Neste 35º episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do livro de Êxodo, focando na simbologia do Tabernáculo. O estudo retoma e expande as reflexões sobre as três divisões do Tabernáculo, que correspondem a diferentes estágios da evolução espiritual e da relação do ser com o divino.
O que é estudado neste episódio
- A simbologia das três partes do Tabernáculo: O estudo explora a correlação entre as três divisões do Tabernáculo (Átrio, Lugar Santo e Santo dos Santos) e os três patamares da escala espírita (Espíritos Imperfeitos, Espíritos Bons e Espíritos Puros), conforme O Livro dos Espíritos.
- Sacrifícios e reencarnação: A área dos sacrifícios no Átrio é interpretada como um símbolo do processo reencarnatório, onde o corpo físico é “sacrificado” em benefício da purificação do espírito, através de provas e expiações.
- O Lugar Santo e a busca por valores: O Lugar Santo, com a mesa dos pães, o candelabro e o incenso, simboliza a busca por valores, princípios e a compreensão da lei divina. As atividades ali realizadas (Avodá Torá) representam o esforço contínuo na prática da lei, mas não são suficientes para a justificação plena.
- O Santo dos Santos e a comunhão com Deus: O Santo dos Santos representa a comunhão plena com Deus, o amor e a caridade, que completam a obra da justiça e da purificação espiritual. A justificação se dá pela confiança e pela entrada nesse nível de comunhão.
- A relação com a evolução dos mundos: As três partes do Tabernáculo também são relacionadas à classificação dos mundos: mundos materiais (primitivos, expiação e prova, regeneração) como o Átrio, mundos ditosos como o Lugar Santo, e mundos celestes como o Santo dos Santos.
- A casa mental e a evolução individual: A estrutura do Tabernáculo é comparada aos três níveis da casa mental: o Santo dos Santos como a fonte dos ideais e do DNA divino; o Lugar Santo como o presente, a luta e o aprendizado; e o Átrio como a herança evolutiva do instinto e da animalidade.
- Provas e expiações: É feita uma distinção clara entre provas (circunstâncias para o progresso intelectual e moral) e expiações (reparação do mal causado, envolvendo arrependimento, reparação e a “troca de lado” para experimentar o mal que se causou).
Reflexões
- A Doutrina Espírita oferece a “chave” para uma interpretação mais profunda e espiritualizada das escrituras antigas, revelando significados que transcendem a literalidade.
- A evolução espiritual é um processo contínuo e gradual, simbolizado pela jornada através das diferentes partes do Tabernáculo, que se manifesta tanto na vida individual quanto na evolução dos mundos.
- A verdadeira justificação e comunhão com Deus não se limitam à observância externa de ritos ou leis, mas exigem a transformação interior, o desenvolvimento do amor e da caridade, e a confiança plena na Divindade.
Ler transcrição do episódio
O mal que habita em mim Reconhece o mal que me tocou O mal que habita em mim Reconhece o mal que me tocou Assim Deus permitiu Para que o mal que habita em mim Reconheça o mal que me tocou E eu possa me curar do mal que habita em mim Para que eu possa enfim brilhar Para que eu possa me alcançar Do eterno bem que habita em mim Porque assim Deus permitiu Para que eu possa enfim brilhar Para que eu possa me alcançar Do eterno bem que habita em mim Porque assim Deus permitiu Eleonora! Boa tarde, amigos. Boa tarde, Haroldo.
Boa tarde, todos os amigos. Há mais uma sexta-feira, Estudo de Êxodo à Luz da Doutrina Espírita. Todos muito bem-vindos. Tudo bem por aí, Haroldo? Boa, Eleonora. Tudo bem, né? Estamos felizes aí, né, com as notícias da recuperação da Sheila, graças a Deus. E aí, preparando já para esse final de ano e início de um novo ano, se Deus quiser, tudo em paz. Muita gratidão, né, por este ano e que nos preparando para esse renascimento, agradecendo a todos que estão participando do nosso grupo de Advento, que a gente está fazendo os preparativos do nosso coração para o renascimento de Jesus.
Vamos dar boa tarde a todos os nossos amigos. Aqui eu tenho a Maria Ramos. Boa tarde, Roberta Mota. A Cléia Mara. A Clarice Gonçalves. Tantos amigos. Haroldo, a gente pode começar com uma pergunta? Claro, Eleonora. Olha só, a Carla Regina colocou aqui bem cedinho. Muito obrigado, Haroldo. Muito obrigado, pessoal do SERA. Acompanho os estudos desde o início. Eles têm sido causa de muita alegria. Aí depois ela perguntou, gostaria de fazer uma pergunta. Gostaria de saber se há alguma fonte na tradição judaica que faça essa interpretação simbólica profunda do tabernáculo, dos sacrifícios de animais.
