Neste episódio, Haroldo Dutra Dias nos conduz pelo estudo do capítulo 5 do livro de Gênesis, à luz da Doutrina Espírita. Acompanhamos a genealogia de Adão a Noé, compreendendo o Velho Testamento como um livro de genealogia, que narra a história dos patriarcas e os fundamentos da fé monoteísta.
O que é estudado neste episódio
- Gênesis como Livro de Genealogia: Exploração do conceito de “Gênesis” como “gerações” (Toledot em hebraico), que divide o livro em dez partes, traçando a linhagem de Adão até o último profeta do Velho Testamento, preparando o terreno para a mensagem de Jesus.
- Interpretação Simbólica do Texto: A necessidade de compreender o Gênesis, especialmente o capítulo 5, como uma literatura altamente simbólica, que dialoga com a mitologia do Oriente Próximo. A não literalidade de passagens como a longevidade dos patriarcas (ex: Lameque viveu 777 anos) é enfatizada, indicando que os patriarcas representam períodos evolutivos ou eras.
- Ciclos Temporais e Setenários: A forma peculiar do povo hebreu de dividir o tempo em ciclos de sete (sete dias, sete semanas, sete anos, etc.), e como a soma das idades dos patriarcas no capítulo 5 resulta em um período de 4.000 anos de Adão a Jesus, que, somado a outros períodos, completa um “ciclo de 7.000 anos” (uma “semana de milênios”).
- O Significado de “Homem” e o Projeto Divino: A passagem que descreve a criação do homem e da mulher, ambos chamados de “homem” (ser humano), e a missão de refletir Deus na Terra. A discussão sobre o “projeto divino” que foi “abortado” pela escolha humana de autossuficiência, levando a um crescimento exponencial do mal.
- Adão e Dilúvio como “Tipos”: A compreensão de Adão como um “tipo” ou “rascunho” do ser humano que deveria ser imagem e semelhança de Deus, apontando para Jesus como o “novo Adão”. O Dilúvio é apresentado como um “tipo” ou “miniatura” da transição planetária, um esboço de algo maior e universal.
- Princípios Espíritas na Leitura do Gênesis: A importância de ler o Gênesis com os princípios da Doutrina Espírita em mente (evolução espiritual, pluralidade dos mundos, Espíritos criados simples e ignorantes, escala espírita, não retrogradação do Espírito) para compreender os grandes símbolos do Velho Testamento sobre a evolução planetária.
- Enoque e o Arrebatamento: A figura de Enoque, que “andou com Deus” e “desapareceu, pois Deus o arrebatou”. A interpretação simbólica do arrebatamento como um estado de comunhão com Deus, contrastando com a interpretação literal que surgiu após a Reforma Protestante. Enoque e Elias são vistos como pontes entre o espiritual e o material.
- Noé e o Fim de um Ciclo: Lameque, pai de Noé (Noar), que viveu 777 anos, simbolizando o final de um ciclo. Noé representa a consolação e o coroamento de um trabalho, trazendo o Dilúvio como uma grande tribulação que destrói um mundo velho para reconstruir um novo, análogo à transição planetária.
- A Universalidade da Humanidade: A descendência de Noé (Sem, Cão e Jafé) abrangendo toda a humanidade conhecida, simbolizando a origem comum e a irmandade da espécie humana, uma mensagem contra a segregação e a superioridade de uma nação sobre outra.
- Progressão Exponencial do Mal: A genealogia do capítulo 5 descreve a progressão geométrica e exponencial do mal, que atinge um ponto de saturação e colapso, não sendo destruído pela providência divina, mas autodestruindo-se. Este processo é comparado à transição planetária, onde o mal atinge seu auge antes da regeneração.
Reflexões
- O Velho Testamento, quando lido à luz da Doutrina Espírita, revela-se um monumento de sabedoria, cujos símbolos e narrativas sobre a evolução da humanidade e do planeta ainda ressoam em nossos dias, oferecendo chaves para compreender os desafios e as transformações atuais.
- A compreensão da natureza simbólica das Escrituras é fundamental para evitar interpretações literais que distorcem a mensagem espiritual e moral, permitindo-nos apreender a profundidade dos ensinamentos sobre a evolução do Espírito e da Terra.
