#059 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do Livro de Gênesis, dando continuidade à discussão sobre o diálogo entre Deus, Adão e Eva, e as consequências da escolha humana por um caminho de egoísmo e orgulho, simbolizado pela serpente. O estudo explora a materialização dessas consequências na vida corpórea e a visão do autor bíblico sobre a dor, o trabalho e a luta pela sobrevivência, à luz da Doutrina Espírita.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis 3:16-19: As consequências da desobediência e a materialização das penas divinas para a mulher (dor no parto, submissão ao marido), para o homem (trabalho árduo para obter o sustento) e para a serpente (rastejar e inimizade com a mulher).
  • A linguagem simbólica do Velho Testamento: A interpretação dos eventos como reflexos de processos internos da consciência humana, onde Adão representa a inteligência e Eva, o sentimento e o desejo.
  • A opção pela “serpente”: A escolha por uma evolução pautada no egoísmo, orgulho e personalismo, em oposição à docilidade, obediência e resignação propostas por Deus.
  • A dor do parto e o trabalho árduo: Análise de como o autor bíblico observa a realidade do parto doloroso e do sustento obtido com suor, questionando se tais condições são inerentes à vida ou consequências de escolhas.
  • A necessidade da encarnação e a expiação: Distinção entre a prova (necessária para o fortalecimento do espírito) e a expiação (consequência da opção pelo mal), conforme a Doutrina Espírita.
  • Arrependimento, reparação e expiação: As três fases para o equilíbrio do mal, onde a expiação é a oportunidade de experimentar o outro lado da moeda, aumentando o discernimento.
  • A “árvore do conhecimento do bem e do mal” vs. a “árvore da vida”: A primeira representa a perambulação pelos caminhos do mal e da ilusão, enquanto a segunda simboliza a evolução consciente e a vida em abundância.
  • Morte psíquica vs. desencarnação: A morte não como o fim da vida física, mas como o estiolar-se psiquicamente, a perda de opções e a inércia da consciência.
  • A progressão do mal: A ideia de que um ato de maldade, por menor que seja, frutifica e se multiplica, gerando consequências amplas e duradouras, assim como o bem.
  • A importância das escolhas conscientes: A necessidade de focar no bem, na solução e na construção, evitando a reatividade e a busca por preencher carências internas com elementos externos.

Reflexões

  • A Doutrina Espírita nos esclarece que a expiação não é uma fatalidade, mas uma consequência da escolha pelo mal, um caminho que o espírito opta por trilhar, gerando a necessidade de arrependimento, reparação e, finalmente, a expiação para o reequilíbrio.
  • A “morte” mencionada no Gênesis, ao comer do fruto proibido, é interpretada como a morte psíquica, o estiolar-se da consciência e do sentimento, em contraste com a desencarnação, que é um processo natural da vida do espírito.
  • O estudo enfatiza a lei de causa e efeito e a progressão do mal, mostrando que uma decisão aparentemente pequena pode gerar consequências globais e duradouras, tanto para o indivíduo quanto para a coletividade.

Ler transcrição do episódio

Olá, estamos aqui em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés. No episódio passado, nós comentávamos sobre o diálogo entre Deus, Adão, depois entre Deus e Eva, nessa linguagem profundamente simbólica do Velho Testamento, dizendo que esse diálogo, na verdade, se processa na intimidade da nossa consciência. Dentro de nós está esse aspecto do nosso espírito, que é a inteligência, e esse aspecto que é o sentimento, a sensibilidade, o desejo, refletindo aí essa figura simbólica que é Eva, que é a vida.

Comentávamos sobre o processo de afastamento, de proximidade, e agora vamos ingressar no campo das consequências, da materialização das consequências. A decisão foi tomada, a escolha foi feita, o homem optou por seguir um projeto, que é o projeto da serpente, afastando do seu caminho aquela proposta divina da evolução através da docilidade, da evolução pautada na obediência e na resignação, e faz a opção, que é a opção da serpente, de uma evolução sustentada pelo egoísmo, pelo orgulho, pelo personalismo, numa proposta quase louca, em que a criatura pretende opor-se ao Criador, ou ocupar o lugar que é do Criador, que é esse lugar central da evolução.