Como é que os judeus serais interpretam, né? É, eu não acho que tenha, não. Tem sim, naquelas estruturas mais assutis que eles estudam, alguma coisa assim? É, eles estudam… Essa interpretação mais espiritualizada das escrituras é o que os judeus chamam de Kabbalah. A gente chama de Kabbalah, mas a pronúncia correta é Kabbalah. Na Kabbalah eles trabalham alguns desses elementos e tem algumas coisas interessantes. Mas não chega nesse ponto por quê? Como diz Kardec na introdução do Evangelho segundo o Espiritismo, porque falta a chave.
Essa chave está completa no Espiritismo, como muitos já compreenderam e como todos poderão compreender futuramente. É isso que Kardec diz, né? Essa chave clara da evolução dos Espíritos, das etapas de evolução dos mundos, da lei de causa e efeito, da reencarnação, isso não tem… Dessa maneira estruturada, completa, não tem lugar nenhum. Não tem lugar nenhum. Por isso que a gente diz aqui, nós estamos estudando o Êxodo à luz da doutrina espírita, embora a gente utilize todas as outras contribuições, todas as outras percepções, né?
Mas, tem coisas que só à luz da doutrina espírita, para que a gente levante o véu. Deixa eu correr aqui a lista. Muitos amigos dando boa tarde, Daniele Batista, Márcia Maria Reis, Andréia, Gustavo. O Gustavo pergunta assim, e sobre todas aquelas medidas, a tenda do Senhor, cheia de detalhes, são também símbolos os vestimentos? São símbolos, são símbolos profundos, né? Alguns ali tem a ver com o tempo, alguns ali tem a ver com profecias acerca da vinda de Jesus, tem muita simbologia ali naquelas datas. Essas medidas todas, elas remetem a ciclos evolutivos, ciclos de desenvolvimento, especialmente da Terra.
Mas, aí é um nível de detalhe que foge do nosso objetivo aqui. O nosso objetivo aqui é um sobrevoo, que a gente consiga entender os aspectos gerais do livro, e aí depois a gente poder ler com mais tranquilidade, né? Com mais detalhe. Muito bom. A Amira, a última pergunta, antes da gente começar, né? A Amira perguntou o que você acha do livro A História dos Hebreus, do Flávio Josefo. É, um historiador contou o que ele presenciou, da perspectiva dele, com a subjetividade dele. Então, a gente tem que ler, né? Porque tem muita coisa importante ali que ele registrou.
Mas, é claro, tem que ter o bom senso, examinar, passar por escrutínio, como toda obra, né? Mas, é uma das grandes obras históricas do período. Muito bem. Então, dando boa tarde a todos os amigos, vamos dar início ao nosso estudo, lembrando que estamos na terceira parte da divisão que nós fizemos, né? Exato. Então, estamos na parte da comunhão, estamos falando sobre o tabernáculo, conversamos um pouco há 15 dias atrás, semana passada não tivemos estudo, e essa semana a gente vai seguir as reflexões, né, Haroldo? O que é que temos para hoje?
Exato. Bom, então, nós estamos, aos poucos, abordando aqueles aspectos gerais do tabernáculo e sempre, sempre, lembrando que é como se fossem camadas, igual em geologia. Eu olho uma rocha, ela tem várias camadas, eu consigo perceber, até muda a cor, né? Vários níveis, e a gente começou a falar um pouquinho, por que três? Por que três? Três níveis. E, aí, a gente percebe uma clara ressonância com os três patamares da escala espírita. Questão 100 e seguintes de O Livro dos Espíritos. Nitidamente consegue ver isso. O primeiro local onde é feito os sacrifícios, os espíritos imperfeitos.
Depois, o segundo nível, os espíritos bons, que é o lugar santo. E, O primeiro degrau da escala, os espíritos puros, o santo dos santos. Porque o que nós temos, o que nós temos nessa escala espírita? Uma progressão de pureza espiritual. Quanto mais avança o espírito, menos material, quanto menos material, mais em contato com a divindade. Mais próximo, do ponto de vista de intensidade, e mais sofisticada, é a comunhão com Deus. Esse é um símbolo. Interessante, não é? Então, a gente consegue perceber isso nítido, nítido.
Da mesma maneira, a classificação dos mundos. Mundo primitivo, expiação e prova, regeneração, é o lugar dos sacrifícios. São mundos materiais. Lugar santo, os mundos ditosos. Já não há encarnações materiais em corpos tão densos quanto os nossos. É o caso dos outros planetas do nosso sistema solar. Já não tem encarnação em corpos biológicos tão densos quanto o nosso. É o lugar santo. E, os mundos celestes, morada dos espíritos puros, que não mais encarnam, vivem apenas a vida espiritual e, portanto, estão em plena comunhão com Deus.
