PodSER #022 – Os Manuscritos do Mar Morto

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Prepare-se para uma viagem fascinante ao passado, onde os segredos milenares dos Manuscritos do Mar Morto são desvendados! Neste episódio especial do PodSER, mergulhamos nas profundezas da história e da espiritualidade, explorando a importância desses documentos para a compreensão do judaísmo e do cristianismo primitivo.

Acompanhe Thiago Franklin, Irmã Aila, Julio Corradi e Haroldo Dutra Dias em uma conversa esclarecedora, que nos leva de volta a Fortaleza para desvendar os mistérios de Qumran e a comunidade dos essênios. Será que eles eram os guardiões desses escritos sagrados?

Neste episódio

  • A importância dos Manuscritos do Mar Morto para o estudo bíblico.
  • O processo de descoberta, tradução e os desafios enfrentados na divulgação dos textos.
  • A vida e os costumes da comunidade de Qumran, e sua relação com os essênios.
  • Paralelos e divergências entre os ensinamentos dos Manuscritos e o Novo Testamento.
  • A expectativa messiânica e a figura de João Batista à luz desses documentos.

Participantes

  • Thiago Franklin
  • Irmã Aila
  • Julio Corradi
  • Haroldo Dutra Dias

Destaques

  • A Irmã Aila explica como os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947 e totalmente traduzidos em 1997, revelam um ambiente cultural, religioso e histórico do tempo de Jesus e Paulo, oferecendo uma visão autêntica de textos que permaneceram intocados por dois mil anos.
  • Haroldo Dutra Dias ressalta que os Manuscritos resgatam uma parcela significativa da tradição oral e ampliam nosso conhecimento sobre o judaísmo do primeiro século, mostrando como as respostas do Novo Testamento podem ser melhor compreendidas a partir das questões da época.
  • A discussão aborda os desafios da divulgação dos textos, incluindo a fragmentação por beduínos, a dificuldade de montar textos inéditos e a ganância de pesquisadores como Marco Allegro, que publicou literatura sensacionalista e controversa.
  • A Irmã Aila desmistifica a ideia de que Jesus ou Paulo viveram com os essênios, explicando que, embora haja paralelos entre os ensinamentos, não há evidências nos Manuscritos que comprovem essa ligação, e que a honestidade intelectual exige que não se tire conclusões que os textos não sustentam.

Ler transcrição do episódio

Há de nascer, nova era de crescer Novo homem, coração de quem quer servir É prosperir, novo verbo é burilar O íntimo colorindo o céu de um novo ser Olá pessoal, estamos iniciando mais um episódio do Pode Ser. Aqui é Tiago Franklin e quando eu tenho saudades eu volto pra Fortaleza. Olá pessoal, aqui é Arudo Dutra Dias e hoje a minha frase é a seguinte Estava com muita saudade da Nova Jerusalém, do lar da nossa irmã Ayla. Aqui é Júlio Corrade e a minha frase é Obrigado Senhor. E aqui é a irmã Ayla. Céus e terra escutarão seu Messias e tudo que neles está não se apartará dos preceitos santos e sobre os pobres pousará o seu espírito e aos fiéis renovará com sua força.

Apocalipse messiânico encontrado na caverna 4 de Qumran. Olha só! É isso aí pessoal, estamos aqui de volta em Fortaleza e o episódio que vamos falar hoje é sobre os manuscritos do Mar Morto. Cedo assim vamos para mais um episódio do Pode Ser. Então vamos lá pessoal, estamos aqui em Fortaleza repetindo aquele quadro maravilhoso vendo aqui o mar com uma brisa deliciosa. E como o objetivo hoje é falar sobre os manuscritos do Mar Morto, a irmã Ayla tem um estudo muito bacana sobre isso. Então já vamos começar com a primeira pergunta aqui.

Qual que é a importância dos manuscritos do Mar Morto para o estudo bíblico irmã? Bem, a primeira coisa que a gente tem a dizer é que os manuscritos foram encontrados em 1947 só vieram totalmente, só foram terminados de traduzir e publicado por completo em 1997, 50 anos depois. E a importância porque revela um ambiente cultural, religioso, histórico, biográfico do tempo de Jesus e de Paulo. E dos que escreveram o Novo Testamento. Então foram documentos que ao longo de dois mil anos não foram vistos nem tocados. Então eles estão tal qual foram escritos.

Eles são anteriores a qualquer texto do Novo Testamento. E por isso o que tem lá que a gente consegue ler e o que eles mencionam sobre o que estão vivendo da época revela de forma que não tem outro jeito. Que só tínhamos isso a partir do Novo Testamento e se tinha uma desconfiança no Novo Testamento por parte daqueles que não são cristãs, havia uma desconfiança de que os textos do Novo Testamento tinham inventado muitas coisas que essas coisas não poderiam ter acontecido. E agora nós temos uns textos que também algumas pessoas diziam que houve vários acréscimos no Novo Testamento que não merecia confiança porque enquanto se copia vai também tirando, aumentando um ponto, retirando.

E esses não foram copiados ao longo de dois mil anos. Os cristãos não viram, não tocaram, não mexeram. Então tudo que tiver lá escrito revela aquela época mesmo que eles viveram. Primeiro ponto é isso aí. Outra coisa é que há alguns paralelos entre o que eles dizem e as coisas que Jesus diz, o texto de Paulo. E esses paralelos fazem parte de um judaísmo prévio aos dois, quer dizer, um ambiente da época mesmo. E também há algumas coisas que podem nos ajudar, que Jesus diz lá no Evangelho de Mateus Foi dito, eu porém vos digo.

E a gente não sabia por quem foi dito, foi dito por quem. Será que foi escrito na Torá? Nem tudo que ele disse foi dito, estava escrito no Antigo Testamento. Então foi dito por quem? Agora a gente já sabe por quem foi dito. Foi dito pelos que escreveram o documento de Cunhã. E a gente não sabia algumas coisas. O que foi dito? Por exemplo, foi dito, amarás o teu amigo e odiarás o teu inimigo. Eu porém vos digo, amarás o teu inimigo. Então foi dito por quem? Na Torá não é porque não manda odiar o inimigo. Foi dito por quem?

Agora a gente sabe. Foi dito pelos que escreveram os manuscritos. Diz, odiai o inimigo de Deus, odiai com toda a tua força, porque ele odeia Deus, merece teu ódio. Então são esses paralelos que nos ajudam a entender o Novo Testamento. A Hila, isso é interessante porque é difícil para nós que estamos no século XXI, 2013, porque nós temos o que eu poderia chamar de a miopia Gutenberg. O fato de haver a imprensa, de estar acostumado com livros escritos, nos torna miopes, sem visão para avaliar, por exemplo, o primeiro século, que foi o século que viveu Jesus, os apóstolos, onde a força estava na tradição oral, naquilo que era ensinado, no que as comunidades transmitiam, no que as pessoas aprendiam através dos sábios.

E o interessante dos manuscritos do Mar Morto é que eles resgatam uma grande parcela dessa tradição oral e revelam um quadro do judaísmo que não era conhecido até então. E pela antiguidade dos manuscritos, e por isso que você falou da força da preservação deles, a gente pode dizer que o nosso conhecimento do judaísmo aumentou depois dos manuscritos do Mar Morto, não é? Sim, nosso conhecimento do judaísmo e também alguns aspectos do cristianismo, que nós liamos, mas nós não entendíamos. Uma vez eu dei um exemplo, quando às vezes gravam as minhas palestras em áudio, algumas pessoas não vão e querem de alguma forma ter acesso.

Então, acontece muito de alguém fazer uma pergunta lá no fundo da sala, e aí a pessoa que não esteve presente, está ouvindo só o áudio, não escuta a pergunta, escuta só a minha resposta. E aí ela depois reclama, olha, eu sei que você está respondendo uma pergunta, mas eu não sabia qual era a pergunta, por que você não repete a pergunta? Mas nem sempre eu estou naquela situação de passar o conteúdo, me lembro de repetir a pergunta. Então, muitas coisas que estão no Novo Testamento, são respostas a questões da época, a questões de coisas que são ditas, e que Jesus quer tomar um posicionamento, quer ajudar os seguidores dele a se posicionar em relação a isso que está sendo falado, isso que está sendo divulgado.

Então, a gente fica com a resposta sem saber das questões. Agora, os documentos do Mar Morto, como estiveram lá durante dois mil anos, e eles falam sobre uma porção de coisas, então, nós agora temos algumas questões que podem ter sido feitas aos discípulos, coisas que eles ouviram, ou que Jesus ouviu, e quer tomar uma posição a respeito dessas coisas. Então, ele nos ajuda a entender também o cristianismo. E é interessante, né, Ayla, contando um pouco da história, que eram pastores que estavam andando por aquelas cavernas, uma das ovelhas entrou em uma caverna, um desses pastores jogou uma pedra lá dentro, quando ele viu um barulho de alguma coisa se quebrando, como um vaso, e entrou e descobriu parte de vasos, que esses manuscritos eram guardados em vasos.

Então, eles estavam em uma preservação incrível. E o que você falou, ficou aí quase dois mil anos guardados naqueles vasos, sem que ninguém tivesse acesso, sem que ninguém pudesse alterar ou deturpar, e aí preserva a história de dois mil anos, nesses textos, né, Ayla. Mas, conta um pouquinho, Ayla, porque parece que não foi muito simples a divulgação desses textos, né? Por que de 47 a 97? Por que 50 anos para vir a público a pesquisar os estudos? Muitos fatores estiveram presentes. Alguns são compreensíveis, porque muitos fragmentos que foram encontrados, muitos textos estavam inteiros e foram fragmentados pelos beduinos para poder ganhar dinheiro.

Então, alguns fatores do atraso são compreensíveis e são fatores que não são de ordem moralmente incorreta, como, por exemplo, traduzir textos que antes têm que ser montados, porque algumas pessoas pensam que todos os manuscritos encontrados eles estavam inteiros. É como se você fosse a uma biblioteca e pegasse um livro e tivesse só que traduzir. E não aconteceu isso. Alguns eram fragmentos, o da Caverna 4, que é a caverna que mais tinha, era possivelmente a biblioteca deles, entrou correnteza de água, houve um buraco, e durante esse tempo todo a água passou e estragou muita coisa.

E também os beduinos, quando eles souberam que havia interesse que iam pagar, porque fizeram uma coisa errada, não os estudiosos, as instituições que estavam financiando, não entendiam a cultura dos beduinos. Então, para agilizar as descobertas, ofereceram dinheiro por cada texto encontrado. Então eles encontravam o livro inteiro e rasgavam em vários pedaços para ganhar 5 dólares de cada pedaço. Então, o que era inteiro começou a ser fragmentado. E isso aí, então, quando se trata de texto bíblico, que aqueles estudiosos tinham muito conhecimento, trabalhavam com texto bíblico, não houve dificuldade para montar tanto o quebra-cabeça.

Mas com textos inéditos, a maioria dos textos eram inéditos. Então, como montar textos inéditos? Eu não sei o que está escrito. Então, como é que eu vou saber que isso aqui é a continuação daquilo que está ali? Então, foi muito difícil. Então, isso aí é compreensível. Agora, teve outros fatores, como a ganância de um dos pesquisadores, Marco Alegro. Por exemplo, começou a fazer uma literatura sensacionalista. Antes de um texto diferente, o texto de cobre, ser traduzido, ele mencionou que o texto era sobre um tesouro, um tesouro muito valioso.

