Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no capítulo 3 do livro de Gênesis, dando continuidade à análise do momento em que Deus questiona Adão e Eva após a desobediência no Jardim do Éden.
O que é estudado neste episódio
- Gênesis 3:9: “Onde estás?” A pergunta de Deus a Adão é analisada não como uma questão geográfica, mas como um questionamento sobre o distanciamento da consciência humana em relação à divindade. Haroldo Dutra Dias destaca a onipresença de Deus na consciência e na criação, conforme a Doutrina Espírita.
- A manifestação de Deus na consciência: É abordado que Deus se manifesta na consciência do Espírito, expressando Sua vontade, amor e sabedoria. A criação é vista como uma materialização das emanações divinas, um “sistema nervoso do Criador”, sem cair no panteísmo.
- Gênesis 3:10: “Tive medo, porque estou nu, e me escondi.” A resposta de Adão é interpretada como a expressão de medo, solidão e insegurança decorrentes da desconexão com Deus, a “doença original” do ser humano, segundo a homeopatia.
- A oração do Pai Nosso e a correção dos erros de Gênesis: Jesus, através do Pai Nosso, retoma e corrige os erros cometidos por Adão e Eva, estabelecendo um vínculo afetivo com Deus (“Pai nosso”) e a aceitação da vontade divina (“seja feita a tua vontade”).
- A atualização constante da vontade divina: A vontade de Deus não é um “script” fixo, mas uma atualização contínua, adaptando-se às dinâmicas da vida e às escolhas de cada Espírito. A conexão permanente com Deus é essencial para compreender essa vontade.
- A nudez e a vergonha: A sensação de nudez de Adão é associada à perda da cobertura espiritual e à desordem interior. É feita uma reflexão sobre como as religiões, por vezes, transformam normas sanitárias ou culturais em proibições morais, gerando culpa e medo, em vez de promover a espiritualidade interior.
- A pequenez humana diante da criação: A experiência de se sentir “nu” e “descoberto” diante da imensidão do universo é um convite à humildade e ao reconhecimento da nossa fragilidade, mas também à busca da conexão com Deus.
- O “berço rústico da fé”: O medo, diante do grandioso e imprevisível, é apresentado como o “berço rústico da fé”, que se transforma em confiança quando o Espírito retoma a conexão com Deus.
- Os “dois Adões”: É estabelecido um paralelo entre o “primeiro Adão” (Gênesis 3), que falha e se esconde, e o “segundo Adão” (Jesus no Monte das Oliveiras), que, diante do sofrimento, não foge, mas ora e aceita a vontade divina, transformando o medo em fé e inaugurando uma nova humanidade.
Reflexões
- A pergunta “Onde estás?” de Deus a Adão transcende o plano físico, convidando a uma introspecção sobre nossa conexão consciente com a divindade.
- O medo e a vergonha surgem do distanciamento de Deus, enquanto a fé e a confiança são frutos da retomada dessa comunhão, transformando a experiência humana.
- A história de Adão e Eva em Gênesis 3 é reescrita e redimida na figura de Jesus no Monte das Oliveiras, simbolizando a transição de uma humanidade marcada pelo medo para uma humanidade alicerçada na fé e na aceitação da vontade divina.
Ler transcrição do episódio
Hello, friends, we are here in another episode of our study of Genesis. We are in the chapter 3. If you followed the previous episodes, nós comentávamos sobre aquele momento em que o Senhor Deus, na linguagem do Velho Testamento, volta em uma manhã no jardim e toma contas. Há uma prestação de contas. Nessa prestação de contas, a primeira a ser interrogada é Eva. Depois, Adão. E eles, então, confessam terem sido seduzidos pela serpente. Um ponto interessante aqui é quando o Senhor Deus chama Adão e pergunta a ele assim, Onde estás?
