#049 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Gênesis, dando continuidade à análise do capítulo 2. O foco recai sobre os versículos 24 e 25, que descrevem a criação da mulher e a união do homem e da mulher, explorando as nuances do texto hebraico e suas implicações à luz da Doutrina Espírita.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis 2:22-25: A leitura e análise dos versículos que narram a criação da mulher a partir da costela do homem, a alegria do homem ao reconhecê-la como “osso dos meus ossos e carne da minha carne”, a instituição da união conjugal (“deixa seu pai e sua mãe e se une a sua mulher, e eles se tornam uma só carne”) e a nudez sem vergonha do casal original.
  • Trocadilho hebraico “Ish” e “Isha”: A importância do radical comum entre as palavras hebraicas para “homem” (ish) e “mulher” (isha), que sugere uma igualdade fundamental entre os gêneros perante o Criador, um aspecto frequentemente perdido nas traduções para o português.
  • Criação e Evolução: A discussão sobre a compatibilidade entre a narrativa da criação em Gênesis e a teoria da evolução, ressaltando que o texto bíblico descreve um processo evolutivo gradual (flora, fauna) e que a criação do ser humano é um evento à parte. A contribuição de Alfred Russel Wallace, pioneiro da teoria da evolução e espírita, é mencionada, bem como a obra “Evolução em Dois Mundos” de André Luiz, que elucida a evolução dirigida pelo plano espiritual.
  • Limitações da Teoria Darwiniana: A análise das lacunas da teoria de Darwin em nível bioquímico, como a complexidade irredutível de sistemas biológicos (ex: coagulação sanguínea, olho humano), que sugerem uma inteligência diretriz por trás da evolução, conforme abordado por Michael Behe em “A Caixa Preta de Darwin”.
  • Espécies como “filtros de evolução psíquica”: A ideia de que as espécies servem como estágios ou “estações rodoviárias” para o princípio inteligente em sua jornada evolutiva.
  • A “unidade psíquica” do casal: A interpretação da frase “tornam-se uma só carne” como a formação de uma unidade psíquica superior à soma das partes individuais, onde a sinergia da união gera um patamar evolutivo mais elevado.
  • Interpretações de Adão e Eva: Exploração de diferentes níveis de interpretação para Adão e Eva:
    • Casal literal: A interpretação mais comum, mas que o estudo sugere ser limitada.
    • Grupamentos espirituais/Eras: A visão de Adão como um grupo ou uma era da humanidade (os “capelinos” e a formação dos povos), conforme abordado por Emmanuel em “A Caminho da Luz”.
    • Aspecto interior psíquico (Ânima e Ânimus): A interpretação de Adão e Eva como representações do masculino e feminino dentro do psiquismo humano, um conceito explorado por Jung.
  • Evolução do Princípio Inteligente: A jornada do princípio inteligente desde o reino mineral (sem autoconsciência) até o vegetal (sensação), animal (pensamento fragmentado e sentimento) e, finalmente, o ser humano (razão e sentimento).
  • O Instinto e a Lei Divina: A explicação de Kardec sobre o instinto como “Deus agindo na criatura” enquanto ela não tem inteligência suficiente para agir por conta própria, sendo universal, infalível e uniforme. O instinto materno é destacado como o maior de todos.
  • A Tentação e o Processo Ético-Moral: A discussão sobre a “serpente” como a representação do impulso, do desejo, da pulsão que assalta a inteligência e a razão. A ética é definida como a harmonização entre o que “quero”, o que “devo” e o que “posso”, e a queda espiritual é associada ao sequestro da inteligência pelo desejo desenfreado.

Reflexões

  • A Doutrina Espírita oferece uma chave valiosa para a compreensão dos textos bíblicos, revelando camadas de significado que transcendem a interpretação literal e harmonizam fé e razão.
  • A evolução é um processo contínuo e dirigido, não apenas por leis naturais, mas também pela intervenção e orientação do plano espiritual, culminando na complexidade do ser humano.
  • A jornada espiritual do indivíduo é um constante aprendizado de harmonizar o querer, o dever e o poder, um embate ético-moral que define o crescimento e a maturidade da alma.

Ler transcrição do episódio

Olá, estamos aqui para iniciar mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés. Nós tínhamos, no episódio anterior, comentado o final do capítulo 2 do livro de Gênesis. Há uma parte enorme do verso e hoje a gente vai trabalhar um pouquinho mais os últimos versículos, especialmente o versículo 24 e o versículo 25. Mas, eu vou ler um pouquinho antes, para a gente poder se inteirar. O versículo 22 diz assim, Depois da costela que tirara do homem, o Senhor Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem. Então o homem exclamou, Esta sim é o osso de meus ossos e carne de minha carne.

Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem. Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe e se une a sua mulher e eles se tornam uma só carne. Ora, os dois estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam. É um texto difícil, não é? Mas, a primeira coisa que a gente comenta aqui é sobre o trocadilho que tem no original e que o português perde. A tradução para o português perde um aspecto importantíssimo aqui. A palavra homem, em hebraico, é ish e a palavra mulher, isha. Então, todo o tempo, o texto está brincando com esse masculino e feminino.

