Neste episódio, Haroldo Dutra Dias conclui a temporada de estudos sobre o livro de Gênesis à luz da Doutrina Espírita, focando na simbologia das gerações e na evolução espiritual da humanidade. Ele explora como Gênesis, o “livro das gerações”, mapeia o desenvolvimento psíquico, coletivo e espiritual da Terra, preparando o terreno para as revelações subsequentes.
O que é estudado neste episódio
- As Três Grandes Revelações: A divisão dos estágios evolutivos da humanidade em três períodos, conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo e Emmanuel em “O Consolador”.
- Primeira Revelação (Alicerce): O período de mais de dois mil anos, com a contribuição de centenas de missionários (Abraão, Isaac, Jacó, Noé, Adão, Elias, Isaías, Jeremias) que solidificaram o monoteísmo, culminando em Moisés e os mandamentos.
- Segunda Revelação (Maioridade): Iniciada com a encarnação de Jesus, um período de quase dois mil anos para a sedimentação da mensagem cristã, com a reencarnação de espíritos que atuaram na primeira revelação.
- Terceira Revelação (Maturidade): A revelação espírita, que encontra a humanidade em um estágio de maturidade, caminhando para a sabedoria e a serenidade, com a atuação de espíritos como João Evangelista, Paulo de Tarso, Santo Agostinho e São Luís.
- Gênesis como Mapeamento de Gerações: A compreensão de que o livro Gênesis não se refere apenas a listas genealógicas, mas a ciclos e blocos de desenvolvimento espiritual da humanidade.
- Criação do Palco Evolutivo (Gênesis 1-3): A narrativa da criação da Terra, dos céus e das espécies, culminando no surgimento da humanidade (Adão e Eva).
- A Geração de Eva (Gênesis 4): O foco inicial em Caim e Abel como filhos de Eva.
- A Geração de Adão (Gênesis 5): A mudança de foco para a linhagem de Adão, com a exclusão de Caim e Abel, e a contagem de dez gerações de Adão a Noé.
- O Simbolismo do Sete e do Dez:
- Enoche (Sétima Geração): Viveu 365 anos e foi “arrebatado”, simbolizando um ciclo completo e um descanso, como Elias.
- Noé (Décima Geração): A décima geração, que no Velho Testamento é o número da rebelião e do afastamento de Deus.
- O Dilúvio como Saneamento Divino: A maldade insuportável da décima geração de Noé, que culmina no dilúvio, interpretado como uma medida de saneamento da Providência Divina diante do afastamento de Deus.
- A Intertextualidade Bíblica: A importância de Gênesis para a compreensão dos demais livros bíblicos, especialmente o Novo Testamento e o Apocalipse, que resgatam e dialogam com a simbologia de Gênesis.
- Ciclos Evolutivos: A analogia com os ciclos naturais (estações, dia e noite) para explicar os ciclos de aprendizado e aprimoramento espiritual da humanidade, conforme abordado em “A Gênese” de Kardec.
- A Simplicidade dos Símbolos Bíblicos: A ideia de que os símbolos bíblicos foram criados para um povo simples (camponeses e pastores) e que a complicação surge da nossa própria interpretação.
Reflexões
- O afastamento de Deus, que culmina no dilúvio, representa um transbordamento do mal e uma medida de saneamento da Providência Divina, indicando que a humanidade, em sua desconexão, atinge um ápice que reclama uma nova intervenção divina.
- A simbologia do número dez, presente na décima geração de Noé e nas dez tribos rebeldes de Israel, aponta para a rebelião e o afastamento de Deus, ressaltando a importância de Gênesis como alicerce para a compreensão de toda a narrativa bíblica e suas conexões com a Doutrina Espírita.
- A transição planetária atual, com o aumento da maldade e a desconexão com o Criador, é comparada simbolicamente à época de Noé, sugerindo a necessidade de construir a “Arca” do conhecimento e da prática do bem para enfrentar os desafios da regeneração do mundo.