Então, os caçadores de tesouro começaram a cavar o local. Foi gente lá achando que tinha tesouro mesmo. Procurando tesouro e atrapalharam as escavações, a encontrar realmente os manuscritos. Isso é importante, né, Hilda? Porque a gente já vê que já no início da pesquisa, já surgem pessoas de dentro da pesquisa com interesse especulativo, querendo publicar livro fantasioso, e que muita gente hoje repete essas fantasias, achando que é literatura científica. Inclusive, veio um aluno pra mim com um livro sobre os manuscritos do Mar Morto, escrito por esse estudioso, Marco Alegro.

Ele era de Londres, mas ele tem descendentes de italianos. E eu disse, olha, esse texto não é bom. Ele é literatura sensacionalista. E o aluno jogou na minha cara assim, mas ele fazia parte da equipe. Aí eu até brinquei, Judas Iscariot também fazia parte da equipe de Jesus. Por quê? Porque ele resolveu ganhar dinheiro e ficar famoso. E o Marco Alegro, enquanto ele disse que tinha texto sobre Paulo, que Paulo e Jesus tinham sido dessa comunidade, enquanto ele inventou, enquanto ele falou várias coisas, ele foi aceito e ninguém questionava.

Ah, então essas informações não são verdadeiras, essas informações de que tem texto de Paulo… É, que tem texto de Paulo que é pura cópia deles, que o cristianismo é uma invenção baseada nesses textos, aí os autores do Novo Testamento inventaram essas coisas todas. Então ele publicava isso e a comunidade científica também não sabia o que tinha nesses manuscritos e ia aceitando. Aí ele só parou mesmo essa literatura sensacionalista, chegou à ruína dele, porque ele disse algo que a comunidade científica mesmo bateu contra ele.

Que enquanto foram as denominações cristãs dizendo que não era assim, inclusive os outros colegas foram a Londres, deram entrevista coletiva na BBC dizendo que não era bem assim, que eles não confirmavam nada, eles ficaram sob suspeita e o Allegro ficou como dizendo a verdade. Mas só que ele escreveu um livro em inglês que é O Cogumelo e a Cruz. Então esse título O Cogumelo é o cogumelo que vai fazer um efeito dopante, de droga. Então ele diz o seguinte, que desmontando algumas palavras de textos encontrados, de textos aramaicos encontrados nos textos de Cunhã, se desmontasse essa palavra e chegasse ao radical dessa palavra, se ia ver que o cristianismo não passava de uma religião que foi inventada e que se baseava em ritos que se tomava componentes de plantas e ficavam estáticos, seria a explicação para aqueles carismas.

Para drogado. Quer dizer, o cristianismo era… Fruto de alucinógenos. Alucinógenos. E aí ele diz que começa, a dica está naquilo que dão para Jesus na cruz, que oferecem o vinagre misturado com o fel, que isso aí seria a dica. E que o cristianismo, essas coisas de pentecortes, essas coisas todas que tem, não passa de rituais antigos alucinógenos para saber a vontade de Deus. Bom, na parte religiosa dessa colocação toda desse livro, os cientistas não questionaram, mas os estudiosos do Aramaico bateram contra ele, porque disseram que esse estudo dessas palavras que ele fez, não dava para concluir isto.

Aí a comunidade científica mesmo, foi a ruína dele esse livro, Cogumelo e a Cruz. Aí a comunidade científica… Eu possivelmente deve ter usado o cogumelo para escrever o livro. Mas aí essa literatura sensacionalista, e também aquilo que eu não posso deixar de dizer, a situação do Vaticano na época. Porque o Vaticano, isso aí tudo em 1947, foi anterior às mudanças que a Igreja Católica passou. Então quando começaram a haver paralelos entre os textos e algumas frases de Jesus ou de Paula, a Igreja se assustou. E aí o que acontece?

A Igreja Católica… O Vaticano não tinha jurisdição sobre os documentos, não pertencia a ela, mas sempre por influência fez que os responsáveis, os coordenadores da equipe de pesquisadores, tanto para encontrar como para traduzir, encontrar, montar o quebra-cabeça e traduzir. Então fez com que sempre ficasse sob a orientação dos frades dominicanos, responsável pela Ecole Biblique, que é uma faculdade deles lá em Jerusalém. Famosa inclusive. Eles eram capacitados para isso, porque eles conheciam o ambiente, eles viviam lá em Jerusalém, naquela época anterior ao Estado de Israel.

E há muitos anos tinha essa faculdade famosa lá. E um grande estudioso, Roland de Vaux, era capacitado para isso, mas claro que os frades eram fiéis ao Vaticano. E o que aconteceu foi que atrasou, porque primeiro eles foram fazer uma retradução da Bíblia, que hoje é conhecida como Bíblia de Jerusalém. O mesmo responsável pela equipe de tradução dos manuscritos foi o mesmo responsável pela tradução da Bíblia de Jerusalém, que foi uma tradução melhorada e com notas, uma Bíblia de estudo, para que o católico pudesse não se assustar caso alguma coisa.

As pesquisas viessem. Viessem. Uma Bíblia feita preparando já o espírito para o que poderia vir. E aí fizeram o Conselho Vaticano II, retiraram o latim de dentro da missa, pediram que cada católico assumisse a Bíblia e o estudo bíblico, e foram fazer uma mudança na igreja primeiro, de abertura, para que quando a coisa… Claro que nada disso é escrito em lugar nenhum, a gente vai deduzindo as coisas. Vai conectando os fatos. Conectando os fatos. Então fizeram abertura na igreja, fizeram em todos os sentidos uma abertura para a ciência.

É incrível que o Vaticano II é uma abertura para a ciência. É de fato um concílio sensacional. Sensacional, abertura para a ciência, para deixar que a ciência nos ajude a entender a Bíblia, nos ajude a entender Jesus… E isso aí por quê? Porque agora os cientistas vão daqui a pouco publicar alguma coisa sobre essas pesquisas, e para não pegar ninguém desprevenido. Então isso aí foram segurando, e também porque algumas pessoas tiveram que… Houve conflito, né? Alguns abandonaram, outros foram substituídos, porque foram ficando mais idosos, né?

O Rolandevou faleceu, e no lugar dele outro fralde assumiu, o Benoit também, que era muito capacitado. Então todas essas coisas foram acontecendo, são diversos fatores, eu estou citando alguns, que eu estou me lembrando agora. E esses aí, por exemplo, a questão do Vaticano, foi uma coisa assim que… Quer dizer, não é a mesma coisa de ter que, com o mesmo nível de moralidade, de ter que montar textos desconhecidos. Não é desculpável, assim como as outras coisas. Não foi bem conduzido. Não foi bem conduzido. E Israel não se posicionou também de uma forma…

Pertencia à Jordânia. Ah, pertencia à Jordânia. Quando foram descobertos, pertencia à Jordânia. Aí teve a guerra de dependência de Israel, aí foi que Israel ficou à frente disso. Aí os manuscritos passaram a propriedade de Israel. E aí os antissemitas, porque tinha pesquisadores, dois dos Estados Unidos, dois da França, dois da Alemanha, e só não tinha de Portugal, Espanha, e da Itália não precisava, porque já estavam os católicos lá, da de Jerusalém já eram, dos dominicanos. Então, em Portugal não tinha estudiosos do aramaico nem do hebraico, mas na Espanha tinha, e não entraram de início, a Espanha foi boicotada.

Mas aí quando esses que são mais de linha, mais conservador e antissemita, quando tem o erro católico tem o erro protestante, que detestava os judeus, então eles não queriam estar sob a autoridade, não reconheceram, eles pertenciam a algumas nações que não reconheceram o Estado de Israel, a independência de Israel, e não queriam trabalhar para Israel, dificultaram bastante as coisas também, no início. Então, tudo muito complicado. Tem toda uma questão política, ideológica e religiosa por trás, mas chegou um momento em que a montagem e a descoberta das cavernas cessou.

Cessou. Descobriu-se, conseguiu-se de certo modo. Quem mais descobriu as cavernas não foram os arqueólogos, eles viram alguns locais como inacessíveis, e aí eles não, lá não deve ter nada e é muito difícil chegar lá, mas os beduínos estavam interessados no tesouro e no dinheiro também, que dava para encontrar os manuscritos, então eles encontraram quase todos. Então, já na década de 50, que começou em 47, então por 53 por aí já tinham encontrado 11 cavernas, e aí não tem mais condição de estar em nenhuma outra caverna lá, dificilmente estaria, já várias gerações já tentaram encontrar alguma coisa depois, a Discovery Channel faz uma propaganda muito grande que vai, hoje nós vamos ver um episódio que vamos encontrar alguma coisa, mas não encontra nada porque é só uma coisa de TV mesmo, não tem mais nada para encontrar.

Aí, e o que tem de substância nesses textos? Você falou em biblioteca, que era a biblioteca deles, quais são os textos que tem nesse acervo? Então, a primeira coisa que tiver também que lidar com o ceticismo, é que alguns se posicionaram quando encontraram os primeiros manuscritos, esses aí que o Haroldo falou, teve certo que disso aí, eu não acredito que exista manuscrito com 2 mil anos, porque não seria preservado. Ah, pois é, outra coisa, antes de você responder, explica para a gente o que é um manuscrito? É porque é copiado a mão em papiro, que é um material vegetal muito frágil, e em pergaminho, que é material couro de animal trabalhado para isso.

Então, com a tinta artesanal muito bem feita, que pode durar para sempre, as dificuldades que tem nos manuscritos não é porque a tinta apagou, é porque tem um buraco, quer dizer, o material em que foi escrito que deteriorou, e não a tinta. A maior parte está em pergaminho, material de couro de animal, dentro de jarras lacradas com betume, betume encontrado boiando no mar morto, que tudo boia no mar morto, nada afunda, né? Então, como tinha betume, depois essas correntes de petróleo, esses derivados, e eles lacravam, eles fabricavam nas ruínas, depois a gente fala sobre as ruínas, tinha uma parte lá que é para fazer cerâmica, eles fabricavam os potes de cerâmica, as jarras, escreviam, colocavam aquilo que eles tinham escrito lá dentro das jarras e lacravam com betume, e colocavam na gruta para ficar preservado.

Porque eles esperavam uma guerra em breve, eles mencionam que exércitos de seres espirituais, do bem e do mal, vão entrar numa guerra, e os seres humanos também vão estar nessa guerra, uns alistados no exército do bem, outros alistados no exército do mal. Quando terminasse essa guerra, aí então o mundo estaria reorganizado de forma diferente, sem opressão, sem pobreza, e para reorganizar o mundo eles precisavam de livros, de livros que pudessem dizer como reorganizar o mundo. Então eles escreveram, eles copiaram a Bíblia inteira, exceto o livro de Estep, porque eles não concordam que uma judia se case com um rei estrangeiro, o rei estrangeiro é sempre odiado, então eles não copiaram o Estep, o Estep não tem condição de ser copiado.