Ish, isha, ish, isha. Só que com um detalhe. Na língua hebraica, que é a língua em que esses textos foram produzidos, o que determina a palavra no hebraico é o radical. A gente já comentou sobre isso aqui. Então, de um radical, nós extraímos várias palavras. É muito significativo o fato de que o radical que gera a palavra homem gera a palavra mulher, coisa que não ocorre em português. Então, a primeira coisa que as interpretações não perceberam, mas que hoje, pleno século XXI, a gente tem condição de entender, é que o texto está aqui se posicionando num sentido de igualdade absoluta entre o homem e a mulher perante o Criador.

Esse ponto é fundamental. Pelo fato de ter o mesmo radical e por uma coisa importantíssima aqui. Nós vamos perceber, na criação dos animais, na criação de tudo, que a criação do homem, quando eu digo que a gente diz homem, aqui tem que tomar cuidado, que não é homem gênero, é espécie humana. Então, na criação do ser humano, da espécie humana, ela é a parte, ela é algo à parte. Isso é importante, que também não exclui a ideia de evolução, porque o texto trabalha um aspecto evolutivo. Então, primeiro é criada a flora, primeiro o orbe, os aspectos astronômicos, depois, esse orbe é coberto, separado a água de terra.

Então, você começa a ter um ambiente aquático, um ambiente terrestre. Depois, nós temos uma terra que é coberta de plantas, conforme a sua espécie e capazes de se multiplicarem, de prosperarem, de prosseguirem no tempo. Então, esse é um fator fundamental, fundamental, que o texto traz e que somente, aqui a gente precisa, sem a chave do Espiritismo, que traz o elemento espiritual, fica difícil compreender essas coisas, até mesmo a evolução. Então, quando nós estamos alicerçados naqueles princípios do livro dos Espíritos, essas coisas, elas ficam mais claras, essas coisas, mas a gente tem também um ferramental de raciocínio, de análise superior.

E, quando a gente toma a mão da psicografia do Chico, especialmente a obra de André Luiz, em especial o livro Evolução em dois mundos, aí a coisa se aclara totalmente, totalmente. E nós não podemos esquecer um aspecto histórico fundamental. O pioneiro da teoria da evolução é Wallace e Wallace era espírita. Ele conheceu a codificação, ele elaborou, ele fez os elementos, o Darwin, que não era materialista, pega a origem das espécies, não era materialista, elabora, faz o arco, dá o retoque na teoria do Wallace e leva a fama do criador da teoria da evolução.

Não é bem assim? Não é? O que a teoria da evolução vai dizer? Que há um processo de seleção natural. Isso significa que a natureza está sempre apresentando desafios à permanência de uma espécie, à continuidade de uma espécie. Ela sempre apresenta desafios e esses desafios vão determinar o que a gente chama das ramificações das espécies. Hoje a gente compreende isso melhor, que é o processo da seleção natural. Então, quem imagina que a evolução é uma linha da tartaruga chega no macaco, está muito enganado, muitíssimo enganado.

Porque a teoria da evolução diz que uma espécie se ramifica em várias, daquela tem uma modificação que vai gerar outras ramificações, daquela ramificação vai gerar uma, é mais complexo. Então, nós temos uma gama de espécies de macacos, símios e animais do gênero. Em um ramozinho dessa gama enorme, há uma modificação, gera um outro ramo que, por sua vez, gera vários ramos, um deles vai gerando outro, vai gerando outro, alçorolopitecos, até você chegar em um homo sapiens. Então, quando você chega em um homo sapiens, é um galho de uma árvore.

Você está lá na ponta de um galhozinho achando que vem em uma linha reta de um tronco, e não é assim. Mas, o que está narrando Gênesis? Ele está narrando isso. Ele está narrando isso. Porque, quando diz que Deus criou as espécies, é nesse sentido. Só que, aqui, os intérpretes do passado viram uma criação como uma varinha mágica, um coelho, uma tartaruga. Mas, o fato disso se dar no tempo não significa que não houve intervenção divina. E, daí, o esclarecimento do livro Evolução em Dois Mundos, que vai mostrar para a gente Evolução em Dois Mundos por quê?

Não há evolução no plano material sem interferência do mundo espiritual. E, quando nós dizemos interferência, é uma interferência qualificada, porque o mundo espiritual, ele dirige, ele intervém de modo decisivo, ele altera o curso natural. Então, é uma evolução dirigida, é criação. É criação. Não é? Então, é importante a gente entender isso aqui, que nós vamos chegar a um outro ponto aqui. Outra coisa, Darwin, quando teve um insight, seleção natural, como processo de controle de qualidade. Quer dizer, a natureza está sempre apresentando desafios e as espécies precisam se adaptar aos desafios da vida ambiente, do seu habitat, da sua vida ambiente.

E isso produz processos adaptativos. Acontece que, na época do Darwin, não havia bioquímica. Darwin não conhecia átomo. Não conhecia átomo. Então, a avaliação do Darwin, na ilha de Galápagos, é uma avaliação anatômica. Então, ele vê um pássaro que tem um bico maior, outro tem um bico menor, então, ele está enxergando adaptações, macro-adaptações. Então, um pássaro afina o bico, porque ele tem que comer isso, outro engrossa o bico, são macro-adaptações. Mas, e quando nós caminhamos para um nível genético e bioquímico?

