Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do livro de Levítico, localizado no centro da Torá, destacando sua importância central na compreensão da jornada espiritual do povo hebreu e, por extensão, da humanidade. O estudo revela que o Levítico, com sua rica simbologia, oferece um caminho de reflexão sobre temas profundos, exigindo uma maturidade de pensamento e um conhecimento prévio da Doutrina Espírita e do Velho Testamento.
O que é estudado neste episódio
- A Centralidade de Levítico: Haroldo Dutra Dias enfatiza que o livro de Levítico, por estar no centro da Torá, contém a mensagem central do Pentateuco mosaico, sendo crucial para a compreensão da simbologia e dos desafios propostos aos leitores.
- O Tema do Exílio e da Travessia do Deserto: A saída do Egito e a busca pela Terra Prometida são apresentadas como metáforas para todos os exílios humanos, marcados pela perda de autonomia, sofrimento e a busca incessante por liberdade. A história do povo hebreu é a história do exílio, da perda de liberdade e da esperança na profecia.
- Profecia e Esperança: A esperança do povo hebreu se manifesta na profecia, que promete o fim de todo exílio e opressão, desde que haja fidelidade ao pacto divino. A quebra desse pacto pelo homem resulta no aprofundamento do exílio.
- O Tabernáculo e o Descanso: A construção do tabernáculo, a “casa” de Deus, é associada ao conceito de “descanso” ou “grande sábado”, um estado de paz e libertação do sofrimento e da peregrinação.
- A Defesa de Estêvão e a Crítica ao Templo: A defesa de Estêvão, conforme narrada em Atos dos Apóstolos (capítulo 7) e interpretada por Emmanuel em “Paulo e Estêvão”, é analisada como uma crítica à materialização da fé e à perda do sentido original do tabernáculo. Estêvão questiona a construção do templo de pedra em detrimento da tenda (tabernáculo), que simboliza a peregrinação e o confronto com o mal.
- A Experiência como Primeira Revelação: Estêvão argumenta que a primeira revelação não está apenas nos textos sagrados, mas nas experiências de sofrimento e vicissitudes do povo hebreu. A vida e as experiências dos profetas e de figuras como Chico Xavier são apresentadas como exemplos de revelação viva, onde a experiência tem prioridade sobre o texto escrito.
- O Sentido da Justiça e da Misericórdia: Milênios de sofrimento aguçaram o senso de justiça do povo hebreu, mas Estêvão questiona a ausência de instituições que concretizem a misericórdia, destacando a importância da palavra “misericórdia” na revelação divina.
- A Queda e a Autossuficiência: A metáfora de Adão e Eva no paraíso é revisitada para ilustrar a máxima proximidade do Espírito com Deus e a perda da inocência pela busca da autossuficiência, que afasta o homem da providência divina.
- As Tentações de Jesus no Deserto: As tentações de Jesus são interpretadas como um resumo da história do povo hebreu no deserto, onde Jesus, ao recusar transformar pedras em pão, jogar-se do templo e aceitar os reinos da Terra, demonstra confiança plena em Deus e supera a tentação da autossuficiência.
- A Jornada do Espírito e a Reencarnação no Brasil: A peregrinação do povo hebreu é comparada à jornada evolutiva do Espírito, que, em sua “errância”, busca a purificação e o “descanso” final. A reencarnação no Brasil é apresentada como uma oportunidade de resgate e aprendizado através do sofrimento depurador, conforme a mensagem de Jesus a Ismael.
Reflexões
- A história do povo hebreu, com seus exílios e peregr
Ler transcrição do episódio
Bom, nós vamos retomar, né, nosso estudo no Levítico, só fazendo um reforço, né, cheio da prece coletiva toda terça, quinta e domingo, às oito horas, a favor do seminário, do seminário Vida Musical Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que já está se aproximando, é 14, 15 de junho, está batendo a porta já. Antes de a gente dar continuidade ao nosso estudo de hoje, eu queria só lembrar que os livros antigos, eles eram escritos em forma de rolo, e a ponta, o início do livro ficava numa ponta, o final do livro na outra.
No caso do Hebraico, o início aqui, né, que é o contrário, né, e o final aqui, quando você abre o rolo, no meio, você tem geralmente a mensagem central. Então, eles deixavam para colocar estrategicamente o tema central no meio, e quando você abriu o rolo, você já ia direto ao ponto. Se a gente imaginar os cinco livros de Moisés num rolo, que é o rolo da Torá, você abre no meio, o que tem no meio? Levítico. O livro que está no centro da Torá, do Pentateuco Mosaico, é o Levítico. Então, só isso já bastaria para ser uma profunda razão para a gente estudar esse livro, apesar de todos os desafios que nós temos visto aqui, a simbologia do livro propõe para a nossa inteligência, para o nosso sentimento, que não são símbolos gratuitos.
A simbologia do Levítico é uma simbologia muito densa, que exige um processo de reflexão muito maduro, muito intenso, e daí também porque esse nosso estudo aqui, ele não se destina inicialmente para quem está começando na Doutrina Espírita, porque ele exige já uma trajetória, exige já um amadurecimento, um contato maior com o estudo da Doutrina Espírita, da segunda revelação do Evangelho, e também um conhecimento, ainda que elementar, do Velho Testamento. É realmente um estudo de aprofundamento. E hoje, a gente gostaria de falar, nós temos já falado aqui de alguns temas que são muito profundos, mas hoje a gente vai tratar de um tema que é, digamos assim, o centro do centro, aquilo que é mais central, vamos dizer que é o fio condutor, em torno do qual todos os outros temas gravitam.
E que tema é esse? É o tema do exílio, da travessia do deserto, do êxodo, da saída do Egito, a busca da terra da promissão, da terra da promessa, e a música Aurora já começou, e a mensagem do Emmanuel também, mesma coisa, né? Fala da terra, só que o que a gente precisa internalizar é que a saída do Egito, o êxodo, e a indo em direção a Canaã, a Terra Prometida, é uma metáfora de todos os exílios humanos. E é importante lembrar que o povo hebreu sofreu mais de um exílio. Então, nós temos o Egito, nós temos o povo assírio, a Babilônia, a Pérsia, os gregos, e na época de Jesus, o povo hebreu vivia, talvez, o exílio mais opressor, que era a dominação do Império Romano.
Então, a história do Velho Testamento é a história do exílio, é a história de perder a autonomia, perder a terra, perder o controle da terra, perda de liberdade. Então, primeira ideia, perdi a liberdade, perdi a autonomia. Talvez essa seja a palavra autonomia. E, junto com a perda da autonomia, o sofrimento. O sofrimento da distância, o sofrimento da separação, o sofrimento das dificuldades, o sofrimento das humilhações. E, como todo sofrimento, como toda angústia, como toda opressão, nós temos, de um lado, revolta, e, de outro lado, reação violenta, mas temos também uma outra resposta a isso tudo, que é a esperança.