É uma outra simbologia. E nós temos também, e é aí que nos interessa, a nossa evolução, o nosso momento evolutivo. Então, nós temos esse processo reencarnatório em que, em cada nova existência, eu tomo um corpo que irá nascer e morrer, olha isso, então, ele vai ser sacrificado. Aquele corpo físico que eu utilizo para uma determinada existência, ele será submetido a provas, expiações, obstáculos, trabalhos, lutas, e esse conjunto de sacrifício vai desgastá-lo a ponto daquele corpo morrer. O corpo físico morre. Ele é sacrificado em benefício da purificação do espírito que dirige aquele corpo.
Olha, então, essa é a dinâmica da reencarnação. Então, todo esse sistema de sacrifícios de animais, no primeiro, no átrio ali, onde está a bacia, onde são feitos os sacrifícios, tudo aquilo é um símbolo do processo de reencarnação, do processo de depuração, do processo de desmaterialização do espírito. No lugar santo, eu tenho a vontade, o esforço, a busca por valores, princípios, ideais, a compreensão da lei, a fidelidade. É tanto, Leonora, que é, no lugar santo, o que havia no lugar santo? A mesa da proposição, com os pães, o candelabro e o incenso.
E é essa parte, também, junto com os sacrifícios, junto com os sacrifícios, os pães tinham que ser trocados diariamente, o incenso tinha que ser trocado diariamente, porque ele não podia nunca apagar, o candelabro tinha que ser aceso permanentemente, porque ele nunca podia apagar. Somando essas atividades do lugar santo com as atividades dos sacrifícios, nós temos as obras da lei, que os hebreus chamam de Avodá Torá, o serviço da Torá, que é um serviço de servo, a servidão da Torá, porque aquilo tem que ser feito permanentemente, é Avodá Torá.
Mas, o que o Paulo vai dizer? Que Avodá Torá não torna justo o Espírito. O justo, está lá no Livro dos Espíritos, o que é o verdadeiro justo? Aquele que cumpre a lei de justiça, amor e caridade. Então, não basta eu ficar só no atrio, no lugar santo, cumprindo o Avodá Torá, eu preciso entrar no Santo dos Santos, que é a comunhão plena com Deus, com o seu amor, com a sua caridade, para que eu possa completar a obra da justiça, a obra da purificação espiritual. E, aí, o tema do Santo dos Santos é comunhão. Por quê? Comunhão implica em confiança.
Sem confiança não há comunhão. Confiar, fiar com, operar com, esse é o elemento chave da confiança. Então, a justificação se dá pela confiança, pela entrada no Santo dos Santos. Bom, aqui eu abri demais, não é? E, por fim, nós podemos pensar na estrutura, o pessoal está até lembrando aí, a estrutura da casa mental, os três níveis da casa mental. O Santo dos Santos seria a fonte dos ideais, do futuro, dos potenciais, do DNA divino que eu preciso desenvolver e concretizar. O lugar santo é o agora, o presente, a luta, o esforço, o aprendizado, a disciplina, a fidelidade.
E o ato dos sacrifícios é a minha herança evolutiva do instinto, da animalidade, que é tudo o que eu vivi enquanto eu estagiei nos mundos primitivos. A minha herança dos mundos primitivos e também dos mundos de provas, de expiações e provas. Veja que é um símbolo profundo, não é? É um símbolo profundo, profundo. Mas, acho que eu trouxe muita coisa, não é, Leonor? Vamos ouvir o pessoal aí, ver se alguém tem alguma dúvida, porque… Não, eu acho que a gente está meio que retomando o estudo passado, essas três partes, essas divisões.
Agora, quando falou da relação com o cérebro, que Clarencio fala no Mundo é Maior, aí eu acho que fica mais complexo, não é? É, fica mais. Olha, o que o pessoal está perguntando? Então, a Maria perguntou sobre a questão do Mundo Maior, que já foi respondido. O Maurício está perguntando se os vários mundos seguem a mesma sequência do tabernáculo? Primeira parte, primitivos, de expiação e provas de regeneração. Segunda parte, mundos ditosos. Terceira parte, mundos angélicos. Eu acho que parte, ele quer dizer escala evolutiva, não é?