Essa é uma pergunta que parece ingênua, porque ela pode nos levar a acreditar que se trata de um local geográfico. É óbvio que não havia possibilidade de Adão sair do Jardim de Éden, do Jardim de Delícias. Ele estava no jardim. E, também, parece evidente que Deus não tivesse necessidade de perguntar em função de Ele ser o Todo-Poderoso e Onisciente. Acontece que nós temos aprendido, e aqui a chave da Doutrina Espírita é fundamental para o entendimento destes textos, que Deus manifesta-se na consciência. É na consciência do Espírito que estão os genes da divindade, todos os padrões do universo, da criação, que nós chamamos de lei divina.
E, mais do que isso, é na consciência do Espírito imortal que o próprio Deus se manifesta, se manifesta efetivamente expressando a sua vontade, o seu amor e a sua sabedoria, dentro de nós. Por isso, Emmanuel afirma, no capítulo 30 do livro Fonte Viva, estamos em Deus tanto quanto Deus está em nós, ou Deus está em nós tanto quanto estamos em Deus. Também o Espírito traz em si o gene da divindade. Esta é a contribuição fundamental do aspecto religioso do Espiritismo para uma evolução da ideia religiosa na humanidade.
E, quando nós nos apropriamos destas ideias extraordinárias que o Espiritismo vem nos trazer, nós podemos voltar aos textos da tradição antiga e resgatar. Então, a pergunta aqui é mais profunda. Deus está sempre conosco, de um modo que nós ainda não compreendemos, porque toda a criação divina, toda a criação infinita está mergulhada no fluido cósmico, que é o hálito divino, que é a força nervosa do todo sábio. Então, é como se a criação fosse o sistema nervoso do Criador, uma materialização do sistema nervoso do Criador.
Olha que coisa linda isto! Deus, o Espírito divino, possui uma materialização que é a criação infinita. Isto é muito profundo. Então, a criação não é algo externo ao Criador. A criação é uma manifestação, uma irradiação, uma materialização de emanações do próprio Deus, embora Deus não possa ser resumido à sua criação, assim como um pintor não pode ser resumido ao quadro, assim como um músico não pode ser resumido a uma música que ele compôs. Isto nós já temos maturidade espiritual suficiente para entender estas coisas e para nos afastarmos das arapucas, das armadilhas de um panteísmo, que é aquela crença de que Deus é a soma de todas as coisas materiais.
Então, Deus seria material, mutável, imperfeito, sujeito a mudanças. Não é isto. Mas, se a criação é uma materialização de uma irradiação divina e ela expressa a criação, o sistema nervoso do Criador, a ponto de André Luiz chamar o fluido cósmico de força nervosa do todo sábio ou hálito divino, a respiração do próprio Deus, Deus também, além de envolver tudo, se manifesta dentro do Espírito. Este é o ponto fundamental. Porque o Espírito criado por Deus é criado a sua imagem e segundo a sua forma, segundo o seu molde.
O Espírito é herdeiro da divindade. Ele compartilha da essência do próprio Criador. Por isso, é criatura. Neste sentido, há um canal de comunicação que nós não podemos descrever. Nós não temos, ainda, linguagem e ciência para descrever esta comunicação. Mas, podemos senti-la. Podemos senti-la em cada momento, em cada segundo da nossa existência. Deus se manifesta em nós, a partir de dentro, a partir do mais profundo da alma, do ponto mais profundo e, muitas vezes, inconsciente. Ou seja, há uma presença divina em nós, da qual nós não nos damos conta.
Então, quando Deus pergunta aqui para Adão, Onde estás? Onde estás? Esta pergunta é o que você está percebendo? Qual a sua distância de mim? Porque, conscientemente, nós nos posicionamos próximos ou afastados de Deus. Por isso, Emmanuel, no livro Pensamento e Vida, quando ele vai descrever a mente, a mente, olha que coisa bonita, ele diz assim, a mente é o campo, vamos prestar atenção nisto, a mente é um campo, porque a ideia de campo é assim, você pega uma vela e você olha aquele raio de luz em torno da vela, este é o campo, este é o conceito de campo, ou uma lâmpada.