Eles fizeram interpretações dos textos bíblicos, e também eles escreveram canções, poemas, eles eram assim, tipo Gladysson, eles reescreveram textos bíblicos em poesia, e eles também escreveram regras de comportamento, tem a regra da comunidade, que é como eles no dia a dia devem, parece que essas regras de mosteiro como nós temos a nossa, e outras casas religiosas tem, suas regras do cotidiano, desde como se alimentar, que hora tomar o banho e tudo mais tem, e tem vários outros tipos de regras, regras para como se comportar para entrar nessa guerra, nessa guerra do bem contra o mal, tem regras para tudo também, então são muitos textos mesmo, 900 tipos de textos, sem falar das cópias, gêneros literários, como se você fosse encontrar um exemplar de cada coisa, tem 900, aí tem as cópias, além desses exemplares, então a maioria era em pergaminho, mais durável, e também por causa do lugar onde estava, com baixa umidade, que é lá próximo ao mar morto, ajudou a conservar, sem morfo, sem nada, e o fato de estar lacrado.

No primeiro momento teve uma dúvida quanto à antiguidade desse manuscrito, precisou ser feito um estudo científico, científico, para provar que era, inclusive provou que era mais do que 2000 anos, porque tem textos até de 250 antes de Cristo, por exemplo, o rolo de Isaías, que é um famoso, que é uma cópia do Isaías, inteira, sem faltar nada, 54 colunas, e que ajudou muito a pesquisa bíblica, porque as diferenças com o texto que foi sendo copiado ao longo de 2000 anos, é coisa mínima, é coisa mínima, por exemplo, nosso texto atual tem lá um canto que é os anjos dizendo santo, santo, santo, quer dizer, três vezes, né, santo, e nesse de Isaías encontrado em Corrão tem assim, santo, santo, só duas vezes, bom, isso não faz diferença nenhuma, então é mínima, para um texto que foi sendo copiado, então, ao contrário do que se dizia, a Bíblia é confiável, ela não faz mudanças.

Esse rolo de Isaías, ele é, foi datado bem antes de Cristo, bem antes de Cristo, é um texto bem antigo mesmo. Aqueles livros que são muito importantes, tem várias cópias, uma das questões, porque eles vivem de forma diferente do judaísmo que a gente conhece, era se eles tinham sido judeus ou não. Um dos argumentos que a gente tem que dizer isso, por que eles eram judeus primeiro, porque os livros mais copiados são do Pentateuco, a Torá, depois, porque tem um livro só sobre, Cântico do Sacrifício Sabático, tem coisa só sobre sábado, muita coisa sobre sábado.

Outra coisa, os Rituais de Purificação em Água, eles estão no deserto, e eles têm cisternas enormes, cisternas que hoje em dia a gente ainda fica admirado, lá não chove, eles conseguiam coletar toda a enxurrada que vinha, porque lá é o lugar mais baixo do mundo, era uma cratera, toda a água que caia ali em Jerusalém, corre em direção a, toda ali aquela região de Israel, corre em direção ao Mar Morro, É porque está abaixo do nível do mar. Está muito abaixo do nível do mar, e aí eles coletavam essas águas em cisternas, e iam transportando de uma cisterna a outra por decantação, uma cisterna mais baixa do que a outra, o acúmulo ficava no fundo, e a água ia passando.

Muita água, que era utilizada em vários rituais de banhos, banhos rituais de mergulho completo. O que comprova que eles tinham observância dos rituais judaísmos. E que comunidade que era essa? Porque dizem que eram os essênios, é isso mesmo? São os essênios? Bom, de início só se conhecia esse termo, essênios, pelos descritos de Flávio José, que é um historiador judeu da época, de Plínio, que é um historiador romano, e um filósofo judeu chamado Filon de Alexandria. Eles mencionam essênios, um grupo de essênios que mora próximo ao Mar Morto.

Mas ninguém sabia o significado de essênio, e as informações que eles nos deram foram informações de quem vai passando e vê, e escreve alguma coisa. Então, a primeira coisa foi que, quando encontraram os documentos, e na primeira caverna foi providência, foi uma coisa muito extraordinária. Na primeira caverna estava esse rolo de Isaís, e estava também a regra da comunidade. Então, quando começaram a ver o que tinha na regra da comunidade, então, viram que quem escreveu, não sabiam nem que existiam as outras cavernas, quem escreveu vivia ali, ali próximo, e era uma comunidade.

Então, tinham as ruínas próximas, que ninguém nunca tinha se interessado por essas ruínas, porque achavam que eram as ruínas de um forte do exército romano. Então, não tem nada o que procurar lá, é para quem está vigiando o deserto, a passagem em direção a Jerusalém. E aí, quando foram… Ah, vamos dar uma olhada nas ruínas, os arqueólogos sempre transitando por ali, e ninguém nunca tinha se interessado pelas ruínas. E aí é que está, que as ruínas ajudam a entender os documentos, porque lá nas ruínas é encontrado tinteiro, estilete, fábrica de cerâmica e várias outras coisas que refletiam o rolo que descrevia as regras da comunidade.

Aí fechou. Fechou. Local para… Texto e contexto. Texto e contexto. Local para fazer… Fabricavam mel de tâmaras, eles cultivavam, tem lá bastante tamareiro ainda hoje. Tinha estábulo para criação de cabras, então eles utilizavam leite, eles não eram vegetarianos, como se afirmou antigamente, esses textos antigos diziam que eles eram vegetarianos, eles não eram. Então tinha muitas coisas que ajudaram a entender os documentos também. Então essas ruínas, local dessas ruínas, chama-se Cunhã, por isso que daí veio o manuscrito de Cunhã.

Do Mar Morto, porque apenas… Cunhã é um dos locais próximos ao Mar Morto onde se encontrou o manuscrito, que encontraram nas cavernas de Barcova, que foi um general da guerra judaica contra Roma, encontraram em outros seis locais perto do Mar Morto. Então quando a gente diz documento do Mar Morto, está envolvendo toda a região do Mar Morto onde se encontrou algum documento. Agora os de Cunhã são esses que nós estamos falando. Que se referem à comunidade. Que se referem à comunidade, essas 11 cavernas que foram sendo encontradas.

Então Essenios pode ser uma tentativa de falar em grego, o racim, o racidim, em hebraico, que quer dizer os piedosos, os religiosos, aqueles que vivem de forma mais ascética, mais fidelidade a Deus, essas coisas. E assim também houve uma crítica dos estudiosos, porque como os frades dominicanos estavam envolvidos, quando eles viram a regra de vida dessas pessoas que moravam em Cunhã, eles viram que era parecida demais com as regras de vida dos mosteiros antigos, inclusive a deles. Então eles deduziram que essas pessoas eram monges, que não se casavam, que eram iguais aos frades de hoje.

Projetaram na comunidade a visão deles. E aí disseram que esses são os Essenios que o Flávio José, o Prínio e o Filo de Alexandria mencionam. Então a comunidade judaica não gostou porque não existem monges judeus, o ascetismo é uma coisa estranha, o judaísmo e todas essas coisas. Só que o judaísmo que nós conhecemos é um tipo de judaísmo posterior à destruição do Templo de Jerusalém. Esse judaísmo, de qual falam os documentos, é como o judaísmo de Jesus. É uma forma de viver o judaísmo, que existiam várias formas. Isso também foi fantástico, porque eles viram que o judaísmo não era uma coisa única, mas era como tudo na sociedade, como tudo no homem, era plural.

Havia espaço para várias vertentes, para vários grupos. E aí eles viviam ali, mas eles não tinham, não há nada que mencione família, não tem regra para a família lá, e no judaísmo sempre há regras para a família. Às vezes o que menciona a mulher é na comunidade messiânica, quando chega o messias. No momento eles não estão casados, pelo menos eles não têm família lá, porque não dá para ter família ali naquela situação. Mas eles não têm nenhum propósito de não ter família também, quer dizer, eles estão vivendo uma coisa como um judaísmo sem constituição de família, do mesmo jeito que Paulo, porque não é viável no momento.

É uma contingência. Uma contingência, não é viável, não dá para viver aqui a família. Quando se resolver a coisa, então eu constituo família. Possivelmente eles iriam constituir família, porque não dá para ter mulher e crianças ali, se eles querem viver aquilo ali. Eles acham que já já vai acontecer essa guerra, e por isso eles foram destruídos, porque quando viram a guerra dos judeus contra a Roma, eles diziam, essa estava a guerra que nós estamos esperando, e aí eles, acreditando nisso, eles se envolveram e eles foram destruídos, totalmente destruídos, pelo exército romano.

Não sobraram para contar a história, nem dizer que tinham escrito livros e que tinham escondido livros. Então, essa coisa de decidir depois, vamos dizer que nós escrevemos e onde é que está escondido, é uma coisa de dois mil anos depois, porque eles não tiveram tempo de dizer. Eles foram totalmente, não sobrou nenhum. Foram dizimados, né? Foram dizimados, dizimados. Eles estavam no meio do caminho para Massada, a fortaleza também próxima, onde estavam os elotes. Estavam os guerrilheiros. Os guerrilheiros, então eles foram passar por ali, e eles acreditavam nesse auxílio espiritual.

Eles acreditavam que chegando em frente a frente com o exército romano, que eles chamavam de Kittim, eles se referem aos romanos como Kittim. Então, eles iriam ter auxílio de anjos e nada ia acontecer a eles. Então, eles tinham que ficar cara a cara com o exército e espalhar no pergaminho, no manuscrito da guerra. Então, eles ficariam cara a cara, dispostos a guerrear e aí teriam a ajuda do alto, só que o exército romano acabou com eles. Essa é a dedução que eles tavam, porque eles não tiveram tempo de mudar nada do jeito que morreram, ficou.

Onde estavam os documentos, lá ficaram, e onde ficaram os esqueletos deles, lá ficaram também. Ah, então foram encontrados esqueletos, essas coisas. Tem cemitério, né? Já teve gente que disse assim, ó, no cemitério foram encontrados, eles disseram casados, sim, no cemitério foram encontrados esqueletos femininos, quatro esqueletos femininos. Porque na arqueologia, a gente tem que ver o que foi descoberto e perguntar quanto, de que jeito, qual é a dica, o que isso me dá. Então, o cemitério é um cemitério de judeus. O que foi preservado no cemitério foi…

Porque ficando lá, ossos expostos no deserto, não dá. Não dá pra permanecer dois mil anos ossos expostos no deserto. Não dá. O que conseguiram foi coisas que eles deixaram, que ficou lá, como tinteiros e coisa lá preparada para ser usada. Então, isso aí, do jeito que eles deixaram, ficou. E essas ossadas de mulheres, eles recebiam visita, porque eles tinham aqueles que não davam conta de morar lá, e poderiam viver aquelas… Na medida do possível, viver aquelas experiências fora, fora daquela comunidade ali. E poderiam visitar de vez em quando, eles recebiam visitas, eles eram bem acessíveis, não tinham problema com isso.

Algumas devem ter morrido lá nessas visitas, nessas coisas que foram colocadas lá. Ou então, um deles que não deu conta de ficar lá, constituiu família, e aí quis sepultar a esposa lá e depois ser sepultado lá e pedir para ficar, eles também deixaram. Então, há várias possibilidades, mas não dá para ir com, no mínimo, um local que cabe 60 homens, 4 esqueletos de mulheres, dizer que eles eram casados e tinham famílias ali. E eles viviam ali, viviam do que o deserto dava. Então, não tinha essa coisa de comprar o almoço lá na cidade, não.

