso, né, Júlio? Então, eu cometi um crime, eu vou cair na tríade da justiça divina. Qual que é a tríade? Primeiro passo, ter chuva. Retornar para o caminho do bem. Borracha é um.

Segundo passo, reparar o mal cometido. Terceiro passo, ocupar a posição que a vítima estava para que eu aprenda a enxergar pelos olhos dela. Expiação. Esse é o mecanismo de reparação da lei divina. Esse é o mecanismo. Agora, veja, veja, gente, não há truculência na lei divina. Então, isso muitas vezes é feito, esse processo de texuvar, reparação, expiação, é feito na maior dignidade. Na maior dignidade. Muitos pais recebem como filho aquele adversário que ele assassinou. Ele matou e agora Deus quer que ele se arrependa, repare e espie no cadinho do próprio lar, sem qualquer tipo de escândalo, sem qualquer tipo de olho por olho, dente por dente.

Ele tirou a vida, ele vai dar a vida. Ele tirou a oportunidade do outro de prosperar, agora ele vai sustentar esse outro. Ele criou um desafeto, agora ele vai reconquistar o afeto sendo pai, amando. Olha a dignidade da lei divina. Não tem truculência na lei divina, só que tem um detalhe, e é aí que Emmanuel diz, o consolador, só há reparação dolorosa para os espíritos endurecidos. Porque se eu sou endurecido, se eu estou absolutamente entregue A cristalização do sentimento não tem jeito. Só os processos extremamente dolorosos para despertar aquela consciência.

Só os processos extremamente dolorosos para despertar aquela consciência. Então, eu gosto sempre de dizer que a lei humana é limitadíssima. A pessoa cometeu um crime, eu só tenho uma pena para aplicar ela. Dependendo do crime, eu só tenho uma pena. É só a prisão, mais nada. Mais nada, porque a justiça humana está preocupada em punir, castigar, isolar, apenas. A lei divina está comprometida em regenerar e educar. Então, gente, na lei divina existem infinitos meios de reparação. Infinitos. Infinitos meios de reparação.

Bom, chegamos aí no finalzinho, né? Eu queria ler um trechinho aqui, a exemplo do Cristo, é um texto, comentário do Emmanuel, que João 2, 25, ele bem sabia o que havia no homem. Jesus não ignorava o que existia no homem, mas nunca se deixou impressionar negativamente. Sabia que a usura morava com Zaqueu, contudo trouxe-o da sovinice para a benemerência. Não desconhecia que Madalena era possuída por gênios do mal, entretanto, renovou-a para o amor puro. Reconheceu a vaidade intelectual de Nicodemus, mas deu-lhe novas preconcepções da grandeza e da exaustitude da vida.

Identificou a fraqueza de Simão Pedro, todavia, pouco a pouco instala no coração do discípulo a fortaleza espiritual que faria dele o sustentáculo do cristianismo nascente. Vê as dúvidas de Tomé. Sem desampará-lo. Conhece a sombra que habita em Judas, sem negar-lhe o culto da afeição. Jesus preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida e em que emoar cada espírito com eficientes recursos de renovação para o bem. Não condenes, pois, o próximo, porque nele observes a inferioridade e a imperfeição.

A exemplo do Cristo. Ajuda quanto possas. O amigo divino sabe o que existe em nós. Ele não desconhece a nossa pesada e escura bagagem do pretérito, nas dificuldades do nosso presente, recheado de hesitações e de erros. Mas nem por isso deixa de estendermos amorosamente as mãos. Emmanuel. Maravilhoso, né? É. Esse é o justo que você falou lá do Inês, Haroldo? Isso é bonito, né, Júlio? Porque todo ímpio será um justo. É isso que, infelizmente, a tradição cristã não entendeu. Nós temos há dois mil anos acreditando que o ímpio será massacrado, que o ímpio será torturado por Deus.

Aí Deus se torna um ímpio. Aí Deus desce da beleza da sua justiça e se torna um justiceiro. Isso não vai acontecer. Então, nós aprendemos que todo ímpio será regenerado. Olha que coisa linda. Todo ímpio… Ele é ímpio. É bonito que, assim, Jesus não tinha fantasia. Ele sabia com quem ele estava lidando e ele sabia o que tinha de horrível no coração de cada um. Só que, olha o que o Emmanuel fala. Ele não se deixa impressionar por isso. Não se deixa impressionar. É como um cirurgião que abre e fala, tem um tumor aqui.

Agora eu vou fazer a cirurgia. Vou fazer a cirurgia. Bonito, né? Por isso que ele é um médico das almas queridos, eu estou no meu limite deixe eu… obrigado gente, obrigado Aroso obrigado amigos até semana que vem até semana que vem, com Deus com Deus com Deus Música”

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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