No quinquagésimo episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias dá início à terceira temporada, aprofundando a análise do Livro de Gênesis, com foco no capítulo 3. Este estudo, que se renova a cada temporada, busca inspiração tanto na obra básica de Allan Kardec quanto nas obras subsidiárias, especialmente as psicografias de Francisco Cândido Xavier, para oferecer uma compreensão mais profunda dos textos bíblicos à luz da Doutrina Espírita.
O que é estudado neste episódio
- Abertura do Capítulo 3 de Gênesis: O estudo se concentra na famosa passagem da serpente, Eva, Adão, o fruto proibido e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
- Desmistificação de Interpretações Literais: Haroldo Dutra Dias ressalta que a tradição popular e artística frequentemente distorce a narrativa, como ao representar o fruto proibido como uma maçã ou ao focar a culpa exclusivamente em Eva. Ele enfatiza a necessidade de uma leitura atenta e com a mente aberta para desfazer enganos seculares.
- Cultura Hebraica e Simbolismo: É reiterado que a cultura hebraica é rica em símbolos, metáforas e parábolas, concentrando seu potencial simbólico na literatura bíblica, ao contrário da cultura grega que o expressava também na arte. Essa abordagem simbólica contrasta com as interpretações literais de algumas tradições católicas e protestantes.
- Análise da “Bíblia de Jerusalém”: O expositor comenta uma nota da “Bíblia de Jerusalém” sobre Gênesis 3:14, que tenta justificar a serpente falante, revelando a dificuldade de lidar com elementos simbólicos.
- Símbolos como Pontes para o Abstrato: Haroldo explica que a serpente, a mulher (Eva) e o homem (Adão) são símbolos que representam aspectos psíquicos e processos humanos, e não devem ser tomados literalmente. Ele compara o símbolo à casca da banana, que deve ser descartada para se alcançar o fruto, ou a um GPS que indica o caminho, mas não é o caminho em si.
- A Tentação da Leitura Literal: O expositor alerta para a “tentação irresistível” da leitura literal, comparando-a ao canto das sereias na Odisseia, e aconselha a “amarrar-se” para não ceder a essa força.
- O Duplo Nome de Deus: A passagem menciona o “Senhor Deus” (Tetragrama e Elohim), indicando a complexidade da representação divina no texto.
- A Permissão e a Proibição: É analisada a ordem divina de comer de todas as árvores, exceto a do conhecimento do bem e do mal. Haroldo destaca que a permissão é infinitamente maior que a proibição, mas a psique humana tende a valorizar mais o que é proibido.
- Deus como Legislador e Orientador: A proibição divina não é uma malícia, mas uma sutileza e orientação sobre as consequências. Deus não proíbe, mas legisla, como o direito penal que estabelece consequências para as ações, deixando a escolha para o indivíduo.
- Caminho da Ignorância vs. Caminho do Mal: O estudo diferencia o caminho da ignorância (o eterno aprendizado e a busca pelo conhecimento) do caminho do mal (a escolha consciente de prejudicar, mesmo após o conhecimento das consequências), exemplificando com a descoberta da física nuclear e a criação da bomba atômica.
- O Simbolismo da Serpente: A astúcia da serpente é interpretada como a capacidade de agir sorrateiramente, de forma subliminar, e de dar um “bote” que paralisa e destrói, representando uma atitude psíquica traidora e destrutiva.
- A Escolha de Eva: Antes mesmo da serpente, Eva já havia “priorizado” a árvore do conhecimento do bem e do mal, colocando-a no “meio do jardim” (em sua prioridade), em vez da árvore da vida. Isso demonstra que a serpente apenas explorou uma condição já criada por Eva, reforçando que nenhum obsessor tem poder sobre o indivíduo sem que este já tenha eleito suas prioridades.
- Deus como “Oftalmologista”: O estudo conclui que as consequências da desobediência não são um castigo, mas um processo de correção da visão, um “ajuste do olhar” para que o indivíduo possa discernir o que realmente importa.
Reflexões
- A interpretação literal dos textos sagrados pode nos afastar da profundidade de seus ensinamentos, que frequentemente se manifestam através de símbolos e metáforas.
- A verdadeira tentação não reside em um agente externo, mas na forma como priorizamos nossos valores e escolhas internas, abrindo espaço para influências que exploram nossas vulnerabilidades.