Era bem longe, eles viviam ali aquela vida ascética com o que o deserto dava para eles. E não daria para constituir família ali. Então, são muitas coisas. Uma das coisas, eu não sei se estou respondendo as perguntas, porque tem um monte de coisa na minha cabeça. É muita coisa. Mas o que eu quero dizer é, houve um ceticismo de que seria, será que é realmente, que são textos, foram provados cientificamente. Houve gente que deu entrevista em jornal, dizendo isso não acredite, isso não é verdade. Grandes estudiosos dos Estados Unidos escreveram, tem um artigo escrito, na época, numa revista judaica dos Estados Unidos, que o pesquisador garante que é impossível se preservar um texto por tanto tempo.

Depois ele ficou com vergonha. Ficou desmoralizado. Ficou desmoralizado, porque realmente é comprovado, é texto antigo. E aí a gente vê uma coisa que é interessante, né Aíla? Como que diante de um fato novo, diante de uma pesquisa nova, a comunidade científica se embaraça como criança, comete erros infantis, pessoas que têm posições apaixonadas, pesquisadores de renome. Quer dizer, são cientistas com posturas que se encontram em pessoas religiosas ingênuas. Quer dizer, acaba que a ciência sendo uma religião também.

Exatamente, revela aí as fragilidades e como que a gente tem que ser ponderado, como que tem que realmente, não pode ir acatando só por argumento de autoridade. Ah, isso é certo porque fulano de tal lugar falou isso. Porque erruiu tudo isso, muitos fizeram papel de ridículo, passaram por ridículo, e se confirmou a antiguidade dos manuscritos e tudo. Agora, Aíla, o que você acha assim, para quem… Duas questões aqui, vamos lá. Para quem está interessado na compreensão do Novo Testamento, quais seriam os textos que têm uma relevância mais imediata, porque evidentemente todos os textos têm uma relevância, porque a partir do momento que você compreende o judaísmo do primeiro século, você aumenta a sua compreensão do cristianismo do primeiro século, é óbvio.

Mas aquilo que tem mais relevância. E antes disso, durante muito tempo, inclusive no meio espírita, muitas pessoas repetiram com a ingenuidade de causar piedade, que Jesus viveu com os essénios, que esteve entre os essénios, que Paulo praticamente, criancinha, foi lá na escola, tinha merenda escolar lá nos essénios, ele estudava e lanchava lá, e todos os apóstolos, e isso foi transmitido com ingenuidade, e até hoje há um exército de ingênuos repetindo essa historinha de chapeuzinho vermelho. Fala um pouquinho sobre isso e depois sobre a questão da relevância.

Uma das coisas que a gente, essas coisas caem por terra quando a gente está no local. Eu tive a graça, recebi um financiamento, e fui, fiz um curso bem intensivo, mas… Nós vimos as fotos no Facebook a ele, né? Eu também estive lá, visitei. Então, eu estava ouvindo a aula e o professor dizendo, eles eram casados, não, ele disse, eles eram casados sim. Eu fiquei calada, judeu casa, a família é muito importante para o judaísmo. E é verdade, fiquei calada. Depois, ele, quando estava mostrando as grutas para a gente, ele estava diante da gruta 4, que é por isso que ela era a biblioteca, ela é de frente com as ruínas, não é?

Então, as grutas são numeradas a partir dos achados. A gruta que acharam primeiro foi numerada como 1 e assim vai, né? Por isso que tem um lá distante e a 4 mais perto. Então, aí ele falou que eles iam ali nas ruínas só para trabalhar, esse professor é judeu, né? Iam nas ruínas só para trabalhar e à noite eles dormiam nas cavernas, foi outra informação que eles me deram. Esse era o guia. É, é. Você imagina. Esse era o guia. Ele estava dando aula para a gente, imagina. E eu me segurando na minha língua, né? Aí depois, quando um dos alunos perguntou, até um aluno argentino, né?

A aula era em espanhol, né? Então, no Brasil tinha poucas pessoas. Então, aí o aluno perguntou se a gente ia, ele disse que só iam aqueles que tinham costume com alpinismo, porque era muito difícil o acesso às grutas. Eu falei, é? Mas mulheres e crianças dormiam lá toda noite. Porque aí ele só dizia, agora nós vamos… Aí o guia ficou puto. Aí o guia ficou puto. Vamos mudar agora de lugar, vamos visitar outro lugar. Vamos ver ali o estábulo, como é que funciona. Porque é o seguinte, a gente não pode fazer conjecturas que não têm lógica.

Quer dizer, ele me disse que eram casados, sim. Tinha mulheres e crianças, sim. Não cabiam ali. Ali eles iam só para trabalhar. O que eles passavam o dia era nas grutas. E depois, nós hoje não… Passavam as noites nas grutas. Como é que eles iam passar as noites na gruta? Como é que eles iriam toda noite ir para chegar lá naquelas grutas? A gruta quase inacessível hoje. Que já foi facilitado o acesso, desde a discoberta. Aí naquele tempo as mulheres e crianças iam lá para aquelas grutas. Sem lógica. Então era uma comunidade de alpinistas.

Pois é. Aí, quer dizer, a gente tem que fazer esse tipo de coisa. A questão crítica, né? Crítica. O senso crítico. Aí todo mundo engolindo aquilo tudo, né? Aí todo mundo disse, eita, você tocou a canela do professor. Eu falei, é porque fica dizendo como se fosse uma autoridade. Querendo forçar, porque é a honestidade intelectual. É por isso que eu estou dizendo isso. Porque a honestidade intelectual é você não tirar nada daquilo que… Porque pedras falam, manuscritos falam, cacos de cerâmica falam. Mas você tem que saber o que é…

O Guedes fala, diz que é por isso. Vai. Então, para a gente entender um achado arqueológico, a gente tem que saber ler. Eu me lembro de um professor que entregou para mim um cálice talhado de pedra sabão e perguntou de quem seria. Eu chutei muitas coisas. Ele disse, Aíla, é de um sacerdote. E eu não tinha chutado para um sacerdote. É de um sacerdote. Por quê? Porque ele pode beber aqui a água, o leite, o caldo. E não fica no copo, essa substância não fica, porque ele não mistura. O sacerdote não mistura leite com carne.

Então aqui esse copo é do sacerdote, porque ele vai poder usar tudo que ele quiser beber nesse copo. Ele não vai ficar preso no copo. Vai ficar resíduo. Não vai ficar resíduo. É um copo de pedra. Copo de pedra serve para sacerdote. Copo de pedra é de sacerdote. Ok, copo de pedra é de sacerdote. E eles acreditavam que se fosse de madeira, ou então é um copo de ouro. Mas aí tinha que ser muito rico para essas coisas. Não seria possível ter isso. Não seria possível ter isso lá. Então copo de pedra é copo de sacerdote.

Então tá certo. Bom, então a honestidade intelectual é honestidade científica. Eu não posso tirar dos manuscritos aquilo que eles não dizem. Só porque eu quero que digam. Ou por causa de uma postura religiosa ou científica. Ou então a pessoa tem um conjunto de crenças, como esse guia lá de Israel, quer defender uma postura ideológica e projeta em Qumran e nos manuscritos as ideias dele, querendo que os manuscritos e a comunidade sejam porta-voz da sua ideologia e das suas crenças. O que a gente pode dizer é que há paralelos entre o que Jesus diz e algumas coisas que estão escritas lá.

E há paralelos entre métodos que eles usam, métodos de abordagem que Paulo faz, como por exemplo o pêche, que é uma coisa que vocês conhecem pelo senhor Honório, que é humildinho, palavra por palavra e até mesmo partir palavras ao meio, como Jerusalém e essas coisas todas. Eu sei fazer um estudo de palavras. Melquisedeque quer dizer Melqui, meu rei. Sedeque é justiça. Cortar as palavras e ir explicando. Isso aí eles faziam, é um método deles. Muito encontrado com os textos dos profetas. Porque um deles vai interpretar o texto dos profetas.

E também há discordâncias. A gente sabe de quem Jesus está discordando. Os paralelos não são sempre paralelos no sentido de sinônimo. De concordância. Tem paralelos de debate. Então o que revela? Um judaísmo muito plural, as informações circulavam, aquilo que cada grupo pensava circulava naturalmente naquele ambiente. E Jesus tomava posição e Paulo também tomava posição. Pegava o que era bom, o que não era bom, corrigia. Então é isso que a gente pode dizer. Não há nada, mais nada, nem nos escritos de Paulo, nem nos escritos de Cunhã, que dê a entender que Paulo pertenceu ou que esteve lá.

Nem que Jesus tenha estado, não é o fato de dizer que Jesus esteve no deserto antes de começar o ministério, que quer dizer que ele foi membro da comunidade. Judeus faziam retiros no deserto. Retiro de discernimento, retiro para decidir coisas, para começar uma nova etapa. Eles faziam, era comum. Era uma coisa até de herança profética, de ir ao deserto. Agora, o que eu posso falar também, com bastante honestidade intelectual, é que João Batista, o texto que é usado do profeta Isaías para justificar a ida de João Batista ao deserto, é o mesmo texto que várias vezes aparece nos escritos de Cunhã para justificar o que eles estão fazendo no deserto.

É para preparar o caminho do Messias. Eles explicam o que eles foram fazer lá. Eles dizem que se separaram da cidade pecadora e do templo corrupto, porque eles tinham uma aversão ao templo. Ao templo de Jerusalém. Ao templo de Jerusalém. Então, nesse ponto, não é só Jesus que critica o templo. Aliás, eles são descendentes de sacerdotes. Eles se chamam o tempo todo de filhos de sadoque, que é o clã sacerdotal. E é mais uma coisa que disseram que eles não eram essênios, porque nenhuma vez aparece a palavra essênio nos textos dele.

Eu disse, tudo bem. Uma vez eu disse isso em um debate, eu disse, ok. Então, eu desconsidero que eles sejam os essênios, porque não aparece o termo essênio nos textos dele. Eles se chamam de filhos de sadoque. E também nós vamos dizer o seguinte. Nem as cartas de Paulo, nem os evangelhos foram escritos por cristãos, porque nenhuma vez neles aparece o termo cristão. Olha, quer dizer, é uma argumentação muito frágil. É muito frágil, porque as pessoas chamavam os outros de nomes diferentes. Os cristãos chamavam seguidores do caminho, e os de fora, lá de Antioquia, chamavam de cristão.

Ou seja, essa questão deles não se designarem como essênios, é um detalhe que você não pode tirar uma consequência daí, contrária a toda a evidência da existência da comunidade, dos manuscritos, da proximidade dela do Mar Morto. Quer dizer, é algo muito… Sim, os fariseus também, eles não chamam a si mesmo de fariseus, eles se chamam de ravé, de amigos, de companheiros. E a comunidade deles, essa associação que eles têm, raburotes, que quer dizer uma associação, eles são unidos pela amizade. Eles não chamavam a si mesmo de fariseus, quem os chamava de fariseus era o de fora, os outros.