Essas diferenças se esvaem. Elas não são tão grandes assim. Então, você olha para um ser humano e para uma mosca, a diferença genética é entre 4% a 6%. É assustador. E, quando você mapeou o genoma humano, imaginava-se que todos os segredos do corpo humano seriam desvendados. Que nada! E, aí, percebeu-se que cada gen é um pincel com sua tinta específica, mas isso não significa que quadro será pintado. Porque há um complexo mecanismo de ativação de genes que nós não sabemos explicar. Por que um gen permanece inativo?

Por que ele é ativado? Às vezes, numa mesma família, entre dois irmãos gênios. E, no processo bioquímico, nós temos um problema que é sério, porque a teoria Darwiniana propõe que para cada desafio que a natureza apresenta, eu preciso me adaptar ao desafio, aquele organismo precisa se adaptar ao desafio e ele desenvolve, então, uma função, um órgão ou altera uma função, altera um órgão, coisa que o valha. Então, isso pressupõe um crescimento cumulativo. A evolução, então, é um processo cumulativo. Eu vou acumulando coisas.

Então, um tem uma pequena alteração que transmite para o outro, que tem uma pequena alteração que transmite para o outro. O problema é o seguinte, em um nível bioquímico, isso é impossível. Porque, vamos dar um exemplo, a coagulação sanguínea, ela precisa de duzentas proteínas. Se você não tiver as duzentas juntas, não tem coagulação sanguínea. Então, a história é a seguinte, ou as duzentas chegaram juntas ou não tinha sangue. Então, como que uma espécie chega num processo de circulação com coagulação sanguínea, acrescentando pequenas coisas?

Não tem jeito de acrescentar pequenas coisas. Não tem jeito de eu juntar dez proteínas, aí eu dou mais um evoluidinho, junto mais dez, a não ser que você imaginar que tem um engenheiro, um arquiteto com a planta e falando assim, mais dez tijolos. Agora, mais dez do branco. Então, alguém está com a planta aqui e está direcionando. É exatamente isso. Alguém está construindo. Então, do ponto de vista bioquímico, a gente vê isso no livro A Caixa Preta de Darwin, do Michael Biehn, que é um bioquímico americano, e ele vai dizer isso.

São sistemas de complexidade irredutível. O olho humano, por exemplo. Um olho. O processo bioquímico de funcionamento do olho é algo tão complexo e entra em cena tantos elementos que um ativa o outro, que desativa aquele. É sempre assim. Uma proteína ativa a outra e desativa que desativa ela. Aí, essa ativa a outra que desativa ela e desativa a outra. Só que isso vai em cadeia, uma cadeia de quatrocentos passos. Se você tirar uma, não tem olho. Então, é o seguinte, ou o olho chegou de uma vez ou ele não chegou, bioquimicamente falando.

Então, quando a gente lê isso aqui, e nós vamos entender porque nós estamos falando isso aqui, não é biologia, não é esse o ponto, nós vamos chegar lá, a gente vai percebendo uma planta e as espécies passam a ser filtros. Filtros de evolução psíquica. Então, você vai desenvolvendo espécies, chegou a tartaruga, a tartaruga é um filtro, porque o princípio inteligente vai passar por ali ou por outros lugares, são caminhos. Então, você vai definindo estações rodoviárias ou estações ferroviárias, que são as espécies. Esse é o ponto.

O que o texto quer dizer é que quando eu entro na espécie humana, eu não tenho um passo, eu tenho um voo, não é nem um salto, é um voo. E, nesse voo, o que se quer destacar aqui? Que a Ixá, a auxiliadora do Ixe, ou seja, a mulher, a auxiliadora do homem é da mesma natureza dele. E, ela é auxiliadora por quê? Nós não podemos confundir auxiliadora com serviçal, hein? Porque foi dada à espécie humana uma série de funções. Primeiro, cuidar do jardim, cultivar o jardim, proteger o jardim, nomear as coisas e dominar sobre todas as espécies, sobre todas as coisas.

E, ela tem que auxiliar nessas funções todas. A questão que o texto está dizendo aqui da alegria do Ixá, do Ixe, né, alegria do homem, ele fala, esta sim é a osso dos meus ossos, esta sim é igual a mim, quer dizer, agora eu tenho um par, um par no sentido de paridade. Interessante isso, né? Agora, eu tenho uma parceria genuína, genuína, carne da minha carne. E, aqui, nós temos que ver um hebraísmo forte, porque o hebraico não tem a palavra corpo. Então, você não consegue no hebraico bíblico falar, no hebraico bíblico, hoje tem tudo, tem até computador em hebraico, mas no hebraico bíblico não tem corpo.

Então, eu só consigo falar carne. Então, feriu a carne do fulano, feriu o corpo. Morreu a carne, morreu o corpo. Então, é interessante, porque ele diz assim, ela é carne da minha carne. Interessante. Ou seja, tem um corpo idêntico ao meu, no sentido de identidade e substância, não de forma. A questão aqui é a substância, não é a aparência, forma. O texto é sutil, né? É sutil. E, ela será chamada Ixá, porque foi tirada do Ixe. O que levam alguns grandes intérpretes a dizer o seguinte, aquele ser humano que é criado, ele não tem gênero.