- A progressão do mal, que atinge seu clímax e colapsa, é um lembrete de que, mesmo nos períodos de maior tribulação, a autodestruição do mal abre caminho para a regeneração e a renovação, um convite à construção da “Arca” interior para atravessar as transições com segurança espiritual.
Ler transcrição do episódio
Olá, amigos! Iniciamos, hoje, mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. E, agora, caminhando, já, para o final, chegando ao término desta nossa temporada e, já, anunciando uma nova temporada no ano de 2018, que começa essa nova temporada do ano que vem, já com a história de Noé, do Dilúvio e termina, agora, essa temporada deste ano, fechando, aí, o capítulo 5 do livro Gênesis e dando um panorama de tudo o que já foi falado até agora, a gente gostaria de reforçar que o livro Gênesis, e o próprio nome já indica, é um livro de genealogia, daí o nome Gênesis.
Na verdade, o nome em hebraico, o Bereshit, pega a primeira palavra do livro Gênesis, mas a divisão do livro se dá pelas Toledot, que são as gerações. Na verdade, o livro todo é dividido em dez gerações. Ele conta, então, a história dos patriarcas, a história dos inícios, dos fundamentos, das fundações, da fé monoteísta, ou seja, aquele conjunto de missionários e aquele conjunto de ciclos planetários, de ciclos de gerações de trabalhos que foram necessários para a implantação da fé monoteísta. Após esse imenso círculo, esse imenso arco que vai de Adão até o último profeta do Velho Testamento, uma vez consolidada a fé monoteísta, o mundo estava preparado para receber a mensagem insuperável, incomparável de Jesus com a revelação do Evangelho.
Aqui, então, no capítulo 5, nós vamos encontrar um fechamento. Ele vai descrever de Adão a Noé, as gerações, os filhos de Adão a Noé. Agora, é claro que aqui o texto de Gênesis, especialmente este capítulo 5, ele dialoga com a literatura do Oriente Próximo, que é uma literatura altamente simbólica que chega a tangenciar aspectos da própria mitologia. Então, quando a gente estuda a mitologia grega, Homero, Exíldo, a mitologia mesopotâmica Gilgamesh, que agora acaba de ser traduzida, inclusive, pelo Jacinto, que foi meu professor de grego, pela editora da UFMG, esse livro de Gilgamesh, e outras mitologias da Babilônia, do Irã, de toda aquela região, a gente percebe que este trecho aqui do livro de Gênesis compartilha com esta literatura um olhar, uma forma de descrever a história humana ou este trecho da história humana.
E, evidentemente, quando, aqui no capítulo 5, a gente lê, por exemplo, que Lameque viveu 777 anos, é óbvio que nós não podemos interpretar esta afirmação, este texto de forma literal, que um ser humano viveu 777 anos. Não é esta a proposta literária do texto. Fica evidente, aqui, que o texto elege um patriarca para dar nome a um período evolutivo. Nós usamos isto, até mesmo, na linguagem da história. É tanto que dizemos, assim, a era Vargas. O que significa isto? É que esta era não se limita a atuação ou a vida de Getúlio Vargas.
Você cobre um período. Nós costumamos dizer, por exemplo, o período ou a era da Rainha Elizabeth, o período elizabetano, se referindo, aí, a todo um ciclo da história europeia, sobretudo, vinculada à Inglaterra, período elizabetano, que marcou culturalmente, artisticamente, cientificamente, sociologicamente, toda uma geração da terra, envolvendo vários países. E, isto não se restringe, especificamente, à Rainha Elizabeth ou ao seu período de vida. Ninguém se refere a isto. Aqui, também, o patriarca é citado, dá-se uma data e esta data é importante, porque é com esta conta e somando, somando, somando, que nós vamos ver que de Jesus a Adão temos quatro mil anos.
Onde que se consegue estes quatro mil anos? Estes quatro mil anos são conseguidos somando-se os períodos de vida de todos estes patriarcas aqui. Quando um gerou quem, gerou quem, você vai somando isto tudo e obtém, através desta soma imensa, este período de quatro mil anos de Adão a Jesus. Logo, a gente percebe que o texto possui uma estrutura altamente simbólica. É como diz Emmanuel, no livro Consolador, que o Velho Testamento, Consolador e o Caminho da Luz, o Velho Testamento está repleto de expressões altamente simbólicas que eram acessíveis somente aos grandes mestres da raça.