Também os saduceus, eles não se chamam a si mesmo saduceus, eles são os sadoquins, são os filhos de sadoque, e saduceu é uma forma grega de falar que eles são de sadoque, que era o pai desse sacerdote, o filho de Arão, que gerou o clã sacerdotal, do sumo sacerdote. Então, os cristãos também não se chamavam de cristãos, eram os de fora. Aliás, eles tinham diversos títulos, os seguidores do caminho, os nazarenos, os santos. Os homens do caminho. Os homens do caminho. É até, não é, Ayla? É uma ingenuidade sociológica, é um pouco conhecimento de sociologia, de história, de como que comunidades humanas se organizam, de como elas se apresentam, não é?

É incrível isso, não é, Ayla? Porque a gente vê que, às vezes, são pessoas que têm um viés, ele estuda um ramo do conhecimento e quer interpretar tudo de acordo com esse viés. Tem essa pluralidade, essa capacidade de estudar outras áreas, de debater. Então, a respeito de João Batista, é plausível, mas não é uma prova. Então, os argumentos são, o texto que se usa do profeta Isaías para dizer, diz João Batista, o que João Batista faz no deserto, é o mesmo texto que o documento de Cunhambi menciona esse texto várias vezes para explicar o que eles foram fazer no deserto.

Eles estão preparando o caminho do Senhor. E aí também, outra coisa, é que o João Batista acha que o fim dos tempos é para breve, a destruição, o final de tudo é para breve, e que está envolvido num julgamento, um julgamento bem rigoroso, e que as pessoas têm que, imediatamente, mudarem de vida para ficar do lado do bem, porque se elas forem encontradas do lado do mal, elas estarão numa situação difícil. E é por isso que ele fica lá, anunciando essas coisas, que o machado está a raiz, e tal. E também, outra coisa, é que o João Batista, para ele é fundamental um batismo que manifeste a conversão, a mudança de mente.

E lá em Cunhambi, o batismo é para mostrar, ritualmente e visivelmente, aquilo que acontece no interior. Inclusive, eles dizem, igual o João Batista, que não é um rito como o dos fariseus, que lavavam as mãos, purificação de impurezas rituais. Para eles, é um rito que exige, antes, a conversão. Para Cunhambi, se não tiver a conversão, não deve ir às águas. E para João também, a conversão é anterior. E a exigência é de conversão. A exigência principal. E aí, quem se demonstrar num processo de conversão, de mudança de vida, que é uma mudança também moral, porque o Evangelho de Lucas vai colocar que as pessoas perguntam a João, uma pessoa do exército romano pergunta, o que é que tem que fazer?

Se fosse um outro tipo de pessoa, teria dito. Porque João batizava judeus. João batizava judeus. Judeus que estavam vindo visitar Jerusalém. Então, o judeu, quando está fora de Jerusalém, ele vem visitar Jerusalém, ou ele faz o ritual de bater o pó das sandálias, para não entrar na Terra Santa com pó impuro das outras terras. Então, é que para Jesus bater a sandália, o que é impuro não é a terra fora de Israel. O que é impuro é a terra que não aceita a palavra de Jesus. Então, é daí que se deve bater a sandália. Mas eles vinham, ou eles faziam o ritual de ficar horas batendo o pó das sandálias antes de entrar na terra de Israel, ou eles vinham pelo Jordão e eles mergulhavam para não entrar com nada, nenhum pó da terra estrangeira.

E aí, João ficava nessa passagem aí, para dizer, olha, mais do que isso, vocês têm que mudar de vida, porque está vindo aí… Então, é muito parecida essa atitude de João com o que eu posso dizer é, no Novo Testamento, o que mais se parece, não posso dizer que esteve, mas o que mais a gente pode dizer que com maior probabilidade pode ter, por causa da mensagem, do rito, porque João também é uma pessoa que vive do que o deserto dá. Então, do mel, dos gafanhos, quer dizer, é o que o deserto dá. O mel das tâmaras, né?

Então, o estilo dele é bem ascético, então tem a ver, mas eu não posso dizer que João esteve lá. Eu só posso dizer que é plausível, mesmo porque no cemitério foi encontrado assadas de crianças. E Flávio e José mencionam que os Essênios não se casam, mas eles criam crianças desde que já estejam em condições de ser moldadas, quer dizer, o pai pode não ter dado conta de viver aquela vida, mas ele gostaria que o filho dele vivesse. Então, se ele já pode, não são crianças pequenas, são adolescentes, se ele já pode ter resistência para viver ali, o pai crê que em breve vai acontecer essa coisa, então não quer que o filho esteja numa situação difícil, leva para aquela comunidade para o filho estar listado no exército do bem, que eles acreditam que se prepara o caminho do Senhor que vem para guerrear, é com estudo, é com estudo, com oração que se prepara.

Então, é por isso que eles estudam, produzem textos e ficam lá naquela coisa de oração e trabalho. Se é enganança, eles colocam os bens em comum, é mais outra coisa que parece com o Novo Testamento, colocam tudo em comum. E eles têm um processo para colocar em comum. De início, a pessoa que quer ficar lá, vende todos os bens e vai para lá. Porque se não vendeu todos os bens, não foi para lá, não quer ficar lá. Então, a primeira coisa é, vende tudo, pega a grana e leva. Quando chega lá, o dinheiro é colocado lá, a quantia num registro e é guardado, não se usufrui dessa quantia.

E ele vai passar um tempo lá, um ano, aí você pergunta, você ainda quer? Quero, aí ainda não vou usar. No final dos três anos, quando ele realmente faz um batismo para ingressar na comunidade, para ter total direito e tal, aí os bens dele já vão ser usados. Mas se dentro de três anos ele quiser ir embora, ele terá os bens de volta, quer dizer, o dinheiro que ele colocou lá vai estar guardado e ele vai levar de volta. Mas ele tem que, antes, vender tudo que tem para poder ir para lá. Se chegar lá sem dizer, olha, eu tinha tal e tal coisa, e aqui está o que eu vendi.

É como Jesus disse para o rico, olha, vai, vende os teus bens e vem. Quer dizer, era uma coisa que tinha que dizer assim… Um teste de vontade. De vontade. Realmente está com vontade ou não. Está com vontade ou não. De começar uma coisa nova, que o primeiro passo não seja a ganância. Um teste vocacional. É, um teste vocacional. Então, quer dizer, a pessoa não vai viver uma vida fácil ali. Se ela ainda está… E que Jesus também menciona isso para nós. Quando a gente vai no deserto para ver alguém, a gente vai ver alguém que está vestido com roupas palacianas, a gente vai ver o que no deserto?

Então, você não vai ver os caras bem vestidos, você não vai ver gente usufruindo de coisas. Agora, incrível, eles tinham uma ceia no sábado, que era o principal momento deles, com pão e vinho. Eles não abriam mão do vinho nessa ceia. Existia uma bênção sobre o pão e sobre o vinho, tal como Jesus também fazia. Está nos manuscritos. Está nos manuscritos. E aí, essa questão da ceia com o vinho e com o pão remete também para a gente ver que era um caldo cultural mesmo. Não tem outro lugar que fala disso. Tem. Tem nos textos litúrgicos, quer dizer, o kiddush, feito com pão e vinho.

Só que, durante muito tempo, eu vi, por exemplo, em comentários bíblicos, que diziam assim, olha, Jesus fez uma coisa totalmente estranha ao judaísmo. Porque na ceia que o judeu faz, nas festas litúrgicas, nas festas religiosas, e no sábado, o judeu primeiro abençoa o vinho, e depois abençoa o pão. E Jesus primeiro abençoa o pão, para depois o vinho. Isso é muito estranho. E o texto mais antigo que mencionava isso era o texto de Paulo. Ele dizia, olha, o que eu sei foi o que eu recebi. Eu recebi isso. Que na noite da última ceia, ele fez assim e assim.

Então, ele ia dizer assim, olha, Paulo deturpou, porque se Jesus era bom judeu, ele fez como todo judeu faz. Então, Paulo deturpou a coisa, e aí os evangelhos seguiram o que Paulo disse. Só que, na orientação que os documentos dão para a ceia, ele diz, primeiro o pão, e aí faz a benção sobre o pão, o que está chefiando a refeição. Faz a benção sobre o pão, reparte, e depois pega o vinho, faz a benção sobre o vinho e reparte. Que é vinho mesmo. Que é vinho mesmo. Vinho mesmo. E é vinho… Lá era vinho recente, quer dizer, é vinho tirado do lagar, não é aquele vinho guardado, quer dizer, era vinho que também eles poderiam produzir de alguma forma lá, com alguma fermentação de alguma coisa.

Interessante, porque aí recupera uma tradição do judaísmo que não estava preservada. Que não estava porque… Lançando luz aí sobre o Novo Testamento. Agora aproveitando essa deixa, Sheila, voltando àquela segunda pergunta. Pois é, até esqueço das perguntas, não, desculpa. Até esquece, né? Nas suas pesquisas, quais os manuscritos, o que ajuda mais? É claro que tudo ajuda na compreensão do Novo Testamento, mas aquilo que é mais direto, que traz um aporte mais… Explícito. O que é mais direto para saber dessas coisas como a ceia, colocar em comum o desapego, essa coisa de viver a humildade, essa exigência de progredir na humildade, é a regra da comunidade, certo?

A regra da comunidade, ela orienta muita coisa nesse sentido. Agora, o que eu usei para minha tese, para entender a Carta dos Hebreus, foi o texto de Melquisedeque da Caverna 11, que é um texto pouco utilizado. Não vou dizer que ele fez grande influência no Novo Testamento, não, mas quer dizer, para entender bem o que está lá na Carta dos Hebreus, eu preciso também desse texto, que às vezes fica esquecido, e aí a gente acaba achando que entende alguma coisa da Carta dos Hebreus e não entende. E os textos do profeta Isaías, que são comentários chamados Pestas de Isaías, que tem muita coisa parecida com reflexões que Jesus também fez.

E o texto, o comentário do profeta Abacuque também, tem muito aparentez com o texto do Novo Testamento, é um comentário, é Pestas do profeta Abacuque, é um comentário do profeta Abacuque, eles falam muito sobre o Messias. Pois é, Aíra, a questão da expectativa messiânica, a ideia que eles tinham do Messias, nesse sentido, os Manuscritos do Mar Morto lançam… Muitas luzes, eles falam muito sobre o Messias. Agora, o que a gente precisa saber é o seguinte, primeiro, tem textos bem mais antigos, como eu disse, tem textos, os últimos textos são do ano 68, depois de Cristo, não tem textos posteriores, até o ano 70, por aí, estourando.

Não tem texto, quer dizer, que eles foram mesmo aniquilados na primeira revolta. Na destruição do tempo. É, na destruição do tempo. Mas tem texto de 200 a.C. Então, tem o documento de Damasco, que é outro documento importante, que chama documento de Damasco, porque fala muito no termo Damasco, que quer dizer apenas o exílio, é uma linguagem metafórica para falar o exílio. Então, tem textos mais antigos, que tem uma mentalidade, por exemplo, o documento de Damasco, a respeito do sábado, ele é muito radical, porque ele é muito antigo.