- As “proibições” divinas não são atos de malícia, mas orientações sutis sobre as consequências de nossas ações, visando nosso aprendizado e evolução, mesmo que isso implique passar pelo caminho da ignorância, e não necessariamente pelo mal.
Ler transcrição do episódio
A Luz da Doutrina Espírita Olá, amigos! Estamos agora, no ano de 2017, iniciando a nossa terceira temporada do estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. Nós temos percorrido um longo caminho até aqui, abordando vários temas, colhendo inspiração, tanto na obra básica de Kardec, quanto na obra subsidiária, especialmente aquela que é mais dedicada à interpretação dos textos bíblicos, que é a Psicografia de Francisco Cândido Xavier, e temos colhido muitos frutos para a nossa reflexão, para o nosso aprimoramento íntimo, para a condução das nossas vidas, sempre lembrando a todos que este estudo do Gênesis, ele não tem a pretensão de esgotar os temas e de fechar a interpretação do texto, porque este é definitivamente um texto aberto.
Ele é um texto que propõe uma leitura sempre renovada, porque à medida em que nós ganhamos experiência evolutiva e à medida que nós ganhamos percepção, aprofundamos o nosso estudo do texto e o próprio texto vai nos brindando com seus frutos, com reflexões cada vez mais profundas. Portanto, é sempre útil fazer este retorno progressivo do texto e linkar este texto com outros, com outros livros bíblicos, porque à medida que fazemos isto também, ângulos que não estavam visíveis à primeira análise, ao primeiro olhar, também começam a vir à luz e vão se revelando para a nossa percepção.
Hoje, a gente começa uma análise mais detida do capítulo 3 do livro Gênesis, que é o célebre texto que trata da relação da serpente, de Eva, Adão, do fruto proibido, da árvore, um texto bastante conhecido, mas, infelizmente, um texto que foi popularizado com alguns erros. Então, a tradição da pintura, da arte, sempre reproduz esta cena aqui como uma macieira, uma maçã que foi comida e no texto não fala que fruto é este, fala que é a árvore do conhecimento do bem e do mal, mas não fala o fruto, não especifica o fruto.
Há também uma leitura equivocada, centralizada em Eva, como se Eva fosse o foco de toda a queda, tirando a responsabilidade desta personagem, Adão, no processo. Então, tudo isto vai exigir de nós uma leitura mais atenta, uma leitura com a mente aberta do texto, para que a gente possa se desfazer destes enganos que já duram séculos. É sempre bom lembrar, repetir, nós estamos repetindo isto aqui várias vezes, que a cultura hebraica é uma cultura que lida com símbolos, muito ligada a símbolos, a metáforas, a parábolas, a esta maneira de dizer as coisas de uma forma indireta.
Mas, a cultura hebraica, ela faz isto através da literatura. Então, enquanto a cultura grega consegue ser simbólica através da escultura, da sua arte, da própria língua e também dos seus textos, a cultura hebraica, como entendia que todo o processo de imagem religiosa configura a idolatria, ela vai concentrar todo este potencial simbólico na literatura bíblica. E eles transitam por estes textos aqui com muita abertura. Ao contrário de uma tradição mais radical protestante, de uma tradição mais radical catórica, que entenderam que o texto é literal e que ele deve ser interpretado ao pé da letra.
Então, nós já comentamos muito isto aqui, deste cuidado que a gente deve ter, mas é curioso observar que mesmo naquelas mentes mais preparadas, mesmo naquelas mentes mais dotadas, há às vezes um regresso à interpretação literal. Então, por exemplo, nós estamos utilizando aqui a tradução Bíblia de Jerusalém. Sabemos que a Bíblia de Jerusalém é um projeto originalmente francês, que reuniu teólogos católicos, na sua maioria, mas com alguns protestantes convidados, enfim, autoridades bíblicas numa proposta nova de resgatar alguns elementos culturais do povo hebreu, incorporando a teologia católica e protestante.