E, a esperança do povo hebreu, ela se manifesta na profecia. Então, quando a gente fala em profecia, profeta, promessas, nós estamos falando da concretização da esperança. Qual a esperança? De que todo o exílio terá um fim, de que toda a opressão cessará, e de que toda a perda de autonomia vai ser compensada com liberdade, se, e aí tem a condicional, porque toda vez que na profecia Deus promete, Ele promete com a condicional, se houver fidelidade. Então, o pacto de Deus é um pacto de libertação. É importante isso, não é?
A grande promessa divina é a promessa de libertação. Eu vou libertar, eu vou libertar meu povo, mas com uma condicional, fidelidade, confiabilidade. Toda vez que a fidelidade é quebrada, toda vez que a confiança é rompida, e Deus nunca quebra o pacto, Deus nunca falha na sua confiabilidade, na sua fidelidade, ao que Ele prometeu. Então, é sempre o homem, é sempre o povo que quebra o pacto e toda vez que ele quebra, há uma consequência que é um aprofundamento do exílio. É bonito isso, porque o exílio implica errar, errar no sentido de ser errante, de peregrinar, dar voltas, ir a vários lugares, mas nunca ao lugar, chegar em vários lugares, mas nunca chegar no lugar, parar, repousar, parar, mas nunca descansar.
Olha que interessante, porque o descanso, o descanso com D maiúsculo, o grande descanso, o descanso do povo hebreu, que é o descanso da Terra, é um sábado. Porque o descanso é sempre um sábado. O grande descanso da Terra é o grande sábado. E que sábado é esse? É o sábado em que eu não mais preciso peregrinar, eu não mais preciso sofrer o exílio, eu não mais sofro. Acaba o sofrimento, acaba a luta, acaba a dificuldade, e eu entro no descanso. Que não deve ser confundido com inatividade. O descanso não é inatividade.
Essa temática central. Olha que conjunto de temas, né? E por que a gente está falando isso? Porque nós falávamos sobre o tabernáculo. O tabernáculo é a casa, falamos lá da profecia de Natan, que prometeu, seria construída uma casa, o Filho construiria uma casa para Deus e Deus construiria uma casa para o Filho, né? Mas, no Targum, do Salmo 95, que é a tradução aramaica, essa casa também é chamada de descanso. Então, quando essa casa for construída, haverá um descanso, um grande sábado. Bom, vamos guardar essas ideias?
Agora eu vou dar uma… abrir um outro link, mas que vai fazer eco com tudo isso que eu estou falando aqui. Quem quiser interromper, fica à vontade. Viu, Clóvis? Tá aqui, viu? Pode interromper, participar, falar, perguntar, acrescentar, por favor. Mas, quando Estevão é levado ao Sinédrio, preso, e o sumo sacerdote designa Saulo de Tarso para ser o juiz da causa, ele que ia colher o depoimento, como se fosse um interrogatório do réu, né? Então, ele interroga, ele bate no Estevão, age até de modo covarde, mas, dentro do processo, tem uma parte em que o réu faz a sua defesa.
E, Aqui, isso está no Paulo Estêvão, porque o discurso está no capítulo 7 de Atos, mas lá está naquela linguagem metafórica resumida de Lucas, que é a linguagem dos Evangelhos, com todo aquele conjunto de metáforas. Aqui, no Paulo Estêvão, está claro. Emmanuel foi interpretando todas as metáforas, mastigando tudo pra gente e trouxe mastigado numa linguagem atual. Agora, vamos ouvir essa defesa do Estevão, né? Porque o que que o Estevão vai falar? Primeiro, ele vai retomar a profecia de Natan, em que Natan puxou a orelha de Davi, porque Davi queria construir um templo.
Ele falou, construir templo? Construir templo pra quê? Como se Deus perguntasse, vai você construir um templo pra mim? Você vai construir uma casa pra mim? Todo mundo lembra disso, né? É uma puxão de orelha. Mas o que que o Estevão vai falar? Ele vai retomar o discurso de Natan, de chamando a atenção, só que agora de grave, porque ele está dentro do templo. Então, ele vai olhar pro templo e falar assim, meu povo, pra que que vocês construíram isso aqui? Imagina, imagina, teve gente que quase teve um infarto lá dentro.
Isso aqui foi construído pra quê? Vocês não ouviram a profecia? E ele é mais duro, ele fala assim, a lei possui ouvintes e praticantes. Pelo jeito aqui não tem nem ouvinte aqui dentro. Não tem nem quem ouviu. Isso aí, gente, porque nós já falamos aqui da centralidade do templo. O templo é onde se pede perdão, é onde se oferece sacrifício, é onde se aproxima de Deus, é onde Deus se aproxima, é a morada de Deus, é onde você adora, etc, etc, etc. Aí ele diz, mas o que ele está fazendo? Ele está retomando o tema do tabernáculo levítico, que era uma tenda.
Pra que templo de pedra se a ordem foi pra fazer uma tenda? E se quando Davi quis construir o templo de pedra, ele foi chamado a atenção pelo profeta Natan. Só que quando você volta pra tenda, você volta pro deserto, pra peregrinação no deserto e pro exílio. Então, se você falar de tabernáculo, você tem que falar de exílio, tem que falar de peregrinação e aí você tem que falar de quê? De dor, de confronto com o mal, de olhar o mal, olho nos olhos, de experimentar a injustiça, de experimentar a opressão, porque peregrinar no deserto é andar na corda bamba, andar na corda bamba, experimentando todas as intempéries, todas as inseguranças.
Então, é isso. Aí, o que ele fala? Vamos lá. Israelitas, por maior que fosse nossa divergência de opinião religiosa, não poderíamos alterar nossos laços de fraternidade em Deus, o supremo dispensador de todas as graças. Já começa. Nós podemos divergir nas nossas opiniões e interpretações, mas há laços de união. Por quê? Porque nós temos um pai comum. Nós somos irmãos. É incrível isso. A gente não lembra disso. É difícil isso. Na hora que você está com vontade de discutir, de ir para o duelo, para a briga, e você lembrar que o fulano é filho de Deus e você também.
