Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz do Espiritismo, Haroldo Dutra Dias dá início à segunda temporada do estudo do Livro de Gênesis, destacando a importância fundamental desta obra para a compreensão de toda a Bíblia, incluindo o Novo Testamento.
O que é estudado neste episódio
- A Estrutura do Livro de Gênesis: O Gênesis é apresentado como o “livro das gerações” (Toledote, em hebraico), o alicerce conceitual e literário de toda a Bíblia. Ele é o “patriarca” de todos os livros bíblicos, com os quais todos dialogam. O estudo seguirá a estrutura das dez gerações, começando pela geração adâmica.
- A Interpretação Literária do Gênesis: Haroldo Dutra Dias enfatiza a necessidade de uma interpretação literária do texto, em contraste com o fundamentalismo. Ele explica que os “dias” da criação não correspondem a períodos de 24 horas, já que o sol só foi criado no quarto dia.
- A Criação do Homem (Adão) no Sexto Dia: O estudo se aprofunda na narrativa do sexto dia, conforme Gênesis 1:24-31. É ressaltado que a criação do homem é o ápice, a culminância da obra divina, e que o número seis é a “marca da humanidade”.
- O Conceito de “Alma Vivente” (Nefesh Hayah): A passagem “que a terra produza seres vivos segundo sua espécie” (Gênesis 1:24) é analisada, com destaque para a expressão hebraica “nefesh hayah” (alma vivente), que se alinha com a compreensão espírita do princípio espiritual ligado a um corpo.
- A Repetição e a Espiral na Narrativa: A aparente repetição no texto (“Deus disse”, “Deus fez”, “Deus viu que era bom”) é interpretada como uma ideia de espiral, revelando o processo evolutivo e a importância do “fazer” e da avaliação divina.
- A Criação dos Dinossauros e a Evolução: É feita uma conexão com a obra “Evolução em Dois Mundos” de André Luiz, mencionando a ideia de que os dinossauros não eram para ser daquele tamanho, ilustrando que a criação divina envolve um processo e a resposta dos princípios inteligentes.
- A Formação do Homem do “Pó da Adamá”: A passagem de Gênesis 2:7, sobre a modelagem do homem com a “argila do solo”, é analisada no hebraico. “Adamá” é traduzido como “terra vermelha” ou “terreno”, e “Adam” como “ser terreno”, “ser da terra”. A modelagem é comparada à escultura, onde o que se tira revela o que já estava, em analogia à evolução espiritual.
- A Conexão com o Perispírito: A “poeira da Adamá” é relacionada ao conceito de perispírito na Doutrina Espírita, que é o corpo físico verdadeiro, formado pelos fluidos do orbe. A necessidade de “trocar de perispírito” ao mudar de orbe é mencionada, pois os elementos de formação são específicos de cada planeta.
- Adão como Ser Complexo e Síntese da Criação: O Adão é apresentado como a síntese de toda a criação (mineral, vegetal, animal) e, ao mesmo tempo, dotado de uma parte divina que o torna imagem e semelhança do Criador, capaz de se relacionar com Deus.
- A Importância do Velho Testamento para o Novo: A necessidade de estudar o Velho Testamento é justificada pela sua interconexão com o Novo Testamento, exemplificada pela referência de Paulo ao “primeiro Adão” e a Jesus como o “segundo Adão”.
Reflexões
- A interpretação do Gênesis como um poema e não como um relato literal de 24 horas por dia, permite uma compreensão mais profunda e harmoniosa com os conhecimentos científicos e espirituais.
- A criação do homem como “alma vivente” e “ser terreno” (Adamá) ressalta a dualidade espírito-matéria, onde o perispírito, formado pelos fluidos do orbe, é o corpo físico real que veste o espírito imortal.
- A capacidade do homem de se relacionar com Deus, em virtude de sua parte divina, é a essência da verdadeira religião, que transcende dogmas e formalidades, focando na conexão espiritual.
Ler transcrição do episódio
Boa noite para todos! 19 de maio de 2016, a gente inicia esta segunda temporada do Gênesis. Aqui cabe uma explicação. Essa aparente interrupção das atividades do ser funcionou como uma espécie de inverno. O inverno é curioso porque as coisas acontecem no interior da Terra. Quando vem a primavera, ela é, na verdade, um fruto, uma fluorescência daquilo que aconteceu em oculto. Nós estamos aqui na nova sede, cedida pelo Lar Fabiano de Cristo, nas adjacências do Barreiro, no bairro de Belo Horizonte. Temos um novo estatuto, várias atividades foram planificadas, planejadas e nós estamos retomando, já foi possível ver no site, o podcast com a Alberta Almeida.
