Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do quinto mandamento, “Não matarás”, conforme apresentado em Deuteronômio 5:17. O estudo se baseia na compreensão de que os mandamentos divinos, especialmente os que tratam da relação com o próximo, são uma extensão do amor a Deus.
O que é estudado neste episódio
- A relação com Deus e o próximo: Haroldo Dutra Dias reitera que os quatro primeiros mandamentos se referem ao relacionamento primordial com Deus, que é eterno e ininterrupto. Os seis mandamentos seguintes, começando pelo respeito aos pais, dizem respeito ao próximo como filho de Deus, legitimando a relação com o Criador através do amor e respeito ao semelhante.
- O mandamento “Não matarás” (Deuteronômio 5:17): A discussão central gira em torno do verbo hebraico “ratsar”, que significa assassinar com intenção. Jesus, no Sermão da Montanha, expande esse conceito para além do ato físico de tirar a vida, incluindo a exclusão e a negação do direito do outro de viver plenamente.
- A teia da vida e a exclusão: É abordado o conceito de que o universo é uma “cadeia de vidas que se entrosam na grande vida”, conforme Emmanuel no livro “Pensamento e Vida”. A exclusão de qualquer ser da teia da vida gera desequilíbrio e sofrimento, tanto para o excluído quanto para o sistema que exclui. A constelação familiar é citada como um exemplo de como a exclusão de um membro afeta todo o sistema familiar.
- A evolução do mandamento: Haroldo Dutra Dias explica que, com a evolução espiritual, o mandamento “Não matarás” se amplia, abrangendo não apenas os seres humanos, mas também os animais e, futuramente, até mesmo a necessidade de matar plantas para alimentação. A crescente consciência sobre o respeito a todos os seres vivos é um sinal dessa evolução.
- Justiça Divina e misericórdia: A discussão enfatiza que a justiça divina não é vingança, mas sim um processo de restituição e aprendizado. Quem tira uma vida, em última instância, terá a oportunidade de restituí-la, muitas vezes através de laços familiares em encarnações futuras.
- Livre-arbítrio e o processo evolutivo: É ressaltado que Deus não impõe a evolução, mas oferece oportunidades para que cada Espírito progrida no seu próprio ritmo. Os “degredos” são vistos como medidas educativas, onde os Espíritos são colocados em ambientes compatíveis com seu grau evolutivo, até que desejem ascender a patamares superiores.
Reflexões
- A verdadeira religiosidade se manifesta no amor e respeito ao próximo, pois a relação com Deus é inseparável da relação com Seus filhos.
- O mandamento “Não matarás” transcende o ato físico, abrangendo a exclusão e a negação do direito à vida plena, revelando a interconexão de todas as vidas na grande teia divina.
- A evolução espiritual é um processo individual e gradual, onde a misericórdia divina oferece múltiplas oportunidades de aprendizado e restituição, sem imposições, mas com o constante convite ao crescimento.
Ler transcrição do episódio
🎶 🎶 🎶 Caí onde está teu irmão Abel Perante a voz do sem fim Tresmuga-se o homicida rei Mas o sangue de Caim Será o sangue em Abel Céu na terra, na terra do céu O rangido de dentes Se aquieta sob um teto Serão parentes, parto e ente Teto, teto Pelos laços fraternos Deus reconcilia a serena Os desafetos maltais da família Pai, mãe, irmão Coração em pedaços cativa Partilha e guia Laços, laços, laços Compartido por os caududos E a trevas e reluz Bendito é o fruto Do vosso ventre, Jesus Do vosso ventre, ventre de Jesus Do vosso ventre, ventre de Jesus Pelos laços fraternos Deus reconcilia a serena Os desafetos maltais da família Pai, mãe, irmão Coração em pedaços cativa Partilha e guia Laços, laços Compartido por os caududos E a trevas e reluz Bendito é o fruto Do vosso ventre, Jesus Do vosso ventre, ventre de Jesus Do vosso ventre, ventre de Jesus Ventre de Jesus Boa!
Ainda bem que você lembrou dessa, Júlia. Falou na semana passada. Boa tarde, Leonora. Eu soltei ela no finalzinho da semana passada, mas como eu sei que as pessoas acabam saindo um pouquinho antes, abrimos novamente. Já que o tema, a gente vai dar mais uma descascadinha, né? Nessa cebola, para a gente chorar mais um pouco. Então, boa tarde a todos os amigos que estão conosco no Estudo de Êxodo à Luz da Doutrina Espírita. Sejam todos bem-vindos. Muitos amigos novos perguntando quem são os cantores, Júlio. Ah, gente, quem não conhece, é uma alegria, né, Haroldo?
É tanta coisa linda para eles conhecerem dessa dupla aí, Tim e Vanessa, essa dupla de irmãos, Tim e Vanessa. Vocês podem entrar lá no espiritismo. tv para digitar lá na busca Tim e Vanessa. Vocês vão achar lá bastante coisa. Eles são irmãos. As letras das músicas, na sua grande maioria, são escritas pelo Gladston Lage, que é um poeta do espiritismo, né, Haroldo? Exatamente, Júlia. O Haroldo gosta de dizer assim, nosso Deus, o Gladston sintetizou todo o assunto na letra da música, né? E essa letra aí, né, Haroldo? Que coisa linda, né, do Não Matarás.
Muita poesia, muita… O amor… Muita sutileza, muita sutileza, né? E assim, quando a gente idealizou todos, né, do ser, esses seminários, era exatamente isso. Mostrar também que as escrituras, os textos, eles podem também ser apreendidos pela sensibilidade artística. Não apenas pelo raciocínio, pela hermenêutica, pelo racional, pela interpretação. Mas a sensibilidade artística, às vezes, ela vai mais longe. Ela nos permite avançar muito mais no sentido, na profundidade do texto, do que a razão humana. Os Espíritos falam isso, né?
A razão, o Kardec pergunta, a razão não poderia ser sempre um guia infalível? Os Espíritos dizem que seria, se ela não estivesse envolvida pelo orgulho, pela má educação, olha isso, orgulho, má educação e pelo egoísmo. Então, esses elementos, eles detupam a razão e, às vezes, a gente precisa se tornar humano. Esse olhar da sensibilidade, da arte, da poesia, é, muitas vezes, um guia seguro. Eu gosto muito de uma letra, né, Júlio, que é aquela do Chiguaki, ele fala assim, saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão.
É isso. É isso mesmo, é isso mesmo. A gente repara, né, uma vez a gente ouviu isso de um amigo espiritual, falando assim, que ele olhava o mundo e via tanta beleza em tudo, que ele só conseguia imaginar que aquilo tinha sido feito por um artista. Verdade. Porque você vê essa flor que está aí perto de você, né? Exato, olha que coisa maravilhosa. Olha que delincadeza. Uma obra de arte. Uma obra de arte, que é isso. Então, a gente tem muito… É porque também, Júlio, quando a gente fala arte, para os artistas, tem até um estudo seu lá na plataforma, que você gravou lá no Nordeste, em Fortaleza, sobre Nabra, que fala da arte, é isso.
Nós também pensamos que qualquer expressão artística que representa, que cumpra esse papel, né? E nós precisamos também compreender o que é a arte, né? O que é isso que a espiritualidade fala e desenvolver mesmo, porque essa parte nos falta, Haroldo. Porque o universo e todas as coisas, a própria lei áurea, a regra áurea, que compõe todas as coisas, você vê que é tudo dentro de um quadro de beleza e perfeição. É o belo e o bom, não é? Isso, o belo e o bom. Então, é muito lindo você… E o alegre. E o alegre. E o alegre, porque a arte também tem o lúdico, tem o brincar, tem o…
É a beleza. Se não vos tornares como um dessas crianças, desses pequenininhos, não entrares no… No reino dos céus. Travou um pouquinho. Deu uma trancadinha. Oi, Haroldo. Haroldo? Cortou? Voltou? Voltou. Voltou. Então, tem uma coisa do lúdico e da arte que é você olhar para o lado, olhar para cima, para baixo, você movimentar o pescoço. A gente vê isso quando você está muito tenso, quando você está muito rígido, você tem o torcicolo, você trava aqui o pescoço. Então, a gente perde essa habilidade de brincar, de olhar vários ângulos.
