#078 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Bem-vindos à quarta temporada do estudo do livro Gênesis, de Moisés, à luz da Doutrina Espírita, conduzido por Haroldo Dutra Dias. Neste episódio, iniciamos a análise da narrativa do Dilúvio e da Arca de Noé, sob uma perspectiva espiritual e não literal, conforme os ensinamentos do Espiritismo.

O que é estudado neste episódio

  • Abordagem não literal do texto bíblico: Haroldo Dutra Dias reitera que o estudo do Gênesis não adota uma leitura literal, mas sim uma abordagem espiritual que considera os aspectos literários, históricos e contextuais da produção e recepção do texto.
  • O Espiritismo como “chave” para a Bíblia: É enfatizado que o Espiritismo, como ciência espiritual, oferece os princípios básicos para a compreensão dos textos bíblicos, conforme ensinado por Allan Kardec em “O Evangelho segundo o Espiritismo” e “A Gênese”.
  • Temas básicos do Velho Testamento: A Bíblia, especialmente o Velho Testamento, é vista como uma coletânea de textos que desenvolvem temas básicos. Esses temas são retomados e pressupostos no Novo Testamento, evidenciando a intertextualidade e a continuidade da narrativa bíblica.
  • O Dilúvio como tema central: O Dilúvio é apresentado como um tema bíblico de grande importância, que ressurge em conceitos como transição planetária e mundo de regeneração.
  • Deus Uno e Único: A unidade de Deus confere unidade à criação, que, apesar de sua infinita diversidade, possui um plano e propósitos unificados.
  • Transcendência e Imanência de Deus: Deus é imaterial e incorpóreo, transcendendo a criação, mas também imanente e atuante nela, presente em todos os detalhes através do fluido cósmico universal.
  • Providência Divina: Deus governa e coordena o mundo e a evolução humana, enviando missionários e agindo através de suas leis, como explicitado por Kardec em “A Gênese”.
  • Livre-arbítrio limitado: O livre-arbítrio humano é limitado pelas leis divinas, mas permite escolhas, inclusive as que geram sofrimento. Deus, porém, sempre oferece orientação e amparo, e cada escolha acarreta suas consequências.
  • Rompimento e Reconciliação com Deus: O Dilúvio simboliza o afastamento da humanidade de Deus. A reconciliação, tema abordado por Paulo na Segunda Carta aos Coríntios (capítulo 5), é apresentada como um caminho de retorno ao Criador, tendo Jesus Cristo como mediador.
  • Natureza simbólica do Dilúvio: O relato do Dilúvio é uma parábola construída sobre um fato histórico, com elementos metafóricos e simbólicos, que ilustra as consequências do rompimento da humanidade com as leis divinas.
  • A Queda de Adão e Eva: Esta parábola representa a rejeição da proposta divina de evolução espiritual, em que o ser humano seria imagem e semelhança de Deus. Em vez disso, a humanidade preferiu a “proposta da serpente”, colocando o homem e suas instituições no centro, excluindo Deus.

Reflexões

  • A leitura do Velho Testamento, à luz do Espiritismo, revela que as narrativas bíblicas, como a do Dilúvio, são ricas em simbolismo e ensinamentos morais, indo além da interpretação literal para desvendar verdades espirituais profundas sobre a providência divina e a evolução humana.
  • A compreensão da providência divina e do livre-arbítrio limitado nos permite entender que Deus, como Pai amoroso e sábio, governa o universo e a nossa evolução, permitindo nossas escolhas, mas sempre nos conduzindo ao progresso através das consequências e da misericórdia.
  • O tema do rompimento da humanidade com Deus e a necessidade de reconciliação, simbolizados no Dilúvio e na parábola de Adão e Eva, ressaltam a importância de reavaliarmos nossas escolhas e buscarmos a harmonia com as leis divinas para o nosso próprio bem e evolução.

Ler transcrição do episódio

A luz da doutrina espírita Olá, amigos. Bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. Aliás, bem-vindo a nova temporada, a quarta temporada, que se inicia com o episódio de hoje. E, eu começo lendo um poema de Augusto dos Anjos, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, intitulado Raça Adâmica. A civilização traz o gravame da origem remotíssima dos áreas, estirpe das escórias planetárias, segregadas num mundo amargo e infame. Árvore genealógica de párias, face mister que o cárcere a conclame para a reparação e para o exame dos seus crimes nas quedas milenárias.