Isso, exatamente, Maurício. Então, você poderia dizer assim, primeira parte, mundos materiais. Segunda parte, mundos ditosos. Terceira parte, mundos celestes. Não angélicos, tá? André Luiz… Kardec usa a expressão mundos celestes. Celestes. Morada dos espíritos puros, dos espíritos completamente desmaterializados, dos espíritos que não possuem mais imperfeições impurezas morais. Já venceram o egoísmo e o orgulho. Então, mundos celestes, mundos ditosos, mundos materiais. Os mundos materiais, nós temos primitivos, expiação e provas, regeneradores, porque o mundo de regeneração é ainda um mundo material.
Nos mundos ditosos, não há mais essa matéria densa que nós temos aqui. É uma matéria que nós não conseguimos mais enxergar. Por isso que a gente acha que os outros planetas do Sistema Solar não são habitados. Não são habitados como a Terra. Porque não tem mais essa matéria que nós temos aqui, é outra matéria. Em estado de vibração. Com esses olhos que nós vamos ver. O Maurício seguiu fazendo uma pergunta que era a mesma que eu tinha feito também aqui na minha cabecinha. Ele perguntou assim, posso afirmar que somente estarei vivenciando a segunda parte do meu tabernáculo quando reencarnar no mundo ditoso ou eu encarnada aqui, eu posso acessar o lugar santo, a comunhão?
Mesmo que eu não more lá, mas às vezes, será que a gente dá uma acessadinha? E veja, o tabernáculo, ele começa a ser construído quando o espírito entra na razão. Quando ele se torna homo sapiens, quando ele é banhado com a razão, quando ele começa a raciocinar e a usá-lo livre-arbítrio, ele já está construindo o tabernáculo. Construindo! O tabernáculo vai ficando pronto, no mundo ditoso ele está quase pronto, no mundo celeste ele está prontinho. Mas, nós aqui já estamos construindo as três partes do tabernáculo. Nós já estamos construindo.
Falta muito ainda para a obra se completar. Mas, nós já estamos com os três elementos do tabernáculo em funcionamento. Funcionamento ainda limitado, ainda muito singelo, mas já está funcionando. Então, nós temos por quê? Lá pergunta os espíritos, veem a Deus? Os puros, sim, o veem e o compreendem, os imperfeitos, o sentem e o adivinham. Não compreendem ainda, ficam especulando, tentando compreender, tentando, inferindo, fazendo inferências, especulações, mas são capazes de sentir. Então, Deus está presente em nossa consciência, agora.
E eu posso treinar esse meu contato com Deus, posso, através da prática do exercício da oração e da meditação. Para que eu consiga acerenar minha mente. É a mesma coisa, um lago agitado não reflete a lua e o céu estrelado. Um lago sereno reflete a lua e as estrelas. Essa é a lógica. Muito bom. Você falou que o pessoal podia perguntar e a gente agora está cheio de perguntas. Isso que é ótimo, isso é bom, porque a gente vai sedimentando o conhecimento. Senão… Vamos lá, então. Então, o João Caldas pergunta se, no nosso sistema solar, o único planeta de expiação e provas é o planeta Terra?
É o único. É o único. Não pode ter mais de um no mesmo sistema. Vocês imaginem a perturbação que nós estamos criando no nosso planeta. Se tivesse outro, ia ser dois planetas perturbando o equilíbrio. Não tem jeito. Não pode. A Maria Francisca pergunta se é possível uma única pessoa passar essas três fases em uma única vida? Impossível. Sem chance. É muito conhecimento e muito desenvolvimento do sentimento. E, você tem que viver milhares de experiências. Não tem como. Uma só vida. Kardec explica isso quando fala da pluralidade das existências.
E, os Espíritos são categóricos. Uma vida é insuficiente. É insuficiente. Mal, mal dá para… Mal, mal dá para a gente aprender uma coisa, que dirá todas. O Lucas Dantas, acho que ele já perguntou duas vezes. Essa divisão do tabernáculo também é uma figura para os três estados do Espírito encarnado, errante e bem-aventurado? Não, porque o Espírito errante é um Espírito imperfeito. Ele é errante exatamente porque ele é imperfeito e precisa encarnar. Aí, não tem jeito. O Espírito errante está ainda no atro do tabernáculo.
A diferença é que ele não tem corpo, temporariamente, corpo físico. E, aí, ele precisa voltar. Tem mais a ver com a escala espírita que a gente estava conversando. Com a escala espírita, sim. Aí, sim. Aí, o Maurício perguntou-se, o nosso corpo é o nosso tabernáculo. Começamos somente a vivenciar nosso tabernáculo na condição de homídeo? É, vamos lá. Quando a gente fala do corpo é o tabernáculo, nós não estamos nos referindo apenas ao corpo físico, mas ao conjunto de corpos do Espírito. Enquanto nós não atingimos a fase hominídea, nós estamos, até chegar à fase hominídea, nós estamos construindo.
