#048 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

Play Video
Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Dando continuidade ao estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias nos guia por mais um episódio do livro Gênesis, mergulhando nos versículos 18 em diante do capítulo 2. Este trecho marca uma mudança significativa na narrativa bíblica, introduzindo a temática da criação da mulher e a formação do primeiro casal, Adão e Eva, sob uma perspectiva espírita e aprofundada.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis 2:18-24: A Criação da Mulher e a Dualidade de Gênero: A análise inicia com a constatação divina de que “não é bom que o Adão (o terreno) esteja só”. Haroldo Dutra Dias destaca a importância da tradução do hebraico, onde “Adão” se refere ao ser terreno, sem gênero definido, e a distinção entre “ish” (homem) e “ishá” (mulher) que surge com a criação da mulher.
  • A Natureza do Auxílio: O estudo aprofunda o conceito de “auxiliadora que lhe corresponda”, enfatizando que a mulher não é inferior, mas uma parceira em pé de igualdade, destinada a auxiliar o homem nas responsabilidades de cultivar e guardar o Éden, dominar a natureza e multiplicar-se.
  • A Unidade na Bipartição: A frase “uma só carne” é explorada sob a ótica da unidade espiritual e eletromagnética que se forma na união do casal, transcendendo a mera soma das partes.
  • A Interpretação da “Costela”: A tradução da “costela” é discutida, sugerindo que o termo hebraico pode remeter mais à ideia de “lado”, indicando que a mulher foi tirada de um “lado” do homem, simbolizando a complementaried

    Ler transcrição do episódio

    Olá, amigos. Damos sequência, hoje, a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés. E, hoje, aqui, no nosso ambiente de gravação, temos a alegria de receber o nosso amigo, querido Saulo, que está vindo antes de Brasília, e agora de São Paulo, e o nosso amigo, também, Rafael, um vizinho que eu encontro muito pouco. E, damos sequência, nós no episódio anterior comentamos uma outra temática e, agora, vamos entrar nos versículos 18 e em diante, em que há uma mudança completa na narrativa e começa a se introduzir um tema de importância capital que vai, vamos dizer assim, dar início ao enredo.

    Todo o enredo da genealogia, do desenvolvimento humano começa a partir de um fato vital que ocorre no versículo 18 e em diante. O texto diz assim, O Senhor Deus disse Não é bom que o Adão, que o humano, que o terrestre esteja só. Vou fazer uma auxiliar do verbo auxiliar, mesmo, que lhe corresponda. O Senhor Deus modelou, então, do solo todas as feras selvagens e todas as aves do céu e as conduziu ao homem para ver como ele as chamaria, cada qual devia levar o nome que o homem lhe desse. O homem, o humano terreno, deu o nome a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras selvagens mas, para o humano, não encontrou a auxiliar que lhe correspondesse.

    Então, o Senhor Deus fez cair um torpor, um sono sobre o humano e ele dormiu, tomou uma das suas costelas e preencheu ou fez crescer carne em seu lugar. Depois da costela que tiraram do homem e a ave Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem. Então, o homem exclamou esta sim é osso dos meus ossos, carne de minha carne. Ela será chamada mulher porque foi tirada do homem. Então, vamos começar aqui de trás para frente. Em português, parece que não faz muito sentido, porque quando lhe fala homem e mulher, não tem a força que tem no hebraico em que homem é ish e mulher ishá que é a marca do feminino alvogal A.

    Então, é interessante isto? Ela será chamada ishá porque veio do ish. Isto é muito interessante. É um jogo poético, mas que remete para uma realidade transcendente que nós vamos examinar aqui. Outro aspecto é que todos os animais que estão submetidos ao homem e aqui o texto bíblico cria uma hierarquia uma coisa é o terreno humano e outra coisa são os animais sejam eles aquáticos, terrestres ou do ar. Eles não estão na mesma hierarquia, na mesma posição que os animais. Os animais são tirados da terra, mas a ishá vem do homem.

    Ela é da mesma natureza, da mesma substância. É interessante porque o versículo 18 começa assim uma constatação do Criador não é bom que o terreno que o terreno esteja só. E, aí, começa a falar vou fazer-lhe um auxiliar, alguém para auxiliar que esteja que lhe corresponda. Esta tradução não está muito interessante, né. Porque o original hebraico diz assim vou fazer-lhe um auxiliar que esteja com o que diante dele. Significa que em pé de igualdade a ele, porque os animais não estão em pé de igualdade, quer dizer, nada está em pé de igualdade ao terreno, porque os animais e a flora lhes são inferiores.

    Deus é infinitamente superior, então o terreno não tem um par. O par no sentido de alguém de mesma estatura. Isso é interessante, isso, né. E, até aqui, é importante a gente ficar atento para isso. Muitos pesquisadores já advertiram quanto a isso. Até o versículo 18, não se fala em gênero, porque é uma leitura profundamente equivocada acreditar que o Adão, dos versículos anteriores, é um homem no sentido gênero masculino. Porque isso só funciona, só funciona no inglês, no português, no francês, no espanhol, não funciona no hebraico, porque o hebraico é Adam, criou Adam, Adam.