Então, nós temos uma ideia de campo, é uma área circular, porque emana em todas as direções, 360 graus, e gera uma área circular de influência. Então, a mente é este campo que vai sempre diminuindo, mas nunca chega a zero, porque ele se estende, é o campo da consciência desperta. Isto é importante. Ou seja, e a consciência que ainda não está desperta? Ela não se expressa ainda em mente. A evolução é um despertar da consciência e, quanto mais a consciência desperta, mais ela aumenta o seu campo de radiação. Este campo de radiação é a mente, a mente espiritual, que é sentimento e inteligência.
Eva e Adão. Então, aqui, a pergunta é profunda. Onde estás? Qual nível de distanciamento você criou de mim, Adão? Você se dá conta disso? E, aí, ele responde. Ouvi teu passo no jardim. Respondeu o homem. Tive medo, porque estou nu e me escondi. Escondeu-se, afastou-se mais, porque, agora, há uma sensação de desordem, de desunião, de desconexão de Deus, de afastamento. E, isso gera medo, solidão, insegurança. Todos os sentimentos que Hahnemann, Taylor-Kent, Elie Mazalde, os grandes teóricos da homeopatia, começando pelo fundador Hahnemann e esses outros que o seguiram, definiram como a doença original do ser humano.
Olha que interessante isso. A chamada psora primária, a doença primordial, que é a desconexão de Deus, o afastamento da divindade, não da divindade que está fora, mas de Deus que se manifesta em mim. Aí, você vai perguntar assim, porque nós temos que tomar cuidado aqui para não cairmos no misticismo. Qual é a diferença desse Deus que se manifesta dentro de mim do Deus que se manifesta dentro de todas as outras criaturas e que se manifesta na criação? Nenhuma. É o mesmo Deus, porque o Criador é indivisível. O Criador é um.
Então, aqui, nós já vamos aprendendo. Toda vez que Deus se manifesta em mim, nunca é contrário a ninguém, porque Ele é pai de todos. Ele é pai de todos. Nunca é para me privilegiar, porque Deus não pode tratar de forma desigual seus filhos. Então, quando Deus se manifesta intensamente em mim, é para revelar propósitos que me dizem respeito. Olha só! Propósitos que me dizem respeito. Por isso, Emmanuel, no livro Pensamento e Vida, quando vai definir dever, Ele expressa é aquela faixa de serviço, ou seja, Ele não disse assim, é aquela atividade que Deus pôs na sua mão.
Não! Não! É uma faixa de serviço que o Criador nos coloca. Faixa, ou seja, há um campo de possibilidades, mas não todas. Não é um campo de infinitas possibilidades, é um campo de possibilidades limitadas. E, aí, Ele coloca a criatura naquele patamar, naquela faixa de operação, porque Ele sabe que aquela é a melhor faixa para aquele seu filho, para aquela criatura, melhor desenvolver seus potenciais e ser promovida para outras faixas. Por isso, também, o abandono do dever é Um processo, ou expressa um processo de rebeldia ao Criador que está dentro de mim.
Este ponto é muito fundamental. Jesus, na oração do Pai Nosso, o que Jesus faz nesta oração, comparando aqui com o que nós estamos estudando? Jesus retoma todos os erros que foram cometidos aqui em Gênesis 3, todos os erros que foram cometidos por Eva, Adão e pela serpente. Ele retoma estes erros para corrigi-los em uma oração. Então, ele começa assim, Pai, estabelecendo o vínculo afetivo, Deus é Pai. Naquela sociedade patriarcal, a gente entende. Hoje, você pode chamar Pai, Mãe, o que você quiser. Ele é este Criador, mas um Criador que tem uma relação pessoal, afetiva, conosco.