É o que André Luiz nos ensina no livro Evolução em Dois Mundos. O princípio inteligente está construindo o perispírito. Quando ele atinge a fase hominídea, o perispírito está construído, ele tem condição de um corpo humano, e, aí, ele começa a exercer livre abítrio e a adquirir a luz da razão. Até lá, ele está construindo. Mas, é uma evolução também, não é? É uma evolução, só que falta consciência, consciência de si mesmo, consciência de Deus, consciência das leis divinas, consciência do universo. Não tem, não é? Por que não tem?
Porque não tem pensamento contínuo. O pensamento é fragmentado. Daí a dificuldade. É uma construção também, não é? A Maria Inês fez uma pergunta, mas não sei se nós entendemos. A tensão do mundo celeste existe para todos e cada um está à sua procura? Não entendi. Também não entendi. Maria Celeste, se quiser… Maria Inês, Maria Inês, se quiser formular a pergunta… Maria Inês, vamos lá. Deus criou o universo. Deus criou o universo. No universo nós temos mundos celestes, mundos ditosos, mundos materiais. Os mundos celestes são os mundos materiais que evoluíram, progrediram até chegar lá.
Correto? Esses são os mundos. Quem mora nesses mundos? Quem evoluiu e chegou ao nível de poder morar nesses mundos? É simples assim. Então, qual é a nossa evolução moral? A nossa evolução moral é evolução moral de mundo material, de mundo de expiação imprópria. Por isso que a gente mora aqui na Terra. O dia que você se tornar um espírito puro, você vai mudar de habitação, você não vai morar mais aqui. Você vai morar num mundo celeste. Muito bem, agora eu acho que todos estão… estamos todos conversando sobre o mesmo assunto, então, né?
Isso. Sobre o templo. Chamou atenção no lugar santo, né? A mesa dos pães, a gente fica pensando nesse pão espiritual que nos alimenta, que alimenta os outros. A questão das luzes, né? De acender as luzes também. Esses ofícios todos, que eu acho que é uma preparação pra gente entrar também, né? Nesse novo estado, assim, de bons espíritos, né? Exatamente. Oi, Eleonora. Tem mais? Não, eu… Deu uma travadinha aqui pra mim? Eu perdi o… Eu fiquei pensando esses ofícios, os símbolos, pra nossa evolução, pra gente conversar um pouco sobre isso.
Veja, né, Eleonora? São símbolos de alimento, de luz, do incenso, que é aquela… algo que perfuma e que sobe, né? Que não é tão material. Então, a gente vê que, ali no lugar santo, a gente tá entre o espiritual e o material, né? Como se fosse o semimaterial. Ali a gente tá começando já a depurar, a sutilizar. E aí, os grandes símbolos do pão, do alimento do pão espiritual, da luz espiritual, né? Isso é interessante, né? Bom, tem uma pergunta aqui, a Maria Cláudia, acho que é Maria Cláudia, tá perguntando, Aron, e se eu não quiser ir para os mundos celestes?
Maria, você pode ficar no mundo de expiação e prova quanto tempo você quiser. Isso se chama estacionar. Pode ficar quanto tempo você quiser. Um milhão de anos, dois milhões, cem milhões de anos, pode ficar. Só tem um detalhe. Quanto mais experiência você for vivendo, mais você vai adquirindo sensibilidade intelectual e moral. Aí chega uma hora que você não dá conta. Chega uma hora que você não dá conta. A gente lembra, é do Bezerra, né? Que foi convidado para ir para outros mundos e mais ou menos assim, enquanto todos os meus irmãos não forem comigo, né?
A família espiritual dele, os laços dele. Isso, porque aí tem os vínculos afetivos, né, Leonor? E o espírito prefere esperar um pouquinho, né? Prefere esperar um pouquinho. Vamos seguir então nas perguntas. O João Pedro perguntou se o espírito necessariamente acompanha a evolução do globo. Exemplo, Paulo de Tarso vai continuar encarnando aqui até a Terra virar um mundo celeste? De jeito nenhum, né? Eleonora acabou de lembrar aí do Dr. Bezerra, que já foi convidado para ir para o mundo ditoso. Lembrando, né, gente, que quando a gente fala assim mundo ditoso, você tem vários níveis, né?
Não é todo mundo ditoso é igual, né? Tem mundo ditoso que acabou de virar mundo ditoso. Tem mundo ditoso que é mundo ditoso há milhões de anos. E lembrando também que nem todos os habitantes de um mundo tem o mesmo nível, né? Então, você vai para o mundo ditoso, tem espírito no mundo ditoso que já é espírito puro. Tem outros que estão lá fazendo intercâmbio. E tem o cidadão médio que já é o habitante daquele mundo. Então, tem uma gradação igual aqui na Terra. Você tem seres ainda que vivem como nos mundos primitivos.