Então, ele é muito radical mesmo. Já outros textos, de Qumran, já não tem tanta radicalidade em não se fazer nada dia de sábado. É… Outra coisa é, parece que eles tinham liberdade de pensamento, desde que concordassem no mínimo das coisas. Então, tem textos que dizem aqui que o Messias vai ser… vão ser dois Messias, um Messias de linhagem sacerdotal e um Messias de linhagem davídica. Um descendente de Davi, um descendente de Águia, que até, por isso também, eu acho que por causa dessa coisa, deles esperarem isso, até mesmo Heródice se confunde a respeito de João Batista, que João Batista é de linhagem sacerdotal e Jesus é de linhagem davídica.

Eles pensam, será que não são os dois? Então, você vê também uma migração de discípulos de João Batista para discípulos de Jesus, não é? Se tornar discípulos de Jesus, não é? Então, será que isso não confundiu? Eu acabei pensando, quando Jesus pergunta o que é quem diz que eu sou, aquelas opiniões são diversas e são todas messiânicas. Um diz que é um dos profetas, é um Messias profeta, um diz que é João Batista, outros dizem que é Elias, não é? Então, é… há uma confusão a respeito de Messias. Então, de início eles pensam…

Eles tinham a ideia de dois Messias. Às vezes, aparece três Messias, um triunvirato. Às vezes, aparece que o mundo regenerado vai ser governado por um triunvirato. Inclusive, eles são a favor de que o governo seja por doze homens. O governo da comunidade já são por doze homens, não é? E três desses são… tem que ser de linhagem sacerdotal. A gente também vê que, no Novo Testamento, Jesus escolheu doze, e três são mais próximos, que é Tiago, João… Pedro, Tiago e João, não é? Bom, tem esses paralelos, quer dizer…

quer dizer, se Jesus disse assim, se é assim que eles acham, vamos fazer alguma coisa aqui para dar uma ideia que a gente está indo nesse caminho. E tem textos que… O texto de Melquisedeque, bom, já disseram tanta coisa sobre o Messias, vamos dar um título. Aí se torna um Messias bem… um Messias vindo do céu, um Messias mais… a forma de anjo, um Messias mais… quer dizer, esse texto é mais elaborado, ele é alguém que vem da dimensão espiritual, que tem capacidades que o ser humano não tem. O que falta nesse Messias é uma humanidade de querer servir, esse Messias de Cunhã não tem.

E também ele não tem essa coisa, ele usa, em Cunhã, usa o texto de Isaías, que também Jesus usou, de… o Espírito de Deus está sobre mim para evangelizar para os pobres, para essas coisas, também é usado para esse Messias chamado de Melquisedeque, que é só um título, quer dizer, que é um rei justo, um rei de justiça, mas falta essa misericórdia com os inimigos, esse Messias deles vai destruir mesmo, os inimigos, destrói quem não está fazendo a vontade de Deus. Então, ainda é alguma coisa que aponta para o Novo Testamento, mas ainda não diz aquela revelação que só chegou com o Novo Testamento.

Quer dizer, os manuscritos de Cunhã são muito importantes, mas eles ainda estão na etapa da Primeira Revelação, eles não estão na etapa da Segunda Revelação, eles estão bem próximos, quer dizer, já… No limite. No limite, já tem aspectos que vão aparecer na Segunda Revelação, mas ainda não é totalmente, está entendendo? Então já está com o pé lá, quer dizer, uma preparação bem próxima. E por isso as pessoas confundem, acham que Jesus esteve lá, mas o que há é uma preparação, eles inclusive assumem isso, que eles estão no deserto se preparando, que eles estão preparando para a vinda desses Messias, ou desses Messias.

Eles têm consciência que estão preparando. Desses Messias. Desses Messias. Mas e no caso… Pois é, tudo bem, eles estão no deserto se preparando para a vinda do Messias, mas eles estão preparando também para uma guerra que está vindo. Como é que fica isso? Eles… Eu acho que coincide a vinda do Messias com a guerra. A vinda do Messias coincide com a guerra. Então o Messias vem para a guerra real, já para destruir quem não está seguindo. Então algumas coisas que Jesus aponta para os últimos dias, eles confundiam, e João Batista também já achava que era para aquele momento.

Agora no fundo, é tão curioso isso, a gente que está distanciado e olha, eles foram todos destruídos na invasão de Tito, o templo foi destruído, o judaísmo mudou para sempre, mudou como nunca depois dessa invasão do Império Romano, então o mundo acabou mesmo. De certo modo, o pressentimento que eles tinham, tudo que eles estavam pressentindo da vinda, eles estavam sentindo o espírito de uma época, e olha, é difícil dizer que não aconteceu, pelo menos para nós, nós admitimos que o Messias veio mesmo, o templo foi destruído, houve uma guerra, eles morreram de fato, quer dizer, de certo modo, tudo se cumpriu.

Interessante que eles deram o sinal, para se ver o que, se o Messias tinha chegado ou não, ou pelo menos o Messias de Davi, se tinha chegado ou não, eles deram um sinal, que foi o que eu li aqui no início, que ele disse assim, olha, o sinal para reconhecer se o Messias Davidico chegou é, céus e terras escutarão o seu Messias, e quais são os sinais? Ele vai, aí ele diz que vai abrir os olhos aos cegos, os coelhos vão andar, tal, tal, esse seria o sinal, certo? O sinal para reconhecer o Messias. Aí João Batista, vamos agora para o novo testamento, João Batista é preso, e João Batista acreditava que Jesus ia começar uma guerra, aquela coisa toda, agora é o fim.

E Jesus fica, ah, meus seus inimigos, tal, e João Batista sabe só as notícias lá, pelos discípulos, que vão visitar, e diz assim, olha, não está sendo assim, você não disse que era assim, assim, ele não está fazendo isso não. Então, aí João manda os discípulos irem até Jesus e diz assim, peraí, você é o cara que realmente eu apontei, disse que é você, ou eu devo esperar o outro, porque não é você, porque você não está fazendo, do jeito que eu falei que você iria fazer. Aí, Jesus, sabe o que Jesus disse? E dizia, João, os coxos andam, os cegos, citando Isaías.

Aí, pronto, esse texto de Isaías, era o texto que o documento de Cunhã diz, aqui, quando isso aqui acontecer, esses são os sinais de que o Messias chegou, quer dizer, Jesus diz, faço discernimento, se você não já sabe quais são os sinais, quer dizer, mas se eu não tenho essa informação do documento de Cunhã, eu digo assim, mas, poxa, Jesus não respondeu, ainda deixou o João na dúvida, não, Jesus não deixou o João na dúvida, todo mundo sabia que esse sinais de Isaías, os documentos de Cunhã tinha dito, olha, na dúvida, se isso acontecer, esse é o cital.

E Jesus estava curando o cego. Pronto, aí, Jesus disse assim, bom, vai dizer a João que isso está acontecendo, e aí, obviamente, está dizendo, João, o que você acha? Ou seja, você… Você está precisando mudar seus conceitos de Messias, né? É, você que está precisando mudar o conceito de Messias, porque os sinais do Messias que já foi dito e estão acontecendo. Então, nesse ponto aí, também, quer dizer, se a gente não sabe, quer dizer, a gente não entende a profundidade dessa resposta que Jesus mandou dizer a João. Bom, então, não é necessário que Jesus tenha estado lá, nem Paulo, não há como dizer se estiveram ou não estiveram a partir do documento de Cunhã.

Não dá pra saber, certo? Disseram que um texto da caverna, encontrado na caverna 7, na caverna 7, só se encontrou textos em grego. Então, tem um texto lá, um pergaminho humildinho, pequeno, que tem cai, que você que sabe grego aí sabe que é a partícula, o conjuntivo é ie, isto e aquilo. Cai, que é usado demais em grego, no Novo Testamento. E na linha de baixo, tem as algumas letras que seria no português o n, e, s, s. Então, eles, bom, quem gosta de viajar, viajou demais, e diz que ali seria uma passagem do Evangelho de Marcos, e que menciona que Jesus está vindo de Genezeré.