Pessoal, afetiva. Ele é providência, Ele cuida. Agora, não é Pai meu, é Pai nosso. É Pai nosso. Mais adiante, Ele dirá seja feita tua vontade, que é a vontade perfeita, a vontade mais ampla, que nós, no uso do nosso relativo livre-arbítrio, podemos optar pelo melhor. Optar pelo melhor é aceitar a vontade de Deus, a nosso respeito. E, como Deus manifesta esta vontade? Ele manifesta a cada milésimo de segundo dentro de você. Dentro de você, a cada milésimo de segundo, o download está sendo atualizado. Está sendo atualizado.
Então, este ponto é muito importante. Onde estás? Neste processo da relação com Deus, onde você está? Porque é você que se posiciona. Deus está sempre presente. Ele nos busca de modo inconsciente. Como diria o grande Joshua Heschel, Deus é em busca do homem. O homem se perde tanto que ele acha que está buscando a Deus, mas, na verdade, é Deus que está buscando ele, tão perdido que ele está. Este é o sentido. Onde estás? E, aqui, ele revela medo, porque medo, solidão, insegurança, carência afetiva, isso tudo quem diz é Hanneman e Taylor Kent.
São os homeopatas. Tudo isto é decorrência de uma postura de afastamento da divindade, de corte da nossa conexão com Deus. Porque, quando eu restabeleço esta conexão, eu sinto paz, segurança. E, eu perco medo, porque eu entendo a vontade de Deus que se atualiza. Vontade de Deus que se atualiza. Então, não vamos imaginar que Deus já manda um script para você, de agora até a hora de você desencarnar, porque não é assim. Quando Saulo encontra com Jesus as portas de Damasco, Jesus diz para ele Entra na cidade. Lá, eu te direi o que você tem que fazer.
Ou seja, a instrução não vem toda de uma vez. Por que que não vem? Porque as coisas mudam a cada segundo. A cada segundo, a vida é dinâmica. A cada segundo, Deus está usando a sua sabedoria infinita. A cada segundo, Deus está atualizando o plano dele com relação a você, com relação a mim. Porque o universo está todo mundo exercendo seu livre-habito, as coisas estão acontecendo. Você acha que Deus vai ficar desatualizado? Desinformado? Não! A cada milésimo de segundo, ele atualiza o universo inteiro e toma decisões, e faz escolhas, e manifesta em nossa consciência essas escolhas, as melhores escolhas com relação a nós mesmos.
Por isso que a conexão tem que ser permanente e por isso que não tem resposta pronta. Você pode ter uma resposta do melhor hoje. Daqui uma semana, não é o melhor. Não é o melhor. É óbvio, é claro que o Criador atua segundo parâmetros, segundo as leis divinas que ele estabeleceu. Então, o Criador nunca vai aplaudir o mal. O Criador nunca vai privilegiar um filho em detrimento do outro. O Criador nunca vai estimular o orgulho, o egoísmo. Ele atua segundo princípios. E isso é imutável, imutável, inegociável, inegociável.
Mas, do ponto de vista prático do que fazer, é uma constante atualização. E, aí, o Adão expressa o medo e se esconde e, aí, ele se revela. Eu estou com medo, porque eu estou nu. Ele perdeu a cobertura e, agora, ele começa a olhar para o corpo, para a própria sexualidade, para tudo, sentindo desordem. Olha que coisa! E, aqui, meus amigos, vale um estudo histórico, porque a religião, que é diferente da religiosidade, porque religiosidade e espiritualidade são coisas diferentes de religião, espiritualismo e espiritismo.
É diferente. Religiosidade é um sentimento de conexão com Deus. Espiritualidade é um estado de alma. São elementos interiores. Então, nas religiões, ou seja, na experiência religiosa concreta da humanidade, vocês já perceberam que todas as religiões trabalham no processo do puro e impuro, do vergonhoso? Então, diminui a saia para cobrir, porque é uma vergonha mostrar a perna. Cobre aqui, porque é uma vergonha mostrar isto. Isto expressa o quê? Um deslocamento do psiquismo, um deslocamento do psiquismo, que, por abusar, por abusar dos recursos que a providência divina coloca em nossas mãos, volta com o sentimento de culpa e entra num processo de medo e retraimento.
