PodSER #009 – Parábolas de Jesus

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Prepare-se para uma imersão profunda no universo das parábolas de Jesus! Neste episódio especial do PodSER, Thiago Franklin e Fred Cornelio recebem Haroldo Dutra Dias para um bate-papo inspirador. Juntos, eles exploram o recém-lançado livro de Haroldo, “Parábolas de Jesus – Texto e Contexto”, e desvendam os múltiplos significados e a profundidade da linguagem figurada do Mestre.

Neste episódio

  • A essência e a importância das parábolas de Jesus.
  • Como interpretar as parábolas e evitar armadilhas.
  • A diferença entre a parábola grega e o “machal” hebraico.
  • A parábola como linguagem do coração e a conexão com o “pathos divino”.
  • A parábola do Filho Pródigo e a compreensão do amor de Deus.
  • A missão de Israel, Roma e Grécia na visão de Paulo.
  • A obra divina no coração do homem e a verdadeira caridade.

Participantes

  • Haroldo Dutra Dias: Expositor espírita e autor do livro “Parábolas de Jesus – Texto e Contexto”.
  • Thiago Franklin: Apresentador do PodSER.
  • Fred Cornelio: Apresentador do PodSER.

Destaques

  • Haroldo Dutra Dias revela que seu novo livro, “Parábolas de Jesus – Texto e Contexto”, é um trabalho autoral que busca explorar a linguagem figurada de Jesus, fruto de uma pesquisa profunda e um pedido da Federação Espírita do Paraná.
  • A discussão aprofunda a definição de parábola, contrastando a visão aristotélica com o conceito hebraico de “machal”, que abrange toda sorte de linguagem figurada, como enigmas e provérbios, e não apenas narrativas.
  • É enfatizado que a linguagem figurada de Jesus visa mexer com as pessoas, evocar sentimentos e trazer o coração para dentro do tema, em oposição a uma análise puramente intelectual.
  • A parábola do Filho Pródigo é analisada sob uma nova perspectiva, mostrando como Jesus busca provocar um sentimento de empatia com o “pathos divino” em seus ouvintes, conectando-os ao amor incondicional de Deus.

Ler transcrição do episódio

A de nascer, nova era de crescer, novo homem coração, de quem quer servir. É prosperir, novo verbo é burilar o íntimo, colorindo o céu de um novo ser. Foste fiel sobre pouco, sobre muito te constituirei.” Mateus capítulo 25, versículo 21. Olá pessoal, aqui é Fred Cornélio. O céu e a terra passarão, mas não passam as minhas palavras. Mateus capítulo 24, versículo 35. Olá pessoal, aqui é Haroldo Dutra Dias. Minha frase de hoje é… O reino dos céus é semelhante a… Muito bom. É isso aí pessoal. Hoje estamos juntos para falar sobre o lançamento do livro Parábolas de Jesus, texto e contexto.

Escrito pelo Haroldo. Sendo assim, vamos para mais um episódio do Pode Ser. A de nascer, nova era de crescer, novo homem coração, de quem quer servir. É prosperir, novo verbo é burilar o íntimo, colorindo o céu de um novo ser. Colorindo o céu de um novo ser. Parábola dos dois filhos. Parábola da dracma perdida. Parábola do semeador. Parábola do trigo e do joio. Parábola do grão de mostarda. Parábola do fermento. Parábola do bom samaritano. Parábola da ovelha perdida. Parábola do administrador infiel. E aí gente? Tem tempo que a gente não grava um episódio.

O pessoal estava morrendo de saudade do Haroldo, até que enfim ele voltou. Estamos de volta, graças a Deus. Mais um episódio do Pode Ser. E agora com uma bela surpresa, né? Lançamento de um livro do Haroldo. Mais um livro, né? Primeiro a tradução, para quem não conhece, a tradução do Novo Testamento. E agora um novo livro, Parábolas de Jesus, texto e contexto. Pois é Haroldo, dá a notícia aí para a gente, quando é que nós vamos ter esse livro na mão? Bom Fred, esse livro, tudo nesse livro tem um pouco de novidade. Primeiro o fato de a gente ter resolvido escrever alguma coisa a respeito do Evangelho, porque no primeiro trabalho foi uma tradução, a nossa preocupação era dar para as pessoas um texto o mais isento possível, o mais fiel ao original grego, uma obra de base, uma bíblia, vamos dizer assim.

Dessa vez não, a gente está querendo escrever algo, um trabalho autoral, escrever algo sobre as parábolas, fruto de uma pesquisa. E foi um pedido feito pela Federação Espírita do Paraná. E também, como nós estamos envolvidos com a formação do ser, e também de uma série de processos novos que estão sendo introduzidos no Movimento Espírita, ele vai ser um livro diferente em todos os aspectos. Será lançado no Dia dos Pais, terá um movimento enorme envolvendo redes sociais, sites, conteúdo interativo, participação, uma nova forma também de socioeconômica dentro do Movimento Espírita, porque é um livro em que terá participação todas as federativas espíritas, todos os grupos espíritas poderão ter uma participação econômica na venda desse livro.

Então, ele traz um conjunto de novidades, e nós estamos muito esperançosos com esse movimento que ele vai inaugurar, com esse convite que esse livro representa para todas as pessoas, um convite de refletir acerca das parábolas de Jesus. Muito bom, Haroldo. Vamos começar do início, então. O que é uma parábola, Haroldo? Pois é, era a pergunta mais difícil, né? Para responder essa pergunta, foi preciso escrever, está sendo necessário escrever um livro. Nós estamos aí em fase de acabamento do livro. Haroldo, então, eu vou emendar uma pergunta aqui.

Na outra, né? Na outra. Qual é a sua relação, a relação do seu coração com a parábola? Porque é uma das primeiras obras, o primeiro livro depois da tradução, então, deve existir aí uma relação afetiva sua com as parábolas. Então, com certeza. Primeiramente, sabe, Fred, eu acho que, e já respondendo um pouco a pergunta, né? Eu diria que a parábola é, assim, o centro da linguagem figurada no Novo Testamento, sobretudo nos Evangelhos, as parábolas de Jesus. Por ser o centro da linguagem figurada, quando você trabalha as parábolas, quando você entende o processo das parábolas e trabalha a interpretação das parábolas, de certo modo, você está tratando da interpretação do próprio Evangelho, de forma de interpretar o Evangelho, porque aquilo que vai funcionar para a interpretação das parábolas, a forma como a gente vai encarar as parábolas, vai também ser útil para encarar o próprio Novo Testamento, o próprio ensino de Jesus.

Então, essa ligação minha com a linguagem figurada, com aquela linguagem que não é direta, que às vezes tangencia um pouco a poesia, o enigma, o dito enigmático, uma espécie de charada, a comparação, o simbolismo, tudo isso tem muito a ver com o sentimento, com a evocação de sentimentos, de imagens. É um tipo de linguagem que quer mexer com as pessoas. E eu acho que o Evangelho está muito ligado a isso, a proposta pedagógica de Jesus está muito ligada a isso. Então, é isso que nos levou a começar uma abordagem do Novo Testamento pelas parábolas.

Interessante. A gente percebe que Jesus, em alguns momentos, Naruto, fala abertamente, quando ele está com Nicodemus, quando ele está somente com os apóstolos. Em alguns momentos, quando ele está com a multidão, ele fala do amor, fala da caridade. Se alguém te pedir para andar uma légua, anda duas. Mas parece que quando o assunto é algum conhecimento espiritual, alguma coisa que envolve um aprofundamento, uma maturidade, ele então solta as parábolas. Com que intenção? Isso procede, Haroldo? Procede. Eu diria que não é nenhuma diferença do tipo de linguagem, porque dificilmente Jesus fala palavras assim, diretas, digamos que um grego entenderia, ou que nós estamos acostumados, uma linguagem cartesiana.

Jesus não usa isso. Você mesmo citou aí, se alguém te obrigar a andar uma milha, caminha duas. Ele está sempre utilizando imagens, sempre comparação. Eu acho que aqui é uma diferença de grau. Quando ele chega na parábola, é o grau máximo da linguagem figurada. Entendi. É quando ele leva a linguagem figurada ao ápice dela. E quando ele faz isso? Quando ele quer falar de algo transcendente. Falar do transcendente, e aí a gente começa a desconfiar, como diz lá o personagem do Guimarães Rosa, não sabe de nada não, mas desconfia de muita coisa.

A gente começa a desconfiar que a linguagem cartesiana é inadequada para descrever realidades transcendentais. É porque a linguagem cartesiana é objetiva. Demais. E empobrece. Ela é um bisturi que faz um corte. Ela é um bisturi que faz um corte e perde a visão de conjunto. E perde também, Fred, eu acho que aí é uma coisa, nós vamos falar isso no curso aqui do Pode Ser. A linguagem objetiva, ela perde os aspectos que estão ligados ao sentimento. Ela perde o aspecto de envolvimento da criatura com aquilo que ela está tratando.

E a parábola tem essa força. Ela tem a força de trazer o coração da pessoa para dentro do tema. Que é diferente de você fazer uma análise puramente intelectual, puramente racional de algum conteúdo. Seria algo mais ou menos como a palavra saudade, então, né? É, sim. Porque ela carrega alguma coisa a mais do que simplesmente eu sinto falta de alguém. Seria mais ou menos isso, Haroldo? Exatamente. Ela é uma palavra que evoca uma gama de sentimentos. Então, a parábola tem essa característica. E aí, respondendo a pergunta do que é uma parábola, nós vamos entrar em um assunto complexo.

A gente já até falou isso em um estudo que fizemos sobre as parábolas. No Novo Testamento é utilizado parábola, esse vocabulo parábola, ele é utilizado várias vezes. Mas o que é parábola? Então, se nós pegarmos uma definição grega do que é parábola, a parábola vem de um vocabulo grego que é pará-balém, que significa colocar ao lado de. Pará, que é ao lado, balém, que é jogar ou colocar. Colocar ao lado de, ou seja, comparar. Basicamente, parábola é o quê? É uma comparação, uma justaposição, uma analogia, uma espécie de ilustração.

E onde nós vamos encontrar uma explicação, assim, robusta de parábola? Na obra de Aristóteles. Tem uma obra de Aristóteles, é um clássico, do pensamento grego, que é a obra retórica. E no livro 2, o capítulo 20, item 2 a 4 do livro retórica, o Aristóteles vai explicar o que é parábola. E na visão do Aristóteles, como ele está escrevendo da perspectiva de alguém que está falando sobre retórica, ele imaginava que a parábola, ela é uma espécie de ilustração, de comparação, ou uso de casos análogos, de casos paralelos, para explicitar o que você está dizendo.