A gente convida todos para ouvir. Antes de ontem, eu ouvi, está muito interessante, muito gostoso. A Alberta é muito suave, muito agradável a conversa dele. Retomamos, também, o Sete Minutos com Emmanuel, já tem episódio novo. E, hoje, nós retomamos o Gênesis, a segunda temporada do Gênesis. E, várias outras atividades do ser vão ser, aos poucos, implementadas, principalmente as novas atividades que estão sendo planejadas, projetadas. Hoje, como a gente inicia algo muito novo de tudo o que já foi feito até aqui, desta primeira temporada, de todos estes episódios que foram comentados do Gênesis, eu queria só fazer um comentário prévio de como que vai seguir este curso do Gênesis, como que a gente pretende estudar esta obra.
É claro que os primeiros capítulos do Gênesis, um, dois, três, quatro, nós estamos estudando bem detalhado, quase que versículo a versículo, mais dois, três versículos por episódio. Mais adiante, não vai ser possível seguir isto, porque o livro é muito grande e, também, perde um pouco o propósito. Então, a gente vai tentar explicar um pouco da estrutura deste curso do Gênesis. O livro de Gênesis, na tradição judaica, que é a tradição que concebeu e que guardou este livro, ele é visto como o livro das gerações, ou, em hebraico, Toledote, o livro das gerações, gerações mesmo.
Então, você dá os pais, os patriarcas e as descendências e se divide, costumeiramente, em dez, dez partes. Nós vamos seguir, mais ou menos, esta estrutura, por quê? Porque o livro Gênesis, bíblico, é o livro dos primórdios. Ele é o livro do alicerce. Toda a Bíblia, ou seja, toda coleção de livros que foram reunidos e que receberam o nome de Bíblia, se assentam, se apoiam neste alicerce, que é Gênesis. Mas, não é um apoio, apenas, conceitual. Ele é um apoio, também, literário. O livro de Gênesis é primordial, inclusive, em artifícios literários.
A maneira como Gênesis conta a história, o tipo de história que Gênesis conta, os assuntos que Gênesis aborda vão ser copiados, vão ser desenvolvidos e nós podemos dizer que todo livro, todo livro da Bíblia, incluindo os livros do Novo Testamento, dialogam com Gênesis. Todos. É impossível fazer um estudo sério, profundo, fundamentado de qualquer livro bíblico, seja uma carta de Paulo, seja um Evangelho, sem a referência ao livro de Gênesis. Estes livros estão sempre dialogando, como se Gênesis fosse o grande patriarca.
Então, também, se nós imaginarmos cada livro da Bíblia como uma geração, como uma nova geração, o patriarca de todos eles, o pai, a mãe de todos, é este livro, Gênesis. É importante a gente entender isto, muito importante. E, ao falar das gerações, a primeira delas é a geração Adâmica. Então, o início do livro Gênesis, o capítulo 1, O capítulo 2, o capítulo 3 e parte do capítulo 4 estão voltados para o patriarca da humanidade, o grande patriarca humano, que é Adão. E, depois, nós vamos tendo outros que vão encabeçando a lista das gerações.
E, nós vamos seguir esta ordem. Então, por exemplo, nós vamos estudar Abraão, Isaac, Jacó, aquela história de José, até se encerrar o livro de Gênesis. Vamos pegar estas grandes gerações, vamos entender um pouco desta simbologia, vamos entender um pouco deste traçado, deste trançado, porque isto, aqui, é uma coxa de retalhos, é quase que um tapete. E, a gente precisa encontrar esta textura de cada um e onde que eles se conectam para formar um todo. Então, esta é a nossa ideia, este é o nosso percurso. E, nós estamos, aqui, no início, no início do início.
Na Gênesis de Gênesis. Até agora, nós estudamos cinco dias, cinco dias. No esquema de dia, que a gente já comentou aqui, não tem nada a ver com a nossa contagem de 24 horas, nada a ver, até porque o nosso sistema de contar dia, 24 horas, é baseado no movimento da Terra em torno do Sol. O Sol só foi criado no quarto dia de Gênesis. Então, não tem como contar o primeiro, o segundo e o terceiro, porque não tinha Sol. No primeiro dia, por exemplo, a Terra era sem forma. Então, não dá nem para imaginar um globo formado girando em torno do Sol, ou girando em torno de si mesmo, porque quando ele gira em torno do Sol, você tem o ano, quando a Terra gira em torno do próprio oeste, você tem o dia.