É um monumento, também diz, né, um monumento da ciência secreta do povo hebreu, que contém aqui um conjunto de conhecimentos, um olhar todo peculiar deste povo para a história humana. O interessante aqui é que a gente já percebeu isto. Toda vez que nós estamos falando de ciclo do tempo, melhor dizendo, toda vez que nós falamos do tempo, o povo hebreu tem um modo peculiar de dividir este tempo em ciclos setenários, ciclos de sete, sete dias na semana, sete semanas, sete semanas, que é, por exemplo, Pentecostes, Pentecostes são sete semanas, quarenta e nove dias, quinquagésimo dia é o Pentecostes, sete meses, sete anos, sete vezes sete, que são quarenta e nove anos, que é o ano de jubileu, e assim por diante.
Então, é uma forma de se dividir o tempo, uma forma de olhar para os ciclos temporais e fazer relações. Então, se você soma a idade de todos estes patriarcas aqui do capítulo 5, como dissemos, chega-se a um tempo que vai de Adão a Jesus de quatro mil anos. Aí, você pensa, quatro mil anos? Está faltando quanto para sete mil anos? Três mil anos. Aí, você pega Jesus, mais dois mil anos, opa, seis mil anos. A grande tribulação, a transição, mais mil anos, e, aí, a regeneração da Terra, completando sete mil anos, ou seja, uma semana, uma semana de mil anos, em que cada dia são mil anos.
Então, é uma maneira de se olhar para este texto. É isto que o texto está querendo dizer, é isto que o texto está trabalhando. Aqui, a gente percebe um artesanato. Por exemplo, o capítulo 5 começa assim, Eis o livro da descendência de Adão. Então, esta expressão, Eis o livro da descendência, que é uma tradução em português, em hebraico está dizendo assim, é o Toledoto, o livro das gerações, o livro das gerações de Adão. Toda vez que vem esta expressão, a gente tem uma divisão no livro de Gênesis. E, aí, você consegue determinar as partes, que são dez partes, no livro de Gênesis.
Então, este é o livro da descendência, o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou Adão, ele o fez à semelhança de Deus, homem e mulher, ele os criou, abençoou-os e lhes deu o nome de homem, ser humano. Adão, no dia em que foram criados. Então, aqui é um resumo de tudo o que a gente viu. E, este resumo é interessante, porque criou homem e mulher e chamou o homem, tanto Eva quanto Adão, de homem, quer dizer, do ser humano, da espécie humana. É um resumo interessante. Imagem e semelhança de Deus, porque este ser humano teria a missão de refletir Deus na Terra e não o fez.
Não o fez por quê? Já comentamos isso. O projeto divino foi abandonado e foi adotado o projeto da serpente. Com isso, o plano divino em que Deus iluminaria o mundo através do ser humano é abortado e vem um projeto de o homem pelo homem, através do homem, o homem medida de todas as coisas. Um projeto de autossuficiência humana. Deus é excluído e coloca-se no lugar a autossuficiência humana, que é o grande problema. Este problema vai acarretar num crescimento exponencial do mal que sai da esfera individual e atinge a esfera familiar, a esfera comunitária e, por fim, o mundo inteiro.
Então, este é o arco do capítulo 5. Ele sai de Adão e para em Noé, porque Noé é o último patriarca antes do dilúvio. Depois, nós teremos o dilúvio, que é um novo mundo, é uma figura, um tipo. Nós vamos ver isto depois, no ano que vem, na próxima temporada, que o dilúvio ele é um tipo, ele é um indício, um rascunho da transição planetária. É uma miniatura do que viria a ser, do que seria a transição planetária. Isto também é muito interessante, porque nós precisamos ler o Velho Testamento com este olhar tipológico. Quer dizer, eu olho para as coisas que estão sendo narradas no Velho Testamento entendendo que ali são dicas, são sinais, são esboços de algo muito maior e universal que virá adiante.
Não é? Nós já comentamos isto aqui. Então, eu olho para Adão imaginando Adão como um tipo, como um sinal de um homem que há de vir. Foi assim que Paulo leu no capítulo 5 de Romanos, capítulo 5 e 6 de Romanos, em que ele afirma expressamente no capítulo 5 de Romanos que Adão é um tipo daquele que havia de vir. Porque Adão é o ser humano que deveria ser a imagem e semelhança de Deus e não foi. Então, ele é um rascunho, ele é um esboço, ele é um plano que não conseguiu ser executado. E ele indica, então, que deverá vir um outro ser humano que vá concretizar este projeto.
