Bem-vindos a mais um PodSER! Neste episódio, mergulhamos em uma conversa profunda e inspiradora sobre a homeopatia, a vida e a espiritualidade. Acompanhe um bate-papo descontraído e revelador que nos convida a refletir sobre a cura, a fé e o propósito de nossa jornada.
Neste episódio
- A homeopatia como caminho para o autoconhecimento e a cura integral.
- A importância da família e o desafio de conciliar a vida pessoal com a missão espiritual.
- A sabedoria do corpo e a interpretação dos sintomas como sinais da alma.
- A visão espírita da saúde e da doença, e o papel do médico como educador.
Participantes
- Dr. Ricardo Wardil (Médico Homeopata)
- Thiago Franklin
- Sheila Passos
- Claudia Malta
- Haroldo Dutra Dias
Destaques
- Dr. Ricardo Wardil compartilha sua trajetória pessoal, desde a infância até a escolha da medicina e a dedicação à homeopatia, revelando como a espiritualidade sempre esteve presente em sua vida.
- A discussão sobre a homeopatia se aprofunda na compreensão de que a doença é uma perda da “medida do belo” que existe em nós, e como o tratamento busca restaurar esse equilíbrio.
- Os participantes exploram a complexidade de conciliar a vida familiar com as atividades espíritas, ressaltando a importância do testemunho e da vivência dos ensinamentos no cotidiano.
- O episódio aborda a visão da febre e de outros sintomas como processos de cura e reorganização do organismo, desafiando a percepção comum da doença e convidando a uma escuta mais atenta do corpo e da alma.
Ler transcrição do episódio
A de nascer, nova era de crescer Novo homem coração de quem quer servir É prosperir, novo verbo é burilar O íntimo colorindo o céu de um novo ser Olá pessoal, estamos iniciando mais um episódio do Pode Ser, aqui é Thiago Franklin, e como a doença vem de dentro para fora, isto é, do espírito para a matéria, o encontro da cura também dependerá da renovação interior do enfermo. Não basta uma simples pintura quando a parede apresenta trincas. Bom, eu encontrei essa referência desse texto como sendo de Emmanuel, mas eu não encontrei em lugar nenhum, mas vamos deixar uma referência como Emmanuel, depois nós vamos procurar mais e trazer mais informações sobre ela.
Olá pessoal, aqui é Haroldo, a minha frase de hoje é, quando pois te encontrares em luta imensa, recorda que o Senhor te conduziu a semelhante posição de sacrifício, considerando a probabilidade de tua exaltação, e não te esqueças de que toda crise é fonte sublime de espírito renovador para os que sabem ter esperança. Capítulo 58 do livro Vinha de Luz, Emmanuel. Meu nome é Sheila Passos, e a minha frase é, semelhante cura semelhante, de Samuel Hahnemann. Meu nome é Ricardo Bardil, eu conheço pouco de Hipócrates, mas o pouco que eu conheço eu já sou, eu irreverencio, então a minha frase é a frase de Hipócrates.
Toda enfermidade acontece quando há perda da medida do belo que existe dentro de nós. É isso aí pessoal, nosso convidado de hoje é o doutor Ricardo Bardil, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser. E aí pessoal, vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia.
E aí pessoal, vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia.
Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Então vamos para mais um episódio do Pode Ser, e o tema é Uma Vida Através da Homeopatia. Porque a gente está na casa do doutor Ricardo, com a esposa dele, na mesa, na sala, num clima assim de intimidade, o doutor Ricardo já tratou de todos nós aqui encarnados e desencarnados presentes, porque afinal de contas são muitos anos dedicados a homeopatia, medicina, tratando das doenças do corpo, mas especialmente das agruras da alma.
Então para a gente é uma alegria enorme poder conversar com ele sobre essa trajetória de vida, essa experiência dele, ele que tanto nos ajuda, é uma pena que a gente só tenha tempo de procurá-lo quando está com algum problema, mas aproveitando esse Pode Ser que hoje graças a Deus está todo mundo saudável, e hoje nós vamos conversar sobre a trajetória dele. Viu doutor Ricardo, é uma alegria tão grande estar na sua casa, e poder conversar hoje não numa consulta, mas de uma maneira descontraída e gostosa, e dizer que todos estamos muito felizes de estar aqui na sua casa, e do acolhimento, e de poder compartilhar histórias.
Hoje a casa ficou toda colorida, iluminada, com a presença de todos, mas você falando aí da trajetória, então vou contar um pouquinho de quando que isso começou, né? Pois é, está todo mundo curioso para saber, por que você foi fazer medicina, onde nasceu, quantos irmãos, conta um pouquinho aí, uma biografiazinha para a gente. Vou contar um pouquinho, sabe, quando eu era pequenininho, que eu ia tomar banho, que eu acho que foi ali que começou, eu olhava assim o azulejo, aqueles branquinhos, o rejunte, e tinham alguns rejuntes que tinham falhas, sabe?
Aí sabe o que eu fazia? Eu pegava uma pasta de dente, ia juntando as falhas do rejunte, e me sentia no maior médico que estivesse fazendo uma cirurgia. Então meu primeiro momento de medicina foi catar os buracos de rejunte do azulejo lá do banheiro. Mas eu já tinha sempre na alma que eu ia ser médico, nunca pensei em mais nada, nunca pensei em mais nada, e eu vim de uma família espírita, muito espírita, lá de Sacramento, a minha mãe é sobrinha de Oríspio Passanufa, então eu cresci ouvindo histórias do médico… Sobrinha e neta, a esposa está corrigindo, sobrinha e neta, a mãe e o sobrinho.
Ele é meu tio-avô, ele é irmão do meu avô. Então eu cresci ouvindo histórias de Oríspio Passanufa, da minha mãe, da minha avó, médico homeopatra lá de Sacramento, aquela coisa de curar, eu cresci nesse meio. E a minha mãe sempre falava assim, você tem uma missão, e eu estou atrás dessa missão até hoje, não sei qual que é a missão, mas é o fato de que eu achava que tinha que ser médico mesmo, e de fato, foi indo nessa visão, nunca tive dúvida de nada, nunca pensei em nada, uma vez minha mãe me levou para um teste vocacional horroroso, cheio de preencher que negócio, no final deu que podia ser tudo, deu em nada, não valeu de nada, ia ser médico mesmo, mas tudo bem.
Na adolescência eu tinha uma imagem, uma visão de mim no futuro, eu casado com muitos filhos, com uma picape, comprando compras na Seasa, com uma mulher maravilhosa, mas ao mesmo tempo minha alma ficava assim, eu queria ser alguma coisa de médico sem fronteira, ir lá para aquelas guerras, aqueles negócios lá, mas com cinco filhos não ia dar, né? Então eu tinha essa imagem como adolescente, essa imagem ficou, ficou lá, eu me via lá no futuro assim. Aí eu comecei a fazer medicina, meu primeiro choque, no início da aula lá do curso de medicina, um dos professores que depois foi o meu mestre, espetacular, professor João Afonso, ele virou e disse, olha, quem não tem memória pode ir embora, pode ir embora desse curso, porque tem que ter memória, eu falei, nossa, Totonago, meu senhor, meu senhor, não tem memória, até hoje eu sofro disso, aí eu acho que o nosso senhor foi tão bom comigo que ele me compensou com a prática, que enquanto os colegas ficavam memorizando os livros, eu ia logo para a prática, e eu no segundo período, terceiro, nem sabia onde que era o fígado, eu já estava auxiliando na cirurgia, e o cirurgião me gozando, porque eu não sabia onde que era o fígado, mas eu sabia auxiliar ele, eu queria auxiliar, então eu compensei a parca memória com a praticidade do exercício médico.
E aí, inicialmente, eu pensei, gente, eu podia ser obstetra e pediatra, porque aí eu pegava a família toda, eu tinha essa ideia de família, mas foi indo fazer mais obstetria, só fazer pátria, já não vai dar, aí eu pensei clínica e pediatria, isso, vou fazer clínica e pediatria, porque aí eu me torno médico da família, naquela época o SUS ainda não existia não, mas já estava aí pairando na psicósfera. E aí eu me entreguei muito nessas duas disciplinas, tive professores com a alma de homeopatas, que eram holopatas, mas a alma de homeopata, fantástico, que eu agradeço muito, e se você me perguntar assim, qual foi o momento que eu pensei na homeopatia, eu vou falar, não sei, não sei quando, eu tenho que buscar na memória, gente, eu sei que foi do quinto a sexto ano, deu um clique em mim, que eu pensei, vou fazer a homeopatia, não sei, não me lembro o que que deu, mas eu lembro da minha preocupação com os nomes latim, falei assim, mas eu não vou guardar aqueles nomes latim, porque esses nomes horrorosos, como é que vai ser, tem muitos nomes latim, eu não vou guardar, mas eu não sei o que que deu, aí eu comecei a olhar onde é que ia ter curso, curso lá no Paraná, já liguei pra lá, já estava olhando, quando eu encontrei com um sujeito, aí que a minha vida é cheia de sincronicidade, cheia, e eu pensando, não sei o que, quando eu encontro com uma pessoa na rua, que era médico formado, eu tinha visto uma vez só, oh Ricardo, beleza, pois é, estou pensando em fazer a minha patia lá no Paraná, eu falei, não, nós estamos em via de abrir um curso aqui agora, aí eu falei assim, mas você vai sair mesmo?
Porque eu vou fazer em Curitiba, vai sair mesmo, e de fato saiu. Era em Curitiba, tinha curso? É, tinha e ainda tem, só que quando eu estava preparando para ir lá, esse outro curso abriu aqui, foi o primeiro curso da Associação Automática. E você lembra quem que dava aula lá em Curitiba? Porque lá em Curitiba tem o doutor Gamarra. O Gamarra, o Gamarra, olha só, o doutor Gamarra, olha, um abração, você está ouvindo o podcast aí, tem certeza, um beijo, está vendo, o doutor Ricardo ia fazer o curso com o senhor. Ia lá, mas aí a turma abriu aqui no convênio com a Unirio, melhor, com o Instituto Ranimaniano do Brasil, com o Sérgio Lula no Rio de Janeiro, e aí a associação fez uma parceria e o curso foi aplicado aqui com algumas aulas lá.
Então eu me formei aqui. Bom, mas eu tenho um pulo aí, né gente, porque eu formei logo no ano seguinte, os últimos dois anos, um ano e meio, dois de faculdade, foi aqui a peleja para conquistar a minha princesa. A princesa está aqui. Ela era da mocidade, nós fazíamos trabalho juntos, eu dava o passe ela do lado, eu orava com o olho, vigiava com o outro para tomar conta dela, e a gente saia junto, e ela nunca saia comigo, só saia com os outros. Isso levou um ano e meio, gente, você pensou? Um ano e meio. Até que um amigo meu falou assim, você está dando muita bola para essa menina, a menina não quer não, só para com isso, seja homem, dá bola para ela.
Aí eu falei assim, é mesmo, não vou mais dar bola para ela não. Na hora que eu dei as costas para ela, ela aberta. Fica a lição. Aí pronto, né? Aí nós começamos, namoramos, logo depois eu me casei, e aí eu acho que a turma lá dos espíritos devia estar toda compressa lá em cima para ficar, né? Em sete anos, em sete anos, nós tínhamos cinco filhos. Nossa senhora. Não deu nem tempo, sabiam? De uma vezada só, tudo embolado assim, embolando, que eu nem sei o que aconteceu. Você sabe, né? Boa. E aí aquele adolescente lá foi realizando, que a casa cheia de filhas.
O sonho foi se concretizar. A picape chegou, fui na CEASA só de propósito, porque não foi preciso ir, porque não eram glutões, e eu fui na CEASA só uma vez e falei assim, vou realizar ainda na CEASA. Para quem está ouvindo, que não é de Belo Horizonte, a CEASA é o lugar aqui onde se vê. É o centro de abastecimento. É o centro de abastecimento de hortifruti grangeiro, de produto alimentício, de higiene alimentícia. Todos os comerciantes compram lá, o grande centro de distribuição. A gente compra o volume maior. E eu comprei o volume maior e dividi com a família.
Mas não foi preciso voltar mais lá, porque os meninos não eram glutões. E aí nós começamos, eu era alopata ainda no primeiro ano. Um belo dia que eu virei para a minha esposa. Eu acho que vou chorar aqui, porque foi emocionante. Por favor. Eu virei para ela e falei assim, olha, eu vou largar tudo o que eu estou fazendo de alopatia. Sabe aquela vida de médico alopata? Plantão dali, leito daqui. Ah não gente, eu tenho que contar para vocês uma coisa muito chica. A gente tinha uma vida muito bonita, cheia de sincronizados.