Mas, para isso, eu preciso do Sol. Não adianta só a Terra girar se eu não tenho Sol. Então, eu não posso falar em dia nem em ano. O que que isso nos revela? O primeiro ponto aqui de Gênesis, que nós já estamos em condição disso, nos revela algo que os sábios da Antiguidade, os sábios do povo hebreu sempre advertiam. Ninguém parte com o estudo bíblico sem dominar o primeiro nível do estudo bíblico ou do estudo da Escritura, que é o Pechat. O nível Pechat é o nível literal, mas, tem que tomar cuidado com o literal. Tem que tomar muito cuidado com o literal.
Talvez, a tradução ideal fosse o primeiro nível é o nível literário. Literário. O que que significa o nível literário? Entender que isto aqui é um poema e, de fato, é. Quando se traduz para o português, a gente perde, eu diria, 60% deste poema. O capítulo 1, 2, 3, que nós vamos estudar, é um poema. Dá até para separar. Ele tem até sonoridade, tem até rima. Dá para fazer um Parnaso de Alentum. Identificar. Como, de fato, foi feito. Nós tivemos um grande poeta, um poeta mesmo, Haroldo de Campos, meu chará. O Haroldo de Campos traduziu Gênesis.
Aí, você pergunta, um poeta famoso de São Paulo, cismode, traduziu tanta coisa, um literato tão famoso, tão competente, um crítico literário tão famoso, se aventurou para traduzir Gênesis. E, a primeira coisa que ele vai dizer é isso. Olha, isto aqui é um poema. Interessante que, na tradução dele, ele colocou no formato de poema, ele teve um cuidado de, ao traduzir para o português, manter certas coisas da poesia do texto. Então, o primeiro nível da interpretação é o nível literário. Por isso que nós buscamos fugir da interpretação fundamentalista.
Então, para aquela mente que ainda está assim limitada, que enxerga o texto de uma forma literal e que ainda acredita naquele dogma de que toda a verdade está na Escritura, não há nenhuma verdade fora da Escritura bíblica, aí não tem como dialogar. Aí, o diálogo fica quase que impossível, porque a criatura, ao invés de fazer uma interpretação literária, ela começa a interpretar ao pé da letra, que também não é o desejado. O que que a gente chama de interpretação literária? Essa, por exemplo, do dia. Não tem como você imaginar uma criação feita em seis dias, de vinte e quatro horas.
O sol só foi criado no quarto. Então, quem está no texto, quem prestou atenção no texto, quem leu o texto, sabe que o dia aqui é outro. Vou dar outro exemplo, que está separadinho aqui. Uma interpretação ao pé da letra. Adão foi o primeiro homem. Ou seja, o personagem Adão aqui é o primeiro homem. Não tinha nenhum homem e Adão recebeu o nome próprio, registrou no cartório, Adão, filho de Elohim, porque o nome de Deus aqui é Elohim. Então, Adão, filho de Elohim, sem mãe. Não é? Se você fizer essa interpretação, você vai ter uma dificuldade, por exemplo, quando chegar no capítulo 4, porque quando chega no capítulo 4, diz assim e o Senhor colocou um sinal sobre Caim, que Adão recebeu a sua esposa Eva, que foi feita dele, ele adormeceu, nós vamos ver isso, e o casal teve dois filhos, Abel e Caim.
E, aqui, todo mundo já sabe, não queria contar o final, mas Caim mata Abel. E, Deus colocou um sinal sobre Caim, a fim de que não fosse morto por quem o encontrasse. Caim se retirou da presença do Senhor, ou seja, saiu do Éder, e foi morar na terra de Nod, hoje, a leste do Éder. Foi morar sozinho, porque só tem a mãe e o pai dele e o irmão que ele matou. Então, se você vem fazendo uma interpretação ao pé da letra, só tem três pessoas na terra. Mas, o Caim foi para a leste do Éder e lá ele encontrou a sua mulher, que concedeu e deu à luz a Nod.
Agora, pergunta aí, quando que foi criada esta esposa de Caim? Então, é por isso que os sábios diziam que isto aqui tem que ser interpretado de forma literária. Quem está atento à literatura vai voltar para o texto e falar que Adão não é o primeiro homem, porque isto aqui não está fazendo uma descrição biológica, antropológica. Isto aqui é um poema e o assunto aqui não é biologia, não é antropologia, não é sociologia. O assunto aqui é religiosidade e espiritualidade. Este é o assunto do poema. Então, estes cuidados que a gente precisa ter – o primeiro nível da interpretação, nível literário.