Este ser humano é Jesus. Então, vem Jesus, que é o segundo Adão ou o novo Adão e ele, sim, Jesus será imagem e semelhança de Deus. Então, ele irá concretizar o que está dito no livro. Então, Adão é um tipo ou uma figura que aponta para Jesus. O Dilúvio é um tipo, uma figura que aponta para a transição planetária e assim por diante. Então, a gente percebe que no livro de Gênesis, daí a importância de se estudar o livro de Gênesis, mas de se estudar o livro de Gênesis com estes princípios da doutrina espírita, evolução espiritual, pluralidade dos mundos, os três elementos do universo, Deus, Espírito e matéria, os Espíritos criados simples e ignorantes, a escala espírita, que é a evolução dos Espíritos do estado de simplicidade e ignorância até o estado de pureza, o princípio da não retrogradação do Espírito.
Então, todos estes princípios nos ajudam a compreender estes grandes símbolos do Velho Testamento que estão dizendo sobre a evolução planetária. Então, o livro de Gênesis é um livro da evolução planetária. Ou, como dizem, nós podemos falar isto com várias linguagens. Eu posso dizer isto numa linguagem, por exemplo, protestante. Então, nós diríamos que o livro de Gênesis é um retrato do plano da salvação de Deus, o plano que Deus tem para salvar o mundo. É uma linguagem protestante, não é? E, de certo modo, católica.
A teologia católica também vai dizer isto, mas com outras palavras. Mas, o que está se querendo dizer com isto? Nós podemos dizer isto numa linguagem espírita, o livro de Gênesis retrata o plano divino para a regeneração do mundo, a regeneração dos Espíritos e a regeneração do mundo. Ou seja, a transformação de todos os Espíritos da Terra em Espíritos puros até um determinado momento e a própria evolução do orbe, porque os orbes também seguem uma escala. Mundo primitivo, mundo de expiação e prova, mundo de regeneração, isto está na codificação.
Os mundos também têm um ciclo evolutivo, a ponto dos Espíritos dizerem Deus renova os mundos como renova os seres vivos. Então, os mundos também têm um ciclo. Infância, adolescência, maioridade, maturidade e velhice. Depois, morte, nascimento, morte. É um ciclo evolutivo dos mundos e a Terra não fugirá da regra universal de todos os orbes do universo. É isto que está retratando. Então, quando a gente tem estes princípios em mente, fica mais fácil a gente ler aqui o texto. Começou no Adão e aí vai citando todos os patriarcas, que são estágios evolutivos, melhorias.
Uma geração vai melhorando a outra. Não se corrige todos os erros de uma vez. Então, Adão está aqui com seus erros, vem a próxima geração, melhora um pouco, mas comete erros, vem a outra e vai progressivamente havendo uma melhora. Um fato que chama atenção no capítulo 5 é este aqui. Quando chegamos aqui numa geração de Enoque. Isso é importante. Enoque completou 65 anos, gerou Matusalém. Enoque andou com Deus. Interessante isto aqui. Então, nesta expressão aqui, a gente percebe que Enoque é uma geração que está mais conectada com as leis divinas.
Enoque andou com Deus. Depois do nascimento de Matusalém, Enoque viveu 300 anos e gerou filhos e filhas. Toda a duração da vida de Enoque foi de 365 anos. Um simbolismo importante aqui, porque 365 anos é uma alusão ao ano solar, o ano terráqueo, o ano terreno, que é a revolução da Terra em torno do Sol. Aproximadamente, óbvio, aproximadamente, 365 dias. 365 dias. Aqui, você vai 365 anos. Então, tem um simbolismo aqui. Tem uma coisa importante aqui acontecendo com Enoque. Quando chega neste estágio evolutivo que é Enoque.
Não pense Enoque como uma pessoa, embora possa ter tido uma pessoa chamada Enoque, que dê o nome. Entende? A era Elizabethana, teve uma rainha Elizabeth? Teve, mas a era não é a rainha. A era é um conceito mais amplo que a rainha. A era Getúlio Vargas, teve o Getúlio Vargas? Teve, mas a era Vargas não se limita ao homem Getúlio Vargas. Aqui, também. Então, viveu um Enoque? Com certeza, deve ter vivido alguém com esse nome de Enoque. Mas, aqui, o texto está se referindo a um período que é muito mais amplo do que a pessoa Enoque.