Então, é importante isso. Nós estamos conduzindo aqui um estudo do Velho Testamento, mas não é para enrijecer nossas mentes, nossos corações. Não. Então, tem que ter esse espaço também, porque você olha para a natureza, os pássaros estão brincando, estão cantando e pulando. Tem um lúdico, tem uma alegria, tem uma espontaneidade. Você falou isso, Haroldo. A primeira vez que eu penso nisso, não é para enrijecer o Espiritismo, é para flexibilizar a leitura do Antigo Testamento. Exatamente. Nós queremos dar ao Antigo Testamento, com esse olhar espírita, cristão, a beleza que nós deixamos de ler.
E tirar a dureza como era lida. A dureza como era lida. Agora, só para a gente começar, acho que a gente falou da arte, independente de qualquer coisa, a gente está aí, os jornais só falam disso hoje, da morte do Tarcísio Meira, da desencarnamento do Tarcísio Meira, um dia antes do Paulo José. E são pessoas que levaram a arte da interpretação a todos nós, tanto enriqueceram a nossa cultura, que nós como espíritas. E sabemos que eles estão sendo lá recebidos como pessoas que cumpriram a sua atividade no planeta, se não toda, como todos nós parcialmente cumpriram, deixando aqui um rastro de poesia e beleza e de mensagens que fazem a gente crescer.
Que eles recebam de nós também assim, a gratidão pela vida deles, pelo que eles deixaram para nós. Porque é isso que a gente está aprendendo com tudo isso aqui, é olhar para o lado e ver a beleza e reparar o quanto essas pessoas que hoje conviveram com a gente, os contemporâneos, os nossos contemporâneos, são importantes e serão para o futuro. E a gente espera também deixar alguma tocha de luz acesa para a galera. Exatamente. É isso, então. Então, vamos. Vamos ainda ao Deuteronômio 5,17. Nós fizemos um sobrevoo sobre esse mandamento.
Eu queria só voltar um pouquinho, né, Leonor e Júlio? Voltar um pouquinho só. Nós comentamos aqui, muito importante isso, os quatro primeiros mandamentos se referem ao nosso relacionamento com Deus, que é o relacionamento primordial, que é o relacionamento que dá base a todos os outros. Por isso que amarás a Deus sobre todas as coisas. Sobre todas as coisas. Então, esse é o relacionamento, é o único que não tem intervalo, não tem pausa. Porque, como nós estamos mergulhados no fluido cósmico, nós estamos permanentemente e eternamente na presença divina.
Então, ainda que não haja… Ainda que… Isso também não é possível. Mas vamos, por hipótese, imaginar que estejamos sós. Nunca estamos fora da presença divina, porque estamos mergulhados no fluido cósmico e o Criador está dentro de nós. Então, a presença divina é eterna, ela é permanente, ela não desliga, não tem pausa. Não tem pausa. Os filhos, filhas, vêm e vão, parceiros afetivos, vêm e vão, os amigos chegam, partem, porque desencarnam, às vezes são chamados para outros lugares. Mas, a presença divina é constante.
Então, essa relação é permanente. Bom, mas veja que eu estou usando a palavra relacionamento, que tem a ver com o verbo religar, religares, religiosidade, religião. É uma relação. E o Emmanuel, por exemplo, no livro O Consolador, ele trata da questão da religião, das revelações, lá na parte do sentimento, junto com a arte. Porque essa relação com Deus é puro sentimento, puro sentimento. Quando Kardec indaga aos Espíritos se nós podemos ver a Deus, ele fala assim, os Espíritos puros, sim, o veem e o compreendem. Os imperfeitos o sentem e adivinham.
Então, a gente fica adivinhando como é que é Deus, qual que é a essência dEle, a gente fica fazendo suposições, mas a gente consegue sentir, porque é uma relação que envolve sentimento. Mas, veja, se eu estou numa relação íntima com alguém, se eu realmente amo alguém, é impossível eu amar alguém e não gostar das coisas que essa pessoa faz, das obras dessa pessoa, das coisas que essa pessoa gosta. É impossível. Se você verdadeiramente ama alguém, a coisa que você mais aprecia é proporcionar para o ser amado aquilo que ele gosta.
Nossa, eu vou cozinhar isso aqui, porque eu sei que minha filha e meu filho amam isso, eu sei que meu marido e minha esposa gostam tanto, eu vou fazer… Esse é o prato preferido do Júlio, esse é o prato preferido da Leonora. Então, quem ama quer agradar, quer servir, quer dar ao outro, quer proporcionar ao outro aquilo que o outro ama. E, o que é o amor de Deus? É a sua criação, né? É a sua criação. É a sua criação. Então, veja, depois dos quatro mandamentos primordiais, os primeiros que orientam a nossa relação com Deus, que são…
A gente viu aqui, né? Não ter outros deuses. Deus é o Deus Supremo, né? Você não pode ter outros deuses diante de Deus. Ele é o Supremo. Nós podemos adorar, amar várias potências cósmicas, mas não pode ter nenhuma na frente de Deus. Sobre todos é Deus. Depois, a questão da imagem. Deus é incorpórea, imaterial, né? Porque, se nós materializarmos Deus, nós estamos diminuindo a sua grandeza, a sua essência. Depois, nós temos o nome dEle, a missão dEle. Aí, já começa. Olha que interessante. O respeito aos desígnios e aos propósitos de Deus, que é o nome dEle.
O nome de Deus é o sentido da sua ação. É o que Deus faz no universo. E eu não posso… Se eu amo a Deus, eu não posso desrespeitar a atividade de Deus, a ação de Deus no universo. A ação de Deus no universo é o seu nome, né? Então, eu preciso santificar o nome de Deus. E, depois, o guardar o sábado, por quê? Porque, do ciclo de sete dias, seis são do homem, um dia é de Deus. Então, é o dia de eu cultivar mais intensamente a minha relação com Deus. Então, disciplinou a relação com Deus. Aí, agora, eu tenho que disciplinar a relação com o próximo, porque o próximo é irmão.
O próximo é filho de Deus. Então, tem um ditado que fala assim, né? Quem agrada meus filhos, adoça minha boca. E quem é pai ou mãe entende isso. Quem agrada meus filhos, adoça minha boca. Deus também diria a mesma coisa. Você quer adoçar minha boca? Quer me agradar? Faz pelos meus filhos, faz pelos teus irmãos. Então, os seis mandamentos, que começam com o pai e mãe e prosseguem, os seis mandamentos dizem respeito ao próximo, mas ao próximo enquanto filho de Deus. Então, é uma continuidade da relação com Deus. Ao respeitar o outro, eu estou verdadeiramente demonstrando o meu amor a Deus, porque ninguém pode amar uma pessoa aborrecendo-lhe a obra.
Não é o que Jesus diz lá? Eu estava lembrando aqui agora. Amar a Deus aborrecendo-lhe a obra. Desrespeitando a sua obra. E a obra, a menina dos olhos de Deus, a obra mais gigantesca dele, são os seres que ele cria, não é? É por isso que o Augusto dos Anjos fala, seus poemas de seres e universos. A grande obra poética do Criador. O livro. É um poema de Deus. Então, quando eu faço mal a alguém, eu estou ferindo, eu estou machucando, eu estou dilacerando a minha relação com Deus. Com Deus. E é isso que muitos religiosos não entendem.
