Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias dá continuidade à análise do capítulo 3 do livro de Gênesis. O foco é aprofundar a compreensão das figuras de Adão, Eva e a serpente, não como personagens históricos literais, mas como representações de atitudes psíquicas e projetos de evolução espiritual, à luz da Doutrina Espírita.
O que é estudado neste episódio
- A serpente e o psiquismo rebelde: A serpente é apresentada como a representação de um psiquismo rebelde à condução divina, que confunde autonomia com independência absoluta de Deus. É o projeto “cancerígeno” da célula que se desvincula do organismo maior, levando à autodestruição.
- A autonomia versus a independência: É explorada a diferença entre autonomia (atuar em sincronia com a providência divina, compreendendo o que compete a Deus e o que nos compete) e independência absoluta (o projeto da serpente, que busca evoluir sem Deus).
- A ilusão da mente humana: A proposta da serpente é descrita como um projeto ousado e tolo, que ilude a inteligência humana, levando-a a acreditar que pode transgredir as leis divinas sem sofrer as consequências.
- Adão e Eva e a desilusão: O ato de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal é interpretado como a adesão ao projeto da independência absoluta. A “nudez” percebida por Adão e Eva representa a criatura dando-se conta de sua limitação e incapacidade ao se afastar da tutela divina.
- Dois projetos de evolução espiritual: O estudo contrasta o projeto da serpente (independência total, sem Deus) com o projeto original da Providência Divina (“Vem comigo e eu te guiarei”).
- O gene da divindade e o processo educativo: É abordada a ideia de que Deus está em nós, e que o projeto educativo do Espírito imortal visa transformar a irracionalidade em inteligência, a inteligência em humanidade e a humanidade em angelitude, exteriorizando nosso DNA divino.
- A pacificação em três níveis: A partir do capítulo 9 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “Bem-aventurados os que são mansos e pacíficos”, são apresentados os três níveis de pacificação: com Deus, consigo mesmo (reconciliando as múltiplas personalidades de encarnações passadas) e com o próximo.
- Afabilidade, doçura, paciência, obediência e resignação: São analisadas essas virtudes como pilares da pacificação. A obediência é definida como o consentimento da razão (Adão) e a resignação como o consentimento do coração (Eva), ambas virtudes ativas e não passivas, que não negam o sentimento ou a vontade, mas os harmonizam com a vontade divina.
Reflexões
- A narrativa de Adão, Eva e a serpente, no Gênesis, oferece uma profunda alegoria sobre a escolha entre a autonomia em comunhão com Deus e a ilusão da independência absoluta, que inevitavelmente leva à percepção da própria limitação e à crise existencial.
- A verdadeira evolução espiritual não se dá pela negação da vontade ou do sentimento, mas pela harmonização da razão e do coração com os desígnios divinos, através da obediência e da resignação ativas.
- O processo de pacificação do Espírito imortal é multifacetado, envolvendo a reconciliação com Deus, a integração das experiências passadas e a construção de relações fraternas, tudo isso permeado pela afabilidade, doçura e paciência.
Ler transcrição do episódio
Transcrição e Legendas www.intervoices.com.br Olá, pessoal! Estamos aqui em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés. Estamos no capítulo 3 e vamos dar sequência aquele raciocínio que nós fizemos no episódio anterior, mas hoje tentando enxergar a questão de um ângulo um pouquinho mais diferente. Se você acompanhou o episódio anterior, viu que nele nós fizemos uma reflexão sobre o que seria essas figuras apresentadas aqui no capítulo 3 do livro Gênesis. A figura de Eva, a figura da serpente e a figura de Adão.
Nós chegamos à conclusão de que seriam representativos de uma atitude psíquica perante a evolução espiritual. Tipos de psiquismo. Não vamos repetir isso, porque foi bastante refletido, bastante explicitado no episódio anterior. Aqui, nós queremos dar um passo adiante. Agora, trazendo a luz da doutrina espírita para poder iluminar o nosso texto. Nós já havíamos comentado que a grande questão da serpente que representa aquele psiquismo rebelde à condução divina, representa aquele psiquismo que confundia a autonomia com a independência total de Deus.
O que significa isso? Imaginem o corpo humano. As células são autônomas, autônomas no sentido de que elas se alimentam, elas executam todas as operações, mas elas atuam em conjunto com os órgãos nos quais elas estão inseridas e com os sistemas. Porque o dia que a célula decreta sua independência absoluta, isso tem nome, se chama câncer. O câncer é a célula absolutamente independente. Ela não entendeu que está num organismo que faz parte de um corpo, de uma estrutura maior. Portanto, ela acaba levando esse corpo à morte, se ela não for extirpada, se ela não for excluída do corpo.