Foi essa raça podre de miséria que fez nascer na carne deletéria a esperança nos céus inesquecidos. Glorificando o instinto e a inteligência, fez da terra o brilhante grau da ciência, mas um mundo de deuses decaídos. Esse poema está nessa coletânea Número Infinito, editada pelo Ser, que reúne toda a obra de Augusto dos Anjos, psicografada por Chico Xavier, e mais poemas, quando Augusto dos Anjos produziu Encarnado, com as músicas feitas, orquestradas e executadas pelo nosso amigo Zé Henrique Martiniano de Araraquapita.

Uma obra que a gente indica, maravilhosa, para quem quer acessar o conteúdo de Augusto dos Anjos e retrata essa temporada do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés à luz da Doutrina Espírita. É Gênesis de Moisés à luz de A Gênese de Kardec. Bom, nós ingressamos nessa nova temporada no estudo de Noé, da Arca de Noé e do Dilúvio. Para tanto, a gente precisa retomar aqui, algumas coisas que a gente vem falando sempre, sempre, sempre, mas, como todo estudo, a repetição é a mãe do aprendizado. A gente precisa voltar, repetir, sedimentar, sedimentar, para que possamos fixar o conteúdo com segurança.

O primeiro ponto que a gente gostaria de retomar, já deu para perceber, desde a primeira temporada, desde o primeiro episódio do estudo do livro Gênesis, que nós não fazemos uma leitura literal do texto. Então, se alguém aqui, está chegando agora, aí abrindo a quarta temporada, imaginando que nós vamos falar de que existiu, verdadeiramente, um Dilúvio e uma Arca de Noé, e que essa Arca está escondida, e que o Indiana Jones vai encontrar madeiras dessa Arca, eu sinto muito. Mas, não é essa a nossa abordagem. A nossa abordagem toma como fundamento aqueles pontos essenciais do Espiritismo, do Consolador Prometido, para que o intérprete, munido desses pontos principais, ou desses princípios básicos do Espiritismo, possa ler o texto numa abordagem espiritual, sem desprezar os aspectos literários, o tempo histórico, o contexto, os elementos de produção do texto, e também, porque não, os elementos de recepção desse texto.

Então, produção do texto, estruturação do texto, e recepção do texto são sempre essas três balizas que orientam a nossa leitura. E, aliado a isso, nós trazemos todo o conteúdo aprendido em O Livro dos Espíritos para fazermos este estudo. Isso é novo? Claro que não. O primeiro a fazer isso, à luz da doutrina espírita, foi o próprio codificador Allan Kardec. Allan Kardec estudou não só Adão e Eva, como a queda, estudou o dilúvio, todos esses temas ele abordou, e nós podemos ver isso na Revista Espírita e também no livro A Gênese, que reúne, inclusive, alguns textos que ele escreveu antes na Revista Espírita.

O livro A Gênese retoma essa literatura e, na própria introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec orienta e adverte que muitos pontos da Bíblia somente são ininteligíveis por falta da chave que proporcione uma melhor compreensão. Essa chave está completa no Espiritismo. Espiritismo, aqui, entendido como a ciência, aqueles elementos da ciência espiritual, elementos que explicam as leis que regem o mundo espiritual e as relações do mundo espiritual com o mundo corporal, com o mundo material. Se a ciência humana tem por objeto os elementos materiais, a ciência espiritual tem por objeto o elemento espiritual e as relações do elemento espiritual com o elemento material.

Então, esse é o nosso acaboço, essa é a nossa estrutura, essas são as nossas balizas, são dentro deste contexto que nós realizamos o nosso estudo do livro Gênesis, retomando aí o trabalho pioneiro de Allan Kardec e nos baseando nele, nos orientando por ele e pela obra subsidiária. Então, esse é o primeiro esclarecimento. Segundo ponto, que nós precisamos retomar aqui, toda a Bíblia, sobretudo o Velho Testamento, trabalha com aspectos temáticos, tema, temas, para que a gente consiga perceber, de modo mais simples, o que constitui um tema, nós podemos aqui pedir a ajuda para a música e nós reconhecemos temas musicais.