Muita gente acha que na sua religiosidade, na sua religião, eles acham que Deus vai ficar feliz deles machucarem e ferirem as outras pessoas. Mas isso é o que mais machuca a relação com Deus. Isso envenena a nossa relação com Deus. Aí pensam em fazer isso em nome de Deus, né, Haroldo? É. Aí já é desonra até do mandamento santificar o nome de Deus. Porque se eu maltrato, se eu machuco os filhos de Deus em nome de Deus, aí são dois crimes, né? Eu estou ferindo o mandamento santificar o nome de Deus e estou ferindo os mandamentos que dizem respeito à minha relação com o próximo.
Então, eu envenenei minha relação com Deus. Eu envenenei. Envenenei. A nossa religiosidade, ela cessa. A nossa religiosidade, ela se turva quando eu faço mal a alguém. É como se a internet caísse. Eu perdi a conexão com Deus. Nossa, Haroldo. E você está trazendo de uma forma tão clara que agora a gente entende por que Jesus disse, né? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo fazendo essa relação com o antigo mandamento, né? O capítulo 1 do nosso Evangelho segundo o Espiritismo. Totalmente relacionado, né?
Nessa divisão. É. Tem até o André Luiz no Agenda Cristã, ele diz assim, respeite a posição dos outros. O mundo não foi criado exclusivamente para você. Então, olha que coisa, é como se a minha relação com Deus fosse um lago cristalino, mas toda vez que eu causo qualquer prejuízo ao meu semelhante, é como se eu jogasse lama nesse lago. É como se eu envenenasse as águas cristalinas da minha relação com Deus. Então, o pior religioso é aquele que, para servir a Deus, ele fere os semelhantes. Isso é o que há de mais envenenado, é a religiosidade mais venenosa que existe, é essa.
E, quanto mais ele ofende o outro, mais ele se afasta de Deus e mais desagrada Deus, porque não tem aprovação de Deus. Ao contrário, quem faz isso se sujeita à justiça divina, à correção divina, que aí o Criador o corrige, porque essa criatura se torna um filho rebelde, um filho mau, perverso. E, aí, vem o mandamento. Deuteronômio 5, 17. Nós estamos estudando aqui os mandamentos repetidos pelo texto de Deuteronômio, capítulo 5. E, estamos aqui no versículo 17, que é não cometerás assassinato. O verbo é o ratsar, ratsar.
Lotirçar. Não assassinarás. Porque, aqui, é o matar com intenção, é o matar com vontade de matar, é o matar com vontade de eliminar alguém da vida, tirar a vida de alguém. É por esta razão que esse, lá no sermão do monte, Jesus não comenta muitos mandamentos, não comenta. O vício que foi dito aos antigos, ele não comenta muitos, não, mas esse é o primeiro que ele comenta. E, aí, ele não fala, ele não fala apenas do assassinar, mas Jesus amplia para o excluir, para impedir que o outro tenha acesso à vida ou possa viver plenamente, que é, que são os mecanismos de exclusão, as artimanhas da exclusão, né?
Quando a gente exclui o outro. E, aí, é bonito, por quê? Eu acredito que, aqui, a constelação familiar tem uma lição bonita, né? E, aí, eu vou examinar aqui, só esperar o Júlio voltar, que ele está… Júlio caiu aí. Não é, meu amor? Caiu, mas já ele volta. Alguém, algum comentário? Azul está comentando, está comentando, complementando. Boa tarde. A nossa relação com Deus passa pelo meu próximo. É, exato, Azul. Azul, e não só passa, ela também se legitima. Então, a nossa relação com Deus se legitima através do próximo.
Então, uma relação com Deus que não passa pelo próximo, que não respeita o próximo, ela não é legítima, ela é fake. É uma relação fake, é mentira, não é verdadeira. A relação com Deus verdadeira é aquela que se traduz na minha relação com meu próximo. E essa afirmação que o Sérgio faz aqui, o próximo é a nossa escada de Jacob, o pai. Exatamente, Sérgio. Exatamente. Exatamente. Então, quando Jesus vai comentar lá no Servão do Monte, Ele diz assim, ouvistes, não assassinarás, não matarás. Eu, porém, vos digo, não encoleres eles, não tenha ira, por quê?
Porque começou a ira, ela pode se transformar em assassinar. Não diga para ele raca, que era tipo cabeça vazia, cabeça ouca, porque aí você está tirando o direito do outro de participar, de pertencer, de falar e de se expressar. E não exclua o outro. Então, aqui a constelação familiar é muito bonita. E aí eu trago uma mensagem, está lá no capítulo 3 do Pensamento e Vida. Emmanuel diz assim, olha que interessante, da glória divina às balizas subatômicas, olha isso, desde a intimidade do átomo até a grandeza cósmica do universo, do cosmos, o universo pode ser definido como sendo…
olha isso, como que o universo pode ser definido? Desde o átomo, da intimidade do átomo até a grandeza cósmica. O universo pode ser definido como uma cadeia de vidas que se entrosam na grande vida. Olha isso. Cadeia significa o quê? Uma rede de vidas que se entrosam, que se reúnem na grande vida. Uma obra de arte. A palavra vida, a palavra vida, atenção, atenção, sublinha, vida. Porque assassinar é o quê? Então, se eu atinjo a vida do outro, eu estou atingindo a grande vida. Porque todas as vidas estão entrosadas na grande vida.
Então, nós pertencemos a uma teia, a teia da vida, o sistema da vida. Por isso que Jesus fala, não exclui, e nós costumamos fazer isso, principalmente os religiosos. Tanto que ele dá o exemplo dos religiosos. E todo aquele que lhe disser renegado, vai responder no gueano. Renegado é o quê? Jesus está usando uma expressão aqui para exclusão religiosa. Quantas vezes a gente faz isso? Os renegados religiosos. A gente exclui as pessoas, exclui da casa espírita, exclui do movimento, exclui. A gente exclui pessoas que pertencem.
Olha, é por isso que Jesus não expulsou Judas. Veja, ele advertiu Judas, deixa eu te falar uma coisa, não tem boba aqui não, eu sei que você vai me trair, viu? Eu vou te avisar para você não achar que você está iludindo alguém. Mas, não expulsou. E nós fazemos o quê? Nós excluímos, proibimos. Ah não, nessa pessoa ele fala umas coisas. Não, não, não, esse aqui eu não quero. Exclui ele. Os renegados. E aí a constelação familiar, que eu acho muito interessante, fala sobre isso. Porque isso acontece nas famílias, sempre tem, nos renegados da família, sempre tem, não é?
E quando alguém é excluído, essa exclusão gera um sintoma, gera uma doença no sistema, na família, na comunidade, naquele movimento religioso, aquilo gera uma causa e efeito. Por quê? Porque nós somos uma cadeia de vidas que se entrosam na grande vida. Nenhum de nós tem o direito de tirar ninguém da vida. Eu não posso. Não posso. Sob o risco de prejudicar a harmonia, Cárnicos, é isso. E é incrível, nós todos, principalmente nós espíritas, que somos assim, vamos dizer, aquelas pobres almas das religiões, os alunos que saíram tomando bomba em tudo quanto é religião, aí foram recolhidos na doutrina espírita e no movimento espírita.
Nós temos um hábito milenar, milenar, de perseguir e excluir as pessoas. Bom, isso é muito triste, né, Aru? Eu te repeti essa situação, né? Mesmo na natureza, o que nós julgamos ser uma praga, muitas vezes é o equilíbrio, é fruto do desequilíbrio ou é o que traz o equilíbrio, né? Aquilo que te incomoda, aí você vai e se termina. Então, nós vamos exterminar determinadas pessoas, determinados animais, determinados tipos de plantação para poder fazer outra coisa, de maneira desordenada, por intolerância, por falta, por ganância, e aí gera um distúrbio, né, Aru?
