Neste episódio, Haroldo Dutra Dias dá continuidade ao estudo do Velho Testamento, focando no Livro de Gênesis, Capítulo 4. O estudo aprofunda a narrativa de Caim e Abel, explorando as raízes do primeiro homicídio bíblico e suas implicações à luz da Doutrina Espírita.
O que é estudado neste episódio
- A tentação da desconexão com o Criador: A análise da tentação da serpente é retomada, destacando-a como a origem da crença na autossuficiência humana, que leva à desconexão com Deus.
- Autossuficiência vs. Autonomia: É feita uma distinção crucial entre autossuficiência, vista como uma ilusão de dispensar a tutela divina, e autonomia, que reconhece a necessidade de reabastecimento na fonte divina.
- A encarnação como teste: A encarnação é apresentada como um grande teste para o Espírito, onde o livre-arbítrio se manifesta na forma como se reage às circunstâncias, e não no controle total sobre elas.
- O contexto de Caim e Abel: Os irmãos nascem em um contexto já influenciado pelo “projeto serpente” – a ideologia da autossuficiência humana e da desconexão com Deus.
- A simbologia da serpente: A “serpente” é discutida em seu sentido simbólico, representando um projeto tolo e ilusório de autossuficiência que inspira teorias econômicas e políticas, e até mesmo a atuação de indivíduos.
- A divisão de capítulos e versículos: É abordada a natureza convencional e tardia da divisão em capítulos e versículos da Bíblia, que pode, por vezes, obscurecer o sentido original do texto.
- Análise do Gênesis 4:1-4: Uma análise detalhada dos versículos iniciais do capítulo 4, com ênfase na tradução da expressão “findada uma era” (ou “fim de dias”), que marca uma transição significativa na narrativa.
- A importância da tradução fiel: A discussão sobre como as traduções podem encobrir nuances importantes do texto hebraico original, como a omissão da palavra “primogênito” na oferenda de Abel, que tem grande significado teológico.
Reflexões
- A jornada evolutiva do Espírito é um processo de aprendizado contínuo, onde a verdadeira autonomia se manifesta na capacidade de discernir a providência divina nas circunstâncias da vida, sem cair na ilusão da autossuficiência.
- A compreensão do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita revela camadas de significado que transcendem interpretações literais, permitindo uma visão mais profunda sobre a evolução espiritual da humanidade e a ação divina.
- A análise crítica das traduções bíblicas é fundamental para desvendar o sentido original dos textos e evitar interpretações equivocadas que podem distorcer ensinamentos essenciais.
Ler transcrição do episódio
A Luz da Doutrina Espírita Olá, amigos! Bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés A Luz da Doutrina Espírita Para você que está acompanhando a sequência, nós estamos no capítulo 4 do livro Gênesis que é o capítulo onde está descrita aquelas ações de Caim contra seu irmão Abel e as consequências desse primeiro homicídio da história bíblica um desdobramento ou ampliação do mal. Nós já vimos comentando nos episódios anteriores que a grande tentação proposta pela serpente e que foi acolhida, recebida por Eva inicialmente e depois pelo seu marido é a tentação que leva à desconexão com o Criador.
A tentação que incute no mais profundo da alma humana a convicção de que ela pode empreender a sua jornada evolutiva, o seu processo de crescimento e aperfeiçoamento espiritual sem Deus. Não se trata aqui de examinar dependência e autonomia. Não é disso que nós estamos falando. O que nós estamos ressaltando aqui neste texto é Uma autossuficiência que não se sustenta. É quando a criatura humana se acredita tão autossuficiente que ela possa dispensar a tutela, que ela possa dispensar a ação divina na sua vida. Este é o grande ponto desafiador da jornada do Espírito, sobretudo do Espírito que se encontra encarnado.
Então, este é um ponto que nós vamos precisar voltar várias vezes. Nós temos repetido e repetimos, às vezes, com palavras diferentes, porque isto é importante. E, cada vez que a gente repete, um ângulo novo se abre para a nossa reflexão, já que nós estamos estudando o contexto. O grande teste para o Espírito é a encarnação. Isto é fato. Isto é fundamental. Por que é a encarnação? Porque, na encarnação, Ele, o encarnado, e um conjunto de Espíritos que encarnam com Ele, porque, é óbvio, ninguém encarna sozinho, nós encarnamos um sistema familiar, de início, aos seus ancestrais, seus bisavós, seus avós, seus genitores, sua família lateral, irmãos, tios, sobrinhos, um conjunto de Espíritos que vem em uma sequência determinada.