Mas é curioso a gente ver aqui, por exemplo, numa nota do capítulo 3, quando eles vão comentar o versículo 14 aqui, olha que interessante isso, é uma nota C, Aí diz assim, Talvez a intervenção de um animal astuto como tentador é apenas um modo de sugerir que o homem e a mulher só possam eles próprios censurar sua transgressão. O autor apresentaria como um diálogo entre a serpente e a mulher, o que é o resultado de um processo humano. A atração do fruto proibido leva à transgressão. E o versículo 3, o versículo 6 do capítulo 3, descreve esse processo humano.
Então, o que a gente percebe aqui na nota? Que o autor da nota está querendo fugir de uma dificuldade que ele tem, a dificuldade é dele, de um animal, uma serpente, ser o start, o elemento causador do processo que está sendo descrito nessa passagem. Então, como isso incomoda ele, uma serpente que fala, uma serpente que tenta, que testa Eva e Adão, então ele fica tentando uma justificativa, não, o autor talvez quisesse revelando uma imensa dificuldade, mais uma vez, de lidar com elementos simbólicos. Está partindo do pressuposto que a serpente é a serpente mesmo, animal, a serpente, que rasteja.
Não consegue entender que a serpente aqui não é o animal, a serpente aqui é um símbolo. A serpente aqui representa um aspecto que está simbolizado na forma animal de uma serpente. Como Eva não é uma mulher, uma mulher do sexo feminino, Eva aqui é também um processo, uma força, um acontecimento psíquico, um fato psíquico simbolizado por uma mulher, porque o símbolo, ele tenta fazer uma ponte, você quer descrever algo que é abstrato e você utiliza um elemento concreto para servir de ponte para o entendimento do abstrato.
Então, o elemento concreto não pode ser tomado ao pé da letra, porque ele é apenas uma placa, uma indicativa, um roteiro, um gps indicando, mas você não pode confundir o gps com o caminho, o caminho é uma coisa, o gps é outra, o gps indica, o caminho é mais real, é mais cheio de detalhes, ele tem coisas que não tem no mapa. Então, esses símbolos aqui, um adão, uma figura masculina, uma eva, uma figura feminina, uma serpente, uma figura de um animal, são indicativos para que a gente pense o que que um homem representa, que aspectos do masculino esse símbolo está evocando para que a gente possa entender algo muito mais sutil, que aspectos do feminino em eva estão sendo enfocados para que a gente possa entender a mensagem.
Por que uma serpente? Por que não um bode? Um carneiro? Um elefante? Um leão? Por que a serpente? Mas, esse foco no literal, que é uma característica ocidental, prejudicou durante milênios o entendimento do texto bíblico. Porque, mesmo as pessoas mais inteligentes, e mesmo aqui, pessoas que lidam a todo momento com o texto, quando elas distraem, elas caem na tentação de fazer uma leitura literal. Então, esse cuidado aqui, é um cuidado permanente. No nosso estudo, aqui, do Gênesis, para evitar nós também cairmos nisso, porque é possível que a gente caia também, nós estamos sempre num estado de vigilância permanente.
Então, você que está aí, ouvindo, acompanhando agora a terceira temporada do nosso estudo Gênesis, começando o ano de 2017, então, precisamos dizer alguma coisa aqui sobre essa passagem. Serpente, aqui, não é serpente. Mulher, aqui, não é mulher. O homem, aqui, não é homem. E Deus, que vai aparecer aqui, não é o Criador, o Todo-Poderoso. Então, pode parecer confuso o que eu estou dizendo, mas a serpente, aqui, é um símbolo. A mulher, aqui, é um símbolo. O homem, aqui, é um símbolo. E mesmo Deus, aqui, é um símbolo da Divindade.
Não é Deus Todo. O homem, aqui, não é o homem todo. Então, tem aspectos do masculino que não interessam para essa passagem aqui. Tem aspectos do feminino que não interessam para essa passagem aqui. E tem aspectos da serpente que não interessam para essa passagem. Como tem aspectos do Criador que não interessam para essa passagem aqui. Então, o símbolo, ele é uma ponte para nos levar para uma reflexão. Se você fica preso no símbolo, é aquela história que a gente não se cansa de repetir. Desde o estudo do Levítico, nós estamos repetindo isso.
O símbolo é a casca da banana. Se você para no símbolo, se você fica fascinado pelo símbolo, você vai ficar pegando a casca da banana, vai ficar levando ela para baixo, para cima, daqui a pouco você está comendo a casca da banana e jogando a banana fora. A casca é um invólucro. Nós temos que avançar para além da casca em direção ao fruto. E o fruto não é algo que está aqui no texto. Não é? O fruto está na nuvem. Ele é cloud. Está na nuvem. Está na nuvem. O símbolo aqui funciona como o seu computador, como a internet que vai baixar o arquivo.