    Adam é terreno. Acho que a melhor tradução é terreno. Eu gosto da tradução terreno, criou o terreno. Por quê? Porque o terreno nos remete a uma reflexão aqui. É o terreno, não é o espiritual. Então, a realidade que nós vivemos, enquanto encarnados, enquanto terrenos, necessariamente não é a realidade do mundo espiritual puro. Não estou falando das esferas espirituais tão próximas da Terra, que guardam relação com a Terra, não é? Colônias espirituais, esferas espirituais, em que você tem até torcedor de time, porque os Espíritos estão mais vinculados à faixa do planeta do que ao mundo espiritual.

    Então, os processos do mundo espiritual puro, nós não sabemos como é que eles se dão. Eles são completamente diferentes. É bom pensar nisso aqui. Aqui, nós estamos trazendo a chave do Espiritismo para aclarar alguns pontos para a gente que não são possíveis de ser aclarados sem a doutrina espírita. Então, quando, no livro Obreiros da Vida Eterna, o Asclepius não tem forma, o Asclepius não tem forma humana mais, ou ele não tem forma terrena, mas ele é o Espírito da Terra. O benfeitor esclarece para André Luiz, que André Luiz acha que ele é um Espírito, assim, da mais alta hierarquia.

    Ele fala, não, o Asclepius ainda está aqui nas faixas da Terra, mas não tem forma. Então, isso nos chama a atenção. Por quê? Você imaginar uma esfera espiritual em que as pessoas daquela sociedade espiritual não têm forma. É um foco. O Espírito tem uma forma, está lá no livro dos Espíritos. Ele é, se o quisesse, dizem os Espíritos, como uma chama. Uma chama. Mas, ele não tem olhinho, não tem boca, não tem ouvido, não tem mão, não tem pé, não tem órgão genital, não tem testículo, não tem útero. Então, eu acho interessante o texto bíblico com essa chave espírita, porque ela nos diz, assim, e o Senhor Deus constatou que não era bom que o terreno, o homem terreno ficasse só.

    Então, o terreno, na sua conformação de forma biológica da espécie humana, vai ser agora dividido em gênero. Aí, começa a entrar uma palavra diferente agora. Não mais Adam, apenas Adam, vai ocorrer. Mas, Adam passa a ser quase que nome próprio do Ix, homem, gênero. E Eva, que é vida, passa a ser nome próprio de Ixá, que é gênero, masculino e feminino. Criou a polaridade. Então, alguns comentadores chegam até a afirmar, não sei se precisa disso tudo, mas até aqui, o homem não é feminino nem masculino. O Adam é terreno.

    Então, é importante a gente entender isso. Ou seja, nós estamos falando, vamos abrir o verbo, da realidade do encarnado. O texto aqui está entrando agora. Para a realidade da encarnação não é bom que o terreno esteja só. E vai criar um fenômeno aqui da bipartição em gênero que vai redundar no casamento. Porque o texto vai redundar nisso. Ele fecha. Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe e se une a sua Ixá e eles se tornam uma só carne. Interessante, não é? Rafael? Uma vez, eu estava lendo um comentário do Rache sobre isso e parece que a tradução costela teria algum problema.

    Eu pensei que a melhor tradução seria Lábio, que foi criado do Lábio, de Adão. É, Mas o é porque também a palavra é utilizada para estes ossos aqui, né. Ela tem este uso, mas o sentido é este mesmo. Não é que esta palavra signifique lado, mas é que na raiz dela ela quer dizer isto, do lado. Tirou um lado dele e criou a Ixá. O que que é interessante nisso? O texto está sugerindo, quer dizer, está aqui uma névoa de que eu tenho um inteiro, eu tiro um lado e aí um lado tem que encontrar com outro lado para formar um todo, uma só carne.

    Interessante, né. Quando indagado sobre a questão do rompemento das relações, volta este texto. Volta este texto. Volta lá na Congélicia. Exatamente. O Kardec resgata isto. Exatamente. No princípio, não era assim. Olha que interessante, né. Não vou entrar aqui em maiores relações, mas realmente o texto nos leva para reflexões da mais alta magnitude. Porque o corpo aqui, uma só carne, uma só bassar, né. Bassar aqui no sentido de carne, não no sentido da substância de que é feita, a frágil substância de que é feita o terreno, mas no sentido que o hebraico não tem uma palavra para corpo.

    Isto a gente vai ter, por exemplo, no Novo Testamento, a palavra soma, que é corpo. Então, você não tem o corpo do cachorro. Não existe isto em hebraico. É a carne do cachorro. Ao menos no hebraico antigo. No hebraico moderno, hoje, tem tudo, tem até computador, internet, tem palavra para tudo. Mas, no hebraico bíblico, você não tem palavra para corpo. Então, uma só carne, um todo, esse todo pode ser um todo eletromagnético, uma unidade espiritual, não é? E, aí, a gente vai começando a perceber, porque Jesus remete a este texto, bem lembrado pelo Salmo, lembrando que, por trás de uma união, há aspectos muito mais profundos em que duas unidades formam uma outra unidade que é maior do que as duas.

    Elas formam algo que é maior do que elas e maior do que a soma delas. Então, aqui, um mais um não é dois. Interessante isto, não é? Só para a gente ter uma ideia, aqui eu estou fazendo a interpretação ainda Pechat, literária, Remetz, metafórica, vamos fazer um pouquinho de Midrash, Darash, e eu não vou entrar no sódio aqui, porque, aí, eu acho que foge um pouquinho, mas o Emmanuel foi no sódio. Quando ele expõe, lá, a sua tese das almas gêmeas, ele fez uma interpretação sódia deste texto. E, ele cita este versículo, Não é bom ao terreno, fique só, ou Macho e fêmea os criou.