Portanto, somos irmãos. Há laços de fraternidade que são muito mais valiosos do que as opiniões. Mais importante do que realçar um ponto da verdade ou uma opinião, mais importante do que isso, são os laços que nos unem. Então, ele já começa. Fundo. É a esse pai generoso e justo que elevo minha rogativa em favor de nossa compreensão fiel das verdades santas. Já começa pedindo a Deus, que é o pai de todos, para dar compreensão a todos, até a ele, inclusive a ele que vai falar. Que grandeza, né? Outrora, nossos antepassados ouviram as exortações grandiosas e profundas dos emissários do céu.
Por organizar um futuro de paz sólida aos seus descendentes, nossos avós sofreram misérias e penúrias no cativeiro. Ele volta para a história do exílio e do sofrimento. Seu pão era molhado nas lágrimas de amargura. Sua sede angustiava. Viram malogradas todas as esperanças de independência. Perseguições sem conta destruíram-lhes o lar com agravo de sofrimentos nas lutas de seu roteiro. Aqui ele está contando, inclusive, a história dele, né? Mas foi isso. Todos os nossos ancestrais ninguém viu nada se concretizar. Viveram de esperança.
O lar com agravo de sofrimentos no luto do seu roteiro. À frente dos seus martírios dignificantes andaram os santos varões de Israel como gloriosa coroa do seu triunfo. Olha só. Começa a trazer o tema da santidade. O santo, aquele que passou pelo sofrimento, aquele que foi purificado, aquele que foi imolado para liderar. Alimentou-os a palavra do eterno através de todas as vicissitudes. Suas experiências constituem poderoso e sagrado patrimônio. Olha aqui. Delas, das experiências, temos a lei e os escritos dos profetas.
Então, pausa. Pausa. O que é a primeira revelação? Os livros de Moisés? Na visão de Estevam? Os livros de Moisés? Os livros dos profetas? Não. Para Estevam, a primeira revelação é composta de Experiências do povo hebreu sofrendo exílio e vicissitudes. Esse é o patrimônio. Essa é a primeira revelação. Desse patrimônio foi registrada a história, uma parcela dele, que estão nos cinco livros de Moisés e no restante dos livros da Bíblia. Isso é muito importante, porque, para Estevam, a experiência tem prioridade sobre o texto escrito.
É o que, às vezes, alguns espíritas, hoje, têm dificuldade de entender. Fala assim, revelação trazida pelo Chico aos quatrocentos e tantos livros que ele psicografou? Será que é só isso? Será que é só isso? E os insultos? E as renúncias dele? E a perda total de vida privada? E a dedicação, por mais de oitenta anos, dedicação exclusiva à mediunidade com Jesus? E todos os martírios que ele passou? Isso não é psicografia? Porque a questão é a seguinte, se fosse assim, vinha o outro médium, hoje, psicografaria 500 obras.
Mas, a revelação não está nos livros apenas. Os livros são registros da experiência viva. Então, você pega o Parnaso? O Parnaso é o registro de alguns encontros dos poetas com Chico Xavier, que foram centenas de encontros. Alguns desses encontros não geraram poesia escrita, mas houve encontro. Houve encontro. Alguns foram registrados. Alguns registros chegaram. Outros se perderam. Então, o magistral da obra do Chico é a vida dele. Da vida dele tem uma parcela que são as obras escritas. É uma parcela. É uma parcela.
E que nós deveríamos pensar da seguinte maneira. A vida dele é a árvore. Os livros são os frutos. Então, a gente sempre diz assim. Quer atacar o Chico? Gente, é simples. Tenha uma vida maior e melhor que a dele durante 85 anos. Aí, a pessoa adquire o direito de criticar. Né? É simples. Quer criticar o profeta Isaías? Quer criticar o profeta Isaías? Vive o que ele viveu. Quer criticar o Jeremias? Vive o que Jeremias viveu. Só lembrando, todos foram assassinados. Então, eu acho é uma mudança de rumo, porque o Estevam, na verdade, ele chamou todo mundo e falou assim, peraí, nós vamos falar sobre texto ou vamos falar sobre vida?
Vocês me chamaram aqui no Sinédio para falar de vida ou de páginas? Aí, ele continuou. Delas temos a lei e os escritos dos profetas. Apesar disso, não podemos iludir nossa sede. Nossa concepção de justiça é fruto de um labor milenário em que empregamos as maiores energias, mas sentimos, por intuição, que existe algo de mais elevado além dela. Nossa, olha o que ele está dizendo. Meus irmãos, nós já peregrinamos mais de mil anos. Então, nós construímos um senso de justiça, que é o senso de justiça construído por quem é espoliado.
Isso é que é bonito, não é? Porque o senso de justiça de quem tira é diferente do senso de justiça de quem perde. Não é engraçado isso? Então, você sofre uma injustiça, perde, a pessoa te agride, aí o seu senso de justiça aguça, porque quem bate está com a consciência adormecida. Quem está espoliando está com a consciência adormecida, entorpecida. Só desenvolve senso de justiça mesmo quem está sofrendo injustiça. Injustiça? Nós estamos entendendo aqui, né? Que a injustiça absoluta não existe, né? Há uma lei soberana das compensações, não há vítima nem algozes no universo.
Vítimas absolutas e algozes absolutos não existem. Não é? Mas, você experimentar um ato, por exemplo, você saiu assim, sacou o seu salário, o cara está lá contando o dinheiro, vem alguém, perde o seu salário e sai correndo. É ruim, né? Você trabalhou o mês inteiro, a pessoa levou o seu salário. Aí, o seu senso aguça, né? A importância da honestidade, a importância do respeito ao patrimônio alheio, a importância de uma sociedade justa, mas por quê? Você perdeu. O que o Estêvão está querendo dizer aqui é que milênios de sofrimento e perda aguçaram o senso de justiça do povo hebreu.
O senso de justiça. Mas, a sede continua. Ele prossegue. Temos o cárcere para os que se transviam, o vale dos imundos para os que adoecem sem a proteção da família, a lapidação, apedrejamento na praça pública para a mulher que fraqueja, a escravidão para os endividados, os trinta e nove açoites para os mais infelizes. Bastará isso? Bastará? As lições do passado não estão cheias da palavra misericórdia? O que eles assimilaram? Sofreram, sofreram, sofreram, sofreram e criaram o que? Um conjunto de instituições que são instituições defensivas, defensivas.
Então, cárcere, açoite, apedrejamento, vale dos imundos são instituições defensivas, como nós temos hoje. Polícia civil, polícia militar, polícia federal, justiça, presídio, algema, gás lacrimogênio, bala de borracha. São todas instituições e instrumentos defensivos. A pergunta é o que há de proativo? É isso que Estevão está perguntando. Por acaso, não há na revelação a palavra misericórdia? Claro que há. Está repleto. Misericórdia. E Qual instituição social representa misericórdia? É isso que ele está perguntando.