Então, olha a visão do Aristóteles. Eu estou querendo comunicar algo. Quando eu começo a penetrar num terreno muito abstrato, eu uso uma parábola, no sentido aristotélico, para simplificar o entendimento. Então, eu uso uma comparação, é uma figura de retórica. Isso, embora vários pesquisadores alemães, teólogos ilustres, tenham escrito muito sobre isso, eu gosto muito de uma frase do Joaquim Jeremias, que é um grande autor protestante, e o Jeremias é bem duro, ele diz assim, ele fala que um autor alemão, o Julescher, ele fez uma tentativa de ir avante, classificando as parábolas em categorias, distinguiu-se entre metáfora, comparação, parábola e semelhança, alegoria e exemplos.

Aí, o Jeremias diz assim, em última análise, um esforço vão, porque o machal abrange todas essas categorias, e muito mais, sem nenhuma distinção. O machal hebraico, ou matlá aramaico, designava no judaísmo, sem que se possa fazer um quadro esquemático, toda sorte de linguagem figurada. Então, aqui o interessante, isso está no livro Parábolas, as parábolas de Jesus, do Joaquim Jeremias, no primeiro capítulo. O que Jeremias está falando? É você querer interpretar, querer entender. O ensino de Jesus, utilizando categorias da Grécia, do pensamento grego, não é produtivo, porque no mundo hebreu, eles estavam acostumados com linguagem figurada.

Linguagem figurada. E linguagem figurada, que é o que ele chamava de machal, e toda linguagem figurada, que são os chamados mechalim, que é o plural de machal, mechalim, podia ser um enigma, podia ser um provérbio, uma série de coisas que não entrariam na definição de parábolas de Aristóteles. Eu vou dar um exemplo aqui. Tiago e Fred. Mateus capítulo 24, versículo 32. Está dito assim. Aprendei, pois, a parábola da figueira. O que as pessoas ficam esperando? Jesus vai contar uma parábola, não é? Era uma vez uma figueira, ou o reino dos céus é semelhante a uma figueira.

Não é isso? Jesus fala assim. Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Pronto, acabou a parábola. Isso é parábola? Para Aristóteles, não. Para Aristóteles, não é parábola. O Lucas 4, 23. Disse-lhe Jesus. Sem dúvida, cita-me eis esta parábola. Médico, cura-te a ti mesmo. Isso é parábola? Para nós é um provérbio. Médico, cura-te a ti mesmo. Quando a gente diz assim, quando os ramos da figueira já estão começando a renovar e as folhas estão brotando, já está chegando o verão.

Isso é o quê? Não é um provérbio. Isso é o quê? É um dito enigmático. É um enigma, uma charada. Para o Evangelho, o que está dito, parábola. Então, o conceito grego de Aristóteles, de parábola, não serve para o Novo Testamento. Embora, tem autores alemães, que tenham escrito rios de tinta, rios de tinta, tentando dividir todo o Novo Testamento nas categorias da retórica grega. Aí, fala lá, gêneros simbolêuticos, epidídicos, aquelas categorias todas da retórica de Aristóteles. Mas, será que isso dá? Será que isso não dá?

Então, nós temos que concordar com Jeremias. O machal hebraico é o quê? Linguagem figurada. Então, o Evangelho está cheio de linguagem figurada. Não se coloca a candeia de Badu Al-Kaid. Eu não te digo que perdoe até sete, mas setenta vezes sete. Isso é o quê? Isso é linguagem figurada. Isso é linguagem figurada. Então, eu fico pensando, Fred, se nós formos tirar toda a linguagem figurada das falas de Jesus, isso sobra muita coisa. O que sobra? Sobra muito pouco, porque praticamente 90 ou 95% da fala de Jesus é linguagem figurada.

Qual é a diferença de linguagem figurada para linguagem não figurada? A gente aprende isso lá na escola, conotação e denotação. Eu digo assim, estou com fome, estou com sede, vou beber água. Isso é linguagem direta. É direta. Mas, quando eu digo assim, vós sois o sal da terra, isso não é linguagem direta. É claro que eu não estou chamando você de sal. É linguagem figurada. Se nós formos ser precisos, se formos ser precisos, nós teremos que falar o seguinte, o Novo Testamento, o Evangelho, sobretudo o ensino de Jesus, o ensino direto, quando ele está ensinando, 95% é machal, que é algo da cultura hebraica.

Jesus era hebreu. Não adianta. Ele não nasceu na Alemanha. Jesus não conheceu Dekar. Não é? O Espírito do Cristo? O Espírito de Jesus? Sim. Com certeza. Mas eu tenho certeza que Dekar conheceu Jesus. Exatamente. Então, ele não está usando, não adianta querer usar essas categorias racionalistas, que não vai funcionar. Então, eu gostaria de dizer assim, o que é parábola? Para a gente ser simples, não querer complicar, é linguagem figurada. Parábola, machal, é linguagem figurada. Posso classificar? Bom, aí eu posso classificar, para facilitar o entendimento.

Nós podemos partir para uma questão didática e fazer uma classificação. Então, nós teremos parábolas, que são enigmas, que são frases, até chegar nas parábolas, que são as histórias, as narrativas. Então, quando eu falo parábola do bom samaritano, aí eu estou entrando num gênero de parábola, que são as parábolas narrativas. Eu poderia ter uma lista aqui, tirada do livro O Novo Testamento em Quadros, do Wayne Howse, editora Vida. Ele faz uma lista das parábolas narrativas. Então, ele está pegando o quê? Do que é linguagem figurada?

Vamos dizer assim, um catálogo das histórias que Jesus contou. História no sentido de história mesmo, dos contos, das narrações dele. Aí, na lista dele aqui, são trinta e duas. Trinta e duas. Então, vamos lá. Parábola do semeador, trigo do joio, grão de mostarda, fermento, tesouro escondido, da pérola de grande valor, parábola da rede, do crescimento da semente, dos trabalhadores da vinha, dos talentos, parábola das dez minas, dos servos indignos, do amigo importuno, da viúva, do fariseu republicano, do bom samaritano, da ovelha perdida, do filho pródigo, e assim vai.

Então, uma lista, eu contei aqui, seriam trinta e duas. Isso é o que todo mundo conhece. Inclusive, as pessoas acham que parábola é só isso. Parábola é muito mais do que isso. Então, o seu livro vai entrar? Vai entrar. Eu sou a luz do mundo, eu sou o caminho, a verdade e a vida, ou seja, a partir da leitura dessa obra, a gente vai ter condição de entender, de penetrar o entendimento de tudo isso, né? Olha, Fred, eu tenho duas notícias, uma boa e uma ruim. Então, vamos começar com a ruim. Vou começar com a ruim. A ruim é que o livro não vai interpretar isso.

A boa é que nós pretendemos fazer um livro para cada parábola dessa. Isso aqui é maravilhoso. Então, essa seria a boa notícia. Por quê? Se eu fosse escrever um livro falando de tentando trazer alguns subsídios para interpretar todas essas parábolas, talvez esse livro tivesse dez mil páginas. E aí, seria enviado. Então, o que a gente resolveu fazer? Escrever um livro que é mais ou menos uma plataforma de lançamento do foguete. É um livro que vai esclarecer os aspectos gerais. Isso que nós estamos falando aqui agora.

O que é parábola? O que é machado? Para abrir a mente. Para abrir! Porque tem gente que não sabe. Eu não sabia que essa fala de Jesus, médico, cura-te a ti mesmo, era uma parábola. É, mas o Evangelho chama isso de parábola. Então, primeiro é para abrir. Como é que interpreta? Quais as armadilhas da interpretação? O que é linguagem figurada? Quando Jesus diz, ai, das grávidas e das que amamentaram naquele dia, tem gente que interpreta literalmente. Ai, meu Deus! Então, Jesus está falando que na época da transição não pode estar grávida?

Então, não saber diferenciar o que é linguagem figurada do que é linguagem direta. Então, esse livro pretende ser a base para os outros que a gente quer escrever depois, que já seriam obras mais profundas. Ai, nós pegaremos cada uma delas, faremos um trabalho mais detalhado, dando subsídios, trazendo elementos e inaugurando uma nova forma de fazer isso, que vai ter um site sobre esse livro, o site vai ser interativo, as pessoas vão poder participar, trazer suas experiências, suas ideias, vão poder trocar. Então, eu não sou o dono do microfone.

Eu, na verdade, vou ser um mediador, eu vou ser um… Como é aquela figura, Tiago, do sujeito que… Qual figura? O âncora? É o âncora, o moderador. É o diretor do trabalho. Então, eu vou ser o moderador, porque, na verdade, eu quero abrir e inaugurar, pelo menos no movimento espírita, um diálogo, um debate cristão, um fórum de discussão, um fórum de discussão caridoso, respeitoso, ninguém vai agredir ninguém, nada disso, mas para a gente ter a oportunidade de refletir sobre isso. Essa é que é a intenção. Vamos promover o encontro de várias pessoas, né?

Citando livros, indicando biografia, porque também não adianta você querer vir falar de um assunto sem conhecer uma biografia que já foi escrita sobre o assunto. Sob parábolas de Jesus, eu indicaria que, no mínimo, 30 obras que ninguém pode desencarnar sem ler. Se quiser entender parábolas. Então, a gente vai fazer isso tudo, vai procurar harmonizar um pouco, é essa que é a proposta. É fantástico. Uma boa notícia que a gente pode dar para o nosso ouvinte é que, para cada livro desse, nós vamos gravar um podcast. No mínimo, um.

Aproveitando aqui sobre a parábola, você poderia dizer para a gente qual é a importância deste recurso na tradição judaica? Isete, essa pergunta é muito interessante. Nós estávamos até conversando aqui, amistosamente, sobre um vídeo que nós assistimos do René Kivitz, do pastor René Kivitz. Nesse vídeo, chamado Coração Quebrantado. Ele usa essa expressão que os evangélicos, nossos irmãos evangélicos, gostam muito. E ele vai falar sobre, no início da palestra, o René Kivitz fala sobre um autor judeu chamado Abraham Joshua Heschel.

E eu fui pesquisar esse autor e ele tem uma obra realmente fabulosa chamada Profetas. E aí eu realmente fui obrigado a repensar uma série de coisas. O René Kivitz tem falado que essa obra foi a que mais impactou ele nos últimos tempos e eu também confesso que é uma obra que tem me impactado profundamente. Porque ela traz uma compreensão nova, completamente nova a respeito da Do povo hebreu, da missão do povo hebreu, da forma como o profeta hebreu fala das coisas. Então, onde que eu estou querendo chegar? O que o Heschel fala?