Um distúrbio. Eu já pensei nos excluídos da sociedade, os invisíveis, porque nessa teia todos têm a sua importância, né? Não é porque a gente finge que não existe ou finge que não está vendo. Então, esse conhecimento espiritual em que tudo está interligado e que cada ser vibra no próximo, são bases para estruturas sociais, as da família, as religiosas, todas as estruturas de convívio humano, né? Todas. E aí a gente vê, por exemplo, assim vários exemplos, né? Então, você examina, por exemplo, famílias puritanas, né?
Que acabam excluindo aquele que é alcoólatra, aquele que é viciado em droga, aquele que é viciado em sexo, aquele que é uma… A família exclui, e aí você vê que os que excluíram começam a se perturbar psiquicamente. A constelação familiar trabalha muito bem nisso. A ovelha que saiu fora e Jesus sempre vai buscar, né? É… Não, por isso que Jesus diz assim, deixa as noventa e nove e vai buscar a que se desgarrou. Por quê? Porque nós não temos o direito de tirar ninguém da teia da vida, da teia do pertencimento. Então, a gente vê que no Sermão da Montanha, quando Jesus vai comentar o capítulo cinco, versículo vinte e um, ouvi-se o que foi dito aos antigos, não matarás?
E aí Jesus amplia. Como que Jesus amplia? Jesus amplia dizendo, olha, sem exclusão. Sem exclusão. Né? Nossa, que difícil, Heródoto, porque… É, a gente tá aprendendo mesmo isso, né, Heródoto? Porque a gente se incomoda, a gente não sabe lidar, né? E eu acho que tem a ver com isso, né, Heródoto? Por que a gente exclui? Porque nós não sabemos lidar com aquilo. É. Não sabemos lidar. Aquela pessoa, aquela circunstância, aquela situação, aquela forma, né? E aí você exclui, tenta levar uma vida sem ter que lidar com aquilo que você não dá conta, que você não sabe, né?
E o Evangelho, isso é bonito, né, diante disso que você tá dizendo, do não matarás e todo esse processo. Porque você não vai matar, você vai cumprir esses mandamentos na medida do conhecimento de si mesmo, de saber lidar consigo mesmo. Daquilo que você falou na outra aula lá, você já domina a fera que tá dentro de você? Exato. Não é? Porque você se conhecendo, conhecendo o semelhante, você vai conseguir isso, né? Você vai conseguir olhar pra vida e vê-la com outros olhos. Ver o semelhante com outros olhos. Até mesmo, Heródoto, ver o tempo com outros olhos.
Porque aquilo que você pensava ser um sacrifício imenso, aturar determinada coisa, suportar, esperar, é um átomo de segundo na eternidade, né? Mas quando a gente não tem a eternidade, fica tudo muito… Quando a gente pensa numa vida, pensa num ano, e você tem que resolver ali, né? Exatamente, Heródoto. Eu fico pensando que tem muita coisa pra gente aprender. Tem um capítulo, Júlio, até encontrei aqui. É o capítulo 2 do livro Agenda Cristã. Olha que interessante a estrutura desse capítulo. O capítulo se chama Princípios Redentores.
O primeiro parágrafo, André Luiz fala de Deus. Todos os outros, ele fala do próximo. Então, ele começa assim, olha. Não se esqueça de que Deus é o tema central de nossos destinos. Aí, ele começa. Deseja o bem dos outros, tanto quanto deseja o próprio bem. Concorde imediatamente com os adversários. Respeite a opinião dos vizinhos. Evite contendas desagradáveis. Empreste sem aguardar restituição. Olha só. Dê o seu concurso às boas obras com alegria. Não se preocupe com os caluniadores. Agradeça ao inimigo pelo valor que ele lhe atribui.
Ajude as crianças. Não desampare os velhos e doentes. Pense em você por último, em qualquer jogo de benefícios. Desculpe sinceramente. Não critique a ninguém. Repare seus defeitos antes de corrigir os alheios. Use a fé e a prudência. Aprenda a semear preparando a boa ceifa. Não peça uvas ao espinheiro. Liberte-se do peso de excessivas convenções. Cultive a simplicidade. Fale o menos possível relativamente a você e aos seus problemas. Estimule as qualidades nobres dos companheiros. Trabalhe no bem de todos. Valorize o tempo.
Tenha método no trabalho, sabendo que cada dia tem suas obrigações. Não se aflija. Sirva a toda a gente, sem prender-se. Seja alegre, justo e agradecido. Jamais, jamais imponha seus pontos de vista. Lembre-se de que o mundo não foi feito apenas para você. Olha isso! Você não conversou com Deus, mas só falou do próximo. E aí, o mundo não foi feito apenas para você. E às vezes a gente acha. O universo todo, não é só o mundo. Apenas para a gente ou para aqueles que concordam conosco. Então, veja, é uma mensagem bonita, não é?
Demais! Não só bonita, né? Ela é um mandamento. Ela é quase um mandamento. Porque começa com o amor a Deus, e vai o amor ao próximo, e ainda dá um manual para nos ajudar. Caso você não tenha entendido bem, eu vou dar exemplos. Exatamente. Com tudo isso, a gente ainda… Então, a gente vai… Eu fico pensando, eles não cansam de nos instruir, de nos dar setas, de nos dar o caminho. Vamos lá, a caminho da luz. Exatamente. Então, não eliminar a vida. Não eliminar a vida. E aí, Jesus amplia isso. O livro é o Agenda Cristã, né?
Agenda Cristã, capítulo 2. Eliminar a vida. Esse é o mandamento. Então, aqui a gente começou… E por que não eliminar a vida? Nenhuma vida, gente. Nenhuma vida. Em qualquer fase que ela se encontre. E aqui diz por quê? Porque o universo pode ser definido como uma cadeia, como uma teia de vidas que se entrosam na grande vida. É bonito isso, né? Nossas vidas… Por isso que… Por que o Emmanuel está dizendo isso? Foi o que Deus disse lá no capítulo 4 de Gênesis. O sangue do teu irmão clama por mim do solo. Porque o sangue é vida, né?
Está lá em Levítico? O sangue é vida? Então, a vida está clamando. Quando ele assassinou o irmão, a vida do irmão começou a clamar. Ei, eu fui excluído! Alguém me excluiu. Me excluiu. E como as vidas estão entrosadas na vida de Deus, a mensagem chega a ele imediatamente. E como nenhuma criatura tem esse direito, ela vai responder perante a lei de justiça. Responder perante a lei de justiça. Geralmente, qual é a primeira proposta? Você vai restituir o que você tirou. Então, qual é a primeira proposta? Quem assassina, recebe como filho ou filha.
Aí entra a música que a gente ouviu no início. Olha que bonito, né? Porque o pessoal ia falar Ah, não, quem assassina tem que ser assassinado. Opa! Essa eu não falei, viu? Quem assassina tem que restituir a vida. Por isso que o Bert Heling, é bonito na Conselação Familiar, ele diz assim, toda vez que você entra num sistema que não é o seu e fere alguém, essa pessoa começa a fazer parte do seu sistema. Assassinou alguém, esse alguém veio para o seu sistema, agora você vai receber essa pessoa como filho, filha. Você vai ter que restituir a vida.
Restituir a vida. Não me lembra uma coisa bonita? Quem contou isso, ele conta, divertido, né? É o Roberto Lúcio, que é o psiquiatra. Aliás, parabéns, hoje é dia do psiquiatra, né? Queria dedicar aqui, então, ao meu amigo Caio Abujade, psiquiatra do Rio de Janeiro, eu faço parte da equipe de pesquisa dele. Queria agradecer ao Alexander Moreira, ao Roberto Lúcio, a toda o Jarder, doutor Jarder, toda a equipe do André Luiz, todos os psiquiatras, dar meus parabéns a todos eles, né? E lembrando o Roberto Lúcio, uma vez ele estava meio bravo, estava muito bravo, né?