Olha que situação triste! Na evolução espiritual, funciona da mesma maneira. Acima de nós e dentro de nós, dentro de nós e acima de nós, há a inteligência suprema e o amor infinito de Deus, descortinando os caminhos da evolução. Por que descortinando? Porque alguns véus só se abrem quando o Espírito atinge um patamar intelecto moral que o dá condição de trilhar as novas faixas do caminho evolutivo. Por isso que os Campos da providência divina vão se descortinando gradativamente. É o Criador atuando como aquele grande educador, aquele grande pedagogo do Espírito imortal que vai dosando as experiências, dosando os aprendizados, dosando as dores, as dificuldades, as alegrias, os sucessos, para que nós tenhamos o máximo aproveitamento.
Seria muito prejudicial ao crescimento do Espírito imortal se ele fosse defrontado com uma experiência da qual ele não tem nenhum recurso interior capaz de sair ileso. Isso aí seria uma espécie de acidente fatal. E a providência divina, que é a inteligência suprema e que é amor infinito, não é maldosa. Ela não é hostil. Quando nós vivenciamos uma situação, é porque estamos de certo modo em condições de sair vitoriosos daquela situação. É porque nós já ameagamos recursos internos que nos dão a possibilidade de êxito.
É como se a providência divina fizesse uma avaliação e entendesse que, passando por aquela situação, nós temos o maior percentual de êxito, um pequeno potencial de falha. Fez o teste. Fez a provação. E isso consiste o teste. Isso consiste a avaliação em que o aluno vai mudar de patamar evolutivo. Acontece que se essa é a ação pedagógica da providência, como alunos de Deus, como tutelados da providência divina, nós temos que apresentar um comportamento compatível com o comportamento do aluno. E esse comportamento passa primeiro pela aceitação dos planos pedagógicos.
É claro, porque não basta você criar uma escola excelente, criar um plano pedagógico excepcional, se o aluno que está matriculado na escola não se submete à orientação pedagógica. Se o aluno é rebelde ao plano educativo, como que a aprendizagem vai se concretizar? Essa é a grande questão. Então, a serpente, o projeto da serpente que representa o psiquismo rebelde, o psiquismo que rompeu com Deus internamente, é um projeto ousado, mas, ao mesmo tempo, tolo. Por que tolo? Porque é um psiquismo que acredita que pode ser absolutamente independente, pode viver nos planos da criação infinita, sem Deus, tanto que ela propõe assim para Eva, não, você não vai morrer, você vai continuar vivo, você não vai perder a vitalidade, porque a morte aqui não é a morte física, é a morte emocional, a morte psíquica.
Quando o Espírito imortal perde vitalidade, perde aquela alegria de viver, perde aquele senso interior de acolhimento, de proteção. Ele se sente só, ele se sente abandonado, ele perde o sentido da existência, ele não quer mais viver, não quer mais evoluir, ele não quer mais existir. Ele queria entrar num vácuo, numa situação triste que é a morte. Então, o conselho do Criador foi não coma dessa árvore, porque no dia que ela comer-se, você vai experimentar isso, que é o que nós podemos chamar da árvore do conhecimento do bem e do mal, é o projeto da independência, é o projeto cancerígeno, é o projeto da célula sadia se transformar numa célula cancerosa.
E, o projeto da providência divina é o projeto da autonomia. Autonomia significa eu entendo o que é parte de Deus e entendo o que é minha parte. Eu entendo o que compete a Deus e entendo o que me compete. O que Deus deve fazer e o que eu devo fazer. E, atua em conjunto, em sincronia, em harmonia com a providência divina. Então, a serpente aqui entra no plano da ilusão, aquilo que Emmanuel denuncia no primeiro capítulo do livro Pensamento e Vida, que a mente humana, infelizmente, a mente humana, ela cresce entre ilusões que salteiam a inteligência.
A mente humana ela se lança a experiências iludidas porque ela criou circunstâncias, ela criou situações que não precisavam e ela se acredita interiormente equipada para passar ilesa por situações altamente arriscadas, altamente comprometedoras. É uma ilusão, só que é uma ilusão que assalta a inteligência porque ela tem inteligência para perceber que o projeto tem quase toda a probabilidade de falhar. Mas, ela está tão iludida, está tão emocionalmente apaixonada com a ideia que ela menospreza sua inteligência e acredita que com ela será diferente.