Nós tomamos uma sinfonia de Beethoven, todo mundo se ouve e saberá que está diante de uma sinfonia de Beethoven. E se aprofundar um pouquinho mais, se estudar um pouco mais, vai aprender que Beethoven, na realidade, criou esse tema de pouquíssimas notas e ao longo de toda a sinfonia, ele vai redizendo esse mesmo tema de maneira diferente. Ele vai variando, alterando, muda o ritmo, muda um pouco da melodia, altera aqui as cadências, ele vai variando, variando, e construindo uma sinfonia, mas o núcleo é o tema, esse tema básico.

Aqui também, no Velho Testamento, ocorre a mesma coisa. Há temas básicos que são fios condutores e esses temas básicos, eles são totalmente retomados no Novo Testamento. Daí a importância de se estudar o Velho Testamento à luz da doutrina espírita. Por quê? Porque nós retomamos esses temas básicos e nos apoiamos no próprio texto para entender o texto. Há aqui o fenômeno da intertextualidade. Os textos do Novo Testamento fazem referência aos textos do Velho Testamento. Eles implicam os textos do Velho Testamento. Eles evocam os textos do Novo Testamento e eles pressupõem os textos do Velho Testamento.

Às vezes, o Novo Testamento é dito sobre uma personagem, sobre um tema, pressupondo que você conhece, ele nem desenvolve, ele pressupõe que você conheça esses temas. Por exemplo, quando os Saduceus indagam Jesus sobre a Ressurreição, ele simplesmente responde que o Deus de Abraão, Isaac e Jacó não é Deus de mortos, mas de vivos, pressupondo que você sabe quem é Abraão, que você sabe quem é Isaac, que você sabe quem é Jacó, que você sabe o que significa esse tema básico do Velho Testamento, que é o monoteísmo, que é o Deus Único, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó é o tema do Deus Único.

Então, ele está pressupondo que você sabe isso e está pressupondo que você conhece essas personagens e toda a trama que envolveu a vida desses personagens. Então, aí, nesse caso, essa fala de Jesus evoca o Velho Testamento. É mais do que uma citação, é uma evocação, é uma pincelada. Há momentos em que os autores do Novo Testamento citam, literalmente, expressamente, um texto do Velho Testamento. Paulo faz isso toda hora, os evangelistas, Mateus, todos eles citam, literalmente, o texto. Imagine se você não tem o texto em casa.

Fica difícil de você consultar, ir até a fonte para entender o que é aquela citação. Então, é assim que funciona. Nós estudamos, aqui, esses temas básicos para que a gente possa entender como que a narrativa bíblica se desenvolveu ao longo das gerações. Porque os leitores foram recebendo o texto e foram produzindo outros. Aí, você cria uma linha de continuidade na produção textual. Vários textos foram sendo produzidos, uns se apoiando sobre os outros, os mais novos se apoiando sobre os velhos. Então, constrói-se uma coletânea de textos ao longo de várias gerações e a essa coletânea de livros, nós damos o nome de Bíblia.

A Bíblia é uma coletânea, é uma reunião de livros. Alguns, com uma distância, textos que foram produzidos com uma distância de mais de mil anos, quase dois mil anos, de distância um do outro. Então, é importante a gente entender esses temas. E, aqui, no Dilúvio, vai ser desenvolvido um grande tema, um grande tema bíblico, um importantíssimo tema. Toda vez que a gente fala em transição planetária, mundo de regeneração, transformação do orbe, nós estamos retomando o tema do Dilúvio. É o mesmo tema, tamanha a importância desse tema.

Mas, antes de a gente entrar nesse tema e nós vamos ter oportunidade de examiná-lo devagar, com calma, minuciosamente, ao longo dessa quarta temporada, nós precisamos, aqui, nesse primeiro episódio, que é um episódio que trata dos pressupostos, das bases, para a gente poder estudar, para a gente começar essa quarta temporada, é preciso entender que esse tema do Dilúvio, ele pressupõe outros. Um nós já falamos aqui, o tema do Deus Criador, do Deus Soberano, do Deus Uno e Único. Único porque só tem um e Uno porque Deus confere unidade à criação infinita.

