#056 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, conduzida por Haroldo Dutra Dias, mergulhamos no Livro de Gênesis, especificamente no capítulo 3, para aprofundar a compreensão dos simbolismos de Adão e Eva à luz da Doutrina Espírita.

O que é estudado neste episódio

  • Adão e Eva como símbolos psíquicos: Haroldo Dutra Dias reitera que Adão e Eva representam facetas do psiquismo humano. Adão simboliza a razão, a inteligência, a capacidade de examinar, comparar e aprofundar. Eva, por sua vez, representa o sentimento, as emoções, os desejos e as paixões.
  • A chave de leitura espírita: O estudo utiliza “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, especialmente o capítulo 9 (“Bem-aventurados os mansos e os pacíficos”), como ferramenta interpretativa para desvendar o sentido espiritual do texto bíblico.
  • Obediência e Resignação: O item 8 do capítulo 9 do Evangelho, intitulado “Obediência e Resignação”, é o ponto central da análise.
    • Obediência (Adão): É definida como o consentimento da razão, a aceitação pela lógica e bom senso da sabedoria dos planos divinos. A “falha de Adão” é interpretada como a ausência de exame, comparação e aprofundamento diante da proposta, simbolizando a negligência da inteligência em sua função.
    • Resignação (Eva): É o consentimento do coração, a aceitação amorosa dos desígnios divinos, mesmo que passem pela dor ou desconforto. A “falha de Eva” é vista como a não aceitação do plano divino, entregando-se a sentimentos viciados que deturpam a visão da realidade.
  • A conexão com Isaías e Jesus: É destacada a relação entre a bem-aventurança dos mansos e pacíficos, as profecias de Isaías e os manuscritos de Qumran, mostrando a profundidade histórica e espiritual desses ensinamentos.
  • A lição de Jesus no Monte das Oliveiras: Jesus, ao dizer “Pai, se possível, afasta de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, e sim a tua”, exemplifica a obediência (consentimento da razão) e a resignação (consentimento do coração), corrigindo a “história” de Adão e Eva ao alinhar sua vontade à vontade divina.

Reflexões

  • A verdadeira inteligência não se mede pela quantidade de informação, mas pela qualidade do raciocínio, do exame e da capacidade de discernimento, que leva à obediência consciente aos desígnios divinos.
  • Obediência e resignação não são passividade, mas virtudes ativas que qualificam a vontade e amadurecem o sentimento, permitindo uma ação eficiente e eficaz em consonância com as leis divinas.
  • A doçura é apresentada como a maior força, acompanhada pela obediência da razão e pela resignação do coração, que juntas promovem a evolução consciente e a harmonia com o plano divino.

Ler transcrição do episódio

Música Olá Estamos aqui em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis e se você acompanhou o episódio anterior nós comentávamos sobre o que representa Eva e Adão nesse relato do capítulo 3 do livro Gênesis. No episódio anterior nós pedimos ajuda à chave capaz de abrir não só o Evangelho, mas os autores sacros, os livros da Bíblia em geral, porque é a chave que torna possível o entendimento de muitas coisas que permanecem ocultas. Estas são frases de Kardec na introdução do Evangelho segundo o Espiritismo. E é lá no Evangelho segundo o Espiritismo que nós vamos buscar recursos interpretativos ou melhor chaves de leitura, porque o texto pode ser lido de diversas perspectivas, mas essas perspectivas que utilizam a codificação e a obra subsidiária ligada à codificação é, para nós, de um valor muito grande na apreensão do sentido espiritual dos textos do Gênesis.

E nós, tentando entender o que se esperava de Adão e de Eva, nós lemos o Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente no capítulo nono, que é o capítulo Bem-aventurados, os mansos e os pacíficos. É importante dizer que esta bem-aventurança de Jesus tem uma profunda conexão com os textos do profeta Isaías. E é tão incrível isto que um estudioso judeu que tinha uma admiração profunda pelo Sermão do Monte e pela figura de Jesus, Davi Flusser, professor da Universidade Hebraica, escreveu, para mim, um dos mais belos comentários sobre o Sermão do Monte, percebeu esta conexão entre esta bem-aventurança e as profecias de Isaías e foi buscar nos manuscritos de Qumran, os manuscritos da seita dos essénios e, lá, também, percebeu vestígios desta tradição profética que veio de Isaías.