    Então, tem realidades aí. A gente não vai entrar nisto, agora, que não é o caso. Nós vamos desviar para um assunto que vamos fugir completamente do contexto e do que a gente está querendo abordar. Mas, o interessante é que, até o versículo 17, capítulo 2, está se falando do terreno. O terreno, a condição humana, porque isto é importante ser dito. O texto hebraico, a criação hebraica, ela não está preocupada, Ela, na verdade, evita, propositadamente, uma cosmologia espiritual. Isto é forte. Nós só vamos ter uma reflexão no pensamento judaico, no pensamento hebraico, cosmológica, universal e espiritual com a Kabbalah.

    A Kabbalah, sim, a Kabbalah vai falar em mundos espirituais, em emanações, em realidades extrasensoriais. Mas, o texto bíblico, ele está querendo descrever a condição humana encarnada. É isto que ele e, evidentemente, os desdobramentos éticos de ser uma criatura feita a imagem e semelhança de Deus, estando na condição humana. Olha que interessante, não é? Exato, porque, ao ser imagem e semelhança do Criador, a gente sabe que existe uma realidade. Ele é de uma natureza também, o homem possui uma natureza que é divina, afirmada lá nos Salmos, vós sois deuses.

    E, repetida por Jesus. Não está escrito, sois deuses. Por quê? Há uma natureza divina no homem, que não é narrada, não é explorada, não é desenvolvida no texto bíblico. Não é desenvolvida no sentido divino. Que natureza é essa? Essa reflexão filosófica, como é que ela é? Quais são as suas características? Não. Ela é explorada no único sentido, por possuir uma natureza divina, por ser imagem e semelhança do Criador ou Essa criatura humana, ela possui um vínculo de relacionamento com o seu Criador. Vínculo que deve ser mantido, vínculo que deve ser desenvolvido e que gera consequências éticas e morais.

    Então, toda a reflexão bíblica, ela trabalha com o seguinte ponto, o fato de eu ter algo da natureza de Deus em mim e o fato de eu poder me relacionar com ele diretamente, traz implicações ético-morais, mesmo sabendo da minha condição humana de fragilidade, de De Frugalidade, vamos dizer assim, de tempo, de infinitude, mas, também, de muita rapidez do tempo. Isso vai nos línguas detalhes da vida, não é só os grandes atos. Talvez, por isso, a personalidade occidental tem dificuldade de entender as regras que o judaísmo impõe, porque eles acham que aquilo é exterior e aí, às vezes, é uma grande dúvida.

    Mas, aquilo é uma tentativa de entender essa relação com Deus até quando você anda com Ele, quando você toma banho, aquelas regras para não responder a essa pergunta, como me relacionar com Deus, nos mínimos detalhes. Como manter essa chama acesa do relacionamento com Deus diante da enorme fragilidade humana e diante da enorme fragilidade da existência humana, que é cheia de tempos e contratempos, que é cheia de imprevistos, cheia de tragédias e de glórias e que é curta, curtíssima. Precisa de alguém que esteja no seu nível.

    Não é o animal que está a irar, não é a planta. E, essa relação com o Criador, que é fundamental, porque ela veio antes, por isso amar a Deus sobre todas as coisas, porque ela é antes. Ela é fundamental para todas as outras relações. Porque, a partir do momento da criação da Ixá, surge relacionamento. Mas, o relacionamento surge depois que já está instaurado o relacionamento terreno-Deus. Deu Criador-Criatura. Então, a relação Criador-Criatura, ela é primordial e ela é anterior. É ela que fundamenta, sustenta as outras relações, as outras relações.

    Então, é interessante aqui, porque aí, quando a gente coloca isso em perspectiva, a gente vai entender que o no 24 aqui, né, vamos ver aqui o versículo 24 no hebraico. Olha que interessante. É uma pena a tradução, porque a gente lê no 24 assim. Por isso, o homem deixa seu pai e sua mãe, é o homem. Aí, lá atrás, no 18, está falando, não é bom que o homem esteja só. Você vê o que é o problema de tradução. Porque, no 18, a palavra para homem é Adão. No 24, é Ixe. Então, não é bom que o terreno esteja só, que o terreno, a criatura terrena esteja só.

    Agora, no 24, e aí o Ixe, masculino, deixará seu pai e sua mãe e se unirá a Ixe, feminino, gênero. A tradução mata isso, porque traduz tudo homem e mulher. E, tem pessoas que pegam tradução e ficam ainda fazendo leitura de gênero, leitura sociológica, a gente pode ir, porque não tem nem alicerce no texto hebraico. Aí, é o famoso viajar no ectoplasma. Então, não é bom que o terreno… Está falando, agora, de uma condição terrena. Por quê? Porque é a instituição de um casamento, filho, família, e isso é próprio da condição de encarnado.