Embora a criação infinita apresente uma infinitude de diversidade, olha para as espécies animais, olha para a flora, olha para os minerais, para os astros, para os sóis, basta um ligeiro olhar, nós vamos perceber que há uma tônica na criação divina que é a diversidade. Tudo é diferente. Tem uma ordem, mas é diferente. E essa riqueza infinita de diversidade dá ao conjunto da obra divina uma beleza divina. No entanto, não obstante essa riqueza, essa infinita diversidade, há um plano de unidade na criação. Unidade de propósitos, unidade de vistas, unidade de objetivos.

Por quê? Porque Deus é um. Deus é um. O autor da criação é um. O autor das leis divinas é um. É o mesmo Deus quem criou todas as coisas. Essa unidade é fundamental. Se nós não entendermos isso, fica difícil perceber o enfoque que o Velho Testamento dá a Deus. Outra coisa, Deus é imaterial e incorpóreo. Imaterial e incorpóreo. Esse é um ponto fundamental. Embora a criação esteja nele, embora ele esteja imanente na criação, Deus não se resume à criação. Então, não adianta você somar tudo o que existe na criação, senão chega a Deus.

Deus transcende a criação. E é óbvio. Porque seria como você imaginar que um quadro de Picasso é o Picasso. Não, não é? Então, o que que era Picasso antes dele fazer o quadro? É tão simples isso, não é? É tão óbvio. É tão óbvio. É claro que o quadro nasceu numa data específica. Num determinado momento da vida do Picasso, ele começou a pintar aquele quadro. Monet, num determinado momento, numa época, num mês específico, num dia específico, ele começou a pintar um quadro. E num dia específico, ele terminou. Portanto, o quadro é uma obra dele, não é ele.

Mas, às vezes, a gente comete esse erro primário quando se refere a Deus, acreditando que a obra divina é o Criador. O Criador transcende a própria criação. Embora, aqui, o assunto seja um pouquinho mais complicado, porque a criação é infinita. Então, significa que Deus começa quando o infinito termina. Essa é a transcendência do Criador. Isso está presente. É um tema básico. É um tema básico da Bíblia. Há salmos que dizem, por exemplo, ó Senhor, que tens a terra como apoio dos seus pés. Então, você acha que é grandiosa a terra, mas aquilo é só um apoio para os pés.

Pés, aqui, no sentido metafórico, porque o autor não está imaginando que Deus tem pé. Então, isso é um aspecto que revela a transcendência de Deus, que Ele está para muito além da sua própria obra, da sua criação. Embora, Ele esteja presente na criação, a imanência. Ele atue. E esse, então, é um aspecto fundamental para a gente entender Dilúvio. O Deus apresentado pelo monoteísmo judaico-cristão é um Deus imanente, atuante e vigilante. Portanto, daqui decorre um item fundamental que Kardec desenvolveu no livro A Gênesis.

Aliás, a obra A Gênesis completou 150 anos. A obra A Gênesis completou, agora, 150 anos. E esse ano todo será dedicado a uma homenagem à obra A Gênesis. Lá no livro A Gênesis, no capítulo Deus, há um item que é um item fundamental aqui para a gente, providência divina. Providência divina significa dizer que Deus não dorme, Deus não cochila e Deus não tirou férias, e muito menos se aposentou. Então, Deus impõe seus desígnios sobre os desígnios humanos. Isso significa que Ele permanece coordenando, Ele permanece dirigindo e conduzindo.

E isso nós aprendemos na primeira parte do livro dos Espíritos. Aprendemos lá no livro dos Espíritos que os mundos também evoluem. Deus renova os mundos como renova os seres vivos. Deus renova. Olha que interessante. Não está dito lá os mundos se renovam sozinhos porque Deus tirou férias e deixou uma lei autônoma funcionar. Não. É o próprio Deus que atua e conduz. Conduz como? Nós vamos lá para a questão 622, 623, 624, 625, 627. O que está dito lá nessas questões? Que o Criador envia missionários para o progresso do mundo.