E, naturalmente, com a sua fragilidade, esse ser humano não consegue sustentar os amplos aspectos que a vida apresenta, os desafios, as dificuldades, e nós vamos ver aqui numa linguagem profundamente simbólica, qual a consequência prática da vida material, da vida corpórea, a partir dessa opção. O interessante aqui é que nós somos convidados a fazer um raciocínio de trás para frente. Como assim? Vamos lá. O autor do texto bíblico, ele toma da vida cotidiana elementos práticos, elementos que são naturais, e procura voltar às causas, ou fazer uma pergunta, poderia ser diferente?

Então, vamos lá, vamos fazer esse raciocínio. Ele olha para o processo de chegada do ser à vida material, que é o parto. Como se dá o parto no mundo material? Parto é um processo de dor. A mulher dá à luz com dor. Ao menos, nessa época em que o texto foi redigido, em que não tínhamos os recursos médicos, os recursos tecnológicos que nós temos hoje. Então a gente percebe que a lei de progresso já atua na Terra, amenizando esses traços que estão descritos aqui no texto. Porque hoje você tem uma anestesia, uma cesárea, outros recursos, mesmo do parto natural, recursos de acompanhamento do parto natural, para que ele seja o mais em dolor possível.

Então a gente vai percebendo isso, uma seta do progresso amenizando os elementos que estão descritos aqui. Mas na época em que o texto foi redigido, não havia essa possibilidade. O parto e a dor andavam sempre de mãos dadas e, não raro, a mulher perdia a vida ao dar à luz. Temos inclusive personagens do texto bíblico que vão dar à luz e perder a vida. Isso é muito comum. Então o autor bíblico está olhando para o processo de chegada do ser ao mundo material, à encarnação. A encarnação já é, em si, um processo doloroso.

Ele olha, então, para o cotidiano do homem. Uma terra cheia de pedras, o deserto, uma terra com espinhos, com plantas que exigem um cuidado permanente do homem, um esforço enorme no cultivo, um esforço na domesticação dos animais, ou seja, o trabalho, o sustento, o alimento é retirado com muito suor, com muito custo. Trabalho e sobrevivência passam a estar associados. Mas será que tem que ser assim? Essa é a pergunta. É assim em todo o universo? Em todas as faixas da evolução, trabalho e sobrevivência estão vinculados?

Será? Essa pergunta que o autor bíblico se faz. Tem que ser assim? O nascimento, o início da vida, precisa estar associado à dor do parto? A obtenção do alimento, do sustento, tem que estar vinculado ao sacrifício, ao esforço, ao suor, ao cansaço, ao desgaste? E, um outro elemento que nos chama a atenção, que é, precisa haver na criação animais, criaturas das quais eu preciso ter vigilância e cuidado para que ela não venha me ferir? Há um animal que rasteja, peçonhento, que ataca, muitas vezes por medo, que apresenta essa característica da serpente?

Então, olha que interessante, ele está olhando o mundo material e o autor bíblico está questionando os próprios paradigmas da vida corporal. E, aqui, ele começa a fazer um raciocínio reverso. Por que é assim? Por que é assim? Então, nós vamos, hoje, com as luzes da doutrina espírita, nós temos condições de sofisticar esse pensamento, essas perguntas, essas indagações e pensarmos. Nós já sabemos que o princípio inteligente começa, simples e ignorante, seu processo evolutivo, sabemos disso, de modo que é necessário a existência de mundos primitivos, é necessário, sem dúvida, mas são, de fato, essenciais os mundos de expiação?

Não de provas, porque a prova é o teste, é a avaliação que confere resistência, resiliência e que atesta a absorção do conteúdo pedagógico que a vida trouxe. A vida educa, a vida ensina, com seus múltiplos elementos, com as circunstâncias, com os acontecimentos, com a interação das criaturas, a vida exerce, sob a direção de Deus, um processo educativo, ela dirige, Deus dirige um processo educativo através da prova da vida física. Por isso que Kardec, quando pergunta sobre a encarnação, os Espíritos respondem que é necessário a encarnação, porque ela coloca o Espírito em condições de suportar, olha isso, a parte que lhe toca na criação.

Suportar significa eu adquirir resistência, eu adquirir força, eu adquirir condicionamento emocional e intelectual, condicionamento da inteligência. Eu adquirir resiliência, fortaleza íntima para assumir a parte que me toca na vida espiritual, que é a vida primordial, que é a vida eterna, que é a vida original, porque a vida original não é a vida no plano físico. O plano físico é uma passagem temporária na evolução do Espírito. Precisa até entrar para isso. Então a necessidade da encarnação é como uma peregrinação, é como uma maratona que coloca o Espírito em condições de assumir a sua vida eterna, a sua vida como Espírito imortal, sem as injunções da vida corporal.