Cada filho que veio trouxe uma benção. Porque o primeiro veio, eu estava naquele pinga-pinga de emprego, para lá e para cá. Ele nasceu quinze dias depois, dez e meia da noite, bateu na campainha lá em casa. Um médico, um colega, que eu só tinha visto ele uma vez só. Só uma vez. Ele bateu lá em casa e falou assim, ô Ricardo, lembrei de você. Tem sete leitos lá no hospital, você quer pegar? Que é o doutor Ítalo. Ele, como assim você lembrou de mim? Eu só te vi uma vez. É, eu lembrei de você. Você quer pegar o leito? Claro.
Passaram-se outras três semanas. Agiu com a esposa do Virgílio. Ô Ricardo, lembrei de você. Tem uma vaga na KPM? Ah é? E assim foi, gente. Cada filho trouxe uma coisa boa, um progresso nessa sincronicidade da vida. E filho, a gente foi deixando para o nosso senhor. O que mandar, vem. Como eram cinco cesáreas, a gente falava para o obstetra assim, ó. Está nas suas mãos. Na hora que você falar que não pode mais, você liga aí. Aí na hora que ele falou, é, está na quinta, são cinco cesáreas, agora está na hora de encerrar, né.
Falei, é, então está na hora, né. Aí eu pensei cá dentro, e agora o que vai vir mais? Porque eu estava com esperança ainda de uma casa na praia, uma fazenda. Agora acabou, né. Cada filho veio uma bonificação, né. Era um serviço, era uma casa, um apartamento, vinha sempre uma bonificação. Então essa casa que nós estamos morando aqui, foi fruto do quinto filho. Do quinto filho. A coragem de sair de uma casa tal, para vir para cá. Tem toda uma história, né. Então, aí quando acabou, falei, nossa, agora acabou, acabaram as bonificações.
Mas com certeza vieram outros, né. Mas você estava falando que chegou um momento que precisou tomar uma decisão difícil. Ah, pois é. Sair da lompatia. Isso, que eu estava, né, que negócio. Quer dizer, a lompatia já estava na alma, né. Você já tinha estudado, já tinha feito. Eu sou muito atribuído, sabe. Eu não espero muito a teoria chegar, eu já vou para a lompatia. Então assim, eu já estava estudando, mas falei, não, vou começar. Vou formar, vou começar. Sempre foi assim. E aí eu sentei lá na cozinha, onde nós morávamos, com a minha esposa.
Falei, olha, estou pensando em largar tudo. Largar o hospital, largar tudo, sentar o traseiro no consultório e começar a lompatia. Você topa? Você vai ter que sustentar. Na época ela já trabalhava, trabalhava meio horário. Aí nós vamos administrar o seu salário. Aí eu topo. E aí uma colega ofereceu o consultório. Sentei lá. Nunca faltou. Na primeira… No primeiro mês, já pagou aluguel. No segundo mês, já pagou mais do que aluguel. E nunca mais faltou. E sempre fui autônomo. Eu falo que ser autônomo é uma benção, porque a gente vive pertinho de Deus.
É. Na incerteza de cada dia. Você vive, meu Deus do céu, e amanhã, será que vai ter ou não vai? Não sei, a gente conversa com Deus o tempo todo. De repente… De repente Deus fala assim, vai descansar um pouquinho aí, a agenda esvazia. O que o senhor quer de mim, meu senhor? Aí ele responde, põe uma bermuda, vai passear, é isso que eu quero que você faça. Vai estar com a família, é isso. É isso que o senhor quer, o senhor, é. E com frio na barriga, né, porque não sei como está a agenda, né. Então foram quase 30 anos já, conversando com Deus todo dia.
Senhor, estou aqui, viu? Eu estou aqui. Foi isso que eu falo, que ser autônomo, vivendo a incerteza, é conversar com Deus todo dia. Todo dia eu converso com Deus. Meu Deus do céu. Eu te falei que toda necessidade você vai ter, não vai? Está lá no Evangelho, então é isso mesmo, senhor? Não vai. Tem que confiar, né? Tem que confiar. É uma história linda, né? É constante mesmo, óbvio. Teve aquele início, foram muitos filhos juntos. E teve um marco também, o segundo marco importante, porque é o momento que a gente decide as coisas.
Em que o mundo espírita estava me chamando, né? Palestras, muitos esclavos, não sei o que, aquelas coisas, mim pequeno. E aí nós fizemos um trato, eu e minha esposa, que eu… A gente tem família como projeto mesmo, sabe? Uma coisa que nós estamos aqui é para isso. Não tem mais nada que seja mais importante que isso. Então nós fizemos um trato. Ela trabalharia meio horário e eu meio. Então eu sempre trabalhei meio horário. E aí eu pude estar com a família sempre. Estar com a família é aquela coisa de fazer as coisas que nem sempre a gente gosta, né?
Ainda mais homem, masculino. Então tem uns marcos da vida da gente, né? Outro marco foi esse que eu tive que definir em termos de movimento espírito. Que a gente vai saindo, vai saindo, vai saindo e a família vai ficando, vai ficando. Era lá, eu tenho que restringir isso. Aí eu falei assim, olha, depois que a mais nova tiver mais de 8 a 9 anos, aí eu me solto mais. Mas eu não vou me soltar tanto assim, não. E aí eu foquei família mesmo. Com muita alma mesmo. E olha, eu confesso para vocês, eu me respaldo lá naquele filósofo Rousseau.
Por quê? Porque eu não sabia ser pai. Não tive pai como referência. Assim como Rousseau colocou cinco filhos na creche. Abandonou. E por isso é que ele se tornou um gran canaroco. Ele queria deixar o mundo aquilo que deveria fazer, né? Então nós dois, eu e minha esposa, nos tornamos uma parceria fantástica. Porque eu dei o apoio a ela e aprendi a ser pai junto com ela, né? E teve um terceiro momento que foi um marco. Um marco na minha vida, nessa relação de pai. Isso é importante porque isso vai repetir como médico, né?
Porque eu acho que o médico tem que ser educador. E foi um belo momento que estavam os filhos todos na piscina. E aquele negócio de, vem pai, vem pai na piscina, vem pai. E eu detestava aquele negócio de Filipe pulando com a Angote. Pula pra cá, quer trem de… Aquele trem foi dando uma aflição, uma aflição. E eu olhando para aqueles meninos, falei assim, não adianta. Se eu resistir, eu capoto na onda. Eu tenho que surfar. Eu tirei só a carteira do bolso. Joguei assim no lado. Fiquei nem pensando que se pensar em justificar um monte de coisa, não faz nada.
E me joguei na piscina de sapato e de tudo. Aquele momento foi o momento da não resistência. De viver plenamente não resistais ao mal. Ao mal no sentido da oposição, né? Aí eu me entreguei. Naquele momento foi um dia que eu me entreguei plenamente como pai. E aí eu acho que a gente vai construindo essa figura de pai, de mãe, né? E como homeopata eu acabei me tornando educador também. Porque o médico tem que ser educador. Nossa, doutor. Um assunto assim, que para nós espíritas, ele é um assunto delicado. Que é conciliar família, tarefa espírita, trabalho.
Como é conflituoso isso, doutor Ricardo? Olha, é. Mas se a gente imaginar qual que é a missão maior nossa aqui. Hoje eu digo o seguinte. Nós temos que ser testemunhos para os nossos filhos. Ou seja, o testemunho é aquele que age de uma maneira tal que gera uma vontade do outro seguir. Seguir porque a gente é testemunho, a gente é coerente naquilo que vive. E nós fomos tão agraciados a vida toda nisso. Que nos momentos mais cruciais chegava uma mensagem, um amigo espiritual. E teve um que foi marcante, que foi justamente do José Figueiredo.
Eu estava nessa angústia de pai e filho e me deu uma aula sobre dever e prazer. Ele ensinou que a gente cria filho no prazer. Para que possa ser alcançado o dever. E deu uma aula. Aqui foi um momento também importante. Aí a partir daí o que aconteceu? Seria muito incoerente da nossa parte. Não estar presente na vida deles. E isso foi tão bacana, tão intenso. Que a gente conseguiu construir na família aqui. Se eu falar para vocês. Que tem 30 anos que a gente faz culto e não interrompe. E os meninos gostam e fazem com alegria.
Que as vezes eu ouço as famílias e falam, não faz culto não. Mas porque criança tem que ser com prazer. Você entendeu? A gente educa a filha no prazer. É na alegria. É na farra. É na coisa boa. Então essa aula do José. Associado que a minha esposa foi. Ela cresceu na rua. No bom sentido. Era uma molequinha de rua. E eu não. Então eu acho que é difícil, mas a gente tem que priorizar. Entendeu? A família. Aquela coisa deles verem na gente uma coerência daquilo que a gente está falando lá. A gente está vivendo aqui. Porque a gente tem que estar presente naqueles momentos mais importantes.
É a reunião da escola. É a festa junina da escola. É aquele momento que a gente começa a aprender a ler. E tudo ser comemorado. Tudo ser com emoção. Comover. Comemorar intensamente. Fazer culto no telhado. A gente fazia culto no telhado, em cima da árvore, debaixo da mesa. A gente inventava. E tem menino que não queria fazer culto. Eles queriam fazer culto porque a gente inventava. A gente assava batata doce na fogueira. Para falar de Jesus. Então eles adoravam o culto. E na hora que chega a adolescência, a gente fazia culto provocante.
Porque adolescente gosta de polemizar, discutir. Então a gente levantava tema para provocar, deixar de falar. De falar, falar e parar de dar de sono no maior censura. Então eu digo assim. Valeu a pena? Valeu. Porque a família nossa é um show de bola. Cada um tem o seu problema? Tem. Seus núcleos a serem trabalhados na vida? Tem. Não estou falando de resultados. Mas esse drama tem que ser dividido os dois. Tem que ser compartilhado. Eu vejo muito isso no meio espírita. E eu atendo muita gente espírita. Os filhos não são espíritas.
Não frequentam a casa espírita. Não conseguem fazer o culto. O espírito é uma mania. É justamente isso que eu estou falando. Não vive com prazer com a criança. E eu acho que, por exemplo, eu não lembro. Meu pai sempre foi espírita. Atendia, era médium de cura. Atendia gente que vinha de tudo quanto é lado. Mas eu não lembro do meu pai. Nas atividades prazerosas, em aniversários. Em clubes. Não tenho esse registro. Porque era aquela coisa de visita no hospital, centro, dia de reunião, dia disso, dia daquele outro. E eu acredito que isso fez um buraco.
Eu acredito, eu tento ser o mais possível fiel àquilo que eu leio. Eu tenho tanta fé naquilo que eu falei, viver na incerteza, que Deus supre. Mas eu sempre tive coragem de desmarcar a consulta pra fazer alguma coisa que era mais importante pra mim. Porque tinha uma coisa na escola e isso eu desmarcava. Porque aquilo era mais importante. Eu não poderia ser coerente ao falar com os meus pacientes se eu não estivesse vivendo aquilo. Seria só uma fala. Então eu desmarco. Entendeu? Eu desmarcava. Então acho que é isso mesmo, Sheila.
Não é fácil. A gente acha que… Ah, é interessante que eu faça uma associação. A minha mãe sempre fala assim, você tem uma missão a cumprir, uma missão a cumprir. Depois de velho, agora há pouco tempo eu falo, gente, eu não tenho uma missão não. Eu tenho que transformar a vida numa missão. A vida é uma missão. Cada momento da vida é uma missão. E como isso é difícil, gente. Quando Emmanuel fala assim, se a gente cuidasse dos devedores mais imediatos da vida, dois terços dos problemas estariam resolvidos. O outro um terço, deixa pra Deus resolver.
Emmanuel fala isso. Então você imagina, eu sofro com isso. A irmã Aíla também fala isso. A irmã Aíla também fala isso. Essa parte é com Deus. Quando nós estamos na intimidade do ser aqui, eu acho que a gente, no meio espírito, falta muito testemunho. Falta testemunho. Nós subimos à tribuna, falamos conhecimento, para lá, para lá, mas nós não somos testemunhos. Nós temos que testemunhar o nosso lado humano, como é difícil, gente. Não é fácil. Então tem uma mensagem de Mônica que fala assim, nós ficamos buscando muito a palavra dos espíritos, o testemunho.