Isto é importante. Então, você chegou em um determinado momento desta história familiar, desta sequência familiar, portanto, recebeu, já, uma história em andamento, um conjunto de escolhas, de opções que afetaram a história dos seus pais, a vida dos seus pais, foi afetada por escolhas feitas pelos seus avós, que, por sua vez, tiveram suas vidas afetadas pelos bisavós e assim por diante. Porque, na encarnação, nós nos movimentamos segundo o que é possível, um quadro de possibilidades práticas que são decorrentes do exercício do livre-arbítrio de um grupo de pessoas.
Então, existe o livre-arbítrio? Existe o livre-arbítrio. É claro que existe o livre-arbítrio. Na escolha, no ato da escolha, nós somos livres. Agora, nós não podemos confundir livre-arbítrio com capacidade de total domínio das circunstâncias. Isto, nós não temos. Nós não temos domínio das circunstâncias. Há circunstâncias que escapam ao nosso arbítrio. Há acontecimentos e circunstâncias que estão para além da nossa vontade, do nosso controle e, até mesmo, da nossa ação. Existem circunstâncias que estão fora do seu âmbito de ação.
Por exemplo, você pode ter encarnado e, no parto, a sua mãe desencarnou. Esta é uma situação, uma circunstância que terá um profundo impacto na sua vida e, sobre esta circunstância, nem a sua vontade, nem o seu poder de ação podem alterar, podem afetar. Onde, então, o arbítrio, o livre-arbítrio? O livre-arbítrio está na maneira como eu vou receber este acontecimento, na maneira como eu vou interpretar este acontecimento e o que eu farei com este acontecimento. Qual será a minha reação diante desta ação objetiva da vida?
Por isso, a encarnação é um teste, porque o Espírito encarnado está sujeito a uma conjuntura. Percebam que conjuntura é um ponto importante para a gente refletir? A conjuntura é uma somatória de milhões de vontades, é a somatória de um contexto de Espíritos que estão evoluindo juntos. Eu respondo por mim, mas não respondo pelo outro. Eu posso me mover dentro de um quadro, mas eu não consigo, com a minha vontade, afetar totalmente o coletivo. Por mais que eu ocupe um cargo de liderança, isto é uma ilusão. Há um contexto que se movimenta e, neste contexto, nós fazemos escolhas.
O importante aqui é que a cada segundo, a vida apresenta circunstâncias, circunstâncias muitas vezes desafiadoras, circunstâncias promissoras, oportunidades, desafios, tentações, convites ao fracasso, convites ao estacionamento espiritual, circunstâncias de todos os tipos. Cabe ao Espírito, em processo evolutivo, com o desenvolvimento do seu discernimento, conseguir distinguir aquelas circunstâncias cuja fonte é a providência divina e aquelas circunstâncias que são fruto do homem, da escolha humana. Não queremos dizer, com isto, que aquelas circunstâncias, fruto dos equívocos humanos, não estejam sob a supervisão divina ou Sob o controle da providência divina, que só permite aquilo que, para o quadro da evolução geral, é proveitoso.
Então, nós não estamos dizendo que a ação humana se sobrepõe à previdência divina. Olha isso! Deus é previdente, previdente, infinitamente previdente. Portanto, quando são feitas as programações coletivas, quando este filme, este grande desenrolar é colocado em movimento, há Um quadro de probabilidades, caminhos que podem ser tomados e que são previsíveis. É claro que nós estamos falando aqui de previsibilidade para Espíritos muito superiores, porque acontecimentos, essas probabilidades não estão disponíveis para Espíritos de hierarquia mediana.
Sabemos disso. Está lá no livro dos Espíritos. Quanto mais avançado o Espírito, ele é como alguém que está no alto de um monte e, portanto, tem uma visão mais ampla do desenrolar. É interessante esta metáfora. Você está no alto da montanha, você vê o viajor lá na ponta e você sabe que ele está seguindo uma estrada, por onde ele vai passar. Mas, ele que está na estrada não vê. Como que você que está na estrada consegue enxergar o que está acontecendo cem quilômetros do local onde você se encontra, da posição que você se encontra?