E você já tem espírito aqui que já está em um nível muito avançado. Então, há sempre uma gradação, né? Mas, o espírito não acompanha. Ou o espírito tem sua evolução. Uma coisa é certa, você sempre vai estar em um mundo adequado ao seu grau de evolução. A menos que você esteja em missão. Aí é outra história. Aí é outra história. Em missão, um espírito vem, ele deixa a habitação, deixa o lar dele e vem para outro orbe desempenhar uma missão. Aí é outra história, né? Outra história. Eu acho que é a pergunta da Maria Inês, né?
Ela perguntou assim, se a mente pode irradiar como o Sol, poderei um dia entrar em contato com outros mundos para auxiliar? Sim, com certeza, Maria Inês. Só que aí, Maria Inês, de mundo ditoso e mundo celeste nós não sabemos nada, Maria Inês. Nós não temos condições ainda. É como se você pegasse criancinhas de dois aninhos de idade e começasse a dar aula de Biologia e Física do terceiro ano do ensino médio. Não tem jeito. Nós não temos cognição para entender isso ainda. Por isso que os espíritos nem falam. Nós não temos elemento de comparação.
Sabemos nada. Nada. Nada. E eu acho tão bonito o que Kardec colocou lá na descrição dos espíritos de primeira classe. Eu até abri aqui. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus cujas ordens executam para a manutenção da harmonia. Mas aí ele fala assim, assistir aos homens nas suas aflições, consitá-los ao bem ou à expiação das faltas que o conservam distanciados da suprema felicidade constitui para eles ocupação gratíssima. Isso. Esse é o trabalho dos espíritos puros. Esse é o trabalho deles, além de outras atividades que eles fazem no mundo deles, que eles também estão em permanente evolução.
Mas o grande trabalho deles é esse, ajudar-nos. Porque há uma lei de solidariedade ligando todos os mundos. Importante a gente entender isso. Não tem nenhum mundo abandonado, não há nenhum barco à deriva. Todos os mundos estão abarcados pela misericórdia, pela bondade de Deus, e os mundos são solidários. Os irmãos mais velhos sempre cuidando dos irmãos mais novos. Essa é uma lei divina. Nós temos uma pergunta aqui de um espírito em missão, Haroldo, que escreveu aqui no chat. Júlio Corrade, olha aqui. Olha eu aqui com vocês.
O reino de Deus está dentro de nós. Estou aqui pensando. Espíritos puros precisam morar em algum lugar? Não deixa de ser um mundo material onde ele habita? Exatamente, Júlio. A gente fala morar porque a gente não compreende. O Kardec chega a perguntar isso. Os espíritos puros, nos mundos celestes, eles estão presos àquele mundo? Não. Eles têm um grau de liberdade que a gente nem compreende. Ali é um ponto de referência para eles. Um ponto de referência, como se fosse o lar. Você sai de casa, trabalha, e aí volta para casa para descansar.
Mas eles, por serem espíritos puros, não estão presos como nós estamos presos ao mundo. Sem mobilidade. Por que a gente não tem mobilidade? Preso desse jeito, a gente já causa uma confusão danada. Imagina se não tivesse limite para a nossa mobilidade. Nós multiplicaríamos nossos débitos por mil. Muito bem. Nós temos outras perguntas aqui, mas foge ao tema que nós estamos conversando hoje, que é o tabernáculo, que é essa questão do número três, essa questão de evolução espiritual. Então agora acho que fizemos todas as perguntas.
O Pedro Luiz, cristão sem sofrimento é só um candidato? Oi? Cristão sem sofrimento é só um candidato? Um candidato a se melhorar, será, Pedro? Olha, assim, será que tem encarnado sem sofrimento, terá? As vicissitudes, né? As manipulações. Será que tem algum encarnado sem sofrimento, hein? Pode ter encarnado sem percepção. Porque, vamos lá, encarnou, você vai desencarnar. Encarnou, você vai envelhecer. Encarnou, você vai adoecer. A própria natureza do mundo material é a mutabilidade. Essa mutabilidade causa sofrimento.
Porque, se você encarnou, pessoas que você ama vão desencarnar. Olha aí. E tem um aspecto, que é o que Kardec escreve no livro O Céu e o Inferno, Código Penal da Vida Futura. Ele diz assim, para cada imperfeição, um sofrimento. Você já imaginou o quanto a gente sofre por ser orgulhoso? O quanto a gente sofre por ser egoísta? Então, é o seguinte, se está encarnado, está mergulhado na dor e no sofrimento. O ser cristão ou não ser cristão não é isso que vai resolver. Declarar-se ou não cristão, isso aí não faz diferença nenhuma.