Mas nós é que temos que ser testemunho. Falar como é dor, é difícil. Foi difícil para mim, porque a minha natureza é contemplativa, filosófica. Aquela coisa assim. E eu tenho que baixar lá embaixo. Eu brinco, porque eu falo assim, meu Deus, eu saí da biblioteca de Alexandria para limpar a bunda de menino, para brincar de piscina com o menino, para brincar, correr, para vir para cá de menino, para ir na escola de menino. Meu Deus do céu, foi doloroso demais. E é sofrido isso. Perceber o valor. Eu confesso para vocês que tem pouco tempo que eu estou começando a ver, assim, transformar a razão em sentimento.
Perceber a grandeza disso, porque os espíritos falam isso o tempo todo. A filosofia, todos os sábios falam isso. Eu me lembro de uma cena que me marcou. Um diálogo do David Bohm com o Krishnamurti. O David Bohm é um físico, ganhou o prêmio Nobel. Krishnamurti, aquele pensador da Índia. Eles conversando, eles falaram assim, no futuro onde nós vamos encontrar um físico? Aí eles responderam, provavelmente cuidando de uma horta. Porque quem cuida de uma horta sabe de tudo. Nossa. Meu Deus do céu. Então eu vou ter que fazer suco mesmo para os meninos, vitamina, levar café.
E aí eu pautei isso com o propósito didático da vida. E ainda hoje assim, o propósito não é fácil. Mas é muito gostoso. O senhor disse que é de Sacramento, né? É isso. Você passou sua infância em Sacramento? Não, eu sou daqui, a minha mãe e meus familiares lá de mãe é que são lá de Sacramento. É, porque isso tudo que você está falando, lembra, primeiro, me ocorreu aqui uma grande dificuldade que a gente tem hoje, né? Espírita e principalmente nós somos pais, somos cheios de obrigações, cheios de coisas. Lembra um pouco o cristianismo primitivo e um exemplo que o Eurípides dava, né?
Eurípides do Sacramento, né? Sim. Lembrando sua cidade de Natal, né? Sim. Essa simplicidade de estar lidando com os fatos da vida e tirar a sabedoria do cotidiano, esse é um desafio, né? Eu falo assim que nós espíritas temos muita dificuldade para a conectividade, né? Da gente conectar esse conhecimento, o pensamento com a vida prática, né? Essa eu acho que é a maior dificuldade que nós temos. Por isso que gera esse ato, né? Essa dicotomia alucinante, conflitante, né? Tem muito conhecimento teórico, mas… Conflitante, muito conhecimento e a gente não sabe pegar aquilo.
Como é que é viver isso? Então você imagina aquela boda de canar que transformava água em vinho, Jesus naquela grandeza, ele precisava daquilo? Mas ele valorizava o valor do outro. Ele valorizava, ele vivia no valor do outro. Aí ele transformou a água em vinho. Que coisa, né? Ele por acaso estava com sede para chegar no Poço de Jacó e falar da água de bebê? Não, ele primeiro se identifica o humano dele com o humano nosso. Para a outra ter atenção. Então eu acho que isso é muito disso, sabe? Esse identificar o humano, o que que é belo, o que que é mais belo, o que que é bom para o outro.
E construir isso aí nessa relação com bastante sacrifício, com bastante sangue. Bastante sangue que não é fácil em sacrificar a natureza. Eu falo o seguinte, a dica é a água do Chico, aquela água benta do Chico, né? Eu já falei isso para a Cláudia. A água do Chico é a coisa, porque a nossa natureza é de querer nos impor no outro, nessa dinâmica da vida. Querer subjugar o outro nas vontades, nessa hora tem que pôr a água do Chico, calar. Água da paz, né? Para dar conta de lidar com esse cotidiano. Mas eu acho que esse drama, eu tenho falado muito isso, é o drama do espírita mesmo, né?
Que acha que a missão dele é pregar. Você contou esse caso aí. Eu visitei essa irmã do Chico, antes dela desencarnar em Pedro Leopoldo. A da história da água, né? E aí ela estava perguntando para ela, porque que o Chico deu esse conselho para ela, né? Quando ela se sentisse com vontade de falar mal de alguém, ou dar uma má resposta, que ela colocasse a água na boca e deixasse na boca a água até passar a vontade. E aí ela contou que era isso, né? Que essa água era esse treino e tudo. E aí nos chamou a atenção, porque na cozinha dela tinha uma faixa, escrita assim, não me fale mal de ninguém.
E a gente achou muito curioso aquilo e falou, mas por que a senhora tem essa faixa aqui? Ela falou, meu filho, que só a água não adiantou. Eu colocava a água na boca, mas o pessoal vinha e começava a falar mal, e eu achava aquilo interessante. E a pessoa ia falando mal dos outros, e eu ia ficando entertido na conversa, acabava engolindo a água e entrava. Aí o Chico falou, vou colocar essa faixa também, não me fale mal de ninguém, porque aí corta. Eu não falava e não ouvia. Eu brinco, a gente tem que andar com o cantil.
Com o cantil. Ainda mais quando aquelas situações em que todo o seu ardor de ser no mundo, seja no consultório, seja em casa, e não é com o filho adolescente. Filho adolescente você tem que andar com o cantil, com aquele carro pipa, porque toda hora você tem que calar, silenciar, porque senão você cai de pau em cima do outro, né? E não é isso que a gente quer? Não é isso, no fundo, depois você arrepende, né? Então faz ele andar com o cantil pra acalmar, depois de um dia, dois, três, uma semana, vai lá e retoma o assunto já com a lucidez mental, com a intenção que a gente quer, com aquilo que a gente mais anseia, né?
Eu sou fã de uma das cartas de Paulo, que é a carta de Paulo aos Gálatas. Ele tem sido a minha referência. Eu aprendi essas coisas com a minha esposa, sabe? Ela é que estudiosa da Bíblia, então ela é a minha professora, sabe? Então a carta de Paulo pra mim é a minha referência. É assim que o Senhor veio nos libertar da lei. Porque aquele que age pela lei não tem a graça do Senhor, mas sim aquele que age pelo Espírito. E agir pelo Espírito é agir pela bondade, pela justiça, pela beleza, pela alegria. Então esses são os anseios da alma.
Se colocar isso como propósito existencial em tudo que faz, é a meta nossa, né? Só que pra colocar isso, tem que pôr água do Chico na boca. Senão a gente detona tudo toda hora. Agora, doutor Ricardo, como que… O que mudou a partir do momento que o senhor conheceu a homeopatia? E aí, como médico, naturalmente, o senhor fez a comparação com a alopatia, né? Isso. O que que diz a homeopatia? Quais são os caminhos que ela propõe, assim, de uma maneira simples, né? É claro que não dá pra o senhor falar assim profundamente.
A sabedoria de Hahnemann, que foi quem codificou a homeopatia, foi de ter feito a mesma coisa que Kardec fez. Assim como os fenômenos espíritas já existiam antes, os conceitos, as questões homeopáticas, os princípios já existiam antes, com Paracelso, Hipócrates, né? Então Hahnemann foi o artista da codificação e foi na mesma época de Kardec. Então eu acho que o principal que muda ali é a forma de ver o ser humano e a relação com a enfermidade. Em que o princípio que rege isso, que é o princípio de Hipócrates, que eu disse a frase no início do nosso bate-papo, que é uma maravilha, eu sou encantado com isso, daqui a pouco eu fico neurótico, tanto que eu vou repetir essa frase, porque quando Hipócrates fala que a enfermidade surge quando há uma perda da medida do belo que existe em cada um de nós, aí a gente associa isso com o que Emmanuel fala, que cada um tem um dom, cada um tem um talento, que a arte é de conhecer esse dom, esse talento e usar de forma moderada, de forma comedida.
A doença surge no extremo, por isso que Jesus falava que o Reino do Céu está no meio de vós, é a ausência de extremo. Aquela frase que todo espírita conhece, mas não conhece ela inteira, que está lá no templo de Delfos, conhece a ti mesmo, nada em excesso. Ou seja, conhecer quem é você, quem sou eu, quem é esse menino que está aqui na minha frente, esse cliente, e buscar ali o belo, o belo que por estar desmedido, soa como problema, como defeito, e aí a gente quer eliminar o defeito, a gente quer eliminar o defeito, eliminar a sombra, eliminar a luz, aí gera a confusão toda.
E quando há essa desmedida, o corpo expressa, o sintoma é o elemento sinalizador, não é por aí não, e aí eu caio num lamento aqui, num lamento aqui, porque é impressionante assim, a doutrina espírita fala igualzinho o que o Hanuman fala, você pega o Emmanuel no livro Consolador e André Luiz, todo o tratado não é medicina espírita. Infelizmente, como que a maioria dos espíritas, quando se fala de medicina, cai fora, e mais ainda médico espírita, médico espírita não exerce medicina espírita, porque eles acham que medicina espírita é da paz, é da água fluida, é de desobsessão, mas não exerce aquela coisa mais bonita que tem, que é essa leitura, essa percepção da enfermidade, como algo que quer nos reconduzir ao nosso destino.
E aí, apesar de ser espírita, ele fica exercendo o consultório, aquele que ele aprendeu na ciência médica, e que não bate com a verdade do Cristo, não é verdade espírita, ah, que isso aqui é problema do colesterol, que isso aqui é problema do agapilório, da úlcera, não sei o quê, eu só ouvi um médico espírita que foi sincero, que ele virou pra mim e falou assim, olha, eu preciso sobreviver, a consulta não pode passar de 15, 20 minutos, não dá tempo de eu falar essas coisas pro paciente, ah, que bom, pelo menos você foi sincero, né, que bem.