Tem que ficar atento ao texto e navegar no texto todo. Eu diria que, se a pessoa ficar só, não precisa nem já se animar a tirar conteúdo espiritual. Se ela ficasse só no livro literário, ela já tirava muita coisa. Muita coisa. É o que nós vamos tentar demonstrar aqui e, de fato, é o que a gente já vem tentando fazer. Então, hoje, hoje, voltando agora, voltando para começar, nós vamos estudar o sexto dia e tudo aqui, repito, é alicerce. Tudo é alicerce. Então, a gente percebe que o primeiro dia, o segundo dia, o terceiro dia, o quarto dia, o quinto dia representam uma seta para chegar ao sexto.
A culminância da criação é o sexto dia. Tudo aponta, tudo caminha para o sexto dia. Algo que nós gostaríamos de chamar a atenção aqui, até a parte dos números aqui é importante, porque o ser humano foi criado no sexto dia. Então, seis é o número do homem. A marca da humanidade é o seis. E, aí, você pode pegar o um. O que aconteceu no primeiro dia? O primeiro dia é um dia magnífico, porque você vê Deus agindo diretamente. E, assim, a gente vai caminhando com isso, porque todos os livros da Bíblia, ao falarem de seis, estão pressupondo que você leu Gênesis.
Estão pressupondo. E, aqui, é gostoso, porque se alguém pergunta assim, mas, é preciso estudar Gênesis? Eu não sei, depende. Você quer entender Apocalipse? Vai citar lá o 666, está dialogando com isto aqui, o sexto dia. São detalhes. Isto aqui é porcelana pintada, é vaso grego. Cada detalhe, aqui, é modelo que vai ser utilizado em toda a literatura bíblica. Até aqui, tranquilo? Eu vou ler a narrativa do sexto dia, que a gente vai perceber isso. No capítulo 1, versículo 23, encerrou assim, houve uma tarde, uma manhã, quinto dia.
Já comentamos isto aqui. Até a forma de contar dia é diferente do que a forma judaica que se conta. O dia começa às 18 horas. E, termina às 18 horas. Por isso que é tarde, manhã, tarde, manhã, tarde, manhã. Nós, ao contrário, nós contamos manhã, no sentido de luz, tarde, caminhando para a noite. Aqui, é o contrário. Então, o versículo 23 diz, houve tarde e manhã, quinto dia. E, aí, abre. Olha como é que abre. Diz-se Deus que a terra produza seres vivos segundo sua espécie. Porque, no quinto dia, falou da água. Tudo quanto é ser marinho.
E, aqui, começa o sexto dia na terra. Eu queria que a terra produza. Eu vou só pegar, este é o versículo 24. Eu vou só pegar, aqui, um pouquinho deste versículo 24, só para ler uma coisinha, aqui, importante. Vaiomarelohim totze aaretz nefesh hayah Ou seja, ser vivente ou Alma vivente alma viva Isto, aqui, é muito interessante. Muito interessante, sobretudo, se a gente pega a chavezinha do Espiritismo, da Doutrina Espírita, para entender o conceito de alma, que é o princípio espiritual ligado a um corpo, corporificado.
Interessante, isto, não é? Só para chamar esta atenção, diz assim, que a terra produz alma vivente segundo sua espécie. Quer dizer, tudo com a sua espécie, com as suas genealogias. Isto é interessante. O Livro de Gênesis vai repetir isto toda hora, segundo a sua espécie, segundo a sua espécie, e o próprio livro está dividido em genealogias. Adão, aí vem Noé, Abraão, Isaac, as espécies. É algo que a gente tem que ficar atento. A estrutura total do Livro de Gênesis revela a estrutura do micro. Então, o macro, aqui, é igual ao micro, é como se fosse um cristal.
É um detalhe que a gente tem que ficar atento, segundo a sua espécie. Animais domésticos, répteis, feras, segundo a sua espécie, e assim se fez. Deus fez as feras, segundo a sua espécie, os animais domésticos, segundo a sua espécie, e todos os répteis do solo, segundo a sua espécie. E, Deus viu que era bom. Outra coisa que eu queria chamar a atenção aqui é como que o texto é repetitivo, aparentemente repetitivo. A ideia, aqui, é de espiral. Então, primeiro, o texto anda com a gente, 180. Depois, Ele completa os outros 180.