    Nessa estrutura que é vivida aqui, nós temos o fenômeno de família espiritual, mas não corre. Não podemos, não é? Não é como aqui. Não é como aqui. Então, o que o texto está introduzindo é, ora, para a vivência da encarnação, vamos precisar criar uma condição. Terá que ter uma auxiliadora. O terreno terá que ter uma auxiliar que esteja com o que diante dele, ou seja, na mesma estatura. Este é um ponto interessante que a gente precisa, agora, refletir aqui, com muita atenção. Auxiliadora de quê? Porque fica parecendo uma contratada.

    Vai trabalhar para ele. Aí, nós precisamos entender o terreno recebeu um rol de atribuições decorrentes da sua condição de superioridade hierárquica no quadro da criação. A espécie humana possui uma superioridade hierárquica que é reforçada no sermão do monte. Não valeis mais do que olhar as aves do céu, o vosso Pai nos alimenta? Elas não semeiam nem colhem. Não valeis muito mais do que os pássaros. Do ponto de vista evolutivo, há uma superioridade hierárquica. Mas, grandes poderes trazem grandes responsabilidades, como já diria o Homem-Aranha.

    Não é? Poderes trazem grandes responsabilidades. O homem tem essa posição hierárquica, o ser humano, a espécie humana, melhor dizendo. Mas, a ela incumbe, em função da sua posição hierárquica, cultivar e guardar o Jardim de Éden, dar nome e dominar. Dominar no sentido de governar. Para essas atribuições, ele contará com um auxiliar. Então, aqui já cai por terra qualquer tentativa de colocar homem superior a mulher, enquanto gênero, mulher superior a homem. Não existe isso aqui. Aqui no texto, não. Vai existir na prática social, inclusive do povo hebreu.

    Que era uma sociedade patriarcal e, em alguns pontos, extremamente machista. Mas, no texto, não. Ela vem auxiliar em quê? Em cultivar o Jardim, em guardar o Jardim, em dar nome, em governar sobre os animais, sobre as ervas, sobre tudo, no ambiente da criação. Mas, em regime de quê? Não no regime da hierarquia, porque a hierarquia existe entre a espécie humana e as outras espécies. Aqui, ele vai ter um auxiliar que está de fronte dele, ou seja, mesmo nível hierárquico. Isto é muito bonito, muito bonito, muito profundo.

    Mas, enquanto a gente está vivo, esta lei é o que nos possibilita, de fato, construir coisas, porque ele está tratando do auxílio nessa dimensão. Você não está sozinho, né? E, a gente sabe que, na Seara do Cristo, nada é feito de maneira isolada. O auxílio, mesmo, remete a esta lei de auxílio. Exatamente. Auxílio ajuda muito. Ajuda muito. Então, o que a gente percebe aqui não tem várias consequências, mas, vou dar uma que eu acho que é fundamental. Com a criação do gênero neste modelo simples aqui, não estou entrando agora no casamento do formato atual, na questão da evolução de gênero, você tem a homoafetividade, não estou entrando nisso, não é este o ponto.

    Estou fazendo aqui um recorte histórico, nesta formatação aqui. Porque, uma das coisas que a mulher terá que auxiliar o homem é no dever de multiplicar. Incha é a Terra, que este também foi um dos deveres dados à espécie humana. Ela precisava se multiplicar. Então, ela vai ser auxiliadora. Então, a gente percebe aqui o quê? A condição de encarnação no mundo físico traz uma série de deveres que são típicos da condição de encarnado. E, para esta condição, a carga vai ser dividida, agora, por dois. Constituir um lar, ter filhos, multiplicar-se.

    Esta sociedade agora vai ser isso foi feito da forma como estava programado? A resposta é não. Por quê? Porque, logo depois da criação da auxiliar, os dois juntos vão se meter numa enrascada com a serpente. E, tanto Incha, quanto a Ixá, tanto o homem quanto a mulher vão deixar de ser imagem e semelhança de Deus para ser imagem e semelhança de serpente? Então, tudo mais que vem agora é degeneração. Por isso, quando Jesus vai abordar a questão do divórcio, é muito profundo, porque Ele diz assim, ei, peraí, peraí, depois de séculos e séculos de queda e deturpação, vocês querem que eu examine um instituto, agora, que funciona mais como dar ponto numa cicatriz?

    Não, vamos voltar para o início. Se, no início, homem e mulher tivessem seguido o seu DNA de serem imagem e semelhança de Deus, esse problema não estaria sendo vivido agora. Não teríamos esse problema. Exatamente, se fossem uniões baseadas no amor, não haveria isso. Volta lá para o início, porque tudo seria vivido na esfera física segundo a nossa origem divina. Isso é muito profundo. A saída do Jardim de Delícias implica numa deformação espiritual do homem, que está no texto de Paulo de Tars. Na última parte do Livro dos Espíritos, Paulo dá uma mensagem e diz assim, gravitar em torno da unidade divina.

    Tal é o nosso objetivo. Para tanto, três coisas são necessárias. Ciência, amor e justiça. Olha que interessante. Três coisas são contrárias. Conhecer, o amor e a equidade, a igualdade, a equidade, a justiça. Em que consiste, então, o pecado? Num falso movimento da alma. E o que constitui o castigo? Num conjunto de dores necessárias para que ela se dê conta da sua deformação, da sua deformidade. Por que deformidade? Porque deixou de ser, deixou de corresponder ao tipo humano proposto pelo Criador, que é o humano, imagem e semelhança de Deus.