Isso é uma coisa tão interessante que, agora falando como espírita, né, porque como espírita também, a gente também não trata o nosso corpo físico como um ser espiritual que reencarna, que tem os problemas da alma, né, quando eu fui no seu consultório, que eu tava com um olho de todo tamanho, foi pra mim um trabalho de fé, porque a gente fala assim, o meu olho é uma coisa muito importante, né, e aí eu procurei um médico, o médico falou, não, vai lá, faz uma ressonância magnética, faz um, assim, eu fui fazer exame, só de exame, foram quase 2 mil reais, aí no dia que a gente foi pra reunião do seu, o pessoal, não, vai lá no doutor Ricardo, vai lá no doutor Ricardo, resolveu, e eu já tinha comprado os remédios que o médico passou, corticóide, umas 10 caixas de corticóide, mais não sei o que, aí eu falei, gente, eu não vou tomar esses corticóide, não, eu falei pra Natália, você é doido, você não vai tomar isso aí, não, o seu olho vai cair, e o olho tava pra fora mesmo, tava, né, aí eu falei, não, eu vou lá no doutor Ricardo, vou pagar uma consulta, eu vou lá, porque eu acho que eu tenho que fazer esse, eu tenho que dar essa parte, tem que sair de mim, né, não posso ficar eternamente nesse negócio, né, aí eu cheguei lá, conversei com ele, não tinha nem computador na sala, umas fichinhas, umas fichinhas amarelas, aí eu falei, meu Deus, vai me fazer aqui, né, deixa eu voltar pra casa e tomar o remédio, eu acho que ele deve ter pensado, eu tô achando que eu tô ficando é doido, nem computador tem aqui, fiz o exame 1, eu me senti entrando na sala do filme Matrix, sendo assim, lá no oráculo, né, aí, não, conversar, falar, como é que aconteceu isso, né, falou, você vai descer ali, toma essa receita aqui, compra um pozinho de 11 reais, umas balinhas, uns glóbulos, eu tomei o negócio, no outro dia o olho já tinha voltado normal, falei, não, aí não, tem alguma coisa aí, né, chaman, é chaman, tem um negócio estranho, tem um negócio estranho, o outro médico me mandou gastar 2 mil reais de ressonância magnética, mais não sei o que, mais 10 caixas de remédio, não, realmente a gente precisa fazer esse trabalho, e nós como espíritos precisamos nos entender como um ser espiritual, não é só a carne, não é mais só essa parte de fora, o que nós somos é o que reflete, eu falo o seguinte, todo médico faz um juramento hipócritas, e não conhece nada de hipócritas, se conhecesse um pouquinho de hipócritas, não precisaríamos de tanta tecnologia assim, porque quando a gente fala assim, a gente não está pregando o não uso de remédio, não é isso, a gente está pregando eu cogitar, eu pensar, em dar significado aquilo, hipócritas falam, tem uma frase dele muito bonita, que fala assim, primeiro use a palavra, depois a planta, depois a droga, depois a bisturi, a arte médica é saber fazer juízo disso, isso aqui é lindo, não é contra nem nada não, é saber usar de acordo com o momento, o que é que é possível, tem gente que cura, tem que usar a bisturi, tem que usar a droga, é uma benção, tudo é de Deus, o que a gente pede é para não inverter a ordem, não perder a reflexão, cogitar, o que significa esse sintoma, o que ele quer dizer para mim, ele quer me libertar de algo, ele quer que eu saia fora da lei, para viver no espírito, toma o remédio, mas cogita, pensa, só que nós vivemos em um mundo de tecnologia, a ciência hoje já não pesquisa mais, não busca a verdade pela verdade mais, a pesquisa tem interesse, sempre tem outros interesses, como dizia Foucault, a verdade tem sempre um poder por detrás disso, perdeu-se o fio, e eu falo que a medicina ficou um pouco para trás, e os médicos comem remédios espírita também, que eu fico injuriado, que se Jesus falou que o que entra pela boca, não é o que entra pela boca, mas é o que sai e contamina, porque eles ficam tão preocupados com bactéria, com colesterol, gordura, com não sei o que, porque a ciência falou isso, mas a ciência não diz a verdade, a verdade é transitória, ela vai mudando, a ciência busca a verdade, mas não finaliza a verdade, não finaliza, se seus olhos forem bons, tudo mais será, olha só que coisa linda gente, isso é medicina, e por que a gente fica ali naquele negócio, aí o espírito é assim, na hora que o espírito está pegando lá, e quase não sei o que, e hoje então, que nós estamos vivendo a medicina muito mais de risco, do que de cuidado, o tal do check-up é um horror, porque a pessoa está saudável, não sentia nada, agora faz check-up e tem um monte de doença, que tem que tirar tudo, e quando eu disse no início aqui, que eu tive dois mestres alopatas, um deles, que é o João Afonso que eu falei, que ele falava para a gente assim, reconhece o bom profissional pela quantidade de exames que pede, quanto mais pede mais burro é, não se imagina, eu cresci com medo de pedir exame, e me tornei alopata, e eu não peço mais nada, só que hoje, depois de 30 anos, eu estou mais caridoso, hoje eu peço exame para alegrar o meu paciente, eu me esforço fraco, para viver com os fracos, para salvar alguns, então eu peço exame para ele sentir-se bem, seguro, eu não preciso, mas ele fica bem, olhando o exame, coisa boa, é assim que tem que ser, respeitável, porque eu já fui muito radical, aquele alopata, espírita radical, aí nosso senhor me deu um acidente daqueles bons, daqueles bons, que eu fiquei afastado 4 meses, aí quando eu vi, que maravilha que é uma anestesia, quando você está todo quebrado, que maravilha, que é um remédio que faz a gente dormir, achei uma benção, a minha esposa, não posso falar isso não, está de público, censura, censura, que esse podcast, tem criança que ouve, 4 meses saí dali, menos radical, porque antes eu queria levar os pacientes na bucha, até o final, na fidelidade, na fidelidade é o princípio, é aquele trem, e esses dias mesmo, eu estava vendo uma historinha do Francisco de Assis, gente do céu, o que é isso, os frades tinham o hábito de fazer, aqueles jejuns, prolongados, uma bela noite, um frade começa a chorar, chorando alto, chorando que foi, eu não dou conta, eu não dou conta mais de fazer jejum, eu sou um fraco, gente o Francisco de Assis, em vez de chegar lá, sai fora que vou continuar fazendo, a gente é assim com as pessoas, não é com aqueles que não dão conta, sabe o que o Francisco fez, foi lá cozinhou um franguinho, comeu junto com o frade, comeu um franguinho junto com o frade, meu Deus do céu, eu tenho que aprender mais ainda a ter misericórdia, que a justiça eu já tenho, não tem misericórdia, comeu um franguinho junto com o outro, porque as vezes a gente tem um ideal, e quer impor o ideal no outro, o outro não dá conta, a gente exclui, mas o Francisco de Assis não excluiu, foi lá e comeu o franguinho junto com ele, que coisa doida, que lindo, então ainda estou nesse processo de aprendizagem, de vez em quando dá vontade de porcar, chega lá, colesterol aqui, colesterol aqui, não dá, não dá, não dá, não dá, não dá.
Então Ricardo, e o princípio do remédio homeopático, qual que é, a pessoa apresenta um sintoma, que é um problema da alma, que é algo que está no extremo. Então nós temos uma pergunta aqui, que foi feita para Emmanuel, que vai coroar essa sua pergunta, olha só, perguntaram no livro, está no livro Plantão de Respostas, perguntaram assim, Emmanuel, é verdade que a homeopatia age no perispírito? Aí a resposta de Emmanuel foi a seguinte, o medicamento homeopático atua energeticamente e não quimicamente, ou seja, sua ação terapêutica vai se dar no plano dinâmico ou energético do corpo humano, que se localiza no perispírito, a medicação estimula energeticamente o perispírito, que por ressonância vibratória equilibra as disfunções existentes, isto é, o além de tratar doenças físicas, atua também no tratamento dos desequilíbrios emocionais e mentais, promovendo então o reequilíbrio físico e espiritual.
Nossa! É, está no Plantão de Respostas. Que coisa bonita! Olha só que chique, nunca tinha visto. Mas o princípio do fenômeno, eu sintetizaria como sendo o princípio da compaixão. O que quer dizer isso? Todo medicamento homeopático, ele é experimentado em pessoas. Nós fazemos auto-experimentações. Em grupo, cada um relata o que se enfiou ao experimentar o medicamento, e ali a gente faz uma síntese, a gente busca a virtude do medicamento, o talento, a virtude do medicamento. A gente faz a síntese. Aí pela leite semelhante, quando o paciente chega apresentando a dinâmica, a gente busca a síntese na consulta, a gente busca perceber o belo que está desmedido, qual é a virtude do paciente.
E pela leite semelhante, a gente busca qual remédio que nós experimentamos, ou alguém experimentou e compartilhou conosco, para ser dado. E semelhante cura semelhante. Então, a virtude do remédio, provoca um movimento curativo no outro. Que é a lei da vida. Semelhante cura semelhante. A vida é toda assim. Você vê os casais, os casais estão juntos por semelhança, que se apresentam em opostos, em oposição. Sempre vai ser assim. Nós sempre atraímos o oposto. Se tem um tímido, tem outro que é extrovertido. Tem um pão duro, tem outro que é gastador.
Ambos têm problemas semelhantes, só estão nos extremos. Por isso que a vida une-os, a busca do meio, o caminho do meio, dos orientais. O meio, a medida. E aí que é bonito você perceber isso no outro. Quem sou eu? Quem sou eu? Quem é essa minha companheira? Nós somos extremos. O caminho é o tempero. Eu falo que um pão mexido, tem que ser muita coisa diferente. Não pode ser mexido só de uma coisa, não é mexido. Então, o que a medicação homeopática faz ao ser dado, seguindo esse princípio, é provocar a ida para o meio.
Porque nós estamos nos extremos, nas emoções, no sentimento e o corpo falando. A medicação induz o meio, por isso que se chama remediar. Remédio, remediar, médio, meio. Por isso que se chama pôr no meio. O remédio põe no meio. É aquilo que Platão falava, o homem é de natureza boa. Então, a medicação induz esse processo do meio. Ele resgata o centro. A partir daí é com ele. No que resgata o centro, resgata o processo de saúde. O processo de saúde é o que? Não é ausência de sintoma, como é na neumatia. A saúde é a capacidade de exteriorizar o conflito de forma benigna, que são os processos de exoneração.
Pele, mucosa, catarro, secreções, vômito, diarreia, coceira. Por isso que esse é o ponto que todo mundo briga com a homeopatia. Ah, eu estou coçando. A homeopata adora quando coça. Está vomitando. Coisa boa, está vomitando. Está cheio de catarro. Coisa boa. Era isso mesmo que eu ia te perguntar, Dr. Ricardo, porque tem esse temor quanto à homeopatia. Eu tenho muitas amigas que resistem à homeopatia com medo dessa exoneração, com esse processo sintomático. E aí? O processo exonerativo é a lei da vida. Isso pode acontecer com remédio homeopático, pode acontecer com uma leitura, com a presença de uma pessoa.
Aquele que catalisar o processo de cura e a pessoa for dócil a ele, vai fazer isso. Num acompanhamento psicoterapêutico ocorre. Mas só que como as pessoas não conhecem essa lei, que Pockets já havia conhecido lá fora, o que acontece? De repente você está lá no consultório de psicólogo que começa a coçar. Aí vai aonde? Dermatologista. Como lá na curso de medicina a gente aprendeu a dar nome aos bois. Ah, isso aí é psoriá, isso aí é isso. Aí dá nome aos bois e passa a pomadinha. Aí começa a interferir. Aí a psicoterapia continua.
A natureza busca e põe para fora outra vez. Aí vai lá e tampa outra vez. Aí começa a fazer o que o Emmanuel fala lá no consolador. Os comprimidos, as injeções, aliviam. Mas o mal ressurgirá em outro plano. É aquilo que Jesus falou. Vai e não torres a pecar, porque o mal maior vai te matar. Vai e vem. Que é o que na homeopatia a gente chama de metástase mórbida. Então o processo extremou da homeopatia, isso é da vida. Se a homeopatia não fizer, alguém passa. Já acontece no dia a dia. Pois é. E aquilo que a gente enxerga como doença.
Mas que na verdade é o caminho da cura. É o caminho da cura. Isso está te curando. Pois é. Aí vai uma pessoa com cólica de rins, que bom que você fez uma cólica. A gente tem que ver, a gente tem que analisar o conjunto. Ou seja, é de dentro para fora o processo de cura. E de cima para baixo. Então, como você imagina. Então explica melhor, como é esse dente de dentro para fora, de cima para baixo. Explica melhor. Que é a lei de cura. É um dos aspectos da lei de cura. Então você imagina, se a pessoa tem, para nós homeopatas não existe incurabilidade.
Incurabilidade. Isso é uma questão individual. Que na homeopatia, você tem um problema de hipotiroidismo, vai usar o remédio o resto da vida. Para nós não. Depende. Ela pode ser curada. Ah, hipertenso, remédio o resto da vida. Depende. Então, uma dessas pessoas, ao tomar a medicação, e o processo de cura começar a acontecer, ela vai adoecer de outro plano de enfermidade. Então ela deixa de ter uma hipertensão, que é algo nobre, dois musculares, então ela precisa de cura. Sai de um órgão nobre para o menos nobre. E mais na frente vai sair desse órgão esquelético, músculo esquelético, para o outro menos nobre.
E vai para mais externo. Vai para a pele, por exemplo. Muito conhecido, alguns pediatras já até perceberam isso, já estão poderando, é a criança com asma e com bronquite. Quando começa a curar asma e bronquite, aparece o eczema, que é uma lesão de pele. Passar a cossicóide ali, volta a ter crise de bronquite. E é o processo de cura. Nas febres, com criança. Então assim, quando a gente é mãe de primeira viagem, a gente quase morre, porque começou a ter febre, e a gente, principalmente nas áreas de saúde, então você já imagina ali, uma convulsão que vai virar um monte de coisa.
E aí na miopatia, a gente aprende a lidar com a febre. A gente aprende. Então, você dá um banho, e ali a água vai esfriando, e a febre vai diminuindo. E aí o senhor fala assim, está com febre, mas como é que está o humor? Ah, está com febre, mas está brincando? Ah, que bom! Então vai… Não há tanta coisa para falar. Pode falar. Você não está cerceado, não. Esse aspecto da criança… Porque isso é muito angustiante. A doença da criança, eu falo que é a maior benção para os meus filhos. Porque sempre tem um fator desencadente psíquico, comportamental.
Só que como a nossa cultura não tem esse olhar de observação, nós somos criados sempre responsabilizando o calor, o frio, a chuva, o picolé. Você nunca percebe, na dimensão da criança, na dimensão da criança, o que afetou. Então sempre tem algo que afeta, desarmoniza, a febre vem para… reorganizar o processo. Eu lembro que os meninos adoravam quando eles tinham febre, que acalmava, quietava, sabe? Eles saíam da febre, e outros, outros… Então a febre é um reorganizador psíquico. É o copo que encheu, entornou, a febre vem e reorganiza.