Porque essas letras, se você coloca gué, aí fica né, aí você coloca gué antes e saré depois, aí é uma forçação de barra. Aí é duro. Pois olha, que isso aqui ficou e ficou no mundo científico, provando que o Evangelho de Marcos foi escrito por esses membros da comunidade de Cunhã, e que depois o cristianismo colocou lá algumas passagens falando em Jesus Cristo pra pra inventar esse mito cristão que nunca aconteceu, que Jesus nunca tinha acontecido. E usavam pra provar, mas é ridículo. Então ainda tem muitas pessoas hoje que diz assim mas foi encontrado um texto do Evangelho de Marcos eu disse não, nunca foi encontrado um texto do Evangelho de Marcos, porque eu não posso aceitar que um fragmento que eu não sei nem de que texto é, que nunca conseguiram descobrir de que texto era, só porque tem letras n, e, s, s sim, o alfabeto grego tem 22 letras, é claro, você vai encontrar lá m, e, s, s, eu não posso deduzir que m, e, s, s, seja genesaré e não pode, meio que fosse a palavra inteira, genesaré e ainda que fosse, não quer dizer que seja o Evangelho de Marcos então esse tipo de coisa, como que aconteceu agora que as pessoas, que foi esse há pouco tempo, né, alguns meses, esse apócrifo que encontraram, seis linhas né, as pessoas daí tiram conclusões que cientificamente, não é questão religiosa cientificamente, não dá para concluir são esses cientistas, tipo aqueles lá da equipe, né é, que quer fazer sensacionalismo e vira bestseller do New York Times e é preciso dizer que um bestseller do New York Times é algo que vende, no mínimo um milhão, dois milhões de cópias, alguns chegam a vender dez milhões de cópias, aí você faz um cálculo aí se o autor estiver ganhando três dólares por livro ele embolsou trinta milhões de dólares, ou seja, ele ficou milionário escrevendo sobre três, quatro linhas e as pessoas compram, e piedosamente acredito que isso é uma verdade e que muda a história do cristianismo é quase surreal e ainda diz assim, e nos esconderam isso foi preciso esta pessoa aí vem uma teoria da conspiração, com ET, com NASA e foi, escondeu é muito é, então infelizmente esse tipo eu acho, por isso que recentemente pouco tempo fiz o curso, quer dizer preparei o curso, assessorei o curso sobre os manuscritos do mar morto e o novo testamento porque eu acho que depois que agora a poeira baixou um pouco e a gente pode agora ver as coisas com mais calma, principalmente como o pessoal diz, irmã de caridade fica suspeita, como se estivesse defendendo postura religiosa católica então, eu acho que agora dá para porque houve muita defesa de postura religiosa católica, protestante, judaica unido a postura que eu posso dizer religiosa científica porque tem gente que tem a ciência como uma religião que tem dogmas que não pode ir contra e tem que ser daquele jeito e tal foi muita postura religiosa, inclusive a científica com áreas de ciência, mas que foi no fundo, uma postura religiosa de pessoas que tratam a ciência como sendo um tipo de religião, corpos doutrinário que não pode com sacerdotes, que falam em nome da verdade em nome da verdade, verdade absoluta então, eu acho que houve muita influência numa pesquisa mais tranquila da gente ver esses paralelos com honestidade e dizer sim, há coisas parecidas então, foi um curso de 12 horas aulas para a gente poder ver algumas coisas que eu coloquei lá está aqui o texto de Qumran traduzido para vocês e aqui está a passagem do evangelho vamos ver o que há de parecido com isso aqui agora, Aíla, é interessante também porque você tinha comentado um outro aspecto que há algumas evidências de que os textos de Qumran e eles mesmos circulavam o que sugere que pessoas tiveram contatos com essênios, tiveram contatos com escritos ou não essênios no mar morto, mesmo sem ter feito parte da comunidade uma das coisas, é porque é o seguinte uma das controvérsias também é que nunca nenhum judeu teria morado ali nenhum grupo teria morado naquela região e que aqueles textos teriam ido parar ali para preencher 11 cavernas, 11 grupos saíram dali saíram de dentro do templo de Jerusalém quando o templo ficou ameaçado de ser destruído, então eles transferiram isso para o deserto aí eu disse, mas é muito lindo o templo sendo sitiado o templo sendo sitiado e o exército romano deixando sair algumas carretas há dois mil anos atrás as pessoas morrendo, peraí gente, está passando um comboio aqui para esconder manuscritos em cavernas para colocar lá nas cavernas é bem plausível, é bem razoável primeiro que o templo era de rito era de animal sangrando era de sacrifício não era de leitura nem de texto para isso existia sinagoga sinagoga que era o setor do estudo a casa de estudos não sei o que esses documentos iam fazer no templo segundo não sei como eles saíram de lá com o templo sitiado porque enquanto a cidade não esteve sitiada ninguém esperou que o templo fosse destruído não, o que se esperava é que Deus fosse proteger os ali correr para o templo para serem protegidos bom, então os documentos foram escritos em sua maioria alguns podem ter sido escritos antes deles se direcionarem para lá, mas poucos eles passaram mais de 200 anos lá sendo renovado esse grupo um número considerável de pessoas lá e foram escrevendo, foram copiando e eles passavam um dia nisso então foram guardando ali eles já se direcionaram ali para poder, não foi assim vamos fazer uma ascese e depois a gente escreve não, é, vamos escrever num lugar onde a gente possa guardar, onde a gente possa se esconder que sobreviva a uma guerra, sobreviva a alguma coisa a gente tem que ir para aquela região onde tem pouca humidade para conservar e também que nós estaremos longe dos olhares dessas pessoas então eles se dirigiram para lá para escrever e não escreveram porque estavam lá não são os manuscritos que geraram a comunidade é a comunidade que gerou os manuscritos eles não se transferiram para lá então pessoas iam lá tinham que passar esses 3 anos para saber se iam ficar definitivamente desistiu antes, pode levar aquilo que você fez pode divulgar não era proibido de se sair de lá eles já viviam lá como comunidade viviam lá em comunidade, passaram mais de 200 anos nessa comunidade existindo lá então o que acontece no século XIX foi descoberto numa antiga sinagoga no Cairo uma cópia medieval a cópia era o material datado da Idade Média de um texto que ninguém sabia que texto era esse que eram regras regras de convivência e o texto também explicava, falava de um mestre chamado Mestre da Justiça só existe essa expressão, só em Qumran que é o fundador da comunidade deles, eles não usam nomes eles não dão dica de quem seja eles falam e quem quiser que entenda era um mestre que era justo, que ensinava a Bíblia corretamente passou por muitos apertos foi traído pelos seus irmãos de raça e teve que fugir para o exílio, ele mostra exílio ele usa o termo Damasco que significa exílio as interpretações do profeta Mos quando tem Damasco o profeta Mos e Damasco é usado para falar do exílio então ele ficou fora do ambiente de Israel mas ali nas proximidades, ninguém sabe quando mas esse texto que fala dessa situação da fuga dele, da traição e de que uma comunidade, muitos se uniram a ele um fragmento disso um fragmento de um pergaminho medieval foi encontrado em uma sinagoga do Cairo isso no século XIX e então os estudiosos o que será isso?

Nunca tinham descoberto o que era isso não tinham ideia de quem seria esse povo, dessas pessoas deram o nome de documento de Damasco ou então Cairo Damasco quer dizer, o documento encontrado no Cairo que fala o tempo todo em Damasco isso foi no século XIX, 1800 e pouco quando descobriram em 1947 os documentos de Qumran guardados há mais de 2000 anos o que estava lá? O texto inteiro daquele pedaço que descobriram lá no Cairo estava o resto do texto quer dizer, aquele texto era só uma parte lá no meio o início todo faltava no texto do Cairo e o final e aí eles descobriram um documento grande que se chama agora a cópia de Damasco de Qumran e antigo, mil anos mais de mil anos anterior a cópia que foi encontrada no Cairo que mostra que os textos circulavam possivelmente tinham contato eles dizem que as pessoas podem ir podem visitá-los eles admitem que tem adeptos fora dali que eles chamam os que estão nos acampamentos acampamentos são as cidades, uma forma de falar das cidades já havia membros da comunidade vivendo na sociedade comum e divulgando as ideias não deu conta de viver lá?

Não tem problema, vai divulgar as ideias vai divulgar em outros lugares é muito como funcionam os mosteiros hoje a pessoa não se adapta a vida monástica mas ela fica vinculada a uma instituição e fazendo os trabalhos de rejeitização coisa sensacional e nesse curso que você está fazendo está bem? Eu estou me ouvindo claro que você está se ouvindo eu estou me ouvindo, estou falando baixo então os ouvintes do podcast vão ficar agora sim a gente está aqui olhando para o Mai Fortaleza, com a Maíla ela vai passar o curso de manuscrito no marmorso exatamente, esse curso tem que ser divulgado eu sempre coloco tudo o que eu pesquiso eu jogo na internet eu jogo no youtube eu coloco os resumos uma vez uma pessoa chegou perto de mim e disse quanto é o seu powerpoint?

É porque você vende eu disse não, não vendo tem alguns estudiosos que não vendem o powerpoint eu não vendo não, porque você está querendo você vai me dar o seu material o seu powerpoint? Eu não vendo porque eu vou te dar ele disse que maravilha, correu para ir buscar eu peguei o microfone quem quiser o powerpoint essa mesma pessoa chegou e disse que era de uma universidade você também vai dar para eles? Eu disse claro, vou jogar para todo mundo ele queria ser proprietário particular eu disse não, meu querido todo o meu material ele disse sabe porque eu lhe perguntei uma vez eu perguntei a um conferencista se ele cedia os slides eu vendo isso aqui e vendo muito caro eu acho que você não tem condição de comprar ele disse que vendia os slides eu disse eu sou do ambiente de igreja o ambiente de Jesus Cristo Jesus Cristo dá esse conhecimento para a gente e aí é só para a gente divulgar dá para a gente divulgar aqui é fruto das minhas pesquisas eu tenho o maior prazer de divulgar isso aqui receber de graça todos os estudos foram pagos, mas eu nunca desembolsei um centavo pelos meus estudos minha comunidade teve que fazer nenhum sacrifício pelos meus estudos ninguém passou aperto para pagar estudo para a ilha, nunca nunca tudo veio caindo como o pessoal diz do céu, caiu mesmo do céu pessoas que estão aqui que se sentiram inspiradas movidas para investir em mim, investiram não é meu é de todo mundo sempre divulgo as pessoas são muito plurais nos meus cursos é isso que eu gosto muito, sempre faço curso de extensão porque aí é uma extensão universitária, pode vir quem quiser tem professor que faz curso de extensão e quer, exige uma graduação vem quem quiser vir, qualquer pessoa que quiser vir tem pessoas de várias denominações tem pessoas que são espíritas tem evangélicos, tem judeus messiânicos tem católicos, que são católicos só de nome e tem católicos engajados tem pessoas que são simples elas têm uma cultura autodidata elas nunca fizeram estudos, elas são pessoas do povo as donas de casa, que você diria não tem condição de acompanhar um curso desse, acompanha maravilhosamente bem tem pessoas simples moram em bairro pobre, não tem condição de pagar o curso 30 reais o curso, a pessoa não tem condição de pagar e faz o curso de graça e entende melhor do que quem pagou, quem está na universidade tem gente que está em doutorado, tem gente que está na universidade tem gente que tem o segundo grau, tem gente que não tem estudo toda essa gente acompanha esse curso então as perguntas são muito baseadas naquilo que é do interesse da pessoa tem gente que está sedento tem gente que quer provocar algumas polêmicas polêmica eu não gosto eu gosto de responder com sinceridade mas polemizar, polemizar eu não gosto e a pessoa nota logo, dali por diante ela já faz as perguntas que merecem crescimento para todo mundo mas algumas pessoas, eu acho bom porque tem essas senhoras, esses senhores que fazem perguntas práticas como é que eles coletam água no deserto e isso leva vários minutos explicando a coisa isso é importante, que o estudioso que fica na estratosfera não se pergunte como é que eles fazem banho ritual em um lugar que nunca chove no mar morto que não pode ser vai estar no material pessoas mais simples, pessoas que dizem assim eu vim para esse curso, que eu gosto muito dos seus cursos mas eu não sei o que é manuscrito do mar morto, a única coisa que eu sei desse seu curso é o que é novo testamento eu não entendi nada do objetivo do curso eu não sei nem para que esse curso mas eu gosto do que você fala e eu estou aqui o duro é quando a pessoa fala assim eu não sei o que é manuscrito, não sei o que é mar morto não sei para que isso tem a ver com o novo testamento e outra coisa, acho que não tem que ir lá aprender e essas pessoas são ótimas porque elas ficam admiradas e elas acompanham e acabam acompanhando então é uma turma bastante plural eu sempre acho que vai menos pessoas, primeiro começou com a sala a sala que cabe 30 pessoas, aí não deu certo eu nunca mais faço curso na sala de aula, vou ter que ver com a faculdade o mini auditório cabe mais ou menos 100 pessoas então pedi o mini auditório quando foi agora, do manuscrito do mar morto, primeiro dia véspera da eleição, dia 6 de outubro eu disse, até tive que entrar em contato com o TRE, deram permissão para funcionar porque era longe das salas onde ninguém podia ir porque no dia seguinte ia acontecer sessões eleitorais e tal o cartório eleitoral deu autorização a gente usou esse mini auditório que fica mais afastado um pouco só que foi gente demais, quer dizer, de um curso para outro aquela divulgação assim que a pessoa vai falando então eu fiquei admirada e as novices que estavam na inscrição ficaram aflitas porque era gente demais foi só um sábado muitas pessoas faltaram tiveram que viajar por causa da eleição então no segundo encontro já foi no auditório grande para 250 pessoas não tinha as 250 pessoas tinha algumas vagas, mas pouquíssimas as pessoas ficam sedentas porque é um outro jeito de estudar o novo testamento aquela coisa que a pessoa está acostumada a ouvir sempre sempre na sua igreja, no seu movimento, no seu grupo religioso ou mesmo na universidade tem gente que é da área de história fica admirada, teve um congresso aqui que eu fui apresentar alguma coisa de um dos documentos me chamaram aí e as pesquisadoras, as doutoras da área de história aqui da universidade ficaram admiradas da outra universidade mas eu não sabia que aqui em Fortaleza aqui não temos ninguém que dê conta de textos do primeiro século ninguém que dê conta de texto em hebraico e você, ultimamente todos os doutorados são sobre a época contemporânea, a pós-modernidade você está estudando essas coisas ficaram admiradas vem muitos alunos da área de história os cursos valem como créditos complementares para a área de humanidades de letras, de história, de filosofia e aí vai então a pergunta é mais com o momento que a pessoa está vivendo quem está fazendo um doutorado em alguma coisa joga uma pergunta assim e eu vou explicar de uma forma que todos possam entender porque o meu objetivo é que todos entendam e é incrível, todos entendem todos entendem tudo direitinho e comentam no intervalo, comentam depois passam o e-mail, vão no facebook, conversam com a gente essas senhoras chamam a gente para um cafezinho com tapioca, que não é com pão de queijo, é com tapioca conversam, mostram que entenderam realmente uma coisa que elas não tinham ideia do que seria é muito bonito isso aí, muito bonito eu posso estar perguntando uma coisa mais ridícula até que teve um comentário, aquela história que Jesus é casado com Maria Magdalena isso tem a ver com alguma coisa relacionada a manuscritos também?