O que Davi Flusser vai nos dizer? Que os bem-aventurados, os mansos e os pacíficos, ou os bem-aventurados, os mansos e os pobres de espírito, porque há uma relação entre estas duas bem-aventuranças, representam uma alicerce do ensino profético de Isaías e, por consequência, uma alicerce da Boa Nova, uma alicerce do Evangelho. E, aqui, nós vamos entender por quê. O Evangelho, de modo geral, vem trazer uma nova abordagem da relação da criatura com o Criador. O Evangelho vem nos colocar em um novo patamar de relação com Deus, e, nesta relação com Deus, algumas características, algumas virtudes, ou, se preferirem, alguns posicionamentos psíquicos são necessários para que a gente consiga aprimorar a nossa relação com Deus.

Por isso, Kardec foi de uma felicidade extrema, orientado pelos Espíritos superiores e, orientado, mesmo, pelo Espírito de verdade, que é o nosso Mestre. No capítulo 9, no item 8, ele deu a este título, no item 8, o nome de obediência e resignação. Nós começamos a ler o início deste item e fizemos uma comparação. Obediência diz respeito à razão, porque, aqui, o texto vai dizer que a obediência é o consentimento da razão, é quando a razão, a inteligência, a nossa bagagem de cognição consente, aceita, acata, não por imposição ou por violência, acata pela lógica, pelo bom senso, pelo natural da consequência, pela clareza dos fatos e da experiência.

Este consentimento da inteligência, da razão, nos leva a uma postura, primeiro, interior, porque todas estas posturas, aqui, elas são, antes, interiores e, só depois que elas se expressam em atitudes, palavras, ações, comportamentos, mas elas se forjam, se moldam na intimidade, a postura, então, gerada pelo consentimento da razão é uma postura de obediência. Por que obediência? Porque a inteligência do Espírito entende a sabedoria dos planos da divindade. Quando nós vivemos uma situação, quando nós estamos passando por uma experiência e compreendemos que, por trás das aparências, por trás do aparente acaso, por trás do aparente caos das circunstâncias e dos fatos, há uma sabedoria infinita que, silenciosa e, sutilmente, entrelaça circunstâncias, articula pessoas para um propósito definido, quando nós percebemos esta condução oculta, isso desperta em nós a admiração pela sabedoria e pela inteligência suprema do Universo e, portanto, nos leva ao processo da obediência.

E o que é a razão? Ela está simbolizada em Adão. Adão é aquela parcela da nossa psique que pensa, que examina, que discerne, que exerce o discernimento, que exerce o bom senso, que seleciona, que compara, que aprofunda. Aliás, é o conselho que o Espírito de Verdade dá a Kardec. Ele diz assim, neste mundo, somente se obtém a verdade a um preço. É preciso examinar, selecionar e aprofundar. É um roteiro que o Espírito de Verdade dá a Kardec. Por que isso, gente? Porque muitas pessoas aceitam certas notícias, aceitam certos raciocínios, aceitam frases que, aparentemente, são bonitas, são de autoajuda, aceitam sem examinar, sem exame.

E, o que é o exame? O exame é a análise, é a inteligência, é você ver a lógica por trás e, também, o sentimento que está por trás, as intenções que estão por trás, as consequências daquele raciocínio. Isso é examinar. Nós não podemos acatar, simplesmente, porque a pessoa que nos disse é uma pessoa que a gente gosta. Nós não podemos acatar como certo algo só porque a pessoa que praticou o ato é uma pessoa que a gente ama. Nós não podemos acatar uma ideia só porque nós temos uma simpatia com quem está falando. É preciso um exame.