E aí, no caso da construção do meu prato, nós vamos avaliar os fatores desencadentes. Essa semana mesmo eu tive um caso, um caso assim, nossa, foi terrível, porque a menina, ela acordou de madrugada com pesadelo, e entrou no quadro de insuficiência respiratória, e foi para o CTI. Ela acordou com pesadelo, aí você vai ver o pesadelo, é o sofrimento dela do cotidiano, que não estava sendo tratado, e que no pesadelo foi demais, ela acordou já sufocada, já foi para o CTI. Então você vai ver as febres, todas as doenças de menino, tem fatores desencadentes da natureza deles, aí nós vamos buscar essa natureza para a gente cuidar.
E aí, dentro do drama da febre, todo mundo tem medo, isso é por culpa dos médicos, não é por culpa da ciência médica, não, porque todo médico aprende na faculdade que a febre facilita a formação dos leucócitos, a ida dos leucócitos, acesso de defesa até o local de infecção. Só que o que acontece? Ninguém tem paciência mais com a mãe, né? No sentido da febre está alta, vai ter convulsão, antigamente criaram um horror da convulsão, agora 20% das crianças de 0 a 3 anos tem convulsão por reação, ou sobe de repente, ou cai, tem convulsão.
Antigamente a gente tinha que dar HDNAL, agora acabou, sabe que é uma reação metabólica, e nós, homeopatas, sabemos que a convulsão já é um reorganizador psíquico, tanto é que é usada convulsoterapia na psiquiatria, e André Luiz fala disso no Mundo Maior, que é um reorganizador psíquico, então a convulsão é uma benção também, se a febre não for suficiente, a convulsão reorganiza. Mas o mundo tem medo, se não criou-se esse pavor de febre, os pais ficam inquietos, com medo, então tem que entrar com antitérmico, há de 6 horas o antitérmico, aí você tira do organismo aquele elemento a favor dele, aí as crianças tendem a adoecer mais frequentemente.
E o senhor falava assim sempre pra gente, que a febre é o fogo que transmuta, transmutador, que modifica de um estado pra outro, e o senhor sempre falava assim, depois da febre sempre tem um ganho, e é batata. Então lá em casa era assim, febre, 3 dias de febrão, e a gente tentando contornar, evitando ao máximo o antitérmico, ele ainda falava assim, pra você dormir tranquilo, você dá o antitérmico. Pra você dormir tranquilo, é isso mesmo. Pra você dormir tranquilo, você dá o antitérmico. E aí passava a febre, e a criança começava a falar, ou começava a andar, ou começava a falar, um ganho assim, motor, um ganho.
Então era impressionante, a gente começou a observar, e como que a gente aguça a observação. E aí às vezes passava a febre e empolava tudo. Aí o senhor perguntava assim, tá de cima ou tá de baixo? Começou por cima ou começou por baixo? Porque aí o senhor estava vendo se agravava o processo, ou se estava no processo de melhora. Então isso é muito legal. E o bacana disso, é que você vai tomando posse do processo, você vai ficando, como é que fala? Livre. Sem os temores, os horrores do mundo. Ah, cuidado com isso, cuidado com aquilo, eu estou vivendo a adengue, né?
Ah, como se mosquito fosse o problema, meu Deus, quantos já foram picados pela adengue e não teve nada, como assim? A gente não tem jeito de medir. A maioria mede a exceção e foi culpa no início, né? Mas o bacana desse processo, é que as crianças que são tratadas assim, desde cedo, os pais participando, a consciência crítica, a consciência de si mesmo que eles têm, é fantástica. Então eu vejo hoje, depois de 30 anos, que a gente tem clientes que eu comecei com 8 meses de idade, né? Eles chegam no consultório, já falando direto o que é.
Já fala direto. E não é porque é mais velho, não. Pequenininho. Eu me lembro uma vez, uma pirralinha de 6, 7 anos, isso foi inesquecível, né? Porque as crianças aprendem mais do que os pais, né? A mãe chega com aquela retórica clássica. Ah, está com dor de ouvido. Falei para você que não era para nadar na água fria. Como se fosse esse problema. A menina virou, colocou a mão na cintura. Não é a água fria que fez doer meu ouvido, é o jeito que você fala comigo. Pronto, já está homeopatizada. Já está, né? Já está homeopatizada.
Aí você vai vendo ela crescer, os meninos crescerem, 15, 16 anos, já chega assim, já falando. Olha, eu adoeci. A minha garganta inflamou. Hoje me atendia uma menininha de 16 anos, uma gracinha, um problema no olho. O que foi que aconteceu? Ela vai direto no foco. Aconteceu isso, isso, isso. Uma consciência crítica de si mesmo. É espetacular. Então eu falo o seguinte, o espírito precisa de se apropriar mais disso para o autoconhecimento. Essa foi a maior referência que a gente tem de autoconhecimento. Pensa que use a droga, usa o que for, não tem importância não.
Mas não fique com essa mentira de que é isso, que é aquilo, a úlcera é a capilore. Mentirada. Não é que é mentira do ponto de vista técnico, não. A ciência só conseguiu ir até ali. Ela não conseguiu ir além não, mas nós já fomos além muito mais do que isso, não só pela doutrina de espírito, como pelo Cristo. Nós já fomos muito mais do que isso. Então o espírito precisa de resgatar isso, sabe. Com mais fé, com mais propósito, né. Pensar, de cogitar, mas a vida é tão, nós estamos vivendo um imediatismo tão grande, né, que, olha, eu posso dizer que hoje, atender a criança hoje como era antigamente é difícil.
Antigamente as mães, os pais, eles acompanhavam mais o processo. Hoje os pais nem tem tempo para os filhos. Quando chega no consultório, não sabe nem falar dos filhos, quando perguntam, como é que é seu filho? Ah, é normal. Ah, é inteligente, observador. Qual filho que não é? É duro eu ter que aguentar esse ofício, né. Entendeu? Ele é normal, ele é igual a todas as crianças, mas eu quero saber o seu normal. Como que é o seu normal? E as pessoas acham que estão querendo investigar é se ele tem alguma patologia mental, né.
Não, não, é como ele é, o que difere dos outros, como é que ele é, o jeitinho dele ser. Então tem isso. Os pais não convivem mais, tem dificuldade de falar deles. Quando acontece alguma coisa, eles querem eliminar logo, para não ter trabalho. Tem cliente, quando o menino espirra, já está ligando. Soltou um pumzinho, já está ligando. Já quer fazer ultrassom. É o negócio. Por isso que a pediatria está acabando, né. Porque não dá dinheiro para o hospital, nem para o pediatra, e o pediatra não está aguentando pais. Não dá tempo para cuidar deles.
Então está acabando pediatrias. Estão sendo fechados 16 postos de pediatria aqui em Belo Horizonte. Não sei o que vai acontecer, né. Porque não é fácil cuidar de criança. Porque cuidar de criança é cuidar de pais. Por isso que eu volto a dizer que médico tem que ser educador. Tem que aprender a educar, tem que saber ler sobre educação, como educar, porque não tem jeito, a criança é o sintoma da família, né. Reflete o conjunto, essa dinâmica da família. E, afinal das contas, a criança vem ali, quando a criança está muito sintomática, ela está evidenciando a dinâmica da família.
Então o pediatra, o médico, tem que saber lidar com isso. Então eu acho que, quando você falou da pergunta aí, o bacana da homeopatia é que ela resgata esse olhar, essa escuta, essa compaixão com a dor da alma, com o tempo do outro, né. Ou encurtar o tempo da enfermidade. Tem seus sacrifícios? Tem, né. Porque aguentar uma coceira, um corrimento, não é fácil. Mas é muito melhor isso do que uma artritis reumatória, uma espessa cardíaca ou outras coisas graves. Então a gente tem que ter essa leitura para saber… A gente tem que saber lidar com isso.
Eu queria perguntar, tem algumas situações, por exemplo, em que o organismo está em um estado crítico, muito grave, e aí é preciso fazer uma internação mesmo, aí não tem jeito, tem que fazer um… Pois é, que é aquele princípio de hipócrita. Não existe momento da droga, da bisturi, né. Tem esse momento. Tem esse momento, sim, claro. E a questão é perceber esse momento, né, que surge dessa avaliação clínica. Por isso que quanto mais prática, vamos dizer assim, numa medicina em que a alopatia é oficial, aqui no Brasil, o homeopata ter uma vivência prática é muito bom para dar segurança, né, nessas horas, para discernir.
Porque muitas vezes a gente está tranquilo ali na situação, apesar da gravidade do paciente. Mas o paciente não dá conta. Porque a nossa oficialidade não é homeopática, é alopática. Se a oficialidade fosse homeopática, teria uma estrutura homeopática de apoio, de você levar para o hospital, e o homeopata estar ali junto, acompanhando. Nós não temos isso. Então chega essa hora, como é que vai fazer? Vai abandonar ele lá? Não tem jeito. O ideal seria um dia que houvesse parceria. Tem uma resposta de Kardec, da revista Espírita, sobre isso.
Ele fala exatamente isso. É que alopatia fosse parceira da homeopatia. Que coisa! Lá na revista Espírita. Tem umas mensagens do Hahnemann, lá na revista Espírita. Ele fala exatamente isso, que a gente precisa dessa parceria. O dia que os alopatas entenderem isso, e os homeopatas também, fazer essa parceria, de perceber qual que é o momento da droga, do misturismo, sem risco, sem disputa de poder, de saber, é o bem-estar do paciente, não dá conta. Não dá conta não. Eu passei por uma experiência fantástica, há pouco tempo, em que eu tive uma cólica renal, violenta, fui para o pronto-socorro, e só uma experiência interessante, que eu fiz questão de não me identificar com o médico, para eu ver como é o processo com o paciente, e fiquei horrorizado, com um momento de medo de voltar para o hospital.
Mas foi uma experiência muito interessante, porque nem morfina acalmava a minha dor dos rins. Eu estava urinando, sangrando, nem morfina. Quando era de madrugada, e aí que eu acho que é esse contato com Deus, é nesse momento da dor extrema, no momento em que o infinito se abre e acolhe o infinito, que eu, puxa vida, naquele momento de dor, eu lancei e perguntei, Senhor, o que o Senhor quer de mim, Senhor? O que significa isso? Mas eu falei aos prantos, eu e a minha mulher, só de madrugada naquele hospital, mas falei aos prantos, Senhor, o que o Senhor quer de mim, Senhor?
O que quer dizer isso, Senhor? Naquele momento, eu acho que abriu um portal do inconsciente, e eu vivenciei algo que eu nunca tinha vivenciado, desde a morte do meu pai, eu fiz um resgate paterno, naquele momento, tão fantástico, tão incrível, que eu sentia ele perto de mim, eu chorava aos prantos, naquele momento, de eu chorar aos prantos, que eu identifiquei qual era a minha dor velada, que a cólica renal evidenciou, a dor foi embora instantaneamente, na hora, na hora, eu falei que o cálculo se desfez em lágrimas, se desfez, porque depois eu fiz o exame, cadê o cálculo?
Se desfez em lágrimas, não era preciso mais, eu já encontrei o que era a minha busca. E era uma dor que estava na gaveta. Era uma dor velada, era uma angústia de pai, que naquele momento, retratava, muita minha dor, vivendo a saída dos meus filhos de casa, a certeza se eles estavam sendo felizes ou não, eu estava com dúvidas, angústias, é esse mesmo caminho de vocês? Aí depois que eu saí de lá, todos, eu perguntei, é isso mesmo que vocês querem? Vocês estão felizes, é isso mesmo? Então eu vou entregar todos para Deus.
Eu entreguei, naquele momento da cólica. É isso mesmo meu filho, você está feliz com a sua escolha? Tenho certeza? Então agora eu estou em paz. Porque havia uma dúvida, uma angústia de pai, aí eu desfiz. Então parto. Ainda mais com doenças graves, como você falou, que a gente vai para o hospital, aquele é o momento de encontrar com Deus, gente. Sentir a nossa infinitude, a nossa pequenez, e depois que você encontra, a coisa se desfaz. Nós falamos aqui no início, a mensagem falou do testemunho, tem que ser, como diz Emmanuel, testemunho para os outros.