O que faz diferença é se a pessoa está vivendo os princípios do Cristo. Isso aí tem impacto. Agora, ela se declarar cristão ou não cristão, isso é irrelevante. Irrelevante. Muito bom, e já que a gente falou sobre o sofrimento, sobre as tripulações, o Vitor acabou de fazer uma pergunta, Vitor Maciel, sobre o estudo passado. Como passar por uma expiação sem alimentar o sentimento de culpa pelos erros cometidos no passado? Como passar pelo sacrifício sem encará-lo como uma tragédia? Meu amigo, isso aí é o… É o que a gente chama de processo de renovação mental.
Renovação da mente. Quando a doutrina espírita nos traz uma série de ensinamentos, na verdade, os ensinamentos dos Espíritos, por que eles estão nos ensinando? Para que a gente possa mudar a mentalidade, mudar nossa maneira de pensar, de enxergar, nossa maneira de lidar com tudo. Sem essa mudança de pensamento, fica difícil mesmo lidar com a expiação, com as provas, com os revezes, com os obstáculos da vida. Então, nós temos mesmo esse desafio incessante de ampliação da nossa mente. Por isso que o Kardec diz, nos ensina a fé raciocinada.
Fé raciocinada significa que eu sempre tenho que ampliar a minha mente, eu sempre tenho que procurar enxergar de uma maneira mais ampla. Paralelo a isso, ampliação da mente, existe um trabalho de aperfeiçoamento dos sentimentos. Como que a gente aperfeiçoa os sentimentos? Resignação, paciência, tolerância, resiliência. Essa é a educação dos sentimentos. É por isso que os Espíritos dizem numa mensagem que está no Evangelho segundo o Espiritismo Bem-aventurados os aflitos. A mensagem se chama Obediência e Resignação.
E, aí, os Espíritos dizem assim Obediência é o consentimento da razão. Resignação é o consentimento do sentimento. Então, veja, eu tenho que trabalhar a razão e o sentimento para que eu possa adquirir obediência e resignação. Muito bom. Eu lembrei disso mesmo. Bem-aventurados os aflitos é como passar bem pela aflição, não é? Muito boa essa resposta. Vamos ver. O pessoal concordando, né? Aceitar, ressignificar, confiar. A última pergunta que eu tenho aqui aparecendo para mim é da Sandra. Se pode explicar melhor a prova, a expiação à imposta, quando a gente fala em provas e expiações, né?
Isso. Sandra, provas, provas, são circunstâncias e pessoas que a inteligência divina permite que estejam em nossa vida para avaliar nosso progresso intelectual e moral. Isso são provas. O Espírito precisa desenvolver a asa da sabedoria e o Espírito precisa desenvolver a asa do amor. Como que você desenvolve amor e sabedoria a não ser em situações que você tem que colocar em prática e exercitar? Não é? Então, o corredor, o corredor precisa de pista de corrida, tênis. O ciclista precisa de bicicleta. O Espírito precisa de situações, situações que testem, que aperfeiçoem suas habilidades e seus potenciais.
Isso são as provas. Isso são as provas. Por isso, Emmanuel nos diz vencido um problema, espere outro. Outra não é a função da escola. Então, a terra é uma escola. Ela sempre vai te apresentar problemas para que você cresça com eles, para que você resolva. E expiação é outra coisa. Expiação é quando você gerou o mal, quando você prejudicou, quando você causou dor. Nesse caso, você está sujeito ao Código Penal Celeste. E o que diz o Código Penal Celeste? Quem causa o mal tem que reparar o mal causado. Isso é expiação.
Então, na expiação, vai acontecer três coisas. Arrependimento, reparação e expiação. Expiação, estrito o senso. Nossa, Haroldo, que coisa confusa. Está lá no céu e no inferno. Então, vamos explicar. O que é arrependimento? O arrependimento é uma percepção psicológica e espiritual de que eu errei. Porque enquanto eu não tiver essa percepção, eu vou continuar praticando o mal indefinidamente. E vou reparar, reparar, reparar, reparar, reparar e vou ficar num ciclo vicioso. Quando eu arrependo, eu percebi que eu causei o mal.
