Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias continua a exploração do livro de Gênesis, focando no capítulo 6 e na narrativa do Dilúvio. O estudo, que não se detém em uma análise versículo a versículo, busca extrair os temas estruturais e essenciais do texto bíblico, conectando-os com o Novo Testamento e a visão espírita.
O que é estudado neste episódio
- Abordagem do Estudo: Haroldo Dutra Dias reitera que o estudo do Gênesis, assim como o do Levítico, foca em temas estruturais e essenciais, comparando-o a uma linha de metrô com paradas em estações fundamentais para a compreensão panorâmica do livro.
- Propósito do Estudo: O objetivo principal é recolher elementos do Velho Testamento que possibilitem uma melhor compreensão do Novo Testamento, com uma abordagem guiada pela leitura espírita e pelos princípios da Codificação e obras subsidiárias.
- Temas Anteriores: São revisitados os simbolismos da criação, de Adão e Eva, e da serpente, que são retomados por Jesus no Novo Testamento.
- Foco Atual: O Dilúvio e Noé: O estudo se aprofunda na narrativa do Dilúvio, Noé e os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, figuras centrais para a compreensão do monoteísmo judaico e suas raízes históricas.
- Leitura Não Literal do Dilúvio: É criticada a leitura literal do Dilúvio, que retrata Deus como caprichoso e destruidor. Haroldo Dutra Dias propõe uma interpretação que busca o “espírito da letra”, o sentido espiritual por trás da narrativa.
- O Potencial Divino do Ser Humano: O tema central da criatura feita à imagem e semelhança de Deus é destacado, significando que o ser humano possui o “gene da divindade” e um potencial divino. Noé é apresentado como alguém que conseguiu expressar esse potencial, agradando a Deus ao caminhar conforme Sua Lei.
- A Desobediência e a Queda: A proposta da serpente de desconsiderar Deus e superestimar o potencial humano é vista como uma “queda”, um “erro” ou “pecado” no sentido de desviar-se do alvo divino. Isso leva à desconexão com o Criador e à autossuficiência.
- A Natureza Humana e o Mal: A fragilidade biológica e a finitude humana são apresentadas como lições divinas contra o orgulho e a autossuficiência. O mal surge da incapacidade humana de prover justiça, igualdade e progresso devido ao orgulho e egoísmo, que são contrários ao bem comum.
- O Dilúvio como Lei de Destruição: O Dilúvio é interpretado como a atuação da Lei de Destruição, que não destrói o Espírito imortal, mas sim as formas materiais e humanas. É um elemento de renovação que permite o surgimento de novas construções, tanto no plano coletivo quanto individual.
- A Arca como Preservação Psíquica: A Arca de Noé simboliza a capacidade de preservação psíquica em meio às experiências da Lei de Destruição. Ela permite que o indivíduo passe pela dor e pela perplexidade, mas mantenha sua estrutura psíquica intacta, flutuando sobre as águas da adversidade.
Reflexões
- A Lei de Destruição atua permanentemente, renovando tudo, tanto coletivamente como dentro de cada coração, e não deve ser interpretada como um castigo divino literal, mas como um mecanismo de renovação e progresso.
- Noé agradou a Deus porque conseguiu expressar o potencial divino inerente a todo ser humano, caminhando conforme a Lei Divina e demonstrando a importância de desenvolver a sensibilidade espiritual para além do apego à matéria.
- A Arca de Noé representa a capacidade de preservação psíquica e espiritual diante das adversidades e transformações impostas pela Lei de Destruição, permitindo que o indivíduo, mesmo diante da dor, mantenha seu equilíbrio e orientação espiritual.
Ler transcrição do episódio
A Luz da Doutrina Espírita Olá, amigos! Estamos de volta em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. Nós estamos, especificamente, no capítulo seis do livro Gênesis. É bom que a gente diga, infelizmente, por questões de tempo e até de proveito, não seria interessante fazermos um estudo versículo a versículo do livro de Gênesis, porque isso demandaria um tempo enorme, um tempo gigantesco e nós, possivelmente, nos perderíamos em alguns detalhes e não teríamos aquela visão panorâmica do livro.