Então eu tenho um monte de exemplos. Eu gostaria que você falasse, porque eu vivi uma experiência, e o senhor me curou, me citando uma frase, eu esqueci o nome, agora até gostaria que ficasse registrado, de um livro que o senhor tinha lido, de um padre italiano, que ele fala que a vocação nasce de uma provocação de Deus. Que Deus provoca a gente. É, meu pai, o Monsenhor Giussani, italiano, acho que ao longo da vida, esse processo de busca nosso, que a gente está buscando com sede, ter sede, que a gente encontra água viva, através daquilo que se apresenta.
Então esse foi um autor que me chegou num momento bacana, e ele tem essa fala, que Deus faz uma provocação, para nascer a vocação. E aí eu encontrei algo semelhante em Emmanuel, quando ele fala assim, em todo sofrimento, todo sofrimento é manifestação de Deus em nossa vida, para que haja uma aprendizagem, para a vida querer uma resposta nova, positiva. Esse autor fala isso. Que Deus nos provoca para que nasça uma resposta nova. Essa resposta nova a gente não sabe. Por isso que é aflitivo. É uma novidade. É algo que não está na nossa memória.
E ele compara um momento bonito, é algo semelhante à figura do Zaqueu. O Zaqueu na multidão queria ver Jesus. Ele ansiava por aquilo. O que ele fez? O inusitado. O inusitado é subir uma árvore. Que a vida deveria ser assim. Respostas novas, inusitadas. Totalmente inesperadas. Quando tudo tinha que ser de um lado, você dá uma resposta. Então ele fala isso, da provocação que nasce uma vocação. A vida nos provoca e esse talento vai nascer numa vocação. Vai nascer no tom. Eu me lembro, dentro dessa questão da provocação, o Bernardo era pequenininho e ele teve uma faringite, aquela tosse de cachorro, muito forte.
De madrugada, eu e o Júlio fomos levar o Bernardo para o pronto-socorro. Eu já tinha ligado de madrugada e não tinha conseguido falar com o senhor. Nós fomos para o pronto-socorro de madrugada e o médico atendeu. Ele falou que eu tinha uma feringite e ele entrou com uma injeção de adrenalina e eu fiquei em pânico porque eu não queria aquilo. Aí eu liguei de novo e o senhor acordou. Ele falou, em casa tem tal medicamento? Eu tenho. Então você vai dar de 10 em 10 minutos e você vai me ligando, vai me falar. E era aquele momento crucial porque eu estava passando um momento individual de que eu precisava ter mais fé.
E olha, que saí daquele pronto-socorro de madrugada com o médico louco seu. Que loucura, eu estou ouvindo aqui, que loucura. E aí lá em casa, de 10 em 10 minutos e tal. E aí às vezes o senhor ligava, às vezes eu não ligava, como é que está? Aí até que ele começou, durante duas horas, se não você volta para o hospital correndo com ele, o senhor falou. Aí como é que está? O cara é tão louco. Mas eu voltei para casa e fui dando medicamento de 10 em 10 minutos. E aí como é que está? Ele está em Catarana. Então é isso mesmo.
Está em Catarana, aí começou a engasgar. Então já saiu do risco e tudo. Mas para mim essa provocação, não foi para ele que foi a doença, valeu foi para mim. Porque o quanto que imobilizou a fé está num processo a seguir. Então assim, isso que o senhor está falando, e quando é criança, o processo não é só para o filho, o processo é para o pai, é para todo mundo, porque o Bernardo fez 5 anos e nunca tomou antibiótico, nunca tomou anti-inflamatório. E eu observo assim, quando ele começa a ter medo de algumas coisas, eu falo assim, opa, está adoecendo.
Isso que é bacana, isso que é uma doença. Então essa observação nos amadurece muito como pai, como pai, como mãe, e é observar o contexto. É interessante você falando isso, que antes do acidente eu era muito radical. Aí o acidente me fez menos radical, mas ainda estava radical. E uma vez que eu ia lá para as nossas reuniões mediúnicas, que são fantásticas, a gente vai pensando, pensando, e vem a resposta depois. Aí eu entrei pensando sobre isso, isso que você contou, puxa vida, até que ponto que eu tenho que insistir?
A mãe está aflita, está sofrida, meu Deus, eu insisto ou não, mas o ideal, pensando, pensando, veio uma mensagem, o doutor Esquembre já tinha desencarnado, a média nem sabia o que eu estava pensando, veio o doutor Esquembre e escreveu, colocando que tomasse cuidado para que o ideal não se tornasse um processo masoquista. O masoquismo do ideal. Olha que chifre, nossa senhora, meu Deus do céu. Porque é isso, às vezes em nome de ideal, a gente não come franguinho junto com o outro, igual Francisco de Assis. Seja um ideal espírita, como diz Emmanuel, uma outra frase que tem sido meu guia, mais importante do que concordar, é cooperar.
Eu posso não ter sido um bom homeopata, mas eu posso ter sido humano com você, compreender a sua dor, tentar compreender que não é fácil, porque o ideal fica acima da tentativa de compreender, fica acima, e a gente quer impor o ideal no outro. Não na gente, né? É. Não, às vezes a gente consegue ser com a gente, às vezes a gente é fiel, ser fiel. Já entra no terreno do fanatismo. É igualzinho o Francisco de Assis. Eu dou conta de fazer jejum 40 dias, mas você não. Então eu como franguinho com você. Você entendeu? Ah, não vou levar o meu…
Isso é no amplo sentido, não é só na homeopatia, não. Uma pessoa falava, eu fui convidado para batizar o meu sobrinho, eu não vou porque eu sou espírita. Meu Deus, o que é mais importante? É você dar a alegria que você ama, como diz a Bôda de Caná, ou é o seu ideal? É um momento de graça, de beleza, de encanto, com a companheira que te chamou, que convite nobre. Eu não mereço. Que bom. Isso é mais importante do que ideal. E às vezes na casa espírita a gente brinca por causa do ideal. Então não coopero, porque tem que concordar.
Se não concordar, eu não coopero. E mano, eu falo, mais importante do que concordar é cooperar. Vai fazer isso na casa espírita, você vê. Se não fizer isso, eu não coopero. Porque se está ali, sai e monta treta. E cada um vai para um canto e monta outra. Não é mesmo? Então no ideal, a minha parte, às vezes a gente encorre esse drama de querer impor o ideal na pessoa e ela ainda não dá conta. Ela está no arroz com feijão. Aí a gente lembra Jesus que falava por parábolas com o povo, com os íntimos falava de outro jeito, e a gente tem que usar a linguagem que cada um dá conta.
E às vezes a linguagem cada um dá conta. Então hoje, às vezes eu percebo o cliente, eu dou a receita homeopática e já dou a homeopática do lado. Pronto, ela fica segura, tranquila, porque eu não sou radical, e dá certo. Porque se não der certo, toma isso aqui. A importância, o mais importante que eu quero é que você amplie o seu olhar. Aprenda a olhar, escutar. O que é mais importante? O remédio é secundário. O remédio é que daqui a pouquinho você vai dando conta, ele me dá um, aí a gente sai desse sofrimento. Podia ter ido lá, ter atendido, ter tomado corticórdia, adrenalina.
Podia ter voltado, mas você fortaleceu na fé. No mínimo você fortaleceu na fé. No mínimo. Porque esses momentos, não do remédio homeopático, mas do momento crítico da dor, da perda, da angústia, isso é um momento de fé. E aí eu acho que a homeopatia transcende, porque ela não vai tratar exatamente a doença. Além de tratar o contexto, ela vai tratar o sentimento, que está por trás daquele processo todo, a relação. E essa leitura de perceber o sintoma, como o sintoma fala, o significado, o significante, o que ele está, o que significa aquilo, porque o nosso corpo fala com o inconsciente, ele fala no simbólico, ele fala no arquétipo.
Então todo sintoma tem razão de ser. A medicina chinesa já conhece isso um pouco, há milênios, quando ele fala das funções psíquicas de cada órgão, ali já está observando, já sabem disso há muito tempo. Uns exemplos, doutor Ricardo. Isso, dá uns exemplos. Que é muito legal. Exemplos da medicina chinesa. Medicina chinesa. A empatia lida com o significante, ela não lida com a leitura. Mas na medicina chinesa, por exemplo, eles falam o seguinte, que é bacana, cada órgão vital tem uma janela para o exterior. A natureza, sabiamente, adoece primeiro a janela, para preservar o órgão vital.
Então, tem lá, a janela do fígado, são os olhos. Foi exatamente o que ele me disse. Eu levei o exame, ele falou, está alterado aqui no fígado. O olho está desse tamanho. Isso, eu sei. E o fígado, o que é a função? É planejar e decidir. E a emoção que move o planejar e o decidir, é a raiva, é a agressividade, que a agressividade gera movimento. Então, se aquilo ali está perturbado, tem conflito, está desmedido, para o fígado não adoecer, adoece o olho. Suja as conjuntivite e tal. Esse é o meu exemplo. Na mística chinesa, o pulmão é o órgão da socialização, da alegria, da tristeza, os extremos adoecem.
Às vezes, a alegria demais, adoece. Tem menino que volta de uma festa, adoecido. De tão excitado que ficou. Ou adoece antes. Ai, meu aniversário, meu aniversário, meu aniversário. Nos dias de aniversário, adoece. Não é? Nos dias, adoece. Então, ele tem a alegria demais. Então, alegria e tristeza, os extremos, socialização, dar e receber, pulmão. O rim, né? O rim, ele retrata medo, coragem, ação, e a minha ancestralidade. E o que que eu estou fazendo com a relação, com o que eu recebi da minha família. E aí vai, e a pouco…
Todas as minhas crenças, o que eu recebi, a… tradição. Aquilo que eu recebi da minha família, o que eu sou e o que eu estou fazendo com isso. E, como reflexo emocional, sempre há o medo e coragem, os opostos. Sempre há o oposto. Reflexo no rim. Só que a medicina chinesa é mais complexa, né? Porque todos os sistemas se interligam, né? Quando um está de mais, outro está de menos, né? Tem todo um sistema. E, há pouco tempo, ainda aprofundando disso, eu achei um livro fantástico, que fala da medicina hebraica. Aí, já é para o Haroldo.
Isso já me aguçou aqui. É, ou seja, essa leitura corporal estudada com base na Bíblia. Onde… O estudo feito na Bíblia formando o corpo e as funções psíquicas de cada parte do corpo fundamentada no estudo bíblico. Olha que louco! E aí, eu li esse livro. Como é que chama o livro? Eu vou tentar lembrar aqui para você. O corpo, o templo sagrado, alguma coisa assim. Mas, eu vou olhar. Aí, me ampliou mais ainda, porque tudo tem razão de ser, né? Por que Jesus lavava os pés? Lavou os pés no final. A razão de ser dos pés.
O… O joelho. Ah, minha memória é muito ruim assim. O livro está lá no consultório. Eu corro lá e consulto lá. A questão da nuca, da cruz. Colocar a cruz nos ombros. E como que é o processo de cura. Né? Você entendeu? Quer dizer, ampliou mais ainda esse cogitar em cima dos sintomas, né? Do corpo expressando. O que quer dizer isso? Aí, me ampliou mais ainda nessa… Para poder auxiliar o paciente. Porque Hipócrates falava o seguinte. O médico não deve só prescrever, não. O médico tem que passar regime de vida. Regime não é dieta, não.
Porque dieta não cura nada, não. Regime de vida, o que que é? A partir do momento que eu conheço a natureza dele, como que eu posso ajudá-lo a conduzir a sua natureza? Que é aquilo que o filósofo Rousseau falava, né? Que é conhecer, educar e conhecer a sua natureza e aprender a se governar. Dando a ela uma direção nova. Né? André Luiz fala isso também no livro Libertação. Nosso problema é de direção. É redirecionar o seu talento. O filósofo Kant também falava a mesma coisa. De redirecionar a sua natureza. Né? Para uma virtude maior.
Então, tem esse lance aí da missa hebraica. Né? E outro dia eu conheci outro livro também, que coisa loucura, né gente? Falando dos mestres de Alexandria. Os terapeutas de Alexandria. Eles percebiam a doença do indivíduo, a doença da alma, e davam a eles uma referência, uma história bíblica adequada à doença da alma. Para atuar no inconsciente e promover o processo indutório de cura. Olha que louco, gente. Meu Deus do céu, mas eu não consigo decorar aquela bíblia toda para saber. Onde é que entra o Jonas na história de cada um, meu Deus do céu?