Eu me dei conta de que eu não quero mais fazer isso. Então, é um processo interior. Rep… Deu uma cortadinha. Voltou? Voltou só o som, agora voltou. Voltou. Expiação é um processo objetivo. Reparação é um processo objetivo. Você tirou, você vai ter que devolver. O mal que você causou, você vai ter que sanear aquele mal. E o que é expiação? Expiação é troca de lado. Expiação é troca de lado. Hoje você está batendo, amanhã você vai apanhar. Falando assim grosseiramente. Usando até uma expressão do Chico, né? O Chico estava andando com o Arnaldo, de braço dado, o Arnaldo começou a contar umas coisas, ele estava muito triste, o que estava acontecendo, o Chico ouviu carinhosamente, depois virou para o Arnaldo e falou assim…
O Arnaldo, eu estou tão feliz. Feliz, Chico? É, porque agora você está só apanhando. Então, expiação é quando eu troco de lado. Por quê? Por quê? Porque eu só percebo o mal que eu causo quando eu experimento esse mal. Perceber? A cobra, a víbora, só vai ter noção do veneno dela quando o veneno dela a atingir. Então, é aí que a gente percebe as inversões. Hoje você está numa situação que você usa para praticar o mal, depois você vai estar do outro lado da moeda. Para que você cresça, para que você veja. Nossa, eu não vou fazer isso.
Não é? Não vou fazer isso. Isso é expiação. Então, nós temos esses três processos da expiação lato senso. Por isso que a expiação é uma experiência muito complexa e dolorosa. Complexa e dolorosa. O Júlio está lembrando a música do início do episódio. É isso. Eu ia até falar. O mal que há em mim reconhece o mal que toca em mim. Não é isso? É isso, Júlio? O sentido é esse. Eu entendi assim. Eu não sei bem… O mal que há em mim reconhece o mal que me tocou. É isso. É essa troca de posição. Muito bem. Tivemos agora várias perguntas no finalzinho.
A gente pede desculpas. Não vamos conseguir responder todas. Você quer dar uma olhadinha, Arouldo? Qual você acha que fecha bem nosso episódio de hoje? Tem boa. É para a gente fechar. O Maurício está perguntando. Arouldo, mas isso que você falou sobre expiação acaba se tornando a lei de Italião. Sim. Sim. Os espíritos que ainda estão embrutecidos e endurecidos vigoram a lei de Italião. Não é? Porque a lei de Italião só vai perdendo a sua força quando surge o amor que cobre a multidão dos pecados. Por quê? Porque aí eu expio com renúncia, sacrifício, dedicação, entrega, porque o amor também dói.
Esse amor que cobre a multidão de pecado é um amor que dói. É o amor renúncia. Amor renúncia. Olha a vida da Alcione. É o amor sacrifício. Não é o amor Hollywood. Eu te amo. Ai, eu te amo. Eu amo a humanidade. E todos os meus erros agora foram expiados. Não é fantasioso assim. Não é? Muito bom. Ai, tem tanta pergunta boa também. É. Aí chegamos… Semana que vem, né, Leonor? A gente continua aí. Vamos seguir falando sobre o tabernáculo, né? Sobre o tabernáculo. Então, nós vamos… Tem muita coisa nesse tabernáculo. Muita coisa.
Muita coisa. Então, muito bom. Obrigada a todos que fizeram essas perguntas. Acho que representou a pergunta de vários espectadores que estão assistindo agora e que vão assistir depois esse episódio, esse estudo. Lembrando que hoje é o estudo 35 de Êxodo à Luz, da Doutrina Espírita. Há 35 semanas, né, Haroldo? Falando sobre esse livro do Antigo Testamento. Agradecemos a presença de todos. Semana que vem, esperamos que o Júlio esteja conosco, com a Sheila, com muita saúde, né? Isso, isso. Já emanamos todos essa vibração de muita saúde, de muito refazimento.
Estou vendo que o Júlio colocou aqui a letra da música. Ah, que lindo! Pois é, Júlio. Júlio, depois me manda aí pelo zap. Essa letra é maravilhosa. Compartilha aqui depois pelo zap com a gente. Né, Leonor? Isso aí, cobramos. Mas é que ele está guardando essas músicas que eles estão compondo. Eu acho que vai ter alguma coisa muito linda aí, né? Para lançar todas elas. Eles estão fazendo, comportam um pouquinho para nós e ninguém está com acesso ainda a esses vídeos, a essas músicas. Acho que depois dessa pandemia, se Deus quiser, a gente vai ter um litro, algum lançamento dessas músicas tão bonitas.
Exatamente, Leonor. Gente, muito obrigada. Obrigada, Haroldo, por mais essa semana. Até semana que vem. Até semana que vem. Abraço! Deus permitiu Para que o mal que habita em mim Reconheça o mal que me tocou E eu possa me curar Do mal que habita em mim Para que eu possa enfim brilhar Para que eu possa me alcançar Do eterno bem que habita em mim Porque assim Deus permitiu Para que eu possa enfim brilhar Para que eu possa me alcançar Do eterno bem que habita em mim Porque assim Deus permitiu
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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