O que nós conseguimos concretizar de misericórdia na nossa sociedade? Algo nos fala consciência de uma vida maior, que inspira sentimentos mais elevados e mais belos. Ingente foi o trabalho no curso longo e multicecular, mas Deus justo respondeu aos angustiados apelos do coração, enviando-nos seu Filho, bem amado, o Cristo Jesus. É ou não é retomada da profecia de Natan? Não é? Retomada. Deus havia prometido pela boca de Natan ao rei Davi que enviaria um filho. Daqui, Estevão está dizendo enviou, enviou-nos um filho para atender aos nossos clamores de uma justiça mais elevada e de uma misericórdia não conhecida na prática.
Isso aqui é a introdução do discurso dele. É a abertura da defesa. Já começou. Já começou. Fala, é o que mais. Não, não, o Isaías é conhecido como o profeta Isaías, como é que fala assim? Costuma-se dizer que é o Evangelho dentro do Velho Testamento. É o profeta do Messias. Não é? É como se fosse, assim, o queridinho do governador espiritual do órbito, não é? O profeta que foi reservado, mas só vai falar de Messias. Isso é incrível, não é? Porque ele é muito forte, muito intenso, não é? Ah, e aqui ele só está soprando.
Agora ele vai morder. É bonito isso porque não há nenhuma tradição religiosa no planeta nenhuma. Pode pegar qualquer texto, qualquer tradição religiosa. Vocês já viram alguma tradição religiosa em que nos textos sagrados há crítica às próprias pessoas? Só, só no judaísmo. Você pega os profetas do Velho Testamento, toda hora estão criticando o povo hebreu, que é o povo deles. Então, isso aqui para eles é normal. Essa autocrítica para eles é saudável, eles desenvolveram isso ao longo de dois mil anos. Não existe isso em nenhuma tradição religiosa.
Você abre lá o profeta Jeremias, nossa, tem hora que eles até exageram, mas falam mesmo, batem pesado. Todos os profetas criticam, criticam, criticam, criticam e a crítica era lida na sinagoga, cantando. Eu fico, assim, impressionado, porque se fôssemos seguir isso no movimento espírita, nós abriríamos nossas reuniões com um manifesto crítico aos espíritas. Toda reunião nossa, se nós fôssemos seguir esse exemplo. Só eles têm isso. Você não encontra esse lugar nenhum mais. Pode ir em qualquer tradição religiosa. Não se fala mal de si mesmo.
No Velho Testamento, isso é a constante. É a regra. Incrível, né? E o Nicholas Thomas Wright chama atenção pra isso também. Aí ele começa. Jerusalém não me parece o santuário de tradições da fé que conheci por informações de meus pais desde criança. Nossa, agora começou. Atualmente, dá a impressão de um grande bazar onde se vendem as coisas sagradas. O templo está cheio de mercadores. As sinagogas regurgitam de assuntos atinentes a interesses mundanos. As células farisaicas assemelham-se a um vespeiro de interesses mesquinhos.
O luxo das vossas túnicas assombra. Vossos desperdícios espantam. Não sabeis que, à sombra dos vossos muros, há infelizes que morrem de fome? Venho dos subúrbios, onde se concentra grande parte de nossas misérias. Falai de Moisés e dos profetas, repito, acreditai que os antepassados veneráveis mercadejassem com os bens de Deus? O grande legislador viveu, Moisés, entre experiências terríveis e dolorosas. Jeremias conheceu longas noites de angústia a trabalhar pela intangibilidade do nosso patrimônio religioso, entre as perdições da Babilônia.
Amós era pobre pastor, filho do trabalho e da humildade. Elias sofreu toda sorte de perseguições, compelido a recolher-se ao deserto, tendo só lágrimas como preço do seu iluminismo. Esdras foi modelo de sacrifício pela paz dos seus compatriotas. Ezequiel foi condenado à morte por haver proclamado a verdade. Daniel curtiu as infinitas amarguras do cativeiro. Mencionai os nossos heróicos instrutores do passado, tão só para justificar o gozo egoístico da vida? Onde guardais a fé? No conforto ocioso ou no trabalho produtivo?
Na bolsa do mundo ou no coração que é o templo divino? Brava! Incentivais a revolta e quereis a paz? Olha! Explorais o próximo e falais de amor a Deus? Não vos lembrais de que o eterno não pode aceitar o louvor dos lábios quando o coração da criatura permanece dele distante? O nosso aqui… silêncio, né? Então, o que esses textos estão falando? Dos sofrimentos do povo, do êxodo, da peregrinação no deserto, que é um símbolo de todos os cativeiros e de todas as libertações, de tudo. Agora, vamos fazer um paralelo aqui.
O que que o Espírito é enquanto ele necessita encarnar na terminologia de Kardec? Espírito errante, peregrino. Quando ele cessa a necessidade de encarnar, aí ele se transforma num Espírito puro, purificou, num bem-aventurado. Aí, bem-aventurança, promessa, descanso. Então, o que o Estêvão está falando aqui é da história do povo hebreu? É, mas a história do povo hebreu é, na verdade, uma metáfora, uma miniatura da história da evolução do Espírito. Esse é o ponto. Esse é o ponto. Então, vamos lá. Já deu nove? Nossa, o tempo voou, né?
Então, só pra gente retomar isso aqui. Como é que começa essa história? Essa história começa na máxima proximidade do Espírito com Deus, na máxima entrega do Espírito a Deus, no início, de forma inconsciente. É a metáfora de Adão e Eva no paraíso. Não tem dor, não tem espinho, a terra produz todos os frutos, você não precisa lavrar a terra, você não necessita suor pra comer o pão, não precisa. Mas, também não tem consciência, porque eles sequer sabiam que estava luz. Aí, vem o primeiro processo de tomada de consciência.
A serpente faz a primeira pergunta da Bíblia. A primeira pergunta. Acabou a inocência. Alguém perguntou. Quando a serpente faz a pergunta, aí nós temos todo o quadro montado. Comer é A fome, o fruto é agradável aos olhos, é o prazer, a fome, o prazer, é o gozo, a felicidade, o deleite e a autonomia que quer se tornar autossuficiente. Porque, qual que é o problema da queda de Adão e Eva? Não tem nada a ver com sexo, né? Assim, não tem nada a ver, né? Tem a ver também, né? Mas, não é puramente sexual. A questão é de autossuficiência.