Então, disse assim, e Deus disse. Por que Eu disse? Porque Deus cria com a palavra dEle. A criação de Deus se dá com a palavra. Ele disse. Aconteça isso. É a primeira parte. Depois, Ele faz. Faz. E, finaliza o fazer com controle de qualidade. E, viu que era bom. E, viu que era bom. Que é uma lição para a gente. Uma coisa é você criar, ter uma ideia, outra coisa é você executar. Nem sempre o que você está executando é o que você pensou. E, muitos de nós ficamos tão apaixonados com o que imaginamos, que achamos que o que fizemos está igual ao que imaginamos.
Até que alguém fala assim, eu não estou entendendo direito o que você pensou. Não, eu pensei em fazer isso. Olha, se você pensou isso, não foi nada do que você fez. E, aqui, voltando um ponto, eu vou chamar André Luiz. Muitas pessoas pegam o livro Evolução em Dois Mundos e ficam espantadas. Ou A Caminho da Luz, A Caminho da Luz e Evolução em Dois Mundos. Porque lá, há uma referência seguinte. Tivemos um pequeno probleminha. Vieram os dinossauros, que não eram para ser daquele tamanho. Não eram. Mas, você não está lidando com pedra.
Você não está pegando um pedaço de pedra, pega essa pedra e coloca lá. Não tem problema. Se você conseguir carregar, você vai levar para o outro lado, porque, durante o percurso, a pedra não vai reclamar. Você não faz isso com o princípio inteligente, com o psiquismo que já está. Você não faz. Porque um psiquismo, ele já reage. Ele responde. Então, você propõe, mas a resposta pode não ser aquela. Então, vieram no laboratório. Aí, vem um pouco para cá, você corrige rota. Foi o que aconteceu com os dinossauros. Então, esse fazer aqui, esse fazer, a meu ver, revela todo o processo evolutivo.
Não precisava ficar essa briga de criacionismo e evolução, porque, na verdade, isso é um problema americano. Isso não é um problema brasileiro. Vamos ser bem sinceros. Aqui, no Brasil, nós, graças a Deus, não temos esse problema. O criacionismo é um problema norte-americano. Algumas pessoas fazem uma interpretação fundamentalista na Bíblia e não querem que se ensinem nas escolas de biologia. Só querem que ensinem Gênesis, que eles acham mesmo que foi criado em seis dias e tudo pronto. Não leram o texto, não leram como literatura, porque tem um fazer aqui.
E, disse Deus, produz a terra, animais, répteis, e depois o que? Fez Deus. Aí, ele vai fazer. E, depois, ele viu que era bom. E, aí, prossegue o texto. Depois que ele viu que era bom, vai, agora, acontecer o ápice da criação. O ápice, porque a criação termina no sexto dia. Então, é uma imprecisão dizer que o livro de Gênesis diz que tudo foi criado em sete dias. Não, no sétimo dia não foi feito nada. No sétimo dia foi descanso. O sétimo dia é o mais simples da descrição literária de Gênesis. E, Deus descansou no sétimo dia.
E, é curioso isto aqui, porque se você imagina que os dias são períodos, eles são grandes, são períodos grandes. E, o período do descanso é gigante, porque é igual aos outros. No sexto dia foram criados todos os animais e o ser humano. Ele durou um tempo. O sétimo dia tem a mesma duração. É algo muito interessante para a gente pensar nessa igualdade de períodos e você ter um sétimo de tudo é o descanso. Então, ele é longo, ele é grande, por isso que ele é uma lei. Agora, olha que interessante aqui. Disse Deus, que é sempre assim, pela palavra dele, façamos o homem, a nossa imagem, como nossa semelhança.
E, que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra. Então, ele ia ser o grande Senhor de tudo. Só que, agora, tem uma coisa curiosa. Não é não é narrado aqui um fazer e fez Deus. E, Deus criou o homem. Usa o verbo lá do início do primeiro dia. E, criou o Deus, os céus e a terra. Não é mais um fazer. Interessante isso. Porque, dá o tom da dignidade do que está sendo criado aqui. Deus criou o homem, a sua imagem. A imagem de Deus, ele o criou.
Homem e mulher, os criou. Deus os abençoou e lhes disse, sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra, submetei-a, dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que rastejam sobre a terra. Deus disse, eu vos dou todas as ervas que dão semente que estão sobre toda a superfície da terra e todas as árvores que dão frutos, que dão semente e isso será vosso alimento. A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas e assim se fez.
Deus viu tudo o que tinha feito e era muito bom. Houve uma tarde, uma manhã, sexto dia. Assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. O céu e a terra com todo o seu exército. Para quem fica com a ideia de que exército é um aglomerado de militares para a guerra, por isso que Deus, no Gênesis, é chamado Senhor dos Exércitos. Ou, a palavra para estrela, Senhor das Estrelas. Que interessante! Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizeram e no sétimo dia descansou depois de toda a obra que fizeram. Descansou.