    Esse humano, esse tipo, vai ser resgatado, ele vai ser atingido com Jesus. Bonito, não é? Por isso, a fala de Jesus. Não, não me venha falar de carta de divórcio, não me venha falar disso. Porque, no princípio, não era assim. Se nós tivéssemos seres humanos, imagem e semelhança de Deus, vocês não estariam me fazendo essa pergunta e não estariam tendo esse problema. É uma chamada profunda de atenção. Vocês não estariam tendo esse problema, como de resto. Praticamente, não estaria tendo 99 dos problemas que nós estamos tendo.

    Bem desse ponto. Alguém quer falar alguma coisinha? Estou só eu aqui. Hoje, estamos com visita. Aí, Thiago, está refletindo. Não é um erro de projeto, não é? É uma modificação que aconteceu, não é? Porque, é o que a gente fica pensando. Dentro do processo, já, vamos lá, na vinda dos capelinhos que iam chegar aí, não é isso? Ainda não chegaram. Estão para chegar dentro do processo. Aqui, vai, vai ter uma referência, eles, no processo da queda, não é? Porque a vinda dos capelinhos já é ter ouvido a serpente, não é? Já é ter falhado lá.

    Já é ter falhado lá. Já é ter falhado lá. É. O que a gente tem que tomar cuidado com isso, Júlio, é pelo seguinte, porque, se eu digo, olha só, que esse texto aqui está fazendo referência à queda dos capelinhos, quando eu digo isso, eu estou parcialmente certo, porque o texto foi escrito por capelinhos. Quer dizer, essa tradição religiosa hebraica é de capelinhos. Então, é de alguém que traz inato essa história. Mas, é preciso tomar cuidado com essa afirmação, porque tem algo que não foi dito nessa afirmação que está implícito.

    Então, esse texto não é universal. Ele é um texto de uma história particular, de alguns milhões de Espíritos que foram exilados. Será? Então, isso aqui é o problema. O texto fala de um fenômeno que é universal. Agora, a experiência dos capelinhos foi uma concretização de um fenômeno que é universal. Não necessário, não necessário, porque existem seres que evoluem sem passar por queda, sem degredo. Há seres que nunca foram degredados e que continuam, mas esse é um fenômeno universal. Então, eles estão falando de uma coisa que é universal a partir de uma experiência individual.

    Então, eu diria assim, a experiência vivida por eles fez com que eles abrissem os olhos para essa realidade transcendental e universal. E, aí, sim, resolveram contar a sua história, mas essa história tem um sabor, é um sabor cósmico. Então, é complicado. Se eu ficar aqui só pegando histórias de capelinho, aí eu perco esses aspectos profundos. É meio universal e é bonito, porque no momento em que o texto reconhece a diversidade no mundo, ele reorienta essa diversidade para atuar em conjunto na direção do que Deus estabeleceu.

    E, o que ele conta é que essa união, na verdade, ela vai na direção oposta. Os dois falam. E, a partir daí, começa toda a problemática da condição humana que Jesus vai resgatar. Exatamente. E, a problemática, ela surge do seguinte, porque o Tiago falou bem ali, o projeto divino é perfeito. Então, a evolução, ela inicia com um projeto divino, mas a execução é compartilhada, porque, senão, não haveria livre-arbítrio. Há um projeto evolutivo. Esse projeto é inalterável e inegociável. Isso é. Às vezes, eu fico com medo de dizer isso, não é?

    O projeto divino é inegociável. Deus não vai negociar com você que você vai chegar antes. Não tem jeito. A única coisa que você pode fazer é adiar. Agora, alterar isso, inegociável, a evolução é um imperativo divino e não há permissão divina para que o ser se ausente da evolução. Ele pode estacionar. É a lei de progresso. Ele pode estacionar, mas quem diz que o estacionado não está progredindo? Quem diz? Sem nenhum trocadilho, é só estudar o Saulo que virou Paulo. Então, quando a gente estuda o Saulo, você acha que está estacionado.

    Não é? Então, pega no início lá e ele é Saulo. Aí, pega no fim que ele é Paulo. Quem que acompanhou? Quem que acompanhou, não é? Quem que acompanhou? Tudo. E dá um salto. Afeta ela como um todo. Então, quer dizer, em uma área que, aparentemente, ela ficou estacionada, seja na criminalidade, em qualquer coisa, que ela foi tragada pelas malhas do mal, quando ela se liberta, ela se liberta por inteiro. Então, é importante a gente entender. Ou seja, aqui está falando de uma experiência que é universal. Mas, a experiência é qual?

    Qual que é o erro aqui? O erro foi tirar Deus da centralidade e assumir o centro, assumir a posição central de Deus, afastando Deus. Ou seja, e aqui vem uma coisa curiosa, curiosa e paradoxal. Quando eu era criança, falava em Adão e Eva, eu já pensava em alguma coisa envolvendo sexo, que é característica da relação dos dois. Tem isto, tem chá, tem relação sexual, tem procreação, tem casamento, tem família, tem tudo. Tem tudo. Mas, a pergunta é, onde está escrito aqui que Adão teve problema no relacionamento com Eva?