Porque os filhos estavam demandando muito, muita despesa, etc. E ele estava, naquele dia, ele estava bravo. E… Aí, uma hora lá, o espírito falou, mas o que foi, Roberto? Você estava hoje meio batido. Ele falou, ah, o que que é isso? Os filhos… Tudo que a gente tem, a gente dá pra esses filhos, esses filhos não valorizam, não sei o quê. Aí o espírito falou assim, não, meu filho, não diga isso. Não diga isso. Você só tem tudo que você tem por causa deles. Um. Tudo que você recebeu foi para restituir a eles. Então, restitui com paciência, com amor.
Restitui. Você tirou, inclusive, a vida. E, nessa, agora, você está restituindo a vida e tudo que você tirou. Você não teria nada se não fosse eles. Você só tem pra restituir. Aí ele falou, então eu tenho que ficar feliz, né? Eu tenho que ficar feliz, né? É igual quando o Chico abraçou lá o Kinkas, né? O escritório do Kinkas foi assaltado. Eles quebraram tudo, levaram tudo. O Kinkas ficou triste, aí encontrou com o Chico de noite, contou a história com o Chico, o Chico abraçou e falou assim, ô, meu filho, é tão bom restituir.
Oxi! É duro esse discurso, né? É isso, né? A gente pensa muito nisso mesmo. Tem que refletir sobre isso. É lógico que seria um ciclo sem fim, de olho por olho, dente por dente, se achássemos que sempre estaríamos restituindo, sempre, sempre, sempre, nosso filho. Principalmente se os nossos filhos entendessem de cobrar, nós, como os filhos, resolvêssemos de cobrar de nossos pais, dessa maneira, né? Mas é lógico que esta é uma visão bem educativa para nós, que muitas vezes não devemos para aqueles, mas devemos para outros.
E devemos a nós mesmos, né, a atitude de desapego e cuidado que não se teve. Isso, exatamente. A gente já viveu, na família, situações em que a pessoa cobra do pai uma postura de exigência de questões materiais, né? Não fazendo a sua parte, querendo que o pai ou a família, os assessores… Tem tantos lados, isso daí para a gente olhar, mas é muito bacana a gente ver que as coisas estão sempre a nosso favor, né, Haroldo? Exatamente. Se nós soubermos ler as situações, né? Se a gente souber ler. É só um complementar, Haroldo?
É por isso que a gente tem o capítulo 12, Júlio, Família, né? Pensamento e Vida. O Emmanuel começa assim. A família consanguínea entre os homens pode ser apreciada como o centro essencial de nossos reflexos. Reflexos agradáveis ou desagradáveis que o pretérito nos devolve. E ele termina dizendo assim. Temos, assim, no grupo doméstico, os laços de elevação e alegria que já conseguimos tecer por intermédio do amor louvavelmente vivido, mas também as algemas de constrangimento e aversão nas quais recolhemos de volta os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do destino e que necessitamos desfazer à custa de trabalho e sacrifício, paciência e humildade, recursos novos com que faremos nova produção de reflexos espirituais suscetíveis de anular os efeitos de nossa conduta anterior, conturbada e infeliz.
Então, veja, eu acho bonito esse parágrafo porque ele fala dos clichês inquietantes que ficam gravados no fluido cósmico. E, depois, quando o fluido cósmico devolve para nós essas gravações, esse audiovisual, nós não gostamos. Nós somos protagonistas do filme que estamos assistindo, e depois falamos assim, caramba, que coisa ruim, que personagem é esse? Exatamente. Exatamente. Essas teias ficam belíssimas, quando falava dos filhos e dos pais, porque o Amar aos pais, que a gente começou, a gente vai vendo essas teias, imagina essas teias de várias encarnações, como é que vem isso?
É um filigrã belíssimo. E é interessante que a gente abriu falando sobre as obras de arte. Então, essa é a nossa obra de arte, não é? Toda a nossa vida, nossos relacionamentos, a nossa vida, os nossos relacionamentos, as coisas que nós, os amores que nós estamos construindo e tecendo. Sim. A nossa… A gente sabe que a arte, a música, as expressões da gente, os pensamentos, são coisas materiais, não é, Arudo? São coisas bem matérias, emitem energia, você tem energia, seu som, tem impacto. E se você pensar que na espiritualidade os artistas realizam com o pensamento, então, você está o tempo todo pintando e criando sinfonias e quadros belíssimos ou torturados, não é?
Porque você, de acordo com o que você constrói com o seu pensamento, com a sua forma de ver, e isso é muito legal, não é? É como se alguém caminhasse espalhando sementes de espinhos ou sementes de flores no seu caminho, não é, Arudo? Quando ele retorna e olha, ele pode ver espinhos ou pode ver flores, depende das sementes que ele decidiu plantar. Então, é muito legal a gente pensar que a vida, no geral, é uma construção da nossa capacidade de sentir e pensar as coisas. Essas duas coisas são as forças criadoras da vida, não é, Arudo?
Que regulam até o nosso domínio sobre a matéria, não é? Exatamente, exatamente. Porque é isso, não é? O pessoal está perguntando, essa mensagem que eu li do Emmanuel, do Família, está no capítulo 12 do livro Pensamento e Vida. Agora, tem um ponto aqui que é importante a gente considerar. O verbo hebraico utilizado aqui é o verbo assassinar. Porque, na época em que esses mandamentos foram redigidos, eles se dirigiam ao assassinato de seres humanos. Até porque a cultura hebraica, a religião hebraica era baseada no sacrifício de animais, não é?
Mas, vejam, os animais, na compreensão dos hebreus, os animais não eram assassinados, eles matavam os animais. Tinha todo um procedimento, o animal não podia sentir dor, etc, etc. Agora, vamos entendendo. À medida que a gente vai evoluindo, nós vamos compreendendo também que esse mandamento se amplia, não é? Aos poucos, ele vai se ampliando. E, aí, a gente vai sentindo necessidade de nem mesmo os animais a gente matar. Não é? Então, com a evolução espiritual vai chegar um momento que todos nós vamos nos libertar da necessidade de alimentar de carne, de matar os animais.
E a gente percebe que isso já está acontecendo, não é? Então, hoje está crescendo uma consciência, um respeito aos seres vivos, a todos os animais. Por exemplo, já não… Antigamente, as pessoas vibravam com caçar, atirar, matar os animais por esporte. Hoje, isso já deixa todo mundo meio que numa sensação desconfortável. Tem crescido muito o número de vegetarianos, tem surgido, por exemplo, os flexitarianos. Eu, por exemplo, estou no esforço, eu sou flexitariano. Então, assim, geralmente, durante a semana, eu não como carne.
Quando chega o final de semana, eu vou na casa da minha mãe. E, aí, tem aqueles compromissos sociais, às vezes… Então, eu… Mas, eu diminuí muito. Então, estou num processo, estou fazendo uma caminhada. No futuro, nós não vamos matar nem animais, nem plantas, nem plantas. No futuro, você não vai matar nem o pé de alface, nem o pé de couve, porque não terá corpo material e não vai precisar. Então, o mandamento vai se ampliando. Agora, vamos fazer o seguinte, vamos com calma, porque… Vamos com calma por quê? Porque nós temos muito trabalho ainda.