Ele diz que na linguagem figurada bíblica, quando o profeta fala em nome de Deus, na verdade ele está narrando uma experiência espiritual que ele teve. Que experiência foi essa? O profeta entrou em sintonia com o coração do próprio Deus, com o sentimento divino e o coração, o sentimento de Deus mexeu com o coração do profeta. É como se fosse um sopro que tivesse acendido uma brasa que estava meio que apagada. Quando essa brasa se acende, Deus vira para o profeta e fala assim agora você vai lá falar com essa brasa no peito, com esse sentimento.

O Heschel usa uma linguagem técnica para isso que ele vai dizer assim, que esse sentimento de Deus é o patos divino. Patos em grego, o que é a palavra patos? É aquilo que você sofre. Então, patos é tudo aquilo que você sofre em oposição ao que você faz, que é ergo, daí vem ergonomia, que é obra, trabalho, e em oposição aquilo que você causa nas pessoas, que é drama. Daí vem dramaturgia, dramaturgo. Então, drama é o que eu provoco nos outros. Ergo é o que eu faço. O que é o patos? É o que eu sofro. É algo que alguém ou algo faz em mim, provoca em mim.

Então, o Heschel vai dizer que o patos divino é o que Deus faz com a gente, o que Deus faz em nós. Isso é profundo. Por que é profundo? Porque essa é uma experiência do coração. Isso não é uma experiência intelectual. E eu diria que as parábolas de Jesus, elas são feitas para que o nosso coração seja simpático. Daí vem o patos, né? Tem a palavra simpático, é você estar em sintonia com o patos do outro, né? Empatia é você sentir o patos do outro, você sentir a mesma coisa que o outro está sentindo. Antipatia já é o contrário, né?

Então, as parábolas são uma proposta de Jesus de você se sentir com Deus. Sentir com Deus. Eu vou dar um exemplo concreto aqui que nós vamos entender isso, claramente. Jesus está almoçando com prostitutas, prostitutas, garotas de programa. Quando a gente fala prostitutas, as pessoas às vezes não entendem. É garota de programa mesmo. E, Publicanos, pecadores. Então, é mais ou menos se ele estivesse almoçando com a Bruna Sofistinha e com Marcos Valério. Imagina Jesus com essas duas criaturas num restaurante almoçando, né?

Eu acho que seria difícil um espírita não criticar Jesus. Né? Então, eu estou trazendo isso pra gente sentir Jesus está lá nesse almoço. Chegam os fariseus, que são os religiosos, as pessoas de vida pura, entre aspas, que vivem entre jejum, com orações e observância de rituais e Criticam Jesus. Fazem uma censura a ele. Poxa! Mas, como é que um mestre como você, que se diz o Messias, está almoçando com garotas de programa e com homens que tem o hábito de colocar no bolso dinheiro público? E aí, o que Jesus faz? Conta três parábolas.

Ele não responde. Ele conta três parábolas. A terceira delas é a parábola do filho pródigo. É a parábola do filho pródigo. O que Jesus está querendo? Será que Jesus está querendo fazer uma pregação, um discurso político, filosófico, utilizando a retórica grega? Ele não está fazendo isso. Ele não está fazendo discurso. Então, não adianta. Não adianta eu vir com retórica grega, com Aristóteles, com Platão, com Filó… Não adianta. Não é isso que ele está fazendo. O que ele está fazendo, então? Ele está querendo provocar ou evocar um sentimento no ouvinte.

Na parábola nós temos… A parábola devia chamar, na verdade, os três pródigos, porque tem três pródigos na parábola. O primeiro pródigo, que é o filho, o mais novo, que representa os publicanos, pecadores e as prostitutas com quem Jesus conversava. O outro filho, que é o pródigo em egoísmo, que é um sujeito tão egoísta, tão egoísta, ele é tão centrado em si mesmo, ele é tão incapaz de ver o outro, que ele chega na aldeia, a aldeia toda está em festa, mataram um novilho. Naquela época, você matava um novilho, só se a aldeia inteira comesse, porque não tinha geladeira para guardar a carne.

Então, a aldeia inteira parou e esse indivíduo chama Deus para censurá-lo, chama o pai, que representa Deus, para censurá-lo, dizendo o seguinte, poxa, você nunca matou um cabrito para mim. Então, a aldeia está em festa, em vez de ele procurar saber que acontecimento foi esse, que o irmão dele, irmão dele voltou, ele está tão autocentrado, então é um sujeito pródigo de si mesmo, ele está tão cheio de si mesmo, que ele não consegue ver nada. Esse representa o fariseu religioso e tem o pai de família, que representa o criador, que é o pródigo do amor.

É o pródigo do amor. Um ancião, naquela época, não saia correndo, ele sai correndo, ele abraça o filho, ele põe anel, ele põe sandália, ele pega vestida, ele mata o novilho, ele faz uma festa, ele beija repetidamente o filho, é um prodígio de amor. E, naquele caso, Jesus era quem estava simpático a Deus. Jesus, ali, ao almoçar com os pecadores, com as prostitutas, estava fazendo o papel de Deus de resgatar quem está no erro. Então, o que essa parábola está querendo fazer? Ela está querendo acender uma brasa no nosso coração.

Ela está querendo que, por um milésimo de segundo, a gente sinta com o coração de Deus. E isso é muito forte, e isso não tem como ser feito usando linguagem direta. É só o poder da história, o poder da narrativa, o poder de uma história cheia de vida para poder provar esse tipo de sentimento. Arô, espetacular essa explicação, e esclarecedora. Na introdução do caminho em verdade e vida, o Emmanuel diz assim, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito nas estradas da vida.

Então, na hora que você começou a contar essa passagem, eu já li a passagem, a parábola do Filho Pródigo, umas cem mil vezes. Mas dessa vez foi a vez que mais me tocou, porque você colocou dois irmãos que nós conhecemos, você contextualizou. E eu consegui me ver, não é mesmo, como uma pessoa capaz de julgar, capaz de não compreender o próprio Cristo, num contexto aí comum da nossa vida. Então isso me tocou profundamente e aí eu entendi que ao ler um pedacinho do Evangelho, isso vai adaptar-se a determinadas situações na minha vida.

Agora, é preciso estar sensível pra isso. É preciso ser simpático ao Pato Divino, simpático ao sentimento. Ao sentimento dele. Então, é uma forma de você ser carimbado no coração. No coração. Exatamente, Fred. E é por isso, Fred, que eu, antes, eu confesso pra você que até ter, até ter começado essas reflexões, até ter começado a pensar um pouco nisso, eu não entendia uma resposta de Emmanuel, que está no livro Consolador, que é a questão 290. Eu confesso que mesmo 25 anos de doutrina espírita, só recentemente eu acho que estou começando a entender essa resposta.

É a questão 290 do livro Consolador. Poder-se-á reconhecer nas parábolas de Jesus a expressão fenomênica das palavras guardando a eterna vibração de seu sentimento nos ensinos? Então, a pergunta, apesar de ser um pouco complexa, mais ou menos o sujeito está falando assim, olha, parece que a vibração do sentimento de Jesus está nas parábolas. É isso mesmo? Quer dizer, eu posso reconhecer a vibração do sentimento de Jesus nas parábolas? Mas, né, o sentimento é do próprio Deus. Jesus aqui era veículo do próprio Deus, era o porta-voz de Deus, o profeta por excelência.

Aí o Emmanuel responde assim, sim, sim. Meu Deus! Então, eu posso acessar o sentimento de Jesus ao ler as parábolas, dependendo da forma como eu leio. Porque a forma como você leu a parábola do filho pródigo realmente deu para sentir. É. A gente começa a sofrer. Isso é que é o patos. Isso é que o Heschel chama de patos. Você para de agir, você para de pensar, você para de querer influenciar as pessoas, você se recolhe, fica em silêncio, entra no seu aposinto íntimo e Deus começa a agir no seu coração. É diferente. Eu estou falando de Deus aqui através dos seus intermediários, óbvio, né?

Diretamente e através dos seus intermediários também, as inspirações. Aí ele continua, as parábolas do evangelho são como as sementes divinas. Puxa! As parábolas são como sementes? O que Emmanuel está dizendo? Que desabrochariam no futuro, olha só, desabrochariam mais tarde em árvores de misericórdia e de sabedoria para a humanidade. Quando eu li isso aqui, eu não entendi. Parábolas são sementes que só vão desabrochar mais tarde e que vão se transformar em árvores de sabedoria e de misericórdia, ou seja, amor e sabedoria, as duas asas, né?

Para a humanidade só vai desabrochar depois. Aí eu me lembrei do que Emmanuel está usando aqui da parábola do semeador. Eis que o semeador saiu a semear, como se Jesus tivesse uma referência a ele mesmo. Mas a semente é de quem? Ele mesmo vai dizer ao interpretar a parábola para os apóstolos. A semente é a palavra de Deus. Ou se nós fôssemos traduzir hoje na linguagem do Joshua Heschel, as sementes são o patos divino, porque a semente é divina, não é de ninguém. A sabedoria da vida e o sentimento da vida procedem do Criador.

A única coisa que nós podemos fazer é refletir a sabedoria e o amor divino, porque nós nunca vamos conseguir nos igualar a sabedoria e o amor de Deus. A fonte do amor e a fonte da sabedoria no universo é Deus. Então, dele procedem as sementes. O que é que nós podemos fazer? Oferecer o coração. Quando a gente oferece o coração, essa semente cai. Aí, nós começamos a sofrer o quê? O que o Heschel vai chamar de ação divina em nós. O que é essa ação divina em nós? É o patos divino. É o que você sofre. É uma ação divina.

Essa ação divina é o quê? É esse desabrochar da semente que vai se transformar em árvore. É como se Deus quisesse transformar o nosso coração numa imagem do coração dele. E como o coração para o hebreu é sede da inteligência, da sabedoria e do sentimento, aqui não é um desenvolvimento só do sentimento, mas da própria sabedoria. Então, é a formação completa do coração. É profundo isso, não é? É profundo isso. Você viu? Numa frasezinha, aí vamos conectar. Vocês querem comentar alguma coisa antes da gente passar? Porque aí eu vou desenvolver um pouco esse raciocínio.

Eu estou aqui pensando e você… Uma das abordagens que você vai fazer no livro é quais são as armadilhas e limites quando interpretamos uma parábola. Eu acho que já dá para encaixar alguma coisa aí. Não é? A gente já está começando. A gente vai chegar no… Eu acho que a primeira… Nós vamos falar um pouquinho disso. Desenvolver um pouco mais o raciocínio. Eu acho que a primeira armadilha aí é você imaginar a parábola como uma peça teológica ou como uma peça intelectual. Como um discurso retórico feito em Atenas, no Areópago, por um grande orador ateniense.