E, a falha de Adão, no capítulo 3 de Gênesis, é porque ele acatou a proposta da sua mulher sem examinar. Ele não se deu ao trabalho de exercer a sua função, porque a função de Adão – entenda, aqui nós não estamos falando do Adão pessoa, criatura ou comunidade, nós estamos falando do Adão íntimo, o Adão como aquela parcela do nosso psiquismo que representa a cognição, a inteligência. Aqui, vamos abrir uma, dá uma pausa aí, dá uma pausa, toma uma água. Não confunda inteligência com intelectualidade. A criatura pode nunca ter frequentado a escola.

Ela pode ser analfabeta e ser mais inteligente do que um irmão que possui um título de doutorado. Porque a inteligência não tem a ver com quantos livros você leu, não tem a ver com a quantidade de informação que você tem. Inteligência tem a ver com a qualidade do seu raciocínio, qualidade do seu exame. Então, eu, particularmente, acredito que você que está nos ouvindo também já passou por esta experiência, eu já me encontrei com criaturas simples, trabalhadores rurais do campo, pessoas muito humildes, de uma inteligência, de uma perspicácia, de uma sabedoria de vida.

Estava vivendo um problema e essa pessoa chegou e falou assim, mas, meu filho, pensa assim e assim, mas com uma profundidade que, olha, eu me senti pequeno e essa pessoa era analfabeta. Então, não vamos confundir. Você pode passar uma vida inteira jogando informação para dentro da sua cabeça, sem aumentar um milímetro na sua inteligência. É claro que nós precisamos absorver informação, é óbvio, é óbvio. Conhecimento não ocupa lugar, quanto mais conhecimento você tem, melhor, quanto mais curiosidade você tem, melhor.

Mas, eu gosto muito da frase de Emmanuel que diz assim, o conhecimento é a antessala da sabedoria. Ou seja, é uma sala antes. Não é a sala da sabedoria. Não basta o conhecimento para você alcançar a sabedoria, você tem que avançar mais. Então, é disso que nós estamos falando. Faltou a Adão o exame, faltou a Adão a comparação, porque você examina uma proposta e depois você compara. Será que tem outras? E essa outra, se eu comparar? Quais são as consequências? Qual o custo? Eu tenho dois caminhos. Qual o custo de um e do outro?

Não estou falando de custo financeiro, estou falando de custo emocional, psicológico, afetivo. Qual o custo? Porque a natureza é muito sábia, a natureza é econômica ao extremo. Ela pega sempre o caminho que você vai ter que fazer menos, gastar menos para obter mais. Essa é a lição da natureza. Basta você pegar um favo de mel na sua mão. Você olha para o favo de mel, é a forma mais eficiente para guardar a maior quantidade de mel com o mínimo de espaço. A sabedoria divina é uma lição de eficiência, de economia de recursos, de eficácia.

Faz-se pouco para ter um resultado grande. E, um dos sintomas da desordem, da desconexão com Deus, do mal, do afastamento das leis divinas, é o excesso, o excesso de todos os níveis, de todos os gêneros. Então, Adão, que é a inteligência em nós, não comparou, não examinou, não comparou e não aprofundou. Então, ele deixou de exercer a faculdade que lhe era inerente. Ou, se preferirem, ele enterrou o talento, enterrou o talento por medo, por escravidão a relações afetivas. Porque, como era a esposa, Eva, na simbologia aqui do texto, é claro que vocês estão vendo que tudo aqui é uma simbologia.

Nós estamos lidando com símbolos, com metáforas. Então, em nome das relações, ele não exerceu aquilo que a inteligência pede, que é o exame a comparação e o aprofundamento. O roteiro que o Espírito de Verdade deu a Kardec se ele quisesse, neste mundo, ter acesso à verdade. Isso significa que obter a verdade no mundo dos encarnados é uma atividade de garimpeiro. Você tem que escavar, escavar com cuidado. Chega o momento da escavação que você está lá com uma aquele pincelzinho, assim, limpando devagar para não estragar o que você está escavando.