Então, nós optamos, tanto no estudo do Levítico, quem acompanhou o estudo do Levítico, percebeu isso, quanto no estudo do Gênesis, abordarmos aqueles temas que são estruturais, os temas essenciais do livro, para que, depois, cada um, individualmente, possa fazer o seu estudo e Nada impede, também, que possamos retornar no outro momento e aprofundar alguns temas ou trabalhar detidamente sobre alguns aspectos. Então, no livro de Gênesis, nós escolhemos, assim, aqueles marcos essenciais. Chegamos até a comparar o nosso estudo do Gênesis, aqui, a uma grande linha de trem ou de metrô que possui várias estações.
Então, a gente faz aquelas paradas nas estações correspondentes e, em cada estação, a gente retira aquele elemento essencial para a nossa compreensão, o que não impede que as pessoas, depois, aprofundem, leiam o texto, entrem em alguns detalhes que o tempo não permite que a gente aborde. Seguindo, então, essa nossa proposta, nós escolhemos aqueles temas que são fundamentais para a nossa compreensão do livro Gênesis. Por quê? Porque são temas que vão reaparecer no Novo Testamento e é bom que se diga. Esse é o nosso critério.
O nosso estudo do livro Gênesis, ele tem alguns propósitos, alguns objetivos. Primeiro propósito, nós estamos recolhendo do Velho Testamento elementos que nos possibilitem uma melhor compreensão do Novo Testamento. Portanto, o nosso foco aqui, o nosso propósito, é o Novo Testamento. Poderíamos, por exemplo, fazer um estudo do Velho Testamento à luz da tradição judaica, pura e simplesmente, sem nenhuma conexão com o Novo Testamento. Mas, não é essa a nossa proposta. Nós estamos aqui pescando, selecionando temas que são recorrentes no Novo Testamento e se o indivíduo, se a pessoa não conhece esses temas, ele vai encontrar dificuldade para ler os Evangelhos, ou para ler algumas cartas do Novo Testamento, outros livros do Novo Testamento, Apocalipse, etc.
Então, esse é o primeiro ponto da nossa seleção. Segundo ponto, a nossa abordagem, com quanto ela se apropria da tradição judaica, da tradição cristã, ela está orientada, ela está guiada pela leitura espírita, pelos fundamentos, pelos princípios que estão na codificação e na obra subsidiária. Então, é importante que a gente diga isso para que não crie aí falsas expectativas e para que todo mundo entenda por onde nós estamos caminhando e quais são os nossos objetivos. Pois bem, já tratamos aqui da criação, dos dias, já tratamos do simbolismo de Adão e Eva, do simbolismo da serpente, que são aspectos fundamentais que vão ser retomados no Novo Testamento, inclusive na fala de Jesus.
Jesus, em vários momentos, retomou essa tradição simbólica espiritual de Adão e Eva para dar algum ensinamento. E, Agora, exatamente nessa nova temporada, nós estamos abordando o dilúvio, a figura de Noé e depois vamos abordar outras figuras, Abraão, Isaac, Jacó e a figura de José, que fecha aí esse ciclo dos patriarcas. Optamos por essa seleção, por quê? Quando o Novo Testamento se refere ao monoteísmo judaico, eles sempre usam a expressão o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, mostrando que esse monoteísmo tem raízes históricas e ele tem uma história, ele tem uma tradição que foi passada de pai para filho, ao longo de séculos e séculos, até chegar às personagens principais do Novo Testamento.
Então, Simão Pedro, Levi, Tiago, maior e menor, João, são herdeiros dessa tradição e foram criados nesta tradição religiosa. A família de Jesus e o próprio Jesus foi criado nesta tradição religiosa, se movimentou nesse horizonte religioso, nesse horizonte de tradições e de costumes. Portanto, não há como nós desprezarmos esse horizonte, não há como nós desprezarmos essa tradição e fazermos uma abordagem anacrônica ou fazemos uma leitura desses livros, segundo a nossa cultura de hoje, porque isso seria anacronismo, um erro imperdoável em uma abordagem historicamente informada.