Eu acho que isso é o maior equívoco que um ser humano pode cometer ao lidar com uma parábola. E não precisa nem dizer que é o que tem sido feito com as parábolas há dois mil anos. Há dois mil anos isso tem sido feito com as parábolas. Elas têm sido examinadas como uma peça de teologia e têm sido utilizadas para justificar até o assassinato. Até a perseguição do semelhante têm sido utilizadas as parábolas. Então, esse é um equívoco. Mas, prosseguindo naquilo, eu me lembro… Como é que a gente vai juntando as peças?

Quando você começa a pensar, meu Deus, então, isso aqui é diferente. Isso é diferente. Isso é diferente. Isso é uma forma de você encarar as parábolas e a própria Bíblia. A própria Bíblia. De uma forma totalmente diferente. Porque, qual é a missão do povo hebreu? O que é a Bíblia de verdade? O que é que eu vou encontrar ali? Você tem que mudar tudo. É isso que a gente queria desenvolver um pouco. No capítulo 3, do livro Boanova, tem o famoso diálogo de Jesus com Hanã, que é o sacerdote. E é engraçado que Jesus está sentado perto do Templo de Jerusalém, tem um grupo de sacerdotes conversando, aí um deles fica envolvido pelo magnetismo de Jesus, vai até ele e fala Galileu, o que você faz na cidade?

Ele fala, passo por aqui buscando implantar o Reino de Deus. Ele fica bem… que resposta mais… mais imponente, não é? Ele falou, o que você pensa que venha a ser isso? Galileu, o que você acha que é o Reino de Deus? Aí Jesus… Reino de Deus é a obra divina no coração do homem. Então, peraí, vamos voltar lá, porque eu acho que o Rachel e esse próprio vídeo do Rene Kivitz, do pastor Rene Kivitz, ajuda muita gente a entender isso. Primeiro, é obra humana? Não, não sou eu que estou fazendo. A construção do Reino de Deus não é algo que eu faço com as minhas mãos, é algo que Deus faz em mim.

É a obra divina. Então, eu sou quem? Eu estou sofrendo a ação divina, eu estou sofrendo o passo divino. Obra divina, onde? No coração do homem. Então, é algo que eu vou sofrer, é algo que eu vou experimentar. Bom, aí ele… Obra divina em tuas mãos? Porque, é claro, ele era inteligente. É Deus que age. Sempre. Deus é a causa primária. Claro. Mas ele age através de intermediário. Ele precisa de instrumentos. Precisa de instrumentos. Aí ele fala, obra divina em tua mão? Por acaso você conta com a colaboração de algum príncipe ilustre?

Aí ele fala assim, meus colaboradores virão de todas as partes. Eu trabalhava rede social naquela época. Jesus já tinha o Facebook dele. Meus colaboradores virão de todas as partes. Aí o sacerdote Irônico diz assim, claro, os ignorantes e os tolos estão em todas as partes. Começou a partir para a ironia, chamando Jesus de tolo, de ignorante. É claro. Todo dia sai um idiota de casa e esse idiota faz um tanto de seguidores no Twitter e no Facebook. É mais ou menos isso que o sacerdote falou em linguagem moderna. Mas, por acaso, Galileu, já vistes alguma estátua erguida de barro e lama?

É muito inteligente esse sacerdote. Eu conheço estátua, Galileu, feita de mármore. Porque, naturalmente, qual era o problema desse sacerdote? Ele estava com a Grécia dentro dele. Ele estava conversando com Jesus segundo os padrões gregos. Ele imaginava uma estátua de mármore. E você está falando de uma obra divina? A obra para mim, por excelência, são as estátuas de mármore da Grécia. As construções, os templos gregos, a arquitetura grega, que é de mármore, que é o material mais precioso, mais belo. Agora, pelo que você está falando, Deus está querendo construir através de você uma estátua de barro, de lama.

Aí, Jesus responde para ele assim sacerdote, não há mármore mais puro e mais formoso que o do sentimento e não há cinzel superior ao da boa vontade. Você não está entendendo. Tem um mármore muito mais puro em termos de material e muito mais formoso do que os mármores gregos. É o mármore do sentimento. É o sentimento. E o cinzel é a boa vontade. Mas, qual é a mão que vai pegar esse cinzel e vai esculpir no coração do homem? É a mão divina. Não é a obra humana. É Deus que vai pegar o cinzel da boa vontade, da nossa boa vontade e vai esculpir no nosso sentimento.

Ele vai fazer algo que é construir sentimentos puros e espiritualizados em nós. Fazendo o que? Passando o cinzel, tirando, tirando, cortando, ferindo. É dolorido. É dolorido, daí há dor e sofrimento. Fazem parte dessa escultura divina, porque senão você não tira até ele formar o quê? Um homem que é a imagem e semelhança dele mesmo. É um homem purificado. O que se transforma o Espírito em sua última encarnação? Espírito bem-aventurado, Espírito puro, purificou. Profundo isso, né? Aí o sacerdote, só para completar, ele fala assim, foge do assunto, fica impressionado e fala em tom de deboche, você conhece Roma ou Atenas?

Porque ele está preocupado com o quê? Roma e Grécia. Jesus fala, eu conheço o amor e a verdade, que é Deus. Parábola do semeador Eis que o semeador saiu a semear, e ao semear, uma parte caiu a perigo do caminho, e vieram as aves e as comeram. Outra parte caiu sobre solo pedregoso, onde não havia muita terra, e brotou imediatamente por não haver profundidade de terra. O Aroldo, eu estou achando espetáculo, já estou querendo ouvir, se pode ser. Porque eu estou pensando tanto aqui, a minha cabeça está surgindo. Eu quero desenvolver mais.

Eu estou pensando assim, o quanto isso é maravilhoso, especialmente porque o que você trouxe aí, é que Deus é o escultor. Não é isso? A obra é dele. A obra é dele. Como que a obra dele acontece dentro de nós? É vivendo a vida. É no seu trabalho, na sua profissão, na família. Eu diria até, sentindo com Deus. Pois é, mas se eu não tiver a ferramenta evangelho, boa nova, nas minhas mãos, ou seja, se eu não tiver um elemento para que eu possa compreender o que está acontecendo na minha vida, Deus não consegue operar dentro de minhas mãos.

Porque essa é a função do profeta, e Jesus é o profeta por excelência. O profeta por excelência é o que? É aquele que vem com o coração em chamas, com o coração em brasa, e procura transmitir para você essa brasa, esse sentimento. A função dele é nos conectar ao sentimento divino. Essa é a diretriz. É o que nós vamos trabalhar um pouquinho mais aqui. Então amanhã eu entro em um restaurante, encontro Jesus com os nossos companheiros. Exatamente. Eu consigo olhar para aquilo a partir de agora, e me enriquecer com o sentimento divino.

Exatamente, exatamente. Porque eu estudei, porque eu ouvi, porque eu aprendi isso. E eu começo a tentar entender assim, eu começo a entender, não, a compreender o que Deus espera de mim agora e aqui. Deus precisa agir agora e aqui. Não é lá e depois. Não é lá e depois. Então eu entro dentro da minha casa, Deus precisa agir agora e aqui. Quem vai ser o instrumento? Eu. Mas Ele só vai me poder usar como instrumento se eu for simpático a Ele, a Deus. Ou seja, se o meu coração estiver em sintonia com o coração do próprio Deus, do próprio Criador, aí sim, eu vou poder ser um instrumento fiel e afinado.

Aí eu sou aquele instrumento que toca afinado. Porque meu coração está vibrando com o Criador. Então, se os fariseus estivessem vibrando com Jesus, eles estariam vibrando com Deus e eles estariam entendendo o quê? Que naquele momento, Deus estava tentando resgatar as prostitutas e os pecadores. E estudar o Evangelho com superficialidade nos impede de sentir, nos impede de que Deus trabalhe a sua obra no nosso coração porque nós não conseguimos entender isso. Então, daí a importância do propagamento. O livro dos Espíritos, o livro 4, o livro dos Espíritos, livro 4, capítulo 2, dos gozos futuros, tem uma mensagem de Paulo, o apóstolo.

Aposto Paulo! Que eu recomendo a leitura. Recomendo a leitura porque essa mensagem é o resumo de todas as cartas de Paulo. Então, eu vou dar uma um gostinho, uma pitadinha. Então, vamos dar uma pitadinha, um gostinho dessa fala de Paulo. Ele diz assim, gravitar para a unidade divina, tal é o objetivo da humanidade. Gravitar para a unidade divina, ou seja, o objetivo da humanidade é passar a gravitar em torno de Deus. Porque até agora nós temos gravitado em torno de nós mesmos. E o que é o egoísmo? O egoísmo é eu no centro.

E a egolatria, ou orgulho, é o que? O culto de mim mesmo. Quando eu passo a gravitar em torno de Deus, da unidade divina, o eu sai do centro. Ele não deixa de existir, eu continuo com a minha individualidade, mas eu saio do centro. Quando eu saio do centro, eu passo a ser igual a todas as criaturas de Deus e eu passo a entender que o objetivo de Deus, o desejo de Deus é o bem de todos, não apenas o meu bem. Então, gravitar para a unidade divina, tal é o objetivo da humanidade. Para atingi-lo, são necessárias três coisas.

Isso é Paulo que está falando. A justiça, o amor e a ciência. Três coisas são opostas e contrárias. A ignorância, que é o oposto da ciência, o ódio, que é o oposto do amor, e a injustiça, que é o oposto da justiça. Olha o que ele está falando. Vamos trabalhar isso aqui um pouquinho. Porque justiça, amor e ciência é Roma, Israel e Grécia. Os três mundos de Paulo. Roma, Israel e Grécia. Israel era doutor da lei. Roma era cidadão romano. Grécia, porque ele estudou em Tarso, segundo Emmanuel, com os mestres bem amados, trabalhados pelas escolas de Atenas e Alexandria.

Está na primeira parte, capítulo 4 de Paulo Estevam. E ele falava de preferência o grego, a que se afeiçoara na cidade natal, no convívio dos mestres bem amados, trabalhados pelas escolas de Atenas e Alexandria. Então, Paulo é um homem de três mundos. Vamos ver a função de cada mundo. Eu peguei aqui um historiador, Nicholas Thomas Wright, um grande escritor. O que ele vai falar? Que durante muito tempo a República Romana se orgulhou da sua justiça e, em meados do reino de Augusto, a justiça também foi designada como uma deusa oficial.