Não é possível. Então, é uma metáfora que os Espíritos utilizam para que a gente entenda isso. Por que estamos falando tudo isso? Porque Caim e Abel nascem já em um contexto e este ponto é importante. Caim e Abel nascem filhos de Adão e Eva. Caim e Abel nascem já sob o domínio ideológico espiritual da serpente. Nascem quando o projeto serpente se encontra em concretização. Qual que é o projeto serpente? O projeto de desconexão com Deus, o projeto de autossuficiência humana, o homem medida de todas as coisas. Essa foi a proposta da serpente.
Tiramos Deus do centro, colocamos o homem e ele passa a ser medida, ele passa a ser autossuficiente. Então, é como um regato, um braço, uma fluente de um rio que pretende ser fonte da água. Ele não percebe que a origem do curso de água não é dele. A água passa por ele, mas ele não gera água. Esse é o grande equívoco da serpente, o homem acreditar que pode ser Deus. Esse é um ponto muito importante, porque nem mesmo nos co-criadores em plano maior há essa audácia. André Luiz quando descreve no livro Evolução em dois mundos o plano da criação dos co-criadores em plano maior, esse ambiente de criação em plano maior, e quando nós dizemos co-criação em plano maior, nós estamos falando de criação de galáxias.
Então, é um plano muitíssimo elevado. Ele usa uma frase bonita, moldam, formam galáxias luminosas, escuras, gaseificadas, mas todas se desgastam e se transformam e acabam, porque só Deus é o Criador de toda a eternidade. Então, para nós que já estamos com esse olhar mais atento, com essa reflexão do Gênesis aqui mais afiada, a gente consegue ler nessas entrelinhas de André Luiz coisas que alguém não consegue ler. A pessoa que não está habituada a esse tipo de treino aqui da reflexão do texto, não consegue ler isso.
Então, o que está dizendo? Um co-criador, um Cristo galáctico, cria uma galáxia. Cria, não. Forma, né? Toma do fluido cósmico, molda uma galáxia. Quanto tempo dura uma galáxia? Coloca aí dez bilhões de anos. Bilhões? Dez bilhões? Quinze bilhões? Põe o que você quiser. Vinte? Então, tá bom. Vinte? Mas, acaba. Acaba. Agora, se você perguntasse qual que é a certidão de nascimento da criação divina? Dez bilhões de anos? Vinte? Não, a criação divina é eterna. O que Deus cria vai durar quanto tempo? Vai durar sempre. Então, este é um ponto que merece, sobretudo, dor espírita, uma reflexão madura e atenta.
Não é? Há Um limite daquilo que representa a criatura e do que é o Criador. Então, saiu da criatura, não importa a evolução dela, não importa a evolução da criatura, do Espírito criado, não importa a evolução dele. A distância entre ele e Deus é infinita. Infinita. Por isso que o projeto da serpente é um projeto tolo. Ele é um projeto de ilusão. E, nós vamos nos perguntar, então, por que Deus permite essa ação esmagadora, essa ação forte, profunda, intensa da serpente? Claro que nós já estamos aqui conversando em um nível simbólico.
Talvez, você que esteja aí ligando o vídeo pela primeira vez, está me ouvindo falar serpente aqui, está ficando assustado. É óbvio que nós estamos usando a expressão serpente, aqui, no seu sentido simbólico. Nós estamos fazendo referência a mais àqueles elementos teológicos infantis. Estamos aqui, já, numa reflexão madura, profunda. Então, a serpente aqui é um projeto tolo, tolice, ilusório. Por isso, Emmanuel vai dizer no livro Pensamento e Vida, que a mente humana se desenvolve entre ilusões que assaltam, salteiam, assaltam a inteligência.
Assaltam no sentido de assalto a mão armada com sequestro e violência e espancamento. Então, a ilusão, ela não apenas tapa a boca da nossa inteligência, não. As ilusões chegam, elas agridem a nossa inteligência, elas deixam a nossa inteligência em coma e fazem o que tem que fazer. Depois que o estrago está feito, a inteligência sai da UTI, recupera e fala, pois é. E, aí, nós vamos dizer, meu Deus, o que eu fiz? Porque é um projeto tolo. Este projeto de autossuficiência é um projeto tolo e ele inspira, olhem, este projeto da serpente é um processo, um projeto muito auspicioso, porque ele inspira todas as nossas teorias econômicas.