Ok, isso é fundamental, então não há como pular essa etapa. Mas precisa haver expiação? Precisa haver o elemento expiatório? Não. Não, Kardec pergunta isso. Todos os Espíritos percorrem a trilha do mal? Do mal não, da ignorância. Percorrer os caminhos do mal é uma opção, não é uma fatalidade. Não há nenhuma fatalidade no mal, o mal sempre é uma opção, sempre é uma opção. Eu escolho a fieira, o caminho do mal e, ao escolher o caminho do mal, ao escolher o caminho do mal, eu opto por um elemento que está atrelado ao mal, que é o resgate, a expiação.

Esse é o ponto que nós precisamos compreender, não é? Toda vez que o Espírito opta pelo mal, ele já está fazendo a escolha pela expiação, já está incluso no pacote. Então, eu opto pelo caminho do mal, eu já escolhi o arrependimento, a reparação e a expiação, que são as três fases de equilíbrio do mal. Com o mal, eu gero um desequilíbrio, é preciso, agora, recompor esse desequilíbrio e instalar no Código Penal da Vida Futura, no livro O Céu e o Inferno, em que Kardec resume de uma forma brilhante esse processo, arrependimento, expiação, reparação.

Arrependimento é o toque consciencial. Eu me dou conta da péssima escolha que fiz e decido não mais fazer. Eu reparo, porque a minha escolha gera consequências na vida comunitária e na vida das pessoas que me cercam. Então, se eu causei prejuízo, é preciso reparar esse prejuízo no coração das pessoas que eu prejudiquei e na comunidade onde eu pratiquei o mal e é preciso expiar e a expiação aí nos permita uma reflexão. A expiação é mudar de posição. Então, a expiação é você ocupar o outro lado da moeda, é você experimentar o que é estar do outro lado, estar do lado de quem é agredido, de quem é ferido, estar do lado de quem teve os seus direitos desrespeitados.

Então, somente quando a gente ocupa o outro lado, nós temos um ganho psicológico, aumenta o nosso discernimento do mal. Então, olha, é por isso que a árvore é do discernimento, do conhecimento do bem e do mal. É por isso. Precisava ser assim? Não. Existe a árvore da vida que também confere discernimento, que também confere conhecimento dos caminhos tenebrosos, porque a árvore da vida não é uma árvore de evolução por ingenuidade. Não, não é. Há uma fala bonita que reflete isso aqui. Quando André Luiz é atendido na colônia Nosso Lar, quem o atende é o médico Henrique de Luna e ao lado dele está Clarêncio e ele se assusta quando o médico diz a ele que ele havia chegado pelas portas do suicídio, do suicídio indireto.

Que é aquele suicídio fruto do desgaste imprudente do nosso corpo físico através de uma alimentação desequilibrada, através de uma falta de exercício, de cuidado do corpo físico, do excesso de bebida, do excesso mesmo de desgaste, de não dormir, etc., etc., do não cuidado com o corpo e dos excessos. E ele se assusta com aquilo e depois ele entra em uma crise, porque ele reconhece quando o médico fala para ele, mas, olha, você teve sífilis, teve isso aqui, e tal. Aí ele fala, meu Deus, fui descoberto. E aí ele entra num choro convulsivo e Clarêncio, então, consola ele dizendo assim, que ele asserenasse o espírito e diz para ele, também nós perambulamos pelos caminhos que você percorreu, perambulamos, olha que interessante isso, porque isso está descrevendo essa opção de comer do fruto do conhecimento do bem e do mal.

Ou seja, comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal é perambular, é perder-se nos despenhadeiros do mal e do crime, perambular, é cair nos despenhadeiros do mal, nos processos da ilusão, da ilusão que assalta a inteligência, na feliz expressão do benfeitor Emmanuel no livro Pensamento em Vida, que a mente humana evolui entre ilusões que assaltam a inteligência, a inteligência é agredida pela nossa ilusão. Se você não estivesse num processo de automatismo, de carência, se você não estivesse num processo de fragilidade, de compulsão emocional, de um desejo que se transformou numa obsessão e tomou conta, a sua inteligência seria capaz de discernir que aquilo não é bom, que aquela opção não é boa, e você poderia o quê, escolher, escolher.