Roma possuía a justiça e tinha a obrigação de compartilhá-la com o mundo. Olha só! A obrigação de compartilhá-la com o mundo. A liberdade, a justiça, a paz e a salvação eram os temas imperiais. E esses temas, justiça, paz, salvação, de Roma, podiam ser encontrados em todos os meios de comunicação do velho mundo. Isto é, nas estátuas, nas moedas, nas poesias, nos cantos e nos discursos dos autores romanos. E o anúncio desses temas, quer dizer, o anúncio desses temas da função de Roma voltava-se naturalmente para quem?

Para a pessoa do imperador romano, que era quem concentrava Roma, quem representava Roma, o imperador romano. Daí, o culto ao imperador romano. A religião de Roma era o quê? O culto ao Deus romano, que era o imperador de Roma. E sabe como é que ele chamava essa notícia? A notícia de que Roma é a terra da liberdade, da justiça e que ela vai salvar o mundo? Sabe como é que eles chamavam isso? De evangelho. Evangelho, a boa notícia. A boa notícia de Roma era essa. Cultuem Deus, o imperador romano, porque Roma vai trazer a justiça para o mundo.

Gente, olha que coisa! Agora a gente começa a entender o que é o evangelho de Jesus, que é outra boa notícia. Meu reino ainda não é deste mundo, porque deste mundo é o reino romano. É profundo isso. Mas a missão de Roma era a justiça. A missão de Roma era implantar um sistema socioeconômico mais justo. Exatamente, Fred. Uma terra sem fronteiras, uma única moeda, um único sistema de governo. Era estabelecer a justiça na terra. E a Grécia? Desde a época do conquistador Alexandre Magno, cerca de 300 anos antes da época de Paulo, o grego tinha se tornado não só a segunda língua dos diversos povos, como o inglês de nossos dias, mas em muitas regiões o grego era também a estrutura de pensamento de todo o mundo.

E até hoje o mundo ocidental repousa no pensamento grego. O grego, a Grécia, é a fonte da ciência, do conhecimento e, em última análise, o caminho para a sabedoria. Então, aqui nós identificamos a mensagem de Paulo no Livro dos Espíritos. Roma tinha a missão da justiça. Grécia tinha a missão da sabedoria. Quem tinha a missão do amor? O povo que criou a Bíblia. O povo da Bíblia. Então, a Bíblia é um testemunho de amor. Não é um testemunho nem de organização social, nem de estruturação social e muito menos de ciência, de tratado filosófico, de tratado político, de retórica, de pensamento.

É sentimento. Aí eu vou ler aqui um pedacinho. Isso é sério, né? Por mim pode ser sério. Olha só. Já valeu, né? O Estêvão Bittencourt, ele diz no livro dele, para entender o Antigo Testamento, ele fala assim, o gênio semito é intuitivo, mais do que abstrato. O judeu, ao perceber um objeto, não se preocupava com discernimento de detalhes. Ele queria, ele simplesmente queria aprender. O concreto interessava o mais que o abstrato. Esse é o tipo do sentimento, né? O tipo do sentimento. Ele vai dizer aqui que eles procuravam transmitir da maneira mais penetrante possível um estado de alma.

Isso faz que uma página de literatura semita seja impregnada de movimento, variedade de pessoas, coisas que se sucedem com realismo, emoções, afetos diversos que perpassam a história. Então, é uma linguagem que está ligada particularmente à experiência. Ela mais evoca do que exprime. Ela é uma peça de dramaturgia. Ela quer provocar em você um sentimento. Ela não é um tratado filosófico. Onde eu estou querendo chegar aqui? Olha só, duas coisinhas, né? Para passar que eu estou falando muito, né? Nesse episódio. Aqui não tem o que interromper, não.

Estou falando muito. Tem uma passagem no livro Boa Nova que é a conversa de Jesus com Nicodemo. Jesus fala com ele e Nicodemo não entende nada. Aí os apóstolos, Tiago chega, começa a conversar e numa hora ele fala eu entendi agora o mecanismo dos resgates, mas olha só, desse jeito que o senhor está falando, toda vez que alguém assassinar, ele vai ter que ser assassinado. Então o mundo vai viver em um clima de escândalo. Aí Humberto Campos diz assim, Jesus compreendeu a amplitude da objeção e perguntou para Tiago, Tiago, como se dá na lei de Moisés o processo de redenção?

Olha que pergunta. Na lei de Moisés, como é que a criatura se redime do mal? Como é que ele se purifica do erro? Ah, 99,999% das pessoas, se a gente fizesse essa pergunta num auditório com 500 mil espíritas, todos vão levantar o dendiva e responder, como Tiago respondeu. Na lei de Moisés está escrito olho por olho, dente por dente. Aí Jesus fala, até tu, Tiago, estás procedendo como Nicodemos, olha, mas não critico a exiguidade, ou seja, a estreiteza de visão espiritual com que examinas as Escrituras. Como todos os homens, tens raciocinado, mas não tem sentido.

Você não está sentindo. Não percebestes, Tiago, que acima do não matarás, do não adulterarás, está o amar a Deus sobre todas as coisas? Como pode alguém amar a Deus, aborrecendo-lhe a obra? Então Jesus falou, meu amigo, você está interpretando a Bíblia tudo errado. Você está só raciocinando, você não está sentindo. E a missão de Israel é o amor. A missão de Israel era religiosidade. E a religiosidade tem a ver com sentimento. É a obra de Deus no coração do homem. Tem a ver com sentimento, tem a ver com evocar sentimentos, tem a ver com provocar sentimentos.

Se não, você não compreendeu. Se não for com sentimento, você não compreendeu. Aí agora a gente entende a prece de Alta de Sousa. Meu irmão, tuas preces mais singelas são ouvidas no espaço ilimitado, mas sei que às vezes choras consternado ao silêncio da força que interpelas. Está fazendo a prece, mas parece que não está sendo ouvido. Aí o conselho, volve, volta ao teu templo interno e abandonado, a mais alta de todas as capelas. Está no coração. E, As respostas mais lúcidas e belas hão de trazer-te alegre e deslumbrado.

Ouve o teu coração em cada prece. Deus responde em ti mesmo e te esclarece com a força eterna da consolação. Ou seja, como que Deus fala conosco? Suscitando sentimentos em nós. É o pato divino. É o patos do rei Herschel, o divino. Quando você ora a Deus, como é que ele responde? Provocando sentimentos em você. E esses sentimentos que ele provoca em você são a resposta. Ouve o teu coração em cada prece. Deus responde em ti mesmo e te esclarece com a força eterna da consolação. Compreenderás, então, a dor que te domina sob a linguagem pura e peregrina da voz de Deus em luz de redenção.

… Olha! Bom, falta dois terçozinhos, vou deixar vocês falarem um pouquinho pra eu rachar aqui. Eu tenho certeza que os nossos companheiros que acompanham o nosso Pode Ser de hoje estão nesse instante como eu, como Tiago e como você. Acho que Deus tá falando no coração da gente. Nós estamos aqui, gente, inflamados do Espírito Santo. Meu Deus! Tô sentindo Deus aqui, garoto. É, porque a gente começa a sentir. Com certeza. Porque as coisas começam a fazer um sentido e isso amplia a nossa fé, a nossa… Quero levar esse sentimento embora hoje.

Outra parábola propôs-lhes, dizendo O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Dormindo, porém, os homens veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo e partiu. Quando germinou o ramo e produziu fruto, então apareceu também o joio. Aproximando-se os servos do Senhor da casa, disseram, Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde, portanto, terá vindo o joio? E ele lhes disse, um homem inimigo fez isso. Que beleza, né, gente? Só pra concluir esse raciocínio, só pra lembrar o ouvinte, nós estamos na parte o que é parábola.

Até agora, esse episódio está falando o que é parábola. Só que deu pra perceber, quando eu faço essa pergunta, eu estou, na verdade, perguntando o que é Bíblia, o que é religiosidade e o que é o homem relacionando com Deus. Eu chego nessas questões magnas. Nós vamos encontrar, na mesma mensagem de Paulo de Tarso, no livro dos Espíritos, no livro 4, capítulo 2, olha o que ele vai falar. Quem é, de fato, o culpado? Quem é o culpado? É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem.

Qual é o objetivo da criação? É o culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo homem Deus, por Jesus Cristo. Mas, esse texto é de 1857. O Jung só ia nascer em 1875. Ninguém tinha usado essa palavra arquétipo nesse sentido. Paulo aqui está dizendo que Jesus é o arquétipo humano. Ele é o homem Deus. Ele é o… Aí, o que ele está falando aqui? O que ele já falou. Ele falou isso em Coríntios, em Gálatas, em Romano. O que ele falou lá? Capítulo 2 de Gênesis. Façamos o homem a nossa imagem e semelhança.

Está lá. Como é que os judeus interpretam isso? Que é Deus com seu conselho de anjos. Deus viva! Vamos fazer o homem a nossa imagem e semelhança. Quem saiu? Saiu Adão, o primeiro homem, o primeiro Adão, alma vivente. É o encarnado por excelência, cheio de paixão, de egoísmo, de instinto de conservação. Ele quer se proteger, ele quer garantir a felicidade dele, ele quer garantir o bem dele. É ele. Ele está no bem, os outros não têm problema. Isso é egoísmo. É egoísmo. Esse é o modus operandi do encarnado por excelência, do homem biológico.

É o primeiro Adão. Aí Paulo diz assim… Avançado e corrompido, o homem tem sensações. Lázaro, no Evangelho dos Segundos Espiritistas. Corrompido. Corrompido. O homem é o homem do caráter, é o homem material, é o alma vivente. Aí vem o segundo Adão, espírito vivificante, que é Jesus. Então Paulo, simbolicamente, diz assim… Por um homem entrou o pecado no mundo. O que é o pecado aqui? Ele está falando o que é o pecado aqui? Um desvio, um falso movimento da alma. Gente, que falso movimento é esse, Tiago? Como é que Paulo começa essa mensagem aqui?

Gravitar em torno da unidade divina. Eis o objetivo da humanidade. Quando eu deixo de gravitar em torno de Deus e passo gravitar em torno de mim, o que eu fiz? Desvio. Eu desviei a rota. Isso é um pecado. Corrupção. Corrompeu. Corrompeu. Isso é que é pecado. É você colocar você no centro. Aí começa a imperar o que? Egoísmo e orgulho. Porque você passa a cultuar você. Você se escolhe como Deus. Você passa a adorar você em vez de adorar Deus. E você passa a agir, sentir, pensar pelo seu próprio bem, no seu interesse pessoal e que se dane o semelhante.