Então, aquele que abusou da sexualidade, conspurcou consciências, desviou corações e sofreu, vem agora com medo de mostrar até o antebraço. Vem com aquele trauma de corpo. Por quê? Porque operou nos extremos. Não conseguiu operar com equilíbrio, porque aquele que opera com equilíbrio não tem vergonha do corpo. Aquele que operou a sexualidade com equilíbrio não tem vergonha dela. E, aí, nisso, vai tudo. Tudo, tudo, tudo. Então, por exemplo, aqueles religiosos que abusaram dos recursos financeiros, hoje, ele tem medo de fazer até um charro para poder fazer a Reforma na Casa Espírita.
Ele até arrepia, porque já desviou e fica operando no medo, na culpa, na vergonha. Por quê? Porque ele percebe desordem. Isso é muito bonito, porque, durante o processo do Velho Testamento, a espiritualidade orienta, inclusive, com normas sanitárias. Você está peregrinando num deserto, você tem que tomar cuidado com carne de porco, porque, se der uma infecção intestinal lá, matava o povo hebreu inteiro. Então, a gente percebe que muitas normas dadas a Moisés são normas sanitárias. Hoje, você não percebe isso. Sabe por que você não percebe?
Porque existe a vigilância sanitária e existem normas. Então, quando você chega em um restaurante, você come aquela comida, há uma série de normas que você nem sabe que existem e nem sabe se a pessoa está seguindo também. Você só sabe quando passa mal. Comia uma comida e passei mal. Possivelmente, a pessoa não seguiu as normas. Mas, se ela seguiu, você vai se alimentar ali. E, na época de Moisés, tinha isso? Tinha o fiscal da vigilância sanitária? Opa, peraí! Deixa eu examinar este cordeiro que você está comendo aí.
Não tinha. Então, tinha uma série de normas. Ah, o cordeiro estiver com mancha. O cordeiro estiver com defeito físico. Será que ele está com infecção? Eles não sabiam. Então, eles adotavam uma série de práticas para se proteger. Então, lá na frente, isso se tornou uma coisa religiosa. Eu não posso comer isso porque isso é impuro. E, aí, tem uma cena linda em Atos dos Apóstolos em que desce um lençol cheio de animais e de carnes proibidas. E, vem uma ordem para Pedro assim – come! E, aí, Pedro diz assim – eu não como carne impura.
Sentindo orgulho daquilo. E, aí, o anjo diz assim – não tornes impuro aquilo que Deus purificou. Dando um basta a esse processo exterior de religiosidade. Porque religiosidade é interior. É interior. É bom que você seja sóbrio. Mas, não é porque você come isso ou come aquilo ou Deixa de comer ou deixa de beber que isso vai garantir espiritualidade a você. Não vai. Não vai. O que pode acontecer é que você alcance a espiritualidade e, por estar espiritualizado, você escolha comer isso, comer aquilo, abster-se disso, abster-se daquilo.
Mas, não porque a coisa vai te espiritualizar. É porque você está espiritualizado e, agora, seleciona as coisas. Percebe? É diferente. Porque, senão, você vai acreditar em talismãs, em processos mágicos. Ah, se eu deixar de comer isso, eu me purifico. Não. Primeiro, você purifica e, depois, você deixa de comer. Ou faz concomitante. Faz concomitante. Já vai selecionando, já vai aprendendo, já vai fazendo o seu esforço. Mas, sem acreditar que as coisas te purificam. Não. Tendo ciência de que tudo é lícito. Tudo é lícito.