Este período é importante, porque tem 365 anos. Então, há um simbolismo aqui. Enoque andou com Deus, depois desapareceu, pois Deus o arrebatou. Aqui, nesta frase quase mística, há um tipo, um outro tipo, um elemento importantíssimo. Que vai aparecer muito no Apocalipse, que é a figura do arrebatamento. Qual é o problema do arrebatamento? O problema do arrebatamento é que, com a Reforma Protestante, estes símbolos do Velho Testamento, outros símbolos do Novo Testamento, receberam uma interpretação literal. Literal. Literal.
Então, por mais incrível que pareça, há pessoas que acreditam mesmo que é quase um filme de extraterrestre, Independence Day. As pessoas vão estar andando e, de repente, todo mundo vai começar a flutuar e os fiéis vão ser arrebatados. É hollywoodiano que decorde uma interpretação literal. Decorde uma interpretação literal. Qual é o problema da interpretação literal? O problema da interpretação literal é o seguinte que, se você interpretar uma frase da Bíblia literalmente, você tem que interpretar todas. Todas elas.
Todas. Por quê? Se eu interpreto uma frase literalmente e, aí, outras eu não interpreto literalmente, quem que está escolhendo o que deve ser interpretado literalmente e o que não deve ser? Não é? Então, se eu interpreto literalmente que Deus arrebatou Enoque, eu tenho que interpretar literalmente a fala de Jesus que, se o seu corpo te escandalizar, você vai amarrar uma pedra de moer e vai afundar no lago, você vai se suicidar. Então, Jesus está mandando você se suicidar se você cometer um erro. Ah, mas eu não posso interpretar isso literalmente.
Bom, então, por que você pode interpretar literalmente o arrebatamento de Enoque? O que pode ser interpretado literalmente e o que não pode ser? Quem diz o que pode e o que não pode? Aí, eu vou cair no arbítrio de uma pessoa. Vou ter que eleger uma pessoa para dizer para a humanidade o que pode e o que não pode. Quer dizer, não tem lógica isso. Não faz sentido isso. Não é? Ou você entende que a Bíblia é literatura e interpreta os símbolos dela, ou você interpreta tudo literal. Se eu interpretar tudo literal, é uma tragédia.
Então, se a tua mão te escandalizar, corta. Corta a mão. Então, chega alguém lá na igreja ou na casa espírita e fala Ah, fulano, eu cometi um erro, então, deixa eu cortar a sua mão. Jesus que mandou. Não, mas não podemos interpretar isso literalmente. Aí, eu vou interpretar o arrebatamento de Enoque literalmente. Vamos voltar, recobrar a razão, o bom senso, vamos recobrar o nosso conhecimento, o conhecimento que a humanidade já tem de literatura, de literatura do Oriente Próximo, da literatura das nações vizinhas ao povo hebreu, livros que sobreviveram e que tem um relato semelhante a esse, e interpretar com sabedoria.
Então, o arrebatamento de Enoque está explicado pelo próprio texto. Enoque, olha só, o que está dizendo assim? Enoque andou com Deus. O Enoque é um tipo, é uma simbologia daquele ser, daquela comunidade, daquela família, daquele grupo e daquele período em que as leis divinas foram respeitadas. É isso. Então, o fato de ele ser arrebatado por Deus significa que a consequência desse seguir as leis divinas é ir para junto de Deus. Esse é o sentido do arrebatamento, ir para junto, entrar no estado de comunhão com Deus. Esse é o sentido, não o arrebatamento de Hollywood.
Outra figura que vai ter o arrebatamento é o profeta Elias. E é interessante que, na simbologia, nos símbolos da tradição judaica, essas duas figuras que foram arrebatadas, Enoque e Elias, exercem um papel muito importante, porque como eles foram arrebatados, eles vão e voltam a hora que quiserem. Esse é o simbolismo. Então, por exemplo, Elias vem sempre anunciando o Messias. Ele volta, ele simplesmente volta, porque ele não morreu, entre aspas. Então, esse elemento que foi arrebatado, ele torna-se uma ponte entre o espiritual divino e o plano material humano.