O arquivo está na nuvem. Ele não está aqui no texto. Então, por exemplo, ficar avaliando os tipos de serpentes que existem no mundo não vão contribuir em nada para esse texto aqui. Não vão contribuir. Se é jiboia, se é sucuri, se é manaja, não faz diferença. Não é? Uma leitura desse texto e isso é feito. E, olha, é feito por pessoas muito inteligentes. Uma leitura, por exemplo, feminista do texto. Aí, eu vou enfocar marido e mulher, a relação do homem com a mulher, a submissão da mulher. O texto não está falando disso.
Não é? O símbolo mulher foi colocado aqui no texto não com esse propósito. Não com esse propósito. Ele tinha em mira outro, outro propósito. Então, esse cuidado é essa vigilância que nós temos que ter. Mas, por incrível que pareça, depois de um tempo de estudo do Novo Testamento e do Velho Testamento, eu poderia dizer, assim, com bastante segurança, que os símbolos na Bíblia, eles funcionam como aquela história lá da Odisseia de Homero, quando o Lice está atravessando uma região e Que também é uma história, não é, gente?
É igual o sítio do pica-pau amarelo, não é? Imaginar que existe isso, não é? Cereia, claro, é uma metáfora. Então, o Lice está passando por um mar que é cheio de cereias e as cereias, elas são maravilhosas, são lindas, não é? Mas, elas são metade mulher e a outra metade peixe. Mas, até aí, tudo bem, esse não é o problema da cereia. O problema da cereia é que ela tem um canto irresistível, um canto irresistível. Então, se o marinheiro ou qualquer pessoa no navio ouvisse o canto da cereia, ele pulava para o mar para abraçar a cereia e aí a cereia levava aquela pessoa para o fundo do mar e lá ele morria afogado, não é?
Porque o objetivo da cereia era matar, não era ter nenhum tipo de relacionamento, sério. Então, o que que o Lice faz? Ele pede para a sua tripulação amarrá-lo no masto, amarrar, mas de um jeito assim que não pudesse sair. Por quê? Porque ele queria experimentar a sensação de ser seduzido pela cereia, de ter aquela vontade irresistível de pular no mar, mas como ele estaria muito amarrado, ele não conseguiria pular. Então, seria um tormento, mas ele não conseguiria. Então, as cereias não conseguiriam que ele pulasse no mar e ele também não iria conseguir pular no mar.
E, dito e feito, amarraram ele, mas amarraram de um jeito assim que não tinha como. E o Ulisses passa por aquele processo terrível que as cereias cantam e ele vai ficando tresvolcado e com vontade de ir atrás da cereia e até que eles atravessam toda a região e aí cessa o canto da cereia porque eles saíram daquela região das cereias e aí ele recobra a consciência e Descreve para os marinheiros aquela experiência extraordinária, qual que foi a sensação da sedução irresistível que ele experimentou. Então, eu vou pedir para você se amarrar aí também na corda e não cair no canto da cereia de interpretar isso aqui literalmente.
Imaginar que tem uma serpente aqui, que tem uma erva mesmo, um adão, era um adão, o cpf dele era 398, aí tinha uma erva também com cpf, título de eleitor, casada com ele no cartório, o primeiro cartório do Jardim do Éden, que foi o primeiro cartório de registro civil do mundo e aí não tinha um padre, então quem fez o casamento foi o próprio Deus, porque não tinha igreja também, aí eles casaram, e isso não faz… amarra-se, amarre aí por favor, não ceda esse canto da cereia, porque se você ceder essa força, e é uma força irresistível, acredite em mim, ler o Velho Testamento, você começa a ler, daí meia hora você está pulando no mar atrás de uma cereia, você está interpretando literalmente algum símbolo, é uma tentação irresistível, então se amarre, se amarre para você não ser levado por essa força extraordinária, por essa força incrível que leva inteligências como essas aqui, homens e mulheres que dedicaram a vida a estudar a cultura e as línguas originais, estudar a Bíblia, e quando vão escrever uma nota aqui, se traem deixando transparecer, que realmente eles acreditam, não, mas o autor não pode, não pode ter um animal, quer dizer, discutindo com o autor porque usou um símbolo que não pode ser um animal.