Deus proveu o jardim. Adão e Eva sequer tem consciência do que eles recebem. Porque eles recebem tudo e eles não tem consciência do que é tudo. Porque você não tem consciência da plenitude enquanto você não experimentar a falta. Qual que é a proposta da serpente? Não é uma proposta de autonomia. A proposta da serpente é uma proposta de autossuficiência. Ele não quer que sejais como ele. Essa é a proposta da serpente. Esse é o problema. O homem autossuficiente. Qual que é o problema do homem autossuficiente? Ele não precisa de Deus.
Ele se basta. Então, não há necessidade de um Deus providente. Não há necessidade de nenhuma providência de Deus. Porque o homem é autossuficiente. Ele é capaz de prover-se infinitamente. Só que isso, nós somos espíritos velhos já, de longa jornada, de peregrinação, a gente sabe que é uma mentira. É uma mentira. Porque como que um ser relativo pode ser autossuficiente? E não tem como ser autossuficiente por uma razão. Então, o nosso desejo é infinito. Enfim, o desejo é um horizonte. Você vê longe e vai em direção. Você chega perto, o horizonte se amplia.
Não é assim? Porque Deus colocou em nós a faculdade de não saciar-se nunca. Porque senão acaba a evolução. Então, como é que um ser limitado vai dar conta de uma ânsia que é infinita? De uma fome que é eterna? De uma sede que é eterna? É a conversa de Jesus com a mulher samaritana no poço. Ele começa a falar com ela sobre sede. Você não está sentindo aí que você tem uma sede? Você vem toda hora aqui nesse poço, busca água. Você não está sentindo assim que… Não está sentindo? Você almoça hoje, amanhã você quer almoçar de novo?
Você ri hoje, amanhã você quer rir de novo? Você comemora hoje, mas amanhã você quer comemorar de novo? Isso não tem fim. Você não está sentindo que essa sede não tem fim? E que essa água não vai saciar essa sede? Esse é o ponto. Esses três pontos são as três tentações de Jesus. E são as três tentações no deserto. O povo hebreu é tentado no deserto com? Nesse processo que se resume em autossuficiência. Eles sempre estão testando Deus. Prometeu essa terra? Não sei não. Eu estou com fome. Nós vamos morrer de fome. Eu prefiro voltar para a escravidão.
E quando eles têm fome, por exemplo, eles falam, nós vamos morrer de fome. Aí Deus fala, deixa eles ficarem com fome um pouquinho. Aí eles ficam com fome. Depois ele manda o maná. Aí cai o pão do céu. Ele fala, eu mandarei o maná para que eles saibam que nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Só que a palavra aqui não é, não são conjunto de sílabas. A palavra que sai da boca de Deus não é um conjunto de frases. Deus fala através dos seus Cristos. Então a palavra de Deus é um Cristo que sai do céu e faz o que tem que ser feito.
Por isso Jesus é o verbo de Deus. Por isso que ele é o Filho, por isso que ele vem realizar tudo isso. Nossa, agora a gente deu um voo, né? Vamos aterrissar um pouquinho, depois a gente volta nisso. Alguém quer falar alguma coisinha? Sim, eu vou. Essa que é a ideia. Por isso que a palavra autossuficiência, Se eu sou como Deus, Deus precisa ser provido? A ideia é ser como Deus é não necessitar, ser, bastar-se. E essa é a ideia. Por isso que o Emmanuel, na pergunta lá do Conselador, que a gente já leu aqui, né? Quando ele pergunta se o determinismo divino é o do bem, quem criou o mal?
Aí o Emmanuel responde o determinismo divino se constitui de uma só lei para toda a comunidade universal, que é a lei do amor. Mas o homem, confiando mais em si mesmo que na providência divina, olha, providência, confiando mais em si mesmo que na providência, ou seja, eu não preciso ser provido, eu me basto, transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa lei. Eis o mal. Quer dizer, o mal é o afastamento de Deus. É o mito da autossuficiência humana. É o mito do homem em medida de todas as coisas. Que não deixa de ser um mito grego, né?
Aí você vai na Grécia e só vê homem, né? É o homem, é o culto ao homem. É o homem nua, a mulher nua, é o homem, o homem, o homem, o homem, o homem. O homem é o antropocentrismo. O homem basta-se. Aí o Emmanuel diz assim, urge recompor os elos dessa harmonia sagrada, eis o resgate. Porque quando o homem desloca-se da fonte provedora que é Deus, ele começa a experimentar todas as deformações, todo o mal, todo o sofrimento, todo o exílio, toda a escravidão, toda a estreiteza que é o Egito, ele começa a experimentar a falta.
Como alguém que se afasta do sol e começa a experimentar o frio. No experimentar a falta, ele toma consciência da sua limitação. É incrível, né? É incrível. Mas, olha só, olha só, pra dar um gostinho, né? Afastou de Deus. Por quê? O que aconteceu no paraíso? Antes do paraíso, Deus criou. E era assim, tudo que Deus faz, checa, controle de qualidade, viu que era bom. Toda vez que Deus produz algo novo, termina assim. E viu Deus que era bom. Não é? Só tem um dia que ele não falou isso. Que foi o dia que ele não criou nada de novo.
Ele só separou as águas de cima das águas de baixo. Por quê? A gente não repara isso, né? Gênesis começa assim. No princípio, criou Deus os céus e a terra. E a terra era vazia, sem forma, tatatá, tatatá. Aí chega lá no dia que ele separa as águas de cima das águas de baixo. Mas, pera aí, que dia que ele criou a água? E aí a pessoa fica procurando, será que está faltando algum versículo na minha Bíblia? Acho que essa tradução está com problema, porque não fala que ele criou a água, nem a de cima, nem a de baixo. Criou quando?
Olha que sutileza, né? E no dia que ele separou a água de cima das águas de baixo, ele não criou nada novo, porque a água já existia. Aí ele não fala e viu Deus que era bom. Não tem essa frase, porque não teve criação de coisa nova. Foi só organização do espaço. Depois que ele faz tudo, no sexto, seis, criou o homem e viu Deus que era bom. Façamos, no plural, o homem a nossa imagem e semelhança. E aí o que ele fez? Descansou. Obra perfeita. Eu ia até perguntar isso para o Rony. Rony, se você fizer um móvel perfeito, o que você vai precisar fazer depois nele?
Ele já é perfeito. Nada! Descansar, ué! O que você faz depois que fez algo perfeito? Aprimorar o perfeito? Descansa. Descansa. Só que aí o homem cai, se afasta de Deus. Aí o que acontece? Aí surge a promessa de um outro sábado. Nossa, tá ficando difícil, né? Vamos, só um pouquinho, então vamos lá. Um dia, dois, três, quatro, cinco, seis, criou o homem, descansou no sétimo dia. O homem caiu e aí, meu Deus, agora eu vou ter que ter um descanso. Eu vou ter que ter um outro sábado. Mas agora a semana é como? Sete dias?