    Não tem um versículo aqui falando que isso é terapia de casal? Eles estavam super bem no Éden, saíram do Éden e continuaram muito bem. Obrigado! Eu estou brincando, assim, com uma certa ironia, mas estou querendo dizer o seguinte, não houve problema na relação. Houve problema num outro relacionamento, o deles com o Criador. Estou falando, assim, no imaginário que eu tinha. Exatamente. Mas, eu tinha a impressão de que esse relacionamento não ficou muito bom, depois que ele descobriu que ela deu um vacilo lá e provocou que ele caísse.

    Houve esse pensamento de a mulher provocando a queda do homem. Não sei se tem isso. Tem demais isso no nosso imaginário. No nosso imaginário. Agora, aí é interessante você ter falado isso, Júlio, porque a gente vai entrar na estratégia da serpente. Para a serpente conquistar seu propósito, ela precisa de dois votos. Ela precisa de dois votos. Então, a pergunta, isso é importante, um voto só, ela não tinha feito o estrago que ela fez. Ela precisava de dois votos, da Eva e do Adão. Por que procurou a Eva primeiro? Aí é outro tema.

    Daqui a pouco, mais uns episódios para frente, por que ela adotou a estratégia de ir primeiro em Eva? Para conseguir o primeiro voto da Eva e depois o voto do Adão. Por que ela não foi primeiro no Adão e pegou o voto dele para depois pegar o voto de Eva? Pergunta para os próximos episódios. Vamos ficar guardados aí. Não dá para falar isso aqui agora. Então, não tem essa de que Eva é o pivô. Não tem essa. O que foi dito para Eva foi dito para Adão. A proposta, o projeto que foi apresentado para Eva foi apresentado para Adão.

    A diferença é que primeiro foi apresentado para Eva e aqui há uma grande estratégia da serpente, por isso ela era a mais astuta de todos os animais. A mais astuta. O mesmo projeto, depois que ela apresenta para a mulher, que ela conquista um voto, aí ela vai para conquistar o segundo voto ou a adesão. E, então, o casal adere. O casal faz a adesão ao projeto. Interessante que o próprio texto trata disso, porque é uma união com proposta, é um equívoco na união, estão juntos no equívoco, estão juntos no banimento, estão juntos na vivência fora do jardim, ou seja, essa união é fácil.

    Eles continuam juntos. Quer dizer, é bonito porque só eles não ficaram. Não é bom que o terreno esteja só. Só eles não ficaram. Teve espinho, dor no parto, suor para comer, serpente picando o calcanhar, dor de parto, cair, matar navio, confusão danada, mas, hashtag, tamo junto. Tamo junto. Só ele não ficou. Isso é muito profundo. Então, são coisas assim, sutilezas que o texto vai trazendo e que a gente fica atento e vai percebendo a beleza do texto. Controlando o horário aqui. Agora, nós vamos só introduzir um outro assunto aqui, porque esse tema da abordagem da serpente, dessa dinâmica do casal, vai ser explorado muito no capítulo 3.

    Então, nós temos que voltar agora, preparando para o próximo episódio, um tema de magna importância aqui, que é Adam e a sua auxiliadora, Eva, vão nomear. Dar nome. Parece bem bobinho, lendo assim a primeira vista. Dar nome? Dar nome? Mas, dar nome é o supremo trabalho da inteligência. E eu estou falando inteligência, eu não estou falando intelecto. Porque, hoje, nós estamos com uma confusão imensa. As pessoas acham que inteligência, como está descrita lá no livro dos Espíritos, é igual ao intelecto. Se fosse assim, a questão primeira seria quem é Deus?

    Deus, intelecto supremo, causa primária de todas as coisas. Então, Deus não tem amor? E, quando a gente abre o livro Pensamento e Vida, fala da mente, que é uma emanação do Espírito, é um campo, uma aura, ela tem uma face, que é o sentimento, e um núcleo, que é a razão. Então, inteligência não é intelecto. Intelecto é o mínimo aspecto da inteligência, porque a inteligência está alicerçada no instinto também. E, segundo Kardec, no ensaio dele sobre o instinto, o instinto é a manifestação de Deus na criatura. Por isso, ele é universal, ele não varia, ele é infalível, ele não erra.

    É um profundo tema. Então, a inteligência é algo maior. Todas as nossas capacidades afetivas, emocionais e do sentimento, psicológicas, psíquicas, anímicas, intelectuais, intelectivas, cognitivas, estão dentro da inteligência. E, a inteligência ainda é mais do que isto tudo. E, o que é mais? Não sei. Não sei, mas é mais. Tanto que Deus é a inteligência suprema e nós somos a inteligência relativa, que não é suprema. Inferior. Importante isto, não é? Então, dar nome é distinguir, conceituar, pegar o infinito e dividir em partes.

    Porque, quando eu dou o nome cachorro, gato, o que eu estou fazendo? Só dando o nome? Só dando o nome? Isto aqui é um cachorro. Isto aqui é um cachorro. Então, eu falo, não, isto é um copo com água. Então, você está distinguindo. Porque, ao nomear aquilo, eu me distingo do que eu estou nomeando. Eu me distingo do que eu estou nomeando de outra coisa. Eu começo a diferenciar num todo. Exatamente. E, aí, é o exercício da inteligência. Daí, porque a origem da palavra equivocou. É dar nomes iguais a coisas diferentes. Este é o maior problema.