Então, tem a parte dura e tem uma parte fina que você vai tirando milímetros de poeira. A verdade também. A verdade também. E, a gente percebe já No velório de Allan Kardec o discurso que é feito em que se diz a respeito dele que Kardec era o bom senso encarnado, o bom senso encarnado. Tamanha o seu esforço no sentido de manter o bom senso. Ele sempre examinou, sempre comparou, recebia milhares de mensagens, comparava, comparava, comparava, separava o que era linguagem do que era essência. Depois, ele aprofundava, via consequência daquela ideia, se aquilo tinha uma lógica, se aquilo realmente trazia alguma coisa, se aquilo acrescentava.

Então, era um trabalho meticuloso, detalhado. E, este é o convite que nós temos que fazer. A evolução consciente, como gostava o Sr. Anóbe de dizer, evolução consciente é para quem não abre mão da inteligência. É para quem não abre mão do bom senso, não abre mão do cuidado no exame das coisas. Então, isto nos leva à obediência. Obediência? Quem obedece? Eu só me entendi isso. É o que está dito aqui no texto, que a obediência e a resignação são duas virtudes companheiras da doçura. Porque, no item 6, aqui nós estamos no item 8, no item 6, o título era afabilidade e doçura.

Então, para você ser inteligente, você não precisa ser grosseiro. A pessoa verdadeiramente inteligente é dócil, é afável, é amorosa. A pessoa verdadeiramente inteligente tem doçura. Então, a obediência não tem a ver com abrir mão da liberdade, da autonomia. Não. A obediência tem a ver com o reconhecimento da sabedoria infinita de Deus. Obediência tem a ver com o reconhecimento da nossa inteligência, dos planos insondáveis, mas profundamente inteligentes de Deus. Então, é como digamos que você vá assistir a um show, a um espetáculo de um artista que você ama, que você adora, você gosta muito e, aí, você pega o programa e vê que aquele programa elaborado pelo artista que você adora, ele está impecável, o roteiro está primoroso, tem as músicas que você mais gosta, mas está, assim, de um bom gosto extremo.

O que você faz? Você se acata, você se rende, porque qual de nós, a não ser quando nós estamos com problemas íntimos, com distúrbios emocionais, psíquicos, qual de nós não acata a beleza, a ordem, o bom senso, o razoável, o bem-feito? Todos nós nos curvamos. Todos nós nos curvamos. Então, você está sentado em um lugar lindo e, de repente, vem aquele crepúsculo, aquelas cores no céu, aquela coisa maravilhosa, exceto a criatura que está com um conflito interior, que não consegue apreciar, mas, se você está bem consigo mesmo, é impossível, você se curva, porque o crepúsculo é tão belo, é tão harmonioso, há tanta riqueza de detalhe, tanta sabedoria e bom gosto, por trás daquilo, que você se curva.

E, isso é obediência, é o consentimento da razão. A obediência é o consentimento de Adão. Então, é por isso que a ordem foi dada a Adão. O comando de todas as árvores do jardim você pode comer, menos da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que você a dar para comer, você vai morrer. Isso nós já explicamos em episódios anteriores o que representa esta ordem, mas esta ordem é dada para a inteligência. A ordem é sempre dada para a inteligência, para a inteligência, porque a inteligência é aquela parcela da nossa psique capaz de examinar, capaz de comparar, capaz de aprofundar, capaz de apreciar a ordem, a harmonia, o belo e o bom.

Mas, não basta a inteligência. É preciso um outro consentimento psíquico. Este, agora, diz respeito às emoções, ao sentimento, ao que eu sinto, às minhas emoções. E, este é o consentimento do sentimento, que se chama resignação. Então, vamos ler aqui para a gente entender. E, aí, é Eva? Resignação é Eva, porque Eva é a parcela da nossa psique emocional. Eva é quem gosta, Eva é quem saliva, é quem tem desejo, é quem arregala os olhos, é quem arrepia, é quem se emociona, é quem é tocado, Eva é quem fica bravo, que se irrita.