Aí a cada sete dias o povo hebreu parava e comemorava o sábado, o Shabat, até hoje. Das seis horas da tarde na sexta-feira, em torno de seis, né, porque varia de um local pro outro, acende-se as velas do Shabat. Com pôr do sol. É, porque aí o sol se põe, a luz de Deus se acende nas velas do Shabat. É o dia da luz de Deus. É o dia de Deus. É o descanso. Só que, só que, se toda semana eu tenho que ter um Shabat, esse Shabat é um Shabat incompleto. Esse descanso não é perfeito, porque a cada sete dias eu tenho que revivê-lo.
Então, ele é um treino para um grande Shabat. Qual? Qual Shabat? Vamos lá. Vocês vão lá na segunda carta de Pedro, toda ela, são três capítulos, dá pra ler, olha, chegar em casa hoje, jantando, dá pra ler. É rapidinho, porque Pedro vai falar da esperança da regeneração no mundo. O que eles questionavam com ele? Pedro, o Paulo andou falando aí, vocês estão falando que vai chegar o mundo de regeneração, mas não está chegando, não, já passou um tempo. E nós estamos que sofremos, viu? O imperador já está perseguindo o cristão, o cristão está sendo morto, que negócio é esse?
Vai demorar demais pra Jesus voltar? E aí o Pedro começa a falar. Segunda carta de Pedro. Aí, no capítulo 3, ele diz assim, não se esqueçam disto, amados, para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como o julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. O dia do Senhor, porém, virá como ladrão. Os céus desaparecerão como um grande estrondo. Os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo que nela há, será desnudada.” A referência lá, a nudez de Adão e Eva.
Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus, o dia de Deus, e apressando a sua vinda. Que dia de Deus? O sábado, né? Só que agora, a continha é outra. Gênesis 1, criou o primeiro dia, segundo dia, terceiro, sexto, criou o um, descansou no sétimo. Só que agora, um dia é como mil anos, mil anos é como um dia. Então, são sete mil anos. De Adão a Jesus, quatro mil. De Jesus a transição planetária, dois mil. Sexto dia, e o Shabat no sétimo dia, que são os últimos mil anos do mundo de regeneração, que é um mundo de transição para o mundo de todos, para o Shabat, para o descanso.
A semana agora não é de sete dias, é de sete mil anos. Aí haverá o descanso. É o que Pedro está falando, né? Mas, até lá, nós temos que peregrinar. E peregrinar é experimentar algumas coisas desagradáveis. Por isso que Jesus fala para Ismael, Ismael, só uma pitadinha do seminário, só um minuto, nas suas obrigações e trabalhos, nas suas obrigações e trabalhos, considera que a dor, a dor é a eterna lapidária de todos os Espíritos, e que o nosso Pai não concede aos filhos fardo superior às suas forças nas lutas evolutivas.
Abriga aí Aonde? No Brasil. Abriga aí na sagrada extensão dos territórios do País do Evangelho todos os infortunados e todos os infelizes. Se é infortunado, se é infeliz, reencarnou no Brasil. Porque aqui é hospital de infortunado e de infeliz. Espiritualmente falando. Espiritualmente falando. E como diz o Júlio, a gente olha para milhões de doentes depois que o hospital foi aberto e estão reclamando dos doentes dentro do hospital. É igual o médico chegar no pronto-socorro, no João, e diz assim, mas só tem gente quebrada aqui nesse pronto-socorro?
Não tem um são aqui? Aí o chefe diz assim, amigo, nem os médicos, nem os médicos aqui são sãos. Ou como diz o pai do Rafael, o Roberto Luz, que ele fala assim, a diferença entre eu e os doentes do Hospital André Luiz é que eu tenho a chave. Mas é brincadeira dele, né? É porque ele é brincalhão, ele é o médico-psiquiatra lá do hospital, né? É brincadeira dele. Mas a ideia é essa, então acolhe todos os infortunados e todos os infelizes. No meu coração ecoam as súplicas dolorosas de todos os seres sofredores que se agrupam nas regiões inferiores dos espaços próximos da Terra.
Então, como é que foi formada a nação brasileira? De todos os espíritos sofredores das regiões inferiores do umbral do planeta. Então, passaram recolhendo das regiões mais tenebrosas do planeta Terra para reencarnar tudo no Brasil. Agasalham-os no solo bendito que recebe as irradiações do símbolo estrelado. Do símbolo estrelado. Qual que é o símbolo estrelado? A cruz. Porque o que você vai prometer para espírito que tem 3 mil, 4 mil anos de dívida? Festa espiritual? O que? O que vai prometer para esse espírito? Agasalha-os no solo bendito que recebe as irradiações da cruz.
Cruz. Alimentando-os com o pão substancioso. Pão? Peraí, isso está parecendo Êxodo. É um novo Êxodo? De novo está caindo maná do céu? De novo está caindo um pão para alimentar os peregrinos? De novo. Mas que pão é esse? Pão substancioso, substancioso dos sofrimentos depuradores. Ai, eu não quero comer isso não. Pão substancioso dos sofrimentos depuradores e das lágrimas que lavam todas as manchas da alma. Então, Jesus fala assim, Ismael, agora eu vou traduzir, porque aqui está tão bonito, né? Eu vou traduzir agora no mineiro assim para ficar mais claro.
Ismael, passa no umbral, nas cavernas, recolhe tudo quanto é espírito da pior estirpe. Traz tudo para o Brasil. E eu vou alimentá-los com sofrimento, porque o sofrimento é pão. Quem sofre se humaniza. Quem sofre desenvolve o senso de justiça. E quem sofre sente falta de Deus. E com as lágrimas, porque lágrima lava impureza. Lágrima é água. Isso aqui é Levítico puro, não é? Levítico puro. Manchas da alma, manchas, ou seja, quem encarnou no Brasil são espíritos com manchas na alma. Leva a essas coletividades espirituais, ou seja, a esses espíritos que estão lá nas cavernas, nos umbrais, leva a essas coletividades espirituais sinceramente arrependidas do seu passado obscuro e delituoso.
Então, vamos lá? Critério para nascer no Brasil. Tem que ter passado obscuro e delituoso. Se você não tiver uma ficha criminal extensa, não reencarna aqui. Segundo, tem que estar arrependido, porque se não tiver arrependido, o resgate não é aqui. Porque eu estou deduzindo daqui, né? Passado obscuro e delituoso. Leva a essa coletividade, a tua bandeira de paz e de esperança. Qual que é a bandeira? Deus. Para quem está afastado de Deus, primeiro dito da bandeira do Ismael, Deus, Cristo, que é o Filho, é a Palavra, Caridade.