O Zéias. A Ruth. Meu Deus, porque cada história da bíblia é um desejo humano, é um drama humano. É um drama humano. E os carinhas lá de Alexandria, os terapeutas de Alexandria, sabiam disso, conheciam todas as escrituras sagradas, os terapeutas, e eles se apresentavam a sua dor, seu drama, e eles contavam a história. E como que isso funciona? Quando a gente consegue, às vezes, encaixar com a pouca memória que eu tenho, quando você consegue encaixar, vai no inconsciente. Cura, porque a bíblia é assim, ela tem uma ação no inconsciente, né?
Ela entra no seu inconsciente, você encaixa a história. É fantástico. Você vê que é um mundo fantástico, né? Nós não podemos ficar prisioneiros dos laboratórios, dos exames, nós temos que expandir isso. Ricardo, na sua experiência profissional, você está sempre lidando com a dor, com a dor humana, a dor emocional, a dor psíquica, e lidando com a pessoa que perdeu a medida. A gente perde a medida de uma energia, de um potencial, de uma qualidade, aquilo se expressa num sintoma, que é doloroso. Aí, na sua experiência, numa linguagem jovem, o que está mais pegando hoje?
As pessoas chegam mais… Quais são as dores que estão… Se o senhor pudesse… É claro, não dá para classificar, mas… O que está mais grave? Quais são os maiores problemas, hoje, do ser humano? Chega num consultório… Olha, eu diria o seguinte, como o processo homeopático é de individualização, sempre chega a dor dele, a dor individualizada, né? O que eu posso afirmar é que como nós vivemos hoje… Olha, assim, o que… Eu diria, talvez, mudando um pouco a sua pergunta, o que é que existe no coletivo que está influenciando tanto o individual?
Né? Porque cada um que chega ainda detecta a dor pessoal. Mas existe uma dor coletiva que está influenciando nesse pessoal. Aí, eu diria que é a perda do contato com o divino, com a fé. A perda de referência. Né? A perda de uma bússola. Nós perdemos a bússola. As pessoas perderam a bússola. Hoje, nós estamos vivendo desde a revolução… industrial, a promessa da felicidade por algo que vai chegar de fora. Né? Essa sociedade efêmera, competitiva, performática, né? De promessa de felicidade, a ditadura da felicidade, a normose, a competitividade, é chique correr, né?
Dar status, falar que você não tem tempo. Né? É chique. Então, isso tudo que acontece provoca uma constante hipertrofia, uma desmedida da natureza de cada um que se arvora no processo salvacionista do outro e de si mesmo. Né? E aí, a complexidade de adocimento. Aí, essa complexidade é devida a esse não conhecimento desse ser humano tridimensional e o excesso de interferências médicas vão criando doenças complexas. Tanto é que hoje, a Organização Mundial de Médicos da Família preocupada com isso, estão tentando resgatar um conceito médico que ficou arquivado, que é o conceito de prevenção quaternária.
Que é o quê? Existe a prevenção primária, secundária, terciária e a quaternária. A prevenção quaternária é prevenir o paciente dos malefícios do médico. É, prevenção quaternária. Por quê? Porque a medicina deixou de ser a medicina do cuidado para ser a medicina do risco e altamente tecnológica. Então, tem um artigo de um médico espanhol que está assim. Muito interessante. Os ricos estão morrendo por excesso de atuação médica e os pobres estão morrendo por falta de atuação médica. Porque hoje privilegia-se o risco em detrimento do cuidado.
Então, se você encontra uma lesão e você não sente nada, nós temos que eliminar essa lesão porque pode acontecer isso. Só que isso é mentira, estatisticamente não é verdade. E como o mundo, o homem está sem referência, sem Deus, sem aquela bússola, a bússola dele passa a ser o quê? O medo. A indústria do medo gera consumo. A indústria do medo é lucrativa. Então, quanto mais medo se colocar, melhor que as pessoas consomem mais, alimentam o capitalismo. E o médico entrou nessa onda porque do lado de cada faculdade médica dos Estados Unidos, tem a indústria farmacêutica.
E a pesquisa é direcionada para os interesses financeiros. Cadê as pesquisas para a tuberculose? Para a malária? Lá não tem, não dá dinheiro. Não dá dinheiro. Então o que dá dinheiro hoje? São doenças que não se conhece nada. Doença autoimune, colesterol, as depressões, é isso que dá dinheiro. É isso que dá dinheiro. As outras coisas não dão. Então a gente fica vendo esse espetáculo que o médico entra na onda e não questiona. Não existe mais médico cientista. É raro. O médico que observa, que analisa a sua experiência e cria o seu modo.
Infelizmente eles se tornaram papagaios de livro. Anais de público e até médico. Mas é papagaio de livro, eles só estão imitando. Eles não tem tempo mais para observar. Tem paciente 15, 20 minutos, 3, 4 emprego para sobreviver. Porque aceitaram aquele convênio pagando 35 reais. Então eles entram na correria, não tem tempo. Protocolos, cria-se protocolos e tem que pagar o hospital. Então você entra lá, se você entrou com a dor no peito, tem que cumprir o protocolo. Que vai se internar, suspeita de infarto, não sei o que.
Faz aquele exame todo e no final acontece igual a minha sogra. Eu achei que era empacotado, empacotou, era só gases. Três dias no CTI para concluir que era gases. Eu falei, o sogra dura de ruído. Não foi dessa vez. Se ela tiver me ouvindo não foi. É mentira viu gente, ele é apaixonado com a sogra dele. São os protocolos, tem que garantir. Então perverte a ciência médica, perde o contato com essa realidade. Eu acho que eu fugi um pouquinho, o que você perguntou? Não, foi ótimo. Eu tenho uma pergunta, como é que funciona a mágica do medicamento homeopático?
Porque o senhor me mandou comprar um pozinho, você falou comigo assim, a cada colherada que você tomar, você vai lá, bota uma colher de água e bota no copo. Eu já tomei uns dois copos, só tem água. Eu vou te explicar até onde a gente dá conta. Que foi o Hahnemann muito esperto que ele observou que quando você experimenta um princípio medicamentoso em substância bruta, ele está cheio de efeitos tóxicos. Aí você sofre aqueles tóxicos e corre risco de vida. Ele criou, ele resgatou a ideia de diluir e agitar, porque aí você potencializa.
Cada vez que vai fazendo isso, sai fora dos efeitos tóxicos e desperta sintomas mentais. Agora, como que isso faz, como você leu aí no Emmanuel, na estrutura perispitória, quando ele falou da teoria de relatividade, eu não sei como é que é isso, mas eu sei que é. Aí parece que anos depois, que eles conseguiram provar no laboratório a ideia de Einstein. Ele sabia que era. Nós não temos ainda medida, elementos de medida capazes de medir a atuação desse algo energético, essa onda eletromagnética que vai de perispírito.
Nós só sabemos o que é. O resto não sabemos não. Agora, você disse dessa questão da experimentação, que vocês experimentam, experimentam, a formação desses medicamentos, como é que, é tudo dele, tudo do Heinemann? Pois é, o brilhantismo de Heinemann foi esse, que ele falava que é dever do médico despertar nele a compaixão e ser ele aquele que experimenta um medicamento e não o outro. E eu me lembro, eu fiz um curso lá no estudo de miopapatia, há um tempinho atrás, quando eles estavam fazendo um experimento com o veneno de escorpião.
E era assim, tem os voluntários, tem os próprios profissionais, tem alguns voluntários, e todo mundo experimentou o veneno de escorpião, é dosagem clara, e durante o mês anotam tudo o que sentiu. Anotam todas as coisas que sentiu. Depois eles vão sentar e discutir o que foi o sintoma que todo mundo percebeu. E foi o ciúme. Todos. O aspecto mais relevante era o ciúme. Então, aí eu também pergunto, como cura semelhante? A dosagem para a pessoa que vai utilizar esse medicamento, não é a dosagem, a pessoa que vai utilizar esse medicamento, se for necessário para ela, é uma pessoa que, por exemplo, tem a característica de ciúme?
Você está falando do outro como paciente? Aí é o seguinte, o ciúme é uma expressão de um sintoma. A gente não consideraria isso como uma síntese. Teria que fazer uma síntese. Eu não sei como foi esse grupo que participou. Porque ciúme todo mundo pode ter. Mas cada um na modalização de seu talento. Porque a ideia é pegar a virtude, a essência. E aí, como eu disse, quando o paciente apresenta aquela dinâmica semelhante, a gente aplica. Pela lista semelhante, a gente busca no arquivo. Então, como você falou, é o seguinte, os grupos de médicos afins formam grupos de estudos e se candidatam a fazer essas auto-experimentações.
Escolhe alguns produtos ou que já existem para vivenciá-los em si mesmo, para cada própria memória. E aí contribui mais. Ou com substâncias novas. Aí que eu gosto de fazer a diferença é o seguinte, nem todo homeopata é ranemaniano. Assim como nem todo espiritualista é espírita. Ranemanianos são raros. Porque são raros os que são fiéis à doutrina de raneman. E são raros os que fazem autopatogenesia. Tem muitos homeopatas, mas não são ranemanianos. Isso quer dizer é da linha unicista e não unicista? É isso que o senhor quer dizer?
Isso é outra coisa, porque raneman pregava medicamento único de cada vez. É um medicamento para a pessoa, independente se é dor de cabeça, se é dor no chique, se é dor no pé. De cada vez. Mas por processos históricos, porque a França, porque aí tem um processo histórico, porque no processo de dinamização, até CH-12 você ainda encontra elementos palpáveis, medíveis. A potência de CH-12 equivale ao número de avalgrado. Até ali ainda tem molécula, depois não tem mais não. O número de avalgrado lá na química. Então a escola francesa é uma escola bem organicista.
Não trabalho tanto assim com esse quadro mental, com essa síntese. E a escola argentina foi uma que influenciou muito nessa percepção de síntese, com alguns mestres lá e alguns outros da Índia. Então o que acontece? Com o tempo, e isso é eu que estou concluindo, não sei se tem valor histórico de fato, mas a impressão que eu tenho é que a dificuldade de sintetizar em um remédio único cria-se então o pluralismo. Ou seja, é quase que alopatizar a medicina. Quase. Você tem uma dor de ouvido, vou dar o remédio para dor de ouvido, você tem uma dor de úlcera, é quase isso.
Atua, a pessoa melhora, mas a não ser que a pessoa tenha tido a capacidade de uma modalização espetacular, de uma individualização muito bem, vai atuar no campo mental também, claro. Mas a pessoa não se apropria do processo. Porque ela foi lá e aquelas receitas grandes, três, quatro remédios, cada um para uma coisa, melhora, a pessoa melhora daquilo, mas a alma continua ainda sem bússola. O terapeuta tem que resgatar a bússola do paciente. Então, Ricardo, na homeopatia, ela parte de um pressuposto que há tipos psicológicos?
Pois é. Quando o senhor fala assim, encontrar uma síntese, é encontrar as características psicológicas, potenciais daquele paciente e qual é o remédio afim da personalidade dele, das potenciais? É detectar o sentimento da doecida, a natureza boa da pessoa que está doecida. Então, não daria para a gente colocar em termos de tipos, senão a gente dá uma boa americanizada. Os americanos adoram colocar isso, botar tudo nas caixinhas e medir. Dá para perceber isso? O que acontece? Nós temos a natureza, é uma fonte riquíssima.
Eu acho que os Espíritos falam, me lembro aqui que falam que é na natureza que está a melhor fonte dos nossos recursos terapêuticos. Então, o simples fato de você experimentar algo, quanto mais puro, melhor, você desperta ali. Agora, eu acredito que possa ter o seguinte, assim como na mitologia você tem aqueles arquétipos, nas diversas mitologias, existe uma teoria de um colega nosso que ele fala que provavelmente todos os elementos da tabela periódica já contêm em si esses padrões de síntese e que se desdobram no reino vegetal e no reino animal e que conforme o momento de vida da pessoa, às vezes ele precisa do medicamento do reino animal ou do reino vegetal.
Essas são teorias de alguns colegas. Eu acho que é interessante, partir do pressuposto de que a tabela periódica tem todos os elementos da natureza em sua forma pura e é isso que um grupo ao qual a gente pertence, lá de estudo, lá do Prédio, eles experimentaram quase todos os elementos da tabela periódica. Então, é uma proposta de estudo que a gente está por fazer que é justamente de pegar essas autopatrogenesias e quem sabe, talvez seja isso que ele está falando, os arquétipos, não sei se seria esse o nome, estou dando o nome errado, mas o sofrimento humano, os padrões típicos, que não perde a individualização do ser.