Missionários com a incumbência de revelar suas leis, de trazer o progresso para aquela humanidade. Há aqueles missionários locais, outros de âmbito mais amplo e aqueles missionários globais, para o orbe inteiro, como é o caso do Cristo, do governador espiritual do orbe, de Jesus, que vem e altera toda a história da humanidade porque vem com uma missão geral, ampla, envolvendo o orbe inteiro, colocando o orbe em condições de dar um passo adiante na escala da evolução. Então, essa atuação de Deus, tanto através das suas leis, como uma atuação pessoal de enviar missionários, de coordenar, de dizer esse tema da providência divina e quem tiver alguma dúvida aí, mas como que Deus, tão grandioso, pode miscuir-se nas questões menores da nossa vida?

Leia a Gênesis, o item, o capítulo Deus, o item a providência divina. Lá o Kardec explica, não dá para explicar isso aqui agora, senão a gente foge, mas lá Kardec explica detalhadamente que através do fluido cósmico, Deus tem acesso aos mais ínfimos detalhes de tudo o que ocorre em um átomo que dirá na nossa vida. E, através disso, Ele age. Age por quê? Porque Ele está na criação através do fluido cósmico, porque o fluido cósmico é um oceano no qual a criação infinita está mergulhada e também porque Deus está dentro de nós.

Na nossa consciência, Deus se manifesta. Ele, a inteligência suprema, o amor infinito, se manifesta em nós. É claro que não com palavras, você tem sentimentos. E isso o livro dos Espíritos nos ensina também. Mesmo os espíritos inferiores, mesmo os espíritos imperfeitos, podem sentir Deus. Sentir. Qualquer… por mais imperfeito, por mais inferior seja o Espírito, Ele pode sentir Deus. E esse sentimento é o seu GPS. É através de sentimentos que o Criador transcendente e absoluto se comunica com a criatura relativa e limitada.

Pode sentir. E um dia, quando Ele se transformar no Espírito puro, além de sentir, Ele poderá ver e compreender. Claro que não é visão com os olhos. É um outro sentido, porque falta-nos um sentido, está lá também no livro dos Espíritos, falta-nos um sentido para ver e compreender Deus, sentido adquirido, tão logo a gente atinge um nível de Espíritos puros. Esse é um ponto interessante. Deus atua não só na criação, como dentro de nós. Isso significa que Ele dirige o progresso humano. Então, esse é um pressuposto que o Velho Testamento não abre mão.

Os textos aqui, nós vamos estudar isso do Dilúvio, implicam um princípio inegociável, inegociável. Deus dirige o mundo. Ou, como diz Jesus no livro Boa Nova, Levi, quem governa o mundo é Deus. Pronto. Quem governa o mundo é Deus. Aí, Ele coloca os seus prepostos. O primeiro preposto dEle é o Cristo, governador espiritual do orbe, que executa as determinações de Deus, porque Deus governa. Ele não abre mão. Ele governa. Ele dirige o orbe, desde a sua formação até a morte do planeta. Ele dirige. Mas, Deus também governa e dirige a nossa evolução.

Desde a nossa criação até a eternidade, Deus dirige a nossa evolução como um Pai. Essa é a revelação de Jesus. Como um Pai, amoroso, sábio e justo. Então, Deus educa, Deus corrige, limita, impõe, dirige, ensina, revela-se. Ele age em nós, na nossa evolução. Então, a nossa evolução não é um jogo de dados aleatório que você vai fazendo e aí vamos ver o que dá e eu vou evoluindo. Não. Há um plano. Há um plano pedagógico. Há uma condução. O tema que nós vamos estudar aqui na quarta temporada, que é o tema do dilúvio, Noé e outros, quer trabalhar, através da linguagem simbólica e metafórica, esses princípios.