Então, esse é um problema sério que a gente vai com calma, mas amarrado, para não ceder ao canto da cereia. Então, vamos fazer primeiramente, antes da leitura, vamos ler a passagem, a gente lê e depois nós vamos tentar olhar para o símbolo, mas amarrado, olhar para a cereia e entender porque que esses símbolos foram utilizados, porque que esses símbolos foram utilizados, porque essa passagem aqui não tem homem aqui, não tem mulher, não tem serpente. Isso aqui não é uma história de homem, mulher e serpente. Essa aqui é uma história que ocorre dentro dos corações.
Essa história aqui ocorre dentro de você. Não interessa se você é homem, se é mulher, se é brasileiro, se é africano, não interessa. Não interessa nem se você tem forma física. Não interessa. Essa história aqui ocorre num ovoide que perdeu a forma perispiritual. Ocorre dentro dele. E com mais, no ovoide com mais força ainda. Então, vamos ver aqui porque. Esquece isso, homem, mulher, serpente. Isso aqui não é uma história de homem, mulher e serpente. Então, vamos ler lá. A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo.
Que, aí tem o tetragrama, o nome de Deus, e depois Elohim, que o nome dele, Elohim, que os hebreus chamam de Senhor Deus. Então, é interessante aqui aparecer esse nome duplo de Deus. Então, a serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela, a serpente, disse a mulher. Então, Deus disse Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim? Deus não disse isso? Olha que sutileza, né? Porque, de fato, essa é a ordem. A gente lembra lá do capítulo 2, depois que o jardim foi estruturado, configurado com inumeráveis árvores frutíferas, porque o texto não fala quantas nem quais.
Então, se no meu jardim do Éden eu quiser que tenha kiwi, vai ter kiwi. Se eu quiser que tenha abacate, vai ter abacate. Por que não? Não fala nem quais são e nem quantas. Então, se eu quiser que a árvore do conhecimento do bem e do mal seja uma jaca, seria até curioso, né? A serpente oferecendo uma jaca, abrindo, pode ser jaca. Por que tem que ser maçã? Não fala qual árvore. Então, a primeira ordem foi que é uma permissão. Pode comer de todas, todas as árvores do jardim. Então, a permissão é infinitamente maior do que a proibição.
Qual foi a proibição? Só não pode comer de uma árvore. Importante avaliar isso. Importantíssimo. É como uma grande cidade, se eu dissesse assim, você pode pegar qualquer uma das milhares de ruas que existem na cidade. Qualquer uma delas. Menos uma. Porque nessa aqui está sendo feita uma ordem. Você só não pode nessa. Bom, mas o que que acontece aqui? O que que vai acontecer? Já estou lendo o texto e dando uma refletida sobre ele. É óbvio que a permissão é infinitamente maior do que a proibição. Mas, o que faz a psique humana?
Ela sempre valora mais a proibição do que a permissão. Sempre. Quer ver uma coisa? Você vai ao médico e aí, tem, vamos supor, tem cinco anos que você não toma chá. Chá mate. Cinco anos você não toma chá. Toma tudo quanto é suco, até refrigerante, toma tudo. Mas, o chá tem cinco anos que você não toma. E, aí, o médico fala assim, vamos ter que iniciar uma dieta aqui, você não pode tomar chá mate. Pronto, acabou. Acabou. Meia hora depois você sai do consultório, nossa, uma vontade de tomar chá mate. Aí, você começa a ver chá mate gelado, a garrafinha do chá mate que estava na… você nunca olhou pra aquilo.
Nossa, que vontade. É incrível isso. Porque você pode beber tudo, menos o chá mate. Só que, aí, o chá mate passa a ter um peso maior do que tudo. É um jogo aqui. Como que… Porque a ordem é, você pode comer de todas as árvores. Há uma riqueza de liberdade. E, aqui, nós precisamos nos confundir. Tudo o que vem de Deus é uma riqueza de possibilidades. Quem nos limita é o mal. O que nos limita é o mal. O mal é limitante. O mal é que tem poucas alternativas. Pouquíssimas alternativas em termos de caminho. Ele pode variar em modalidades.