Quando a gente olha para as estatísticas, o tanto de mulheres que são assassinadas todo ano no Brasil, o tanto de homossexuais que são assassinados no Brasil, o tanto de crianças que são assassinadas pelos pais. Então, nós temos muito ainda o que fazer. Nós temos muito trabalho ainda a ser feito, eu digo coletivamente falando, coletivamente falando. Num momento, por exemplo, em que as pessoas acham legítimo aprovar o aborto, então, temos muito trabalho ainda para fazer. Vamos devagar, cada um vai de acordo com o que consegue, vai eliminando um pouco, vai diminuindo, se não conseguir eliminar, pelo menos diminua, e a nossa sensibilidade, o nosso respeito aos animais já tem crescido, já tem crescido o amor que a gente tem pelos bichinhos, já estão começando a…
Então, é um sinal da evolução. Mas não justifica, seria muito hipócrita da nossa parte, uma sociedade vegetariana que mata homossexuais, que mata mulheres, que mata crianças. Esses processos, eu sempre penso assim, que são processos para dentro de nós, porque as exigências, os esforços, são com a gente. Quando os nossos esforços, eles estão focados nas pessoas, na sociedade, para que ela mude, e aí eu fico ali nervoso, porque ela não muda e tal, eu acho que a gente se perde um pouco, porque cada um está num ponto da caminhada, e você quer, não vai ter uniformização desses processos.
Tem pessoas que, por exemplo, consomem carne, são incapazes de matar. Outros que não consomem e podem matar de outra maneira. Então, seja, é importante que o conhecimento seja para que nós apliquemos a nós, e essa mudança em nós reflita nos demais. Porque eu sei, e a gente começou… Eu e o Haroldo, nós já temos uma trajetória longa, gente. Antigamente não tinha uma reunião de sessão e uma garrafa de Coca-Cola na mesa. Esse homem não toma Coca-Cola mais, esse cara já debandou do negócio. Eu acho que a carne também, essa coisa, já houve um consumo muito maior de carne e tal, a gente hoje já se incomoda, ainda está no processo, mas já se incomoda, não fica tão à vontade.
Eu, por exemplo, Haroldo, não me sinto à vontade de ir em rodízio. Eu me sinto um pouco mal. Porque eu acho que quando começa a virar aquela questão ali, me incomoda. Mas é um processo, eu não fico passando a minha vida criticando quem vai no rodízio. Ou quem come carne. E tem circunstâncias que eu estou com… Por exemplo, quando eu vou lá para a casa da Leonora, por exemplo, que eu encontro com o Tito lá, no final de ano, eu tenho que me segurar, porque é a fera que está dentro de mim. E assim, não é, Júlio? Por isso que eu falo.
Eu adotei o flexitarianismo exatamente por isso. Porque eu acho, para mim, é um valor principal estar com as pessoas. Sim. Porque Jesus é um Espírito crístico, veio aqui e comia peixe assado e comia cordeiro para se relacionar com as pessoas. Então, é importante isso. E não há nenhum Espírito puro vindo aqui incomodar a gente. Alguém está vendo algum Espírito puro aí chato? Fica falando assim, ah, para de fazer isso! Nossa, você está tão inferior! Ah, você ainda come isso! Não tem. Não tem nenhum Espírito puro aqui.
Então, assim, evolução é individual. A gente não impõe evolução ao próximo. Se você se sente seguro, se você se sente preparado para dar um passo evolutivo, então dê você. Não queira impor isso aos outros. Agora, o futuro nos reserva o quê? O futuro nos reserva, é claro, a libertação total de toda violência, de toda desigualdade social, de todo tipo de assassinato, até da morte dos animais. O futuro nos reserva isso, com certeza. Em todos os níveis. Em todos os níveis nós estamos caminhando, mas cada um na sua velocidade.
E vamos respeitar. Vamos respeitar por quê? Porque há dois mil anos atrás não tinha nenhum Espírito puro indo lá apontando o dedo para você. E nem vai vir hoje. Então, entenda isso. E outra coisa, a gente não pode querer ser mais puro e mais perfeito do que Deus. Se Deus criou os mundos primitivos, se nos mundos primitivos os animais se alimentam uns dos outros, se Deus permitiu que assim seja, não queira você ser mais puro do que Deus. Porque, senão, daqui a pouco eu estou querendo corrigir Deus. Nossa, mas não…
Travou, o assunto é delicado. Na pausa dramática. Deixa eu voltar. Voltou? Voltou. O negócio de corrigir Deus trava mesmo, garoto. Corrigir Deus, exatamente. Porque aí o que acontece? Eu falo, não, não podia ter mundo primitivo, não. Não podia ter cadeia alimentar. Então, você está querendo corrigir Deus? Os processos virão agora. Então, vamos com calma. A escala dos mundos é mundos primitivos, mundos de expiação e prova, mundos de regeneração, aí vem os mundos de toses, onde já não tem mais vida material. E, depois, os mundos celestes, que é o mundo dos espíritos puros.
Foi assim que Deus criou. Então, cuidado, vamos entender, porque como que o Criador fez? Ele deu o livre-arbítrio e ele permite que todo o mal e a violência sejam vividos no início da escada. Porque, quando chega lá nos últimos degraus da escada, que são os espíritos puros, eles já estão saturados do mal, eles não querem nada de violência e de mal, porque eles já estão saturados. Então, imagina, nem a pureza Deus impõe. Gente, não tem ninguém nos mundos celestes falando assim, ah, me colocaram aqui, não sei por quê, eu nem queria vir.
Não, não, não. Nos mundos celestes, só tem aqueles que desejaram tão ardentemente estar lá, que batalharam tantos, centenas de milhares de anos para chegar lá, que eles não querem sair de lá por nada. Então, nem isso Deus impõe. Por isso que é uma coisa muito bonita. No movimento espírita, a gente costuma interpretar degredo como se fosse castigo, maldade de Deus. Agora eu vou te mostrar… Vingança. Eu vou arrebentar com você. Gente, não é isso. Degredo é o seguinte, o planeta está evoluindo, mas tem gente que não se adapta.
Tem gente que está assim, esse mundo está ficando muito sutil, eu gosto de um negócio, mas eu não estou adaptado. Então, o que a misericórdia divina faz? Coloca a pessoa em um lugar em que emocionalmente ela está adaptada, até que ela tenha o desejo de ir para um outro lugar. Tem que entender isso. Então, os hebreus que vieram para cá, os egípcios, os arianos, os hindus, eles não queriam ficar em capela, eles não queriam. Então, o que fizeram, os cristos de lá fizeram? Reuniram, segundo Emmanuel, alguns milhões de espíritos e entregaram para quem?
Trouxeram aqui e entregaram para quem? Qual foi a primeira reunião que eles tiveram? Com Jesus. E o Cristo falou assim, não, eu vou receber vocês, pode vir, eu estou com esse planeta aqui, ele é primitivo ainda, mas daqui a pouquinho ele vai se tornar despiação e prova, inclusive vou precisar de vocês, do trabalho de vocês. Agora, é o seguinte, vocês vão suar, vão chorar, tem um custo, mas, olha, preocupa não, eu prometo a vocês que eu vou encarnar para vocês que são ovelhas perdidas da casa de Israel. Então, nós temos que parar com isso.
Não é? Tem que parar com isso. Então, o leão deixa de ser leão quando ele exauriu, o princípio intelectual fala, cansei, cansei, eu não quero mais mandíbula, cansei, que é o que vai acontecer com a gente. Então, ninguém é forçado a ir para as esferas superiores, ninguém é forçado. Cada um vive girando em torno daquilo que ama, daquilo que sente prazer. Isso é a beleza do universo. Então, assim, você não sente mais prazer em comer carne? Que coisa boa! Poxa, tica aí, uma vitóriazinha. Agora, estamos rezando aqui para você vencer a crítica, vencer o egoísmo, vencer o orgulho também, não é?
Então, parabéns, você já conseguiu vencer isso, maravilhoso. Mas, não queira ser Deus e fazer o que nem Deus faz, que é impor, impor iluminação aos outros. É uma imposição pelo amor, não é, Haroldo? Não é pela força da intolerância, porque quando Deus impõe pelas suas leis, ela é sempre a nosso favor, aquela história, Deus é bom sempre, Deus ama sempre. Na verdade, Júlio, Deus impõe a lei de Deus é o seguinte, tem espaço para todo mundo, Júlio. É, uai. Então, olha só, se você… Ele não exclui ninguém, não é? Oi? Ele não exclui ninguém, que você falou dos excluídos.