Deus abençoou o sétimo dia, o santificou, pôr nele e descansou depois de toda a sua obra de criação. Essa é a história do céu e da terra quando foram criados. Essa é a genealogia do céu e da terra. Agora, eu queria chamar a atenção para uma coisa que causa muita… Encerramos um ciclo. No capítulo 2, vai começar uma outra poesia. Essa é a primeira. Nessa primeira poesia, Adão não é nome próprio. No capítulo 2, Adão, o mesmo, passa a ser, aí, agora, uma personagem dessa nova história. Então, a gente queria chamar a atenção para alguns aspectos, agora, de literatura, que vão ajudar muito a gente.
Muito, muito, muito, muito, muito. E, aí, nós vamos ter que ir para o texto hebraico. Não tem jeito. Não tem jeito. Para a gente ir para o texto hebraico, deixa eu só seguir um pouquinho aqui. Lá no capítulo 3, vamos voltar, seguir um pouco adiante para a gente voltar. No capítulo 3, depois que tem todo aquele problema e que Adão e Eva são expulsos do Éden, é dito assim, no versículo 19, com o suor de teu rosto, comerás teu pão, até que retornes ao solo, solo, a palavra aqui, solo, pois dele foste tirado, pois tu és pó e ao pó tornarás.
Olha o problema de tradução. A pessoa está lendo a tradução e fala solo. Ah, ele foi tirado do solo e vai retornar para o pó. Vai retornar para o pó ou para o solo? O interessante é que, no capítulo 2, quando está falando da formação de Adão, diz assim, 2, Versículo 7. Então, Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente. Está no 2, 7. Agora, eu vou pegar o texto aqui no hebraico. Olha só. Então, vamos lá. 2, 7. Aqui eles põem os versículos tão pequenininhos que eu vou te falar uma coisa.
Está aqui. Vai Étzer, que tem a ideia de formar, que Étzer modelar, esculpir. Então, é uma escultura. Está esculpindo. Por que esse verbo aqui é importante? Porque você está dizendo que esculpiu. Como é que funciona uma escultura? O que faz um escultor? Ele tira ou põe? Tira. Não é? Todo mundo concorda? O escultor tira e é no processo de tirar que ele modela. Alguém aí está pensando em evolução espiritual? A evolução, ela tira, tira vícios, ela tira excessos, ela tira exageros. Mas, o que fica é o que já estava. Está claro isso?
Você pega um bloco e, de repente, o bloco toma forma. Ele não tomou forma porque você pegou uma coisa externa e colocou. Não é pintura, é escultura, monolítica, óbvio. Mas, escultura é monolítica. Foi tirado. Então, vai Étzer e formou, aí vem o nome, o tetragrama, Elohim, que é interessante. Aí, ele chamou Adonai Elohim, o Senhor Elohim. Aqui, o nome já está duplo. Et Adam, quer dizer, e formou o Senhor Deus, Adam, Afar, Min, Adamá. Formou o Adam da poeira de Adamá. Agora, aqui vem a brincadeira. Adamá é terra vermelha.
Aqui, nós temos um problema de tradução, porque tem gente que vai traduzir para o barro, argila. Aí, age a imaginação. Mas, o gostoso do texto hebraico é a brincadeira. Adamá é Adam, terra, terroso, ou Terra, terreno. Quer dizer, formou o terreno, o ser terreno, o ser da terra, da terra, dessa terra. Isso é lindo. Isso é muito bonito. Pausa. Agora, eu vou dar um pulo. E, se tivesse algum sábio judeu aqui, ele já iria puxar a minha orelha, porque eu vou sair do literário e vou para o último nível, que é o quarto, que é Sod, que é o nível espiritual.
O que os Espíritos dizem quando falam do corpo espiritual? O perispírito, sobretudo André Luiz, diz assim, o nosso verdadeiro corpo físico é o perispírito e ele tem tempo de duração. Ele não é como o Espírito. Ele tem prazo de variedade. Ele envelhece e se acaba. Precisa ser renovado. Ele é o corpo físico. Em que sentido de corpo físico? Ele é o nosso corpo terreno. E o corpo biológico? Veste. O nosso corpo físico mesmo, esse corpo aqui, que dura menos ainda, ele é uma vestimenta desse corpo físico. Ele é uma condensação, é mais uma camada condensada.