Ele não tem gênero. Ele não é nem homem, nem mulher. Aqui, agora, surge gênero. Então, isto também é muito importante. Surge o gênero aqui. E, não no sentido de subordinação, de Igualdade, mas com distinção de forma, com distinção de aspectos. E, nós vamos perceber que depois do processo da serpente, aí, sim, há um distanciamento de funções. Olha que interessante. Então, aqui, eles estão na mais absoluta igualdade, estão luz e não há nenhum problema. E, o que? Outra coisa importante. Outra coisa importante. Todos os recursos físicos, todos os recursos naturais, tudo o que existe, é puro.

Quando o ser está em sintonia com a lei divina. Então, não tem problema de sexo, não tem problema disso nenhum. Quando cria-se o embate da criatura com o Criador, só da parte da criatura, o Criador não tem nada a ver com isso. Quando cria-se a resistência, aí começa haver impurezas, aí passa a ter vergonha, aí Passa a ter a maldade. Interessante isso, não é? Os dois estavam nus, o homem sua e chá, e não se envergonhava. Aqui tem um aspecto socio-espiritual, socio-espiritual, antropológico, porque esse par, agora, ele vai gerar.

Vai gerar. Nós temos uma lei da natureza, uma lei biológica, agora, por trás da união do homem e da mulher. Porque essa é a forma determinada para a reprodução dessa espécie humana. Como, de resto, outras espécies também animais, mas da espécie humana. Interessante, não é? Então, isso aí a gente já sabe. Agora, tem um aspecto que é social. Deixa pai e mãe e se une. Sai de um núcleo para formar outro. Sai de um par para formar um par. Isso é muito bonito. Por isso, Jesus só manda discípulos de dois em dois. Jesus só manda discípulos de dois em dois.

É um aspecto de complementariedade. Isso está presente na natureza como um todo. A natureza é polarizada. Está presente em tudo e está presente nessa realidade que é biológica, sociológica e espiritual. Que há um determinismo espiritual aqui também. Ele deixa, mas aí é bonito, olha só. Quando há união, eles formam uma só carne. E, aqui, tem uma metáfora que é linda. Quem acompanhou a leitura? Se eu tenho aqui uma base, olha que interessante, se o ser humano que foi criado não tem gênero, não tem gênero, quando eu tiro a mulher da costela do homem, eu criei dois polos.

E, agora, eles vão se unir e, quando eles se unem, eles formam um inteiro. Bom, aí é o seguinte, tenho que tomar um cuidado aqui para a gente não voltar lá para aquelas questões da filosofia platônica, das metades eternas, das metades que se buscam. A gente já sabe que não é isso. Não é? A gente já sabe que não é isso. Mas, tem uma questão sutil aqui. Nessa união de dois seres, forma-se uma unidade psíquica que é superior a cada uma das partes. Então, um casal é mais do que um. E, nós podemos dizer com segurança, um casal é mais do que dois.

É mais do que dois. Porque, o que acontece, se fosse só uma soma, se fosse só uma soma, eu estaria admitindo que eu tenho um homem aqui, uma mulher e eles se juntam. Então, eu somei duas potencialidades. As potencialidades desse e as potencialidades desse se somaram. Mas, ficou no mesmo nível. A questão é que, quando você une, você não só soma as potencialidades, mas você leva os dois a um outro patamar que eles não atingiriam se estivessem sozinhos. Então, é uma unidade que é superior à soma do que os dois eram. Isso é muito comum acontecer.

Pode acontecer na sociedade empresarial. Você une duas pessoas, elas unem potencialidades, mas elas são somente a soma das duas. Elas não são nada mais do que somar. Então, um é disciplinado, o outro é mais prático. Então, agora você tem um todo que é disciplinado e prático, mas não mais do que isso. Agora, numa união aqui, eu tenho um disciplinado e une com um que é prático, soma e, agora, eles são disciplinados, práticos e intuitivos. Então, eles agregaram um valor que vem da união. A união, a sinergia provoca algo que é mais do que uma simples soma aritmética.

Eles formam uma só carne. É bonito isso também, não é? É muito interessante isso. Mas, aqui, nós vamos ter que, agora, dar um salto. E, nós temos que dar esse salto, porque o texto bíblico, ele é, por natureza, ambíguo. Ele não quer ser uma coisa só. E, se nós formos nessa toada de interpretar esse homem e essa mulher, que depois vão receber nome, Adam e Eva, já foi anunciado ali, porque o texto vai e volta, não é? Ele vai e volta, vai e volta, tem que entender essas idas e vindas dele, fica repetindo. Então, aqui, ele é como se ele tivesse voltado, não é?

No momento em que não tem o nome ainda, mas a gente vai ver que vai ter um nome. Se a gente ficar só nessa toada, daqui pra frente, começa o capítulo 3. E, aí, nós vamos entender que toda a história aqui se refere a um processo vivido por um casal. E, aí, já de cara, a gente já percebeu que não é isso. Não pode ser isso só. É também isso. Não pode ser só isso. Não pode ser só isso. Não é? Então, vamos lá. Eu tenho um ponto médio aqui, que é um casal. Um homem e uma mulher. Eu posso dar um passo pra cá. Imaginar que não se trata apenas de um casal, mas de dois grupos, de grupamentos espirituais.

Aí, eu estou indo pra uma abordagem sociológica, sociológica e espiritual, que vai me fazer chegar onde? Nos capelinhos. Porque, aí, a serpente é um terceiro grupo. É uma via importantíssima. É uma via fundamental, inevitável, inevitável. Ela é tão inevitável que o texto de Gênesis, em determinado momento, ele começa a falar de pessoas que viveram 900 anos. Então, nós não estamos falando de um ser humano. Nós estamos falando de uma geração, de uma era, de uma época, de um período. Como a gente pode falar, por exemplo, da França do Iluminismo.