Com ela será diferente. Eu vou descumprir a lei, mas eu não vou sofrer consequências porque comigo vai ser diferente. Eu vou contrariar esse princípio da providência divina e da lei divina, mas eu vou sair ileso porque comigo vai ser diferente. Comigo vai ser diferente. Essa é a proposta desse artigo. E, ela propõe algo que, olha, o dia que você correr dessa árvore, seus olhos vão se abrir e você vai conhecer o bem e o mal como Deus. Esse é um projeto tolo, porque é um projeto que crê que o relativo pode atingir o patamar de consciência do absoluto.
A nossa consciência divinitada poderia abarcar o infinito. Não pode. A única consciência que abarca o infinito é a consciência divina, porque ela é absoluta. Nós somos relativos. É um projeto tolo. E, como que ele é um projeto tolo? Onde que ocorre a desilusão? A desilusão ocorre quando Eva come do fruto, entrega para o seu marido e o psiquismo de Adão, já comentamos, é o psiquismo do omisso, daquele que não se posiciona, daquele barco que não levantou dela. Para onde o vento sofrar, ele vai. Ele não assumiu as rédeas do destino.
Ele não abraçou o projeto de autoconhecimento e ele não firmou as conquistas de conexão com a Provença Divina. Então, ele é um barco ao leve. Ele vai no modismo, ele vai no todo mundo está fazendo, é assim que funciona, vou levando a vida, vou tocando a vida. Esse é o psiquismo de Adão. Ele come e o que acontece com eles? Os dois abrem seus olhos e eles percebem que estão luz. E, aí, fazem, vão entrelaçar folhas de figueira para eles poderem se cubrir. É um texto tão profundo, porque revela a criatura dando-se conta de que é limitada.
Entendeu? Porque, enquanto nós estamos sob a tutela da Providência Divina, é óbvio que nós somos limitados, mas, por estarmos sob o amparo sob a condução da Providência Divina, você não sente a nudez, você não sente a sua incapacidade. Por que não? Porque o Espírito se torna dócil e ele aceita a condução da Providência e a condução da Providência Divina sempre reflete infinita sabedoria e infinito amor. Então, embora você não tenha recursos, embora você seja limitado, embora você tenha muitos defeitos, a sua ação vai ser a melhor possível, porque você está sendo conduzido.
Essa é a diferença. Por isso que, para nós, que compreendemos a lição, há justificativa de eu não faço esse trabalho porque eu sou limitado, eu não faço esse trabalho porque eu ainda sou cheio de defeito. Como é que eu vou falar do Evangelho se eu ainda não vivo ele totalmente? Isso é um sofismo. Isso é um sofismo. Por que é um sofismo? Porque se eu estou partindo do pressuposto de que eu preciso viver todo o Evangelho para falar dele, eu estou querendo ocupar a posição do Cristo. Eu estou querendo assumir o posto do Cristo.
Quem fala do Evangelho e vive integralmente ele é só o Cristo. Nós somos discípulos e ele nos advertiu. Não pode o discípulo ser maior que o mestre. O nosso projeto é de nos tornarmos semelhante ao mestre, não superior a ele. Então, quem está aguardando se tornar puro para, então, falar do Evangelho, não entendeu o processo. Não entendeu. Não entendeu a frase linda que o Paulo vai dizer. Trazemos, porém, essas verdades em vasos de barro para que a glória seja dual e não nossa. Então, a água que desce nos planos superiores é pura e líquida, mas Deus que escolheu colocar nos vasos de barro, porque na hora que a água cair aqui em mim ela vai sujar.
Ela vai sujar. Claro, por quê? Porque o primeiro objetivo dessa água é me limpar, não o outro. Deus não precisa de vasos. Não precisa de vasos. Se ele decidiu colocar a água límpida da revelação em vasos, é porque a questão dele é com o vaso. Ele quer purificar o vaso. Então, aqui a grande desilusão de Adão e Eva é quando ele se percebe em luz. Por que ele se percebe em luz? Porque eles abraçaram o projeto da independência absoluta. Eu vou evoluir sem Deus. Quando você abraça esse projeto, inevitavelmente, você vai se dar conta da sua limitação.