Mas, como a ilusão apossou-se da sua inteligência, você já não escolhe, você simplesmente vai de hold-down, vai no impulso, na pulsão, na paixão, no apego, na fragilidade, na carência, etc, etc. E, aí, experimenta os despenhadeiros, os resvaladouros, os caminhos tenebrosos do mal. É isso que está descrito aqui. Então, quando Clarencio diz, também nós perambulamos pelos caminhos de onde você está saindo, porque não é uma caminhada, a caminhada consciente é a caminhada da árvore da vida. Por que a árvore da vida? Porque eu não morro no processo, eu não morro, mas, como assim, morrer é diferente de desencarnar, é diferente, desencarnar é o processo pelo qual passa todo o espírito que encarnou.

Toda pessoa, todo espírito que encarna, ele desencarna, porque encarnar é algo temporário, não é definitivo, ninguém encarna para sempre. Nós encarnamos por um tempo, então vamos desencarnar, mas isso não é morrer, morrer é estiolar-se psiquicamente, morrer é violentar-se através da violência que nós causamos ao outro, que eu acho que estou violentando ao outro, mas, na verdade, eu estou me violentando, eu acho que estou prejudicando o outro, mas, na verdade, eu estou me prejudicando, eu gero a morte e a morte é inércia, a morte é perda de opção.

Quando eu entro no processo expiatório, eu tenho meu livre-arbítrio tolido, claro, você escolheu lá atrás, agora é a hora da colheita, na colheita você não tem o mesmo grau de arbítrio do plantio, por isso que os Espíritos dizem, cuidado com o que você planta, ou como diz o ditado popular, quem semeia vento, colhe tempestade. Se eu estou sempre semeando a discórdia, a mentira, a fofoca, estou sempre colocando as pessoas contra as outras, estou sempre com segundas intenções, estou sempre procurando o lado podre da maçã, estou sempre focando no defeito, nas dificuldades, nas mazelas humanas, o que eu vou colher?

O que eu vou colher? Invariavelmente, eu vou colher o que eu estou buscando, eu só vou receber aquilo que eu estou buscando. Então, na colheita, meu livre-arbítrio é reduzido, e isso é morte, essa é a morte. Então, o que está descrevendo aqui, o que Deus, na linguagem simbólica do Velho Testamento, vai determinar para serpente, determinar para mulher e determinar para o homem, para Adão, para Eva, para serpente, são as consequências, é o processo expiatório, é o processo de resgate, é o processo de morte. Por isso foi dito, não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente morrerás, certamente morrerás.

Então é importante isso, importante nós, por que nós estamos estudando isso aqui? Nós que estamos engajados, agora, num processo de evolução consciente, com as luzes do Consolador prometido, nós estamos em busca de vida e vida em abundância. Para isso é preciso desvincular dos processos de morte, entenda, não estou falando dos processos de desencarnação, não tem problema nenhum em desencarnar, nenhum, o problema é morrer, que é diferente, é a morte da consciência, é a morte do sentimento, porque vida é essa sensação interior de realização, de paz íntima, de bondade, de amor, de opção, de escolha, de construção.

O que nos mata não é a dificuldade, o esforço, não é. Você chega para o concertista, ele está ali com o seu instrumento, estudando oito horas por dia e ele não quer sair, não. Pergunta se ele quer ir para outra profissão, se ele quer fazer outra coisa, ele não quer. Ele está ali com alegria, com amor, fazendo aquele esforço, porque aquilo lhe dá vida, não é o esforço que tira a vida. Geralmente o espírito que foge do dever, foge do esforço, foge da dificuldade, ele já está no processo de morte, de morte psíquica, porque a vida pede movimento, a vida pede esforço, a vida pede obstáculos, porque a vida brilha, a vida se manifesta.

Na superação. E olha que bonito isso. Nós que estamos buscando uma evolução consciente, evolução por escolhas, escolhas com discernimento, temos que nos afastar dos processos de morte. Quais são os processos de morte? Tem vários, mas nós poderíamos citar aqui, alguns que são vitais, vitais é até paradoxal, alguns que são mortais, vitais não, que são mortais. Os processos de morte, primeiro, focar, focar na imperfeição, no erro, no provisório, no mal, focar, e aqui o foco eu estou usando a linguagem da máquina fotográfica, máquina fotográfica.