Leva a tua bandeira de paz e de esperança. Ensina-lhes a ler os preceitos da minha doutrina na tradução que o Haroldo vai fazer. É isso? Não, não, não. É isso que está escrito aqui? Ensina-lhes a ler os preceitos da minha doutrina na tradução da Bíblia de Jerusalém. Na tradução da Bíblia do Peregrino. Ensina-lhes a ler os preceitos da minha doutrina nas apostilas das federativas. Não. Ensina-lhes a ler os preceitos da minha doutrina nos códigos dourados do sofrimento. E agora? No sofrimento, a gente aprende o Evangelho.
Não é? Mas, por quê? É pedagogia divina. Por quê? Por quê? O sofrimento humaniza, humaniza o Espírito. E, quando você se humaniza, você abandona o devaneio de querer ser Deus. É incrível isso, né? É incrível isso. A gente vê isso claramente assim. Você está nervoso e brigando na família, e xingando, e dizendo a verdade pra todo mundo, e castigando, e duro, aí você tem uma cólica renal. Gente, olha, a primeira posição que você fica é a posição de feto. Você encolhe toda. Pra entrar no hospital, você vai quase que gateando.
Nessa hora, você já virou alguém com cólica renal, achando que é Deus? Não tem, né? É engraçado isso, né? Não tem. Não tem. Alguém já viu, por exemplo, um médico chegar e falar assim, fulano, tenho duas péssimas notícias pra te dar. Você tem dois dias de vida e tem uma pior notícia. Doutor, pelo amor de Deus, qual que é a pior? Era pra eu ter te dito isso ontem. O que que a pessoa vai dizer? Deus do céu! Ela vai falar, não, não preocupa, eu sou Deus. Eu sou autossuficiente. Eu não necessito de nada. Não é isso que ocorre.
Não é isso que ocorre. Então, tem certas lições do Evangelho que que, por exemplo, como é que eu vou ler e aprender a lição do perdão se eu não for ofendido? Vocês imaginam assim, a pessoa vai reencarnar e a Espírita fala, olha, você é um espírito muito nervoso, você é muito agitado, você é muito ansioso, você precisa desenvolver a paciência. Então, nós preparamos aqui um ambiente adequado pra você desenvolver a paciência. Um ambiente que vai aprimorar a sua paciência. Você vai ser irmão do Dalai Lama e vai reencarnar num mosteiro.
Faz sentido isso? Vai ter paciência com o quê? Com o Dalai Lama? Não tem sentido. Não tem sentido. Aí, vamos preparar uma encarnação aqui. Você precisa aprender, nessa encarnação, você precisa aprender a paciência. Então, é o seguinte, uma família totalmente desorientada pra você nascer. O mais calmo lá, quebra tudo. Não tem gente calma nessa família. E, a gente está te colocando lá pra você, porque aí você vai sentir falta de paz, você vai construir a paz, você vai sentir falta. Isso não tem jeito. Não tem como. Então, é isso.
É a proposta aí. Agora, nessa proposta, nessa proposta da peregrinação do deserto, aí surge o tema que o povo vai trabalhar, que é o tema da fé. Fé. Mas, fé não no sentido de acreditar em. Porque a fé, nós já vimos aqui, é o sentido de fidelidade, de confiança, de entrega. E, é esse o sentido. A Carta aos Hebreus, no capítulo 3, versículo 1, chama o tema da fidelidade. Vocês vão permanecer fieles? Que é o tema pra nós agora. Pronto, voltou. É fantástico o que ele fala. O Samônio, ele diz pra ele assim, não, você realmente não precisa de um salvador.
Você está com a família, com posses financeiras, posição política, você não precisa. Agora, eu que sou doente, perdi a família, fui abandonado pelos filhos, que me tiraram todos os bens e me deixaram aqui nessa casa. Aí sim. Porque aí ele diz, que é lindo, ele fala assim, de fato a revelação nos diz, somos deuses, mas tem comigo que somos deuses projetados num turbilhão de pó. É uma coisa, né? Porque, eu tenho um amigo, é o Ricardo Mesquita, ele diz assim, olha, enquanto a gente tiver intestino, não está bom, enquanto a gente tiver intestino, significa que o nosso nível do evolutivo ainda está assim, um pouquinho aquém do que a gente deseja.
Né? Porque é isso, né? É o Espírito aí, mas projetado num corpo absolutamente frágil, né? Exposto a um conjunto de vicissitudes. E aí, é interessante que o Paulo, ele faz um paralelo do Salmo 78, em que ele fala, esse Salmo 78, ele fala dos viajantes do deserto que não foram fiéis. Porque o povo abriu no deserto, pisou na bola várias vezes, né? Por isso foi castigado a geração, etc. Não entrou. Aí, o Salmo diz assim, que se levantem e os contem a seus filhos, para que ponham em Deus sua confiança, não se esqueçam dos feitos de Deus e observem seus mandamentos, para que não sejam como seus pais uma geração desobediente e rebelde, geração de coração inconstante, cujo Espírito não era fiel a Deus.
Olha, seu coração não era sincero com ele, não tinham fé na sua aliança. Quantas vezes o afrontaram no deserto e o ofenderam em lugares solitários, voltavam a tentar a Deus, a irritar o santo de Israel. Não se lembravam de sua mão, que um dia os resgatou do adversário. Então, está falando de rebeldia, de teimosia, né? E aí, a gente pode concluir que a carta aos hebreus, no capítulo 3 e 4, fala disso. Olha, agora nós estamos esperando uma nova terra prometida, um grande descanso. Os peregrinos agora somos nós, os cristãos.
Seremos rebeldes? Vamos imitar a história? Vamos endurecer o coração? E aí ele tira do Salmo 95, que diz assim, sim, ele é o nosso Deus e nós o povo do seu pasto, o rebanho de sua mão. Quem dera ouvíssemos hoje a sua voz. Hoje. Essa palavra hoje é forte, que o Paulo vai usar isso aqui. O Salmo fala, quem dera ouvíssemos hoje a sua voz. Não endureçais vossos corações como em Meríba, como no dia de Massá, no deserto, quando vossos pais me provocaram e tentaram, mesmo vendo as minhas obras. Quarenta anos esta geração me desgostou e eu disse, sempre os corações errantes, corações errantes, espíritos errantes, que não conhecem meus caminhos.