E, aí, é o seguinte, uma hora vai acabar a gasolina, porque você enche o tanque e vai andando, vai correndo a 100 e 120. Mas, chega um ponto da evolução em que você começa a atravessar circunstâncias, você começa a viver experiências e aí seu tanque está na metade, daqui a pouco seu tanque está em um quarto, daqui a pouco você está na reserva, daqui a pouco o Espírito está entrando numa crise psíquica, emocional, porque ele não tem mais recurso interior para prosseguir só. Isso é muito sério, muito sério, muito sério.
É por isso feito esse diagnóstico dessas propostas evolutivas, que a gente percebe aqui o que está em jogo neste capítulo 3, projetos de evolução espiritual. Então, o que está sendo apresentado aqui para a nossa reflexão são dois projetos de evolução espiritual. A pergunta é como você quer evoluir? Projeto serpente, independência total, sem Deus, eu resolvo tudo. Projeto. Esse é o projeto 2. Esse é o segundo projeto. O projeto original, o primeiro é esse. Vem comigo e eu te guiarei. É assim. Por isso, que há uma página belíssima de Emmanuel no livro Fonte de Vida, capítulo 30, chamado Educa, e lá Emmanuel vai dizer assim também o Espírito traz consigo o gene da divindade.
Deus está em nós, tanto quanto nós estamos em Deus. Essa é uma verdade muito boa, porque Deus nos criou, a sua imagem e semelhança, então o DNA de Deus está dentro de nós. Nosso psiquismo espiritual tem um DNA, esse DNA é de Deus. Então, você olha e fala gente, mas ele tem engraçado, ele parece com o pai, não é? Então, olham para a gente e falam olha o nariz dele, igual ao do pai, né? Orelhinha, o olho, parece com o pai, entendeu? Só que no sentido físico, no sentido espiritual. Toda vez que nós mergulhamos no exame do psiquismo humano, nós vamos ver os traços de Deus na criatura.
É o nosso DNA. E, aí, Emmanuel vai concluir a mensagem. Educa e transformarás a irracionalidade em inteligência. A inteligência em humanidade e a humanidade em angelitude. Bom, o projeto educativo tem esse espaço. Eu saio da irracionalidade para a inteligência. Da inteligência para a humanidade. A humanidade é um passo além da inteligência e da humanidade para a angelitude. Eles são processos educativos. É preciso, então, educar o nosso interior para que ele reflita Deus. Por isso, é o uso da palavra humano, para que a gente dê conta de exteriorizar o nosso DNA sagrado, o nosso DNA divino.
Esse é o projeto. Mas, para isso, qual a atitude? Qual a atitude? Talvez, vocês estejam se perguntando. Bem, mas, engraçado, a Bíblia só conta a história do projeto 2. É, é verdade. Porque, a partir desse projeto 2 proposto pela serpente que foi aceito, iniciou-se a história bíblica. Tudo mais, até o Apocalipse, tudo é decorrência desse projeto. E, vocês devem estar se perguntando assim, e se Adão e Eva tivessem aceitado o plano árbitro? Como seria? Bom, no Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo 9, é o capítulo chamado Bem-aventurados os que são mansos e pacíficos.
A gente percebe aqui uma sutileza. Porque, mansuetude é o que você exterioriza, o que você erradica. A mansuetude é a paz que sai de você. Pacífico é a paz que você cultiva dentro. Se eu não pacifiquei minha intimidade, não tem como eu externar a mansuetude. Porque, nós projetamos nas pessoas, nas situações, a guerra que está dentro de nós. O primeiro projeto é um projeto de pacificação, que se dá em três níveis. Como o Espírito imortal alcança paz? Primeiro, sem reconciliar com Deus. O primeiro relacionamento que precisa ser resgatado é a primeira reconciliação.
Porque conciliar não dá ideia da paz, a paz foi alcançada. Conciliar. A primeira conciliação é com Deus. É sair do projeto independência ou morte para o projeto autonomia e vida. Reconcilio. Reconcilio. Uma vez tem três. Eu agora tenho uma luz. Eu agora estou entregue a uma condução superior. Então, agora eu preciso conciliar dentro de mim. O que é dentro? O que é dentro de nós? Estão todas as personalidades que nós animamos ao longo de dezenas e dezenas de incontáveis reencarnações. Elas são personalidades. São hábitos que nós tivemos, épocas em que nós vivemos, mas que ficaram gravadas.