Não podemos fazer isso de modo nenhum. Então, aqui selecionamos a questão do dilúvio, porque ela perpassa o que nós podemos chamar de os temas centrais da Bíblia, temas centrais da Bíblia. Em temporadas anteriores, em outros episódios, nós chegamos a abordar sobre essas questões dos temas centrais. Para que a gente entenda isso? É como se você examinasse estruturalmente um edifício, um prédio. Todos sabemos que, ao ser projetado um edifício, o engenheiro, o arquiteto estabelece colunas ou estruturas que são sustentadoras da forma.
Quando você está diante de uma coluna, de uma estrutura que é fundamental, se você remove aquela estrutura, o edifício cai. Então, são colunas, são elementos que sustentam o edifício tal qual ele foi concebido. Aqui, também, na Bíblia, é a mesma coisa. Então, há alguns temas, existem temas que são fundamentais, que são estruturais. Então, a gente precisa saber quais são esses temas, saber como os autores bíblicos abordam e voltam a esses temas, porque, ao longo de séculos, eles foram dando várias abordagens a esses temas fundamentais.
A gente precisa entender isso, precisa resgatar essas abordagens feitas ao longo do tempo e a gente precisa entender como que esses temas se articulam e, por fim, entender qual é o sentido espiritual que está por trás da letra, que está por trás da palavra. Até um livro do Ben Winterton, 3, Ele diz, um livro dele que se chama Por Trás da Palavra. Por Trás da Palavra. Então, isso por trás da palavra significa o que que existe por baixo da superfície textual, da literatura, do texto em si, das frases, melhor dizendo, do texto não, das frases, das palavras.
O que que existe por trás? Há uma estrutura de pensamento que organiza essas palavras, essas frases, os livros, os textos. E isso a gente precisa ficar atento. E o tema Dilúvio é um desses temas estruturais. É muito curioso porque aqueles humoristas da internet Porta dos Fundos gravou um episódio sobre o Dilúvio, que é muito engraçado. Apesar de ser cheio de ironia, debochado, ele é muito engraçado. Então, nesse episódio, eles mostram, assim, um Deus egoísta, caprichoso, pedindo para Noé construir uma arca. Não fala muito bem para Noé o que que vai acontecer e o Noé sai construindo a arca.
Mas, o Noé tem amigos, tem pessoas ali da comunidade e Ele não pode dizer que aquelas pessoas vão morrer. Estão os coleguinhas dos filhos dele, colegas dele, amigos. Aí, fica uma situação constrangedora, porque a ironia do humor é que Noé é mais sensível, é mais humano, mais bondoso que o próprio Deus. Deus é visto como uma figura caprichosa, voluntariosa, que vai matar todo mundo mesmo e não está nem aí, não é? E, isso é interessante. Por que é interessante isso? Porque essa é a leitura literal do dilúvio. É a leitura literal.
E, é impressionante, porque várias correntes cristãs, tanto no protestantismo, quanto no catolicismo e mesmo no espiritismo, há muitos espíritas que tomam esse texto aqui e fazem uma leitura literal. Literal, literal, literal. Então, ele lê aqui e fala, nossa, um Deus caprichoso, destruidor, matou as pessoas, encheu de água, morreu, todo mundo afogado. Ele lê, assim, ingenuamente o texto, com ingenuidade. Então, assim, o nosso propósito aqui é explorar o texto, trabalhar aspectos do texto, para que a gente perca a ingenuidade.
Comece a ler o texto com mais perspicácia, buscando ali o espírito da letra, o sentido, como que o texto está sendo construído. Então, vamos retomar isso. Linhas gerais. Nós já havíamos dito que há grandes temas, então, do Velho Testamento e um dos temas, um dos grandes temas do Velho Testamento é O tema do ser humano, da criatura, que foi criada a imagem e semelhança de Deus. Então, isso significa que a criatura, o ser humano, e isso a tradição judaica vai repetir isso, o ser humano possui o gene da divindade, a marca da divindade.
Potencialmente, potencialmente, o ser humano é divino. Este é um ponto primordial que a literatura bíblica vai fazer questão de frisar. Então, como que isso é frisado aqui no capítulo 6 do Dilúvio? Isso é frisado dizendo que Noé agradou a Deus. O que que está querendo dizer aqui? Que Noé é um desses indivíduos que conseguiu expressar o seu potencial divino. Todos tinham potencial divino, mas não estavam expressando, não estavam concretizando o seu potencial. Mas, Noé, não. Noé é diferente. Noé, além de ter o potencial que todos têm, ele consegue expressar, atualizar o seu potencial divino.