Então, pensa, plano espiritual divino e o plano material humano. Ele se torna uma ponte. Esse é o simbolismo. Então, é muito importante aqui esse arrebatamento de Enoque, porque, quando nós formos estudar o Apocalipse, esse símbolo aqui é importante para fazer conta. Nos cálculos proféticos, esse fato aqui é um fato importantíssimo. Ele marca um tempo. Então, de Adão a Enoque, nós temos um período importante aqui. É uma régua e aí nós vamos aplicá-la. Nós vamos aplicá-la. Não é? Vou falar aqui, só jogar a sementinha, porque não é nosso propósito trabalhar esse termo agora.
Mas, o arrebatamento de Enoque, se eu aplico essa régua, simetricamente, eu chego à regeneração do mundo. A saída da transição planetária e a entrada no mundo de regeneração é um novo arrebatamento. Não, agora, de Enoque, mas, agora, da humanidade inteira. Então, olha o sentido de arrebatamento. Esse é o sentido de arrebatamento. É de uma purificação, de uma espiritualização, de um novo estágio espiritual e evolutivo. Então, a gente aplica essa simetria. O símbolo não é fácil, é preciso ter paciência, ter calma para entender esses símbolos.
Mas, uma coisa é certa, a construção e a explicação dos símbolos está no próprio texto bíblico. Está no próprio texto bíblico. Se eu respeitar a estrutura do texto bíblico, eu já resolvo aí 40, 45% dos problemas. Só de respeitar a estrutura do texto. E, aí, depois do Enoque, aí vem o Matusalém e vem o Lameque. Olha que interessante. O Lameque que vai gerar Noé, Noar. Noar. Quando Lameque completou 182 anos, gerou um filho e deu o nome de Noar, porque disse ele nos trará em nossas tarefas e no trabalho de nossas mãos uma consolação tirada do solo que o Senhor amaldiçoou.
Então, a ideia de Noar, de Noé, é o descanso, a consolação, o coroamento de um ciclo de trabalho. Isso que Noé representa. Por isso que ele traz o dilúvio. Isso é importante. E quanto tempo que o pai de Noar, de Noé, viveu? Setecentos e setenta e sete anos. É ou não é simbólico? Setecentos e setenta e sete anos. Não é? Então, olha o sete, que é o dia do descanso, o dia consagrado a Deus, e o Lameque, setecentos e setenta e sete, final de um ciclo. Aí, vem Noar, que é a consolação. E, com Noar, com Noé, o dilúvio, que é uma grande tribulação que destrói um mundo velho para reconstruir um mundo novo.
Isso está ou não está aparecendo? Transição planetária, mundo de regeneração, final de ciclo, não é o que a gente diz? É essa a linguagem. Se você pegar o final do livro A Gênese, de Kardec, essa linguagem simbólica é retomada pelo codificador e pelos Espíritos, que dão mensagens no livro A Gênese. Está lá retomando essa linguagem, porque essa linguagem é um modelo, é uma forma de você entender as coisas, é uma forma de organizar o raciocínio, pensar em ciclos, em períodos evolutivos. É uma maneira, é um olhar, uma forma de você organizar as coisas, para melhor entender, para a gente melhor compreender.
Então, e aí o Noar, Noé gera Sem, Cão e Jafé, que são os filhos. É uma coisa importantíssima isso aqui, importantíssima. Nós temos que frisar isso aqui, porque será a segunda vez que o livro Gênesis – olha que interessante isso – quando fala que Noar gerou Sem, Cão e Jafé, depois do dilúvio, nós vamos ter uma explicação dos povos que são descendência de Sem, dos povos que são descendência de Cão e dos povos que são descendência de Jafé. E, nós vamos ver que toda a humanidade conhecida está abrangida na descendência de Noar.
Ou seja, é uma maneira simbólica do texto bíblico dizer que a espécie humana é irmã e tem uma origem comum e que não se justifica, então, uma nação brigar com a outra. Olha que interessante. Esse é o próprio texto hebraico dizendo aos hebreus para eles não se sentirem melhores ou superiores aos outros. Porque a espécie humana tem uma origem comum. Isso já havia sido dito com Adão, que é o patriarca da humanidade, a origem comum do ser humano. Todos os seres humanos são iguais, têm a mesma origem, têm a mesma descendência.