Qual princípio? O princípio de que Deus dirige e governa o mundo exterior e o princípio de que Deus dirige e governa o mundo íntimo de cada um dos seus filhos. Interagindo conosco. Agora, aqui há uma coisa bonita. Porque Ele governa, Ele dirige, mas Ele respeita nosso livre-arbítrio limitador. Livre-arbítrio limitador. Ah, nós temos livre-arbítrio? Temos. Absoluto? Não. Por que não é absoluto? Porque eu não posso agora, a título de exercer meu livre-arbítrio, trocar o Sol do Sistema Solar. Ah, não, eu não quero esse Sol, eu quero outro.

Você consegue fazer isso? É simples, não é? De entender isso, parece que é até infantil, mas não é. Isso significa que o nosso livre-arbítrio tem limites. Eles se exercem. Se você falar assim, ah, não quero morrer, não quero desencarnar. Pode? Não pode. Então, essas são as balizas, as limitações do nosso livre-arbítrio. Agora, tem coisas que você pode escolher. Tem coisas que você pode escolher. E elas são amplas. Por exemplo, você pode escolher até fazer o mal. Aqui é um tema espetacular. Espetacular. Para que a gente entenda o dilúvio.

Eu posso escolher fazer o mal. Então, eu posso escolher me matar? Posso. Mas, não é possível isso, Haroldo? Pode. Pode. E, se Deus permite, quem sou eu para dizer não? Se Deus permite que você faça isso, quem sou eu para dizer não? Olha só. Acontece que, para cada escolha, há um conjunto de consequências. Então, quando nós falamos aqui do suicídio, não faça isso, não suicide, não interrompa a sua vida. Por quê? Porque as consequências são muito, muito, muito, muito dolorosas. Você está com uma tonelada de problemas.

Se você suicidar, você vai ficar com cinco toneladas de problemas. Porque, além daquela uma tonelada que você tem agora, você vai acumular mais quatro toneladas. Aí, vão ser cinco. Sua situação vai ficar cinco vezes pior do que o que está agora. No mínimo. Então, se nós podemos escolher, se Deus permite a escolha, mesmo quando é uma péssima escolha, mesmo que aquela escolha seja uma escolha malévola, maléfica, que vai nos trazer altas doses de sofrimento, é um livre-arbítrio. Limitado, mas é um livre-arbítrio. Deus permite.

E, nessa dinâmica, nós vamos evoluindo. Agora, olha que coisa interessante. Antes de você tomar uma péssima decisão, você é sempre inspirado por Deus e pelos Espíritos superiores, inclusive pelo seu Espírito protetor, a tomar uma boa decisão. Então, nunca ninguém toma uma má decisão no escuro. Isso não ocorre. Pensa na sua vida. Todas as vezes, antes de você tomar uma decisão errada, você foi avisado. Indiretamente, mas foi. Você foi avisado. Veio uma pessoa e te disse alguma coisa, alguma coisa aconteceu, você sabia.

Você sabia que tinha outras opções. Você sabia. Por quê? Porque Deus está dirigindo. Ele não te impõe, mas Ele te orienta, Ele te sugere, Ele te apresenta outras opções. Então, o que faltou? Faltou sensibilidade, faltou comunhão com Deus. Outro tema do dilúvio. Quando nós rompemos com Deus, porque Deus nunca rompe conosco, mesmo você tomando a decisão errada, caindo e entrando no processo de resgate das consequências, Deus está com você, te ajudando, te sugerindo, exercendo a misericórdia dEle e te amparando. Então, Deus nunca rompe conosco, mas nós rompemos com Deus.

Esse rompimento com Deus exige uma reconciliação. Reconciliação. Esse tema está lindo. Na 2ª carta a Coríntios, capítulo 4, Paulo vai falar da reconciliação com Deus. Anota aí. 2ª carta aos Coríntios, capítulo 4. É maravilhoso isso. Desculpa, capítulo 4 e 5. Trabalho no 4, mas principalmente no 5. Capítulo 5, principalmente. Na 2ª carta aos Coríntios, lá Paulo trabalha a reconciliação. Como se deu a reconciliação. E ele vai levantar um tema dizendo o que? Deus proporcionou um meio da humanidade se reconciliar com Ele através de Jesus Cristo.