E isso produz o que? Agrada a Deus. Agrada no sentido de que isso é aprovado, isso está conforme a lei divina. Isso é o agradar. Isso está em consonância com o que Deus propôs com os objetivos da criação. Este é um ponto fundamental. Outro grande tema, que é o tema da desobediência a Deus, proposta pela serpente. Então, a serpente, já abordamos isso, comentamos longamente, a serpente, ela apresenta um plano alternativo ao plano divino e, em linhas gerais, qual é o plano da serpente? O plano da serpente é esquece Deus, pega o seu potencial divino e acaba com Ele e seja apenas humano.
Seja apenas humano. O ser humano é a razão, ele é o critério, ele é a medida de todas as coisas. Então, esta é a proposta da serpente. Isso, na literatura bíblica, na perspectiva dos autores bíblicos, isso é uma queda, isso é um tropeço, isso é um equívoco, é um erro, é um pecado. Pecado, no sentido de você errar o objetivo, errar o alvo. A raiz do pecado é isso. Um erro em todos os sentidos, erro de cálculo, erro de execução, erro de projeto, ingenuidade, porque é confiar demais no potencial humano e não confiar nada no potencial divino.
Então, você superestima o potencial humano e subestima ou desconsidera o potencial divino. E, aí, nós vimos o que aconteceu. Aconteceu uma tragédia. Ao ouvirem a serpente, Adão e Eva, simbolicamente falando, são os representantes dos seres humanos que desconsideraram seu potencial divino e que desconsideraram seus vínculos com a divindade. Perderam a comunhão, perderam o relacionamento com o Criador e estão por conta própria. Estão orgulhosamente, rebeldemente, vamos dizer assim, com rebeldia, com orgulho, com prepotência, acreditando-se autossuficientes.
Então, eles se acreditam autossuficientes. Não precisamos de Deus, que nós damos conta de fazer sozinhos. Essa ingenuidade, esse orgulho infantil, essa prepotência infantil, porque ela é infantil, ela diz respeito ao Espírito ainda imaturo essa prepotência irá fazer com que, primeiro, o mal nasça. Mal em que sentido? Mal no sentido filosófico bíblico, o mal no sentido de desconexão com Deus, o mal no sentido de que eu desconsidero a lei divina e eu crio uma lei humana, em substituição à lei divina. Mas, qual é o problema disso?
O problema disso é que o ser humano, em função dele compartilhar de várias naturezas, por exemplo, nós temos um corpo físico, esse corpo físico é perecível, ele é biológico, ele tem necessidades biológicas, entre elas, a necessidade de auto-preservação. Nós temos que alimentar o corpo, temos que cuidar do corpo, temos que preservá-lo dos perigos naturais. Então, esse senso, esse sentido ou instinto de preservação biológica, ele produz em nós um condicionamento psíquico e espiritual. É a nossa natureza corporal, que a Bíblia vai chamar de carne, a natureza da carne.
Outro aspecto da experiência biológica humana é o aspecto da finitude. A gente nasce frágil, incapaz de prover a nossa sobrevivência, precisamos de pessoas que nos apoiem até que a gente adquira autonomia para cuidar de nós mesmos, mas, num determinado momento, envelhecemos, enfraquecemos e nos tornamos novamente dependentes, necessitando do auxílio de outras pessoas, até enfrentarmos a morte do equipamento do nosso corpo biológico. Sem falar, no meio do caminho, as doenças, os problemas em que a gente está sempre sendo colocados, a todo instante, numa posição de fragilidade.
Então, a estrutura do corpo físico, e aqui que é um ponto importante, porque os autores bíblicos e a tradição judaica, eles não veem o corpo físico como uma coisa mal, eles não veem a matéria como algo mal, eles não veem a nossa natureza biológica como algo ruim ou não divino, de jeito nenhum. Eles veem isso como um contraponto pedagógico para a nossa autossuficiência, para o nosso orgulho. Então, é uma lição no nosso orgulho. A nossa natureza biológica, a nossa fragilidade biológica é uma alerta, a todo instante, de que nós não podemos alimentar a pretensão de sermos autossuficientes ou de afastarmos Deus.