São as emoções. Eva representa tudo isto em nós. Então, vamos ler aqui. A doutrina de Jesus ensina, em todos os seus pontos, a obediência e a resignação. Claro, porque, se Jesus mostra que Deus é a inteligência suprema e o amor infinito, na nossa relação com Deus, quais são as duas virtudes essenciais? O consentimento da razão e o consentimento do sentimento, porque Deus não impõe, Deus não obriga. Como diz Dr. Bezerra de Menezes, Deus não violenta consciências, não violenta. Deus não arromba a porta da nossa intimidade.

Não. Como que Jesus diz? Eis que batam a porta. Então, todo convite do alto bate a porta, ele não arromba a porta. Nós temos que consentir, temos que aceitar. Você tem que abrir a porta. Duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas. Aqui, é que está a grande confusão, porque nós achamos que a obediência e a resignação é passividade. Não. Nós achamos que teimosia é ser ativo. Não. Teimosia é ser bobo. Teimosia é agir inutilmente. Teimosia é fazer para depois ter que refazer. Nesta vida ou em outras, há a custa de muitas, muitas lágrimas.

Isto é teimosia. O contrário disso, uma virtude ativa e irmã da doçura é a obediência, porque quem obedece age silenciosamente, mas age de maneira eficiente e eficaz, de maneira efetiva. Faz uma vez para não ter que refazer. Resolve nesta encarnação para não ter que voltar resolvendo encrenca de encarnação passada. Isto é obediência. E, resignação? Outra virtude ativa, porque o contrário da resignação é a revolta. Eu Me revolto contra as circunstâncias, contra as pessoas, contra o que aconteceu. Por que comigo? Por que isto foi acontecer comigo?

Isto não podia acontecer. Eu não podia passar. Agora, eu vou me vingar, eu vou perseguir esta pessoa. E, aí, tudo mais que decorre da rebeldia e da revolta, que produz o quê? Multiplica o mal. A revolta multiplica o mal. Nós vamos ver isto aqui na simbologia das maldições, porque na Simbologia do Velho Testamento, benção é quando Deus homologa o seu plano. Então, é quando você tem o apoio, porque o seu plano reflete as leis de Deus. E, a maldição é quando o seu plano não é homologado porque ele contraria as leis divinas.

Aí, você está por conta própria. É claro, sob as vistas da misericórdia e sobre o controle da justiça divina, porque acima do nosso livre arbítrio está o arbítrio absoluto do Todo-Poderoso, que comanda e que mantém o universo no pleno funcionamento, no mais harmonioso do funcionamento. Há um acompanhamento, mas você não tem a homologação divina. Aliás, este é um sinal. Quando nós estamos em um caminho com Deus, as coisas podem ser difíceis, mas elas não são impeditivas. Vai acontecendo. Quando é a hora, acontece. Com dificuldade, mas acontece.

Então, o contrário da resignação é a revolta. E, revolta produz perturbação dos sentimentos, perturbação das emoções, cegueira espiritual. As paixões ficam exacerbadas e a criatura perde o rumo, ela perde o bom senso, ela fica cega. Fica parecendo um animal feroz que foi atacado, que foi privado de algo e, geralmente, sai destruindo tudo o que encontra à sua volta. Isto é ser ativo? Será que é? Será que isto é ser ativo? Destruir? Ou será que ser ativo é saber agir? Saber aceitar consentimento para não alterar aquilo que é o melhor.

Porque o que acontece conosco? Nós gastamos uma tremenda energia para substituir o melhor pelo mais ou menos, o melhor que foi proposto por Deus pelo mais ou menos que nós estamos propondo. É a velha ditada popular, nós trocamos gato por lebre, acreditando que fizemos a melhor escolha. Então, que vale tanta energia, tanta força, se você escolher o pior? Se o que você está realizando é o pior, não é a melhor escolha. Por isso que os Espíritos disseram duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas. Porque, um dia, nós vamos compreender que doçura é força, doçura é poder, é o maior poder da Terra.