Porque, senão, o que você quer fazer? Você quer ser superior a Deus e quer, por exemplo, impor uma dieta ao seu cachorro, que é um animal que está na evolução e você quer que ele queime etapas e passe a ter uma dieta espiritualizada como a sua. Então, você está dizendo o quê? Que Deus planejou mal a evolução? E que você vai corrigir o universo? A criação divina? Você vai corrigir? Tome cuidado com isso. Então, esta é a discussão aqui de Adão. Eu me escondi, porque eu estou nu. E, aí, o Criador, não precisa nem dizer, né?
Adão, você sempre esteve nu. Você sempre esteve descoberto. Nós sempre estaremos descobertos. Querem ver? Eu, recentemente, assisti a um filme que eu queria compartilhar que tem a ver com isto aqui, com esta sensação de nudeza. Agora, eu me esqueci o nome do filme, mas é um filme de umas pessoas que são uma ficção científica e elas contratam uma nave. Esta nave vai colonizar um outro planeta distante. Então, eles viajam hibernados, todo mundo, e está programado para quatro meses antes de chegarem, porque a viagem dura noventa anos.
Passageiros, exatamente. Então, quatro meses antes de eles chegarem, todo mundo ia sair da hibernação. Primeiro, a tripulação para preparar tudo e, depois, os passageiros. Mas, o que acontece? Acontece um probleminha, e uma pessoa acorda. Acorda noventa anos antes. Então, você imagina, a nave estava percorrendo na metade da velocidade da luz, viajando pelo espaço. E, o que ele percebe? Ele vai morrer na nave. Ele vai envelhecer. Ele não vai chegar. Então, este é o filme. O interessante do filme é porque ele te desperta dois sentimentos.
Tem um momento em que a nave passa por um sol assim, e você vê a grandeza do universo. Mas, a par da grandeza, você está viajando ali duzentos anos, viajando para percorrer o mínimo espaço. Mas, particularmente em mim, chegou um momento no filme, e o filme te leva a isto, vai te dando uma angústia. Por quê? Porque o universo é tão gigantesco, a nossa vida física é tão frágil, o nosso tempo de vida física é tão pequeno, que é tudo muito grandioso para a nossa pequeneza. Aí, você se sente nu. Você se sente descoberto.
É aquela cena que o Chico conta. Ah, eu queria saber mais sobre Deus, sobre os Cristos. Então, vem cá, Chico. Faz uma espécie de projeção, desdobramento guiado tecnológico. Ele desdobra e é lançado num cinema 5D. Aí, começa a afastar da Terra, do sistema solar, vai afastando da galáxia. E, aí, você começa a perder suas referências. Qual é o tempo? Dia? Noite? Hora do almoço? Hora de jantar? Minha casa? Meu local? Acabou a referência! Acabou a referência! Qual é a sua referência? Aí, tem uma hora que o Chico vira para o Emmanuel e fala assim, Emmanuel, dá para a gente voltar?
Eu já entendi a criação. Dá para a gente voltar? Porque eu quero muito tomar um café. Aí, volta, imagina aquela volta, igual quando você viaja, pega a Chico, toma um café, olha, eu sei, tem uma galáxia, há 300 milhões de anos-luz, mas eu estou aqui, tomando meu café, sentado aqui na minha cadeira, simples, com os meus amigos, a minha cidade, a minha família. Perceberam quanto nós somos pequenos? Nós estamos nus sempre, sempre. Perante a criação infinita, a gente está sempre nu. Então, qual é o problema? Quando você passa a ter medo e vergonha disso, é porque você está desconectado de Deus.
Então, bem-vindo ao time! Você é um Espírito que está na Terra, e na Terra estão os Espíritos desconectados de Deus, aprendendo a fazer o processo de comunhão divina. Bem-vindo! Esta é a nossa escola. Nós estamos aqui aprendendo a retomar o processo da comunhão com o Criador. Este processo vai transmutar medo em fé. Por isso, André Luiz diz no livro Evolução em Dois Mundos o medo, o temor é o berço rústico da fé. Porque o medo, diante do grandioso, diante do imprevisível, esta insegurança permanente é um berço rústico da fé.