Os patriarcas são os mesmos. Não é? Uma outra forma simbólica de dizer isso. Uma universalização. E, Paulo, o apóstolo Paulo, quando vai trabalhar a universalização da mensagem cristã, ele vai fazer referência a quem? A essas pessoas. Ele volta para Gênesis. Volta para Gênesis. E, aí, vai. Volta lá em Abel. Olha que interessante. Mostrando, aí, o fio condutor para dizer que a proposta foi sempre universal. A proposta foi sempre para a humanidade inteira. Ela nunca foi para um grupo. Um grupo pode ter sido eleito para guiar.
Não é? Então, nesse sentido, Israel era visto como o primogênito. O primogênito significa o filho mais velho, o filho mais experiente, o filho que tinha a missão de educar os outros irmãos, mas nunca a missão de eliminar os outros irmãos e ficar com o mundo exclusivamente para si. Isso não existe. É isso que Paulo vai denunciar para os seus contemporâneos, que eles estavam fazendo uma interpretação equivocada do texto bíblico e que Jesus vinha resgatar esse sentido universalista da revelação divina. A revelação era para todos os filhos, para todos, todos, para o irmão mais velho, para os irmãos mais novos.
Então, aqui, o texto vai afirmar isso também. Então, a gente vê que o capítulo 5 está fechando um ponto muito importante, importantíssimo. Agora, a gente chegando ao final, já, desse episódio, o que é importante comentar aqui? Que de Adão a Noé, que vai inaugurar o dilúvio, que é esse tipo aí de uma transição, de uma tribulação, que aqui é local, que mais adiante será uma tribulação, uma transição universal ou planetária, o que se quer demonstrar aqui é uma progressão geométrica, exponencial do mal. Esse é um ponto importante.
O crescimento do mal e do bem é exponencial. Ele não é aritmético. Então, não é assim, um mal, mais outro mal, dois males, mais outro mal, três males, mais outro mal. Não, não é assim. O mal, dois males, quatro males, oito males, dezesseis, trinta e dois, sessenta e quatro, vai multiplicando, porque a lógica aqui é a lógica da árvore e dos seus frutos. Então, uma semente, uma muda, eu tenho um pé de laranja, mas, peraí, um pé de laranja, ele dá uma laranja? É assim que funciona? Ah, então, eu estou com uma muda de laranja, eu plantei uma muda de laranja, cresceu o pé de laranja, quantas laranjas ele vai dar?
Um número enorme, um número enorme. Assim é o mal e assim é o bem. Assim é o mal e assim é o bem. O mal gera frutos imensos. Uma ação no mal vai gerar inúmeras consequências, inúmeros desdobramentos. Como uma ação no bem, da mesma forma, gera inúmeros desdobramentos. Daí, Jesus nos orientar. Conhece-se a árvore pelo fruto, pelo fruto, os frutos, as consequências, os resultados. Ah, isso é uma teoria muito bonita. Então, agora, a gente está com uma teoria sobre educação de filhos que é x ou y. Então, vamos ver as crianças que foram educadas segundo essa teoria.
Como é que elas são? Ih, vai complicar. Então, não adianta. O fruto não é bom. Ah, mas tem uma outra teoria sobre educação, sobre ensino. Ah, como é que é? Ela fala isso e isso. Quais são os frutos? Fantástico! As crianças aprendem, elas se tornam cooperativas, o aprendizado. Então, o fruto é bom. Então, conhece-se a árvore pelo fruto. Não é pela beleza do discurso, não é pela beleza da teoria, não é pela aparência, não é pela boniteza de quem está apresentando. É pelo fruto. Consequência, resultado. E, aqui, o que se quer destacar no capítulo 5 e que vai ser pontuado no dilúvio é um processo de saturação do mal.
Então, isso é importante. Por quê? Muitas pessoas perguntam assim, por que eu vou estudar Dilúvio, o livro Gênesis de Moisés? Nós estamos vivendo em 2017, por que eu vou estudar isso? Porque, exatamente, por não estudar o texto bíblico, por não se debruçar sobre esses símbolos, essa pessoa não compreende transição planetária e mundo de regeneração. Vai ter dificuldade de compreender. Então, a pessoa fala, mas, meu Deus, será mesmo que vai ter mundo de regeneração? Porque a violência está aumentando tanto, o mundo só está tendo problema.