A doçura é o maior poder do mundo. E, a doçura anda com dois soldados, a obediência e a resignação. É o que eles estão dizendo. Embora os homens, erradamente, as confundam com a negação do sentimento e da vontade. Porque a criatura acha que obedecer é eu negar a minha vontade. Não! Obedecer é eu qualificar a minha vontade, qualificar a minha vontade. Porque, se eu reconheço a sabedoria do plano, se eu reconheço a inteligência infinita de Deus e eu escolho estar com Deus, eu estou qualificando a minha vontade. Eu estou saindo de uma vontade infantil para uma vontade madura.

É qualificar a vontade, não é negar a vontade. Da mesma maneira, a resignação. Eu não estou negando o sentimento, eu estou aprimorando o sentimento, eu estou amadurecendo o sentimento, eu estou enriquecendo o sentimento. Porque, quando eu aceito de coração os planos de Deus, eu me abro para a renovação, eu me abro para nuances que eu não seria capaz de perceber se não fossem esses planos. É desagradável, às vezes? É. Dói? Dói. Às vezes, os planos da divindade passam pela dor, pela dor, pelo desagradável, pelo amargo, pelo frio, pelo desconforto, mas, é exatamente esse plano, são esses elementos que vão aprimorar o meu leque de recursos afetivos.

Porque, olha, é diferente aquele coração que atravessou a amargura, a perda, a carência, o abandono, ele exala uma compaixão, uma solidariedade que aquele outro coração que só teve facilidade na vida é incapaz de exalar. Facilidades demais ou só facilidades produzem em nós superficialidade, sentimentos rasos e fragilidade emocional. Fragilidade emocional que nós estamos observando. O que está acontecendo com a nossa sociedade? Ela privilegia tanto o conforto que, às vezes, nós presenciamos corações tão fragilizados que o gatinho morreu e a pessoa vai para o hospital sem internar, porque ela não tem resiliência para enfrentar a perda de um gatinho.

É preciso cuidar disso? É claro que eu vou chorar o animalzinho querido que eu tenho, o meu animal de estimação. E, só quem tem sabe o que é. Você tem um animal de estimação que parece que é um membro da família. É natural isso, não tem nenhum problema com isso. Isso mostra a riqueza do nosso afeto. Você tem um animalzinho, mas ele perdeu o animal? Tem estrutura emocional. Você fica triste, você sente a perda, mas você não desestrutura a sua psique por conta disso e mesmo por conta de outras perdas e mesmo por conta de outras perdas.

Então, é sutil isso aqui, é muito sutil. E, aí, os Espíritos vão dizer que a obediência é o consentimento da razão, a resignação é o consentimento do coração. Então, qual foi o problema de Eva? O problema de Adão nós já percebemos, porque Adão é a inteligência, Adão é a razão e ele não consentiu, ele não entendeu o plano, ele não exerceu sua capacidade de examinar, de comparar, de aprofundar. E, Eva? Qual foi o erro de Eva? Ela não aceitou. Tem a ver com inteligência. A questão de Eva tem a ver com sentimento. Ela não aceitou.

Ela se entregou a outros sentimentos. E, aí, ela entrou em um ponto que é um ponto fundamental aqui desta passagem, que é se o seu sentimento não está alinhado à sua visão, ela é uma visão ferida. É uma visão ferida. Ela não é uma visão harmoniosa. Vamos dar alguns exemplos aqui. Vamos dar alguns exemplos. Diante de uma situação, se o seu sentimento é de generosidade, você vai enxergar soma. Nossa, que bom! Isto aqui está acontecendo, vai contribuir com isto, isto aqui vai contribuir. Se o seu sentimento é de egoísmo, é de escassez, você vai enxergar divisão.

Nossa! Vai dividir, eu vou perder. É a visão ferida. Visão ferida. Porque o seu sentimento deturpado faz você enxergar de maneira equivocada e ferida os acontecimentos e as pessoas. Este é o caso de Eva. Por quê? Na ordem dada pelo Criador, há um plano. Qual é o plano? De todas as árvores do jardim, você vai comer. Qual é o plano? Coma todas as árvores do jardim. Coma, primeiro, as milhões de árvores que eu plantei, dos frutos, dos milhões de árvores que eu plantei. Depois, eu vou trabalhar com vocês a árvore do conhecimento do bem e do mal.