Esse é um grande tema, porque o dilúvio vai levantar o tema da humanidade se afastando de Deus, rompendo com Deus. Em Jesus, então, nós temos um caminho de reconciliação da humanidade terrena com Deus. Olha como é que os temas fecham. É muito bonito. Quando a gente entende os temas básicos, fica mais fácil de interpretar os textos, porque aí você tem a visão geral. Quando você tem o esboço, o croquis, fica fácil de você entender os detalhes do desenho, porque você já tem o esboço. Então, aqui, nós estamos dando o esboço, o esboço, para que a gente possa entender depois os detalhes.

Então, esse é um tema. Rompimento com Deus, reconciliação com Deus. A humanidade terrena rompeu com Deus e o dilúvio é uma consequência desse rompimento. Uma consequência desse rompimento. Consequência, e por que o dilúvio? Porque Deus age, age através das suas leis divinas que regem o universo e age diretamente, porque Ele é a inteligência suprema e Ele governa. Ele está governando. Então, tem muita gente que acha que Deus é só poder legislativo, fez as leis, tirou férias. Não, Ele é poder executivo também e poder judiciário, porque nós somos submetidos a avaliações, a julgamentos que definem causas e consequências.

Causas e consequências. Como lemos aqui no poema inicial, até o degredo, que é uma pena. O degredo é uma pena, é uma sentença condenatória. Uma pena. Visando o que? A recomposição do destino daquele espírito caído. Mas, é uma penalidade e ela é aplicada. Então, você tem um tribunal divino sobre as vistas e orientação e governo de Deus, que é o Supremo Juiz. Isso é importante. Importante a gente se apropriar dessas ideias. Porque o que o texto do Velho Testamento vai fazer é dizer de modo figurado, através de uma história, de uma parábola.

Porque essa história aqui de Noé é uma parábola construída sobre um fato real. Então, é óbvio que existiu na comunidade um Noé, alguma coisa. Tem algum fato histórico ali? Tem. Uma base histórica? Tem. Mas, não é literalmente o que está contado. Então, aqui no Velho Testamento vale aquele ditado. A gente aumenta, mas não inventa. O redator bíblico aumenta, mas não inventa. Ele pega o dado histórico e dá uma floreada, conta aquilo como se fosse uma parábola. Essa é a lógica do redator bíblico. Ele agrega elementos metafóricos de parábola, elementos mágicos, às vezes, na base histórica.

Então, você tem uma alicerce histórica e uma construção. Qual é o erro que geralmente se comete? A pessoa lê o texto e acha que tudo aquilo é história. É uma descrição histórica. Aí, ele vai ficar procurando Arca. Depois, quer algo, cadê Arca? Vai pôr uma roupa de Indiana Jones para ver se acha Arca de Noé. Porque interpretou tudo literalmente. Mas, nós podemos cair em um outro extremo, acreditar que isso aqui é tudo historinha, fantasia, que não tem base histórica nenhuma. Aí, também já é exagero. Então, é um meio termo.

Há uma alicerce histórica e uma parábola, uma história, que aumenta, que amplifica, que conta, de modo literário, o fato histórico. Mas, o que é importante aqui? Por que a pessoa escreveu esse texto? Ela escreveu para mostrar que a humanidade rompeu com Deus, que Deus age, que Deus governa o mundo, que Deus governa a nossa individualidade, dirige a nossa evolução, que Deus está atento com o mal. Ele permite que a gente escolha o mal, mas, Ele impõe consequências para a escolha do mal. Permite que a gente faça, mas, impõe as consequências.

Livres na sementeira, escravos na colheita. Essa é a lei. Está lá no narrativo do Dilúvio. Isso tudo está presente. E, agora, para encerrar essa parte introdutória, dos pressupostos, um outro que é fundamental, que a gente precisa retomar. Nós vamos falar dele nos próximos episódios, porque ele é muito importante. Há um tema aqui, desse início do livro Gênesis, que é um tema que você não pode esquecer. Então, faz um cartaz aí, prega no seu espelho, no banheiro, para você não esquecer isso, que é o tema da queda de Adão e Eva.