Ler transcrição do episódio
Hoje, chegamos ao final desta temporada do nosso estudo do livro Gênesis, a Luz da Doutrina Espírita. No episódio passado, nós comentávamos sobre este fechamento deste ciclo de estudos que nós estamos fazendo e comentávamos que o livro de Gênesis recebe este nome não à toa, porque ele, de fato, é uma coletânea de livros de gerações. Mas, gerações em que sentido? No sentido de uma lista genealógica? Uma lista de ancestrais biológicos? Muito mais que isto, claro. O livro de Gênesis, na verdade, procura mapear um desenvolvimento psíquico, coletivo e espiritual da Terra.
Este é o ponto para o qual os nossos olhos devem se voltar, porque nós já compreendemos, através do primeiro capítulo do livro O Evangelho segundo o Espiritismo e, também, pelas ponderações do Espírito Emmanuel no livro O Consolador, que nós podemos dividir os estágios evolutivos da humanidade do ponto de vista espiritual, espiritual, do ponto de vista do aperfeiçoamento da relação com Deus em três períodos, que são os três períodos das grandes revelações, revelações que implicam em uma mudança de patamar na nossa relação com Deus.
Então, num primeiro estágio, que nós podemos dizer se estende por mais de dois mil anos, é o estágio do Alicerce. É o estágio em que o Espírito que se encarna na Terra é preparado para abandonar as concepções politeístas e voltar as suas forças psíquicas para o monoteísmo. Isso, embora nós, de modo resumido e didático, possamos dizer primeira revelação de Moisés, nós sabemos que contribuíram para esse amplo processo centenas de missionários, centenas de missionários. Então, nós não podemos resumir a primeira revelação a Moisés, porque, senão, nós excluiríamos o profeta Elias, o profeta Isaías, o profeta Jeremias, nós excluiríamos os patriarcas Abraão, Isaac, Jacó, Noé, Adão, personagens que tiveram um impacto e uma importância superlativa no processo de construção da primeira revelação.
Então, primeira revelação, podemos dizer isso com segurança, é um período de encarnação de missionários e de solidificação do monoteísmo que encontra uma síntese e uma culminância em Moisés, que vai receber os mandamentos e vai organizar a vida civil e religiosa do povo que se tornou depositário daquelas revelações. Porque, então, os missionários podem encarnar naquele povo, naquele grupamento, porque aquele grupamento tornou-se depositário, tornou-se guardião daquelas tradições do mundo espiritual relativas ao monoteísmo.
Isso é muito importante que a gente compreenda, porque nós estamos falando de dois mil anos de reencarnações de Espíritos, de um conjunto numeroso de Espíritos, Espíritos que vão regressar no Cristianismo, vão reencarnar e desenvolver um papel proeminente no Cristianismo. Nós só não sabemos quem eles foram, porque é evidente que quando olhamos para um Estevão, para um Paulo de Tarso, para um Simão Pedro, para um João Evangelista, identificamos nesses Espíritos criaturas que reencarnaram nesse período da primeira revelação, contribuíram, tiveram experiências, deram a sua contribuição para o processo do monoteísmo.
E, agora, na segunda revelação, que é um segundo estágio, aberto com a encarnação magna do Cristo, mas, a partir de Jesus, esse grupo do passado volta a reencarnar-se e, aí, nós temos um período de quase dois mil anos de sedimentação, de solidificação da mensagem cristã, da mensagem do Evangelho. E, então, surge a terceira revelação e, novamente, um conjunto de Espíritos. E, agora, nominalmente, porque nós olhamos para os nomes dos Espíritos da Pleiadir, que assinaram lá o Prolegomenos do Livro dos Espíritos, ou seja, a Pleiadir do Espírito de Verdade, e encontramos lá João Evangelista, Paulo de Tarso, figuras de Santo Agostinho, São Luís, figuras que atuaram nesse processo da segunda revelação.