Percebe? Então, tinha um plano. Como o sentimento está viciado, como é que ele vê este plano? Está negando a minha vontade, está negando a minha autonomia. Eu que quero escolher, eu que quero determinar. E, aí, eu perco a oportunidade de ser conduzido, de ser conduzido pela sabedoria infinita, pela sabedoria infinita. É por isso que nós vamos ver um exemplo extraordinário, extraordinário, porque Jesus vai retomar o capítulo 3 de Gênesis. O capítulo 3 de Gênesis vai ser retomado, sabe onde? No Monte das Oliveiras. Lá, Jesus retoma o capítulo 3 de Gênesis.

E, retoma como? Então, retoma dizendo assim Pai, se possível, afasta de mim esse cálice. Se possível. Olha que coisa fantástica, porque, aqui, nós percebemos a obediência e a resignação de Jesus. Obediência. Pai, se possível. Isto é a atitude de quem examinou comparou, aprofundou. Eu quero, mas será que é possível? Eu quero, mas será que é o melhor momento? Eu quero, mas será que isto realmente vai ser bom para mim? Percebe? Então, Jesus diz assim, Pai, se possível, por que, se possível? Será que Ele está falando Ah, Deus, se você tiver poder para fazer isto, se você tiver capacidade, é claro que não.

Deus é todo-poderoso, Ele pode tudo. Deus pode tudo. Então, você deve estar se perguntando aí, se Deus pode tudo, por que Ele não faz tudo? Por que Ele não acarta todos os meus pedidos? Ei, calma, calma, Deus pode tudo, então Ele é o todo-poderoso, mas Ele não é o todo-sábio? Deus é todo-poderoso, mas Ele não é, também, a inteligência suprema? Se Ele é, também, a inteligência suprema, Ele pode tudo, mas nem tudo convém. Ele pode tudo, mas nem tudo é o melhor. Então, é isto, Jesus, Pai, se possível, se isto for o melhor, é como se Jesus dissesse, Pai, afasta-me do meu caro, isto é o que eu quero, este é o meu plano, que caro este é este?

Não sei, não sei, já comentamos sobre isto. Isto é um diálogo de Jesus profundo, não é a crucificação, apenas. Porque, Ele já tinha anunciado a crucificação, inclusive, Ele chamou a atenção de Pedro, quando Pedro falou, não, mestre, não vai acontecer nada disso, o que Ele falou com Pedro? Afasta de mim, Satanás. Então, não é a crucificação. Ele sabia que a crucificação era necessária, porque Ele disse assim, é necessário que o Filho do homem seja entregue. Ele já havia afirmado isto. Então, o cálice que Jesus está pedindo para afastar não é a crucificação.

É a coisa mais profunda, é diálogo do governador do mundo com Deus. Não vamos nos ser ingênuos, não vamos ser ingênuos. Jesus estava sondando milhares de anos à frente, não estava olhando apenas algumas horas à frente. Ele não sondou horas, sondou milênios. Mas, diz, se possível, consentimento da razão. Eu sei, Pai, que a minha visão de Cristo alcança longe, mas a tua visão de Deus alcança tudo. Olha isso! E, depois, a lição do consentimento, do sentimento, mas que não seja feita, Pai, a minha vontade, mas a tua vontade.

Isto é sentimento. Consentiu amorosamente e, a partir dali, ele fica em silêncio, doce, não agride, não retribui a violência, perdoa e fica em silêncio, obedecendo e resignando, dando a maior lição, corrigindo a história, corrigindo a história da humanidade, porque a história da humanidade é esta aqui, de Eva e de Adão. Mas, aí, nós já entramos em outro ponto e precisamos encerrar aqui o episódio. No próximo episódio, nós vemos continuidade a este desenvolvimento do tema. Te espero! Até lá! Iniciou-se a história do rei.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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