Queda de Adão e Eva, que é essa metáfora, essa parábola, porque esse texto aqui de Adão e Eva é uma parábola. Esse é parábola total. Então, vamos lá. Essa parábola de Adão e Eva, revela o quê? Deus chegou para a humanidade, para o ser humano. Quando eu digo ser humano, eu estou falando o ser humano terreno, que está aqui encarnando, que está sujeito à encarnação, porque ele precisa evoluir, não o Espírito puro. Esse é o Adão, o terreno, o que encarna, porque quando ele se transforma em Espírito puro, está lá no livro dos Espíritos, não necessita mais da encarnação.

Encarna em missão, ou se quiser, mas não necessita. Então, o Adão é o terreno, é o que necessita ainda da encarnação e da reencarnação, a fim de atingir a pureza espiritual. Esse homem terreno, essa humanidade, recebeu uma proposta divina, um projeto divino, um projeto de evolução espiritual. Que projeto é esse? Que o ser humano fosse imagem e semelhança de Deus. Como que o homem, eu digo homem aqui, não homem e mulher, não é gênero, é homem no sentido de ser humano, diferente de animal e de planta. Esse é o sentido.

O ser humano recebeu uma proposta de comunhão com Deus. Deus estaria em comunhão com ele, orientaria e esse ser humano escutaria os conselhos, acataria as orientações divinas. Portanto, ele refletiria a glória divina. Seria a imagem e semelhança de Deus. Se esse projeto fosse aceito pela humanidade, a evolução seria muito, mas muito rápido. O processo evolutivo seria muito, muito mais rápido. Por quê? Porque ele seria mais dinâmico, não teria queda. Não é que não teria erro. Então, nós não teríamos o erro fruto da maldade, da crueldade.

O erro fruto daquele Espírito que rompeu com Deus, do Espírito que rompeu com as leis divinas e do Espírito que se tornou um adversário da proposta divina. Isso não teria. Teria o erro natural, fruto da ignorância, fruto de quem está aprendendo. Você começa a desenhar, você já vai chegar desenhando perfeito como alguém que tem 30 anos de desenho? Claro que não! Você vai treinar, você vai aprender. Então, esses erros que você comete no processo de aprendizado é um erro natural. Agora, o erro daquele que já sabe e faz por maldade, esse não.

Esse é resultado do Espírito que rompeu com Deus. Então, o que que acontece? Deus apresenta essa proposta, mas o ser humano não aceita. Ele prefere a proposta da serpente. Qual que é a proposta da serpente? Tira Deus. Coloca quem no centro? O homem, o ser humano. O ser humano passa a ser o centro de todas as coisas. Ele e as instituições que ele cria. Por isso que nós temos hoje no mundo criaturas que acreditam 100% em instituições humanas. Por exemplo, nós temos pessoas que acreditam 100% em partido político. Ele acha que um partido político vai resolver o problema da humanidade.

Como é que uma instituição humana imperfeita pode criar uma obra perfeita? É um questionamento de Emmanuel. Tem outros que acreditam em propostas econômicas, políticas, sociológicas, escritas por um homem. Como que um homem imperfeito, cheio de idiosincrasias, pode criar um projeto que conduza a humanidade à perfeição, à solução? Então, isso tudo é projeto da serpente. Eu quero criar, eu quero acreditar 100% no ser humano falível e tirar Deus. E a gente vê que todas essas propostas, todos esses planos que se propõem a resolver a humanidade, geralmente excluem Deus.

Ou criam um Deus humano, que é a proposta das religiões, também. Religiões deturpadas, que tiram Deus e colocam guias ou seres humanos no lugar de Deus. É uma outra deturpação. Esse é o projeto da serpente e o Dilúvio fala disso. Qual a consequência que isso tem para a evolução do orbe e para a evolução individual? Nós vamos retomar isso, porque esse tema é mais complicado. Nos próximos episódios, aqui hoje foi só os pré-requisitos, aquela aula de revisão, para que a gente possa avançar. E eu te aguardo, então, no próximo episódio desta quarta temporada Noé e sua Arca.

É que no livro Gênesis estão sendo fornecidos os bloquinhos, as pecinhas de Lego. Então, todas as pecinhas estão sendo fornecidas. E nos outros livros é feita uma montagem com essas peças. Então, nós montamos uma.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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