Essa condição humana, ela é uma lição divina, no sentido de que, olha, sem Deus, não tem jeito, sem os aspectos espirituais, não tem como avançar. Então, isso é um ponto importante aqui, muito importante, importantíssimo. Quando o mal surge, que é a incapacidade do homem de prover justiça, igualdade e progresso, justiça, igualdade e progresso, o homem, por si só, é incapaz de prover isso, por quê? Porque, em função da sua natureza biológica, em função de uma série de condicionamentos, ele é orgulhoso e egoísta. Orgulhoso no sentido de que ele se acha melhor do que os outros, sempre, porque ele tem uma vantagem, porque ele é mais alto, porque ele é mais forte, porque ele é mais bonito, porque ele é mais rico, não importa.
Ele se sente melhor que os outros e egoísta no sentido de que ele quer se apropriar primeiro para ele, primeiro para mim. Se tiver para o outro, bem, se não tiver, problema do outro. Então, essas duas forças psíquicas, orgulho e egoísmo, são contrárias a qualquer proposta de igualdade, de progresso e de justiça. Por isso que quem garante a justiça, o progresso e a igualdade no universo é Deus, porque Deus trata todos os seus filhos de modo igual, com igualdade. Deus preserva o bem comum Então, o mal, aqui, como está lá no livro Ação e Reação, nas palavras do ministro Sânzio, o mal, aqui, é o bem só para mim.
Esse é o sentido do mal. O mal é tudo de bom, mas só para mim. E o bem é tudo de bom, mas para todo mundo. Esse é o desafio da humanidade. Esse é o desafio desde o surgimento do primeiro Homo Sapiens. Quer dizer, surgiu o Homo Sapiens, criou esse desafio, o bem pessoal e o bem comum. E nós já passamos por vários regimes políticos, econômicos, sociais, religiosos e não conseguimos resolver isso. Por que não conseguimos resolver? Essa é uma discussão bíblica. A discussão é que o homem é incapaz de resolver isso se não estiver em comunhão com Deus.
Ele é incapaz de resolver isso. Primeiro ponto. Segundo, ele é incapaz de resolver isso apenas em uma perspectiva biológica ou material. Ele precisa de uma revelação, de um aporte espiritual para que ele consiga dar conta de abordar e de resolver esses problemas. Então, esse é o tema bíblico. Então, o tema do dilúvio, aqui fala em Deus viu que a maldade se multiplicava, porque o tema do dilúvio significa o quê? Todo mundo aqui buscando o seu próprio bem. Então, entra em um caos. Quando entra em um caos, significa que a maldade atingiu um estágio que torna impossível a continuidade.
Então, não dá mais para prosseguir. Você chega em um travô. É como um trânsito que tem tanto veículo que aí não anda mais, fica todo mundo parado. Travô. Isso é o dilúvio. Essa é a situação do dilúvio. E, aí, o que acontece? O que o dilúvio vai trazer é uma experiência da lei de destruição, porque a lei de destruição é uma lei. E, vamos entender bem, o Espírito pode ser destruído, o Espírito imortal? Não. Não, por isso que Ele é imortal. O Espírito pode adoecer, Ele pode viver situações terríveis, sofrimento, de angústia, de loucura, mas, ser destruído Ele não pode.
O Espírito é imortal. Ele é indestrutível. Então, o que que destrói? Onde que a lei de destruição atinge? A lei de destruição atinge formas. A lei de destruição atinge o que é material, o que é humano, não o que é divino, porque o que é divino é eterno. O que é de Deus é imperecível. Então, a lei de destruição é o elemento de renovação. Não é? Ela faz com que tudo que seja forma se acabe para que surjam novas construções. Isso é o que é o dilúvio. O dilúvio, você diz, nossa, mas eu nunca tinha pensado nisso, eu achei que era Deus mandando uma água e matando todo mundo.