Então, matar é uma possibilidade. Ah, você pode matar de diversas maneiras, mas não está dizendo isso. Agora, sustentar a vida, gerar a vida. Ou sustentar a vida. São possibilidades imensas. Eu vou perguntar. Sabedor disso, dessa característica, alguém pode interpretar que proibindo Deus, induzir a Ele a fazer? Poderíamos desviar o nosso pensamento para esse caminho e, talvez, também se equivocar? Dizendo-se, não faça e Ele exatamente para se fazer? Não. Eu não acho que a intenção seja essa. E, aqui, é uma coisa curiosa essa pergunta, porque eu me recordo de uma frase do Einstein que ele dizia assim Deus é sutil, mas não é malicioso.
E, aqui, que é o bonito, quem é malicioso aqui é a serpente. A serpente é maliciosa. Ela atua com subterfúgio. Deus não, Deus é sutil. Ele diz assim, porque Ele vai justificar. Isso aqui é interessante. Você pode comer de todas as árvores, menos uma, porque dessa árvore, eu só estou proibindo você de comê-la, porque o dia que você comer dessa árvore, você vai morrer. Vai ter uma consequência terrível. Então, o que eu estou dizendo não é nem proibindo, porque também isso é interessante. Isso é muito interessante. Deus está legislando.
Ele não está proibindo, porque Deus não proíbe nada. E, é uma confusão que as pessoas fazem. Por exemplo, o direito penal, a legislação penal, ela legisla o que não deve fazer, mas ela não te proíbe fazer. Se fosse assim, não tinha crime. Não tinha crime. Então, você pode fazer. Você pode fazer. Por isso que a legislação penal é estruturada assim. Ela não é estruturada não faça isso. Não. E eu já leio mosaico, não matara-se. Não é assim. O direito penal ele fala assim, matar pena de 6 a 20 anos. É interessante, porque ele não está dizendo pra você, não mate.
Ele está dizendo assim, matar consequência. Essa. Agora, escolha. Faça a sua escolha. Interessante, não é? Então, aqui também. Só que, aqui, tem um sentido orientador. Não coma. Porque, se comer, a consequência é essa. Está implícito na consequência de comer o fruto. Mas, não há malícia. Há sutileza. Pode ter reivindicação daquela ideia de que ao desobedecer ao aconselhamento, julgando que ele não fosse um aconselhamento de um pai, e sofrendo as causas, ele ganha confiança nesse Deus. Pode ter um sentido nesse sentido.
Claro, claro. Só que, aqui, a gente volta lá para as questões do livro dos Espíritos, que a gente já trabalhou quando estava na Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. O mal nunca é um caminho indispensável. Os Espíritos passam pela fieira, pelo caminho da ignorância. Ignorar, sim. Praticar o mal, não. São coisas distintas. São coisas distintas. São coisas distintas. Então, eu vou dar um exemplo. É difícil, não é? Eu vou dar um exemplo simples aqui. Quando descobriu-se a física nuclear, a física atômica, não se sabia.
Não se tinha uma ideia da energia que estava ali no interior de um átomo. Um pouquinho, não é? Você pegava um pouquinho de átomo, fazia que eles se chocarem lá e calculava-se uma energia. Perfeito. E, aí, foram para os testes. Então, até aqui, nós estamos no caminho da ignorância. Eu não sei. Nunca na história da humanidade adentrou-se na intimidade dos átomos. Então, eu estou no caminho da ignorância. Mas, a partir do momento que fizeram o primeiro teste de uma fusão nuclear, daquela explosão nuclear ali, com uma pequena bomba e percebeu-se o que era aquilo, percebeu-se tanto que o Oppenheimer, um dos criadores, isso conta a história, logo após a primeira explosão, ele, um cientista, faz relações com o texto do Apocalipse.
A partir do que ele vê da explosão, aquele cogumelo de energia, o calor, a irradiação. Então, ali acabou o caminho da ignorância. Até ali, os Espíritos estavam no caminho da ignorância. Então, eu estou fazendo, eu estou testando, eu estou experimentando, porque eu ignoro. A partir daquele momento em que voltam e começam a produzir uma arma que conseguisse abrigar aquela tecnologia descoberta, visando já matar coletividades, sabendo do potencial da energia, aí já é o caminho do mal. Não é mais o caminho da ignorância.