Gente, mas, olha, transição planetária ou qualquer transição que é um tipo de dilúvio é um processo em que o mal chega ao extremo, extremo. Ele tem que chegar no máximo, no pico. É o que vai acontecer com Dilúvio. Então, o capítulo 5 vai descrever esse volume sendo aumentado até não ter mais. Então, quando a situação chega no auge, auge da injustiça, auge da maldade, auge da corrupção, auge do crime, auge da violência, auge da degradação do meio ambiente, aí começa o grande período da transição que vai levar à regeneração.
É o que está aqui na tipologia. Os Espíritos chegaram a dizer isso na Codificação. O mal tem que chegar aos seus extremos. Está aqui na tipologia. Você tem que chegar ao extremo para que ocorra a mudança. Daí, a importância e, na próxima temporada, nós vamos estudar os elementos simbólicos do Dilúvio para entender o período que nós estamos vivendo agora. E, mais, para responder uma pergunta importante. O que fazer? O que eu faço agora? Corrupção aumentando, violência, as coisas caminhando para um desfecho tenebroso, para um auge mesmo.
Como se portar? Imitar Noé, imitar Noor. Nós vamos ter que imitar Noé, construir a Arca. Por que construir a Arca? Porque a água vai subir, a água vai inundar tudo. A água, no sentido da tribulação, da dificuldade, vai pegar tudo, tudo. Mas, quem tiver a sua Arca construída, vai atravessar, não sem tribulação, não sem dificuldade, mas, em segurança, com segurança psíquica, espiritual, emocional. Este é o sentido. Este é o sentido, aqui, do texto. Mas, nós não estamos falando de Lúcio. Nós estamos falando, aqui, da descrição da progressão do mal.
Então, toda esta genealogia do capítulo 5 de Gênesis é uma descrição simbólica, com todos estes números, aqui, de como se processa esta progressão do mal e o que ocorre até a deflagração, até o colapso do mal. Porque o mal, ele não é destruído pela providência divina. Ele próprio entra em colapso. O próprio mal entra em colapso. É assim. Então, nós imaginamos um corpo, um corpo biológico, que começa a apresentar um tumor. Este tumor vai crescendo, vai crescendo, vai crescendo, até que ele mata o corpo. Ele acabou. Entra em colapso.
Todo mal tem um limite, um colapso, uma linha de colapso em que se autodestrói. E, aí, a gente percebe que o próprio mal se autodestrói. Ele mesmo apressa. Está lá no livro da Gênesis, de Kardec. O próprio mal apressa o seu fim. Na ânsia de domínio, de multiplicar o mal, ele apressa, ele leva ao próprio fim. Então, é isto que está descrito aqui, neste capítulo 5, De uma maneira simbólica, ao falar desta genealogia. Então, aqui, a gente deu esta pincelada. No próximo episódio, a gente quer se deter mais especificamente em Enoch, Lamech e Noar.
Já começar a introduzir o Noé, para a nossa próxima temporada. Então, será o nosso último episódio e a gente quer deter-se nestes personagens, falar um pouco sobre elas, o que a tradição diz sobre elas, o que vai aparecer. Por exemplo, o Enoch, simbolicamente, é o autor de vários apocalipses. Então, muitos séculos depois, escreveu-se literatura apocalíptica usando o nome de Enoch. Não à toa. Isto não é à toa. Isto não é gratuito. Foi o Enoch que escreveu, óbvio. Mas, por que se usou o nome do Enoch? Isto é interessante.
E, depois do dilúvio, depois do trabalho de Noé, de Noar, nós teremos, então, os grandes patriarcas, em que nós vamos estudá-los um por um. Abraão, Isaac e Jacob. Porque o Deus, na primeira e na segunda revelação, na primeira e na segunda, Deus não é Deus. Toda nação tem um Deus. Não é? No Evangelho e no Velho Testamento, quando se diz Deus, diz assim, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob. Para mostrar. Que é o criador. Para vincular Deus ao Deus da revelação. Dessa revelação que está na Bíblia. Isto é muito interessante.
Então, até o próximo episódio. Encerramos aqui este capítulo 5. No próximo episódio, vamos estudar essas três personagens. Até lá! Se nós nos voltamos para o estudo da história bíblica, nós vamos ver que os planos divinos se concretizam apesar de tragédias praticadas e cometidas por quem tinha o dever
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