Então, essa visão de ciclo, de geração, porque, quando nós dizemos geração, nós estamos falando de um período, de uma sequência de nascimentos, de reencarnações, de períodos da história que podem ser agrupados em um bloco. Então, nós temos o primeiro bloco, a primeira revelação, na qual a humanidade está na infância. Quer dizer, nesse período, nós temos uma humanidade, espiritualmente falando, infantil, ensaiando os primeiros passos na espiritualidade, espiritualidade enquanto construção interior. Já Tinham experiências religiosas, tradicionalmente falando, de cultos, rituais, templos, etc., mas, precisavam construir uma espiritualidade interior, usando aqui um pleonado, espiritualidade interior, porque espiritualidade é sempre uma coisa interior.
No segundo momento, com Jesus, a humanidade já se encontra na maioridade. Já não é mais criança, está na maioridade. Então, agora, a mensagem é diferente, a linguagem é outra, a abordagem é outra, a pedagogia é outra e a proposta avança, avança, avança para terrenos que dizem respeito ao adulto, não mais a criança. Paulo chega a frisar isso. Quando eu era menino, falava como menino, comia como menino, me vestia como menino, salientando esses estágios evolutivos, humanos, da humanidade. E, quando chega a terceira revelação, já não mais encontra um jovem adulto, mas, agora, um ancião, um senhor, não um ancião, bom, uma pessoa madura, porque na fase da revelação espírita, a humanidade já está na maturidade, na meia-idade, na meia-idade, caminhando para os terrenos da sabedoria, da experiência, da serenidade, que o Espiritismo inaugura e que o Espiritismo prepara.
Então, quando a gente tem essa visão, vamos entender porque o livro Gênesis se chama Gênesis, o livro das gerações, porque ele mapeia essas gerações da primeira revelação e oferece um fundamento, o alicerce, para que a gente entenda as duas outras revelações que virão na sequência. Entenda o processo. E, aqui, nós precisamos aprender a ler sutilezas, a ler entrelinhas, a ver o que está oculto no texto. Então, nós percebemos que do capítulo 1 até o capítulo 3, estamos descrevendo a criação do palco, do palco evolutivo ou do plano evolutivo.
Então, é narrada a criação da Terra, dos céus, das estrelas, dos animais, das espécies vegetais, quer dizer, o ambiente, o terreno em que a evolução irá se processar. E, essa narrativa culmina com o surgimento da espécie humana, sintetizada e representada na figura de Adão e Eva. Aí, nós temos um fato curiosíssimo. O capítulo 4 diz que o homem conheceu Eva, que é uma expressão metafórica para dizer que eles tiveram um relacionamento sexual, a sua mulher concebeu e deu à luz a Caim e, depois, a Abel. É interessante porque, quando falam de Caim e de Abel, se referem a filhos de Eva.
Então, o Adão conheceu a mulher, mas, a geração é de Eva. Interessante isso, porque, quando você volta no capítulo 5, olha o que o texto diz. Eis o livro da descendência, o livro da geração de Adão. No dia em que Deus criou Adão, ele o fez, a semelhança de Deus. Homem e mulher ele os criou. Então, está subentendido que o ser humano é Adão e Eva, mas, Eva que não é mencionada expressamente, ela fica subentendida. Então, é como se a luz agora, se a câmera, se o foco fosse para outra pessoa. No capítulo 4, a luz estava lançada sobre Eva e a geração de Eva, Caim e Abel.
Agora, o foco é Adão, olha que interessante. Então, homem e mulher os criou, abençoou-los e deu-lhes o nome de homem. Homem, ser humano. Tanto Adão e Eva receberam o nome de seres humanos. Quando Adão completou 130 anos, gerou um filho, a sua semelhança, como sua imagem, e lhe deu o nome de Sete. E, aqui, agora, em todo o capítulo 5, nós vamos ter uma sequência de filhos de Adão, e o Caim e o Abel. Não entram. Não entram nessa lista. Então, a gente, que coisa curiosa. Percebe que é uma mudança de foco. Então, eu tinha, como se fosse uma árvore, vamos imaginar.