Quando você vai tirar uma foto, ou a máquina está fazendo isso automaticamente por você, ou você está fazendo isso manualmente, você escolhe o que você quer que saia na fotografia. Então, tem uma pessoa, você quer o fundo, você quer pegar aquela montanha que está lá atrás da pessoa, ou você quer pegar o rosto da pessoa, o que você está focando? Porque não dá para ter tudo, amigo, tem que escolher o que você está focando. E, muitas vezes, nós escolhemos focar o desagradável. Entenda, focar o bem não significa ser ingênuo, bobinho, tolinho e não ver a dificuldade, não é isso, não é isso.

É porque não há prova de que a pessoa que foca no mal se torna mais competente para resolvê-lo, pelo contrário, geralmente, a pessoa que foca na dificuldade, ela se incapacita para resolver a dificuldade, porque ela fica emocionalmente perturbada e aquele que foca na solução, invariavelmente, é o mais apto para resolver o problema, porque ele está focado na solução e não está focado no problema. Então, já começa por aí, o que eu estou escolhendo, o defeito? Então, uma série de pessoas convivendo comigo, eu vou focar no defeito delas?

Porque tudo que você foca vem ao seu encontro. Focar nos defeitos, nas dificuldades, nas deficiências, no mal, na maldade, na má intenção, na sordidez, focar nisso é aliar-se aos processos de morte. Esse é um ponto fundamental. Ser reativo, ser reativo, sempre entrar em processos de disputa, de ofensa, de diminuir o outro, de me impor, é aliar-se com a morte, porque a pessoa que está em paz consigo mesma, a pessoa que está fazendo aquilo que a consciência dela aponta e que está cumprindo com amor e com devoção, ele tem paz, ele não disputa com ninguém, ele não tem necessidade de disputar com ninguém, ele está em paz.

Ele já está em paz consigo mesmo. Então, olha como que a gente vai selecionando os processos de morte e vai fazendo as escolhas. Se eu tenho um processo de falta interior e eu procuro preencher isso com elementos externos, comida ou bebida, ou bens materiais, ou relacionamentos, se eu estou procurando suprir as minhas carenças com isso que é externo, estou me aliando aos processos de morte, claro. Então, aqui o desafio é gigantesco, o desafio desse texto aqui, porque ele está mostrando ao reverso, ele está mostrando a opção de quem focou no exterior, nos processos de morte e aí vai suportar as consequências.

Nós vamos ver aqui, vai suportar todas as consequências, tudo, tudo, tudo. Então, vamos lá. Havia uma relação íntima de paz, amor, respeito, carinho da criatura com o Criador e a criatura trai esse relacionamento. Ela traiu esse relacionamento, ela feriu essa relação. Quando ela fere essa relação, nós vamos ver quem começou esse processo, Eva. Isso vai culminar em quê? Eva dando a luz a Caim, o primeiro homicida. Mas o que fez Caim? O que é o Caim? O Caim é a cópia da mãe dele, o Caim é uma cópia da mãe. Caim será o espelho de Eva, ela vai olhar em Caim, vai pensar que está olhando para outra pessoa, mas, na verdade, ela está vendo ela.

Isso é forte, é forte, porque ela optou, foi ela que escolheu. Ela poderia escolher entre a proposta de Deus e a proposta da serpente, mas ela se encantou pelos processos de serpente, de vaidade, de orgulho, de egoísmo, de prepotência. De poder, de domínio, de dominar, de usurpar, usurpar, porque a proposta da serpente é uma proposta de usurpar aquilo que pertence a Deus, avançar na competência de Deus. Isso é sério, isso é sério, é muito profundo. E, hoje, nós vivemos isso aí, nesses conflitos que estão acontecendo agora entre nações.

A gente percebe seres humanos se arrogando no direito de serem Deus, de serem Deus, querendo determinar sobre a vida e a morte, querendo conduzir a vida de uma nação, de uma multidão, ou seja, usurpando aquilo que é de Deus. Isso gera consequências e são sempre consequências de morte e de desencarnação, porque não vamos confundir morte com desencarnação. De morte e desencarnação. Quantos estão aí desencarnando em processos dolorosos por conta da morte que foi buscada. Então, o texto é profundo, o texto é profundo e o texto lida com a progressão do mal.

Então, o que significa isso, para a gente fechar aqui esse episódio? Você planta, você tem uma mudinha, uma muda de um pé de laranja. Uma muda, essa muda, naturalmente, veio de uma semente, veio de uma semente. Mas, como não é tão simples assim, não basta você colocar a semente na cova, o processo é mais delicado. Então, a partir da semente, você chegou na muda, aí você pega uma muda, uma muda, faz a cova, coloca uma mudinha, uma sementinha, plantou, cuidou, a árvore cresceu. E, então, quando a árvore estiver madura, ela vai produzir uma laranja.