E essas personalidades, essas experiências, elas se repelem mutuamente. Elas se chocam. Há um conflito. Isso significa que num plano profundo interior nós somos estilhaçados. Isso não é ínteiro. Não é uma túnica sem costura. São estilhaços. Pedaços. Pedaços. Como alguns de nós viveram experiências que animaram personalidades. É que, assim, todo mundo, quando examina a encarnação, todo mundo foi rei, não sei, precisaria de vários planetas, haja rei, haima. Mas, o certo é que todos nós tivemos experiências com poder, com uma riqueza, com um mando.
São as experiências arquetípicas. Nessas experiências, nós construímos ramos. E essas personalidades estão aqui dentro de nós, estão vivendo uma multidão, uma multidão desencontrada. Nós estamos estilhaçados. O primeiro projeto da pacificação é o projeto de agregar. Primeiro, perdoarmos, aceitarmos e, depois, educarmos. É impossível educar se nós não aceitamos a imperfeição. O mestre, o professor, ele só educa porque ele aceita e ele compreende a imperfeição do aluno. Então, ele vai, aos poucos, conduzindo amorosamente e vai aperfeiçoando, aperfeiçoando, aperfeiçoando, aperfeiçoando.
Sabe que demanda tempo, principalmente tempo. Então, essa pacificação interior precisa ocorrer. Agora, é claro que isso não é primeiro eu faço isso, depois eu faço isso, depois eu faço aquilo. Não! É tudo concordante. Quanto mais eu me concilio, pacifico a minha relação com Deus, mais eu me pacifico interiormente e mais eu me pacifico nas relações. Eu vou entendendo que o outro é igual a mim. Ele não é nada diferente de mim. Por que eu vou exigir do outro coerência, se eu já sou incoerente por natureza? Eu sofro da incoerência.
O processo educativo, agora, é unificado, pacificado interiormente. E, aí, eu consigo pacificar as relações a partir do quê? Da maçoeira. Então, só para falar o título do capítulo. Mas, nesse capítulo, olha que interessante, tem as instruções dos Espíritos. Primeiro item, que é o item 6. Os Espíritos vão nos ensinar sobre a afabilidade e a doçura. Afabilidade, benevolência, bondade e a doçura. Que interessante! Então, eles começam, olha que bonito isso, eles começam da nossa relação com o outro. Eu dei o exemplo aqui começando de Deus.
Um comigo mesmo, dois, com o outro, três. Eles estão começando com o outro, três. Como é que eu lido com o outro? Buscando, é muito difícil isso. Será fável e doce. Doçura e afabilidade. Eles vão explicar o que é a doçura e a afabilidade. O problema é que nós somos Espíritos que já estamos há milênios no projeto da serpente. Então, a gente acha que o mal só pode ser extirpado com violência. Então, a gente acredita que só pode corrigir o eu gritando, batendo, agredindo e violentando. Porque nós já não acreditamos no poder da doçura.
É tanto que não tem herói dialogador, só tem herói da pancadaria. Todo herói é um super-homem. Poder para poder. Então, desce o braço. A gente acredita nisso. Só pode construir algo bem, só pode corrigir um erro no soco pancada. Nós perdemos a confiança no poder da doçura e da afabilidade. É uma reflexão. A instrução dos Espíritos é toda nesse sentido. Toda nesse sentido. Depois, eles passam o item 7. Qual é o item 7? A paciência. Aí, eu já estou vindo para dentro. A paciência é uma pacificação interior. Tem a ver com os meus sentimentos, com as minhas expectativas, com os meus desejos, com os meus planos, com aquilo que eu gostaria que fosse e que não é, com aquilo que eu gostaria que se concretizasse e ainda não se concretizou, que está à caminho.
E a paciência é aquela pacificação interior para aguardar a colheita, aguardar a sementeira, o desabrochar, a frutificação e o devolver. E, depois, a passagem que tem tudo a ver e que é a chave, eu chamo de chave de leitura. Quer entender o capítulo 3, aqui, o diálogo de Eva com a serpente Adão? Está aqui, item 8 do Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 9, bem-aventurados os que são mansos e pacíficos. Qual é o título do item 8? Obediência e resignação. Ora, eu vou ler alguns trechos aqui, esse item é um comentário da passagem Adão e Eva.