Tem mundos primitivos, se a pessoa quiser voltar a viver naqueles costumes, com aqueles hábitos dos homens das cavernas, tem lugar no universo te esperando, tem lugar para todo mundo, tem lugar para todo mundo. Se você anseia um mundo regenerador, um mundo ditoso, tem também para ser. Tem também. Isso é maravilhoso. Aí o pessoal pergunta, mas o degredo é compulsório? Depende de que ângulo que você examina. Depende. Se a pessoa está emocionalmente sintonizada, o degredo é compulsório ou é uma medida educativa? Não é?
Quem que escolheu antes? A própria pessoa. Eu entendi isso, viu, Júlio, Eleonor? Eu entendi esse mecanismo na minha profissão. Em duas ocasiões. Uma vez eu estava em um julgamento criminal e sentou um réu na minha frente. Ele tinha cometido 17 homicídios. 17. E, na hora que ele foi conversar comigo, ele falou um negócio. Eu falei assim, mas 17 assassinatos? 17? 17? Aí ele virou para mim e falou assim, doutor, eu gosto de matar. Eu gosto de matar. Então, naquele momento, eu fiquei perplexo. Eu não conseguia entender.
Aí passou um tempo. Eu fui assistir uma entrevista no Fantástico o Maníaco do Parque. E aí, no meio da entrevista, Eleonor, Júlio, o Maníaco do Parque, falou assim, não, é porque eu gosto de matar as moças, eu gosto de matar e depois beber o sangue delas. Aí me deu uma luz. Naquele momento, eu falei assim, entendi. Esse ser está vibrando o mundo primitivo. Porque lá no mundo primitivo, quando você tem o primata, não tem nem homo sapiens ainda. Quando é um primata, essa é a regra. Essa é a regra. Então, ele não saturou ainda.
Emocionalmente, ele está preso àquele patamar. Então, o que tem que fazer com esse ser? Levá-lo para o mundo primitivo e aí ele vai encarnar lá uns 20, 30 mil anos bebendo sangue, matando, matando com a boca, tomando sangue todo. Vai fazer isso durante 20, 30 mil anos. Aí vai chegar uma hora que ele vai falar assim, eu não aguento mais isso. Eu quero um mundo que tenha iFood, Netflix, estudo do Ezo, do online. Aí, quando ele desejar muito, muito, muito, 5 mil anos depois, ele volta. Gente, nós temos que pensar nisso.
Nós temos que pensar nisso. Então, veja a grandeza de Deus. Veja a grandeza de Deus. Não é? Tem oportunidade para todos os Espíritos. E, mais, indo para o mundo primitivo, ele leva os conhecimentos que ele tem e ajuda os primatas de lá a evoluírem. Não foi assim que aconteceu com os capelinos aqui? E tudo isso que você falou é essa teia, não é? Essas conexões, essa teia entre todos os mundos, entre todos… Todos os mundos. Muitas vezes, Arouca, nós estamos aqui no esforço de ter uma visão disso, sem querermos ser donos da verdade, tentarmos entender juntos, expressando nossos pensamentos.
É ter a certeza de que Deus está sempre fazendo o melhor. Não tem algo assim. Pai, eu quero fazer o pior para mim. Mesmo dentro da sua liberdade, é o melhor para você. Claro. Mesmo dentro da sua liberdade de livre-arbítrio, de escolher um caminho que te traga dor, ainda assim não existe aquela que… Deixa eu assistir eles. Não. Essa daí não vai aprender nada, só vai sofrer. Não, Arouca. Todo o trabalho… Você gostava… Você falava muito… A primeira vez que eu ouvi foi você falar. Você falava assim, Deus é aquela situação do GPS, não é?
Você erra e ele já começa recalculando. Recalculando, exatamente. De novo, entra à esquerda, você passa à direita, recalculando a rota. Até chegar o momento que o retorno é daqui a dois mil quilômetros. Aí você vira e agora recalcular a rota dele, está aí, mas é daqui a cento e quatro quilômetros, e voltar e tal, e aí vai demorar um pouco mais, por causa do aprendizado. Mas, Haroldo, aquilo que a gente estuda tanto, a justiça divina é a misericórdia e o amor, ela não é a vingança. Deus não fica chateado, Deus não fica de cabelo em pé, você não surpreende Deus, Ele conhece as suas criaturas, Ele não está surpreso, Haroldo.
E o que nós esperamos, dentro de tudo que nós não sabemos de Deus, é que Ele nos ama, porque é o que nós esperamos do Criador. Que eu não viva uma experiência, Haroldo, como a que eu faço por mim mesmo, de inconsequência. As experiências que Ele me propõe não são de inconsequência. Exatamente. Não é um exílio, onde eu só me estrepo lá, e sofro, e vou me dar mal, e vou cada vez mais para baixo. É sempre um trampolim para cima, é aquela história. Vai descer, mas vai subir pulando. Exato. E é isso, acho que tem que…
E o principal dessa conversa toda, na minha opinião pessoal, Haroldo, é a seguinte, é eu não ficar de fiscal do outro. Ah, isso aí. É eu ficar de fiscal de mim mesmo, sabe? Do outro, não. O outro tem Deus cuidando dele, a vida cuidando dele, não é? Pessoas, espíritos, indiversos hierarquistas, essa de ficar de fiscal do outro é que eu acho que é péssimo para nós. Não é que reclamar de alguém fazer isso por mim, não, porque talvez até me ajude, mas eu fazer pelo outro, ficar fiscalizando, criticando, isso eu acho que a gente perde o tempo, perde o foco de si mesmo.
E outra coisa, não é, Júlio? Os mundos possuem Cristos planetários, e todos os sistemas solares possuem uma assembleia de Cristos que o dirigem. Então, gente, nós sabemos nada. Eu estou aqui falando, assim, migalhas, eu não sei nada sobre isso. Degredos vindas de grupos de espíritos, nós não sabemos nada disso, gente. Isso é assunto de Cristos. Então, é nesse momento que a gente precisa ter humildade. Humildade. Nós mal, mal conhecemos a Terra. Muito mal. Que dirá os mundos, a solidariedade entre os mundos. Então, vamos com calma.
O que é inconcebível, Deus não permite. Isso aí. Então, vamos de música. Deus, para a gente encerrar. Exato. Está passando o tempo. Eu fiquei pensando aqui, só para concluir, desses mundos todos e primitivos, e o degredo, que não há nenhum lugar onde Deus não está. Deus está em tudo, com seu amor, com seu amparo, com a sabedoria. Então, não existe nenhum lugar que esteja fora de Deus, ainda que a pessoa esteja em erro, em ignorância, em falta de aprendizado. Deus está conosco sempre. Leonora, e quem acompanha a Jornada nas Estrelas, principalmente a nova série, nova não, né?
Do Netflix, que é Star Trek Discovery, sabe que tem uma regra lá, tem uma regra lá da República, que é o seguinte, quando você encontrar uma civilização que ainda está no nível abaixo da tripulação, não interferir. Não interferir na evolução. É a regra número um lá, do Capitão, da nave estelar. Não interferir em civilizações que estão abaixo. Não pode. Não pode. É a primeira diretriz, não é, Silêncio? Não interferir. Então, é o seguinte, não tem ninguém no mundo primitivo querendo sair de lá. Da mesma maneira, quem está aqui no Expiação e Prova está adorando.