Isso é o pecado. Aí o que acontece com você? Você se deforma. Você deixa de ser o projeto. Você sai da planta. A planta era o homem, imagem de Deus. Você passa a ser uma imagem humana, obra humana. Obra humana. Você passa a ser fruto de você mesmo. Aí o Paulo fala assim. O que é o castigo? A consequência natural derivada desse falso movimento. Uma soma de dores necessárias a desgostá-lo da sua deformidade. Gente, olha o que o Paulo está falando. É um conjunto de dores para você ficar desgostoso da sua deformidade, porque você se deformou.

Você está feio. Como é que você desgosta da sua deformidade? Pela experimentação do sofrimento. O castigo é o aguilhão que excita a alma pela amargura a se dobrar sobre si mesma e a voltar ao porto da salvação. O objetivo do castigo não é outro, senão a reabilitação, a redenção. A reabilitação, a redenção. Oh, em verdade vos digo, deixai de comparar na sua eternidade o bem, essência do Criador, com o mal, essência da criatura. Porque a nossa essência é o que? É Egoísmo e orgulho. É colocar a gente no centro, começar a cultuar nós mesmos e começar a agir apenas em favor de nós.

Isso é obra humana. Isso é a obra humana, por excelência, que Paulo vai chamar na Bíblia de pecado. Esse é o Adão. É o homem feito a imagem dele mesmo. É o homem no centro. Que pasmem, gente! Mas, é o ideal grego. O homem como medida do próprio homem. Sendo que a proposta da revelação divina é Deus no centro e o homem imagem de Deus. E qual que é o tipo mais perfeito desse homem Deus? Qual que é o arquétipo humano? Jesus. Jesus. Quando a gente entende isso, qual que é o objetivo de Israel da primeira revelação, da segunda revelação e da terceira que veio abarcar as três missões lá de Roma, de Grécia e de Israel?

Qual que era a função da primeira e da segunda revelação? Trabalhar o coração do homem. Provocar no homem um sentimento. Onde nós encontramos isso, gente? Paraba do bom samaritano. Paraba do bom samaritano. Descia um samaritano de viagem. Viu o homem caído. O que aconteceu com ele? O verbo está no passivo. Ele compadeceu-se. Ele sentiu. Se fosse traduzir mesmo, seria assim. A compaixão entrou nele. Ele tornou-se simpático ao homem caído. O que está querendo dizer isso, gente? O que está querendo dizer? Deus tomou conta desse homem.

O amor divino pelo caído tomou conta daquele homem e aquele homem passou a ser instrumento de Deus para ajudar o homem que estava caído. E aí Jesus termina a parábola perguntando assim para o doutor da lei. Quem foi o próximo do homem caído? Porque o doutor da lei perguntou para Jesus quem é meu próximo? É muito bom, não é? Eu estou na minha cadeira sentado preguiçosamente e te pergunto quem é meu próximo? E aqui Jesus está perguntando não, não. Você vai ser o próximo de quem? Porque quando Deus invade o seu coração, quando o sentimento de Deus invade o seu coração, você quer ser o próximo do outro.

Você quer ser o instrumento de Deus para ajudar o outro. E aí você vai ser instrumento mesmo. Isso é a parábola do bom samaritano. Por isso que o Heschel, o Joshua Heschel dizia assim, ele propunha o encontro de todas as religiões, que as religiões abandonassem seus dogmas, suas teologias e vivessem um processo de encontro com Deus, de deixar Deus entrar no seu sentimento para quê? Para que o amor que Deus tem pela humanidade, esse amor passasse a ficar presente no nosso coração e nós nos transformássemos em instrumentos de Deus para transformar a humanidade numa humanidade num mundo melhor.

Aí é diferente, né? Aí é bem diferente. Enquanto vocês comentam, eu vou tentar achar um texto do Consolador aqui que fala um pouco sobre isso também. Meu Haroldo, eu noto que nos últimos anos, eu não conheço o movimento Espírita Nacional como você conhece, mas eu noto nos últimos anos que dentro do Espiritismo a gente vem encontrando muitos companheiros, muitos expositores, né? Falando e enaltecendo a importância do desenvolvimento do sentimento. Eu sinto isso especialmente nos últimos cinco anos, sabe Haroldo? E como que uma descoberta, claro que se nós pegarmos os grandes votos do Espiritismo, eles estão falando disso há muito tempo, né?

O tempo inteiro. Mas eu vejo que numa escala maior, num entendimento um pouco maior da massa, dos grupos maiores e não de algumas cabeças, isso tem acontecido e eu acho que tem tudo a ver com isso que você está dizendo. Com o despertar para uma religiosidade mais profunda e isso dentro do movimento espírita, dentro das casas, dos centros espíritas, é muito importante porque uma característica nossa é racionalidade, né? É o entendimento através da razão, é a fé raciocinada. Nós somos treinados, né? O mundo ocidental nos treinou há três mil anos para isso.

E ao mesmo tempo uma incapacidade de sentir com alguém, né? De ter compaixão, de ter religiosidade verdadeira, de conseguir fazer uma prece sentida, de entrar na casa íntima, né? Então, nós temos que agradecer isso aí porque esse entendimento eu acho que isso pode promover uma mudança estrutural essencial no mundo. E no fundo é o que o Emmanuel fala no Caminho da Luz. Esse é o problema da raça ariana que vem de capela. Eu ouvi também o Coração Quebrantado do René Kivitz, né? Que eu achei também fenomenal e tem a ver com isso.

Quer dizer, é um movimento mundial, né? É mundial. E aí quando a gente pensa, por exemplo, no ariano, o que o Emmanuel fala? A dor da perda afetiva, dos afetos que o ariano deixou em capela. O fato de vir para um mundo primitivo e ter saído do mundo tecnológico, saído do mundo cheio de conforto, para vir para um mundo primitivo, foi uma dor tão profunda, e o que o ariano que fez? Trancafiou o coração. Transformou o coração numa pedra de gelo. Ele falou eu agora não vou sentir, porque se eu sentir, eu não ueno. Então, ele ficou igual um pato, um marreco impermeável ao sentimento.

E falou assim, eu vou transformar esse mundo aqui num paraíso e vou gozar, gozar até as últimas forças. Já que eu não construo o reino de Deus no meu coração, vou construir ele fora de meu voador. Eu vou fazer um reino, o reino do gozo, do prazer, aqui na Terra. Pobre de nós, hein? E nós estamos, olha, há milênios nesse processo. E quando você começa a pensar nisso, nessa obra divina no coração do homem, é importante pensar. Importante pensar. O que que a Lívia, esposa do Públio Lentos, fez? Ela montou uma creche para receber 500 mil crianças?

Ela montou um asilo para receber? Tem a ver? Porque… Perdoa o marido 20 anos. Nós temos um conceito que é o seguinte, conceito de zona motora. Eu tenho que fazer igual um trator, fazer, fazer, fazer, fazer, fazer. Claro, nós temos que realizar, é óbvio, porque Deus realiza através de nós. Mas, a diferença aqui é o seguinte, o dogma protestante da graça quase pegou a ideia, só que falhou. Eles quase chegaram lá. A questão não é opor fé e obra. Não é esse o ponto. Não é isso. A questão é diferenciar obra humana de obra divina feita por mim.

Através de mim, melhor. Obra humana… Para o Ariano, a obra divina, a obra supostamente divina, é uma maravilha. Então, qual que é a diferença aqui? Quando eu faço obra humana, é quando a minha concepção, o meu sentimento, o meu projeto, a minha ação, tira Deus disso. A obra divina por meu intermédio é Deus chega de mansinho, desperta sentimentos divinos em mim me seduz, me torna um parceiro dele e eu passo a agir por Deus. Movido pelo amor divino. Que é o que o Paulo fala em Coríntios. Ainda que eu desse todos os meus bens aos pobres, se eu não tiver o amor, ou seja, se eu doar todos os meus bens aos pobres, sem essa conexão do Deus, eu estou fazendo uma obra humana.

Ela é beneficência. Eu vou até ter muito mérito, mas eu não estou sendo um instrumento de Deus. Então, quando eu pego uma alívia, uma ana, uma célia, um alcione, o que que essas pessoas fizeram? Deixaram Deus tomar conta do coração delas. E aí, meu amigo, quando Deus toma conta do seu coração, onde você estiver, você reflete Deus e você é instrumento de Deus. Então, você para de ficar procurando obra. Você para de ficar procurando obra. Você se coloca à disposição do Criador para agir quando ele te acionar. Acabou.

É bonito. Eu lembro até o Anório Abreu, ele falava isso. Ele é muito bonito, né? Como é que Jesus trabalhava? Ele acordava cedo, ia para a beira do lago, fazia a prece dele, fazia a prece, entrava em sintonia, daí a pouco estava cheio de gente em torno dele. Por quê? Por que Deus tomava conta do coração dele? Aí, meu amigo, é só esperar. As circunstâncias que são também obras de Deus, que as circunstâncias vai te colocar na ação correta. E isso é a verdadeira caridade. Isso é a verdadeira ação. Essa é a ação divina que vai mudar o mundo.

Porque muitas vezes, na nossa boa vontade, na nossa vontade de fazer o bem a partir de mim, o que eu estou querendo, na verdade, é submeter os outros aos meus pensamentos, aos meus sentimentos, à minha visão de mundo. Eu estou querendo escravizar as pessoas em nome da minha suposta caridade. E não é isso. Então, o que é a parábola? A parábola é Jesus tentando incendiar o nosso coração. Por isso que ele fala eu vim trazer fogo à terra. Ele quer o que ele queime. O quanto antes. O quanto antes. Mas a pessoa imagina que é um fogo de revolução social.

Que bobagem. O fogo que ele quer é esse sentimento divino ardendo dentro de nós. É você começar a sentir. Porque, Fred, você imagina. Dá pra entender o Emmanuel no livro? Quando ele diz assim, olha, em tempos de transformação, o sentimento, a religiosidade é mais que importante pra poder segurar o homem. Porque você pensa assim, quem ama mais no universo? Deus. Quem menos é recompensado? Deus. Você imagina. Eu, Haroldo, sou um ser limitado. Como que eu vou retribuir o amor que Deus tem por mim? Então, nunca vai ter justiça na minha relação com Deus?