Então, nós não estamos falando de uma pessoa. Nós estamos falando de um tipo humano num contexto histórico, sociológico, antropológico, de uma geração. Então, podemos ir pra essa linha. Claro, o texto autoriza isso. O texto autoriza isso. Essa abordagem sociológica. Por isso, quando Kardec pergunta assim em que época viveu Adão, os Espíritos dizem aproximadamente na época em que ele assina Lais, quatro mil anos antes de Cristo. Então, nós não estamos falando de uma pessoa. Nós estamos falando de uma era, de um momento da humanidade, da evolução humana.

Então, Adão é um grupo e é um ciclo. Então, podemos ir por isso. Nós vamos também ir por isso, mas não agora. Porque soma tudo, não é? Como é que chega na data? Aí, a gente está assim num período que os últimos capelinhos egípcios estão voltando. Então, a gente está numa aferição. Esse texto quer dizer assim a turma que repetiu de novo de ano. O processo da vinda capelina dura um período enorme e aí começa o processo de redenção e aí eles, primordialmente no Egito, porque é o grupamento com menos débito perante a lei e, portanto, que começa a voltar mais rápido.

Então, individualmente, vários, hindus, hebreus e arianos voltam individualmente, mas eu estou falando de um ponto de vista coletivo esse processo se dá no Egito. Então, coletivamente, os Espíritos começam a regressar, começam a voltar em massa e querem deixar um legado. Então, esse período Adão que está falando disso e está falando da resistência coletiva, hindu, ariana e hebraica que não vai conseguir voltar, que vai ficar um processo de degradação. Então, essa seria uma abordagem sociológica que é o livro A Caminho da Luz.

Emmanuel escreveu o livro A Caminho da Luz só para pegar essa interpretação e levar ela até as últimas consequências. Emmanuel pega isso e vai desdobrar isso em mil pedacinhos. Que ele não só vai falar da queda, da incapacidade desses grupamentos voltarem, mas depois como que eles se movimentam na Terra e influenciam a evolução histórica da humanidade até hoje e que vão passar por uma terceira ferição. Vamos mudar, vamos passar para outra interpretação, então. Vamos passar para outra interpretação. Então, quer dizer, uma terceira ferição.

O assunto é complexo. É complexo. Mas, aqui, tem um ponto que nos chama a atenção. O que o texto vai permitir também dizer de Algo que é tirado da minha costela, que é tirado de dentro de mim. Então, eu posso também ir para um aspecto que é o interior psíquico, psicológico, que é um aspecto que Sr. Honório adorava. Porque, aí, Adão e Eva não é mais um casal, o próprio Jung percebeu isso, é ânima e ânimos, masculino e feminino em mim. Então, é o meu psiquismo com as suas potencialidades. Então, sou eu, não é um outro.

E, aí, é importante. Nós vamos ter que trabalhar isso aqui um pouquinho. E, aqui, nós vamos ter que entender uma coisa que é vital. Quando o princípio inteligente está no mineral, ele não tem pensamento. E, quando os Espíritos falam em pensamento, nós podemos confundir com inteligência, com intelecto, com instrução, com ir à escola, com ideia. Pensamento é uma mistura. Ali, no pensamento, estão ideias, sentimentos, sensações, emoções, está tudo junto. Não pode confundir isso, não. Então, o princípio inteligente está no reino mineral, ele não tem autoconsciência.

Ele não sabe que ele existe. Então, ele está em um processo de energia. Ele está em um bercinho. Porque o cristal é exatamente isso. Ele fica ali vibrando. Ele está ali. Está ali. Aí, passa para o vegetal. No vegetal, ele já apresenta sensação. Sensação? Em que sentido? Sensação. Não podemos confundir isso com dor, tristeza, não é isso? Ele é afetado. Ele sabe o que está mexendo nele. Isso acaba até nos tropismos das plantas. O geotropismo. Hoje, é só. Exatamente. Então, já tem sensações, mas não tem pensamento contínuo.

Quando chega no animal, em gradações, é óbvio, surge o pensamento. Só que ele é fragmentado. Então, isso não significa que tem intervalos que ele não pensa. Zerou. Então, isso significa que quando ele está pensando, ele elabora em uma inteligência rudimentar e, portanto, se ele elabora em uma inteligência rudimentar, ele passa a ter uma sensibilidade que nós vamos chamar de sentimento, que já não é mais uma sensação. Por que não é uma sensação? Porque a sensação, eu dependo de um estímulo externo para ela existir. O sentimento, não.

Ele pode surgir a partir da minha própria elaboração, sem nenhum estímulo externo. Ou, através de um estímulo que não tem uma questão biológica. Então, por exemplo, o animal sente medo. Ele sente medo, embora ele possa não estar correndo perigo. Esse é sentimento. Isso já é uma sensibilidade que nós vamos chamar de sentimento. Por que? Ele identifica, ele percebe um elemento exterior e ele já elabora uma reação interior. Captar, identificar, catalogar, perceber, isso é Adão, reagir internamente, isso é Eva. Eu estou aqui simplificando a síntese do resumo, porque o assunto é muito mais complexo.