No fundo, no fundo, são esses os hábitos que nos acalentam. Se nós fôssemos conduzidos de improviso aos mundos ditosos, a gente não ia se sentir adaptado. E o pior, Eleonora, nós teríamos uma crise de autoestima. Porque você imagina, imagina o quão constrangedora, Eleonora, você estar cercado somente de Espíritos puros. É muito constrangedor. Para nós, ainda é. A gente ficaria exposto demais. Isso poderia ser fatal para a nossa saúde mental. Porque se você ia ficar com uma estima tão baixa, então é melhor ficar aqui.
É por isso que nesse… Estamos entre nós, não é? Tem um melhorzinho, o outro piorzinho, mas na média nós temos mais ou menos a mesma coisa. É por isso que nessa encarnação, vocês dois só convivem comigo de Espírito puro. E você se desce. Então, no degredo, é só eu. A gente está na faixa, está todo mundo ali juntinho. E o bonito, a hora que um cai, o outro ajuda, e depois aquele que ajudou cai, aí a gente ajuda ele. É isso. E a gente vai, mais ou menos, sem violência. Se Deus quisesse violência… Está lá, não é? Boa nova.
Deus usa o tempo, não a violência. Se Deus quisesse violência, Ele não teria criado o nível abitro. Então, você fala assim, Deus, quanto tempo que eu tenho para chegar no mundo celeste? Ele responde, o tempo que você quiser. O tempo que você quiser. Olha que bonito. Foi assim que Ele quis, não era? Olha só… Isso, Júlio. Só para encerrar, então. Agora, para encerrar mesmo. Açaí dele. O papo está bom. Açaí dele. Jesus chega para Públio e fala assim, Encontras, neste momento, um ponto de referência para a regeneração de todo o teu destino.
Era Ele. Você imagina? Ele estava de frente para o Cristo Planetário. Eu vou te falar uma coisa. Você já imaginou que oportunidade é essa? Você está diante de um Cristo Planetário. Encontras, hoje, um ponto de referência para a regeneração de todo o teu destino. Mas está no teu querer seguir-me agora ou daqui a milênios? Essa é a frase, ipsis literis. Está no teu querer. Ai, Haroldo, mas eu não quero sair de expiação e prova? Eu não quero. Eu quero ficar em expiação e prova. Eu quero ficar mais dez mil anos. Está bom, Haroldo.
Pode ficar. Pode ficar. Talvez não vai ser aqui na Terra, porque a Terra não é o único mundo de expiação e prova. Não é o único. Está no teu querer. Está no teu querer. Gente, se nós não entendermos isso, nós não vamos adquirir maturidade evangélica. Maturidade do Evangelho. Evangelho não se impõe. É o que o doutor Bezerra de Menezes fala na mensagem de 1964, União e Unificação. Não podemos violentar consciências. Não podemos violentar consciências. Acabou. Acabou. Então, vamos com calma. Encontrando um ser que está abaixo do seu patamar evolutivo, regra número um da frota estelar.
Não interfira na evolução. Colabora, mas não interfira. Não faz isso. Porque, senão, você está querendo corrigir a obra de Deus. Aí, você não está amando Deus. Está tudo certo, gente. Deus permite que o mal esteja nos primeiros degraus. Porque não existe mal nos últimos. Gente, o mundo celeste não tem mal. Só tem o bem. E, no mundo ditoso, o bem sobrepuja o mal. Então, a vitória suprema do bem é só nos mundos celestes. Então, está tudo certo. Por isso que Jesus, a conversa que eu já tive com Júlio, trinta vezes, a gente já lê na mensagem, é quando Jesus fala sobre o mal.
Ele fala, eu nunca fui lá. Eu nunca fui lá provocar ninguém do mal. E, se eles vêm aqui, eu me sinto digno de Deus ter enviado. Deixa o mal. Deixa ele, que para ti ele é um bem. Deixa ele. A lei divina vai desgastar e transformar todo o mal. Desgastar e transformar. A gente satura, gente. A gente satura. Você fica saturado. Chega uma hora, você fala, sabe quando você está discutindo as coisas, você fala assim, cansei de discutir. Cansei. Olha, eu estou preocupado. E se o mal for igual pão de queijo? A gente não cansa?
Cansa. Porque o que acontece? Come trinta. Aí que é bonito, não é, Júlio? O nosso DNA é divino. A nossa estrutura intrínseca é divina. Então, chega um momento, Júlio, por exemplo, de tanto você brigar, de tanto discutir, você vira aquele mineiro. Você lembra? Os três mineiros sentaram na beira da estrada, seis horas da manhã. Aí passou um carro. Quando foi nove horas, um virou para o outro e falou assim, acho que é Ford. Quando foi onze horas da manhã, o segundo falou assim, acho que é Chevrolet. Meio dia e meia, o terceiro mineiro levantou e falou assim, vou embora porque eu detesto discussão.
Isso fica saturado. Não aguento mais. Muito bem. Então, vamos… Aquilo passa a ser infantil. Você não dá conta mais. É isso mesmo. É isso mesmo. A verdade que liberta é um conjunto de coisas. É o amor que cobre a multidão de pecados. É o aprendizado que Deus… Porque nós somos criaturas advindas da perfeição. Não existe… Nós estamos em rota, Haroldo, para Deus. Não tem essa de estou fugindo. Não tem ninguém andando para longe de Deus, Haroldo. Não tem ninguém andando para longe de Deus, nunca. A gente está andando para longe de Deus?
Não. Você fez um monte de merda. Fez um tanto de coisa errada. Agora foi para longe de Deus. Quando você está lá, está mais perto de você ainda. Ele corre na estrada, vai lá, põe o anel no seu dedo, e faz, e busca, e faz isso, faz aquilo. Então, amigo, desiste de andar para longe de Deus, que você não consegue. Acabou. Eu fico pensando que tem uma teoria que é por isso que os bundos são redondos, Haroldo. Isso. Eu gosto de uma frase, Júlio, que é a do Tiririca. Ele fala assim… Ótimo, a gente vai acabar com o programa com a frase Tiririca?
Isso é o fim do mundo. Mas vamos lá, a frase do Tiririca. Cansei de fugir de mim, porque onde eu ia, eu estava. Onde eu ia, eu estava. É assim com Deus. Sabe fugir da presença divina? E tem uma coisa, hein? Tem uma coisa. Simão, os afetos da alma são laços misteriosos que nos conduzem a Deus. Deus também tem suas laçadas. Não é só os cowboy daqui, não. Não. Não é só barretos aqui, não. Que o povo pega o laço e… Não, Deus também tem seus laços. Os laços deles são os afetos da alma. Os afetos laçam a gente. E olha…
Aí você vai fazer igual Milton Nascimento. O amor, enfim, ficou o senhor de mim. E eu fiquei assim, calado, sem latim. Coisas da vida. É isso. Um beijo para todo mundo. Vamos aqui da música Deus. Uma música que eu fiz junto com o Zé Henrique Martiniano. Em cima de um poema do Adelino Fontura. Que está nesse livro aqui. Vamos lá? Beijo, beijo, beijo. Bom final de semana. Obrigada a todos. Gente, até semana que vem. Eu só tenho mais uma coisa a falar para o Haroldo. Está em teu querer, Haroldo. Segue-me agora. Ou daqui a milênios.
Quem se não Deus criou obra tamanha Pois faz-se o tempo asamplo E se não Deus criou obra tamanha Milhões e as eras onde se agitam Por milhões de esperas Que a luz, as céus, a luz Aguece e banha Quem se não Ele fez A esfinge estranha O segredo inviolável das monedas No coração dos homens e das feras No coração do mar e da montanha Deus, somente o eterno Impenetravel Poderia criar Impenetravel E o universo infinito Criaria Suprema paz Interminável piedade Que habita na eterna claridade Das torrentes da luz e da harmonia Quem se não Ele fez A esfinge estranha O segredo inviolável das monedas No coração dos homens e das feras No coração do mar e da montanha
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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