Vamos ver aqui. A doutrina de Jesus, que é um novo Adão, Jesus é um novo modelo, modelo do verdadeiro homem capaz de refletir o DNA da divindade. A doutrina de Jesus ensina em todos os seus pontos, olha isso, a obediência e a resignação. Os Espíritos estão dizendo outra coisa. Se você setará tudo, todos os ensinos de Jesus, 1.526.340 ensinos, pontos do ensino de Jesus, a obediência e a resignação está em todos eles. Percebem? O que os Espíritos estão dizendo para a gente? Obediência e resignação é Senha para você abrir o cofre do Evangelho.
Ou, se preferir, é a chave que abre a porta do Evangelho. Não tem como compreender a lição de Jesus se a gente não compreender obediência e resignação. Agora, o que é obediência? O que é resignação? Por quê? Quando você fala em obediência e resignação para um psiquismo espiritual que está abraçado com o projeto da serpente, ele arrepia todo. Não é? Porque, se você fala em obediência para ele, ele ouve submissão. Olha! Você fala em obediência, ele ouve submissão. Você fala em resignação, ele ouve covardia. Então, vamos lá.
Duas virtudes companheiras da doçura Doçura e muito ativas, embora os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. Embora os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e a negação da vontade. Por quê? Porque a serpente dominou nosso psiquismo milenios. Nós estamos há tantos milhares de anos no projeto da serpente que a gente não consegue entender. A gente acha que resignação é você negar o seu sentimento, é você abrir mão do seu desejo de sair do problema, é você abrir mão do seu desejo de que a vida fique boa, de que a aprovação cede-se, de que a expiação acabe.
Negar o seu sentimento. Não, pode bater, pode vir dificuldade, pode vir um sofrimento, porque eu agora não sinto, eu não sinto, não. Isso não é resignação. Isso é negar o seu sentimento. E, obediência não é abrir mão da autonomia, não é guardar a vontade. A vontade é a diretora. Entendeu? Por que nós confundimos isso? Porque foi assim que a serpente confundiu Eva. A serpente chegou para Eva e disse para ela, Eva, cuidado, obediência é humilhação, é abrir mão da vontade, é abrir mão. E, resignação é negar o sentimento.
Vamos fazer isso, não. Você tem que ser uma pessoa de vontade. Você tem que fazer a sua vontade. E, você tem que ser sincero. Você sente, você sente. E, todo mundo achando que aqui o negócio de Eva é maçã, sexo. Não tem nada disso aqui. Porque, a questão aqui é mais profunda. Então, os Espíritos dizem assim, essas duas virtudes, obediência e resignação, são irmãs da doçura e são virtudes ativas. Então, obediência e resignação têm nada a ver com postura passiva. Pelo contrário, é o máximo do que a criatura humana pode ser ativa.
Não tem como ser mais ativo do que isso. Mas, é um ativo inteligente, porque é ser ativo em comunhão com Deus. Então, é um projeto de autonomia, não de independência. Eu não me desvinculo de Deus, eu me vinculo a Deus e assumo a rédea do meu destino. Como? Através da obediência e da resignação. E aí? Aí, eles vão definir. A obediência é o consentimento da razão e a resignação é o consentimento do coração. O que significa isso? Eu vou traduzir. A obediência é o consentimento de Adão, a resignação é o consentimento de Eva.
Vou ler de novo. A obediência é você convencer Adão de que o projeto é esse. Eva. Agora, resignação. É você convencer Eva de que o projeto é esse. Não é imposição, não é forçada, não é violentada, não é anular, não é abrir mão da autonomia, não é abrir mão do livre-arbítrio, não. É obter o consentimento. Consentimento significa eu Concordo, eu concordo. Como eu concordo, eu entendo com a minha razão que está certa. Adão concordou. Eu entendo com o meu sentimento que está certo. Eva concordou. Mas, agora, no desenvolvimento disso, nós vamos deixar o próximo episódio.
Eu termino com uma pergunta do grande escritor norte-americano Ted Chiang. Ted Chiang escreveu um livro de contos chamado A História da Sua Vida. Um desses contos, A História da Sua Vida, acabou sendo roteirizado e virou um filme de Hollywood, um filme chamado A Chegada. Esse filme ganhou o Oscar. Para mim, não deveria ter ganhado o Oscar de melhor filme. E, aí, eu termino com uma frase do Ted Chiang. Se você soubesse toda a sua vida, do fim ao princípio, você mudaria alguma coisa? Até o próximo episódio. A História da Sua Vida Mais habitados que o nosso, porque, por exemplo, você pode colocar centenas de terras dentro de Júpiter.
Então, é natural que a população de Júpiter seja muito superior à população do planeta Terra. Agora, no planeta.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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