Começa aqui a planta, aí vem um galho para cá e o tronco cresce. Aí, depois, vão outros galhos. Esse galho aqui ficou. Ficou abaixo, numa região inferior do tronco. Então, Caim e Abel, que estavam vinculados à Eva, são tirados de foco. São tirados de foco. E, agora, vem uma outra geração. Agora, o que é importante nessa geração de Adão, cujos nomes são? Vamos contar? Olha que interessante, porque aqui tem as sutilezas, sutilezas incríveis. Olha só. Sete, Enoche, Cainã, Malalel, Yared, Perdão, eu contei errado aqui, porque tem que contar o Adão, né?
Adão, sete, Adão, sete, Enoche, Cainã, Malalel, Yared, Enoche. O sete. O sétimo. O sétimo, Enoche. Aí, continua. Enoche, Matusalém, Matusalém, Lameque, Lameque, Noé, dez. Dez. Então, são dez gerações de Adão a Noé e sete gerações de Adão a Enoche. Agora, olha que interessante. O Enoche viveu 365 anos. Olha que interessante. 365 dias, 365 anos. E Deus o arrebatou. Quer dizer, ele não fala da morte. Então, é como se ele fosse retirado da experiência física, não pela morte. Por isso, no futuro, nós teríamos várias obras apocalípticas com o nome de Enoche, porque ele é uma figura mística.
Aconteceu com ele o que acontecerá depois com Elias. Por isso que Elias também, que foi arrebatado, pode vir, ele vem, ele prepara o Messias, ele anuncia o Messias, ele circula, ele está sempre presente, como esta figura aqui de Enoche. Interessante, muito interessante isto. E, depois, nós temos o décimo, que é Noé. Um outro simbolismo. O primeiro simbolismo aqui é o do sete. O Enoche completa um ciclo de sete e aí tem uma coisa especial, como se fosse um descanso, um sábado. Ele é arrebatado. Agora, e o dez? O dez, no Velho Testamento, é o número da rebelião.
O dez é o número do afastamento de Deus. Então, você tinha doze tribos em Israel. Dez se rebelaram. Olha que interessante. Cuja capital era Samaria, os reinos do norte. Dois ficaram no sul. Com a capital em Jerusalém. Aqui, na décima geração, que é a geração de Noé, é a geração do dilúvio. Por que? Porque diz o texto que a maldade se tornou insuportável. Ou seja, o afastamento espiritual de Deus, a perda de conexão com o Criador, é tão intensa na décima geração que vem o dilúvio. Então, são símbolos. Você vê que a narrativa é construída.
De uma maneira altamente simbólica. Porque esses temas vão ser retomados no restante de todo o Velho Testamento e do Novo Testamento. Daí a dificuldade que muitas pessoas têm em entender o livro Apocalipse de João. Porque o livro Apocalipse de João, ele vai evocar, ele vai resgatar toda essa simbologia. Se eu interpreto o Apocalipse e impondo ao livro Apocalipse simbologia que não pertence ao mundo bíblico, eu estou impondo artificialmente uma outra cultura. Eu vou interpretar equivocadamente. Porque o texto dialoga.
Aqui, de Gênesis a Apocalipse, há um diálogo, uma intertextualidade. Eu preciso ficar atento a todas as conexões, senão eu não consigo interpretar. Então, Noé ser a décima geração dessa lista, a geração do dilúvio, as dez tribos serem as que se separaram, tudo isso aponta para um sentido. E, lá no Apocalipse, também é dito de uma rebelião, o número é o dez. Então, isso vai ser retomado. A impressão que a gente tem é que no livro Gênesis estão sendo fornecidos os bloquinhos, as pecinhas de lego. Todas as pecinhas estão sendo fornecidas.
E, nos outros livros, é feita uma montagem com essas peças. Então, nós montamos uma figura com essas pecinhas que foram fornecidas em Gênesis. É lógico que isso se torna extremamente importante. Então, a nossa leitura do livro Gênesis, para que a gente consiga entender os demais livros, principalmente os Evangelhos e os livros do Novo Testamento. É impossível compreender carta de pau sem uma leitura do livro Gênesis. Não tem como. É impossível, porque ele faz referências sistemáticas. A todo momento, ele está fazendo referências ao Velho Testamento.