É igual a relação marido-mulher. A mulher chega pra você e fala, você não está retribuindo a altura. Você precisa ser mais carinhoso. Você precisa trazer uma surpresa de vez em quando. Você precisa ser mais empático. O que ela está querendo? Ela está querendo pelo menos um nível mais equilibrado de relacionamento. Imagina se Deus pedisse isso pra gente? Imagina se Deus chegasse aqui, Tiago, senta aqui, meu filho. Olha, eu queria um pouco mais de igualdade na nossa relação, meu filho. Eu queria que você me amasse pelo menos como eu te amo.

Impossível! Deus é o único ser que nunca vai ser integralmente retribuído. O amor dele é infinitamente desigual. Desigual. O amor dele é desigual. Outra coisa, Deus… Nós estamos falando de egoísmo. Amor, egoísmo. Agora vamos falar de orgulho. Deus é o único ser da criação que nunca aparece. Deus sempre se oculta. Deus é o mais humilde do universo. Ele nunca aparece. E ele sempre age por intermédio. Ou quando ele age diretamente, quando ele age no nosso coração diretamente, é tão sutil, porque ele provoca sentimentos em você e se você não estiver atento, você não vai perceber que é ele que entrou no seu coração.

Ele entra sem barulho. É o mais oculto. Quando você pensa nisso, aí a gente entende o que que Jesus cobrava. O rapaz falou assim, bom mestre! O que você está me chamando de bom, rapaz? Você ficou louco? Me chamando de bom? Bom é só um, Deus. Ou quando Jesus fala assim, a minha comida é fazer a vontade do meu pai. Porque Jesus está tão em sintonia Jesus é o seguinte, se Deus tem um sentimento, Jesus capta. Deus está tão em sintonia com o sentimento divino, que Jesus já não consegue conceber ele não sendo instrumento de Deus.

Então, Jesus já se coloca como, olha, a minha eu quero fazer a vontade de Deus. A minha obra é fazer a vontade do pai. Ele está disponível para a ação de Deus. Isso é bonito, né? Nossa! Isso é bonito. Isso é bonito. E aí nós vamos entender o capítulo, a pergunta 135 do livro O Consolador. Se o determinismo divino é o do bem, quem criou o mal? Olha que pergunta inteligente. Deus é o bem absoluto. O único determinismo que existe é o do bem. É quem criou o mal. É o que o Paulo está falando lá, do desvio e do movimento.

Aí Emmanuel responde assim, O determinismo divino se constitui de uma só lei. Qual que é a lei? Só tem uma lei, que é a lei do amor para a comunidade universal. Então, o determinismo divino, a lei divina, não é só para a Terra, não. Não é só para terreno, não. Não é só para quem mora aqui no planeta Terra, não. A lei de Deus é para os milhões de galáxias, só no material, fora o universo espiritual. É comunidade universal. Todavia, confiando em si mesmo mais do que em Deus, olha o orgulho aí, eu tirei Deus do centro e me coloquei no centro, confiando mais em si mesmo do que em Deus, o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei.

Como eu me coloquei no centro, eu começo a agir de forma contrária à lei do amor, efetuando desse modo uma intervenção indébita na harmonia divina. Eu passo a atrapalhar o que está tudo correto. Eu passo a fazer bobagem, a atrapalhar a harmonia divina. Eis o mal. O que tem que fazer agora? Urge recompor os zelos dessa harmonia sublime. Eis o resgate. Eu achei que resgate era Deus castigar. Era a gente sofrer. Resgate é recompor os zelos da harmonia divina. Qual a harmonia divina? Primeiro, os zelos de você ter se distanciado de Deus.

Então, o primeiro elo que foi rompido foi o elo de você com Deus. Então, nós vamos precisar fazer o que? Religar. Religiosidade. Religiosidade. Religar. Recompor o elo. Segundo, eu atrapalhei a harmonia divina. Então, eu quebrei um tanto de elo. Eu vou ter que recompor os zelos que eu atrapalhei. Isso é que é o resgate. Vê, depois, que o mal, essencialmente considerado, não pode existir para Deus em virtude de representar um desvio do homem, sendo zero na sabedoria e na providência divina. O que que a mãe está querendo dizer?

Gente, o mal é um desvio da criatura humana. Na comunidade universal, isso representa 0,00000000 0,00000000000 Até amanhã, dizendo 0, 1. Não é nada. Para Deus. E qualquer número multiplicado ao infinito é zero. O que que é o homem desviar? É o seu filhinho de dois anos de roubar comida na roupinha dele. Não é nada. Nada. O criador é sempre para o Pai generoso e sábio, justo e amigo, considerando os filhos transviados como incursos em vastas experiências”, olha só, experiências dolorosas, mas vastas, mas como Jesus e os seus prepostos são seus cooperadores divinos, olha só, Jesus e os seus prepostos são cooperadores de Deus, eles próprios instituem as tarefas contra os desvios das criaturas humanas, então é como se Jesus é o pedagogo de Deus, ele é a super nanny da terra, focalizando os prejuízos do mal com a força de suas responsabilidades educativas, olha só, então Jesus vai focalizar o nosso mal com as responsabilidades educativas, a fim de que a humanidade siga retamente no seu verdadeiro caminho para Deus, por isso que as parábolas são sementes que seriam plantadas no nosso coração e que um dia desaproxiariam em árvores de misericórdia e de sabedoria para a humanidade.

O reino dos céus é semelhante a um grão de mostrada que um homem recebeu e semeou em seu campo. O reino dos céus é semelhante a um grão de mostrada que um homem recebeu e semeou em seu campo. Maroto, dá até vergonha de fazer pergunta. Não, tá sem jeito, tem que avançar. Estamos sem jeito de fazer pergunta aqui, né Fred? Dá vergonha, porque a minha pergunta agora é um copo de água, todo mundo vai parar agora para tomar um copo de água, que é a minha pergunta. Como é que você vai tocar, como é que você vai conduzir tudo isso no livro, né?

Você vai falar de quê? Quais são os capítulos que nós vamos encontrar no livro? Ah, isso é uma pergunta muito boa. Isso é uma pergunta boa, nós vamos até disponibilizar, o livro vai ter uma página na internet, até o lançamento do livro as pessoas vão poder consultar essa página, vão poder interagir, vão poder contar histórias. A gente quer que todo mundo divulgue no seu Facebook, no seu Twitter, para a gente criar um tsunami aí de debate, porque o objetivo é debater essas coisas, né? É criar esse sentimento, é a gente entrar em sintonia com esses sentimentos.

O livro vai ter fonte das suas pesquisas, vai ter espiritismo? Vai, nós idealizamos ele assim, um livro com sete capítulos. São poucos capítulos. No primeiro capítulo a gente quer falar sobre Deus, o homem e a natureza, novos paradigmas. A gente colocou assim, um olhar cósmico, Deus universal, o homem visto como espírito imortal e a natureza como obra viva do próprio Deus, como o livro divino, ou como diz o Lúcio no Cementeiro de Luz. A natureza é a Bíblia de Deus, o livro divino. Então, a gente quer… Qual que é o objetivo com esse capítulo aqui, Fred?

É ejetar o leitor para fora do sistema solar. Eu não quero que ele saia da Terra, não. Eu quero que ele saia do sistema solar. Só isso? Por quê? Porque nós estamos acostumados a pensar em Deus e o homem achando que Deus é Deus da Terra. Eu morro de rir das teologias, dos dogmas religiosos, porque o Deus é um Deus terráqueo. Você trouxe a visão agora há pouco de que nós somos uma criança de dois anos derramando um pratinho no chão. Exato. Essa visão de um Deus na Terra é como se eu tivesse 30 e o meu pai 50. Ou seja, eu tenho condições de discutir com o meu pai.

E nós não temos condições de aprender a divindade. Então, você imagina, na Via Láctea, eles calculam aproximadamente 100 milhões de sóis. E no universo conhecido, aproximadamente 200 milhões de galáxias. Só na nossa, 100 milhões de sóis. E esses 100 milhões de sóis com seus planetas. Orbitando ao redor. Um solzinho, um desses 100 milhões da Via Láctea. E a Via Láctea é uma das 200 milhões de galáxias. Um solzinho de quinta grandeza. Tem oito, nove planetas. E um planetinho chamado Terra. E a gente acha que Deus é Deus da Terra.

E a gente acha que o terremoto que aconteceu no Japão vai inviabilizar a vida nas 200 milhões de galáxias do universo. Gente, é muita limitação. É um pensamento muito pequenininho esse. É a criancinha de dois anos que acha que o chiqueirinho dela é a cidade. Na verdade é essa. Tem até um filme aquele, O Homem de Preto. Que tá numa gaveta, né? Ele abre uma gavetinha assim do mundo dele e vê lá fora. Fica assustado. Quer dizer, nós tamo vendo uma gavetinha, né? Então aqui o objetivo desse capítulo é ejetar o leitor pra fora do Sistema Solar.

Porque se você não sair do Sistema Solar, não dá pra entender as parábolas de Jesus. Interessante que a história de Eurípides Barçalufo, né? Quando ele funda o colégio Allan Kardec, ele recebe uma mensagem de Maria que pede pra que ensinasse astronomia. Olha! Ou seja… Uma educação do olhar. Para de pensar em Terra. Aí fica assim, a minha religião vai salvar a Terra. Ah, meu Deus, que coisa, né? Eu convertei as pessoas pra minha religião. E isso vai resolver o problema das 200 milhões de galáxias do Universo? Material.

O Universo é material. Vai resolver? Vai resolver o problema dos 100 milhões de sóis da Via Láctea? É… É muito… Então, o que a gente quer fazer aqui é provocar no leitor um senso de mildez. Exatamente. Você se sentir pequenininho. Deus é… Inconcebível. É a busca da humildade. Deus é ilimitado. E vamos passar a enxergar tudo que está relacionado a Deus de uma forma mais ampla. No segundo capítulo, a gente quer falar sobre linguagem. E linguística? Linguagem. O que é linguagem? Tem várias teorias. Nós vamos falar um pouco sobre isso.

As abordagens linguísticas. O que é discurso? Por quê? Porque Jesus utilizou a linguagem. Então, se a gente não entender o que é linguagem, nós não vamos entender o meio que ele utilizou para transmitir os ensinamentos. Não só para transmitir os ensinamentos, mas para provocar em nós sentimentos. A linguagem está envolvida nisso. Depois nós vamos falar o que é texto. As parábolas são textos. Pelo menos elas foram escritas. Depois que elas foram escritas, elas viraram textos. E mesmo o texto falado, as falas também são textos.