A gente teria que entrar em Gabriel Delany, Leão Adeni, evolução em dois mundos. Mas, não é esse o objetivo aqui. O nosso objetivo aqui é ir para os dobramentos espirituais e morais disso. O Kardec vai escrever um ensaio brilhante no livro Agênes sobre a origem do instinto. Ele vai dizer o seguinte, resumindo, vai apresentar várias características do instinto. Por exemplo, qual a diferença de uma colmeia japonesa e uma colmeia austríaca, considerando que a abelha é do mesmo tipo? Só o endereço. Então, um formigueiro no Japão é um formigueiro igualzinho no Brasil.

A estrutura do formigueiro, o vespeiro, etc. O funcionamento. O comportamento de um gato na China não difere, se for da mesma espécie, de um gato argentino. Então, são reflexões que o Kardec vai fazer no sentido que o instinto é universal. Por isso, ele não pode ser fruto apenas do ser. Porque, se ele fosse individual, ele ia apresentar variações na mesma quantidade do número de indivíduos que existe no mundo naquela espécie. Então, se eu tenho um milhão de gatos, eu teria um milhão de instintos diferentes de gato.

Não sei, já me lembro, eu estava falando da o aspecto do ambiente não influenciaria um pouco nesses instintos? Pois é, então, esse aqui é o ponto. A gente sabe que um instinto é um conjunto de procedimentos inteligentes que a espécie adota para lidar com o ambiente. Nós sabemos disso. Então, por que tem o mesmo instinto em um gato que está em um ambiente e, da mesma espécie, o gato que está em outro ambiente? Entende o que eu estou querendo dizer? Um gato está em Salvador, um clima, ouvindo axé, comendo camarão, e um gato em Minas, ouvindo o Clube da Esquina.

O que é que eles são diferentes? Estou brincando, mas, assim, há um elemento de universalidade e, aí, Kardec começa a descartar uma série de hipóteses de que teriam seres que orientariam aquela espécie. Então, não pode, porque, aí, teria diferença entre esses seres e, aí, gerariam um aspecto de unidade. Então, ele vai concluir o seguinte. O instinto é Deus agindo na criatura, enquanto ela não tem inteligência suficiente para agir por conta própria. Por isso, ele é infalível, ele é universal e ele é uniforme. É uma inteligência rudimentar.

Por que uma inteligência rudimentar se é Deus? Porque significa a mínima intervenção divina, a mínima intervenção divina, absolutamente necessária e suficiente para a espécie. Porque, se ele intervém mais, o bicho dá um salto. Se ele intervém mais, o gato vai olhar para você, assim, e vai pensar só o quê? Aí, vai começar a ter uns comportamentos meio esquisitos. Então, a inteligência rudimentar no sentido que é Deus agindo através das criaturas o minimamente possível, apenas o suficiente para cuidar delas. Da sobrevivência.

Da sobrevivência. Aí, Kardec conclui, assim, por esta razão, o maior de todos os instintos é o instinto materno, porque é o próprio Deus cuidando das suas criaturas que vêm ao mundo através da mãe. Olha que coisa linda! Kardec escrevendo. Depois, nós vamos ter o Chico dizendo que a maternidade é um segredo entre Deus e a mulher. É, porque ele vai Não, o anímico humano vai intervindo nele. É porque vocês passaram a ser Deus para ele. Agora, há uma evolução aí. Vai conquistando uma inteligência, um grau. Então, você pega um cavalo, um cachorro, um burro, ou mesmo um símio.

Já o macaco, você já começa a ver manifestações dele. São próprias dele. São típicas dele. A ponto de você conseguir. Não, isso é o macaco fulano. Tinha um macaco aqui no zoológico. Tinha nome, tinha tudo. É ele. Ele já tem características. Já características dele. É ele. E, aí, já a elaboração da inteligência dele. Mas, o que nós estamos querendo dizer aqui é que esse processo lá na frente, quando atinge a idade áurea da razão, entra na espécie humana aí, agora eu já tenho razão e sentimento. Não é? Mas, na seguinte ordem, o reflexo, o estímulo exterior está lá no pensamento e vida, esboça a emotividade.

Esboça, não determina, não determina. Porque, se eu ouvir um barulho aqui, agora, eu posso ter uma emoção de medo. Mas, se eu for uma pessoa mais treinada, esse mesmo barulho, eu fico tranquilo. Então, esse estímulo externo, ele só esboça a emotividade. Não determina. Não é um determinismo absoluto. Se vier um estímulo tal, eu vou ter tal emoção. Depende. Mas, o estímulo esboça a emotividade e a emotividade plasma a ideia. Então, primeiro, você tem um sentimento, uma sensação, uma emoção e ali vai surgir a ideia. Aí, você vai elaborar.

Daí, sentimento. De sentir. O que é o sentir? É o detectar. O sentir, a sensibilidade, um grau de percepção. E, aí, vem a ideia, que já é outro nível de percepção. Então, nós temos aqui Eva e temos Adão. Aí, vocês vão perguntar, por que a serpente foi a primeira em Eva? É claro. O impulso plasma a ideia? É o impulso que plasma a ideia? Não. O impulso esboça a emotividade. A emotividade é que plasma a ideia. Aí, nascem as atitudes, as palavras que comandam as ações. Então, vem a emotividade. Mas, aí, eu já tenho uma estrutura sentimental tão sofisticada que, antes de, ele já consegue identificar esses sentimentos que percorrem.