Já é o caminho do mal. Então, nesse momento, a ciência contratada, paga, aliciada pela política perversa, pelos interesses perversos, a ciência vendida pelos interesses perversos, começa a trilhar o caminho do mal, do mal, que vai culminar no lançamento das duas ogivas, Hiroshima e Nagasaki. Quando elas foram lançadas, sabia-se exatamente o que que se estava fazendo, os efeitos, o que que aconteceria, qual seria o resultado. Não tinha mais ignorância do processo, não tinha mais ignorância. Então, aí já é a maldade calculada, e calculada mesmo, a maldade calculada em laboratório, a maldade medida, acondicionada no ogiva, a maldade, é isso, é isso aqui.
Então, esse aspecto da bomba aqui, descreve essas opções evolutivas, é disso que o texto está dizendo. Esse texto aqui está falando do caminhar, como pode ser o caminhar. O nosso caminhar, ele pode ser pela trilha do mal ou pela trilha da ignorância. Mas, pela trilha da ignorância, quer dizer que eu vou ser um ignorante? Não, a trilha da ignorância é o seguinte, cada vez mais você aprende, e quanto mais você aprende, mais ignorante você fica. Parece paradoxal. É claro. Você trocaria tudo o que você sabe pelo que você não sabe?
Eu trocaria. Eu troco agora tudo o que eu sei pelo que eu não sei. Não é assim? Então, o caminho o caminho da ignorância é Aqui eu estou sendo malicioso, eu vou ser sutil, então, o caminho da ignorância é o caminho do eterno aprender, do eterno aprendizado. É uma postura diante da evolução em que você é um eterno aprendedor, um eterno aprendiz. Você está sempre aprendendo, sempre aprendendo. Jesus reforça isso quando Ele diz assim, não é o discípulo maior que o mestre, não é o discípulo maior que o mestre, nem o servo maior que o seu Senhor.
E, o grande mestre é Deus. O grande mestre do universo, o educador por excelência é Deus. Então, a jornada evolutiva é uma jornada de aprendizado com Ele. Só que, nós vamos ver o projeto aqui. O que é que vai acontecer? E, por que que está falando que a serpente é astuta? Então, o que interessa da serpente é, o que é que interessa aqui da serpente? O que interessa da serpente é o seguinte, a serpente não é um elefante, ela não vem andando aqui, nossa, um elefante entrou. Pensa numa serpente, você custa descobrir que ela entrou, porque ela rasteja, se enfia, se esconde, você não sabe.
Quando você vai puxar uma cadeira, vai pegar um balaio, tem uma serpente lá, enrolada, preparada para dar o bote. Então, ela é subliminar, ela é astuta, ela não passa assim, não é um animal que entra, nossa animal, entrou uma onça aqui, já sabe que tem uma onça, meu Deus, vou esconder. Ela passa, você não vai estar lá arrumando a casa e tira uma caixa, oh, tem uma onça aqui. É por isso que o símbolo aqui não é onça, não é elefante, não é girafa, é serpente, porque a serpente ela entra, nos vãos, ela se esconde. Outro elemento da serpente, será que ela entra e luta com você?
Não, a serpente não luta com você, a serpente ela te dá um bote e vai embora. Esse é o modus operandi dela. Ah, mas tem aquela lá da Amazônia que enrola para comer, pô, mas não é essa aqui, essa serpente aqui é outra. Então, o modus operandi da serpente é ela, ela te dá uma mordida, acabou. Porque o veneno dela é de uma potência imobilizadora. Ela tem o poder da morte de te imobilizar, de te paralisar. E, nós vamos ver aqui, essa historinha toda aqui é a história de uma picada de serpente. Essa serpente aqui veio, deu uma picada e acabou com o jardim do Éden.
Bastou um bote, acabou com tudo, destruiu tudo, trouxe morte, trouxe dor. É esse o símbolo, por isso que a serpente, todo preocupado, ah, tem um animal, que animal é ele? Não, a serpente está descrevendo uma atitude psíquica, atitude psíquica, que é ser sorrateiro, traidor, pegar de surdina e dar um golpe para destruir. Essa atitude. Então, é isso que está sendo enfatizado nela. Ela era o mais astuto dos animais do jardim. Astúcia. Astúcia tem a ver com malícia, porque no jogo da astúcia, alguém tem que perder. A astúcia é um jogo de inteligência em que alguém tem que ser enganado, alguém tem que perder.