Mas, o corpo terreno mesmo é o perispírito. O que os Espíritos dizem? Se for para outro lugar, para outro orbe, o que acontece? Tem que trocar a matéria de formação desse corpo. Por quê? Porque o perispírito dos terrenos, o perispírito dos terrenos, dos adãos, é formado com os fluidos da Terra, específicos da Terra. Não é interessante isto? Então, o Bezerra de Mérida – o doutor Bezerra não está sendo convidado para Marte –, tem que trocar de perispírito, porque o Adão de Marte não é o Adão da Terra, nesse sentido espiritual.
O corpo físico deles, que é o perispírito, são outros elementos, evidentemente, todos decorrentes das infinitas modificações que sofrem o fluido cósmico. É tudo fluido cósmico. Só que o fluido cósmico se modifica, meu amigo, de maneiras infinitas. Então, isto é lindo. Isto passa despercebido. Ou seja, o Adão, porque quem foi criado aqui – aí eu volto para o capítulo 1, então, eu volto para o capítulo 1. Quando vai falar aqui que criou o Adão? Está aqui. Está a mesma coisa. Estou lá na frente. Pulei aqui. Peraí, desculpa.
Vaiomer Elohim e disse Elohim. Não tem o nome, não tem o nome próprio. Só está Elohim, que é deuses no plural. Façamos nascer Adão, dedo salmeno, a nossa imagem, de molde. Façamos o homem de acordo com o nosso molde. Olha que interessante. E, como a nossa semelhança, e que ele domine sobre o peixe do mar, sobre as aves do céu, sobre o animal de toda a terra, sobre todo o rétipo que rasteja sobre a terra e criou o Elohim, o Adão, a imagem dele, a imagem de Deus, ele criou. Macho e fêmea o criou. O terreno. E, aí, quando você vai lá para o capítulo 3, aqui que eu queria chegar, importante, ele vai dizer assim, com o suor do teu rosto comerás o teu pão até o teu retornar, até que você retorne, até o teu regresso para Adamá, para a terra.
Então, está vendo qual é o problema de tradução? Porque a palavra aqui é Adamá, é sempre Adamá. Toda vez que fala de Adamá, a palavra é Adamá, terra. Adam, Adamá. Aí, você pega a tradução, por exemplo, da Bíblia de Jerusalém, aí ele põe solo, argila, terreno. Por que que mudou? Se a palavra é a mesma. Até o teu retornar para Adamá. Por que? Porque tu és a poeira e para a poeira retornarás. Lá, no capítulo 2, um disco foi criado da poeira de Adamá, do pó, a forma, a modelagem, a poeira de Adamá. E, aí, vale uma intervenção nossa aqui.
Os antigos que escreveram este texto aqui, eles não tinham esse vocabulário que a gente tem. Então, você imagina a terra, algo muito concreto, algo muito bruto, a terra. Mas, o homem foi formado da poeira da terra. O que que é a poeira? Lembra o ar. É uma coisa rarefeita, rarefeita. Quando Kardec estava sistematizando o ensino dos Espíritos, dando origem à codificação, também precisava de uma palavra maleável. Precisava de uma palavra maleável. O que que tinha, assim, para a gente usar? De mais maleável? Fluido. Hoje, nós já estamos mais sofisticados.
Nós já estamos bem mais sofisticados. A gente não fala usa whatsapp, telefone, televisão. A gente fala em campo, energia. Então, está bom. Então, nós podemos dizer que o Adão foi criado do fluido da terra, da energia da terra. Voltando para o mesmo tema, da Forma do Adão. Adão, Adama. Ix, que é homem, no sentido de masculino, Ixá, que é feminino. Ix e Ixá, as polaridades. Porque entrou no mundo da forma, tem polaridade. Essa é a regra do mundo das formas. Ajudou isso? Quer dizer, o texto é de uma beleza. É de uma beleza.
Ele está brincando com palavras. O que a gente sente misericórdia, piedade, é quando a criatura pega uma tradução, é quando a criatura pega uma tradução e começa a interpretar a tradução na língua dela ao pé da letra. Porque, se fizesse uma interpretação ao pé da letra do Hebraico, que é o texto original, teria sete anos de perdão. Mas, como a criatura não está pegando nem o texto original, está interpretando ao pé da letra a tradução, aí tem setenta vezes sete de perdão. Porque, aí, a ignorância abundou com vontade.