Claro, gente, como que há 3.000 anos atrás, um escritor ia narrar esse princípio da lei de destruição? Com essas palavras que eu estou falando aqui, agora? Como é que alguém ia falar isso, há 3.000 anos atrás? Então, eles contavam uma história e cercavam essa história de elementos do seu entorno, da sua cultura. Não tem como a gente querer que pessoas de 3.000 anos atrás falem e se expressem como nós, hoje. Então, nós que temos que adaptar, nós que temos que fazer o esforço de interpretar, de retirar o espírito da letra, retirar a essência.
Mas, é disso que o dilúvio fala. O dilúvio fala desses movimentos na evolução do orbe e do individual, porque a evolução do orbe e a evolução individual, ela é supervisionada. Supervisionada, isso mesmo. Muita gente que acha estranho isso fica assim, mas, gente, isso está lá no livro da Gênesis, no capítulo Deus, no item Providência Divina. Está lá. Kardec escreve sobre isso. Está muito claro lá. A providência divina supervisiona nos mínimos detalhes. Inclusive, está dito lá para Kardec, nos mínimos detalhes. A tradição judaica já falava disso também, que há uma supervisão divina individual.
Cada indivíduo é supervisionado nos elementos da sua vida. Há um acompanhamento e a obra subsidiária está rica de exemplos com relação a isso. Não precisa a gente… e isso é da nossa experiência. Uma criança está lá aprendendo, mas, tem um professor, tem uma orientadora pedagógica, tem um coordenador. É natural. A evolução é supervisionada. Nessa supervisão, nós vamos perceber aqui o quê? Experiências que vêm renovar. Mas, renovar de uma maneira mais intensa. Renovar através de processos de instituição. Acaba. Então, instituições acabam.
Acabam relações, porque desencarna alguém. Então, tem um casamento maravilhoso, aí, um desencarna. Acabou. Acabou. Renovou. Você está aqui, uma família, um membro desencarna. Mudou. Mudou tudo. Então, a experiência na encarnação, ela é uma experiência sujeita a esses elementos de profunda renovação, que destrói na forma. Destrói na forma. Porque, do casal lá, um desencarnou, mas, eles se encontram, ainda, unidos espiritualmente. Mas, como nós estamos tão mergulhados na matéria, nós não temos mais sensibilidade para perceber vínculos espirituais.
Nós não percebemos mais. Muitos, nós entramos em desespero, não é? Nós não estamos preparados. Eu, pessoalmente, não me sinto preparado para perder certas pessoas das minhas relações afetivas. Preciso, ainda, treinar em mim isso, não é? Preciso desenvolver essa sensibilidade espiritual. Não estou preparado, ainda, de tão apegado na carne. Então, isso é natural. E, o Dilúvio vai falar disso. Mas, o Dilúvio também fala de elementos de preservação. E, essa é a grande lição do Dilúvio. Então, quando você estiver em meio a uma experiência da Lei de Destruição, quando o cenário em que você se movimenta estiver se alterando, como que você faz?
O que você deve fazer para preservar-se psiquicamente, para sobreviver? Mas, não é sobreviver biologicamente, é sobreviver psiquicamente, entende? Porque, às vezes, olha só, às vezes, o Dilúvio acontece assim. Você está aqui na sua família, está tudo, aí você desencarna. Fica tudo igual para quem fica, mas, mudou. Você que desencarnou. Aí, você chega no mundo espiritual, porque você é imortal, e você entra em desespero, entra em desequilíbrio. Por quê? Porque você morreu? Não, ninguém morre. Você entra em desequilíbrio, em desespero, porque aquela estrutura que você vivia foi desmontada, foi desarticulada, então, houve um processo de renovação.
Então, para você, ocorreu o Dilúvio. Tudo mudou. Para os outros, também, que ficaram, claro, perderam você. A questão é que a gente fica achando que o Dilúvio é só perder alguma coisa biológica, morrer, morte, destruição, mas, nesse sentido, você chega no mundo espiritual, está vivo, percebe que você é imortal, mas, entra em desespero, por quê? Por que você entra em desespero? Porque aquela vida que você vivia, você não vai viver mais. E, agora, você está sendo conclamado, conclamado, ninguém te perguntou, não chegou para você e falou assim, você aceita mudar?