Aí é outra descoberta que é em Nag Hammadi, no Egito que são textos cristãos guinórticos então é outra coisa é outra coisa, ou seja, a gente não pode misturar isso daí porque a gente que não sabe não a pessoa vai imaginar que isso tem a ver com manuscrito do mar é um outro achado próximo da mesma época, porque tiveram muitos achados quer dizer, houve uma abertura de grutas uma abertura de grutas em pouco período de tempo em mais ou menos 50 anos as grutas foram abertas as pedras falaram e sim, gritaram foi um achado tem um antigo bispo chamado Irineu que era bispo de Lyon que ele menciona que dentro do cristianismo teriam muitos guinórticos aderidos ao cristianismo e fizeram um cristianismo à parte um cristianismo bem dentro das filosofias guinórticas bem desencarnado no mundo bem na estratosfera bem intelectualizado e que se contrapunha àquela corrente que desde o início estava vindo de Jesus, de Paulo e etc e dos apóstolos ele menciona esse grupo num livro chamado Contra as Heresias é porque ele considera uma heresia ele menciona será que aconteceu com esse pessoal uma das coisas foi em Nag Hammadi, no Egito encontraram evangelhos textos que se autodenominam evangelhos evangelho de Tomé, evangelho de Maria Magdalena evangelho de Maria Mãe de Jesus evangelho de Paulo, evangelho de Pedro, evangelho de Felipe e vários evangelhos que eram desconhecidos e que são mais ou menos lá do século III ou século IV possivelmente então as cópias são mais ou menos disso e não sabemos se são o material é dessa época porque o que a gente tem que fazer é, quando encontra testar o material carbono 14, é de tal época mas a ideia, a letra, veio da cabeça de quem, quando aí é outra coisa para saber se é cópia ou não, se é cópia antiga, se é cópia recente então como são textos desconhecidos e tem aí toda uma coisa aí das pesquisas então é um curso sobre comparar esses textos gnósticos com o Novo Testamento como nós o temos, aí é uma outra coisa esses textos que falam de Maria Magdalena que Jesus é casado e assim, não são textos de cunhado, são textos feitos por cristãos que tinham uma outra linha de pensamento que não aquela linha que veio de Paulo e dos apóstolos e que combatiam essa linha de Paulo e dos apóstolos dando outro tipo de texto que não aqueles que inclusive são muito antissemíticos, são muito contrários aos judeus é o que dá uma característica aos textos gnósticos que vai caracterizando primeiro um antissemitismo enorme que forma um contraste com o cristianismo que vem de Paulo e dos apóstolos que não tem isso, tem críticas ao judaísmo estabelecido mas não é antissemita, porque eles eram judeus então outra coisa uma visão do mundo material como um degredo como uma coisa horrível, tudo ligado a vida física é negativo, é o mal, é a sombra é uma doutrina muito diferente que a dimensão espiritual estaria vinculada a qual é o ser humano espiritual mais espiritual, mais evoluído espiritualmente falando na linguagem de vocês qual seria o sinal de que o ser humano está mais evoluído espiritualmente para os gnósticos é a intelectualidade não a moralidade é a intelectualidade e para eles que é pouco evoluído espiritualmente é o artesão o artesão está mais ou menos mas quanto mais lida com a matéria, para ele menos evoluído está então a pessoa que faz um trabalho braçal que constrói, que é trabalhador na construção que lida com a matéria, quanto mais lidar com a matéria menos evoluído espiritualmente está e quanto mais desligada a matéria, por exemplo, um cara que não faz nada e fica pensando as ideias para as considerações das ideias puras esse aí seria o mais evoluído espiritualmente há um engano que é isso que também aparece no texto do Irineu é mostrar o engano, porque para esses cristãos gnósticos, Jesus nunca esteve próximo de leproso, nem de prostituta, nem dessas pessoas altamente materiais e pouco evoluídas espiritualmente e que Jesus esteve sempre com os intelectuais eles distorcem muito e então eles dizem tudo o oposto do que Jesus poderia ter dito ter ensinado, essa dimensão mais moral não aparece tanto, o que vale é a intelectualidade e outra coisa eles usam uma linguagem extremamente simbólica onde beijo na boca é símbolo de transmissão de conhecimento, então até isso também na leitura desses textos é preciso fazer essas e que eles eram, os textos deles eram apócrifos por decisão deles quer dizer, era só para os iniciados não era tornado público, eram textos que eles tinham para os próprios de uso interno, não era para circular como é que ele teve acesso?

Alguém se infiltrou e levou para o bispo, como era de praxe na época o bispo colocou alguém lá e depois… infiltrado era assim que se resolvia algumas coisas, para saber como os gnósticos pensavam e o bispo mandava alguém se infiltrar lá e se infiltrar, e depois voltava para o palácio do bispo para contar o que era, era assim que eles sabiam porque os gnósticos eram muito herméticos então eles escreviam os evangelhos para eles, para não usar os outros então não se usa esses evangelhos aí esses evangelhos aí não tem a verdade essas cartas de Paulo ninguém usa não, não vamos dizer outra coisa que Paulista e fez é importante ter essa dimensão histórica de que os escritos gnósticos eles se contrapõem aos 27 livros do novo testamento, porque é uma coisa que existe no meio espírito também, da ingenuidade que a gente falava dos decênios essa ingenuidade, como que as pessoas são ingênuas ao absorverem textos gnósticos fazem uma leitura sem contextualizar historicamente, sem entender que grupo é esse sem entender quais são os seus propósitos a sua ideologia, e ficam ingenuamente aplaudindo e achando que é uma coisa maravilhosa não é que nós estamos desmerecendo o texto gnóstico, não é isso é colocando ele no lugar dele tem informações históricas, e a gente estuda não, qualquer coisa a gente pode estudar e deve, é para ajudar a compreender a postura de quem estuda é uma postura crítica a postura de realmente aprender com esses textos, pode ser o que forem é uma postura de quem quer ver a coisa de forma crítica então a gente tem uma postura de não engolir tudo, não é uma coisa que acontece muito hoje em dia, que é substituição de conhecimento eu ouço uma coisa, eu leio outro livro, eu substituo o que eu aprendi por aquilo que eu não, é de avaliar, de avaliar contexto de avaliar polêmica, de avaliar várias situações, e aquilo que tiver para informar, para a gente ver que o cristianismo também era plural que tinha uns da linha ebionita que estavam querendo transformá-lo simplesmente no judaísmo e estavam de uma linha mais, o que eu acho interessante é que Paulo se situou bem no meio porque nem é só judaísmo para repetir ritos judaicos nem é gnosticismo nem é totalmente tão grego assim então é algo para a humanidade toda e que pode ser dito em diversas culturas, em diversos modos então ele sobe situar-se nesse ponto do meio porque do mesmo jeito que houve gente judaizante, que Paulo critica tem os helenizantes também tem os helenizantes que culminam nos gnósticos e hoje tem esses grupos porque que rejeitam cartas de Paulo porque que rejeitam o Novo Testamento porque esses textos batem com aquela postura helenizante gnóstica, da mesma forma que bate contra os judaizantes também então eles não aceitam então eles vão dizer que Paulo escreveu um evangelho, outras cartas outros evangelhos, outros textos atos de Paulo, outras coisas que Paulo fez que não é aquilo é isso aí pessoal uma conversa deliciosa mais uma vez de frente para o mar é uma pena que nós vamos tirar uma foto dessa vez vamos levar uma foto para vocês nós prometemos o vídeo e não colocamos vamos ver se a gente faz um vídeo aqui para vocês dessa brisa do mar maravilhosa que entra na sala aqui a gente vê esse marzão lindo, verde o pessoal vai sentir um certo eco na gravação é porque a gente está em uma sala aqui na antessala da biblioteca eu acho que não vai não e tem o sino também eu esperei ouvir o sino hoje de manhã e não ouvi mas tocou você escutou?

Eu fiquei com sono assim e não acordei eu estou aqui com a irmã e ele está aqui com o Aron o Tiago e o Julio e eles são uns monges muito bem comportados eles são bem comportados só que eles ainda estão na idade média então eles acham que o despertar às 21h e é 17h30 olha só aí eles despertaram na hora nós tivemos que acordar às 17h30 fazer as preces às 18h tomar café às 18h30 eu acordei duas vezes, só o espírito sentava na beirada da cama sabe o que eu estava imaginando? Com medo de perder o sino eu sentava na cama e olhava para uma janela e já via que estava todo mundo lá rezando e eu perdi o negócio literalmente você perdeu e o Tiago que não suportou a vida monástica e dormiu no meio da manhã mas o Tiago estava com a garganta eu estou quase não falou aqui eu tenho as minhas desculpas estou com a garganta muito inflamada estou tomando uma tonelada de remédio estou muito feliz com a vinda desses três aqui para casa, com tanto tempo juntos que nós nunca temos esse tempo juntos eu acho que esse pode ser não ficou tão leve não ficou tão leve quanto o outro que foi mais questão de estudo mesmo mas é uma coisa muito importante para a gente poder entender o Novo Testamento as vezes sai muita coisa na mídia a gente não sabe o que escolher não é tudo que tiver no Google sobre como um ranking você deve ter como uma verdade científica então é mais uma ajuda para para que as pessoas possam discernir em que elas vão poder acolher com mais consciência crítica ou não o que a gente pode agradecer muito obrigado Ayla pelo conhecimento que você nos passa hoje eu tenho certeza que vai ser muito bom para a nossa comunidade também e aí e aí e aí e aí e aí

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Boa tarde!
    Sou fã do trabalho de vocês, tanto dos estudos quanto dos Pods. Trabalho magnífico, que com esse jeito despretencioso, mas profundo, cria uma trilha nova, desdobrando entendimentos e novas abordagens.
    Estávamos realmente carentes disso no Movimento. Mas a espiritualidade sabe o que faz. Tudo no seu tempo…
    Esse link aborda pesquisa recente em AI, envolvendo os Manuscritos do Mar Morto e tem forte relação com este Podcast.
    https://www.uol.com.br/tilt/noticias/bbc/2021/04/26/inteligencia-artificial-desvenda-misterio-dos-manuscritos-do-mar-morto.htm
    Muito obrigado por tudo.
    Muita Paz!
    Aroldo dos Reis Rocha Júnior.
    (Aracruz – ES)

Hide picture