E, aí, vem uma razão e uma vontade poderosíssima capaz de direcionar. Não de aniquilar, não de abafar, não de tamponar, mas de direcionar. Mas, de direcionar. É isso. É disso que o texto vai falar daqui para frente. É desse processo que acontece na gente, um processo interior. Por isso, também, no Pensamento e Vida, Emmanuel vai trabalhar com um aspecto que ele diz assim que a mente, a maneira de um diamante bruto, lá mergulhada no lodo, no animal, está lá na ganga de instintos. É assim que é o processo que ela vai despertando, a mente.

E, no ser humano, ela se desperta entre ilusões que salteiam a inteligência. Saltear é assaltar. É um roubo à mão armada. E, inteligência não tem a ver com diploma, com intelecto. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. O sujeito pode ter cinco doutorados e ter alguém que é analfabeto e tem mais inteligência. Inteligência não é isso. Não é isso. Não é intelecto. Então, olha que interessante. A ilusão, que é um processo que tem a ver com desejo, a ilusão, com querer, com emoção, com sensação, com sentimento, com pulsão, com compulsão, gera necessidade, gera uma situação que pode, em sendo contrariado pela inteligência, assaltar a inteligência, abordar a sala, deixar ela no quadro e seguir adiante comandando as ações para depois, lá na frente, desiludir-se.

E, a desilusão é o quê? É voltar para o quarto escuro, desamarrar a nossa inteligência, deixar ela falar e ela vai dizer assim. Mas, eu queria dizer, eu queria ter me manifestado. A desilusão é sempre assim. Como que eu caí nessa? Como é que eu acreditei nisso? Como é que eu pude? Achar que eu ia ser a exceção do universo, que eu ia passar aqui e não ia acontecer comigo o que acontece com todos os seres humanos que passam por esse caminho. Então, é a brilhante frase de Paulo, no livro de Romanos, que ele diz assim, Porventura tropeçaram para que caísse?

Quem tropeça para cair? A gente tropeça para pular, tropeça para ficar de pé. Não, eu vou passar. Todo mundo cai, mas eu vou. Eu vou passar por aqui. Eu vou passar por essa experiência. Eu vou sair inteiro lá e não vai. Não vai. Então, o que aconteceu? A inteligência, que é construção evolutiva, que é patrimônio evolutivo, porque ela é experiência evolutiva, ela aponta para você e diz assim, não, isso não está fechando. Mas, a pulsão, o desejo, o querer, isso é uma coisa interessante. Mário Cortella foi no João Soares e perguntou para ele assim, o que é ética?

Difícil, não é? Mas, ele foi tão inteligente, ele ficou dando o conceito e disse assim, ética é o seguinte, o que eu quero, o que eu devo e o que eu posso. A ética é harmonizar essas três coisas, que nem tudo que eu quero eu devo, nem tudo que eu devo eu posso, nem tudo que eu posso eu quero. Você pode, você pode, mas não quer. Eu posso, mas não quero. Eu quero, mas não posso. Eu quero e posso, mas não devo. Eu devo, mas não posso. Estou impossibilitado. Ou eu devo, mas não quero. Eu quero. Olha, é isso aqui. O processo de tentação aqui é um processo ético, ético, moral.

Ele é ético, moral. Eu não diria pelo feminino, mas ele vem pela emoção, pelo sentimento. Por quê? Pela pulsão, pelo desejo, pela compulsão. Aí, você pode, aí Freud chamava de libido, porque ele entendia libido, embora ele tenha restringido, mas entendia libido como o desejo bruto, o desejo de tudo, o desejo como um todo. Interessante, não é? É ele que nos nos joga. E a evolução, ela, o start é o quê? É como um dever. Porque o dever ele põe o desafio, porque o dever vai brigar com o meu querer e vai dessa briga definir para mim os contornos das minhas possibilidades.

Das minhas possibilidades. É o confronto do dever com o querer. O dever, o dever, porque é assim, num primeiro estágio, num primeiro estágio evolutivo, em que não tem esse conflito, eu só faço o que é agradável para os meus sentidos. Então, o que eu quero? Eu quero beber água, eu quero parar de ter sede, eu quero parar de ter fome, eu quero esquentar se está frio, eu quero esfriar se está quente. Embora, tenha muitos seres humanos vivendo nessa sociedade, nessa lógica, ou nessa falta de lógica. São autômatos. Aí, eu dou um passo adiante.

Eu já começo a perceber que não é possível uma convivência de dois ou de mais se todos fizerem tudo o que querem. Aí, não tem jeito. É impossível. E, aí, começa a primeira percepção da possibilidade, dos limites. Há limites. Há limites. Ele está lá no livro dos Espíritos. Como é? Se você estivesse em uma ilha deserta, só você, não precisa de lei moral, não é? Lei moral por quê? Qual lei moral? Só você? É claro que isso é um estado hipotético, isso não existe. Porque, no mínimo, é eu e Deus. No mínimo, é dois, eu e ele.