Não, mudou. Ponto final. Aconteceu. E, agora, você vai ter que construir uma nova vida. Isso é Arca. Isso é Arca. Aqui, bastante atenção nisso. O Dilúvio veio para todo mundo, inclusive para o Noé, inclusive para o Noé. A vida dele foi destruída, o lugar que ele vivia, a comunidade, as relações, tudo. Mudou tudo. Aquela vida que ele tinha acabou, mas, ele tinha Arca. Ele construiu uma Arca. Ninguém mais construiu Arca, só ele. Então, vamos lá, recapitulando. Nós estamos falando de um tema central, um grande tema, que é o tema do Dilúvio.
O Dilúvio é a lei de destruição agindo no plano dos encarnados. A lei de destruição, quando ela age no plano dos encarnados. Quando ela age, vamos pensar aqui, cadê o Império Romano? A lei de destruição agiu, acabou o Império Romano. Cadê o Império Grego Macedônico, Alexandre o Grande? Acabou. Cadê o Império Assírio-Babilônico, que foi gigantesco? Acabou. Cadê o Império de Gengis Khan? Acabou. Cadê a China Imperial? Cadê a Índia dos Mahatmas? Acabou. Cadê o Egito? Então, a lei de destruição, ela age no plano dos encarnados.
Quando ela age, ela altera o cenário todo, altera tudo. E, isso é percebido por nós como destruição. Destrói para ser reconstruído. É como você demolir uma casa, você pode aproveitar a madeira de demolição, as pedras, tijolos. Mas, quando você for construir, é outra coisa, não é mais aquela casa. Não significa que você vai descartar todos os materiais. Não vai. Por exemplo, muita coisa do Império Romano veio até hoje. O direito romano, a estrutura do exército, a cultura, tanto de coisa que nós aproveitamos do Império Romano.
Mas, o Império Romano acabou. Acabou. Então, pensa aí, a família dos seus bisavós. Pensa nos seus bisavós. Eles estavam lá, tinham marido, mulher, filho, filha, primo, tio, tia, tinham emprego, tinham a casa. Cadê? Acabou. Acabou. Acabou tudo. Renovou. Renovou. E, isso vai acontecer conosco. Conosco. Então, o seu emprego, a sua família hoje, a sua estrutura, tudo, tudo. Daqui 150 anos, não tem mais nada. Acabou. Acabou tudo. Mudou tudo. A lei de destruição, ela é cíclica, ela atua, ela vai atuando permanentemente. E, às vezes, ela atua de um modo mais intenso, intenso no sentido de vem e muda.
Porque você fica atordoado. É o dilúvio. Este é o dilúvio. O dilúvio você enfrenta com arca ou sem arca. Com arca, você se afoga, você se perde. Perde a sua estrutura psíquica, perde o seu equilíbrio, perde a sua orientação espiritual, você se desespera. E, as águas te engolem. Com a arca, você sofre a perda, você sente a dor, importante dizer isso, você vê tudo sendo destruído, mas você se preserva psiquicamente. A sua estrutura psíquica é preservada e você passa pela experiência dolorosa, passa por ela, sente a dor, sente tudo, mas a experiência dolorosa não te traga, ela não te puxa para baixo.
Você flutua por ela com toda a dor, com toda a perplexidade, com todo o medo, com tudo, com tudo, mas você passa por causa da arca. Então, o que é a arca? Esta é a grande pergunta, este é o grande ponto. E, no próximo episódio, nós vamos falar, então, da arca. Vamos aprofundar melhor esta questão do dilúvio, individual e coletivo, porque este dilúvio acontece na vida dos indivíduos e na vida das comunidades e, às vezes, na vida do orbe. Por exemplo, agora, nós estamos à beira de um dilúvio planetário, do orbe inteiro.
Mas, a natureza é a mesma, o individual, a comunidade, o planetário é a mesma estrutura, a estrutura é a mesma. Resta, nós, então, saber o que é a arca e o que a arca faz por nós, pela nossa estrutura psíquica. Então, isto nós vamos ver no próximo episódio. Nos acompanhe aí, deixe as suas sugestões, perguntas e vamos prosseguindo nas nossas reflexões. Até o próximo episódio. Legendas pela comunidade Amara.org Há um plano de unidade na criação, unidade de propósitos, unidade de vistas, unidade de objetivo. Por quê? Porque Deus é um.
Deus é um. O autor da criação é um.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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