E, sobretudo, ao livro de Gênesis. Então, é importante isso aqui. Agora, olha que interessante. Se a gente pegar o livro de Gênesis como um todo, já comentamos isso. Quantas partes nós podemos dividir? Dez. Que é exatamente o número da rebelião, o número da perda da conexão, o número do dilúvio, do aumento da maldade, indicando que o quê? Que esse livro termina, mas fica uma coisa mal resolvida. O livro termina, mas ele conclui o quê? A humanidade está desconectada. A humanidade está afastada de Deus. Claro, porque qual será a resposta de Deus para esse afastamento?
Jesus. Jesus é a resposta divina ou é a resposta da providência divina a esse aumento imenso da maldade, a esse aprofundamento da desconexão de Deus, da desconexão da criatura do Criador. Então, a gente precisa estar atento a essa simbologia para que a gente aproveite os detalhes desse texto tão rico. Então, o que parece ser uma citação de patriarcas que viveram 500 não sei quantos anos, e aí a gente fica imaginando, tentando encontrar alguém que viveu esse número de anos, sem tirar o espírito da letra. Aqui está falando de períodos.
Eu divido dez períodos e esses períodos têm datas, têm anos, têm uma simbologia aqui. O Apocalipse vai explorar isso aqui, porque são ciclos. Aqui, nós temos ciclos evolutivos sendo revelados da história da humanidade, como está lá no livro A Gênese de Kardec, principalmente nas mensagens lá do último capítulo do Espírito Arragô e do Espírito Galileu, que vão se referir a esses ciclos, ciclos evolutivos. É muito natural isso. Não há nada, é bom que a gente não fique assim com uma ideia muito mística disso. É natural.
Vamos imaginar. Eu tenho as estações do ano, primavera, verão, outono e inverno. Toda a agricultura, toda a nossa vida depende dessas estações, desses ciclos. Não precisa ir muito longe, não. Um ciclo que é o dia e noite. Toda a nossa vida é regulada por esse ciclo, dia e noite. Nós trabalhamos, nos organizamos, nos programamos de acordo com esse ciclo. E é um ciclo astronômico. O dia, o giro da Terra em torno do seu próprio eixo, com relação ao Sol. O ano, que são as estações, o giro da Terra em torno do Sol numa órbita elíptica, que eu divido em graus, que são os meses, ou divido em blocos maiores, que são as estações.
Quatro estações, revelando quando a Terra está mais próxima do Sol, quando está mais distante ou quando está no meio do caminho. A félio e periélio. São ciclos. E toda a nossa vida, isso é o alicerce da vida. Porque uma coisa é a primavera, outra coisa é o inferno. Um inferno, um inverno, que é um inferno, um inverno rigoroso, com gelo, neve caindo, muda, muda tudo o que você faz, muda os hábitos alimentares, hábitos de descanso, muda tudo. Se isso vigora para as coisas mais elementares da vida física, por que não haveriam ciclos para o aprendizado e para o aprimoramento espiritual?
Claro que tem. Não há um tempo determinado para cada coisa? Há um tempo determinado para cada coisa. E, a gente encontra lá no livro de Kardec, a Gênesis. São chegados os tempos. O que significa isso? Olha, gente, o ciclo está chegando, a estação propícia está se aproximando. É tudo de uma lógica, não há necessidade de nenhum salto místico, de voltar para um hermetismo, nada disso. O símbolo é simples, simples, porque se refere a elementos da vida comum, da vida do povo, simples. Se a gente não perder de vista o camponês, o pastor, esse povo simples, se a gente ficar de olho neles, nós entendemos os símbolos bíblicos, porque os símbolos bíblicos foram construídos para esse povo simples, de camponês e de pastores.