Todas. Todas as teorias econômicas do mundo estão alicerçadas no projeto de autossuficiência humana. Todos os projetos políticos, todos, todos, todos, todos, talvez não haja nenhum governante, talvez não haja nenhum governante que não se acredite o salvador da pátria, aquele que vai resolver o problema da sua comunidade. Talvez não exista. É o projeto de serpente, a autossuficiência humana. Isto acontece com governantes, com partidos políticos, acontece até com aquele grupo que se cria lá na universidade um diretório para poder representar os alunos.
As pessoas que integram ali, e a gente sabe disso, porque eu já passei por isso, a gente integra ali e acha que vai resolver o problema da universidade, mas não é só da sua, não. Você acha que vai resolver o problema da universidade do mundo, do planeta Terra. Quem não passou por isso? É bom, não é? A gente é jovem, a gente passa por essas ilusões, passa por essas ilusões. Importante, não é? Quantos espíritas estão aí achando que vai resolver o problema do Espiritismo? Não, vai resolver o problema do Espiritismo? Não, vai resolver o problema do planeta Terra, da regeneração planetária.
Acredita! É o projeto de serpente de autossuficiência, que é diferente de autonomia. Autonomia é uma coisa. Autonomia é eu encher o tanque do meu carro e eu sei que eu vou andar 350 quilômetros, 400 quilômetros. Isso é autonomia. Mas, eu tenho que encher o tanque. Isso é autonomia. Então, a autonomia é eu sei que eu tenho que me conectar à fonte divina, porque lá eu abasteço. Uma vez abastecido, eu sei quanto eu ando, eu sei até onde eu vou. Depois, eu tenho que reabastecer. O problema da autossuficiência é aquela não, eu vou andar infinito sem nunca abastecer.
Caim e Abel chegam nesse contexto. Essa é a história que eles chegam. Essa é a história. E há um texto, há uma parte aqui que e aqui eu já vou começar a trazer alguns assuntos, eu vou introduzir, porque no próximo episódio a gente dá sequência a isso. O problema da divisão em capítulos e versículos. O que? Na época antiga, então vamos imaginar assim, na época de Jesus, onde já existiam esses textos, todos nós sabemos, quem não sabe, vai aprender agora, os textos estavam escritos, o texto aqui de Gênesis, de Moisés, estava escrito num pergaminho, pele de carneiro.
E como é que ele estava escrito? Só as consoantes, não tinha vogal e não tinha separação entre as palavras. Então, não tem capítulo, não tem versículo. Quando eu cito aqui, ah, o capítulo 4 de Gênesis, isso é uma convenção internacional do século XVII, século XVII. Então, esse texto ficou sem separação de palavras, sem separação de frases, sem vírgula, sem ponto, sem versículo, sem capítulo, por quase três mil anos. E essa separação é convencional. E quem fez a separação, fez segundo um critério. Mas, esse critério não é perfeito, ele é um critério razoável, é razoável, é razoável, mas não é perfeito.
Então, aqui, olha que interessante, o capítulo 4 começa com o versículo 1, mas, acho que seria bom se ele começasse com o versículo 4. Vou dizer porque. Então, diz assim, o que se chamou de versículo 1, que não tinha versículo, não tinha capítulo, não tinha nada. O homem conheceu Eva, sua mulher, ela concebeu, deu à luz a Cain, e ela disse adquirir um homem com a ajuda do Senhor. Adquirir um homem. Adquirir, adquirir é o verbo cani, daí vem o nome Cain. Então, Cain é adquirir, aqui tem um jogo, mas, adquirir um homem?
Eva não tinha um homem? Ela não tinha Adão? Adquirir um homem com a ajuda do Senhor. Depois, ela deu também à luz a Abel, irmão de Cain. Abel tornou-se pássaro de ouvidos, Cain cultivava o solo. Aí, vem a tradução aqui, que é uma tradução que encobre. É uma tradução que encobre. Porque, essa aqui eu estou lendo a Bíblia de Jerusalém. A Bíblia de Jerusalém é um projeto francês. Então, o projeto francês quer ser bonito literariamente. Então, tem que ficar bonito em francês. E, aí, quem traduziu para o português tem que ficar bonito em português.
Agora, ficar bonito em português não significa ser fiel ao texto. Aí, traduzem assim, Passado o tempo, Cain apresentou produtos do solo em oferenda ao Senhor. Abel, por sua vez, também ofereceu as primícias e a gordura do seu rebanho. Então, eu estou adaptando? É natural, isso aqui é compreensível. O tradutor está adaptando o texto hebraico às historinhas francesas. Às nossas histórias. Era uma vez, aí passou o tempo, o menino, entendeu? Então, vamos ver? Se você for numa tradução judaica, porque a expressão aqui é essa, vamos ver qual é a expressão aqui.