E, aí, os outros relacionam. E, aí, não tem jeito. Aí, começam os limites. Os limites e as possibilidades. Os limites e as limitações. Não vai ficar neste jogo, aí. É isso que nós vamos ver. Mas, tudo começa em uma ilusão que assalta, mordaça, prende, sequestra e deixa em cárcere privado a nossa inteligência, a nossa razão. Toda vez que a gente cai espiritualmente, a nossa inteligência foi sequestrada. Foi sequestrada. Sequestrada. É o famoso golpe da pirâmide. Só cai quem quer ter uma vantagem rápida. Não tem um indivíduo.

Só cai aquele que quer ter uma vantagem rápida, quer ganhar um dinheiro rápido e muito e perde todo o dinheiro. Porque o desejo, a concupiscência do Tiago, lá na carta de Tiago, a compulsão, a compulsão atropela a inteligência. Depois que a pessoa descobre o golpe, o golpe é infantil. Infantil. É infantil. Nem uma criança de quatro anos cai num golpe de pirâmide. Porque os contornos são o extremo da irracionalidade. Então, eu estou falando disso porque é um caso judicial e o rapaz, o vídeo era assim, ele deitado na cama, eu sou um mega empresário numa grande empresa, você faz o depósito, quem vai estar deitado numa cama de short um jovem de vinte e poucos anos, um mega empresário, me dá o seu dinheiro?

Só cai nisso, você está com muito desejo de ganhar um dinheiro rápido que não venha do esforço e do trabalho. Esse desejo amordaça a sua inteligência, atropela, sequestra a sua inteligência e deixa ela. É essa a história. É disso que o texto vai falar aqui. Nós vamos ver os detalhes. Como é que é o processo? Como é que a ilusão cria o processo? Qual que é a regra? A regra é que não pode. Então, eu vou criar uma regra. Que é o caso deles. Aí, de repente, eles falam, não, a regra diz que não pode. Vamos mudar a regra.

Vamos mudar a regra. A gente cria aqui um mundo em que nós vamos ser deuses. Mas, a proposta era o que? Ser imagem e semelhança de Deus, não ser Deus. Semelhança não é igualdade. Semelhante. Uma relação de defender. Não, não, tira essa regra. Essa regra está incomodando. Porque aí o harmonismo. Então, só para finalizar, eu lembro de Flávio Gicovati, uma entrevista fantástica, mostraram para ele alguns grupos que tinham adotado a seguinte conduta. Tudo era possível. Então, você fazia o que estava com vontade. Então, tinha um relacionamento de cinco pessoas, moravam na mesma casa.

E, aí, Flávio diz, não, a nossa maneira de viver é assim, tudo que dá vontade, a gente faz. Aí, fecha com essa frase e passa para o Gicovati. Ele fala assim, nós acabamos de assistir, agora, uma regressão à infância. Esse é um estilo de vida infantil. Essa é a dinâmica psicológica de uma criancinha. Porque, crescer, tornar-se um adulto, viver em sociedade, é exatamente limitar o desejo. Encontrar aí esse ponto devo, não devo, quero, não quero, posso, é possível, não é possível. Posso, não posso. Posso, não no sentido de devo, não devo, no sentido de é possível.

Ela falou, eu quero pular de um prédio de cinquenta andares e voar. Olha, melhor não, porque você não pode. Não é não pode no sentido de você não deve, você não tem possibilidade mesmo. Você não tem essa possibilidade. Não, espera aí, mas eu vou estar com o equipamento, tem um paraquedas. Aí, você deve, porque agora você pode. Então, a gente vai, não é? Está lá a segurança. A gente entra no avião, não é? Nós temos uma possibilidade de voar? Não temos, mas entramos no avião, ampliou a possibilidade. Mas, sempre vai ter algo que não é possível.

Então, possibilidade e impossibilidade. Dever e querer. Está aí os três elementos. Que é isso que vai estar em jogo aqui nessa história. E é isso que está em jogo na evolução espiritual. Na evolução espiritual. Até que o nosso querer sai lá da letra do Caetano Veloso, que diz assim, a bruta flor do querer. O nosso querer deixa de ser uma flor grotesca e se transforma em uma flor delicadíssima. Tão sutil, tão suave, tão sofisticada, que aí eu confesso, já não sei mais o que é querer e o que é dever. Porque a gente já vai ouvir Jesus dizendo assim.

Ele não vai dizer assim, eu devo cumprir a vontade de Deus. A minha comida é fazer a vontade do meu Pai. Você não está entendendo? Eu não estou fazendo isso porque eu devo fazer, não. Eu quero. Esse é o meu desejo. Eu desejo. Mas, aí, aí é top da escala espírita. Aí é top model. É modelo e guia. Vamos lá. Então, quer dizer, não é um processo simplesmente em que eu me submeto a um ordenamento exterior, de fora para dentro. É um processo em que houve uma educação do querer. O desejo atingiu culminâncias e prazeres que superam em muito o prazer material de confortável e desconfortável.

Interessante isso, não é? A gente experimenta isso. Você está fazendo uma coisa que você gosta muito, você vai à noite com sono, com fome, fulano, vem, quer sair daqui, vem, deixa aqui, mas está desconfortável. Desconfortável está, mas está prazeroso. Que já é um prazer, já vai tendo uma sofisticação. Nós vamos falar disso tudo aqui, introduzindo. Como manter essa chama acesa do relacionamento com Deus diante da enorme fragilidade humana e diante da enorme fragilidade da existência humana, que é cheia de tempos e contratempos, que é cheia de imprevistos, cheia de tragédias e de glórias.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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