    Querem ver? A pessoa chega e fala assim, eu não acredito em Deus. Você fala, mas, por quê? O que é isto? Você não acredita em Deus? O que é isto? Deus? Um homem velho, sentado num trono, ditando regras, com representantes aqui na Terra, fala, opa, como é que é? Eu também não acredito. Eu também não acredito. Isto é Deus? É isto aí que você chama de Deus? Então, eu também não acredito. E, Kardec inicia o Livro dos Espíritos dizendo, e toda hora os Espíritos falam para ele, olha, você se entenda com as palavras. Não vou ficar aqui dando palavras para vocês.

    Você se entenda com as palavras. Desde que você se compreenda, você pode usar a palavra que você quiser. Várias vezes no Livro dos Espíritos, você pode usar a palavra que você quiser, desde que você entenda. Você se entenda. E, aí, Kardec já começa com a maior dificuldade na introdução do Livro dos Espíritos, a palavra alma. A palavra alma tem quinhentas mil definições. Então, você fala, a alma, você fala, o que você chama de alma? A alma? O princípio que dá vida para os seres orgânicos. Ah, isso aí eu chamo de princípio vital ou de fluido vital.

    Eu não chamo de alma. Interessante, não é? E, as coisas mudam de nome. Então, só para introduzir aqui no próximo episódio. Até Milton, o mundo é uma mesa de sinuca com bolas que são os corpos materiais. Um taco que faz uma força na bola e ela, como é que os corpos materiais interagem? Um pouquinho depois de Milton, faradei, ampere, até Maxwell, esse período todo que começa a descobrir eletricidade, magnetismo e eletromagnetismo, ele fala, peraí, não precisa do taco. As bolas da sinuca agem umas sobre as outras sem precisar encostar.

    Por campos de força. Mudou ou não mudou? Então, ser materialista na época de Newton é diferente de ser materialista na época de Maxwell. Chega o século XX, olham para a mesa de sinuca, tiram todas as bolas, ficam só as forças, ficou só a energia. Então, se você falar, eu sou materialista, peraí, você é materialista newtoniano, Maxwellzano ou Einsteiniano? Porque, se você é newtoniano, é mesa com bolinha, sinuca e taco. Se é de Maxwell, é bolas de sinuca que interagem por força. Meu amigo, depois de Einstein, é só força, é só energia.

    Então, nós não estamos falando da mesma coisa. Eu falo matéria aqui, o que você entende por matéria? Então, o sujeito fala assim, o Espiritismo é religião. O que você entende por religião, meu amigo? Nós podemos estar falando de coisas diferentes, só que eu estou usando a mesma palavra. Tem um nome sofisticado, por isso se chama anfibiologia. Então, Kardec começa Para se evitar a anfibiologia, dar mesmas palavras para as coisas diferentes, nós não vamos chamar isto aqui de espiritualismo. Então, eu vou criar uma palavra nova para descrever isto aqui, porque isto aqui não é espiritualismo.

    Este negócio aqui é Espiritismo. Espiritismo que vem de espírita, porque é o mundo espírita ou o mundo dos Espíritos. E o Espiritismo é a parte do conhecimento humano que estuda o mundo dos Espíritos e as relações deste mundo com o mundo do Adão, com o mundo espiritual, com o mundo do terreno. Aqui, nós vamos vendo como as coisas, esta função de dar nome, ela é importantíssima. Quando chega na Grécia, está lá no Acaminho da Luz, com os pré-socráticos que começam a fazer as primeiras perguntas e surge a filosofia, esta atividade toma proporções extraordinárias.

    O que ninguém vê, você pode ver um símio, um chimpanzé, um macaco imitando, pegando uma banana ou tendo um ato físico, corpóreo que lembra o nosso gestual humano, mas ninguém vai encontrar um macaco fazendo uma reflexão de quantos tipos de macacos existem, como se organiza a sociedade dos macacos, se existe um macaco supremo, se tem uma origem, eles estão fora desta atividade, que é a atividade de nomear. Este é um passo na Revolução. Mas, aí, são cenas, nos próximos capítulos, nós vamos falar muito disso, porque isto é muito importante, muito importante.

    E, a medida que eu estudo isto, tenho pensado muito de a gente ter esta reflexão. Quando está conversando com alguém, a pessoa usa uma palavra, o que você entende por esta palavra? Você está querendo dizer o que com isto? A gente no movimento espírita, um dos maiores conflitos é quando a gente fala de reencarnação e as pessoas quando falam de a reencarnação é a ressurreição. As pessoas falam de ressurreição como o fenômeno que ocorreu com Jesus. Exato. A grande maioria dos evangélicos, dos católicos, se refere à ressurreição, àquele fenômeno que aconteceu com Jesus.

    E, isto, para a gente, não é a encarnação. Exato. Mas, o embate ocorre e vira um diálogo. Vira uma coisa, parece que você está falando da mesma coisa, mas são coisas completamente distintas. Acho que ele tem vivido isto no curso de antroposofia. Porque é muito próximo, é muito bacana o curso, muito legal, mas você tem que ter esta habilidade de Acreditar que as palavras são as mesmas. São as mesmas. Não que os significados estejam errados. Você pode até compartilhar ideias, mas o quadro de nomenclatura e a maneira como isto está relacionado é completamente diferente.