Então, eu jurei na minha ira, jamais entrarão no meu repouso, enquanto o coração estiver endurecido. Aí eu até escrevi aqui. A desobediência, a obstinação, o endurecimento dos corações, a arrogância levaram os peregrinos do deserto, recém-libertos da escravidão no Egito, a afrontarem Deus, questionando sua autoridade e a concretude das suas promessas, diante das dificuldades que se apresentavam no caminho. Neste trecho da carta, aos hebreus, o autor exorta os cristãos a evitarem a falta de fé, fidelidade, falta de fidelidade, daqueles que não conseguiram entrar na terra da promessa, no descanso de Deus.
E fica a pergunta, e nós, espíritas, vamos endurecer o coração? Vamos testar Deus? Porque o que a gente mais ouve agora, o negócio de regeneração de mundo, o que é isso? Essa criminalidade, esses problemas todos do mundo, nós vamos seguir ou vamos testar? Porque o povo testou. Aí, quando os espiões foram lá visitar a terra, está cheio de inimigos, nossa, não dá para entrar. Que é o que nós estamos falando agora. Mas não vai, não vai ter regeneração. Com esse tanto de criminalidade, corrupção, com esse tanto de problema, não vai ter regeneração.
Isso é mentira, não vai ter isso. Ninguém entra nessa terra. Nós vamos morrer de fome. Aí, caiu o Maná. Nós vamos morrer de sede. Aí, jorrou a água da rocha. E aí, o Paulo está dizendo, citando o Salmo, porque o Salmo fala assim, quem dera hoje, hoje, ouvisseis a minha voz e não endureça o coração, vai ser fiel. Então, há um chamado hoje. O chamado é posso confiar em vocês para a regeneração do mundo? Posso contar com vocês? Ou vou ter que, uma outra geração? Essa geração não vai entrar. Porque os que endureceram o coração, não vão entrar.
Essa é a metáfora. E agora, não é acreditar, não é questão de acreditar em Deus. Acreditar que tem mundo e a regeneração. Não é isso. Isso aí qualquer criança pode oferecer isso. O teste é confiar. Confiar. Então, e aqui, a gente encerra, lembrando a tentação de Jesus, que às vezes a gente não entende. Ele vai para o deserto, deserto. O que é isso? É o eco da peregrinação, é o eco do exílio, é o eco do êxodo, é o eco da promessa, é reviver. A tentação de Jesus no deserto é o resumo da síntese da história do povo hebreu.
Tudo que aconteceu nos 40 anos, aconteceu com Jesus em 40 dias. Aí ele teve fome, que é onde o negócio deu errado lá atrás. O povo teve fome, foi lá em Moisés. Nossa, acabaram com Moisés. Aí Jesus tem fome. Na hora que ele tem fome, o diabo chega. É agora. Já veio o confiante. Vamos repetir a história. Transforma essas pedras em pão. Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca do autista. Eu Não vou fazer. Eu vou esperar a providência divina me alimentar. Quando acaba a tentação, os anjos o servem.
Não é ele que se serve. Ele não forja pão. É o teste da autossuficiência. Aqui era o filho sendo testado. Será que é filho mesmo? Será que ele confia 100%? Então, vamos ver. Transforma a pedra em pão. Não. Mas, por quê? Você faz isso mole, mole, estala o dedo e tem só Se eu fizer isso, estou dando um atestado de autossuficiência. É a queda. Nem só de pão vive o homem. É preciso confiar nas promessas de Deus. Aí, o diabo, bom, primeira tentação, deu errado. Vamos para a segunda. Leva ele para o ponto mais alto e fala Joga-te.
Não está escrito. Deus vai te sustentar. Você não é o filho? Ele vai te sustentar. Não tentarás o Senhor teu Deus. Que é o sal. Essa geração me tentou. Será que vai mesmo? Será que vai ter regeneração mesmo? Brasil, Pátria do Evangelho. Não sei não. Brasil, coração do mundo, Pátria do Evangelho. Não sei não. Não tentará o Senhor teu Deus. Não jogou. Testar Deus. E aí vem o teste supremo. A terceira, que é te dou todos os reinos da terra. Que é o teste da autossuficiência. É o teste do domínio. Ele vence e vem os anjos.
Aí vem a providência. Que ele não fez nada. Em 40 dias no deserto, Jesus resumiu 40 anos, só que agora tudo deu certo. Jesus é tudo que Deus queria que o povo hebreu fosse. Ele é o filho que Deus pediu a ele mesmo. É o filho perfeito. Aí ele sai do deserto e começa, aí vem o batismo, não é? A voz desce o céu, este é meu filho amado. Resumiu. Ele agora é Israel. Que é o filho, né? Ele agora é. Ele agora vai fazer tudo que foi prometido nos mais de 60 livros do Velho Testamento. Por isso ele diz, eu não vim destruir a lei, eu vim cumprir.
Tudo que está prometido lá, eu vou realizar. Tudo que lá é esperança, agora é concreto. A aliança homem-Deus já não é só arco-íris, é Comunhão. Porque essa história começou, a história do resgate, começou com Abraão olhando e falando, Abraão, temos um pacto agora e o símbolo do nosso pacto é um arco-íris. Era o início, só que agora não é só arco-íris, agora é comunhão. Agora é um ser absolutamente em comunhão com Deus. É o ser que diante da fome, e aqui, gente, enquanto estou falando de fome, eu estou falando de todas as fomes.
Sabe que néfeche, só para a gente encerrar, já acabou o tempo, já acabou, então vamos encerrar. Néfeche em hebraico é garganta, alma em hebraico é garganta. Por isso que tem o sentido de respiração, de fôlego e da garganta que come, porque a alma, o ser encarnado é uma garganta. Por quê? Quando você está encarnado, você tem carência afetiva, você tem solidão, você tem fome física, necessidade de reconhecimento, necessidade de valorização, necessidade de aprovação, necessidade de carinho, necessidade de companhia, é uma garganta, é um passarinhozinho aberto, uma boquinha aberta assim, é uma garganta.
A néfeche, a alma, é uma garganta. Não é? Por isso que ele sopra na garganta e ali que a garganta é o órgão da respiração, né? É da alma. Essa aqui é a etimologia de néfeche, alma em hebraico. E aqui nós temos o filho que com fome diz, a minha comida é fazer a vontade do meu pai. Nossa! Ai, eu estou com muita solidão, mas o que vai me alimentar é fazer a vontade de Deus. Eu estou me sentindo carente, o que vai me alimentar é fazer a vontade de Deus. Eu estou sentindo necessidade de aprovação, o que vai me alimentar é cumprir o desígnio de Deus.
Esse é o padrão de Jesus, mas aí já são cenas dos próximos capítulos. Quem vai fazer a prece? É, mas já passou muito, né? Senão corta ali, tem um limite. Ah, é querida? Faz para a gente. Obrigado.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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