A gente percebe isso aqui. Então, há o jogo, o terreno. O terreno. O que que isso é? Aí, você vai perguntar assim, mas, nossa, Haroldo, mas este estudo está parecendo ficar procurando cabelo em ovo. Quer dizer, não estou vendo propósito nenhum nisso. Isto aqui está parecendo um Jogo de palavras, uma exibição intelectual. Então, vá lá em Paulo e Paulo vai dizer assim. O primeiro Adão foi feito, feito a uma vivente. O segundo Adão, espírito que dá vida. E, ele vai chamar Jesus, o que a gente chama que é o guia e modelo de o segundo Adão.
E, agora? E, agora? Quem achava que não precisava de Velho Testamento e queimou o Velho Testamento, não vai ter como estudar a Carta de Paulo. Porque, ele não vai saber nem o que é Adão. Você entendeu? Imagina um avô que fala assim, não, para que Velho Testamento? Estuda só o Novo, queimou o Velho Testamento. Então, o filho dele nunca leu. E, o neto vai estudar o Novo Testamento, mas nunca viu. Ele não sabe quem é Adão. É claro que eu estou fazendo uma brincadeira bem irônica, para responder. É preciso estudar o Velho Testamento?
Não sei. O que você vai ler? Paulo? É aconselhável. Então, quando a gente olha o primeiro homem, o homem primordial e, agora, o segundo homem. Essa colocação de Jesus como esse segundo Adão é fundamental para o entendimento de todo o Novo Testamento, de toda a proposta. Os hebreus chamam esse Adão aqui de Adam Kadmon. O Adão primordial. Porque tem algo curioso nesse Adão. Agora, caminhando para o finalzinho dessa primeira incursão no sexto dia, tem algo bastante interessante aqui. Nós percebemos aqui que esse Adão é complexo.
É complexo. Porque, até agora, na criação, está dizendo assim, criou a planta, criou os répteis, criou os animais. Mas, Deus chega para conversar com o réptil, com a planta, para estabelecer um relacionamento, para dar uma ordem. Então, chega para a planta e fala assim, olha, planta, estou determinando para você, não faça isso, faça aquilo. Não existe isso. De tudo o que foi criado, o único, o único, com o qual Deus vai conversar, vai se dirigir a Ele, é o Adão. Então, nós temos algo aqui curioso nesse Adão. Ele parte dele, compartilha com tudo o mais, porque o Adão também tem carne.
O Adão, ele é um, parte do Adão, é irmão dos animais. Partilha do mesmo destino, da dor, da fragilidade, das vicissitudes, de tudo que é próprio do animal. Parte do Adão compartilha com o reino vegetal. Parte do Adão compartilha com tudo o que é mineral. E, nós constatamos isso examinando o nosso corpo. Quer dizer, se faltar potássio no seu corpo, você está perdido. Se faltar o elemento químico, o ferro, você fica com anemia. E, aí, você vai… a quantidade de bactérias, de micro-organismos que tem no nosso corpo, que garantem o bom funcionamento dele.
Então, o Adão é esse rei da criação, mas, é um rei que tem que dominar, tem que ordenar, tem que controlar, mas, ele mesmo é a síntese de toda a criação. Mas, um detalhe, tem uma outra parte desse Adão que é surpreendente. Por quê? Porque uma parte desse Adão, que não é forma, que não tem a ver com Adamar, com terra, é a parte que o faz alma vivente e que o torna imagem e semelhança do Criador. Portanto, Deus, vós sois Deuses. Há uma parte que é criação, que é criatura e há uma parte que é divina e, em função dessa parte divina, ele é o que consegue entrar em relacionamento com Deus.
Ele é o único capaz de relacionar-se com Deus. Relacionar-se com Deus é religião, a verdadeira. A verdadeira religião é o relacionamento com Deus. Mas, aí, serão cenas dos próximos capítulos e a gente já vê que essa segunda temporada vai pegar fogo, vai ser boa, vai ter até assassinato. Hoje, a gente está transmitindo de uma maneira bem inusitada pelo Facebook, e já tem 535 pessoas que estão acompanhando, a gente agradece. Na verdade, a gente faz isso para quem está aqui e para todos que estão acompanhando pela internet e a gente sabe a força que esse veículo tem.
Pessoas no mundo inteiro depois podem assistir, podem acompanhar, contribuir, sugerir, porque este aqui é um estudo que nós estamos construindo, nós estamos fazendo juntos. Então, muito obrigado e quinta-feira que vem, se Deus quiser, no mesmo horário, no mesmo local, a gente vai dar sequência nessa segunda temporada. Não é Games of Thrones, não, mas é uma temporada bem turbinada, turbilionada.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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