É assim? Não, não é assim, porque, na lei divina, nada funciona um por um, nada funciona um por um, é um por trinta, um por sessenta, um por cem. Está lá no Evangelho. É uma progressão, é uma muda de laranja e eu tenho um pé que vai produzir milhares de laranjas, ao longo de um tempo. Agora, ei, escuta aqui, no mal também, no mal também, eu venho com uma mudinha de maldade, minha caixinha de horrores, planto a mudinha, eu semeio aquela maldade ou eu pratico um ato de maldade, aquilo não vai gerar um elemento, não, aquilo vai frutificar e vai produzir uma multidão de maldade.

E, se eu não tomar cuidado, eu estou com um pomar de maldade, produzindo um por trinta, um por sessenta, um por cem. Aí, quando a criatura se dá conta, ela está mergulhada em processos complicadíssimos de frutificação do mal que ela praticou, porque o mal também tem uma progressão. Então, o que o texto quer mostrar aqui, que uma decisão que parece ingênua, que é a decisão de Eva afastar a proposta divina e ficar com a proposta da serpente, isso vai ter uma consequência global, global, isso vai afetar o planeta, a progressão do mal.

Então, não sejamos ingênuos, não sejamos. Uma escolha, uma escolha pode afetar uma família por cem, duzentos anos, aliás, tem um livro, ganhou o prêmio Nobel de Literatura, Gabriel Garcia Marques, o livro se chama Cem Anos de Solidão, você vai ter uma personagem, uma escolha, um que vai afetar várias gerações, porque os Espíritos refletem-se reciprocamente, então fica ali aquela comunidade de Espíritos presa em um paradigma existencial, num modus operandi, ficam todos ali escravos girando em torno daquela dificuldade.

Cem anos de solidão, duzentos, trezentos, num processo que é o quê? Que nós vamos chamar de a progressão do mal, a progressão do mal, e na progressão do mal, nós só temos que estar vigilantes, porque a gente não faça parte dela, ainda que a nossa contribuição seja minúscula, seja minúscula, nunca emprestarmos as nossas faculdades, a nossa inteligência e o nosso sentimento para os processos de progressão do mal, porque o mal e o bem têm uma característica, eles sempre retornam para a fonte, são energias que circulam e regressam para a fonte de onde eles foram emanados, nós sempre receberemos de volta o bem e o mal que emanamos, que saiu do nosso círculo.

Então aqui é preciso prestar atenção, nós vamos examinar detalhadamente o que coube a serpente, o que coube a Eva e o que coube a Adão e vamos perceber que a palavra fala mal dito, mal dizer, mas nós temos condições de entender isso melhor, o processo aqui é homeopático, o que é homeopático? Semelhante cura semelhante, Eva buscou algo e ela vai receber algo exatamente o que ela buscou, aí você fala, nossa, mas é muito sofrimento, mas foi o que ela buscou, foi o que ela buscou, ela só não tinha consciência de que era isso que ela estava buscando, mas foi o que ela buscou, então no final do processo ela vai ganhar em discernimento, ela vai aprender a discernir o que é pão e o que é pedra, o que é peixe e o que é serpente, vai aprender a discernir, porque tem muita pedra disfarçada de pão e tem muita serpente disfarçada de peixe.

Eu lembro de um poema bonito do Casimiro Cunha, que no ser foi até musicado e a gente apresentou no litro musical, que diz assim, esperas bens neste mundo, acalma o teu coração, às vezes no fim da estrada, a fé é desilusão. Então, você buscou uma coisa achando que aquilo ia te proporcionar x, y, z, mas na verdade você não conhecia aquilo que você estava buscando e depois de experimentar e de viver tudo aquilo, você chega à conclusão de que aquilo que você buscou, na verdade já tinha mais fé e desilusão do que o benefício que você estava enxergando, mas não se agaste não.

Aprendeu a discernir, aprendeu a escolher, aprendeu a optar, fazer escolhas e isso é o processo evolutivo, mas isso nós desenvolvemos no nosso próximo episódio, te aguardo. Jesus retoma todos os erros que foram cometidos aqui em Gênesis 3, todos os erros que foram cometidos por Eva, Adão e pela serpente. Ele retoma esses erros para corrigi-los em uma oração. Então, ele começa assim.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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