    Então, quando você, às vezes o Espírita tem contato com a antroposofia, ele se horroriza. Por que ele está falando aqui do Corpetério? O Corpetério não é isto, não. Você não está entendendo. O idioma dele é outro. Ele está chamando o Corpetério. Está certo o conceito que ele está entendendo. Está certo. Exatamente. Ele não está usando a mesma nomenclatura que você usa, ele pode, do lado de lá, da outra margem do rio, ele diz que você é quem está errado, porque são apenas palavras. Exatamente. São apenas conceitos. Exatamente.

    Eu lembro que você falava, uma coisa legal, uma vez você falando, eu acho que seria muito legal que os palestrantes, todos, adotassem que quando ele abrisse o estudo, ele estabelecesse, dentro dos conceitos básicos do que ele vai falar, o que significa cada palavra da chave, por exemplo. Nós estamos entendendo. Então, quando eu disser essa palavra, por exemplo, ressurreição, eu estou falando disso. Quando eu falar de reencarnação, eu estou falando disso. Quando eu falar alma, eu estou falando disso. Por quê? Porque, como não faz o ajuste, esse ajuste ali, numa palestra, no estudo, consta, é, E aí, ele fica lá, nossa, entendi tudo, entendeu nada, porque, ele compreende alma por um conceito que é totalmente diverso do que você está utilizando para citar a alma no seu estudo.

    E, nessa coisa da comunicação, a gente vai se perdendo e entrando nos problemas de diálogo, não é, Haroldo? E o diálogo interreligioso, uma coisa que a gente aprendeu muito aqui, no SER, com o trabalho de estar conversando, é de aprender, porque eu escutei muito assim, não, porque os evangelhos são retrós, estão muito lá atrás, vivem falando só de lei de justiça, só querem estudar o Antigo Testamento. E, com essa coisa nossa, a gente vai descobrir, Haroldo. Não tem isso. Não tem isso. Pode ter algumas pessoas, mas isso não representa o movimento como um todo.

    Não, principalmente os pensadores, não é, Haroldo? Porque a questão toda é que eles usavam termos, terminologias, que nós não usávamos no Espiritismo, ou usávamos com conceitos diferentes. E, acabava que, quando ele falava uma coisa, eu entendia a outra, e, quando eu falava uma coisa, ele estava entendendo a outra. E, a gente não harmonizava, não fazia aquele câmbio de conceitos, não é, olha, a minha moeda, você veio de que país? Exatamente. Então, eu encontro uma moeda. Você veio de que país? Então, eu encontro a moeda.

    Chega aqui, ou seja, qual a moeda que está certa, nesse meio aqui que a gente está trocando? Não, a moeda passa na casa de câmbio ali, nesse terreno que nós vamos trabalhar, temos uma terceira moeda, que vai ser eleita para nós conversarmos. E, outras coisas, não é, Júlio? Porque, assim, mesmo quando você cria um conceito e você começa a se debruçar sobre aquilo, aí nós vamos falar no próximo episódio sobre isso, eu falo cachorro. Então, eu consigo distinguir um cachorro de um gato, de um tigre, de uma onça. Mas, existe só um cachorro, um tipo de cachorro, não é?

    Aí, quando você começa a entrar nesse universo, aí, aquele tanto de raça, um tanto de cachorro, diferente, e aí você vai conversar com a pessoa. Olha que interessante, não é? Ela fala cachorro, do que do cachorro que ela está falando, não é? De qual cachorro, não é? Porque ela pode ter um poodle, está descrevendo hábitos do poodle, e ela fala, não, porque os cachorros são assim, não, são assim os poodles, os labradores, e o que mora na sua casa. Os labradores, olha que coisa. Então, a gente começa a distinguir, distinguir, nomear, nomear.

    E, cada vez que você distingue, cada vez que você acrescenta uma percepção nova do fenômeno, você precisa de um nome, ou de um subnome. É interessante, não é? O problema de linguagem. E, aí, eles vão mais, não é? Eles vão dizer assim, não se pensa fora da linguagem. Aí, o episódio, nós não vamos entrar nesse episódio aqui, senão a gente não tem nada. Vamos me lembrar disso. Não se pensa fora da linguagem. Wittgeist tem dois. Então, não se pensa fora da linguagem. Nós encarnados. E, hoje, a linguística é clara. A nossa linguagem é corporalmente identificada.

    A nossa linguagem depende do nosso corpo. Olha que interessante. Então, você fala assim, peguei a sua ideia. Peguei a sua ideia. Quer dizer, o conceito de absorver algo está ligado a pegar. Ficou claro? Ficou claro. A nossa linguagem é corporal. Aí, eu pergunto assim, no próximo episódio, como é que um asclepios que vive num mundo espiritual em que as pessoas não tem forma humana, não tem corpo físico e não tem forma, qual que é a linguagem dele? Ele não pode falar, está diante dos meus olhos. Ninguém tem olhos. Ninguém tem olhos.

    Está na palma da mão. Ninguém tem mão. Ficou para trás. Ficou para trás. Não está em trás. Então, então, questão do livro dos Espíritos, fundamental, Deus pôs limite ao homem para conhecer. Está no livro dos Espíritos. O homem pode conhecer tudo, não é assim? Não. Deus lhe pôs limites. Mas, aí, próximo episódio. A Torá, a revelação divina, ela é viva. Era a compreensão de que Torá não é o texto só. A revelação divina não é um texto. Ela é uma forma divina. Ela é uma forma divina.

    Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Hide picture