O que é um texto? Nós vamos falar um pouquinho sobre isso. O que é contexto? É o que está em volta do texto. É o que está em volta do texto. Depois, os gêneros literários. Você não pode ler uma poesia como se lê uma parábola. Você não pode ler uma parábola como se lê uma narração histórica. Então, nós vamos falar que no Novo Testamento, nos Evangelhos, está cheio de gêneros literários. Se você não entender o gênero literário, a sua interpretação vai ser equivocada. Depois, nós vamos falar um pouquinho sobre parábolas.

Um pouquinho que a gente falou isso aqui. O conceito judaico de parábola, machado, figura de linguagem. E depois, nós vamos dar um exemplo. Um exemplo de parábola e um exemplo a ser seguido. Vamos comentar um pouquinho da parábola do bom samaritano. É vivo, se encerra. Haroldo, só mais uma perguntinha. O nosso tempo acabou, não é, Tiago? Acabou. Nós estamos com uma hora e quarenta e três. Essa pergunta é rápida. Só para a gente encerrar. Nós vamos aprender a observar o Evangelho ou nós vamos aprender a observar a Bíblia como um todo a partir desse livro As Parábolas, Texto e Contexto.

Esse é o propósito. Inclusive, falar um pouco disso que a gente falou longamente aqui hoje. Da missão de Israel como a missão do sentimento, do sentimento de religiosidade, do sentimento de ligar o homem a Deus, do homem que vai ser o homem enquanto coração, né? Coração, fonte de amor e de sabedoria sendo esculpido por Deus, que é essa que é a função da verdadeira religiosidade, né? É falar um pouco dessa trajetória para a gente entender esse processo e separar. Uma coisa é estudar a filosofia grega, outra coisa é estudar as conquistas romanas, outra coisa é a Bíblia.

É diferente. É um outro mundo. É outro mundo. Aqui você está penetrando num território diferente. Então, a gente quer… Eu diria, sabe, Fred, que hoje eu estou mais preocupado… Antes eu ficava preocupado, assim, técnicas de interpretação. Com o tempo, eu fui descobrindo que técnicas são como ferramentas. Se você tem um prego, você precisa de um martelo. Se você tem um parafuso, você precisa de uma chave de fenda ou uma chave Phillips. Se você precisa de um alicate, precisa de um serrote, precisa de um enxó. Dependendo do material que o texto tem, você vai precisar de uma ferramenta diferente.

Mas a questão não está em ferramenta, não está na técnica. A questão aqui é de uma sensibilidade que precisa ser desenvolvida. Um olhar diferente. E, especificamente, as parábolas, elas exigem um olhar, uma sensibilidade nova, uma postura de alma nova. Sem essa postura de alma, você não penetra nas parábolas de forma eficaz, de forma eficiente. Você não penetra. Você fica na superfície. Você fica na superfície. Para penetrar verdadeiramente, é preciso uma sensibilidade. Claro, eu não tenho todas as respostas, também estou no caminho, estou caminhando junto.

O objetivo desse livro é compartilhar sensibilidades. Porque, na medida em que a nossa sensibilidade vai ficando mais apurada, eu, você, todos nós, vão passar a enxergar coisas nas parábolas que antes a gente não tinha enxergado. Em principal, nós vamos começar a sentir coisas que nós nunca tínhamos sentido antes. É isso que é maravilhoso. Eu acho que, para finalizar, eu acho que o Arudo podia dar uma palinha para a gente de interpretação de uma parábola. Eu vou deixar ele escolher. Eu tenho a minha preferida, mas eu vou deixar ele escolher, não a que está no livro, para não estragar a surpresa.

Mas eu acho que tem que ser uma… Eu, já que a gente falou muito disso aqui, né? Hoje, na verdade, a gente falou muito sobre o filho pródigo. Eu não gosto nem de chamar essa parábola. Tem o pastor Enéas, grande amigo, ele até brinca, né? Ele fala assim, você podia colocar aí na tradução o título dessa parábola, os três pródigos. Porque não é um pródigo só, não, são três. O primeiro é o filho mais novo. Qual foi o maior erro dele? Ele falou, pai, me dá minha parte na herança que eu vou partir para longe. Vai se afastar de Deus.

Porque, como diz Paulo, gravitar em torno da unidade divina, eis o objetivo da humanidade. Gravitar em torno da unidade divina, ou seja, está pertinho de Deus, está girando em torno de Deus. Aí o filho fala, pai, eu vou para longe. O que ele quis? Ele quis fazer uma rota longe. Pega a parte dele, e aí eu falo assim, nós somos filhos de Deus. Nós temos parte na herança divina. Eu, particularmente, não tenho nada, mas sou filho do dono, né? Deus tem tudo, eu sou filho dele. Aí eu falo assim, quanto que é infinito dividido por…

Dividir é infinito por alguma coisa. Quanto que é, né? É matemática, né? Infinito dividido por alguma coisa é infinito. Então, se eu pedir minha parte da herança, como é que divide o infinito? Aí Deus deve ter pegado um pouquinho e deu para ele, né? É uma ilusão. É a ilusão, né? Como eu me afasto de Deus e falo assim, deixa Deus para lá. Eu quero só minha mansão em Dubai, minha casa na praia em Miami, meu Porsche, meu não sei o que, e acho que isso é tudo que eu tenho direito, né? Isso é um grãozinho em vista de tudo que eu tenho direito, porque eu sou herdeiro de Deus.

Aí eu me afasto de Deus. E aí vem a história do sofrimento. Até que um dia ele cai em si. Cai em si porque eu já estava comendo comida de porco. E eu falo que é triste, né? Porque às vezes a gente só cai em si quando está comendo lavagem. A hora que você está no pior, que é o que o Paulo fala também na mensagem, a hora que você está deformado, aí você cai em si pelo sofrimento. E aí volta. Eu vou lá para o meu pai. Vou voltar lá. Vou voltar nele. Mas aí quando ele volta, ele está chegando ainda na casa paterna. Ele está um pouquinho longe.

Pai de longe. O pródigo, o grande pródigo da parábola, que é Deus, sai correndo em direção a ele. E deixa, e põe arnel, e põe sandália, e põe roupa nova, e mata o novilho, e faz uma festa na aldeia. Jesus foi contando essa parábola. Ele foi acrescentando. Primeiro, um ancião na época de Jesus não corre, porque um homem é conhecido pelo seu andar. Um velho, um ancião na época de Jesus, ele anda devagar, porque a dignidade dele está no andar. Aqui Jesus põe um velho correndo. Deus é um ancião correndo. É um pródigo. Ele está tão invadido de amor pelo filho que está voltando.

Eu falo que assim, quando a gente se arrepende e resolve recompor o nosso destino, Deus entre aspas, perde a compostura. Sai correndo feliz para abraçar a gente. Porque Deus é o inesperado. É o amor infinito. Ele sai correndo, correndo, correndo. E abraça o filho e recupera ele. Aí chega o filho egoísta, que é o religioso, dogmático, sectarista. É o religioso que acha que é o dono da verdade, que ele é puro e que os outros são impuros. Que só a religião dele salva. Que ele pode matar quem não é da religião dele. Que ele pode perseguir quem não pensa como ele.

Que Deus é um guerreiro que vai ajudar ele a matar os que não são da religião dele. Esse é o filho egoísta. É o pródigo no egoísmo. Chega lá, vê aquela festa, vê aquele movimento todo e vê o irmão dele, poxa. É o irmão dele. Ele não sente nada. Ele não consegue ser simpático ao pai. Ele não consegue sentir. Ele não consegue sentir o pato divino. Ele não consegue ser simpático ao pai. Ele não consegue ser simpático ao irmão. Ele não consegue ser simpático à aldeia inteira. Ele destoa de toda a aldeia. Por quê? Porque está pensando que Deus nunca matou um cabritinho para ele.

Então, o que é o Emmanuel? O Emmanuel comenta isso. Ele fala que é o filho egoísta. É aquele que trabalha para Deus, mas em troca de recompensa. Então, ele é um assalariado. Ele age em troca de recompensa. Então, eu acho que essa parábola é a grande história da volta. É a grande história porque a gente fica focado no filho pródio, às vezes esquece do filho egoísta, mas eu nunca vi ninguém falando do pai, que é a personagem central da parábola. A personagem central da parábola é um pai transbordando de amor. Nunca ninguém falou disso.

Deus é um pai que transborda amor. É tanto amor. É um exagero de amor. É muito amor, mas não é um amor bobo. É um amor, como diz Paulo, meu Deus é um fogo abrasador, porque Deus açoita todo aquele que recebe por filho. Porque Deus açoita todo aquele que ama e corrige todo aquele que recebe por filho. O difícil é a gente aceitar as palmadas que Deus dá na gente quando a gente faz criancice. Maravilha, gente. É isso aí. E pra você que quer ter acesso ao livro, o site vai estar disponível no portal do SER. Lá vocês vão conseguir encontrar como acessar.

Por enquanto nós não temos endereço do site do livro, mas através do portal do SER vocês conseguem ter acesso ao site do livro. O endereço é www.portalser.org É só entrar lá no site que vocês vão ter acesso. Vai ter um link lá, um banner. É só clicar que vocês vão ter acesso ao livro, ao site do livro. E pelo que eu sei vamos ter uma pré-venda também, né Arudo? O site entra no ar dia 21 de maio e nós teremos até o Dia dos Pais, que é o lançamento do livro, a oportunidade das pessoas interagirem. Vão ter várias parábolas, nós vamos poder conversar, as pessoas vão postar comentários.

Você vai poder personalizar o seu livro, vai poder pôr uma foto de você com seu pai no livro, dar um livro de presente, montar um kit com um vídeo, como pode ser. É um livro interativo. Vai ser muito gostoso. É uma proposta muito nova, bastante inovadora da Federação Espírita do Paraná e a gente espera com isso colher a impressão e envolver todo mundo nesse processo. Eu acho que vai ser muito bom. Eu pelo menos já estou reservando o meu para o meu pai. Maravilha! Acho que nós tivemos um pode ser maravilhoso, viu Arudo?

Não é Tiago? Puxa vida! Esse foi um especial e a gente agradece por poder participar de um momento tão especial como esse. Fica aqui o nosso abraço para todos aqueles que nos acompanharam, nos ouviram. A gente deseja que o pode ser possa fazer parte, continuar fazendo parte desses momentos cotidianos, onde ele vem falar de Deus, vem falar de fé, vem falar de espiritualidade pra gente. Fiquem todos com Deus. Tiago, Deus te abençoe. Arudo, que Deus continue te abençoando. E vocês, um abraço amigo pra todos.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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  1. Olá pessoal! Já ouvi esse podser muitas e muitas vezes, é o meu preferido! Obrigada por compartilharem tanto conosco! Jesus os abençoe sempre! 🙏

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