Camponeses e pastores. É esse povo simples. Ele é que é o destinatário do simples. Então, se eu começo a complicar demais o símbolo, eu estou no caminho errado. E, o pastor, o camponês entende isso. Ele entende. Ele sabe que agora é hora de plantar. Se eu não plantar agora, não vai dar. Como diz aquela poesia do Gilberto Gil, abacateiro, acataremos teu ato, nós também somos do mato, como o pato e o leão. E, aí, começa a falar do tempo, enquanto o tempo não trouxer teu abacate, amanhã serás tomate, anoitecerás mamão.
Acho que é isso mesmo. Olha que interessante. Quer dizer, você não sabe o que é enquanto o tempo não trouxer teu abacate. Ou seja, é o momento que você planta, tem o momento que o fruto vem. E, aí, ele fala ter o recolhimento, olha aqui, é justamente o significado da palavra temporão. Olha que lindo. Quer dizer, o recolhimento do abacate, ele não está pronto, é temporão. Ele não está pronto ainda. Por isso que ele está recolhido. Na época propícia, ele vai ser abacate. É naturismo. Qualquer camponesa entende isso. Qualquer agricultor entende isso.
Pode ser analfabeto. Então, essa é a força do símbolo bíblico. O símbolo bíblico só se torna complicado quando a gente traz a nossa complicação para o símbolo. Porque ele está destinado a camponeses e pastores e poetas. E poetas. Porque esses camponeses aqui, esses pastores, eram poetas. Eram poetas. Usavam de uma maneira muito bonita, como um artesanato, como uma mulher rendeira que vai juntando os fios e formando. Então, esse é o sentido. Aqui, a gente vê o 10, vê o símbolo da rebelião, vê o 10 como símbolo do dilúvio, o dilúvio como símbolo de saneamento da providência divina.
Toda vez que a maldade atinge níveis extremos, como agora, como agora. Então, simbolicamente, transição planetária, nós estamos chegando na época de Noé. Simbolicamente falando. Numa décima geração. Uma geração da desconexão com Deus. Uma geração da rebelião. Uma geração em que a maldade está atingindo patamares insuportáveis. Isso é sinal de quê? De dilúvio. Sinal de uma ação saneadora da providência divina para que o mal não inviabilize o processo evolutivo. É isso. É isso. Então, para quê nós vamos estudar Noé? Para aprender a construir a Arca.
Se você se pergunta assim, como eu me porto na transição planetária? Tem que ler Noé. Tem que entender aqui o que aconteceu, o que Noé fez. Mas, aí, isso aí é assunto para a próxima temporada do nosso estudo do livro Gênesis. Porque nós chegamos aqui ao final desta temporada. Lembrando que nós vamos estudar já que o livro de Gênesis está dividido em gerações, nós vamos estudar as principais gerações do livro Gênesis. Então, a nossa sequência aqui, você que está anotando, que está acompanhando, é terminamos esta temporada, que é a temporada que tratou da geração inicial, dos céus, da terra e do ser humano.
Vamos entrar, agora, na geração de Noé. O dilúvio e tudo o que se sucede. Depois, Abraão, depois Isaac, depois Jacó, depois José. E, assim, a gente vai encerrar estas gerações, estas temporadas de estudo do Gênesis, que, todos sabemos, não é um estudo versículo a versículo, esgotativo, faz um voo panorâmico para alcançar uma compreensão da obra e podermos avançar para o nosso próximo estudo, que, possivelmente, será Êxodo. Para a gente dar continuidade a esta conexão destes textos com o Novo Testamento. O nosso propósito, aqui, é entender o Novo Testamento e conectar com a Doutrina Espírita.
Entender esta interseção, onde as revelações dialogam as raízes das três revelações. Então, até a próxima temporada. Um bom Natal e um Feliz Ano Novo para todos. Nos encontramos em 2018, na nova temporada do nosso estudo de Gênesis. Até lá! Chego à regeneração do mundo.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
Respostas
boa tarde!!!
estudos maravilhosos, esse numero 77 seria o ultimo??