O que eu quis perguntar é assim, quando se faz aquelas perguntas todas sobre personalidade, história familiar, história pessoal e vai anotando tudo aquilo, e fala o seu remédio é esse. Nesse momento, esse é o trabalho interessante. Antigamente tinha aquela ideia de similibum, do similibum, remédio único da pessoa por meio da vida. Hoje a gente tem similibum como processo, como propósito, rota, e nessas rotas pode ter vários remédios. Não é mais o único por meio da vida. Antigamente tinha isso. Nós estávamos alucinados atrás do remédio único, que era aquele remédio fantástico, e que de fato, quando você pega o remédio da pessoa do momento é fantástico.
Mas hoje a gente trabalha muito mais com a ideia de similibum como processo existencial, alvo, propósito, do que a ideia de um remédio único. Então, o que a gente percebe é o seguinte, a pessoa tem um tema central, que eu diria que é o tema central da reencarnação dele. E assim como aquela espiral do DNA, que vai fazendo a curva, que desce e depois sobe, a gente vai se apropriando do mesmo tema em profundidades diferentes, em percepções diferentes. E nessas percepções diferentes, cabe perfeitamente medicamentos adequados ao momento, e que guardam uma linhagem, uma semelhança entre eles.
Você pode ter um tema da justiça vivido de diversas formas, e que a sutileza diferencia um remédio do outro. E esses temas, na sua experiência, foi isso que a gente queria… O que o senhor tem a observar desses temas? Ou eles são muito amplos? São muito amplos. São amplos. Não tem como nem abordar. Cada indivíduo é uma riqueza enorme. E mesmo assim, a gente estuda um medicamento, e a cada vez que a gente reestuda, a gente aprofunda. Porque o nosso inconsciente, como falei, trabalha com significantes. Então, às vezes, você vai fazendo analogias, você vai pegando, você vai ampliando a percepção do modo de dar o mesmo remédio.
O mesmo remédio que eu dava há 10 anos, hoje eu dou muito mais ampliado, por causa do meu olhar, da minha escuta, da minha percepção, do estudo do remédio, da autopatogenesia que é refeita. A gente vai mergulhando, vai pegando a sutileza. Por isso é que hoje, na verdade, a consulta, a gente nem faz muita pergunta, deixa espontâneo. Já basta, não precisa ficar construindo consulta, não. Já zala. E sem contar as intuições, né? Porque eu me lembro, quando Bianca era bebezinha, a gente foi levar o Júlio, sair com a Bianca na rua, ela estava bem, brincando, sorrindo.
Quando eu voltei para casa, ela estava desfalecida. Desfalecida. E eu me lembro que eu liguei para o senhor, doutor Ricardo, o que aconteceu? Será que alguma virose? A Bianca estava assim, a orientação. Dá um banhozinho quente, põe um sal grosso na água. E eu pus a Bianca, que estava desfalecida na banheira, e ela reviveu assim, com uma flor que abriu. E eu fiquei impressionada desse feeling do senhor, né? São as receitas da vovó, né? É, mas foi em cima. A receita da vovó, a vovó tem muita sabedoria. Pois é, aí junta tudo isso no pacote, né?
É, antigamente falava, faz uns calda-pé, põe uma banheirinha quente. Hoje o pessoal quer gelar os meninos para não dar febre, né? Então aí entra as experiências pessoais, as vovós, né? É isso mesmo. Doutor Ricardo, você ouviu? Uma hora e cinquenta já e nós não começamos. Pois é, nós estamos aqui. O papo está muito bom, né? Mas nós vamos ter que fazer o seguinte, vamos ter que encerrar para poder gravar os próximos dez podcasts. Nós vamos deixar pré-marcado. Já deixar, porque esse vai fazer sucesso. Agora para encerrar, sobre a depressão.
Você tem tratado de pacientes, que apresentam, que chegam se queixando disso, com essa dor? Qual tem sido o caminho, assim, a experiência? É, essas doenças são mais intensas do que as fósforos orgânicas, né? O pânico, depressão hoje, campeia mesmo, né? E a visão é a mesma, porque dentro dessa ótica homeopática de perceber o belo, o que é depressão? É quando o que eu sou não encontra realização na realidade em que eu vivo e eu brigo com essa realidade, tento ainda me fazer realizar através dela e não sendo possível, eu me nego.
É uma negação de si mesmo e aí eu murcho, eu não sou mais eu. Mas um ser se realiza com o outro. A vida é relacionamento. Eu só me realizo com o outro. E esse outro tem que ser algo que não é semelhante a mim, não. Porque senão como é que eu vou me realizar? Se eu sei fazer bolo, eu tenho que estar com alguém que não faça bolo. Para que eu faça o bolo? Para que eu me sinta realizado sendo o que eu sou. Então se eu sou chato, organizado, metódico, eu tenho que ter um bagunceiro do lado que me realiza como bagunceiro.
Mas aí o que é que eu quero? Como eu me amo tanto como eu sou, eu exijo que o outro seja como eu sou. Processo narcísico, né? Aí eu passo assim um ditador do que eu sou em cima do outro. Você não me ajuda, você bagunça, não sei o que, aí começa aquela briga que é trem toda, o outro não muda porque esse não é o talento dele, ele não é assim, o que ele tem para dar é outro. Aí eu vou desanimando de viver. Aí vai assim no serviço, imagina uma pessoa com potencial de fazer dor, né? Pega um serviço público e deprime. Porque ele não encontra a realização naquele ambiente, que boicota o que ele é.
Aí como é que ele vai curar isso? Ele vai curar nesse auto encontro, nesse auto amor reconhecendo que eu sou já basta. Ainda que eu, ainda que a realidade não me satisfaça. Mas eu sou o que sou, não foi essa a resposta que Deus deu para Moisés? Quando ele fosse lá no Paraó, ali inicia o processo da libertação, eu sou o que sou. Não foi isso? Eu sou o que sou. Então eu sou o que sou, o mundo ainda não me quer ou não é possível, eu sou o que sou, eu realizo. Então eu passo a aceitar o mundo como ele é. Eu aceito o outro, eu aceito o chato, o baguncento, o outro que não sabe fazer isso, eu aceito o local que eu trabalho porque ele é que está me provocando a vocação.
Porque é ali mesmo, é ali mesmo, é ali naquela ausência daquilo que eu sou, que nasce o que eu sou. Então a depressão é essa negação de viver na realidade que não corresponde ao que eu sou. E o processo de cura é aceitar a realidade do jeito que ela é. E aí eu quero lembrar que eu adoro o trabalho do psiquiatra Vitor Frankl, que ele ficou preso na Segunda Guerra Mundial, ele é judeu, ficou três anos preso. E ali ele começou a observar o comportamento daqueles prisioneiros e a grande conclusão que ele percebeu é o seguinte, que espetacular, que aqueles prisioneiros que passaram a acreditar em algo, eu melhor sintetizando porque é longa a história dele, a mudança da pergunta, ao invés de perguntar o que eu quero da vida, é perguntar o que a vida quer de mim.
Se eu pergunto o que a vida quer de mim, eu acolho, eu escuto Deus. E obediência a Deus, na Bíblia o tempo todo fala em obediência a Deus, e obediência significa escutar. Obediere, audiência, saber escutar a realidade. O que a realidade te pede nesse momento? Ela te pede é isso, se o pneu furou, a realidade está te pedindo, troca o pneu. Se você está com um filho doente, o que a realidade está te pedindo? Cuida, só isso. Então essa leitura faz com que eu exerce e dê ao mundo o que eu sou, dentro do que é possível e não exijo da realidade que mude.
Aí eu saio da depressão. E o pânico é o que? É o oposto. É a insistência minha de querer valer o que eu sou no mundo, e eu caio na impotência. É a impotência que defraga o transtorno de ansiedade, e a ansiedade que defraga o pânico. Então o pânico é a nossa arrogância, até em nome da felicidade, que o Emmanuel fala isso. Em nome da felicidade a gente se arroga no processo salvacionista. Aí entra o pânico, que é a constatação da minha impotência no mundo. Não dou conta. São os dois povos opostos que a gente está vivendo hoje.
E que o processo de cura é inverter a pergunta. Inverter o que eu quero da vida, é o que a vida quer de mim. E a vida quer uma resposta nova, positiva, diferente, ao estilo daqueu. Subir na árvore. Subo na árvore. É isso que a vida quer. A vida quer algo diferente. Eu não esqueço uma vez que eu subi a Raja Gavaga brigando com a minha esposa. Uma brigalhada que teve, ninguém pegando fogo, xingando. Eu pensei, nossa, em um minuto a gente fez guerra? Por que em um minuto a gente não faz amor? Eu lembrei dessas coisas todas.
Eu parei o carro, dei um grude nela. Nós fomos fazer mercearia. Aí sabe o que eu fiz? Pensei, olha querida, hoje vamos fazer o seguinte. Eu vou com um carrinho e você vai com outro. Você vai naquela ala que os nós homens achando que é supérfluo. E eu vou na ala das necessidades básicas. Aí ela foi lá e comprou o que que quis. Como eu sabia que ele ia comprar o que queria, eu comprei menos feijão. Então o treinamento da vida é da resposta positiva, é nova. Sabe, é que a coisa… Doutor Eka, agora que você está falando isso aí, agora que eu entendi uma história tão linda.
Entendi ela em profundidade. Um repórter foi entrevistar a Má Tereza de Calcutá. E perguntou para ela assim, o que que a senhora fala para Deus quando a senhora está rezando? Ela falou assim, ah, eu não falo nada, eu só escuto. Aí ele… E o que que Deus fala com a senhora? Ele não fala nada, só escuta. E aí vai desdobrando ao infinito. Por que que José ficou surdo? Ele não ficou surdo? O que? O pai do João Batista. O José Maria, ele não ficou surdo? Ah, sim, sim. Quando Deus conversou com ele lá, que ia chegar lá, o filho ficou surdo.
O que que é isso? Minha mulher, eu nessa idade, minha mulher ia ser doida. Conversando com Deus, aí ficou surdo. Às vezes é necessário ficar surdo para escutar. É necessário. Então é essa escuta, né, essa escuta. O que que a vida quer de mim? Às vezes a gente não dá conta. Aí a enfermidade vem, a enfermidade vem e a gente escuta. Assim como naquele momento da cólica renal, eu escutei ele. Porque eu clamei, Deus, o que você quer de mim nesse momento, Senhor? Com choro, lágrimas, joelhar no chão. Aí ele fala com a gente.
Infinito, chega e manifesta. Bom, é com essa lição de vida que a gente fecha esse podcast. E olha, não vai dar para gravar só esse não, viu, doutor Ricardo. Nós já pode, já pode começar a marcar aí na agenda do senhor, umas noites para a gente gravar podcast, porque nós vamos ter que pedir. Vai bombar. Senão eu vou mandar tudo para a caixa de e-mail do senhor. Ah, o senhor não tem computador lá no escritório, então não adianta. De vez em quando. A Sheila me liga e fala, tu mandou para o e-mail, então eu vou abrir. Senão eu vou mandar os pedidos tudo para a caixa do senhor.
Então pode abrir na agenda aí umas noites para a gente gravar outros podcasts. Olha, foi uma delícia. Você sabe, Tiago, eu acho que isso é muito agradável. As pessoas deveriam fazer isso como, como diz a lição, essa intimidade um com o outro. Tirar os véus, ser humano com o outro. Isso que é gostoso, fazer abertura. O que eu sou hoje é isso mesmo. Isso é que é gostoso. Isso tem que ser divulgado como se fosse aquele momento de abertura de um com o outro, né, em que os saberes se encontram e testemunham na vida diária.
É, me veio até uma ideia para um próximo podcast a gente falar sobre a convivência na casa espírita. Não falamos sobre casamento aqui, não falamos sobre educação de filho. Tem muito assunto, nós deixamos para o próximo podcast, doutor Ricardo. Não, não, esse aí, cada um é um tema. Pode começar a abrir agenda. Feita boa.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
Respostas
É um dos podser que eu mais gosto!!! Tantas vezes ouvi!! Ouvindo hoje de novo dps de 10 anos lançado ❤️
Podcast com Dr. Ricardo Wardil é tão rico, que acabei de escutar pela WEBRADIOFRATERNIDADE às 3 horas da manhã de 29/10/2023. Gratidão pelo aprendizado. Parabéns à Equipe.