Assim, vai, vai, vai, me, que, e, ouve, e, ouve, de dias. Essa é a expressão literal. E, ouve, final de dias. Se você pegar a tradução de um rabino chamado Arie Kaplan, ele traduz isso aqui como findada uma era ao fim de uma era ou findou uma era. Então, é uma expressão conclusiva, não iniciativa. A tradução aqui dá a ideia de que passado um tempo, passado um tempo, Caim apresentou o solo. Não! Isso aqui não está iniciando, isso aqui está finalizando. O texto está dizendo assim e findou uma era. Tanto que, na sequência, vem assim Vaiev Caim e trouxe Caim aí está começando, por isso que tem o i e trouxe Caim o fruto do solo como oferenda a Deus e Abel trouxe também a ele, a Deus, os primogênitos do Do seu rebanho, do gado miúdo.
Então, ele fala o gado grande, o gado miúdo é o rebanho, do rebanho. O primogênito do rebanho. Coisa que o texto aqui da Bíblia de Josuelen pula também. Tira a expressão primogênito, que é fundamental, primogênito do rebanho. O primogênito do rebanho é o cordeiro, mas, o cordeiro que nasceu primeiro, o cordeiro antigo, o mais antigo. E, é esse cordeiro que vai ser utilizado lá na Páscoa. E, é esse cordeiro primogênito que Jesus será comparado. O cordeiro de Deus. Então, é uma expressão forte e a tradução só passou por cima.
Olha como ela traduz aqui. Passado o tempo, Caim apresentou produtos do solo em oferenda ao Senhor e Abel, por sua vez, também ofereceu a sua oferenda. Não, ofereceu as primícias e a gordura do seu rebanho. Primícias e gordura do seu rebanho? Está vendo o que é a tradução? A tradução que encobre, a tradução que encobre o texto. E, Abel trouxe também a ele dos primogênitos do seu rebanho e a gordura deles e atentou o Senhor para Abel e para a oferenda dele. Olha a sutileza. Por isso, que a gente é um texto que foi sacrificado ao longo do tempo, um texto que foi agredido ao longo do tempo.
E, essa agressão ao texto dificulta a compreensão dos desdobramentos que esse texto terá no restante da literatura bíblica, incluindo o Novo Testamento. Expressão aqui profunda e é essa que nós vamos gravar E fim dada uma era e houve um fim de dias. O que significa isso? Significa que o texto está dizendo assim Paraíso, serpente, Adão, Eva, Eva deu à luz a Caim, deu à luz a Abel, fim dou uma era, agora é uma nova era. Essa mesma expressão será usada, novamente, nos textos proféticos para dizer que a nossa era está findando e que haverá uma era messiânica, uma nova era.
Não é? Por exemplo, Jesus, várias vezes no sermão profético, vai dizer assim Estão próximos os dias. O que significa isso? Está findando dias, estão próximos os novos dias. Não é? É a mesma expressão. Há um tempo determinado para cada coisa debaixo do sol. É isso. Dias dão um ciclo, iniciam outros dias. Então, aqui o texto está marcando, era aqui que tinha que começar o capítulo. E houve o fim dos dias, terminou o capítulo 3, agora vai começar o capítulo 4. Não é? Então, não se deixe enganar pela divisão de capítulos e versículos.
Atente para o texto, para os blocos da narrativa. Atentar para os blocos da narrativa. Isso é fundamental. Porque se a gente não atentar para estes blocos da narrativa, nós vamos ficar perdidos aqui neste conjunto de símbolos, neste conjunto de histórias, de acontecimentos. Então, findaram-se os dias. Se chega o fim dos dias aqui, chega também o final do nosso episódio. E, vamos para o próximo episódio, onde nós vamos abordar alguns elementos aqui importantes do texto que passam desapercebidos. Especialmente, três elementos.
Eu quero que você fique bastante curioso para assistir o próximo episódio. São aqueles elementos que ficam sob a superfície da narrativa. Mas, isto já é assunto do próximo episódio e a gente vai comentar na sequência. Um abraço a todos! Foi justo o diabo falar. Agora, vamos ver se é justo mesmo. E o diabo falou.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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