Lá na frente, quando o Espírito retoma a conexão com Deus, Ele continua assombrado diante da grandeza divina, mas, agora, o que é medo, transforma-se em confiança. Uma confiança extraordinária e inexplicável. Mas, aí, não vai ser Adão que vai fazer isto. Quem vai fazer isto? Qual é a cena, aqui, gente? Vamos dar uma dica, aqui. Estamos quase chegando no finalzinho deste episódio e eu vou te contar um segredo. Segredo. E, este segredo, você vai contar para todo mundo. Tudo o que está acontecendo com Adão, aqui, vai acontecer com Jesus.
Por que nos disse Paulo? Existem dois Adão. O primeiro Adão e o segundo Adão. O primeiro Adão falhou. O segundo Adão acertou. O primeiro era o mesmo projeto. O projeto não foi executado. O segundo Adão, o projeto foi integralmente executado. Então, presta atenção, aí, agora. Muita atenção. Muita atenção, agora. O Senhor Deus passeava no jardim à brisa do dia e o homem e sua mulher se esconderam da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. O Senhor Deus chamou o homem Onde estás? E, o homem respondeu Ouvi teu passo no jardim.
Você acha que este jardim é fora ou é dentro? Ouvi teu passo no jardim, respondeu o homem. Tive medo, porque estou nu e me escondi. Agora, congela esta cena. Guarda, aí. Põe do lado. Vou te mostrar outra cena, agora. O segundo Adão chega num jardim chamado Monte das Oliveiras. A situação é a mesma. Está entre árvores que são oliveiras. O quadro é dificílimo. Aproxima-se a crucificação e muito mais do que a crucificação, porque a crucificação em si, para Jesus, é o cafezinho da entrada. É a entrada, não é nem o prato principal.
O desafio é o que viria depois da crucificação, que é a regeneração da humanidade, que está descrita no Apocalipse lá, todo o processo. O que é que este novo Adão faz? O que é que o segundo Adão faz? Ele não se esconde. Ele não foge. Ele ora. Pai, se possível, afasta de mim este cálice, mas não seja feita a tua vontade, a minha vontade, mas a tua vontade. O que é que aconteceu aqui? Medo transformou-se em fé. O primeiro Adão transformou-se no segundo Adão. Uma nova geração humana nasceria a partir daí. A primeira geração de humanos é a primeira geração A primeira geração de seres humanos é a geração de medo, desconexão, afastamento de Deus, insegurança, sentimento de desordem.
A segunda geração, a segunda humanidade é o Cristo. O ser humano que se baseia na fé, na confiança, fé no sentido de confiança. Pai, seja feita a tua vontade. Então, retomou a cena, curiosamente, num jardim, agora de Oliveiras. Voltou a cena e a história foi reescrita. Um novo capítulo 3 de Gênesis foi reescrito. E, é claro, nós vamos ter a sequência. Vamos ter a sequência. Porque, o que acontece aqui, depois disso aqui? Um processo de sofrimento expiatório de Adão, Évoca e da Serpente. O que acontece depois do Monte das Oliveiras?
Um processo não mais expiatório, um processo redentor que vem contrapor-se a este processo do capítulo 3. Mas, isto já é assunto para o próximo episódio. Eu quero que você guarde estas duas cenas no seu coração. O Monte das Oliveiras, o segundo Adão, a nova humanidade que começa com um homem. Capítulo 3 de Gênesis, o primeiro Adão, a humanidade que nós conhecemos, que é esta que está dirigindo os carros, fazendo tudo o que está fazendo neste mundo de transição perplexo e desafiador. Até o próximo episódio! Atenção!
Atenção! Atenção! Porque a inteligência que é Adão e o sentimento que é Évoca poderiam ter obedecido e consentido, né, obedecido e resignado, ou consentido, com o projeto de Deus. Mas, eles não consentiram, não acataram, não acataram. Não acataram.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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