Não é? A educação também é um jogo de inteligência, mas é um jogo ganha-ganha. Um verdadeiro processo de educação, o educador ganha e o aprendiz ganha. Na astúcia, não. Alguém tem que perder. Alguém vai ser prejudicado. O jogo da malícia é assim. Tem que ter um perdedor. Tem que ter um perdedor. E, aí, ela chega e comeu. Não foi dito para você que pode comer de todas as árvores do jardim? E, a mulher respondeu à serpente, nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Confirmou. Mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse, dela não comereis, nele não tocareis sob pena de morte.
Então, até aqui, parece que está tudo certo. Não parece? Mas, volta lá no capítulo 2. Quem disse que a árvore do conhecimento do bem e do mal está no meio do jardim? Onde tem isso? Olha só. Vamos voltar lá no versículo 16 do capítulo 2. E o Senhor Deus deu ao homem este mandamento. Podes comer de todas as árvores do jardim, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres, terás que morrer. Não é? E, em cima, no 9, diz assim, O Senhor Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Deus não está falando que a árvore explícita que está dizendo que está no meio do jardim é a árvore da vida. E, aqui, o texto é sutil, porque ele deixa a árvore do conhecimento do bem e do mal móvel. Você não sabe se ela está junto com a árvore da vida no meio do jardim ou se ela não está. Por que isso? Por que essa dubiedade aqui? Para que tenha a possibilidade de você eleger a árvore do conhecimento do bem e do mal com o seu meio. Se você quiser pô-la no meio, você pode. Foi o que Eva fez. Então, a primeira coisa que nós gostaríamos de chamar a atenção, antes da serpente conversar e Testar Eva, Eva já tinha colocado a árvore do conhecimento do bem e do mal no meio do jardim.
Ela já tinha priorizado a árvore do conhecimento do bem e do mal. Então, nós podemos arriscar que não haveria nenhuma possibilidade da serpente envolver Eva no projeto dela, porque a serpente tem um projeto, nós vamos ver aqui. Não teria como Eva ser envolvida nesse projeto se antes Eva não tivesse criado condições para isso. Qual foi a condição que Eva criou? Eva tirou a árvore da vida do meio do jardim e colocou no meio do jardim a árvore do conhecimento do bem e do mal. Então, ela foi lá e arrancou a árvore? Não!
Não é o que é, é como você olha, é o enfoque que você dá, é o enfoque que você dá. Eu posso ter uma pessoa que tem dez qualidades e três defeitos horríveis e você pode eleger colocar os três defeitos no centro, na sua prioridade. Aí, você só enxerga os três defeitos da pessoa, mas não enxerga as dez qualidades dela. Significa que você escolheu focar somente os defeitos. E terá pessoas que vão escolher focar as dez qualidades e não focar os defeitos. A pessoa sabe que ela tem os defeitos, mas ela resolve focar as qualidades.
O que que está no centro? No meio do jardim? Os defeitos ou a qualidade? Você que escolhe. Você que escolhe como vai olhar. Então, o jardim é o jardim. Você vai olhar para ele como? Então, Eva já havia escolhido olhar para o jardim de um determinado modo. É aqui que está o cerne de tudo. A serpente só vai usar disso. Ela não vai criar isso. Isso ela não tem poder para criar. Nenhum obsessor, nenhum espírito tem esse poder sobre mim, sobre você. Ele só usa aquilo que você já elegeu, aquilo que você escolheu para ser prioridade.
Você escolheu ver a vida de determinada maneira e aí eles vão explorar isso ao máximo. No caso dos bons espíritos, para o bem. No caso dos maus, para o mal. Então, há um processo aqui de educação do olhar e nós vamos ver que esse processo vai ser conduzido por aquilo que parece ser uma pena. Parece que Deus está castigando e impondo uma pena. Mas, nós vamos ver que, na verdade, não. Na verdade, Deus está funcionando como oftalmologista, tá, corrigindo a visão, corrigindo o olhar. Mas, isso nós vamos ver no próximo episódio do nosso estudo do Gênesis.
Até lá!
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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